Provedor de Justiça
Documento Viol%c3%aancia%20sobre%20idosos_%20Provedoria%20de%20Justi%c3%a7a_%20Um%20levantamento%20da%20atua%c3%a7%c3%a3o%20da%20Linha%20do%20Idoso
- Meio processual
- RECOMENDAÇÃO
- Emitente
- Dados sobre violência sobre idosos
Texto integral (2393 palavras)
Dados sobre violência sobre idosos
Últimos 5 anos — de 2016 a 2020
2016 2017 2018 2019 2020 Total
Abandono 20 12 10 11 7 60
Abuso material e 58 62 27 42 21 210
financeiro
Maus-tratos 105 124 76 44 52 401
Negligência 115 95 96 121 72 499
Violência — — 39 63 39 141
doméstica
298 293 248 281 191
Total 10% do total de 12% do total de 10% do total de 10% do total de 6% do total de 1311
chamadas chamadas chamadas chamadas chamadas
Observações:
1. Os dados apresentados referem-se a situações de abuso contra os mais velhos registadas
entre 2016 e 2020.
2. Considerou-se consubstanciar abuso as seguintes práticas: negligência de cuidados (na
família ou em instituição), maus-tratos (na família ou em instituição), violência doméstica,
abandono e abuso material e financeiro.
3. Em termos gerais, os números não revelam variações assinaláveis ao longo dos últimos 5
anos.
4. Em termos gerais, as situações de abuso representam cerca de 10% do total de chamadas
recebidas na Linha do Idoso (mínimo de 6%, em 2020; máximo de 12% em 2017).
5. Em regra, os agressores são pessoas muito próximas dos idosos, designadamente os
próprios filhos e netos.
6. Também em regra, os agressores apresentam problemas de alcoolismo, de
toxicodependência ou de saúde mental.
Núcleo da Criança, do Idoso e do Cidadão com Deficiência
Linha da Criança – 800 20 66 56
Linha do Idoso – 800 20 35 31
Linha do Cidadão com Deficiência – 800 20 84 62
7. Relativamente a 2021, contabilizaram-se (até ao dia 31 maio) 46 chamadas sobre abuso
contra idosos, num total de 1043, representando 4,4% do total.
8. Desagregando as 46 chamadas sobre abuso contra idosos recebidas em 2021:
Abandono 4
Abuso material e
11
financeiro
Maus-tratos 10
Negligência 15
Violência doméstica 6
Dados sobre violência sobre idosos:
A atuação da Linha nos casos concretos
Até 31
Atuação 2016 2017 2018 2019 2020 maio
2021
Informação
267 nd 202 246 161 41
e encaminhamento
Intermediação ou acompanhamento
31 nd 46 35 30 5
da atuação da entidade
298 293 248 281 191 46
Total
Dependendo de cada caso concreto e da sua gravidade, a atuação da Linha do Cidadão Idoso
pode passar quer pela informação e encaminhamento para a entidade competente quer pela
sinalização da situação e/ou intermediação e acompanhamento da atuação da entidade
competente. Estas atuações acontecem, sensivelmente, numa proporção de 86% e 14%,
respetivamente.
Em regra, essas entidades são:
Núcleo da Criança, do Idoso e do Cidadão com Deficiência
Linha da Criança – 800 20 66 56
Linha do Idoso – 800 20 35 31
Linha do Cidadão com Deficiência – 800 20 84 62
⎯ Forças policiais (PSP/GNR), nas situações específicos de violência doméstica.
Importa ter presente que poderá ocorrer imediata atuação da polícia, designadamente
no âmbito do chamado “programa integrado de policiamento de proximidade”.
Também para os serviços do Ministério Público, uma vez que estão em causa crimes
públicos
⎯ Serviços de ação social local, como os serviços locais da Segurança Social, das juntas
de freguesia ou câmaras municipais. Deve assinalar-se a importância da atuação das
técnicas de serviço social, que podem assegurar a realização de uma visita domiciliária
ao idoso para avaliar a situação e verificar se estão a ser satisfeitas as respetivas
necessidades básicas (como a higiene, a alimentação e a saúde) e para propor algum
tipo de apoio (designadamente o serviço de apoio domiciliário ou a integração em
centro de dia ou lar).
Alguns casos tratados pela Linha do Cidadão Idoso
1.
Funcionária de uma junta de freguesia falou em nome de idosa que a contactou, no sentido
de pedir ajuda. Refere que a idosa lhe confidenciou ser maltratada pelo filho que acolheu em
sua casa há cerca de 6 meses, em virtude do divórcio (do filho). Ficara assente que ele deveria
procurar uma casa, o que nunca fez. Para além de fazer constantes ameaças, chegou mesmo
a empurrar a idosa.
O que fez a Linha?
➢ Contactou a idosa, que referiu ter ligado à PSP a pedir ajuda e que dois agentes foram
a sua casa. Todavia, não soube dizer se ficou registada como queixa por violência
doméstica, como pretendia.
➢ Contactou a Esquadrada PSP que confirmou ter sido levantado auto de notícia, do
qual apenas constava que a interessada se referiu a uma situação de alguma tensão
Núcleo da Criança, do Idoso e do Cidadão com Deficiência
Linha da Criança – 800 20 66 56
Linha do Idoso – 800 20 35 31
Linha do Cidadão com Deficiência – 800 20 84 62
entre ela e o filho, porque ele não cumpria as regras da casa, fumava e não
comparticipava nas despesas. Reforçou-se a necessidade de um policiamento de
proximidade mais assíduo e, de preferência, por volta da hora do jantar (quando o
alegado agressor está na casa.
➢ Contactou novamente a idosa, para chamara a atenção para a necessidade de ser clara
e explícita perante os Agentes da PSP sobre o comportamento do filho. A idosa disse
que iria à Esquadra apresentar queixa por violência doméstica.
➢ Informou a idosa de que foi pedida à Esquadra da PSP o reforço do policiamento de
proximidade.
2.
Alguém que não se identificou, mas que se apresentou como amigo de longa data de uma
idosa, reportou à Linha uma situação de alegados maus tratos/violência doméstica
envolvendo uma idosa e respetivas filhas. Referiu também que a GNR terá sido chamada
por duas vezes à residência da idosa, por causa de agressões das filhas. Mencionou igualmente
que, por motivos de saúde, a idosa havia sido recentemente conduzida ao hospital da sua
área de residência.
O que fez a Linha?
➢ No decurso da chamada, sugeriu ao queixoso que, logo que a idosa tivesse alta clínica,
a orientasse para a APAV. Forneceu-se o contacto e pediu-se que lembrou-se a
utilidade de ser feito um acompanhamento ao nível da adoção de estratégias de
proteção pessoal.
➢ Contactou o Posto da GNR, no sentido de confirmar o conhecimento da situação e
conhecer as diligências realizadas para apoiar a idosa. Apurou-se que a situação tinha
já sido remetida para o Ministério Público.
➢ Contactou o serviço de ação social do hospital, solicitando a averiguação da situação
e o apuramento da eventual necessidade de ser acionado alguma resposta social.
3.
Núcleo da Criança, do Idoso e do Cidadão com Deficiência
Linha da Criança – 800 20 66 56
Linha do Idoso – 800 20 35 31
Linha do Cidadão com Deficiência – 800 20 84 62
Uma vizinha denunciou a situação de um idoso, de idade muito avançada (95 anos), que vivia
sozinho, sendo apenas pontualmente visitado por uma neta no dia em que recebe a sua
pensão. A neta levanta a pensão e apropria-se do dinheiro. O idoso não tem dinheiro para as
suas necessidades básicas e passa fome.
O que fez a Linha?
➢ Sinalizou o caso à técnica de serviço social da área de residência do idoso.
➢ Pediu urgência na realização das diligências julgadas necessárias.
➢ Ficou de ser ponderado apoio domiciliário.
4.
A Linha foi contactada por um idoso, que tinha sido levado para casa do filho, noutra cidade.
Foi dito ao idoso que iria passar apenas alguns dias com o filho, mas passou a viver ali
permanentemente e contra a sua vontade. O filho apropriou-se da pensão do pai, bem como
dos seus documentos e demais bens pessoais (como a carteira e telemóvel). O idoso disse à
Linha que não queria viver com o filho e que se sentida deprimido e deslocado. Pretendia
regressar à sua terra, mas tinha medo de confrontar o filho, que lhe dizia que agora era ele
quem mandava. Como também não tinha acesso ao dinheiro, e aos seus pertences, o idoso,
o idoso também se sentia limitado.
O que fez a Linha?
➢ Contactou a técnica de serviço social do Centro de Dia frequentado pelo idoso, que
falou com o filho. Este foi elucidado sobre os direitos do pai, nomeadamente sobre
decidir se queria, ou não, viver com o filho; sobre o regresso à sua terra/casa (direito
à autodeterminação); e sobre o seu dinheiro e demais pertences.
➢ Foram devolvidos ao idoso os seus documentos e bens pessoais. O filho alterou o
seu modo de relacionamento com o pai. O idoso pôde voltar para a sua terra.
5.
Núcleo da Criança, do Idoso e do Cidadão com Deficiência
Linha da Criança – 800 20 66 56
Linha do Idoso – 800 20 35 31
Linha do Cidadão com Deficiência – 800 20 84 62
Uma idosa contactou a Linha e relatou que o filho (que vivia com ela) a agredia e injuriava
constantemente, e tinha graves problemas de alcoolismo. A idosa referiu também que o filho,
que não trabalhava, lhe pedia constantemente dinheiro, ou lho tirava. Caso a idosa se
recusasse a dar-lhe dinheiro, o filho ameaçava-a ou agredia-a. Ainda que a idosa já tivesse
tinha apresentado queixa e que filho já tivesse sido condenado em tribunal, a submeter-se a
tratamento ao alcoolismo, a situação de maus tratos subsistia.
O que fez a Linha?
➢ Foi assegurado o encaminhamento da idosa, primeiro, para a Polícia e, depois,
também para a APAV (Associação Portuguesa Apoio à Vítima).
6.
A Linha recebeu queixa sobre a situação de uma idosa que vivia com um filho que tinha
deficiência mental. A idosa passou uma procuração aos vizinhos, para que estes lhe darem
apoio diário, designadamente ao nível das compras, da alimentação e da marcação de
consultas. Todavia, uma vez que a referida procuração autoriza o acesso às contas bancárias
da idosa, os vizinhos passaram a tomar todas as decisões relativas à sua vida. A idosa foi
institucionalizada num lar e o filho noutra instituição, e os vizinhos não autorizavam que a
idosa visitasse o filho ou sequer saísse do lar, mesmo acompanhada de familiares, para dar
um passeio ou almoçar fora. A idosa implorava, constantemente, para que a deixassem ver o
filho.
O que fez a Linha?
➢ Contactou com a técnica de serviço social da área do lar, alertando-a para esta
situação. A técnica fez uma visita ao lar e advertiu a respetiva de que a idosa não
podia ser impedida de sair da instituição nem, naturalmente, de ir visitar o filho. A
idosa foi finalmente visitar o filho, que não via há mais de um ano.
➢ Informou o queixoso de que a situação deveria ser denunciada ao Ministério Público.
7.
Foi recebida queixa sobre a situação de uma idosa com graves problemas de saúde.
Núcleo da Criança, do Idoso e do Cidadão com Deficiência
Linha da Criança – 800 20 66 56
Linha do Idoso – 800 20 35 31
Linha do Cidadão com Deficiência – 800 20 84 62
Encontrava-se em cadeira de rodas e tinha uma cuidadora muito negligente, ao nível dos
cuidados de saúde, alimentação e higiene. A casa tinha um cheiro nauseabundo que se sentia
à porta da entrada. A idosa tinha um filho, mas que raramente visitava a mãe. Ainda que o
caso já tivesse sido sinalizado à técnica de serviço social da sua área de residência, a idosa
continuava a cargo da cuidadora.
O que fez a Linha?
➢ Contactou a técnica de serviço social e o Centro Distrital de Segurança Social da área
de residência da idosa. A idosa deixou de estar a cargo da referida cuidadora. A idosa
acabou por ser institucionalizada.
8.
A Linha recebeu queixa sobre a situação de um idoso que, não tendo familiares próximos,
era mantido isolado por um vizinho (que, em tempos, se oferecera para ser cuidador) e era
também vítima de maus-tratos. O vizinho também se apropriara dos bens do idoso, e teria
mesmo desbaratado o respetivo património. Uma vez que o idoso sofreu um AVC, há uns
anos, estava sempre em casa sem nenhum contacto com o exterior. Todavia, os vizinhos
ouviam o cuidador a dirigir-se-lhe de modo agressivo e ofensivo. O idoso estava também
impedido de receber visitas.
O que fez a Linha?
➢ Sinalizou o caso à técnica de serviço social da área de residência do idoso. Foi
realizada visita domiciliária, com o apoio das autoridades policiais. Foi formalizada
participação ao Ministério Público e desencadeado o procedimento tendente à
institucionalização do idoso em lar.
9.
Um familiar apresentou queixa sobre a situação de uma idosa que, vivendo com os filhos,
era verbal e fisicamente agredida por um filho. Este era especialmente violento e tinha
atitudes que indiciavam sofrer de algum tipo de perturbação mental. Tais atos eram mesmo
Núcleo da Criança, do Idoso e do Cidadão com Deficiência
Linha da Criança – 800 20 66 56
Linha do Idoso – 800 20 35 31
Linha do Cidadão com Deficiência – 800 20 84 62
suscetíveis de pôr em perigo a vida da idosa. Ainda assi, se perguntada, a idosa negava os
factos, recusando denunciar o seu próprio filho.
O que fez a Linha?
➢ Contactou o Delegado de Saúde da área de residência da idosa. Ponderou-se estar
em causa situação que justificasse o internamento compulsivo do filho.
➢ Pediu ao queixoso que contactasse a Linha se a situação se não resolvesse em prazo
muito curto.
10.
A Linha recebeu queixa sobre uma situação de maus tratos físicos e psicológicos, e de
negligência grave ao nível de cuidados de saúde e de alimentação, ocorrida num lar ilegal. A
queixa foi apresentada pela filha de um casal de idosos ali institucionalizado, que relatou que
a mãe (que sofria da doença de Alzheimer, em estado avançado) apresentava diversos
hematomas no corpo. A proprietária do lar justificado os hematomas com alegadas as quedas
que a idosa sofreria, constantemente. Por outro lado, a idosa revelava medo das funcionárias
do lar, ainda que (por causa da doença) não lhe fosse possível verbalizar os seus sentimentos.
O pai da queixosa — que estava lúcido, mas não falava — gesticulava no sentido de haver
agressões físicas.
O que fez a Linha?
➢ Contactou o serviço da Segurança Social competente (reforçando a denúncia que a
filha do casal já havia formalizado.
➢ Pediu à queixosa que contactasse a Linha se situação se não resolvesse em prazo
muito curto.
Núcleo da Criança, do Idoso e do Cidadão com Deficiência
Linha da Criança – 800 20 66 56
Linha do Idoso – 800 20 35 31
Linha do Cidadão com Deficiência – 800 20 84 62