Provedor de Justiça
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- Meio processual
- RECOMENDAÇÃO
- Emitente
- Professor P.Nikiforos Diamandouros
Texto integral (2284 palavras)
Professor P.Nikiforos Diamandouros
Candidato ao Cargo de Ombudsman Europeu
Apresentação Oral
Parlamento Europeu – Comissão das Petições
Audição dos Candidatos – 30 de Novembro de 2009
Introdução
Exmo. Senhor Presidente, Honrados Membros,
Muito obrigado por esta oportunidade de vos poder falar sobre a minha visão e
as minhas aspirações para o cargo do Provedor Europeu.
O meu curriculum vitae, que vos foi fornecido em 23 línguas, traça as principais
mais–valias que eu trago para esta função: primeiro, a minha experiência
profissional como gestor público, como académico, como fundador do Provedor
de Justiça Grego e enquanto Provedor Europeu desde Abril de 2003. E, em
segundo lugar, a minha identidade firmemente não partidária.
Gostaria de agradecer publicamente aos 225 Membros do Parlamento Europeu
de todos os 27 Estados Membros que aprovaram a minha recandidatura. Sinto-
me honrado pelo facto de tantos Membros de todos os grupos políticos me
terem dado o seu apoio. Estou convencido que um tão amplo apoio é um factor
vital para fortalecer a credibilidade e legitimidade do Provedor Europeu aos
olhos dos cidadãos europeus.
Resultados alcançados
Gostaria de começar a parte substantiva da minha apresentação sublinhando
os principais resultados do meu trabalho como Provedor Europeu, desde 2005
até à presente data. Estes resultados podem ser sumariados sob três tópicos:
Em primeiro lugar, uma elevada cultura de serviço para os cidadãos nas
Instituições Europeias e seus organismos; em segundo lugar, soluções mais
eficazes para os cidadãos, se os seus direitos não são respeitados; e em
terceiro lugar, maior transparência.
Uma cultura de serviço
Os resultados foram alcançados através do tratamento das queixas junto dos
órgãos europeus, de inquéritos de iniciativa própria, e por ter conseguido
alcançar as Instituições Europeias e os seus organismos.
Promovi as boas práticas publicitando nos meus relatórios anuais “casos-
estrela” casos com destaque para os exemplos de boas práticas.
Assegurei-me de que a Comissão abordou o problema dos pagamentos em
atraso, com respeito pelos cidadãos e pelas pequenas empresas em particular.
Persuadi as Instituições Europeias e os seus organismos a resolverem
problemas decorrentes de exigências excessivamente burocráticas afectando
as ONGs e as PMEs.
Ajudei o Serviço Europeu de Selecção de Pessoal – EPSO – a melhorar tanto a
transparência dos processos de selecção como as suas respostas às
perguntas e queixas dos candidatos. O resultado foi que em 2008, houve
menos 40% de queixas contra o EPSO do que em 2007.
Persuadi as Instituições e organismos Europeus a responderem às cartas dos
cidadãos com resposta em falta e a terem em conta a perspectiva do cidadão
quando tomam decisões.
Pus em prática aquilo que preguei, e tentei estabelecer um bom exemplo no
que diz respeito ao serviço prestado aos cidadãos.
Em particular, adoptei um formato novo e mais claro para as decisões e
organizei o “plain english” para o meu pessoal com formação jurídica, para
ajudar a tornar as decisões mais facilmente compreensíveis.
Fiz mais de 260 discursos públicos pela União Europeia, para assegurar que
os cidadãos conhecem o seu direito à queixa e, mais genericamente, os seus
direitos de acordo com a legislação Europeia.
Mantive uma gestão criteriosa do orçamento e um apropriado controlo
financeiro no funcionamento do Serviço.
Redesenhei o website do Provedor Europeu para o tornar mais informativo, útil,
e atractivo nas 23 línguas; encurtei o Relatório Anual, ficou mais focalizado e
de fácil leitura, enquanto reduzi também o seu tempo de produção.
Soluções efectivas
Também melhorei o acesso e a eficácia das soluções disponíveis aos
cidadãos, quer na União Europeia , quer ao nível dos Estados Membros.
Ao Nível da União Europeia
Ao nível Europeu, usei procedimentos mais rápidos e mais flexíveis. A duração
média de uma investigação baixou agora para 13 meses e mais de um terço
dos casos são concluídos em três meses.
Lancei um guia interactivo que ajuda os cidadãos, as empresas, as ONGs, as
associações e outras organizações a encontrar o organismo melhor colocado
para lidar com as suas queixas ou fornecer a informação que precisam. Este
guia já foi usado por mais de 24 000 cidadãos desde o seu lançamento em
Janeiro deste ano.
Assinei um Memorando de Entendimento com o BEI, segundo o qual o Banco
melhorou as soluções que oferece aos seus accionistas.
Inaugurei um estudo anual de acompanhamento das críticas e observações
subsequentes.
Fiz uso do reforço dos poderes de investigação que me foram concedidos pelo
Parlamento através da revisão do Estatuto do Provedor Europeu em 2008.
Ao Nível dos Estados Membros
Ao nível dos Estados Membros, cooperei com os Ombudsmen nacionais e
regionais, num significativo fortalecimento da capacidade da Rede Europeia de
Ombudsmen e instituições homólogas para servirem os cidadãos dentro das
suas jurisdições.
Esta cooperação foi também melhorada através de mais de 100 visitas
informativas a todos os Estados Membros, onde me encontrei com cidadãos,
administrações nacionais, a sociedade civil, com membros do governo e do
sector judiciário.
Promovi com sucesso a adopção de uma Declaração de todos os membros da
Rede referente aos serviços que oferecem aos cidadãos que têm problemas no
gozo daqueles que são os seus direitos de acordo com a legislação da União
Europeia.
Alarguei e reforcei o meu serviço de consultoria aos Ombudsmen nacionais e
regionais que têm questões sobre a legislação da União Europeia e a sua
interpretação. Esta informação ajudou-os a persuadirem as administrações dos
Estado Membros a aplicar correctamente a legislação Europeia.
Encorajei e facilitei uma boa comunicação entre os Provedores de Justiça
nacionais e regionais e a rede SOLVIT sob a égide da Comissão.
Transparência
Finalmente, promovi a transparência da seguinte forma:
Lidando de forma eficaz com um grande número de queixas sob o
Regulamento 1049/2001, defendendo assim o direito fundamental dos
cidadãos de acesso aos documentos.
Acordando um Memorando de Entendimento com o “Supervisor Europeu da
Protecção de Dados”, que assegura uma uniforme interpretação e aplicação
das regras e princípios da protecção de dados.
Colaborando com a Comissão Parlamentar de Liberdades Cívicas nas suas
deliberações sobre a revisão do Regulamento 1049/2001.
Desenvolvendo contactos com os Comissários nacionais nos Estados
Membros, preparando o trabalho de base para futuras cooperações.
Conclusão dos objectivos
Fundamentalmente, consegui ajudar cerca de 80% de todos aqueles que se
me dirigiram, quer directamente, quer providenciando informação sobre a quem
melhor se dirigir quando eu não podia abrir uma investigação.
As minhas actividades mais conseguidas resultaram na duplicação da
cobertura mediática do Provedor Europeu e na apreciação de casos de nível
muito elevado sobre importantes aspectos de princípio como o direito à defesa,
presunção de inocência, fugas de informação confidencial, discriminação e
abuso de poder.
De acordo com um estudo do Euro Barómetro publicado em Maio de 2008,
38% dos cidadãos europeus tinham ouvido falar do Provedor Europeu. Este é
um número muito satisfatório uma vez que o mandato do Provedor Europeu
está limitado às Instituições e organismos Europeus.
Nenhum dos objectivos acima mencionados teria sido possível sem o apoio do
Parlamento e uma estrita cooperação com esta Comissão.
O Parlamento forneceu-me os recursos necessários para fazer o meu trabalho
e esta Comissão lidou de forma justa e expedita com os assuntos que eu
sujeitei à sua consideração; especialmente os Relatórios Especiais que
considerei necessário submeter.
O Futuro
Exmo. Senhor Presidente, Honrados Membros,
As Instituições da União e os organismos são, de certeza, muitas vezes vistos
como sendo distantes e “impessoais”. Como uma “burocracia sem rosto”, se
quiserem.
Apesar de tudo, estou seguro de que todos concordamos que a manutenção
de uma elevada qualidade na prática administrativa não gera apenas
benefícios para os cidadãos como é, também, um meio considerável de
resolver as questões.
Embora esteja orgulhoso dos resultados que alcancei até agora como Provedor
Europeu, estou particularmente consciente de que há muito que pode e deve
ser feito de forma a que os cidadãos sejam completamente informados,
simultaneamente, sobre os seus direitos e a forma de melhor os exercer.
É óbvio, a partir das respostas das Instituições e dos organismos Europeus às
minhas questões, que as mesmas já aderiram a um padrão elevado de
práticas administrativas.
Isto é evidenciado pelo facto de o número de casos de verdadeiramente má
administração na União Europeia, ser muito pequeno – O Provedor Europeu
teve de apresentar ao Parlamento apenas 16 Relatórios Especiais, em 14 anos
de actividade.
Todavia, melhorias podem e devem ser sempre feitas pelas Instituições e
organismos da União Europeia com o objectivo de criar uma genuína “cultura
de serviço” para os cidadãos.
Um tal objectivo pode ser também prosseguido por um Provedor Europeu que
desenvolva as suas atribuições com completa independência, e de forma não
partidária, imparcial e justa. Este é um objectivo que eu segui activa e
sistematicamente durante os anos que estive em funções, e que me
comprometo a prosseguir, vigorosa e vigilantemente, se for reeleito.
Como já sublinhei nas minhas respostas às perguntas que enviaram a todos os
candidatos e que foram colocadas no website do Parlamento, em ”Eleição do
Provedor Europeu”, acredito que há três principais prioridades para o Provedor
nos próximos anos.
São elas: Ajudar a assegurar que a União Europeia garanta os benefícios para
os cidadãos, previstos no Tratado de Lisboa, que será uma realidade em breve;
fortalecendo a “cultura de serviço” nas Instituições e organismos da União
Europeia; e reforçando a eficácia da função do Provedor Europeu.
Permitam-me ampliar as ideias realçadas nas minhas respostas escritas:
Tratado de Lisboa
O objectivo chave para todas as instituições e organismos nos próximos anos
deveria ser, tornar o Tratado de Lisboa um sucesso e assim ajudar a ganhar a
confiança dos cidadãos.
A contribuição do Provedor Europeu deveria ser ajudar a garantir que os
cidadãos gozem o seu direito a uma boa administração – e que se familiarizem
com as disposições do Tratado respeitantes aos direitos fundamentais de
acesso aos documentos; de se dirigirem ao Provedor; de apresentarem
petições ao Parlamento, de forma a que possam usar, adequadamente, esses
direitos e procurar uma reparação.
Fortalecimento da “Cultura de Serviço” nas Instituições e nos organismos
Com um olho num futuro desenvolvimento e aprofundamento da cultura de
serviço nas Instituições e organismos da União Europeia:
Pretendo actualizar o “Código Europeu de Boa Conduta Administrativa” à luz
do seguinte:
a)das melhores práticas desenvolvidas pelos Provedores de Justiça,
Comissões de Petições e organismos similares em toda a União
Europeia,
b) Jurisprudência administrativa do Tribunal de Justiça da UE, e
c) O Tratado de Lisboa - assegurando que as instituições e organismos
Europeus adoptam e seguem de perto este Código.
Desenvolver o potencial para novas actuações de iniciativa própria e aumentar
o número de inspecções para ajudar a identificar e resolver situações de má
administração sistemática
Criar uma “Rede de Boa Administração” informal nas Instituições e organismos
da União Europeia para partilhar as boas práticas e fornecer formação.
Trabalhar intensamente com as Instituições e organismos europeus para
assegurar “soluções amigáveis” ao maior número de casos possível
Trabalhar de perto com esta Comissão e com o Parlamento como um todo,
para melhorar a qualidade da informação fornecida aos cidadãos no que
respeita os seus direitos e à forma de procurarem reparação.
Além do mais, proponho tomar uma atitude mais proactiva no diálogo
legislativo, intervindo em debates públicos sobre propostas de legislação que
sejam relevantes para o trabalho do Provedor Europeu, tais como a reforma do
Regulamento de Acesso aos Documentos, o Regulamento que rege o OLAF1[1],
e o Regulamento Financeiro.
Eficácia da Função do Provedor Europeu
Estimados membros, se reeleito,
Proponho seguir as seguintes acções concretas para fortalecer a eficácia da
função do Provedor Europeu:
Fortalecer os laços com as Instituições Nacionais de Direitos Humanos – para
além dos Provedores de Justiça e instituições homólogas – para assegurar que
as melhores práticas e a melhor informação sejam mais extensivamente
partilhadas.
Abranger de forma ainda mais eficaz potenciais queixosos mediante a
colaboração na organização de eventos dos Estados Membros, utilizando a
vasta experiência do pessoal do Serviço do Provedor Europeu.
Paralelamente, usar os Serviços de informação do Parlamento e os recursos
informáticos para chegar aos cidadãos, em cooperação com os membros da
Rede Europeia dos Provedores de Justiça e das instituições homólogas.
Organizar eventos com os accionistas com mais regularidade ao nível da União
Europeia e criar um fórum permanente de diálogo com os media, empresas, e
sociedade civil.
Usar as redes sociais da internet para comunicar com os cidadãos. O
Parlamento e os MEP2 já são líderes neste campo e podem servir de modelo.
Fortalecer o envolvimento da Rede Europeia de Provedores de Justiça e
instituições homólogas na gestão das queixas.
E finalmente, trabalhar para melhorar o conhecimento base dos membros da
Rede Europeia de Provedores de Justiça e instituições homólogas sobre a
legislação da União Europeia e a sua aplicação nos Estados Membros.
Conclusão
Exmo. Senhor Presidente, Honrados Membros,
Melhorar a qualidade da administração para benefício dos cidadãos tem estado
na essência da minha apresentação. Está também na essência do meu
trabalho como Provedor Europeu. Se for reeleito, adoptarei um plano
estratégico para a função do Provedor Europeu que terá como leitmotiv a
seguinte carta de missão:
1[1]
Nota de tradução . “Organismo Europeu de Luta Antifraude.
2
Nota da tradução: Deputados no Parlamento Europeu.
O Provedor Europeu procura resoluções justas para as queixas contra as
instituições da União Europeia, encoraja a transparência e promove uma
cultura administrativa de serviço. Ambiciona construir confiança através
do diálogo entre os cidadãos e a União Europeia e fomentar os mais altos
padrões de comportamento nas instituições da União Europeia.
Espero que esta breve apresentação e as minhas respostas escritas às vossas
perguntas tenham explicado bem as minhas ideias sobre como eu me
esforçarei para atingir estes objectivos e ajudar a União Europeia a alcançar
uma administração “com rosto humano”, comprometida com uma cultura de
serviço para os cidadãos.
Obrigado pela vossa atenção. Aguardo as vossas perguntas!