Diário da República, 1.ª série
Resolução do Conselho de Ministros n.º 99/2022
- Data
- 2022-10-25
- Tipo
- Resolução do Conselho de Ministros
- Emitente
- PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Texto integral (2484 palavras)
Resolução do Conselho de Ministros n.º 99/2022
Sumário: Designa os membros do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento
Sustentável.
O Decreto-Lei n.º 221/97, de 20 de agosto, na sua redação atual, criou o Conselho Nacio-
nal do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável (CNADS), enquanto órgão independente de
consulta dos membros do Governo responsáveis pela área do ambiente, de entidades públicas
e de organizações de defesa do ambiente, sobre todas as questões relativas ao ambiente e ao
desenvolvimento sustentável.
Nos termos do referido decreto-lei, o presidente do CNADS e cinco a oito dos seus membros
são nomeados pelo Conselho de Ministros, sendo um desses membros designado por proposta
do membro do Governo responsável pela área do ambiente.
Os membros do CNADS são designados por um período de três anos, renovável, considerando-
-se o mandato dos membros do Conselho prorrogado, por prazo não superior a seis meses, até
que seja comunicada, por escrito, a designação dos novos membros.
O mandato dos membros do CNADS designados pelas Resoluções do Conselho de Ministros
n.os 114/2018, de 31 de agosto, e 63/2019, de 1 de abril, cessou, por decurso do prazo, nos termos
do referido Decreto-Lei n.º 221/97, de 20 de agosto, na sua redação atual, decidindo o Governo
proceder à sua renovação.
Assim:
Nos termos da alínea b) do artigo 3.º e do n.º 1 do artigo 5.º do Decreto-Lei n.º 221/97, de
20 de agosto, na sua redação atual, e das alíneas e) e g) do artigo 199.º da Constituição, o Con-
selho de Ministros resolve:
1 — Renovar, por um período de três anos, o mandato dos seguintes membros do Conselho
Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável (CNADS), cujas notas curriculares cons-
tam do anexo I à presente resolução e da qual fazem parte integrante:
a) Maria Teresa Lencastre de Melo Breyner Andresen;
b) José Joaquim Dinis Reis;
c) Jaime Fernando Melo Baptista;
d) Paulo Miguel Ferreira de Magalhães;
e) Maria do Rosário Pinto Alves.
2 — Renovar, por um período de três anos e por indicação do membro do Governo responsável
pela área do ambiente, Miguel Bastos Araújo como membro do CNADS, cuja nota curricular consta
do anexo II à presente resolução e da qual faz parte integrante.
3 — Designar, por um período de três anos, como membro do CNADS, Jéssica Filipa Ribeiro
Moreira, cuja nota curricular consta do anexo III à presente resolução e da qual faz parte inte-
grante.
4 — Determinar que o disposto na alínea c) do n.º 1 reporta os seus efeitos a 1 de março de
2022.
5 — Determinar que o disposto nas alíneas a), b), d) e e) do n.º 1 e no n.º 2 reporta os seus
efeitos a 30 de setembro de 2022.
6 — Determinar que a presente resolução produz efeitos no dia seguinte ao da sua aprovação,
sem prejuízo do disposto nos n.os 4 e 5.
Presidência do Conselho de Ministros, 13 de outubro de 2022. — O Primeiro-Ministro, António
Luís Santos da Costa.
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ANEXO I
(a que se refere o n.º 1)
Nota curricular de Maria Teresa Lencastre de Melo Breyner Andresen
Maria Teresa Lencastre de Melo Breyner Andresen é arquiteta paisagista e engenheira agró-
noma. Lecionou no ensino superior durante 30 anos. Desde 2014, exerce atividade de consultoria
como profissional liberal estando envolvida na criação da Paisagem Protegida do Parque das Ser-
ras do Porto e coordenação do respetivo Plano de Gestão e na coordenação da candidatura do
Santuário do Bom Jesus do Monte em Braga à Lista Património Mundial da UNESCO (2019).
Presidente do Instituto da Conservação da Natureza (1996-1998). Membro do Conselho
Científico da Agência Europeia de Ambiente (2002-2008). Presidente da European Foundation for
Landscape Architecture (2004-2007). Perita de Portugal na Comissão Permanente do Património
Mundial da UNESCO, 2014-2017. Membro do Conselho Nacional do Ambiente e Desenvolvimento
Sustentável desde 2013. Presidente da Direção da AJH — Associação Portuguesa dos Jardins
Históricos desde 2017.
Nota curricular de José Joaquim Dinis Reis
José Joaquim Dinis Reis é professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade
de Coimbra (FEUC), da qual foi diretor entre 2009 e 2015, e investigador do Centro de Estudos
Sociais. É coordenador do Programa de Doutoramento em Governação, Conhecimento e Inovação,
encarregando-se do Seminário de Governação, Instituições e Políticas Públicas. É presidente da
Associação Portuguesa de Economia Política.
Foi Secretário de Estado do Ensino Superior (1999-2001), presidente da Comissão de Coor-
denação da Região Centro (1996-1999) e presidente do Conselho Científico da FEUC (1992-1994
e 2002-2004). Fundou Notas Económicas — Revista da Faculdade de Economia da Universidade
de Coimbra (de que foi diretor) e foi membro do conselho de redação da Revista Crítica de Ciên-
cias Sociais. Foi membro da Assembleia Municipal de Coimbra, eleito pelo movimento Cidadãos
por Coimbra.
Os seus temas de investigação em economia compreendem três áreas principais: Economia
dos Territórios, Institucionalismo, Estado e Governação e Economia Portuguesa e Europeia e tem
trabalhos publicados em revistas e editoras nacionais e estrangeiras. Os seus livros mais recentes
são A Economia Portuguesa: Formas de economia política numa periferia persistente (1960-2017),
Ensaios de Economia Impura (2007, reeditado em 2009) e, em coautoria, A Economia Política do
Retrocesso: Crise, causas e objetivos (2014).
Nota curricular de Jaime Fernando Melo Baptista
Jaime Fernando Melo Baptista é um profissional experiente no setor das águas com 45 anos
de atividade dedicado aos serviços de abastecimento de água e águas residuais, principalmente em
políticas públicas, governação, regulação, projeto, modelação matemática, reabilitação, qualidade
de serviço e avaliação de desempenho. É ou foi investigador, gestor, consultor e docente.
Licenciou-se em 1975 em Engenharia Civil pela Universidade do Porto (Faculdade de Enge-
nharia), em Portugal. Especializou-se em 1976 em Engenharia Sanitária pela Universidade Nova
de Lisboa, em Portugal. É investigador principal do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, I. P.
(LNEC, I. P.). Liderou a Divisão de Hidráulica Sanitária e o Departamento de Hidráulica. Obteve o
seu doutoramento em 1992.
Atualmente é presidente do Conselho de Administração da LIS-Water — Lisbon International
Centre for Water e investigador-coordenador do LNEC, I. P. Foi presidente da ERSAR — Entidade
Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (2003-2015), comissário de Portugal ao 8.º Fórum
Mundial da Água 2018 em Brasília, membro do conselho de administração e do conselho estratégico
da IWA, responsável pelo Departamento de Hidráulica (1990-2000) e pelo Núcleo de Hidráulica
Sanitária (1980-1989) do LNEC, I. P., e fez consultoria internacional. É IWA Distinguished Fellow.
É autor de mais de 500 publicações, incluindo o livro «The Regulation of Water and Waste
Services: An Integrated Approach (model RITA-ERSAR)», editado pela IWA (2014).
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Nota curricular de Paulo Miguel Ferreira de Magalhães
Paulo Miguel Ferreira de Magalhães é licenciado em Direito na Universidade Católica do
Porto (1994) e doutorado em Ecologia-Humana na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da
Universidade Nova de Lisboa (2017) onde foi investigador do CESNOVA (2013). Hoje é investi-
gador integrado do CIJE — Centro de Investigação Jurídico-Económica, da Faculdade de Direito
da Universidade do Porto, onde fez um pós-doutoramento com trabalho sobre o estatuto jurídico
do Clima. Possui um Curso de Pós-graduação em Direito do Ordenamento, do Urbanismo e do
Ambiente, pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (2001) e concluiu o período
letivo do Curso de Doctorado «El Médio Ambiente Natural y Humano en las Ciências Sociales» da
Universidade de Salamanca (2002). Foi professor da Unidade Curricular de Direito e Legislação
Ambiental e Educação Ambiental na Escola Superior Agrária de Castelo Branco, na licenciatura de
Engenharia de Ordenamento dos Recursos Naturais (1999-2006).
Em 2007, publicou «O Condomínio da Terra: das Alterações Climáticas a uma Nova Con-
cepção Jurídica do Planeta». Em 2016, é coeditor do SOS Treaty — The Safe Operating Space
Treaty: A New Approach to Managing Our Use of the Earth System, Cambridge Scholars Publishing,
Newcastle upon Tyne. Em 2021, publica um artigo no primeiro livro exclusivamente dedicado a
Earth System Law. Earth system law: standing on the precipice of the Anthropocene, editado pela
Routledge.
Foi um dos fundadores e dirigente da Quercus — Associação Nacional de Conservação da
Natureza (1984), e da Zero — Associação Sistema Terrestre Sustentável (2015), da qual é mem-
bro do Conselho Geral. Ao serviço da Quercus, concebeu e coordenou os projetos «Greencork»
(100 milhões de rolhas recolhidas), «Criar Bosques», «Floresta Comum» (1 milhão e 200 mil
árvores plantadas) e «Condomínio da Terra». Presentemente coordena, na Zero, o projeto Pegada
Ecológica dos Municípios Portugueses. É presidente da Associação Casa Comum da Humanidade,
uma associação internacional que tem sede na Universidade do Porto e que propõe uma nova
construção jurídica global baseada nos novos conhecimentos sobre o funcionamento do Sistema
Terrestre. É membro do Ethics Specialist Group of the IUCN World Commission on Environmental
Law, do Global Commons Cluster for the United Nations e co-fundador da ELGA — Environmental
Law and Governance Association. É o ambassador and advisor of the World Green Citizen e mem-
bro do Global Ecological Integrity Group (GEIG), e conselheiro do Council for Human Future. Em
2018, é um dos 10 finalistas, entre 13 000 concorrentes de todo o mundo, do New Shape Prize, da
Global Challenge Foundation. Foi o prémio Inspiração da Visão Verde 2022 e Medalha de Mérito
Grau Ouro, Cidade do Porto.
Nota curricular de Maria do Rosário Pinto Alves
Maria do Rosário Pinto Alves é engenheira florestal, licenciada pela UTAD — Universidade de
Trás-os-Montes e Alto Douro, tem um MBA Executivo em Marketing pela Católica Porto Business
School (antigo IEP — Instituto Empresarial Portuense), um curso de formação avançada em Gestão
Recuperação de Áreas Ardidas pelo ISA — Instituto Superior de Agronomia, um curso de auditores de
Defesa Nacional, pelo Instituto de Defesa Nacional. É diretora executiva da FORESTIS — Associação
Florestal de Portugal, desde 2008, tendo exercido várias funções na mesma instituição desde 1996,
assessora da Direção do IDARN — Instituto de Desenvolvimento Agrário da Região Norte, desde
2008, vogal da Direção da Associação para Gestão Florestal Responsável (FSC Portugal), desde
2011, vogal do Conselho Fiscal da Associação para a Certificação Florestal do Baixo Vouga, desde
2015, membro da Comissão de Acompanhamento do PDR2020, em representação da FORESTIS,
desde 2015, vogal do Conselho Municipal do Ambiente da Câmara Municipal do Porto, desde 2016.
Foi membro do Conselho Consultivo do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, I. P., em
representação da FORESTIS, entre 2017 e 2019. Foi perita no Comité Consultivo Florestas e Cortiça
da Comissão Europeia (DG Agri) em representação da Confederation of European Forest Owners
(entre 2010 e 2014) e membro da Comissão de Acompanhamento dos Programas Regionais de
Ordenamento Florestal de entre Douro e Minho, Trás-os-Montes e Alto Douro, em representação
da FORESTIS (entre 2016 e 2018). Desde 1996, tem participado e coordenado projetos nacionais
e internacionais, nas áreas da cooperação, desenvolvimento e investigação financiados pelos pro-
gramas INTERREG, COST ACTION, H2020, POCTEP, PORTUGAL 2020, FFP, relacionados com
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a gestão sustentável das florestas, nos tópicos da certificação da gestão florestal sustentável, do
uso da biomassa florestal para fins energéticos, da prevenção de risco de incêndio, das alterações
climáticas, da propriedade e proprietários florestais, da inovação, da bioeconomia e de políticas
florestais. É membro do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável desde
2019.
ANEXO II
(a que se refere o n.º 2)
Nota curricular de Miguel Bastos Araújo
Miguel Bastos Araújo (PhD 2000; University College London) é investigador coordenador do
Museu Nacional de Ciências Naturais de Madrid, integrante Conselho Superior de Investigação
Científica (CSIC) de Espanha, investigador coordenador convidado da Universidade de Évora, onde
detém a cátedra de Biodiversidade «Rui Nabeiro» e professor catedrático convidado da Universidade
de Copenhaga. Anteriormente, ocupou a Cátedra de Biogeografia Integrativa do Imperial College
de Londres, tendo sido ainda investigador e/ou docente nas universidades de Oxford e Copenhaga,
no Centro Nacional de Investigação Científica de França (CNRS) e no Museu de História Natural
de Londres (NHM).
É internacionalmente reconhecido pelas suas contribuições no âmbito da biogeografia, macro-
ecologia e modelação ecológica, tendo-se destacado pela investigação nas áreas da biodiversidade
e das alterações climáticas globais. O objetivo da sua investigação é reforçar as bases científicas
da política de ambiente na área da biodiversidade. Neste domínio, tem procurado desenvolver
mecanismos de gestão e de redução da incerteza e contribuído significativamente para o apro-
fundamento do conhecimento dos impactes atuais e futuros das alterações ambientais globais na
distribuição das espécies e dos serviços ambientais proporcionados pelos ecossistemas. Os pos-
tulados teóricos que tem proposto e as metodologias quantitativas que tem desenvolvido são hoje
amplamente reconhecidos e utilizados por cientistas e analistas de todo o mundo.
É um dos cientistas com mais citações a nível mundial, de acordo com a Thomson Reuters,
tendo sido identificado nos anos de 2014, 2015, 2016, 2017 e 2018 como «highly cited». Conta
com mais de 200 títulos científicos publicados.
Foi galardoado com vários prémios internacionais, tendo vencido, em Portugal, o Prémio
Pessoa de 2018. É o primeiro cientista ambiental a recebê-lo. Entre reconhecimentos internacionais
destacam-se os prémios «Ernst Haekel» (2018) atribuído pela Federação Europeia de Ecologia, «Rey
Jaime I» (2016) atribuído pelo Rei de Espanha, «Ebbe Nielsen» atribuído pela Global Biodiversity
Information Facility e «MacArthur & Wilson» atribuído pela International Biogeography Society.
Serve como editor chefe da prestigiada revista científica Ecography, tendo sido editor de outras
revistas internacionais das quais se destacam o Journal of Biogeography, Conservation Letters e
Geography Compass. Foi membro integrante da comissão científica do programa de ambiente da
Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), do programa BioDiscovery da organização inter-
nacional DIVERSITAS, autor do IV Relatório do «Intergovernmental Panel for Climate Change»
(IPCC) que obteve, conjuntamente com o ex-Presidente dos EUA Al Gore, o Prémio Nobel da Paz
(2007) e consultor do Conselho da Europa e dos governos de Espanha e Portugal em matéria de
alterações climáticas e biodiversidade.
ANEXO III
(a que se refere o n.º 3)
Nota curricular de Jéssica Filipa Ribeiro Moreira
Jéssica Moreira é presidente da Associação Juvenil Geoclube, cujo principal objetivo é pro-
mover a participação ativa dos jovens na defesa de questões ambientais, democracia, inclusão
social e empreendedorismo jovem.
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Nascida em 1999, natural de Gondomar (Porto), licenciada em Contabilidade e Administração
no Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto (ISCAP) foi analista na Empresa
Natixis, dirigente associativa do Geoclube e voluntária na Santa Casa da Misericórdia, na Youth
Rights — Council of Europe (France) e na Youth Exchange — reciclagem, sobre plástico, vegeta-
rianismo (Madrid).
115795571
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