União Europeia — legislação
Diretiva (UE) 2004/49
- Data
- 2004-04-30
- Meio processual
- LEGISLAÇÃO DA UNIÃO EUROPEIA
- Tipo
- Diretiva
Sumário
Directiva 95/18/CE do Conselho relativa às licenças das empresas de transporte ferroviário e a
Texto integral (14 438 palavras)
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 44
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DIRECTIVA 2004/49/CE
DO PARLAMENTO EUROPEU E DO CONSELHO
de 29 de Abril de 2004
relativa à segurança dos caminhos-de-ferro da Comunidade, e que altera a
Directiva 95/18/CE do Conselho relativa às licenças das empresas de transporte ferroviário e a
Directiva 2001/14/CE relativa à repartição de capacidade da infra-estrutura ferroviária,
à aplicação de taxas de utilização da infra-estrutura ferroviária e à certificação da segurança
("directiva relativa à segurança ferroviária")
O PARLAMENTO EUROPEU E O CONSELHO DA UNIÃO EUROPEIA,
Tendo em conta o Tratado que institui a Comunidade Europeia, nomeadamente o n.º 1 do
artigo 71.º,
Tendo em conta a proposta da Comissão 1,
Tendo em conta o parecer do Comité Económico e Social Europeu 2,
Tendo em conta o parecer do Comité das Regiões 3,
Deliberando nos termos do artigo 251.º do Tratado 4, tendo em conta o projecto comum aprovado
pelo Comité de Conciliação, em 23 de Março de 2004,
1
JO C 126E de 28.5.2002, p. 332.
2
JO C 61 de 14.3.2003, p. 131.
3
JO C 66 de 19.3.2003, p. 5.
4
Parecer do Parlamento Europeu de 14 de Janeiro de 2003 (JO C 38 E de 12.2.2004, p. 92),
posição comum do Conselho de 26 de Junho de 2003 (JO C 270 E de 11.11.2003, p. 25) e
posição (ainda não publicada no Jornal Oficial) e decisão do Parlamento Europeu
de 23 de Outubro de 2003 (ainda não publicada no Jornal Oficial). Resolução legislativa do
Parlamento Europeu de 22 de Abril de 2004 e decisão do Conselho de 26 de Abril de 2004.
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Considerando o seguinte:
(1) A fim de prosseguir os esforços de criação de um mercado único dos serviços de transporte
ferroviário, iniciados com a Directiva 91/440/CEE do Conselho, de 29 de Julho de 1991,
relativa ao desenvolvimento dos caminhos-de-ferro comunitários 1, é necessário estabelecer
um quadro regulamentar comum para a segurança ferroviária. Até à data, os Estados-
-Membros elaboraram as suas regras e normas de segurança essencialmente à escala
nacional, com base em conceitos técnicos e de exploração nacionais. Simultaneamente, as
divergências de princípios, abordagem e cultura dificultaram a eliminação dos obstáculos
técnicos e o desenvolvimento de operações internacionais de transporte.
(2) A Directiva 91/440/CEE, a Directiva 95/18/CE do Conselho, de 19 de Junho de 1995, relativa
às licenças das empresas de transporte ferroviário 2, e a Directiva 2001/14/CE do Parlamento
Europeu e do Conselho, de 26 de Fevereiro de 2001, relativa à repartição de capacidade da
infra-estrutura ferroviária, à aplicação de taxas de utilização da infra-estrutura ferroviária e à
certificação da segurança 3, constituem os primeiros passos para uma regulamentação do
mercado europeu dos transportes ferroviários mediante a abertura do mercado dos serviços
internacionais de transporte ferroviário de mercadorias. No entanto, as disposições no
domínio da segurança revelaram-se insuficientes e subsistem diferenças ao nível dos
requisitos de segurança que afectam o funcionamento optimizado dos transportes ferroviários
na Comunidade. Assume particular importância a harmonização do conteúdo das normas de
segurança, a certificação de segurança das empresas ferroviárias, as tarefas e funções das
autoridades responsáveis pela segurança e os inquéritos sobre acidentes.
1
JO L 237 de 24.8.1991, p. 25. Directiva com a redacção que lhe foi dada pela
Directiva 2001/12/CE do Parlamento Europeu e do Conselho (JO L 75 de 15.3.2001, p. 1).
2
JO L 143 de 27.6.1995, p. 70. Directiva com a redacção que lhe foi dada pela
Directiva 2001/13/CE do Parlamento Europeu e do Conselho (JO L 75 de 15.3.2001, p. 26).
3
JO L 75 de 15.3.2001, p. 29. Directiva com a redacção que lhe foi dada pela
Decisão 2002/844/CE da Comissão (JO L 289 de 26.10.2002, p. 30).
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(3) Os metropolitanos, os eléctricos e outros sistemas ferroviários ligeiros estão subordinados, em
muitos Estados-Membros, a normas de segurança locais ou regionais, sendo frequentemente
submetidos à supervisão das autoridades locais ou regionais e não estando abrangidos pelos
requisitos em matéria de interoperabilidade ou concessão de licenças na Comunidade. Os
eléctricos estão além disso frequentemente sujeitos à legislação de segurança rodoviária, pelo
que não podem ser plenamente abrangidos pelas normas de segurança ferroviária. Pelas
razões que precedem e em conformidade com o princípio da subsidiariedade consagrado no
artigo 5.º do Tratado, os Estados-Membros deverão poder excluir tais sistemas ferroviários
locais do âmbito de aplicação da presente directiva.
(4) Os níveis de segurança do sistema ferroviário comunitário são geralmente elevados, em
especial quando comparados com os do transporte rodoviário. É importante que a segurança
seja, pelo menos, mantida no decurso da actual fase de reestruturação, que separará funções
de empresas ferroviárias anteriormente integradas e levará cada vez mais o sector ferroviário a
substituir a auto-regulamentação pela regulamentação pública. A segurança deverá continuar
a ser melhorada em função do progresso técnico e científico, sempre que tal seja
razoavelmente exequível e tendo em conta a competitividade do modo de transporte
ferroviário.
(5) Todos aqueles que exploram o sistema ferroviário, os gestores da infra-estrutura e as
empresas ferroviárias serão inteiramente responsáveis, cada um na parte que lhe diz respeito,
pela segurança do sistema. Sempre que adequado, deverão cooperar na implementação de
medidas de controlo dos riscos. Os Estados-Membros deverão estabelecer uma distinção clara
entre esta responsabilidade imediata pela segurança e a tarefa das autoridades responsáveis
pela segurança de estabelecer um quadro regulamentar nacional e de realizar a supervisão do
desempenho dos operadores.
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(6) A responsabilidade dos gestores da infra-estrutura e das empresas ferroviárias no que diz
respeito ao funcionamento do sistema ferroviário não exclui que outros actores, tais como
fabricantes, empresas de manutenção, fornecedores de serviços, funcionários responsáveis
pelas carruagens e entidades adjudicantes, assumam a sua responsabilidade pelos produtos ou
serviços prestados, nos termos da Directiva 96/48/CE do Conselho, de 23 de Julho de 1996,
relativa à interoperabilidade do sistema ferroviário transeuropeu de alta velocidade 1, e da
Directiva 2001/16/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 19 de Março de 2001,
relativa à interoperabilidade do sistema ferroviário transeuropeu convencional 2, ou de outra
legislação comunitária aplicável.
(7) Os requisitos de segurança dos subsistemas das redes ferroviárias transeuropeias são
enunciados na Directiva 96/48/CE do Conselho e na Directiva 2001/16/CE. No entanto, estas
directivas não definem requisitos comuns ao nível do sistema e não tratam em pormenor da
regulamentação, gestão e supervisão da segurança. Quando as especificações técnicas de
interoperabilidade (ETI) definirem níveis de segurança mínimos dos subsistemas, será cada
vez mais importante estabelecer igualmente objectivos de segurança igualmente ao nível do
sistema.
(8) Deverão ser gradualmente introduzidos objectivos comuns de segurança (OCS) e métodos
comuns de segurança (MCS) a fim de garantir a manutenção de um nível elevado de
segurança e, se e quando necessário e razoavelmente exequível, a sua melhoria. Os OCS e
MCS deverão proporcionar instrumentos de avaliação do nível de segurança e do desempenho
dos operadores tanto ao nível da Comunidade como dos Estados-Membros.
1
JO L 235 de 17.9.1996, p. 6.
2
JO L 110 de 20.4.2001, p. 1.
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(9) A informação sobre a segurança do sistema ferroviário é escassa e, em geral, não se encontra
à disposição do público. É por conseguinte necessário estabelecer indicadores comuns de
segurança (ICS) a fim de avaliar se o sistema dá cumprimento aos OCS e facilitar o
acompanhamento do desempenho dos caminhos-de-ferro em matéria de segurança. No
entanto, as definições nacionais em matéria de ICS podem aplicar-se durante um período de
transição, devendo pois ser prestada a devida atenção ao grau de desenvolvimento de
definições comuns de ICS quando se elaborar o primeiro conjunto de OCS.
(10) As normas de segurança nacionais, que se baseiam frequentemente em normas técnicas
nacionais, deverão ser gradualmente substituídas por normas baseadas em normas comuns,
estabelecidas pelas ETI. A introdução de novas normas nacionais específicas que não se
baseiem em tais normas comuns deverá ser o mais limitada possível. As novas normas
nacionais deverão estar em conformidade com a legislação comunitária e facilitar a passagem
para uma abordagem comum da segurança ferroviária. Por conseguinte, todas as partes
interessadas deverão ser consultadas antes de um Estado-Membro adoptar uma norma de
segurança nacional que exija um nível de segurança superior ao dos OCS. Em tais casos, o
novo projecto de norma deverá ser analisado pela Comissão, a qual tomará uma decisão se
considerar que o projecto de norma não está em conformidade com a legislação comunitária ou
que constitui uma forma de discriminação arbitrária ou uma restrição dissimulada às
operações de transporte ferroviário entre Estados-Membros.
(11) A actual situação, em que as normas de segurança nacionais desempenham ainda um
importante papel, deve ser considerada uma fase de transição para uma situação em que, a
longo prazo, se aplicarão as normas europeias.
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(12) O desenvolvimento de OCS, MCS e ICS, bem como a necessidade de facilitar o progresso
conducente a uma abordagem comum da segurança ferroviária, exigem apoio técnico ao nível
da Comunidade. A Agência Ferroviária Europeia, instituída pelo Regulamento (CE)
n.º ../2004 do Parlamento Europeu e do Conselho 1, é criada para formular recomendações
sobre OCS, MCS e ICS e novas medidas de harmonização e vigiar a evolução da segurança
ferroviária na Comunidade.
(13) No cumprimento dos seus deveres e responsabilidades, os gestores da infra-estrutura e as
empresas ferroviárias deverão implementar um sistema de gestão da segurança que satisfaça
os requisitos comunitários e contenha elementos comuns. A informação sobre a segurança e a
implementação do sistema de gestão da segurança deverão ficar subordinadas à autoridade
responsável pela segurança do Estado-Membro em questão.
(14) O sistema de gestão da segurança deverá ter em conta que as disposições da
Directiva 89/3991/CE do Conselho, de 12 de Junho de 1989, relativa à aplicação de medidas
destinadas a promover a melhoria da segurança e da saúde dos trabalhadores no trabalho 2, e
as respectivas directivas individuais são plenamente aplicáveis à protecção da saúde e
segurança dos trabalhadores do sector dos transportes ferroviários. O sistema de gestão da
segurança deverá igualmente ter em conta as disposições da Directiva 96/49/CE do Conselho,
de 23 de Julho de 1996, relativa à aproximação das legislações dos Estados-Membros
respeitantes ao transporte ferroviário de mercadorias perigosas 3.
1
JO L
2
JO L 183 de 29.6.1989, p. 1.
3
JO L 235 de 17.9.1996, p. 25. Directiva com a última redacção que lhe foi dada pela
Directiva 2003/29/CE da Comissão (JO L 90 de 8.4.2003, p. 47).
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(15) A fim de garantir um nível elevado de segurança ferroviária e condições equitativas para
todas as empresas ferroviárias, estas deverão estar subordinadas aos mesmos requisitos de
segurança. O certificado de segurança deverá provar que a empresa ferroviária criou o seu
sistema de gestão da segurança e está apta a dar cumprimento às normas e regras de segurança
pertinentes. No que respeita aos serviços de transporte internacional, deverá ser suficiente a
aprovação do sistema de gestão da segurança num Estado-Membro e a atribuição de validade
comunitária a essa aprovação. Por outro lado, a adesão a normas nacionais deverá ficar
subordinada a uma certificação suplementar em cada Estado-Membro. O objectivo final
deverá consistir na criação de um certificado de segurança comum com validade comunitária.
(16) Além dos requisitos de segurança previstos no certificado de segurança, as empresas
ferroviárias licenciadas devem satisfazer os requisitos nacionais, compatíveis com a legislação
comunitária e aplicados de maneira não discriminatória, relativos à saúde, à segurança e às
condições sociais, incluindo disposições legais relativas ao tempo de condução, e aos direitos
dos trabalhadores e dos utilizadores, tal como previsto nos artigos 6.º e 12.º da
Directiva 95/18/CE.
(17) Cabe ao gestor da infra-estrutura a responsabilidade principal pela segurança da concepção,
manutenção e exploração da sua rede ferroviária. Paralelamente à certificação de segurança
das empresas ferroviárias, o gestor da infra-estrutura ficará sujeito a uma autorização de
segurança da autoridade responsável pela segurança no que se refere ao seu sistema de gestão
da segurança e outras disposições para satisfazer os requisitos de segurança.
(18) Os Estados-Membros deverão envidar esforços para apoiar os candidatos que pretendam
entrar no mercado na qualidade de empresas ferroviárias. Em especial, deverão prestar
informações e agir com prontidão a pedidos de certificação de segurança. Para as empresas
ferroviárias que exploram serviços de transporte internacional é importante que os
procedimentos sejam semelhantes nos diversos Estados-Membros. Embora o certificado de
segurança contenha, no futuro próximo, elementos nacionais, deverá todavia ser possível
harmonizar os seus elementos comuns e facilitar a criação de um modelo comum.
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(19) A certificação do pessoal ferroviário e a autorização de colocação em serviço do material
circulante nas diversas redes nacionais constituem frequentemente obstáculos intransponíveis
para os novos operadores. Os Estados-Membros deverão garantir que estruturas de formação e
certificação do pessoal ferroviário necessárias para cumprir os requisitos estabelecidos nas
normas de segurança nacionais sejam postas à disposição das empresas ferroviárias que
solicitem certificados de segurança. Deverá ser estabelecido um procedimento comum de
autorização de colocação em serviço do material circulante.
(20) Os períodos de condução e de repouso dos maquinistas e outro pessoal com funções de
segurança têm um impacto importante no nível de segurança do sistema ferroviário. Estes
aspectos inserem-se no âmbito de aplicação dos artigos 137.º a 139.º do Tratado e são já
objecto de negociações entre os parceiros sociais no âmbito do Comité de Diálogo Sectorial,
estabelecido nos termos da Decisão 98/500/CE da Comissão 1.
(21) O estabelecimento de um sistema ferroviário seguro na Comunidade exige condições
harmonizadas para a emissão de cartas de condução aos maquinistas e ao pessoal de
acompanhamento de bordo que desempenha funções de segurança, matéria sobre a qual a
Comissão anunciou a sua intenção de propor legislação em breve. Quanto ao restante pessoal
que desempenhe funções de segurança essenciais, as suas qualificações estão já a ser
estabelecidas ao abrigo das Directivas 96/48/CE e 2001/16/CE.
1
Decisão 98/500/CE da Comissão, de 20 de Maio de 1998, relativa à criação de Comités de
Diálogo Sectorial para promover o diálogo entre os parceiros sociais a nível europeu (JO
L 225 de 12.8.1998, p. 27).
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(22) Enquanto parte do novo quadro regulamentar comum da segurança ferroviária, deverão ser
criadas autoridades nacionais em todos os Estados-Membros responsáveis pela
regulamentação e supervisão da segurança ferroviária. Para facilitar a sua cooperação ao nível
comunitário, dever-lhes-ão ser confiadas as mesmas tarefas e responsabilidades mínimas. As
autoridades nacionais responsáveis pela segurança deverão gozar de um nível elevado de
independência. Deverão desempenhar as suas tarefas de forma aberta e não discriminatória,
contribuindo para a criação de um sistema ferroviário comunitário único, e cooperar no
sentido de coordenar os critérios que presidem às suas tomadas de decisão, nomeadamente no
que respeita à certificação de segurança das empresas ferroviárias que exploram serviços de
transporte ferroviário internacional.
(23) Os acidentes ferroviários graves são raros. Porém, podem ter consequências desastrosas e
suscitar preocupações por parte do público relativamente ao desempenho do sistema
ferroviário em termos de segurança. Consequentemente, todos esses acidentes deverão, numa
perspectiva de segurança, ser objecto de inquérito para evitar a sua repetição, devendo os seus
resultados ser tornados públicos. Outros acidentes e incidentes podem ser importantes
precursores de acidentes graves, devendo igualmente ser objecto de inquéritos sobre
segurança, sempre que necessário.
(24) O inquérito sobre segurança deverá manter-se separado do inquérito judiciário sobre o mesmo
incidente e ter acesso às provas e testemunhas. Deverá ser efectuado por um organismo
permanente, independente dos intervenientes do sector ferroviário e que funcione de modo a
evitar quaisquer conflitos de interesses e qualquer possível envolvimento nas causas das
ocorrências investigadas. Em especial, a sua independência funcional não deverá ser afectada,
se estiver estreitamente associado à autoridade nacional de segurança ou à entidade nacional
reguladora dos caminhos-de-ferro para efeitos organizativos e de estrutura jurídica. As suas
investigações deverão ser efectuadas com a maior abertura possível. Para cada ocorrência o
organismo de inquérito deverá criar o correspondente grupo de inquérito, com a competência
necessária para encontrar as causas imediatas e subjacentes do incidente.
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(25) Os relatórios de inquérito, as conclusões e as recomendações proporcionam informações
cruciais para a melhoria futura da segurança ferroviária e deverão ser colocados à disposição
do público a nível comunitário. As recomendações em matéria de segurança deverão ser
cumpridas pelos destinatários, devendo as medidas tomadas ser comunicadas ao organismo de
inquérito.
(26) Atendendo a que os objectivos da acção encarada, a saber, a coordenação de actividades nos
Estados-Membros para garantir a regulamentação e supervisão da segurança, realizar
inquéritos sobre acidentes e estabelecer, ao nível comunitário, objectivos comuns de
segurança, métodos comuns de segurança, indicadores comuns de segurança e requisitos
comuns para os certificados de segurança, não podem ser suficientemente realizados pelos
Estados-Membros e podem, pois, devido à dimensão da acção, ser melhor alcançados ao nível
comunitário, a Comunidade pode tomar medidas em conformidade com o princípio da
subsidiariedade consagrado no artigo 5.º do Tratado. Em conformidade com o princípio da
proporcionalidade consagrado no mesmo artigo, a presente directiva não excede o necessário
para atingir aqueles objectivos.
(27) As medidas necessárias à execução da presente directiva serão aprovadas nos termos da
Decisão 1999/468/CE do Conselho, de 28 de Junho de 1999, que fixa as regras de exercício
das competências de execução atribuídas à Comissão 1.
1
JO L 184 de 17.7.1999, p. 23 (rectificação no JO L 269 de 19.10.1999, p. 45).
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(28) A presente directiva visa reorganizar e coligir a legislação comunitária pertinente em matéria
de segurança ferroviária. Nesta conformidade, podem ser revogadas as disposições relativas à
certificação de segurança das empresas de caminhos-de-ferro anteriormente previstas na
Directiva 2001/14/CE, juntamente com todas as referências à certificação de segurança. A
Directiva 95/18/CE integrava requisitos relativos às qualificações de segurança do pessoal
operacional e à segurança do material circulante, os quais estão abrangidos pelos requisitos
sobre a certificação de segurança da presente directiva e deixarão, pois, de ser parte integrante
dos requisitos de licenciamento. Uma empresa ferroviária licenciada tem de possuir um
certificado de segurança para poder ter acesso à infra-estrutura ferroviária.
(29) Os Estados-Membros devem determinar o regime de sanções aplicável às violações do
disposto na presente directiva e assegurar a sua aplicação. As referidas sanções devem ser
efectivas, proporcionadas e dissuasivas,
APROVARAM A PRESENTE DIRECTIVA:
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CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES INTRODUTÓRIAS
Artigo 1.º
Objectivo
A presente directiva visa garantir a promoção e o reforço da segurança dos caminhos-de-ferro
comunitários e melhorar o acesso ao mercado da prestação dos serviços ferroviários mediante:
a) A harmonização da estrutura de regulamentação dos Estados-Membros;
b) A definição das responsabilidades dos diversos intervenientes;
c) O desenvolvimento de objectivos comuns de segurança e de métodos comuns de segurança
tendo em vista uma maior harmonização das normas nacionais;
d) A exigência da criação, em todos os Estados-Membros, de uma autoridade responsável pela
segurança e de um organismo para proceder a inquéritos sobre acidentes e incidentes;
e) A definição de princípios comuns de gestão, de regulamentação e de supervisão da segurança
ferroviária.
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Artigo 2.º
Âmbito de aplicação
1. A presente directiva é aplicável ao sistema ferroviário dos Estados-Membros, que pode
dividir-se em subsistemas para os domínios de carácter estrutural e operacional. A presente
directiva abrange os requisitos de segurança do sistema no seu conjunto, incluindo a segurança da
gestão da infra-estrutura e da exploração do tráfego e a interacção entre empresas ferroviárias e
gestores da infra-estrutura.
2. Os Estados-Membros podem excluir das medidas que adoptarem em aplicação da presente
directiva:
a) Os metropolitanos, os eléctricos e outros sistemas de caminho-de-ferro ligeiros;
b) As redes que estejam funcionalmente separadas do resto do sistema ferroviário e que apenas
se destinem à exploração de serviços locais, urbanos ou suburbanos de passageiros, bem como
as empresas ferroviárias que apenas operem nessas redes;
c) As infra-estruturas ferroviárias que sejam propriedade privada e existam exclusivamente para
serem utilizadas pelo respectivo proprietário para as suas próprias operações de transporte de
mercadorias.
Artigo 3.º
Definições
Para efeitos da presente directiva, entende-se por:
a) "Sistema ferroviário", a totalidade dos subsistemas para os domínios de carácter estrutural e
de carácter operacional definidos nas Directivas 96/48/CE e 2001/16/CE, bem como a gestão
e a exploração do sistema no seu conjunto;
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b) "Gestor da infra-estrutura", qualquer organismo ou empresa responsável, em particular, pela
instalação e manutenção de uma infra-estrutura ferroviária, ou de parte dela, conforme
definido no artigo 3.º da Directiva 91/440/CEE, o que poderá igualmente incluir a gestão dos
sistemas de controlo e segurança da infra-estrutura. As funções de gestor da infra-estrutura
numa rede ou parte de uma rede podem ser confiadas a diversos organismos ou empresas;
c) "Empresa ferroviária", uma empresa ferroviária na acepção da Directiva 2001/14/CE e
qualquer outra empresa pública ou privada cuja actividade consista em prestar serviços de
transporte ferroviário de mercadorias e/ou passageiros, devendo a tracção ser
obrigatoriamente garantida por essa empresa; estão igualmente incluídas as empresas que
apenas efectuem a tracção;
d) "Especificações técnicas de interoperabilidade" (ETI), as especificações de que são objecto os
subsistemas ou partes de subsistemas para satisfazerem os requisitos essenciais e garantirem a
interoperabilidade dos sistemas ferroviários transeuropeus de alta velocidade e convencionais,
conforme definido nas Directivas 96/48/CE e 2001/16/CE;
e) "Objectivos comuns de segurança" (OCS), os níveis de segurança que devem, no mínimo, ser
alcançados pelas diversas partes do sistema ferroviário (nomeadamente, o sistema ferroviário
convencional, o sistema ferroviário de alta velocidade, os túneis ferroviários de grande
extensão ou as linhas utilizadas exclusivamente para o transporte de mercadorias) e pelo
sistema no seu conjunto, expressos em critérios de aceitação de riscos;
f) "Métodos comuns de segurança" (MCS), os métodos que serão desenvolvidos para descrever
os modos de avaliação dos níveis de segurança e de consecução dos OCS e do cumprimento
de outros requisitos de segurança;
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g) "Autoridade responsável pela segurança", o organismo nacional responsável pelas tarefas
relacionadas com a segurança ferroviária nos termos do disposto na presente directiva ou
qualquer organismo binacional encarregado pelos Estados-Membros dessas tarefas para
garantir um regime de segurança unificado em infra-estruturas transfronteiras especializadas;
h) "Normas de segurança nacionais", todas as normas que contenham requisitos de segurança
ferroviária impostos a nível dos Estados-Membros e aplicáveis a mais de uma empresa
ferroviária, independentemente do organismo de que emanem;
i) "Sistema de gestão da segurança", a organização e as disposições adoptadas pelo gestor de
uma infra-estrutura ou por uma empresa ferroviária para garantir a segurança da gestão das
suas operações;
j) "Responsável pelo inquérito", a pessoa responsável pela organização, condução e controlo de
um inquérito;
k) "Acidente", um acontecimento súbito, indesejado ou involuntário, ou uma cadeia de
acontecimentos dessa natureza com consequências danosas; os acidentes dividem-se nas
seguintes categorias: colisões, descarrilamentos, acidentes em passagens de nível, acidentes
com pessoas provocados por material circulante em movimento, incêndios e outros;
l) "Acidente grave", qualquer colisão, ou descarrilamento de comboios que tenha por
consequência, no mínimo, um morto, ou cinco ou mais feridos graves, ou danos significativos
no material circulante, na infra-estrutura ou no ambiente e qualquer outro acidente semelhante
com impacto manifesto na regulamentação de segurança ferroviária ou na gestão da
segurança; por "danos significativos" entendem-se danos cujo custo possa ser imediatamente
avaliado pelo organismo responsável pelo inquérito num total de pelo menos 2 milhões EUR;
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m) "Incidente", qualquer ocorrência, distinta de acidente ou acidente grave, associada à
exploração ferroviária e que afecte a segurança da exploração;
n) "Inquérito", o processo levado a cabo com vista à prevenção de acidentes e incidentes, que
inclui a recolha e análise de informações, a extracção de conclusões, incluindo a determinação
das causas e, se for caso disso, a formulação de recomendações em matéria de segurança;
o) "Causas", as acções, omissões, eventos ou condições, ou a sua combinação, que conduziram
ao acidente ou incidente;
p) "Agência", a Agência Ferroviária Europeia, agência comunitária para a segurança ferroviária
e a interoperabilidade dos caminhos-de-ferro;
q) "Organismos notificados", os organismos responsáveis pela avaliação da conformidade ou da
aptidão para utilização dos componentes de interoperabilidade ou pela instrução do processo
de verificação CE dos subsistemas, conforme definidos nas Directivas 96/48/CE
e 2001/16/CE;
r) "Componentes de interoperabilidade", qualquer componente elementar, grupo de
componentes, subconjunto ou conjunto completo de equipamentos incorporado ou destinado a
ser incorporado num subsistema do qual dependa, directa ou indirectamente, a
interoperabilidade do sistema ferroviário de alta velocidade ou convencional, em
conformidade com a definição das Directivas 96/48/CE e 2001/16/CE. O conceito de
"componente" abrange objectos tangíveis e intangíveis, como por exemplo o software.
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CAPÍTULO II
PROMOÇÃO E GESTÃO DA SEGURANÇA
Artigo 4.º
Promoção e reforço da segurança ferroviária
1. Os Estados-Membros devem garantir a manutenção geral da segurança ferroviária e, sempre
que tal seja razoavelmente possível, o seu reforço constante, tendo em conta a evolução da
legislação comunitária e o progresso técnico e científico e dando prioridade à prevenção de
acidentes graves.
Os Estados-Membros devem garantir o estabelecimento, a aplicação e a implementação de normas
de segurança de forma aberta e não discriminatória, promovendo o desenvolvimento de um sistema
de transporte ferroviário único europeu.
2. Os Estados-Membros devem garantir que as medidas destinadas ao desenvolvimento e
melhoria da segurança ferroviária tomem em consideração a necessidade de uma abordagem
baseada num sistema.
3. Os Estados-Membros devem garantir que a responsabilidade pela segurança da exploração do
sistema ferroviário e pelo controlo dos riscos a ele associados recaia sobre os gestores da infra-
-estrutura e as empresas ferroviárias, obrigando-os a implementar as necessárias medidas de
controlo dos riscos, cooperando reciprocamente se adequado, a aplicar normas e padrões de
segurança nacionais e a criar sistemas de gestão da segurança de acordo com o disposto na presente
directiva.
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Sem prejuízo da responsabilidade civil em conformidade com os requisitos legais dos Estados-
-Membros, cada gestor da infra-estrutura e cada empresa ferroviária será responsável pela sua parte
do sistema e pela segurança da respectiva exploração, incluindo o fornecimento de material e a
contratação de serviços, perante utilizadores, clientes, os próprios trabalhadores e terceiros.
4. Esta responsabilidade não afecta a responsabilidade de cada produtor, fornecedor de serviços
de manutenção, funcionário responsável pelas carruagens, prestador de serviços e entidade
adjudicante assegurar que os veículos, instalações, equipamentos e materiais por eles fornecidos,
bem como os serviços prestados, estejam em conformidade com os requisitos e as condições de
utilização indicados, de modo que as empresas ferroviárias e/ou os gestores da infra-estrutura os
possam utilizar em segurança na exploração.
Artigo 5.º
Indicadores comuns de segurança
1. Para facilitar a avaliação da consecução dos OCS e permitir a vigilância da evolução geral da
segurança ferroviária, os Estados-Membros devem recolher informações sobre indicadores comuns
de segurança (ICS) através dos relatórios anuais das autoridades responsáveis pela segurança
previstos no artigo 18.º.
O primeiro ano de referência para os ICS é .... *; estes deverão ser comunicados com o relatório
anual no ano seguinte.
Os ICS serão estabelecidos de acordo com o disposto no Anexo I.
*
Dois anos após o ano de entrada em vigor da presente directiva.
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2. O Anexo I deve ser revisto antes de ... *, nos termos do n.º 2 do artigo 27.º, designadamente
para incluir definições comuns dos ICS e métodos comuns de cálculo dos custos dos acidentes.
Artigo 6.º
Métodos comuns de segurança
1. A Comissão aprovará um primeiro conjunto de MCS, que devem abranger pelo menos os
métodos descritos na alínea a) do n.º 3, antes de ... **, nos termos do n.º 2 do artigo 27.º. Estes MCS
serão publicados no Jornal Oficial da União Europeia.
A Comissão aprovará um segundo conjunto de MCS, que devem abranger a parte remanescente dos
métodos referidos no n.º 3 ... ***, nos termos do n.º 2 do artigo 27.º. Estes MCS serão publicados no
Jornal Oficial da União Europeia.
2. Com base nos mandatos que lhe forem conferidos nos termos do n.º 2 do artigo 27.º, a
Agência elaborará projectos de MCS e projectos de MCS revistos.
Os projectos de MCS devem basear-se numa análise dos métodos aplicados nos Estados-Membros.
3. Os MCS devem descrever o modo de avaliação do nível de segurança e de consecução dos
OCS e do cumprimento de outros requisitos de segurança mediante a elaboração e a definição de:
a) Métodos de avaliação dos riscos;
*
Cinco anos após a entrada em vigor da presente directiva.
**
Quatro anos após a entrada em vigor da presente directiva.
***
Seis anos após a entrada em vigor da presente directiva.
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b) Métodos de avaliação da conformidade com os requisitos dos certificados de segurança e das
autorizações de segurança emitidos nos termos do disposto nos artigos 10.º e 11.º; e
c) Na medida em que não estejam ainda cobertos pelas ETI, métodos de verificação de que os
subsistemas de carácter estrutural dos sistemas ferroviários transeuropeus de alta velocidade e
convencionais são explorados e mantidos em conformidade com os requisitos essenciais
aplicáveis.
4. Os MCS devem ser revistos periodicamente, nos termos do n.º 2 do artigo 27.º, tendo em
conta a experiência adquirida com a sua aplicação, a evolução global da segurança ferroviária e as
obrigações impostas aos Estados-Membros enunciadas no n.º 1 do artigo 4.º.
5. Os Estados-Membros devem fazer as alterações necessárias às suas normas de segurança
nacionais à luz da adopção dos MCS e das respectivas revisões.
Artigo 7.º
Objectivos comuns de segurança
1. Os OCS serão desenvolvidos, adoptados e revistos nos termos do presente artigo.
2. Com base nos mandatos que lhe forem conferidos nos termos do n.º 2 do artigo 27.º, a
Agência elaborará projectos de OCS e projectos de OCS revistos.
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 64
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3. O primeiro conjunto de projectos de OCS deve basear-se numa análise dos objectivos
existentes e dos desempenhos em matéria de segurança nos Estados-Membros e deve assegurar que
o actual desempenho do sistema ferroviário em matéria de segurança não seja reduzido em nenhum
Estado-Membro. Os projectos serão aprovados pela Comissão antes de ... *, nos termos do n.º 2 do
artigo 27.º, e publicados no Jornal Oficial da União Europeia.
O segundo conjunto de projectos de OCS deve basear-se na experiência adquirida a partir do
primeiro conjunto de OCS e da sua implementação. Os projectos devem reflectir todos os domínios
prioritários em que a segurança ainda tenha de ser melhorada. Os projectos serão aprovados pela
Comissão antes de ... **, nos termos do n.º 2 do artigo 27.º, e publicados no Jornal Oficial da União
Europeia.
Todas as propostas de projectos de OCS e de OCS revistos devem reflectir as obrigações impostas
aos Estados-Membros pelo n.º 1 do artigo 4.º . Essas propostas devem ser acompanhadas de uma
avaliação dos custos e benefícios previstos, que indique o provável impacto sobre todos os
operadores e agentes económicos envolvidos e o impacto na aceitação dos riscos pela sociedade.
Sempre que necessário, devem incluir um calendário para uma implementação gradual,
especialmente para ter em conta a natureza e o volume do investimento necessário para a sua
aplicação. Por outro lado, devem analisar o eventual impacto sobre as ETI para os subsistemas e
incluir, se for caso disso, as consequentes propostas de alteração das ETI.
*
Cinco anos após a entrada em vigor da presente directiva.
**
Sete anos após a entrada em vigor da presente directiva.
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4. Os OCS definirão os níveis de segurança mínimos que devem ser alcançados pelas diversas
partes do sistema ferroviário e pelo sistema no seu conjunto, em cada Estado-Membro, expressos
em critérios de aceitação dos seguintes riscos:
a) Riscos individuais relacionados com os passageiros, o pessoal, incluindo o pessoal dos
empreiteiros, os utilizadores das passagens de nível e outras pessoas, bem como, sem prejuízo
das regras nacionais e internacionais vigentes em matéria de responsabilidade, riscos
individuais relacionados com a presença de pessoas não autorizadas em instalações
ferroviárias;
b) Riscos para a sociedade.
5. Os OCS serão revistos periodicamente, nos termos do n.º 2 do artigo 27.º, tendo em conta a
evolução global da segurança ferroviária.
6. Os Estados-Membros devem fazer as alterações necessárias às suas normas de segurança
nacionais para alcançarem pelo menos os OCS, e quaisquer OCS revistos, de acordo com os
calendários de implementação em anexo a esses objectivos. Devem notificar essas normas à
Comissão nos termos do n.º 3 do artigo 8.º.
Artigo 8.º
Normas de segurança nacionais
1. Na aplicação da presente directiva, os Estados-Membros devem estabelecer normas de
segurança nacionais de carácter vinculativo e garantir que sejam publicadas e postas à disposição de
todos os gestores de infra-estruturas, empresas ferroviárias, requerentes de certificados de segurança
e requerentes de autorizações de segurança, numa linguagem clara que possa ser compreendida
pelas partes interessadas.
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2. Antes de ... *, os Estados-Membros devem notificar a Comissão de todas as normas de
segurança nacionais pertinentes que estejam em vigor, nos termos do Anexo II, e indicar a
respectiva área de aplicação.
A notificação deve também fornecer informações sobre o conteúdo principal dessas normas, com
referências aos diplomas legais, e sobre a forma de legislação, bem como indicar o organismo ou
organização responsável pela sua publicação.
3. O mais tardar quatro anos após a entrada em vigor da presente directiva, a Agência analisará o
modo como as normas de segurança nacionais são publicadas e tornadas disponíveis, nos termos do
disposto no n.º 1, e fará as recomendações adequadas à Comissão sobre as medidas a adoptar para
desenvolver um formulário normalizado único para a publicação destas regras e sobre a
determinação de um regime linguístico destinado a tornar esta informação mais facilmente acessível
aos utilizadores.
4. Os Estados-Membros notificarão imediatamente a Comissão de qualquer alteração às normas
de segurança nacionais e de qualquer nova norma dessa natureza que possa vir a ser adoptada, a
menos que essa norma esteja inteiramente relacionada com a aplicação de ETI.
5. A fim de limitar tanto quanto possível a aprovação de novas normas nacionais específicas,
evitando, assim, o surgimento de novos obstáculos, e a fim de permitir a harmonização progressiva
das normas de segurança, a Comissão acompanhará a aprovação de novas normas nacionais pelos
Estados-Membros.
*
Doze meses após a entrada em vigor da presente directiva.
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6. Após a adopção dos OCS, se um Estado-Membro tencionar introduzir uma norma de
segurança nacional que exija um nível de segurança superior ao dos OCS ou se um Estado-Membro
tencionar introduzir uma nova norma de segurança nacional que possa afectar a actividade de
empresas ferroviárias de outros Estados-Membros no território do Estado-Membro em questão, este
consultará atempadamente todas as partes interessadas e aplicar-se-á o procedimento previsto no
n.º 7.
7. O Estado-Membro deve submeter o projecto de norma de segurança à Comissão, declarando
os motivos da sua introdução.
Se a Comissão entender que o projecto de norma de segurança é incompatível com os MCS
ou com a consecução, pelo menos, dos OCS, ou que constitui um meio de discriminação
arbitrário ou uma restrição dissimulada às operações de transporte ferroviário entre Estados-
-Membros, aprovará uma decisão, cujo destinatário será o Estado-Membro em causa, nos
termos do n.º 2 do artigo 27.º.
Se a Comissão tiver sérias dúvidas sobre a compatibilidade do projecto de norma de segurança com
os MCS ou com a consecução, pelo menos, dos OCS, ou considerar que o mesmo constitui um meio
de discriminação arbitrário ou uma restrição dissimulada às operações de transporte ferroviário
entre Estados-Membros, informará imediatamente o Estado-Membro em causa, que deve suspender
a aprovação, entrada em vigor ou aplicação da norma, até à aprovação, no prazo de seis meses, de
uma decisão nos termos do n.º 2 do artigo 27.º.
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Artigo 9.º
Sistemas de gestão da segurança
1. Os gestores das infra-estruturas e as empresas ferroviárias devem criar os seus sistemas de
gestão da segurança para garantir que o sistema ferroviário possa, pelo menos, atingir os OCS e
esteja em conformidade com as normas de segurança nacionais descritas no artigo 8.º e no Anexo II
e com os requisitos de segurança enunciados nas ETI, e que sejam aplicadas as partes pertinentes
dos MCS.
2. O sistema de gestão da segurança deve satisfazer os requisitos e incluir os elementos previstos
no Anexo III, adaptados ao carácter, dimensão e outras características da actividade desenvolvida.
Deve garantir o controlo de todos os riscos associados à actividade do gestor da infra-estrutura ou
da empresa ferroviária, incluindo a prestação de serviços de manutenção, o fornecimento de
material e o recurso a contratantes. Sem prejuízo das regras nacionais e internacionais vigentes em
matéria de responsabilidade, o sistema de gestão da segurança terá igualmente em conta, sempre
que oportuno e razoável, os riscos decorrentes das actividades de outras partes.
3. O sistema de gestão da segurança de qualquer gestor da infra-estrutura deve ter em conta os
efeitos da operação de diversas empresas ferroviárias na rede e tomar providências que permitam a
todas as empresas ferroviárias operar em conformidade com as ETI e as normas de segurança
nacionais e com as condições estabelecidas no respectivo certificado de segurança. O sistema deve
ainda ser desenvolvido com o objectivo de coordenar os procedimentos de emergência do gestor da
infra-estrutura com todas as empresas ferroviárias que exploram a sua infra-estrutura.
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 69
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4. Todos os gestores das infra-estruturas e todas as empresas ferroviárias devem apresentar
anualmente à autoridade responsável pela segurança, antes de 30 de Junho, um relatório sobre a
segurança respeitante ao ano civil anterior. Esse relatório deverá incluir:
a) Informações sobre a forma como são cumpridos os objectivos de segurança da organização e
os resultados dos planos de segurança;
b) A elaboração de indicadores de segurança nacionais, e dos ICS previstos no Anexo I, na
medida em que sejam relevantes para a organização que apresenta o relatório;
c) Os resultados das auditorias de segurança internas;
d) Observações sobre deficiências e funcionamento incorrecto das operações ferroviárias e da
gestão da infra-estrutura que possam ser importantes para a autoridade responsável pela
segurança.
CAPÍTULO III
CERTIFICAÇÃO E AUTORIZAÇÃO DE SEGURANÇA
Artigo 10.º
Certificados de segurança
1. Para poder ter acesso à infra-estrutura ferroviária, uma empresa ferroviária tem de ser
detentora de um certificado de segurança, nos termos do disposto no presente Capítulo. O
certificado de segurança pode cobrir toda a rede ferroviária de um Estado-Membro ou apenas uma
parte limitada dessa rede.
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O objectivo do certificado de segurança é provar que a empresa ferroviária criou o seu sistema de
gestão da segurança e está apta a cumprir os requisitos previstos nas ETI e noutra legislação
comunitária aplicável, bem como nas normas de segurança nacionais, a fim de controlar os riscos e
explorar a rede de forma segura.
2. O certificado de segurança deve incluir:
a) A certificação da aceitação do sistema de gestão da segurança da empresa ferroviária descrito
no artigo 9.º e no Anexo III e
b) A certificação da aceitação das providências tomadas pela empresa ferroviária para cumprir
os requisitos específicos necessários à exploração da respectiva rede em condições de
segurança. Esses requisitos podem incluir a aplicação das ETI e das normas de segurança
nacionais, a aceitação dos certificados do pessoal e a autorização de colocação em serviço do
material circulante utilizado pela empresa ferroviária. Esta certificação deve basear-se em
documentação apresentada pela empresa ferroviária em conformidade com o Anexo IV.
3. A autoridade responsável pela segurança no Estado-Membro em que a empresa ferroviária dá
início às suas operações deve conceder a certificação nos termos do n.º 2.
A certificação atribuída nos termos do n.º 2 deve especificar o tipo e o âmbito das operações
ferroviárias abrangidas. A certificação atribuída nos termos da alínea a) do n.º 2 será válida em toda
a Comunidade para operações de transporte ferroviário equivalentes.
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4. A autoridade responsável pela segurança no Estado-Membro em que a empresa ferroviária
prevê explorar serviços adicionais de transporte ferroviário deve conceder a necessária certificação
nacional suplementar nos termos da alínea b) do n.º 2.
5. O certificado de segurança deve ser renovado mediante pedido da empresa ferroviária, a
intervalos não superiores a cinco anos. O certificado de segurança deve ser actualizado, total ou
parcialmente, sempre que o tipo ou âmbito da exploração seja substancialmente alterado.
O titular do certificado de segurança deve informar, no mais breve prazo, a autoridade competente
responsável pela segurança de todas as alterações significativas nas condições da parte pertinente do
certificado de segurança. Deve igualmente notificar a autoridade competente responsável pela
segurança sempre que sejam introduzidas novas categorias de pessoal ou novos tipos de material
circulante.
A autoridade responsável pela segurança pode exigir que a parte pertinente do certificado de
segurança seja revista na sequência de alterações substanciais do quadro regulamentar da segurança.
Caso a autoridade responsável pela segurança considere que o titular do certificado de segurança
deixou de satisfazer as condições necessárias para a certificação por si emitida, deve revogar as
partes a) e/ou b) do certificado, justificando a sua decisão. A autoridade responsável pela segurança
que tenha revogado uma certificação nacional suplementar concedida de acordo com o n.º 4 deve
comunicar sem demora a sua decisão à autoridade responsável pela segurança que concedeu a
certificação prevista na alínea a) do n.º 2.
Do mesmo modo, a autoridade responsável pela segurança deve retirar o certificado de segurança,
se se verificar que o seu titular não fez dele o uso previsto no ano a seguir à sua emissão.
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6. A autoridade responsável pela segurança deve informar a Agência no prazo de um mês sobre
a emissão, a renovação, a alteração ou a revogação dos certificados de segurança mencionados na
alínea a) do n.º 2. A informação deve especificar a denominação e o endereço da empresa
ferroviária, a data de emissão, o âmbito e a validade do certificado de segurança e, em caso de
revogação, as razões da decisão.
7. A Agência deve avaliar a evolução da certificação de segurança antes de .... * e apresentar um
relatório à Comissão, com recomendações sobre uma estratégia de transição para um certificado de
segurança único comunitário. A Comissão tomará as medidas apropriadas na sequência da
recomendação.
Artigo 11.º
Autorização de segurança dos gestores de infra-estruturas
1. Para ser autorizado a gerir e explorar uma infra-estrutura ferroviária, o gestor da infra-
-estrutura terá de obter uma autorização de segurança concedida pela autoridade responsável pela
segurança do Estado-Membro em que se encontre estabelecido.
A autorização de segurança deve incluir:
a) Uma autorização que confirme a aceitação do sistema de gestão de segurança do gestor da
infra-estrutura descrito no artigo 9.º e no Anexo III; e
b) Uma autorização que confirme a aceitação das providências tomadas pelo gestor da infra-
-estrutura para cumprir os requisitos específicos necessários à segurança da concepção,
manutenção e exploração da infra-estrutura ferroviária, incluindo, se aplicável, a manutenção
e a exploração do sistema de controlo de tráfego e de sinalização.
*
Cinco anos após a entrada em vigor da presente directiva.
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2. A autorização de segurança deve ser renovada mediante pedido do gestor da infra-estrutura, a
intervalos não superiores a cinco anos. A autorização de segurança deve ser actualizada, total ou
parcialmente, sempre que a infra-estrutura, a sinalização, a alimentação de energia, ou os princípios
a que obedecem a respectiva exploração e manutenção sejam substancialmente alterados. O titular
da autorização de segurança deve informar a autoridade responsável pela segurança, no mais breve
prazo, de todas essas alterações.
A autoridade responsável pela segurança poderá exigir que a autorização de segurança seja revista
na sequência de alterações substanciais do quadro de regulamentar da segurança.
Caso a autoridade responsável pela segurança considere que o gestor autorizado de uma infra-
-estrutura deixou de satisfazer as condições necessárias à concessão de uma autorização de
segurança, deve revogar imediatamente a autorização, justificando a sua decisão.
3. A autoridade responsável pela segurança deve informar a Agência no prazo de um mês sobre
a emissão, a renovação, a alteração ou a revogação de autorizações de segurança. A informação
deve especificar a denominação e o endereço do gestor da infra-estrutura, a data de emissão, o
âmbito e a validade da autorização de segurança e, em caso de revogação, as razões da sua decisão.
Artigo 12.º
Requisitos aplicáveis aos pedidos de certificação de segurança e de autorização de segurança
1. A autoridade responsável pela segurança deve decidir sobre os pedidos de certificação de
segurança ou de autorização de segurança no mais breve prazo e, em todo o caso, o mais tardar,
quatro meses após o fornecimento de todas as informações solicitadas e de quaisquer informações
adicionais que tenha pedido. Caso o requerente seja chamado a prestar informações adicionais, esse
pedido de informações deve ser prontamente comunicado.
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 74
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2. Para facilitar a criação de novas empresas ferroviárias e a apresentação de requerimentos por
parte de empresas ferroviárias de outros Estados-Membros, a autoridade responsável pela segurança
deve fornecer orientações pormenorizadas sobre o modo de obter o certificado de segurança,
enumerar todos os requisitos estabelecidos para efeitos do disposto no n.º 2 do artigo 10.º e colocar
à disposição do requerente todos os documentos necessários.
As empresas ferroviárias que requeiram um certificado de segurança relativo a serviços prestados
numa parte limitada e definida de uma infra-estrutura devem receber orientações especiais que
identifiquem especificamente as normas válidas para a parte em causa.
3. Deve ser colocado à disposição dos requerentes de certificados de segurança, a título gratuito,
um documento de orientação para a apresentação dos requerimentos, com a descrição e explicação
dos requisitos a satisfazer e a enumeração dos documentos que têm de ser apresentados. Todos os
pedidos de certificados de segurança devem ser apresentados na língua exigida pela autoridade
responsável pela segurança.
Artigo 13.º
Acesso a estruturas de formação
1. Os Estados-Membros devem assegurar que as empresas ferroviárias que requeiram um
certificado de segurança tenham acesso equitativo e não discriminatório às estruturas de formação
para maquinistas e pessoal de acompanhamento dos comboios, sempre que tal formação se revele
necessária ao cumprimento dos requisitos inerentes à obtenção do certificado de segurança.
Os serviços propostos devem incluir formação no necessário conhecimento dos itinerários, das
normas e dos procedimentos de exploração, do sistema de sinalização e de comando e controlo e
dos procedimentos de emergência aplicados nos itinerários explorados.
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 75
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Os Estados-Membros devem igualmente assegurar que os gestores da infra-estrutura e o seu pessoal
com funções de segurança essenciais tenham acesso equitativo e não discriminatório às estruturas
de formação.
Se os serviços de formação não incluírem exames e a concessão de certificados, os Estados-
-Membros devem assegurar que as empresas ferroviárias tenham acesso a essa certificação, caso se
trate de um requisito do certificado de segurança.
A autoridade responsável pela segurança deve garantir que a prestação de serviços de formação ou,
se for caso disso, a concessão de certificados cumpre os requisitos de segurança previstos nas ETI
ou nas normas de segurança nacionais referidas no artigo 8.º e no Anexo II.
2. Se as estruturas de formação se encontrarem disponíveis exclusivamente através dos serviços
de uma única empresa ferroviária ou do gestor da infra-estrutura, os Estados-Membros devem
garantir a sua colocação à disposição de outras empresas ferroviárias a um preço razoável e não
discriminatório, que deverá estar relacionado com os custos e que poderá incluir uma margem de
lucro.
3. Quando recrutarem novos maquinistas, pessoal de acompanhamento dos comboios e pessoal
com funções de segurança essenciais, as empresas ferroviárias devem estar habilitadas a ter em
consideração eventual formação, qualificações e experiência adquirida previamente em outras
empresas ferroviárias. Para o efeito, assiste a esses membros do pessoal o direito de terem acesso a
todos os documentos que atestem a sua formação, qualificações e experiência, de obterem cópias
dos mesmos e de procederem à respectiva comunicação.
4. Em todo o caso, cada empresa ferroviária e cada gestor da infra-estrutura será responsável
pelos níveis de formação e qualificação do seu pessoal que exerce funções relacionadas com a
segurança nos termos do disposto no artigo 9.º e no Anexo III.
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Artigo 14.º
Colocação em serviço de material circulante em utilização
1. O material circulante cuja colocação em serviço tenha sido autorizada num determinado
Estado-Membro nos termos da alínea b) do n.º 2 do artigo 10.º, mas que não esteja totalmente
abrangido pelas ETI pertinentes, deve ser autorizado a ser colocado em serviço num outro ou
noutros Estados-Membros nos termos do presente artigo, se este último Estado-Membro ou
Estados-Membros exigirem uma autorização.
2. A empresa ferroviária que solicite autorização para a colocação em serviço de material
circulante noutros Estados-Membros deve apresentar à autoridade responsável pela segurança
documentação técnica sobre esse material circulante ou tipo de material circulante, indicando a sua
utilização prevista na rede. Essa documentação deve incluir as seguintes informações:
a) Prova de que o material circulante foi autorizado a ser colocado em serviço noutro Estado-
-Membro e registos que revelem o historial da sua exploração e manutenção e, se for caso
disso, as alterações técnicas introduzidas após a autorização;
b) Dados técnicos pertinentes, programa de manutenção e características operacionais exigidas
pela autoridade responsável pela segurança e necessárias para a sua autorização
complementar;
c) Dados sobre as características técnicas e operacionais que mostrem que o material circulante
está em conformidade com o sistema de alimentação de energia, o sistema de sinalização e de
comando e controlo, a bitola da via e os gabaris da infra-estrutura, a carga máxima admissível
por eixo e outros condicionalismos da rede;
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 77
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d) Derrogações das normas de segurança nacionais necessárias para a concessão da autorização e
prova, com base na avaliação de risco, de que a aceitação do material circulante não envolve
riscos indevidos para a rede.
3. A autoridade responsável pela segurança pode exigir a realização de ensaios na rede para
verificar a conformidade com os parâmetros restritivos mencionados na alínea c) do n.º 2 e, nesse
caso, deve indicar o seu âmbito e conteúdo.
4. A autoridade responsável pela segurança deve decidir sem qualquer demora sobre os
requerimentos apresentados em conformidade com o presente artigo, o mais tardar quatro meses
após a apresentação da documentação técnica completa, incluindo a documentação relativa aos
ensaios na rede. O certificado de autorização pode incluir condições de utilização e outras
restrições.
Artigo 15.º
Harmonização dos certificados de segurança
1. Antes de ... *, devem ser aprovados, nos termos do n.º 2 do artigo 27.º, decisões sobre os
requisitos harmonizados comuns referidos na alínea b) do n.º 2 do artigo 10.º e no Anexo IV, bem
como um modelo comum para os documentos de orientação dos requerentes.
2. A Agência recomendará requisitos harmonizados comuns e um modelo comum para os
documentos de orientação dos requerentes com base num mandato aprovado nos termos do n.º 2 do
artigo 27.º.
*
Cinco anos após a entrada em vigor da presente directiva.
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 78
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CAPÍTULO IV
AUTORIDADE RESPONSÁVEL PELA SEGURANÇA
Artigo 16.º
Competências
1. Cada Estado-Membro deve instituir uma autoridade responsável pela segurança. Essa
autoridade, que pode ser o Ministério que tutela os transportes, deve ser independente na sua
organização, estrutura jurídica e processo de decisão, de qualquer empresa ferroviária, gestor de
infra-estrutura, requerente de certificação e entidade adjudicante.
2. À autoridade responsável pela segurança deve competir, no mínimo:
a) Autorizar a entrada em serviço dos subsistemas de carácter estrutural constitutivos do sistema
ferroviário transeuropeu de alta velocidade, em conformidade com o artigo 14.º da
Directiva 96/48/CE, e verificar se os mesmos são explorados e mantidos em conformidade
com os requisitos essenciais aplicáveis;
b) Autorizar a entrada em serviço dos subsistemas de carácter estrutural constitutivos do sistema
ferroviário transeuropeu convencional, em conformidade com o artigo 14.º da
Directiva 2001/16/CE, e verificar se os mesmos são explorados e mantidos em conformidade
com os requisitos essenciais aplicáveis;
c) Verificar se os componentes de interoperabilidade estão em conformidade com os requisitos
essenciais previstos nos artigos 12.º das Directivas 96/48/CE e 2001/16/CE;
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 79
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d) Autorizar a colocação em serviço de material circulante novo ou substancialmente alterado
que ainda não se encontre abrangido por uma ETI;
e) Emitir, renovar, alterar e revogar partes dos certificados de segurança e das autorizações de
segurança emitidos nos termos dos artigos 10.º e 11.º e verificar se estão satisfeitas as
condições e os requisitos neles previstos e se as actividades dos gestores da infra-estrutura e
das empresas ferroviárias estão em conformidade com os requisitos estabelecidos na
legislação comunitária ou nacional;
f) Controlar, promover e, se necessário, fazer aplicar e desenvolver o quadro regulamentar de
segurança, incluindo o sistema de normas de segurança nacionais;
g) Controlar se o material circulante está devidamente registado e se as informações em matéria
de segurança constantes do registo nacional, instituído nos termos dos artigos 14.º das
Directivas 96/48/CE e 2001/16/CE, são exactas e estão actualizadas.
3. As funções mencionadas no n.º 2 não podem ser transferidas para um gestor da infra-
-estrutura, uma empresa ferroviária ou uma entidade adjudicante, nem com estes ser contratadas.
Artigo 17.º
Princípios de tomada de decisões
1. A autoridade responsável pela segurança deve desempenhar as suas funções de forma aberta,
não discriminatória e transparente. Em especial, deve permitir que todas as partes sejam ouvidas e
fundamentar as suas decisões.
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 80
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A autoridade responsável pela segurança deve responder com prontidão aos pedidos e
requerimentos, comunicar os seus pedidos de informação sem demora e tomar todas as suas
decisões no prazo de quatro meses depois de lhe ter sido fornecida toda a informação solicitada. No
desempenho das funções referidas no artigo 16.º, a autoridade responsável pela segurança poderá
sempre pedir a assistência técnica dos gestores da infra-estrutura e das empresas ferroviárias ou de
outros organismos qualificados.
No processo de elaboração do quadro regulamentar nacional, a autoridade responsável pela
segurança deve consultar todas as pessoas envolvidas e as partes interessadas, incluindo os gestores
das infra-estruturas, as empresas ferroviárias, os fabricantes e os prestadores de serviços de
manutenção, os utentes e os representantes do pessoal.
2. A autoridade responsável pela segurança terá a liberdade de efectuar todas as inspecções e os
inquéritos necessários ao desempenho das suas funções e deve ser-lhe concedido acesso a todos os
documentos pertinentes e às instalações e equipamentos dos gestores das infra-estruturas e das
empresas ferroviárias.
3. Os Estados-Membros devem tomar as medidas necessárias para garantir que as decisões
tomadas pela autoridade responsável pela segurança sejam susceptíveis de recurso contencioso.
4. As autoridades responsáveis pela segurança devem proceder a um intercâmbio activo de
opiniões e experiências com o objectivo de harmonizar os seus critérios de decisão em toda a
Comunidade. A cooperação deve ter designadamente por objectivo facilitar e coordenar a
certificação da segurança das empresas ferroviárias que dispõem de canais horários internacionais,
nos termos do artigo 15.º da Directiva 2001/14/CE.
A Agência prestar-lhes-á o seu apoio no desempenho destas funções.
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 81
_______________________________________________________________________________
Artigo 18.º
Relatório anual
A autoridade responsável pela segurança deve publicar um relatório anual sobre as suas actividades
no ano anterior e enviá-lo à Agência até 30 de Setembro. Esse relatório incluirá informações sobre:
a) A evolução da segurança ferroviária, incluindo uma síntese, ao nível do Estado-Membro, dos
ICS enunciados no Anexo I;
b) Alterações importantes da legislação e da regulamentação em matéria de segurança
ferroviária;
c) A evolução da certificação de segurança e da autorização de segurança;
d) Os resultados da supervisão dos gestores das infra-estruturas e das empresas ferroviárias, bem
como a experiência adquirida com essa supervisão.
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 82
_______________________________________________________________________________
CAPÍTULO V
INQUÉRITOS SOBRE ACIDENTES E INCIDENTES
Artigo 19.º
Obrigação de investigar
1. Os Estados-Membros devem garantir que o organismo responsável pelos inquéritos referido
no artigo 21.º proceda a um inquérito após um acidente grave ocorrido no sistema ferroviário, com
o objectivo de aumentar, se possível, a segurança ferroviária e prevenir acidentes.
2. Para além dos acidentes graves, o organismo responsável pelos inquéritos previsto no
artigo 21.º pode investigar os acidentes e incidentes que, em circunstâncias ligeiramente diferentes,
poderiam ter conduzido a acidentes graves, incluindo deficiências técnicas dos subsistemas de
carácter estrutural ou dos componentes de interoperabilidade dos sistemas ferroviários
transeuropeus de alta velocidade ou convencionais.
Cabe ao organismo responsável pelos inquéritos decidir da realização ou não de um inquérito sobre
um acidente ou incidente deste tipo. Na sua decisão, serão tidos em conta os seguintes elementos:
a) Gravidade do acidente ou incidente;
b) Se a ocorrência faz parte de uma série de acidentes ou incidentes relevantes para o sistema no
seu todo;
c) Impacto do acidente ou incidente na segurança ferroviária ao nível comunitário; e
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 83
_______________________________________________________________________________
d) Pedidos dos gestores das infra-estruturas, das empresas ferroviárias, da autoridade
responsável pela segurança ou dos Estados-Membros.
3. O âmbito dos inquéritos e o procedimento a adoptar para a sua realização devem ser
determinados pelo organismo responsável pelos inquéritos, tendo em conta os princípios e os
objectivos dos artigos 20.º e 22.º e em função dos ensinamentos que espera retirar do acidente ou
incidente para o reforço da segurança.
4. O inquérito não se ocupará, em circunstância alguma, da determinação da culpa ou
responsabilidade.
Artigo 20.º
Estatuto do inquérito
1. No âmbito dos respectivos sistemas jurídicos, os Estados-Membros devem definir um estatuto
jurídico do inquérito que permita ao responsável pelo inquérito desempenhar as suas atribuições da
forma mais eficiente e no prazo mais curto.
2. Em conformidade com a legislação em vigor nos Estados-Membros e, se for caso disso, em
cooperação com as autoridades responsáveis pelo inquérito judiciário, as pessoas que efectuarem o
inquérito devem obter o mais rapidamente possível:
a) Acesso ao local do acidente ou incidente, bem como ao material circulante envolvido, à infra-
-estrutura em causa e às instalações de controlo do tráfego e de sinalização;
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 84
_______________________________________________________________________________
b) O direito de receber de imediato uma listagem de provas e de proceder à remoção controlada
de destroços e instalações ou componentes da infra-estrutura para efeitos de exame ou análise;
c) Acesso e possibilidade de utilização do conteúdo dos aparelhos de registo e dos equipamentos
de bordo para registo de mensagens verbais e do funcionamento do sistema de sinalização e
do controlo de tráfego;
d) Acesso aos resultados do exame dos corpos das vítimas;
e) Acesso aos resultados dos exames efectuados ao pessoal de bordo e outro pessoal ferroviário
envolvido no acidente ou incidente;
f) Oportunidade de interrogar o pessoal ferroviário envolvido e outras testemunhas;
g) Acesso a qualquer informação ou registo relevante na posse do gestor da infra-estrutura, das
empresas ferroviárias envolvidas e da autoridade responsável pela segurança.
3. O inquérito deve ser efectuado independentemente de qualquer inquérito judicial.
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 85
_______________________________________________________________________________
Artigo 21.º
Organismo responsável pelos inquéritos
1. Cada Estado-Membro deve assegurar que os inquéritos sobre acidentes e incidentes
mencionados no artigo 19.º sejam realizados por um organismo permanente, que deve integrar, pelo
menos, uma pessoa capaz de desempenhar as funções de responsável pelo inquérito na
eventualidade de um acidente ou incidente. Esse organismo deve ser independente, na sua
organização, estrutura jurídica e processo de decisão, de qualquer gestor de infra-estrutura, empresa
ferroviária, organismo de tarifação, entidade responsável pela repartição da capacidade e organismo
notificado, e de qualquer parte cujos interesses possam colidir com as tarefas confiadas ao
organismo responsável pelos inquéritos. Deve também ser funcionalmente independente da
autoridade responsável pela segurança e de qualquer entidade reguladora dos caminhos-de-ferro.
2. O organismo responsável pelos inquéritos deve desempenhar as suas tarefas de modo
independente das organizações mencionadas no n.º 1 e ter a capacidade de obter recursos suficientes
para o efeito. Os seus membros devem possuir um estatuto que lhes confira as garantias de
independência necessárias.
3. Os Estados-Membros devem aprovar disposições no sentido de as empresas ferroviárias, os
gestores da infra-estrutura e, se for caso disso, a autoridade responsável pela segurança serem
obrigados a informar imediatamente o organismo responsável pelos inquéritos dos acidentes e
incidentes a que se refere o artigo 19.º. O organismo responsável pelos inquéritos deve poder
responder a essas informações e tomar as disposições necessárias para iniciar o inquérito o mais
tardar uma semana após a recepção do relatório relativo ao acidente ou incidente em questão.
4. O organismo responsável pelos inquéritos pode conciliar as tarefas que lhe são atribuídas por
força da presente directiva com inquéritos de outras ocorrências que não sejam acidentes e
incidentes ferroviários, desde que tais inquéritos não comprometam a sua independência.
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 86
_______________________________________________________________________________
5. Se necessário, o organismo responsável pelos inquéritos pode solicitar a assistência dos
organismos responsáveis pelos inquéritos de outros Estados-Membros ou da Agência para lhe
fornecerem apoio pericial ou efectuarem inspecções, análises ou avaliações técnicas.
6. Os Estados-Membros podem confiar ao organismo responsável pelos inquéritos a tarefa de
efectuar inquéritos sobre acidentes e incidentes ferroviários distintos dos referidos no artigo 19.º.
7. Os organismos responsáveis pelos inquéritos manterão um intercâmbio activo de opiniões e
experiências com o objectivo de desenvolver métodos de inquérito comuns, elaborar princípios
comuns de acompanhamento das recomendações em matéria de segurança e de adaptação ao
progresso técnico e científico.
A Agência prestar-lhes-á o seu apoio nesta tarefa.
Artigo 22.º
Procedimento de inquérito
1. Os acidentes ou incidentes a que se refere o artigo 19.º devem ser objecto de inquérito por
parte do organismo responsável pelos inquéritos do Estado-Membro em que tiverem ocorrido. Caso
não seja possível determinar em que Estado-Membro ocorreram ou caso tenham ocorrido numa
instalação situada na fronteira ou junto da fronteira entre dois Estados-Membros, os organismos
competentes deliberarão qual deles realizará o inquérito ou decidirão que este seja efectuado em
cooperação. No primeiro caso, o outro organismo poderá participar no inquérito e partilhar
plenamente os seus resultados.
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 87
_______________________________________________________________________________
Os organismos responsáveis pelos inquéritos de outro Estado-Membro devem ser convidados a
tomar parte no inquérito sempre que uma empresa ferroviária estabelecida ou licenciada nesse
Estado-Membro esteja envolvida no acidente ou incidente.
O presente número não obsta a que os Estados-Membros permitam que os organismos competentes
realizem inquéritos em cooperação noutras circunstâncias.
2. Para cada acidente ou incidente, o organismo responsável pelos inquéritos deve obter os
meios adequados, incluindo as competências operacionais e técnicas necessárias para efectuar o
inquérito. Essas competências podem ser mobilizadas dentro do próprio organismo ou no exterior,
consoante a natureza do acidente ou do incidente que será objecto de inquérito.
3. O inquérito deve ser efectuado da forma mais aberta possível, permitindo que todas as partes
sejam ouvidas e partilhem os resultados. O gestor da infra-estrutura e as empresas ferroviárias em
questão, a autoridade responsável pela segurança, as vítimas e os seus familiares, os proprietários de
bens danificados, os fabricantes, os serviços de urgência competentes e os representantes do pessoal
e dos utilizadores serão regularmente informados do inquérito e do seu andamento, sendo-lhes, na
medida do possível, facultada a oportunidade de darem os seus pareceres e opiniões em relação ao
inquérito e a possibilidade de fazerem observações sobre as informações constantes dos projectos
de relatórios.
4. O organismo responsável pelo inquérito deve concluir as suas investigações no local do
acidente no mais curto prazo possível por forma a dar ao gestor da infra-estrutura a possibilidade de
a repor em condições e abrir aos serviços de transporte ferroviário com a maior brevidade.
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 88
_______________________________________________________________________________
Artigo 23.º
Relatórios
1. O inquérito sobre um acidente ou incidente a que se refere o artigo 19.º deve ser objecto de
relatórios, cuja forma dependerá do tipo e da gravidade do acidente ou incidente e da importância
das conclusões. Os relatórios indicarão os objectivos do inquérito, mencionados no n.º 1 do
artigo 19.º, e incluirão, se for caso disso, recomendações em matéria de segurança.
2. O organismo responsável pelos inquéritos deve tornar público o relatório final no mais curto
prazo possível e, em princípio, o mais tardar, 12 meses após a data da ocorrência. O relatório deve
seguir, tanto quanto possível, a estrutura enunciada no Anexo V. O relatório, acompanhado das
recomendações em matéria de segurança, deve ser enviado às partes envolvidas mencionadas no
n.º 3 do artigo 22.º e aos organismos e partes interessadas de outros Estados-Membros.
3. O organismo responsável pelos inquéritos publicará anualmente, até 30 de Setembro, um
relatório sobre os inquéritos efectuados no ano anterior, as recomendações formuladas em matéria
de segurança e as medidas tomadas em conformidade com recomendações formuladas
anteriormente.
Artigo 24.º
Informações a comunicar à Agência
1. No prazo de uma semana a contar da decisão de dar início a um inquérito, o organismo
responsável pelo inquérito deve informar a Agência desse facto. A informação deve indicar a data, a
hora e o local da ocorrência, bem como o seu tipo e consequências em termos de mortes e de danos
corporais e materiais.
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 89
_______________________________________________________________________________
2. O organismo responsável pelo inquérito deve enviar à Agência uma cópia do relatório final
mencionado no n.º 2 do artigo 23.º e do relatório anual previsto no n.º 3 do artigo 23.º.
Artigo 25.º
Recomendações em matéria de segurança
1. Uma recomendação em matéria de segurança formulada por um organismo responsável por
um inquérito não deve dar lugar, em circunstância alguma, a uma presunção de culpa ou de
responsabilidade por um acidente ou incidente.
2. Os destinatários das recomendações são a autoridade responsável pela segurança e, se o
carácter da recomendação assim o exigir, outros organismos ou autoridades do Estado-Membro ou
outros Estados-Membros. Os Estados-Membros e as suas autoridades responsáveis pela segurança
devem tomar as medidas necessárias para garantir que as recomendações em matéria de segurança
formuladas pelos organismos responsáveis pelos inquéritos sejam devidamente tidas em conta e, se
for caso disso, aplicadas.
3. A autoridade responsável pela segurança e as outras autoridades ou organismos ou, se for caso
disso, os outros Estados-Membros destinatários das recomendações informarão o organismo
responsável pelos inquéritos, pelo menos uma vez por ano, das medidas tomadas ou previstas na
sequência da recomendação.
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 90
_______________________________________________________________________________
CAPÍTULO VI
COMPETÊNCIAS DE EXECUÇÃO
Artigo 26.º
Adaptação dos Anexos
Os Anexos devem ser adaptados ao progresso técnico e científico nos termos do n.º 2 do artigo 27.º.
Artigo 27.º
Procedimento de comité
1. A Comissão é assistida pelo comité instituído no artigo 21.º da Directiva 96/48/CE.
2. Sempre que se faça referência ao presente número, são aplicáveis os artigos 5.º e 7.º da
Decisão 1999/468/CE, tendo-se em conta o disposto no seu artigo 8.º.
O prazo previsto no n.º 6 do artigo 5.º da Decisão 1999/468/CE é de três meses.
3. Sempre que se faça referência ao presente número, são aplicáveis os artigos 3.º e 7.º da
Decisão 1999/468/CE, tendo em conta o disposto no seu artigo 8.º.
4. O Comité aprovará o seu regulamento interno.
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 91
_______________________________________________________________________________
Artigo 28.º
Medidas de execução
1. Os Estados-Membros poderão apresentar à Comissão eventuais questões relativas à execução
da presente directiva. As decisões adequadas serão aprovadas nos termos do n.º 2 do artigo 27.º.
2. A pedido de um Estado-Membro ou por sua própria iniciativa, a Comissão analisará, em casos
específicos, a aplicação e a execução das disposições relativas à certificação de segurança e à
autorização de segurança e, no prazo de dois meses a contar da recepção do pedido, decidirá, nos
termos do n.º 2 do artigo 27.º, se a medida em causa pode continuar a ser aplicada. A Comissão
comunicará a sua decisão ao Parlamento Europeu, ao Conselho e aos Estados-Membros.
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 92
_______________________________________________________________________________
CAPÍTULO VII
DISPOSIÇÕES GERAIS E FINAIS
Artigo 29.º
Alterações à Directiva 95/18/CE
A Directiva 95/18/CE é alterada do seguinte modo:
1) O artigo 8.º passa a ter a seguinte redacção:
"Artigo 8.º
Consideram-se preenchidas as condições relativas à competência profissional sempre que a
empresa de transporte ferroviário que requer a licença disponha ou venha a dispor de uma
organização de gestão que possua a experiência e/ou os conhecimentos necessários para
exercer um controlo de exploração e uma supervisão seguros e eficazes no que se refere ao
tipo de operações especificado na licença."
2) É revogada a Secção II do Anexo.
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 93
_______________________________________________________________________________
Artigo 30.º
Alterações à Directiva 2001/14/CE
A Directiva 2001/14/CE é alterada do seguinte modo:
1) O título passa a ter a seguinte redacção:
"Directiva 2001/14/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 26 de Fevereiro de 2001,
relativa à repartição de capacidade da infra-estrutura ferroviária e à aplicação de taxas de
utilização da infra-estrutura ferroviária";
2) A alínea f) do n.º 2 do artigo 30.º passa a ter a seguinte redacção:
"f) As disposições relativas ao acesso nos termos do artigo 10.º da Directiva 91/440/CEE
do Conselho, de 29 de Julho de 1991, relativa ao desenvolvimento dos caminhos-de-
-ferro comunitários (*), com a redacção que lhe foi dada pela Directiva 2004/.../CE do
Parlamento Europeu e do Conselho, de ......., que altera a Directiva 91/440/CEE do
Conselho relativa ao desenvolvimento dos caminho-de-ferro comunitários (**);
(*)
JO L 237 de 24.8.1991, p. 25.
(**)
JO L …."
3) É revogado o artigo 32.º;
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 94
_______________________________________________________________________________
4) O n.º 2 do artigo 34.º passa a ter a seguinte redacção:
"2. A pedido de um Estado-Membro ou por sua própria iniciativa, a Comissão analisará, em
casos específicos, a aplicação e a execução das disposições relativas à tarifação e à repartição
de capacidade e, no prazo de dois meses a contar da recepção desse pedido, decidirá, nos
termos do n.º 2 do artigo 35.º, se a medida em causa pode continuar a ser aplicada. A
Comissão comunicará a sua decisão ao Parlamento Europeu, ao Conselho e aos Estados-
-Membros."
Artigo 31.º
Relatório e outras acções comunitárias
Antes de ... * e, posteriormente, de cinco em cinco anos, a Comissão apresentará ao Parlamento
Europeu e ao Conselho um relatório sobre a execução da presente directiva.
Esse relatório será acompanhado, se necessário, de propostas de novas acções comunitárias.
Artigo 32.º
Sanções
Os Estados-Membros devem estabelecer o regime de sanções aplicável às violações das disposições
nacionais aprovadas nos termos da presente directiva e tomarão todas as medidas necessárias para
garantir a sua execução. As sanções impostas devem ser efectivas, proporcionadas, não
discriminatórias e dissuasivas.
*
Três anos após a entrada em vigor da presente directiva.
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 95
_______________________________________________________________________________
Os Estados-Membros devem notificar a Comissão desse regime até à data prevista no artigo 33.º,
bem como de qualquer alteração posterior, no mais breve prazo.
Artigo 33.º
Execução
Os Estados-Membros devem pôr em vigor as disposições legislativas, regulamentares e
administrativas necessárias para dar cumprimento à presente directiva até ... * e informar
imediatamente a Comissão desse facto.
Quando os Estados-Membros aprovarem essas disposições, estas devem incluir uma referência à
presente directiva ou ser acompanhadas dessa referência aquando da sua publicação oficial. As
modalidades dessa referência serão aprovadas pelos Estados-Membros.
Artigo 34.º
Entrada em vigor
A presente directiva entra em vigor na data da sua publicação no Jornal Oficial da União Europeia.
*
Dois anos após a entrada em vigor da presente directiva.
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 96
_______________________________________________________________________________
Artigo 35.º
Destinatários
Os Estados-Membros são os destinatários da presente directiva.
Feito em Estrasburgo, em 29 de Abril de 2004.
Pelo Parlamento Europeu Pelo Conselho
O Presidente O Presidente
P. COX M. McDOWELL
_______________
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 97
_______________________________________________________________________________
ANEXO I
Indicadores comuns de segurança
Indicadores comuns de segurança a notificar pelas autoridades responsáveis pela segurança:
Caso sejam apresentados, os indicadores relacionados com as actividades mencionadas nas
alíneas a) e b) do n.º 2 do artigo 2.º deverão ser indicados separadamente.
Caso sejam detectados novos factos ou erros após a apresentação do relatório, a autoridade
responsável pela segurança deve alterar ou corrigir os indicadores relativos a determinado ano na
primeira oportunidade conveniente e, o mais tardar, por ocasião da apresentação do relatório anual
seguinte.
Para os indicadores relativos aos acidentes contemplados no ponto 1, aplicar-se-á o
Regulamento (CE) n.º 91/2003 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 16 de Dezembro de 2002,
relativo às estatísticas dos transportes ferroviários 1, na medida em que essas informações se
encontrem disponíveis.
1) Indicadores relativos a acidentes
1. Número total e relativo (por comboio.quilómetro) de acidentes e repartição pelos tipos
de acidentes seguintes:
– colisões de comboios, incluindo colisões com obstáculos dentro do gabarito,
1
JO L 14 de 21.1.2003, p. 1.
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 98
_______________________________________________________________________________
– descarrilamentos de comboios,
– acidentes em passagens de nível, incluindo acidentes que envolvam peões,
– acidentes com pessoas provocados por material circulante em movimento, com
excepção dos suicídios,
– suicídios,
– incêndios no material circulante,
– outros.
O relatório de cada acidente será feito de acordo com o tipo do acidente primário, ainda
que as consequências do acidente secundário sejam mais graves, por exemplo um
incêndio após um descarrilamento.
2. Número total e relativo (por comboio.quilómetro) de feridos graves e de mortos por tipo
de acidente, discriminados pelas seguintes categorias:
– passageiros (igualmente por referência ao número total de
passageiros.quilómetro),
– empregados, incluindo o pessoal dos empreiteiros,
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 99
_______________________________________________________________________________
– utilizadores de passagens de nível,
– pessoas não autorizadas em instalações ferroviárias,
– outros.
2) Indicadores relativos a incidentes e casos de quase acidente
1. Número total e relativo (por comboio.quilómetro) de carris partidos, deformações da via
e falhas na sinalização.
2. Número total e relativo (por comboio.quilómetro) de sinais transpostos em situação de
perigo.
3. Número total e relativo (por comboio.quilómetro) de rupturas de rodas e eixos do
material circulante em serviço.
3) Indicadores relativos às consequências dos acidentes
1. Custo total e relativo (por comboio.quilómetro), em euros, de todos os acidentes,
devendo, se possível, ser calculados e incluídos os seguintes custos:
– mortos e feridos,
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 100
_______________________________________________________________________________
– indemnizações por perdas ou danos nos bens dos passageiros, do pessoal ou de
terceiros, incluindo os danos causados ao ambiente,
– substituição ou reparação do material circulante e das instalações ferroviárias
danificados,
– atrasos, perturbações e reencaminhamento do tráfego, incluindo despesas
suplementares com pessoal e lucros cessantes.
São dedutíveis dos custos acima referidos as indemnizações ou compensações recebidas
ou a receber de terceiros, nomeadamente proprietários de veículos a motor envolvidos
em acidentes em passagens de nível. Não são dedutíveis as indemnizações concedidas a
título das apólices de seguros de que são detentoras as empresas ferroviárias ou os
gestores das infra-estruturas.
2. Número total e relativo (por referência ao número de horas de trabalho efectuadas) de
horas de trabalho do pessoal e dos empreiteiros perdidas devido a acidentes.
4) Indicadores relativos à segurança técnica da infra-estrutura e à sua implementação
1. Percentagem de vias equipadas com um sistema de protecção automática dos comboios
(ATP) em serviço, percentagem de comboios.quilómetro usando sistemas ATP
operacionais.
2. Número de passagens de nível (total e por quilómetro de linha). Percentagem de
passagens de nível com protecção automática ou manual.
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 101
_______________________________________________________________________________
5) Indicadores relativos à gestão da segurança
Auditorias internas realizadas pelos gestores das infra-estruturas e pelas empresas ferroviárias,
conforme previsto na documentação relativa ao sistema de gestão da segurança. Número total
de auditorias efectuadas e percentagem de auditorias solicitadas (e/ou previstas).
6) Definições
Ao apresentarem os dados em conformidade com o presente anexo, as autoridades declarantes
podem recorrer às definições dos indicadores e aos métodos de cálculo dos custos aplicados a
nível nacional. Todas as definições e métodos de calculo utilizados serão explicados num
anexo ao relatório anual descrito no artigo 18.º.
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 102
_______________________________________________________________________________
ANEXO II
Notificação das normas de segurança nacionais
As normas de segurança nacionais a notificar à Comissão nos termos do artigo 8.º compreendem:
1. Normas relativas aos objectivos e métodos de segurança nacionais em vigor;
2. Normas relativas aos requisitos aplicáveis aos sistemas de gestão da segurança e à certificação
de segurança das empresas ferroviárias;
3. Normas relativas aos requisitos para a autorização de colocação em serviço e para a
manutenção de material circulante novo ou substancialmente alterado que ainda não se
encontre abrangido por uma ETI. A notificação deve incluir as normas respeitantes ao
intercâmbio de material circulante entre empresas ferroviárias, aos sistemas de registo e aos
requisitos aplicáveis aos procedimentos de ensaio;
4. Normas comuns de exploração da rede ferroviária que ainda não se encontrem abrangidas por
ETI, incluindo normas respeitantes ao sistema de sinalização e de gestão do tráfego;
5. Normas que definam os requisitos aplicáveis às normas de exploração internas suplementares
(normas da empresa) que devem ser estabelecidas pelos gestores das infra-estruturas e pelas
empresas ferroviárias;
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 103
_______________________________________________________________________________
6. Normas relativas aos requisitos aplicáveis ao pessoal que desempenha tarefas de segurança
cruciais, incluindo critérios de selecção, aptidão médica, formação profissional e certificação,
caso não se encontrem ainda abrangidas por uma ETI;
7. Normas relativas aos inquéritos a acidentes e incidentes.
_______________
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 104
_______________________________________________________________________________
ANEXO III
Sistemas de gestão de segurança
1. Requisitos aplicáveis ao sistema de gestão da segurança
O sistema de gestão da segurança deve ser documentado em todas as suas partes e descrever,
nomeadamente, a repartição das responsabilidades dentro da organização do gestor da infra-
-estrutura ou da empresa ferroviária. O sistema deve indicar o modo como é garantido o
controlo por parte da gestão a diversos níveis, o modo de participação do pessoal e dos seus
representantes a todos os níveis e o modo como é garantida a melhoria constante do sistema
de gestão da segurança.
2. Elementos fundamentais do sistema de gestão da segurança
Os elementos fundamentais do sistema de gestão da segurança são:
a) Uma política de segurança aprovada pelo director executivo da organização e
comunicada a todo o pessoal;
b) Objectivos qualitativos e quantitativos da organização em termos de manutenção e
reforço da segurança, bem como planos e procedimentos para alcançar esses objectivos;
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 105
_______________________________________________________________________________
c) Procedimentos destinados a satisfazer as normas técnicas e de exploração em vigor,
novas ou alteradas, ou outras condições normativas previstas
– nas ETI ou
– nas normas nacionais de segurança mencionadas no artigo 8.º e no Anexo II ou
– noutras normas aplicáveis ou
– em decisões da autoridade
e procedimentos destinados a garantir o cumprimento das normas e de outras condições
normativas ao longo do ciclo de vida do equipamento e durante as operações;
d) Procedimentos e métodos destinados a efectuar uma avaliação dos riscos e a aplicar
medidas de controlo dos riscos sempre que uma mudança das condições de exploração
ou a introdução de material novo introduza novos riscos para a infra-estrutura ou para as
operações;
e) Oferta de programas de formação do pessoal e de sistemas destinados a garantir que o
nível de competência do pessoal é mantido e que as tarefas são realizadas em
conformidade;
f) Disposições tendo em vista a circulação de informações suficientes dentro da
organização e, se for caso disso, entre as organizações que exploram a mesma infra-
-estrutura;
g) Procedimentos e modelos de documentação da informação sobre segurança e
designação de procedimentos de controlo da configuração da informação fundamental
em matéria de segurança;
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 106
_______________________________________________________________________________
h) Procedimentos destinados a garantir a notificação, o inquérito e a análise de acidentes,
incidentes, casos de quase acidente e outras ocorrências perigosas e a adopção das
medidas de prevenção necessárias;
i) Planos de acção, alerta e informação em caso de emergência, acordados com as
autoridades públicas competentes;
j) Disposições tendo em vista uma auditoria interna periódica do sistema de gestão da
segurança.
_______________
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 107
_______________________________________________________________________________
ANEXO IV
Declarações relativas à parte do certificado de segurança respeitante à rede
Para permitir à autoridade responsável pela segurança emitir a parte do certificado de segurança
respeitante à rede devem ser-lhe apresentados os documentos abaixo indicados:
– documentação da empresa ferroviária sobre as ETI ou partes de ETI e, se for caso disso, as
normas de segurança nacionais e outras normas aplicáveis às suas operações, pessoal e
material circulante, e sobre a forma como o sistema de gestão da segurança garante a
conformidade;
– documentação da empresa ferroviária sobre as diversas categorias de pessoal empregado ou
contratado, incluindo prova de que o mesmo satisfaz os requisitos das ETI ou das normas
nacionais e de que foi devidamente certificado;
– documentação da empresa ferroviária sobre os diversos tipos de material circulante utilizado,
incluindo prova de que o mesmo satisfaz os requisitos das ETI ou das normas nacionais e de
que foi devidamente certificado.
A fim de evitar uma duplicação de esforços e reduzir o volume de informação, deverá ser
apresentada apenas documentação sumária no que se refere aos elementos que cumprem as ETI e os
outros requisitos das Directivas 96/48/CE e 2001/16/CE.
30.4.2004 PT Jornal Oficial da União Europeia L 164/ 108
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ANEXO V
Conteúdo principal do relatório de inquérito sobre acidentes e incidentes
1) Resumo
O resumo deve incluir uma breve descrição da ocorrência, com indicação da data, local e
consequências. Deve enunciar as causas directas e os factores que contribuíram para a
ocorrência bem como as causas subjacentes determinadas pelo inquérito. Deve ainda citar as
principais recomendações e indicar os respectivos destinatários.
2) Factos imediatos relacionados com a ocorrência
1. Ocorrência:
– data, hora exacta e local da ocorrência,
– descrição dos acontecimentos e do local do acidente, incluindo os esforços dos
serviços de salvamento e emergência,
– decisão de abrir um inquérito, composição da equipa de inquérito e realização do
inquérito.
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2. Circunstâncias da ocorrência:
– pessoal e empreiteiros envolvidos, bem como outras partes e testemunhas,
– comboios e respectiva composição, incluindo o número de registo do material
circulante implicado,
– descrição da infra-estrutura e do sistema de sinalização – tipos de vias, aparelhos
de mudança de via, encravamento, sinais, protecção dos comboios,
– meios de comunicação,
– obras efectuadas no local ou nas imediações,
– activação do plano de emergência ferroviário e respectiva cadeia de
acontecimentos,
– activação do plano de emergência dos serviços públicos de salvamento, da polícia
e dos serviços médicos e respectiva cadeia de acontecimentos.
3. Mortes e danos corporais e materiais:
– passageiros e terceiros, pessoal, incluindo empreiteiros,
– mercadorias, bagagem e outros bens,
– material circulante, infra-estrutura e ambiente.
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4. Circunstâncias externas:
– condições atmosféricas e referências geográficas.
3) Registo dos inquéritos
1. Resumo dos depoimentos (sujeito à protecção da identidade das pessoas):
– pessoal ferroviário, incluindo empreiteiros,
– outras testemunhas.
2. Sistema de gestão da segurança:
– quadro organizativo e forma como as ordens são dadas e executadas,
– requisitos aplicáveis ao pessoal e modo de os aplicar,
– rotinas aplicáveis às auditorias e aos controlos internos e seus resultados,
– interface entre os diversos intervenientes presentes na infra-estrutura.
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3. Normas e regulamentações:
– normas e regulamentações comunitária e nacional aplicáveis,
– outras normas, nomeadamente normas de exploração, instruções locais, requisitos
aplicáveis ao pessoal, prescrições de manutenção e padrões aplicáveis.
4. Funcionamento do material circulante e das instalações técnicas:
– sistema de sinalização e de comando e controlo, incluindo registo a partir de
aparelhos de registo automático de dados,
– infra-estrutura,
– equipamento de comunicações,
– material circulante, incluindo registo a partir de aparelhos de registo automático
de dados.
5. Documentação relativa ao sistema de funcionamento:
– medidas adoptadas pelo pessoal para controlo e sinalização do tráfego,
– intercâmbio de mensagens verbais relacionadas com a ocorrência, incluindo
documentação proveniente dos registos,
– medidas tomadas para protecção e salvaguarda do local da ocorrência,
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6. Interface homem-máquina-organização:
– horário de trabalho do pessoal envolvido,
– circunstâncias de ordem médica e pessoal com influência na ocorrência, incluindo
existência de tensão física ou psicológica,
– concepção do equipamento com impacto na interface homem-máquina.
7. Ocorrências anteriores de carácter semelhante
4) Análise e conclusões
1. Relatório final da cadeia de acontecimentos:
– conclusões sobre a ocorrência, com base nos factos apurados no ponto 3).
2. Debate:
– análise dos factos apurados no ponto 3) com o objectivo de tirar conclusões sobre
as causas da ocorrência e o desempenho dos serviços de salvamento.
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3. Conclusões:
– causas directas e imediatas da ocorrência, incluindo os factores que para ela
contribuíram relacionados com acções das pessoas envolvidas ou com as
condições do material circulante ou das instalações técnicas,
– causas subjacentes relacionadas com as competências, os procedimentos e a
manutenção,
– causas profundas relacionadas com as condições do quadro regulamentar e a
aplicação do sistema de gestão da segurança.
4. Observações suplementares:
– deficiências e lacunas apuradas durante o inquérito, mas sem importância para as
conclusões sobre as causas.
5) Medidas adoptadas
– Registo das medidas já tomadas ou adoptadas em consequência da ocorrência.
6) Recomendações