Livro IV · Do processo de execuçãoTítulo I · Do título executivo

Artigo 704.º(art.º 47.º CPC 1961) Requisitos da exequibilidade da sentença

Pertence ao Código de Processo Civil (Lei n.º 41/2013, de 26 de Junho)

Resumo em linguagem claraGerado por IA · revisto contra texto oficial

Este artigo estabelece as regras essenciais para quando uma sentença pode ser executada (quando se pode cobrar o que foi condenado). A regra principal é: só depois de a sentença ficar definitiva (sem possibilidade de recurso). No entanto, existem exceções importantes. Se o recurso interposto não suspende a execução (efeito meramente devolutivo), pode começar-se a executar imediatamente, embora com proteções: quem recebe o dinheiro tem de oferecer garantia; o executado pode suspender tudo dando caução; e a casa de habitação tem proteção especial. O artigo também prevê situações de condenações vagas que precisam ser esclarecidas antes de executar. Em resumo: equilibra o direito de quem ganhou receber rápido com a proteção de quem pode estar errado pendente de decisão final.

Quando se aplica — exemplos práticos

Execução com recurso de efeito meramente devolutivo

Um tribunal condenou uma empresa a pagar 50 mil euros. A empresa recorreu, mas esse recurso não para a execução (efeito meramente devolutivo). O credor pode receber o dinheiro imediatamente, mas tem de oferecer garantia (caução). Se a decisão final for ao contrário, devolvem o valor com juros.

Proteção da casa de habitação

Uma sentença ordena a venda da casa de um casal para pagar uma dívida. Enquanto a sentença está pendente de recurso, o juiz pode decidir adiar a venda se isso causar prejuízo grave e dificilmente reparável à família, aguardando a decisão definitiva.

Condenação em valor não específico

Um tribunal condena um responsável a pagar 'os danos causados', mas não quantifica o valor exato. Não se pode executar diretamente. Primeiro tem de haver um processo complementar (liquidação) que determine exatamente quanto se deve cobrar.

Texto oficial

Ver no PGDL ↗
1 - A sentença só constitui título executivo depois do trânsito em julgado, salvo se o recurso contra ela interposto tiver efeito meramente devolutivo. 2 - A execução iniciada na pendência de recurso extingue-se ou modifica-se em conformidade com a decisão definitiva comprovada por certidão; as decisões intermédias podem igualmente suspender ou modificar a execução, consoante o efeito atribuído ao recurso que contra elas se interpuser. 3 - Enquanto a sentença estiver pendente de recurso, não pode o exequente ou qualquer credor ser pago sem prestar caução. 4 - Enquanto a sentença estiver pendente de recurso, se o bem penhorado for a casa de habitação efetiva do executado, o juiz pode, a requerimento daquele, determinar que a venda aguarde a decisão definitiva, quando aquela seja suscetível de causar prejuízo grave e dificilmente reparável. 5 - Quando se execute sentença da qual haja sido interposto recurso com efeito meramente devolutivo, sem que a parte vencida haja requerido a atribuição do efeito suspensivo, nos termos do n.º 4 do artigo 647.º, nem a parte vencedora haja requerido a prestação de caução, nos termos do n.º 2 do artigo 649.º, o executado pode obter a suspensão da execução, mediante prestação de caução, aplicando-se, devidamente adaptado, o n.º 3 do artigo 733.º e os n.os 3 e 4 do artigo 650.º. 6 - Tendo havido condenação genérica, nos termos do n.º 2 do artigo 609.º, e não dependendo a liquidação da obrigação de simples cálculo aritmético, a sentença só constitui título executivo após a liquidação no processo declarativo, sem prejuízo da imediata exequibilidade da parte que seja líquida e do disposto no n.º 7 do artigo 716.º.
273 palavras · ID 1959A0704

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