Provedor de Justiça
Documento Estudo%20%20ACESSAUDE
- Meio processual
- RECOMENDAÇÃO
- Emitente
- 2020
Texto integral (93 819 palavras)
2020
setembro
Acesso ao Sistema Regional
de Saúde – Região Autónoma
dos Açores
RELATÓRIO FINAL
PIEDADE LALANDA
CICS-NOVA-UAC – UNIVERSIDADE DOS AÇORES
Índice
0. Introdução ................................................................................................................................ 14
1. Abordagem metodológica ......................................................................................................... 18
2. A saúde - um bem inestimável .................................................................................................. 21
3. O acesso à saúde como direito .................................................................................................. 31
4. Perfil demográfico..................................................................................................................... 34
4.1 - População residente ......................................................................................................................34
4.1.1 - População residente por ilha .................................................................................................36
4.1.2 – Natalidade/Fecundidade.......................................................................................................38
4.1.3 – Emigração .............................................................................................................................39
4.1.4 - Mortalidade ...........................................................................................................................40
4.1.4.1 - Mortalidade infantil .......................................................................................................41
4.1.4.2 - Mortalidade por doenças (do aparelho circulatório, tumores malignos) ......................45
4.1.5 - Envelhecimento .....................................................................................................................47
4.1.6 – Esperança média de vida ......................................................................................................49
4.2 - Em síntese ......................................................................................................................................53
5. Principais problemas de Saúde na Região Autónoma dos Açores (de acordo com o 1º Inquérito
Nacional de Saúde com Exame Físico (2015)....................................................................................... 56
5.1 – Saúde e desigualdades sociais ......................................................................................................59
5.1.1 - Literacia em saúde .................................................................................................................61
5.1.2 – Órgãos de participação cívica sobre a Saúde ........................................................................67
6. Políticas de saúde – Políticas sociais .......................................................................................... 70
6.1 - Breve história da implementação do Sistema de Saúde em Portugal ...........................................71
7. O Serviço Regional de Saúde no contexto do SNS – leitura dos programas de governo (1976/80 a
2016/20) ............................................................................................................................................ 74
7.1 – Planos estratégicos – Plano regional de saúde (2014-2016, com extensão a 2020) ....................80
7.1.1– Avaliação dos planos estratégicos .........................................................................................81
7.1.2 - O Centro Oncológico dos Açores ...........................................................................................86
7.2 – Orçamentos regionais – área da saúde ........................................................................................91
8. Serviços de saúde na Região Autónoma dos Açores (1969-2018) ............................................... 98
8.1 – A localização dos serviços de saúde na RAA .................................................................................98
8.2 – Os recursos humanos nos Serviços de Saúde da RAA ................................................................ 103
8.2.1 - Recursos humanos na Saúde em Portugal (Médicos e Enfermeiros) no contexto europeu105
8.2.2 - Rácio Enfermeiros/médicos na Região Autónoma dos Açores – e por ilha ........................ 109
8.2.3 – Centros de Saúde ............................................................................................................... 114
8.2.3.1 - Médicos nos Centros de Saúde da RAA ...................................................................... 114
8.2.3.2 - O médico de família nos Centros de Saúde ................................................................ 116
1
8.2.3.3 - Do Clínico geral ao Clínico de Medicina Geral e Familiar ............................................ 119
8.2.3.4 - Distribuição dos médicos de clínica geral ou Medicina Geral e Familiar por ilha ....... 121
8.2.3.5 - Enfermeiros nos Centros de Saúde da RAA ................................................................ 123
8.2.4 – Médicos e Enfermeiros nos Hospitais da RAA ................................................................... 126
8.2.4.1 – Médicos nos Hospitais da RAA ................................................................................... 126
8.2.4.2 - Enfermeiros nos Hospitais da RAA .............................................................................. 128
8.3 – Outros recursos nos hospitais e centros de saúde ..................................................................... 128
8.3.1 - Camas em hospitais e centros de saúde com internamento. ............................................. 128
8.3.2 - Tempo médio de estadia nos Hospitais .............................................................................. 132
8.4 – A prestação de serviços de saúde por ilha – Centros de saúde .................................................. 135
8.4.1 – Consultas de Medicina Geral e Familiar nos centros de saúde – total da RAA .................. 136
8.4.2 - Relação entre médicos de Clínica Geral ou Medicina Geral e Familiar e Nº de consultas.. 139
8.4.3 – Consultas nos centros de saúde/ilha por especialidade .................................................... 140
8.4.3.1 - Santa Maria (Centro de Saúde de Vila do Porto) ........................................................ 141
8.4.3.2 - São Miguel (Centros de Saúde de Lagoa, Nordeste, Ponta Delgada, Povoação, Ribeira
Grande e Vila Franca do Campo)............................................................................................... 143
8.4.3.3 - Terceira ....................................................................................................................... 156
8.4.3.4 - Graciosa ...................................................................................................................... 160
8.4.3.5 - São Jorge ..................................................................................................................... 162
8.4.3.6 - Pico.............................................................................................................................. 168
8.4.3.7 - Faial ............................................................................................................................. 174
8.4.3.8 - Flores........................................................................................................................... 175
8.4.3.9 - Corvo ........................................................................................................................... 178
8.4.4 - Número médio de consultas por ano/médico .................................................................... 179
8.4.5 – Consultas nos Hospitais por especialidade ........................................................................ 181
8.4.5.1 - Hospital de Divino Espírito Santo – Ponta Delgada (HDES) ......................................... 181
8.4.5.2 - Hospital do Santo Espírito da Ilha Terceira (HSEIT) ..................................................... 183
8.4.5.3 - Hospital da Horta (HH) ................................................................................................ 186
8.4.6 - Cirurgias nos Hospitais da RAA ........................................................................................... 189
8.4.6.1 – Cirurgias – médicos e salas de operações .................................................................. 192
8.4.7 – Listas de espera para cirurgia............................................................................................. 194
8.4.7.1 -Inscritos para Cirurgia nos Hospitais da RAA ............................................................... 198
8.4.7.2 -Operados nos Hospitais da RAA ................................................................................... 199
8.4.7.3 - Tempos médios de Espera na LIC (Lista de inscritos para Cirurgia) e nos Operados .. 201
8.4.7.4 - Programas de combate às Listas de Espera ................................................................ 203
8.4.7.5 - Listas de espera por especialidades (Anos 2017, 2018 e 2019/nov.) ......................... 206
8.4.7.6 - Tempo médio de espera (TME) ................................................................................... 208
8.4.7.7 - Tempo médio de espera (em dias) dos doentes operados nos Hospitais da RAA por
especialidade (2017-2019) ........................................................................................................ 210
8.4.8 - Serviço de urgência ............................................................................................................. 212
8.5 - Cuidados preventivos e recurso a meios auxiliares de diagnóstico ............................................ 217
8.5.1 – Ações complementares de Diagnóstico ou de Tratamento nos Centros de Saúde da RAA 219
8.5.1.1. - Análises clínicas nos Centros de Saúde da RAA ......................................................... 219
8.5.1.2 – Ecografias nos Centros de Saúde da RAA ................................................................... 221
8.5.1.3 – Eletrocardiogramas nos Centros de Saúde da RAA .................................................... 223
8.5.1.4 – Exames radiológicos nos Centros de saúde da RAA ................................................... 225
8.5.1.5 – Tratamentos Fisiátricos realizados nos Centros de Saúde da RAA............................. 227
8.5.2 - Ações complementares de diagnóstico ou terapêutica realizadas nos Hospitais da RAA .. 229
8.5.2.1 – Análises clínicas realizadas nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) ...................... 233
8.5.2.2 – Ecografias realizadas nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) ................................ 235
8.5.2.3 – Exames radiológicos realizados nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) ............... 236
8.5.2.4 – Exames complementares de terapêutica/Fisioterapia realizados nos Hospitais da RAA
(HDES, HSEIT e HH).................................................................................................................... 237
8.6 – Rede integrada de Cuidados Continuados na Região Autónoma dos Açores ............................ 239
8.6.1 – Cuidados continuados na RAA ........................................................................................... 239
2
8.6.2 – Cuidados paliativos ............................................................................................................ 244
8.7 - A deslocação de profissionais de saúde (especialistas) entre ilhas e Deslocação de doentes na
RAA e para fora da RAA ...................................................................................................................... 246
8.7.1 - Doentes deslocados do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES) ..................................... 250
8.7.2 – Doentes deslocados do Hospital do Santo Espírito da Ilha Terceira (HSEIT)...................... 253
8.7.3 – Doentes deslocados do Hospital da Horta (HH) ................................................................. 255
8.7.4 – Doentes deslocados dos hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) ......................................... 256
8.7.5 – Evacuações entre ilhas e para o continente (Lisboa e Porto) ............................................ 258
9. Principais questões relacionadas com o Acesso aos Serviços de Saúde na Região Autónoma dos
Açores .............................................................................................................................................. 267
9.1 - Como caracterizar o acesso aos serviços de saúde na Região Autónoma dos Açores? .............. 267
9.2 - Em que medida o Serviço Regional de Saúde se distingue do Serviço Nacional de Saúde e com
este se articula? .................................................................................................................................. 270
9.3 - Em que medida a localização geográfica constitui uma variável determinante na (des)igualdade
de acesso aos serviços de saúde? ....................................................................................................... 272
9.4 - Que perspetivas futuras podem ser traçadas, a partir da análise da realidade vivida na Região
Autónoma dos Açores nos últimos anos? ........................................................................................... 275
10. Sugestões ........................................................................................................................... 277
10.1 - Determinantes da Saúde .......................................................................................................... 277
10.2 - Recursos humanos .................................................................................................................... 280
10.3 - Recursos materiais.................................................................................................................... 283
10.4 - Governança .............................................................................................................................. 286
11. Síntese conclusiva .............................................................................................................. 298
Referências bibliográficas ................................................................................................................ 306
Anexos ............................................................................................................................................. 311
3
Índice de Figuras
Figura 1- Autoapreciação do estado de saúde na população com 16 e mais anos de idade, por sexo.
Portugal -2004 e 2014 (%) ................................................................................................................23
Figura 2 - Distribuição da perceção do estado de saúde dos utentes do Sistema de Saúde - Portugal
continental - 2015 (%).......................................................................................................................23
Figura 3 - Grau de satisfação com a vida (população residente com 15 e mais anos) - 2014 ....................24
Figura 4 - Autoapreciação do estado de Saúde - Portugal e Regiões - 2018 e 2019 (%) ............................25
Figura 5 - Satisfação com a vida, segundo a Idade .....................................................................................27
Figura 6 - População com doença crónica ou problema de saúde prolongado - 2018 e 2019 (%) ............28
Figura 7 - Estado de Saúde da População - limitação na realização de atividades - Portugal e Regiões -
2018 e 2019 (%) ................................................................................................................................29
Figura 8 - Dimensões do conceito de acesso aos cuidados de saúde.........................................................33
Figura 9 - Evolução da população residente nos Açores desde 1900 (Censos) ..........................................34
Figura 10 - Taxa de crescimento anual médio 2008-2018 (RAA)................................................................35
Figura 11 - índice de envelhecimento, Nuts II, 1991-2080 (estimativas e projeções - cenário central).....36
Figura 12 - População residente na RAA/ilha - 1900-2011 - Censos ..........................................................37
Figura 13 - Taxa de natalidade na RAA/ilha - 1981 e 2018 (‰) .................................................................38
Figura 14 - Taxa de fecundidade geral na RAA/ilha - 2001 e 2018 (‰) .....................................................38
Figura 15 - Evolução do número de emigrantes dos Açores para os E.U.A. Canadá e Bermuda (1900-
2007)- (cit.Rocha, Ferreira e Mendes, 2011) ....................................................................................39
Figura 16 - Número de emigrantes dos Açores para os E.U.A. e Bermuda - 2005 a 2019 .........................40
Figura 17 - Taxa de mortalidade infantil (Portugal, continente e RAA) - 1960-2019 (%0) .........................42
Figura 18- Evolução da taxa de mortalidade infantil - RAA, continente e Portugal - 2004-2018 (%0) .......43
Figura 19 - Taxa de Mortalidade Infantil e Taxa de Mortalidade Neonatal (RAA) - 2004-2018 (%0) .........44
Figura 20 - Taxa de Mortalidade Infantil na RAA - São Miguel, Terceira e Faial - 2004-2008 (%0) ............45
Figura 21 - Taxa de Mortalidade por doenças do aparelho circulatório - 2004-2007 (%0) ........................46
Figura 22- Taxa de mortalidade por tumores malignos - 2004-2017 (%0) .................................................46
Figura 23 - Índice de envelhecimento na RAA/ilha - 2001-2018 ................................................................47
Figura 24 - Índice de envelhecimento na RAA/concelhos 2001 e 2018 .....................................................48
Figura 25 - Esperança média de vida à nascença (anos) - Portugal, continente e regiões NUT's II -
2008/10 e 2016/18 ...........................................................................................................................50
Figura 26 - Esperança média de via à nascença (anos) na RAA e em Portugal - 2008/10 a 2016/18 .........50
Figura 27 - Esperança média de vida aos 65 anos - RAA e Portugal - 2008/10 a 2016/18 ........................51
Figura 28- Esperança média de vida à nascença por género (anos) - RAA e Portugal - 2008/10 a 2016/18
..........................................................................................................................................................52
Figura 29 - Esperança média de vida aos 65 anos por género - RAA e Portugal - 2008/10 e 2016/18 ......53
Figura 30 - Mapa do arquipélago dos Açores - distâncias em Km entre ilhas com e sem hospital. ...........55
Figura 31- Índices de Literacia em Saúde em Portugal e na Europa - de acordo com o Health Literacy
Survey EU 2014 (HLS-EU) ..................................................................................................................62
Figura 32- Taxa de analfabetismo na RAA - 1991 e 2011 (Censos) ............................................................64
Figura 33 - Taxa de analfabetismo na RAA/concelho - 1991 e 2011 (Censos) ...........................................64
Figura 34 - Distribuição da população com 15 e mais anos da RAA, continente e Portugal, por nível de
escolaridade (1998 e 2019) % ...........................................................................................................65
Figura 35 - Distribuição da população em idade escolar por nível de escolaridade (Censos 1991 e 2011)
..........................................................................................................................................................66
Figura 36 - Evolução do número de Enfermeiros (Hospitais e Centros de Saúde com e sem
internamento), Parteiras e Auxiliares de Enfermagem entre 1969 e 1984 ......................................74
Figura 37 - Taxa de mortalidade padronizada por lesões autoprovocadas intencionalmente (suicídio) por
100 mil habitantes (nº) por local de residência (NUTS 2013) – Total (HM) – RAA e Portugal ..........83
Figura 38- Taxa de mortalidade padronizada por lesões autoprovocadas intencionalmente (suicídio) por
100 mil habitantes (nº) por local de residência (NUTS 2013) – homens e mulheres – RAA e Portugal
..........................................................................................................................................................84
4
Figura 39 – os 10 cancros mais frequentes – homens – RAA – 1997-2016 ................................................87
Figura 40- Os dez casos mais frequentes de cancro nas mulheres – 1997-2016 .......................................88
Figura 41 - Novos casos por sexo e grupo etário - 1997-2016 ...................................................................89
Figura 42 - Principais cancros nos homens - por ilha - 1996-2016 (%) .......................................................90
Figura 43 - Distribuição das dez principais patologias oncológicas nas mulheres -por ilha – 1996-2016 ..91
Figura 44 - Despesa orçamentada para o SRS (euros) e % da despesa com o SRS no total do orçamento
regional (2002 a 2020) ......................................................................................................................92
Figura 45 - Despesas orçamentadas na Função Saúde (euros) e % dessa função no total do Orçamento
Regional - 2002 - 2020 ......................................................................................................................93
Figura 46 - Agentes financiadores da despesa corrente em cuidados de saúde (Portugal) - 2000 - 2018
(%) .....................................................................................................................................................96
Figura 47 - Equipamentos de Saúde na RAA (Hospitais, Centros de Saúde com e sem internamento e
Casas de Saúde e Clínicas Particulares) - 1985 - 2018 ......................................................................98
Figura 48 - Número de Médicos em Estabelecimentos de Saúde Públicos (Total, Hospitais e Centros de
Saúde com e sem internamento) - RAA - 1969-2018..................................................................... 104
Figura 49- Número de Enfermeiros em Estabelecimentos públicos (Total, Hospitais e Centros de Saúde
com e sem internamento) - RAA - 1969-2018 ............................................................................... 104
Figura 50 - Rácio médico por 100 mil habitantes - Europa - 2018 .......................................................... 106
Figura 51 - Médicos por 1000 habitantes - países da OCDE - 2000 e 2017 ............................................. 106
Figura 52 - Número de Enfermeiros por 100 mil habitantes - Países europeus - 2018 ........................... 107
Figura 53 - Enfermeiros por 1000 habitantes - OCDE - 2000 e 2017 ....................................................... 108
Figura 54 - Rácio Enfermeiros por Médico - OCDE - 2017 ....................................................................... 109
Figura 55 - Rácio Enfermeiros por Médico na RAA - 1969 - 2018 ........................................................... 110
Figura 56 - Rácio Enfermeiros/médico por ilha - 2017 ............................................................................ 111
Figura 57 - Rácio médicos por 1000 habitantes (Portugal, continente, RAA e ilhas) - 2004-2018 .......... 112
Figura 58 - Rácio Enfermeiros por 1000 habitantes (Portugal, continente, RAA e Ilhas) - 2004-2018 .... 113
Figura 59 - Número de médicos a trabalhar nos Centros de Saúde com internamento por Ilha - 1985-
2018 ............................................................................................................................................... 114
Figura 60 - Número de médicos a trabalhar em Centros de Saúde sem internamento (Ilhas com Hospital)
- São Miguel, Terceira e Faial - 1985-2018 ..................................................................................... 115
Figura 61 - Rácio total de Médicos em Centros de Saúde/1000 habitantes (2018) ................................ 116
Figura 62 - Número de médicos de Clínica Geral e de Medicina Geral e Familiar a trabalhar nos Centros
de Saúde da RAA - 1986-2018........................................................................................................ 122
Figura 63 - Número de Enfermeiros nos Centros de Saúde da RAA/Ilha - 1996-2018 ............................ 124
Figura 64 - Rácio Enfermeiro em Centro de Saúde/1000 habitantes, por Ilha - 2018............................. 124
Figura 65 - Rácio Enfermeiros em Centros de Saúde/habitante - concelhos da RAA - 2018................... 126
Figura 66 – Distribuição da % de médicos pelos três Hospitais da RAA (1985-2018) ............................. 127
Figura 67 - Número de médicos nos cuidados hospitalares dos três hospitais da RAA - 1985-2018 ...... 127
Figura 68 - Número de Enfermeiros em Cuidados hospitalares no HDES, HSEIT e HH - 1984-2018 ....... 128
Figura 69 - Número de camas/1000 habitantes - OCDE - 2000 e 2017 ................................................... 129
Figura 70 - Número de Camas nos Hospitais, Centros de Saúde com internamento, Casas de Saúde e
Estabelecimentos Privados - RAA - 1969-2018 .............................................................................. 130
Figura 71 - Rácio número de Camas por 1000 habitantes (Portugal, continente, RAA e Ilhas) - 2004-2018
....................................................................................................................................................... 131
Figura 72 - Taxa de ocupação das camas (%) - Portugal, continente, RAA e Ilhas - 2004-2018 .............. 132
Figura 73 - Tempo médio de estadia nos Hospitais - OCDE - 2000 e 2017 .............................................. 132
Figura 74 - Tempo médio de estadia (dias) nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) - 1996-2018 ...... 134
Figura 75 - Total de consultas realizadas nos Centros de Saúde da RAA nas áreas da Medicina Geral e
Familiar - 1996-2018 ...................................................................................................................... 137
Figura 76 - Consultas de Especialidade nos Centros de Saúde - 1996-2012 ........................................... 138
Figura 77 - Médicos nos Centros de Saúde (Total, de Medicina Geral e Familiar e Medicina Dentária) -
1999-2018 ...................................................................................................................................... 139
Figura 78 - Número de médicos de Medicina Geral (e Familiar) nos Centros de Saúde da RAA e Número
total de Consultas (Medicina Geral, Saúde da Mulher e Saúde Infantil) - 1996-2018 ................... 139
Figura 79 - Número de médicos de Medicina Geral (e familiar) nos Centros de Saúde e Número médio de
consultas por médico/ano - 1996-2018 ......................................................................................... 140
5
Figura 80 - Número total de consultas - Centro de Saúde de Vila do Porto/Santa Maria - Medicina Geral,
Saúde da Mulher e Saúde Infantil - 1996-2018 ............................................................................. 141
Figura 81 - Número de consultas nas áreas materno-infantil e taxas de natalidade e fecundidade na Ilha
de Santa Maria -2000-2018 ........................................................................................................... 142
Figura 82 - Consultas de especialidade no Centro de Saúde de Vila do Porto - 1996-2012 .................... 142
Figura 83 - Número de consultas nas áreas da Medicina Geral e Familiar - Centro de Saúde da Lagoa -
1996-2014 ...................................................................................................................................... 143
Figura 84 - Consultas de outras Especialidades no Centro de Saúde da Lagoa - 2000-2012................... 144
Figura 85 - Número de consultas das áreas da Medicina Geral e Familiar - Centro de Saúde do Nordeste -
1996-2018 ...................................................................................................................................... 144
Figura 86 - Número de consultas de Medicina Geral, Número de Médicos de Clínica Geral e Medicina
Geral e Familiar e Índice de Envelhecimento - Centro de Saúde/Nordeste - 2000-2018 .............. 145
Figura 87 - Consultas de outras Especialidades no Centro de Saúde do Nordeste - 1996-2018 ............. 146
Figura 88 - Número de consultas em Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde de Ponta Delgada -
1996-2018 ...................................................................................................................................... 147
Figura 89 - Número total de Consultas de Medicina Geral (e familiar), Número de médicos de Medicina
Geral e Familiar - Centro de Saúde de Ponta Delgada - 1996-2018............................................... 147
Figura 90 - Número de médicos de Clínica Geral e Medicina Geral e Familiar e Número médio de
consultas/ano/médico no Centro de Saúde de Ponta Delgada - 1996-2018 ................................. 148
Figura 91 - Número de consultas de outras Especialidades - Centro de Saúde de Ponta Delgada - 1996-
2012 ............................................................................................................................................... 149
Figura 92 - Número de consultas de Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde da Povoação. 1996-
2018 ............................................................................................................................................... 149
Figura 93 - Número de consultas de Medicina Geral e Familiar e Número de médicos de Clínica Geral e
Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde da Povoação (1996-2018) ................................... 150
Figura 94 - Número de médicos de Medicina Geral e Familiar e número de consultas médio/ano/médico
no Centro de Saúde da Povoação - 1996-2018 .............................................................................. 150
Figura 95 - Número de consultas de outras Especialidades no Centro de Saúde da Povoação - 1996-2012
....................................................................................................................................................... 151
Figura 96 - Número de consultas na área da Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde da Ribeira
Grande - 1996-2018 ....................................................................................................................... 151
Figura 97 - Número de consultas de Medicina Geral e Familiar (Saúde materna e Infantojuvenil) no
Centro de Saúde da Ribeira Grande e Taxa de Natalidade no Concelho da Ribeira. Grande - 1996-
2018 ............................................................................................................................................... 152
Figura 98 - Número total de consultas de Medicina Geral e Familiar e Número total de Médicos de
Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde da Ribeira Grande - 1996-2018 ........................... 153
Figura 99 - Número de médicos de Medicina Geral e Familiar e Número de consultas/ano/médico no
Centro de Saúde da Ribeira Grande - 1996-2018 .......................................................................... 153
Figura 100 - Número de consultas de outras Especialidades no Centro de Saúde da Ribeira Grande -
1996-2012 ...................................................................................................................................... 154
Figura 101 - Número de consultas de Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde de Vila Franca do
Campo - 1996-2018 ....................................................................................................................... 154
Figura 102 - Número total de consultas de Medicina Geral e Familiar, Número de Médicos de Medicina
Geral e Familiar - 1996-2018.......................................................................................................... 155
Figura 103 - Número de médicos e Número médio de consultas de Medicina Geral e
Familiar/ano/médico no Centro de Saúde de Vila Franca do Campo - 1996-2018........................ 155
Figura 104 - Número de consultas de Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde de Angra do
Heroísmo - 1996-2018 ................................................................................................................... 156
Figura 105 - Número total de consultas de Medicina Geral e Familiar e Número total de Médicos de
Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde de Angra do Heroísmo - 1996-2018 .................... 157
Figura 106 - Número de médicos de Medicina Geral e Familiar e Número médio de
consultas/ano/médico - 1996 - 2018 ............................................................................................. 157
Figura 107 - Consultas de outras Especialidades no Centro de Saúde de Angra do Heroísmo - 1996-2012
....................................................................................................................................................... 158
Figura 108 - Número de consultas de Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde da Praia da Vitória -
1996 - 2018 .................................................................................................................................... 158
6
Figura 109 - Número total de consultas de Medicina Geral e Familiar e número total de médicos de
Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde da Praia da Vitória - 1996-2018 ........................... 159
Figura 110 - Número total de médicos de Medicina Geral e Familiar e Número médio de
consultas/ano/médico no Centro de Saúde da Praia da Vitória - 1996-2018................................ 159
Figura 111- Número de consultas de outras Especialidades no Centro de Saúde da Praia da Vitória -
1996-2018 ...................................................................................................................................... 160
Figura 112 - Número de consultas de Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde da Graciosa - 1996-
2018 ............................................................................................................................................... 160
Figura 113 - Número total de consultas de Medicina Geral e Familiar e Número de médicos de Medicina
Geral e Familiar no Centro de Saúde da Graciosa - 1996-2018 ..................................................... 161
Figura 114 - Número de médicos de Medicina Geral e Familiar e Número médio de
consultas/ano/médico - 1996-2018 ............................................................................................... 161
Figura 115 - Número de consultas de outras Especialidades no Centro de Saúde da Graciosa - 1996-2018
....................................................................................................................................................... 162
Figura 116 - Número de consultas de Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde da Calheta - São
Jorge - 1996-2018 .......................................................................................................................... 163
Figura 117 - Taxa de natalidade e índice de envelhecimento no concelho da Calheta de São Jorge - 2000-
2018 ............................................................................................................................................... 163
Figura 118 - Número de médicos de Medicina Geral e Familiar e Número total de consultas de Medicina
Geral e Familiar no Centro de Saúde da Calheta de São Jorge - 1996-2018 .................................. 164
Figura 119 - Número de médicos de Medicina Geral e Familiar e número médio de
consultas/ano/médico no Centro de Saúde da Calheta de São Jorge - 1996-2018 ....................... 164
Figura 120 - Número de consultas de outras Especialidades no Centro de Saúde da Calheta de São Jorge
- 1996-2018 .................................................................................................................................... 165
Figura 121 - Número de consultas de Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde das Velas de São
Jorge - 1996-2018 .......................................................................................................................... 166
Figura 122 - Número de consultas de Medicina Geral e Familiar e número de médicos de Medicina Geral
e Familiar no Centro de Saúde das Velas de São Jorge - 1996-2018 ............................................. 166
Figura 123 – Número de consultas de Medicina Geral e Familiar/ano/médico e Número de médicos de
Medicina Geral e Familiar – 1996-2018 ......................................................................................... 167
Figura 124 - Número de consultas de outras Especialidades no Centro de Saúde de Velas - 1996-2018 167
Figura 125 - Número de consultas de Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde das Lajes do Pico -
1996-2018 ...................................................................................................................................... 168
Figura 126 - Número total de consultas de Medicina Geral e Familiar e Número de médicos de Medicina
Geral e Familiar - 1996-2018.......................................................................................................... 168
Figura 127 - Número de consultas médio/ano/médico e número de médicos de Medicina Geral e
Familiar no Centro de Saúde das Lajes do Pico - 1996-2018 ......................................................... 169
Figura 128 - Número de consultas de outras Especialidades no Centro de Saúde das Lajes do Pico - 1996-
2012 ............................................................................................................................................... 169
Figura 129 - Número de consultas de Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde da Madalena - Pico -
1996-2018 ...................................................................................................................................... 170
Figura 130 - Número total de consultas de Medicina Geral e Familiar e Número de médicos de Medicina
Geral e Familiar no Centro de Saúde da Madalena- Pico - 1996-2018 .......................................... 170
Figura 131 - Número de consultas/ano/médico no Centro de Saúde no Centro de Saúde da Madalena -
Pico - 1996-2018 ............................................................................................................................ 171
Figura 132 - Número de consultas de outras Especialidades no Centro de Saúde da Madalena - Pico -
1996-2018 ...................................................................................................................................... 171
Figura 133 - Número de consultas de Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde de São Roque do
Pico - 1996-2018 ............................................................................................................................ 172
Figura 134 - Número de consultas de Medicina Geral e Familiar e Número de médicos de Medicina Geral
e Familiar no Centro de Saúde de São Roque do Pico - 1996-2018 ............................................... 172
Figura 135 - Número médio de consultas/ano/médico e número de médicos de Medicina Geral e
Familiar no Centro de Saúde de São Roque do Pico - 1996-2018 .................................................. 173
Figura 136 - Número de consultas de outras Especialidades no Centro de Saúde de São Roque do Pico -
1996-2018 ...................................................................................................................................... 173
Figura 137- Número de consultas de Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde da Horta – 1996-
2018 ............................................................................................................................................... 174
7
Figura 138 – Número total de consultas de Medicina Geral e Familiar e Número de Médicos de Medicina
Geral e Familiar – 1996-2018 ......................................................................................................... 175
Figura 139 - Número médio de consultas de Medicina Geral e Familiar/ano/médico e Número de
Médicos de Medicina Geral e Familiar - 1996-2018 ...................................................................... 175
Figura 140 - Número de consultas de Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde das Lajes das Flores -
1996-2018 ...................................................................................................................................... 176
Figura 141- Número total de consultas de Medicina Geral e Familiar e Número de médicos de Medicina
Geral e Familiar no Centro de Saúde das Lajes das Flores - 1996-2018 ........................................ 176
Figura 142 - Número médio de consultas/ano/médico e número de médicos de Medicina Geral e
Familiar no Centro de Saúde das Lajes das Flores - 1996-2018 ..................................................... 177
Figura 143 - Índice de envelhecimento na Ilha das Flores (Concelhos de Sta. Cruz e Lajes) - 2001-2018177
Figura 144 - Número de consultas de Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde do Corvo - 2011-
2018 ............................................................................................................................................... 178
Figura 145 - Número total de consultas de Medicina geral e Familiar e número de médicos de Medicina
Geral e Familiar e número de médicos de Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde do Corvo -
2011-2018 ...................................................................................................................................... 178
Figura 146 - Número médio de consultas/ano/médico de Medicina Geral e Familiar nos Centros de
Saúde da Região - 2018.................................................................................................................. 180
Figura 147 - Número total de consultas de Especialidades (cirúrgicas e médicas) nos três hospitais da
RAA - 2000-2018 ............................................................................................................................ 181
Figura 148 - Número total de consultas das Especialidades Cirúrgicas no HDES - 1999-2018 ................ 182
Figura 149 - Total de consultas das Especialidades médicas no Hospital do Divino Espírito Santo - 1999-
2018 ............................................................................................................................................... 182
Figura 150 - Consultas no HDES segundo o género do paciente/utente - 1999-2018 ............................ 183
Figura 151 - Número de consultas de Especialidades (cirúrgicas e médicas) no Hospital do Santo Espírito
da Ilha Terceira - 1999-2018 .......................................................................................................... 184
Figura 152 - Número de consultas das Especialidades Cirúrgicas no HSEIT - 1999-2018 ........................ 184
Figura 153 - Número de consultas das Especialidades médicas no HSEIT - 1999-2018 .......................... 185
Figura 154 - Consultas de Especialidades (cirúrgicas e médicas) no HSEIT - segundo o género - 1999-2018
....................................................................................................................................................... 185
Figura 155 - Número de consultas de Especialidades (Cirúrgicas e Médicas) no Hospital da Horta – 1999-
2018 ............................................................................................................................................... 186
Figura 156 – Número de consultas de Especialidades cirúrgicas no Hospital da Horta – 1999-2018 ..... 186
Figura 157 - Número de consultas de Especialidades médicas no Hospital da Horta - 1999-2018 ......... 187
Figura 158- Número total de operações (grande, média e pequena cirurgia) nos Hospitais da RAA (HDES,
HSEIT e HH) - 1986-2018 ................................................................................................................ 189
Figura 159 – Número total de operações de Grande e Média Cirurgia realizadas nos Hospitais da RAA
(HDES, HSEIT e HH) – 1986-2018 ................................................................................................... 190
Figura 160 - Número de operações de Pequena Cirurgia nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) - 1986-
2018 ............................................................................................................................................... 190
Figura 161- Número total de Anestesias (gerais e outras) nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) –
1986-2018 ...................................................................................................................................... 191
Figura 162- Número de anestesias gerais e Número de operações de média e grande cirurgia nos
Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) - 1999-2018 ........................................................................ 191
Figura 163 – Número de médicos e número total de cirurgias nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) –
1986-2018 ...................................................................................................................................... 192
Figura 164 - Número total de operações (de pequena, média e grande cirurgia e número de salas de
operações (bloco) nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) - 1986-2018 ................................... 193
Figura 165- Número de salas de operações (bloco) e número de anestesias gerais nos Hospitais da RAA
(HDES, HSEIT e HH) – 1986-2018 ................................................................................................... 194
Figura 166 – Número de doentes inscritos na LIC (Lista de inscritos para Cirurgia) em Dezembro de cada
ano nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) – 2015 - 2019 ........................................................ 198
Figura 167 - Número total de doentes inscritos em Dezembro/ano; total de doentes operados nos
Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH)/ano e Total de operações canceladas - 2015-2019 ........... 200
Figura 168 - Número total de doentes operados por ano nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) -
2015-2019 ...................................................................................................................................... 200
8
Figura 169 - Tempo médio de espera (dias) na LIC/ano e Tempo médio de espera dos Operados
(dias)/ano nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) - 2017-2019 ................................................ 202
Figura 170 - Doentes operados no TMRG (Tempos Máximos de Resposta Garantidos) nos Hospitais da
RAA (HDES, HSEIT e HH) – 2017-2019............................................................................................ 202
Figura 171- Número de inscritos na LIC por especialidade nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) -
Dezembro/ano - 2017-2019........................................................................................................... 208
Figura 172 - Tempo médio de espera (dias) na LIC por especialidade e Hospital da RAA (HDES, HSEIT, HH)
- 2017-2019 .................................................................................................................................... 210
Figura 173 - Tempos médios de espera dos operados (dias) - Dezembro/ano - por especialidade cirúrgica
nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) - 2017-2019 ................................................................. 212
Figura 174- Atendimentos urgente e não urgente de acordo com a Triagem de Manchester, no HDES -
2015-2019 (%) ................................................................................................................................ 214
Figura 175 - Atendimentos urgentes e não urgentes, de acordo com a Triagem de Manchester, no HSEIT
- 2016-2018 .................................................................................................................................... 215
Figura 176 - Atendimentos urgentes e não urgentes, de acordo com a Triagem de Manchester, no HH -
2017-2019 ...................................................................................................................................... 215
Figura 177- Atendimentos urgentes e não urgentes nos SU dos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) -
2015-2019 ...................................................................................................................................... 216
Figura 178 - Número de análises clínicas realizadas nos Centros de Saúde da RAA - 1999-2018 ........... 220
Figura 179 - Número de análises clínicas realizadas nos Centros de Saúde da RAA/ilha - 1999-2018.... 220
Figura 180 – Número de análises clínicas realizadas nos Centros de Saúde da RAA/concelho – 1999-2018
....................................................................................................................................................... 221
Figura 181- Número de ecografias nos Centros de Saúde da RAA – 1999-2018 ..................................... 222
Figura 182 – Número de Ecografias realizadas nos Centros de Saúde da RAA – 1999-2018 .................. 222
Figura 183 - Número de eletrocardiogramas realizados nos Centros de Saúde da RAA - 1999-2018..... 223
Figura 184 - Número de eletrocardiogramas realizados nos Centros de Saúde/Ilha - 1999-2018 .......... 224
Figura 185 – Número de eletrocardiogramas realizados nos Centros de Saúde da RAA/concelhos – 1999-
2018 ............................................................................................................................................... 225
Figura 186 - Número de exames radiológicos realizados nos Centros de Saúde da RAA - 1999-2018 ... 226
Figura 187 - Número de exames radiológicos realizados nos Centros de Saúde da RAA/ilha - 1999-2018
....................................................................................................................................................... 226
Figura 188 - Número de exames radiológicos realizados nos Centros de Saúde da RAA/concelho - 1999-
2018 ............................................................................................................................................... 227
Figura 189 – Número de tratamentos fisiátricos realizados nos Centros de Saúde da RAA – 1999-2018
....................................................................................................................................................... 228
Figura 190 – Número de tratamentos fisiátricos realizados nos Centros de Saúde da RAA/ilha – 1999-
2018 ............................................................................................................................................... 228
Figura 191 - Número de tratamentos fisiátricos nos Centros de Saúde da RAA/concelho - 1999-2018 . 229
Figura 192 - Número total de exames complementares de diagnóstico e terapêutica realizados nos
Hospitais da RAA - 1999-2018........................................................................................................ 231
Figura 193 - Exames realizados no internamento hospitalar ou noutros locais (Consulta externa, Serviço
de Urgência ou no Exterior) nos Hospitais da RAA - 1999-2018 .................................................... 232
Figura 194 - Número de exames complementares de diagnóstico e de terapêutica nos Hospitais da RAA -
1999-2018 ...................................................................................................................................... 232
Figura 195- Análises Clínicas no total dos Exames complementares de diagnóstico (%) - 1999-2018 ... 233
Figura 196 - Número de Análises Clínicas realizadas nos Hospitais da RAA (1999-2018) ....................... 234
Figura 197 - Número total de Análises Clínicas realizadas nos Centros de saúde e nos Hospitais da RAA -
1999-2018 ...................................................................................................................................... 234
Figura 198 - Número de ecografias realizadas nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) - 1999-2018 . 235
Figura 199 – Número total de Ecografias realizadas nos Centros de Saúde e nos Hospitais da RAA – 1999-
2018 ............................................................................................................................................... 235
Figura 200- Número de Exames radiológicos realizados nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) – 1999-
2018 ............................................................................................................................................... 236
Figura 201 - Número de exames radiológicos realizados nos Centros de Saúde e nos Hospitais da RAA.
1999-2018 ...................................................................................................................................... 237
Figura 202 – Número de exames de Fisioterapia realizados nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) –
1999-2018 ...................................................................................................................................... 237
9
Figura 203 – Número de exames complementares de terapêutica – Fisioterapia – nos Hospitais da RAA
por tipo de doentes (no internamento ou noutros locais) – 1999-2018 ....................................... 238
Figura 204 - Número total de exames complementares de terapêutica - Fisioterapia - nos Centros de
Saúde e nos Hospitais da RAA - 1999-2018 ................................................................................... 239
Figura 205 - Número de deslocações para o exterior da RAA - 2004-2019 - HDES ................................. 250
Figura 206 - Número de deslocações do HDES para fora da ilha, por especialidade - 2014-2018 .......... 251
Figura 207 - Número de deslocações do HDES para outros Hospitais - 2014-2018 ................................ 252
Figura 208 - Total de doentes deslocados do HSEIT - 2015-2018 ........................................................... 253
Figura 209 - Número de doentes deslocados do HSEIT por Especialidade - 2014-2018 ......................... 254
Figura 210 - Total de deslocações dentro e para fora da RAA e total das evacuações a partir do HSEIT -
2014-2018 ...................................................................................................................................... 255
Figura 211 - Número total de doentes deslocados do Hospital da Horta - 2015-2019 ........................... 255
Figura 212 - Número de deslocações dentro da RAA e para fora da RAA a partir do HH - 2015-2019 ... 256
Figura 213 - Número total de Doentes deslocados dos hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) - 2014-2018
....................................................................................................................................................... 257
Figura 214 - Número de doentes deslocados dos Hospitais da RAA para Hospitais do continente
português - por zona de Destino - 2015-2018 ............................................................................... 258
Figura 215- Número total de evacuações na RAA/ilha de origem do doente evacuado - 2014-2018 .... 261
Figura 216 - Evolução do número de evacuações, em função do Destino - 2014-2018.......................... 262
10
Índice de Tabelas
Tabela 1 - Tópicos a desenvolver e fontes a consultar ...............................................................................18
Tabela 2 - Grau de satisfação com a vida - Portugal e RAA - 2014 .............................................................24
Tabela 3 - Cenários de projeção da evolução da população residente na RAA..........................................35
Tabela 4 - Distâncias (km) entre as ilhas do Arquipélago dos Açores ........................................................55
Tabela 5 - Dados sobre o Estado de Saúde na RAA - Inquérito Nacional de Saúde com Exame Físico
(INSEF) - 2015....................................................................................................................................57
Tabela 6 - Dados sobre os Determinantes de Saúde na RAA - INSEF – 2017, por sexo – Açores-Portugal 58
Tabela 7 - Número de estabelecimentos de saúde vocacionados para o combate à tuberculose - 1969-
1984 ..................................................................................................................................................72
Tabela 8 - Principais iniciativas inscritas na área da Saúde dos programas dos Governos Regionais, com
vista ao Reforço do Acesso dos cidadãos residentes ao SRS (por legislatura) - 1976/80-2016/20 ..76
Tabela 9 - Principais diplomas na construção do SRS.................................................................................78
Tabela 10 - Equipamentos de Saúde na RAA/ilha (Hospitais, Centros de Saúde com e sem internamento
e Casas de Saúde e Clínicas privadas) - 1985-2018 ...........................................................................99
Tabela 11 - Localização dos Equipamentos de Saúde da RAA/ilha.......................................................... 100
Tabela 12 - Número total de Enfermeiros e de Médicos, Rácio Enfermeiros/médicos por ilha - 2017 .. 110
Tabela 13 - População residente, médicos nos Centros de Saúde (com e sem internamento) e rácio
médicos/1000 habitantes - 2018 ................................................................................................... 115
Tabela 14 - População residente (31.12.18), número de médicos nos Centros de Saúde e rácio
médicos/1500 utentes - 2018 ........................................................................................................ 118
Tabela 15 - Medicina Geral e familiar - Legislação .................................................................................. 119
Tabela 16 - População residente, Médicos de Medicina Geral e Familiar nos Centros de Saúde e
distribuição da população residente (1500) por médico de família - 2018 ................................... 123
Tabela 17 - Número de Enfermeiros nos Centros de Saúde/concelho; População residente (31.10.18) e
Rácio Enfermeiros/1000 habitantes - 2018 ................................................................................... 125
Tabela 18 – Número médio de consultas/médico nos Centros de saúde da RAA - 2018 ....................... 179
Tabela 19 - Total de consultas de especialidade nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) - 2018........ 188
Tabela 20 - Número total de inscritos em Dezembro, total de operados/ano e total de operações
canceladas - HDES (2015 a 2019) ................................................................................................... 199
Tabela 21 - Número total de inscritos em Dezembro, total de operados/ano e total de operações
canceladas - HSEIT (2015 a 2019) .................................................................................................. 199
Tabela 22 - Número total de inscritos em Dezembro, total de operados/ano e total de operações
canceladas - HH (2015 a 2019) ...................................................................................................... 199
Tabela 23 - Doentes inscritos na LIC em Dezembro nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) por
especialidade cirúrgica. 2017-2019 ............................................................................................... 207
Tabela 24 - Tempo médio de espera (dias) dos doentes na LIC nos Hospitais da RAA por especialidade
(2017-2019) ................................................................................................................................... 209
Tabela 25 - Tempo médio de espera (dias) dos doentes operados nos Hospitais da RAA por Especialidade
(2017-2019) ................................................................................................................................... 211
Tabela 26 - Atendimentos no Serviço de Urgência do HDES segundo a Triagem de Manchester (número)
- 2015-2019 .................................................................................................................................... 214
Tabela 27- Atendimentos no Serviço de Urgência do HSEIT, de acordo com a Triagem de Manchester
(número) - 2016-2018 .................................................................................................................... 214
Tabela 28- Atendimentos no Serviço de Urgência do HH, de acordo com a Triagem de Manchester
(número) - 2017-2019 .................................................................................................................... 215
Tabela 29 - Situações de atendimento nos S. de Urgência dos Hospitais da RAA classificadas com a cor
branca (2015-2019)........................................................................................................................ 216
Tabela 30 - Número de camas em funcionamento na RRCCI - 2020 ....................................................... 240
Tabela 31 - Número de camas de cuidados continuados segundo a duração do internamento a que se
destinam ........................................................................................................................................ 241
Tabela 32 - Número de utentes referenciados pela RRCCI/Ilha - 2019 ................................................... 242
Tabela 33 - Número de utentes admitidos na Rede Regional de Cuidados continuados/ilha - 2019 ..... 242
Tabela 34 - Encaminhamento dos utentes após alta da Unidade de Cuidados Continuados - Janeiro-
Agosto 2019 ................................................................................................................................... 243
11
Tabela 35- Número de camas em cuidados continuados por natureza da instituição - 2020 ................ 244
Tabela 36- Número de camas vocacionadas para a prestação de Cuidados Paliativos nos Três hospitais
da RAA ........................................................................................................................................... 245
Tabela 37 - Doentes deslocados do HDES para outros hospitais do continente português ou estrangeiro
– 2015-2018 ................................................................................................................................... 251
Tabela 38 - Doentes deslocados do HDES para o HSEIT- 2017-2018....................................................... 252
Tabela 39 - Doentes deslocados dos hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) para outros hospitais do
continente português ou estrangeiro – 2015-2018 ....................................................................... 257
Tabela 40 - Doentes evacuados para os Hospitais da RAA ou para um Hospital em Lisboa ou Porto -
2014-2018 ...................................................................................................................................... 261
12
Siglas utilizadas
CSP – Cuidados de Saúde Primários
CSD – Cuidados de Saúde Diferenciados ou CH – Cuidados Hospitalares
HDES – Hospital do Divino Espírito Santo
HH – Hospital da Horta
HSEIT – Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira
LIC – Lista de inscritos para cirurgia
OE – Ordem dos Enfermeiros
OM – Ordem dos Médicos
PRS – Plano Regional de Saúde
RAA – Região Autónoma dos Açores
SIGICA – Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia dos Açores
SNS – Serviço Nacional de Saúde
SRS – Serviço Regional de Saúde
TME – Tempo médio de espera
TMRG – Tempo máximo de resposta garantido
USI – Unidade de Saúde de Ilha
13
0. Introdução
O presente estudo insere-se numa prestação de serviços, ao abrigo do ajuste direto
nº4/2020, datado de 20 julho 2020, acordado entre a Provedoria da Justiça e a Fundação
Gaspar Fructuoso da Universidade dos Açores.1
Entendeu a Provedoria da Justiça solicitar um estudo que respondesse a um conjunto
de necessidades de informação sistematizada, nomeadamente sobre:
• História do Serviço Regional de Saúde.
• Criação de unidades de prestação de cuidados de saúde
• Cuidados de Saúde Primários e Cuidados Diferenciados ou hospitalares.
• Cuidados continuados
• Cuidados paliativos
• Recursos humanos e técnicos nas diferentes ilhas (evolução)
• Consultas e outras práticas clínicas por ilha (evolução)
• Serviço de emergência e de evacuação em situação de urgência na RAA.
o Pessoal afeto
o Meios aéreos, marítimos e terrestres
o Número de casos atendidos em ilhas sem estrutura hospitalar
• Mobilidade dos utentes/doentes, entre ilhas. Meios de resposta, perante
situações em que é necessário evacuar/internar doentes por não existirem
recursos na ilha de residência;
• Mobilidade dos recursos humanos especializados entre ilhas e entre o continente
e a Região A. Açores;
• Consultas de especialidade nas ilhas onde não existe hospital (deslocação de
especialistas às ilhas sem esses recursos em permanência)
• Articulação do SRS com o SNS ao longo do tempo
1
Ver documento da Provedoria – anexo 2
14
a. Variáveis sociodemográficas da população e acesso à saúde:
b. Idade, género e outras determinantes sociais no acesso à saúde.
Com base no conjunto de dados acima referenciados, pretende a Provedoria da Justiça
compreender o estado do “Acesso aos serviços de saúde” na Região Autónoma dos
Açores e recolher sugestões de melhoria, que possam corrigir as lacunas de informação
ou dificuldades do sistema identificadas.
Em resposta ao solicitado o presente estudo estrutura-se em 11 pontos, a saber:
1. Abordagem metodológica
2. A saúde - um bem inestimável
3. O acesso à saúde como um direito
4. Perfil demográfico da Região Autónoma dos Açores
5. Principais problemas de saúde na RAA
6. Políticas públicas no domínio da saúde
7. O Serviço Regional de Saúde no contexto do SNS – programas de governo (1976
a 2016) e planos estratégicos
8. Serviços de saúde na Região Autónoma dos Açores
9. Principais questões relacionadas com o acesso aos serviços de Saúde
10. Sugestões de melhoria com impacto no acesso aos serviços de saúde.
11. Síntese conclusiva.
O relatório procurará levantar algumas questões ao longo da apresentação dos dados,
de modo a que no ponto 9 possa ser feita uma síntese das principais dúvidas que se
colocam para a concretização de um Acesso aos Serviços de Saúde, equitativo, eficiente
e eficaz. No ponto 10, serão elencadas algumas sugestões de melhoria, tendo em conta
os aspetos identificados anteriormente.
Relatórios entregues
Após a entrega do Relatório Preliminar (julho 2020), foi entregue um Relatório Intercalar
(agosto 2020), onde se acrescentou e completou a informação estatística referente aos
15
capítulos 1 a 8, a que foi possível ter acesso, por estar disponível através da internet ou
por ter sido enviada pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA).
O presente relatório final (setembro 2020) constitui o último documento, a que nos
comprometemos neste contrato de prestação de serviço, onde se incluem os dados
anteriormente enviados, acrescidos e corrigidos, bem como as análises que os mesmos
permitiram realizar.
Lamentamos ter de voltar a referir que, apesar de várias insistências, e conscientes do
impacto que a pandemia do Covid192 possa ter provocado nos serviços da Direção
Regional de Saúde, chegamos ao final de setembro sem ter tido acesso aos dados abaixo
referenciados:
• Evacuações sanitárias (2000 -2019) /por ano/ilha/motivo;
• Deslocações de médicos inter-ilhas por especialidade (preferencialmente 2000 -
2019 ou nos anos em que for possível obter informação);
• Internamentos de doentes oriundos de outras ilhas, por Hospital da RAA
(preferencialmente 2000 - 2019 ou nos anos em que for possível obter
informação);
• Internamentos em Cuidados continuados/concelho/ilha (2013-2019);
• Deslocações de profissionais de saúde do continente (médicos) por área de
especialização e Hospital (preferencialmente 2000 - 2019 ou nos anos em que for
possível obter informação);
• Mobilizações de doentes entre Açores e Continente por área de especialidade e
ilha de origem do doente (preferencialmente 2000 - 2019 ou nos anos em que for
possível obter informação);
• Internamentos sociais (idosos ou pessoas dependentes que não encontram vaga
em cuidados continuados ou lares) (preferencialmente 2000 - 2019 ou nos anos
em que for possível obter informação);
• Dados sobre o consumo de medicamentos/ilha (preferencialmente 2000 - 2019
ou nos anos em que for possível obter informação);
2
Em anexo deste relatório colocamos as mensagens enviadas e a única resposta recebida por escrito do
Gabinete da Direção Regional de Saúde.
16
• Dados sobre Saúde mental, nomeadamente, taxa de suicídio; doentes internados
em unidades de saúde mental (preferencialmente 2000 - 2019 ou nos anos em
que for possível obter informação);
• Informação sobre consultas por telemedicina (por ilha e especialidade) -
(preferencialmente 2000 - 2019 ou nos anos em que for possível obter
informação).
O presente relatório (final) corresponde à conclusão do Estudo, que visa conhecer e
compreender melhor o funcionamento do SRS e o acesso que é facultado aos cidadãos,
nas diferentes ilhas da Região Autónoma dos Açores.
17
1. Abordagem metodológica
Para a concretização do presente estudo procurou-se coligir os dados referentes ao
Acesso à saúde na Região Autónoma dos Açores, tendo por base o seguinte plano de
trabalho:
Tabela 1 - Tópicos a desenvolver e fontes a consultar
Tópicos Fontes a consultar
História do Serviço Regional de Saúde. Fontes bibliográficas
Programas dos governos regionais desde 1976
Criação de unidades de prestação de cuidados Fontes bibliográficas – desenho do sistema
de saúde nacional e regional de saúde.
Cuidados de saúde primários Cuidados Programas dos governos regionais – prioridade
Diferenciados ou hospitalares. da saúde nos programas.
Cuidados continuados Orçamentos regionais – verbas atribuídas ao
Cuidados paliativos financiamento da Saúde.
Planos de saúde
Dados estatísticos publicados pelo SREA (Serviço
Regional de Estatística)
Recursos humanos e técnicos nas diferentes Dados estatísticos publicados pelo Serviço
ilhas (evolução) Regional de Estatística
Consultas e outras práticas clínicas por ilha Dados estatísticos publicados pelo Serviço
(evolução) Regional de Estatística por ilha
Serviço de emergência e de evacuação em Dados publicados pelo Serviço Regional de
situação de urgência na RAA. Estatística por ilha
Pessoal afeto
Meios aéreos, marítimos e terrestres Entrevista com o responsável pela Unidade de
Número de casos atendidos em ilhas sem Evacuações e Deslocações dos Açores
estrutura hospitalar
Relatórios dos Hospitais da RAA
Mobilidade dos utentes/doentes, entre ilhas. Relatórios dos Hospitais da RAA
Meios de resposta, quando é necessário Entrevistas com responsáveis pela Ordem dos
internamento e não existem recursos na ilha de Médicos, Ordem dos Enfermeiros, Provedor do
residência Utente.
18
Mobilidade dos recursos humanos
especializados entre ilhas.
Consultas de especialidade nas ilhas onde não
existe hospital (deslocação de especialistas às
ilhas sem esses recursos em permanência)
Articulação do SRS com o SNS ao longo do Relatórios da atividade dos hospitais
tempo
Variáveis sociodemográficas da população e Planos regionais de saúde
acesso à saúde: Inquéritos à saúde.
Idade, género e outras determinantes sociais no Recenseamentos
acesso à saúde.
Numa primeira etapa, desenvolveu-se uma pesquisa a fim de coligir todos os dados
publicados, disponíveis nas bases de dados estatísticas ou em publicações sobre a
saúde, de âmbito regional e nacional. Foram ainda solicitados outros dados, não
publicados, aos serviços estatísticos competentes na área da Saúde.
Na tentativa de conhecer o fenómeno da mobilidade de doentes entre ilhas, foram
analisados os dados publicados nos Relatórios e Contas dos Hospitais da RAA,
disponíveis desde 2016, estando contemplado, no Relatório de 2018 do HSEIT,
informação sobre o sistema de evacuação e situações de emergência, com recurso a
meios aéreos, através da Unidade de Evacuações e Deslocações dos Açores.
Foram concretizadas entrevistas a quatro entidades regionais com responsabilidade na
concretização do SRS, no sentido de melhor compreender os dados recolhidos e
esclarecer diversos procedimentos. Foram então entrevistados:
Dra. Isabel Cácio – Ordem dos Médicos
Enfº Pedro Soares – Ordem dos Enfermeiros
Dr. Rui Bettencourt – Unidade de Deslocações e Evacuações dos Açores
Dr. Carlos Arruda – Provedor do Utente do SRS
Lamentavelmente não conseguimos concretizar a entrevista com o Diretor Regional de
Saúde, que é também a Autoridade de Saúde Regional, nomeadamente para melhor
compreender a relação entre o SRS e o SNS.
19
Questões de partida para a realização do presente relatório
Como caracterizar o acesso aos serviços de saúde na Região Autónoma dos
Açores?
Em que medida o Serviço Regional de Saúde se distingue do Serviço Nacional de
Saúde e com este se articula?
Em que medida a localização geográfica constitui uma variável determinante na
(des)igualdade de acesso aos serviços de saúde?
Que perspetivas futuras podem ser traçadas, a partir da análise da realidade
vivida na Região Autónoma dos Açores nos últimos anos?
Estas são questões centrais às quais se pretende responder, partindo da análise dos
dados publicados, confrontados com as políticas de saúde veiculadas nos programas dos
diferentes governos regionais e nos Planos regionais de Saúde.
Serão ainda considerados documentos de enquadramento teórico, que explicam o
desenho do Serviço Regional de Saúde e as opções que, ao longo das últimas décadas,
tem vindo a ser adotadas pela Região, bem como outras publicações onde se avaliam os
indicadores de saúde, nomeadamente os Inquéritos Nacionais e Regionais da Saúde.
Dificilmente podemos compreender a realidade atual do Sistema de Saúde na Região
Autónoma dos Açores, sem recuar no tempo, procurando o fio condutor que
acompanha o processo histórico de implementação dos sistemas de saúde, a nível
europeu, nacional e regional. Nesse sentido será feita uma breve história da construção
do SNS em Portugal e sua implantação na RAA.
20
2. A saúde - um bem inestimável
A saúde é um bem inestimável, um valor prioritário e a sua perceção depende, não
apenas dos cuidados recebidos, mas do sentimento de bem-estar subjetivamente
percecionado.
De acordo com o Eurobarómetro3 (fevereiro 2020)
“A saúde e a segurança social são os temas que mais preocupam os portugueses, sendo referidos por
44% dos inquiridos, mais 11 pontos percentuais do que no período homólogo de 2018: enquanto no
Outono de 2018, Portugal surgia como o décimo país a elencar este problema, neste Eurobarómetro é
o terceiro país mais preocupado com a saúde e a segurança social, atrás da Finlândia (48%) e da
Eslováquia (45%).”
“A saúde não é apenas o resultado do desenvolvimento, mas um caminho para o
conseguir (United Nations, 2000). É a base da produtividade no trabalho, da capacidade
de aprender na escola e do bem-estar intelectual, físico e emocional. (...) Uma política
de saúde efetiva requer a compreensão de que as condições ecológicas, sociais,
demográficas, económicas e políticas afetam a saúde e precisam de ser abordadas
segundo uma estratégia de saúde pública” (Loureiro & Miranda, 2018:19).
O acesso à saúde tem sido um dos objetivos inseridos, de forma recorrente, em
documentos internacionais, nomeadamente os que são emanados pela Organização das
Nações Unidas (ONU), como os Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS)
projetados para serem concretizados até 2030. Entre outros aspetos, os ODS reforçam
a necessidade de se melhorar os determinantes da saúde, nomeadamente “a pobreza,
o acesso aos bens e serviços, tendo por base políticas que promovam a democracia,
ambientes saudáveis, rendimentos económicos capazes de satisfazer, pelo menos, as
necessidades básicas, serviços de saúde próximos das pessoas e um nível de literacia
habilitante para opções fundamentadas” (Loureiro & Miranda, 2018:21).
Quando os serviços de saúde não estão acessíveis a todos os cidadãos, configura-se um
quadro de desigualdades sociais, que reforça a discriminação, por razões diversas, sejam
3
https://ec.europa.eu/portugal/news/public-opinion-report-portugal-autumn-2019_pt
21
níveis de literacia, rendimentos, origem étnica ou contexto cultural de origem, local de
residência entre outros.
“A Saúde faz parte do Estado Social” (Carmo & alter, 2012:2) o que, por sua vez, significa
uma sociedade baseada na igualdade dos cidadãos. E, o acesso à saúde “não é uma
dádiva dos que têm poder, mas uma forma de combater as desigualdades” (Idem, p.6).
A saúde é um bem, um valor, que depende não apenas das organizações, mas envolve
uma forte componente individual, onde se convoca o comportamento do cidadão,
expresso no estilo de vida, na gestão que faz da sua saúde ou na forma como reage à
doença.
A perceção que cada indivíduo tem da saúde reflete por isso, uma experiência particular
e um olhar sobre o sistema de saúde que o serve, num determinado contexto social,
económico e cultural.
Como percecionam os portugueses a sua Saúde e a satisfação com a vida?
Diferentes inquéritos, realizados a nível nacional, regional e até europeu, permitem-nos
concluir que, de um modo geral, a avaliação dos portugueses é maioritariamente
positiva, aliás, tem vindo a melhorar de acordo com o Estudo sobre “A Saúde dos
Portugueses” (2015), o “Inquérito Nacional de Saúde” (2014), o “Retrato da Saúde”
(2018) ou mesmo o “Inquérito Regional da Saúde” (2014).
No estudo “A saúde dos Portugueses” (2015)4 (Fig.1), a população avalia a sua saúde de
forma positiva (Bom ou Muito bom), numa tendência de melhoria, mesmo que ligeira,
nos últimos dez anos (2004 – 40,5% para 2014 – 42%).
Podemos ainda verificar que, a perceção do estado de saúde dos utentes do Sistema de
Saúde registada em 2015 é maioritariamente positiva (56,2% boa, muito boa ou mesmo
ótima) (Fig.2).
4
A saúde dos portugueses – perspetiva 2015, Direção Geral de Saúde - https://www.dgs.pt/estatisticas-de-
saude/estatisticas-de-saude/publicacoes/a-saude-dos-portugueses-perspetiva-2015-pdf.aspx
22
Figura 7. Distribuição da autoapreciação do estado de saúde na população residente com 16 e mais anos de
idade (percentagem), por sexo, Portugal (2004 a 2014)
100 17 A Saúde dos Portugueses.
Perspetiva 2015
16,5 15,8 15,9 15,4 16,0 15,1 16,3 14,7 14,5 14,4 14,5
Figura 1- Autoapreciação do estado de saúde na população com 16 e mais anos de idade, por sexo. Portugal -2004 e 25,3 24,9 23,8 22,3 22,8 23,3 23,9 21,0 21,5 22,2 21,6
2014
Figura 7. Distribuição da autoapreciação do estado (%) na população residente com 16 e mais anos de
de saúde
idade (percentagem), por sexo, Portugal (2004 a 2014)
80
100
30,0 31,4 34,1
32,6 32,7 30,8 33,7 29,9
31,4
15,4
16,0
28,9 14,5
14,7 34,9
14,4
14,5 21,0
34,4 21,5
16,5 15,8 15,9 15,1 16,3 25,3 24,9 23,8 22,3 22,8 23,3 23,9 22,2 21,6
Mau ou muito mau
60
80 34,2 34,3 32,8 36,4 33,8 34,2 31,9 35,7 36,3 36,3
razoável
32,6 32,7 30,8 33,7 29,9 31,4 28,9 30,0 31,4 34,1 34,9 bom ou muito bom
%
Mau ou muito mau
40 60
34,2 34,3 32,8 36,4 33,8 34,2 31,9 34,4 35,7 36,3 36,3
razoável
bom ou muito bom
%
50,8 51,540 53,3 50,9 54,1 53,5 54,8 55,3 54,1 51,5 50,6 40,5 40,8 43,4 41,3 43,4 42,6 44,2 44,6 42,9 41,5 42,0
20
50,8 51,5 53,3 50,9 54,1 53,5 54,8 55,3 54,1 51,5 50,6 40,5 40,8 43,4 41,3 43,4 42,6 44,2 44,6 42,9 41,5 42,0
20
0
2004 2005 2006 2007
2006200820072009
20082010
2011 2012
20122013
20132014
2004
20052005
20062006
20072007
2008
20102009 20112010
20122011
0 2012 2013 2014
2004 2005 2009 2010 2011 2014 2004 2008 2009 2013 2014
sexo masculino sexo feminino
sexo masculino sexo feminino
Fonte: INE, 2015
Fonte: INE, 2015
O estudo O
deestudo
satisfação dos dos
utentes,
de satisfação publicado
utentes, publicadopelo Departamento
pelo Departamento da da Qualidade
Qualidade na da
na Saúde Saúde
DGS da
[8], DGS [8],
em maio deem maio de
2015, 2015,como
expõe expõe como principais
principais resultados(figura
resultados (figura 8):
8):
Figura 2 - Distribuição da perceção do estado de saúde dos utentes do Sistema de Saúde - Portugal continental -
Figura 8. Distribuição da perceção do estado da saúde dos utentes do Sistema de Saúde (percentagem),
Figura 8. Portugal
Distribuição perceção do estado da 2015
da (2015)
Continental saúde(%)dos utentes do Sistema de Saúde (percentagem),
Portugal Continental
40% (2015) 36,0%
40% 35% 36,0% 31,5%
35% 30% 31,5%
25%
30%
20%
25% 10,7% 12,3%
15% 9,5%
20% 10%
5%10,7%
12,3%
15% 9,5%
0%
10%
Ótima Muito boa boa razoável Fraca
5%
Nota: Respostas à pergunta seguinte: «Em geral, como classifica a sua saúde neste momento?»
0% Fonte: DGS, 2015
Ótima Muito boa boa razoável Fraca
Nota: Respostas à pergunta seguinte: «Em geral, como classifica a sua saúde neste momento?»
Fonte: DGS, 2015
Melhor Informação,
Mais Saúde
Relacionado com a perceção de saúde, o Inquérito Nacional da Saúde (INE, 2014) avalia
Melhor Informação,
Mais Saúde
o grau de “satisfação com a vida” (Tabela 2), registando para a maioria dos residentes
em Portugal uma avaliação positiva (50,6% considera estar Satisfeito ou Bastante
Satisfeito com a Vida), particularmente na Região Autónoma dos Açores (54,8%) (Fig.3).
23
Tabela 2 - Grau de satisfação com a vida - Portugal e RAA - 2014
Bastante Ligeiramente Razoável Bastante
Insatisfeito Satisfeito
Avaliação insatisfeito insatisfeito mente satisfeito satisfeito
Total 2,5 8,1 13,1 23,8 33,9 16,7
Portugal Homens 1,7 7,5 12,3 25,1 34,7 16,8
Mulheres 3,1 8,6 13,8 22,7 33,1 16,5
Bastante Ligeiramente Razoável Bastante
Insatisfeito Satisfeito
Avaliação insatisfeito insatisfeito mente satisfeito satisfeito
Total 2,0 6,5 12,3 21,6 36,0 18,8
R. A. Açores Homens 0,0 6,3 12,6 18,8 36,2 21,0
Mulheres 0,0 6,8 12,0 24,2 35,8 16,7
Fonte: Inquérito Nacional de Saúde, 2014
Figura 3 - Grau de satisfação com a vida (população residente com 15 e mais anos) - 2014
40,0 36,0
33,9
35,0
30,0
25,0
18,8
20,0 16,7
15,0
10,0
5,0
0,0
Bastante Insatisfeito Ligeiramente Razoavel Satisfeito Bastante
insatisfeito insatisfeito mente satisfeito satisfeito
Portugal R. A. Açores
Fonte: Inquérito à Saúde, INE, 2014
Analisando os resultados publicados no Inquérito às Condições de vida e Rendimento
(2019), no indicador “Autoapreciação da saúde dos portugueses” 5, a RAA melhorou a
sua avaliação, reforçando o número dos que apreciam a sua saúde com “muito bom ou
bom” (de 57,3% em 2018 para 57,7% em 2019), sendo os Açores a região do País com
5
https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes&PUBLICACOESpub_boui=257793
024&PUBLICACOESmodo=2
24
melhores resultados em 2019, quando comparada com a média nacional (50,1% avalia
como bom ou muito bom) (fig.4).
Apesar destes resultados, há a registar um ligeiro aumento dos que avaliam o seu estado
de saúde como muito mau ou mau (que passa de 11,9% em 2018 para 12,3% em 2019),
apesar de abaixo da média nacional registada (15,5% em 2018 e 15,1% em 2019).
Figura 4 - Autoapreciação do estado de Saúde - Portugal e Regiões - 2018 e 2019 (%)
70,0
60,0 57,7
50,1
50,0
40,0
30,0
20,0
12,3
10,0
0,0
Portugal Norte Centro A.M. Lisboa Alentejo Algarve R.A. Açores R.A.Madeira
2018 Muito bom ou Bom 2019 Muito bom ou Bom 2018 Razoável
2019 Razoável 2018 Mau ou Muito mau 2019 Mau ou Muito mau
Fonte: INE/Inquérito às Condições de vida e rendimento6
Os resultados acima apresentados contrariam a tendência registada no Inquérito
Regional de Saúde com dados de 20147, que foi aplicado a uma população com idades
entre os 20 e os 74 anos. De acordo com esses dados, 51,3% da população inquirida
avaliava o seu estado de saúde, como razoável (43,5%), mau (6,3%) ou muito mau
(1,5%). As apreciações positivas situavam-se sobretudo no “bom” (39,7%) e apenas 8,8%
avaliou o seu estado de saúde como “muito bom”. Infelizmente não existem dados mais
recentes a nível do inquérito regional.
6
https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes&PUBLICACOESpub_boui=257793
024&PUBLICACOESmodo=2
7
Inquérito Regional de Saúde (2014) disponível em https://www.dgs.pt/em-destaque/inquerito-regional-
de-saude-dos-acores-pdf.aspx, consulta a 21 abril 2020.
25
Autoapreciação da saúde/ idade ou género
Quando se analisa a autoapreciação da saúde da população portuguesa, de acordo com
a idade ou o género, verifica-se que esta é menos positiva entre os mais velhos e para
as mulheres, como se verifica no Inquérito às condições de vida e rendimento (2019)8.
Enquanto 50,1% da população entre os 14 e os 64 anos considera a sua saúde como
muito boa ou boa, para a população com 65 e mais anos, este nível de avaliação apenas
é registado em 14,8%. Por sua vez, 58,2% das mulheres e 66,6% dos homens, entre os
16 e 64 anos, apreciaram a sua saúde como muito boa ou boa.
A nível regional, e tendo por base os resultados do Inquérito Regional da Saúde de 2014,
pode ler-se que “a proporção de pessoas a referir-se ao seu estado de saúde como Muito
Bom ou Bom decresce com o aumento do escalão etário, constatando-se que o
decréscimo mais relevante ocorre entre os escalões dos 35-39 anos (69,6%) e dos 40-44
anos (46,7%)”. Ainda segundo o mesmo relatório, “a menção ao estado de saúde como
“mau” ou “muito mau” aumenta nos escalões etários mais avançados, designadamente
para idades superiores a 60 anos” (Inquérito Regional de Saúde, 2014:16). Em relação
ao género, apenas 44,7% das mulheres apreciava em 2014 a sua saúde como boa ou
muito boa, menos 8% do que os homens (53%)
Estes resultados aproximam-se das conclusões do Inquérito Europeu sobre a Qualidade
de Vida (2016)9 (Fig.5). Apesar de Portugal registar um aumento dos níveis de satisfação
e otimismo, nomeadamente com a qualidade da saúde, a satisfação com os serviços
públicos, entre 2011 com 2016, o país faz parte de um grupo de sete, onde esse grau de
satisfação diminui de forma significativa com a idade.
8
Dia mundial da saúde – 7 abril /INE – Destaque, 6 abril 2020 – consultado em:
https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_destaques&DESTAQUESdest_boui=411264201
&DESTAQUESmodo=2
9
Eurofound (2017), European Quality of Life Survey 2016: Quality of life, quality of public services, and quality of
society, Publications Office of the European Union, Luxembourg.
26
ountries) is that life satisfaction decreases for the CY
iddle age group (35–64 years) and then does not EE
HU
hange significantly for those aged over 65 (Figure 2A). 6.0 LT
LV
SK
or another seven countries, life satisfaction seems to
adually decrease with age (Figure 2B). There is a
milar pattern in the Czech Republic (data not shown), 5.0
EL
here there is no difference between young and middle
ge, then a decrease in older age.
six countries, life satisfaction remains mostly Figura 5 - Satisfação com a vida, segundo a Idade
4.0
18–34 35–64 65+
onstant throughout the life course (Figure 2C).
B: Life satisfaction decreases with age
ter testing for significance, the U-shaped relationship
8.0
as only confirmed for one country in the EU – the
nited Kingdom. Another country that seems to have an
ceptional pattern is Sweden, where life satisfaction MT
creases gradually for each age group (this can also be 7.0
bserved in the EU-SILC 2013 well-being module). Some
PL
crease with age is observed for Finland and SI
uxembourg, though it is not as pronounced. PT Portugal
6.0
verall there is no difference between men and women RO
HR
terms of either life satisfaction or happiness (though a
fference is seen when controlling for other variables – 5.0
e the next section, ‘Living standards and BG
eprivation’). When looking at gender by age, young
omen (18–24 years) have slightly lower life satisfaction
an young men (-0.2 points), but this reverses for those 4.0
ged 25–34 and those aged 35–49, with women having 18–34 35–64 65+
gher life satisfaction than men, though the difference C: Life satisfaction stays the same with age
small (+0.2 and +0.1 points, respectively). For the Fonte:
9.0 European Quality of life/Inquérito Europeu
0+ age group, no significant difference was found sobre a Qualidade de Vida (2016:15)
etween men and women. DK
8.0 AT
gure 3 shows some other important differences IE
A of
análise
etween social groups in terms do status,
employment indicador “autoapreciação da saúde” permite-nos
BE concluir da relevância
ducation, income and household type. 7.0 FR
eople in long-term unemploymentdos determinantes
have the lowest individuais na experiência dos cidadãosIT(ex. idade, género), os quais
vel of life satisfaction, a score which also decreased
etween 2011 and 2016. They are devem serby those
followed relacionados6.0 com outras variáveis de contexto (território, condições
nable to work due to long-term illness or disability.
terestingly, those who areambientais e habitacionais;
retired but continue to 5.0 acesso a recursos básicos como água e saneamento básico).
ork have higher levels of life satisfaction (7.2) than
ose who are retired in generalA –este propósito
the life satisfactionconvém referir que “o ser saudável no pensamento leigo pode não ser
vel of the latter group fell in the past five years by 0.3 4.0
coincidente
oints. Among those employed, people com
currently on o “ser saudável” 18–34
na perspetiva 35–64
médica, 65+
desde logo, porque nesse
hildcare leave have the highest level of life satisfaction Notes: Scores are on a scale of 1 to 10. T-tests were used to measure
statistical significance using the Bonferroni correction. Dashed lines
.9, data not shown). However, pensamento,
homemakers inos comportamentos
general são
indicate that difference is notfactos sociaissuchque
statistically significant, se inscrevem numa lógica
as between
port lower than average well-being, with a decrease in the age groups in chart C, and the difference between the middle and
e satisfaction in recent years. These categories the oldest age group is not significant in chart A. Results for the Czech
subjetiva imbuída de Republic,
orrelate with age, health and family variables, so it is
simbolismos Finland, que integram
Luxembourg, outros
Sweden and the valores
United Kingdom are que se impõem ao valor
not displayed since they have patterns that do not fit those shown.
Please see note to Figure 1 for details of Q4. EU28 data.
saúde. A conceção de saúde nele implícita é a conceção negativa em que ter saúde é
eurofound.link/0002
não ter sintomas de doença que justifiquem que se submetam
15 à medicina os atos do
quotidiano” (Alves, F., 2013:176,177)
Para além dos determinantes10 de natureza individual, social e económica, há que ter
em conta o estado de saúde do cidadão, nomeadamente, se é ou não portador de
patologias crónicas.
Os dados publicados sobre o estado de Saúde dos portugueses (2019)11, comparam as
regiões do país, com base nas respostas à questão sobre a existência de morbilidade
crónica ou doença prolongada. Nesse contexto, a RAA regista uma das mais baixas
10
O conceito de “determinantes” como fatores que influenciam o estado de saúde de um indivíduo
(Loureiro & Miranda, 2018) será posteriormente abordado neste relatório.
11
Inquérito às Condições de vida e Rendimento, 2019
27
percentagens de pessoas que referem ser portadoras de doença crónica ou problema
de saúde prolongado (Fig.6), tendo registado uma ligeira redução entre 2018 e 2019,
tendência igualmente verificada a nível nacional.
Figura 6 - População com doença crónica ou problema de saúde prolongado - 2018 e 2019 (%)
50,0
41,5
45,0 41,2
36,4
40,0 36,3
35,0
30,0
25,0
20,0
15,0
10,0
5,0
0,0
Portugal Norte Centro A.M. Lisboa Alentejo Algarve R.A. Açores R.A.Madeira
2018 2019
Fonte: INE/Inquérito às Condições de vida e Rendimento, 201912
Ainda considerando a avaliação do Estado de Saúde da população, o INE publicou um
outro indicador que relaciona o impacto que esse estado pode provocar na realização
das atividades de vida diária (fig.7).
De acordo com esses dados, a RAA registava em 2019 uma % ligeiramente superior à
média nacional em termos da população que se considera severamente limitada (8%
contra 7,9%) ou limitada, mas não severamente (26,5% contra 25,1%). Em
consequência, a % da população que se considera “nada limitada” é ligeiramente
inferior à nacional (65,4% contra 67%).
12
https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes&PUBLICACOESpub_boui=25779
3024&PUBLICACOESmodo=2
28
Figura 7 - Estado de Saúde da População - limitação na realização de atividades - Portugal e Regiões - 2018 e 2019
(%)
80,0
70,0 67,0 65,4
60,0
50,0
40,0
30,0 25,1 26,5
20,0
7,9 8,0
10,0
0,0
Portugal Norte Centro A.M. Lisboa Alentejo Algarve R.A. Açores R.A.Madeira
2018 Severamente limitado 2018 Limitado, mas não severamente
2018 Nada limitado 2019 Severamente limitado
2019 Limitado, mas não severamente 2019 Nada limitado
Fonte: Inquérito às Condições de Vida e Rendimento, 201913
A autoapreciação do Estado de Saúde resulta de uma visão subjetiva do bem-estar e da
identificação das condições de vida, neste caso do estado de morbilidade crónica,
aparentemente menos reconhecido na RAA, ou das limitações que o estado de saúde
provoca nas atividades diárias.
Se tivermos em conta a % dos que consideram não sentir limitações na realização das
atividades, devido ao estado de saúde (65,4%) e os que avaliaram a sua saúde como boa
ou muito boa (57,7%) podemos concluir que 7,7% da população, poderá não ter avaliado
positivamente o seu estado de saúde, no entanto considera que isso não os limita na
realização das suas atividades.
Quando falamos de perceção do bem-estar ou do estado de saúde estamos perante um
indicador que envolve as representações sociais que os cidadãos possuem, neste caso
em relação ao que entendem ser a Saúde. Estas representações “não resultam apenas
da subjetividade de cada indivíduo, mas formam-se em determinados contextos sociais,
13
https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes&PUBLICACOESpub_boui=25779
3024&PUBLICACOESmodo=2
29
assumindo um nível explicativo diferenciado consoante a interpretação desses
contextos, podendo adquirir uma grande variabilidade em função das relações sociais e
das características dos diferentes grupos sociais. As representações, bem como as
práticas sociais têm uma forte associação com as classes sociais, o género, a etnicidade,
os espaços territoriais, os grupos etários etc.” (Tavares, D., 2016:44).
Apesar de se concretizar no corpo individual, a saúde é um fenómeno coletivo que
depende dos contextos, como foi anteriormente referido, e se constrói de forma
coletiva. Quando a saúde falha, o indivíduo recorre à comunidade, nomeadamente aos
serviços de saúde, para restabelecer o bem-estar perdido, e esta rede de suporte é
fundamental para a concretização da sua vida diária, do trabalho e da qualidade das
relações sociais.
Como refere Barros (2013:16,17) “a saúde não é um produto que se adquire e
transaciona num supermercado ou numa qualquer loja online. Não é um serviço que se
preste. A saúde constrói-se, produz-se, com base nas decisões individuais, de estilos de
vida e comportamentos e, com cuidados de saúde, de forma preventiva ou em reação a
situações de doença. (...) Daqui decorre que o princípio geral de assegurar a todos os
cidadãos boa saúde se traduz realmente em condições que procuram garantir o acesso
a cuidados de saúde”.
Desta definição sobressai a dupla dimensão que constrói a saúde, ao mesmo tempo um
bem de gestão individual que depende do autocuidado14, e o resultado de uma resposta
coletiva, que depende, nomeadamente do acesso a cuidados de saúde, prestados por
profissionais.
14
“Autocuidado refere-se a um processo de manutenção da saúde e gestão da doença através de práticas consideradas positivas”
(Petronilho, F., 2012:18)
30
3. O acesso à saúde como direito
O acesso à saúde é hoje considerado um dos direitos fundamentais da cidadania apesar
de, em Portugal, este só ter sido reconhecido em 1976, no texto revisto da Constituição
da República Portuguesa (artigo 64º)15.
Enquanto direito social, implica que o utente seja reconhecido como a centralidade do
sistema de saúde (Serapioni & Matos (org.), 2014), que haja valorização da sua voz e
lugar para responder à sua perspetiva, no âmbito das organizações de saúde e da
qualidade dos cuidados de saúde.
O direito à Saúde não depende apenas da sua inscrição nos documentos fundacionais
da democracia, mas concretiza-se de forma efetiva na medida em que são priorizados
três grandes objetivos (Boquinhas, 2012:17): 1) equidade, ou seja, “qualquer cidadão
deve ter direito a cuidados mínimos de saúde com qualidade e de acordo com as suas
necessidades, independentemente da sua condição económica, social ou religiosa, e os
seus rendimentos não podem ser uma condicionante para usufruir desses mesmos
cuidados, devendo a mesma necessidade corresponder ao mesmo tratamento. 2)
eficiência técnica, no sentido de maximizar os resultados dos cuidados de saúde e a
satisfação dos utilizadores a custos mínimos; 3) eficiência económica ou distributiva,
na lógica de que os sistemas de saúde só devem consumir uma parcela apropriada e a
estritamente necessária do PIB.
Ainda segundo o mesmo autor (Boquinhas, 2012:17) e citando as orientações da OMS,
“os sistemas de saúde deveriam orientar-se pelos seguintes objetivos: mais ganhos em
15
https://dre.pt/web/guest/legislacao-consolidada/-/lc/337/201803261725/128028/element/diploma#81789
Artigo 64º da CRP - 1. Todos têm direito à protecção da saúde e o dever de a defender e promover.
2. O direito à protecção da saúde é realizado pela criação de um serviço nacional de saúde universal, geral e gratuito,
pela criação de condições económicas, sociais e culturais que garantam a protecção da infância, da juventude e da
velhice e pela melhoria sistemática das condições de vida e de trabalho, bem como pela promoção da cultura física e
desportiva, escolar e popular e ainda pelo desenvolvimento da educação sanitária do povo.
3. Para assegurar o direito à protecção da saúde, incumbe prioritariamente ao Estado:
a) Garantir o acesso de todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados da medicina
preventiva, curativa e de reabilitação;
b) Garantir uma racional e eficiente cobertura médica e hospitalar de todo o país;
c) Orientar a sua acção para a socialização da medicina e dos sectores médico-medicamentosos;
d) Disciplinar e controlar as formas empresariais e privadas da medicina, articulando-as com o serviço nacional de
saúde;
e) Disciplinar e controlar a produção, a comercialização e o uso dos produtos químicos, biológicos e farmacêuticos e
outros meios de tratamento e diagnóstico.
4. O serviço nacional de saúde tem gestão descentralizada e participada.
• Alterado pelo/a Artigo 54.º do/a Lei Constitucional n.º 1/82 - Diário da República n.º 227/1982, Série I de
1982-09-30, em vigor a partir de 1982-10-30
31
saúde para as populações, melhor resposta por parte dos serviços de saúde e uma
contribuição para a saúde socialmente justa.”
No contexto atual, a igualdade de acesso na saúde é, não só uma exigência de um
sistema de saúde “socialmente justo”, como representa um direito de cidadania e um
dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável” (ODS) previstos pela ONU16, a atingir
até 2030.
Para se avaliar o acesso de saúde não basta quantificar as estruturas/equipamentos de
saúde colocados à disposição das populações, nem mesmo se pode aferir da qualidade
desse acesso pelo volume de recursos humanos afetos ao sistema de saúde.
Como refere o Relatório da Primavera do Observatório Português dos Sistemas de Saúde
(2015:20)
“o acesso conceptualiza-se como uma interação entre a possibilidade de
identificar as necessidades de cuidados e a procura dos serviços, de forma a
alcançar os recursos que permitam obter ou utilizar os serviços de saúde
adequados”.
Logo, importa conhecer as necessidades e avaliar da procura, para encontrar o nível
adequado de resposta. De acordo ainda com o relatório, supracitado, podemos
identificar cinco critérios do lado da procura e outros tantos ao nível das respostas
proporcionadas, para aferir da adequabilidade no acesso ao Sistema de saúde, a saber:
“do lado da oferta: a) proximidade, b) aceitabilidade, c) disponibilidade de instalações,
d) acessibilidade financeira e e) adequabilidade. (...) e do lado da procura “a) capacidade
de perceber, b) capacidade de procurar, c) capacidade de alcançar, d) capacidade de
pagar e e) capacidade de se envolver “, conforme ilustra a figura seguinte (Fig.8)
(OPSS.2015:21).
16
https://unric.org/pt/objetivos-de-desenvolvimento-sustentavel/
32
da oferta destacamos: a) proximidade, tornando-o num conceito ainda
b) aceitabilidade, c) disponibilidade de mais complexo e difícil de medir,
instalações, d) acessibilidade finan- uma vez que resulta da interação
ceira e e) adequabilidade. Com estas entre diferentes atores e combina
cinco dimensões interagem cinco variáveis de diferentes naturezas.
competências
Figura 8 - Dimensões dodo ladode acesso aos cuidados de saúde
conceito Todavia, configura-se como a
Transparência Valores profissionais, Localização geográfica Custos diretos Qualidade técnica e
Alcance Normas, Instalações Custos indiretos interpessoal
Informação Cultura, Horário de abertura Custos de Adequação
Rastreamento Género Mecanismos de oportunidade Coordenação e
consultas continuidade
Disponibilidade e Acessibilidade
Proximidade Aceitabilidade Adequabilidade
Instalações Financeira
Consequências dos
Utiliza cuidados de cuidados de saúde
Percepção das saúde:
Necessidades de Procura cuidados de Alcança cuidados de · Económica
necessidades e desejo · Acesso primário
cuidados de saúde saúde saúde · Satisfação
de cuidados · Acesso Secundário
· Saúde
Capacidade de Capacidade de Capacidade de Capacidade de Capacidade de
perceber procurar alcançar pagar se envolver
Literacia em saúde Valores pessoais e Ambiente doméstico Rendimento Empowerment
Crenças em saúde sociais, Transportes Disponibilidade Informações
Confiança e Cultura, Mobilidade financeira Adesão
expectativas Género, Apoio social Capital social Apoio do cuidador
Autonomia Seguro de saúde
Adaptado de: Levesque J-F, Harris M, Russell, 2013
Fonte: Citação
Figura 1: do OPSS, do
Dimensões2015:21
conceito de acesso aos cuidados de saúde
No caso em estudo, o acesso ao Sistema de Saúde na Região Autónoma dos Açores, não
possuímos dados sobre a procura, ou seja, não possuímos um levantamento, atualizado,
de necessidades por ilha, conforme previsto no modelo anterior, que permita um
diagnóstico e uma avaliação do grau de adequação das respostas.
21
No entanto, nos próximos pontos, iremos pesquisar através da leitura dos dados
demográficos (ponto 4), da análise das principais causas de morte nos Açores e dos
resultados do 1º Inquérito à Saúde, com exame físico (ponto 5), alguns dos problemas
mais evidentes, que afetam a saúde dos residentes nas diferentes ilhas da RAA.
33
4. Perfil demográfico
Antes mesmo de olharmos alguns dos indicadores demográficos, importa referir que a
realidade de uma região arquipelágica é, por natureza, desigual, quer em termos
geográficos quer, sobretudo, em termos das populações residentes, em cada uma das
ilhas. Este facto implica uma leitura adequada e cuidada dos indicadores, como
acontece, por exemplo, com as permilagens, que enviesam os resultados quando
aplicadas em populações entre 3500 e 5500 habitantes (Flores, Graciosa ou Sta. Maria)
ou na ordem dos 400 habitantes, como é o caso da ilha do Corvo. Há que reter o facto
de, nestas populações mais pequenas, a oscilação de dados ser constante, não sendo
por vezes possível identificar uma tendência.
Iniciemos por uma caracterização da população residente, analisando os dados
publicados nos recenseamentos da população.
4.1 - POPULAÇÃO RESIDENTE
A população residente na Região Autónoma dos Açores tem sofrido alterações no último
século, partindo de um valor próximo do atual, pouco mais de 250 mil habitantes,
crescendo em número entre as décadas 20 e 60 do século XX e diminuindo depois nas
décadas seguintes, estabilizando, desde os anos 80 até 2011 (último recenseamento),
onde se contabilizaram 246772 habitantes (Fig. 9)
Figura 9 - Evolução da população residente nos Açores desde 1900 (Censos)
EVOLUÇÃO DA POPULAÇÃO RESIDENTE DOS AÇORES DESDE 1900
350 000
300 000
250 000
200 000
150 000
100 000
50 000
1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
Recenseamentos
Fonte: Censos, 1900 a 2011 (publicado pelo Serviço Regional de Estatística)
EVOLUÇÃO DO Nº DE FAMÍLIAS DESDE 1900
90 000
80 000
34 70 000
60 000
50 000 Nos Recenseamentos de
1900 a 1930 não foi inquirida
40 000 esta variável
30 000
Um rápido olhar sobre o gráfico anterior permite identificar as variações no número de
Análise dos Resultados
residentes que resultaram de fenómenos como a emigração para os Estados Unidos e
População
Canadá (anos 60-70), as crises sísmicas (Faial - 1957, Terceira - 1980) ou mais
recentemente, o impacto
¾ Crescimento da crise económica (2008-2015), como se pode verificar no
efectivo
gráfico seguinte (Fig.10)
Estima-se que residiam na Região Autónoma dos Açores, 242 846 indivíduos, em 31 de
Dezembro de 2018, sendo 118 125 homens e 124 721 mulheres. Esta estimativa representa
uma diminuição de 1 016 indivíduos em relação ao valor estimado para 2017 ou seja uma taxa
Figura 10 - Taxa de crescimento anual médio 2008-2018 (RAA)
de crescimento efetivo de -4,2‰, menos 1,6 p.p. que no ano anterior.
Taxa de crescimento anual médio 2008 - 2018
4
2
Por mil habitantes
0
2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
-2
-4
-6
-8
Por ilhas verifica-se que SREA,
Fonte: o crescimento efectivo
Estatísticas apresenta 2018
Demográficas, variações diferenciadas. Desta
forma, e para 2018, quase todas as ilhas apresentam um valor negativo, com a excepção do
Corvo onde este indicador foi 6,5‰. Dentro dos valores negativos, destacam-se as ilhas da
Perspetivando
Graciosa o futuro
(-9,9‰) desta
e das Floresregião,
(-9,3‰), e tendo
sendo por
em S. baseapenas
Miguel as -2,7‰.
projeções adiantadas pelo INE
(Destaque 28.03.14), a região dos Açores, no melhor cenário, em 2060, terá apenas mais
Taxa de crescimento efectivo por ilhas 2018
COR.
277 habitantes do que o número atual, sendo que essa população será
FLO.
FAI.
substancialmente mais idosa e terá de contar com o contributo das migrações. Num
S.JOR.
PIC.
cenário baixo, a projeção aponta para menos 324 habitantes e, na mesma, um reforço
GRA.
TER.
S.MIG.
da população mais velha, agravado por um decréscimo acentuado do índice sintético de
ST.MAR.
-10 -5 0 5 10
fecundidade, como podemos ver pelo quadro seguinte. Por mil habitantes
O Índice de Envelhecimento demográfico (relação entre a população idosa e o número de
pessoas com idades compreendidas entre os 0 e os 14 anos), fixou-se em 93,1 pessoas idosas
Tabela 3 - Cenários de projeção da evolução da população residente na RAA
por cada 100 pessoas jovens, contra os 89,3 em 2017.
Por ilhas, este de
Cenários índiceÍndice
atingiusintético
os valores mais elevados na ilha
Esperança de de
média S. vida
Jorge (163,0), Flores
Saldo Migratório
projeção
(158,8) de fecundidade
e no Pico (153,1). Os valores mais baixos verificam-se em S. Miguel (69,4), Santa
2012
Maria (100,5) e Terceira 2060
(114,6). 2010-2012 2060 2012 2060
Região
Homens Mulheres Homens Mulheres
RAA Baixo 1,32 80,7 87,5 -133 -324
- 33 -
Central 1,58 80,7 87,5 277
Alto 1,34 1,81 72,8 79,9 83,3 90,0 277
Sem migrações 1,58 80,7 87,5 -
(Fonte: INE – Destaque –Cenários de projeção da população, segundo as hipóteses de evolução das
componentes, Portugal e NUTS II, 2012 (último ano observado) e 2060 (último ano de projeção)
35
Numa projeção a 2080 (Fig.11), o INE prevê que o índice de envelhecimento que a RAA
detinha
Autónoma como osendo
da Madeira índiceode
mais baixo do país, em
envelhecimento 2015,
situava-se, em passe
2015, aem
deixar
105 de o ser
idosos pora cada
partir100
de jovens
aumentando
2040,para 307 idosos
passando por cada 100
o Algarve a serjovens em 2080
a região com(quase triplicando).
o índice de envelhecimento mais baixo.
No entanto, a região mais envelhecida, neste cenário, em 2080, será o Norte (em 2015 era o Alentejo), e a região
menos envelhecida será o Algarve (em 2015 era a Região Autónoma dos Açores).
Figura 11 - índice de envelhecimento, Nuts II, 1991-2080 (estimativas e projeções - cenário central)
Figura 7 - Índice de envelhecimento, NUTS II, 1991-2080 (estimativas e projeções – cenário central)
nº idosos por 100 jovens
450
NORTE
398
400
350
300
250 ALGARVE
ALENTEJO 259
200 192
150
100
R. A. AÇORES
50 82
0
1991 1996 2001 2006 2011 2016 2021 2026 2031 2036 2041 2046 2051 2056 2061 2066 2071 2076 2080
NORTE CENTRO A. M. LISBOA ALENTEJO ALGARVE R. A. AÇORES R. A. MADEIRA
17
Fonte: Destaque/INE
O índice de sustentabilidade de 29 poderá
potencial de marçopassar
2017 para menos de metade
Face ao decréscimo da população em idade ativa a par do aumento da população idosa, o índice de sustentabilidade
4.1.1
potencial (o - População
quociente residente
entre o por ilha
número de pessoas com idades compreendidas entre 15 e 64 anos e o número de
pessoas com 65 e mais anos) poderá diminuir de forma acentuada até à década de 50, estabilizando a partir de então.
Em Portugal, no cenário central, este índice situar-se-á em menos de metade do valor atual, passando de 315 para 137
A população residente em cada ilha é bastante variável, como foi referido
pessoas em idade ativa por cada 100 idosos, em 2080.
anteriormente,
Figura 8 - Índiceedeesse facto contribui
sustentabilidade dePortugal,
potencial, forma 1991-2080
diferenciada para ea leitura
(estimativas projeções)dos
500
nº de pessoas em idade ativa por 100 idosos
fenómenos humanos que caracterizam as vivências insulares, como é o caso da Saúde.
450
Se olharmos
400 o gráfico (Fig.12), verificamos como o fenómeno da emigração foi
transversal350a todas as ilhas, reduzindo de forma bastante significativa a população
300 315
residente, entre as décadas de 60 e 80. Desde então, os Açores mantem uma população
250
mais ou menos
200 estável, apesar de entre 2001 e 2011 se ter registado um ligeiro
150
aumento, 150
devido à variação da população na ilha de São Miguel. 137
125
100 113
1991 1996 2001 2006 2011 2016 2021 2026 2031 2036 2041 2046 2051 2056 2061 2066 2071 2076 2080
estimativas cenário baixo cenário central cenário alto cenário sem migrações
Projeções de População Residente – 2015-2080 7/19
17
https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_destaques&DESTAQUESdest_boui=27769561
9&DESTAQUESmodo=2&xlang=pt
36
Figura 12 - População residente na RAA/ilha - 1900-2011 - Censos
350000
300000
Número de habitantes residentes
250000
200000
150000
100000
50000
0 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
Açores 256673 242941 231513 255464 287080 318419 327446 289096 243410 237795 241763 246772
Santa Maria 6359 6247 6457 7158 8067 11839 13233 9762 6500 5922 5578 5552
São Miguel 122169 116957 111715 127758 147948 165156 168687 151454 131908 125915 131609 137856
Terceira 48518 47824 46277 48716 53233 60372 71610 65852 53570 55706 55833 56437
Graciosa 8359 7603 7477 8470 9193 9517 8669 7420 5377 5189 4780 4391
São Jorge 16074 14277 13362 13980 15798 16507 15895 13186 10361 10219 9674 9171
Pico 24184 21853 19992 20204 21423 22557 21807 18490 15483 15202 14806 14148
Faial 22075 20214 18917 21510 23280 23923 20281 17068 15489 14920 15063 14994
Flores 8127 7220 6720 6992 7447 7850 6583 5379 4352 4329 3995 3793
Corvo 808 746 661 676 691 728 681 485 370 393 425 430
Fonte: SREA/INE
Da análise dos dados anteriores, decorre a necessidade de avaliação de alguns
indicadores demográficos, que nos ajudem a explicar, quer a redução do número de
habitantes, quer as características dos atuais residentes.
Em relação ao primeiro aspeto, ou seja, a redução do número de habitantes, iremos
analisar as taxas de natalidade/fecundidade, emigração e mortalidade.
Em relação ao segundo, características atuais dos residentes, iremos nos focar na
questão do envelhecimento, consequência da baixa da natalidade e do aumento da
esperança média de vida. Outros indicadores poderão ser considerados,
nomeadamente a atividade económica.
Estamos perante ilhas que tem vindo a perder população, ao mesmo tempo que tem
vindo a envelhecer, devido ao decréscimo do número de jovens e à permanência dos
mais velhos na ilha. Este é, sem dúvida, um fenómeno central para a compreensão da
procura de serviços de Saúde nas diferentes ilhas dos Açores.
37
4.1.2 – Natalidade/Fecundidade
O gráfico seguinte (Fig. 13) ilustra de forma evidente a quebra na taxa de natalidade
registada na RAA, transversal a todas as ilhas. Apesar disso, a ilha de São Miguel (taxa
de 9,9 ‰ em 2018) é a que mais contribuía, em 2018, para a natalidade da região (9,3).
Figura 13 - Taxa de natalidade na RAA/ilha - 1981 e 2018 (‰)
30,0
25,0
20,0
15,0
9,3 9,9 8,8
8,7 8,4 8,5 7,8 8,6 8,0 8,6
10,0
5,0
0,0
Região Ilha de Santa Ilha de São Ilha Terceira Ilha Graciosa Ilha de São Ilha do Pico Ilha do Faial Ilha das Ilha do Corvo
Autónoma Maria Miguel Jorge Flores
dos Açores
1981 2018
Fonte: PORDATA
Em relação à fecundidade, que analisa o fenómeno dos nascimentos, tendo por base a
população feminina com idades entre os 15 e os 49 anos, verificamos uma tendência
decrescente18, particularmente na ilha de São Miguel, o que antecipa uma redução
ainda mais significativa do rejuvenescimento da população residente.
Figura 14 - Taxa de fecundidade geral na RAA/ilha - 2001 e 2018 (‰)
60,0 48,8
50,0 38,0
36,7 33,8 34,2 35,6 34,3 36,7 36,0 34,8
40,0
30,0
20,0
10,0
0,0
Região Ilha de Santa Ilha de São Ilha Terceira Ilha Graciosa Ilha de São Ilha do Pico Ilha do Faial Ilha das Ilha do
Autónoma Maria Miguel Jorge Flores Corvo
dos Açores
2001 2018
Fonte: PORDATA
18
Apesar do aumento registado na ilha do Corvo importa não esquecer a pequenez dos números.
38
A Região Açores tem perdido naturalmente habitantes, por via do decréscimo da
natalidade e da fecundidade. No entanto, como ficou patente nos dados sobre a
evolução da população residente, a emigração que ocorreu nas décadas de 60 e 70, teve
um enorme impacto nessa redução, ao retirar população jovem, em idade ativa e
procriativa,de
de 31
todas
000as ilhas.
indivíduos, valor este que ultrapassou o triplo do
registado na totalidade das décadas de trinta e quarenta, ou
seja, 9 000 indivíduos (Gráfico 1.1). Se para tal contribuiu o
4.1.3 – Emigração
regime de excepção concedido pelos Estados Unidos à entrada
neste país de emigrantes provenientes, sobretudo, das ilhas do
Faial e Pico, na sequência da situação calamitosa que resultou
O gráfico seguinte,
do Vulcãoretirado do estudo (Baganha,
dos Capelinhos de Rocha, G., Ferreira
1990; E. e Mendes
Marcos, D. (2011:50),
2008)4, o
quantitativo
revela a evolução em causa entre
da emigração encontra-se
1900 eassociado também, quer
2007 e demonstra, ao
de forma clara, o
aparecimento de um novo destino migratório para os açorianos
aumento deste fenómeno nos Açores entre o final da década de 50 e os anos 80.
– o Canadá –, quer às alterações legislativas verificadas nos
Estados Unidos da América, como sublinharemos mais à frente.
Figura 15 - Evolução do número de emigrantes dos Açores para os E.U.A. Canadá e Bermuda (1900-2007)-(cit.
Rocha, Ferreira e Mendes, 2011)
1.1
Gráfico 1. 1 - Evolução do número de emigrantes nos Açores, 1900 - 2007
13500
12000
10500
9000
7500
6000
4500
3000
1500
0
1900
1904
1908
1912
1916
1920
1924
1928
1932
1936
1940
1944
1948
1952
1956
1960
1964
1968
1972
1976
1980
1984
1988
1992
1996
2000
2004
Fonte: Instituto Nacional de Estatística, Estatísticas Demográficas, várias; Serviço Regional
de Estatística dos Açores, Demografia, várias; Direcção Regional das Comunidades.
De acordo com a mesma fonte (Rocha, Ferreira e Mendes, 2011), entre 1950 e 1960
4
Este acesso encontrava-se condicionado pelas sucessivas restrições legislativas que haviam
saíram do arquipélago 31000
sido impostas ao longo habitantes,
da década em parte
de vinte (Baganha, 1990). Asdevido ao pelo
leis aprovadas regime
governo de exceção
norte-americano em 1958, 1960 e 1961, asseguraram, no seu total, a entrada de cerca de
6 050 açorianos, através de um regime de vistos especiais (Marcos, 2008). Sobre este fluxo
concedido pelos Estados Unidos, em particular aos residentes no Faial e Pico, na
específico, as suas características sociodemográficas e o impacto do mesmo na dinâmica e
estrutura populacionais, consulte-se, ainda, Rocha, 2007 e Madruga da Costa, 1998.
sequência do vulcão dos Capelinhos (1957), associado ao aparecimento de um novo
50
destino emigratório, o Canadá.
Dados mais recentes, publicados pelo Governo Regional dos Açores, apontam para uma
tendência decrescente na emigração para os Estados Unidos e Bermuda. Segundo esta
39
fonte, não existem dados sobre a emigração para o Canadá, desde 2000, nem para os
Estados Unidos, desde 2017.
Figura 16 - Número de emigrantes dos Açores para os E.U.A. e Bermuda - 2005 a 2019
600
500
400
300
200
100
0
2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019
EUA Bermuda Total
Fonte: Governo Regional dos Açores19
Como se pode depreender desta informação publicada, não constam outros destinos,
nomeadamente europeus, para onde, é do conhecimento público que profissionais,
inclusive na área da saúde, tem emigrado nos últimos anos.
Apesar disso, se tivermos em conta a taxa de crescimento efetivo da população (Fig.10)
que contabiliza entradas e saídas da região, é evidente uma clara diminuição da
população residente.
4.1.4 - Mortalidade
Procurando situar a diversidade das dinâmicas populacionais olhemos alguns
indicadores sobre a mortalidade registada nos Açores, particularmente a infantil e a que
resulta de doenças com maior expressão neste arquipélago, como são as doenças do
aparelho circulatório e as mortes causadas por tumores malignos.
19
http://www.azores.gov.pt/Portal/pt/entidades/srapre-
drcomunidades/textoImagem/Emigra%C3%A7ao+A%C3%A7oriana.htm
40
4.1.4.1 - Mortalidade infantil
De acordo com os autores do estudo sobre a Mortalidade Infantil (Barreto, Correia &
Cunha, 2014:15) este é “um dos mais expressivos indicadores de desenvolvimento
socioeconómico”. E neste domínio Portugal tem se destacado no quadro dos países
europeus, e até ano nível mundial, como tendo conseguido uma das mais significativas
reduções. “No período entre 1970 e 2008, Portugal registou uma diminuição de 94 por
cento na sua taxa de mortalidade infantil, o que constitui um dos casos de maior sucesso
na melhoria deste indicador (a diminuição média observada no conjunto da UE foi de
51,6%) (Idem, 2014:15)
Neste contexto, o caso da Região Açores é, por ventura, um exemplo paradigmático, de
como um plano de intervenção sanitária pode corrigir um grave problema de saúde
pública, como era a mortalidade infantil na década de 50.
“Nos anos 50 do século XX, o Arquipélago dos Açores, e mais especificamente o Distrito de Ponta
Delgada (S. Miguel e Sta. Maria) era uma região com más condições sanitárias (em 1956 a taxa
de mortalidade infantil em S. Miguel era de 148,6%0), com uma população numericamente
pouco elevada, em comparação com outros distritos do continente (...) reunindo as condições
para iniciar uma experiência piloto, uma vez que existiam cinco “hospitais” nas seis sedes de
concelho. (...) O plano, denominado Programa de Proteção Sanitário Social, mais comummente
conhecido como Programa de Proteção Materno-Infantil (...)”, baseava-se “numa rede de
dispensários de Proteção Materno-Infantil (extensões dos centros de saúde); a assistência ao
parto era realizada por enfermeiras obstetras, no domicílio, ação que mais tarde veio a ser
substituída pelas “casas de natividade” e, posteriormente pelas maternidades de alguns hospitais
concelhios (mais tarde Centros de saúde) e maternidade do Hospital da Santa Casa da
Misericórdia de Ponta Delgada (posteriormente designado Hospital Distrital de P. Delgada”
(Lalanda, M. & alter, 2009:13)
A experiência vivida em São Miguel serviu de laboratório para a implementação de
medidas que, como referem os autores acima, passavam pela vigilância da gravidez, a
assistência no parto e os cuidados ao recém-nascido (Lalanda M. E. e alter, 2009), o que
contribuiu, sem dúvida, para que, em vinte anos, a região se aproximasse da média
nacional, como podemos verificar no gráfico seguinte (Fig.17).
41
Figura 17 - Taxa de mortalidade infantil (Portugal, continente e RAA) - 1960-2019 (%0)
120,0
111,9
100,0
Taxa de mortalidade infantil
80,0
60,0
40,0
20,0
5,1
0,0 2,3
1960 1996 2001 2009 2010 2011 2012 2013 2019
1981
Portugal 77,5 21,8 6,8 5,0 3,6 2,5 3,1 3,4 (R) 2,9 2,8
Continente 74,6 21,4 6,6 4,8 3,6 2,5 3,1 3,3 (R) 2,9 2,9
Região Autónoma dos Açores 111,9 27,2 7,9 5,1 5,4 5,5 2,9 6,0 (R) 4,7 2,3
Fonte: PORDATA
Os dados mais recentes (2019) colocam a Região Autónoma dos Açores ao nível da
realidade nacional e abaixo dos valores que se registavam, em média, na Europa 2720em
2018 (3,4‰).
À semelhança da leitura de outros indicadores demográficos, importa referir que,
perante valores muito baixos, como acontece atualmente com a mortalidade infantil,
não é possível fazer leituras por ilha, dada a variabilidade dos (pequenos) números;
desde 2001 que a região regista valores próximos de 5%0.
Analisando os dados mais recentes (2004-2018) (Fig. 17), podemos verificar uma
variação nos dados da Região entre 6,3‰ (2005) e 2,3‰ (2017) correspondendo, em
valores numéricos de óbitos de menos de um ano, a 19 óbitos em 2005 e 5 óbitos em
2017.
20
https://www.pordata.pt/Europa/Taxa+de+mortalidade+infantil-1589
Fontes/Entidades: Eurostat | NU | Institutos Nacionais de Estatística, PORDATA
42
Figura 18- Evolução da taxa de mortalidade infantil - RAA, continente e Portugal - 2004-2018 (%0)
7
6
5
4
3
2
1
0
2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Portugal Continente R.A.Açores
Fonte: Estatísticas demográficas/SREA
À semelhança do verificado a nível nacional, regista-se uma tendência decrescente
neste indicador, sobretudo, se tivermos em conta os dados registados nas últimas
décadas do séc. XX. De acordo com Barreto, Correia & Cunha (2014:127), “essa redução
deveu-se principalmente à redução da mortalidade neonatal, particularmente da sua
componente neonatal precoce” (...) “dado que esta mortalidade entre o primeiro e
sexto dia de vida é particularmente influenciada pelo desempenho dos sistemas de
saúde, somos levados a pensar que a reforma da assistência materno-infantil operada
nos últimos 20 anos poderá ter sido um dos fatores que mais contribuiu para Portugal
ter atingido um lugar cimeiro na mortalidade infantil a nível mundial” (Idem, 2014:129).
Olhando a evolução comparada desses dois indicadores (mortalidade infantil e
mortalidade neonatal) na RAA, verificamos que, à semelhança da leitura nacional,
também na região a mortalidade neonatal reduziu de forma ainda mais acentuada,
contribuindo, de forma evidente, para a redução do indicador de mortalidade infantil.
43
Figura 19 - Taxa de Mortalidade Infantil e Taxa de Mortalidade Neonatal (RAA) - 2004-2018 (%0)
7
6
5
4
3
2
1
0
2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Mort. Infantil Mort. Neonatal
Fonte: Estatísticas demográficas/SREA
Considerando os números baixos da mortalidade infantil, no período em análise, não é
possível aprofundar este fenómeno, ao nível de ilha. No entanto, se considerarmos as
três maiores (São Miguel, Terceira e Faial), podemos verificar que apenas São Miguel
revela valores que acompanham a tendência regional, havendo uma grande dispersão
nos dados relativos às ilhas Terceira e Faial, incluindo anos sem dados de referência.
Daqui se conclui da dificuldade em medir o fenómeno da mortalidade infantil nas
restantes ilhas, onde o número de nascimentos ainda é menor do que nestas três ilhas.
44
Figura 20 - Taxa de Mortalidade Infantil na RAA - São Miguel, Terceira e Faial - 2004-2008 (%0)
16
14
Taxa de mortalidade infantil
12
10
8
6
4
2
0
2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
R.A.Açores 6 6,3 3,9 3,2 4,6 5,4 5,5 2,9 6 4,7 3,5 4,4 3,5 2,3 4
São Miguel 6 6,4 4,7 3,4 2,8 3,4 5,2 3 6,6 3,5 2,9 2,1 2,9 3 3,7
Terceira 3 6,5 1,7 1,7 11,8 9 7,4 3,4 4 3,9 0 10,8 0 2,3 6,5
Faial 10,9 5,7 0 0 0 7,8 6,6 0 7,6 0 14,9 0 14,9 0 7,8
Fonte: Estatísticas demográficas/SREA
4.1.4.2 - Mortalidade por doenças (do aparelho circulatório, tumores malignos)
A escolha destas duas causas de morte, doenças do aparelho circulatório e tumores
malignos, decorre do próprio Plano Regional de Saúde (PRS) (2014-2016 extensão a
2020) que identifica estas duas patologias como as principais causas de morte, como se
pode ler no referido documento:
“A análise das Taxas de Mortalidade Proporcional (TMP)21 por grandes grupos de doenças,
relativas a 2011 (Quadro 12), revelou que, à semelhança do verificado a nível nacional e
europeu22, na RAA, as doenças do aparelho circulatório (33%) e os tumores malignos (22,9%) são
as principais causas de morte para todas as idades, seguidas pelas doenças do aparelho
respiratório (14,3%), independentemente do sexo. Já́ em termos de mortes prematuras, lideram
os tumores malignos (34,9%), com as doenças do aparelho circulatório (16,2%) e as doenças do
aparelho digestivo (6%) em segundo e terceiro lugares, respetivamente”.
21
Proporção de óbitos por uma determinada causa no total de óbitos
22
Plano Nacional de Saúde – 2012-2016
45
Figura 21 - Taxa de Mortalidade por doenças do aparelho circulatório - 2004-2007 (%0)
4,5
4
3,5
3
2,5
2
1,5
1
0,5
0 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017
Portugal 3,52 3,5 3,1 3,2 3,1 3,1 3 3,1 3,1 3 3,1 3,1 3,2 3,1
Continente 3,5 3,1 3,2 3,1 3,1 3 3,1 3,1 3 3,1 3,1 3,2 3,1
R.A.Açores 4,06 3,9 3,5 3,5 3,4 3,4 3,2 2,9 2,9 3 3,1 3,2 3,2 2,9
Portugal Continente R.A.Açores
Fonte: Açores em Números/SREA
O gráfico acima (Fig. 21), referente à Mortalidade por doenças do aparelho circulatório,
revela uma tendência decrescente, atingindo em 2017 valores inferiores à realidade
nacional.
Como adiante se verá, o PRS previu a implementação de Planos sectoriais, dirigidos ao
combate dos principais problemas de saúde registados na região, nomeadamente, as
patologias do foro circulatório, o que poderá, eventualmente, explicar a redução deste
indicador de mortalidade.
De acordo com o PRS, os tumores malignos são também uma das causas mais
frequentes de mortalidade nos Açores.
Figura 22- Taxa de mortalidade por tumores malignos - 2004-2017 (%0)
3
2,5
2
1,5
1
0,5
0 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017
Portugal 2,12 2,2 2,1 2,3 2,3 2,3 2,4 2,4 2,4 2,5 2,5 2,6 2,6 2,7
Continente 2,2 2,1 2,3 2,3 2,3 2,4 2,5 2,5 2,5 2,5 2,6 2,7 2,7
R.A.Açores 2,02 2,2 2,1 1,9 2,4 2,4 2,2 2,2 2,2 2,5 2,2 2,3 2,4 2,4
Portugal Continente R.A.Açores
Fonte: Açores em Números/SREA
46
O gráfico anterior (Fig.22) revela uma tendência crescente no número de casos, apesar
de a RAA estar abaixo dos valores médios nacionais.
À semelhança das doenças do aparelho circulatório, o controlo do número de casos
poderá estar relacionado com a operacionalização do plano sectorial dirigido a esta
causa de morte, que será posteriormente analisado neste relatório.
4.1.5 - Envelhecimento
No que se refere ao envelhecimento, os últimos dados publicados evidenciam a
tendência de envelhecimento em todas as ilhas dos Açores (Fig. 23), particularmente
agravado nas ilhas onde, já em 2001, se verificava este fenómeno, como é o caso da
Graciosa, São Jorge, Pico e Flores.
O índice de envelhecimento resulta da:
“Relação entre a população idosa e a população jovem, definida habitualmente
como o quociente entre o número de pessoas com 65 ou mais anos e o número
de pessoas com idades compreendidas entre os 0 e os 14 anos (expressa
habitualmente por 100 (10^2) pessoas dos 0 aos 14 anos).” (INE23)
Figura 23 - Índice de envelhecimento na RAA/ilha - 2001-2018
180,0 159,5 159,2
160,0 149,7 152,8
140,0 130,3
120,4
120,0 111,4
99,5
100,0 91,2
80,0 70,8
60,0
40,0
20,0
0,0
Região Ilha de Santa Ilha de São Ilha Terceira Ilha Graciosa Ilha de São Ilha do Pico Ilha do Faial Ilha das Flores Ilha do Corvo
Autónoma Maria Miguel Jorge
dos Açores
2001 2018
Fonte: PORDATA24
23
http://smi.ine.pt/Conceito/Detalhes/925
24
https://www.pordata.pt/Municipios/%c3%8dndice+de+envelhecimento-458
47
São Miguel é a ilha menos envelhecida do arquipélago, no entanto, à semelhança das
restantes, também evidencia um aumento significativo do índice de envelhecimento,
quando se analisa este fenómeno nos diferentes concelhos.
Figura 24 - Índice de envelhecimento na RAA/concelhos 2001 e 2018
200,0 189,8
175,7 173,5
180,0
160,0 149,7 148,1 150,0
140,0 129,1
120,0
100,0
80,0
60,0
40,0
20,0
0,0
La o P s
go o d Aç or re
a
Po Nor .] [R to
.A .A
nt de
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el
Po ada g
Vi R
la be oa i
Fr ira çã
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St Pra ero o do d p
s la a. ia
Cr da smo
uz d itó
Ca a Gr ria V í
Vi lh et cio a
Au La a [ sa
R. A. A. ]
V
tó Sã je ela
o M a i co sd s
o P
no
Ro dq u al e
e do a Pi n
co
ma
Sa Laje
n t s Ho
a C da rta
ru s F
z d lor
as e s
Flo re s
Co rv o
o
giã
Re
2001 2018
Fonte: PORDATA25
A nível concelhio (Fig. 24), o Nordeste (129,1) é o concelho micaelense que regista um
valor superior à média da ilha de São Miguel (70,8). Um olhar sobre outros concelhos
dos Açores, como sejam Calheta de São Jorge, Lajes do Pico e Lajes das Flores, permite
verificar que também nessas ilhas, estes concelhos estão muito acima da média de ilha
e da região.
As populações menos envelhecidas encontram-se nos concelhos da Ribeira Grande e
Lagoa, na ilha São Miguel.
25
https://www.pordata.pt/Municipios/%c3%8dndice+de+envelhecimento-458
48
4.1.6 – Esperança média de vida
Um indicador relevante relacionado com o envelhecimento das populações é a
esperança média de vida, ou seja, o número de anos de vida espectável, ao nascimento,
mas que pode também ser calculado na população com 65 e mais anos.
O facto de se registar uma tendência de aumento, não justifica, por si só, o
envelhecimento da população. Como refere Nazareth, a investigação científica não
confirma que “a explosão demográfica da terceira idade seja uma consequência direta
do aumento da esperança de vida” (2016:119). Conforme refere o autor, “o principal
fator natural responsável pelo envelhecimento demográfico foi o declínio da
natalidade” (Nazareth, 2016: 119).
A esperança média de vida é um importante indicador para avaliar o grau de
desenvolvimento de uma região ou país. Quando analisado à nascença, este indicador
reflete “a melhoria dos cuidados gerais de saúde e higiene, que promovem o declínio da
mortalidade infantil” (Fernandes, A.A., 1997:49). Ao nível da população com 65 e mais
anos, o aumento da esperança média de vida “é devido não só à maior capacidade de
resistir às doenças pelas coortes que vão atingindo estas idades, como também aos
progressos da medicina em vencer certas doenças” (Fernandes, A. A., 1997:49).
Estamos por isso perante um indicador relevante, em matéria da saúde das populações,
determinante na avaliação do seu Índice de Desenvolvimento Humano. A longevidade à
nascença é um dos indicadores utilizados para aferir da Vida Longa e saudável das
populações, uma das dimensões básicas do Desenvolvimento humano, conforme define
o Programa das Nações Unidas Para o Desenvolvimento (PNUD).
De acordo com os últimos dados publicados pelo INE, sobre a Esperança média de vida
à nascença, Portugal registava 80,80 anos, enquanto na RAA, se verificou um valor de
77,85 anos, o mais baixo entre as regiões portuguesas (Fig. 25).
49
Figura 25 - Esperança média de vida à nascença (anos) - Portugal, continente e regiões NUT's II - 2008/10 e 2016/18
80,80 80,99 81,18 81,11 80,94 80,24 79,93
90 77,85 78,30
79,29 79,38 79,64 79,59 79,29 78,58 78,90
80 75,86 76,13
70
60
50
40
30 19,49 19,66 19,71 19,75 19,81 19,20 19,08 17,24 17,69
18,59 18,60 18,61 18,63 18,83 18,20 18,79 16,18 16,40
20
10
0
Portugal Continente Norte Centro Área Alentejo Algarve Região Região
Metropolitana Autónoma dos Autónoma da
de Lisboa Açores Madeira
Esperança de vida à nascença (anos) 2008-2010 Esperança de vida à nascença (anos) 2016-2018
Esperança de vida aos 65 anos (anos) 2008-2010 Esperança de vida aos 65 anos (anos) 2016-2018
Fonte: INE – Tábuas de mortalidade em Portugal (set.19)
Ao longo dos últimos anos (Fig. 26) a RAA tem revelado uma menor esperança média de
vida, quando comparada com a média nacional. No entanto, é possível constar que essa
diferença tem vindo a encurtar na última década. Enquanto em 2008/10 era de 3,43
anos, em 2018 passou a ser de 2,95 anos.
Figura 26 - Esperança média de via à nascença (anos) na RAA e em Portugal - 2008/10 a 2016/18
82,00
81,00 80,80
80,00
79,29
79,00 2,95
78,00 77,85
3,43
77,00
75,86
76,00
75,00
74,00
73,00
2008 - 2009 - 2010 - 2011 - 2012 - 2013 - 2014 - 2015 - 2016 -
2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
R.A.Açores Portugal
Fonte: INE – Tábuas de mortalidade em Portugal (set.19)
50
A esperança média de vida aos 65 anos revela-nos a mesma tendência, ou seja, uma
diferença estrutural em relação à média nacional. Contabilizada em anos, verifica-se que
em 2008/10, uma pessoa com 65 anos na RAA podia esperar viver, em média, mais 16,18
anos, enquanto a nível do país essa espectativa se situava nos, 18,59, ou seja, menos
2,41 anos. Já em 2016/18. À semelhança do que foi registado para a esperança média
de vida à nascença, a tendência é de aproximação à média nacional, registando-se na
RAA uma espectativa de mais 17,24 anos, a partir dos 65 anos de idade, menos 2,25
anos do que a nível nacional (19,49 anos) (Fig.27).
Este é um indicador que nos remete para as questões da mortalidade por doenças
crónicas e a forma como os idosos na RAA tem resistido a essas patologias, quer ao nível
dos seus estilos de vida, quer no acesso aos serviços de saúde.
Figura 27 - Esperança média de vida aos 65 anos - RAA e Portugal - 2008/10 a 2016/18
25,00
20,00 19,49
18,84 18,97 19,12 19,19 19,31 19,45
18,59 18,75
16,62 16,66 16,84 17,06 17,12 17,24
16,18 16,07 16,30
15,00
10,00
5,00
0,00
2008 - 2009 - 2010 - 2011 - 2012 - 2013 - 2014 - 2015 - 2016 -
2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
R.A. Açores Portugal
Fonte: INE – Tábuas de mortalidade em Portugal (set.19)
Há ainda a referir, na análise deste indicador a diferença registada, não apenas a nível
regional, mas nacional e inclusive europeu, entre a esperança média de vida dos homens
e das mulheres (Fig. 28). “As diferenças observadas entre os sexos, relativamente à
esperança média de vida, têm origem na desigualdade de comportamento dos homens
e das mulheres face à morte.” (Fernandes, A. A, 1997:59). De acordo com Fernandes,
essa diferença revela que os homens têm menor resistência, apresentando quocientes
51
de mortalidade superiores aos das mulheres em todas as idades, o que tem por
consequência, a existência de um número maior de mulheres em idades mais
avançadas, logo, a esperança média de vida é superior no sexo feminino.
No caso da RAA, há a registar o facto de a esperança média de vida ter aumentado mais
nas mulheres do que nos homens, já que a diferença registada entre a média regional e
a nacional, em 2016/18, de 2,12 anos, representa uma redução de 31,13% (-0,66 anos),
quando comparada com 2008/10, onde atingia 2,78 anos.
Comparando com a evolução da esperança média de vida à nascença dos homens, a
diferença registada em relação à média nacional era de 3,52 anos em 2016/18,
representado apenas uma redução 12,5% (-0,44 anos) em relação a 2008/10.
Figura 28- Esperança média de vida à nascença por género (anos) - RAA e Portugal - 2008/10 a 2016/18
86,00
84,00
83,03 83,23 83,33 83,41 83,43
82,43 82,59 82,79
82,00 82,19
81,00 81,31
80,65 80,75
80,00 79,88 79,99 80,27
79,41 79,73
78,00 77,61 77,74 77,78
77,16 77,36
76,67 76,91
76,00 76,17 76,47
74,00 73,89 74,26
73,38 73,72
72,80 72,80 73,05
72,00 72,21 72,28
70,00
68,00
66,00
2008 - 2010 2009 - 2011 2010 - 2012 2011 - 2013 2012 - 2014 2013 - 2015 2014 - 2016 2015 - 2017 2016 - 2018
R. A. Açores HM R. A. Açores homens R. A. Açores mulheres
Portugal HM Portugal homens Portugal mulheres
Fonte: INE – Tábuas de mortalidade em Portugal (set.19)
Um olhar sobre este indicador na população com 65 e mais anos (Fig. 29), permite-nos
confirmar a diferença de género em termos de expectativa de vida.
Da análise dos dados, se conclui que, para além do facto de as mulheres terem em
média, uma esperança de vida superior à dos homens, quer a nível nacional, quer
regional, as mulheres açorianas reduziram a diferença em relação à média nacional, que
era de 2,32 anos em 2008/10, para 1,95 anos, ou seja menos 0,37 anos (-15,94%),
52
enquanto os homens, passaram de menos 2,7 anos para menos 2,51 anos,
relativamente à média nacional, o que representa um ganho de 0,19 anos (-7%).
Figura 29 - Esperança média de vida aos 65 anos por género - RAA e Portugal - 2008/10 e 2016/18
25,00
20,55 20,67 20,73 20,81 20,88
20,00 20,03 20,20 20,27 20,40
19,12 19,19 19,31 19,45 19,49
18,75 18,84 18,97 18,69 18,84 18,93
18,59 18,23 18,29 18,41
17,71 18,06
17,67 17,32 17,44 17,55 17,58
16,92 16,94 17,07 17,23 17,06 17,12
16,74 16,62 16,66 16,84 17,24
16,18 16,07 16,30
15,00 14,76 14,98 14,92 15,07
14,22 14,19 14,37 14,44
13,99
10,00
5,00
0,00
2008 - 2010 2009 - 2011 2010 - 2012 2011 - 2013 2012 - 2014 2013 - 2015 2014 - 2016 2015 - 2017 2016 - 2018
R. A. Açores HM R. A. Açores homens R. A. Açores mulheres
Portugal HM Portugal homens Portugal mulheres
Fonte: INE – Tábuas de mortalidade em Portugal (set.19)
Estes dados, relativos à população idosa (65 e mais anos) confirmam a importância das
variáveis género e idade para a compreensão dos comportamentos na saúde, quer em
termos de estilos de vida, quer ao nível da vigilância e manutenção da saúde, incluindo
por exemplo, o recurso a consultas de rotina ou o controlo de doenças crónicas, fatores
importantes para avaliar da desigualdade de acesso à saúde, com base nestas variáveis.
4.2 - EM SÍNTESE
A Região Autónoma dos Açores representa cerca de 2% da população portuguesa, no
entanto a diversidade de ilhas, as especificidades de cada uma, o impacto de catástrofes,
da guerra do Ultramar, o baixo rendimento do setor primário, entre muitos outras
53
determinantes, fizeram com que a população sofresse evidentes alterações, quer ao
nível do número de residentes por ilha, quer em termos do envelhecimento das
populações que, ainda agora, permanecem, particularmente, nas ilhas mais pequenas.
O futuro em termos demográficos, como se pode verificar pela projeção do INE, não
augura um rejuvenescimento da região, a não ser que se alterem os equilíbrios atuais
entre nascimentos, entrada de migrantes ou imigrantes, redução da emigração e,
obviamente, manutenção dos níveis de mortalidade atuais.
Ao contrário da mortalidade infantil, que reflete uma aproximação e até superação dos
valores nacionais, registando uma evolução muito positiva, que decorreu em boa parte
da melhoria na vigilância de saúde das grávidas e recém-nascidos até à idade de um ano,
a esperança média de vida continua a refletir uma diferença significativa (quase 3 anos
em média) em relação aos valores nacionais. E, como foi referenciado, este é um
indicador relevante para aferir do desenvolvimento de uma população, incluindo a
existência de estilos de vida saudáveis e um adequado acesso a cuidados de saúde.
Do perfil demográfico apresentado, podemos destacar alguns aspetos estruturantes
que devem condicionar a leitura dos dados sobre a saúde: 1) a dimensão populacional
de cada ilha e o enviesamento que impacta sobre o cálculo dos indicadores, sobretudo
quando estes são permilagens; 2) o envelhecimento de quase todas as ilhas, exceção de
São Miguel, que agrava a procura de serviços de saúde e a presença de patologias
associadas ao avanço da idade; 3) a relevância das variáveis género e idade na leitura
dos dados sobre a saúde; e, por fim, 4) a distância geográfica entre ilhas que exige meios
aéreos para mobilizar residentes ou especialistas para que possa existir acesso a
cuidados diferenciados (hospitalares), exceção da ilha do Pico, cujos residentes podem
aceder, regularmente, aos serviços sedeados no Faial por via marítima.
O mapa (Fig.30) e a tabela 4 registam as distâncias entre ilhas açorianas, considerando
a maior (entre Santa Maria e o Corvo) de 602km, e as distâncias entre ilhas com Hospital
(São Miguel-Terceira: 246 km; São Miguel – Faial: 276 km e Terceira- Faial: 124km). De
registar que as ilhas mais distantes de um Hospital são as Flores e o Corvo, a 246 km do
Hospital do Faial. No grupo central, as ilhas Graciosa e São Jorge distam 96 e 93 km do
Hospital da Terceira e o Pico está apenas a 9km do Faial. No grupo oriental, a ilha de
Santa Maria, dista 102 km do Hospital de São Miguel.
54
Figura 30 - Mapa do arquipélago dos Açores - distâncias em Km entre ilhas com e sem hospital.
602 km
246 km
96 km
124 km 93 km
246 km
276 km
102 km
Tabela 4 - Distâncias (km) entre as ilhas do Arquipélago dos Açores26
26
https://www.google.com/search?q=distancias+entre+ilhas+dos+a%C3%A7ores&sxsrf=ALeKk003O9CMrmjkBcIp5wN3uf57-
Zl9Bg:1594035366383&tbm=isch&source=iu&ictx=1&fir=Og6RB0gZlA52HM%252Ch5eseIyMN0eRJM%252C_&vet=1&usg=AI4_-
kSrSYQgwFBM8o1sOtMZjMCUB-CiSQ&sa=X&ved=2ahUKEwjN3Ja-
xLjqAhWztXEKHcL6Am8Q9QEwBXoECAoQDA&biw=1440&bih=692#imgrc=s7n-ea6sxU8nIM
55
5. Principais problemas de Saúde na Região Autónoma dos
Açores (de acordo com o 1º Inquérito Nacional de Saúde
com Exame Físico (2015).
Para além dos aspetos demográficos já identificados, que nos mostram uma região com
tendência para a redução da população residente, onde se registam sinais de
envelhecimento, agravados nas ilhas mais pequenas, importa retomar os problemas de
saúde mais evidenciados no Plano Regional de Saúde (PRS), ou seja:
“as doenças do aparelho circulatório (33%) e os tumores malignos (22,9%) (que) são
as principais causas de morte para todas as idades, seguidas pelas doenças do
aparelho respiratório (14,3%)” (PRS, 2014-16 com extensão a 2020)
Para tal, iremos considerar os resultados do 1º Inquérito Nacional de Saúde com Exame
físico (INSEF) (2015,2017), onde é possível quantificar algumas das potenciais causas
para os problemas acima referenciados, relacionadas com o Estado de Saúde (INSEF,
2015), os Determinantes de Saúde (INSEF, 2017) e o Estilo de Vida (INSEF, 2017).
Os resultados para os Açores (Tabela 5), publicados no volume do INSEF sobre o Estado
de Saúde, mostram-nos uma Região que lidera em % de casos de Diabetes e de
Obesidade e que se situa no segundo lugar entre as regiões com maiores percentagens
de pessoas com níveis de tensão arterial elevados e de Colesterol total, acima do
recomendado.
Qualquer um dos problemas de saúde identificados (• Açúcar elevado no sangue
(diabetes) • Colesterol elevado (hipercolesterolemia) • Pressão arterial elevada
(hipertensão arterial) • Excesso de peso e obesidade) constitui um fator de risco para o
aparecimento de doenças cardiovasculares. No entanto, como refere uma brochura do
Instituto Ricardo Jorge, trata-se de fatores de risco “modificáveis”. “Para reverter a
situação, é preciso mudar os hábitos de vida das populações27.”
27
https://www.sns.gov.pt/wp-content/uploads/2016/03/DoencasCardiovasculares.pdf
56
Tabela 5 - Dados sobre o Estado de Saúde na RAA - Inquérito Nacional de Saúde com Exame Físico (INSEF) - 2015
Região Autónoma dos Açores (RAA) Portugal
Diabetes, com base no 11,9% Região com a 9,8
nível de HbA1c =>6,5 % da população entre prevalência mais da pop. entre
25 e 74 anos elevada do país 25 e 74 anos
Tensão arterial definida 37,4% 2ª região com a 36,0%
como Tensão Arterial da população entre prevalência mais da população entre os 25 e
Sistólica (TAS)≥140 ou os 25 e os 74 anos elevada do país os 74 anos
Tensão Arterial
Diastólica (TAD)≥90
Colesterol total, com 71,8% 2ª região com a 63,3 %
base nos valores de CT da população entre prevalência mais da população entre os 25 e
iguais ou superiores ao os 25 e os 74 anos elevada do país os 74 anos
valor recomendado (190
mg/dL).
Obesidade (IMC≥30) 33,8% Região com a 28,7%
da população entre prevalência mais da população entre os 25 e
os 25 e os 74 anos elevada do país os 74 anos
Excesso de peso 39% 39%
(IMC≥25), da população entre da população entre os 25 e
os 25 e os 74 anos os 74 anos
Obesidade abdominal 66,8% 4ª região com % mais 65,2%
(razão entre os perímetros da população entre elevada da população entre os 25 e
da cintura e da anca ≥0,9
para os homens e ≥0,85 para
os 25 e os 74 anos os 74 anos
as mulheres)
Fonte: INSEF, 2015
Os problemas acima identificados estão interligados com o estilo de vida dos indivíduos,
agravados por comportamentos como: consumo excessivo de tabaco e de bebidas
alcoólicas, sedentarismo e baixa ingestão diária de fruta e vegetais.
De acordo com o INSEF, estes são determinantes da Saúde (Tabela 6) e, ao mesmo
tempo, constituem fatores de risco fortemente correlacionados com o aparecimento de
patologias do foro vascular ou mesmo oncológico. Nesse sentido, o Plano Nacional de
Prevenção de Doenças Oncológicas28 aponta como primeira medida preventiva para
reduzir a morbilidade e mortalidade por cancro, “promover estilos de vida saudável
especialmente através do combate ao tabagismo e da prevenção da obesidade”.
28
https://www.iccp portal.org/system/files/plans/PNPCDO_2007_Versaofinal%281%29.pdf
57
Tabela 6 - Dados sobre os Determinantes de Saúde na RAA - INSEF – 2017, por sexo – Açores-Portugal
R.A.Açores Portugal
Masculino Feminino Masculino Feminino
Tabaco (prevalência de 40,5% 20,5% A RAA é a região onde há 28,3% 16,4%
consumo diário) da da população mais homens que fumam
população feminina com diariamente.
masculina 15 ou mais
com 15 ou anos de idade
mais anos
de idade
Exposição ao fumo 20% A RAA é a região onde há 12,8%
durante pelo menos 1 Da população entre os 25 e maior prevalência de
hora por dia em casa, no os 74 anos exposição ao fumo
trabalho ou em locais
públicos.
Consumo excessivo de 37,1% 7,1% A RAA é a terceira região 33,8% 5,1%
álcool - seis ou mais com menor % de
bebidas alcoólicas numa consumidores excessivos
única ocasião, binge
drinking
Atividades sedentárias 53,4% A RAA é a região com 44,8%
Ler, ver TV e outras maior prevalência de
Da população entre 25 e 74
atividades sedentárias população com atividades
anos.
sedentárias
Exercício físico 33,6% A RAA é a terceira região 34,2%
Praticar, pelo menos com menor % de
Da população entre 25 e 74
uma vez por semana, consumidores excessivos
anos.
alguma atividade física
regular de forma a
transpirar e/ou sentir
cansaço.
Consumo de frutas 70,9% A RAA é a região do país 79.3%
Consumo de fruta uma com menor percentagem
vez por dia de consumo diário de
fruta.
Consumo de vegetais 59,5% A RAA é a região do país 70,9%
Consumo diário de com menor percentagem
vegetais e saladas de consumo diário de
(incluindo sopas) vegetais e saladas
Do quadro anterior fica a conclusão que a população açoriana registava, em 2017,
hábitos de vida desfavoráveis a um bom nível de saúde, sobretudo, devido ao consumo
de tabaco, sedentarismo e um regime alimentar com baixa ingestão de frutas e vegetais.
Este quadro de referência confirma a necessidade de uma intervenção urgente, ao nível
da prevenção de comportamentos de risco e da promoção de estilos de vida saudáveis.
58
Qualquer um dos dados referenciados justifica uma intervenção, que reforce a literacia
em saúde29 e a consciência dos cidadãos para a necessidade de fazerem escolhas que
promovam a sua saúde.
Como foi referido anteriormente, o nível de saúde de uma região não depende apenas
dos equipamentos e serviços de saúde disponibilizados, mas implica a participação dos
cidadãos na construção e promoção da sua própria saúde.
Esta participação está dependente de variáveis de natureza sociológica, como é o nível
de escolaridade ou as condições socioeconómicas dos cidadãos.
5.1 – SAÚDE E DESIGUALDADES SOCIAIS
De acordo com vários estudos (Antunes R., 2011; Cabral M.V. e alter, 2009; Tavares D.
e alter, 2013, cit. In Tavares, D. 2016) as desigualdades em saúde refletem as
desigualdades sociais.
Para Antunes (2010: 2) as relações que os indivíduos têm com os seus corpos e sintomas,
com os sistemas de saúde e com as possibilidades de tratamento são condicionadas pela
posição e trajetória social. Na sua investigação de doutoramento R. Antunes (2011)
compara indivíduos internados em dois hospitais de Lisboa e Beja e verifica diferenças
entre classes sociais com menores ou maiores recursos económicos, ao nível das causas
de morte, por doenças cardíacas, cerebrovasculares e neoplasias. Uma tendência
também presente nos resultados do projeto “Saúde e estilos de vida no concelho de
Loures” (Tavares, D., 2016:77), onde se conclui “a assimetria entre as classes sociais, no
que concerne à utilização diferencial dos serviços de saúde, à frequência de consultas
médicas e, principalmente, de medicina dentária, ao uso preventivo dessas consultas,
ao controlo do peso, aos cuidados particulares com a alimentação e às perturbações do
sono”.
De acordo com Tavares, “o campo da saúde constitui um “observatório” privilegiado das
desigualdades sociais contemporâneas e, muito particularmente, das diferenças das
classes sociais” (2016:77).
29
“a literacia é definida como o conjunto de capacidades para processar a informação escrita na vida do
dia a dia. (...) a literacia em saúde representa a capacidade de aplicar as competências adquiridas às
situações de saúde ao longo da vida.” (Loureiro & Miranda, 2018:199)
59
No quadro da multidimensionalidade da variável classe social, destacamos a taxa de
atividade, o nível médio de rendimento e o grau de escolaridade, este último como
refere Tavares (2016:81), “nas questões de saúde assume uma relevância particular”.
Um outro estudo sobre a população com 50 e mais anos (Cabral M. V. & alter, 2013:250)
revela que existe uma maior propensão para a morbilidade entre as pessoas, mais
idosas, as mulheres e as pessoas com baixo nível de instrução (básico ou menos) e com
estatuto socioeconómico baixo (trabalhadores manuais especializados e não
especializados).
Da análise dos dados demográficos, nomeadamente a mortalidade por doenças crónicas
e os resultados sobre o estado de saúde na RAA, incluindo o estilo de vida, podemos
concluir que falta um estudo aprofundado sobre os determinantes da saúde na RAA, que
permita explicar as diferenças sociais no acesso aos serviços de saúde, entre ilhas ou até
mesmo entre concelhos.
Apesar desta lacuna, e à semelhança de outros estudos, nacionais e internacionais,
acreditamos que hoje em dia, como já referia Wilkinson (2002:11), “os indicadores de
saúde pública são menos tributários da oferta medical do que das condições
socioeconómicas nas quais os indivíduos vivem e trabalham”.
O que significa que, para compreendermos plenamente o estado de saúde de uma
população, como a que reside nas nove ilhas dos Açores, é necessário reconhecer a
importância dos determinantes sociais e económicos que diferenciam a saúde das
populações nestes territórios insulares.
As desigualdades na Saúde não podem ser compreendidas apenas pela identificação das
falhas estruturais do Sistema, seja ao nível dos equipamentos ou dos recursos humanos,
mas devem envolver a análise de variáveis de natureza sociocultural, quer do lado dos
prestadores de cuidados, quer da parte dos utentes do sistema de saúde.
De acordo com Silva, Augusto, Backstrom e Alves (2013:27):
“são conhecidos muitos fatores de desigualdade na doença a nível do diagnóstico, do tratamento,
do acesso a cuidados, por exemplo. Entre médicos diferentes verificam-se diferenças de diagnóstico
para uma mesma situação, confirmando-se além disso a tendência para diagnosticar mais ou menos
determinado tipo de doenças quando se comparam sistemas de saúde de diversos países. Vários
estudos têm mostrado que determinadas doenças (do foro respiratório, ou cardiovascular, por
exemplo) são menos frequentemente diagnosticadas às mulheres do que aos homens,
60
independentemente da gravidade dos sintomas. Nessa diferença jogam os aspetos culturais que
no/a doente orientam a expressão dos sintomas – as mulheres queixam-se menos do que os homens
dos problemas respiratórios do tipo pigarro, ressonar, etc. – e, no médico orientam a interpretação
dos sintomas apresentados – as “dores no peito” das mulheres são muitas vezes diagnosticadas como
ansiedade, sem realização de exames complementares de diagnóstico (cit. Saurel-Cubizolles e
Blondel, 1996).
Os autores (Silva, Augusto, Backstrom & Alves, 2013) referem ainda que a desigualdade
pode ser gerada pela própria prática clínica, na medida em que as atitudes dos
profissionais de saúde são influenciadas pela posição social e capital cultural que detêm.
Este é sem dúvida uma tema importante de investigação, a comunicação profissional de
saúde/utente, onde se cruzam representações do que é estar ou ser doente, a
linguagem e os referenciais culturais de ambos, os padrões de vida e os hábitos, próprios
de cada comunidade, que marcam a herança cultural, a identidade específica e podem
criar “ruído” na comunicação, quando profissional de saúde e utente não estão
“sintonizados” ou seja, quando não existe empatia e as situações clínicas são
consideradas, independentemente do contexto de vida do doente.
Para além desta distância de natureza cultural, Silva e alter (2013:28) identificam o
distanciamento científico, reforçado pelo poder- autoridade associado à especialização,
“que desencadeia um afastamento cerimonioso responsável pela dificuldade no diálogo
franco e espontâneo (“não percebi o que ele disse, mas também não perguntei”) e
também pela retração na decisão de recorrer ao médico (“já lá devia ter ido há mais
tempo, mas eu não queria ir incomodar”).
Na desconstrução do fenómeno da desigualdade social, há que ter em conta o registo
cultural, que influencia a leitura e a própria descrição dos sintomas. Mas, é hoje evidente
considerar como relevante o grau de literacia em saúde, por parte dos cidadãos. Importa
não confundir literacia com escolaridade, apesar destas duas variáveis estarem
profundamente interligadas.
5.1.1 - Literacia em saúde
A nível nacional, e tendo por base os resultados obtidos no Health Literacy Survey EU
2014 (HLS-EU), foi delineado, para os anos 2019 e 2020, um Plano Nacional para a Literacia
61
em Saúde30 publicado pela Direção Geral da Saúde, cujo preâmbulo evidencia a
necessidade de motivar comportamentos saudáveis e promover ganhos na saúde e bem-
estar da população portuguesa.
De acordo com o Relatório síntese sobre “Literacia em Saúde em Portugal” (2016):
“Portugal comparando com os países participantes no Health Literacy Survey EU 2014 (HLS-EU),
é o país que apresenta menor percentagem de pessoas com
Literacia em umemnível
Saúde excelente de Literacia em
Portugal - 2015
Saúde (8,6%) e com a média europeia (16,5%). Encontra-se em 2º lugar no que se refere à
Para melhor compreender a informação recolhida, foram construídos quatro índices
percentagem de de
pessoas comsaúde:
literacia em nível suficiente de Literacia em Saúde (42,4%), sendo que a média
1. Índice geral de literacia em saúde;
europeia é de 36%. No2. que seliteracia
Índice de refereemàCuidados de
percentagemSaúde; de pessoas com um nível problemático de
3. Índice de literacia sobre Prevenção de Doenças;
Literacia em Saúde, 4.
Portugal apresenta
Índice de literacia sobre um valor
Promoção mais elevado (38,1%) do que a média europeia
de Saúde.
(35,2%). Com nível inadequado, apresenta um valor inferior (10,9%) ao da média europeia
(12,4%).”
COMPARAÇÃO DE PORTUGAL COM OS
Neste inquérito foramPARTICIPANTES
PAÍSES constituídos quatro índices, conformeHLS-EU
NO ESTUDO se pode verificar no gráfico
(Fig.31). Numa comparação entre os resultados médios dos 8 países mencionados e Portugal
podemos concluir que:
t Os valores médios nos índices de literacia em saúde são sempre ligeiramente
mais baixos em Portugal;
Figura 31- Índices de Literacia em Saúde em
t A maior Portugal
diferença verificadaeentre
na Portugal
Europae -a de acordo
média dos com o
países Health Literacy Survey EU
participantes
no estudo europeu é2014
pouco (HLS-EU)
expressiva e regista-se no índice relativo aos cuida-
dos de saúde (HC-HL).
Índices de literacia em Saúde em Portugal e na Europa (EU-8) (valores médios)
Fonte: ILS-PT, 2014, CIES-IUL/ Fundação Calouste Gulbenkian e HLS-EU Consortium (2012).
Uma das conclusões retiradas deste inquérito é o facto de o nível de Literacia em Saúde
estar diretamente relacionado com a idade (menor nos mais velhos)7 e com o nível de
30
https://www.dgs.pt/documentos-e-publicacoes/plano-de-acao-para-a-literacia-em-
saude-2019-2021-pdf.aspx
62
escolaridade (menor nos menos escolarizados). Assim, conforme se pode ler no
Relatório Síntese sobre Literacia em Saúde em Portugal (Espanha, Ávila e Mendes,
2016:13)
“É possível destacar os seguintes grupos (vulneráveis): indivíduos com 66 ou mais
anos de idade; com baixos níveis de escolaridade; com rendimentos até 500
euros; com doenças prolongadas; com uma auto perceção de saúde “má”; que
frequentaram no último ano seis ou mais vezes os cuidados de saúde primários;
que se sentem limitados por terem alguma doença crónica”.
Neste estudo, já foi identificada a relevância do envelhecimento em algumas
ilhas/concelhos da RAA, um indicador que explica alguns dos comportamentos em
saúde das populações. Para além disso, como também já foi apresentado, a população
da RAA revela uma baixa autoapreciação da sua saúde, conforme revela o último
inquérito à Saúde realizado nesta região (2014).
Importa agora sinalizar os dados sobre o nível de escolaridade da população, outra
variável relevante para a compreensão do grau de literacia potencial, que podemos
encontrar nesta região.
Começando por registar a taxa de analfabetismo e comparando os dados de 1991 e 2011
(Censos) verificamos que houve uma significativa redução deste indicador, sinónimo de
uma generalização da escolaridade obrigatória, a toda a população (10,0% em 1991 para
4,7% em 2011). No entanto, ainda registamos em algumas ilhas/concelhos, taxas acima
da média regional.
Ao nível das ilhas, São Miguel, Graciosa e São Jorge são as que registam uma taxa de
analfabetismo acima da média regional no Censos de 2011 (Fig.32).
63
Figura 32- Taxa de analfabetismo na RAA - 1991 e 2011 (Censos)
14
12
10
8
6
4
2
0
Santa São Terceira Graciosa São Jorge Pico Faial Flores Corvo RAA
Maria Miguel
1991 12,6 11,5 8,6 11,9 9,9 6,6 5,6 6,4 6,2 10
2011 4,3 5,1 4,4 6,4 5,7 3,6 3 3,7 3,9 4,7
1991 2011
Fonte: Censos 1991 e 2011/INE/SREA
Ao nível dos concelhos, e comparando com a taxa média regional em 2011, na Ilha de
São Miguel são os concelhos do Nordeste, Povoação, Ribeira Grande e, sobretudo, Vila
Franca, os que registam valores acima da média. Os concelhos da Graciosa e São Jorge
também estão acima da média regional (Fig.33).
Figura 33 - Taxa de analfabetismo na RAA/concelho - 1991 e 2011 (Censos)
20
18
16
14
12
10 8,5
7,3
8 6,6 6,7 6,4 6 5,5
6
4
2
0 Sta.
Vila Angra
Ponta Ribeira Praia Cruz
Vila do Nordes Povoaç Franca do Calhet Madal São Sta.
Lagoa Delgad Grand da da Velas Lajes Horta Lajes Corvo RAA
Porto te ão do Heroís a ena Roque Cruz
a e Vitória Gracio
Campo mo
sa
1991 12,6 10,2 17,6 9,4 16,6 13,8 13,5 7,6 9,6 11,9 10,5 9,5 5,3 7,8 6,6 5,6 4,4 7,7 6,2 10
2011 4,3 4,7 6,6 3,5 7,3 6,7 8,5 4,3 4,4 6,4 6 5,5 3,4 3,7 3,6 3 3,4 3,9 3,9 4,7
1991 2011
Fonte: Censos 1991 e 2011 – SREA/INE
Analisando o nível de escolaridade da população, verificamos um claro aumento da
escolarização média, reduzindo o número dos que não tem nenhuma escolaridade ou
apenas o 1º ciclo do ensino básico, em favor de níveis mais elevados (Fig.34).
64
Figura 34 - Distribuição da população com 15 e mais anos da RAA, continente e Portugal, por nível de escolaridade
(1998 e 2019) %
40,0
35,0
30,0
25,0
19,6
20,0
15,0
11,0
10,0
5,0
0,0
1998 2019 1998 2019 1998 2019 1998 2019 1998 2019 1998 2019
Sem nível escolar Básico 1º ciclo Básico 2º ciclo Básico 3º ciclo Secundário e pós-sec. Superior
Portugal Continente RAA
Fonte: PORDATA – municípios
Apesar da redução verificada na percentagem da população que termina o seu percurso
escolar ao fim de seis anos, em favor de um percurso de nove ou mesmo de 12 anos,
quando comparada com os dados do país, a RAA regista uma percentagem muito mais
baixa na população que concluiu a escolaridade obrigatória de 12 anos ou o nível do
ensino superior, que neste caso corresponde a quase metade do valor nacional.
Uma análise por ilha, apenas com dados dos censos e reportando-se por isso a 2011
(Fig.35), mostra-nos que nas ilhas do Faial (12,2%) e São Miguel (11,1%), a % dos que,
nesse ano, detinham um nível superior ao secundário ultrapassava a média regional
(10,7%).
65
Figura 35 - Distribuição da população em idade escolar por nível de escolaridade (Censos 1991 e 2011)
80,0
70,0
60,0
50,0
40,0
30,0
20,0
11,1 10,9 12,2 10,7
9,2 7,9 7,5 8,9 9,1
7,0
10,0
0,0 Santa Maria São Miguel Terceira Graciosa São Jorge Pico Faial Flores Corvo RAA
Analfabetos 1991 11,2 8,6 7,2 12,2 9,4 6,2 4,8 6,3 5,1 8,0
Analfabetos 2011 4,6 5,4 4,6 6,9 6,1 3,8 3,1 3,9 4,2 5,0
Básico primário 1991 55,9 55,3 59,9 69,1 68,7 68,4 60,9 67,7 75,4 58,9
Básico primário 2011 32,3 29,6 34,0 39,7 39,7 39,9 31,7 39,1 40,5 32,2
Básico 2º3º ciclos 1991 15,8 15,8 10,8 11,7 11,0 10,5 11,7 11,8 17,0 13,6
Básico 2º3º ciclos 2011 39,3 42,2 37,8 35,9 36,7 34,2 38,5 36,7 35,5 40,0
Secundário 1991 18,8 18,4 18,7 9,9 12,1 15,2 21,3 14,3 10,6 17,9
Secundário 2011 14,6 11,7 12,6 9,6 10,1 13,3 14,5 11,2 12,8 12,2
Pós secundário 1991 3,1 4,7 4,6 1,8 2,3 2,6 5,2 2,5 1,9 4,3
Pós secundário 2011 9,2 11,1 10,9 7,9 7,5 8,9 12,2 9,1 7,0 10,7
Analfabetos 1991 Analfabetos 2011 Básico primário 1991 Básico primário 2011 Básico 2º3º ciclos 1991
Básico 2º3º ciclos 2011 Secundário 1991 Secundário 2011 Pós secundário 1991 Pós secundário 2011
Fonte: Censos 1991 e 2011
Apesar de não termos dados de nenhum inquérito sobre Literacia em Saúde na RAA, o
facto de estarmos perante uma população envelhecida, sobretudo em algumas ilhas,
com baixo nível de escolaridade, que revela uma autoapreciação da sua saúde baixa,
particularmente entre a população idosa, leva-nos a crer que neste contexto regional os
níveis de literacia não serão muito elevados. E sem dúvida, que este défice tem um forte
impacto na relação dos utentes com o sistema de saúde, desde logo, com o grau de
reivindicação, procura de informação, capacidade de escolha ou decisão, direitos que
estão consagrados em muitos dos diplomas da saúde e no Estatuto do Doente.
O aumento da literacia em saúde é sinónimo de informação e capacidade de
participação do cidadão e por consequência, contribui para um aumento da
transparência do próprio sistema de saúde.
Um exemplo deste impacto, pode ser encontrado em países onde periodicamente são
“publicadas as listas dos melhores centros de saúde e hospitais, de acordo com critérios
universais de qualidade” (Nunes & Rego, 2002:148), tal como acontece na Educação
com a publicação de rankings de escolas públicas e privadas.
66
O acesso a esta informação fundamenta a escolha do cidadão, quando por exemplo este
é confrontado com a possibilidade, aliás prevista na legislação regional, de escolher o
hospital onde pretende ser tratado (nº1 do artigo 7º - Direito de opção – da Portaria nº
95/2018 de 2 de agosto, que define o Regulamento geral de deslocações do Serviço
Regional de Saúde: “artigo 7º - Direito de opção - 1 - O utente pode optar por recorrer a
qualquer hospital do SRS”).
Apesar deste ser um direito consagrado na legislação em vigor, na prática, é preciso que
o cidadão tenha acesso a informação credível, para poder escolher com base numa
comparação objetiva e criteriosa, uma de mais soluções alternativas.
Um sistema de saúde que considera o acesso do cidadão à informação e promove o seu
empoderamento, potencia a sua capacidade de escolha e dá-lhe espaço para que
contribua, com a sua experiência, para a melhoria e eficácia das respostas em saúde.
Uma orientação política, centrada no cidadão, enquadra-se na ótica de uma
“credibilidade democrática” (democratic accountability) como referem os autores
Nunes & Rego (2002). E isso implica “que, mesmo que a igualdade de oportunidades
possa ser limitada pela escassez de recursos, as escolhas e as prioridades na prestação
de cuidados de saúde devem ser transparentes, públicas e periodicamente submetidas
a um processo de auditoria de acordo com as regras da democracia representativa”
(Nunes & Rego, 2002:10).
5.1.2 – Órgãos de participação cívica sobre a Saúde
Conselho Regional de Saúde e Conselho Consultivo de Saúde
Em Portugal e na RAA está previsto no Estatuto do Serviço Nacional de Saúde e no
Estatuto do Serviço Regional de Saúde, a existência de um Conselho Nacional/Regional
de Saúde, que inclui representantes do parlamento, de diferentes instituições, incluindo
universidades e IPSS. No entanto, como referem Serapioni & Matos (2014:14), citando
a propósito o Observatório Europeu sobre Políticas e Sistemas de Saúde, “a participação
continua confinada a referências legislativas e a intenções anunciadas em documentos
67
oficiais”. (cit. Barros e Almeida Simões, 2007)”, longe dos problemas reais, vividos pela
população, sem realmente se constituírem como órgãos capazes de incrementar
proximidade e melhorar a comunicação entre o sistema de saúde e o cidadão comum.
Na RAA, o diploma que “Estabelece a organização e o funcionamento dos serviços de
saúde da Região Autónoma dos Açores” (DLR 28/99/A de 31 de julho, consagra a
existência de um Conselho Regional de Saúde (artigo 16º), que integra a representação
das “entidades interessadas no funcionamento das instituições prestadoras de cuidados
de saúde da Região”.
Legislação mais recente (DLR nº1/2020/A de 23 de janeiro), que Aprova a orgânica e o
quadro de pessoal dirigente e de chefia da Secretaria Regional da Saúde, mantém a
existência do Conselho Regional de Saúde (artigo 6º), que define nos seguintes termos:
“O Conselho Regional de Saúde é um órgão de consulta sobre a política de saúde,
cuja missão, competências e modo de funcionamento constam de decreto
regulamentar regional próprio.31”
Para além do Conselho Regional de Saúde, o DLR 28/99/A de 31 de julho previa a
existência, nas Unidades de Saúde, de Conselhos Consultivos de Ilha (artigo 13º), onde
se integram, para além dos responsáveis pela saúde, representantes eleitos do poder
local, representantes das Misericórdias e IPSS. Compete a estes conselhos:
“pronunciar-se, por iniciativa própria ou a solicitação dos órgãos de tutela do
SRS, sobre o funcionamento dos serviços de saúde na ilha, designadamente
sobre os seus planos de atividade e relatórios e sobre quaisquer outras matérias
relacionadas com os serviços de saúde”.
31
DRR nº16/2002/A de 18 de junho, prevê no seu artigo 2º que o Conselho Regional de Saúde tem por
competências:
O Conselho tem as seguintes competências:
a) Fazer propostas e recomendações e emitir pareceres sobre todas as questões relacionadas com a
saúde;
b) Pronunciar-se sobre outras matérias que lhe sejam propostas pelo Governo Regional ou que, nos
termos da lei ou regulamento, lhe devam ser submetidas.
68
A sua existência foi mantida nos diplomas que criaram as Unidades de Saúde nas
diferentes ilhas.
Conforme já foi referido, estes órgãos, apesar de preverem a participação de instituições
externas ao sistema de saúde, condicionam essa participação aos canais formais da
representação formal, longe da voz dos cidadãos comuns, que se confrontam com
dificuldades de acesso ao sistema regional de saúde.
Potenciar a voz dos cidadãos permite “superar o défice democrático que caracteriza a
generalidade dos sistemas de saúde” (Serapioni & Matos, 2014:10) e contribui para
reduzir as desigualdades sociais de saúde.
69
6. Políticas de saúde – Políticas sociais
As políticas de saúde fazem parte do conjunto mais alargado das políticas sociais,
enquanto dimensão do próprio sistema político (Tavares, D., 2016). Logo, para se
compreender o desenho atual das políticas de saúde, nomeadamente o acesso dos
cidadãos aos serviços de saúde, importa recuperar alguns dos traços mais significativos
da evolução do sistema político, na área da saúde.
Portugal integra um conjunto de países do sul da Europa que adotam políticas sociais
mais tarde do que nos países do centro e do norte europeu onde, logo após a IIª Guerra
Mundial, surgiram os primeiros sistemas de proteção social, a exemplo do Reino Unido
e de outros países do Norte e do Centro Oeste (Tavares, D., 2016). Nascia então, o que
se designaria por Estado-Providência.
“No campo da saúde, os seus objetivos, materializados na oferta pública de saúde, segundo o
modelo britânico do National Health Service (fundado em 1948 sob os princípios de William
Beveridge), orientam-se no sentido de garantir a todos os cidadãos o acesso gratuito aos diversos
cuidados de saúde, gerais e especializados, independentemente da sua condição social e dos
seus rendimentos “(Tavares, D. 2016:182).
No caso português só após 1974, com a instauração da democracia, foi possível “criar
as condições exigíveis à implementação sistemática de políticas sociais subordinadas
aos mesmos princípios que tinham sido desenvolvidos, cerca de 25 anos antes, em
vários países europeus” (Tavares, D., 2016:186).
Por esse facto, a tradução do valor da Saúde, como direito de cidadania, é relativamente
recente na história das políticas sociais em Portugal, quer como preocupação e,
sobretudo, enquanto área de investimento, (Campos & Simões, 2011).
70
6.1 - BREVE HISTÓRIA DA IMPLEMENTAÇÃO DO SISTEMA DE SAÚDE EM
PORTUGAL
Recuando um pouco antes da instauração da democracia em Portugal, verificamos que
a criação de um Ministério da Saúde data apenas de 1958 e a inserção do direito à saúde
na Constituição Portuguesa, acontece décadas após este direito ter sido proclamado na
Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948)32.
Portugal viveu durante séculos dependente de um sistema de saúde precário, que não
constava das preocupações governativas.
Se formos até ao início do séc. XX, verificamos que os assuntos ligados à saúde
dependiam do Ministério do Trabalho (1918), tendo sido depois transferidos para o
Ministério do interior (1925). De registar que, na Inglaterra já existia um Ministério da
Saúde desde 1919 (Bicho F., 1926). Segundo escreve Francisco Bicho, na sua dissertação
sobre o “Sistema sanitário português”, datada de 1926, o sistema de saúde em Portugal,
no início do século XX, era estadista, sem uma entidade coordenadora, disperso e
entregue à responsabilidade dos municípios, os quais, na opinião do autor, não estavam
interessados nos serviços sanitários, como dimensão do progresso local.
Nesse tempo, Portugal foi fortemente fustigado pela tuberculose, doença de declaração
obrigatória, que inicialmente apenas encontrava resposta em Lisboa e Porto. Os
números da mortalidade por tuberculose eram muito superiores aos de outros países
europeus, o que levou Francisco Bicho (1926:83) a propor na sua dissertação de
doutoramento a criação de dispensários, à semelhança do que existia, por exemplo na
Suécia, país que havia conseguido diminuir a mortalidade por tuberculose. A criação
desses dispensários acabou por ser uma realidade em Portugal (Serviços de Luta Anti
Tuberculose - SLAT), existindo nos Açores três estabelecimentos com internamento
total, vocacionados para o combate à tuberculose, até 1975. No entanto, os serviços
32
https://dre.pt/declaracao-universal-dos-direitos-humanos
1. Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-
estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda
quanto aos serviços sociais necessários, e tem direito à segurança no desemprego, na doença, na invalidez,
na viuvez, na velhice ou noutros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes
da sua vontade.
2. A maternidade e a infância têm direito a ajuda e a assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro
ou fora do matrimónio, gozam da mesma proteção social.
(artigo 25º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948)
71
dedicados a esta doença, permaneceram ativos nos hospitais (enfermarias privativas
para tuberculosos) e na comunidade (Dispensários anti tuberculose) até 1984, conforme
se pode verificar pelos dados publicados (Tabela 7).
Tabela 7 - Número de estabelecimentos de saúde vocacionados para o combate à tuberculose - 1969-1984
1969 1970 1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984
Estabelecimentos
com internamento 3 3 3 x 3 3 3
total - Tuberculose
Enfermarias
privativas para 2 2 2 2 4 2 2 4 3 4 4 3 1 1 1 1
tuberculosos
Dispensários anti 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 0 0 0
tuberculose
(fonte: Estatísticas da Saúde – Região Autónoma dos Açores/SREA)
Se recuarmos aos anos sessenta e setenta do séc. XX, em Portugal, verificamos que se
privilegiava o combate à tuberculose, uma patologia que afetava as populações há
várias décadas (desde o início desse século), em paralelo com a preocupação face à
mortalidade infantil, um indicador preocupante que, como foi referido anteriormente,
levou os governos do Estado Novo a reforçarem medidas de prevenção junto das
comunidades locais e a apostar no parto em espaço hospitalar.
Até à implantação da democracia, “a saúde não era considerada um bem coletivo,
quando muito era vista como um somatório de bens individuais” (Campos & Simões,
2011:19). Não fora alguns indicadores preocupantes, como a baixa qualidade de vida,
perante o elevado número de acidentes de trabalho, como aconteceu no final do séc.
XIX (Simões, 2004) ou as doenças graves transmissíveis, como foi o caso da tuberculose
nos anos 50 do séc. XX, ou ainda, o elevado número de mortes prematuras, resultado
de doenças não prevenidas ou da falta de vigilância e acompanhamento, como
acontecia com as grávidas e as crianças nos primeiros anos de vida, Portugal não teria
iniciado algumas ações de organização da resposta de saúde às populações. Eram, no
entanto, ações que não configuravam um verdadeiro Sistema Nacional de Saúde (SNS),
criado tardiamente em Portugal, quando comparado com o sistema implementado no
Reino Unido. Apesar disso, o desenho do SNS português foi inspirado no mesmo
relatório Beveridge, datado de 1942, que deu lugar ao sistema inglês. Nesse relatório,
por sinal escrito durante a IIª Guerra Mundial, o governo britânico reconhecia que
72
“todos os cidadãos, independentemente dos seus rendimentos, da sua idade, do seu
sexo ou da sua profissão, devem ter as mesmas possibilidades de aceder aos mais
eficazes e mais modernos serviços médicos e conexos, devendo ser gratuitos estes
serviços” (Simões, 2004:32). O modelo do Sistema de Saúde, então criado no Reino
Unido, acabou por servir de referência a muitos outros países, incluindo Portugal. Foi
também uma referência, a lógica implementada por Bismarck na Alemanha, com a
introdução, ainda no século XIX, de um sistema de seguro doença (Simões, 2004: 30),
“que obrigou os empregadores a contribuírem para um esquema de seguro-doença em
favor dos trabalhadores mais pobres, alargado num segundo momento a trabalhadores
com rendimentos mais elevados”.
Segundo Campos & Simões (2012), apesar do incipiente sistema de saúde, que existia
em Portugal nos governos de Salazar e Marcelo Caetano, um ministro do governo de
Salazar pediu para visitar o Reino Unido, no intuito de avaliar como se processava o
sistema de saúde inglês e aí beber da concretização prática de um sistema abrangente,
que não veio a concretizar-se se não muito mais tarde.
73
7. O Serviço Regional de Saúde no contexto do SNS – leitura
dos programas de governo (1976/80 a 2016/20)
Com a instauração do regime autonómico, os Açores passam a ficar dotados de órgãos
próprios de poder, os quais assumem a responsabilidade de fazer chegar às populações
das diferentes ilhas, respostas ao nível das áreas básicas do desenvolvimento,
nomeadamente educação, saúde, transportes, habitação e emprego.
No que diz respeito à saúde, a realidade dos Açores, em 1976, revelava-se frágil, mal
estruturada e pouco qualificada. Eram poucos os técnicos com formação específica,
fossem médicos, enfermeiros ou outros técnicos diferenciados.
A primeira escola de Enfermagem tinha sido criada em 1959, no entanto o modelo inicial
de formação incluía Auxiliares de Enfermagem que, como os dados testemunham, eram
em número muito superior ao dos Enfermeiros (Fig.36) até 1975, tendo acabado por
desaparecer do sistema de saúde no final da década de 80.
Figura 36 - Evolução do número de Enfermeiros (Hospitais e Centros de Saúde com e sem internamento), Parteiras e
Auxiliares de Enfermagem entre 1969 e 1984
600
500
400
300
200
100
0
1969 1970 1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984
Enfermeiros em Hospitais ou C. Saúde c/ internamento
Enfermeiros em C. Saúde s/ internamento
Total Enfermeiros
Parteiras Est. C/ inter.
Aux. Enf. Est. C/ int.
Parteiras Est. S/int
Aux. Enf. Est. S/ int.
Fonte: Estatísticas da Saúde (RAA)
74
A prática de cuidados de saúde era “hospitalocêntrica”, complementada com a ação
direta dos privados. Uma lógica liberal, com fraca intervenção do estado, que muito
agradava ao regime anterior a 1974.
O texto constitucional de 1976, ao consagrar o direito à saúde, refere que o mesmo
“seria realizado através de um “serviço nacional de saúde universal e geral, tendo em
conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito”
(Campos & Simões, 2011: 161), perspetivando que “esse serviço deve ter gestão
descentralizada e participada” (idem, 2011: 162).
No mesmo sentido, a Declaração de Alma-Ata (1978) um novo desafio, orientador da
prestação de cuidados de saúde, onde se aposta nos Cuidados de Saúde Primários, ou
seja, de proximidade, descentralizados e, sobretudo, preventivos.
Os governos regionais de então (entre 1976 e 1984) manifestam essas orientações nos
seus programas de governo e reconhecem a necessidade de criar incentivos à fixação
de profissionais de saúde na área da medicina, bem como fomentar a formação de mais
profissionais de saúde. Reconhecem ainda carências de resposta em diferentes ilhas, o
que implicava a necessidade de mobilizar a deslocação de especialistas.
Recorde-se, ainda, que em 1979 (Lei nº56/79 de 15 de setembro) é criado o Sistema
Nacional de Saúde, cuja paternidade reconhecida está ligada a António Arnaut, que
atribuiu a centelha da sua criação ao Movimento das Carreiras Médicas em 1961. Refira-
se que, nas palavras de António Arnaut foi, sobretudo, a sua teimosia que permitiu
concretizar este projeto, já que em termos políticos foram vários os obstáculos que teve
de enfrentar para o fazer aprovar na Assembleia da República.
Entretanto, nos Açores, davam-se os primeiros passos na construção do Serviço
Regional de Saúde, transformando os antigos Hospitais distritais em Hospitais regionais,
e apostando nos Centros de Saúde como unidades prestadoras de Cuidados Primários
de Saúde, de base concelhia.
Pretendia-se, desta forma, reduzir as desigualdades geográficas e socioeconómicas no
acesso à prestação de cuidados, preservando os hospitais para uma prática mais
diferenciada onde se deveriam concentrar os meios técnicos, nomeadamente, os
especialistas, os equipamentos e as técnicas terapêuticas mais específicas.
75
Apesar da reestruturação da resposta de saúde na região, continuavam a faltar
respostas especializadas nas diferentes ilhas, e havia necessidade de assegurar uma boa
relação entre os diferentes níveis de cuidados.
O quadro seguinte (Tabela 8) resume as principais iniciativas, relativas à implementação
de um melhor acesso dos residentes aos serviços de saúde, inscritas nos diferentes
programas de governo33. A síntese apresentada não pretende resumir o capítulo da
Saúde, dos diferentes programas, mas destacar, em cada um, os aspetos que se
prendem com a melhoria do acesso dos cidadãos ao SRS. Optou-se por não repetir as
mesmas propostas, quando estas são transferidas de uma legislatura para outra, mas
apenas assinalar as linhas programáticas mais relevantes em termos da concretização
da melhoria do acesso.
Tabela 8 - Principais iniciativas inscritas na área da Saúde dos programas dos Governos Regionais, com vista ao
Reforço do Acesso dos cidadãos residentes ao SRS (por legislatura) - 1976/80-2016/20
Governo Recursos Humanos Equipamentos Principal estratégia Referência
programática
1976-1980 Diagnóstico da situação da Diagnóstico da realidade Necessidade de integrar
região: poucos técnicos regional: Equipamentos os diferentes serviços de INTEGRAÇÃO DOS
qualificados insuficientes saúde SERVIÇOS
1980-1984 Carências inter-regionais Apostar nos Cuidados de Garantir a prestação de
Fixar Profissionais de saúde Saúde primários serviços a todos
Apostar na formação Garantir ACESSO DE TODOS OS
Fomentar a mobilidade de aprovisionamento de RESIDENTES
especialistas e medicamentos
transferência de doentes
sempre que necessário
1988-1992 Concentração de meios Consolidação dos Centros Descentralizar o SRS em
(especializados e de Saúde como unidades pirâmide, de forma
diferenciados) e técnicas prestadoras de C. articulada; DESCENTRALIZAÇÃO E
terapêuticas nos Hospitais Primários de Saúde com Reduzir as desigualdades REDUÇÃO DAS
base concelhia geográficas e DESIGUALDADES -C.S.
socioeconómicas no PRIMÁRIOS
acesso às respostas do
setor.
1992-1996 Reforçar os mecanismos de Melhoria do sistema de Regulamentar a Lei de MELHORAR O
fixação dos profissionais de informação bases da Saúde. SISTEMA DE
saúde INFORMAÇÃO
FIXAR PROFISSIONAIS
33
Disponíveis na página do governo regional -
http://www.azores.gov.pt/Portal/pt/entidades/pgra/textoImagem/Historico+dos+Governos+Regionais+dos+Acores.htm
76
REGULAMENTAR A LEI
DE BASES
1996-2000 Promover a Apetrechar cada ilha com Criação do novo estatuto PROMOVER A
autossuficiência de cada equipamentos coletivos de do Sistema Regional de AUTOSUFICIENCIA DE
ilha em matéria de acordo com as Saúde CADA ILHA
cuidados essenciais características Garantir a equidade no
demográficas e acesso dos utentes, ESTATUTO DO SRS
geográficas. atenuando os efeitos da
Criação do serviço de descontinuidade
cuidados continuados geográfica
Regulamentar a
deslocação de doentes
inter ilhas.
2000-2004 Regime de fixação de Criação de serviços de Criação da carta de saúde. FIXAR PROFISSIONAIS
profissionais de saúde cuidados continuados
2004-2008 Teleradiologia – Projeto Criação da Saudaçor
piloto de telemedicina Criação do Centro de TELEMEDICINA
Emergência médica e
medicina de catástrofe no
Hospital do Divino Espírito
Santo.
2008-2012 Complementaridade entre Informatização do Serviço Criação do Portal da DESLOCAÇÃO DE
deslocação de especialistas Regional de Saúde saúde. ESPECIALISTAS E DE
e telemedicina; Plano regional de controlo Criação do gabinete de DOENTES,
de infeção; apoio ao doente TELEMEDICINA
Política regional do deslocado; INFORMATIZAÇÃO DO
medicamento Criação do provedor do SRS
doente. POLÍTICA DO
Criação do Vale Saúde MEDICAMENTO
2012-2016 Deslocação de Articulação de serviços ARTICULAÇÃO DE
especialistas; tendo em conta a SERVIÇOS
Apoios à deslocação dispersão geográfica
2016-2020 Regulamentação das Criação dos programas TELEMEDICINA
deslocações e da CIRURGE
telemedicina
Gestão da lista de espera
para Cirurgia
Em termos de produção legislativa, e no que concerne ao acesso de todos os açorianos
aos serviços de saúde, há a destacar os diplomas abaixo elencados.
77
Tabela 9 - Principais diplomas na construção do SRS
1 – Ao nível dos equipamentos Legislação de referência
• Transformação dos hospitais distritais em
hospitais concelhios (S. Miguel, Terceira e DRR 18/81/A de 9 março (Hospitais concelhios)
Faial);
• Criação dos Centros de Saúde; DRR 3/86/A de 24 janeiro (criação dos C. Saúde)
• A transformação dos Hospitais concelhios DLR 7/2008/A de 24 março;
de S. Miguel, Terceira e Faial em Entidades DLR 17/2009/A de 14 outubro;
Públicas Empresariais (Hospitais EPE); DLR 7/2011/A de 22 março;
DLR 2/2014 de 29 de janeiro
DLR 20/2014/A de 30 outubro
DLR 22/2015/A de 18 setembro
• A criação e revisão da Orgânica das DLR 28/99/A de 31 julho (Estatuto do SRS Saúde)
Unidades de Saúde de Ilha, agregando os DRR 5/2011/A de 10 fevereiro – USI Sta. Maria
Centros de Saúde; DRR 26/2011/A de 9 dezembro – USI S. Miguel
DRR 27/2011/A de 15 dezembro – USI Terceira
DRR 2/2011/A de 28 janeiro – USI Graciosa
DRR 25/2006/A de 2 agosto – USI S. Jorge
DRR 16/2003/A de 1 abril – USI Pico
DRR 3/2011/A de 28 janeiro – USI Faial
DRR 19/2010/A de 19 novembro – USI Flores
DRR 20/2010/A de 19 novembro – USI Corvo
• O encerramento dos cuidados DLR 16/2008/A de 12 de junho
hospitalares em Centros de Saúde em ilhas
com Hospital;
• Criação da Rede de Cuidados Continuados
nessas unidades de saúde. Portaria 37/2015 de 31 de março
• Criação da rede de Cuidados continuados DLR 26/2016/A de 28 novembro
Integrados de Saúde mental
2 – Ao nível do sistema regional de saúde
• A criação e revisão do Estatuto DRR 32/80/A de 11 de dezembro
Regional de Saúde DLR 28/99/A de 31 julho
DLR 2/2007/A de 24 janeiro
DLR 1/2010/A de 4 janeiro
DLR 4/2020/A de 22 janeiro
• Criação da Saudaçor DLR 41/2003/A de 6 novembro
• Extinção da Saudaçor DLR 25/2019/A de 15 novembro
• A regulamentação regional da Lei de Lei 48/90 de 24 de agosto
Bases da Saúde DL 185/2002 de 20 de agosto
Lei 95/2019 de 5 de setembro
• A centralização da compra dos
medicamentos para os Centros de DLR nº 41/2003 de 6 novembro 34
Saúde; DRR nº 4/2010/A de 15 fevereiro
34
Ao abrigo das atribuições da Saudaçor (DLR 41/2003 de 6 novembro): art.º 3º - alínea a) Efetuar de forma
centralizada o aprovisionamento para o sector regional da saúde; e tendo por base o
Decreto Regulamentar Regional n.º 4/2010/A
foram efetuados vários contratos públicos de aprovisionamento de medicamentos para os Centros de Saúde.
Com a extinção da Saudaçor – as competências foram transferidas para a D. R. Saúde; conforme refere o texto do
DLR nº 25/2019 de 15 novembro (art.º 4º)
A gestão da Central de Compras da SAUDAÇOR para o setor da saúde na Região Autónoma dos Açores, constituída
pelo Decreto Regulamentar Regional n.º 4/2010/A, de 15 de fevereiro, passa a ser assegurada pela direção regional
com competência em matéria de saúde, mantendo-se em vigor os contratos públicos de aprovisionamento e os
contratos de mandato em execução bem como os procedimentos pré-contratuais em curso.
78
DLR nº 25/2019 de 15 novembro
• Organização e funcionamento dos DLR 28/99/A de 31 de julho
serviços de saúde da RAA DLR 41/2003/A de 6 novembro
DLR 2/2007/A de 24 janeiro
DLR 4/2020/A de 22 janeiro
• As medidas de promoção da fixação DRR 5/2014/A de 17 fevereiro (Regime de atribuição
de profissionais de saúde na Região de incentivos e apoios à fixação aplicável ao pessoal
médico na Região Autónoma dos Açores)
• A informatização dos serviços de Despacho n.º 1186/2013, de 19 de junho35
saúde e articulação entre os
diferentes níveis de prestação de
cuidados
• Prescrição Médica eletrónica Portaria 224/2015 de 27 de julho
• Uniformização da codificação clínica
(C. saúde primários/ (classificação Despacho n.º 1267/2013, de 8 de julho
ICPC-2-E) e C. Saúde hospitalares/
(classificação ICD-9CM).
3 – Ao nível do acesso dos doentes aos cuidados de saúde
• A Regulamentação das deslocações Portaria 15/83 de 19 de abril
dos doentes interilhas e com o Portaria 68/94 de 2 de dezembro
Continente português; Portaria 16/2007 de 29 março
Portaria 66/2010 de 30 de junho
Portaria 28/2015 de 9 de março
• A deslocação de especialistas a ilhas Portaria 4/2014 de 29 de janeiro
sem esses recursos e implementação Portaria 33/2014 de 24 de junho
da telemedicina Portaria 28/2015 de 9 de março
Portaria 110/2015 de 4 de agosto
Portaria 95/2018 de 2 de agosto
• O reforço da formação/qualificação Plano de Formação de 2019 para profissionais do
dos profissionais de saúde. Serviço Regional de Saúde36
• A gestão das listas de espera DLR 19/2009/A de 30 novembro (alterado pelo DLR
cirúrgicas (Programas Vale Saúde e 4/2011/A de 3 de março; posteriormente alterado
CIRURGE) pelo DLR 23/2016/A de 10 novembro.
• Tempos máximos de resposta
garantidos (TMRG) no acesso a Despacho 2762/2017 de 14 novembro
cuidados de Saúde /Carta dos
Direitos de Acesso aos Cuidados de Portaria nº. 166/2015 de 31 de dezembro
Saúde pelos Utentes do Serviço
Regional de Saúde.
• Carta dos Direitos de Acesso aos
Cuidados de Saúde pelos Utentes do Portaria n.º 166/2015, de 31 de dezembro
SRS.
35
“incumbe à Saudaçor S.A. a responsabilidade de promover as medidas necessárias à implementação
do processo clínico nas plataformas informáticas de suporte das instituições do SRS, preconizando ainda
que devem ser assegurados os mecanismos de interligação entre as diferentes unidades prestadoras de
cuidados. A implementação total do processo clínico único deverá ocorrer até final do ano de 2015.”
36
http://www.azores.gov.pt/Portal/pt/entidades/pgra-
gacs/noticias/Plano+de+Forma%C3%A7%C3%A3o+do+Servi%C3%A7o+Regional+de+Sa%C3%BAde+cont
ribui+para+qualifica%C3%A7%C3%A3o+e+fixa%C3%A7%C3%A3o+de+m%C3%A9dicos+nos.htm
79
• Criação do Centro de Oncologia dos DLR 1/2007/A de 24 janeiro
Açores (Prof. Doutor José Conde)
• Criação da Comissão Oncológica Despacho n.º 509/2010, de 17 de Maio
Regional (COR).
• Criação dos Núcleos de Saúde Despacho nº 1822/2015, de 17 de agosto
familiar nas Unidades de Saúde de
Ilha
• Criação da Rede Integrada de DLR nº 13/2008 de 6 de junho
Cuidados Continuados
Portaria nº37/2015 de 31 março
7.1 – PLANOS ESTRATÉGICOS – PLANO REGIONAL DE SAÚDE (2014-2016,
COM EXTENSÃO A 2020)37
No quadro do Plano Regional de Saúde, em vigor (2014-2016, com extensão até 2020),
foram definidas quatro estratégias regionais e as respetivas áreas de intervenção38:
1- Estratégia Regional para a Promoção de Estilos de Vida Saudável e
Prevenção de Comportamentos de Risco, onde se inclui:
• Área de Intervenção na Saúde da Mulher
• Área de Intervenção na Saúde Infantojuvenil
• Área de Intervenção na Promoção da Saúde em contexto Escolar
• Área de Intervenção na Promoção da Saúde Oral
• Área de Intervenção nas Dependências Área de Intervenção nas Doenças
Infeciosas Área de Intervenção na Prevenção de Acidentes
• Área de intervenção na Promoção do Envelhecimento Ativo
2- Estratégia Regional de Combate às Doenças Crónicas, que inclui:
• Área de intervenção na Prevenção e Controlo da Diabetes Mellitus
• Área de Intervenção na Obesidade Área de Intervenção na Hipertensão Área de
Intervenção nas Doenças Respiratórias não infeciosas
• Área de Intervenção na Dor Área de Intervenção nas Doenças Reumáticas
37
Resolução do Conselho do Governo Regional nº133/2014 de 6 de agosto.
38
Plano Regional de Saúde (2014-2016) com extensão a 2020 p. 86 e segs.
http://www.azores.gov.pt/JO/References/2014/14_PlanoRegional%20de%20Saude%202014-
2016_Reda%C3%A7%C3%A3o%20Final.pdf
80
• Área de Intervenção na promoção da Saúde Mental
• Área de Intervenção nos Cuidados Paliativos
• Área de Intervenção nas Doenças Genéticas
3- Estratégia Regional de Combate às Doenças Cérebro cardiovasculares
• Área de Intervenção no AVC e no EAM
4- Estratégia Regional de Combate às Doenças Oncológicas,
• Área de Intervenção na Prevenção da Doença Oncológica
• Área de Intervenção no Tratamento da Doença Oncológica
Da consulta do documento de planeamento em questão, é possível identificar os
objetivos, as ações previstas e os indicadores de resultado calculados por área de
intervenção.
7.1.1– Avaliação dos planos estratégicos
Desde a elaboração do Plano Regional para a Saúde (PRS), apenas foi publicado um
relatório de avaliação - Relatório de Avaliação Intercalar do Plano Regional de Saúde,
datado de Fevereiro 201839. Considerando que o PRS foi objeto de uma extensão a 2020,
é provável que no próximo ano, seja publicado um relatório final sobre a sua execução.
Para além da avaliação apresentada sobre a implementação de todas as medidas
estratégicas, previstas nos planos sectoriais, não foi possível obter informação sobre as
quatro estratégias definidas no Plano Regional, a saber:
• Promoção de estilos de vida saudável e prevenção de comportamentos de risco;
• Combate às doenças crónicas;
• Combate às doenças cérebro-cardiovasculares e
• Combate às doenças oncológicas.
39
http://www.azores.gov.pt/NR/rdonlyres/7F84674B-B647-4AA4-A0D2-
419806BBB8B2/1103690/RelatorioavaliaointercalarPRS_final.pdf
81
Em relação às doenças oncológicas, a publicação do Registo Oncológico dos Açores em
201840, por ocasião dos 20 anos de existência do Centro Oncológico dos Açores (COA),
permite analisar a incidência do cancro na RAA entre 1997 e 2016, por Localização
topográfica (ICD-10) e por ilha.
A par da inexistência de relatórios de execução do PRS por estratégia definida,
encontramos informação dispersa sobre algumas áreas de intervenção, como é o caso
do recente programa criado no domínio da Saúde mental, que tal como os anteriores
visa cumprir as orientações do PRS, neste domínio importante de cuidados, nem sempre
valorizado pelas próprias populações. O programa Espaço para a Saúde mental foi
lançado em Abril de 2019, e visa descentralizar os cuidados de saúde mental, tornando
mais próximos do utente, do cuidador e da comunidade, integrando a saúde mental nos
centros de saúde e hospitais, em linha com o que é preconizado no Plano Regional de
Saúde, segundo palavras do Diretor Regional da Saúde.41 Segundo a mesma fonte, “a
operacionalização desta estratégia passa pela criação de grupos de trabalho nas nove
Unidades de Saúde de Ilha para o planeamento, implementação, monitorização e
avaliação do projeto”. Aquando da apresentação deste Programa, o Diretor Regional de
Saúde revelou que será aplicado na Região, o Plano Nacional de Prevenção do Suicídio42,
no âmbito dos cuidados de Saúde primários.
Não podemos ignorar que a existência de comportamentos autolesivos e atos suicidas
representam um grave problema de saúde pública (Plano nacional de Prevenção do
Suicídio).
Recorde-se a propósito, que a taxa de suicídio nos Açores, particularmente entre os
homens é das mais altas do país. No relatório da Primavera de 2016 (p.68), referia-se
40
http://www.azores.gov.pt/NR/rdonlyres/34F65AF3-B9F5-4969-B18E-
25225E6C81FD/1105554/Relatorio_Vinte_Anos_de_Registo_Oncologico_nos_Aco.pdf
41
http://www.azores.gov.pt/Portal/pt/novidades/Novo+programa+Espa%C3%A7o+para+a+Sa%C3%BAd
e+Mental+aposta+em+a%C3%A7%C3%B5es+desde+a+preven%C3%A7%C3%A3o+%C3%A0+reinser%C3
%A7%C3%A3o.htm
42
O Plano Nacional de Prevenção do Suicídio foi criado para vigorar entre 2013 e 2017,
(http://nocs.pt/wp-content/uploads/2016/03/Plano-Nacional-Prevencao-Suicidio-2013-2017.pdf), no
entanto a sua execução esteve parada, tendo a Direção Geral de Saúde afirmado em Abril 2019 que iria
reativar as medidas preconizadas nesse plano.
82
inclusive que este indicador na RAA, atingia particularmente os jovens (15-24 anos). Já
no relatório da Primavera de 2014 (p.38), a referência aos Açores apontava como mais
significativa a taxa de suicídio entre os mais velhos (a partir dos 75 anos), com valores
de 32,9 em 2010 e 24,1 em 2011. Não tendo tido acesso a esta informação por grupo
etário, podemos, no entanto, validar a relevância deste indicador, através dos dados
publicados pelo INE, ao nível da taxa de mortalidade padronizada por lesões
autoprovocadas intencionalmente (suicídio).
Os gráficos seguintes mostram a relevância deste fenómeno na RAA, quando comparada
com a média nacional (Fig. 37).
Figura 37 - Taxa de mortalidade padronizada por lesões autoprovocadas intencionalmente (suicídio) por 100 mil
habitantes (nº) por local de residência (NUTS 2013) – Total (HM) – RAA e Portugal
16
14
12
10
8
6
4
2
0
2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017
Portugal 6,8 7,8 7,9 7,8 8,2 7,7 7,9 7,8 9,1 8,2 7,2 7,9
RAA 9 11 11,5 11,4 9,3 14,4 11,6 9,4 13,3 10,5 12,6 9,5
Fonte: INE43
Uma análise por sexo permite verificar a discrepância deste fenómeno entre homens e
mulheres. Enquanto a taxa de suicídio masculina na RAA é muito superior à média
nacional, no caso feminino está abaixo do valor nacional. (Fig.38)
43
https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_indicadores&indOcorrCod=0003795&context
o=bd&selTab=tab2
83
Figura 38- Taxa de mortalidade padronizada por lesões autoprovocadas intencionalmente (suicídio) por 100 mil
habitantes (nº) por local de residência (NUTS 2013) – homens e mulheres – RAA e Portugal
30
25
20
15
10
5
0
2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017
Portugal H 11,4 12,4 13,1 13,1 13,4 12,9 13,8 13,1 14,8 13,6 12,1 12,6
Portugal M 2,8 3,9 3,5 3,1 3,4 3,3 2,9 3,3 4,2 3,6 3,1 3,9
R.A. Açores H 16,7 17,9 21 18,7 18,1 25,3 18,1 17,6 23,5 19 23,4 17,7
R.A. Açores M 1,5 3,9 2,3 3,7 0,9 4,7 5,2 2,4 3,7 2,7 2,6 2,3
Fonte: INE
De acordo com uma notícia, baseada na agência noticiosa Lusa44, relacionada com a
criação do “Espaço para a Saúde Mental”, o presidente do Governo Regional terá
anunciado, a 22 de novembro 2019 que:
“O apoio domiciliário vai passar a incluir cuidados de saúde mental, em toda a região,
estimando-se a entrada em vigor da medida até ao final de 2020.
A medida insere-se no programa "Espaço para a Saúde Mental" e "o objetivo é que os
cuidados domiciliários tenham esta componente de saúde mental, até final do próximo
ano", explicou Vasco Cordeiro.”
"Seguindo as recomendações da Organização Mundial de Saúde, vamos implementar, no
primeiro trimestre do próximo ano, aqui na Unidade de Saúde de Ilha de São Miguel, à
semelhança do que já fizemos noutras, uma equipa comunitária de saúde mental. Esta
equipa trabalhará em estreita colaboração com os serviços de psiquiatria do hospital, com
os institutos hospitalares da região e com a medicina familiar", completou o governante.
Ainda no final de 2019. (Outubro), a comissão Regional de Acompanhamento e avaliação
dos Serviços de Saúde mental, criada em 2007, foi renovada na sua composição.
Conforme se pode ler num comunicado publicado na página do Governo45,
44
https://rr.sapo.pt/2019/11/22/pais/saude-mental-incluida-nos-servicos-de-apoio-domiciliario-nos-
acores/noticia/172705/
45
http://www.azores.gov.pt/Portal/pt/entidades/srs/noticias/Comiss%C3%A3o+Regional+de+Acompan
hamento+e+Avalia%C3%A7%C3%A3o+dos+Servi%C3%A7os+de+Sa%C3%BAde+Mental+tem+nova+com
posi%C3%A7%C3%A3o.htm
84
A Comissão Regional de Acompanhamento e Avaliação dos Serviços de Saúde Mental foi criada pelo Decreto
Legislativo Regional n.º 5/2007/A, que aprova os princípios orientadores da organização, gestão e avaliação
dos serviços de saúde mental da Região.
Compete a esta comissão pronunciar-se sobre a criação, modificação ou extinção de qualquer serviço,
unidade, valência clínica ou psicossocial na área da saúde mental, propor medidas de coordenação e
execução das atividades de instituições e serviços, colaborar na elaboração do Plano Regional de Saúde,
planos setoriais e programas no âmbito da saúde mental.
Emitir parecer sobre políticas de saúde mental a implementar na Região e avaliar a qualidade dos cuidados
em saúde mental prestados na Região são outras competências desta comissão.
O Plano Regional de Saúde 2014-2020 define a saúde mental como base de um desenvolvimento
equilibrado durante a vida, salientando o seu importante papel nas relações interpessoais, vida familiar e
integração social, sendo um fator importante de inclusão social, bem como de plena participação
comunitária e económica.
As perturbações mentais, se não forem tratadas, implicam um elevado preço ao nível do sofrimento,
invalidez e perda económica.
O Governo Regional compromete-se, através do seu programa, a garantir a todos os cidadãos o acesso aos
cuidados de saúde de forma equitativa, com garantias de qualidade e de sustentabilidade.
O aumento da esperança média de vida e o consequente envelhecimento das populações são responsáveis
pelo crescimento de doenças crónicas, degenerativas e também mentais.
Por esse motivo, é fundamental garantir a boa articulação entre os diversos níveis de cuidados e as redes
existentes, promovendo a integração da saúde mental nos cuidados de saúde primários e consolidando
parcerias com unidades do setor privado
Outros programas e campanhas tiveram lugar, desde a publicação do PRS,
nomeadamente:
• Campanha para incentivar a suplementação em iodo na população em geral
através de panfletos e vídeo na televisão, consumo de “sal iodado” (2015-2016).
Nesse sentido foi emanada uma Circular Normativa (nº18, de 30 de julho 2014),
por parte da Direção Regional de Saúde sobre a substituição do sal não iodado
por sal iodado, para todos os serviços dependentes da Secretaria Regional da
Saúde, que tenham serviço de cantina/refeitório/bar.
• Programa regional da saúde oral (criado em 2002) objeto de atualização entre
2009 e 2012. De acordo com notícias publicadas, a região Açores foi considerada
(pelo secretário da saúde em 2011) uma região pioneira por ter colocado
médicos dentistas nos Centros de Saúde e criado, em 2005, o Boletim Individual
de Saúde Oral. No relatório intercalar de avaliação do Plano Regional de saúde
(2018) é referido que, em 2016 foi disponibilizada a todas as crianças com três
85
anos uma escova dentária e o Boletim Individual de Saúde Oral (BISO), no âmbito
da promoção da saúde oral das crianças dos 3 aos 6 anos.
o De acordo com o mesmo relatório, em 2016, existiria pelo menos um
médico dentista em todas as Unidades de saúde de ilha, incluindo o
Corvo, e terão sido realizadas nesse ano 39686 consultas e 2829 BISOs
distribuídos.
Como se depreende da análise apresentada, não existem relatórios de avaliação
específicos por estratégia de intervenção, com dados atualizados e sobretudo, com
resultados das medidas implementadas, que possam ser cruzados com a alteração dos
indicadores de morbilidade que, como vimos anteriormente, tem revelado alguma
redução de mortes no domínio das doenças do aparelho circulatório, o mesmo não
acontecendo nas mortes por tumores malignos, cuja tendência tem sido de aumento.
Por esse facto iremos aprofundar alguma informação sobre os dados publicados pelo
Centro Oncológico dos Açores.
7.1.2 - O Centro Oncológico dos Açores
Face à relevância das doenças oncológicas como causa de morte e ao facto de existir na
RAA um Centro Oncológico, importa conhecer melhor esta Unidade.
O Centro de Oncologia dos Açores (COA), foi criado por Decreto Legislativo Regional em
1979 (nº7/79/A de 24 de abril), mas só em 2007 surgiu a lei orgânica que define a sua
organização (Decreto Legislativo Regional nº12/2007/A). Até 2015, o COA funcionou
com uma comissão instaladora. Com o DRR nº9/2015/A de 24 de abril, foi revista a lei
orgânica de 2007 e revogado o DRR nº1/2007/A de 24 de janeiro.
No quadro legislativo atual, o COA tem como atribuições (artº 3º do DLR nº9/2015/A de
24 de abril):
a) Promover o diagnóstico precoce das doenças oncológicas, utilizando, para o efeito, os seus
próprios recursos, ou estabelecendo parcerias e protocolos com as demais instituições do SRS
ou com entidades privadas prestadoras de cuidados de saúde;
b) Conceber, coordenar e desenvolver programas de rastreio organizado, de base populacional;
c) Conceber, desenvolver e participar em programas e ações de rastreio oportunista;
86
d) Garantir os procedimentos necessários à execução, coordenação e desenvolvimento do
registo oncológico da Região Autónoma dos Açores (RAA);
e) Desenvolver, em conjunto com a Direção Regional da Saúde (DRS), campanhas direcionadas
para a prevenção oncológica, nomeadamente as campanhas para a cessação tabágica e
promoção de estilos de vida saudáveis;
f) Colaborar na elaboração e desenvolvimento da estratégia regional de combate às doenças
oncológicas;
É no âmbito deste quadro legislativo que se define como competências do Conselho de
Administração deste Centro, a produção de um relatório anual de atividades, o que
explica o início da produção de dados, tendo por base os rastreios realizados, conforme
a missão afeta a este centro e definido no artigo 3º do DRR nº9/2015/A de 24 de abril:
“promover o diagnóstico precoce das doenças oncológicas, nomeadamente através do rastreio
prescritivo/oportunístico e dos programas organizados de rastreio, de base populacional”;
executar e coordenar o Registo Oncológico na RAA (RORA) e Colaborar na elaboração e
desenvolvimento da estratégia regional de combate às doenças oncológicas”
De acordo com os dados publicados pelo COA, no relatório publicado em 2018 (Registo
oncológico regional dos Açores/RORA) que celebra 20 anos do Registo Oncológico nos
Açores46, a RAA registou “entre 1997 e 2016 um total de 19230 novos casos de cancro,
dos quais 11367 nos homens (59% do total) e 7863 nas mulheres (41%) dando origem a
uma média de 962 novos casos por ano” (RORA, 2018:12).
14 REGISTO ONCOLÓGICO NOS AÇORES
Figura 39 – os 10 cancros mais frequentes – homens – RAA – 1997-2016
FIGURA 1. Os dez cancros mais incidentes nos homens,
por número de novos casos (A) e taxas padronizadas de incidência (B).
REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES 19972016
A B
Fonte: Figura retirada do Relatório 20 anos do RORA -2018:14
46
zores.gov.pt/NR/rdonlyres/34F65AF3-B9F5-4969-B18E-
25225E6C81FD/1105554/Relatorio_Vinte_Anos_de_Registo_Oncologico_nos_Aco.pdf
87
As doenças oncológicas mais frequentes nos homens foram as da próstata (Fig. 39)
(2255 novos casos, correspondendo a uma taxa de incidência padronizada de 99,4 por
100.000), pulmão (2184, 97.8), cólon e reto (1027, 45.2), estômago (709, 31.4) e bexiga
(696, 30.7).
Segundo o mesmo relatório, nas mulheres as doenças oncológicas mais frequentes
foram da mama (2204 novos casos correspondendo a uma taxa de incidência
padronizada de 83,3 por 100000), cólon e reto (890, 30.1), corpo do útero (480, 17.5),
estômago (374, 12.3) e tiróide (339, 13.4) (fig.40).
REGISTO ONCOLÓGICO NOS AÇORES
15
Figura 40- Os dez casos mais frequentes de cancro nas mulheres – 1997-2016
FIGURA 2. Os dez cancros mais incidentes nas mulheres,
por número de novos casos (A) e taxas padronizadas de incidência (B).
REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES 19972016
A B
Fonte: Fig. Retirada do Relatório – 3.
FIGURA 20Número
anos do RORA,casos,
de novos 2018:15
por sexo e grupo etário.
REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES 19972016
Dos dados acima referidos, podemos concluir a relevância das campanhas de prevenção
diferenciadas segundo o sexo, incidindo nas principais causas associadas ao cancro do
88
15
aparelho respiratório e FIGURA
da próstata, nosmais
2. Os dez cancros homens
incidentesenas
damulheres,
mama, cólon e reto e útero,
por número de novos casos (A) e taxas padronizadas de incidência (B).
particularmente para as mulheres.
REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES 19972016
Como temos vindo a destacar, as determinantes da saúde – género e idade – tem um
papel fundamental na compreensão das patologias que mais afetam a população
residente nos Açores.
No caso da oncologia, é evidente a importância do género, não apenas da diferença
biológica que explica a incidência da doença oncológica, mas sobretudo, ao nível da
prevenção, da vigilância e do estilo de vida no masculino e no feminino, incluindo a
frequência com que acedem ao serviço regional de saúde.
Olhando os dados do relatório que temos vindo a citar, produzido pelo COA, verificamos
a relevância da população mais idosa, particularmente entre os doentes do sexo
masculino. (fig.41).
A B
Figura 41 - Novos casos por sexo e grupo etário - 1997-2016
FIGURA 3. Número de novos casos, por sexo e grupo etário.
REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES 19972016
Fonte: Fig. Retirada do Relatório – 20 anos do RORA, 2018:15
Taxas de incidência padronizada, frequências e médias anuais, por ilha
Tendo por referência as dez patologias oncológicas mais contabilizadas na RAA,
podemos verificar através dos dados publicados no Relatório dos 20 anos do RORA que,
89
esses dez tipos de cancro explicam mais de 70 % dos casos em cada ilha, exceção do
Corvo onde apenas representam 50% dos registos.
Quanto à distribuição por ilha, o gráfico seguinte (Fig.42) permite-nos verificar que, na
ilha do Pico o cancro da próstata representa a percentagem mais significativa (35,3%)
quando comparada com as outras ilhas. Já em termos do cancro da traqueia, os números
registados no Corvo (28,6%) destacam esta ilha, seguida da Graciosa (15,9%).
Figura 42 - Principais cancros nos homens - por ilha - 1996-2016 (%)
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0 Santa Maria São Miguel Terceira Graciosa São Jorge Pico Faial Flores Corvo
lábio 4,3 2,6 2,7 2,2 1,1 2,1 4,1 1,8 0
rim 2,9 3,4 4,1 2,7 2,2 2,8 5,1 6,2 0
pâncreas 3,6 4 4,8 3,3 3 1,9 4,2 1,8 14,3
linfoma não Hodgkin 2,2 4 4,6 3,3 4,1 5,8 4,4 2,7 0
laringe 6,5 4,3 4,9 3,3 4,1 4,1 3,7 8,8 0
bexiga 5,8 5,5 2,6 0,5 2,4 4,9 3,4 7,1 0
estômago 8,6 5,5 4,3 6,6 2,2 4 3 0,1 0
cólon e reto 7,9 5,2 6,6 8,8 10,8 5,8 6,5 5,3 0
traqueia, brônquios e pulmão 7,9 11,5 11,4 15,9 12,4 9,6 10,2 9,7 28,6
próstata 15,8 26,2 29,4 28,6 31,4 35,3 29,5 31 7,1
Fonte: Relatório dos 20 anos do RORA, 2018:17-25
No caso das mulheres, a distribuição das dez patologias oncológicas mais frequentes na
Região mostra-nos uma % mais significativa de cancros da mama na ilha do Pico (35,3%)
quando comparada com as outras ilhas. O Corvo regista uma percentagem bastante
significativa, no total dos cancros identificados em mulheres, da patologia do cólon e
reto (28,6%). e colo do útero (14,3%)
90
Tal como verificamos no caso masculino, as dez principais patologias oncológicas,
sinalizadas pelo RORA, representam cerca de 70% da totalidade dos casos registados,
exceção do Corvo, onde somam 50% do total.
Figura 43 - Distribuição das dez principais patologias oncológicas nas mulheres -por ilha – 1996-2016
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0 Santa Maria São Miguel Terceira Graciosa São Jorge Pico Faial Flores Corvo
pâncreas 4,3 2,6 2,7 2,2 1,1 2,1 4,1 1,8 0
ovário 2,9 3,4 4,1 2,7 2,2 2,8 5,1 6,2 0
cólo do útero 3,6 4 4,8 3,3 3 1,9 4,2 1,8 14,3
linfoma não Hodgkin 2,2 4 4,6 3,3 4,1 5,8 4,4 2,7 0
traqueia, brônquios e pulmão 6,5 4,3 4,9 3,3 4,1 4,1 3,7 8,8 0
tiróide 5,8 5,5 2,6 0,5 2,4 4,9 3,4 7,1 0
estômago 8,6 5,5 4,3 6,6 2,2 4 3 0,1 0
corpo do útero 7,9 5,2 6,6 8,8 10,8 5,8 6,5 5,3 0
cólon e reto 7,9 11,5 11,4 15,9 12,4 9,6 10,2 9,7 28,6
mama 15,8 26,2 29,4 28,6 31,4 35,3 29,5 31 7,1
Fonte: Relatório dos 20 anos do RORA, 2018:17-25
7.2 – ORÇAMENTOS REGIONAIS – ÁREA DA SAÚDE47
Uma vez identificadas as linhas orientadoras da política de saúde na RAA, importa aferir
em que medida as ações previstas se traduziram em investimento, no quadro dos
orçamentos regionais.
Os dados apresentados incluem as verbas orçamentadas e as executadas, de acordo
com os documentos publicados no site do governo regional.48
47
http://www.azores.gov.pt/Portal/pt/entidades/vp-drot/textoTabela/Conta_da_RAA.htm
48
http://www.azores.gov.pt/Portal/pt/entidades/vp-drot/textoTabela/Boletim.htm
91
O gráfico seguinte (Fig.44) mostra-nos como, em termos de valor médio, o Serviço
Regional de Saúde49 tem representado cerca de 18,1% dos orçamentos anuais da
Região.
De acordo com os dados publicados nos orçamentos dos últimos 18 anos, o período em
que a proposta de investimento foi maior corresponde à legislatura 2012-2016. Desde
então houve um claro desinvestimento nesta rubrica do orçamento afeto à Secretaria
Regional de Saúde, sendo que, em 2020, a % correspondente é inferior à registada em
2002.
Figura 44 - Despesa orçamentada para o SRS (euros) e % da despesa com o SRS no total do orçamento regional
(2002 a 2020)
350000000 25,00
300000000
20,00
250000000 18,1%
200000000 15,00
150000000 10,00
100000000
5,00
50000000
0 2002 0,00
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
Serviço Reg. Saúde % SRS
Fonte: Orçamentos regionais
Se considerarmos os dados publicados nos orçamentos regionais, no quadro referente
à distribuição das despesas por área funcional (Fig.45), a tendência é semelhante, apesar
de o valor médio ser ligeiramente superior (19,71% do total do orçamento).
49
Desde 2009 a designação do Departamento deixou de englobar a Saúde e a Solidariedade Social
(Secretaria Regional dos Assuntos Sociais) e passou a designar-se Secretaria Regional da Saúde.
92
Figura 45 - Despesas orçamentadas na Função Saúde (euros) e % dessa função no total do Orçamento Regional -
2002 - 2020
400000000 30,00
350000000
25,00
300000000
20,00 19,7%
250000000
200000000 15,00
150000000
10,00
100000000
5,00
50000000
0 2002 0,00
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
Saúde/função %Função Saúde
Fonte: Orçamentos regionais
Apesar da redução verificada nos últimos anos, o sistema regional de saúde continua a
privilegiar a opção política de “reforçar um sistema público que garanta o acesso à saúde
a todos os cidadãos em condições de equidade ou dar prioridade à redução do
investimento público no sistema e à privatização e liberalização do sector.” (Nunes, J.A.,
2012:83)
Recorde-se nesse sentido a introdução das taxas moderadoras em 2011 (DRR 16/2011/A
de 28 de junho) que pretendiam a introdução de uma moderação do acesso a serviços
públicos “a fim de desincentivar os “abusos” ou usos indevidos ou injustificados destes”
(Nunes, J. A. 2012:80). O que na realidade não parece refletido, no ano ou mesmo nos
anos subsequentes, em termos de redução da verba investida pelo Estado/Governo
Regional no Serviço Regional de Saúde.
Recentemente foi publicada uma alteração ao Estatuto Regional de Saúde (DLR
4/2020/A de 22 de janeiro) onde se reconhece que “as taxas moderadoras são uma
forma de copagamento que transfere para o utente mais um encargo no financiamento
dos serviços de saúde, e representam mais uma despesa no orçamento familiar, sendo
um obstáculo no acesso à prestação de cuidados de saúde”. O referido diploma defende
93
que a “Região Autónoma dos Acores deve garantir um melhor e mais fácil acesso aos
cuidados de saúde primários e nas restantes prestações de saúde, sempre que a origem
de referenciação seja o Serviço Regional de Saúde, dando assim um passo para
eliminação de todas as taxas moderadoras, num futuro próximo”.
Como explicar então a redução percentual do valor afeto ao sistema regional de saúde,
tendo por base o valor global do orçamento regional, que ocorre a partir de 2015?
Por ventura está em causa um conjunto alargado de convenções estabelecidas com o
setor privado de prestação de cuidados de saúde que foram, temporariamente,
suspensas por despacho da Secretária Regional de Saúde, conforme notícia publicada
no portal do Governo50:
“A Secretaria Regional da Saúde suspendeu a prestação de cuidados de saúde realizada
através de convenções celebradas pelos hospitais e unidades de saúde de ilha com
entidades privadas e sociais com o objetivo de prevenir e limitar a propagação da
infeção pelo novo coronavírus nos Açores.
O despacho assinado por Teresa Machado Luciano determina como exceção as
situações clínicas comprovadamente urgentes e inadiáveis, bem como a convenção na
área da radioterapia.
As situações excecionais devem ser justificadas pelo médico do Serviço Regional de
Saúde que acompanha o utente e confirmadas pelo Diretor Clínico da Unidade de Saúde.
O despacho entrou hoje em vigor e deverá manter-se durante a situação de
contingência ou fase posterior prevista no Regime Jurídico do Sistema de Proteção Civil
da Região Autónoma dos Açores.”
Esta decisão foi posteriormente revogada a 4 de Maio 2020, como refere nota do
governo:
50
http://www.azores.gov.pt/Portal/pt/entidades/srs/noticias/Governo+dos+A%C3%A7ores+suspende+con
ven%C3%A7%C3%B5es+na+%C3%A1rea+da+sa%C3%BAde.htm
94
“Numa nota enviada hoje às redações, o Governo dos Açores adianta que foi
estabelecido o calendário "para a retoma das atividades de prestação de
cuidados realizadas ao abrigo de convenções com o Serviço Regional de Saúde e
de medicina dentária, estomatologia e odontologia, bem como da atividade
clínica privada das especialidades médicas de estomatologia, oftalmologia e
otorrinolaringologia".
“Serão retomadas as atividades de cuidados de saúde a partir das 00:00 de
quarta-feira em Santa Maria, Flores, Corvo, Terceira, Faial, Pico e São Jorge, a
partir das 00:00 de 17 de maio na Graciosa e a partir das 00:00 de 22 de maio em
São Miguel.”51
A transferência dos cuidados de saúde para o domínio dos privados, mesmo que
convencionada, responde à carência do sistema público em determinadas áreas clínicas,
mas pode ter um impacto no recurso ao privado, por parte do cidadão que, não
encontrando resposta atempada na administração pública, acaba por pagar parte
desses cuidados, sobretudo, quando se prolongam no tempo, para além do plano
convencionado.
Analisando os dados nacionais, verifica-se um aumento do esforço das famílias no
pagamento das despesas com cuidados de saúde, conforme podemos verificar no
gráfico (Fig. 46), passando de 25% em 2000 para 27,4% em 2018, acrescido de outras
fontes privadas de financiamento (6,2%), nomeadamente seguros, instituições privadas
de solidariedade. De acordo com os dados publicados (PORDATA), a administração
pública assegurava em 2018, 66,5% das despesas em Saúde, quando em 2000 a % era
de 70,5 (Fig.46).
51
https://www.rtp.pt/noticias/pais/acores-retomam-gradualmente-nas-nove-ilhas-prestacao-de-cuidados-
de-saude_n1225832
95
Figura 46 - Agentes financiadores da despesa corrente em cuidados de saúde (Portugal) - 2000 - 2018 (%)
100%
90% 25,0
80%
70% 27,4
60%
50% 6,2
40% 70,5
30%
20%
10% 66,5
0%
2000
2001
2005
2002
2006 2007 2008
2003
2009 2010 2011
2004
2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
% adm pública outros privados % privado/famílias
Fonte: PORDATA52
Como refere um responsável pela OMS, “os gastos com saúde não são um custo, são
investimentos para a redução da pobreza, (geração de) empregos, produtividade,
crescimento econômico inclusivo e sociedades mais saudáveis, seguras e justas.”
(Tedros Adhanom Ghebreyesus/OMS53 . Nesse sentido, importa aprofundar as razões
do decréscimo da importância atribuída às despesas com a Saúde, no quadro das
orientações políticas orçamentadas nos últimos anos, na Região Autónoma dos Açores.
Contrariando a tendência decrescente, no investimento na saúde, registada nos últimos
orçamentos, incluindo o de 2020, o Governo Regional, perante os impactos da Pandemia
provocada pela Covid19, na Região Autónoma dos Açores desde Março 2020, fez
aprovar, em sede da Assembleia Legislativa (junho 2020) um Orçamento Suplementar54,
no qual prevê um acréscimo de verba para o Serviço Regional de Saúde.
52
https://www.pordata.pt/Portugal/Despesa+corrente+em+cuidados+de+sa%C3%BAde+total+e+por+tip
o+de+agente+financiador-2959
53
https://nacoesunidas.org/despesas-particulares-com-saude-levam-100-milhoes-de-pessoas-a-pobreza-
extrema-por-ano-no-mun
54
A 29 de junho 2020, e na sequência dos impactos da Pandemia Covid19, o Governo Regional apresentou
ao Parlamento Regional um orçamento suplementar que prevê uma verba de 95,1 milhões de euros para
o Serviço Regional de Saúde.
96
Segundo a nota do GACS55:
“80 milhões destinam-se ao reforço do funcionamento do Serviço Regional de
Saúde e mais de 14 milhões ao reforço do seu plano de investimentos; (...) e o
reforço de um milhão de euros, no âmbito de um programa mais vasto de
informatização do Serviço Regional de Saúde, que terá uma dotação total de
mais de 3,5 milhões de euros”. Refere ainda o comunicado que “está também
previsto um reforço do Vale Saúde de 1,5 milhões de euros, que acresce à
dotação inicial de cerca de 500 mil euros, passando para cerca de dois milhões
de euros.” (...) “Para o programa CIRURGE, de recuperação de cirurgias, o
Presidente do Governo anunciou um reforço de cerca de 1,5 milhões de euros,
ascendendo a um total de 2,4 milhões de euros.”
55
http://www.azores.gov.pt/Portal/pt/entidades/pgra/noticias/Servi%C3%A7o+Regional+de+Sa%C3%BA
de+com+refor%C3%A7o+de+95+milh%C3%B5es+de+euros+anuncia+Vasco+Cordeiro.htm
97
8. Serviços de saúde na Região Autónoma dos Açores (1969-
2018)
O presente capítulo pretende identificar os recursos em saúde existentes na RAA,
considerando por um lado os equipamentos de saúde (com ou sem internamento) e,
por outro, os recursos humanos (Médicos, Enfermeiros).
No primeiro ponto, não existindo uniformização de critério na identificação dos
estabelecimentos de saúde antes de 1985, optou-se por restringir os dados aos anos de
1985 a 2018, uma vez que, nas décadas anteriores, não há uma identificação clara do
que são hospitais, centros de saúde com ou sem internamento.
8.1 – A LOCALIZAÇÃO DOS SERVIÇOS DE SAÚDE NA RAA
A RAA possui desde sempre uma rede alargada de equipamentos de saúde, sedeados
nos vários concelhos dos Açores (Fig. 39).
Figura 47 - Equipamentos de Saúde na RAA (Hospitais, Centros de Saúde com e sem internamento e Casas de Saúde
e Clínicas Particulares) - 1985 - 2018
14
13
12
10
9
8 8
6
5
4 4
3
2 2
0
1985 1987 1990 1995 2000 2003 2005 2010 2015 2018
Hospitais Casas de Saúde e clínicas particulares
Centros de Saúde com internamento Centros de Saúde sem internamento
Fonte: SREA – Séries estatísticas
98
Analisando a distribuição dos equipamentos de saúde pelas diferentes ilhas dos Açores,
verificamos uma certa estabilidade na resposta instalada, particularmente ao nível
hospitalar.
Na resposta de Centro de Saúde, há a registar algumas alterações nos anos de 2003,
2011, 2015 e 2018, resultantes da legislação que reorganiza o SRS.
Em 2003, um dos centros de saúde da Ilha Terceira encerrou a vertente “internamento”,
o que também se verificou em três dos centros de saúde de S. Miguel em 2011. Ainda
neste ano, o Corvo passou a contar com um centro de saúde com internamento.
Finalmente em 2018, há a registar o encerramento da vertente “internamento” do
Centro de Saúde das Lajes do Pico, passando a existir dois centros de saúde com
internamento naquela ilha
Tabela 10 - Equipamentos de Saúde na RAA/ilha (Hospitais, Centros de Saúde com e sem internamento e Casas de
Saúde e Clínicas privadas) - 1985-2018
1985 1987 1995 2003 2005 2011 2015 2018
S. Miguel 1 1 1 1 1 1 1 1
Terceira 1 1 1 1 1 1 1 1
Hospitais Faial 1 1 1 1 1 1 1 1
Casas de Saúde e S. Miguel 0 2 3 3 3 3 3 3
clínicas particulares Terceira 2 2 2 2 2 2 2 2
Sta. Maria 1 1 1 1 1 1 1 1
S. Miguel 4 4 4 4 4 0 0 0
Terceira 1 1 1 0 0 0 0 0
Graciosa 1 1 1 1 1 1 1 1
São Jorge 2 2 2 2 2 2 2 2
Pico 3 3 3 3 3 3 3 2
Faial 1 1 1 1 1 1 1 1
Centros de Saúde com Flores 1 1 1 1 1 1 1 1
internamento Corvo 0 0 0 0 0 1 1 1
Sta. Maria 0 0 0 0 0 0 0 0
S. Miguel 2 2 2 2 2 2 5 5
Terceira 1 1 1 2 2 2 2 2
Graciosa 0 0 0 0 0 0 0 0
São Jorge 0 0 0 0 0 0 0 0
Pico 0 0 0 0 0 0 0 1
Faial 1 1 1 1 1 1 1 1
Centros de Saúde sem Flores 0 0 0 0 0 0 0 0
internamento Corvo 0 0 0 0 0 0 0 0
Fonte: SREA/Séries estatísticas
A tabela 11 localiza os Hospitais e Centros de saúde, em cada uma das ilhas (mapa).
99
Tabela 11 - Localização dos Equipamentos de Saúde da RAA/ilha
Ilha de Sta. Maria 1 unidade de
saúde com
internamento
Centro de Saúde
Unidade de Saúde de Ilha de Santa Maria
Ilha de São Miguel USISM
Extensões/Unidades
1 Hospital EPER de Saúde - CSPD
Água de Pau
Arrifes
Cabouco
Candelária
Capelas
Covoada
Fajã de Baixo
Hospital do Divino Espírito Santo (HDES)
Fajã de Cima
Fenais da Luz
Feteiras
5 Centros de Ginetes
Saúde sem Lagoa
Livramento
internamento (1 Matriz
por concelho, Mosteiros
menos Lagoa). Relva
Remédios
Ribeira Chã
Unidade de Saúde de Ilha de S. Miguel (USISM) Sto. António
C. Saúde de Ponta Delgada (CSPD) S. Vicente
Sete Cidades
Extensões/ Unidades
de Saúde - CSP
Água Retorta
Faia da Terra
Furnas
Ribeira Quente
Centro de Saúde da Povoação (CSP)
Extensão/Unidade de
Saúde - CSN
Achada
Centro de Saúde Nordeste (CSN)
Extensões/Unidades
de Saúde - CSRG
Fenais da Ajuda
Lomba da Maia
Maia
Pico da Pedra
Rabo de Peixe
Centro de Saúde da Ribeira Grande (CSRG)
Extensão/Unidade de
Saúde - CSVFC
Ponta Garça
Centro de Saúde de Vila Franca (CSVFC)
100
Terceira 1 Hospital EPER
USIT
Extensões/Unidades
de Saúde – CSAH
Hospital – Santo Espírito da Ilha Terceira Altares, Raminho,
2 centros de saúde Serreta, Doze Ribeiras
e Sta. Bárbara;
sem internamento Cinco Ribeiras, S.
Bartolomeu, S.
Mateus, Terra Chã e
Posto Santo;
S. Sebastião, Porto
Judeu, Feteira e
Ribeirinha;
S. Bento, Conceição, S.
Pedro, Sé e Sta. Luzia.
Unidade de Saúde da Ilha Terceira (USIT) -
Centro de saúde de A. Heroísmo Extensões/Unidades
de Saúde – CSPV
Biscoitos, Quatro
Ribeiras, Agualva e Vila
Nova;
S. Brás, Fontinhas e
Lajes;
Fonte do Bastardo,
Cabo da Praia, Porto
Martins e Sta. Cruz.
Centro de Saúde da Praia da Vitória
Graciosa 1 centro de saúde
com internamento
Centro de saúde da Graciosa
São Jorge
2 centros de saúde
com internamento
Centro de Saúde das Velas
Centro de Saúde da Calheta
101
Pico 1 centro de saúde
sem internamento
Centro de saúde das Lajes (sem
internamento)
2 centros de saúde
com internamento
Centro de Saúde da Madalena
Centro de Saúde de São Roque do Pico
Faial 1 Hospital EPER
USIF
Extensões/unidades
de Saúde
Pedro Miguel,
Hospital da Horta Ribeirinha, Salão e
1 Centro de Saúde Cedros;
Feteira, Castelo
sem internamento
Branco, Capelo e Praia
Revista SPDV 74(4) 2016; Dermatologia na Ilha do Corvo; Maria Goreti Catorze, João Teles de Sousa, José Luís Pinto Faustino.
do Norte;
Artigo Original Praia do Almoxarife e
Flamengos.
Centro de Saúde da Horta
Flores
1 centro de saúde
com internamento
Centro de Saúde de Sta. Cruz
(com internamento)
Anexo 4
1 centro de saúde
sem internamento
(sem imagem disponível para o Centro A execução do projecto foi possível com o envolvimento
das autoridades de saúde regionais e da ilha. Após contacto
de Saúde das Lajes das Flores) Anexo 3
informal com o presidente da Região Autónoma dos Açores,
Dr. Vasco Cordeiro, foram contactados: a Secretaria Regional
da Saúde -Secretário Regional Dr. Luís Cabral e o médico
da ilha do Corvo - Dr. José Pinto Faustino, que desempenha
simultaneamente as funções de médico de família, delegado
Corvo de saúde, director clínico e presidente do conselho de admi-
nistração da Unidade de Saúde. Todos mostraram imedia-
ta disponibilidade para a prossecução do projecto. Não só
1 centro de saúde foi concedida autorização para utilização das instalações do
Centro de Saúde (Fig. 8) como foi também prestada colabo-
ração logística e humana imprescindíveis na realização do
com internamento rastreio.
Elaborámos cartaz informativo do rastreio (Anexo 4) que
foi afixado na Unidade de Saúde e outros locais públicos da
ilha como a farmácia (na época localizada no mesmo edifício
do RIAC-rede integrada de apoio ao cidadão), padaria, etc.
(Fig. 9).
Contámos com a ajuda dos profissionais da Unidade de
Saúde (médico e enfermeira) que foram simultaneamente
convidados a melhorar a sua formação no diagnóstico der-
matológico, bem como do pessoal administrativo e auxiliar
Unidade/Centro de Saúde
Figura 8 - Edifício da Unidade de Saúde do Corvo.
(Fig .10).
366
da Ilha do Corvo
102
Com a criação das Unidades de Saúde de Ilha, algumas passaram a agregar vários
Centros de Saúde. Por sua vez, cada Centro de Saúde possui extensões na sua área
geográfica de cobertura, assegurando consultas e tratamentos, nas localidades mais
afastadas das sedes de concelho.
A extensão de um Centro de Saúde, de acordo com a definição do INE, é uma “unidade
periférica dos Centros de Saúde, situada em local da sua área de influência, tendo em
vista proporcionar uma maior proximidade e acessibilidade dos utentes aos cuidados de
saúde.”
Da análise dos dados anteriores, conclui-se que todas as ilhas possuem uma Unidade de
Saúde, com valência de internamento (de Santa Maria ao Corvo), exceção de São
Miguel, Terceira e Faial, onde esse serviço é assegurado por Hospital.
8.2 – OS RECURSOS HUMANOS NOS SERVIÇOS DE SAÚDE DA RAA
Já foi apresentado anteriormente a evolução do número de Médicos, Enfermeiros e
outros profissionais que constituem o capital humano que, desde a sua criação, foi
construindo o Sistema Regional de Saúde.
Neste ponto iremos detalhar os números referentes às últimas décadas para melhor
compreendermos o quadro atual dos recursos humanos a trabalhar em cada ilha, nos
Centros de Saúde e Hospitais, ao nível de Médicos e Enfermeiros.
8.2.1. - Número total de profissionais nos estabelecimentos de saúde da RAA
Os dados publicados nas Estatísticas de Saúde não permitem detalhar, desde 196956, a
distribuição dos recursos humanos ou dos equipamentos por ilha. Por esse facto,
56
Importa alertar para o facto de as estatísticas de saúde terem alterado o lay out das suas publicações
a a partir de 1984 (deixando de publicar os dados segundo a divisão administrativa dos distritos – P.
Delgada, Angra do Heroísmo e Horta e passando apenas a registar Açores). A partir de 2004, as
publicações regionais, disponibilizadas pelo Serviço Regional de Estatística (SREA) permitem-nos um
maior detalhe quanto à distribuição dos recursos por ilha.
103
optamos por analisar a evolução a nível regional desses recursos, para depois detalhar,
com dados dos últimos anos, a realidade por ilha.
Como foi apresentado anteriormente, entre 1969 e 1984, o sistema de saúde regional
contava com médicos, parteiras, auxiliares de enfermagem e enfermeiros. Estes últimos
foram assumindo progressivamente a prestação de cuidados, em maior número,
desaparecendo a figura da parteira e a da auxiliar de enfermagem, substituídas por
enfermeiros (gerais ou com especialidade materno-obstétrica).
Figura 48 - Número de Médicos em Estabelecimentos de Saúde Públicos (Total, Hospitais e Centros de Saúde com e
sem internamento) - RAA - 1969-2018
600
500
400
300
200
100
0 1969
1971
1973
1975
1977
1979
1981
1983
1985
1987
1989
1991
1993
1995
1997
1999
2001
2003
2005
2007
2009
2011
1013
2015
2017
Médicos Hospitais C. Saúde
Fonte: Estatísticas da Saúde
Da leitura do gráfico anterior (Fig.48), fica evidente a aposta, ao longo do tempo, no
reforço dos recursos humanos em cuidados hospitalares, quer ao nível dos médicos
como dos enfermeiros.
Figura 49- Número de Enfermeiros em Estabelecimentos públicos (Total, Hospitais e Centros de Saúde com e sem
internamento) - RAA - 1969-2018
2000
1500
1000
500
0 1969
1971
1973
1975
1977
1979
1981
1983
1985
1987
1989
1991
1993
1995
1997
1999
2001
2003
2005
2007
2009
2011
1013
2015
2017
Hospitais ou C. Saúde c/ internamento C. Saúde s/ internamento
Total Enfermeiros
Fonte: Estatísticas da Saúde
104
Apesar das orientações internacionais no final dos anos 80 apontarem para a
necessidade de reforço dos cuidados primários, os dados revelam a inflexão no número
de médicos e um crescimento moderado no número de enfermeiros a trabalhar nesse
setor da saúde, ao invés do número de profissionais afetos aos Hospitais. No caso dos
enfermeiros (Fig. 49), apesar da predominância do hospital, há a registar uma tendência
crescente de entrada de profissionais de Enfermagem nos Centros de Saúde, sobretudo,
entre 2014 e 2018.
A aposta de contratação de profissionais para os cuidados hospitalares ou de saúde
primários reflete uma opção política, que em parte pode comprometer a
descentralização do sistema de saúde, nos Centros de Saúde. Ao mesmo tempo, reflete
uma menor valorização das ações preventivas e de educação para a saúde, da
responsabilidade destas Unidades, mais próximas das populações e mais vocacionadas
para o acompanhamento das famílias.
8.2.1 - Recursos humanos na Saúde em Portugal (Médicos e Enfermeiros) no contexto
europeu
Quando se analisa o número de médicos por 100 mil habitantes (Fig. 50), verifica-se que
Portugal está bastante acima da média europeia. No entanto, como referem os autores
Lopes, Castro & Simões (2018:20) “Portugal encontra-se acima das médias da EU e da
OCDE, sendo o quarto país do conjunto de países que compõem a OCDE, com mais
médicos por mil habitantes (OCDE, 2015). Contudo, é de salientar que os valores dos
outros países abrangem médicos que estão no ativo, enquanto que Portugal reporta
médicos que possuem licença para praticar, incluindo registos duplicados, médicos que
já faleceram, que emigraram, que mudaram de profissão e que se reformaram (OCDE,
2015). A OCDE estima que o número real esteja sobrestimado em 30% (OCDE, 2015),
havendo nesta situação 3 médicos por mil habitantes (abaixo da média dos 35 países da
OCDE), no entanto não é apresentada nenhuma documentação ou base teórica que
sustente esse valor”.
105
Figura 50 - Rácio médico por 100 mil habitantes - Europa - 2018
s 700,0
s 600,0 515,0
s 500,0
Pro 378,4
s 400,0
s 300,0
s 200,0
s 100,0
s 0,0 UK - Reino Unido
RO - Roménia
BE - Bélgica
FR - França
SI - Eslovénia
IE - Irlanda
LV - Letónia
HU - Hungria
HR - Croácia
EE - Estónia
SK - Eslováquia
NL - Países Baixos
UE27 (2020) - União…
IS - Islândia
MT - Malta
IT - Itália
ES - Espanha
CZ - República Checa
CY - Chipre
DK - Dinamarca
BG - Bulgária
DE - Alemanha
LT - Lituânia
NO - Noruega
PT - Portugal
AT - Áustria
GR - Grécia
Fonte: PORDATA
Uma leitura deste indicador ao nível dos países da OCDE (Fig. 51), confirma a posição de
Portugal, mais favorável do que a média.
The number
Figura 51 of physicians
- Médicos per capita
por 1000 habitantes - países dahas
OCDE -increased
2000 e 2017
in nearly all OECD countries since 2000
Practising doctors per 1 000 population, 2000 and 2017 (or nearest year)
Notes: 57
Fonte: Health in a Glance, 2019
1. Data refer to all doctors licensed to practice, resulting in a large over-estimation of the number of practising doctors (e.g. of around
30% in Portugal).
2. Data include not only doctors providing direct care to patients but also those working in the health sector as managers, educators,
researchers, etc. (adding another 5-10% of doctors).
Source:
57 Health at a Glance 2019.
http://www.oecd.org/health/health-systems/Health-at-a-Glance-2019-Chartset.pdf
106
Os autores desta obra prospetivam as necessidades em médicos e enfermeiros para o
ano 2040 e registam que, ao contrário dos médicos, “o número médio de enfermeiros
por mil habitantes nos países da UE está acima do encontrado em Portugal” (Lopes,
Castro & Simões, 2018:21).
De acordo com os dados disponíveis, em 2018, Portugal surge entre os países europeus
com menor número de enfermeiros por 100 mil habitantes (716,2), quando comparado
com a Noruega (2136,1), a Alemanha (1722,4) ou a Islândia (1547,7) (Fig.52).
Figura 52 - Número de Enfermeiros por 100 mil habitantes - Países europeus - 2018
2 500,0
2 136,1
2 000,0
1 722,4
1 547,7
1 500,0
1 000,0
716,2
500,0
0,0
SK -E -C hi pr a
e
etón PT
sl o
-PIT vá
-I qu
tá ia
lia
i
ROLT -R-L
or
om tu
éngaial
-L SI -E itu
sl ovéân ia
LV CY
DK -DFR
IS in-F
am ra ni
nç
ar ca
a
a
DE -A -I
le slâ
m nd ia
NO -N or an
ue ha
ga
Fonte: PORDATA58
De acordo com um documento de trabalho da “COMISSÃO Sobre um plano de ação para
a força de trabalho da UE na saúde” (2012)59, o futuro da Europa, particularmente se
tivermos em conta o envelhecimento previsto, exige um número acrescido de
58
https://www.pordata.pt/Europa/Pessoal+de+sa%C3%BAde+enfermeiros+e+pessoal+a
uxiliar+de+cuidados+de+sa%C3%BAde+por+100+mil+habitantes-1699
59
https://ec.europa.eu/health/sites/health/files/workforce/docs/staff_working_doc_health
care_workforce_en.pdf
107
profissionais de saúde. De acordo com a previsão da comissão, “muitos Estados-
Membros enfrentam o desafio da escassez causada por uma distribuição desigual de
profissionais de saúde no seu país, o que levanta sérias preocupações sobre a
disponibilidade de cuidados de saúde em algumas regiões”.
Os dados da OCDE permitem concluir o mesmo, ou seja, um menor número de
enfermeiros por 1000 habitantes, em Portugal, quando comparado com a média OCDE.
(Fig.53)
Between 2000 and 2017 the number of nurses per capita grew in
almost all OECD countries, and the average rose from 7.4 per 1 000
Figura 53 - Enfermeiros por 1000 habitantes - OCDE - 2000 e 2017
population in 2000 to 8.8 per 1 000 population in 2017
Practising nurses per 1 000 population, 2000 and 2017 (or nearest year)
Notes:
1. Data include not only nurses providing 60
Fonte: Health in a Glance, 2019direct care to patients, but also those working in the health sector as managers, educators,
researchers, etc. 2. Austria and Greece report only nurses employed in hospital. 3. Data in Chile refer to all nurses who are licensed to
practice.
Source: Health at a Glance 2019.
Um outro dado, relevante para a avaliação dos recursos humanos na saúde, é a
proporção de enfermeiros por médico. Também a este nível Portugal encontra-se
“abaixo das médias dos países da UE e da OCDE, 2,5 e 2,8, respetivamente. Citando um
texto de Simões e al. (2017), Lopes, Castro & Simões (2018:21,22) referem que “o rácio
de enfermeiros por médico em Portugal sugere uma redefinição das tarefas a cargo dos
profissionais de saúde. Não obstante, atualmente, ainda não existe nenhuma política
definida para abordar este aspeto, embora a evidência internacional aponte para uma
60
http://www.oecd.org/health/health-systems/Health-at-a-Glance-2019-Chartset.pdf
108
expansão do papel dos enfermeiros (Buchan e Seccombe, 2012; Delamaire e Lafortune,
2010; Dussault, 2014).”
Os dados publicados no relatório Health in a Glance, 201961 confirmam o número
extremamente baixo de enfermeiros por médico registado em Portugal, no ano de 2017
(Portugal = 1,3; Média OCDE = 2,7) (Fig. 54).
Nurses outnumber physicians in most OECD countries, and on average there
are 3 nurses to every doctor. The ratio of nurses to doctors ranges from about
1 nurse per doctor inFigura
Chile, Turkey
54 - Rácio and por
Enfermeiros Greece,
Médico - to more
OCDE - 2017 than 4 nurses per
doctor in Japan, Ireland, Finland and the United States
Ratio of nurses to doctors, 2017 (or nearest year)
Notes:
1. For countries that have not provided data for
62 practising nurses and/or practising doctors, the numbers relate to the "professionally
Fonte:
active" conceptHealth
for bothin a Glance,
nurses 2019(except
and doctors Chile, where numbers include all nurses and doctors licensed to practise). 2. For
Austria and Greece, the data refer to nurses and doctors employed in hospitals. 3. The ratio for Portugal is underestimated because the
numerator refers to professionally active nurses while the denominator includes all doctors licensed to practise.
Source: Health at a Glance 2019.
8.2.2 - Rácio Enfermeiros/médicos na Região Autónoma dos Açores – e por ilha
Considerando a relevância do indicador que avalia a proporção dos enfermeiros por
médicos, enquanto orientação de uma política de saúde de maior ou menor
proximidade às populações, olhemos esta relação nos profissionais em exercício na RAA,
tendo por base os dados publicados nas Estatísticas da Saúde (SREA). De acordo com
estes dados, o rácio Enfermeiros/médicos na RAA em 2018 (3,52) era superior à média
europeia (2,7) (Fig. 55).
61
http://www.oecd.org/health/health-systems/Health-at-a-Glance-2019-Chartset.pdf
62
http://www.oecd.org/health/health-systems/Health-at-a-Glance-2019-Chartset.pdf
109
No entanto, nunca podemos esquecer o facto de estarmos perante uma região
arquipelágica, com uma dispersão da população residente em nove ilhas, distantes e de
dimensões geográficas e demográficas muito diferentes.
Figura 55 - Rácio Enfermeiros por Médico na RAA - 1969 - 2018
4,00
3,52
3,50
3,00
2,50
2,00
1,50
1,00
0,50
0,00
1969 1971 1973 1975 1977 1979 1981 1983 1985 1987 1989 1991 1993 1995 1997 1999 2001 2003 2005 2007 2009 2011 1013 2015 2017
Fonte: Estatísticas da Saúde – 1969-2018
Os dados publicados ao nível de ilha (Séries estatísticas) não são coincidentes, com o
total global referido no gráfico anterior. O importante a ter em consideração, mesmo
que total não seja coincidente é que na RAA existe uma diversidade de situações (Tabela
12).
Tabela 12 - Número total de Enfermeiros e de Médicos, Rácio Enfermeiros/médicos por ilha - 2017
Rácio
Enfermeiros Médicos enfermeiros/médicos
Santa Maria 23 5 4,60
São Miguel 843 342 2,46
Terceira 521 160 3,26
Graciosa 17 4 4,25
São Jorge 31 10 3,10
Pico 57 14 4,07
Faial 182 60 3,03
Flores 13 2 6,50
Corvo 1 1 1,00
RAA 1688 598 2,82
Fonte: Séries estatísticas 2007-201763
63
Q.03.01 - Número de camas, médicos e pessoal de enfermagem dos hospitais, centros de saúde e
casas de saúde e clínicas particulares dos Açores, por Ilha e ano
110
De acordo com os dados publicados na Série estatística 2007- 2017 (capítulo Saúde), o
rácio enfermeiros/médicos para a RAA seria, em 2017, de 2,82, um valor inferior ao que
resultou do cálculo anterior, que teve por base o total de profissionais de saúde
publicado nas Estatísticas de Saúde (3,52), uma diferença que poderá decorrer do
universo de profissionais tido em conta.
Figura 56 - Rácio Enfermeiros/médico por ilha - 2017
7,00 6,50
6,00
5,00 4,60
4,25
4,07
4,00
3,10 3,26
3,03
2,82
3,00 2,46
2,00
1,00
1,00
0,00
Corvo São RAA Faial São Terceira Pico Graciosa Santa Flores
Miguel Jorge Maria
Fonte: Séries estatísticas (2007-2017) RAA - SREA
Da análise do gráfico anterior (Fig. 56) constata-se o facto de o rácio
enfermeiros/médicos ser particularmente baixo na ilha de São Miguel (2,46), quando
comparado com a média regional (2,82). Ao invés, a ilha das Flores regista um número
bastante significativo de enfermeiros por médico, equivalente ao dobro da média
regional.
Quando comparado com a média europeia (2,7) os Açores (2,82) estariam, à primeira
vista, bem posicionados. No entanto, os dados referentes a São Miguel, onde se
concentrava 56,47% da população residente na região em 2018, revelam um défice de
enfermeiros nesta ilha (2,46).
111
Consideremos então a distribuição dos médicos e enfermeiros por ilha, tendo por base
os rácios médicos/1000 habitantes e enfermeiros/1000 habitantes.
Rácio médicos/1000 habitantes (2004-2018)
O gráfico seguinte (Fig. 57) revela como a Região possui rácios de médicos /1000
habitantes bastante inferiores aos verificados no continente ou a nível do País. Acima
do rácio regional (3,4) estavam apenas as ilhas de São Miguel (3,9) e Terceira (3,5). O
Faial registava 3,4 e todas as outras ilhas situavam-se abaixo da média regional.
Relembramos a relevância do número de habitantes, na leitura dos dados,
particularmente no caso do Corvo.
Figura 57 - Rácio médicos por 1000 habitantes (Portugal, continente, RAA e ilhas) - 2004-2018
6
5,3
5 5,1
4,8 4,9
4,6
4,3 4,4
4 4 4,1
3,8 3,9
3,6 3,7 3,5
3,5 3,4
3 3,2
2 2,1
1,8
1 1,1
0 0
2004 2005 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Portugal Continente R.A.Açores Santa Maria
São Miguel Terceira Graciosa São Jorge
Pico Faial Flores Corvo
Fonte: Estatísticas da Saúde
Rácio Enfermeiros por 1000 habitantes (2004-2018)
Em termos do rácio Enfermeiros por 1000 habitantes (Fig.58), verificamos uma situação
diferente, com destaque para as ilhas do Faial e Terceira (13,6 e 11,7), quando
comparadas com a média regional (8,7).
112
São Miguel, apesar de ser a ilha maior e com o Hospital mais diferenciado em termos de
áreas de serviço, situava-se abaixo da média regional.
Não é de estranhar a diferença em relação aos valores nacionais (7,1), dada a dispersão
geográfica que obriga à existência de enfermeiros em todos os centros de saúde de
todas as ilhas. No entanto, como vimos anteriormente esse facto não parece aplicar-se
à distribuição dos médicos, pelas diferentes ilhas.
Figura 58 - Rácio Enfermeiros por 1000 habitantes (Portugal, continente, RAA e Ilhas) - 2004-2018
16
14 13,6
12 11,7
10
8,7
8 7,5
6
4
2
0 2004 2005 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Portugal 4,3 4,6 5,1 5,3 5,6 5,9 6,1 6,2 6,3 6,4 6,5 6,7 7 7,2
Continente 0 4,5 5 5,2 5,5 5,8 6 6,2 6,2 6,3 6,5 6,7 6,9 7,1
R.A.Açores 5,4 5,6 6,5 6,7 7 7,3 7,4 7,6 7,8 7,9 8,2 8,3 8,5 8,7
Santa Maria 3,8 4,2 4,1 4,1 4,3 4,3 4,1 4,4 4,2 5 4,4 4,1 4,6 4,6
São Miguel 5 5,2 6,2 6,2 6,4 6,6 6,6 6,7 6,9 7,1 7,5 7,4 7,5 7,5
Terceira 7,3 7,4 8,1 8,9 9,4 9,8 10 10,5 10,8 10,9 11,2 11,6 11,7 11,7
Graciosa 2,3 2,7 3,7 4,1 4,5 4,6 4,6 4,5 4,3 5 4,8 4,9 4,9 4,9
São Jorge 2,8 3,2 4 3,9 3,8 4,4 4,6 4,6 4,8 3,6 3,7 3,7 4,7 4,7
Pico 2,8 2,8 3,1 4,8 3,4 4,2 4,4 4,4 4,5 4,6 4,8 4,9 4,8 4,8
Faial 8,7 9,1 10,6 11 11 11,7 12,7 12,3 12,7 12,8 13 13,1 13,6 13,6
Flores 2,8 3,2 3,4 7 3,9 4,1 4,5 4,8 4,5 4,6 5,1 4,3 4,8 4,8
Corvo 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 2,2 2,2
Portugal Continente R.A.Açores Santa Maria
São Miguel Terceira Graciosa São Jorge
Pico Faial Flores Corvo
Fonte: Estatísticas da Saúde
Para melhor compreensão da distribuição dos recursos humanos em Saúde, iremos
detalhar a presença dos diferentes grupos profissionais (médicos, enfermeiros e outros
técnicos) nos Centros de Saúde (por ilha e por concelho) e nos Hospitais da RAA.
113
8.2.3 – Centros de Saúde
8.2.3.1 - Médicos nos Centros de Saúde da RAA
O gráfico seguinte (Fig. 59) projeta o número de médicos a trabalhar em Centros de
Saúde com internamento. Como foi anteriormente referido, nas ilhas com Hospital esta
infraestrutura foi desativada da função internamento. No entanto, como é possível
verificar, este facto não beneficiou as restantes ilhas. Verifica-se inclusive uma redução
nos últimos anos, do número de médicos presentes em ilhas como Flores, Graciosa e
Santa Maria.
Figura 59 - Número de médicos a trabalhar nos Centros de Saúde com internamento por Ilha - 1985-2018
45
40
35
30
25
20
15
10
5
0 1985 1986 1987 1988 1988 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Sta. Maria C.S. c/int. 0 4 4 4 4 4 4 4 4 3 3 2 3 3 3 3 4 2 3 4 4 3 3 4 5 5 5 4 3 5 5 5 5 3
São Miguel C.S. c/int. 26 29 27 26 26 24 28 24 25 26 25 23 22 21 23 25 25 26 26 25 26 26 31 34 40 42 39 33 33 29 0 0 0 0
Terceira C.S. c/int. 18 11 8 10 10 11 9 7 9 11 11 9 10 13 10 10 10 10 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0
Graciosa C.S. c/int. 2 4 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 4 4 3 2 4 3 2 3 4 4 4 2 3 5 4 2 3 3 3 5 4 3
São Jorge C.S. c/int. 9 10 9 10 10 10 10 10 9 9 9 9 9 6 7 7 6 9 9 8 8 9 9 10 8 7 7 6 6 5 6 7 10 9
Pico C.S. c/int. 9 12 11 11 12 13 12 10 10 9 9 9 9 9 9 9 9 9 11 11 11 11 12 13 13 14 13 15 16 18 14 16 14 16
Flores C.S. c/int. 7 3 4 1 3 3 4 4 4 4 4 4 4 4 4 3 3 4 4 5 4 5 5 4 4 6 3 4 3 3 3 2 2 2
Corvo C.S. c/int. 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 1 1 1 1 1 1 1
Sta. Maria C.S. c/int. São Miguel C.S. c/int. Terceira C.S. c/int. Graciosa C.S. c/int.
São Jorge C.S. c/int. Pico C.S. c/int. Flores C.S. c/int. Corvo C.S. c/int.
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Ao nível dos centros de saúde sem internamento existentes em ilhas com Hospital
(Fig.60), a evolução do número de médicos tem registado uma tendência crescente,
particularmente nos Centros de saúde da ilha de São Miguel, desde 2015.
114
Figura 60 - Número de médicos a trabalhar em Centros de Saúde sem internamento (Ilhas com Hospital) - São
Miguel, Terceira e Faial - 1985-2018
120
107
100
80
60
40 37 37
20 25
11 14
0 1985
1986
1987
1988
1988
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
S.Miguel Terceira Faial
Fonte: Estatísticas de Saúde/SREA
Considerando o rácio médico/1000 habitantes, e tendo por referência a totalidade dos
profissionais nos centros de saúde, com e sem internamento, verificamos (Tabela 13)
que, de um modo geral, o rácio médicos nos centros de saúde/1000 habitantes está
abaixo de um médico por cada mil habitantes, exceção de São Jorge, Pico e Corvo.
Tabela 13 - População residente, médicos nos Centros de Saúde (com e sem internamento) e rácio médicos/1000
habitantes - 2018
Rácio
Médicos/1000
População Médicos CS hab.
Sta. Maria 5623 3 0,53
São Miguel 137150 107 0,78
Terceira 55234 37 0,67
Graciosa 4225 3 0,71
São Jorge 8342 9 1,08
Pico 13637 16 1,17
Faial 14542 14 0,96
Flores 3628 2 0,55
Corvo 465 1 2,15
RAA 242846 192 0,79
Fonte: Estatísticas de Saúde/SREA
115
Figura 61 - Rácio total de Médicos em Centros de Saúde/1000 habitantes (2018)
2,50
2,15
2,00
1,50
1,17
1,08
0,96
1,00 0,71 0,78 0,79
0,67
0,53 0,55
0,50
0,00
Sta. Flores Terceira Graciosa São RAA Faial São Pico Corvo
Maria Miguel Jorge
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
O interesse neste dado reside no facto de estar associado ao rácio definido para a
constituição das listas de utentes por médico de família.
8.2.3.2 - O médico de família nos Centros de Saúde
De acordo com uma recomendação do Ministério da Saúde (Coordenação Nacional para
a Reforma do SNS área dos Cuidados de Saúde Primários)64 a existência de uma lista de
utentes organizada, preferencialmente por famílias, ocorre desde a criação da
especialidade de medicina geral e familiar e como refere o texto da recomendação, a
importância desta gestão,
“pretende obter destes especialistas e correspondentes unidades de saúde –
acesso fácil aos cidadãos, sejam sãos ou doentes, continuidade ao longo dos
percursos de vida, cuidados personalizados em função das necessidades em
saúde de cada pessoa, de preferência pelo mesmo MF (médico de família) a toda
a família, considerando a inter-relação e interdependência que cada um dos seus
elementos tem na saúde e no bem estar dos restantes, assim como a gestão e a
garantia da articulação e integração de cuidados com os restantes prestadores
64
https://www.sns.gov.pt/wpcontent/uploads/2018/08/cncsp_recomendacao_2017_02.pdf
116
(cuidados hospitalares, cuidados continuados, a comunidade, os privados e o
sector social).”
O documento refere ainda que para além da dimensão dessa lista, devem ser
consideradas as unidades ponderadas (UP) que se obtêm pela aplicação dos seguintes
fatores (Nº 4 do artº 9 do Decreto Lei nº73/2017 de 21 de junho).
4 - As unidades ponderadas referidas no número anterior obtêm-se pela
aplicação dos seguintes fatores:
a) O número de crianças dos 0 aos 6 anos de idade é multiplicado pelo fator 1,5;
b) O número de adultos entre os 65 e os 74 anos de idade é multiplicado pelo
fator 2;
c) O número de adultos com idade igual ou superior a 75 anos é multiplicado pelo
fator 2,5.
De acordo com o mesmo diploma (art.º 9º, nº 3), “a lista de utentes inscritos por cada
médico e enfermeiro de família tem uma dimensão mínima de 1917 unidades
ponderadas”.
No entanto, como refere o texto da recomendação65,
“a alteração ao Acordo Coletivo de Trabalho nº 2/2009, efetuado através do
Aviso nº 17239/2012, publicado em 27 de dezembro de 2012, estabelece na sua
Cláusula 11ª - uma lista de utentes inscritos com uma dimensão de no máximo
1.900 utentes, correspondentes a 2.358 unidades ponderadas. Embora este valor
se aplique apenas às listas dos MF sindicalizados com contrato de 40 horas e
enquanto limite máximo, as administrações, na maioria dos casos, têm feito dele
a regra atribuindo listas de 1900 utentes sem qualquer respeito pelo valor
ponderado.”
A Coordenação Nacional para a Reforma do SNS área dos Cuidados de Saúde Primários66
recomenda que “a dimensão excessiva das listas de utentes - deve ser corrigida (...)
propondo que o valor máximo a atribuir aos novos MF seja de 2100 UP, valor intermédio
e arredondado entre o mínimo e o máximo de UP fixados na legislação em vigor.”
65
https://www.sns.gov.pt/wpcontent/uploads/2018/08/cncsp_recomendacao_2017_02.pdf
66
https://www.sns.gov.pt/wpcontent/uploads/2018/08/cncsp_recomendacao_2017_02.pdf
117
Conforme se pode ler, na recomendação do grupo de coordenação do Ministério da
Saúde, “uma lista excessiva tem repercussões negativas no acesso e na qualidade dos
cuidados prestados e também na satisfação dos utentes e profissionais e na saúde
destes últimos.”
O enquadramento desta medida na RAA está definido no Despacho nº1822/2015 de 17
de agosto,
“1. Todas as Unidades de Saúde de Ilha da Região devem agrupar os utentes da
sua área de influência em núcleos de 1500 utentes, o que corresponde a um
número aproximado de 300 a 400 famílias, devendo a lista ser organizada por
agregados familiares e com base na geodemografia.
2. A cada núcleo de 1500 utentes será́ atribuído um médico especialista em
medicina geral e familiar, um enfermeiro de família e um assistente técnico, o
que constitui o Núcleo de Saúde Familiar.”
Logo, o valor na Região de cada lista de utentes é mais baixo do que o previsto a nível
nacional, mas o despacho nº 1822/2015 de 17 de agosto não faz qualquer referência
aos fatores de ponderação considerados na legislação nacional.
Se tivermos em conta a totalidade dos médicos a trabalhar nos centros de saúde, e
considerarmos a população residente em cada ilha, o rácio de 1500 habitantes por
médico estaria coberto.
Tabela 14 - População residente (31.12.18), número de médicos nos Centros de Saúde e rácio médicos/1500 utentes
- 2018
Rácio pop. residente/1500 (número lista
Médicos a exercer de utentes).
População nos C. de Saúde Número de médicos necessário
Sta. Maria 5623 3 3,8
São Miguel 137150 107 91,4
Terceira 55234 37 36,8
Graciosa 4225 3 2,8
São Jorge 8342 9 5,5
Pico 13637 16 9,0
Faial 14542 14 9,6
Flores 3628 2 2,4
Corvo 465 1 0,93
RAA 242846 192 161,8
118
No entanto, temos de analisar as especialidades médicas destes profissionais para
avaliar se existe, ou não um número suficiente de médicos de família
Recorde-se a este propósito que a especialidade atualmente considerada para o
exercício da medicina em Cuidados de Saúde Primários é a Medicina Geral e Familiar.
No entanto, esta área de especialização é relativamente recente e tem acompanhado a
própria evolução dos serviços de saúde de proximidade, que constituem os Centros de
Saúde.
Para além disso, é uma área de especialização onde, ainda agora, há carência de
profissionais, um pouco por todo o país e em particular na região, como revela o
comunicado do Governo Regional67 datado de 23 de julho de 2020.
A Secretária Regional da Saúde anunciou hoje (23 julho 2020), em Ponta
Delgada, que, “a partir de setembro, todos os utentes da Ilha de São Miguel vão
ter médico de família”, sendo que o Governo dos Açores está a fazer “todos os
esforços para garantir que, num curto espaço de tempo, cada cidadão açoriano
tem acesso a um médico de família”.
8.2.3.3 - Do Clínico geral ao Clínico de Medicina Geral e Familiar
Para melhor compreendermos a realidade atual dos médicos de família na Região,
importa relembrar a evolução histórica desta área da medicina e a correspondente
alteração da prestação de serviços de saúde na comunidade.
Tabela 15 - Medicina Geral e familiar - Legislação
Ano de Diploma Equipamento de saúde Especialidade médica
referência regulamentador
1963 Lei nº2120 de 19 de Assistência caritativa; Serviços
julho médicos sociais das Caixas de
Previdência e Medicina privada e
liberal.
1971 Decreto-Lei Criação dos Centros de saúde de
nº413/1971 de 27 1ª geração
setembro
(Legislação em paralelo com as Caixas de
Gonçalves Ferreira) Previdência
67
http://www.azores.gov.pt/Portal/pt/novidades/Todos+os+utentes+de+S%C3%A3o+Mig
uel+com+m%C3%A9dico+de+fam%C3%ADlia+a+partir+de+setembro+anuncia+Secr
et%C3%A1ria+Regiona.htm?lang=pt&area=ct
119
1980 Portaria nº444-A/80, Regulamentação da carreira de
de 28 julho Generalista para o exercício de
Clínica Geral
1981 Decreto Criação do internato de
Regulamentar Especialidade de Generalista
nº16/1982 de 26 de
março
1982 Decreto-lei Regulamentação das carreiras
nº310/82, de 3 de médicas e definição do perfil
agosto profissional do Médico de
Clínica Geral.
1982 Criação do Internato
complementar de Clínica geral e
o Colégio de Clínica Geral da
Ordem dos Médicos
1983 Despacho Criação dos Centros de Saúde
Normativo integrados (de 2ª geração) que
nº97/1983 de 22 de resultam da fusão das Caixas de
abril Previdência com os Centros de
Saúde de 1ª geração
1990 Decreto-lei nº73/90 Criação da especialidade de
de 6 de março Medicina Geral e Familiar
1999 Decreto-Lei Criação dos Centros de Saúde de
nº157/1999 de 10 de 3ª geração, que serviria de base à
maio construção das Unidades de
Saúde familiar. São considerados
como pessoas coletivas de direito
público, dotadas de autonomia
técnica, administrativa e
financeira e património próprio
2005 Decreto-lei Reconfiguração dos Centros de
nº157/05 Saúde e criação das Unidades de
Saúde Familiar (USF)
2006 Despacho normativo Regulamentação das USF
nº9/06 de 16 de
fevereiro
2009 Portaria nº300 de Aprova o programa de formação
2009, de 24 março do internato médico de
Especialização em Medicina
Geral e Familiar
Fonte: baseado no artigo de Duarte, V. (2017)68
Com esta resenha histórica, podemos melhor entender a presença dos médicos em
serviços de proximidade como são os centros de saúde, vocacionados, sobretudo para
uma intervenção ao nível dos cuidados de saúde primários, como foi advogado no início
dos anos 80, com a declaração de Alma-Ata. No entanto, no caso da RAA, os centros de
68
https://www.newsfarma.pt/artigos/5921-a-evolu%C3%A7%C3%A3o-da-medicina-geral-e-
familiar.html
120
saúde em ilhas onde não existem estruturas hospitalares, assumem também a resposta
ao nível de cuidados diferenciados.
8.2.3.4 - Distribuição dos médicos de clínica geral ou Medicina Geral e Familiar por ilha
Os dados que a seguir apresentamos (Fig.62) reúnem o número total de médicos a
exercer nos Centros de Saúde como clínicos gerais (até 2006) ou especialistas em
Medicina Geral e Familiar (desde 2006).
Conforme é possível constatar nos últimos anos (2016-2018) houve um incremento do
número destes especialistas em alguns dos Centros de Saúde, nomeadamente nos CS
da Ribeira Grande, Ponta Delgada, Praia da Vitória e A. do Heroísmo.
121
Figura 62 - Número de médicos de Clínica Geral e de Medicina Geral e Familiar a trabalhar nos Centros de Saúde da RAA - 1986-2018
150
100
50
0 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Clínicos Gerais Medicina Geral e Familiar
Corvo 1 1 1 1 1 1 1 1
Santa Cruz das Flores 3 4 1 3 3 4 4 4 4 4 4 4 4 4 3 3 4 4 3 2 3 3 3 2 3 2 2 2 2 2 1 1 1
Horta 7 7 11 10 10 9 9 10 11 11 12 12 13 12 12 12 12 10 10 8 10 11 9 8 8 7 10 10 8 6 8 8 9
São Roque do Pico 5 4 4 4 4 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 4 4 4 4 4 4 4 4 3 4 4 4 2 4 2 4
Madalena 3 3 4 4 5 5 4 4 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 4 4 4 4 4 4 4 3 5 5 5
Lajes do Pico 4 4 3 4 4 4 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 4 4 4 4 4 3 3 3 4 4 4 4 3 3 5 4
Velas de São Jorge 5 5 6 5 5 5 5 5 5 5 5 5 2 2 3 3 3 4 3 3 3 3 4 4 3 3 3 3 2 3 3 3 3
Calheta de São Jorge 3 3 3 4 4 4 4 3 3 3 3 3 3 4 3 2 4 3 3 3 3 3 4 3 3 3 2 2 2 2 3 3 2
Sta. Cruz da Graciosa 4 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 4 4 3 2 3 3 2 3 4 4 4 2 2 4 2 2 3 3 3 3 3 2
Praia da Vitória 11 8 10 10 11 7 7 9 11 11 9 9 12 9 9 9 9 9 8 8 11 13 11 13 12 10 9 9 10 8 9 13 14
Angra do Heroísmo 17 14 12 0 13 13 14 11 12 11 11 12 11 11 11 11 10 12 12 13 13 13 9 8 11 12 13 12 12 13 17 20 17
Vila Franca do Campo 7 7 7 6 7 9 8 7 6 6 6 5 6 5 5 7 6 5 5 5 5 6 5 5 8 6 7 7 5 5 5 8 7
Ribeira Grande 11 10 11 11 8 10 8 10 10 9 9 9 7 8 10 10 11 11 11 10 10 11 6 5 8 10 10 8 8 5 7 11 18
Povoação 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 5 4 5 5 5 5 5 3 3 4 4 4 4
Ponta Delgada 33 28 40 39 30 28 27 30 26 26 25 26 24 25 26 27 24 23 27 29 30 29 22 21 27 30 28 25 27 32 34 35 43
Nordeste 5 4 2 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 4 4 5 3 4 3 3 3 3 3 3 3 3 4
Lagoa 0 4 4 4 6 8 4 5 5 5 5 5 6 4 4 4 5 5 5 5
Vila do Porto 4 4 4 4 4 4 4 4 3 3 2 3 3 3 3 4 2 3 4 4 3 3 3 3 3 3 2 2 4 4 4 4 3
Vila do Porto Lagoa Nordeste Ponta Delgada Povoação
Ribeira Grande Vila Franca do Campo Angra do Heroísmo Praia da Vitória Sta. Cruz da Graciosa
Calheta de São Jorge Velas de São Jorge Lajes do Pico Madalena São Roque do Pico
Horta Santa Cruz das Flores Corvo
Fonte: Estatísticas da Saúde /SREA
Considerando apenas os dados de 2018 e fazendo de novo o exercício de divisão pelo
número máximo de utentes que cada médico de família deve atender (1500),
verificamos que existiria um défice de médicos de família, particularmente nas ilhas de
São Miguel, Terceira e Flores (Tabela 16). A ilha do Pico regista um número superior ao
“necessário”. Em termos regionais, seriam precisos 20 médicos de Medicina Geral e
Familiar para garantir uma cobertura de 1500 utentes por médico. Obviamente, este
exercício não tem em conta os residentes não inscritos nos Centros de Saúde que,
habitualmente, recorrem à medicina privada.
Tabela 16 - População residente, Médicos de Medicina Geral e Familiar nos Centros de Saúde e distribuição da
população residente (1500) por médico de família - 2018
Médicos de Número de médicos
Medicina Geral e necessário para uma
População Familiar a exercer lista de utentes de
residente a nos C. de Saúde 1500/médico.*
31.12.18 (2018)
Sta. Maria 5623 3 3,8
São Miguel 137150 76 91,4
Terceira 55234 31 36,8
Graciosa 4225 2 2,8
São Jorge 8342 5 5,5
Pico 13637 13 9,0
Faial 14542 9 9,6
Flores 3628 1 2,4
Corvo 465 1 0,93
RAA 242846 141 161,8
*Nota: os cálculos apresentados são da responsabilidade do autor deste relatório
8.2.3.5 - Enfermeiros nos Centros de Saúde da RAA
Os dados a seguir (Fig.63) refletem a distribuição dos enfermeiros por Centro de Saúde,
nas diferentes ilhas e concelhos.
Uma primeira abordagem revela que, em 2018, São Miguel reunia 48,7% dos
profissionais de Enfermagem a trabalhar em Centros de Saúde.
123
Figura 63 - Número de Enfermeiros nos Centros de Saúde da RAA/Ilha - 1996-2018
600
557
500
400
300
271
200
100 115
61
27
0 1 996 1 997 1 998 1 999 2 000 2 001 2 002 2 003 2 004 2 005 2 006 2 007 2 008 2 009 2 010 2 011 2 012 2 013 2 014 2 015 2 016 2 017 2 018
RAA 323 317 325 322 312 322 336 354 365 402 460 461 482 471 493 501 519 507 503 508 541 553 557
SANTA MARIA 11 12 12 12 11 14 12 13 15 15 19 19 19 18 18 18 23 22 21 22 24 23 24
SÃO MIGUEL 164 161 157 154 143 149 163 180 186 208 238 240 254 248 266 265 268 260 260 263 265 269 271
TERCEIRA 73 72 83 78 81 78 82 78 80 80 85 86 90 91 91 92 101 100 96 102 112 116 115
GRACIOSA 8 8 8 6 7 7 7 8 8 11 13 15 14 14 17 17 16 16 14 14 17 17 16
SÃO JORGE 22 18 19 21 22 21 20 19 19 26 26 26 26 26 27 27 28 28 23 24 26 31 30
PICO 23 24 26 27 25 29 28 28 28 28 38 38 41 40 38 42 42 42 49 45 57 57 61
FAIAL 13 13 12 16 14 15 16 20 21 23 28 27 27 25 25 26 27 26 27 24 26 26 27
FLORES 9 9 8 8 9 9 8 8 8 11 13 10 11 9 11 13 13 12 12 13 13 13 12
CORVO 1 1 1 1 1 1 1 1
RAA SANTA MARIA SÃO MIGUEL TERCEIRA GRACIOSA
SÃO JORGE PICO FAIAL FLORES CORVO
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
No entanto, se considerarmos a população residente em cada ilha, verificamos que a
distribuição destes profissionais está mais favorecida em algumas das ilhas como é o
caso do Pico e de Santa Maria, duas das seis ilhas sem hospital.
Figura 64 - Rácio Enfermeiro em Centro de Saúde/1000 habitantes, por Ilha - 2018
5,000
4,000 4,268 4,473
3,596 3,787
3,308
3,000
1,857 1,976 2,082 2,151 2,294
2,000
1,000
0,000
FAIAL
SÃO
TERCEIRA
MIGUEL CORVO
RAA
FLORES
SÃO JORGE
GRACIOSA
SANTA
PICO
MARIA
Fonte: Estatísticas de Saúde/SREA
124
É evidente que existe uma menor presença de enfermeiros nos centros de saúde sem
internamento das ilhas com Hospital. No entanto, se por um lado, este facto é
compreensível em termos de gestão de pessoal, um baixo rácio pode contribuir para
intensificar a procura dos serviços de saúde hospitalares por parte dos residentes nas
ilhas de S. Miguel, Terceira e Faial, em detrimento da vigilância proporcionada em
unidades de cuidados de saúde primários.
Um olhar por concelhos, confirma esta realidade. No entanto há a registar o baixo
número de enfermeiros nos centros de saúde de concelhos populosos, como é o caso
da Ribeira Grande, Praia da Vitória ou mesmo Vila Franca do Campo.
O caso do Corvo, como foi referido inicialmente não serve de referência por ter menos
de 500 habitantes.
Tabela 17 - Número de Enfermeiros nos Centros de Saúde/concelho; População residente (31.10.18) e Rácio
Enfermeiros/1000 habitantes - 2018
Número de
enfermeiros População Rácio enfermeiros
nos Centros residente a no Centro de Saúde
Centros de saúde/concelho Saúde 2 018 31/12/18 por 1000 hab.
Horta 27 14542 1,857
Ribeira Grande 63 32698 1,927
Angra do Heroísmo 66 33903 1,947
Ponta Delgada 138 67864 2,033
Corvo 1 465 2,151
Praia da Vitória 49 21331 2,297
Lajes do PICO 13 4498 2,890
Vila Franca do Campo 34 11078 3,069
Velas 16 5137 3,115
Nordeste 16 4875 3,282
Povoação 20 5954 3,359
Sta. Cruz da Graciosa 16 4225 3,787
Vila do Porto 24 5623 4,268
Calheta 14 3205 4,368
Madalena 30 5875 5,106
São Roque do PICO 18 3264 5,515
Santa Cruz das FLORES 12 2164 5,545
Lagoa - 14681
Fonte: Estatísticas de Saúde/SREA- 2018; Anuário Estatístico – RAA – 2018
125
O gráfico seguinte (Fig.65) reflete os concelhos onde os centros de saúde registam um
melhor rácio enfermeiros/1000 habitantes, com destaque para Santa Cruz das Flores
(5,545) São Roque (5,515) e Madalena do Pico (5,106), sobretudo, quando comparamos
com o rácio médio regional (2,294). Há que relembrar que nestas ilhas, os centros de
saúde têm internamento, ao contrário daqueles que situam em ilhas com hospital, como
acontece na Ribeira Grande, V. Franca do Campo ou Praia da Vitória. No entanto,
retomamos a questão, refletida neste dado, das opções do sistema de saúde regional
ao nível a prevenção, promoção e educação para a saúde, quando comparadas com o
investimento na vertente hospitalar.
Figura 65 - Rácio Enfermeiros em Centros de Saúde/habitante - concelhos da RAA - 2018
6,000
5,000
4,000
3,000
2,000
1,000
0,000
Ri
An beir ort
gr a do ranaG a H
Po ero e
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Pr ai a d rv lga
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o
Sa Ro ada
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uz o P
da sF OLO IC
RE S
Fonte: Estatísticas da Saúde - 2018
8.2.4 – Médicos e Enfermeiros nos Hospitais da RAA
8.2.4.1 – Médicos nos Hospitais da RAA
Considerando a totalidade dos médicos a exercer atividade nos Hospitais da RAA,
verificamos o peso percentual do Hospital de Ponta Delgada (HDES) no total dos clínicos
hospitalares, correspondendo quer à dimensão populacional da Ilha, quer ao número
de especialidades e serviços sedeados nesta unidade de saúde (Fig.66)
126
Figura 66 – Distribuição da % de médicos pelos três Hospitais da RAA (1985-2018)
70
60
59,5
50 52,5
40
38,1
30
28,5
20
10 12,0
9,4
0 1985
1986
1987
1988
1988
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
HDES HSEIT HH
Fonte: Estatísticas da Saúde
Comparando 1985 e 2018, verificamos que a distribuição de médicos, em contexto
hospitalar tem crescido, sobretudo no HDES, registando um peso percentual menor no
HSEIT, mantendo-se mais ou menos estabilizado no HH.
Se considerarmos o número total de médicos, em cada um dos hospitais, em 2018
(Fig.67) existiriam 50 médicos no HH, 119 no HSEIT e 248 no HDES. No total a RAA
registava, em 2018 um total de 417 médicos a exercer a sua atividade nos cuidados
hospitalares.
Figura 67 - Número de médicos nos cuidados hospitalares dos três hospitais da RAA - 1985-2018
300 450
RAA; 417
400
HDES; 248
250
350
numero de médicos
200 300
250
150
200
HSEIT; 119
100 150
100
50 HH; 50
50
0 0
1985 1986 1987 1988 1988 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Fonte: Estatísticas da Saúde
127
8.2.4.2 - Enfermeiros nos Hospitais da RAA
Se considerarmos o período temporal entre 1984 e 2018, o número de enfermeiros a
trabalhar em cuidados hospitalares tem crescido de forma evidente, particularmente no
Hospital da Horta (+387,5%), seguido do Hospital da Terceira (+200,8%) e por último no
Hospital de S. Miguel (+191,76%) (Fig. 68).
Figura 68 - Número de Enfermeiros em Cuidados hospitalares no HDES, HSEIT e HH - 1984-2018
600
500 496
400
373
300
200
170 156
100 124
32
0 1985
1986
1987
1988
1988
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
S.Miguel HDES Terceira HSEIT Faial HH
Fonte: Estatística da Saúde/SREA
Os serviços prestados nestes três hospitais cobrem, não apenas a população das ilhas
em que estão sedeados, mas recebem doentes de outras ilhas, como adiante se verá no
movimento de serviços prestados69.
8.3 – OUTROS RECURSOS NOS HOSPITAIS E CENTROS DE SAÚDE
8.3.1 - Camas em hospitais e centros de saúde com internamento.
A referência ao número de camas nos estabelecimentos de saúde com internamento é
considerada um “input” para efeitos de medição da eficiência destas organizações
(Harfouche, A.P, 2012), permitindo entre outros cálculos, o estabelecimento de rácios
69
Apesar de termos procurado identificar o número de médicos especialistas a exercer nos Hospitais, tal
informação não está discriminada, apenas são registados enquanto categoria – especialistas.
128
médicos/cama, enfermeiros/cama, a taxa de ocupação e o número de doentes saídos
por cama (Simões, J.,2004).
A análise do indicador “camas disponíveis” permite ainda avaliar da sua distribuição
geográfica, tendo por base, entre outros indicadores, a população residente como
“densidade populacional”, acessibilidade geográfica, capacidade para fixar os técnicos
de saúde e o grau de confiança das populações na sua relação com os hospitais” (Simões,
J., 2004:190).
Acrossda
O relatório OECD
OCDE countries,
(2019) (Fig.69),there were
com dados de on
2000average 4.7 Portugal
e 2017, coloca hospital(3,4)
beds per 1 000 people in 2017. Since 2000, the number of
abaixo da média dos outros países (4,7) em termos de camas/1000 habitantes.
beds per capita has decreased in nearly all OECD countries.
Figura 69 - Número de camas/1000 habitantes - OCDE - 2000 e 2017
Hospital beds, 2000 and 2017 (or nearest year)
Fonte: Health in a Glance, 201970
Source: Health at a Glance 2019.
Uma análise contextualizada deste indicador permite verificar a relevância de outros
serviços de saúde, sem internamento, como são os cuidados de saúde primários. Veja-
se o exemplo do Reino Unido, que no gráfico anterior está bastante abaixo de Portugal
(2,5 camas por 1000 habitantes). Segundo Maria do Rosário Giraldes, num texto datado
de 1997, “em 1960, atingiu-se no Reino Unido, o pico de camas hospitalares (450.000),
sendo atualmente o país com menor número de camas hospitalares, por habitante, para
situações agudas, comparativamente com os restantes países da Europa Ocidental,
70
http://www.oecd.org/health/health-systems/Health-at-a-Glance-2019-Chartset.pdf
129
membros da OCDE. Em contrapartida, os cuidados primários e comunitários têm sofrido
um aumento” (Giraldes, M. R., 1997:102). Nesse sentido, a redução do número de
camas por habitantes apenas faz sentido se analisada numa ótica das políticas públicas
de saúde e a uma reconceptualização do papel do hospital. Já no final do séc. XX Giraldes
referia (1997:102) que “o hospital com a telemedicina, teleconferência, registos clínicos
eletrónicos etc., pode estar organizado em componentes especializadas, que não
necessitam ter uma proximidade geográfica: aquilo a que se poderá chamar: o hospital
sem fronteiras.” Um aumento da eficiência ao nível hospitalar só é possível com um
investimento acrescido nos Cuidados de Saúde Primários.
Os dados publicados sobre o número de camas disponíveis nos estabelecimentos de
saúde com internamento, desde 1969 até 2018, revelam uma aparente estabilidade na
oferta, em torno das 1940 camas (Fig.70).
Figura 70 - Número de Camas nos Hospitais, Centros de Saúde com internamento, Casas de Saúde e
Estabelecimentos Privados - RAA - 1969-2018
2500
1945
2000 1935
1500
1000
500
0
1969 1971 1973 1975 1977 1979 1981 1983 1985 1987 1989 1991 1993 1995 1997 1999 2001 2003 2005 2007 2009 2011 1013 2015 2017
Fonte: Estatísticas da Saúde
No entanto, quando aprofundamos a análise destes números, é possível diferenciar dois
períodos, o primeiro até 2013 e o segundo desde então.
O primeiro corresponde à existência dos centros de saúde com internamento, em todas
as ilhas, o segundo, corresponde à transformação dos hospitais em EPE71, centralizando
71
EPE – Entidades Públicas Empresariais – Segundo o Lexionário do Diário da República Eletrónico, as EPE
“são um tipo de empresa pública que reveste a forma de pessoa coletiva de direito público, cuja iniciativa
da respetiva criação cabe ao Estado para a prossecução de fins postos a seu cargo. Este tipo de empresa
130
a oferta de cuidados diferenciados apenas em três ilhas: São Miguel, Terceira e Faial, a
partir de 2013.
A análise do indicador “nº camas/1000 habitantes” será feita com base nos dados
publicados entre 2004 e 2018 e tendo por referência a média nacional e para o
continente, comparadas com a média regional e por ilha.
O gráfico seguinte (Fig. 71), permite verificar a oferta diferenciada dos três hospitais da
RAA, com destaque para o Hospital da Ilha Terceira (9,9) e o Hospital do Faial (6,8) que
registavam em 2018 rácios de camas por 1000 habitantes superiores à média regional
(6) idêntica ao valor registado no Hospital de São Miguel.
Quando comparada com a média nacional, a Região possui, atualmente, o dobro da
oferta em camas hospitalares.
Figura 71 - Rácio número de Camas por 1000 habitantes (Portugal, continente, RAA e Ilhas) - 2004-2018
20
15
10 9,9
6,8
6
5
3,2
0
2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016
Portugal Continente R.A.Açores Santa Maria
São Miguel Terceira Graciosa São Jorge
Pico Faial Flores Corvo
Fonte: Estatísticas da Saúde
Ao nível da taxa de ocupação das camas disponibilizadas (Fig.70), em 2018 o Hospital da
Horta (Faial) registava um valor muito inferior (57,6%) ao verificado no HDES (S. Miguel)
e no HSEIT (Terceira) (83,3%).
pública encontra-se previsto no regime do setor público empresarial (artigos 56.º e seguintes), aprovado
pelo Decreto-Lei n.º 133/2013, de 3 de Outubro.” (...)” Este modelo de entidade pública de gestão privada
é adotado no setor da saúde, revestindo a maioria dos hospitais públicos a natureza de entidade pública
empresarial”. Consultado em https://dre.pt/lexionario/-/dj/115077475/view a 10 setembro 2020.
131
Figura 72 - Taxa de ocupação das camas (%) - Portugal, continente, RAA e Ilhas - 2004-2018
120
100
80 83,3
60 57,6
40
20
0
2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017
Portugal Continente R.A.Açores Santa Maria
São Miguel Terceira Graciosa São Jorge
Pico Faial Flores Corvo
Fonte: Estatísticas da Saúde
8.3.2 - Tempo médio de estadia nos Hospitais
De acordo com o relatório da OCDE (Health in a Glance 2019) um dos indicadores que
permite avaliar da eficiência das unidades de saúde com internamento é a duração da
estadia média dos doentes internados. Atendendo aos dados publicados em 2019,
Portugal situava-se em 9,1 dias, uma média que praticamente não se alterou entre 2000
e 2017. A média da OCDE neste indicador situava-se em 7,7 (Fig.73).
In 2017, the average length of stay in hospitals was slightly
less than 8 days across OECD countries. Since 2000, the
average length of stay has decreased in most countries,
Figura 73 - Tempo
potentially médio de estadia
indicating nos Hospitaisgains
efficiency - OCDE - 2000 e 2017
Average length of stay in hospital, 2000 and 2017 (or nearest year)
Notes: 1. Data refer to average length of stay for curative (acute) care (resulting in an under-estimation). In Japan, the average length of
stay for all inpatient care was 28 days in 2017 (down from 39 days in 2000).
Source: Health at a Glance 2019.
Fonte: Relatório OCDE
132
De acordo com o relatório da OCDE, “a média da estadia nos hospitais é frequentemente
considerada como um indicador da eficiência do sistema de saúde. (...) Estadias longas
pode ser um sinal de fraca coordenação, resultando na presença desnecessária de
doentes em espera no hospital até que a sua reabilitação ou cuidados de longo prazo
possam ser equacionados. Ao mesmo tempo, alguns pacientes poderão ter alta
demasiado cedo, quando se tivessem prolongado a sua estadia no hospital teriam
melhorado a sua saúde ou reduzido as hipóteses de readmissão.” (Health in a Glance,
2019:198).
A duração da estadia está diretamente relacionada com o número de camas e a % de
utilização destes recursos.
De acordo com os resultados do recente estudo da OCDE, que aborda algumas das
características dos hospitais, relacionadas com a estadia dos doentes revela que:
“hospitais com muitas camas (acima das 200) estão associados a estadias mais longas,
enquanto que, uma taxa de ocupação na ordem dos 70% está mais associada a uma
estadia curta (cit. Lorenzoni and Marino, 201772)” (Health in a Glance, 2019:198).
No caso dos hospitais da RAA, e com base no número total de doentes entrados e no
número total de dias de internamento, podemos calcular a estadia média de um doente,
em qualquer dos serviços, em cada Hospital (Fig.74).
72
[1] Lorenzoni, L. and A. Marino (2017), “Understanding variations in hospital length of stay and cost: Results of a pilot
project”, OECD Health Working Papers, No. 94, OECD Publishing, Paris, https://dx.doi.org/10.1787/ae3a5ce9-en.
133
Figura 74 - Tempo médio de estadia (dias) nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) - 1996-2018
9
8 7,8
7
6 6,4
5,7
5
4
3
2
1
0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
HDES HSEIT HH Linear (HDES)
Linear (HSEIT) Linear (HSEIT) Linear (HH)
Comparando com a média da estadia hospitalar da OCDE (7,7), aparentemente, a RAA
está abaixo dessa média, apesar de no caso do Hospital da Ilha Terceira (HSEIT) se ter
registado, desde 2011 um ligeiro aumento da estadia média, ao contrário do Hospital
de São Miguel (HDES) que regista uma diminuição. No caso do Hospital da Horta (HH), a
tendência é de estabilidade.
Em síntese
Os resultados encontrados para os recursos existentes nas diferentes ilhas da RAA,
refletem uma imagem, aparentemente destorcida, da distribuição a nível regional.
Se, por um lado, São Miguel é a ilha com mais população, por outro possui um rácio
menor de enfermeiros/ habitantes e uma oferta de camas hospitalares menor. Apenas
ao nível dos médicos o rácio é superior à média regional. Por outro, no Faial,
concentram-se mais enfermeiros do que nas restantes ilhas, quase o dobro do verificado
em S. Miguel.
Considerando a taxa de utilização das camas, para além do facto de o Hospital de São
Miguel ser aquele que regista uma menor taxa, é também neste equipamento hospitalar
que se regista uma estadia média mais baixa.
No caso do Hospital da Ilha Terceira, há a registar um aumento da estadia média a partir
de 2012, ano em que o novo Hospital foi inaugurado, aumentando neste
estabelecimento o número de camas disponibilizadas, um dado que poderá explicar a
permanência maior dos doentes.
134
8.4 – A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE SAÚDE POR ILHA – CENTROS DE
SAÚDE
Os dados que a seguir apresentamos, permitem caracterizar a atividade clínica dos
médicos, nos Centros de Saúde, com e sem internamento.
Interligado com a problemática já apresentada anteriormente, ou seja, o número de
utentes que deve constar na lista de cada médico de família, iremos poder avaliar, em
cada centro de saúde, a média de consultas/ano que os clínicos de Medicina Geral e
Familiar realizaram entre 1996 e 2018.
A questão principal que os dados levantam é a saber se existe ou não um número
máximo de consultas que cada médico pode ou deve realizar, independentemente de
atender o limite máximo dos utentes da sua lista que, como já referimos, na RAA é de
1500 por médico.
Não está definido na Circular normativa nº17 de 7 de setembro 2015 (Núcleos de Saúde
familiar – Unidades de saúde de ilha do Serviço Regional de Saúde) emanada da Direção
Regional de Saúde, qualquer tempo padrão por consulta. Apenas se refere que o clínico
deverá gozar de 4h semanais para atividades não assistenciais (ponto 6.9) e que “A
gestão do número de cada tipo de consultas disponibilizadas é da responsabilidade de
cada médico, dependendo das características e do perfil de procura de cada lista de
utentes” (ponto 11, alínea d).
No entanto, a nível nacional, têm sido feitas diligências no sentido de ser definido um
tempo padrão para o exercício da medicina, conforme documento colocado em
discussão pública a 11 de fevereiro 2019, da autoria da Ordem dos médicos73 onde são
definidos para cada especialidade, um tempo de referência para as primeiras consultas
e consultas subsequentes, bem como para outro tipo de exames clínicos. Segundo o
bastonário da Ordem dos Médicos, é intensão alterar a média de 15 a 20 minutos por
utente para 30 a 45 minutos.
73
https://ordemdosmedicos.pt/wpcontent/uploads/2019/02/TemposPadraoParaConsultas_Final_CONSU
LTA-PUBLICA.pdf
135
Segundo refere o documento
“A necessidade de fixar estes tempos de referência não oferece qualquer dúvida
à Ordem dos Médicos. Não é possível aceitar como inevitável a sobrecarga que
atualmente se verifica nas consultas, agendadas com diferenças de escassos
minutos, quando não sobrepostas, prejudicando as boas práticas clínicas e a
qualidade da assistência ao doente” (Tempos padrão para as consultas médicas,
2019:33)
De acordo com a Associação dos médicos de Medicina Geral e Familiar, os tempos de
consulta deveriam ser alterados, o que implicaria uma redução do número máximo de
utentes por lista de médico, que no continente está em 1900 e na RAA em 1500. E
comentando o documento publicado pela Ordem dos Médicos sobre os tempos
padrão refere que:
As listas de utentes sobredimensionadas diminuem o acesso à consulta e
diminuem o tempo de consulta disponível, o que pode originar
constrangimentos no desempenho das atividades médicas e no rigor da
prestação de cuidados de saúde.74
Como veremos em cada Centro de Saúde, o número de consultas/ano/médico é
variável, mas situa-se habitualmente entre as 2000 e as 3000. No entanto há anos, em
que por força da redução do número de clínicos de Medicina Geral e Familiar, o número
de consultas aumenta significativamente.
8.4.1 – Consultas de Medicina Geral e Familiar nos centros de saúde – total da RAA
Um olhar sobre o total de consultas realizadas pelos médicos dos centros de saúde, no
total das ilhas (RAA) (Fig. 75), revela um incremento recente (desde 2016) no número
de consultas de Medicina Geral.
74
https://apmgf.pt/2019/02/11/om-coloca-as-suas-propostas-em-consulta-e-discussao-
publica/
136
Figura 75 - Total de consultas realizadas nos Centros de Saúde da RAA nas áreas da Medicina Geral e Familiar -
1996-2018
350 000
300 000
250 000
200 000
150 000
100 000
50 000
0
19
19
19
19
20
20
20
20
2096
97
98
99
00
01
02
03
20
20
20
20
20
20
20
2004
05
06
07
08
09
10
11
12
20
20
20
20
20
2013
14
15
16
17
18
Medicina geral
Planeamento familiar
Ginecologia/Obstetrícia 08/-vigilância da gravidez 13
Saúde Infantil/inf.juvenil 08
De acordo com o registo das Estatísticas de Saúde do Serviço Regional de Estatísticas,
para além das áreas de consulta mencionadas (Medicina geral, planeamento familiar,
ginecologia ou mais recentemente, Saúde da Mulher e Saúde infantil ou infantojuvenil),
todas as outras especialidades são asseguradas por médicos especialistas dos hospitais.
Por esse facto a partir de 2013 deixaram de ser contabilizadas como consultas do Centro
de Saúde75.
O gráfico seguinte regista as consultas, entre 1996 e 2012, de um conjunto de
especialidades (Fig. 74), entre as quais se destacam a Medicina Dentária, a
Estomatologia e a categoria Outras, que dados os valores acumulados (entre 11 e 21 mil
consultas), em nosso entender, deveria ser desdobrada.
75
Os dados sobre consultas de especialidade nos Hospitais, que adiante se apresentam, não refletem a
continuidade da prestação deste serviço nos Centros de Saúde.
137
Figura 76 - Consultas de Especialidade nos Centros de Saúde - 1996-2012
30 000
25 000
20 000
15 000
10 000
5 000
0 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012
Pneumologia 104 108 0 0 64 476 380 501 424 636 634 730 769 891 496 954
Oftalmologia 2 198 1 230 1 734 2 507 2 150 2 629 2 231 1 759 3 230 3 432 3 013 2 809 2 685 3 380 3 281 3 164 2 657
Otorrinolaringolia 4 542 3 690 4 834 4 728 4 209 3 961 4 501 4 937 4 256 4 296 4 613 4 053 3 169 3 530 3 472 3 680 3 009
Saúde mental/Psiquiatria (99) 1 628 1 002 987 942 1 112 976 964 798 584 852 594 583 779 1 002 1 096 625 1 028
Estomatologia 13 526 11 011 15 616 15 483 15 569 15 014 14 675 14 062 13 240 10 978 9 062 0 27 589
Dermatologia/DermatoVenereologia 08 1 087 535 693 660 983 997 866 992 393 422 577 479 634 412
Medicina dentária 3 616 2 639 3 871 5 342 7 485 6 995 11 766 13 100 24 676 0 24 918 23 248 24 698 26 193
Pediatria 674 1 639 754 922 707
Revisão puerpério 65 0
Urologia 995 756 517 466
Outra 11 627 15 559 19 372 15 010 10 809 16 134 16 231 18 204 21 141 20 300 22 279 22 566 24 957 16 048 16 838 20 320 21 202
Pneumologia Oftalmologia
Otorrinolaringolia Saúde mental/Psiquiatria (99)
Estomatologia Dermatologia/DermatoVenereologia 08
Medicina dentária Pediatria
Revisão puerpério Urologia
Outra
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Considerando o total de médicos nos centros de saúde, podemos ter uma noção do
número de consultas por médico, por ano, em todos os centros de saúde da RAA. O
cálculo teve por base apenas as áreas específicas dos Cuidados de Saúde Primários, ou
seja, a medicina geral, a saúde da mulher e a saúde infantil.
Apesar de os dados sobre consultas nos Centros de Saúde só contemplarem estas áreas
da medicina, não podemos deixar de referir que, a partir de 2009 passaram a ser
contabilizados, registados separadamente, os clínicos de medicina dentária a trabalhar
nos Centros de Saúde (Fig. 77), o que poderá explicar o aumento significativo do número
de consultas registado a partir desse ano.
138
Figura 77 - Médicos nos Centros de Saúde (Total, de Medicina Geral e Familiar e Medicina Dentária) - 1999-2018
250
200
150
100
50
0
1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Clínica Geral/Med. Geral e fam. Total de médicos nos C. Saúde
TS Medicina Dentária
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
8.4.2 - Relação entre médicos de Clínica Geral ou Medicina Geral e Familiar e Nº de
consultas
Quando se cruzam os dados sobre o número de consultas e o número de profissionais
de medicina a exercer nos centros de Saúde da Região, verifica-se que, apesar de entre
2016 e 2018 ter aumentado o número de médicos e de consultas (Fig. 78), o número
médio de consultas por médico diminuiu (Fig. 79).
Figura 78 - Número de médicos de Medicina Geral (e Familiar) nos Centros de Saúde da RAA e Número total de
Consultas (Medicina Geral, Saúde da Mulher e Saúde Infantil) - 1996-2018
400 000 140
350 000 120
300 000
100
250 000
80
200 000
60
150 000
40
100 000
50 000 20
0 0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Total consultas Nº médicos Med. Geral
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
139
Figura 79 - Número de médicos de Medicina Geral (e familiar) nos Centros de Saúde e Número médio de consultas
por médico/ano - 1996-2018
140 132 3500,0
120 3000,0
2856,0
100 2500,0
80 2000,0
60 1500,0
40 1000,0
20 500,0
0 0,0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Nº médicos Med. Geral Nº de consultas ano/médico
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
A leitura do gráfico (Fig.79) revela, inclusive, que sempre que aumentou o número de
médicos, verificou-se uma redução média no número de consultas por médico. Em
2018, quando se registavam 132 clínicos nos Centros de Saúde, foram contabilizadas
2856 consultas em média por médico, o que significaria, não retirando o tempo de
férias, 55 consultas por semana, ou seja, 11 consultas por dia. É evidente que estas
médias devem ser relativizadas ao facto de cada consulta, em função da sua
complexidade e da área de saúde envolvida, implicar tempos diferenciados.
8.4.3 – Consultas nos centros de saúde/ilha por especialidade
Neste ponto iremos olhar a prática das consultas médicas76, em cada centro de
saúde/ilha.
76
Nota Prévia: os dados publicados nas Estatísticas de Saúde têm sido organizados de forma diferente ao
longo dos anos. E, a partir de 2013 deixaram de contemplar as áreas de especialidade que não são do
domínio da Medicina Geral e Familiar, mas são prestadas por clínicos hospitalares.
140
8.4.3.1 - Santa Maria (Centro de Saúde de Vila do Porto)
O gráfico seguinte regista o número total de consultas (Fig.80), realizadas no Centro de
Saúde de Vila do Porto entre 1996 e 2018 nas áreas da Medicina Geral e Familiar.
Figura 80 - Número total de consultas - Centro de Saúde de Vila do Porto/Santa Maria - Medicina Geral, Saúde da
Mulher e Saúde Infantil - 1996-2018
25 000
20 000
15 000
10 000
5 000
0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Total Medicina geral Planeamento familiar
Vigilância da Gravidez Saúde infantil juvenil
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Como se pode concluir neste caso do Centro de Saúde de Vila do Porto, houve uma
quebra acentuada no número de consultas nas áreas dos Cuidados de Saúde primários,
até 2006, tendo retomado a partir de 2013 particularmente na área da Medicina Geral
e Familiar, com uma tendência decrescente nas outras áreas. Este facto, poderá estar
relacionado com a evolução das taxas de natalidade e fecundidade nesta ilha.
No entanto, a análise do gráfico seguinte (Fig.81) que conjunta o número de consultas
na área materno-infantil com a evolução dos indicadores demográficos (natalidade e
fecundidade) não sugere uma correlação direta ao longo dos últimos anos. No entanto,
há uma tendência decrescente desde 2000 no número de nascimentos registados na
ilha de Santa Maria.
141
Figura 81 - Número de consultas nas áreas materno-infantil e taxas de natalidade e fecundidade na Ilha de Santa
Maria -2000-2018
3 000 60
2 500 50
2 000 40
1 500 30
1 000 20
500 10
0 0
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Planeamento familiar Vigilância da Gravidez Saúde infantil juvenil
Taxa Natalidade Taxa Fecundidade Linear (Taxa Natalidade)
Fonte: Estatísticas da Saúde e Anuários estatísticos/SREA
Quanto às restantes consultas de especialidade, inicialmente contabilizadas nas
estatísticas de saúde dos Centros de Saúde (Fig.82), podemos verificar que a medicina
dentária e a estomatologia reúnem o maior número de consultas, seguidas das áreas da
Otorrinolaringologia e Oftalmologia.
Figura 82 - Consultas de especialidade no Centro de Saúde de Vila do Porto - 1996-2012
1 800
1 600
1 400
1 200
1 000
800
600
400
200
0
Pneumologia Oftalmologia Otorrinolaringolia Saúde Estomatologia Medicina Dentária Pediatria Urologia
mental/Psiquiatria
(99)
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004
2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012
Fonte: Estatísticas de saúde/SREA
142
8.4.3.2 - São Miguel (Centros de Saúde de Lagoa, Nordeste, Ponta Delgada, Povoação,
Ribeira Grande e Vila Franca do Campo)
Na ilha de São Miguel existiam inicialmente seis centros de saúde, no entanto, os dados
das Estatísticas de Saúde passaram a não contabilizar Lagoa, como um centro de saúde
autónomo, mas integrado no Centro de Saúde de Ponta Delgada. Atualmente a Unidade
de Saúde da Ilha de São Miguel (USISM) integra cinco centros de saúde.
Lagoa
O centro de Saúde de Lagoa deixou de registar atos clínicos a partir de 2014 e passou a
integrar as estatísticas do Centro de Saúde de Ponta Delgada, surgindo nos documentos
da USISM como “unidade de saúde”. Entre os anos de 2000 e 2007 não consta
informação nas áreas da saúde materna ou infantil (Fig.83)
Figura 83 - Número de consultas nas áreas da Medicina Geral e Familiar - Centro de Saúde da Lagoa - 1996-2014
12 000
10 000
8 000
6 000
4 000
2 000
0 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014
Medicina geral 7 015 7 186 6 974 6 505 5 474 5 002 5 860 5 637 5 571 6 589 7 785 6 851 6 346 6 419 8 119 8 220 9 960 10 46210 569
Saúde materna 1 210 1 000 710 765 0 0 0 0 0 0 0 0 368 407 479 404 603 605 572
Planeamento familiar 624 597 590 508 350 541 601 574 878 932 796
Saúde Infantil/inf.juvenil 08 2 701 2 508 2 195 2 075 1 444 2 359 2 273 2 547 3 176 3 339 3 282
Medicina geral Saúde materna
Planeamento familiar Saúde Infantil/inf.juvenil 08
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Dos dados publicados regista-se um aumento significativo das consultas de Medicina
Geral e uma tendência crescente, mesmo que entrecortada no histórico da informação
publicada, ao nível das consultas de saúde infantil.
143
Sobre outras áreas de especialidade há a registar apenas dados entre 2000 e 2007 para
três especialidades (Pneumologia, Oftalmologia e Saúde mental/Psiquiatria). De forma
isolada surge um dado para a Medicina Dentária em 2012 (Fig.82).
Figura 84 - Consultas de outras Especialidades no Centro de Saúde da Lagoa - 2000-2012
2 000
1 800
1 600
1 400
1 200
1 000
800
600
400
200
0
Pneumologia Oftalmologia Saúde Medicina Dentária
mental/Psiquiatria (99)
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012
Nordeste
Os dados referentes ao concelho do Nordeste revelam uma tendência decrescente no
número de consultas de medicina geral, particularmente entre 2006 e 2013.
Figura 85 - Número de consultas das áreas da Medicina Geral e Familiar - Centro de Saúde do Nordeste - 1996-2018
12 000
10 000
8 000
6 000
4 000
2 000
0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Medicina geral Saúde materna
Planeamento familiar Saúde Infantil/inf.juvenil 08
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Considerando que o Nordeste é um dos concelhos mais envelhecidos de São Miguel e
da RAA (ver ponto anterior sobre o perfil demográfico), iremos cruzar os dados das
144
consultas de medicina geral com a evolução do Índice de Envelhecimento neste
concelho e o número de médicos a exercer Clínica Geral ou mais recentemente Medicina
geral e familiar (Fig.86).
Figura 86 - Número de consultas de Medicina Geral, Número de Médicos de Clínica Geral e Medicina Geral e Familiar
e Índice de Envelhecimento - Centro de Saúde/Nordeste - 2000-2018
8 000 140
7 000 120
6 000 100
5 000
80
4 000
60
3 000
2 000 40
1 000 20
0 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
0
consultas de Medicina Geral 3 700 3 779 3 513 3 325 4 941 4 704 5 517 4 986 5 035 5 101 4 438 4 097 2 265 2 770 3 015 7 150 7 261 4 181 6 470
Índice de envelhecimento 88,8 87,4 92,1 91,5 92,4 94 96,4 98,4 100,3 103,3 98,8 101,6 103,9 106,8 108,6 115,4 119,7 127,7 130,6
Número de médicos de Clínica Geral e M.G. e
3 3 3 3 3 4 4 5 3 4 3 3 3 3 3 3 3 3 4
Familiar
consultas de Medicina Geral
Índice de envelhecimento
Número de médicos de Clínica Geral e M.G. e Familiar
Fonte: Estatísticas da Saúde e Anuários estatísticos da RAA/SREA
O gráfico anterior mostra-nos como o concelho de Nordeste tem envelhecido de forma
continuada nos últimos anos, não tendo, no entanto, sido acompanhado de um
adequado número de consultas ao nível da Medicina Geral. Apesar dos números terem
aumentado entre 2015 e 2016, voltou a registar-se uma diminuição em 2017 e uma
recuperação em 2018.
Considerando o número de médicos de Clínica Geral ou Medicina Geral e Familiar, a
trabalhar no Centro de Saúde de Nordeste, podemos concluir que, à exceção do
aumento registado em 2018, em outros períodos, não existe uma aparente correlação
entre o número de consultas e o número de clínicos.
Nas outras áreas de especialidade, que não as do domínio dos Cuidados de Saúde
Primários, o Centro de Saúde deixou de registar consultas das especialidades
“hospitalares” a partir de 2007, registando alguns atos clínicos isolados, como o caso
145
das consultas de Urologia em 2012, da Pediatria em 2018 ou mesmo da Medicina
Dentária entre 2009 e 2011 (Fig.87).
Figura 87 - Consultas de outras Especialidades no Centro de Saúde do Nordeste - 1996-2018
2 000
1 800
1 600
1 400
1 200
1 000
800
600
400
200
0 Saúde
Dermato-
Pneumologia Oftalmologia mental/Psiquiatria Estomatologia Medicina Dentária Pediatria Urologia
Venereologia
(99)
1996 0 0 0 547
1997 0 0 0 565
1998 0 0 0 480
1999 0 0 0 453 0
2000 915 142 402 0 0 449 0
2001 869 138 313 0 15 519 0
2002 889 155 277 0 0 542 0
2003 809 113 194 0 0 513 0
2004 1 210 110 253 0 0 489 0
2005 1 167 93 183 0 0 269 0
2006 1 215 136 180 0 0 206 0
2007 1 120 200 169 0 0 206 618
2008 0 0 0 1 172
2009 0 865 0 0 0
2010 0 1 089 0 0 0
2011 0 573 0 0 0
2012 0 0 0 279 0
2018 1 806
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004
2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2018
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Ponta Delgada
O Centro de Saúde de Ponta Delgada é o maior da RAA e cobre uma população que
engloba este concelho e o concelho da Lagoa, pelo menos desde 2014, como foi
anteriormente referido.
O gráfico seguinte reúne os dados das consultas da área dos Cuidados de Saúde
Primários (Fig.88).
146
Figura 88 - Número de consultas em Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde de Ponta Delgada - 1996-2018
90 000
80 000
70 000
60 000
50 000
40 000
30 000
20 000
10 000
0 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Medicina geral 41 47241 36438 77631 53230 10732 96131 48133 53933 63033 13832 77230 37536 46937 21538 50438 00843 60744 23741 55657 57369 97779 11582 647
Saúde materna 4 203 4 619 4 148 3 175 5 996 5 652 5 637 5 510 5 011 3 801 3 423 0 2 483 2 851 2 806 2 603 2 296 2 362 2 545 4 642 6 184 7 267 5 898
Planeamento familiar 1 865 1 614 1 409 1 135 1 536 2 035 2 214 2 163 2 767 2 767 2 306 3 514 5 640 4 553 4 572
Saúde Infantil/inf.juvenil 08 12 31512 06311 16010 275 9 907 13 21010 33312 62114 09914 38213 14619 88924 16624 41220 155
Medicina geral Saúde materna
Planeamento familiar Saúde Infantil/inf.juvenil 08
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
O gráfico anterior testemunha de uma crescente realização de consultas na área da
Medicina Geral, particularmente desde 2015. Nas áreas da saúde familiar apesar da
ligeira tendência de aumento entre os anos de 2008 e 2017, verificou-se uma redução
do número de consultas no último ano (2018).
Considerando a importância deste Centro de Saúde, ao nível da cobertura da população
da ilha de São Miguel, verificamos que o aumento dos profissionais de medicina
produziu um maior impacto nos últimos anos (entre 2015 e 2018) (Fig.89).
Figura 89 - Número total de Consultas de Medicina Geral (e familiar), Número de médicos de Medicina Geral e
Familiar - Centro de Saúde de Ponta Delgada - 1996-2018
140 000 50
45
120 000
40
100 000 35
80 000 30
25
60 000 20
40 000 15
10
20 000
5
0 0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
nºTotal de consultas Nº Médicos
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
147
Se tivermos em conta o número médio de consultas por ano por médico, verificamos
que a tendência é crescente, particularmente a partir de 2008 (Fig.90).
De registar o facto de, em 2018, quando o número de clínicos voltou a aumentar, houve
um ligeiro decréscimo no número médio de consultas por médico.
Figura 90 - Número de médicos de Clínica Geral e Medicina Geral e Familiar e Número médio de
consultas/ano/médico no Centro de Saúde de Ponta Delgada - 1996-2018
50 3500,0
45
3000,0
40
35 2500,0
30 2000,0
25
20 1500,0
15 1000,0
10
500,0
5
0 1996 0,0
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
Nº Médicos
Número médio de consultas por ano/médico
Linear (Número médio de consultas por ano/médico)
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Em relação às outras áreas de especialidade, os dados publicados até 2012 revelam uma
predominância das consultas de Pneumologia (na ordem das 10 mil por ano), seguidas
da Estomatologia/Medicina Dentária (cerca de 5000 em 2012), Urologia (1650 em 2012)
e Psiquiatria (na ordem das 2000 por ano até 2007). Com menos expressão, mas com
um registo constante em diferentes anos, estão as consultas de Oftalmologia (1100 até
2007).
148
Figura 91 - Número de consultas de outras Especialidades - Centro de Saúde de Ponta Delgada - 1996-2012
12 000
10 000
8 000
6 000
4 000
2 000
0
Pneumologia Oftalmologia Otorrinolaringolia Saúde Estomatologia Medicina Dentária Urologia Dermato-Venereologia
mental/Psiquiatria
(99)
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004
2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Povoação
À semelhança do concelho do Nordeste, a Povoação, apesar de forma menos acentuada,
é hoje um concelho envelhecido, quando comparado com a média da ilha de São Miguel.
Os dados sobre as consultas do Centro de Saúde da Povoação revelam a importância da
área de Medicina Geral, em relação às áreas da Saúde familiar (Fig.92).
Figura 92 - Número de consultas de Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde da Povoação. 1996-2018
16 000
14 000
12 000
10 000
8 000
6 000
4 000
2 000
0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Medicina geral Saúde materna
Planeamento familiar Saúde Infantil/inf.juvenil 08
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
149
O gráfico seguinte (Fig. 93) regista o número de consultas total e o número de médicos
de Medicina Geral e Familiar a exercer no Centro de Saúde da Povoação.
Figura 93 - Número de consultas de Medicina Geral e Familiar e Número de médicos de Clínica Geral e Medicina
Geral e Familiar no Centro de Saúde da Povoação (1996-2018)
20 000 6
5
15 000
4
10 000 3
2
5 000
1
0 0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Número total de consultas Número de médicos
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Como se pode verificar, o Centro de Saúde da Povoação tem tido entre 3 e 5 Médicos a
exercer no âmbito dos Cuidados de Saúde Primários.
Em termos de impacto no número total de consultas, aparentemente, só o aumento
verificado de 3 para 4 médicos, a partir de 2015, produziu uma significativa diferença no
número de consultas (Fig.94).
Figura 94 - Número de médicos de Medicina Geral e Familiar e número de consultas médio/ano/médico no Centro
de Saúde da Povoação - 1996-2018
6 5000,0
5 4000,0
4
3000,0
3
2000,0
2
1 1000,0
0 0,0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Número de médicos Número de consultas/ano/médico
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Quanto às restantes especialidades, não inseridas no domínio dos CSP, as áreas mais
referenciadas, mesmo considerando que os dados dizem respeito apenas aos anos entre
150
1996 e 2007, são a Pneumologia, a Dermo-Venereologia, a Saúde mental/Psiquiatria e
a Oftalmologia. De registar as consultas de Urologia em 2012 e as de Estomatologia e
Medicina Dentária até 2012 (Fig.95).
Figura 95 - Número de consultas de outras Especialidades no Centro de Saúde da Povoação - 1996-2012
1 800
1 600
1 400
1 200
1 000
800
600
400
200
0
Pneumologia Oftalmologia Saúde mental/Psiquiatria Estomatologia Medicina Dentária Urologia Dermato-Venereologia
(99)
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Ribeira Grande
O centro de Saúde da Ribeira Grande situa-se no concelho mais jovem dos Açores, onde
as taxas de natalidade e fecundidade são das mais elevadas da RAA, por esse motivo
não é de admirar o número de consultas na área da Saúde Familiar, em particular na
área da saúde infantil e juvenil (Fig. 96).
Figura 96 - Número de consultas na área da Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde da Ribeira Grande - 1996-
2018
30 000
25 000
20 000
15 000
10 000
5 000
0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017
Medicina geral Saúde materna/Ginecologia/Obst. Planeamento familiar Saúde Infantil/inf.juvenil 08
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
151
Considerando o facto, como foi referido, de estarmos perante o concelho dos Açores
mais jovem, importa introduzir os dados sobre a taxa de natalidade e fecundidade
registada no concelho da Ribeira Grande, para melhor avaliar da necessidade que esta
população regista ao nível da saúde materna e infantil.
O gráfico seguinte (Fig.97) conjuga os valores da Taxa de Natalidade no concelho da
Ribeira Grande com o número de consultas nas áreas Materno-infantil. Como se pode
depreender, apesar da falta de informação para alguns anos (2004 a 2008), antes de
2008 era notório o número reduzido de consultas face ao elevado número de
nascimentos neste concelho. De relembrar que, apesar da tendência decrescente da
natalidade, que tem afetado a RAA como o país, o concelho da Ribeira Grande registava
um valor de 11,8%0 em 2018, quando na RAA este indicador era de 9,3 %0.
Figura 97 - Número de consultas de Medicina Geral e Familiar (Saúde materna e Infantojuvenil) no Centro de Saúde
da Ribeira Grande e Taxa de Natalidade no Concelho da Ribeira. Grande - 1996-2018
16 000 25
14 000
20
12 000
10 000 15
8 000
6 000 10
4 000
5
2 000
0 0
1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
nº total de consultas de Medicina Familiar Taxa de natalidade
Fonte: Estatísticas da Saúde e Anuário estatístico da RAA/SREA
À semelhança das análises anteriores iremos verificar a relação entre o total das
consultas registadas com o número de clínicos de medicina geral e familiar a exercer no
Centro de Saúde (Fig. 98).
152
Figura 98 - Número total de consultas de Medicina Geral e Familiar e Número total de Médicos de Medicina Geral e
Familiar no Centro de Saúde da Ribeira Grande - 1996-2018
45 000 20
40 000
35 000 15
30 000
25 000
10
20 000
15 000
10 000 5
5 000
0 1996 0
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
Número total de consultas Nº de médicos de Medicina Geral e familiar
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
O gráfico anterior revela uma correlação positiva, particularmente nos últimos anos
(2016-2018).
Em termos de número de consultas por médico (Fig.99), a tendência é crescente e situa-
se entre as 2000 e as 3000 consultas/ano/médico, exceção dos anos em que o Centro
de Saúde registava menos clínicos como aconteceu em 2008 e 2009 e em 2015 e 2016.
Figura 99 - Número de médicos de Medicina Geral e Familiar e Número de consultas/ano/médico no Centro de
Saúde da Ribeira Grande - 1996-2018
20 6000,0
5000,0
15
4000,0
10 3000,0
2000,0
5
1000,0
0 0,0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Nº de médicos de Medicina Geral e familiar
Número de consultas/ano/médico
Linear (Número de consultas/ano/médico)
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Em relação às outras especialidades, que não as da área da Medicina Geral e Familiar,
tal como nos restantes Centros de saúde, os dados estão limitados até 2012.
153
O gráfico (Fig.100), à semelhança do que foi registado em outros centros de saúde,
confirma a relevância das consultas de Pneumologia, Dermo-Venereologia, Psiquiatria e
Urologia. Mais recentemente registam-se números significativos de consultas de
Estomatologia/Medicina Dentária.
Figura 100 - Número de consultas de outras Especialidades no Centro de Saúde da Ribeira Grande - 1996-2012
6 000
5 000
4 000
3 000
2 000
1 000
0
Pneumologia Oftalmologia Otorrinolaringolia Saúde Estomatologia Medicina Dentária Urologia Dermato-Venereologia
mental/Psiquiatria
(99)
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004
2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Vila Franca do Campo
Em termos das consultas de Medicina Geral e Familiar o Centro de Saúde de Vila Franca
regista uma tendência de decréscimo em todas as áreas, apesar de nos últimos anos
(2015-2018) terem retomado com maior intensidade, as consultas de Medicina Geral
(Fig.101). Na vertente da saúde familiar existe, pelo contrário, uma diminuição do
número de consultas.
Figura 101 - Número de consultas de Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde de Vila Franca do Campo - 1996-
2018
20 000
15 000
10 000
5 000
0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Medicina geral Saúde materna/Ginecologia/Obst.
Planeamento familiar Saúde Infantil/inf.juvenil 08
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
154
A explicação para essa tendência decrescente, particularmente entre 1997 e 2014
poderá estar na oscilação do número de clínicos de MGF, entre 5 e 8 (Fig.102).
Figura 102 - Número total de consultas de Medicina Geral e Familiar, Número de Médicos de Medicina Geral e
Familiar - 1996-2018
25 000 10
20 000 8
15 000 6
10 000 4
5 000 2
0 0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Número total de consultas MGF Número de médicos de MGF
Linear (Número total de consultas MGF) Linear (Número de médicos de MGF)
Fonte: Estatísticas da saúde
No entanto, este não parece o único fator que explica a tendência de redução do
número de consultas, uma vez que a tendência ao nível do número de médicos é
crescente enquanto ao nível das consultas é exatamente o contrário.
Em termos do número médio de consultas/ano/médico, verificamos uma tendência
também decrescente, oscilando entre 1500 e 4000 consultas por ano/médico (Fig.103).
Figura 103 - Número de médicos e Número médio de consultas de Medicina Geral e Familiar/ano/médico no Centro
de Saúde de Vila Franca do Campo - 1996-2018
10 5000,00
8 4000,00
6 3000,00
4 2000,00
2 1000,00
0 0,00
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Número de médicos de MGF Número de consultas/ano/médico
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
155
8.4.3.3 - Terceira
Na ilha Terceira há dois centros de saúde que integram a Unidade de Saúde da Ilha
Terceira (USIT), Angra do Heroísmo e Praia da Vitória.
Angra do Heroísmo
O Centro de Saúde de Angra do Heroísmo regista um crescente aumento do número
de consultas de Medicina Geral (Fig.104).
Figura 104 - Número de consultas de Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde de Angra do Heroísmo - 1996-
2018
40 000
35 000
30 000
25 000
20 000
15 000
10 000
5 000
0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Medicina geral Saúde materna
Planeamento familiar Saúde Infantil/inf.juvenil 08
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Quando analisamos o número total de consultas e o número total de médicos de
medicina geral e familiar a trabalhar no Centro de Saúde de Angra do Heroísmo,
verifica-se que há uma certa correlação entre os dois indicadores (Fig.105).
156
Figura 105 - Número total de consultas de Medicina Geral e Familiar e Número total de Médicos de Medicina Geral e
Familiar no Centro de Saúde de Angra do Heroísmo - 1996-2018
50000 25
40000 20
30000 15
20000 10
10000 5
0 0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Número total de consultas de MGF Número de médicos de MGF
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Em termos de número médio de consultas por médico, por ano (Fig.106), os dados
revelam que esse valor tem oscilado em torno das 2000 – 2500 consultas por
ano/médico, exceção do ano de 2009, que registo um valor superior a 4000, por ser o
ano com menos clínicos de MGF no Centro de Saúde.
Figura 106 - Número de médicos de Medicina Geral e Familiar e Número médio de consultas/ano/médico - 1996 -
2018
25 4500,00
4000,00
20 3500,00
3000,00
15
2500,00
2000,00
10
1500,00
5 1000,00
500,00
0 0,00
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Número de médicos de MGF Número de consultas/ano/médico
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Para além das áreas da Medicina Geral e Familiar, são poucas as especialidades que
registaram atividade no Centro de Saúde de Angra do Heroísmo, conforme se pode
verificar no gráfico seguinte (Fig.107).
157
No entanto, a estomatologia e a medicina dentária registam uma atividade significativa,
assim como a Oftalmologia e a Otorrino.
Figura 107 - Consultas de outras Especialidades no Centro de Saúde de Angra do Heroísmo - 1996-2012
3 500
3 000
2 500
2 000
1 500
1 000
500
0
Ginecologia/Obstetrícia Oftalmologia Otorrinolaringolia Saúde mental/Psiquiatria Estomatologia Medicina Dentária Pediatria
08 (99)
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004
2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Praia da Vitória
O centro de saúde da Praia da Vitória, à semelhança de Angra do Heroísmo regista uma
crescente realização de consultas de Medicina Geral. Ao nível da medicina familiar
regista-se um ligeiro aumento do número de consultas entre 2014 e 2018 (Fig.108).
Figura 108 - Número de consultas de Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde da Praia da Vitória - 1996 - 2018
30 000
25 000
20 000
15 000
10 000
5 000
0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Medicina geral Saúde materna Saúde Infantil/inf.juvenil 08
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
158
Da análise do número de médicos de MGF a trabalhar no Centro de Saúde da Praia da
Vitória, destaca-se o facto de haver uma relação direta entre o número de clínicos e a
produção de consultas (Fig.109).
Figura 109 - Número total de consultas de Medicina Geral e Familiar e número total de médicos de Medicina Geral e
Familiar no Centro de Saúde da Praia da Vitória - 1996-2018
40 000 15
30 000
10
20 000
5
10 000
0 0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Número total de consultas de MGF Número total de médicos de MGF
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Quanto ao número médio de consultas/ano/médico (Fig.110), os dados situam o
número médio na ordem das 2300 consultas/ano/médico, exceção dos anos de 2015 e
2016 onde existiram menos clínicos de MGF em exercício no Centro de Saúde.
Figura 110 - Número total de médicos de Medicina Geral e Familiar e Número médio de consultas/ano/médico no
Centro de Saúde da Praia da Vitória - 1996-2018
16 4000,00
14 3500,00
12 3000,00
10 2500,00
8 2000,00
6 1500,00
4 1000,00
2 500,00
0 0,00
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Número total de médicos de MGF Número de consultas/ano/médico
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
159
Ao nível de outras especialidades (Fig.111), o Centro de Saúde da Praia da Vitória
regista apenas as áreas da Medicina Dentária/Estomatologia, da Oftalmologia e
Otorrinolaringologia.
Figura 111- Número de consultas de outras Especialidades no Centro de Saúde da Praia da Vitória - 1996-2018
3 000
2 500
2 000
1 500
1 000
500
0
Oftalmologia Otorrinolaringolia Estomatologia Medicina Dentária
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004
2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
8.4.3.4 - Graciosa
.
Na ilha Graciosa encontramos um Centro de Saúde que é também o único da Unidade
de saúde da ilha.
De acordo com os dados sobre o número de consultas da área da Medicina Geral e
Familiar, verifica-se uma tendência crescente, particularmente desde 2012, quer ao
nível da Medicina Geral, quer nas áreas da Saúde materna e infantil (Fig.112).
Figura 112 - Número de consultas de Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde da Graciosa - 1996-2018
15 000
10 000
5 000
0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Medicina geral Saúde materna
Planeamento familiar Saúde Infantil/inf.juvenil 08
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
160
Uma análise da evolução do número de clínicos de Medicina Geral e Familiar a exercer
no Centro de Saúde da Graciosa (Fig.113) revela que, apesar da redução do número de
clínicos registada em 2011 (de 4 para 2) e da recuperação de um clínico em 2013, o
número de consultas aumentou desde 2014, inclusive em 2018, quando o centro regista
de novo menos um médico de MGF.
Figura 113 - Número total de consultas de Medicina Geral e Familiar e Número de médicos de Medicina Geral e
Familiar no Centro de Saúde da Graciosa - 1996-2018
16 000 5
14 000
4
12 000
10 000 3
8 000
6 000 2
4 000
1
2 000
0 0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Número total de consultas de MGF Número de médicos de MGF
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Em termos do número médio de consultas por ano/médico, o resultado é uma tendência
crescente, na ordem inversa da tendência registada no número de médicos em exercício
neste Centro de Saúde (Fig.114).
Figura 114 - Número de médicos de Medicina Geral e Familiar e Número médio de consultas/ano/médico - 1996-
2018
4,5 8000,00
4 7000,00
3,5 6000,00
3
5000,00
2,5
4000,00
2
3000,00
1,5
1 2000,00
0,5 1000,00
0 0,00
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Número de médicos de MGF Número de consultas/ano/médico
Linear (Número de médicos de MGF) Linear (Número de consultas/ano/médico)
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
161
Ao nível das outras especialidades, sem dúvida que a Medicina Dentária/Estomatologia
foi a que mais consultas registou entre 1996 e 2012, seguida das áreas da Otorrino e
Oftalmologia (Fig.115).
Figura 115 - Número de consultas de outras Especialidades no Centro de Saúde da Graciosa - 1996-2018
3 000
2 500
2 000
1 500
1 000
500
0
a a
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08 Saúde
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004
2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012
Fonte: Estatísticas da Saúde
8.4.3.5 - São Jorge
A ilha de São Jorge engloba dois centros de saúde, Calheta e Velas.
Calheta
O concelho da Calheta é o segundo concelho mais envelhecido dos Açores, com um
índice de envelhecimento de 175,7 em 2018, quando na RAA se registava 91,2.
Nesse sentido, o centro de saúde tem uma particular importância no atendimento às
populações mais envelhecidas nas consultas de Medicina Geral (Fig. 116), o mesmo
acontecendo em outros concelhos da região, como temos vindo a destacar. A vertente
familiar, da saúde materna e infantil não tem neste concelho o mesmo protagonismo,
até pelo fenómeno do envelhecimento e da baixa da natalidade, como adianta se
demonstra. O gráfico regista uma tendência de redução do número de consultas de
162
medicina familiar, o que poderá decorrer da perda de residentes, no entanto, como foi
referido, há certamente um acréscimo de necessidades por parte dos residentes mais
velhos.
Figura 116 - Número de consultas de Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde da Calheta - São Jorge - 1996-
2018
8 000
7 000
6 000
5 000
4 000
3 000
2 000
1 000
0 1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
Medicina geral Saúde materna
Planeamento familiar Saúde Infantil/inf.juvenil 08
Linear (Medicina geral )
Fonte: Estatísticas da Saúde
O gráfico seguinte reúne informação demográfica sobre a evolução da taxa de
natalidade e do índice de envelhecimento no concelho da Calheta (Fig.117).
Figura 117 - Taxa de natalidade e índice de envelhecimento no concelho da Calheta de São Jorge - 2000-2018
12 200
10
150
8
6 100
4
50
2
0 0
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Taxa de natalidade
Índice de envelhecimento
Exponencial (Taxa de natalidade)
Fonte: Estatísticas demográficas da RAA/SREA
163
Trata-se de um concelho que tem vindo a envelhecer nos últimos anos, quer pelo
número de idosos ali residentes, quer pela diminuição do número de nascimentos.
Em termos da presença dos médicos de Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde
da Calheta, verificamos que tem oscilado entre 2 e 3, chegando a ter 4 em alguns anos.
Se relacionarmos o número de clínicos com o número de consultas, no caso deste centro
tem diminuído com a redução do número de clínicos, exceção do ano de 2018 (Fig.118).
Figura 118 - Número de médicos de Medicina Geral e Familiar e Número total de consultas de Medicina Geral e
Familiar no Centro de Saúde da Calheta de São Jorge - 1996-2018
4,5 12 000
4
10 000
3,5
3 8 000
2,5
6 000
2
1,5 4 000
1
2 000
0,5
0 0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Nº de médicos de MGF Número total de consultas de MGF
Fonte: Estatísticas da Saúde
Atendendo ao número de consultas por ano/médico (Fig.119), verificamos que aumenta
quando há uma redução do número de clínicos e diminui sempre que esse número
aumenta.
Figura 119 - Número de médicos de Medicina Geral e Familiar e número médio de consultas/ano/médico no Centro
de Saúde da Calheta de São Jorge - 1996-2018
5 4000,00
4 3000,00
3
2000,00
2
1 1000,00
0 0,00
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Nº de médicos de MGF Nº consultas/ano/médico
Fonte: Estatísticas da Saúde
164
Ao nível das outras áreas de especialidade (Fig.120), destacam-se as consultas de
Estomatologia e Medicina Dentária, seguidas das áreas de Otorrino, Oftalmologia e
Ginecologia.
Figura 120 - Número de consultas de outras Especialidades no Centro de Saúde da Calheta de São Jorge - 1996-2018
3 000
2 500
2 000
1 500
1 000
500
0
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Sa ú
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004
2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012
Fonte: Estatísticas da Saúde
Velas
O concelho das Velas de São Jorge reúne mais população do que o da Calheta, no
entanto, no panorama da região, como foi referido anteriormente, é também um dos
concelhos mais envelhecidos, fazendo com que esta ilha registe um índice de
envelhecimento de 159,5, o mais elevado da RAA.
Em termos de consultas de Medicina Geral e Familiar (Fig.121), a evolução registada no
centro de saúde das Velas revela um pico de consultas de medicina geral entre 2003 e
2008, no quadro de uma tendência decrescente, se considerarmos o período em análise
(1996-2018).
165
Figura 121 - Número de consultas de Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde das Velas de São Jorge - 1996-
2018
25 000
20 000
15 000
10 000
5 000
0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Medicina geral Saúde materna
Planeamento familiar Saúde Infantil/inf.juvenil 08
Fonte: Estatísticas da Saúde
Considerando a presença dos Clínicos de Medicina Geral e Familiar neste Centro de
Saúde das Velas (Fig.122), verifica-se que o número de consultas tem variado em função
do número de médicos, exceção do ano de 2006 em que não tendo havido alteração no
número de clínicos houve um aumento significativo no número de consultas.
Figura 122 - Número de consultas de Medicina Geral e Familiar e número de médicos de Medicina Geral e Familiar
no Centro de Saúde das Velas de São Jorge - 1996-2018
25 000 6
20 000 5
4
15 000
3
10 000
2
5 000 1
0 0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Número de consultas de MGF Número de médicos de MGF
Fonte: Estatísticas da Saúde
Quanto ao número de consultas por médico/ano, verifica-se uma grande variação, que
em parte acompanha a oscilação no número de clínicos ao serviço da população deste
concelho (Fig.123).
166
Figura 123 – Número de consultas de Medicina Geral e Familiar/ano/médico e Número de médicos de Medicina
Geral e Familiar – 1996-2018
9000,00 6
8000,00
5
7000,00
6000,00 4
5000,00
3
4000,00
3000,00 2
2000,00
1
1000,00
0,00 0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Número de consultas/ano/médico Número de médicos de MGF
Fonte: Estatísticas da Saúde
Ao nível das outras áreas de especialidade, o Centro de Saúde de Velas regista um
número significativo de consultas nas áreas da Estomatologia e Medicina Dentária e de
Urologia, no ano de 2012. As áreas que também registam um número consistente de
consultas entre 1996 e 2012) foram as de Otorrino e Oftalmologia (Fig.124).
Figura 124 - Número de consultas de outras Especialidades no Centro de Saúde de Velas - 1996-2018
3 500
3 000
2 500
2 000
1 500
1 000
500
0
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1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004
2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012
Fonte: Estatísticas da Saúde
167
8.4.3.6 - Pico
O Pico é a segunda maior ilha, em área geográfica, da RAA. Residiam, nesta ilha em
2018, 13637 habitantes nos três concelhos: 4498 residentes nas Lajes, 5875 na
Madalena e 3264 em São Roque.
Lajes do Pico
O centro de Saúde das Lajes registou até 2014 uma redução significativa no número de
consultas. No entanto, desde 2014 houve um aumento bastante significativo (Fig.125).
Figura 125 - Número de consultas de Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde das Lajes do Pico - 1996-2018
15 000
10 000
5 000
0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Medicina geral Saúde materna Planeamento familiar Saúde Infantil/inf.juvenil 08
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
A leitura destes dados pode ter algum sentido, quando analisamos o número de clínicos
disponíveis neste centro de saúde, verificamos que a redução do número de consultas
não resultou de uma diminuição de clínicos. O aumento do número de consultas em
2015 coincidiu com uma redução no número de clínicos de 4 para 3 (Fig.126).
Figura 126 - Número total de consultas de Medicina Geral e Familiar e Número de médicos de Medicina Geral e
Familiar - 1996-2018
20 000 6
15 000
4
10 000
2
5 000
0 0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Nº total de consultas MGF Nº de Médicos de MGF
Fonte: Estatísticas da Saúde
168
A análise do número de consultas por ano/médico revela que a média que perdurou
entre 2001 e 2014 rondou as 1200 – 1300 consultas, muito abaixo de outras médias
registadas em outros centros de saúde (Fig.127).
Figura 127 - Número de consultas médio/ano/médico e número de médicos de Medicina Geral e Familiar no Centro
de Saúde das Lajes do Pico - 1996-2018
6000,00 6
5000,00 5
4000,00 4
3000,00 3
2000,00 2
1000,00 1
0,00 0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Número de consultas/ano/médico Número de médicos de MGF
Fonte: Estatísticas da Saúde
Figura 128 - Número de consultas de outras Especialidades no Centro de Saúde das Lajes do Pico - 1996-2012
1 800
1 600
1 400
1 200
1 000
800
600
400
200
0
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at ia a
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1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004
2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012
Fonte: Estatísticas da Saúde
O gráfico anterior (Fig. 128) mostra como, especialidades como Ginecologia,
Oftalmologia, Otorrino e Psiquiatria, registaram consultas todos os anos no Centro de
Saúde das Lajes, até 2012. No caso da Medicina Dentária, não houve tanta consistência
na prestação desta especialidade, no entanto, regista números bastante significativos.
169
Madalena
O concelho da Madalena é o mais populoso da ilha. Em termos de consultas de medicina
geral e familiar regista-se um menor número entre 2000 e 2014, tendo reaumentado
entre 2015 e 2018 (Fig. 129).
Figura 129 - Número de consultas de Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde da Madalena - Pico - 1996-2018
14 000
12 000
10 000
8 000
6 000
4 000
2 000
0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Medicina geral Saúde materna
Planeamento familiar Saúde Infantil/inf.juvenil 08
Fonte: Estatísticas da Saúde
Ao longo dos anos em análise verifica-se que o aumento do número de médicos não
teve impacto no número de consultas, entre 2008 e 2014. Desde então verificou-se um
aumento de consultas e um aumento de clínicos.
Figura 130 - Número total de consultas de Medicina Geral e Familiar e Número de médicos de Medicina Geral e
Familiar no Centro de Saúde da Madalena- Pico - 1996-2018
16 000 6
14 000 5
12 000
10 000 4
8 000 3
6 000 2
4 000
2 000 1
0 1996 0
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
Nº total de consultas de MGF Nº de médicos de MGF
Fonte: Estatísticas da Saúde
170
Da análise destes dados tendo por base o número de consultas/ano/médico (Fig.131),
verifica-se que a redução do número de consultas entre 2008 e 2014 corresponde à
presença de quatro clínicos, quando antes havia apenas três.
Figura 131 - Número de consultas/ano/médico no Centro de Saúde no Centro de Saúde da Madalena - Pico - 1996-
2018
5000,00 6
4500,00
4000,00 5
3500,00 4
3000,00
2500,00 3
2000,00
1500,00 2
1000,00 1
500,00
0,00 1996 0
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
Número de consultas/ano/médico Nº de médicos de MGF
Fonte: Estatísticas da Saúde
Em relação às restantes especialidades, verifica-se que no centro de saúde da Madalena
houve uma prática consistente na área da Ginecologia, Oftalmologia, Otorrino e
Psiquiatria, entre 1996 e 2012 (Fig.132).
Figura 132 - Número de consultas de outras Especialidades no Centro de Saúde da Madalena - Pico - 1996-2018
1 400
1 200
1 000
800
600
400
200
0
ol 08 a in (9
)
at ia a
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og ol og go 9 ol De ol
ia cia i lia ria og nt Pe og
Pn /O lm in ia ár di a ia
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1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004
2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012
Fonte: Estatísticas da Saúde
171
São Roque do Pico
No centro de Saúde de São Roque do Pico, o número de consultas de Medicina Geral e
Familiar tem oscilado ao longo dos anos, com um decréscimo mais acentuado entre os
anos de 2005 e 2012 (Fig.133). Desde de 2013, o número de consultas voltou a aumentar
até 2018.
Figura 133 - Número de consultas de Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde de São Roque do Pico - 1996-
2018
8 000
6 000
4 000
2 000
0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Medicina geral Saúde materna
Planeamento familiar Saúde Infantil/inf.juvenil 08
Fonte: Estatísticas da Saúde
Ao nível do número de clínicos ao serviço deste Centro de Saúde (Fig.134), depois de se
registar três clínicos de MGF até 2002, o Centro de Saúde de São Roque passou a contar
com quatro médicos entre 2003 e 2014, exceção do ano de 2011. Desde 2015, tem
havido uma alteração desse número, entre 2 e 4 clínicos.
Figura 134 - Número de consultas de Medicina Geral e Familiar e Número de médicos de Medicina Geral e Familiar
no Centro de Saúde de São Roque do Pico - 1996-2018
10 000 5
8 000 4
6 000 3
4 000 2
2 000 1
0 0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Nº consultas de MGF Nº de médicos de MGF
Fonte: Estatísticas da Saúde
172
Em termos do número de consultas por ano/médico (Fig.135) verifica-se uma tendência
decrescente entre 1996 e 2012, tendo aumentado, aquando da redução do número de
clínicos em 2015. Em média, neste período em análise, cada clínico realizou cerca de
2200 consultas por ano.
Figura 135 - Número médio de consultas/ano/médico e número de médicos de Medicina Geral e Familiar no Centro
de Saúde de São Roque do Pico - 1996-2018
4,5 5000,0
4 4500,0
3,5 4000,0
3 3500,0
3000,0
2,5
2500,0
2
2000,0
1,5 1500,0
1 1000,0
0,5 500,0
0 0,0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Nº de médicos de MGF Número de consultas/ano/médico
Fonte: Estatísticas da Saúde
Em termos das outras especialidades, o número de consultas entre 1996 e 2012 foi
sobretudo registado nas áreas de Medicina Dentária e Ginecologia. Registou-se ainda
um número continuado de consultas de Oftalmologia, Otorrino e Psiquiatria (Fig.136).
Figura 136 - Número de consultas de outras Especialidades no Centro de Saúde de São Roque do Pico - 1996-2018
1 400
1 200
1 000
800
600
400
200
0
ol 08 a in (9
)
at ia tri a Ur
og ol og go 9 ol De ol
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eu bs Of ol uiat Es
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trí Ot siq m M
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co ta
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Gi de
Sa ú
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012
Fonte: Estatísticas da Saúde
173
8.4.3.7 - Faial
Apesar desta ser a terceira maior ilha em população da RAA, tem apenas um concelho,
logo um centro de Saúde, mas tem também um dos três hospitais da Região. Talvez por
esse facto, as consultas de especialidade, que não de Medicina Geral e Familiar, não
constam dos dados registados.
O centro de saúde da Horta, pelo menos desde 1996, apenas presta serviços ao nível
dos Cuidados de Saúde primários.
De acordo com o gráfico seguinte (Fig.137), houve um decréscimo no número de
consultas entre 2000 e 2006, tendo vindo a aumentar desde esse ano.
Figura 137- Número de consultas de Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde da Horta – 1996-2018
30 000
25 000
20 000
15 000
10 000
5 000
0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Medicina geral Saúde materna
Planeamento familiar Saúde Infantil/inf.juvenil 08
Fonte: Estatísticas da Saúde
Considerando o número de clínicos a exercer neste Centro de Saúde verifica-se que o
número de consultas diminuiu com a diminuição do número de médicos e que, a
recuperação recente (2015-2018) parece corresponder à entrada de mais clínicos
(Fig.138)
174
Figura 138 – Número total de consultas de Medicina Geral e Familiar e Número de Médicos de Medicina Geral e
Familiar – 1996-2018
35 000 14
30 000 12
25 000 10
20 000 8
15 000 6
10 000 4
5 000 2
0 0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Número total de consultas de MGF Número de Médicos de MGF
Fonte: Estatísticas da Saúde
Figura 139 - Número médio de consultas de Medicina Geral e Familiar/ano/médico e Número de Médicos de
Medicina Geral e Familiar - 1996-2018
5000,0 14
12
4000,0
10
3000,0 8
2000,0 6
4
1000,0
2
0,0 0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Número de consultas/ano/médico Número de Médicos de MGF
Fonte: Estatísticas da Saúde
Ao nível do número de consultas por médico/ano, verifica-se uma média de cerca de
2200 ao longo do período em análise. No entanto, desde 2014, essa média aumentou.
Como já foi referido antes, não existe registo de consultas de outras especialidades no
centro de saúde da Horta, exceção para algumas consultas de Urologia (112) no ano de
2012.
8.4.3.8 - Flores
175
Apesar de esta ilha ter dois concelhos, apenas há um Centro de Saúde, em Santa Cruz.
Como foi anteriormente referido, a ilha das Flores registava em 2018 um dos mais
elevados índices de envelhecimento da RAA, como adiante se apresenta. Há uma clara
diminuição na população residente e um evidente envelhecimento das comunidades.
Quanto ao número de consultas de Medicina Geral e Familiar, os dados revelam uma
acentuada tendência de diminuição, particularmente ao nível da Medicina Geral
(Fig.140).
Figura 140 - Número de consultas de Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde das Lajes das Flores - 1996-2018
15 000
10 000
5 000
0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Medicina geral Saúde materna
Planeamento familiar Saúde Infantil/inf.juvenil 08
Linear (Medicina geral )
Fonte: Estatísticas da Saúde
Olhando o número de clínicos de Medicina Geral e Familiar a trabalhar no Centro de
Saúde, esta tendência parece explicar-se dada a redução desse efetivo, existindo em
2018 apenas um médico ao serviço da população utente do Centro de saúde (Fig.141).
Figura 141- Número total de consultas de Medicina Geral e Familiar e Número de médicos de Medicina Geral e
Familiar no Centro de Saúde das Lajes das Flores - 1996-2018
15 000 5
4
10 000
3
2
5 000
1
0 0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Número total de consultas de MGF Número de Médicos de MGF
Fonte: Estatísticas da Saúde
176
Este reduzido número de médicos justifica uma diminuição das consultas realizadas. No
entanto, há a registar o facto de, com apenas um clínico entre 2016 e 2018, o número
de consultas ter aumentado, atingindo uma média de consultas por ano/médico muito
superior à registada em outras unidades de saúde (Fig.142).
Figura 142 - Número médio de consultas/ano/médico e número de médicos de Medicina Geral e Familiar no Centro
de Saúde das Lajes das Flores - 1996-2018
10000 5
8000 4
6000 3
4000 2
2000 1
0 0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Númerod de consultas por ano/médico Número de Médicos de MGF
Fonte: Estatísticas da Saúde
Este é um concelho envelhecido (Fig.143), como já foi referido, e isso implica um
acréscimo de procura da população idosa por serviços de Medicina Geral, daí a
relevância da situação registada anteriormente.
Figura 143 - Índice de envelhecimento na Ilha das Flores (Concelhos de Sta. Cruz e Lajes) - 2001-2018
200
173,5
163,3
150 147,4 150
133,3 133,5
125,4
120,4 113
100 96,8
50
0
2001 2006 2011 2016 2018
Sta. Cruz Lajes
Fonte: Anuário estatístico da RAA/SREA
177
8.4.3.9 - Corvo
A ilha mais pequena da RAA teve, durante muito tempo, um clínico privado que
assegurava a assistência à população. Desde 2011, existe o registo de um Médico de
Medicina Geral e Familiar (Fig.144), que tem vindo a assegurar as respostas da
população residente de cerca de 400 habitantes
Figura 144 - Número de consultas de Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde do Corvo - 2011-2018
2 500
2 000
1 500
1 000
500
0
2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Medicina geral Planeamento familiar
Saúde materna Saúde infantil e juvenil
Fonte: Estatísticas da Saúde
Considerando a existência de um só clínico, a totalidade de consultas realizadas por
ano tem oscilado em torno das 2100 (Fig.145).
Figura 145 - Número total de consultas de Medicina geral e Familiar e número de médicos de Medicina Geral e
Familiar e número de médicos de Medicina Geral e Familiar no Centro de Saúde do Corvo - 2011-2018
3 000 1,2
2 500 1
2 000 0,8
1 500 0,6
1 000 0,4
500 0,2
0 0
2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Número total de consultas de MGF Número de médicos de MGF
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Ao nível de outras especialidades, há apenas a registar em 2011 e 2012 consultas de
Medicina Dentária e Oftalmologia
178
Medicina
Dentária Oftalmologia
2011 98 69
2012 131 96
8.4.4 - Número médio de consultas por ano/médico
Ao longo deste ponto foi possível olhar a evolução do número de consultas
disponibilizadas pelos clínicos de medicina geral e familiar nos Centros de Saúde. Em
relação a outras especialidades, relembramos o facto de a partir de 2013 as consultas
deixarem de ser contabilizadas nos Centros de Saúde, uma vez que são proporcionadas
por médicos hospitalares. No entanto, como iremos poder constatar no ponto seguinte,
não existe nenhuma referência no registo das consultas realizadas no quadro dos três
hospitais da Região, em que ilha aconteceram. Logo, perde-se a continuidade da
informação que foi possível analisar entre 1996 e 2012.
Tabela 18 – Número médio de consultas/médico nos Centros de saúde da RAA - 2018
Número médio
Número de de
Número total de médicos de consultas/ano/m
Ilha Centro de Saúde consultas de MGF MGF édico
Santa Maria Vila do Porto 11871 3 3957
Nordeste 9268 3 2317
Ponta Delgada 113272 43 2634,2
Povoação 11545 4 2886,3
Ribeira Grande 39685 18 2204,7
São Miguel Vila Franca Campo 14802 7 2114,6
Angra do Heroísmo 42120 17 2477,7
Terceira Praia da Vitória 33078 14 2362,7
Graciosa Sta. Cruz 14947 2 7473,5
Calheta 7142 2 3571
São Jorge Velas 11073 3 3691
Madalena 12500 5 2500
São Roque 8025 4 2006,3
Pico Lajes do Pico 12461 4 3115,3
Faial Horta 23604 9 2622,7
Flores Sta. Cruz das Flores 9276 1 9276
Corvo Corvo 2322 1 2322
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
179
Retomando a temática do número de consultas anual, realizadas por cada médico, e
tendo por base os dados de 2018, podemos comparar os diferentes centros de saúde.
Desde logo, se excetuarmos os centros de Saúde das ilhas Graciosa e Flores, onde o
número médio de consultas/ano/médico é o dobro dos outros centros de saúde,
decorrente do número de clínicos que estavam ao serviço desses centros de saúde em
2018, em todos os outros, estamos perante médias que oscilam entre 2000 e 4000
consultas/ano/médico (Tabela 18).
Se tivermos em conta os diferentes centros de saúde e excetuarmos os valores da
Graciosa e das Flores, a média de consultas/ano nos centros de Saúde da RAA, em 2018,
foi de 2718,8 (Fig.146).
Este exercício, meramente estatístico, permite-nos especular sobre o número de
consultas semanais que, em média um clínico de Medicina Geral e Familiar realiza num
centro de saúde da RAA. Se considerarmos 48 semanas de trabalho (excetuando 4
semanas de férias), 2718,8 consultas/ano corresponderia a 56,6 consultas por semana,
ou seja, 11,3 consultas, em média, por dia útil (cinco dias na semana).
Figura 146 - Número médio de consultas/ano/médico de Medicina Geral e Familiar nos Centros de Saúde da Região -
2018
10000
9000
8000
7000
6000
5000
4000
3000 2718,8
2000
1000
0
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Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
180
8.4.5 – Consultas nos Hospitais por especialidade
8.4.5.1 - Hospital de Divino Espírito Santo – Ponta Delgada (HDES)
Os dados publicados sobre as consultas de especialidade realizadas no Hospital do
Divino Espírito Santo revelam um significativo aumento, particularmente a partir de
2008 (Fig.147). Antes de 1999, os dados não estão publicados de forma idêntica, daí não
termos considerado os anos de 1996 a 1998
Figura 147 - Número total de consultas de Especialidades (cirúrgicas e médicas) nos três hospitais da RAA - 2000-
2018
250 000
200 000
150 000
100 000
50 000
0 2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2 011
2 012
2 013
2 014
2015
2016
2017
2018
Total (todas as especialidades) Especialidades cirúrgicas
Especialidades médicas
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Considerando as consultas das especialidades cirúrgicas, o aumento é generalizado
(Fig.148). As consultas de Ginecologia passaram a incluir a Obstetrícia, que deixou de
ser registada isoladamente a partir de 2011.
181
20 000
18 000
182 16 000
14 000
12 000
10 000
An 8 000
6 000
es 4 000
2 000 0 2 000 4 000 6 000 8 000
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10 000 12 000 14 000 16 000 18 000
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Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
va
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
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Figura 148 - Número total de consultas das Especialidades Cirúrgicas no HDES - 1999-2018
ial do lo
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Figura 149 - Total de consultas das Especialidades médicas no Hospital do Divino Espírito Santo - 1999-2018
Em relação às consultas das especialidades médicas, também é evidente o aumento,
Com aumentos mais significativos, registamos as áreas da Cardiologia, Endocrinologia,
Oncologia médica, Pediatria e Psiquiatria (Fig.149)
Quando se analisa o número de consultas tendo em conta o género dos utentes, verifica-
se que, ao longo dos últimos vinte anos, a tendência é serem as mulheres quem mais
recorre aos serviços de saúde (Fig. 150). No entanto, nos últimos anos, tem havido um
número mais significativo de homens nas consultas das especialidades médicas. Se
considerarmos os dados de 2018, verificamos que das consultas de especialidades
cirúrgicas, 62,26% foram de mulheres e 37,74% de homens. Nas especialidades médicas
a relação é de 56,98% de homens e 43,02% de mulheres.
Figura 150 - Consultas no HDES segundo o género do paciente/utente - 1999-2018
70,
62,26
60,
56,98
50,
43,02
40, 37,74
30,
20,
10,
,
H M H M H M H M H M H M H M H M H M H M H M H M H M H M H M H M H M H M H M H M
1999 2000, 2001, 2 002 2 003 2 004 2005, 2006, 2 007 2 008 2 009 2010, 2011, 2 012 2 013 2 014 2015, 2016, 2 017 2 018
Especialidades cirúrgicas Especialidades médicas
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
8.4.5.2 - Hospital do Santo Espírito da Ilha Terceira (HSEIT)
No Hospital da Ilha Terceira (HSEIT) a evolução do número de consultas de
especialidade, à semelhança de Ponta Delgada, regista uma tendência de aumento nas
últimas duas décadas, particularmente nas áreas médicas (Fig.151). Apesar desta
tendência, há a registar entre 2008 e 2012 um decréscimo no número de consultas
realizadas nas especialidades médicas.
183
Figura 151 - Número de consultas de Especialidades (cirúrgicas e médicas) no Hospital do Santo Espírito da Ilha
Terceira - 1999-2018
100 000
80 000
60 000
40 000
20 000
0 1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2 013
2 014
2 015
2 016
2017
2018
Total (todas as especialidades) Especialidades cirúrgicas
Especialidades médicas
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Olhando às consultas das várias especialidades, cirúrgicas e médicas, realizadas no
HSEIT, entre 1999 e 2018, verifica-se uma expressão significativa, no domínio das áreas
cirúrgicas da Oftalmologia e Ginecologia (Fig.152). A especialidade de Otorrino regista
um decréscimo desde 2008. Há a registar um significativo aumento das consultas de
ortopedia a partir de 2013.
Figura 152 - Número de consultas das Especialidades Cirúrgicas no HSEIT - 1999-2018
8 000
7 000
6 000
5 000
4 000
3 000
2 000
1 000
0
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1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008
2009 2010 2011 2012 2 013 2014 2015 2016 2017 2018
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Nas áreas médicas, o registo de consultas nos últimos dez anos revela um significativo
aumento nas áreas da Psiquiatria, Pneumologia, Pediatria e Oncologia médica (Fig.153).
184
Figura 153 - Número de consultas das Especialidades médicas no HSEIT - 1999-2018
8 000
7 000
6 000
5 000
4 000
3 000
2 000
1 000
0
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1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008
2009 2010 2011 2012 2 013 2 014 2015 2016 2017 2018
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Quando se consideram os utentes segundo o género, à semelhança do que verificamos
no Hospital de Ponta Delgada, há mais mulheres do que homens a recorrer às consultas
de especialidade (Fig.154), particularmente nas áreas cirúrgicas, numa relação,
aproximada, de 60% mulheres para 40% de homens77.
Figura 154 - Consultas de Especialidades (cirúrgicas e médicas) no HSEIT - segundo o género - 1999-2018
120,0
100,0
80,0
60,0
40,0
20,0
0,0 H M H M H M H M H M H M H M H M H M H M H M H M H M H M H M H M H M H M H M H M
1 999 2000 2001 2 002 2 003 2 004 2005 2006 2 007 2 008 2 009 2010 2011 2 012 2 013 2 014 2015 2016 2 017 2 018
Especialidades cirúrgicas Especialidades médicas
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
77
Os dados referentes aos anos 2009 e 2010 revelam valores não coincidentes com a realidade, atribuindo
100% das consultas das especialidades médicas aos homens (2010) e apenas registando as mulheres na
especialidade de ginecologia.
185
8.4.5.3 - Hospital da Horta (HH)
No Hospital da Horta, regista-se como nos outros dois estabelecimentos hospitalares
um aumento do número de consultas, nas especialidades cirúrgicas e médicas (Fig.155).
Figura 155 - Número de consultas de Especialidades (Cirúrgicas e Médicas) no Hospital da Horta – 1999-2018
60 000
50 000
40 000
30 000
20 000
10 000
0
1 999 2 000 2001 2002 2 003 2 004 2 005 2006 2007 2 008 2 009 2 010 2011 2 012 2 013 2 014 2015 2016 2017 2 018
Total (todas as especialidades) Especialidades cirúrgicas Especialidades médicas
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Analisando em detalhe as consultas por especialidade (Fig.156), verificamos nas áreas
cirúrgicas uma relevância da Ginecologia, Otorrino e Cirurgia Geral. Outras áreas, como
a Oftalmologia, a Urologia e a Ortopedia também registam um número continuado de
consultas, apesar de na Urologia ter reduzido em 2013 e, no caso da Oftalmologia e da
Ortopedia aumentaram a partir de 2014.
Figura 156 – Número de consultas de Especialidades cirúrgicas no Hospital da Horta – 1999-2018
7 000
6 000
5 000
4 000
3 000
2 000
1 000
0
va va at a a a
sc
ge ra pe sc ol Gi ne Ob ol Or Ot Ur
a as
ul l di át ul og st og i tope or ol úrgic
ar ric ar ia co et di rin og
Ci
a
a logia ríc Of a i cir
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cir i a Ci ru tom in es
ur g Ci ru rg i go pe
rg i lo cia
e gi lid
ol
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Angi Ou
tra
s
1 999 2 000 2001 2002 2 003 2 004 2 005 2006 2007 2 008
2 009 2 010 2011 2 012 2013 2 014 2015 2016 2017 2018
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
186
Nas áreas médicas (Fig. 157) algumas das especialidades registam um número crescente
de consultas, como é o caso da Medicina Interna, Psiquiatria, Oncologia médica,
Gastroenterologia e Pediatria.
Figura 157 - Número de consultas de Especialidades médicas no Hospital da Horta - 1999-2018
4 500
4 000
3 500
3 000
2 500
2 000
1 500
1 000
500
0
An es te sio lo
Ca
De rd io lo g iaCa rd io l o gia
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Psiquiatria Pn Pe éd
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da Infânc ia eu
Ps m ol og ria
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e da Ad iatr
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Re um cia
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og ia
1 999 2 000 2001 2002 2 003 2 004 2 005 2006 2007 2 008
2 009 2 010 2011 2 012 2 013 2 014 2015 2016 2017 2018
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Para se ter uma noção das áreas de especialidade que foram disponibilizadas nos três
hospitais, e tendo por referência os dados de 2018, verificamos, desde logo, que o
Hospital da Horta, tem um número mais elevado de consultas de especialidades
cirúrgicas (45%), quando comparado com o HDES (35%) ou HSEIT (37%).
Já nas áreas médicas, a relação é inversa: HH – 55%; HDES – 65%; HSEIT – 63%.
Se considerarmos o peso das várias especialidades dentro das duas categorias
(cirúrgicas e médicas), no ano de 2018 houve especialidades sem registo de consulta nos
três hospitais, nas áreas cirúrgicas (cirurgia cardio-torácica; cirurgia vascular;
obstetrícia) e nas áreas médicas (Diabetologia; Dor; Estomatologia; Hematologia;
Infeciologia; Medicina Nuclear; Neonatologia; Neuropediatria; Nutrição; Radioterapia e
Saúde Ocupacional).
Comparando os três hospitais (tabela 19), a importância relativa de cada especialidade
no total de consultas é relativamente diferente (assinalado a verde o Hospital onde a %
foi maior).
187
Tabela 19 - Total de consultas de especialidade nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) - 2018
2018 HDES HSEIT HH
Total (todas as especialidades) 202 861 76 418 48 263
Especialidades cirúrgicas 70 691 35,0 28 433 37,0 21 727 45,0
Angiologia e cirurgia vascular 4 295 6,1 1 132 4,0
Cirurgia cardio-torácica
Cirurgia geral 9 186 13,0 3 074 10,8 3 466 16,0
Cirurgia máxilo-facial 797 1,1
Cirurgia pediátrica 41 0,1
Cirurgia plástica reconstrutiva 2 674 3,8 931 3,3
Cirurgia vascular
Estomatologia 3 094 4,4 1 575 5,5 1 432 6,6
Ginecologia 16 128 22,8 5 191 18,3 4 309 19,8
Neurocirurgia 3 368 4,8 1 098 3,9
Obstetrícia
Oftalmologia 8 111 11,5 6 011 21,1 3 437 15,8
Ortopedia 9 048 12,8 2 911 10,2 3 310 15,2
Otorrinolaringologia 10 831 15,3 4 521 15,9 3 569 16,4
Urologia 3 159 4,5 1 948 6,9 2 093 9,6
Outras especialidades cirúrgicas 111 0,5
Especialidades médicas 132 170 65,0 47 985 63,0 26 536 55,0
Anestesiologia 5 125 3,9 2 736 5,7 1 159 4,4
Cardiologia 9 841 7,4 2 659 5,5 1 802 6,8
Cardiologia Pediátrica - 193 0,4 280 1,1
Dermatovenereologia 5 390 4,1 1 238 2,6 1 450 5,5
Diabetologia
Doenças infeciosas 1 437 1,1 165 0,3 140 0,5
Dor
Endocrinologia 15 369 11,6 2 205 4,6
Estomatologia 0,0
Gastrenterologia 7 826 5,9 1 702 3,6 2 552 9,6
Genética médica - 175 0,4
Hematologia 0,0
Hematologia clínica 4 539 3,4 904 3,4
Imunoalergologia 2 641 2,0 266 0,6 676 2,5
Imuno-Hemoterapia 569 0,4 1 629 3,4 962 3,6
Infecciologia
Medicina dentária
Medicina do trabalho 902 0,7 545 1,1 440 1,7
Medicina Física e de Reabilitação 9 530 7,2 4 856 10,1 2 307 8,7
Medicina geral e familiar
Medicina interna 8 348 6,3 2 853 6,0 3 874 14,6
Medicina nuclear
Nefrologia 4 350 3,3 2 450 5,1 877 3,3
Neonatologia
Neurologia 5 203 3,9 2 722 5,7 273 1,0
Neuropediatria
Nutrição
Oncologia médica 13 407 10,1 4 125 8,6 1 553 5,9
Pediatria 11 175 8,5 3 698 7,7 2 705 10,2
Pneumologia 4 512 3,4 3 550 7,4 918 3,5
Psiquiatria 10 990 8,3 6 815 14,2 3 609 13,6
Psiquiatria da Infância e da Adol. 1 460 1,1 223 0,5
Radioterapia
Reumatologia 5 835 4,4 1 038 2,16
Saúde Ocupacional (do pessoal)
Outras especialidades médicas 3 721 2,8 2 142 4,5 55 0,2
188
8.4.6 - Cirurgias nos Hospitais da RAA
Os gráficos seguintes (Figs.158, 159) registam o número de operações realizadas nos
três hospitais da RAA, incluindo operações de urgência, programadas e de pequena
cirurgia.
A leitura do primeiro gráfico revela uma tendência crescente sobretudo no HDES e no
HSEIT, com uma intensificação do número de cirurgias entre 2008 e 2009 e entre 2016
e 2018. Estes dois períodos parecem coincidir com os períodos em que forem
implementados programas de recuperação de cirurgias.
Figura 15878- Número total de operações (grande, média e pequena cirurgia) nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e
HH) - 1986-2018
18 000
16 000
14 000
12 000
10 000
8 000
6 000
4 000
2 000
0 1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
HDES HSEIT HH
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Quando consideramos o tipo de cirurgia realizada, verificamos que o aumento
verificado, particularmente entre 2016 e 2018, deveu-se, sobretudo, à realização de
pequenas cirurgias, já que ao nível das grandes e médias cirurgias até se registou uma
ligeira redução no número de intervenções realizadas (Fig.159)
78
A numeração das figuras não foi colocada devido aos tópicos a completar que irão alterar a sequência
numérica.
189
Figura 159 – Número total de operações de Grande e Média Cirurgia realizadas nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e
HH) – 1986-2018
9 000
8 000
7 000
6 000
5 000
4 000
3 000
2 000
1 000
0 1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
HDES HSEIT HH
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
O número de pequenas cirurgias aumentou no HSEIT e, sobretudo, no HDES, que regista
um aumento exponencial entre 2016 e 2018 (Fig.160).
Figura 160 - Número de operações de Pequena Cirurgia nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) - 1986-2018
9 000
8 000
7 000
6 000
5 000
4 000
3 000
2 000
1 000
0 1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
HDES HSEIT HH
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
O número de anestesias gerais realizadas no HDES aumentou significativamente nos
anos 2008 e 2009 e o número de “outras cirurgias” aumentou em 2018 (Fig.161).
190
Figura 161- Número total de Anestesias (gerais e outras) nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) – 1986-2018
16 000
14 000
12 000
10 000
8 000
6 000
4 000
2 000
0 1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
Gerais HDES Gerais HSEIT Gerais HH
Outras HDES Outras HSEIT Outras HH
Fonte: Estatísticas da Saúde /SREA
Quando cruzamos os dados das cirurgias e das anestesias (Fig. 162), realizadas em cada
hospital da RAA, podemos concluir que, os anos em que houve aumento destes dois
indicadores, são coincidentes e, em parte, poderão corresponder à implementação dos
programas de recuperação de listas de espera, que ocorreram em 2009 (Vale Saúde) e
a partir de 2016 (CIRURGE), como mais adiante se analisa neste relatório.
Figura 162- Número de anestesias gerais e Número de operações de média e grande cirurgia nos Hospitais da RAA
(HDES, HSEIT e HH) - 1999-2018
16 000 9 000
14 000 8 000
12 000 7 000
6 000
10 000
5 000
8 000
4 000
6 000
3 000
4 000 2 000
2 000 1 000
0 1986
1987 0
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
Anestesias gerais HDES Anestesias gerais HSEIT
Anestesias gerais HH Operações de média e grande cirurgia HDES
Operações de média e grande cirurgia HSEIT Operações de média e grande cirurgia HH
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
191
8.4.6.1 – Cirurgias – médicos e salas de operações
Para melhor compreendermos os fatores que poderão estar na origem do aumento do
número de cirurgias, cruzamos a informação sobre as operações realizadas nos três
hospitais da RAA com o número total de médicos no sistema hospitalar (FIg.163).
Figura 163 – Número de médicos e número total de cirurgias nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) – 1986-2018
500 30000
450
400 25000
350 20000
300
250 15000
200
150 10000
100 5000
50
0 1986
1987 0
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
1013
2014
2015
2016
2017
2018
Médicos nos Hospitais Total cirurgias
Linear (Médicos nos Hospitais) Linear (Total cirurgias)
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Da análise do gráfico anterior, verificamos existir uma correlação direta entre as duas
tendências de evolução nas últimas décadas, particularmente a partir do ano 2000 onde
é evidente um aumento quer dos recursos humanos em medicina quer no número de
cirurgias realizadas. É evidente que esta correlação não tem em conta o facto de nem
todos os profissionais de medicina, a trabalhar nos Hospitais, realizarem cirurgias.
Considerando que o número de cirurgias pode depender do número de salas de
operações, o gráfico seguinte (Fig.164) analisa a evolução crescente no número de salas
disponíveis, variável nos três hospitais. No Hospital da Horta (HH), desde 1989 que se
mantêm duas salas ativas.
No Hospital da Ilha Terceira (HSEIT), o número de salas tem oscilado. Depois de 3 salas
entre 1986 e 1996, passou a dispor de seis salas até 2005, para voltar a ter apenas três
salas entre 2006 e 2011. Mais recentemente, a partir de 2012, triplicou o número de
salas de operação, passando a ter nove.
No Hospital de Ponta Delgada (HDES) o aumento do número de salas de operação tem
sido lento, registando apenas 1 sala entre 1986 e 1989. Até 1995 manteve três salas
192
ativas, atingindo sete em 1998. Mas, voltou a ter apenas 3 salas de bloco em 1999. Entre
2000 e 2008 registava 8 salas de operação que passaram a 9 entre 2007 e 2009, para
serem reduzidas em 2010 de novo a 7 salas. Só a partir de 2016 se verifica a existência
de 8 salas.
Quando cruzamos o número de salas de operação com o número de cirurgias realizadas
em cada hospital (Fig. 164) podemos concluir que, nos anos em que houve mais cirurgias
no HDES (2008-2009), existiam mais salas de operação em funcionamento neste
hospital (9). O recente aumento de cirurgias (desde 2016) também parece coincidir com
a abertura de mais uma sala de operações no HDES.
No caso do HSEIT o aumento do número de salas de operação em 2012 coincide com
uma intensificação do número de cirurgias realizadas, no entanto não se reflete no
número de anestesias realizadas.
Os gráficos seguintes (Figs. 164 e 165) ilustram a correlação entre estas dimensões
(disponibilidade de salas de operação/ número de cirurgias realizadas/anestesias gerais)
nos três hospitais da Região.
Figura 164 - Número total de operações (de pequena, média e grande cirurgia e número de salas de operações
(bloco) nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) - 1986-2018
10 18 000
9 16 000
8 14 000
7
12 000
6
10 000
5
8 000
4
3 6 000
2 4 000
1 2 000
0 0
1986 1988 1990 1992 1994 1996 1998 2000 2002 2004 2006 2008 2010 2012 2014 2016 2018
Total de salas de operações HDES
Total de salas de operações HSEIT
Total de salas de operações HH
Total operações pequena,média e grande cirurgia HDES
Total operações pequena,média e grande cirurgia HSEIT
Total operações pequena,média e grande cirurgia HH
Fonte: SREA/Estatísticas da saúde
193
Figura 165- Número de salas de operações (bloco) e número de anestesias gerais nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT
e HH) – 1986-2018
10 16 000
9 14 000
8
12 000
7
6 10 000
5 8 000
4 6 000
3
4 000
2
1 2 000
0 1986
1987 0
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
Total de salas de operações HDES Total de salas de operações HSEIT
Total de salas de operações HH Total de anestesias gerais HDES
Total de anestesias gerais HSEIT Total de anestesias gerais HH
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
8.4.7 – Listas de espera para cirurgia
O SIGIC
As listas de espera para cirurgias constituem um dos indicadores mais sensíveis das
necessidades dos cidadãos. Daí que o projeto Sistema Integrado de Gestão de Inscritos
para Cirurgia (SIGIC) tenha surgido “num contexto de grande descontentamento social
quanto à resposta do Sistema Nacional de Saúde (SNS), na prestação de cuidados
cirúrgicos. O aspeto mais sensível dizia respeito ao acesso, no qual o tempo de espera
claramente excessivo e a perceção de iniquidade na marcação das cirurgias corrompiam
os princípios da prestação do serviço público” (Pereira, Nascimento & Gomes,
2011:273). De acordo com estes autores, o tempo de espera crescente nos hospitais
públicos resultava de uma oferta de cuidados insuficiente dada à procura registada.
Criado a nível nacional em 2004 (Resolução do Conselho de Ministros nº79/2004 de 3
de junho), o SIGIC foi regulamentado pela Portaria nº1450/2004 de 25 novembro,
194
posteriormente revogada pela Portaria nº45/2008 de 15 de janeiro79 (Pereira,
Nascimento & Gomes, 2011:275).
O SIGLIC constitui o sistema informático de gestão de inscritos para cirurgia e foi
concebido para dar resposta às necessidades de gestão do SIGIC (Pereira, Nascimento
& Gomes, 2011:277). Um sistema que procura dar resposta apropriada a cada um dos
protagonistas (utentes, profissionais de saúde, instituições de saúde e entidades
financiadoras), “mantendo a necessária reserva dos dados pessoais sensíveis dos
utentes. Para tal dispõe de diversas tabelas relacionadas por códigos, não acessíveis aos
utilizadores, que dissociam os dados de identificação do utente dos seus dados clínicos.
Dispõe ainda de um elaborado sistema de perfis que visa garantir que só utilizadores
credenciados possam aceder à informação e que esta é disponibilizada em função do
nível de acesso de cada um” (Pereira, Nascimento & Gomes, 2011:278).
O desenho deste Sistema de Informação baseia-se na necessidade de referenciação,
com base em critérios de segurança e eficácia, tendo por base as necessidades dos
utentes. “Para além destes, tem de dar igualmente resposta aos prestadores de
cuidados que necessitam ver ressarcidos os seus esforços, aos gestores que necessitam
de ferramentas que lhes permitam ganhos de eficiência, aos decisores para enformar as
suas estratégias e ainda à sociedade em geral para corresponder à necessidade de
transparência e conhecimento” (Pereira, Nascimento & Gomes, 2011:280). Foi
projetado de forma a se integrar com diversas bases de dados.
O SIGIC na RAA
Desde 2015 que a Região passou a publicar as listas de espera para cirurgias, por
hospital, com referência ao número de inscritos, doentes operados (por especialidade)
e tempos médios de espera80.
79
Revogada em parte pela Portaria nº179/2014 de 11 setembro, alterada depois pela Portaria
nº147/2017 de 27 de abril.
80
Entenda-se por “tempo médio de espera” o tempo de espera que resulta do somatório dos tempos de
espera dos utentes inscritos na LIC (Lista de inscritos para Cirurgia) dividido pelo número de doentes
inscritos (Portaria 111/2016 de 14 dezembro, artigo 2º, alínea y).
195
Com a publicação do Decreto Legislativo Regional nº 23/2016/A, de 10 de dezembro, o
Sistema integrado de gestão de inscritos para Cirurgia nos Açores (SIGICA) é criado,
tendo por objetivos (artigo 3º):
a) Identificar prioridades e garantir um tempo máximo de espera para a
realização de qualquer cirurgia no Serviço Regional de Saúde, otimizando a
capacidade instalada;
b) Envolver o utente de uma forma ativa no processo de formalização do
consentimento para realização da cirurgia;
c) Introduzir maior controlo e maior transparência no processo de inscrição para
cirurgia;
d) Garantir ao utente a realização da cirurgia num prazo adequado à sua situação
clínica.
O mesmo diploma prevê (artigo 8º, nº 2) “a publicação de relatórios de monitorização
do cumprimento da regulamentação em vigor para o SIGICA81”. Por sua vez, a Portaria
nº 111/2016, de 14 de dezembro, define as competências da UCGICA82, atribuindo-lhe
a responsabilidade de divulgar a “informação relevante relacionada com a atividade dos
diferentes hospitais do SRS” (artigo 8º nº1 alínea i).”
Assim conforme se pode ler no Despacho normativo nº 4/2015 de 23 de Janeiro.
1. O único meio para obtenção dos dados relativos aos utentes inscritos para cirurgia é o SIGLICA
e o único meio para extrair os relatórios com os dados quantitativos dos movimentos na lista de
inscritos é o SISA, estando os hospitais responsáveis pela atualização e veracidade dos dados
extraídos.
2. Os serviços da secretaria regional da saúde com competência em planeamento e estatística
devem publicar na página oficial da Secretaria Regional da Saúde, até dia 5 de cada mês, o
número de utentes movimentados no mês anterior, bem como o número de utentes acumulados
por hospital e por especialidade cirúrgica, de acordo com o modelo em anexo.
3. As listas devem incluir todos os utentes em espera, independentemente do tempo de inscrição
e do tipo de bloco operatório/anestesia necessário.
4. O sistema informático de alertas e notificações da Saudaçor, SA deve notificar mensalmente,
por serviço de mensagens curtas (SMS), os utentes que tenham os dados atualizados, da sua
ordem na lista de inscritos para cirurgia, de acordo com o SIGLICA.
81
SIGICA – Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgias dos Açores
82
UCGICA – Unidade Central de Gestão de Inscritos para Cirurgias dos Açores
196
5. Os hospitais são responsáveis por definir um circuito de informação ao utente inscrito para
cirurgia e, mediante identificação pelo número de identificação civil e número nacional utente,
esclarecer dúvidas, corrigir os dados pessoais e informar o utente do seu lugar na lista de espera
de acordo com o SIGLICA
É com base nessa informação publicada, desde 2015 nos relatórios da UCGICA83, que
podemos registar a evolução das listas de espera para cirurgia, existentes nos hospitais
da Região, nomeadamente, tendo em conta:
• Total de inscritos84/mês/ano
• Operados85/mês/ano
• Cancelamentos86/mês/ano
• Tempo médio de espera na Lista de Espera87
• Tempo médio de espera dos operados88
• % de operados no TMRG89
• Inscritos e operados em Pequenas Cirurgias90
83
Relatórios mensais do SIGICA
84
Inscritos – Lista de inscritos para cirurgia “conjunto das inscrições dos utentes que aguardam a
realização de uma intervenção cirúrgica, independentemente da necessidade de internamento ou do tipo
de anestesia utilizada, proposta e validada por médicos especialistas num hospital do SRS ou numa
instituição do setor privado ou do setor social que contratou com aquele a prestação de cuidados aos
seus beneficiários e para a realização da qual esses mesmos utentes já deram o seu consentimento
expresso”
85
Operados – Total de utentes que foram submetidas a intervenções cirúrgicas (nas várias especialidades)
86
Cancelados – Cirurgias que foram retiradas da lista de espera
87
Tempo médio de espera de inscritos – “é o tempo de espera que resulta do somatório dos tempos
que decorrem entre a data em que o utente ficou inscrito em LIC, até ao último dia do mês que se está a
analisar, dividido pelo número total de doentes inscritos.”
88
Tempo médio de espera de operados - é o tempo de espera que resulta do somatório dos tempos que
decorrem entre a inscrição do utente na LIC e o dia da respetiva cirurgia, dividido pelo número total de
doentes operados.
89
% de utentes operados dentro do TMRG - corresponde ao número de utentes operados com tempo
de espera inferior ao TMRG relativamente ao total dos utentes operados, sendo que TMRG corresponde
ao Tempo Máximo de Resposta Garantido – é o número máximo de dias em que as instituições do SRS
são obrigadas a garantir a prestação de todo o tipo de cuidados de saúde, tendo em conta classificação
de prioridade, patologia ou grupo de patologia. Estes tempos estão definidos em Portaria sendo que
atualmente se encontra em vigor a Portaria no 153/2017 de 4 de maio.
90
Cirurgia que, embora executada em condições de segurança e assepsia e com recurso a anestesia local,
dispensa a sua realização numa sala de bloco operatório, o apoio direto e um ajudante, a monitorização
anestésica e a estadia em recobro, tendo alta imediata após a intervenção.
197
Os relatórios da UCGICA de 2015 e 2016 não contemplam informação sobre o tempo
média de espera dos inscritos na Lista de espera para Cirurgia ou o Tempo médio dos
operados. Também não consta informação sobre o número de Pequenas cirurgias. Estas
informações passaram a constar dos Relatórios a partir de 2017.
8.4.7.1 -Inscritos para Cirurgia nos Hospitais da RAA
De acordo com os relatórios do SGLICA existe um manifesto aumento do número de
doentes com recomendação para intervenção cirúrgica, ou seja, inscritos para cirurgia.
Considerando tratar-se de uma lista dinâmica, onde entram e saem todos os meses
doentes, iremos considerar o número de inscritos no mês de Dezembro, de cada ano.
Assim, regista-se uma tendência crescente entre 2015 e 2019, particularmente no
Hospital da Horta que duplica os registos (Fig. 166).
Entre 2018 e 2019, houve uma ligeira redução nos inscritos na lista para cirurgia, nas
três unidades hospitalares, mais acentuada no HDES (-8,2%).
Figura 166 – Número de doentes inscritos na LIC (Lista de inscritos para Cirurgia) em Dezembro de cada ano nos
Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) – 2015 - 2019
10000
9000
8777
8000 8055
7718 7676
7000 7183
6000
5000
4000
3000
2000
1536 1519 1742 1724
1347 1081 1357
1000 1439
524 722
0
2015 2016 2017 2018 2019
HDES HTIT HH
Fonte: SIGLICA – Relatórios 2015-2019.
198
8.4.7.2 -Operados nos Hospitais da RAA
Quando se analisa o número total de operados em cada ano, verificamos que no HDES,
apesar do número crescente de indicações para cirurgia, a tendência registada no
número de operados é inversa, ou seja, tem havido um número menor em cada ano de
operados, apesar do ligeiro aumento entre 2018 e 2019 (Tabela 20 e Fig. 167).
Nos outros dois hospitais da Região, o número total de operados em cada ano é
significativamente superior ao número de inscritos registado no mês de Dezembro
(Tabelas 21 e 22 e Fig. 168).
Tabela 20 - Número total de inscritos em Dezembro, total de operados/ano e total de operações canceladas - HDES
(2015 a 2019)
2015 2016 2017 2018 2019
Total dos inscritos (dezº) 7718 7676 7183 8777 8055
Total de Operados 5266 5967 4720 3778 4011
Operações Canceladas 1609 1097 1877 1455 2030
Tabela 21 - Número total de inscritos em Dezembro, total de operados/ano e total de operações canceladas - HSEIT
(2015 a 2019)
2015 2016 2017 2018 2019
Total dos inscritos (dezº) 1536 1347 1519 1742 1724
Total de Operados 2367 3778 2920 3069 2882
Operações Canceladas 321 248 395 450 651
Tabela 22 - Número total de inscritos em Dezembro, total de operados/ano e total de operações canceladas - HH
(2015 a 2019)
2105 2016 2017 2018 2019
Total dos inscritos (dezº) 524 722 1081 1439 1357
Total de Operados 2161 1852 2081 1474 1425
Operações Canceladas 230 457 762 456 463
199
Figura 167 - Número total de doentes inscritos em Dezembro/ano; total de doentes operados nos Hospitais da RAA
(HDES, HSEIT e HH)/ano e Total de operações canceladas - 2015-2019
10000
9000
8000
7000
6000
5000
4000
3000
2000
1000
0
Total dos inscritos
Total dos inscritos Total dos inscritos
Total de Operados Total de Operados Total de Operados
Operações Operações Operações
Canceladas Canceladas Canceladas
(dez) (dez)
HDES HSEIT HH
2015 2016 2017 2018 2019
Fonte: SIGLICA – Relatórios 2015-2019.
O gráfico seguinte (Fig.158) regista apenas o número total de operados em cada ano,
nos três hospitais da região, evidenciando um aumento de 21,3%, entre 2018 e 2019,
no HDES e de 4,9% no HH, e uma muito ligeira diminuição no HSEIT (0,4%).
Figura 168 - Número total de doentes operados por ano nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) - 2015-2019
6000
5259
5000 4543
4024 3935
4000
3244
2813
3000 2531 2574 2564
2255
1963 1848
2000 1701
1296 1359
1000
0
HDES HTIT HH HDES HTIT HH HDES HTIT HH HDES HTIT HH HDES HTIT HH
2015 2016 2017 2018 2019
Fonte: SIGLICA – Relatórios 2015-2019
200
8.4.7.3 - Tempos médios de Espera na LIC (Lista de inscritos para Cirurgia) e nos
Operados
A Portaria 166/2015 de 31 dezembro, promulga os Tempos Máximos de Resposta
Garantidos (TMRG) (ver Anexo I do DLR 166/21015). Como podemos verificar, o tempo
máximo previsto nas especialidades hospitalares é de 270 dias e corresponde a
intervenções de prioridade “normal”.
Da análise dos dados publicados91, conclui-se que os valores médios de tempo de
espera, na lista de inscritos para uma cirurgia, são bastante distintos nos três hospitais
da RAA, com destaque para o HDES com uma média anual 513 dias em 2019. Apesar da
tendência decrescente, registada desde 2017 (passou de 596 em 2017 para 513 em
2019). Apesar disso, 513 dias representam 17 meses, em média, de espera por uma
cirurgia.
No caso dos hospitais de Angra e da Horta, os valores médios de espera são mais baixos.
No entanto, como podemos verificar no gráfico seguinte, regista-se uma tendência
crescente no tempo de espera para uma cirurgia no HH, que passou de 209 dias em 2017
para 278 dias em 2019 (Fig.169).
Em relação ao tempo médio de espera dos operados, a diferença é bastante significativa
em relação ao total dos inscritos. No caso do HDES, os números têm oscilado entre 330
dias (2017) e 374 (2018) tendo-se registado um total de 363 dias em 2019, o que
correspondeu, em média, a um ano de espera até se efetivar a cirurgia.
Nos outros dois hospitais, HSEIT e HH, os tempos de espera são mais baixos, no entanto
há uma tendência de aumento, passando, respetivamente, de 154 e 95 dias em 2017,
para 194 e 196 dias em 2019.
91
Dados publicados apenas para os anos de 2017,2018 e 2019
201
Figura 169 - Tempo médio de espera (dias) na LIC/ano e Tempo médio de espera dos Operados (dias)/ano nos
Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) - 2017-2019
600
500 596 518 513
507 503
400 436
374 362
300
330 305
252
200
209 194
154 123 196
100 95 140
0
Tempo médio Tempo médio Tempo médio Tempo médio Tempo médio Tempo médio
de Espera na de espera de Espera na de espera de Espera na de espera
LIC operados LIC operados LIC operados
2017 2018 2019
HDES HTIT HH
Fonte: SIGLICA – Relatórios 2015-2019
Considerando ainda, os tempos de espera por uma cirurgia, há a registar outro indicador
que calcula a % de operações que foram realizadas dentro dos parâmetros do Tempo
Máximo de Resposta Garantido (TMRG), conforme previsto na legislação. Mensalmente
é publicada a % de operações que é realizada no referido tempo. Calculando a média
das percentagens para cada ano de publicação, é possível chegar a um valor médio para
cada hospital.
Figura 170 - Doentes operados no TMRG (Tempos Máximos de Resposta Garantidos) nos Hospitais da RAA (HDES,
HSEIT e HH) – 2017-2019
100
87
84 88 83
80 76
67
60 56 51
40 45
20
0
2017 2018 2019
HDES HTIT HH
Fonte: SIGLICA – Relatórios 2017-201992
92
Os valores do gráfico resultam da média das percentagens de doentes operados no TMRG em cada
ano.
202
De acordo com os dados publicados a % média de operações realizadas, dentro desta
referência formalizada, tem diminuido nos três hospitais.
No HDES, em 2019, apenas 45% em média das intervenções cirurgicas se enquadraram
no TMRG, enquanto no HSEIT esse valor atingiu 83% e no HH, 67%.
8.4.7.4 - Programas de combate às Listas de Espera
As listas de espera para cirurgias tem constituído um tema de forte no debate político e
foram objeto de vários Programas, com vista à recuperação do número de cirurgias não
realizadas, que aguardam há vários meses para serem concretizadas.
Em notícias publicadas, quer em orgãos de comunicação social quer no Portal do
Governo (GACS), foram várias as tentativas de implementar uma redução do número de
cirurgias não realizadas.
Data Notícias Fonte
22 maio 2008 O número de intervenções cirúrgicas em lista de espera no Secretário regional
Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, sofreu dos Assuntos
uma redução de 30 por cento desde Outubro, devido ao Sociais – Jornal
programa de recuperação de listas de espera em aplicação na Açoriano Oriental
unidade de saúde dos Açores, que termina em Dezembro. De
acordo com a mesma fonte, cinco mil esperam por cirurgia.
23 fevereiro O programa de recuperação de listas de espera de cirurgia Lusa – Secretário
2011 nos Açores permitiu realizar intervenções em 3.626 pessoas Regional da Saúde
nos últimos três anos nos três hospitais do arquipélago,
revelou hoje o executivo regional. (...) Esse contributo
resulta do facto de permitir a contratualização de cirurgias
entre o Serviço Regional de Saúde e unidades de saúde
privada.
3 Novembro O Secretário Regional da Saúde anunciou hoje, em Angra do GACS
2017 Heroísmo, a criação de Planos Urgentes de Cirurgias, www.azores.gov.pt
denominados CIRURGE, que serão implementados pelos três
hospitais dos Açores.
203
Estes planos integram uma estratégia transversal de
recuperação das listas de espera cirúrgicas assente no
melhoramento do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos
para Cirurgia dos Açores (SIGICA).
“O que se pretende com estas medidas é criar as condições
para que, no final do próximo ano, não haja utentes inscritos
para cirurgia com data de inscrição anterior a 1 de janeiro de
2015”, frisou Rui Luís.
13 novembro O Secretário Regional da Saúde afirmou hoje, na Horta, que GACS
2017 o reforço das verbas para o próximo ano nesta área é de 2,3 www.azores.gov.pt
milhões de euros, destacando a "aposta clara" na
recuperação das listas de espera.
29 novembro Reforço da dotação do programa CIRURGE (Programa de Antena 1 - notícia
2018 recuperação das listas de espera para cirurgia)
27 novembro Teresa Machado Luciano referiu ainda a área de projetos, GACS
2019 que merecerá um investimento de cerca de 15 milhões de www.azores.gov.pt
euros, para melhoria na acessibilidade a diagnóstico e
terapêutica, inovação terapêutica e recuperação de listas de
espera cirúrgicas. (...)
A Secretária Regional frisou ainda o empenho do Governo
dos Açores na recuperação das listas de inscritos para
cirurgia, designadamente através da produção normal e da
otimização de blocos operatórios, bem como do programa
CIRURGE, no âmbito do qual estão planeadas mais 394
cirurgias até ao final do ano.
Vale Saúde
Em 2009 o Governo Regional, pelo Decreto Legislativo Regional nº 19/2009/A, de 30 de
novembro, criou o Vale Saúde, mais tarde alterado e republicado pelo Decreto
Legislativo Regional nº 4/2011/A, de 3 de março, com vista a contribuir para a redução
das listas de espera cirúrgicas.
Em 2016, é publicado o Decreto Legislativo nº23/2016/A de 10 de novembro que altera
o Vale Saúde e aprova o Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia da Região
Autónoma dos Açores. Com este diploma, o Governo,
204
“aprova o Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia da Região Autónoma dos
Açores, adiante designado por SIGICA e o regime do Vale Saúde na Região Autónoma dos Açores
que se destina, exclusivamente, ao pagamento de cirurgias aos utentes do Serviço Regional de
Saúde (SRS).” (artigo 1º)
De acordo com o texto do diploma, o Vale Saúde destina-se a ser utilizado (artigo 7º):
1 - Nos casos em que o Serviço Regional de Saúde não consiga dar resposta dentro do TMRG, é
emitido pela unidade central, ou pelo Hospital em que o utente se encontra em lista de espera,
um Vale Saúde que garante ao utente a realização da cirurgia numa entidade prestadora nos
termos da alínea d) do artigo 2.º, de acordo com a regulamentação prevista no artigo 9.º
2 - A emissão de vales saúde está limitada à verba inscrita no Plano de Investimentos anual
aprovado na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.
3 - O procedimento, suprarreferido, bem como a respetiva regulamentação, não prejudicam a
aplicação do Regulamento de Deslocação de Doentes na Região Autónoma dos Açores.
A Portaria nº 111/2016 de 14 Dezembro enquadra o Regulamento do Sistema Integrado
de Gestão de Inscritos para Cirurgia e Vale Saúde.
Programas CIRURGE
Mais recentemente, e de acordo com o Despacho 2762/2017 de 14 novembro93, o
Governo criou os programas CIRURGE, de novo para reduzir o número de inscritos nas
listas de espera para cirurgia, a começar por aqueles que aguardam há mais de 540 dias,
conforme consta do texto do Despacho:
1. Os Hospitais do Serviço Regional de Saúde devem elaborar e implementar Planos Urgentes de
Cirurgias, denominados CIRURGE, que visem, através da realização de cirurgias extraordinárias,
intervencionar os utentes com maior antiguidade na Lista de Inscritos para Cirurgia, doravante
LIC.
2. Os Planos CIRURGE apenas podem integrar as especialidades com utentes inscritos para
cirurgia há́ mais de 540 dias.
3. As especialidades que integram os Planos CIRURGE são determinadas pelos Conselhos de
Administração dos Hospitais tendo em consideração o número de utentes inscritos para cirurgia
93
https://jo.azores.gov.pt/api/public/ato/d4ea81ba-c04e-4ecb-85a3-c01e538ca53e/pdfOriginal
205
há́ mais de 540 dias, bem como o nível de produção atingível, por especialidade, atendendo à
verba disponível.
4. A execução dos planos CIRURGE, por especialidade, abrange, obrigatoriamente, os utentes
com maior tempo de espera na LIC, sendo a seleção dos doentes a intervencionar efetuada, de
modo sequencial, de acordo com a antiguidade.
5. Cada Plano CIRURGE deverá conter a seguinte informação: a. Especialidades abrangidas, com
fundamentação sucinta da escolha; b. Número de cirurgias, por especialidade; c. Listagem dos
utentes potencialmente abrangidos, com o posicionamento na LIC e correspondente tempo de
espera; d. Impacto financeiro previsto.
6. Os Planos CIRURGE são remetidos à aprovação do membro do Governo Regional responsável
em matéria de Saúde.
7. As cirurgias previstas nos Planos CIRURGE apenas podem ser realizadas fora do horário de
trabalho dos profissionais de saúde envolvidos, de acordo com a ficha de distribuição de
atividades previamente validada pelos Conselhos de Administração.
8. Após conclusão do Plano CIRURGE os Hospitais devem remeter ao membro do Governo
Regional responsável em matéria de Saúde um relatório detalhado da execução do plano.
9. É permitido aos Hospitais da Região, no âmbito dos programas de produção acrescida
cirúrgica, em derrogação do disposto no número 2, do Despacho n.º 2488/2015, de 6 de
novembro, a realização de atos cirúrgicos em produção acrescida até ao limite de trinta e cinco
por cento dos atos realizados em produção regular do serviço.
No caso do CIRURGE, há uma evidente preocupação em reduzir o número de inscritos,
tendo em conta não apenas o tempo decorrido da espera, como a especialidade em
causa. No entanto, o relatório mensal do SIGICLA não refere o número das intervenções
que foram realizadas ao abrigo destes programas.
8.4.7.5 - Listas de espera por especialidades (Anos 2017, 2018 e 2019/nov.)
De acordo com os dados publicados pelo SIGICLA, e tendo por base o número de
doentes inscritos para cirurgia nas diferentes especialidades, iremos começar por avaliar
o volume de inscritos em Dezembro de cada ano.
206
Tabela 23 - Doentes inscritos na LIC em Dezembro nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) por especialidade
cirúrgica. 2017-2019
HDES HESIT HH Total SRS
Inscritos em Dez. 2017 2018 2019 2017 2018 2019 2017 2018 2019 2017 2018 2019
Ortopedia 1289 1300 1175 307 350 437 659 760 807 2255 2410 2419
Ginecologia 155 353 427 19 53 43 18 4 1 192 410 471
Obstetrícia 2 1 1 94 0 3 95
Neurocirurgia 282 351 365 21 14 4 303 365 369
Cardiologia 3 2 1 3 2 1
Cirurgia Geral 968 1366 1467 175 243 346 210 245 172 1353 1854 1985
Cirurgia Vascular 853 787 828 414 455 373 1267 1242 1201
Cirurgia Plástica 636 688 628 96 111 82 732 799 710
Cirurgia Maxilo-
37 84 69
facial 37 84 69
Cirurgia Pediátrica 100 148 143 100 148 143
Pneumologia 4 7 10 4 7 10
Otorrinolaringologi
1264 1530 1461 34 31 29 55 82 48
a 1353 1643 1538
Oftalmologia 1073 1625 1957 391 393 489 100 245 255 1564 2263 2701
Urologia 510 517 384 38 60 96 24 32 32 572 609 512
Estomatologia 12 21 15 21 28 27 0 4 0 33 53 42
Dermatologia 15 10 1 15 10 1
Gastrenterologia 2 2 2 2
Total 7183 8777 8929 1519 1742 1928 1081 1385 1412 9783 11904 12269
Fonte: Relatórios do SIGLICA 2017 a 2019
Da análise do quadro anterior (Tabela 23), podemos concluir do aumento do número de
inscritos nas Listas para Cirurgia no Sistema Regional de Saúde, passando de 9783 em
Dezembro de 2017 para 12269 em Dezembro 2019. Se tivermos em conta as diferentes
especialidades, destacam-se a Oftalmologia com 2701 em 2019, a Ortopedia, com 2419
em 2019 e a Cirurgia Geral, com 1985 utentes inscritos em Dezembro 2019.
O gráfico seguinte (Fig. 171) compara a evolução do número de inscritos nas várias
especialidades, nos três Hospitais e o valor total registado no SRS. Como foi referido
anteriormente, destacam-se a Oftalmologia, a Cirurgia Geral e a Ortopedia, com
tendência crescente, ao invés de outras áreas, onde se regista uma ligeira diminuição
nos últimos anos, como é o caso da Otorrinolaringologia ou a Cirurgia Vascular.
207
Figura 171- Número de inscritos na LIC por especialidade nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) - Dezembro/ano -
2017-2019
3000
2701
2500 2419
2000 1985
1500 1538
1201
1000
500
0
2017 2018 2019 2017 2018 2019 2017 2018 2019 2017 2018 2019
HDES HESIT HH Total SRS
Ortopedia Ginecologia Obstetrícia
Neurocirurgia Cardiologia Cirurgia Geral
Cirurgia Vascular Cirurgia Plástica Cirurgia Maxilo-facial
Cirurgia Pediátrica Pneumologia Otorrinolaringologia
Oftalmologia Urologia Estomatologia
Dermatologia Gastrenterologia
Fonte: Relatórios do SIGLICA 2017 a 2019
8.4.7.6 - Tempo médio de espera (TME)
Quanto ao tempo médio de espera nas diferentes especialidades, verificamos uma
grande diversidade nos três hospitais. Na grande maioria dos casos, o tempo médio
calculado está muito desfasado da tabela de valores máximos, para cada especialidade,
publicada no Anexo da Portaria nº 166/2015 de 31 de dezembro94.
Iremos ter em conta os tempos médios da Lista de Inscritos para Cirurgia em Dezembro
de cada ano, por especialidade, assim como o tempo médio dos operados nesse mesmo
mês.
94
http://usism.pt/wp/wp-content/uploads/2019/06/Portaria_166_2015.pdf
208
Tabela 24 - Tempo médio de espera (dias) dos doentes na LIC nos Hospitais da RAA por especialidade (2017-2019)
HDES HESIT HH
Especialidades
2017 2018 2019 2017 2018 2019 2017 2018 2019
Ortopedia 768 566 551 735 755 495 312 375 391
Ginecologia 113 179 281 151 163 269 94 521 43
Obstetrícia 61 48 328 0
Neurocirurgia 491 514 623 107 200 100
Cardiologia 31 98 28
Cirurgia Geral 190 250 332 160 119 139 119 175 221
Cirurgia Vascular 799 467 525 952 942 748
Cirurgia Plástica 1119 1103 1149 513 676 304
Cirurgia Maxilo-facial 342 329 422
Cirurgia Pediátrica 296 362 525
Pneumologia 205 369 240
Otorrinolaringologia 492 527 539 70 101 104 50 155 221
Oftalmologia 380 414 377 151 182 163 143 212 321
Urologia 664 736 758 67 103 182 60 52 50
Estomatologia 222 228 310 168 156 191 197 0
Dermatologia 46 62 356
Gastrenterologia 341 796
Fonte: Relatórios do SIGLICA (2017)
De acordo com os dados publicados em Dezembro, referentes ao tempo médio dos
doentes operados nesse mês, em cada ano, verifica-se que é nas áreas da Cirurgia
Plástica (sobretudo no HDES) e da Cirurgia Vascular (particularmente no HSEIT) que se
registam os tempos médios mais elevados, seguidas da Ortopedia, esta última
transversal aos três hospitais.
209
Figura 172 - Tempo médio de espera (dias) na LIC por especialidade e Hospital da RAA (HDES, HSEIT, HH) - 2017-
2019
1400
1200
1000
800
600
400
200
0
2017 2018 2019 2017 2018 2019 2017 2018 2019
HDES HESIT HH
Ortopedia Ginecologia Obstetrícia
Neurocirurgia Cardiologia Cirurgia Geral
Cirurgia Vascular Cirurgia Plástica Cirurgia Maxilo-facial
Cirurgia Pediátrica Pneumologia Otorrinolaringologia
Oftalmologia Urologia Estomatologia
Dermatologia Gastrenterologia
Fonte: Relatórios do SIGLICA (2017)
Olhando o gráfico anterior (Fig.172), fica evidente que a grande maioria das
especialidades cirúrgicas no HDES ultrapassa o tempo máximo garantido, conforme
consta da Portaria 166/2015 de 31 dezembro, ou seja, 270 dias para uma cirurgia de
prioridade normal.
No caso do HSEIT, é nas especialidades de cirurgia vascular, ortopedia e plástica que
encontramos as médias mais elevadas, apesar de, no caso da cirurgia plástica, ter havido
uma redução significativa entre 2018 e 2019. No caso do HH, a Ortopedia e a
Gastroenterologia são as únicas áreas que estão acima da referência dos 270 dias.
8.4.7.7 - Tempo médio de espera (em dias) dos doentes operados nos Hospitais da RAA
por especialidade (2017-2019)
Retomando os dados publicados em Dezembro, de cada ano, para registar o tempo
médio dos operados nesse mês, verificamos que as médias são substancialmente mais
baixas do que as registadas na Lista de inscritos, o que em parte contradiz o princípio
previsto no programa de recuperação de listas de espera que aponta para a priorização
dos doentes que estão há mais tempo nessas listas.
210
Neste indicador, não foi possível introduzir os tempos médios de espera por
especialidade em Dezembro 2018.95
Tabela 25 - Tempo médio de espera (dias) dos doentes operados nos Hospitais da RAA por Especialidade (2017-
2019)
HDES HESIT HH
Especialidades
2017 2019 2017 2019 2017 2019
Ortopedia 442 321 349 192 251 488
Ginecologia 101 188 19 91 26 36
Obstetrícia 5 11
Neurocirurgia 462 187 107 33
Cardiologia 0 3
Cirurgia Geral 168 270 91 94 55 127
Cirurgia Vascular 963 596 1064 1457
Cirurgia Plástica 122 546 434 806
Cirurgia Maxilo-facial 86 703
Pneumologia 3
Otorrinolaringologia 538 415 40 59 58 241
Oftalmologia 450 411 204 168 36 128
Urologia 167 281 6 10 63 32
Estomatologia 78 0 287 386
Dermatologia 21
Fonte: Relatórios do SIGLICA (2017 e 2019)
De notar que, a grande maioria dos operados registou um tempo de espera inferior ao
que foi objeto da resolução do Programa CIRURGE, (Despacho 2762/2017 de 14
novembro), onde se lê que (cit.) “Os Planos CIRURGE apenas podem integrar as
especialidades com utentes inscritos para cirurgia há mais de 540 dias”. Estamos
perante um evidente desrespeito pelos direitos dos utentes, consagrados na “Carta dos
Direitos dos Utentes do Serviço Regional de Saúde”.
As únicas exceções que cumprem essa diretiva são as intervenções nas áreas da cirurgia
vascular e cirurgia plástica.
Este facto configura o carácter urgente das intervenções, de acordo com a tabela
publicada na Portaria 166/2015 de 31 de Dezembro, onde se prevê como tempo máximo
95
Não foram publicados os relatórios mensais de junho a dezembro de 2018. O relatório anual
211
para uma intervenção muito prioritária, 30 dias, 150 dias para uma Cirurgia não
prioritária e 270 para uma prioridade normal.
Figura 173 - Tempos médios de espera dos operados (dias) - Dezembro/ano - por especialidade cirúrgica nos
Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) - 2017-2019
1600
1400
1200
1000
800
600
540 dias
400
270 dias
200
150 dias
0
2017 2019 2017 2019 2017 2019
HDES HESIT HH
Ortopedia Ginecologia Obstetrícia
Neurocirurgia Cardiologia Cirurgia Geral
Cirurgia Vascular Cirurgia Plástica Cirurgia Maxilo-facial
Pneumologia Otorrinolaringologia Oftalmologia
Urologia Estomatologia Dermatologia
Fonte: Relatórios do SIGLICA (2017 e 2019)
Da leitura do gráfico anterior fica evidente que a maioria das operações realizadas nos
meses de Dezembro situavam-se entre o limiar de uma operação não prioritária (150
dias) e o limite mínimo proposto nos Programas CIRURGE (540 dias).
8.4.8 - Serviço de urgência
O recurso ao serviço de urgência por parte dos cidadãos, nem sempre é baseado numa
correta avaliação da sua condição clínica.
212
Como refere Barros (2013:79) “uma utilização desnecessária das urgências significa má
utilização dos recursos disponíveis e um maior pagamento de impostos para financiar
o serviço público.”
A correção deste tipo de comportamento tem merecido diversas reformas, quer ao nível
do atendimento, com a introdução da Triagem de Manchester, quer ao nível do acesso
gratuito, com a introdução das taxas moderadoras. Há ainda a referir a criação de linhas
telefónicas de atendimento, linha saúde 24, que visa triar antes da ida aos serviços de
saúde, de modo a reduzir as situações não urgentes no Serviço de urgência hospitalar.
A triagem de Manchester é um “protocolo para estabelecimento de prioridades de
atendimento nas urgências hospitalares. O ponto de partida para este protocolo é o
princípio de que situações clínicas de maior gravidade devem ser atendidas mais
rapidamente. O protocolo baseia-se na utilização de um sistema de cores para distinguir
entre níveis de prioridade indo do vermelho (situação de emergência) até ao azul (muito
pouco urgente). As restantes cores usadas são: laranja (situação muito urgente),
amarelo (situação urgente) e verde (situação pouco urgente).” A cor branca está
associada a situações não triadas que correspondem a uma utilização incorreta dos
serviços de urgência, nomeadamente como “porta de entrada administrativa ou para
execução de atividade “programada” ou não urgente”. 96
97
A estas cores correspondem tempos de espera diferenciados. No caso do vermelho, o
atendimento é imediato, no laranja o tempo de espera é de até dez minutos; no
amarelo, até uma hora; verde, até duas horas e o azul com um tempo de espera até
quatro horas (Barros, 2013)
96
http://www.grupoportuguestriagem.pt/images/documentos/mts_cor_branca.pdf
97
Imagem retirada da página https://www.cuf.pt/atendimento-permanente
213
Os dados que abaixo apresentamos, retirados dos relatórios e contas dos Hospitais da
RAA (tabelas 26, 27 e 28) revelam que cerca de 60% dos atendimentos realizados nas
urgências estão no nível pouco ou muito pouco urgente (Figs. 174, 175 e 176).
Tabela 26 - Atendimentos no Serviço de Urgência do HDES segundo a Triagem de Manchester (número) - 2015-2019
2015 2016 2017 2018 2019
vermelho 363 372 374 394 417
laranja 7685 8248 7310 7557 7346
amarelo 37222 38419 37394 37829 38828
verde 65875 64924 65797 61958 62917
azul 2012 1858 2321 2599 2694
branco 1627 1854 2321 2599 2694
Fonte: Relatórios e conta do HDES – 2016-2019
Figura 174- Atendimentos urgente e não urgente de acordo com a Triagem de Manchester, no HDES - 2015-2019 (%)
100%
80%
60,6 59,3 61,0 59,5 59,4
60%
40%
20% 39,4 40,7 39,0 40,5 40,6
0%
2015 2016 2017 2018 2019
urgente (vermelhor, laranja e amarelo) não urgente (verde azul e branco)
Fonte: Relatórios e conta do HDES – 2016-2019
Tabela 27- Atendimentos no Serviço de Urgência do HSEIT, de acordo com a Triagem de Manchester (número) -
2016-2018
2016 2017 2018
vermelho 170 149 159
laranja 4519 4536 3853
amarelo 23476 22564 22488
verde 29154 27403 28225
azul 1094 1069 926
branco 1627 1622 1358
não triado 29 34 51
Fonte: Relatórios e conta do HSEIT – 2017-2018
214
Figura 175 - Atendimentos urgentes e não urgentes, de acordo com a Triagem de Manchester, no HSEIT - 2016-2018
53,1 52,5 53,5
46,9 47,5 46,5
2016 2017 2018
urgente (vermelhor, laranja e amarelo) não urgente (verde azul e branco)
Fonte: Relatórios e conta do HSEIT – 2017-2018
Tabela 28- Atendimentos no Serviço de Urgência do HH, de acordo com a Triagem de Manchester (número) - 2017-
2019
2017 2018 2019
vermelho 51 28 32
laranja 1427 1398 1378
amarelo 7549 7363 7541
verde 10523 11813 11426
azul 891 856 842
branco 974 373 327
não triado 156 316 184
Fonte: Relatório e conta do HH – 2019
Figura 176 - Atendimentos urgentes e não urgentes, de acordo com a Triagem de Manchester, no HH - 2017-2019
57,8 59,7 58,5
42,2 40,3 41,5
2017 2018 2019
urgente (vermelhor, laranja e amarelo) não urgente (verde azul e branco)
Fonte: Relatório e conta do HH – 2019
215
Comparando os três hospitais da RAA (Fig. 177), verificamos uma percentagem muito
semelhante de casos pouco ou nada urgentes. Apesar de os dados não coincidirem para
todos os anos, nos três hospitais, olhando por exemplo, 2017 e 2018, é possível verificar
que no HDES e no HH regista-se uma % mais elevada de casos não urgentes, quando
comparados com a % registada no HSEIT.
Entre 2015 e 2019, considerando apenas os dados da urgência do HDES, verifica-se uma
tendência decrescente na % de casos não urgentes.
Figura 177- Atendimentos urgentes e não urgentes nos SU dos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) - 2015-2019
60,6 59,3 61,0 59,5 59,7 59,4
57,8 58,5
46,9 47,5 53,5
53,1 52,5 46,5
40,7 42,2 40,5 40,6 41,5
39,4 39,0 40,3
HDES HDES HSEIT HDES HSEIT HH HDES HSEIT HH HDES HH
2015 2016 2017 2018 2019
urgente (vermelhor, laranja e amarelo) não urgente (verde azul e branco)
Relatórios e contas dos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) – 2016 a 2019
Se tivermos em conta o número de ocorrências nos serviços de urgência que foram
classificados com a cor branca, e tendo por referência as recomendações do Grupo
Português de Triagem, estas não deveriam ultrapassar os 5% do total das urgências.
Tabela 29 - Situações de atendimento nos S. de Urgência dos Hospitais da RAA classificadas com a cor branca (2015-
2019)
2015 2016 2017 2018 2019
Hospital fe % fe % fe % fe % fe %
HDES 1627 1,4 1854 1,6 2321 2,0 2599 2,3 2694 2,3
HSEIT 1627 2,7 1622 2,8 1358 2,4
HH 974 4,5 373 1,7 327 1,5
216
Conforme podemos verificar (Tabela 29), apesar da tendência crescente verificada no
HDES, atualmente os casos classificados com a cor branca não atingem o valor de
referência dos 5%, apesar de em 2017, no Hospital da Horta se ter registado um valor
de 4,5%.
A utilização do serviço de urgência hospitalar é um indicador importante quando se
procura estudar o acesso ao serviço regional de saúde.
Desde logo, “a ida à urgência é acima de tudo uma decisão individual, que não é guiada
ou mediada por um profissional do SNS” (Barros, 2013:81), o que também se aplica no
caso do SRS.
De acordo com Barros (2013), os motivos que levam os cidadãos a decidirem recorrer à
urgência, são entre outros a perceção de que se é mais bem tratado na urgência
hospitalar. Outro motivo que pesa nessa escolha, prende-se com a hora em que ocorre
a necessidade de atendimento, se fora do horário de funcionamento do centro de
saúde.
Aparentemente, e ainda de acordo com um levantamento feito por Barros (2013), não
pesou a distância entre a residência e o hospital ou o facto de não ter médico de família.
Pelo contrário, a expectativa de poder realizar vários exames no mesmo local, é tida
como vantajosa. Por outro lado, parece existir, particularmente na geração mais jovem,
uma falta de hábitos relacionados com o recurso ao Centro de Saúde.
Esta prática, com implicações financeiras para o SRS, porque a resolução de casos não
urgentes nos Centros de saúde representaria uma poupança de recursos do sistema de
saúde, que segundo Barros (2013:83) seria na ordem dos 100 euros por urgência evitada
no hospital”
8.5 - CUIDADOS PREVENTIVOS E RECURSO A MEIOS AUXILIARES DE
DIAGNÓSTICO
Para completar a informação anterior, importa considerar, para além de
comportamentos relacionados com o estilo de vida, algumas práticas, recorrentes, em
matéria de vigilância e manutenção da saúde, por parte da população.
217
Partindo dos dados publicados no INSEF – Cuidados Preventivos (2017), podemos fazer
um breve retrato do comportamento da população açoriana, em termos de Saúde Oral,
realização regular de Análises Clínicas, Mamografias, Citologia ou Pesquisa de sangue
oculto nas fezes. E, de acordo com este inquérito, os açorianos ficam aquém dos valores
médios nacionais, chegando mesmo a ser a região com maior percentagem de mulheres
entre os 50 e os 69 anos que nunca realizou uma mamografia (2,3% contra 0,9% a nível
nacional) ou que nunca realizou uma citologia cervico-vaginal (22,5% das mulheres
entre os 25 e os 64 anos, contra 9,8% a nível nacional).
Apesar de não termos dados sobre todos os exames referenciados no relatório do INSEF
– Cuidados preventivos (2017), a informação publicada pelo Centro de Oncologia dos
Açores, datada de 2018, refere uma prática de rastreio organizado na RAA, ao nível do
cancro da mama e do cólon e reto.
Rastreios e Campanhas de sensibilização
Conforme foi referido anteriormente, compete ao Centro Oncológico dos Açores as
ações de prevenção e a contabilização das situações oncológicas. Nesse sentido, e
considerando a responsável da Ordem dos Médicos, as ações de rastreio organizado
tem permitido sinalizar um maior número de cancros da mama.
Essa é também a conclusão referida no Relatório dos 20 anos do RORA (2018:38):
“os cancros da mama na mulher e do cólon e reto em ambos os sexos (apesar de
somente o homem ter registado um resultado estatisticamente significativo),
traduzem provavelmente esta realidade, já que um aumento mais acentuado da
incidência foi observado, sobretudo, após a implementação do ROCMA (Rastreio
Organizado do Cancro da Mama nos Açores) e do ROCCRA (Rastreio Organizado
do Cancro do Cólon e Reto nos Açores), respetivamente. No entanto, o contrário
também é possível e tal poderá ter sido o caso do cancro da próstata a partir de
2008, onde a diminuição da incidência relacionar-se-á, eventualmente, com um
decréscimo do sobrediagnóstico associado a uma menor intensidade no uso do
teste de PSA (do inglês Prostate Specific Antigen).”
218
Rastreios e Campanhas de prevenção e combate ao cancro
Rastreio Data de objetivos abrangência Acesso
início
Rastreio Organizado de Novembro Identificação atempada e 40 mil Gratuito
Cancro da Mama nos 2008 diagnóstico em fases mais mulheres com
Açores (ROCMA) precoces do cancro da mama periodicidade
bianual.
Rastreio Organizado de Janeiro 2014 Detetar lesões benignas 60 mil Gratuito
Cancro do Cólon e Reto (pólipos) que podem a médio e açorianos/as
nos Açores (ROCCRA) longo prazo, evoluir para cancro
e, noutros casos, diagnosticar
cancros (habitualmente
pequenos) no intestino, antes
destes provocarem sintomas e
ameaçarem a vida98
Para além dos rastreios acima registados, o COA tem promovido outras campanhas,
nomeadamente antitabágica, um consumo que está diretamente relacionado com as
patologias oncológicas que envolvem a cavidade bucal e o sistema respiratório.
campanha Data de objetivos estratégia Acesso
início
Campanha Janeiro 2016 Prevenção e estimulação Cartazes: Redes sociais
antitabágica da Desabituação tabágica O tabaco é Comunicação
Reforço da literacia em responsável por 33% social.
saúde dos cancros;
O tabaco mata
metade dos
fumadores;
Feliz ano novo sem
tabaco.
Dia mundial da luta 4 fevereiro Incentivar o diagnóstico Video -Você é o herói Comunicação
contra o cancro 2020 precoce desta história social
Para além das iniciativas governamentais, o núcleo regional da Liga Portuguesa contra
o Cancro promove campanhas relacionadas com a prevenção do Cancro da mama e
outras patologias oncológicas.
8.5.1 – Ações complementares de Diagnóstico ou de Tratamento nos Centros de Saúde
da RAA
8.5.1.1. - Análises clínicas nos Centros de Saúde da RAA
98
http://www.azores.gov.pt/Portal/pt/entidades/srs-coa/textoImagem/ROCCRA.htm
219
A análise das estatísticas de Saúde, ao nível dos Atos complementares de diagnóstico e
terapêutica, praticados nos Centros de Saúde, revela uma curva (Fig.178), que
corresponde inicialmente ao exercício dos cuidados de saúde primários e diferenciados
em todas estas unidades, a que se seguiu o encerramento da componente hospitalar
nos concelhos das ilhas onde existem hospitais. Por esse motivo, a partir de 2010, nos
centros de saúde dessas ilhas deixou de ser possível realizar análises clínicas, como
adiante se verifica na análise por Ilha (Fig. 179). Em São Miguel, os centros de saúde
deixaram de prestar este serviço em 2015, na Terceira em 2010 e no Faial não existem
registos, pelo menos desde 1999.
Figura 178 - Número de análises clínicas realizadas nos Centros de Saúde da RAA - 1999-2018
900 000
800 000
700 000
600 000
500 000
400 000
300 000
200 000
100 000
0 1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Figura 179 - Número de análises clínicas realizadas nos Centros de Saúde da RAA/ilha - 1999-2018
350 000
294 457 2009
300 000
250 000
209 872
200 000
150 000
100 000 85 301 2015
50 000 30 150 2010
Sem registos
0
SANTA MARIA SÃO MIGUEL TERCEIRA GRACIOSA SÃO JORGE PICO FAIAL FLORES CORVO
1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
220
Quando comparamos o número de análises clínicas nas diferentes ilhas, desde logo é
evidente o aumento significativo registado na Ilha do Pico, atingindo 209872 atos em
2018.
Uma análise por concelho (Fig.180), permite verificar que é sobretudo no Centro de
Saúde da Madalena que se realizam mais análises clínicas, sobretudo desde 2016
(209872 análises clínicas em 2018).
Em São Miguel, os concelhos de Lagoa, Nordeste e mesmo Ponta Delgada e Povoação
não tem ou tem muito pouco registos de análises clínicas realizadas. Na Ribeira Grande
o fenómeno é bastante distinto e, em 2015, último ano onde se praticou este serviço no
Centro de Saúde, registaram-se 72445 análises/ano.
Figura 180 – Número de análises clínicas realizadas nos Centros de Saúde da RAA/concelho – 1999-2018
250 000
209 872
200 000
150 000
100 000
72 445
50 000
0
Po La No elga
ão Gr po o tória Gr Ca Ve Pi co ad do Co
rto goa rd da Po an Ca He ac lhet
las ale Pi co rv o
es vo de m ro Vi iosa a La na FLOR
do te
Po aç ísm da je ES
nt Ri Fran sd M Ro /S
Vi la
aD beira ca do Pr Cr uz o qu ta
ai a da e .Cru
la An Sã z
Vi gra o
Santa
1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
A partir de 2014 deixaram de se realizar análises clínicas nas Lajes e em São Roque do
Pico, daí o aumento exponencial no Centro de Saúde da Madalena.
8.5.1.2 – Ecografias nos Centros de Saúde da RAA
A evolução do número de Ecografias realizadas nos Centros de Saúde tem sido muito
irregular, como podemos verificar no gráfico seguinte (Fig.181).
221
Figura 181- Número de ecografias nos Centros de Saúde da RAA – 1999-2018
5 000
4 000
3 000
2 000
1 000
0 1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Numa análise por ilha (Fig.182), há centros de saúde onde não se realizam ecografias,
nomeadamente, Graciosa, Faial e, desde 2014, deixaram de se realizar nos centros de
saúde das ilhas São Miguel, Terceira, Pico e Faial. Ao contrário, foi a partir desse ano que
os centros de saúde de Vila do Porto/Sta. Maria, Sta. Cruz das Flores e Corvo passaram
a realizar ecografias.
Figura 182 – Número de Ecografias realizadas nos Centros de Saúde da RAA – 1999-2018
3 500
3 000
2 500
2 000
1 500
1 000
500
0
SANTA MARIA SÃO MIGUEL TERCEIRA GRACIOSA SÃO JORGE PICO FAIAL FLORES CORVO
1999 0 0 1 543 0 0 197 0 0
2000 0 0 1 795 0 0 221 0 0
2001 0 0 1 838 0 40 246 0 0
2002 0 0 1 696 0 0 264 0 0
2003 0 0 1 890 0 0 372 0 265
2004 0 0 1 920 0 62 1 251 0 322
2005 0 0 1 633 0 65 1 669 0 415
2006 0 0 1 579 0 251 1 756 0 390
2007 0 0 1 579 0 251 1 756 0 390
2008 0 0 0 0 146 1 613 0 481
2009 0 398 0 0 281 0 0 393
2010 0 0 0 0 318 570 0 325
2011 0 280 0 0 377 2 883 0 117 0
2012 0 643 0 0 611 2 979 0 0 0
2013 0 241 0 0 318 158 0 115 0
2014 0 0 0 0 541 0 0 0 24
2015 760 1 433
2016 1 606 894
2017 785 0 0 0 1 515 0 0 1 397 0
2018 253 0 0 0 849 0 0 1 245 61
1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008
2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
222
O encerramento deste serviço nas ilhas mais populosas explica a variação registada no
total regional.
8.5.1.3 – Eletrocardiogramas nos Centros de Saúde da RAA
No registo dos exames complementares de diagnóstico, para além das análises clínicas
e das ecografias, há ainda os eletrocardiogramas. E, neste tipo de exames, como
podemos ver pelo gráfico seguinte (Fig.183), houve um aumento até 2010, seguido de
uma significativa redução até 2013. Desde então tem variado o número de exames
realizados, sendo que em 2017 e 2018 voltou a registar-se uma diminuição do total de
eletrocardiogramas realizados nos Centros de Saúde da RAA.
Figura 183 - Número de eletrocardiogramas realizados nos Centros de Saúde da RAA - 1999-2018
25 000
20 000
15 000
10 000
5 000
0
1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Um olhar destes dados ao nível de ilha permite verificar que as oscilações registadas
decorrem sobretudo do número de eletrocardiogramas realizados, ou não, nos centros
de saúde da Ilha de São Miguel (Fig.184).
223
Figura 184 - Número de eletrocardiogramas realizados nos Centros de Saúde/Ilha - 1999-2018
7 000
6 000
5 000
4 000
3 000
2 000
1 000
0 SANTA MARIA SÃO MIGUEL TERCEIRA GRACIOSA SÃO JORGE PICO FAIAL FLORES CORVO
1999 1 482 3 084 4 183 518 1 399 2 167 1 168 481
2000 973 2 319 4 505 435 1 536 2 178 1 011 530
2001 1 193 2 213 4 160 532 1 640 2 335 935 580
2002 1 140 2 310 4 239 592 1 580 2 536 916 572
2003 1 373 2 365 4 561 922 1 782 2 598 982 581
2004 1 384 4 007 4 779 763 1 881 3 117 1 489 833
2005 1 415 4 709 4 337 901 2 514 3 438 1 330 733
2006 988 5 668 4 727 1 026 2 576 3 370 1 110 515
2007 742 6 525 4 221 965 2 421 3 205 1 505 420
2008 1 201 4 450 5 445 629 2 649 3 367 1 288 387
2009 1 098 5 509 5 226 526 2 233 3 326 1 265 608
2010 1 265 5 151 5 418 678 2 388 3 049 1 283 546
2011 1 115 4 390 4 481 765 2 259 3 699 1 330 549 24
2012 1 505 3 203 4 218 368 1 666 3 696 1 516 651 29
2013 732 1 511 5 429 855 2 011 3 191 1 524 524 37
2014 1 203 3 432 5 095 778 1 739 3 014 1 688 915 60
2015 930 3 499 4 961 375 1 748 3 168 1 307 1 005 91
2016 1 109 3 399 5 801 1 017 2 010 3 295 1 573 966 111
2017 1 095 2 628 5 106 1 116 1 824 3 019 1 531 1 148 112
2018 691 2 395 5 023 1 047 1 674 2 622 1 562 1 068 69
1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Ao nível do concelho/Centro de Saúde, os números revelam que é na Ilha Terceira99 que
se realiza a maior % de eletrocardiogramas. Em Ponta Delgada, deixaram de ser
realizados no Centro de Saúde de Ponta Delgada desde 2013 e no centro de saúde da
Lagoa, atualmente integrado como unidade de saúde do C. S. P. Delgada, não há registo
deste tipo de exames (Fig.185).
99
Em 2018, os centros de saúde da Ilha Terceira (A. Heroísmo e P. da Vitória) registaram 31,1% dos
eletrocardiogramas realizados nos centros de saúde da RAA, nesse ano.
224
Figura 185 – Número de eletrocardiogramas realizados nos Centros de Saúde da RAA/concelhos – 1999-2018
4 000
3 500
3 000
2 500
2 000
1 500
1 000
500
0 Vila do
Lagoa Nordeste
Ponta
Povoação
Ribeira Vila Franca Angra do Praia da Santa Cruz
Calheta Velas
Lajes do
Madalena
São Roque
Horta
Santa Cruz
Porto Delgada Grande Campo Heroísmo Vitória da Graciosa Pico do Pico das Flores
1999 1 482 0 661 1 379 291 220 533 2 621 1 562 518 430 969 520 800 847 1 168 481
2000 973 0 527 929 256 388 219 2 586 1 919 435 561 975 517 825 836 1 011 530
2001 1 193 0 614 768 323 415 93 2 027 2 133 532 591 1 049 611 830 894 935 580
2002 1 140 0 529 737 432 612 0 2 104 2 135 592 680 900 695 923 918 916 572
2003 1 373 0 464 591 358 952 0 2 221 2 340 922 741 1 041 877 883 838 982 581
2004 1 384 0 629 1 126 392 1 860 0 2 252 2 527 763 889 992 1 024 1 161 932 1 489 833
2005 1 415 0 639 846 364 2 860 0 2 244 2 093 901 1 154 1 360 1 084 1 393 961 1 330 733
2006 988 0 823 1 692 321 2 832 0 2 406 2 321 1 026 1 222 1 354 910 1 464 996 1 110 515
2007 742 0 865 2 477 309 2 874 0 1 833 2 388 965 1 329 1 092 715 1 536 954 1 505 420
2008 1 201 0 1 008 2 846 596 0 0 3 071 2 374 629 1 313 1 336 887 1 602 878 1 288 387
2009 1 098 0 842 2 985 491 1 191 0 2 548 2 678 526 928 1 305 738 1 736 852 1 265 608
2010 1 265 0 920 2 566 454 1 211 0 3 077 2 341 678 1 194 1 194 586 1 630 833 1 283 546
2011 1 115 0 1 104 1 707 368 1 211 0 2 717 1 764 765 955 1 304 1 044 1 736 919 1 330 549 24
2012 1 505 0 940 698 355 1 210 0 1 844 2 374 368 635 1 031 996 1 826 874 1 516 651 29
2013 732 0 645 0 358 111 397 2 087 3 342 855 988 1 023 1 179 1 297 715 1 524 524 37
2014 1 203 0 784 0 591 1 496 561 2 512 2 583 778 601 1 138 1 053 1 247 714 1 688 915 60
2015 930 908 820 1 097 674 2 594 2 367 375 722 1 026 976 1 230 962 1 307 1 005 91
2016 1 109 679 597 1 561 562 2 883 2 918 1 017 733 1 277 941 1 301 1 053 1 573 966 111
2017 1 095 0 594 0 415 1 190 429 2 374 2 732 1 116 776 1 048 805 1 306 908 1 531 1 148 112
2018 691 0 577 0 472 825 521 2 359 2 664 1 047 612 1 062 771 1 045 806 1 562 1 068 69
1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
8.5.1.4 – Exames radiológicos nos Centros de saúde da RAA
Os dados referentes à realização de Exames radiológicos nos Centros de Saúde da RAA
denotam uma diminuição ao longo dos anos, sobretudo, desde 2009 (Fig. 186).
Em 2011, o número de exames voltou a aumentar, mas, desde 2012, que se regista uma
nova diminuição, atingindo em 2018 um valor inferior ao de 1999.
225
Figura 186 - Número de exames radiológicos realizados nos Centros de Saúde da RAA - 1999-2018
120 000
100 000
80 000
60 000
40 000
20 000
0
1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Uma leitura ao nível da ilha, permite verificar que a principal causa da redução no
número de exames radiológicos está na diminuição destes exames nos centros de
saúde de São Miguel (Fig.187)
Figura 187 - Número de exames radiológicos realizados nos Centros de Saúde da RAA/ilha - 1999-2018
60 000
50 000
40 000
30 000
20 000
10 000
0
SANTA MARIA SÃO MIGUEL TERCEIRA GRACIOSA SÃO JORGE PICO FAIAL FLORES CORVO
1999 4 172 43 761 8 987 3 783 5 143 0 1 591 2 836
2000 9 608 46 250 6 763 3 286 5 180 9 601 1 323 2 287
2001 7 725 45 929 9 192 2 971 5 625 9 918 1 464 2 118
2002 8 220 47 361 6 017 4 121 7 241 11 330 1 618 2 821
2003 6 206 46 224 9 610 0 7 932 10 229 1 796 2 958
2004 6 153 49 555 11 217 4 746 7 313 11 279 2 004 2 737
2005 7 693 49 243 9 764 5 841 8 589 11 524 1 551 2 618
2006 6 222 44 904 9 483 6 844 7 683 12 411 1 630 2 599
2007 7 408 48 263 10 043 6 606 7 033 11 693 1 944 2 745
2008 6 964 51 559 10 086 6 113 6 362 15 801 1 208 2 741
2009 7 004 44 362 10 778 6 255 6 054 15 060 1 167 2 292
2010 7 106 14 469 12 463 6 080 6 930 15 058 1 452 2 552
2011 7 126 39 939 13 117 5 636 6 605 16 740 1 494 2 701 19
2012 5 219 32 476 13 155 4 595 5 517 15 388 1 646 2 738 14
2013 3 565 26 635 16 046 5 791 5 856 14 378 550 2 901 38
2014 4 219 24 144 14 978 4 154 4 210 13 701 1 637 3 870 47
2015 3 671 23 486 11 827 5 350 4 794 15 100 1 976 3 603 21
2016 3 999 17 214 13 620 6 046 5 962 15 488 2 531 3 613 28
2017 4 360 12 463 13 357 1 946 4 839 14 382 1 781 3 632 23
2018 3 604 13 817 13 756 2 013 4 616 13 195 1 732 3 957 15
1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
226
Um olhar por concelho/Centro de Saúde revela que a principal redução na Ilha de São
Miguel ocorreu no centro de Saúde da Ribeira Grande onde, até 2008, se realizava um
elevado número de exames radiológicos (Em 2008 no C. Saúde da R. Grande ocorreu
32,8% do total de exames realizados nesse ano) (Fig.188).
Figura 188 - Número de exames radiológicos realizados nos Centros de Saúde da RAA/concelho - 1999-2018
40 000
35 000
30 000
25 000
20 000
15 000
10 000
5 000
0
Po La No ada çã o de po he Ve co ena co Ho Co
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Vi Po ra ca Sa aia La Ro sF
la nt Ribe Fran donta
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ac io Sa n
sa
1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
8.5.1.5 – Tratamentos Fisiátricos realizados nos Centros de Saúde da RAA
Os tratamentos fisiátricos enquadram-se nos atos complementares terapêuticos.
A totalidade dos Centros de Saúde da RAA regista uma tendência de aumento (Fig.189)
deste tipo de tratamentos, apesar de, em 2012/13, se ter registado uma diminuição.
227
Figura 189 – Número de tratamentos fisiátricos realizados nos Centros de Saúde da RAA – 1999-2018
300 000
250 000
200 000
150 000
100 000
50 000
0 1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Um olhar por ilha (Fig.190) revela, por um lado o peso dos tratamentos fisiátricos
realizados nos centros de saúde de São Miguel. No entanto, registou-se em 2017 uma
inversão da tendência crescente nesta ilha, ao contrário de outras, como o Pico ou São
Jorge, cujo número de tratamentos cresceu entre 2016 e 2018.
De referir que este tipo de tratamento não é disponibilizado no centro de saúde da
Horta. No centro de Saúde de Vila do Porto, só desde 2006 foi possível ter acesso a
tratamentos fisiátricos e, no caso do Corvo, apenas nos anos de 2013 e 2014 existem
registos.
Figura 190 – Número de tratamentos fisiátricos realizados nos Centros de Saúde da RAA/ilha – 1999-2018
120 000
100 000
80 000
60 000
40 000
20 000
0
SANTA MARIA SÃO MIGUEL TERCEIRA GRACIOSA SÃO JORGE PICO FAIAL FLORES CORVO
1999 0 26 738 5 647 3 016 8 733 8 433 0 0
2000 0 28 519 5 517 4 862 9 741 10 706 0 0
2001 0 36 793 7 779 5 093 9 268 7 875 0 0
2002 0 35 067 6 153 1 696 10 414 10 785 0 0
2003 0 45 528 8 929 10 198 12 869 10 305 0 0
2004 0 51 328 12 646 4 240 12 533 15 408 0 9 991
2005 0 66 525 16 159 7 202 15 362 12 938 0 23 623
2006 3 558 80 015 22 519 6 187 13 496 16 488 0 24 951
2007 3 976 51 908 20 309 6 636 20 123 18 268 0 24 500
2008 4 672 64 252 17 514 8 221 20 172 19 387 0 26 198
2009 4 435 52 410 18 961 8 094 24 118 19 225 0 29 779
2010 4 861 47 274 16 562 8 960 21 336 16 287 0 31 592
2011 0 0 0 0 0 0 0 0 0
2012 3 659 55 808 18 815 18 601 26 485 26 306 0 25 945 0
2013 14 461 18 010 20 565 6 589 31 882 29 747 0 20 272 607
2014 23 028 65 760 22 359 11 375 36 051 16 047 0 21 362 287
2015 47 348 97 979 14 323 17 731 32 162 16 843 23 251
2016 24 665 53 271 8 730 24 682 37 789 22 241 20 105
2017 25 681 55 331 7 431 20 690 37 992 47 111 0 21 620 0
2018 25 215 56 485 9 845 11 572 33 878 34 296 0 17 332 0
1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008
2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
228
Um olhar por centro de saúde, o mesmo é dizer ao nível dos concelhos (Fig.191), permite
verificar que, no caso de São Miguel, não existem registos para Ponta Delgada ou Lagoa.
Se destacarmos os dados de 2018, verificamos que os centros de saúde onde ocorreram
mais tratamentos fisiátricos foram Vila do Porto (25.215), Vila Franca do Campo
(23.677), Nordeste (20.682), Calheta de São Jorge (20.222), Madalena do Pico (19.337)
e Sta. Cruz das Flores (17.332).
Um dos indicadores, já referidos anteriormente que poderá explicar estes dados é o
facto de estarmos perante alguns dos concelhos mais envelhecidos da RAA.
Figura 191 - Número de tratamentos fisiátricos nos Centros de Saúde da RAA/concelho - 1999-2018
50 000
45 000
40 000
35 000
30 000
25 000 25 215 23 677
20 000 20 682 20 222 19 337
17 332
15 000
10 000
5 000
0
Po La No ada çã o de po he Ve co ena co Ho Co
rto goa rd Gr Ca He ta las Pi Pi Cr rta rv
es Delg Povo an m ro ísm Ca sd Mad do uz o
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Vi Po ra Sa d La Ro lo
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a i Cr uz tór e s
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ac io Sa n
sa
1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008
2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
8.5.2 - Ações complementares de diagnóstico ou terapêutica realizadas nos Hospitais da
RAA
As estatísticas de saúde registam ao nível dos três hospitais um conjunto de atos
complementares de diagnóstico, que em alguns casos são paralelas às que se realizam
nos centros de saúde, e noutros casos apenas é possível realizar nos hospitais. Os
Eletrocardiogramas apenas surgem registados nos Centros de Saúde, não constando dos
exames realizados nos Hospitais.
229
A lista completa dos exames complementares de diagnóstico, realizados nos Hospitais
é a seguinte:
• Colheitas
Patologia clínica • Análises
• Colheitas
Imuno-Hemoterapia • Análises
• Anatomia patológica
• Produtos de biópsias recolhidas para análise
Anatomopatologia • Autópsias
• Angiografia
• Ecografia
• Exames radiológicos
• Mamografia
• Ressonância magnética
• Tomografia axial computorizada
Imagiologia • Tomografia por emissão de positrões
• Brônquica
• Digestiva
• Alta
• Baixa
• Ginecológica
Endoscopia • Urológica
• Cintigrafia
Medicina nuclear • Doseamento para radioimunoensaio
Psicologia
Actos complementares de terapêutica
Imuno-hemoterapia
Unidades transfusionais
Outras
- Fisioterapia
- Litotrícia
- Medicina nuclear
• Radioterapia externa
• Radioterapia endocavitária
- Radioterapia • Laserterapia
- Sessões de psicoterapia
- Outros tratamentos
230
Considerando a totalidade dos exames realizados nos Hospitais da RAA, verifica-se uma
previsão da tendência no sentido crescente, bastante acentuada no Hospital de Ponta
Delgada (Fig.192).
O gráfico ilustra o total de exames efetuados, independentemente do tipo de serviço
onde foram solicitados. No gráfico seguinte (Fig.190), iremos comparar estes números
separados por exames ocorridos durante o internamento ou noutros locais de serviço
hospitalar. Alerta-se para o facto de até 2011, os dados publicados identificavam, para
além do internamento, os exames solicitados no âmbito da consulta externa, do serviço
de urgência ou no exterior. A partir de 2011, apenas existem duas categorias: no
internamento e noutros locais. Para efeitos de comparação, optamos por considerar
estas duas categorias ao longo da série de dados.
Figura 192 - Número total de exames complementares de diagnóstico e terapêutica realizados nos Hospitais da RAA
- 1999-2018
3500 000
3000 000
2500 000
2000 000
1500 000
1000 000
500 000
0
1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Total HDES Total HSEIT Total HH
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Quando se analisam os exames complementares de diagnóstico e terapêutica, de
acordo com o tipo de doentes, se no internamento ou em outros locais, verifica-se que
a maior percentagem está em outros locais (consultas externas, serviços de urgência ou
no exterior) (Fig.193), na ordem dos 75% a 80% dos exames registados, como se pode
verificar em 2018.
231
Figura 193 - Exames realizados no internamento hospitalar ou noutros locais (Consulta externa, Serviço de Urgência
ou no Exterior) nos Hospitais da RAA - 1999-2018
120,0
100,0
80,0
82,8
60,0 76,2
77,4
40,0
20,0
0,0 HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Internamento Outros locais
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Considerando os exames complementares de diagnóstico e os exames complementares
de terapêutica, verifica-se que a tendência crescente se regista, sobretudo, nos
primeiros. O número de exames complementares de terapêutica regista um aumento
mais significativo no HDES, a partir de 2014. Ao invés, no HH houve um decréscimo neste
tipo de exames, enquanto no HSEIT a tendência é de manutenção do número de exames
efetuado (Fig.194).
Figura 194 - Número de exames complementares de diagnóstico e de terapêutica nos Hospitais da RAA - 1999-2018
2500 000
2 229 399
2000 000
1500 000
1 123 648
1000 000
557 877
500 000
440 132
285 851
155 497
0
1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Atos complementares de diagnóstico HDES Atos complementares de diagnóstico HSEIT
Atos complementares de diagnóstico HH Atos complementares de terapêutica HDES
Atos complementares de terapêutica HSEIT Atos complementares de terapêutica HH
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
232
Para melhor compreender os números, dos atos complementares de diagnóstico e de
tratamento registados nos Centros de Saúde, iremos analisar os mesmos atos nos
hospitais (análises clínicas/Patologia clínica, Ecografias, Exames radiológicos e
Fisioterapia), de forma a evidenciar se as tendências registadas ao nível dos Cuidados
de Saúde Primários são compensadas por uma prestação de serviço, disponibilizada ao
nível hospitalar.
8.5.2.1 – Análises clínicas realizadas nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH)
Quando se avalia a importância das Análises clínicas no total dos Exames auxiliares de
diagnóstico, realizados nos três hospitais da RAA, verifica-se que é cada vez mais
significativo, chegando a representar no HDES, em 2018, quase 90% do total. Neste
hospital a tendência verificada na realização de Análises clínicas é crescente, quando
comparamos 1999 e 2018, enquanto que, nos outros dois Hospitais (HSEIT e HH),
verifica-se uma tendência contrária (Fig.195).
Figura 195- Análises Clínicas no total dos Exames complementares de diagnóstico (%) - 1999-2018
100,0 89,6 86,8
90,0 82,9 80,9
77,0
80,0 73,2
70,0
60,0
50,0
40,0
30,0
20,0
10,0
0,0
HDES HSEIT HH
1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008
2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Quanto ao número de Análises clínicas realizadas em cada Hospital da RAA, verifica-se
uma tendência generalizada de aumento, sobretudo no HDES, apesar de neste hospital,
233
no ano de 2018 se ter registado uma diminuição deste tipo de ato complementar de
diagnóstico (Fig.196).
Figura 196 - Número de Análises Clínicas realizadas nos Hospitais da RAA (1999-2018)
2500 000
2000 000
1500 000
1000 000
500 000
0
1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
HDES HSEIT HH
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Considerando que as Análises clínicas se realizam quer ao nível dos Hospitais, quer nos
Centros de Saúde, podemos comparar a evolução deste tipo de atividade complementar
de diagnóstico, considerando os totais de análises realizadas nestes dois níveis de
intervenção do sistema regional de saúde.
O gráfico seguinte (Fig.197) ilustra a aparente transferência de atividade, ao nível das
Análises Clínicas, dos Centros de Saúde para os Hospitais, a partir de 2009. Enquanto
diminui este tipo de exames nos Cuidados de Saúde Primários, aumenta de forma
significativa nos Cuidados diferenciados/hospitalares.
Figura 197 - Número total de Análises Clínicas realizadas nos Centros de saúde e nos Hospitais da RAA - 1999-2018
4000 000
3000 000
2000 000
1000 000
0 1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
Hospitais Centros de Saúde
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
234
8.5.2.2 – Ecografias realizadas nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH)
A análise dos dados referentes ao número de ecografias realizadas nos três hospitais da
Região (Fig.198) revela uma tendência crescente até 2014, com exceção do HDES onde
se regista uma redução desde 2011, depois de um aumento muito significativo entre
2008 até 2011. Nos outros dois hospitais (HSEIT e HH) o aumento foi lento até 2014.
Figura 198 - Número de ecografias realizadas nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) - 1999-2018
40 000
30 000
20 000
10 000
0 1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
HDES HSEIT HH
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Desde 2011 tem se registado uma diminuição do número de ecografias realizadas.
Considerando o total de ecografias realizadas nos Centros de Saúde e nos Hospitais da
RAA, podemos concluir que no período entre 2008 e 2010 houve uma redução, não
muito acentuada, do número de ecografias realizadas nos Centros de Saúde, que
coincide com o aumento verificado nos Hospitais (Fig.199). No entanto, a média nos
Centros de saúde tem se mantido mais ou menos em torno dos 5000 exames, enquanto
nos Hospitais a tendência é crescente.
Figura 199 – Número total de Ecografias realizadas nos Centros de Saúde e nos Hospitais da RAA – 1999-2018
50 000
40 000
30 000
20 000
10 000
0 1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
Hospitais C. Saúde
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
235
8.5.2.3 – Exames radiológicos realizados nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH)
Quanto aos exames radiológicos100, os dados revelam que houve um aumento contínuo
entre 1999 e 2010 no HDES e no HH, mas desde então regista-se uma tendência de
diminuição. Ao invés, o caso do HSEIT, a tendência tem sido de aumento do número de
exames realizados neste Hospital (Fig.200).
Figura 200- Número de Exames radiológicos realizados nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) – 1999-2018
100 000
90 000
80 000
70 000
60 000
50 000
40 000
30 000
20 000
10 000
0
1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
HDES HSEIT HH
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Considerando o total dos exames realizados nos Hospitais e nos Centros de Saúde, a
previsão tendencial é a de que este tipo de exame seja mais realizado no contexto
hospitalar do que nos centros de saúde, se tivermos em conta os dados entre 1999 e
2018 (Fig.201).
100
Nota: Nos Hospitais realizam-se vários exames de Imagiologia, para além das Ecografias e Exames
radiológicos. No entanto, estes dois tipos de exame correspondem a cerca de 80% do total dos exames
de Imagiologia registados.
236
Figura 201 - Número de exames radiológicos realizados nos Centros de Saúde e nos Hospitais da RAA. 1999-2018
160 000
140 000
120 000
100 000
80 000
60 000
40 000
20 000
0 1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
Hospitais C. Saúde
Linear (Hospitais) Linear (C. Saúde)
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
8.5.2.4 – Exames complementares de terapêutica/Fisioterapia realizados nos Hospitais
da RAA (HDES, HSEIT e HH)
Continuando a pesquisar a oferta de serviços complementares disponibilizados pelos
Centros de Saúde e pelos Hospitais, registamos os dados referentes aos tratamentos de
Fisioterapia que, no total representavam, em 2018, a maioria dos exames
complementares de terapêutica realizados através dos hospitais.
O gráfico seguinte regista o total de exames de Fisioterapia disponibilizados nos
Hospitais da RAA (Fig.202). De notar o aumento significativo registado no HDES, desde
2014.
Figura 202 – Número de exames de Fisioterapia realizados nos Hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) – 1999-2018
600 000
500 000
400 000
300 000
200 000
100 000
0
1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
HDES HSEIT HH
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
237
Quando se considera o tipo de doente que beneficiou destes tratamentos, verifica-se
que na grande maioria o fez noutros locais, que não no internamento (ex. Consultas
externas) (Fig.203).
Ao longo dos anos em análise a tendência registada é decrescente quanto aos exames
de Fisioterapia realizados no contexto de internamento, chegando mesmo a 0% em
alguns anos e hospitais. Apenas no Hospital da Horta se mantém ao longo da série uma
percentagem de tratamentos fisiátricos em contexto de internamento (em 2018 era de
37,1%).
Figura 203 – Número de exames complementares de terapêutica – Fisioterapia – nos Hospitais da RAA por tipo de
doentes (no internamento ou noutros locais) – 1999-2018
120
100
80
60
37,1
40
20
0 HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
HDES
HSEIT
HH
1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Internamento Outros locais
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
Considerando a evolução do número de tratamentos de Fisioterapia nos Centros de
Saúde e nos Hospitais da RAA, verifica-se que até 2011 a maioria deste tipo de
tratamentos ocorria no âmbito dos Cuidados de Saúde Primários (Centros de Saúde)
(Fig.204).
238
Figura 204 - Número total de exames complementares de terapêutica - Fisioterapia - nos Centros de Saúde e nos
Hospitais da RAA - 1999-2018
800 000
700 000
600 000
500 000
400 000
300 000
200 000
100 000
0
1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Hospitais C. Saúde
Fonte: Estatísticas da Saúde/SREA
A partir de 2013 os exames de Fisioterapia passaram a ter mais expressão nos Hospitais
do que nos Centros de Saúde, particularmente entre 2015 e 2017, período em que se
regista um significativo aumento deste tipo de exames complementares de terapêutica.
8.6 – REDE INTEGRADA DE CUIDADOS CONTINUADOS NA REGIÃO
AUTÓNOMA DOS AÇORES
8.6.1 – Cuidados continuados na RAA
A oferta em Serviços designados por Cuidados continuados é relativamente recente, no
contexto desta designação. No entanto, já existia antes um serviço de “retaguarda”,
também conhecido por Enfermaria-Abrigo, enquadrado no protocolo de cooperação
entre os Hospitais e outras entidades, como é o caso da Santa Casa da Misericórdia de
Ponta Delgada.
Posteriormente, com o alargamento da oferta em Cuidados Continuados,
particularmente nos Centros de Saúde, das Ilhas com Hospital que encerraram a
valência de internamento, a Região foi dotada de uma Rede Regional de Cuidados
Continuados, que abrange também a oferta em Cuidados Paliativos.
239
De acordo com a página oficial da Rede Regional de Cuidados Continuados Integrados
na RAA101, existiam em 2020 (Agosto) 238 camas disponíveis em oito das nove ilhas,
46,6% das quais na ilha de São Miguel.
Tabela 30 - Número de camas em funcionamento na RRCCI - 2020
Ilha Local Total de camas
existentes
Sta. Maria CS Vila do Porto 3
São Miguel CS Nordeste 9
CS Povoação 7
CS Ribeira Grande 18
CS VF Campo 11
Sta. Casa M Lagoa 4
Sta. Casa M. P. Delgada 42
C. Bom Jesus 20
Graciosa CS Graciosa 8
São Jorge CS Calheta 6
CS Velas 8
Pico CS Madalena 11
CS Lajes Pico 8
CS S. Roque Pico 6
Flores CS Sta. Cruz Flores 8
Terceira Sta. Casa M. A. Heroísmo 36
Lar D. Pedro V 10
Faial Sta. Casa M. Horta 23
Total 238
Fonte: Quadro retirado da página oficial da Rede Regional de Cuidados Continuados Integrados (RRCCI)
Como podemos constatar (Tabela 30), desde 2008 (DLR 16/2008/A de 12 de junho)
muitos dos centros de Saúde passaram a providenciar resposta ao nível dos Cuidados
Continuados. Para além destes equipamentos, do Sistema Regional de Saúde, há ainda
a contabilizar IPSS (Lar D. Pedro V) e Santas Casas da Misericórdia (Lagoa, Ponta Delgada,
Angra do Heroísmo e Horta) e, ainda, uma clínica particular com estatuto de IPSS (Clínica
do Bom Jesus).
101
http://www.azores.gov.pt/Gra/Rede+Regional+de+Cuidados+Continuados+Integrados/menus/principal
/Indicadores/, página consultada em 17 agosto 2020
240
Apesar do diploma que cria estas unidades remontar a um DLR de 2008, só em 2015
(Portaria nº37/2015 de 31 março) foi regulamentado o funcionamento destas unidades.
e definidos os critérios de referenciação, como se pode ler na página da Rede:
A Rede Regional de Cuidados Continuados Integrados (RRCCI) foi criada através
do Decreto Legislativo Regional nº 16/2008/A de 12 de junho, regulamentada por
vários diplomas, entre eles a Portaria nº 37/2015 de 31 de março de 2015102.
Por despacho nº 198/2015 de 26 de Janeiro foi definido o número de camas destinadas
a Cuidados de média duração (IMD) ou de Longa Duração (ILD).
Tabela 31 - Número de camas de cuidados continuados segundo a duração do internamento a que se destinam
Despacho normativo 198/2015 de 26.01 2020
ILHA LOCAL
IMD ILD
Santa 3
Unidade de Saúde de Ilha Uma cama Duas camas
Maria
Centro de Saúde do Nordeste Duas camas Cinco camas 9
Centro de Saúde da Povoação Duas camas Três camas 7
Centro de Saúde da Ribeira 18
Nove camas Dezasseis camas
Grande
Centro de Saúde de Vila Franca 11
São Doze camas Oito camas
do Campo
Miguel
IPSS/ Misericórdia no concelho 4
- Quatro camas
da Lagoa
IPSS/ Misericórdia no concelho 42
Doze camas Trinta e oito camas
de Ponta Delgada
Clínica do Bom Jesus 20
Graciosa Unidade de Saúde de Ilha Três camas Cinco camas 8
Centro de Saúde da Calheta Duas camas Quatro camas 6
São Jorge
Centro de Saúde das Velas Três camas Cinco camas 8
Centro de Saúde das Lajes do 8
Três camas Cinco Camas
Pico
Pico Centro de Saúde de São Roque 6
Duas camas Quatro camas
do Pico
Centro de Saúde da Madalena Dez camas Quinze camas 11
Flores Unidade de Saúde de Ilha Três camas Cinco camas 8
IPSS/ Santa Casa da Misericórdia 36
no concelho de Angra do Quatro camas Trinta e duas camas
Terceira Heroísmo
IPSS/ Misericórdia no concelho 10
Quatrocamas Seis camas
da Praia da Vitória
IPSS/ Misericórdia no concelho 23
Faial Dez camas Quinze camas
da Horta
Fonte: Despacho nº198/2015 de 26 de janeiro e total de camas publicadas na página da RRCCI (2020), nas
diferentes ilhas.
102
http://www.azores.gov.pt/Gra/Rede+Regional+de+cuidados+continuados+integrados
241
Comparando os dados da publicação de 2015 e os atuais (publicados na página da RRCCI)
(tabela 31), verificamos que, em algumas ilhas/alguns concelhos, houve uma redução
do número de vagas (Ribeira Grande, Vila Franca do Campo, Faial ou Madalena do Pico)
e um ligeiro aumento nas vagas dos centros de saúde de Nordeste e Povoação.
Tabela 32 - Número de utentes referenciados pela RRCCI/Ilha - 2019103
Ilha Total
Ilha Terceira 129
Ilha de São Miguel 123
Ilha do Faial 35
Ilha do Pico 11
Ilha de São Jorge 5
Ilha de Santa Maria 2
Ilha da Graciosa 1
Ilha das Flores 1
Total 307
Fonte: Quadro retirado da página oficial da Rede Regional de Cuidados Continuados Integrados (RRCCI)
Segundo a página da RRCCI, estavam referenciados 307 utentes, entre os meses de
Janeiro a Agosto de 2019, distribuídos conforme a tabela 32.
Tabela 33 - Número de utentes admitidos na Rede Regional de Cuidados continuados/ilha - 2019
Ilha Total
Ilha Terceira 96
Ilha de São Miguel 76
Ilha do Faial 28
Ilha do Pico 6
Ilha de São Jorge 5
Ilha da Graciosa 1
Ilha das Flores 1
Ilha de Santa Maria 1
Total 214
Fonte: Quadro retirado da página oficial da Rede Regional de Cuidados Continuados Integrados (RRCCI)
103
De acordo com o artigo 17º da Portaria nº37/2015 de 31 de março, um utente pode ser referenciado desde que se encontre
em situação de a) Dependência que os impossibilite de desenvolver as atividades instrumentais e básicas da vida diária, na
sequência de episódios de doença aguda e ou com presença de síndromes geriátricos, nomeadamente, desnutrição, deterioração
cognitiva, problemas sensoriais; b) Doença crónica, com episódios frequentes de reagudização e que necessitem de seguimento e
acompanhamento prolongados, nomeadamente, doença pulmonar obstrutiva crónica, doença neurodegenerativa, insuficiência
cardíaca, diabetes, hepatopatia; c) Doença grave, progressiva e incurável, sem possibilidades de resposta favorável a um tratamento
específico, com sintomas intensos, múltiplos, multifatoriais e instáveis, com prognóstico de vida limitado e que provoca um grande
impacto emocional ao doente e família; d) Necessidade de continuidade de tratamentos que contribuam para a reabilitação na
sequência de episódio de doença aguda ou manutenção preventiva de agudizações.
242
Da leitura dos dois quadros anteriores é possível concluir que a Ilha Terceira, apesar de
apenas possuir 46 camas de cuidados continuados, regista o maior número de utentes
referenciados (129), três vezes superior à capacidade instalada.
Os dados da tabela 33 revelam que, o número de utentes admitidos na Rede Regional
de Cuidados Continuados, entre Janeiro e Agosto 2019, foi em maior número na ilha
Terceira.
De referir que os cuidados continuados podem ser de média ou longa duração, em
função das necessidades de cuidados de saúde dos utentes. “O período de internamento
na unidade de média duração e reabilitação tem uma previsibilidade superior a 30 e
inferior a 90 dias consecutivos, por cada admissão.” (nº 3 do artigo 13º do Decreto
Legislativo nº 16/2008/A de 12 de junho104, que cria a Rede de Cuidados continuados
integrados).
Já numa “unidade de longa duração e manutenção tem por finalidade proporcionar
cuidados que previnam e retardem o agravamento da situação de dependência,
favorecendo o conforto e a qualidade de vida, por um período de internamento superior
a 90 dias consecutivos.” (nº 2 do artigo 15º do Decreto Legislativo nº 16/2008/A de 12
de junho105). De acordo com a legislação que enquadra as Unidades de cuidados
continuados, a estadia dos utentes é transitória e depende da condição de saúde, dos
cuidados de enfermagem necessários até que seja reposta a autonomia do utente.
Tabela 34 - Encaminhamento dos utentes após alta da Unidade de Cuidados Continuados - Janeiro-Agosto 2019
Destino Total
Regresso ao domicílio 44
Outros 25
Integração em ERPI (1) 21
Transferência para Unidade de Reabilitação (RNCCI) 2
Total 92
(1) Estrutura Residencial Para Pessoas Idosas
Fonte: Quadro retirado da página oficial da Rede Regional de Cuidados Continuados Integrados (RRCCI)
104
http://www.azores.gov.pt/NR/rdonlyres/AB10D1D4-ABC2-4F3D-9D8A-
7A68572BD7A8/1114000/DecretoLegislativoRegionalN162008A.pdf
105
http://www.azores.gov.pt/NR/rdonlyres/AB10D1D4-ABC2-4F3D-9D8A-
7A68572BD7A8/1114000/DecretoLegislativoRegionalN162008A.pdf
243
Nesse sentido, se compreende que destas unidades alguns possam regressar aos seus
domicílios ou a estruturas residenciais para pessoas idosas, conforme se pode verificar
no quadro seguinte (Tabela 34)
Apesar de, no total dos dados publicados pela RRCCI, ser bastante significativo o número
dos que regressam ao domicílio, este dado não é apresentado por referência ao tempo
de permanência desses utentes nas unidades de cuidados continuados, nem se
consegue perceber, ao longo dos meses em análise qual o ritmo de entradas e saídas
verificado.
Considerando a informação publicada na página da RRCCI106,
O número de camas existente na RRCCI é de 238 camas distribuídas por 8 Ilhas dos
Açores, tendo maior expressão em S. Miguel, Terceira e Faial, estando a ser efetuado
um levantamento das necessidades atuais com vista à sua reorganização e
harmoniosa distribuição.
Considerando a natureza das instituições, verificamos que a maioria das camas são
disponibilizadas em Unidades de internamento das Santas Casas da Misericórdia (Lagoa,
Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta), acrescido do número de camas em outras
instituições de natureza privada (Clínica do Bom Jesus e Lar D. Pedro V).
Tabela 35- Número de camas em cuidados continuados por natureza da instituição - 2020
Natureza da instituição de Número total de camas %
cuidados continuados disponíveis
Centro de Saúde 103 43,3
Santa Casa da Misericórdia 105 44,1
Outra privada 30 12,6
Total 238 100,0
Fonte: página oficial da RRCCI – consultada em setembro 2020
8.6.2 – Cuidados paliativos
106
Disponível em
http://www.azores.gov.pt/Gra/Rede+Regional+de+Cuidados+Continuados+Integrados/, consultado a 8
setembro 2020
244
O diploma de 2015 (Despacho nº198/2015 de 26 de janeiro) define para os três hospitais
o número de camas destinadas a Cuidados Paliativos, num total de 20, 50% das quais
em Ponta Delgada (Tabela 36).
Tabela 36- Número de camas vocacionadas para a prestação de Cuidados Paliativos nos Três hospitais da RAA
Ilha Unidade de saúde UCP
São Miguel Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada Dez camas
Terceira Hospital de Santo Espírito Santo da Ilha Terceira Seis camas
Faial Hospital da Horta Quatro camas
Fonte: Despacho nº198/2015 de 26 de janeiro.
Em 2016 foi inaugurada a Unidade de Cuidados Paliativos (UCP) do HDES, composta por
10 quartos individuais com quarto de banho, sala de estar/refeições e sala de
tratamento e banho assistido. De acordo com o Relatório e Contas de 2016/HDES,
“a UCP presta apoio assistencial em internamento, consulta externa e interna,
sala de observação e consulta telefónica com execução e orientação do plano
individual de cuidados do doente e sua família, assegurando cuidados de
qualidade”
De acordo com o artigo de Capelas & Coelho (2014:23) “para que uma adequada
estratégia de saúde pública, seja ou não de cuidados paliativos, esteja de acordo com a
filosofia da OMS, é fundamental que o alicerce do sistema sejam os cuidados
domiciliários”.
Apesar da legislação que cria a RRCCI datar de 2008, e contemplar a existência de
cuidados paliativos, o processo de implantação destes serviços na Região foi lento. A
criação das Unidades de Cuidados Paliativos iniciou-se pelo HDES em 2016 e só em 2019
se estendeu ao Hospital da Ilha Terceira.
Quanto às equipas domiciliárias, também previstas no diploma de 2008, só em 2015
pela Portaria N.º 37/2015 de 31 de março, foram estabelecidos os “requisitos relativos
ao funcionamento das unidades de Internamento e equipas de apoio integrado
domiciliário que integram a Rede Cuidados Continuados Integrados da Região
Autónoma dos Açores”.
245
Estas unidades são de extrema importância, considerando que a alta do internamento
em UCP deve ser o mais precoce possível, para permitir o regresso do doente ao seu
domicílio. De acordo com o texto de Capelas & Coelho (2014:24), “a maioria dos doentes
com doença grave como cancro e com um ano de vida estimada, desejam morrer em
casa”.
8.7 - A DESLOCAÇÃO DE PROFISSIONAIS DE SAÚDE (ESPECIALISTAS) ENTRE
ILHAS E DESLOCAÇÃO DE DOENTES NA RAA E PARA FORA DA RAA
Conforme foi referido anteriormente, a prestação de cuidados especializados ao nível
dos Cuidados de Saúde Primários, em ilhas sem Hospital, deixou de ser contabilizada
nos Centros de Saúde a partir de 2013 e, como também foi referenciado, as consultas
realizadas por Especialistas dos hospitais da Região deixaram de poder ser relacionadas
com a residência do utente a quem é prestado esse serviço.
De acordo com a responsável da Ordem dos Médicos, a partir de 2013 a orientação da
Secretaria Regional da Saúde foi de suspender o apoio monetário previsto para a
deslocação dos especialistas no âmbito do horário de trabalho dos hospitais a que
pertencem, em serviço a outras ilhas, passando os utentes a deslocarem-se aos
hospitais, para as consultas de especialidade.
Com a informação publicada não é possível avaliar qual o número de doentes que se
desloca da sua ilha, ao abrigo do SRS, e para que especialidades. Também não está
registado o número de Especialistas que se deslocam das ilhas com hospital para outras
ao abrigo da prestação de serviço especializado. Também se desconhece qual o tempo
médio de estadia que cada deslocação de um doente implica, com todas as
consequências e constrangimentos que sair da ilha/casa pode ter, por exemplo quando
se é idoso, empregado, mãe/pai de família.
De acordo com a legislação, o quadro atual das deslocações de doentes ou de
profissionais de saúde, está regulado através do “Regulamento Geral de Deslocações do
SRS”, publicado no ano de 2018. Este diploma revoga as portarias anteriores e altera a
responsabilidade financeira dos hospitais de origem dos Especialistas para as Unidades
246
de Saúde de Ilha da residência dos doentes. Aos hospitais cabem os encargos com as
deslocações para fora da Região.
Neste Diploma está ainda previsto, em caso de deslocação do cidadão doente, que este
possa escolher o Hospital para onde pretende ser deslocado.
O diploma cria a figura do Gestor do Utente Deslocado e regula as autorizações de
deslocação, cabendo às administrações das USI autorizar as deslocações dentro da
Região, aos Hospitais a ida para hospitais fora da Região e ao Governo Regional/titular
da saúde, qualquer deslocação para o estrangeiro, no âmbito do SRS.
O diploma, que atualmente regula a deslocação de doente (Portaria nº 95/2018 de 2 de
agosto) prevê ainda a elaboração de um Plano de Deslocações, elaborado pelas USI, em
função da sua capacidade financeira e diferencia-se dos diplomas anteriores ao
introduzir a Telemedicina como atuação possível ao nível de consultas subsequentes
dos Médicos especialistas, o que significa a obrigatoriedade das primeiras consultas
serem presenciais.
Diploma Âmbito do diploma Principais contributos
Portaria Declara terem sido 1. Incumbe os Hospitais de Angra do Heroísmo, Horta e Ponta Delgada assegurar a
nº50/86 de 9 incumbidos os Hospitais cobertura sanitária, a nível de especialidade, das populações residentes nas ilhas da
de junho de Angra do Heroísmo, respetiva zona de influência.
Horta e Ponta Delgada
de assegurar a cobertura
6. A deslocação far-se-á pelo período mínimo de três dias e máximo de quinze dias,
sanitária a nível de
sendo o regime de trabalho dos médicos deslocados, durante a estadia nas
especialidade das
unidades prestadoras de cuidados de saúde primários, idêntico ao praticado no
populações residentes
hospital de origem, sem prejuízo do preceituado no número 10 desta Portaria.
nas ilhas da respetiva
zona de influência
10. Por acordo entre a unidade de saúde local e o médico da carreira hospitalar
deslocado, poderá este prolongar o seu período de trabalho diário, para além do
horário a que está vinculado, em regime de convenção, sendo-lhe abonada por
consulta, a importância correspondente a 8k.
Portaria nº Regulamenta a Para além da prática da clínica ao abrigo da cooperação entre hospitais e Centros
43/1997 de deslocação de de saúde, prevê-se no
26 de junho especialistas de saúde. Artigo 4.º Exercício de clínica privada Durante a sua estadia nos centros de saúde
Revoga a Portaria n.º os médicos deslocados, poderão exercer clínica privada: a) Caso o façam utilizando
50/86, de 9 de Junho as instalações e equipamento do centro de saúde, ser-lhe-á deduzido 15% do valor
das consultas feitas; b) Exceto quando a deslocações se façam na modalidade
prevista na alínea c) do artigo 6.º, o número de consultas privadas feitas durante a
deslocação nunca poderá ser superior a 75% do número de consultas feitas nos
restantes regimes.
Portaria Estende o regime de 1° - O regime da deslocação temporária de médicos e médicos dentistas aos
nº15/1999 de deslocação de médicos a centros de saúde constante da Portaria n° 43/97, de 26 de Junho, é aplicável, com
22 de abril outros técnicos as necessárias adaptações, a outros técnicos superiores do sector da saúde,
mediante autorização do membro do Governo competente, sobre proposta
fundamentada do serviço interessado.
Portaria Regulamenta a Artigo 1º - cobertura assistencial
nº4/2014 de deslocação de médicos Nº1 A cobertura assistencial das populações residentes em ilhas sem hospital é da
29 de janeiro especialistas. responsabilidade dos hospitais da Região
(revoga as Artigo5º - modalidade de deslocação
anteriores) A deslocação de profissionais de saúde é feita nas seguintes modalidades: a)
Regime de trabalho normal; b) Regime de trabalho acrescido; c) Regime
convencionado.
247
Artigos 6º e 7º
Os encargos com as deslocações e a atividade dos profissionais de saúde são da
responsabilidade do Hospital de origem.
Portaria Altera a Portaria Artigo 6º
nº33/2014 de anterior, 3. Os encargos com as deslocações e a atividade dos profissionais de saúde são da
24 junho nomeadamente no que responsabilidade do hospital ou unidade de saúde de ilha de origem
(altera a aos encargos diz respeito
portaria
anterior)
Portaria nº É aprovado o
28/2015 de 9 regulamento de
de março deslocação de doentes
do Serviço Regional da
Saúde da Região
Autónoma dos Açores,
dentro da ilha de
residência, inter-ilhas,
para fora da Região, ou
para o Estrangeiro,
adiante designado por
Regulamento.
Portaria Regulamenta a Artigo 1º - Objeto
nº110/2015 atribuição de um O presente diploma regulamenta o Decreto Legislativo Regional n.º 16/2015/A, de
de 4 de complemento especial 17 de junho, que cria o Complemento Especial para Doentes Oncológicos (CEDO).
agosto para doentes Artigo 2.º Beneficiários
oncológicos São beneficiários do CEDO os utentes do Serviço Regional de Saúde com doença
encaminhados ao abrigo oncológica ativa até à sua remissão, encaminhados ao abrigo do Regulamento de
do Regulamento de Deslocação de Doentes do Serviço Regional de Saúde, para unidades de saúde fora
Deslocação de Doentes da sua ilha de residência, para a realização de exames complementares de
do SRS diagnóstico, tratamento e consultas.
Portaria Aprova o Regulamento Preâmbulo
nº95/2018 de Geral de Deslocações do Tendo em vista o melhoramento do regime da deslocação de utentes através da
2 de agosto Serviço Regional de desburocratização dos procedimentos administrativos, do alargamento dos serviços
(revoga a Saúde de transporte de passageiros comparticipados no âmbito das deslocações terrestres
Portaria nº e da criação do Gestor do Utente Deslocado que se configura como uma entidade
28/2015 de 9 hospitalar que tem por função agilizar as deslocações dos utentes do Serviço
de ma) Regional de Saúde, estabelecendo-se como interlocutor entre o Hospital e as
unidades de saúde de origem, assegurando uma eficiente e eficaz programação das
deslocações.
Visando o alargamento do regime de deslocação de profissionais de saúde aos
médicos dentistas, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos e técnicos de diagnóstico
e terapêutica, possibilitando uma melhor cobertura assistencial dos utentes do
Serviço Regional de Saúde.
Considerando a importância de implementar um novo modelo de gestão que
permita às Unidades de Saúde de Ilha adequar a deslocação de profissionais de saúde
às necessidades efetivas das populações abrangidas.
Tendo em vista a consolidação do recurso à telesaúde, que tem permitido melhorar
o acesso a exames complementares de diagnóstico e a médicos especialistas, sem
que seja necessário ao utente ausentar-se do ambiente familiar e da sua ilha de
residência, através da introdução de mecanismos de contratualização que permitam,
disseminar e incentivar o recurso à telemedicina.
Artigo1º
O presente regulamento enquadra os seguintes instrumentos de cobertura
assistencial dos utentes do Serviço Regional de Saúde (SRS):
a) Deslocação de utentes;
b) Deslocação de profissionais de saúde;
c) Consultas em telemedicina.
Artigo 3º - Responsabilidade financeira
1 - Os encargos resultantes da deslocação de utentes, nos termos do título II, são
responsabilidade:
a) Nas deslocações intra-ilha e nas primeiras deslocações na RAA da unidade de
saúde de ilha onde o utente está inscrito;
b) Nas deslocações subsequentes na RAA, para fora da Região e para o estrangeiro
do hospital responsável pelo processo de deslocação.
2 - Os encargos com as deslocações e a atividade dos profissionais de saúde, nos
termos do título III, são responsabilidade da unidade de saúde de destino do
profissional.
248
Artigo 7º - Direito de opção
1 - O utente pode optar por recorrer a qualquer hospital do SRS.
Artigo 8º - Gestor do utente deslocado
O gestor do utente deslocado tem por função agilizar as deslocações dos utentes
do SRS, estabelecendo-se como interlocutor entre o Hospital e os serviços de
deslocação de doentes das unidades de saúde de origem, assegurando uma
eficiente e eficaz programação das deslocações.
Artigo 9.º - Competência do gestor do utente deslocado
Ao gestor do utente deslocado compete:
a) Acompanhar de forma permanente e individualizada os processos de deslocação
dos doentes entre as unidades de saúde de origem e o Hospital;
b) Recolher e enquadrar atempadamente a informação proveniente das unidades
de saúde de origem;
c) Gerir internamente processos facilitadores da otimização dos custos de
deslocação e da rentabilização dos recursos hospitalares envolvidos;
d) Disponibilizar informação administrativa de retorno às unidades de saúde de
origem.
Artigo 16.º - Autorização da deslocação
1 - As deslocações realizadas no âmbito do presente regulamento são autorizadas,
após avaliação pela junta médica da respetiva unidade de saúde:
a) Pelo conselho de administração das unidades de saúde de origem, nas primeiras
deslocações na RAA;
b) Pelo conselho de administração dos hospitais, nas deslocações subsequentes na
RAA e nas deslocações para fora da Região;
c) Pelo membro do Governo Regional com competência em matéria de saúde, nas
deslocações ao estrangeiro.
Artigo 36º - Programa anual de deslocações de profissionais de saúde
1 - As deslocações devem ocorrer nos termos do programa anual de deslocações de
profissionais de saúde, acordado entre as unidades de saúde de origem e de
destino, e homologado pelo membro do Governo Regional competente em matéria
de saúde.
2 - A programação anual das deslocações de profissionais de saúde é elaborada
atendendo à seguinte calendarização:
a) Até 31 de outubro, as unidades de saúde de destino, tendo em consideração a
sua disponibilidade orçamental, remetem às unidades de saúde de origem um
mapa com a previsão das necessidades de deslocação de profissionais de saúde
para o ano seguinte, descriminado por categoria profissional, especialidade e
número de consultas/exames a realizar.
b) Até 15 de dezembro, as unidades de saúde de origem comunicam ao membro do
Governo Regional competente em matéria de saúde e às unidades de saúde de
destino, qual a disponibilidade para, no ano seguinte, deslocarem os seus
profissionais de saúde.
Artigo 38º - Consultas em telemedicina
A cobertura assistencial por médico especialista, no âmbito de consultas
subsequentes, pode ser assegurada, sempre que adequado, através de consultas
em telemedicina.
Feito o enquadramento legislativo que regula a Deslocação de Doentes na RAA, importa
conhecer a realidade dos dados.
Como já foi referido, neste Relatório, não tivemos acesso às fontes primárias (Direção
Regional de Saúde) sobre o número de doentes deslocados/transferidos dos centros de
saúde ou dos hospitais da Região, seja entre ilhas, para o Serviço Nacional de Saúde ou
até para o estrangeiro, que nos permitisse avaliar este fenómeno desde que foi
consagrado em termos legislativos (1986). Por isso, resta-nos ter em conta os dados
249
Relatório & Contas 2018
publicados nos Relatórios anuais dos três hospitais da RAA, disponíveis na net107 apenas
para os anos de 2017, 2018 (HDES, HSEIT e HH) e 2019 (HDES, HH), no capítulo da
Atividade Assistencial - “deslocação de doentes”.
5.1 continente e estrangeiro
8.7.1 - Doentes deslocados do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES)
No ano de 2018 registaram-se 2460 episódios de deslocação de doentes para unidades de saúde do continente e
estrangeiro, sendo os encargos destas deslocações da responsabilidade do HDESPD, EPER.
De acordo com a informação disponível nos Relatórios e contas do HDES, serão tidos em
episódios de deslocação
conta os relatórios de 2017, 2018 e 2019.
No último relatório (2019) é possível registar um histórico, desde 2004, do número de
doentes deslocados do HDES para outros hospitais. Da análise da curva do gráfico (Fig.
205), registamos dois períodos (2004-2013 e 2014-2019), sendo que neste último se
regista uma tendência crescente.
Figura 205 - Número de deslocações para o exterior da RAA - 2004-2019 - HDES
Gráfico 2- Episódios de deslocação de doentes Continente/ Estrangeiro
2460
2277 2304
2239
2000 2034 2039 2005 2046
1976
1858 1861
1770 1770 1761
Nº episópidos de
deslocação
0
2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019
Fonte: Fig. Gráfico 2 - Relatório e Contas do HDES - 2019 89 >>
>
Segundo o mesmo relatório, das 29 especialidades que organizaram processos de
deslocação de doentes, as áreas que registaram maior número, em 2018, foram a
107
Relatórios e Contas do HDES – https://www.hdes.pt/publicacoes/contas?q=contas; Relatórios e
Contas do HSEIT - http://www.azores.gov.pt/Portal/pt/entidades/vp-drot/textoTabela/HSEIT.htm;
Relatórios e Contas do HH - http://www.azores.gov.pt/Portal/pt/entidades/vp-drot/textoTabela/SPER-
List_-_Hospital_da_Horta.htm
250
Pediatria/Neonatologia, Oftalmologia, Gastrenterologia, Cardiologia e a Fisiatria,
totalizando 43,94% das ocorrências.
O Gráfico seguinte (Fig.206) regista o número de deslocações por especialidade (2014-
2018), tendo por base os dados publicados nos Relatórios e Contas do HDES de 2017 e
2018.
Figura 206 - Número de deslocações do HDES para fora da ilha, por especialidade - 2014-2018
450
400 369
350
300
250
178 166 181 187
200
150
100
50
0 Cirurg
Cirurg Medi Ortot Otorri Pedia
Cirurg ia Derm Endoc Gastr Hema Neur Oftal Pneu
Cardi ia Fisiatr Ginec cina Nefro Neur Oncol raum nolari Outro tria/N Psiqui Urolo
ia maxil atolo rinolo enter tologi ocirur molo molo
ologia Plásti ia ologia Intern logia ologia ogia atolo ngolo s eonat atria gia
Geral o- gia gia ologia a gia gia gia
ca a gia gia ologia
facial
2014 76 63 19 32 48 46 135 75 91 113 15 115 51 20 122 236 33 88 35 338 41 10 59
2015 80 88 17 25 54 60 174 80 77 104 8 114 33 41 143 256 43 89 72 322 38 13 53
2016 122 80 39 31 50 71 126 106 108 102 14 118 33 29 166 166 45 108 61 379 61 25 20
2017 157 113 31 39 59 85 131 146 102 110 27 121 56 30 184 161 52 122 87 400 52 24 42
2018 178 164 0 46 54 78 166 181 84 148 28 114 55 41 187 151 55 111 135 369 86 18 11
2014 2015 2016 2017 2018
Fonte: Relatórios e Contas do HDES – 2017-2019
Em relação aos Hospitais de destino (Tabela 37), os relatórios do HDES identificam
sobretudo casos enviados para Lisboa, seguido do Porto e em terceiro lugar para
Coimbra. O número de casos enviados para o estrangeiro é muito residual.
Tabela 37 - Doentes deslocados do HDES para outros hospitais do continente português ou estrangeiro – 2015-2018
2015 2016 2017 2018
Hospitais/Destino Nº
doentes
Nº
acompanhantes
Nº
doentes
Nº
acompanhantes
Nº
doentes
Nº
acompanhantes
Nº
doentes
Nº
acompanhantes
Coimbra 180 157 193 173 200 176 190 174
Lisboa 1428 1554 1561 1653 1793 1896 1913 1982
Porto 308 295 250 235 281 265 329 319
Outro destino nac. 31 28 14 10 23 16 25 20
Estrangeiro 29 9 28 18 7 10 3 3
Total 1976 2043 2046 2089 2304 2363 2460 2498
Fonte: Relatórios e Contas- 2017-2019 do HDES
251
Conforme demonstram os dados publicados nos Relatórios do HDES, o número de
doentes deslocados aumentou entre 2015 e 2018.
Figura 207 - Número de deslocações do HDES para outros Hospitais - 2014-2018
3000
2500
2000
1500
1000
500
0
Outro destino
Coimbra Lisboa Porto Estrangeiro Total
nac.
2015 180 1428 308 31 29 1976
2016 193 1561 250 14 28 2046
2017 200 1793 281 23 7 2304
2018 190 1913 329 25 3 2460
2015 2016 2017 2018
Quanto às deslocações interilhas, o HDES apenas enviou, em 2017 e 2018, doentes para
o HSEIT, ao abrigo da Medicina Nuclear, ou para tratamentos de Litotrícia, como refere
o Relatório e contas de 2018.
Tabela 38 - Doentes deslocados do HDES para o HSEIT- 2017-2018
Especialidade 2017 2018
Urologia 117 105
Endocrinologia 26 69
Pediatria 42 65
Oncologia 28 57
Cardiologia 0 10
Nefrologia 1 3
Otorrinolaringologia 1 3
Cirurgia Geral 2 3
Gastrenterologia 1 1
Orto traumatologia 2 1
Medicina interna 2 0
Total 222 317
252
“No ano de 2018 registaram-se 317 episódios de deslocação inter-ilhas, sendo a sua
totalidade referenciada à ilha Terceira – Hospital do Santo Espírito – e ISOPOR AZORES.”
A tabela anterior (38) identifica o número de situações registadas no HDES, por
especialidade médica, que foram deslocadas para tratamento no HSEIT.
8.7.2 – Doentes deslocados do Hospital do Santo Espírito da Ilha Terceira (HSEIT)
Dos Relatórios e contas de 2017 e 2018 do HSEIT, o total de doentes deslocados
apresentado (Relatório e Contas, 2018:45) inclui deslocações, evacuações e
transferências (Fig.208).
Figura 208 - Total de doentes deslocados do HSEIT - 2015-2018
4000
3500
3340
3000 3078
2500 2636 2579
2000
1500
1000
500
0
2015 2016 2017 2018
Fonte: Relatórios e Contas do HSEIT, 2017 e 2018
Quando consideramos as especialidades, verifica-se que é sobretudo ao nível da
Cardiologia e Ginecologia/Obstetrícia que o número de doentes deslocados é mais
significativo (Fig.209). Uma nota para o facto de a categoria “outras especialidades”
registar um elevado número de casos, não discriminados.
253
Figura 209 - Número de doentes deslocados do HSEIT por Especialidade - 2014-2018
700
600 571
499
500
403 395
400
300
200
100
0 Pediatria/N
Cirurgia Ginecologi Medicina Oftalmolog Ortotraum
Cardiologia Nefrologia Neurologia Oncologia eonatologi Urologia Outros
Geral a Interna ia atologia
a
2014 427 151 322 156 208 144 301 642 155 618 184 622
2015 417 136 302 81 191 70 181 310 96 592 115 383
2016 376 96 306 35 147 32 138 171 64 533 126 382
2017 476 106 361 48 156 31 122 205 71 232 119 390
2018 499 193 403 81 130 58 143 395 118 301 167 571
2014 2015 2016 2017 2018
Fonte: Relatórios e Contas do HSEIT - 2017 e 2018
Em relação ao Hospital de Destino da deslocação, os dados apresentados nos relatórios
não coincidem com os totais já referenciados anteriormente, mesmo considerando a
totalidade da informação (Deslocações, transferências e Evacuações).
Apesar desta descoincidência nos totais apresentados, registamos o facto de, no caso
do HSEIT, o número de deslocações dentro da RAA ter diminuído entre 2014 e 2018
(Fig.210), enquanto o número total de deslocações para fora da Região revela uma
tendência de aumento.
254
Figura 210 - Total de deslocações dentro e para fora da RAA e total das evacuações a partir do HSEIT - 2014-2018
2500
2000
1500
1000
500
0
bo Po Co im br
a rto To de st i no na
a
Lis ta lfor ad a c.
Sã o RA A
En tid M igu el
ad es co Te rc ei
Ou nv ra
Ou tro sd st en c io na
Ev tro inos
To
na Re
da
gi ão
s
Ev ac ua çõ es ta l na
acua çõ es aé re as RA A
pa ra o na RA A
To co nt in en
ta lE va cu te
aç õe s
2014 2015 2016 2017 2018
Fonte: Relatórios e Contas do HSEIT – 2017 e 2018
8.7.3 – Doentes deslocados do Hospital da Horta (HH)
Dos Relatórios e contas do HH108 não constam os dados sobre os doentes deslocados,
discriminados por Especialidade, por isso apenas podemos registar o total e o
Hospital/destino.
Em relação ao total, há um claro aumento do número de doentes deslocados (Fig.211).
Figura 211 - Número total de doentes deslocados do Hospital da Horta - 2015-2019
3350
3300 3317
3250
3200
3150
3100
3050
3000
2950
2015 2016 2017 2018 2019
Fonte: Relatórios e Contas do HH – 2017-2019
108
Para este hospital já estão disponíveis dados de 2019.
255
Em relação ao Hospital de Destino, há a referir a importância de Lisboa, para onde são
enviados a maioria dos doentes que saem da RAA. Na RAA é sobretudo para São Miguel.
Figura 212 - Número de deslocações dentro da RAA e para fora da RAA a partir do HH - 2015-2019
1200
1000
800
600
400
200
0
Total
Privada
São Total na nacional Estrangei
(Faial e Terceira Lisboa Porto Coimbra Madeira
Miguel RAA /contine ro
Pico
nte
2015 7 212 412 631 801 59 51 911 1
2016 15 216 430 661 806 62 42 910 1
2017 12 231 366 609 862 71 50 983 1
2018 10 224 376 610 937 65 43 1045 0
2019 0 301 369 670 865 77 46 988 0 1
2015 2016 2017 2018 2019
Fonte: Relatórios e Contas do HH – 2017-2019
8.7.4 – Doentes deslocados dos hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH)
Tendo por base os Relatórios e Contas publicados desde 2017 pelos Hospitais da RAA,
podemos comparar os dados referentes aos doentes deslocados, nos anos em análise
(2014-2018) (Fig. 213).
256
Figura 213 - Número total de Doentes deslocados dos hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) - 2014-2018
10000
9000 9110
8000 8139 8068
7825
7000
6000
5000
4000
3000
3085 3310
2000 3185
3078 3143 3340
2636 2304 2579 2460
1000 1976 2046
0
2015 2016 2017 2018
HDES HSEIT HH Total
Fonte: Relatório e Contas do HDES, HSEIT e HH – 2017 e 2018.
De acordo com os dados registados, tem havido um aumento do número de doentes
deslocados nos três hospitais, particularmente no HSEIT (Tabela 39).
Quanto aos hospitais de destino, e considerando apenas os hospitais no continente
português, destaca-se unidades hospitalares sedeadas em Lisboa.
Tabela 39 - Doentes deslocados dos hospitais da RAA (HDES, HSEIT e HH) para outros hospitais do continente
português ou estrangeiro – 2015-2018
2015 2016 2017 2018
HDES HSEIT HH Total HDES HSEIT HH Total HDES HSEIT HH Total HDES HSEIT HH Total
Destino
Coimbra 180 149 51 380 193 163 42 398 200 151 50 401 190 163 46 399
Lisboa 1428 1145 801 3374 1561 1067 806 3434 1793 1090 862 3745 1913 1001 865 3779
Porto 308 131 59 498 250 141 62 453 281 136 71 488 329 109 77 515
Outro destino
31 8 39 14 12 26 23 11 34 25 12 37
nacional
Fonte: Relatórios e Contas do HDES, HSEIT e HH – 2017 e 2018
257
Figura 214 - Número de doentes deslocados dos Hospitais da RAA para Hospitais do continente português - por zona
de Destino - 2015-2018
4000
3500
3000
2500
2000
1500
1000
500
0
2015 2016 2017 2018
Coimbra 380 398 401 399
Lisboa 3374 3434 3745 3779
Porto 498 453 488 515
Outro destino nac. 39 26 34 37
Coimbra Lisboa Porto Outro destino nac.
Fonte: Relatórios e Contas do HDES, HSEIT e HH – 2017 e 2018
Dos dados publicados nos relatórios e contas dos hospitais, não consta informação sobre
a origem dos doentes, particularmente no HSEIT e HH que servem várias ilhas do grupo
central e ocidental.
No entanto, em relação às evacuações, já contabilizadas nas deslocações do HSEIT, é
possível encontrar informação sobre a ilha de origem e o destino dos doentes
evacuados.
8.7.5 – Evacuações entre ilhas e para o continente (Lisboa e Porto)
A Unidade de Evacuações dos Açores é criada pelo Despacho Normativo nº205/95 de
14 setembro109, onde se pode ler, no preâmbulo:
A natureza arquipelágica da Região, a distância entre ilhas e a organização dos
serviços implica a necessidade da evacuação dos doentes em situações de
emergência para unidades de saúde mais diferenciadas quando, pela natureza
da situação, é ultrapassada a capacidade de resposta técnica da unidade de
saúde da área de residência do doente ou sinistrado.
O diploma reconhece o papel da Força Aérea Portuguesa na evacuação de doentes, até
então realizada com a colaboração voluntária de médicos e enfermeiros, e estabelece
109
https://jo.azores.gov.pt/api/public/ato/9441d55e-33ef-4e2e-bec0-3ecbe4b8f631/pdfOriginal
258
um protocolo entre a Secretaria Regional da Saúde e Segurança Social e o Comando da
Zona Aérea dos Açores.
De acordo com o texto o diploma, este protocolo rege-se por três princípios:
1. Existência de um único interlocutor (Hospital de Santo Espírito de Angra do
Heroísmo) com a Força Aérea para efeitos das evacuações de emergência.
2. Acompanhamento das missões de evacuação por parte de pessoal médico e
de enfermagem.
3. Definição de circuitos e procedimentos bem como dos requisitos de
operação dos meios aéreos.
Data por isso de 1995 a criação da Unidade de Evacuações Aéreas (UEA) que exerce a
sua ação em conjunto com a Base Aérea nº 4 (sedeada nas Lajes- Ilha Terceira). Esta
Unidade possui uma ação de âmbito regional e tem por objetivo a realização de
evacuações aéreas com caráter de urgência, entre as unidades de saúde da RAA.
De acordo com o Despacho Normativo que cria a UEA, são definidas as áreas de atuação
(Urgência geral, urgência em Obstetrícia/Ginecologia e Urgência Pediátrica); é
identificada a entidade responsável pela coordenação (Diretor Clínico do HAH) e as
competências inerentes à elaboração das escalas, registos e articulação com o clínico
responsável pelo pedido de evacuação.
O Despacho Normativo 205/95 de 14 de setembro, foi alterado no seu ponto 15 e
republicado em 2009 (Despacho normativo nº52/2009 de 27 de julho). Pelo Despacho
Normativo nº6/2014 de 28 de março110, são revogados os diplomas anteriores (1995 e
2009).
De acordo com o DN nº6/2014, esta unidade passa a designar-se “Unidade de
Deslocações e Evacuações Aéreas (UDEA), mantendo-se integrada no HSEIT. As áreas de
atuação passam a ser: Emergência Geral (EG), Emergência em Obstetrícia/Neonatologia
(EON) e Deslocação de Doentes. Mantém-se a coordenação afeta ao Diretor Clínico do
HSEIT, sendo as equipas de médicos e enfermeiros selecionadas pelo Conselho de
Administração do HSEIT, obedecendo a um conjunto de requisitos, nomeadamente em
termos de formação.
De referir ainda que, na redação do diploma de 2014, há a introdução, no processo de
evacuações, do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores (SRPCBA), no
110
https://jo.azores.gov.pt/api/public/ato/a8aa0354-7769-4f47-a181-1fb56d5ce5c7/pdfOriginal
259
qual está sedeado o médico regulador, a quem compete ativar a equipa que melhor se
adequa à deslocação; definir o hospital de destino mais apropriado; comunicar aos
intervenientes todas as informações relevantes e estabelecer a prioridade, caso haja
simultaneamente, mais de um pedido de evacuação aérea, com caráter de urgência.
Atualmente a UDEA é composta por 9 médicos e 11 enfermeiros, com diferentes
especialidades, nomeadamente médico-cirúrgica, cardiologia, mas também anestesista.
Dois dos médicos são obstetras, já reformados, com muita experiência, que são
chamados quando se trata de evacuações de grávidas.
A UDEA faz evacuações em todas as ilhas, como podemos observar pelos dados abaixo
registados, publicados nos relatórios e contas do HSEIT.
De acordo com o responsável pela UDEA (entrevista 21 setembro 2020), acontece serem
transportados doentes, em viagens de retorno de uma evacuação, por ser entendido
que não tem condições de regressar à sua ilha de residência em avião regular.
Como podemos verificar no gráfico seguinte (Fig.215), a ilha que regista maior número
de evacuações é São Jorge111, seguida da ilha Terceira. Estas duas ilhas juntas
representaram 46,3% do total das evacuações realizadas em 2018.
No global, entre 2014 e 2018, houve um incremento e evacuações (de 211 para 281).
111
Uma possível explicação para este facto poderá residir nas condições de atendimento dos centros de
saúde desta ilha (Velas e Calheta), segundo informação do Presidente da O.E. Para o responsável da UDEA,
a Terceira evacua doentes, particularmente para a unidade de cardiologia do HDES. Para além desta
informação, os dados anteriormente apresentados sobre a atividade clínica nos Centros de Saúde de São
Jorge, revelaram uma diminuição no número de consultas de Clínica Geral, um facto que poderá
correlacionar-se com o agravamento de situações de doença não vigiadas.
260
Figura 215- Número total de evacuações na RAA/ilha de origem do doente evacuado - 2014-2018
300 281
262
250 230 56
211 47
204
200 50
34 31
68 74
150 62
67 72 22
37
21
100 17 14 29 13
3 14 11 41
24 43
50 53 37 19
29 23
11 18 42
18 17 23 25
0
2014 2015 2016 2017 2018
Corvo Faial Flores Graciosa Pico Santa Maria São Jorge São Miguel Terceira
Fonte: Relatório e Contas do HSEIT – 2017 e 2018
Quando analisamos o local para onde foram evacuados os doentes oriundos das
diferentes ilhas (Tabela 40), verificamos que os Hospitais de Ponta Delgada e de Angra
do Heroísmo receberam a maioria dessas situações de emergência. Pelo contrário, o
Hospital da Horta não surge com a mesma frequência, exceção para os doentes oriundos
das Flores. Este facto decorre de uma “divisão” assumida da área de intervenção de cada
hospital, sendo que para o Hospital da Horta, vão as situações oriundas das Flores, Corvo
e Pico. No entanto, neste último caso, como são feitas por via marítima, não constam
da estatística da UDEA.
Tabela 40 - Doentes evacuados para os Hospitais da RAA ou para um Hospital em Lisboa ou Porto - 2014-2018
Angra do Heroísmo Ponta Delgada Horta Lisboa Porto
Ilha 2014 2015 2016 2017 2018 2014 2015 2016 2017 2018 2014 2015 2016 2017 2018 2014 2015 2016 2017 2018 2017
Corvo 1 1 1 2 1
Faial 9 6 7 7 13 9 11 16 18 29
Flores 4 7 10 6 4 1 5 5 6 4 6 6 14 11 11
Graciosa 45 28 18 34 32 8 9 6 9 9
Pico 1 1 3 3 2 6 9 10 18 1 7 1
Santa Maria 1 1 1 16 14 28 36 22
São Jorge 60 59 46 56 61 7 13 16 12 13
São Miguel 2 2 2 2 1 3 5
Terceira 25 25 47 33 43 9 6 3 11 13 3
122 102 85 110 115 68 83 127 126 138 7 13 15 12 15 14 6 3 11 13 3
Fonte: Relatórios e contas do HSEIT – 2017 e 2018
261
O quadro anterior (Tabela 40) permite verificar que as evacuações, quando são dirigidas
a uma unidade hospitalar em Lisboa são, sobretudo, oriundas da Ilha Terceira. Outra
conclusão que podemos retirar é que são muito poucas as vezes em que um doente é
evacuado de São Miguel, seja para Angra do Heroísmo ou para a Horta.
Segundo o responsável da UDEA, apesar de não constarem das estatísticas desta
unidade, há evacuações para o continente, a partir de São Miguel ou do Faial. No
entanto, segundo referiu, nem sempre a equipa da UDEA é chamada para realizar essa
evacuação, como prevê o ponto 2 do Despacho Normativo em vigor (2014):
2. A UDEA possui um âmbito de atuação regional, tendo como objetivo a
realização de deslocações e evacuações aéreas entre as unidades de saúde da
Região e destas para o exterior.
Se considerarmos a evolução das evacuações por destino (Fig.216), verificamos uma
tendência crescente, particularmente nos casos que foram encaminhados para o HDES,
entre 2014 e 2018. No caso do HSEIT, depois de uma quebra na tendência, regista-se
um aumento em 2017 e 2018. As situações encaminhadas para o Hospital da Horta, ou
mesmo para o continente, são pouco significativas no conjunto das evacuações
realizadas na RAA, no âmbito da UDEA.
Figura 216 - Evolução do número de evacuações, em função do Destino - 2014-2018
160
140
120
100
80
60
40
20
0
2014 2015 2016 2017 2018 2014 2015 2016 2017 2018 2014 2015 2016 2017 2018 2014 2015 2016 2017 2018 2017
Angra do Heroísmo Ponta Delgada Horta Lisboa Porto
Fonte: Relatório e Contas do HSEIT – 2017 e 2018
De acordo com o responsável da UDEA, tem havido um aumento do número de
evacuações, particularmente para São Miguel. Em 2020, segundo referiu, já foi
ultrapassado o valor total do ano anterior.
262
As situações mais frequentes estão muito relacionadas com as principais patologias que
afetam os açorianos, nomeadamente as que se relacionam com as doenças cérebro
cardiovasculares, que tem nesta Região uma intensidade significativa. Também foi
referido um aumento do número de casos de natureza psiquiátrica, por exemplo do
Pico, por não existir unidade de internamento de Psiquiatria no Faial.
Entre a Terceira e São Miguel é muito frequente serem evacuadas situações de enfarte,
porque só há uma unidade de intervenção coronária aguda (HDES) e isso significa que,
havendo orientação para realização de cateterismo, o doente tem de ser encaminhado
para São Miguel.
Em relação aos recém-nascidos, as evacuações têm de ter em conta a idade do recém-
nascido, porque as três maternidades recebem bebés em tempos de desenvolvimento
diferenciados.
O principal constrangimento da UDEA prende-se com a gestão dos equipamentos
disponíveis e com a existência, por enquanto, de apenas uma equipa de profissionais
afetos a esta unidade.
De acordo com a informação prestada pelo responsável da UDEA, existem dois
helicópteros EH Merlin 101 e um avião C295.
Cada equipamento (Helicóptero e Avião) tem uma tripulação afeta por parte da Força
Aérea Portuguesa (FAP).
Caso ocorram duas situações em simultâneo, ou que a FAP seja chamada a intervir, por
exemplo numa operação de salvamento ou outra intervenção, fora do domínio da
UDEA, a equipa não se pode deslocar.
Por sua vez, se um helicóptero numa missão da UDEA tiver um acidente, não é possível
recorrer ao outro equipamento para fazer o respetivo resgate.
Um outro constrangimento prende-se com a inexistência de iluminação nos aeroportos
do Corvo, Flores, Graciosa e São Jorge, onde apenas os helicópteros podem aterrar
durante a noite, mas não o avião. Se a situação exigir o recurso a este equipamento, o
doente terá de aguardar até madrugada para ser evacuado.
263
O protocolo que suporta o serviço de Evacuações existente nos Açores112, contempla o
não pagamento das evacuações inter-ilhas em troca da assistência médica que a região
proporciona aos militares e às suas famílias, sedeados na Base das Lajes. Este facto pode
ser confirmado na notícia publicada no portal do Governo, a 27 de março 2009113,
aquando da cerimónia de assinatura da renovação do protocolo, que contou com a
presença do chefe do Estado-Maior da Força Aérea, General Luís Araújo:
Carlos César conferiu uma importância muito especial ao protocolo hoje
celebrado entre o Governo dos Açores e a Força Aérea Portuguesa para
continuidade das missões de evacuações médicas no arquipélago, por parte
daquele ramo das Forças Armadas, bem como para assistência médica aos
militares da Base Aérea e seus familiares, por parte do Governo.(...) Carlos César
realçou a importância das missões no quadro da proficiência do Serviço Regional
de Saúde e lembrou terem sido salvas muitas vidas graças a essa colaboração.
Nos últimos doze anos foram feitas mais de 400 evacuações de urgência de
grávidas – vinte e cinco das quais resultaram em nascimentos a bordo das
aeronaves, números que o presidente do Governo utilizou para sublinhar o papel
da Força Aérea e homenagear tripulações, equipas médicas e unidades de saúde
envolvidas.
Apesar do entendimento entre o Governo da Região e a FAP, revelado em 2009, em
Janeiro de 2019, a questão do pagamento à Força Aérea foi suscitada pela Comissão de
Defesa Nacional da Assembleia da República, perante quem o General Chefe do Estado-
Maior da Força Aérea, Manuel Teixeira Rolo114, afirmou que “naquilo que são os voos
inter-ilhas, a Força Aérea não cobra rigorosamente nada e continua a fazê-los, mas
aquilo que eram missões de transporte e evacuação médica das ilhas para o continente,
112
De acordo com Ferreira, E.G (2015), “o protocolo existente entre a FA e o Governo Regional dos
Açores, de 2 junho 2003, está desatualizado, porque menciona aeronaves que já não existem na frota
da FA, como por exemplo, o SA-330 PUMA e o C-212 AVIOCAR”. Consultado em
https://comum.rcaap.pt/bitstream/10400.26/11652/1/Disserta%C3%A7%C3%A3oMestrado_ASPAL_PIL
AV_137729K_Ferreira.pdf, a 22 setembro 2020.
113
http://www.azores.gov.pt/Portal/pt/entidades/pgra/noticias/20090327+Presidente+do+Governo+subli
nha+que+as+miss%C3%B5es+da+For%C3%A7a+A%C3%A9rea+nos+A%C3%A7ores+permitiram+salvar+
m.htm
114
https://maiscentral.com.pt/fap-confirma-falta-de-pagamento-das-evacuacoes-medicas-entre-os-
acores-e-o-continente/
264
foram sempre remuneradas e, segundo afirmou, “deveriam ser pagas”, o que “ainda
não se materializou”115.
8.8 - A TELEMEDICINA NOS AÇORES
No âmbito do Regulamento Geral de Deslocação do SRS, publicado na Portaria
nº95/2018 de 2 de Agosto, prevê-se o recurso à telemedicina, como complemento de
acompanhamento dos doentes deslocados, nomeadamente ao nível das consultas
subsequentes, como refere o texto do artigo 38º (Consultas em telemedicina).
A cobertura assistencial por médico especialista, no âmbito de consultas
subsequentes, pode ser assegurada, sempre que adequado, através de
consultas em telemedicina.
Refere ainda o texto da portaria no nº 2 do artigo 40º
A realização de consultas em telemedicina implica a presença de um
profissional de saúde junto do utente.
Uma consulta à página do Hospital do Divino Espírito Santo, Ponta Delgada, podemos
ter acesso a uma teleconsulta, também disponível no endereço
https://teleconsulta.hdes.pt.
Conforme se pode ler no texto de apresentação116
a teleconsulta é uma conversa com o médico por internet, que permite obter uma
opinião sobre a melhor estratégia em face da situação específica clínica, sem sair
da segurança e proteção de sua casa (o que sabemos ser da máxima importância
neste momento).
Neste tipo de consulta pode-se obter aconselhamento, discutir o resultado de
exames, esclarecer dúvidas, pedir renovação da prescrição, entre outras. Este
apoio pode ser muito útil em reavaliações de doentes medicamente tratados ou
operados, após fisioterapia, controlo de medicação, orientação de atitudes e
procedimentos e outras necessidades.
115
Da consulta dos Relatórios e Contas dos Hospitais não foi possível averiguar qual o montante em dívida,
nem quantas foram as evacuações para fora da Região, realizadas pela Força Aérea, não abrangidas pelo
Protocolo assinado com a Força Aérea, e que carecem de pagamento por parte das entidades regionais.
116
https://www.hdes.pt/teleconsulta
265
O texto alerta que a teleconsulta não é uma verdadeira consulta médica, porque não há
lugar a exame físico, mas refere que “tem sido usada com muito sucesso em contexto de
doença com dificuldade ou impossibilidade de deslocações.” Bastando para isso que o
utente,
Através do seu telemóvel ou computador ligado à internet com câmara e micro,
pode aceder facilmente e realizar uma consulta online com os nossos
especialistas.
Aparentemente, este serviço apenas é proporcionado pelo HDES, não havendo
referência nas páginas dos outros hospitais a essa possibilidade.
Com as novas tecnologias, integradas nos telemóveis e computadores, as
videochamadas tornaram-se habituais para muitos cidadãos e isso poderá facilitar o
contacto entre profissionais de saúde e utentes, que se encontram distantes. A questão
que se levanta é a de integrar essas “consultas on line” no próprio sistema de saúde,
retirando dos telemóveis pessoais informação associada a processos de utentes ou
situações clínicas, que devem ser abordadas em contexto de consulta médica.
Sobre o recurso à telemedicina, ou mesmo, o número de teleconsultas realizado através
da plataforma do HDES, não temos dados que possam ilustrar o grau de adesão dos
utentes e dos profissionais de saúde, em particular os médicos, a esta alternativa
complementar de atendimento.
266
9. Principais questões relacionadas com o Acesso aos Serviços
de Saúde na Região Autónoma dos Açores
Chegados a este ponto do relatório, urge sintetizar as principais questões que os dados
apresentados levantam, ao nível do acesso ao Serviço Regional de Saúde da Região
Autónoma dos Açores.
Na introdução a este relatório foram colocadas algumas questões, que orientaram a
procura da informação publicada;
Como caracterizar o acesso aos serviços de saúde na Região Autónoma dos
Açores?
Em que medida o Serviço Regional de Saúde se distingue do Serviço Nacional de
Saúde e com este se articula?
Em que medida a localização geográfica constitui uma variável determinante na
(des)igualdade de acesso aos serviços de saúde?
Que perspetivas futuras podem ser traçadas, a partir da análise da realidade
vivida na Região Autónoma dos Açores nos últimos anos?
Iremos sintetizar as respostas que o estudo permitiu encontrar a partir da análise da
informação disponível ou disponibilizada.
9.1 - COMO CARACTERIZAR O ACESSO AOS SERVIÇOS DE SAÚDE NA REGIÃO
AUTÓNOMA DOS AÇORES?
Em resposta à primeira questão, julgamos ter conseguido compilar toda a informação
disponível, publicada pelas entidades e organismos oficiais, capaz de caracterizar a
realidade dos serviços de saúde nas diferentes ilhas do arquipélago.
Identificamos recursos humanos, nos centros de saúde, de ilhas com e sem hospital, e
nos hospitais. Registamos a prática de consultas e outros exames complementares,
realizados em contexto de Centro de Saúde ou Hospitalar.
267
Foi possível confirmar a presença de médicos em todas as ilhas, apesar de, nem sempre,
se verificar uma permanência estável. No caso, referimo-nos a clínicos gerais, mais tarde
substituídos por médicos de Medicina geral e familiar.
Podemos ainda verificar que o Sistema Regional de Saúde sofreu modificações ao longo
dos quarenta e quatro anos de regime autonómico. De hospitais concelhios, passou-se
a ter centros de saúde e hospitais distritais, mais tarde hospitais públicos regionais,
posteriormente, transformados em Entidades do Setor Empresarial, ao mesmo tempo
que, nas ilhas com hospital, os centros de saúde deixavam de proporcionar
internamento geral. Nas ilhas sem hospital, os centros de saúde mantêm aberto o
internamento, assegurado por médicos de clínica geral ou de medicina geral e familiar
que, para além da sua área de especialidade, asseguram urgências e cobrem as 24 horas
dos internamentos, o mesmo se verificando para os enfermeiros que trabalham nessas
unidades de saúde.
A RAA está hoje dotada de um SRS composto por nove Unidades de saúde de Ilha e
três hospitais EPE, sedeados em outras tantas ilhas (São Miguel, Terceira e Faial).
A grande questão que esta realidade nos levanta prende-se com a articulação entre
estas unidades de saúde, particularmente, entre Cuidados de Saúde Primários e
Cuidados Diferenciados ou especializados.
A dispersão do arquipélago coloca entraves à implementação de um sistema
verdadeiramente equitativo, onde “todos os consumidores (em todas as ilhas), tenham
aceso aos mesmos serviços ao mesmo custo (em custo de transporte e em tempo
perdido).” (Giraldes, 2003:93)
Na RAA, a dispersão geográfica condiciona o acesso de todos aos serviços de saúde
diferenciados, o que implica a necessidade de medidas de discriminação positiva.
Quando pensamos em medidas alternativas, algumas podem e devem ser utilizadas
mesmo nas ilhas com hospital, tendo em conta que a população, em algumas
localidades, tem dificuldade em aceder aos serviços de saúde. Nesse sentido, a medicina
e a enfermagem levadas ao domicílio dos utentes podem ser uma resposta adequada,
até porque contribuem para o exercício de uma Saúde de proximidade, que considera
o contexto real em que vivem as famílias assistidas.
Em outras situações a distância não permite este tipo de deslocação, sobretudo,
tratando-se de consultas de especialidade. E, nesses casos, há que promover a
268
deslocação de especialistas a ilhas que os não tem, por falta de escala. Quando isso não
acontece, promove-se a deslocação dos doentes aos serviços, não disponibilizados na
sua ilha de residência.
Um sistema de saúde que coloca no centro as necessidades das populações terá de
reger-se pelo princípio da equidade de acesso, que implica uma distribuição equitativa
de cuidados de saúde.
No caso em concreto da RAA, o grande desafio reside na definição das medidas de
discriminação positiva que possam permitir a todos os residentes um igual acesso às
respostas de saúde, disponíveis na região ou, em caso extremo, fora da região.
A integração das diferentes dimensões de intervenção em saúde (Cuidados de saúde
primários, diferenciados e continuados) parece ser a chave para um sistema que lida,
não apenas com as desigualdades de género, idade, literacia/escolaridade ou condição
de saúde, mas com a dispersão insular dos utentes do SRS.
Um sistema que tem de deslocar doentes ou especialistas para a realização de consultas
ou intervenções especializadas, não pode deixar de apostar na prevenção, na educação
da população e na moderação do recurso a exames desnecessários. Quando o utente
sabe que “tudo será pago de forma solidária em caso de doença, reduz a sua
preocupação com o evitar a doença e as suas consequências” (Barros, 2013:21).
Ao invés, quando se aposta na promoção da saúde e se considera que, “o primeiro
contacto dos doentes deve ser feito com um médico de medicina geral e familiar (o
médico de família), que depois determina meios complementares de diagnóstico e/ou
a necessidade de consultar um médico especialista, procura-se evitar o recurso direto
aos médicos especialistas e aos meios avançados de diagnóstico sem haver real
necessidade de o fazer e assim evita-se suportar custos associados” (Barros, 2013:21).
Este desafio, específico da RAA, condiciona profundamente o desenho do SRS e
distingue-o das respostas existentes no continente português.
269
9.2 - EM QUE MEDIDA O SERVIÇO REGIONAL DE SAÚDE SE DISTINGUE DO
SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE E COM ESTE SE ARTICULA?
Esta foi a segunda questão colocada, no início deste estudo. Avaliar das especificidades
regionais. Desde logo, ao nível da demografia e da dimensão das populações insulares.
Como foi demonstrado, estamos perante realidades distintas, com geometria variável e
um grau de envelhecimento diferenciado, particularmente acentuado em ilhas mais
pequenas e mais isoladas.
Por esse motivo, a gestão da resposta em saúde passa pela aproximação das
populações ao SRS, a começar nos Cuidados de Saúde primários, que deverão ser cada
vez mais eficazes e eficientes na resposta às necessidades das populações apostando de
forma incisiva na prevenção e na educação para a saúde. Por sua vez, a criação de
unidades de saúde de ilha, agregando vários centros de saúde e suas extensões, permite
uma “integração horizontal” (Campos e Simões, 2011), proporcionando a partilha de
recursos e uma maior disponibilidade de serviços de acordo com as necessidades dos
cidadãos, residentes na mesma área geográfica, que no caso dos Açores, está limitada
pela realidade insular.
Os cuidados de saúde primários, ao representarem “o primeiro nível de contacto dos
indivíduos, das famílias e da comunidade com o sistema de saúde” (Lopes, Castro &
Simões, 2018:15) podem ser classificados como o pilar do SNS, uma relevância ainda
maior no SRS, já que em seis das nove ilhas, este é o único serviço público de saúde
existente.
As Unidades de Saúde de Ilha (USI) nos Açores, para além de facilitarem uma integração
horizontal (entre centros e postos de saúde), semelhante à que se verifica no continente
português, confrontam-se com uma dificuldade acrescida quando se trata da
interligação entre Cuidados de Saúde Primários e outros níveis Cuidados,
nomeadamente hospitalares e continuados. Neste caso, o encaminhamento é sinónimo
de deslocação aérea ou evacuação, uma prática que impacta na vida dos cidadãos, quer
em termos de ausência ao emprego, alteração da gestão da vida diária e familiar e a
necessidade de alojamento, fora da sua ilha. Este facto tem levado à criação,
particularmente em São Miguel e na Terceira, de casas de acolhimento para doentes
deslocados das suas ilhas, respostas essas que, na sua maioria, são de iniciativa privada.
270
Com apoio estatal existe um serviço de apoio ao doente deslocado no continente, com
respostas situadas em Lisboa e no Porto117 (SADEL118 – Serviço de Acolhimento de
Doentes em Lisboa), que interligam as instituições de saúde regionais e a segurança
social, numa resposta integrada de apoio a pessoas com maior dificuldade económica e
encaminhadas pelos hospitais da Região para consultas, tratamentos ou cirurgias no
continente.
De acordo com as conclusões de um estudo realizado junto de doentes deslocados ao
abrigo do SADEL (Soares H., 2010:51-53119), a autora conclui que a figura do
acompanhante do doente, mostrou ser relevante, sendo que “a maior fonte de suporte
emocional proveio da família, dos amigos, dos conhecidos e dos desconhecidos. Apenas
o IPO foi identificado como instituição onde os familiares sentiram que lhes era dedicada
atenção.”
Quanto “à intervenção do SADEL apenas foi referida na sua vertente instrumental, não
sendo reconhecida pelos participantes como potencial fonte de apoio emocional apesar
de saberem que aquele serviço é constituído, na sua maioria, por assistentes sociais.”
Quanto aos “apoios económicos oficiais concedidos no âmbito da deslocação de
doentes, os entrevistados foram unânimes em referir que foram insuficientes para fazer
face às despesas globais da família”.
117
Não tivemos acesso ao número de pessoas que é abrangida por este serviço, nem o número de
situações encaminhadas para os Hospitais do continente.
118
DRR 17/2002/A de 10 de julho – artigo 30º - Serviço de Acolhimento de Doentes em Lisboa (SADEL)
1 - Ao SADEL compete, designadamente:
a) Acolher, informar, apoiar, orientar e acompanhar os doentes provenientes dos Açores, nas diligências
a efectuar durante a estada no continente;
b) Processar as prestações devidas por deslocação de doentes e acompanhantes;
c) Colaborar com os serviços de origem na marcação de consultas e exames complementares de
diagnóstico;
d) Efetuar os procedimentos técnico-administrativos respeitantes aos processos individuais dos utentes;
e) Diligenciar, junto dos serviços de saúde, no sentido de abreviar o período de estada dos doentes com
tratamento ambulatório;
f) Articular com o serviço social dos hospitais do continente e da Região o apoio a doentes deslocados;
g) Proceder ao tratamento de dados estatísticos do sector;
h) Colaborar com os serviços de ação social da Região na prossecução dos fins do SADEL;
i) Colaborar com as famílias na organização de funerais e trasladação de cadáveres, assim como tratar dos
espólios e certidões de óbito.
119
https://repositorio.iscteiul.pt/bitstream/10071/3859/1/Cuidar%20de%20Doentes%20Deslocados%20-
%20Um%20estudo%20das%20din%C3%A2micas%20familiares%20de%20doentes%20deslocados%2C%2
0por%20per%C3%AD.pdf
271
A autora conclui que “a deslocação de cidadãos para fora da sua ilha de residência, por
motivos de saúde e por períodos prolongados gerou desequilíbrios de ordem económica
familiar e emocional tanto nos membros que se ausentaram como nos elementos que
permaneceram na ilha.” E acrescenta, “a RAA não proporciona suficientes apoios aos
cidadãos que se encontram deslocados”. Daí considerar ser necessário “equacionar
alternativas de alojamentos melhor ajustadas às necessidades dos doentes”.
9.3 - EM QUE MEDIDA A LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA CONSTITUI UMA
VARIÁVEL DETERMINANTE NA (DES)IGUALDADE DE ACESSO AOS SERVIÇOS
DE SAÚDE?
A localização geográfica, neste caso, a realidade insular, é uma variável incontornável
quando procuramos estudar, compreender e avaliar do acesso ao Sistema Regional de
Saúde.
Desde logo, o facto de estarmos perante ilhas de pequena dimensão, com populações
de alguns milhares, condiciona o cálculo de rácios, taxas ou índices.
Por outro lado, o cálculo do número de profissionais de saúde, quando medido o rácio
por 1000 habitantes, geram resultados que poderão não corresponder à realidade
concreta, como nos referiu o Presidente da Secção Regional da Ordem dos Enfermeiros
(OE). “Há uma grande rotatividade de enfermeiros, que dificulta o cálculo correto, num
determinado momento de registo”. O caso do Faial, segundo a OE é disso exemplo,
apesar de registar um dos mais elevados rácios de enfermeiros/1000 habitantes, nas
estatísticas publicadas na Região, segundo o responsável da OE verificam-se situações
de défice de enfermeiros em algumas áreas. Referiu ainda que, nos Açores, o facto de
existirem poucos estudantes na Enfermagem, oriundos de outras ilhas que não Terceira
e São Miguel, dificulta a sua integração profissional fora dessas ilhas. Poderão até aceitar
inicialmente um posto de trabalho, mas logo que podem, procuram outros locais.
Considerando ainda o impacto da realidade insular, esta constitui um fator
determinante na desigualdade de acesso ao SRS, inerente à densidade populacional das
ilhas, onde não pode existir uma unidade hospitalar, o que obriga a deslocações, quando
há necessidade de cuidados diferenciados.
272
No entanto, não podemos isolar o impacto da “localização geográfica”, sem relacionar
esta variável com outras, de natureza demográfica e sociológica.
Em primeiro lugar, as questões já referidas do envelhecimento das populações
condicionam quer o tipo de problemas de saúde mais frequentes nos concelhos
envelhecidos das ilhas mais pequenas, quer o grau de literacia e o nível económico
dessas populações
Não podemos deixar de relacionar a variável idade avançada com a baixa literacia e os
fracos rendimentos, que condicionam o acesso aos recursos de saúde, com realce
especial para a utilização das tecnologias de informação, as quais estão a ser, cada vez
mais, utilizadas para mitigar o isolamento das populações e dos indivíduos, como
acontece com as videochamadas, nem sempre ao alcance da população mais
envelhecida.
Se há dimensão que, atualmente, pode concorrer para encurtar distâncias é o recurso
a ferramentas digitais, que aproximam os utentes dos profissionais de saúde, e
contribuem para aumentar a segurança dos que trabalham em ilhas sem hospital, no
contacto com especialistas e partilha de informação.
Sistema informático
Nesse domínio, o investimento do Estado em sistemas de informação partilhados, que
integrem os vários níveis de intervenção (CSP, CD e CC) deveria ser uma prioridade.
Nas palavras da representante da Ordem dos Médicos nos Açores e baseada num estudo
que a própria realizou em 2017, o processo de referenciação não é eficaz, uma vez que
o Médico de família faz uma requisição em papel, que depois é informatizada para poder
ser enviada para o Hospital que, entretanto, o doente escolheu. Isto porque os sistemas
informáticos nos CSP e Hospitais não é compatível. Como refere “O médico de família
introduz no sistema informático que não está integrado com o hospitalar, depois tem
de imprimir e entregar no Hospital, que depois é digitalizado num documento para o
sistema hospitalar, que é lido pelo médico responsável pela triagem e que faz a
devolução dos pedidos não conformes. Este procedimento que acontecia em 2017
mantêm-se tudo igual, atualmente.” (entrevista, 20.08.2020).
Da mesma opinião é o Presidente da Ordem dos Enfermeiros (entrevista 25.09.2020),
que aponta o sistema de informação que liga o SRS como a sua principal fragilidade,
273
comprometendo a eficácia de um encaminhamento de uma situação de doença, por
exemplo, detetada por um enfermeiro no quadro dos CSP. O processo é muito lento,
até que essa situação obtenha a resposta especializada de que carece.
Para além da necessidade de integração do sistema de comunicação informatizada, uma
deslocação de doentes mais eficaz implicaria a existência de voos entre ilhas, de ida e
vinda no mesmo dia, o que apenas acontece entre a ilha de Santa Maria e São Miguel.
Das outras ilhas há sempre a necessidade de permanecer mais de um dia fora de casa.
Considerando que a Região Autónoma dos Açores possui uma companhia aérea
regional, faz todo o sentido que a gestão das deslocações se faça em consonância com
a disponibilidade desta companhia. A questão mais complicada reside nos horários e na
sua compatibilização com o funcionamento do SRS.
Nascer fora da ilha de residência
A insularidade tem ainda um impacto importante na saúde familiar, em particular ao
nível da saúde materna. Desde logo, porque não se nasce em todas as ilhas, mas apenas
em São Miguel, Terceira e Faial, o que condiciona a deslocação das grávidas das
restantes ilhas, antes do parto. Conforme se pode ler na Portaria nº66/2010 de 30 de
junho, a mulher grávida pode escolher o Hospital da Região onde pretende realizar o
parto e tem direito a uma comparticipação financeira, que varia conforme a duração da
deslocação e se fica, ou não, em alojamento convencionado.
Desde a aprovação do Código de Registo Civil de 1995, a criança nascida fora da ilha de
residência dos pais, pode ser registada com referência à freguesia de residência da mãe.
Antes, os nascimentos em espaço hospitalar, acabavam por ser todos referenciados à
freguesia onde se situava esse hospital.
Recordamos ainda que, algumas crianças nascem120 nos helicópteros “Merlin” ou
mesmo nas aeronaves, no decurso de ações de evacuação de grávidas em situação de
risco.
120
Em 2013, uma notícia referia que em 20 anos nasceram 30 crianças, em operações da Força Aérea
nos Açores (o primeiro parto foi a 13 julho de 1999, na aeronave C-212 AVIOCAR). Consultado em
https://expresso.pt/sociedade/bebe-nasce-a-bordo-de-helicoptero-nos-acores=f777544, a 25 setembro
2020.
274
Nível socioeconómico
Uma outra dimensão que influencia a facilidade ou dificuldade com que os utentes saem
da sua ilha/concelho, prende-se com o seu nível de rendimentos. Está provado que, “os
grupos mais pobres têm uma maior morbilidade e tendem a utilizar menos os serviços
de saúde, se a acessibilidade ao sistema não for favorável.” (Giraldes, 2003:102).
Nesse sentido, como também foi referido, há que analisar, em cada comunidade, os
determinantes da saúde, para além da oferta em serviços de saúde, nomeadamente, os
estilos de vida, as condições das habitações, os hábitos alimentares, as condições de
trabalho, os riscos associados quer ao estilo de vida, aos consumos, ao trabalho, entre
muitos outras dimensões que condicionam a saúde das populações.
9.4 - QUE PERSPETIVAS FUTURAS PODEM SER TRAÇADAS, A PARTIR DA
ANÁLISE DA REALIDADE VIVIDA NA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES NOS
ÚLTIMOS ANOS?
Finalmente a última questão colocada conduz-nos a uma reflexão sobre condicionantes
do SRS, que dificultam o acesso dos residentes, na ótica, inicialmente apresentada, de
um Sistema de saúde, equitativo e eficiente em termos técnicos e económicos
(Boquinhas, 2012), que responda às necessidades das populações.
Um serviço de saúde que seja acessível, sem dúvida que é um Serviço que promove a
equidade segundo dois princípios fundamentais (Macedo & Reis, 2011:24):
1) “Indivíduos com as mesmas necessidades de cuidados de saúde (com o mesmo
nível de doença) têm direito a cuidados iguais” – equidade horizontal;
2) “Indivíduos com necessidades de saúde diferentes (gravidade, especificidade...)
têm direitos a cuidados de saúde diferentes (isto é, proporcionais ao seu estado
de saúde/doença) – equidade vertical.
De acordo com estes dois princípios, “o direito aos cuidados de saúde não tem a ver com
a capacidade de pagar, de cada indivíduo, mas com o grau de necessidade deste,
cabendo ao Estado o ónus da intervenção”.
275
Em complemento a esta reflexão, iremos no ponto seguinte deste Relatório, elencar
algumas sugestões, propostas, que abordam as evidências apresentadas, segundo
diferentes eixos de intervenção possível.
276
10. Sugestões
Como perspetivar uma intervenção com vista à melhoria do SRS?
Em resposta a esta questão central, iremos organizar esta análise segundo quatro
tópicos, identificando algumas sugestões que a leitura dos dados e das informações
recolhidas suscitam:
Enquadramento – determinantes da Saúde na RAA
Recursos humanos
Recursos materiais
Governança
10.1 - DETERMINANTES DA SAÚDE
Loureiro & Miranda (2018:71) definem os determinantes da saúde como fatores com
influência na saúde individual e coletiva, que agrupam em quatro categorias:
• Fatores genéticos e biológicos;
• Serviços de saúde;
• Comportamentos individuais relacionados com a saúde;
• Características sociais.
Diferentes países têm adotado como orientação para a definição das políticas de saúde,
fatores determinantes da saúde. Isso implica uma preocupação com o estudo desses
determinantes, como aliás foi preconizado pela OMS, em 2005, ao criar a Comissão dos
Determinantes Sociais da Saúde (CDSS) que inspirou as metas do Milleninum (2015) e,
mais recentemente, os Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (2030). De
acordo com o relatório da CDSS, de 2010121, “em países, de todos os níveis de
rendimento, a saúde e a doença seguem uma gradação social: quanto mais baixa a
posição socioeconómica, pior o estado de saúde”(...)“corrigir essas desigualdades – as
121
https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/43943/9789248563706_por_contents.pdf;jsession
id=26193A91BD108B2260316A338BCBF593?sequence=8
277
diferenças enormes mas remediáveis na saúde, dentro e entre países – é uma questão
de justiça social.” (OMS – Comissão para os Determinantes Sociais da Saúde, 2010).
Assim, falar de igualdade ou desigualdade de/no acesso aos serviços de saúde de uma
região, não pode significar fazer uma elencagem de recursos, mesmo que a existência
de serviços de saúde seja uma das determinantes que condiciona a saúde das
populações.
Os fatores de natureza social deverão ser conhecidos, estudados e, sobretudo,
integrados no desenho das políticas de saúde.
Nesse sentido, Loureiro & Miranda (2018) referem o exemplo do Canadá ou da Finlândia
onde a promoção da saúde surge associada ao combate à exclusão social. Por sua vez
no caso da Suécia, a política pública nacional de saúde aposta no aumento do nível de
participação das pessoas.
Estamos perante um quadro de referência que aposta nas dimensões sociais da saúde,
para transformar a relação dos utentes com o sistema de prestação de cuidados, a
começar pela própria gestão da sua saúde, os estilos de vida, as condições de trabalho
e o sentimento de segurança e bem-estar.
Ao longo do presente relatório foram sendo identificados alguns dos Determinantes da
saúde na RAA, dos quais destacamos:
• A autoapreciação da saúde/representação do que é ser doente ou saudável;
• A idade e o impacte na autoapreciação da saúde, na morbilidade, no
envelhecimento das comunidades, na mobilidade; o controlo das doenças
crónicas inerentes ao processo de envelhecimento;
• O género e o impacte na autoapreciação da saúde e na vivência da doença; na
esperança média de vida; na morbilidade; na frequência dos serviços de saúde;
no papel social de cuidador informal e na feminização dos profissionais de saúde.
• A literacia em saúde e a capacidade de escolha informada dos utentes; as
implicações na participação e o sentido de reivindicação do utente; a utilização
de meios informáticos e o acesso a informação digital, associado à condição
económica, mas também à idade;
• O nível de escolaridade, em relação com a morbilidade e os estilos de vida; os
comportamentos preventivos;
278
• O nível de rendimento e o acesso à saúde; a morbilidade diferenciada; o acesso
a respostas alternativas ao sistema público (por exemplo, para realização de
exames auxiliares de diagnóstico, terapêuticas ou mesmo cirurgias); o acesso a
consultas de especialidade fora do sistema público;
• A residência em ilhas sem hospital ou em concelhos mais distantes dos centros
urbanos, e as implicações no acesso a consultas de especialidade; realização de
exames auxiliares de diagnóstico; acompanhamento pós-alta hospitalar;
deslocação/estadia na ilha co hospital.
Estes são alguns dos determinantes da Saúde que revelaram estar associados entre si,
com especial evidência para o facto de, sendo os Açores uma região arquipelágica,
qualquer resposta em matéria de política de saúde, ter de lidar com essa dispersão
geográfica.
Reconhecer a importância dos Determinantes sociais da Saúde e avaliar, através da
investigação, as suas diferenças e especificidades, por ilha/concelho, permitiria a
definição de políticas de saúde mais eficazes, quer na promoção da saúde e do bem-
estar das populações, quer no combate às causas de morbilidade e mortalidade que,
entre outras consequências, contribuem para uma esperança média de vida mais
baixa na RAA do que no resto do país.
No quadro de um estudo sobre os Determinantes da Saúde, e tendo em consideração
a estrutura demográfica (idade, sexo) e as condições socioeconómicas (escolaridade,
atividade laboral, local de residência) das populações, em particular dos utentes do
SRS, há que ter em conta:
1) - comportamentos relacionados com o contexto, entre outros, o estilo de vida
quotidiano, as condições habitacionais e socioeconómicas, as características da
atividade laboral e diária e
2) os comportamentos relacionados com o estado de saúde, como sejam, práticas
preventivas; vigilância de doenças crónicas; relação com os recursos do SRS,
nomeadamente, consultas, exames auxiliares de diagnóstico, medicação prescrita; e
outras práticas, não orientadas por profissionais de saúde, como a automedicação, a
279
medicina não convencionada, os tratamentos domésticos tradicionais e, mais
recentemente, o recurso à páginas da internet, vulgo “Dr. Google”.
10.2 - RECURSOS HUMANOS
O deficiente reforço dos hospitais, em equipamentos e recursos humanos, afetou
durante muito tempo a presença de RH, em número suficiente, nos Centros de Saúde,
o que é contraditório com a política que promove a prevenção, a educação para a saúde.
À semelhança dos utentes, que consideram o hospital como a resposta mais “completa”,
muitos dos profissionais de saúde também optam pelo exercício hospitalar,
desvalorizando as intervenções na comunidade, uma tendência que o representante da
OE na RAA considera que está a mudar. Há mais enfermeiros interessados na saúde
comunitária, em parte porque, do ponto de vista salarial “o que os hospitais pagam a
mais não compensa o desgaste do trabalho hospitalar”.
A formação de especialistas deveria ser melhor rentabilizada na atribuição de funções
no SRS, promovendo a sua colocação em função das necessidades das USI.
Atrair recursos humanos para as ilhas pequenas, deveria envolver incentivos e
condições de trabalho, capazes de atrair os profissionais necessários (médicos,
enfermeiros e outros técnicos de saúde). Serviços de Saúde descentralizados não
dependem, apenas, de médicos e enfermeiros, mas devem envolver outras áreas de
intervenção, nomeadamente técnicos auxiliares de diagnóstico (análises, exames
radiológicos), psicólogos, fisioterapeutas, etc. Isso significa que, a descentralização
deverá implicar mais facilidade de acesso aos exames complementares, aos tratamentos
de recuperação e reabilitação e a serviços de apoio, ao nível da saúde mental, por
exemplo, psicológico.
Quando olhamos a evolução dos médicos ao nível dos centros de saúde, só muito
recentemente houve um reforço em Médicos de Medicina Geral e Familiar.
No entanto, como foi referido, a saúde de proximidade tem de ser vista na ótica de
equipas de saúde familiar, e isso implica um reforço do número de enfermeiros por
280
médico ao nível dos centros de saúde e outros profissionais, num trabalho
interdependente.
A existência de equipas é a base da eficiência do SRS, inclusive, ao nível dos cuidados
hospitalares, particularmente as cirurgias. Não bastam cirurgiões, refere o Provedor do
Utente (entrevista 7 set.20), se não houver enfermeiros do bloco ou anestesistas em
número suficiente para assegurar a melhor rentabilização dos blocos operatórios.
Como ficou demonstrado, no país e na RAA, há um número reduzido de enfermeiros
por médico quando comparado com a média da OCDE. Aliado a este facto, as
comunidades mais isoladas, carecem de especialistas que, não se deslocando dos
hospitais, obrigam os residentes a fazê-lo, o que tem custos acrescidos para o SRS. Não
apenas ao nível do pagamento das deslocações, mas com implicações na economia
local, nas famílias e no bem-estar das populações.
Nas palavras da Presidente da Delegação da Ordem dos Médicos, o Hospital é que
deveria ir ao encontro dos doentes e não o contrário. No passado, esse procedimento
estava mais ou menos rotinizado, “e os especialistas quando iam às ilhas também davam
apoio ao internamento. Os médicos recebiam 150 euros/dia (subsídio de deslocação) e
enquanto estivessem a fazer consultas no horário de trabalho não ganhavam mais. A
partir daí por cada doente que vissem ganhavam mais 15 euros/consulta. Em 2014, a
tutela da Secretaria da Saúde entendeu que esta remuneração era uma duplicação de
vencimento e cortou com essa possibilidade. E, a partir daí, os doentes passaram a
deslocar-se aos hospitais.
Recentemente e depois de muitas negociações, os hospitais chegaram a acordo com o
Governo – Portaria de Deslocação de Especialistas – revista em 2019 e, de novo, passou-
se a contemplar um seguro de viagem, os 150 euros, e um subsídio para os dias que
ficassem retidos por não ter avião para deslocação. Esta nova orientação estava a
começar a ser operacionalizada no início de 2020 e foi interrompida na Pandemia, mas
deverá retomar logo que possível.”
Complementando as afirmações da Ordem dos Médicos, o Provedor do Utente referiu
que os médicos do SRS consideram que vão perder com as deslocações às outras ilhas.
Para além disso, em algumas dessas ilhas há clínicas privadas que respondem às
necessidades dos residentes, por exemplo, como acontece com a
281
estomatologia/medicina dentária na Ilha das Flores ou para casos em que são
necessários tratamentos de Fisioterapia.
Captar profissionais de saúde para a Região.
De acordo com o estudo de Lopes, Castro & Simões (2018:130), a concentração dos
profissionais de saúde nas zonas metropolitanas/urbanas, em relação a zonas rurais e
remotas, é motivada não só pelas oportunidades profissionais como pelos serviços e
amenidades que estas regiões urbanas oferecem; daí que os incentivos para atrair e
fixar os profissionais de saúde em áreas remotas podem ser insuficientes, porque
baseados apenas em remunerações monetárias.
Outras medidas poderiam ser pensadas, tendo em conta as necessidades desses
profissionais, seja ao nível do alojamento, da mobilidade, do recurso a novas tecnologias
e, sobretudo, à implementação de uma prestação de cuidados personalizada, próxima
da população, com retorno profissional, oportunidades de aprendizagem e inovação.
De acordo com a Ordem dos Enfermeiros, a RAA chegou a ter, em 2000 e 2001, um
sistema de incentivos para fixar enfermeiros, particularmente nas ilhas mais pequenas,
que acabou por ser retirado. Esse incentivo não era apenas monetário, mas implicava
facilidade de alojamento. Neste momento (2020), há enfermeiros a optar por trabalhar
no privado, a aceitar propostas aliciantes para trabalhar no estrangeiro, como referiu o
Presidente da Secção regional da OE, apontando o exemplo de responsáveis pela Saúde
nas Ilhas Canárias, que tem estado a recrutar nos Açores enfermeiros, oferecendo um
salário mais atrativo, casa e uma viagem todos os três meses para visitarem a família.
Outros enfermeiros têm rumado a países europeus122.
A equidade em saúde depende da adequada distribuição dos recursos humanos em
função das necessidades das populações
122
Sobre este fenómeno da emigração dos Enfermeiros da RAA, a OE está a compilar informação sobre
pedidos de certificação, solicitados por candidatos a estas oportunidades de trabalho. Para além disso
referiu que, neste momento, há entidades privadas que estão a recrutar enfermeiros dificultando ainda
mais o rejuvenescimento do SRS. Não esquecer que, por ano saem cerca de 80 a 90 novos enfermeiros
dos dois cursos de Enfermagem na RAA.
282
No entanto, num contexto arquipelágico, no quadro de profissões que exigem
atualização permanente, benchmarking, a prática clínica, em pequenas comunidades,
tem de ser suplementada com objetivos de natureza profissional que permitam
inovação e melhoria dessa clínica. Desafiar os profissionais de saúde - ao nível do
trabalho de equipa, da humanização dos cuidados prestados e da eficácia e eficiência
da clínica prestada, incluindo a gestão das situações que requerem a mobilidade dos
doentes - é um exercício que só um Sistema de Saúde numa região geográfica dispersa
pode proporcionar.
Há ainda a considerar, que os cuidados de saúde, em ilhas ou concelhos mais
pequenas/os implica ter em conta, as características demográficas, os sinais de
envelhecimento, bem como os contextos culturais, económicos e sociais que as
distinguem e enquadram as necessidades específicas de cada comunidade local.
Nesse sentido a colocação de enfermeiros e/ou médicos em ilhas de pequena
dimensão tem de estar associada a um conjunto de benefícios de natureza material
(vencimento, alojamento e outros benefícios) e a formação contínua, incluindo a
atualização em áreas relevantes para o exercício de uma medicina qualificada de
proximidade e de natureza preventiva.
Os enfermeiros deverão integrar equipas de saúde, não como “assistentes” dos
médicos, mas como possuidores de uma área de atuação específica e especializada
nos cuidados de saúde.
10.3 - RECURSOS MATERIAIS
A saúde depende, como temos vindo a analisar, de determinantes sociais, entre as quais
a existência de serviços de saúde. Importa realçar o investimento efetuado na melhoria
da maioria dos equipamentos/edifícios da RAA. No entanto, como também já foi
mencionado, continua a falhar a existência de um sistema informático, que promova
uma verdadeira integração dos centros de saúde com o sistema hospitalar, e
transforme o SRS num sistema integrado, articulado e eficiente.
283
A partilha de dados, processos, exames médicos é fundamental para desmaterializar o
sistema e acelerar a resposta dos clínicos.
Uma comunicação eficaz, organizada e integrada, favorece o encaminhamento e
acompanhamento do utente, após a alta hospitalar.
Sobre a cobertura da região, e tendo em conta a necessidade de resposta especializada,
parece evidente a necessidade de um levantamento pormenorizado de todos os
recursos existentes, privados ou públicos, sedeados em Centros de Saúde, Hospitais ou
Clínicas Privadas, para realmente avaliar da melhor estratégia operacional de utilização,
ao serviço de uma resposta pública, não apenas no domínio dos Cuidados de Saúde
primários, preventivos, mas também ao nível da resposta especializada.
Telemedicina
Numa região dispersa, o recurso à telemedicina é mais uma ferramenta facilitadora do
acesso a consultas de especialidade. No entanto para ser eficaz, a prática da
telemedicina deveria estar integrada num único sistema/plataforma informática capaz
de articular a relação entre centros de saúde e hospitais, promovendo uma cooperação
direta entre os médicos de medicina geral e familiar e especialistas.
No entanto, como refere a Bastonária da Ordem dos Médicos, a telemedicina não
substitui a necessidade de uma primeira consulta presencial, com recurso a exame físico
e contacto direto entre o médico e o utente.
O recurso a telemedicina pode permitir uma maior eficiência na leitura de exames
auxiliares de diagnóstico. Ainda segundo a Ordem dos Médicos “Há exames que podem
ser feitos nos Açores e serem lidos fora da região, como aliás acontece no Pico. O doente
faz um TAC no Pico, e as imagens são transmitidas para o Faial para o especialista que
está nesta ilha.”
O recurso à telemedicina não pode substituir as consultas presenciais, sobretudo, a
primeira consulta que na opinião da Ordem dos Médicos, deve sempre existir. E
acrescenta: “A telemedicina deve estar integrada na ligação informática, institucional.
Neste momento a fotografia enviada para o telemóvel particular do médico, funciona
como resposta imediata, mas é “ilegal” e atenta contra as regras da proteção dos dados
individuais, mas é o recurso mais rápido para que se possa orientar, por exemplo, a
realização de um tratamento numa ferida de um doente que está na sua ilha.”
284
Acesso a Consultas, Cirurgias e Exames auxiliares de diagnóstico ou terapêutica
O facto de os centros de saúde terem deixado de prestar serviço ao nível dos exames
auxiliares de diagnóstico sobrecarregou os hospitais e aumentou a necessidade de
convencionar com privados a realização desses exames. Essa é também a opinião do
Presidente da Secção Regional da Ordem dos Enfermeiros, que reconhece que a
transferência da realização de exames complementares de diagnóstico para os
hospitais, veio sobrecarregar essas unidades, com um serviço que podia ser
concretizado ao nível do Centro de Saúde, sobretudo em comunidades mais populosas.
De acordo com o Provedor do utente, quando o SRS demora a facultar o acesso aos
exames, o cidadão acaba por recorrer à clínica privada, porque o tempo de espera é
menor, acabando por pagar um serviço que lhe podia ser prestado pelo sistema público.
O tempo de espera, referiu o Provedor do Utente é a principal razão das reclamações
dos utentes123, ou seja, a dificuldade de acesso às consultas, às cirurgias planeadas, que
podem chegar a anos de espera.
Nesse sentido, a valorização do utente como centralidade do sistema de saúde público,
deveria superar os interesses pessoais, desde logo dos médicos que partilham a
prestação ao Estado com a sua clínica privada, ou a priorização dos utentes, não em
função de critérios clínicos ou de qualidade de vida, mas por pressão junto das
instituições.
Segundo o Provedor, a causa das listas de espera está na falta de recursos humanos
especializados e não tanto nos equipamentos disponíveis. Por exemplo, referiu que no
Hospital da Terceira há salas a mais para o volume de serviços prestados. Por outro lado,
apontou ainda como um fator que veio agravar a resposta em cirurgias, a transferência
123
Segundo o relatório da Provedoria do Utente, referente a 2019, 63% das reclamações dirigidas a este
serviço, estão relacionadas com o acesso aos Serviços de Saúde, particularmente o tempo de espera para
consultas e cirurgias. 16% referem-se a questões de funcionamento/organização dos serviços; 9% prende-
se com problemas registados no relacionamento com profissionais de saúde e 7% tinham a ver com
negligência médica. Refira-se que, segundo o Provedor (entrevista 7set.2020), entraram na provedoria
apenas 65 reclamações em 2019, 32% de Ponta Delgada; 36% de A. Heroísmo; 12% de outros concelhos
de São Miguel, 2% da Praia da Vitória e 9% da Horta. Sendo por isso muito residuais as reclamações com
origem em residentes em outras ilhas que não as que têm hospital. De referir que o total das reclamações
não reflete aquelas que são feitas diretamente nas Unidades de Saúde (Centros de Saúde e Hospitais) que
são objeto de encaminhamento interno e não são do conhecimento da Provedoria do Utente.
285
das pequenas cirurgias para o Hospital houve necessidade de ocupar salas que podiam
ser utilizadas para outras cirurgias. Antes, a ocupação de salas para as pequenas
cirurgias era feita em rotação por várias especialidades.
Um outro fator apontado foi o facto de existir alguma resistência à implementação de
horários desfasados, permitindo uma maior cobertura. Muitos dos médicos preferem
trabalhar no hospital de manhã, para terem a tarde livre para o exercício na privada.
O investimento em recursos materiais afigura-se importante para garantir o acesso
de todos os açorianos a respostas inovadoras, de qualidade e, sobretudo, eficazes. No
entanto, importa adequar o planeamento desse investimento tendo por base as
necessidades locais e a gestão partilhada desses recursos, ao nível da ilha, e em
articulação com outros serviços da região (setor social). O sistema de mobilidade
entre ilhas, de utentes ou profissionais deverá estar articulado com os recursos
instalados, havendo necessidade de minimizar as deslocações, por exemplo, para a
realização de exames complementares ou tratamentos que possam ser feitos na ilha
de residência, mesmo que acompanhados de forma remota por especialistas
residentes noutra ilha.
10.4 - GOVERNANÇA
Avaliar o acesso das populações aos serviços de saúde implica, forçosamente, considerar
as políticas públicas neste domínio. E, nesse sentido, há grandes diferenças em função
da orientação política e ideológica, dependendo do envolvimento do setor público na
resposta às necessidades de saúde, do grau de participação e confiança social dos
cidadãos, da descentralização das respostas, sendo que a relação entre desigualdade na
saúde e área de residência, tem sido comprovada (Craveiro,2012).
Ao longo da história da implementação do SRS e, tendo por referência os programas das
sucessivas legislaturas, ficou claro que existiu, desde 1976, uma preocupação com a
organização regional dos serviços de saúde, garantindo instalações para as unidades de
saúde em todos os concelhos, acrescidas dos antigos “postos de saúde” ou extensões
286
dos Centros de Saúde, com vista a proporcionar maior proximidade. Ao mesmo tempo,
os programas de governo revelam uma preocupação em diferenciar os níveis de
prestação de cuidados, separando os cuidados de saúde primários dos hospitalares.
Resta saber se, atualmente, essas estruturas correspondem às necessidades das
populações e estão dotadas de tecnologias alternativas e meios para permitir a partilha
de informação, a mobilidade do conhecimento/processo do utente e dos exames
auxiliares de diagnóstico, de forma desmaterializada, reduzindo custos e aumentando a
eficácia e o tempo de resposta.
Uma outra questão, reside na necessidade de avaliar os recursos existentes na região,
considerando os que possam estar subaproveitados, os que poderiam ser melhor
partilhados ou são inexistentes.
Assim considera-se importante:
• potenciar os recursos existentes;
• definir manuais de boas práticas que unifiquem critérios e promovam uma
cultura regional, ao nível dos cuidados de saúde primários e da sua relação com
os cuidados hospitalares;
• promover a sustentabilidade do SRS – com critérios de utilização dos recursos,
semelhantes nos diferentes hospitais e Centros de Saúde;
• definir critérios comuns para o recurso a exames auxiliares de diagnóstico ou
terapêutico
Esta definição de critérios comuns deveria favorecer:
• Uma integração das diferentes unidades de saúde de ilha num único sistema,
mais equitativo e mais coordenado, por exemplo, no encaminhamento de
doentes para fora da ilha, seja para outras ilhas ou para o continente.
• A integração dos doentes em listas de espera, deveria considerar a qualidade
de vida do utente como critério de prioridade, não apenas baseado em números
de dias de espera;
• Por outro lado, o facto de o utente ter o direito de escolher o hospital onde
pretende realizar a cirurgia, pode agravar a lista de espera, de forma
desnecessária, por ventura, por falta de informação objetiva que permita a esse
cidadão comparar as alternativas existentes.
287
• Em relação ao serviço de urgência, medidas de educação/literacia em saúde
poderiam disciplinar o recurso dos utentes e reduzir o número de consultas
não urgentes. Nas palavras da Representante da Ordem dos Médicos “A
referenciação à urgência deveria ter por base um sistema em que só podia se
deslocar à urgência quem antes tivesse sido encaminhado pelo médico de MGF
ou pela linha Açores – ou então num acidente.”
O grande desafio para o SRS é a articulação entre CSP e CD/H, e isso faz toda a diferença
ao nível da qualidade dos cuidados prestados, do número de RH disponíveis, do acesso
a exames auxiliares de diagnóstico, do atendimento alargado das populações.
Na opinião do Provedor do utente, é necessário ter uma visão global do Sistema
Regional de Saúde, para apoiar os médicos que estão sozinhos em determinadas ilhas,
“não é fácil pedir uma evacuação quando se está sozinho numa ilha, consciente que isso
representa um custo muito elevado para a região”.
Outro dado que mereceu uma atitude do governo, foi na legislatura 2012-2016, em que
se verificou que “os clínicos gerais estavam a pedir muitos exames e por isso limitaram
as requisições, o que acabou por sobrecarregar as listas de espera dos hospitais. Com
base nas palavras do Provedor do utente, podemos dizer que há falta de transparência
nos procedimentos, particularmente “quando um doente traz um pedido de exames,
que tem de ser validado pelo Centro de Saúde e, não obtendo resposta, acaba por ir
para a privada”. Para além disso, há privados que recorrem ao serviço público, por
exemplo quando estão de serviço ao hospital, fazendo requisições de exames para
doentes que atenderam na privada.
Avaliação do sistema de saúde
Para Fernandes, J. (in Fernandes, A. 2011:62) “os vários sistemas de saúde tem
privilegiado a rentabilização da produção, expressa por aumento do número de atos
clínicos, redução dos tempos de espera para atendimento e tratamentos, poupanças
financeiras, etc.”. No entender do autor, “é tempo de mudar o paradigma da avaliação.
E, se os aspetos mencionados são importantes, é fundamental que se incorporem outros
dados como a qualidade da ação desenvolvida, “outcomes”, isto é, resultados clínicos.”
288
Na visão deste clínico (Fernandes, J. 2011: 63) é preciso “saber com objetividade e rigor
os resultados da prática médica e qual o seu impacto no bem-estar da população e este
desideratum deve constituir um imperativo em serviço público nacional”, ao qual
acrescentaríamos, “e regional”.
Na realidade, e citando ainda este autor, a implementação de regras de “Clinical
Governance”, ou Governação Clínica, nas instituições de saúde, implica:
• Estandarditazação da informação clínica (o processo eletrónico é uma
necessidade absoluta, mas requer regras claras para o registo adequado de
todas as ocorrências);
• identificação de fatores adversos, o que pressupõe uma cultura de cooperação,
em vez de medo e culpabilização;
• Organização institucional para a sua promoção e avaliação;
• Generalização de reuniões sérias de morbilidade e mortalidade nas diferentes
unidades clínicas e “auditorias” periódicas e institucionais, como instrumento
indispensável a uma cultura de exigência profissional.
Julgamos encontrar nesta proposta do Prof. José Fernandes e Fernandes (in Fernandes,
A. 2011) um modelo que, ao pretender qualificar a prática clínica, pode constituir uma
mais-valia em contextos mais afastados dos hospitais, como são os centros de saúde
com internamento, em ilhas sem hospital.
Ao promover maior interligação, cooperação, avaliação institucional, partilha de
saberes, a prática de cuidados em contextos mais “adversos”, o sistema de saúde
regional poderia permitir experiências inovadoras e gratificantes, que superam, a
ausência de outros atrativos, que essas comunidades pequenas nunca poderão ter ou
competir, como os que existem nos meios urbanos, particularmente os mais
desenvolvidos. Esta estratégia também se aplica com a captação de clínicos ou
enfermeiros para os hospitais e outros centros de saúde, situados em São Miguel ou
Terceira. Quando comparados com as oportunidades de trabalho existentes no
continente ou mesmo em outros países, muitos dos profissionais, residentes na Região,
findos os seus cursos, são atraídos por ofertas de emprego no estrangeiro e agarram o
desafio da emigração.
289
Os profissionais de saúde, como outros técnicos, motivados pelo exercício inovador da
profissão, por condições de bem-estar e integração, certamente aceitariam desafios de
trabalho em comunidades onde, habitualmente, é difícil fixar esses profissionais.
Os dados apresentados mostram-nos uma região envelhecida em muitos dos seus
concelhos. Para além das políticas de incremento à natalidade e fixação das populações,
a presença de clínicos e do acesso a uma saúde de qualidade pode certamente contribuir
para inverter esse fenómeno. Ao mesmo tempo, um sistema de saúde que chega mais
facilmente aos idosos, na prevenção e tratamento das patologias mais comuns na faixa
etária mais velha, pode evitar o recurso a deslocações aéreas, sempre mais difíceis
quando se tem dificuldades de mobilidade e vulnerabilidade acrescida, necessidade de
acompanhante e maiores dificuldades de adaptação a mudanças nas rotinas diárias.
De acordo com Vieira, M. (in Rodrigues & Silva, 2012:302), são cinco os desafios
essenciais na Saúde:
• Qualidade da prestação dos cuidados de saúde;
• Acessibilidade;
• Resposta atempada, em tempo e humanizada, dos cuidados de saúde;
• Gestão eficiente dos recursos
• Sustentabilidade, garantindo que a sociedade tem recursos que permita dar
acesso e qualidade de serviço à população.
Se não existir sustentabilidade, também não se pode dar acesso, nem se pode dar
qualidade, que são complementares e interpenetram-se. (...) Se tivermos más práticas
de gestão, uma ineficiente utilização de recursos, a sustentabilidade é colocada em
causa.”
Na ótica de Vieira da Silva (2012: 302 e segs) o desafio da sustentabilidade no sistema
de saúde, do qual depende o acesso e a qualidade dos cuidados, implica uma reforma
estratégica e uma reforma a nível operacional.
Ao nível estratégico, a autora advoga que o importante é que o sistema de saúde
garanta o acesso generalizado, tendencialmente gratuito, implicando apenas as taxas
moderadoras, independentemente do prestador, ser público ou privado. O Estado pode
contratar cuidados de saúde a uma entidade privada e pagar-lhe por output, sem
290
descurar a avaliação do serviço prestado, nomeadamente a existência de médico de
família, a prestação de consultas ou outros exames em tempo razoável. Para tal importa
a existência de uma entidade reguladora autónoma e independente, com poderes.
Esta prática tem sido concretizada, particularmente na prestação de cuidados
continuados, como aliás se pode verificar no caso da RAA, onde entidades privadas, mais
vocacionadas para esse tipo de cuidados, contratualizam com o Estado a prestação
desses serviços, cabendo a este último controlar custos e qualidade.
Outra área estratégica, já referida neste relatório, prende-se com o Plano Regional de
Saúde, nomeadamente, em todas as áreas identificadas como preventivas das
patologias mais frequentes na região e que mais mortes causam.
O incremento da participação da população na promoção da sua saúde, através da
adoção de hábitos de vida saudáveis, como aliás se tem visto recentemente, a propósito
do controlo da pandemia por Covid19.
As campanhas pedagógicas, através dos meios de comunicação social, de grande difusão
deveriam ser mais frequentes, em diferentes domínios da literacia em saúde. A
propósito, a Presidente da secção regional da ordem dos Médicos referiu alguns
exemplos de dúvidas que refletem a necessidade de alertar ou informar a população:
“Quando devo ir à urgência?”, “Quais os sinais a valorizar quando uma criança tem
febre?”, “Comprar um medicamento genéricos ou de “marca”?” Sobre este último
tópico, referiu que há pessoas que duplicam a toma de medicamentos, porque as
embalagens são diferentes e não reconhecem que o produto (genérico ou de marca) é
o mesmo.
Retomando os desafios da sustentabilidade, na ótica de “garantir recursos que
permitam o acesso e qualidade de serviço à população” (Vieira da Silva, 2012), para além
desta reforma estratégica, é necessária uma reforma operacional, que tenha em conta
a rentabilização dos recursos instalados, fomentando a sua interligação, como foi
anteriormente referido, particularmente quando se trata da ligação entre CSP e CD/H.
Uma escolha informada por parte do utente do SRS implica “promover o acesso dos
cidadãos a rankings de qualidade clínica, disponibilizando informação online à
população referindo qual o grau de acesso e indicadores económicos de cada hospital.”
Só assim se entende o direito de escolha do cidadão, em relação ao hospital onde, por
291
exemplo, pretende realizar uma cirurgia. Isso implica, que alguns hospitais se
especializem em determinadas áreas de prestação de serviço. Como refere a
Representante da Ordem dos Médicos, “Não podemos ter centros diferenciados em
todas as ilhas, tem de estar concentrado num determinado hospital para se “ganhar
mão” e experiência, como aconteceu por exemplo com o centro cardiovascular (unidade
de intervenção cardiovascular, criada 2014), sedeado no Hospital de Ponta Delgada, que
é “top” no país.”
Criação de uma Unidade de Gestão Regional do Acesso ao SRS
A proposta, apresentada pelo Presidente da Secção Regional da Ordem dos Enfermeiros
(OE), que aponta para a necessidade de criação de uma Unidade de Gestão Regional do
Acesso ao SRS (UGRAS – Unidade de Gestão Regional do Acesso à Saúde ) parece fazer
sentido, quando estamos perante a principal vulnerabilidade da Região, a sua dispersão
e a necessidade de uma gestão sustentável, que potencie os recursos humanos e
materiais existentes.
Assim, partindo desta proposta da OE, atrevemo-nos a pensar que a UGRAS, poderia
agilizar:
• A deslocação de utentes para a realização de exames complementares
de diagnóstico (de acordo com as disponibilidades nas várias unidades de
saúde);
• A gestão integrada das listas de espera, bem como a averiguação dos
números, aferindo quem são e onde estão as pessoas que integram essas
listas, o grau de necessidade e a sua evolução, ao longo do período de
espera;
• A integração de todas as respostas disponíveis num determinado
momento, evitando que alguém, vindo de uma ilha sem o recurso a TAC,
possa estar numa lista de espera, por exemplo para fazer esse exame em
São Miguel, quando existe vaga no serviço da ilha Terceira.
• A relação dos gestores do doente, existentes em cada Hospital com os
centros de saúde, não de forma bilateral, mas integradora. Como
entidade mediadora, esta Unidade rentabilizaria a resposta, existente na
RAA, num determinado momento.
292
• Para além disso, e recorrendo à proposta de intervenção de Vieira da
Silva (2012), a integração das respostas, deveria ter em conta todos os
recursos instalados em cada ilha, sejam de natureza pública ou privada.
Neste último caso, em regime de convenção com o Estado. Numa região
pequena, faz pouco sentido existirem recursos que melhoram o acesso,
incluindo transportes adaptados, financiados pelo Estado, que estão
alocados à atividade privada do setor social e não são rentabilizados,
quando há necessidade dessa resposta no SRS.
No quadro atual, de gestão da pandemia, segundo a OE, ficou claro o quanto uma
estrutura de coordenação pode fazer a diferença, nomeadamente na garantia de
equipas de saúde que possam assegurar a substituição dos profissionais que têm de ficar
em isolamento profilático ou foram vítimas do Covid19. Por exemplo, se tal acontecer
numa ilha pequena, com um número reduzido de Enfermeiros, é difícil garantir a sua
substituição atempada.
Certificação de qualidade das unidades de saúde
A melhoria do sistema regional de saúde passa pela adoção de critérios nacionais e
internacionais, que confiram certificação aos serviços prestados e permitam análises
comparativas e de benchmarking.
Neste sentido, desde 2016, os centros de saúde na região têm vindo a proceder à sua
certificação, tendo-se iniciado pela Unidade de Saúde do Faial, conforme podemos ler
em nota do GACS datada de 12 de Fevereiro 2016:
A Unidade de Saúde de Ilha (USI) do Faial recebeu hoje o Certificado de
Acreditação de Qualidade em Cuidados de Saúde Primários, sendo, desta
forma, a primeira nos Açores a concluir o processo de Certificação de Qualidade.
A promoção e acompanhamento do processo de acreditação enquadra-se nas
competências da Divisão de Planeamento e Qualidade (DRR nº1/2020/A, de 23 janeiro),
conforme refere o artigo 15º, onde são definidas essas competências:
alínea g) - Promover e acompanhar os processos de certificação e acreditação
das unidades de saúde do Serviço Regional de Saúde;
293
Segundo uma nota do GACS, datada de 23 novembro 2019124, à altura existiam sete
centros de saúde na RAA certificados, nomeadamente: Nordeste e Vila Franca do Campo
(São Miguel), Calheta e Velas (São Jorge), Horta (Faial) e Praia da Vitória e Angra do
Heroísmo (Terceira).
Na ocasião (nov.19) a Secretária Regional da Saúde informou que o processo de
certificação em curso nas unidades de saúde da RAA corresponde a:
uma avaliação da qualidade realizada por uma entidade externa, a Direção-Geral
da Saúde, de acordo com o modelo da Agência de Qualidade Sanitária da
Andaluzia.125
A titular da pasta da Saúde afirmou que a acreditação “reforça a confiança que
todos devem ter nos serviços públicos e que é acrescida na área da saúde”, uma
vez que coloca os cidadãos e os seus direitos no centro do sistema, consolidando
uma cultura de qualidade e segurança na prestação de cuidados.
Para obterem a certificação, as unidades de saúde e os hospitais têm de
demostrar que a governação, coordenação e ação local estão centradas no
doente, com respeito pelas dimensões da efetividade, eficiência, acesso,
segurança, equidade, adequação, oportunidade, continuidade e respeito pelo
cidadão.
No que concerne aos hospitais da RAA, o HDES obteve a sua Certificação em 2007, com
base no modelo inglês, conhecido por King’s Fund (CHKS). Em 2018, o Hospital da
Terceira (HSEIT) candidatou-se à acreditação, em associação com a empresa Joint
Comission International (JCI).
124
http://www.azores.gov.pt/Portal/pt/entidades/pgragacs/noticias/Acredita%C3%A7%C3%A3o+dos+se
rvi%C3%A7os+%C3%A9+prioridade+na+pol%C3%ADtica+para+a+sa%C3%BAde.htm
125 De acordo com o Programa Nacional de Acreditação em Saúde, “a primeira iniciativa tomada no âmbito do
Ministério da saúde para implementar um programa de acreditação no SNS data de 1999 e foi da responsabilidade
do Instituto da Qualidade em Saúde (IQS). Na altura foi escolhido e implementado o modelo inglês então conhecido
por King’s Fund, hoje CHKS. Mais tarde a Unidade de Missão dos Hospitais S.A. entendeu adotar outro modelo, o
americano da Joint Comission International (JCI). Com a extinção do IQS, foi criado na DGS, o Departamento da
Qualidade na Saúde (DQS) pela Portaria nº155/2009 de 10 de fevereiro, e em junho do mesmo ano, é publicado o
Despacho que aprova a Estratégia Nacional para a Qualidade na Saúde (Despacho nº 14223/2009, de 24 de junho).
Considerando que a criação de um modelo exclusivamente português iria levar demasiado tempo, e existindo um
modelo de certificação de unidades de saúde, criado pela Agencia de Calidad Sanitaria de Andalucía, que respondia
aos grandes desafios de qualidade que a Direção Geral da Saúde (DGS) tinha que resolver, o mesmo foi objeto de
análise e adotado pelo Ministério da Saúde português para o Programa Nacional de Acreditação em Saúde, passando
a designar-se por modelo ACSA, hoje ACSA internacional. A adoção deste modelo assenta num conjunto de protocolos
de cooperação e de cedência da autorização de utilização de direitos do modelo ACSA (assinados em 2010), os quais
conferem à DGS direitos exclusivos sobre as licenças de utilização do modelo no território nacional. As dimensões da
qualidade avaliadas de acordo com o modelo ACSA são: O cidadão, centro do sistema de saúde; Organização da
atividade centrada na pessoa; Os profissionais; Processos de suporte; Resultados.
Resumo retirado de https://www.dgs.pt/ms/8/departamento-da-qualidade-na-saude/ficheiros-anexos/acreditacao-
_-brochura-_-modelo-de-acreditacao-do-ministerio-da-saude-pdf.aspx, consultado a 16 setembro 2020.
294
A 2 de novembro de 2018, decorreu no Centro Cultural e de Congressos de Angra do
Heroísmo a sessão pública de apresentação do projeto de Acreditação do Hospital de
Santo Espírito da Ilha Terceira (HSEIT) pela Joint Commission International
(https://www.hseit.pt/node/425). No entanto, em Março 2019, o Governo afirmava que
o processo ainda não estava concluído, em resposta a um requerimento apresentado
na Assembleia Legislativa da RAA, pelo Grupo Parlamentar do CDS
(http://base.alra.pt:82/Doc_Req/XIrequeresp563.pdf) que contestava a escolha da Joint
Comission International como entidade certificadora.
Sobre o Hospital da Horta ainda não constam diligências no sentido da sua acreditação,
no entanto, é intensão do governo proceder a esse processo, conforme declarações do
titular da pasta da Saúde, a 2 novembro 2018, quando referiu que o Hospital da Horta
será o próximo a apresentar o seu projeto de acreditação126.
Outros sistemas têm vindo a ser implementados no sentido de uniformizar
procedimentos, nomeadamente em termos da codificação de situações clínicas.
O recurso à Triagem de Manchester é um desses exemplos. Trata-se de um sistema de
atendimento inicial do utente que se dirige a um serviço de urgência e que, segundo
informação da tutela da Secretaria da Saúde (Dezembro 2019127) “encontra-se
implementada nos três hospitais dos Açores, na Unidade Básica de Urgência da Terceira
e no Centro de Saúde do Nordeste – Unidade de Saúde da Ilha de São Miguel, garante,
no contexto de um primeiro atendimento pelo enfermeiro, a avaliação do risco clínico. A
Triagem de Manchester, sistema criado há 22 anos128, tem como objetivo definir níveis
de prioridade e identificar critérios de gravidade de uma forma objetiva e sistematizada,
126
http://www.azores.gov.pt/Portal/pt/novidades/Acredita%C3%A7%C3%A3o+do+Hospital+da+Ilha+Ter
ceira+%C3%A9+determinante+para+posicionamento+e+proje%C3%A7%C3%A3o+desta+unidade.htm
127
http://www.azores.gov.pt/Portal/pt/novidades/Teresa+Machado+Luciano+afirma+que+Triagem+de+
Manchester+refor%C3%A7a+equidade+e+seguran%C3%A7a
128
De acordo com a página do Grupo Português de Triagem
http://www.grupoportuguestriagem.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=3&Itemid=10
9, “O Protocolo de Triagem de Manchester foi implementado em novembro de 1994, em Manchester,
com o objetivo expresso de estabelecer um consenso entre médicos e enfermeiros do Serviço de
Urgência, com vista à criação de normas de triagem baseadas na determinação do risco clínico”.
295
indicando a prioridade clínica com que o utente deve ser atendido e o tempo
alvo recomendado até à primeira observação médica.”
Como ficou demonstrado pela análise dos dados publicados nos Relatórios dos
Hospitais, o recurso inadequado às urgências, por parte dos utentes, continua a
constituir um indicador de iliteracia em saúde. Por razões diversas, incluindo a
representação do que é saúde ou do que se espera do sistema de saúde, muitas vezes
delegando nos profissionais de saúde, uma responsabilidade que é individual, o Serviço
de Urgência regista uma percentagem significativa de consultas não urgentes, que
deveriam ter sido resolvidas ao nível dos Cuidados de Saúde Primários.
Outros sistemas de referenciação têm vindo a ser adotados, no âmbito da prática clínica,
como refere o Relatório da Primavera de 2018, ao referir o SIMH, Sistema de Informação
para a Morbilidade Hospitalar129, tinha sido implementado em todos os hospitais do país
incluindo as regiões autónomas.
129
O sistema SIMH destina-se à recolha de dados administrativos, codificação clínica de episódios em
ICD10CM/PCS, por médicos codificadores e agrupamento de episódios em Grupos de Diagnósticos
Homogéneos, tendo como principal vantagem permitir uma caracterização sistematizada, normalizada e
transversal para todo o SNS, com impacto potencial de melhorias na produção/morbilidade hospitalar, na
investigação, no financiamento, na contratualização e na faturação do hospital. Esta ferramenta permite
a realização de análises comparativas e de benchmarking em unidades hospitalares do mesmo grupo. O
sistema garante que a codificação do episódio é feita na aplicação, tornando o serviço prestado mais
eficaz e eficiente. (Relatório da Primavera, 2018) – consultado em http://opss.pt/wp-
content/uploads/2018/06/relatorio-primavera-2018.pdf
296
A melhoria do SRS passa pela adoção de procedimentos validados, criteriosos,
certificados. A articulação entre serviços implica um reforço da literacia em
saúde dos utentes, nomeadamente ao nível do acesso aos serviços de
urgência, ao uso do medicamento, ao recurso a exames complementares.
A eficácia e a equidade no SRS dependem da cooperação, participação do
cidadão e corresponsabilização de todos, cidadãos e profissionais do SRS, na
gestão dos recursos disponíveis. A alteração dos determinantes sociais é
fundamental, para promover um acesso aos cuidados especializados mais
adequado às reais necessidades dos utentes
O levantamento, conhecimento e utilização de todos os recursos disponíveis,
poderá garantir a cobertura abrangente de todos os residentes, nos diferentes
concelhos da RAA.
A criação de uma Unidade de Gestão do Acesso ao SRS poderia contribuir para
agilizar as respostas, de forma mais integrada, atempada e sustentável.
Considerando o excesso de recurso às urgências, para além da possibilidade
de triagem por telefone, a existência de atendimento permanente nos CSP
poderia evitar que o cidadão se dirigisse ao Hospital, sem antes contactar o
Centro de Saúde da sua zona de residência.
Para evitar que o cidadão recorra à urgência como porta de entrada do SRS,
os serviços de saúde na comunidade (CS) tem de estar devidamente
equipados.
297
11. Síntese conclusiva
Ao longo do presente relatório, foi possível identificar:
• O quadro histórico e político que levou à criação e implementação do SRS;
• A evolução dos recursos humanos, nas diferentes áreas de intervenção, que
consubstanciaram as políticas de Saúde, antes e depois da implementação do
Regime autonómico na Região Açores, numa análise regional e por ilha;
• A reorganização dos equipamentos de saúde, que prestam cuidados de saúde
primários, cuidados hospitalares ou diferenciados e cuidados continuados;
• A produção de consultas e de exames complementares de diagnóstico ou
terapêutica, quer ao nível dos cuidados de saúde primários, quer nos hospitais;
• A resposta em cuidados continuados e paliativos.
Para além desta caracterização dos recursos existentes, foi possível perceber como
funciona a relação entre os diferentes níveis de prestação de cuidados, com especial
referência para:
• a necessidade de deslocação dos residentes em ilhas sem hospital;
• as evacuações médicas;
• os exames complementares de diagnóstico por local de prestação.
Relacionado com a realidade do SRS, em termos dos recursos e da oferta de serviços,
ficou evidenciado, quer pela análise dos resultados do 1º Inquérito Nacional de Saúde
com Exame Físico, quer pela Relatório de Avaliação da implementação do Plano
Regional de Saúde, que:
• o acesso à saúde da população açoriana não depende apenas dos recursos
humanos e materiais disponibilizados;
• a saúde é um “output” multidimensional, que deve ser analisado a partir do
comportamento individual e coletivo e demais condicionantes ou determinantes
sociais, que explicam as escolhas dos cidadãos;
• o nível de saúde de uma comunidade depende mais dos comportamentos
preventivos do que dos comportamentos reativos, mesmo que, por esta via se
298
tenha conseguido reduzir a mortalidade, causada por diferentes patologias,
incluindo as oncológicas.
• a prevenção da doença significa ainda a promoção da saúde, individual, com
implicações nos hábitos de vida diária, nomeadamente, alimentares, prática da
atividade física, bem como a saúde comunitária, incluindo nesse domínio os
rastreios e as campanhas pedagógicas, que tem demonstrado serem relevantes
para a redução das principais causas de morte que contribuem, no caso da RAA,
para uma menor esperança média de vida.
• A participação do cidadão, na gestão da sua saúde, é fundamental. E, nesse
sentido, os dados revelam uma maior atividade cooperativa por parte das
mulheres, quer ao nível da adoção de comportamentos preventivos, quer em
termos de recurso a consultas e, inclusive, no número de reclamações, por
exemplo, junto da Provedoria do Utente.
• Para além do género, foi também evidenciada a importância da idade, na
compreensão dos principais problemas de saúde que afetam as comunidades
insulares. Ilhas mais envelhecidas carecem de uma atenção redobrada, ao nível
das doenças crónicas, particularmente as que “matam” mais como são as do foro
circulatório e respiratório.
Em resposta a esta variável, sem dúvida que o acesso dos serviços de saúde será tanto
mais eficaz, não apenas pela presença da resposta especializada, descentralizada nos
meios mais pequenos e junto das populações com doenças crónicas, envelhecidas e/ou
mais distantes do SRS, mas também dependendo da qualidade da comunicação e do
diálogo estabelecidos entre os profissionais de saúde e os doentes (Cabral e Silva, 2010),
uma variável que se aplica não apenas no caso das pessoas mais velhas, mas em relação
a qualquer outro cidadão que recorre ao SRS.
• Sem ignorar a importância dos dados económicos, particularmente o
investimento do Estado na saúde, na melhoria dos equipamentos e no
recrutamento de médicos e enfermeiros, há que ter em conta, não apenas o
número de camas disponíveis ou de consultas proporcionadas, mas o acesso dos
cidadãos a uma resposta de qualidade. A esse nível, verificamos diferentes
indicadores que devem ser tidos em conta:
299
o A % de utilização das camas hospitalares – revelador da eficácia dos
tratamentos, da real urgência no internamento;
o A % de utilização das camas hospitalares, considerada como
“internamentos sociais”130;
o A % de utentes que, nos serviços de urgência, são triados com a cor verde
ou azul, reveladoras de necessidades ao nível de consultas, que podem
ser proporcionadas no âmbito dos Centros de Saúde;
o O gasto com exames complementares de diagnóstico ou terapêutica;
o O acesso diferenciado de utentes residentes em ilhas onde não há
respostas ao nível de consultas de especialidade ou de serviços
complementares, por razões de centralização nos hospitais;
o O recurso a respostas privadas existentes nas ilhas mais pequenas, pagos
pelos utentes, para a prestação de serviços (ex. medicina dentária,
oftalmologia, etc.) que, se convencionados com o SRS, evitariam a
deslocação dos utentes ou o recurso ao pagamento privado;
o Os centros de saúde deveriam poder agir de forma mais abrangente,
incluindo proporcionando o acesso a exames complementares de
diagnóstico, contribuindo, sempre que necessário, para a segurança do
parecer das equipas de saúde que, longe de um hospital, asseguram a
resposta aos cidadãos residentes em ilhas mais pequenas
A este propósito, Le Grand (cit. In. Giraldes, 1997:164), ao referir-se ao conceito de
equidade em saúde, aponta dois cenários, um em que as disparidades em saúde
resultam do facto de os indivíduos, igualmente informados, fazem uma escolha
consciente, perante um mesmo conjunto de alternativas em saúde. Neste caso
podemos falar de equidade, apesar da diversidade de situações que possam resultar das
escolhas efetuadas. Outra situação é aquela em que, as disparidades são resultantes de
diferentes condicionantes, ou seja, os indivíduos não partem de um mesmo patamar de
informação e capacidade de escolha, o que que exige a introdução de medidas de
discriminação positiva, por forma a dar resposta a pessoas com necessidades idênticas,
mas que, por razões várias, não têm o mesmo acesso às respostas do SRS.
130
Este tópico não pode ser abordado, por falta de informação estatística.
300
• A contabilização do investimento em Saúde, ao nível dos CSP não pode ser feita
com os mesmos critérios do sistema hospitalar. Implica uma análise criteriosa
das características de cada comunidade e das suas necessidades específicas;
• O investimento em Saúde, como foi referido no início deste relatório, deve
pautar-se por princípios, valores, como a Equidade e a Eficiência, técnica ou
económica.
o Em relação à Equidade, a gestão do sistema de saúde tem de respeitar
os princípios da Governance, nomeadamente, a transparência a
accountability e o envolvimento ativo dos grupos de interesse
(empowerment) (Nunes 2005:242). Trata-se de “ter em consideração a
aplicação de critérios de justiça processual. Isto é, as escolhas e as
decisões nos diversos patamares do sistema de saúde devem ser
transparentes, públicas e periodicamente submetidas a um processo de
auditoria externa com regras bem definidas. Esta perspetiva da justiça
redistributiva, repousando no conceito de accountability, permite
justificar o alcance e as limitações das diversas decisões no âmbito da
saúde. Então, todos os cidadãos têm o direito de conhecer os princípios
subjacentes ao processo de tomada de decisão e, mais ainda, de serem
parceiros ativos nesse mesmo processo.”
o Os cidadãos devem participar ativamente, mas para que se promova essa
autonomia, é fundamental que se promova o direito à informação, de
forma a que possam decidir de forma esclarecida. Como refere Nunes
(2005) a accountability relaciona-se com transparência e
responsabilidade, num sistema de saúde que coloca o cidadão no centro,
enquanto pessoa de pleno direito.
• Quanto à eficiência há que partir da seguinte premissa: “As necessidades de
saúde de uma população serão sempre maiores do que os recursos disponíveis
para atender essas necessidades. Recursos limitados precisam de ser usados
com prudência e sabedoria, para garantir os melhores resultados possíveis e
evitar o desperdício” (Kerasidou, A., 2019).
o No entanto, como refere a autora, um sistema que se preocupe mais em
processar pacientes do que em cuidar deles, retira a humanidade da
301
relação terapêutica e transforma médicos e pacientes em “robôs” ou
num “computador”.
• Para se avaliar da eficiência de um serviço de saúde, não basta aplicar modelos
matemáticos, que calculam o número de consultas, tratamentos ou outros
procedimentos, como critério de eficiência, mas esquecem o impacto que essas
ações têm na saúde dos pacientes/utentes. A eficiência estatística pode por em
causa a prática em saúde, ao privilegiar a perspetiva biológica da doença,
esquecendo todas as outras dimensões que decorrem da experiência vivida da
doença, percetíveis numa relação empática e compassiva dos profissionais de
saúde.
• Agir com empatia e compaixão, significa ter em consideração a pessoa que
acorre ao sistema de saúde, na sua idade, género, condição de vida, perceção do
que é saúde e doença, recursos socioeconómicos e experiências vividas
anteriormente. Uma pessoa doente não é um órgão afetado; umas análises fora
dos parâmetros “esperados”, nem o número de um processo.
Como refere Kerasidou (2019:180)” A eficiência é importante para os sistemas de saúde
com financiamento público, mas não deve ser usada como uma forma de excluir outros
valores essenciais da prestação de cuidados de saúde de forma acrítica”.
Ao longo deste relatório, a variável “local de residência” constituiu um parâmetro de
referência na compreensão da equidade e eficiência do SRS. Concluímos que, ainda
agora constitui uma das fragilidades de um sistema de saúde numa região arquipelágica,
porque exige, por um lado, reforçar os serviços de proximidade, a prevenção e
promoção da saúde e, por outro, garantir respostas especializadas e atendimento em
situação de urgência. Assim como a Triagem de Manchester permite identificar
situações não urgentes, nos hospitais da Região, enquanto as situações urgentes são
rapidamente atendidas, nas ilhas sem urgência hospitalar, a resposta urgente tem de
ser proporcionada através da evacuação do doente, um serviço que implica
coordenação, meios e condições, nomeadamente ao nível do número de equipas
aerotransportadas, das aeronaves e pistas de aterragem.
A defesa e promoção da Saúde numa região insular exige, não apenas um corpo clínico
e condições estruturais, mas um sentido de serviço altruísta, não compatível com visões
302
economicistas, porque uma vida no Corvo ou em São Miguel tem igual valor, quando
está em risco.
Encontramos nas palavras de Sakellarides (2012:22), a síntese perfeita do que julgamos
ser necessário, para que o SRS seja mais equitativo e mais eficaz na resposta que fornece
às necessidades dos cidadãos residentes nas nove ilhas dos Açores.
É preciso investir na democratização da saúde, nas suas três dimensões:
• Na realização dos objetivos do sistema de saúde que beneficiem todos;
• No envolvimento dos cidadãos nos processos deliberativos que realizam
aqueles objetivos;
• E na capacitação das pessoas para tomarem decisões informadas e
inteligentes relativas à sua saúde, à forma como interagem com os
serviços de saúde e ao contributo que dão para o desenvolvimento do
sistema de saúde de que fazem parte.”
A concluir, julgamos ter correspondido ao desafio lançado pela Procuradoria da Justiça
ao pretender conhecer a realidade do Acesso ao Serviço Regional de Saúde na Região
Autónoma dos Açores.
Temos consciência que, se nos tivessem sido facultados os dados inicialmente
solicitados, de forma atempada, e se, com base nessa informação, bem como o
contacto (entrevista solicitada) com os responsáveis pela Política de saúde, atualmente
em curso na RAA, ou seja, a Direção Regional de Saúde/Secretaria Regional de Saúde,
teríamos podido clarificar zonas de “sombra” que os números nos revelaram,
particularmente no que concerne à cobertura de toda a população em respostas
especializadas, a execução do Plano Regional de Saúde, no combate às principais causas
de morte e particularmente a relação do SRS com o SNS, tópico que só muito
superficialmente foi abordado.
Um trabalho desta natureza, com a abrangência dos objetivos inicialmente traçados,
requereria maior profundidade nas análises, no entanto, no prazo previsto,
praticamente um trimestre, desde a aprovação do contrato de prestação de serviços,
até à entrega do Relatório Final (30 setembro 2020), julgamos ter conseguido produzir
303
um documento que retrata o Serviço Regional de Saúde dos Açores, identificando
algumas das suas virtudes e fragilidades, no acesso dos cidadãos a este Serviço.
Acresce-se o facto de, no decurso da realização deste estudo, ter despoletado a crise
pandémica (Covid19), que para além dos constrangimentos criados à realização do
estudo (contacto direto com informadores), do ponto de vista do Acesso ao SRS merecia,
só por si, um outro estudo, que tivesse em conta a resposta dos serviços de saúde, não
apenas no âmbito da pandemia, mas de muitas outras áreas de atuação, que tem
gerado, por exemplo: adiamentos de consultas, cirurgias e outros exames; afetado a
qualidade do atendimento telefónico (não dirigido ao controlo do Sars cov 2 – Covid19).
Esta “nova” situação, com início em meados de março 2020, já mereceu a apresentação
de reclamações junto do Provedor do Utente.
Uma nota final, para lamentar a discrepância dos dados publicados nas várias fontes do
Serviço Regional de Estatística (Estatísticas da Saúde; Anuários Estatísticos; Açores em
Números; Séries Estatísticas), nem sempre coincidentes com os números publicados no
INE, para a RAA ou mesmo no PORDATA.
O cruzamento destas fontes de informação exigiria muito mais tempo de análise pois,
eventualmente, estão em causa, bases de dados diferentes, com referência a
informação estatística não coincidente.
Um outro reparo, com que nos confrontamos, foi a alteração de critérios e categorias
nas publicações regionais, impedindo uma comparação longitudinal mais segura e
homogénea. Por outro lado, o facto das consultas de especialidade, realizadas nos
centros de saúde, terem deixado de ser contabilizadas por estes, dificultou a
continuidade de análise deste indicador a partir de 2013, já que os hospitais não
descriminam os dados das consultas de especialidade por ilha.
Registamos o facto de os dados das Estatísticas de saúde estarem em suporte PDF,
dificultando a sua utilização e tratamento, situação que foi ultrapassada graças à
resposta pronta do SREA quando foram solicitados os dados em folha de cálculo (excel).
Este formato, no nosso entender, deveria estar disponível online, como aliás acontece
na plataforma do INE.
304
Muito mais poderia ser aprofundado, a partir da informação contida neste relatório,
mas esperamos que, a versão final agora entregue, possa contribuir para um maior e
melhor conhecimento do SRS e, por ventura, indiretamente, para a melhoria da resposta
aos cidadãos, na defesa do Direito inalienável à Saúde, de todos os residentes nos
Açores.
Agradecimentos
Agradecemos publicamente ao Diretor Regional do Serviço Regional de Estatística, Dr.
Augusto Elavai, a forma pronta e rápida com que providenciou o acesso às Estatísticas
de Saúde, em suporte excel, disponíveis na base de dados do SREA (Serviço Regional de
Estatística), que em muito contribuíram para uma análise da informação mais rápida e
eficaz.
Agradecemos, reconhecidamente, à Dra. Isabel Cácio (Ordem dos Médicos), ao Dr.
Carlos Arruda (Provedor do Utente da Saúde), ao Dr. Rui Bettencourt (Responsável pela
Unidade de Deslocações e Evacuações dos Açores/UDEA) e ao Enfermeiro Pedro Soares
(Presidente do Conselho Diretivo da Secção Regional da Ordem dos Enfermeiros) a
disponibilidade para a realização de entrevistas, cujo conteúdo foi de extrema
importância, para o esclarecimento de dúvidas e/ou validação de conclusões,
decorrentes da leitura dos dados.
Ponta Delgada
29 setembro de 2020
Piedade Lalanda
(Prof. Coordenadora da UAc
CICS-Nova-UAc/CICS-UAc)
305
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1º Inquérito Nacional de Saúde com Exame físico (INSEF, 2017). Instituto Nacional de
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Bases de dados e outras fontes
PORDATA – Base de dados – Portugal Contemporâneo – FFMS – https://pordata.pt
INE – Instituto Nacional de Estatística- https://www.ine.pt
SREA - Serviço Regional de Estatística/INE- https://srea.pt
JO – Jornal Oficial da RAA – https://jo.azores.gov.pt
DR – Diários da República – https://dre.pt
Portal do Governo Regional dos Açores – https://azores.gov.pt
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Anexos
Anexo 1 – mensagens enviadas ao Gabinete da Direção Regional de Saúde
Aida MD. Palma <aida.md.palma@azores.gov.pt>
qui, 06/08/2020 11:53
• Maria da Piedade Lima Lalanda Gonçalves Mano
Exma. Sr.ª Dr.ª Piedade Lalanda
Queira desde já aceitar as nossas mais sinceras desculpas pela demora na resposta, contudo até ao
momento não foi possível agendar a reunião pretendida.
Relativamente ao dados solicitado, informo que estão a ser apurados pelo que será contactada num
período que se espera breve.
Com os melhores cumprimentos,
Aida Vaz
Secretária Pessoal do Diretor Regional da Saúde
Maria da Piedade Lima Lalanda Gonçalves Mano
qui, 06/08/2020 09:22
• aida.md.palma@azores.gov.pt
Exma. Direção Regional da Saúde
Na sequência do pedido de informação que se reencaminha, e por não ter obtido qualquer resposta até
ao momento, agradeço que me informem se a informação solicitada se encontra disponível ou não e, no
caso de ter de fazer o pedido a outra entidade, a que serviços ou pessoas me devo dirigir.
Solicitei informação ao SREA e, de acordo com a resposta obtida, estes dados não se encontram
disponíveis naquele serviço.
Com os melhores cumprimentos e agradecimentos antecipados.
Piedade Lalanda
Professora Coordenadora da Escola Superior de Saúde/Universidade dos Açores
Contacto: 967451297
Maria da Piedade Lima Lalanda Gonçalves Mano
qui, 16/07/2020 11:20
Para:
• aida.md.palma@azores.gov.pt
Bom dia
Cara D. Aida Palma
Antes de mais, desculpe estar a insistir, mas, como não tive resposta à mensagem anterior e,
considerando que vou estar amanhã em A.Heroísmo, gostaria de saber se há alguma possibilidade de
contactar a D.R. Saúde, conforme solicitei anteriormente.
Agradeço a sua resposta para me poder organizar.
Com os melhores cumprimentos
311
Piedade Lalanda
Maria da Piedade Lima Lalanda Gonçalves Mano
sex, 03/07/2020 17:15
Para:
• aida.md.palma@azores.gov.pt
Exma. Sra. Aida Palma
(secretária do Exmo. Diretor Regional da Saúde
Enfº Tiago Lopes
Na sequência do contacto telefónico, venho solicitar a V. Exa. que, junto do Sr. Diretor Regional, possa
avaliar da possibilidade de me ser dado acesso a um conjunto de informações, necessárias para a
realização do Estudo sobre o Acesso à Saúde na Região Autónoma dos Açores, que foi solicitado ao
Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da Universidade dos Açores pela Provedoria da Justiça
(Provedor Dr. João Batista), e do qual sou a Investigadora Responsável.
Tendo já consultado muitos dos dados publicados, nomeadamente nas Estatísticas de Saúde e outros,
disponíveis online, ficaram a descoberto as seguintes áreas:
• Evacuações sanitárias (2000-2019)/por ano/ilha/motivo;
• Deslocações de médicos inter-ilhas por especialidade (preferencialmente 2000 - 2019
ou nos anos em que for possível obter informação);
• Internamentos de doentes oriundos de outras ilhas, por Hospital da RAA
(preferencialmente 2000 - 2019 ou nos anos em que for possível obter informação);
• Internamentos em Cuidados continuados/concelho/ilha (2013-2019);
• Deslocações de profissionais de saúde do continente (médicos) por área de
especialização e Hospital (preferencialmente 2000 - 2019 ou nos anos em que for
possível obter informação);
• Mobilizações de doentes entre Açores e Continente por área de especialidade e ilha
de origem do doente (preferencialmente 2000 - 2019 ou nos anos em que for possível
obter informação);
• Internamentos sociais (idosos ou pessoas dependentes que não encontram vaga em
cuidados continuados ou lares) (preferencialmente 2000 - 2019 ou nos anos em que
for possível obter informação);
• Dados sobre o consumo de medicamentos/ilha (preferencialmente 2000 - 2019
ou nos anos em que for possível obter informação);
• Dados sobre Saúde mental, nomeadamente, taxa de suicídio; doentes internados em
unidades de saúde mental (preferencialmente 2000 - 2019 ou nos anos em que for
possível obter informação);
• Informação sobre consultas por telemedicina (por ilha e especialidade) -
(preferencialmente 2000 - 2019 ou nos anos em que for possível obter informação).
Agradeço qualquer outra informação que possam facultar sobre o funcionamento do sistema de saúde
regional que, não estando publicada, considerem de relevância.
Considerando que vou estar na ilha Terceira no dia 17 e 18 julho (p.f.), gostaria de saber se há alguma
possibilidade de contactar com algum técnico, que esteja familiarizado com esta informação estatística,
na tarde do dia 17 (sexta-feira), uma vez que espero estar disponível por volta das 14h30.
Quanto à informação solicitada, podemos equacionar várias formas de aceder, inclusive, em suporte
papel (fotocópias ou digitalização).
Fico ao vosso dispor e agradeço antecipadamente a atenção dispensada.
Com os melhores cumprimentos
Piedade Lalanda
Professora Coordenadora /Escola Superior de Saúde/Universidade dos Açores
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Anexo 2 – ajuste direto 4/2020 – Procuradoria da Justiça – Fundação Gaspar Fructuoso
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