Diário da República, 1.ª série
Resolução do Conselho de Ministros n.º 58/2026
- Data
- 2026-03-24
- Tipo
- Resolução do Conselho de Ministros
- Emitente
- PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Sumário
Aprova o Plano de Ação para a Economia Circular 2025-2030
Texto integral (21 005 palavras)
Resolução do Conselho de Ministros n.º 58/2026
Sumário: Aprova o Plano de Ação para a Economia Circular 2025-2030.
A Resolução do Conselho de Ministros n.º 190-A/2017, de 11 de dezembro, aprovou o Plano de
Ação para a Economia Circular (PAEC) em Portugal, para o período que decorreu entre 2017 e 2020.
Alinhado com as políticas europeias na matéria, o PAEC inspirou-se no Plano de Ação para a Eco-
nomia Circular «Fechar o Ciclo — Plano de Ação da UE para a Economia Circular» (PAEC UE 1), adotado
em 2015 pela Comissão Europeia, que propôs um conjunto de medidas para promover a transição da
economia europeia de um modelo linear para um modelo circular.
O PAEC UE 1 abrangeu todo o ciclo de vida dos produtos e fixou como objetivos a prevenção da
produção de resíduos e o prolongamento ao máximo da vida útil dos produtos (designadamente, através
do combate à obsolescência precoce e da melhoria da durabilidade e reparabilidade dos produtos);
a prevenção do desperdício, impulsionando o mercado dos recursos secundários de elevada qualidade;
e a concretização da circularidade como uma mais-valia para os cidadãos, cidades e regiões. Adicio-
nalmente, o PAEC UE 1 identificou, com base no seu elevado potencial de circularidade, sete cadeias de
valor prioritárias: eletrónica e tecnologias de informação e comunicação; baterias e veículos; embala-
gens; plásticos; têxteis; construção e edifícios; e alimentos, água e nutrientes.
Em 2019, a Comissão Europeia apresentou o Pacto Ecológico Europeu, que contempla um conjunto
de iniciativas estratégicas que visam a transição ecológica da economia europeia, em que a utilização
dos recursos seja eficiente, com o objetivo último de alcançar a neutralidade climática em 2050. Nesse
âmbito, a Comissão Europeia adotou, em março de 2020, um novo Plano de Ação para a Economia
Circular «Para uma Europa mais limpa e competitiva» (PAEC UE 2).
O Programa do XXV Governo Constitucional estabelece, como medida no domínio da área dos
resíduos e da promoção da circularidade da economia, a aprovação do Plano de Ação para a Economia
Circular (PAEC 2030).
Em cumprimento do seu Programa, o Governo pretende, no domínio da economia circular, promover
a redução da produção de resíduos e aumentar o tempo de vida dos produtos, assim como incentivar
a reintrodução de resíduos nas cadeias de valor, quer sob a forma de matérias-primas secundárias,
quer sob a forma de energia.
O tecido empresarial português tem demonstrado interesse na adoção de medidas e estratégias de
economia circular, percecionando a transição para a economia circular como um referencial relevante
de criação de valor e reforço da sua competitividade, bem como uma oportunidade para o desenvol-
vimento de novos modelos de negócio que ultrapassem a lógica de «reduzir, reutilizar e reciclar». Os
sistemas de certificação ambiental, o rótulo ecológico da União Europeia ou a norma ISO 14001 e demais
instrumentos de gestão ambiental, como o Sistema Comunitário de Ecogestão e Auditoria (EMAS), são
ferramentas atualmente disponíveis que podem contribuir, de forma decisiva, para orientar as empresas
no processo de transição para uma economia circular.
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No entanto, os indicadores estatísticos disponíveis evidenciam que o País apresenta um desem-
penho circular muito distante da média da União Europeia, com características de um metabolismo
lento e de baixa produtividade dos recursos. Os resultados plasmados no «Balanço das Atividades do
PAEC e dos Resultados Alcançados entre 2018 e 2020» evidenciam que são ainda muitos os desafios
a ultrapassar para acelerar o processo de transição para o que se pretende que venha a ser um novo
modelo económico, social e ambiental mais regenerativo, eficiente, produtivo e inclusivo.
Assim, terminado o horizonte temporal do PAEC anterior, e com base nos resultados alcançados
e na experiência adquirida com a sua implementação, torna-se imperativo estabelecer um novo Plano
de Ação, com o objetivo de dar uma resposta mais efetiva às necessidades de empresas, associações
e cidadãos em geral.
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A elaboração do PAEC para o horizonte 2025-2030 teve em consideração, para além da evolução
ocorrida nos contextos internacional e europeu e do conjunto de novos instrumentos de política pública
entretanto adotados, os resultados do «Balanço das Atividades do PAEC e dos Resultados Alcançados
entre 2018 e 2020», diversos estudos científicos e técnicos, designadamente a «Avaliação geral da
realidade do tecido empresarial em Portugal em matéria de Economia Circular», realizado pela Confe-
deração Empresarial de Portugal (CIP), e «Quais as forças motrizes e barreiras para a implementação
da Economia Circular em Portugal?». Este último teve por base um processo participativo com recurso
ao método Delphi e três sessões de grupos focais, que envolveram interações com representantes de
associações empresariais, da academia e de organizações não-governamentais (ONG) ambientais e de
defesa dos consumidores (num total de mais de 50 partes interessadas).
Tomando como referência os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável adotados pelas Nações
Unidas na Agenda 2030, e partindo dos princípios gerais da economia circular, foram identificados os
princípios de base que constituem os pilares do presente Plano e que estão presentes na visão do Plano
de Ação para a Economia Circular 2030 (PAEC 2030).
O PAEC 2030 assenta em cinco objetivos estratégicos. Primeiro, evitar a sobre-exploração de
recursos, preservando o capital natural; segundo, prevenir a produção de resíduos e acautelar a sua
correta gestão; terceiro, prevenir a poluição e regenerar ecossistemas; quarto, criar oportunidades
e benefícios socioeconómicos; e quinto, promover a educação, sensibilização e comunicação com
impacte na economia, sobre recursos, ambiente e sociedade.
Estes cinco objetivos estratégicos concretizam-se em três grandes tipologias de ação: macro,
meso e micro. As ações macro desdobram-se nas seguintes dimensões, a saber, (i) instrumentos de
política para a circularidade, (ii) financiamento para uma transição para a economia circular, (iii) edu-
cação, formação e sensibilização para uma economia circular, (iv) tecnologia, investigação e inova-
ção ao serviço da circularidade, (v) circularidade nas organizações, (vi) parceria para uma Economia
Circular e (vii) ciclo de vida; as ações meso correspondem a propostas para as cadeias de valor de
um conjunto de setores identificados como prioritários, designadamente, agroalimentar, construção,
distribuição e retalho, equipamentos elétricos e eletrónicos, plásticos, turismo, têxtil e vestuário; por
fim, as ações micro são divididas entre cidades circulares e hubs empresariais circulares, num total de
sete iniciativas locais ou regionais.
Com o objetivo de garantir a sua efetiva operacionalização e monitorização, o PAEC 2030 prevê
um modelo de articulação e governança composto por duas estruturas funcionais, a saber, um Comité
Coordenador, de natureza estratégica e uma Comissão Técnica de Acompanhamento e Análise para
o Financiamento, de natureza operacional. São ainda identificadas as entidades coordenadoras e as
entidades parceiras a envolver na execução das ações a implementar.
Considerando que o acesso ao financiamento é fundamental para o cumprimento dos objetivos
propostos, o PAEC 2030 determina que a Comissão Técnica de Acompanhamento e Análise para
o Financiamento deve identificar, manter atualizada e divulgar a informação relevante sobre os meca-
nismos de apoios financeiros disponíveis no âmbito da economia circular. A Comissão Técnica de
Acompanhamento e Análise para o Financiamento deve trabalhar conjuntamente com as entidades
coordenadoras e parceiras para identificar as verbas necessárias para a implementação das ações
pelas quais aquelas sejam responsáveis.
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Adicionalmente, e com o intuito de assegurar a adequada monitorização do PAEC 2030, são esta-
belecidos indicadores gerais, alinhados com os constantes no quadro de acompanhamento revisto para
a economia circular da União Europeia, com o propósito de proporcionar uma visão global da execução
do plano, medindo os benefícios diretos e indiretos do aumento da circularidade, bem como indicadores
específicos que permitam avaliar todas as ações previstas.
É ainda estabelecida uma avaliação intercalar, em 2028, à execução do PAEC 2030, com vista
a monitorizar o cumprimento do planeamento estratégico e a introduzir eventuais correções e ajustes
que se revelem necessários.
O PAEC 2030 foi objeto de consulta pública e de auscultação dos setores relevantes durante o último
trimestre de 2023. Atendendo aos desenvolvimentos ocorridos na União Europeia e em Portugal em
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matéria de economia circular, foi realizada uma consulta interministerial às áreas governativas visa-
das pelo PAEC 2030 no período compreendido entre setembro e outubro de 2024, da qual resultaram
contributos relevantes que foram introduzidos na nova versão.
Assim:
Nos termos da alínea g) do artigo 199.º da Constituição, o Conselho de Ministros resolve:
1 — Aprovar o Plano de Ação para a Economia Circular 2030 (PAEC 2030), constante do anexo
à presente resolução e da qual faz parte integrante.
2 — Determinar que o Modelo de Governança do PAEC 2030 assenta em duas estruturas funcionais:
a) Um Comité Coordenador, constituído pela Agência Portuguesa do Ambiente, I. P. (APA, I. P.), pela
Direção-Geral da Economia (DGE) e pelo Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP);
b) Uma Comissão Técnica de Acompanhamento e Análise para o Financiamento (CTAAF), cocoor-
denada pela APA, I. P., DGE e GPP, que integra um representante de cada uma das seguintes entidades:
i) Agência para a Competitividade e Inovação, I. P.;
ii) ADENE — Agência para a Energia;
iii) Agência para a Investigação e Inovação, E. P. E.;
iv) Agência para o Clima, I. P.;
v) APA, I. P.;
vi) Autoridade Tributária e Aduaneira;
vii) Agência para o Desenvolvimento e Coesão, I. P.;
viii) Banco Português de Fomento, S. A.;
ix) Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, I. P.;
x) Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, I. P.;
xi) Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, I. P.;
xii) Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo, I. P.;
xiii) Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, I. P.;
xiv) Direção-Geral da Alimentação e Veterinária;
xv) DGE;
xvi) Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural;
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xvii) Direção-Geral de Energia e Geologia;
xviii) Direção-Geral do Território;
xix) Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública, I. P.;
xx) Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos;
xxi) Entidades Gestoras do SIGREEE;
xxii) Fundação para a Ciência e Tecnologia, I. P.;
xxiii) Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais;
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xxiv) GPP;
xxv) Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação, I. P.;
xxvi) Instituto para o Ensino Superior, I. P.;
xxvii) Instituto do Turismo de Portugal, I. P.;
xxviii) Instituto dos Mercados Públicos, do Imobiliário e da Construção, I. P.;
xxix) Instituto Nacional de Administração, I. P.;
xxx) Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I. P.;
xxxi) Laboratório Nacional de Energia e Geologia, I. P.;
xxxii) Laboratório Nacional de Engenharia Civil, I. P.;
xxxiii) Secretaria-Geral do Governo;
xxxiv) Autoridades de gestão de cada um dos Programas Operacionais do Portugal 2030;
xxxv) Estrutura de Missão Recuperar Portugal.
3 — Determinar que compete ao Comité Coordenador:
a) Assegurar o acompanhamento da execução das ações previstas no PAEC 2030;
b) Promover a integração dos princípios de economia circular nas políticas setoriais;
c) Elaborar relatórios de progresso anuais, a apresentar aos membros do Governo responsáveis
pelas áreas do Ambiente, da Agricultura e Mar e da Economia e Coesão Territorial, durante o mês de
março do ano seguinte ao período a que dizem respeito, os quais devem incluir uma avaliação da imple-
mentação do PAEC 2030 face à situação de referência, e a identificação das oportunidades de financia-
mento e recomendações que contribuam para a sua boa execução no ano em causa e nos seguintes;
d) Elaborar o relatório da avaliação intercalar a apresentar em 2028, com proposta de revisão ao
PAEC 2030, se necessária;
e) Consultar, regularmente, personalidades e entidades representativas nas áreas a desenvolver
pelo plano de ação, nomeadamente, representantes do ensino superior e da investigação científica,
laboratórios colaborativos, organizações não-governamentais do ambiente, confederações e associa-
ções empresariais e associações profissionais;
f) Apreciar as recomendações da CTAAF;
g) Elaborar o relatório final, a apresentar 90 dias após a conclusão do PAEC 2030;
h) Assegurar a divulgação dos relatórios de progresso e demais informação relevante nos portais
das entidades cocoordenadoras do PAEC 2030 e no Portal ECO.NOMIA.
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4 — Determinar que compete à CTAAF:
a) Assegurar a monitorização e o controlo da implementação das ações previstas no PAEC 2030;
b) Apresentar o progresso da implementação das ações ao Comité Coordenador semestralmente,
ou sempre que solicitado, tendo como prazos indicativos de entrega, o dia 31 de julho de cada ano para
o Relatório de Progresso do 1.º semestre desse ano, e até 31 de janeiro do ano seguinte para o Relatório
de Progresso do 2.º semestre do ano em causa;
c) Participar nas reuniões convocadas pelo Comité Coordenador;
d) Propor ao Comité Coordenador a realização de reuniões extraordinárias, sempre que considere
a sua realização relevante para o acompanhamento do PAEC 2030;
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e) Identificar, manter atualizada e divulgar a informação relevante sobre os instrumentos de apoio
financeiro disponíveis para a realização de investimentos no âmbito da economia circular, bem como, com
a colaboração da Autoridade Tributária e Aduaneira, sobre os incentivos fiscais aplicáveis a tais investimentos;
f) Identificar possíveis fontes de financiamento para as ações do PAEC 2030;
g) Monitorizar e controlar a implementação financeira do PAEC 2030;
h) Apresentar relatórios de progresso semestrais às entidades coordenadoras do Comité Coorde-
nador, contendo informação relevante relativa aos mecanismos de apoio financeiro e medidas fiscais
destinadas a investimentos no âmbito da economia circular.
5 — Estabelecer que o Comité Coordenador assegura a realização de reuniões ordinárias semestrais nas
quais participam os membros da CTAAF, sem prejuízo da realização de reuniões extraordinárias, se necessário.
6 — Determinar que o PAEC 2030 é objeto de avaliação intercalar, a realizar no primeiro semestre
de 2028, a qual, em função dos resultados alcançados e à luz do progresso científico e técnico, pode
conduzir à respetiva revisão ou adaptação.
7 — Estabelecer que as entidades que integram a CTAAF, referidas na alínea b) do n.º 2, indicam
os respetivos representantes à APA, I. P., à DGE e ao GPP, no prazo de 15 dias, após a entrada em vigor
da presente resolução.
8 — Determinar que a participação nas estruturas funcionais do Modelo de Governança, referidas
no n.º 2, não confere aos respetivos representantes o direito a qualquer prestação, independentemente
da respetiva natureza, designadamente a título de remuneração, compensação, subsídio, senhas de
presença ou ajudas de custo.
9 — Determinar que a assunção de compromissos para a execução das medidas previstas no
PAEC 2030 depende da existência de dotação disponível por parte das entidades públicas competentes.
10 — Revogar a Resolução do Conselho de Ministros n.º 190-A/2017, de 11 de dezembro.
11 — Estabelecer que a presente resolução entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação.
Presidência do Conselho de Ministros, 9 de janeiro de 2026. — O Primeiro-Ministro, Luís Montenegro.
ANEXO
(a que se refere o n.º 1)
Plano de Ação para a Economia Circular 2030 (PAEC 2030)
1 — Economia circular:
1.1 — Introdução:
Em 2030, o consumo de recursos materiais a nível mundial atingirá 120 mil milhões de toneladas
por ano (t/ano) e, até 2050, 186 mil milhões de t/ano. Mantendo os padrões atuais de desenvolvimento,
estima-se que, em 2050, o consumo de recursos anual per capita, à escala mundial, aumentaria mais
de 70 % [1], o que corresponderia ao equivalente a três planetas Terra [2].
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De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), a 15 de novembro de 2022 a população mun-
dial atingiu o marco histórico de 8 mil milhões de pessoas [3]. Embora este crescimento mundial dê sinais
de desaceleração, as últimas projeções da ONU indicam que a população mundial deve chegar a 9,7 mil
milhões de pessoas em 2050, e a 10,4 mil milhões na década de 2080, permanecendo nesse nível, pelo
menos, até 2100. Contudo, a estimativa é que até lá, 61 países diminuam em 1 %, ou mais, a sua população,
devido aos baixos níveis de natalidade e às altas taxas de emigração. Por essa razão, a população mundial
ficará mais envelhecida, aumentando o número de pessoas com mais de 65 anos, que passarão a consumir
bens e serviços por mais tempo [4]. A dinâmica demográfica e de desenvolvimento económico provocará
uma maior procura de recursos naturais, originando um aumento das emissões de gases com efeito de
estufa (GEE), de poluentes para o solo, água e ar, e de resíduos gerados aquando da extração, manufatura,
uso e fim de vida dos produtos e utilização de serviços [5]. A maior procura de recursos naturais terá
também impactes na biodiversidade (espécies, habitats e ecossistemas), bem como na saúde humana.
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Esta tendência demográfica e económica está a criar uma enorme pressão na disponibilidade
dos recursos naturais, gerando um contexto de extrema volatilidade [6], pelo que persistir num modelo
de desenvolvimento linear teria como resultado a escassez do capital natural e financeiro. De acordo
com estimativas do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD),
é urgente alterar os padrões de consumo e aumentar, até 2050, entre 4 e 10 vezes a eficiência na
utilização dos recursos [7]. Assim, é necessária uma transição do modelo de desenvolvimento eco-
nómico linear para um outro mais concordante com os padrões de desenvolvimento sustentável
e eficiente em termos de recursos, assumindo o «fecho de ciclo» dos produtos, enquanto conceito
basilar da economia circular [8].
O objetivo geral da economia circular assenta, assim, na redução da extração e do desperdício de
recursos, a fim de dissociar o crescimento económico do aumento do consumo de recursos naturais,
mantendo o desenvolvimento económico dentro dos limites do planeta.
1.2 — Definição e âmbito:
Na literatura especializada é possível encontrar diversas definições de economia circular, depen-
dendo da escola fundadora do modelo [9-11]. Sem prejuízo das especificidades, o modelo de economia
circular assenta, de forma universal, numa melhor gestão dos recursos, recusando, repensando e redu-
zindo padrões de consumo desnecessários, mantendo os materiais e recursos em circulação durante
um período mais longo, preservando o seu valor e evitando desperdícios [12].
Em 2015, a Ellen MacArthur Foundation (EMF) definiu «a economia circular como uma economia que
providencia múltiplos mecanismos de criação de valor dissociados do consumo de recursos finitos» [13].
Assim, para a economia moderna, o alcance dos seguintes objetivos é fundamental no sentido de:
1) Preservar e melhorar o capital natural, através do controlo dos recursos não renováveis finitos
e do equilíbrio de fluxos de recursos renováveis;
2) Otimizar o rendimento dos recursos, pela circulação de produtos, componentes e materiais,
utilizando-os sempre no seu máximo potencial;
3) Promover a eficácia dos sistemas, através da identificação e exclusão, em todas as fases do
ciclo de vida, das externalidades negativas, ou seja, da poluição.
A economia circular será, assim, uma «economia reconstitutiva e regenerativa de forma intencional
desde a conceção», com o fluxo de materiais a processar-se de forma circular, envolvendo atividades
como a recuperação, reutilização, reparação, remanufatura e reciclagem dos produtos, e procurando,
através da conceção destes, com processos mais eficientes e novos modelos de negócio, eliminar
a produção de resíduos e reduzir impactes ambientais (figura 1) [13].
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Figura 1 — Representação do Modelo de Economia Circular (adaptado de [13]).
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O âmbito e foco da economia circular ultrapassam as operações de gestão de resíduos, tendo uma
abrangência mais ampla, que inclui desde o design de processos, novos produtos e novos modelos
de negócio, até à otimização da utilização de recursos («circulando» o mais eficientemente possível,
produtos, componentes e materiais nos ciclos técnicos e/ou biológicos), passando também por alte-
rações dos padrões de consumo. A conceção ecológica deve promover o prolongamento do tempo
de vida útil dos produtos e permitir que as atividades de valorização, e nomeadamente de reciclagem,
sejam agilizadas e de elevada qualidade, através da fácil desmontagem dos componentes dos produtos
em fim de vida e da capacidade de os mesmos poderem ser reparados e reutilizados (por exemplo,
através da disponibilidade de peças sobressalentes ou consumíveis). Deste modo, os materiais são
mantidos durante mais tempo na cadeia logística dos produtos, o que reduz a necessidade de novos
inputs de matéria-prima virgem no processo produtivo, conciliando o aumento da produtividade com
a redução das externalidades negativas associadas ao processo produtivo, ao consumo dos produtos
e aos impactes do fim de vida dos mesmos.
1.3 — Enquadramento internacional:
A aplicação dos princípios subjacentes à economia circular é fundamental, designadamente, para
assegurar o cumprimento das metas ambientais e socioeconómicas preconizadas na Agenda 2030
para o Desenvolvimento Sustentável, adotada por todos os Estados-Membros das Nações Unidas em
2015, e que contempla 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), em particular os referentes
à educação de qualidade; água potável e saneamento; energias renováveis e acessíveis; trabalho digno
e crescimento económico; indústria, inovação e infraestruturas; cidades e comunidades sustentáveis;
produção e consumo sustentáveis; ação climática; proteção da vida marinha e proteção da vida ter-
restre (figura 2).
Figura 2 — Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para os quais a economia circular contribui diretamente.
Importa salientar que a economia circular tem especial relevância para o cumprimento do Objetivo 12
dos ODS «Garantir Padrões de Consumo e de Produção Sustentáveis», o qual realça a importância de
uma economia eficiente em termos de recursos mediante a introdução de metas ambientais para uma
produção industrial eficiente e sustentável. Neste contexto, merecem destaque as metas 12.2 e 12.5 deste
ODS, respetivamente «Gestão sustentável e uso eficiente dos recursos naturais até 2030» e «Redução
substancial da produção de resíduos até 2030, através da prevenção, redução, reciclagem e reutilização».
1.4 — Enquadramento a nível da União Europeia:
Também em 2015, a Comissão Europeia propôs um conjunto abrangente de ações legislativas
através da Comunicação (1) «Fechar o Ciclo — Plano de Ação da UE para a Economia Circular», que visava
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promover a transição da economia europeia de um modelo linear para um modelo circular. O Plano
incluía 54 ações a serem desenvolvidas em 5 áreas prioritárias, devido à especificidade dos produtos
em causa: plásticos, desperdício alimentar, construção e demolição, matérias-primas críticas, biomassa
e produtos de base biológica, procurando abranger toda a cadeia de valor dos produtos em causa, do
fabrico ao consumo, passando por atividades como a reparação, a remanufatura, a gestão de resíduos
(fomentando a sua prevenção) e a reintrodução das matérias-primas secundárias na economia.
Em 2019, a Comissão Europeia publicou o Pacto Ecológico Europeu (2), que constitui um roteiro
ambicioso para uma economia circular com impacte neutro no clima, e que preconiza um crescimento
económico dissociado da utilização dos recursos, com o objetivo de reduzir as emissões de GEE em
55 % até 2030 (em comparação com os níveis de 1990). O Pacto Ecológico Europeu assenta em vários
pilares, estando um deles associado à mobilização da indústria para uma economia circular e limpa.
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O referido Pacto previa a adoção de um 2.º Plano de Ação para a Economia Circular, que incluísse
uma iniciativa em matéria de produtos sustentáveis com um enfoque especial nos setores com utili-
zação intensiva de recursos, como os têxteis, a construção e os plásticos.
Neste sentido, a União Europeia (UE) adotou, a 11 de março de 2020 (3), um novo Plano de Ação
para a Economia Circular (PAEC UE), mais ambicioso e mais focado em todo o ciclo de vida dos pro-
dutos. Este Plano tem como objetivo prevenir a produção de resíduos e manter os recursos utilizados
o máximo tempo possível na economia (por exemplo, combatendo a obsolescência precoce, melhorando
a durabilidade e a reparabilidade dos produtos). Este 2.º Plano de Ação identifica igualmente cadeias
de valor prioritárias, como as da eletrónica e tecnologias de informação e comunicação (TIC), baterias
e veículos, embalagens, plásticos, têxteis, construção e edifícios, alimentos, água e nutrientes, devido
ao seu elevado potencial de circularidade. As medidas-chave no âmbito deste Plano visam tornar os
produtos sustentáveis como a norma na UE, prevenindo o desperdício, criando recursos secundários
de elevada qualidade e tornando a circularidade uma mais-valia para os cidadãos, cidades e regiões
(figura 3).
Figura 3 — Resumo do enquadramento da UE para a economia circular.
No contexto do 2.º Plano de Ação da UE para a Economia Circular e tendo em vista alcançar um
mercado de produtos sustentáveis, neutros em termos climáticos e eficientes ao nível dos recursos,
a Comissão Europeia publicou, em 30 de março de 2022, o «Pacote Economia Circular I» que incluía as
seguintes iniciativas legislativas, algumas já concretizadas em legislação:
— Iniciativa para Produtos Sustentáveis: Regulamento (UE) 2024/1781 do Parlamento Europeu
e do Conselho, de 13 de junho de 2024, que estabelece um regime para a definição de requisitos de
conceção ecológica dos produtos sustentáveis, altera a Diretiva (UE) 2020/1828 e o Regulamento (UE)
2023/1542 e revoga a Diretiva 2009/125/CE, que constitui o cerne da abordagem da Comissão para
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produtos mais circulares e sustentáveis do ponto de vista ambiental, e que tem como base a atual
Diretiva 2009/125/CE sobre Conceção Ecológica;
— Diretiva (UE) 2024/825 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 28 de fevereiro de 2024, que altera
as Diretivas 2005/29/CE e 2011/83/UE no que diz respeito à capacitação dos consumidores para a transição
ecológica através de uma melhor proteção contra práticas desleais e através de melhor informação: visa
assegurar que os consumidores obtenham informações adequadas sobre a durabilidade e a reparabilidade
dos produtos antes de os adquirirem. Além disso, pretende-se que seja reforçada a proteção dos consumi-
dores de alegações não fidedignas ou falsas alegações ambientais e práticas de obsolescência precoce;
— Estratégia da UE em prol da Sustentabilidade e Circularidade dos Têxteis (4): que estabelece os
requisitos de conceção para os produtos têxteis, tendo em vista prolongar a sua vida útil e a reparação,
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reutilização e reciclagem, como por exemplo sobre o teor mínimo de materiais reciclados, sendo para
o efeito, proposta a aplicação da Responsabilidade Alargada do Produtor para a gestão deste fluxo.
Essa informação será transmitida ao consumidor através da introdução de rótulos mais claros nos
têxteis e de um passaporte digital;
— Revisão do Regulamento dos Produtos de Construção (5), cujos principais objetivos consistem
em melhorar o funcionamento do mercado interno dos produtos de construção, satisfazer as necessi-
dades regulamentares dos Estados-Membros, introduzir requisitos para produtos de construção mais
ecológicos e seguros, facilitar a disponibilização de normas harmonizadas e melhorar a informação
digital sobre os produtos.
Para além destas propostas, ao longo dos anos de 2022, 2023 e 2024 foram, ainda, adotadas a nível
comunitário outras iniciativas que relevam para o tema da economia circular, tais como:
— Diretiva (UE) 2024/1760 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 13 de junho de 2024, relativa ao
dever de diligência das empresas em matéria de sustentabilidade e que altera a Diretiva (UE) 2019/1937
e o Regulamento (UE) 2023/2859, que fomenta a adoção de práticas empresariais de sustentabilidade
na governação empresarial e nos sistemas de gestão;
— «Pacote Economia Circular II», composto pela Proposta de Regulamento relativo a embalagens
e resíduos de embalagens (6) e pelo Quadro Estratégico da UE sobre os plásticos de origem biológica,
biodegradáveis e compostáveis (7);
— Regulamento (UE) 2024/1252 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 11 de abril de 2024, que
estabelece um regime para garantir um aprovisionamento seguro e sustentável de matérias-primas
críticas e que altera os Regulamentos (UE) 168/2013, (UE) 2018/858, (UE) 2018/1724 e (UE) 2019/1020;
— Diretiva (UE) 2024/1799 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 13 de junho de 2024, relativa
a regras comuns para promover a reparação de bens e que altera o Regulamento (UE) 2017/2394 e as
Diretivas (UE) 2019/771 e (UE) 2020/1828: promove o consumo sustentável e melhora o funcionamento
do mercado interno mediante o estabelecimento de regras comuns para promover a reparação de
bens adquiridos pelos consumidores, assegurando-lhes simultaneamente um elevado nível de defesa
e a proteção do ambiente;
— Proposta de Diretiva que altera a Diretiva-Quadro sobre resíduos, que prevê melhorar a gestão
dos resíduos em conformidade com a hierarquia dos resíduos, mediante a introdução de medidas des-
tinadas a promover a reutilização de produtos, reduzir a produção de resíduos (incluindo os resíduos
indiferenciados) e aumentar a preparação para a reutilização ou reciclagem de resíduos através de
uma melhor recolha seletiva na UE, incidindo em dois temas considerados de intervenção prioritária,
designadamente o desperdício alimentar e o fluxo dos têxteis.
Também referir neste enquadramento regulamentar a nível da UE, duas iniciativas legislativas que
entraram em vigor recentemente e que, pese embora não estivessem integrados no Pacto Ecológico
Europeu, estão totalmente alinhadas com a sua ambição e relevam tanto para os objetivos gerais do PAEC
2030, como particularmente para algumas ações específicas deste Plano, designadamente as seguintes:
— A Diretiva (UE) 2022/2464, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 14 de dezembro de 2022,
que altera o Regulamento (UE) n.º 537/2014, a Diretiva 2004/109/CE, a Diretiva 2006/43/CE e a Dire-
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tiva 2013/34/UE no que diz respeito ao relato de sustentabilidade das empresas, que exige que todas
as grandes empresas e todas as empresas cotadas (exceto as microempresas cotadas) divulguem
informações sobre o que consideram ser os riscos e as oportunidades decorrentes de questões sociais
e ambientais, bem como sobre o impacte das suas atividades nas pessoas e no ambiente; e
— O Regulamento (UE) 2020/852, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 18 de junho de 2020,
relativo ao estabelecimento de um regime para a promoção do investimento sustentável, e que altera
o Regulamento (UE) 2019/2088, o qual visa disponibilizar às empresas e investidores uma linguagem
comum (taxonomia) que permita identificar as atividades económicas que poderão ser consideradas
sustentáveis, através da implementação de seis objetivos ambientais.
Todas estas recomendações e iniciativas legislativas suportaram a formulação das ações pro-
postas no presente Plano.
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1.5 — Enquadramento nacional:
Aprovado no final de 2017, o Plano de Ação para a Economia Circular em Portugal (PAEC), precede
o presente Plano, tendo constituído uma iniciativa pioneira para o desenvolvimento da economia cir-
cular em Portugal. Os resultados associados à implementação das suas medidas e ações podem ser
consultados no «Balanço das Atividades do PAEC e dos Resultados Alcançados entre 2018 e 2020»,
sistematizando-se as principais conclusões:
Balanço das Atividades do PAEC e dos Resultados Alcançados entre 2018 e 2020
Conclusões (excerto)
«As iniciativas desenvolvidas no triénio 2018-2020 no âmbito do PAEC contaram com o con-
tributo de um conjunto alargado de entidades públicas de várias áreas governativas, tendo também
beneficiado de parcerias e do envolvimento de diversas partes interessadas.
Ao nível das Ações Macro estabelecidas no PAEC, no que diz respeito à concretização das 57
orientações que as integram, 77 % das mesmas foram abordadas pelas entidades/organismos que
integraram o GC-PAEC, sendo que a Ação 1 — ‘Desenhar, reparar, reutilizar: uma responsabilidade
alargada do produtor’ — foi aquela em que uma menor percentagem de orientações foi abordada
(50 % das orientações) e a Ação 7 — ‘Investigar e inovar para uma economia circular’ — a única em
que todas as orientações foram contempladas.
No que respeita às Ações Meso, desenvolveram-se iniciativas em diferentes setores da indústria,
representativos na estrutura produtiva nacional e, entre outros, com potencial de evolução em termos
de circularidade: Têxtil, Calçado, Curtumes, Construção, Turismo e Distribuição e Retalho. Dada a sua
natureza transversal, salienta-se a Agenda das Compras Públicas Ecológicas, no contexto da qual
foi divulgado um conjunto de Manuais de Critérios Ecológicos.
Ao nível das Ações Micro, a sua concretização abrangeu as cinco regiões (NUT II) do Conti-
nente, com a participação de atores regionais e locais, designadamente os municípios, tendo sido
dinamizadas em particular pelo desenvolvimento das Agendas Regionais para a Economia Circular,
coordenadas por cada uma das CCDR, mas contando também com atividades de entidades descon-
centradas, como é o caso das DRAP. Assumindo características em que releva a proximidade com as
populações, bem como a aderência ao perfil económico-social e ambiental das regiões, o impacte
destas iniciativas assume uma importância destacada quando está em causa a transição para um
modelo de produção e de consumo em que o fator sustentabilidade é central.
Pese embora as múltiplas iniciativas que tiveram lugar e a dinâmica efetivamente gerada de
forma transversal em muitas atividades, os indicadores estatísticos evidenciam que o País se encon-
tra, regra geral, com um desempenho aquém da média da UE, mantendo-se as características de um
metabolismo lento e de uma baixa produtividade dos recursos.
Os resultados do desempenho em termos de economia circular evidenciam que são ainda muitos
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os desafios a ultrapassar para acelerar o processo de transição para o que se pretende venha a ser
um novo modelo económico, social e ambiental.
Será, igualmente, necessário identificar responsáveis e competências, entidades a envolver, os
modelos de articulação e governação a serem montados, incluindo os respetivos meios e formas para
a sua operacionalização, colmatando-se assim a atual lacuna da RCM n.º 108/2019 não mencionar
explicitamente que cada membro do GC-PAEC detém um mandato de coordenação/avaliação para
a respetiva área governativa.»
Em Portugal têm sido igualmente desenvolvidos nos últimos anos diversas estratégias, planos
e programas em diferentes áreas (figura 4), que incluem medidas relacionadas com a economia circular
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e que, desta forma, têm potencial para contribuir para o desenvolvimento de uma estratégia nacional
neste âmbito.
Figura 4 — Sistematização das áreas de intervenção de estratégias, planos
e programas nacionais, relacionados com a economia circular.
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Assim, o presente Plano consubstanciou-se nos instrumentos de política pública apresentados
em seguida, como quadro de referência, procurando acautelar alinhamento, articulação e complemen-
taridade entre todos:
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2 — Economia circular em Portugal:
2.1 — Metabolismo socioeconómico português:
A implementação de estratégias de economia circular reflete-se em vários componentes do sistema
económico, incluindo nas atividades económicas dos diferentes setores e nos resíduos produzidos.
Os fluxos de bens, de serviços e financeiros através da economia definem o metabolismo socioeco-
nómico, conceito que se baseia no paralelismo entre o sistema socioeconómico e o metabolismo de
um organismo vivo.
O metabolismo socioeconómico pode ser observado pela análise dos fluxos monetários e de
massa, i. e., as vendas e aquisições em massa, entre os setores económicos. A figura 5 (8) ilustra os
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fluxos de massa entre os setores económicos portugueses na forma de diagrama de cordas, onde cada
setor é representado por uma cor e as cordas entre os setores são coloridas de acordo com o setor
de origem. Os anéis exteriores quantificam os pesos relativos das relações totais com os setores aos
quais os materiais são adquiridos e com os setores aos quais os materiais são vendidos, do exterior
para o interior, respetivamente. Os materiais que entram na economia podem ter uma de duas origens,
sendo elas importações ou extração doméstica (9), representadas em diferentes tons de verde.
A maioria da massa que entra na economia portuguesa ocorre através de extração doméstica
(74 %), em particular pelo setor da mineração (59 %). Os fluxos com origem no setor da mineração
vão maioritariamente para o próprio setor, mas alimentam também os setores de outros produtos não
metálicos e da construção. Relativamente aos outros produtos não metálicos, a maioria dos fluxos
destina-se também ao setor da construção, ao qual são aplicados e transformados, na sua maioria,
em capital fixo, i. e., edifícios e infraestruturas que não são vendidos ou terminados na sua totalidade
no próprio ano e que ficarão no próprio setor como capital fixo até serem vendidos ao seu destino final.
Os fluxos de massa evidenciam que a maioria das infraestruturas e edifícios construídos pelo setor
da construção satisfarão a procura do setor dos serviços, que constitui uma das principais cadeias de
valor do metabolismo socioeconómico português: os materiais entram pelo setor da mineração e são
processados pela economia para satisfazer a procura do setor dos serviços por infraestruturas.
Podem ser observadas outras cadeias secundárias, como a que envolve os materiais com origem
na extração doméstica, que entram na economia pelo setor da agricultura.
Do setor da agricultura, parte do fluxo vai diretamente para o consumo final, enquanto outra parte
segue para o da alimentação, e desta para inventários do próprio setor, consumo final ou exportações.
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Figura 5 — Fluxos de massa representados de acordo com os princípios seguidos pelas tabelas input-output
económicas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) [14].
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2.2 — O consumo de materiais em Portugal:
Uma economia é parcialmente caracterizada pelo tipo de materiais que a sustentam e pela sua
estrutura económica, i. e., pelo tipo de setores económicos que a compõem. Tanto o tipo de materiais
como a estrutura económica terão impacte na estratégia para a economia circular a desenvolver.
Em 2023, 61,7 % dos materiais que entraram na economia portuguesa foram minerais não metáli-
cos (95 % dos quais minerados no País), 22,4 % de biomassa (56 % desta, com proveniência nacional),
7,4 % combustíveis fósseis (totalmente importados) e 6,9 % de minerais metálicos (53 % dos quais
minerados no País). Da figura 6 observa-se que a economia portuguesa extrai domesticamente mais
matérias-primas associadas a qualquer material comparativamente ao que importa, à exceção dos
combustíveis fósseis que são importados na sua totalidade. A extração de minerais metálicos obtida
no território nacional tem, tendencialmente, vindo a diminuir. Este decréscimo está possivelmente
relacionado com o decréscimo da mineração de cobre e estanho.
Figura 6 — Importações e extração doméstica por material [15].
Segundo o EUROSTAT, em Portugal, a taxa de circularidade, que mede a parcela de material recu-
perado e reintroduzido na economia no uso geral de materiais, é de 2,8 %, enquanto a média da UE27
é de 11,8 % (valores para 2023).
O tecido empresarial português tem demonstrado interesse pela economia circular, percecionando-a como
um conceito relevante que pode criar valor para as empresas e tornar-se uma oportunidade para o desen-
volvimento e criação de novos modelos de negócio [16] que ultrapassem o clássico «reduzir, reutilizar
e reciclar». A utilização de sistemas de certificação, como a norma ISO 14001 ou os rótulos ecológicos,
e o desenvolvimento de estratégias que melhoram o desempenho ambiental das empresas contribuem, de
forma decisiva, para uma economia mais circular. Complementarmente, instrumentos fiscais ou regula-
mentares poderão ter impacte positivo no estímulo à economia circular. A observação da evolução, desde
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1995, do produto interno bruto (PIB) e da utilização direta de materiais (DMI — direct material input) (10),
evidencia que o metabolismo socioeconómico português passou por várias fases. A relação entre estes
dois indicadores não foi sempre a mesma, levando a que a produtividade dos recursos (11) fosse também
variando, tal como ilustrado pela figura 7.
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Figura 7 — Evolução da utilização direta de materiais e do PIB [15, 17].
Entre 1995 e 2001, a economia portuguesa encontrava-se numa trajetória de crescimento eco-
nómico rápido suportada por um elevado consumo de recursos naturais. No início do século xxi
registaram-se os primeiros sinais de mudança, tendo inclusive havido melhorias na produtividade
dos recursos (figura 8). Contudo, após 2003, a produtividade dos recursos voltou a diminuir, atingindo
um mínimo em 2008. Após aquele ano, a economia entrou em recessão e a produtividade dos recur-
sos aumentou. A economia voltou a crescer após 2013, e apesar do consumo de recursos naturais
aumentar novamente, a produtividade dos recursos estabilizou. Dados os desafios que se apresentam,
é fundamental entender a relação entre o desenvolvimento económico português e os recursos que
o suportam, para que se possam alcançar níveis de produtividade mais elevados, sem que se registem
decréscimos económicos.
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Figura 8 — Produtividade de recursos.
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A figura 9 ilustra a composição relativa dos materiais que entram em cada setor económico. Os
principais materiais que contribuem para a economia portuguesa são os minerais não metálicos, que
integram os fluxos da cadeia de valor associada à sua mineração e da construção e ao setor dos servi-
ços. O consumo de biomassa está essencialmente associado aos produtos da agricultura, alimentação,
madeira e papel. Os minerais metálicos são essenciais para setores como a produção de metais bási-
cos, máquinas e outros setores associados a equipamentos elétricos e eletrónicos. Os combustíveis
fósseis são essencialmente utilizados pelo setor dos produtos do petróleo e do fornecimento de água,
eletricidade, entre outros. O setor têxtil, a indústria química, a produção de plásticos e outra manufatura
são os setores que apresentam maior diversidade nos materiais utilizados.
Figura 9 — Tipo de materiais por setor económico, em 2017 [14].
A produtividade de recursos de cada setor económico, calculada como a razão entre o valor acres-
centado bruto e o consumo total de materiais apresentada na figura 10, indica o valor acrescentado criado
(em €) por unidade de massa consumida e demonstra que o setor dos serviços detém a mais elevada
produtividade registada (2,98 €/kg), seguido pelo setor dos têxteis (2,37 €/kg). À exceção do setor dos
serviços, os setores associados à cadeia de valor com as unidades de maior valor (mineração, produção
de outros produtos não metálicos e construção) têm todos produtividades significativamente baixas, entre
0,004 €/kg e 0,06 €/kg, para a mineração e construção, respetivamente. Os fluxos de massa associados
ao setor dos têxteis são relativamente baixos, como se pode observar na figura 5. Contudo, os valores
que suportam a figura mostram que os principais inputs do setor têm origem em importações (41 %),
organizações do próprio setor (21 %) e construção (14 %). Já os outputs do setor são sobretudo expor-
tados (28 %), vendidos a organizações do próprio setor (21 %) ou ao consumidor final nacional (18 %).
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Figura 10 — Produtividade dos recursos nos diferentes setores económicos, em 2017 [14].
Os setores económicos associados ao consumo de biomassa (agricultura, alimentação, madeira
e papel) têm produtividades de recursos entre 0,10 €/kg e 0,25 €/kg, para o setor da agricultura e madeira,
respetivamente, conforme patente na figura 10. Já relativamente aos setores económicos associados ao
consumo de minerais metálicos (produção de metais básicos, produtos metálicos, elétricos e eletróni-
cos, equipamentos elétricos, máquinas, veículos e outros transportes), as produtividades variam entre
0,17 €/kg para o setor dos metais básicos e 1,04 €/kg para o setor dos produtos elétricos e eletrónicos,
apresentando assim produtividades superiores às dos setores associados ao consumo de biomassa
ou de minerais não metálicos (com a exceção dos serviços). Para além do setor têxtil, outros setores
económicos com um consumo diversificado de materiais (por exemplo, indústria química, produção
de plásticos, outra manufatura) têm valores de produtividade dos recursos relativamente altos compa-
rativamente aos outros setores secundários, com valores entre 0,26 €/kg e 0,86 €/kg para a indústria
química e outra manufatura, respetivamente.
A contribuição relativa de cada setor para o PIB é apresentada na figura 11. O setor dos serviços
é o setor que mais contribui para o PIB português (76 %) e faz parte da cadeia de valor do setor da
construção, que é o segundo setor que mais contribui para o PIB (4 %). Por outro lado, estes setores
estão associados a uma cadeia de valor com um consumo significativo de minerais não metálicos, que
são processados por setores de baixa produtividade de recursos, antes de serem vendidos ao setor dos
serviços. Os outros setores que mais contribuem para o PIB são os setores da alimentação (3 %) e o dos
têxteis (2 %), além do setor do fornecimento de água e eletricidade e da recolha de resíduos, que contri-
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buem conjuntamente para 3 % do PIB. Em Portugal, as cadeias de valor associadas ao maior consumo
de materiais são as relativas aos setores da mineração, outros produtos não metálicos e construção.
Por um lado, os setores primários e secundários desta cadeia de valor têm dos valores mais baixos de
produtividade de recursos, por outro lado, suportam a atividade do setor dos serviços que tem a maior
produtividade de recursos e contribuição para o PIB. A segunda maior cadeia de valor, em termos
de consumo de materiais, está associada ao setor da agricultura e ao consumo de biomassa. Estes
setores têm baixa produtividade de recursos, ainda que superior à construção ou mineração, e baixas
contribuições para o PIB. Os têxteis têm uma produtividade relativamente alta e uma cadeia de valor
que depende mais de importações do que de extração doméstica. A extração doméstica de minerais
metálicos tem vindo a diminuir e os setores associados ao consumo de metais têm produtividades de
recursos variáveis.
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Figura 11 — Contribuição dos diferentes setores económicos para o PIB, em 2017 [18].
2.3 — Barreiras e forças motrizes da economia circular em Portugal:
Através da análise dos estudos científicos e técnicos conduzidos [19-26], designadamente do
«Balanço das Atividades do PAEC e dos Resultados Alcançados entre 2018 e 2020», do estudo «Avaliação
geral da realidade do tecido empresarial em Portugal em matéria de Economia Circular», realizado pela
Confederação Empresarial de Portugal (CIP) e do estudo «Quais as forças motrizes e barreiras para
a implementação da Economia Circular em Portugal?», realizado através de um processo participativo
com recurso ao método Delphi e de três sessões de grupos focais, que envolveram interações com
representantes de associações empresariais, academia e organizações não-governamentais (ONG)
ambientais e de defesa dos consumidores (num total de mais de 50 atores envolvidos), foi elaborada
a tabela 1, que sistematiza as principais barreiras e forças motrizes identificadas para o contexto por-
tuguês e que serviu de orientação para o presente Plano de Ação, e em particular para a definição das
dimensões de ação e áreas de impacte principais (figura 12).
Elencam-se na tabela seguinte as principais barreiras e forças motrizes da economia circular em Portugal.
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Tabela 1 — Barreiras e forças motrizes da economia circular em Portugal
Barreiras Forças motrizes
• Políticas públicas focadas essencialmente no crescimento eco- • Ajustar a legislação de forma a promover a circularidade;
nómico;
• Assegurar o cumprimento das metas ambientais estabe-
• Políticas públicas com lacunas ou não alinhadas com os princípios lecidas na legislação nacional e da UE;
da economia circular;
• Fomento da sensibilização e articulação das partes inte-
• Alguns instrumentos de política com potencial de causar impactes ressadas;
ambientais adversos;
• Acesso a capital mais direcionado, de modo a promover
• Políticas públicas de incentivos insuficientes, que permitam ala- a circularidade;
vancar as externalidades positivas da economia circular;
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Barreiras Forças motrizes
• Insuficiência/inexistência de capital para investimento, que permita • Aumento da consciencialização dos consumidores sobre
apoiar soluções circulares; os produtos mais sustentáveis;
• Insuficiência/inexistência de financiamento público destinado • Aumento da sensibilização para a economia circular, desig-
a apoiar simbioses industriais, clusters e iniciativas particulares; nadamente de empresas, ONG, comunidade académica,
entre outras;
• Insuficiência de investimento em ecodesign;
• Aparecimento de novas tecnologias capazes de potenciar
• Escassez de sistemas de apoio às empresas que facilitem a obten-
a transição circular;
ção de financiamento;
• Promoção do ecodesign;
• Desconhecimento do conceito e princípios da economia circular;
• Elevado potencial de circularidade dos produtos e serviços;
• Falta de competências em economia circular;
• Liderança das organizações alinhada com a implementação
• Escassa cultura empreendedora vocacionada para a economia
da economia circular;
circular, comprometendo a criação de sistemas, soluções e produtos
circulares; • Princípios de economia circular mais enraizados nas estra-
tégias das organizações;
• Falta de tecnologias para alavancar a economia circular;
• Tecido empresarial mais ciente dos benefícios económicos
• Consumidores pouco esclarecidos e resistentes à alteração de
da oferta de produtos/serviços circulares;
comportamentos alinhados com a economia circular;
• Novos modelos de negócio baseados na implementação
• Campanhas de educação e sensibilização pouco esclarecedoras;
de sistemas circulares;
• Escassez de plataformas digitais para apoiar a transição circular;
• Recursos humanos e financeiros alocados a iniciativas de
• Insuficiência/inexistência de infraestruturas de apoio à circula- economia circular;
ridade;
• Mais oportunidades de emprego decorrentes da criação de
• Produtos concebidos numa ótica não alinhada com o ecodesign, novos modelos de negócio/produtos/serviços;
não estando aptos para a circularidade;
• Potencial de geração de novas oportunidades de negócios
• Falta de modelos de negócios/produtos/processos, assentes num circulares decorrente da elevada percentagem de materiais
referencial de economia circular; que ainda não são reciclados;
• Fraca ou insuficiente avaliação holística de produtos e serviços, • Potencial do sistema científico e tecnológico para o desen-
numa perspetiva de ciclo de vida; volvimento de novas tecnologias de processos e equipa-
mentos e de novos produtos e integração de subprodutos.
• Pouca colaboração entre empresas para promover soluções basea-
das nos princípios de economia circular; • Escassez de matérias-primas com concomitante utilização
de matérias-primas secundárias;
• Incerteza ao nível da disponibilidade de materiais, dos preços
e da qualidade dos produtos, que dificultam a transição para uma • Utilização mais sustentável dos recursos;
economia circular;
• Desburocratização de processos administrativos, fomen-
• Escassa informação disponível relativa à economia circular e sus- tando eficácia e eficiência na articulação com a Adminis-
tentabilidade das empresas; tração Pública;
• Mercados de novos produtos circulares ainda pouco competitivos; • Crescente adaptação das empresas às preferências dos
consumidores em relação à circularidade e compromissos
• Preço dos materiais reciclados/produtos reparados superior ao dos voluntários alinhados com os princípios definidos a nível
materiais virgens/produtos novos que levam o consumidor a optar nacional e europeu em matéria de economia circular;
por produtos menos sustentáveis;
• Desenvolvimento de plataformas de comunicação em eco-
• Dificuldade em estabelecer preços para materiais aptos para a cir- nomia circular e/ou adaptação de existentes;
cularidade, designadamente nos casos em que resíduos passam
a subprodutos; • Desenvolvimento de um sistema de indicadores vocacio-
nado para a monitorização da economia circular.
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• Carência de equipamentos para deposição seletiva de resíduos,
comprometendo a sua valorização;
• Limitações na logística de gestão de resíduos (tecnológicas, de
gestão, entre outras);
• Dificuldade no acesso e partilha de informação entre empresas
relativamente aos seus resíduos e subprodutos;
• Falta de diálogo e de articulação entre entidades, essencial à parti-
lha de conhecimentos e consagração de boas práticas de economia
circular;
• Fraca coordenação entre organizações e entidades governativas
locais, comprometendo a criação e o funcionamento de territórios
circulares capazes de diminuir a pegada ecológica;
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Barreiras Forças motrizes
• Falta de confiança no sistema de circularidade, designadamente
na gestão de resíduos;
• Legislação assente em processos burocráticos dificultando a cir-
cularidade;
• Marketing generalizado das organizações de apelo ao consumo
«mais e mais barato», não promovendo os princípios da economia
circular;
• Falta de indicadores padronizados para monitorização da circula-
ridade e da sustentabilidade.
Da sistematização das barreiras e forças motrizes do Plano resultam sete dimensões de ação, ou
vertentes de intervenção (figura 12), sendo de referir a existência de diversas barreiras e forças motrizes
associadas ou que concorrem para a mesma dimensão:
D1. Instrumentos de Política para a Circularidade: atuais e futuros instrumentos de política, incluindo
legislação, a sua implementação e monitorização;
D2. Financiamento para uma Transição para a Economia Circular: avaliação dos resultados obti-
dos em financiamentos anteriores, direcionamento do financiamento existente e apoio à obtenção de
novo financiamento;
D3. Educação, Formação e Sensibilização para uma Economia Circular: educação, formação
e sensibilização/consciencialização dos diferentes agentes;
D4. Tecnologia, Investigação e Inovação ao Serviço da Circularidade: desenvolvimento e utilização
de tecnologia ao serviço da circularidade e a aposta na investigação e inovação neste âmbito;
D5. Circularidade nas Organizações: compromissos e práticas circulares nas organizações, com
transferência de conhecimento;
D6. Parceria para Uma Economia Circular: transparência, comunicação e cooperação de atores
e a sua interação com o mercado;
D7. Ciclo de Vida: preservação do capital natural, design e modelos de negócio circulares, produção
circular e sustentável e prolongamento da vida útil dos produtos.
O presente Plano pretende atuar nestas sete dimensões de ação, visando resultados em quatro
áreas de impacte principais, a saber:
AI1: Ambiente: emissões para o solo, água e ar, derivadas dos processos do ciclo de vida dos produ-
tos e serviços, e impacte sobre a biodiversidade (espécies, habitats e ecossistemas) e a saúde humana;
AI2: Recursos: utilização mais eficiente de recursos nos processos do ciclo de vida dos produtos
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e serviços;
AI3: Economia: contributo da economia circular para o progresso de uma economia sustentável
e regenerativa;
AI4: Sociedade: contributo da economia circular para a sociedade, através de disponibilização de
produtos e serviços sustentáveis e criação de emprego.
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São vários os desafios atuais que poderão beneficiar da concretização de uma economia cir-
cular, nomeadamente, o combate às alterações climáticas, a travagem do declínio da biodiversidade
e a melhoria da saúde e da qualidade de vida das populações.
Figura 12 — Dimensões de ação e áreas de impacte principais do PAEC 2030.
Este enquadramento serviu de base à formulação das ações propostas no presente Plano.
3 — Metodologia de desenvolvimento e estrutura do Plano:
A aceleração para um novo modelo económico circular exige uma abordagem sistémica e trans-
versal a vários componentes da sociedade, necessariamente prolongada no tempo. O presente Plano de
Ação resulta da aplicação de uma metodologia de trabalho em várias fases, desenvolvida inicialmente
pelo Instituto Superior Técnico.
Em primeiro lugar foi analisado o balanço da execução das ações propostas no PAEC 2017-2020,
acompanhado de um levantamento do desempenho de Portugal relativamente aos indicadores de
economia circular do Eurostat (12). Posteriormente, foi realizada uma revisão da literatura científica
e técnica sobre economia circular, de modo a identificar forças motrizes e barreiras à circularidade,
indicadores de avaliação de circularidade numa perspetiva dos três pilares da sustentabilidade e ações
que devem ser consideradas na aceleração da transição.
Foi também realizado um benchmarking de outros planos de economia circular, dos quais foram
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retirados exemplos de boas práticas que inspiraram a definição de algumas das ações e orientações
contidas no presente Plano de Ação.
Por fim foi realizado um enquadramento a nível internacional, da UE e nacional, de modo a alinhar
o presente Plano de Ação com as diretrizes europeias e com os planos e programas nacionais que,
direta ou indiretamente, contribuem para a economia circular.
Todos os conteúdos e propostas deste Plano surgiram da contribuição de vários atores (entidades
da Administração Pública, associações empresariais, empresas, peritos da academia, ONG e consu-
midores). A interação com os atores foi realizada em vários momentos, desde a fase de diagnóstico
do contexto nacional até à validação das propostas de ação, através da realização de inquéritos, um
estudo com recurso ao método Delphi, grupos focais, workshop e entrevistas.
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Por fim, foi realizada uma análise multicritério com um grupo de decisores, de modo a priorizar
as cadeias de valor, onde a aceleração para a economia circular é mais premente em Portugal. A figura
13 resume a metodologia utilizada, assim como a arquitetura proposta para o presente Plano de Ação.
Figura 13 — Metodologia de elaboração e arquitetura do PAEC 2030.
Partindo dos princípios gerais da economia circular, foram identificados os princípios de base, que
serviram de pilares para a elaboração do presente Plano. Estes foram traduzidos na visão do PAEC 2030,
que se materializa num conjunto de cinco objetivos estratégicos que se pretendem alcançar no final da
implementação do ciclo de ações do presente Plano (subcapítulo 4.1). Estes objetivos foram refletidos
em ações macro (subcapítulo 4.2) para as várias dimensões de ação, ações meso (subcapítulo 4.3.) com
recomendações específicas para as cadeias de valor identificadas como prioritárias e ações micro com
recomendações a nível regional/local (subcapítulo 4.4). As diferentes ações relacionam-se entre si, desde
as recomendações mais gerais até às mais específicas, seguindo o esquema apresentado na figura 14:
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Figura 14 — Relação entre as ações do PAEC 2030.
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• As ações do PAEC 2030 tipificam-se e caracterizam-se da seguinte forma:
• Ações macro, de natureza estrutural, com efeitos transversais e sistémicos, potenciando a apro-
priação dos princípios da economia circular pela sociedade e contemplando as dimensões de ação
do Plano de forma transversal, sendo aplicáveis a qualquer cadeia de valor ou fases do ciclo de vida;
• Ações meso, de natureza setorial, consistindo em propostas para as cadeias de valor de um con-
junto de setores identificados como prioritários, de modo a alavancar a sua circularidade e potenciar
as ações macro;
• Ações micro, de natureza regional ou local, ou seja, a realizar localmente, de modo a articular as
ações regionais com as ações transversais e, caso aplicável, também com as setoriais, tendo como
foco as regiões e as estratégias de aceleração para a economia circular que melhor se adequam ao
respetivo perfil socioeconómico.
As ações preconizadas são apresentadas no formato ilustrado que se segue.
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O Modelo de Governança é apresentado de modo a garantir a concretização do Plano (capítulo 5),
sendo também apresentadas possíveis fontes de financiamento para a economia circular (capítulo 6)
e um plano de monitorização do impacte das ações do Plano (capítulo 7).
4 — Plano de Ação:
4.1 — Princípios orientadores, visão e objetivos estratégicos:
Genericamente, os objetivos da economia circular podem resumir-se em (adaptado de [27]):
1) Dissociar o crescimento económico do consumo de recursos, designadamente com base nos
princípios «Repensar», «Reduzir», «Reutilizar», «Reparar» e «Reciclar»;
2) Extrair e consumir recursos mais eficientemente;
3) Melhorar a gestão dos resíduos;
4) Partilhar bens e serviços;
5) Reduzir as emissões atmosféricas, incluindo de GEE;
6) Reduzir outros impactes ambientais, designadamente sobre a biodiversidade (espécies, habitats
e ecossistemas), bem como os impactes sobre a saúde humana, numa ótica de análise do ciclo de vida;
7) Fechar os ciclos de vida dos produtos;
8) Regenerar a natureza.
A tomada de decisões e as estratégias adotadas pelas organizações e pelos atores, no âmbito da
economia circular, devem ser norteadas pelos seguintes princípios:
— Design circular e produção sustentável: os produtos devem ser concebidos numa ótica de eco-
design, garantindo que materiais, design, produção, ciclos e descarte minimizam os impactes ao longo
do respetivo ciclo de vida. Para tal, os produtos devem utilizar materiais e componentes resultantes de
práticas de circularidade, ser modulares, duráveis e preparados para a circularidade (por exemplo, para
a reutilização, reparação, entre outros). A opção pelos biomateriais, desde que suportados em modelos
de produção sustentáveis numa perspetiva de ciclo de vida, deve ser equacionada na substituição de
materiais de origem fóssil. Simultaneamente, os processos de produção devem ser mais eficientes,
diminuindo consumos e mitigando emissões, contribuindo para a regeneração ecológica, qualidade
ambiental e proteção da biodiversidade, tendo como base uma abordagem de poluição zero, com vista
a um ambiente tendencialmente isento de substâncias perigosas;
— Manter os produtos em uso por mais tempo, preservando o seu valor: o uso de recursos e a uti-
lização de produtos devem ser reduzidos ao máximo possível, designadamente, através de sistemas de
Product-Service-Systems (PSS), nos quais a utilização de um determinado serviço não está associada
à propriedade de um determinado bem, de modelos de negócios baseados em desempenho e de mode-
los de partilha e de desmaterialização. As organizações devem esforçar-se para preservar a qualidade
e o desempenho dos produtos/componentes/infraestruturas, sendo que um prolongamento da vida
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útil do produto depende dos sistemas de logística inversa que assegurem a reutilização, reparação,
remanufatura e reaproveitamento, bem como do comportamento do consumidor;
— Fechar ciclos de materiais e recuperar valor por meio de reciclagem de alta qualidade (upcycling):
todos os produtos devem ser adequados para a reciclagem. Quando a reparação e a reutilização (ou
outras estratégias circulares) já não são possíveis, os materiais incorporados nos produtos/componen-
tes devem ser recuperados através da reciclagem, devendo ser assegurada a qualidade dos materiais,
para que possam constituir alternativas aos materiais virgens;
— Criação de oportunidades e benefícios socioeconómicos: além de gerar benefícios ambientais
e sociais (por exemplo, criação de emprego), as estratégias circulares devem oferecer benefícios eco-
nómicos, principalmente uma mitigação de custos por meio da redução do uso de recursos e valori-
zação de resíduos. Uma economia circular visa alcançar benefícios de longo prazo, distribuídos por
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toda a sociedade, sendo a riqueza social medida através dos stocks/inventários, em vez de fluxos,
assegurando um crescimento assente no aumento da qualidade e quantidade dos recursos naturais,
culturais e produzidos.
Estes princípios só serão passíveis de ser materializados se forem assumidos alguns pressupostos,
não exclusivos da economia circular, mas essenciais na concretização dos objetivos da circularidade,
constituindo uma parte crucial das estratégias circulares e do quadro de políticas, a saber:
— Pensamento sistémico: o foco não deve estar apenas nos produtos, mas sim em toda a cadeia
de valor (ciclo de vida do produto). As organizações devem adotar uma perspetiva holística e de longo
prazo que considere todos os fatores, pressões e impactes (ambientais/sociais/económicos) aos
níveis micro, meso e macro. Isso significa considerar as inter-relações entre diferentes dimensões
e considerar todos os impactes ao longo do ciclo de vida dos produtos — desde o design, à produção,
à distribuição, ao uso e ao fim de vida;
— Integrar externalidades (Princípio do Poluidor Pagador): as externalidades da cadeia de valor
devem ser integradas nos preços de mercado, incluindo a contabilização de potenciais danos ambientais;
— Rastreabilidade de recursos (responsabilidade e transparência): para alcançar os princípios-chave
é necessário rastrear os fluxos de recursos, o que deve ser feito de forma transparente, normalizada
e responsável;
— Colaboração e inclusão: as organizações devem colaborar ao longo da cadeia de valor e entre
cadeias de valor, sendo crucial o envolvimento de todas as partes interessadas, considerando diferentes
perspetivas e interesses, de forma inclusiva, para garantir que ninguém seja deixado fora do processo
de transição, e salvaguardando o cumprimento das regras de concorrência, em especial tendo em conta
as Orientações da Comissão Europeia de 2023 (13).
É importante operacionalizar os princípios por meio de estratégias concretas que as organizações
e a sociedade possam aplicar. A figura seguinte apresenta um conjunto de estratégias passíveis de
serem adotadas, distribuídas por momentos de intervenção, designadamente antes, durante e após
o uso do produto/serviço [28]. As ações direcionadas para o momento «anterior ao uso» visam satis-
fazer as necessidades humanas com menos recursos naturais e menos impactes no ambiente. As
ações a aplicar «durante o uso» têm por objetivo prolongar a vida útil dos produtos, mantendo a sua
funcionalidade durante o maior tempo possível. Quando os produtos atingem o fim da sua vida útil, as
ações «após o uso» visam evitar a perda ou destruição dos materiais e fomentar a sua reintrodução
no ciclo de produção.
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Figura 15 — Estratégias circulares e princípios subjacentes (adaptado de [28 e 29]).
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Estes princípios estão plasmados na visão do presente Plano de Ação para a Economia Circular.
Visão PAEC 2030:
«Um modelo de desenvolvimento económico e social regenerativo, eficiente, produtivo e inclusivo.
Regenerativo, consumindo menos recursos, prevenindo e, quando tal não for possível, compensando
a poluição, promovendo a neutralidade carbónica e eliminando os desperdícios. Eficiente, produzindo
mais com menos e prolongando o tempo de vida útil dos produtos. Produtivo, dissociando o cres-
cimento económico da utilização de recursos e maximizando o valor económico por quantidade de
recurso utilizado. Três pilares para o crescimento sustentável da economia respeitando os limites do
planeta e permitindo a inclusão social, onde todos serão envolvidos na transição para uma economia
mais circular.»
A visão do PAEC 2030 só será alcançada se forem cumpridos os cinco objetivos estratégicos que
abrangem as quatro áreas de impacte do mapa conceptual (figura 12).
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4.2 — Ações macro:
As ações macro abrangem as sete dimensões do mapa conceptual, e contemplam 41 ações,
conforme ilustrado na figura 16.
Figura 16 — Sistematização das dimensões de ação e sua relação com as ações macro do Plano.
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As ações concretas relativas a cada dimensão são apresentadas e descritas a seguir.
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4.3 — Ações meso:
Quer a nível europeu, no Plano de Ação para a Economia Circular da União Europeia de 2020, quer
a nível nacional, no PAEC 2017-2020, foram identificados vários setores onde a transição para uma
economia circular é considerada prioritária, tal como apresentado no subcapítulo 1.4.
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No contexto do PAEC 2030, as cadeias de valor/setores considerados foram ponderados tendo
em consideração os seguintes critérios: contribuição para o PIB português [33], consumo de recur-
sos [34], produtividade dos recursos [34], emissões [35], produção de resíduos [34] e perigosidade
dos resíduos.
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Assim, as seguintes cadeias de valor/setores revestem carácter prioritário, para efeitos do PAEC 2030:
Figura 17 — Cadeias de valor/setores prioritários.
No paralelismo com o atual Plano de Ação para a Economia Circular da União Europeia, realça-se que:
i) Não se incluiu o setor dos veículos, pelo facto de existir um acervo legislativo robusto que tam-
bém inclui as baterias e respetivos resíduos;
ii) O tema das embalagens é abordado no setor dos plásticos; e
iii) Foram ainda incluídos os setores da distribuição e retalho e do turismo, entendidos prioritários
neste contexto, dando sequência às ações implementadas no ciclo do anterior PAEC.
As ações meso do presente Plano incidem sobre os setores/cadeias de valor identificados.
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4.4 — Ações micro:
O PAEC 2030 visa também estimular estratégias circulares ao nível regional e local, com o obje-
tivo de criar territórios circulares, autossuficientes e sustentáveis, com foco nas cidades. Ao nível
«micro» — ou seja, regional e local — já existem diversas iniciativas para fomentar e implementar
estratégias circulares. Além das autarquias, há muitas entidades envolvidas, entre elas as Comissões
de Coordenação e Desenvolvimento Regional e as entidades intermunicipais que colaboram no desen-
volvimento e implementação das Agendas Regionais para a Economia Circular. O objetivo, a este nível,
é impulsionar iniciativas e capacitar entidades para ir mais longe e alcançar impactes estruturais. Ao
nível de instrumentos de política pública, os Programas Regionais apresentam, para cada região, de
acordo com o objetivo específico de «Promover a transição para uma economia circular e eficiente na
utilização dos recursos», um conjunto de respostas estratégicas. Para além destes programas, o Pro-
grama Nacional da Política de Ordenamento do Território definiu «Organizar o território para a economia
circular» como uma das 12 medidas definidas para o domínio económico.
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5 — Modelo de Governança:
A definição do Modelo de Governança do PAEC 2030 é fundamental para garantir, a médio/longo
prazo, o compromisso das áreas governativas relevantes e promover a interação e articulação plena
das estruturas constituídas para a execução, monitorização e controlo da implementação do Plano
e a participação da sociedade em geral, imprimindo eficácia e transparência ao processo de transição
do modelo económico linear para um modelo circular.
O Modelo de Governança apresentado assegura, através das estruturas constituintes, que as
ações do PAEC 2030 são executadas conforme o estabelecido no Plano, através de um processo
de monitorização baseado em indicadores (capítulo 7), garantindo também um controlo regular da
implementação capaz de detetar e corrigir eventuais desvios que comprometam a concretização dos
objetivos estratégicos preconizados no subcapítulo 4.1.
O Modelo de Governança do PAEC 2030 assenta em duas estruturas funcionais (figura 18): uma
de natureza estratégica, o Comité Coordenador (CC), e uma de natureza operacional, Comissão Técnica
de Acompanhamento e Análise para o Financiamento (CTAAF).
Figura 18 — Modelo de Governação do PAEC 2030.
O CC é cocoordenado pela Agência Portuguesa do Ambiente, I. P. (APA), pela Direção-Geral da Eco-
nomia (DGE) e pelo Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP) e tem por missão
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assegurar o acompanhamento da execução e a monitorização ao nível macro da execução das ações
do PAEC 2030, com base nos relatórios de progresso semestrais elaborados pela CTAAF, garantindo
a plena integração dos princípios de economia circular nas políticas setoriais.
A CTAAF, cocoordenada pela APA e pela DGE, e também pelo GPP, inclui os representantes das
entidades coordenadoras das ações do PAEC 2030, listadas na tabela 2, e tem por função, por um lado,
monitorizar e controlar a implementação física do Plano, mas também a sua implementação financeira.
A CTAAF integra, assim, para além das entidades coordenadoras, os representantes das entidades
gestoras dos Programas Operacionais do Portugal 2030 (PT 2030), do Plano de Recuperação e Resi-
liência (PRR), e do Fundo Ambiental, do Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral, da
Agência para a Investigação e Inovação, e do Banco Português de Fomento, S. A. Esta estrutura tem
por missão, assim, identificar, manter atualizada e disseminar a informação sobre os mecanismos de
apoios financeiros disponíveis para cada ação do Plano que venha a ser identificada pelas respetivas
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entidades coordenadoras como carecendo de financiamento. A esta estrutura cabe, ainda, monitorizar
e controlar a implementação financeira do Plano.
Tabela 2 — Entidades coordenadoras das ações do PAEC 2030
Entidades coordenadoras das ações Sigla/Acrónimo
Agência para a Competitividade e Inovação, I. P. IAPMEI
Agência para a Energia ADENE
Agência para a Investigação e Inovação, E. P. E. AI2
Agência para o Clima ApC
Agência Portuguesa do Ambiente, I. P. APA
Autoridade Tributária e Aduaneira AT
Banco Português de Fomento, S. A. BPF
Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, I. P. CCDR
Direção-Geral da Alimentação e Veterinária DGAV
Direção-Geral da Economia DGE
Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural DGADR
Direção-Geral de Energia e Geologia DGEG
Direção-Geral do Território DGT
Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública, I. P. eSPap
Entidades gestoras do Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrónicos | SIGREEE
Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos ERSAR
Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais GPEARI
Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral GPP
Instituto da Educação, Qualidade e Avaliação, I. P. EduQA
Instituto de Ensino Superior, I. P. IES
Instituto de Turismo de Portugal, I. P. TdP
Instituto dos Mercados Públicos, do Imobiliário e da Construção, I. P. IMPIC
Instituto Nacional de Administração, I. P. INA
Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I. P. INIAV
Laboratório Nacional de Energia e Geologia, I. P. LNEG
Laboratório Nacional de Engenharia Civil, I. P. LNEC
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Secretaria-Geral do Governo SGGOV
No decorrer da implementação do PAEC 2030 serão elaborados e disseminados um conjunto de
documentos, sob a forma de relatórios de progresso e recomendações, pelas estruturas que compõem
o Modelo de Governança do Plano:
• Os relatórios de progresso semestrais, a elaborar pelos representantes das entidades com assento
na CTAAF, têm como prazos indicativos de entrega o dia 31 de julho de cada ano para o Relatório de
Progresso do 1.º semestre desse ano e até 31 de janeiro do ano seguinte para o Relatório de Progresso
do 2.º semestre do ano em causa, sendo que:
— Os representantes das entidades com assento na CTAAF apresentam às entidades coordenadoras
relatórios de progresso semestrais, evidenciando os resultados alcançados com a implementação das
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ações específicas pelas quais são responsáveis, tendo por base os indicadores definidos no capítulo 7
e de acordo com um formato simplificado e desmaterializado que será elaborado para o efeito pelas
entidades coordenadoras do CC;
— A CTAAF apresenta, ainda, às entidades coordenadoras do CC relatórios de progresso semes-
trais, contendo informação relevante relativa aos mecanismos de apoio financeiro e medidas fiscais
destinadas a investimentos no âmbito da economia circular.
Compete ao CC elaborar relatórios de progresso anual, cuja disseminação deve ocorrer durante
o mês de março do ano seguinte ao período de análise, e deve incluir uma avaliação da implementa-
ção do PAEC 2030 face à situação de referência, a identificação das oportunidades de financiamento
e recomendações que contribuam para a sua boa execução no ano em causa e nos seguintes.
Estes relatórios deverão ser divulgados nos portais das entidades cocoordenadoras do Plano e no
Portal ECO.NOMIA.
Para discussão da análise efetuada à informação constante nos relatórios elaborados, o CC
assegurará a realização de:
• Reuniões ordinárias semestrais e, sempre que as entidades cocoordenadoras do Plano assim
o entendam, reuniões extraordinárias, envolvendo os representantes das entidades com assento na
CTAAF com o intento de discutir a análise efetuada aos relatórios semestrais elaborados por aque-
las entidades. As reuniões semestrais deverão realizar-se nos meses de setembro do ano em causa
e fevereiro do ano seguinte;
• Reuniões anuais, realizadas no início do 2.º trimestre do ano subsequente ao ano a que diz res-
peito o relatório, designadamente para apresentação do relatório anual elaborado pelo CC.
Com base em toda a informação disponível, será efetuada uma avaliação intercalar do Plano no
1.º semestre de 2028, a qual, em função dos resultados alcançados e à luz do progresso científico e téc-
nico, poderá contemplar uma revisão e/ou adaptação do previsto no Plano. Na tabela 3 é apresentado
um cronograma dos entregáveis de cada uma das estruturas funcionais do PAEC 2030.
Tabela 3 — Cronograma dos entregáveis do PAEC 2030
Entre 1 de abril
31 de julho Entre 1 e 30 de setembro Até 31 de janeiro Entre 1 e 28 de fevereiro Até 31 de março
e 30 de junho
Comité de Coordenação Participação na reu- Participação Relatório de Participação
(CC) nião de Governança na reunião de Progresso na reunião de
do 1.º semestre Governança do Anual/Rela- Governança
2.º semestre tório Final anual
Comissão Técnica de Relatório de Participação na reu- Relatório de Participação Participação
Acompanhamento e de Progresso do nião de Governança Progresso do na reunião de na reunião de
Análise para o Financia- 1.º semestre do 1.º semestre 2.º semestre Governança do Governança
mento (CTAAF) 2.º semestre anual
6 — Financiamento:
O acesso ao financiamento é fundamental para o cumprimento dos objetivos propostos no novo
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Plano de Ação para a economia circular para o ciclo 2025-2030, os quais estão alinhados com planos,
programas e estratégias nacionais e comunitários e, em particular, com as medidas enunciadas no
Pacto Ecológico Europeu. Prevê-se que o financiamento seja concedido através de:
i) Programas geridos a nível europeu, designadamente, o Horizonte Europa (HE) e o Instrumento
Financeiro para o Ambiente (LIFE);
ii) Fundos Europeus e Programas;
iii) Mecanismo de Recuperação e Resiliência;
iv) Fundos nacionais, como sejam o Fundo Ambiental (FA), o Fundo de Inovação, Tecnologia
e Economia Circular (FITEC) ou o Fundo Azul;
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v) Banco Português de Fomento, S. A.;
vi) EEA Grants;
vii) Outras fontes de financiamento complementares.
O HE é o principal instrumento de financiamento europeu para a investigação e inovação até 2027,
com um orçamento de 95,5 mil milhões de euros. No domínio da economia circular e através do Pilar
2 — «Desafios globais e competitividade europeia», este programa foca-se nos desafios societais e nas
tecnologias industriais, no âmbito do qual serão definidas parcerias institucionais orientadas para
mobilizar os setores públicos e privados.
O Programa LIFE tem como objetivo contribuir para a transição para uma economia sustentável,
circular, energeticamente eficiente, baseada nas energias renováveis, neutra para o clima e resiliente.
A verba disponível para a execução, no período 2021-2027, é de 5,432 mil milhões de euros, dos quais
1,345 mil milhões de euros consignados à «Economia circular e qualidade de vida».
O HE prevê a criação de sinergias com o Programa LIFE e o Fundo Europeu Agrícola de Desenvol-
vimento Rural, assim como com outros programas ou instrumentos de financiamento da UE operacio-
nalizados através do Portugal 2030 (PT 2030).
O PT 2030, ao considerar a economia circular uma área chave de atuação, reserva-lhe diversos
mecanismos de financiamento, nomeadamente o financiamento de ações de I&D, de ações de prepa-
ração do tecido empresarial português para a adoção de modelos de negócios baseados na economia
circular e de ações concretas de desenvolvimento de projetos industriais de diferentes escalas.
A verba disponibilizada no PT 2030 é proveniente de diferentes fundos, nomeadamente: Fundo
Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) — 11,5 mil milhões de euros, acrescidos da verba afeta
à Cooperação Territorial Europeia (CTE) — 139 milhões de euros, Fundo Social Europeu (FSE+) — 7,8 mil
milhões de euros, Fundo de Coesão — 3,1 mil milhões de euros, Fundo para uma Transição Justa
(FTJ) — 224 milhões de euros e Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos, das Pescas e da Aquicultura
(FEAMPA) — 393 milhões de euros. A estes valores acresce, ainda, a transferência de 1,048 mil milhões
de euros para o Mecanismo Interligar a Europa (MIE).
O Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural, com um financiamento para 2021-2027 de
95,51 mil milhões de euros, é o principal instrumento de financiamento para alcançar objetivos europeus
de política de desenvolvimento rural, tais como, assegurar a gestão sustentável dos recursos naturais
e ações no domínio do clima, ajudar a proteger a natureza e o ambiente, apoiar as economias rurais
e melhorar a qualidade de vida nas zonas rurais. Há a salientar que o Programa Temático para a Ação
Climática e Sustentabilidade — Sustentável 2030, financiado pelo Fundo de Coesão, visa especifica-
mente o apoio a projetos na área da economia circular, à transição para uma economia com baixas
emissões de carbono e à eficiência energética nos transportes públicos. O setor das pescas e da
aquicultura conta com o estímulo do Programa Temático MAR 2030, que renova as oportunidades de
financiamento para a sua modernização.
O Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) visa a implementação de um conjunto de reformas
e investimentos estruturais assentes em três dimensões: resiliência, transição climática e transição digi-
tal. Uma parte dos fundos do PRR vai ser aplicada através das Agendas Mobilizadoras para a Inovação,
em áreas tecnológicas estratégicas para o País, tais como a energia, o setor automóvel, a aeronáutica,
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os transportes, a saúde, entre outras de relevância nacional, e tem uma dotação de 930 milhões de
euros. O remanescente dos fundos vai ser aplicado através de um concurso no âmbito da dimensão
«Transição Climática», destacando-se o apoio à descarbonização na indústria e nos serviços, focando-
-se no apoio a projetos industriais que promovam investimentos nas vertentes de adoção de medidas
de eficiência energética, de incorporação de energias de fonte renovável e de tecnologias de baixo
carbono (Componente C11), com a dotação de 737 milhões de euros, bem como o contributo relevante
para a bioeconomia (Componente C12), onde a modernização com vista à aceleração da produção de
produtos de alto valor acrescentado a partir de recursos biológicos está alicerçada na investigação
científica e na inovação, com uma dotação de 175 milhões de euros.
Neste âmbito relevam especificamente as intervenções previstas no Programa Temático para
a Ação Climática e Sustentabilidade — Sustentável 2030 e nos Programas Regionais, enquadradas no
objetivo «Promover a transição para uma economia circular e eficiente na utilização dos recursos».
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A nível nacional é de referenciar o papel do FA, que presta apoio a políticas ambientais e de ação
climática para a prossecução dos objetivos do desenvolvimento sustentável, contribuindo para o cum-
primento dos objetivos e compromissos nacionais e internacionais. O FA concentra os recursos de
vários fundos que outrora se encontravam dispersos (15) e pode estabelecer mecanismos de articulação
com outras entidades públicas e privadas, designadamente com outros fundos públicos ou privados
nacionais, europeus ou internacionais.
Criado através do Decreto-Lei n.º 86-C/2016, de 29 de dezembro, o FITEC tem por missão apoiar
políticas de valorização do conhecimento científico e tecnológico e a sua transformação em inovação,
permitindo estimular a cooperação entre instituições de ensino superior, Centros de Tecnologia e Ino-
vação (CTI) e o tecido empresarial, bem como a capacitação destas instituições para um uso mais
eficiente dos recursos, nomeadamente através da eficiência material e energética.
A este nível, destaca-se também o Banco Português de Fomento, S. A., o qual facultará acesso
a financiamento de projetos no setor das infraestruturas sustentáveis, conectividade digital, transportes
e mobilidade, neutralidade carbónica, economia circular, transição energética, infraestruturas energéti-
cas e ambientais, nas áreas dos recursos hídricos e de gestão de resíduos, bem como projetos noutras
atividades sustentáveis conforme enquadramento estabelecido pela taxonomia europeia.
Existem ainda outras fontes de financiamento complementares, como a Plataforma Portuguesa de
Crowdfunding (PPL), que disponibiliza uma interface entre empreendedores e interessados em apoiar
diversas iniciativas.
A figura 19 apresenta, de forma não exaustiva, as fontes de financiamento acima referidas.
Nota. — Os valores indicados respeitam à totalidade da verba dos Programas e Fundos referenciados e não às verbas Resolução do Conselho de Ministros n.º 58/2026
afetas especificamente à economia circular.
Figura 19 — Principais oportunidades de financiamento.
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7 — Monitorização:
A monitorização adequada do Plano e do resultado da sua implementação é fundamental para o sucesso da aceleração da economia circular em
Portugal. Os indicadores propostos estão alinhados com os constantes no quadro de acompanhamento revisto para a economia circular, da UE (16), que
visa proporcionar uma visão global, medindo os benefícios diretos e indiretos do aumento da circularidade. Na tabela 4 são apresentados os indicadores
gerais que recorrem a fontes estatísticas oficiais disponíveis (INE, INPI e Eurostat) para monitorização do Plano. A informação que suporta a monitorização
do Plano deverá, tanto quanto possível, ser desagregada geograficamente.
Tabela 4 — Indicadores gerais para monitorização do PAEC 2030
Áreas de impacte Objetivos estratégicos Indicadores Valor de referência (ano) (17) Fonte
Recursos Evitar a sobre-exploração de recursos, IG.1. Produtividade de recursos (milhões €/t) 1,30 (2022) INE
preservando o capital natural
IG.2. Consumo interno de materiais (t) 162 707 703 (2022) INE
IG.3. Entrada direta de materiais (t) 204 358 501 (2022) INE
IG.4. Pegada material (t per capita) 16,94 (2022) Eurostat
IG.5. Taxa de utilização circular de materiais (% da utilização total de materiais) 2,6 (2022) Eurostat
Ambiente Prevenir e reduzir a produção de resí- IG.6. Geração de resíduos por habitante (kg per capita) (18) 1 612 (2020) Eurostat
duos e acautelar a sua correta gestão
IG.7. Geração de resíduos urbanos por habitante (kg per capita) (19) 509 (2022) INE
IG.8. Resíduos alimentares (kg per capita e t) (20) 180 (2021) INE
IG.9. Geração de resíduos de embalagens por habitante (kg per capita) 176,54 (2021) Eurostat
IG.10. Geração de resíduos de embalagens de plástico por habitante (kg per capita) 41,32 (2021) Eurostat
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IG.11. Geração total de resíduos excluindo grandes resíduos minerais por unidade do PIB (kg/€) 78 (2020) Eurostat
IG.12. Taxa de reciclagem da globalidade dos resíduos, exceto os principais resíduos minerais (%) 39 (2020) Eurostat
IG.13. Taxa de reciclagem de resíduos urbanos (%) 30,4 (2021) Eurostat
IG.14. Taxa de reciclagem da globalidade dos resíduos de embalagens (%) 63,1 (2021) Eurostat
IG.15. Taxa de reciclagem de resíduos de embalagens de plástico (%) 38,1 (2021) Eurostat
IG.16. Taxa de reciclagem de resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos recolhidos 51,7 (2021) Eurostat
seletivamente (%)
IG.17. Taxa de valorização de resíduos da construção e demolição (%) 97,40 (2022) INE
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Áreas de impacte Objetivos estratégicos Indicadores Valor de referência (ano) (17) Fonte
Prevenir a poluição e regenerar ecos- IG.18. Pegada de consumo (índice 2010 = 100) 118 (2022) Eurostat
sistemas
IG.19. Emissões de gases com efeito de estufa provenientes de atividades de produção (kg per 4 882,4 (2022) Eurostat
capita)
IG.20. Emissão de CO2 por unidade de valor acrescentado (kg CO2/€) 0,265 (2020) INE
Economia Criar oportunidades e benefícios IG.21. Formação bruta de capital fixo a preços correntes dos setores relacionados com a eco- 19,4 (2023) Eurostat
socioeconómicos nomia circular (% do PIB)
IG.22. Investimentos privados dos setores relacionados com a economia circular (% do PIB) 0,8 (2021) Eurostat
IG.23. Valor acrescentado bruto dos setores relacionados com a economia circular (% do PIB) 1,5 (2021) Eurostat
IG.24. Patentes relacionadas com o ambiente (green patents) (total e n.º/milhão de habitantes) 5 (2023) INPI
IG.25. Patentes relacionadas com a gestão de resíduos e a reciclagem (n.º e n.º/milhão de 5,4 (2020) Eurostat
habitantes)
Sociedade IG.26. Pessoas contratadas dos setores relacionados com a economia circular (% do emprego 1,8 (2021) Eurostat
total)
Notar que os indicadores da tabela 4 poderão ser atualizados à luz de desenvolvimentos nas fontes referenciadas.
Mais referir que para o desempenho dos indicadores referenciados na tabela 4 contribuem, para além do PAEC 2030, também outros planos e pro-
gramas nacionais, designadamente os indicados no subcapítulo 1.5.
Para uma avaliação mais direta das ações apresentam-se na tabela 5 indicadores mais específicos para a monitorização da implementação das
ações do Plano. Sempre que possível, estes indicadores tiveram como base fontes estatísticas existentes, contudo para algumas ações foi necessária
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uma avaliação mais específica e adequada ao contexto.
Tabela 5 — Indicadores para avaliação das ações
D1. Instrumentos de Política para a Circularidade
Entidades responsáveis
Ação Descrição Indicadores
pela monitorização
D1.1 Avaliar mecanismos de incentivo para produtos circulares Propostas apresentadas (n.º) AT
D1.2 Estudar a criação de mecanismos de incentivo à reutilização de bens e à uti- Propostas apresentadas (n.º) AT
lização de serviços de reparação
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Entidades responsáveis
Ação Descrição Indicadores
pela monitorização
D1.3 Incentivar a redução do consumo e a reutilização de produtos, bem como a uti- Grau de desenvolvimento do estudo (Não iniciado/Em desenvolvimento/Fina- APA
lização de materiais reciclados em alternativa à extração de matérias-primas lizado)
D1.4 Promover e/ou reforçar incentivos às empresas que invistam em I&D no âmbito Grau de desenvolvimento do estudo (Não iniciado/Em desenvolvimento/Fina- AI2
da economia circular lizado)
D1.5 Identificar e tendencialmente eliminar ou adaptar incentivos financeiros ou Incentivos desfavoráveis detetados (n.º) DGE
fiscais potencialmente desfavoráveis aos princípios da economia circular
Áreas governativas consultadas (n.º)
D1.6 Promover critérios de circularidade no contexto das Compras Públicas Eco- Guias técnicos publicados e/ou alterados (n.º) eSPap, APA
lógicas
D2. Financiamento para uma Transição para a Economia Circular
Entidades responsáveis
Ação Descrição Indicadores
pela monitorização
D2.1 Avaliar a criação de mecanismos de apoio financeiro público para PME Linha de financiamento criada (Sim/Não) ApC, BPF
Financiamento disponibilizado (€)
Empresas que recorrem ao financiamento (n.º)
D2.2 Estimular parcerias com instituições financeiras privadas para o financiamento Parcerias constituídas (n.º) BPF
de PME
Linhas de financiamento criadas (n.º)
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Financiamento disponibilizado (€)
Empresas que recorrem ao financiamento (n.º)
D2.3 Avaliar a criação de mecanismos de apoio financeiro específicos para conver- Linhas de financiamento criadas (n.º) BPF
são de linhas de produção e qualificação de mão-de-obra, visando a eficiência
de recursos Financiamento disponibilizado (€)
Empresas que recorrem ao financiamento (n.º)
D2.4 Equacionar um novo ciclo do Fundo de Inovação, Tecnologia e Economia Grau de desenvolvimento da análise (Não iniciada/Em desenvolvimento/Fina- AI2
Circular (FITEC) na componente de intervenções para a economia circular lizada)
D2.5 Avaliar a continuidade do Vale Economia Circular Grau de desenvolvimento (Balanço realizado/Estratégia definida/Estratégia IAPMEI
implementada)
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Entidades responsáveis
Ação Descrição Indicadores
pela monitorização
D2.6 Avaliar a possibilidade de apoiar financeiramente a aplicação do Regula- Apoios concedidos (n.º) IAPMEI
mento para a Conceção Ecológica dos Produtos Sustentáveis (Regulamento
Ecodesign) Financiamento disponibilizado (€)
Empresas que recorrem ao financiamento (n.º)
D2.7 Rever o Programa Nacional de Investimentos 2030, de modo a considerar as Revisão do PNI 2030 (Sim/Não) SGGOV
ações do PAEC 2030
Ações do PAEC 2030 consideradas na revisão do PNI 2030 (n.º)
D2.8 Divulgar linhas de financiamento disponíveis para a economia circular Ações de divulgação realizadas (n.º) APA
D3. Educação, Formação e Sensibilização para uma Economia Circular
Entidades responsáveis
Ação Descrição Indicadores
pela monitorização
D3.1 Reforçar os curricula escolares dos ensinos básico e secundário na compo- Propostas de reestruturação dos planos curriculares (n.º) EduQA
nente da economia circular
D3.2 Reforçar a oferta formativa em economia circular no ensino superior Propostas de reestruturação dos planos curriculares (n.º) IES
D3.3 Formar e qualificar recursos humanos em economia circular Ações de formação que integram unidades de competência e ou unidades de EduQA, INA
formação relativas ao tema da economia circular (n.º)
Integração de unidades de competência e ou unidades de formação do Catá-
logo Nacional de Qualificações relativas ao tema da economia circular (n.º)
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D3.4 Desenvolver e divulgar manuais de boas práticas em economia circular Manuais divulgados (n.º) APA, DGE
D3.5 Criar campanhas de educação, sensibilização e comunicação para uma eco- Campanhas de educação e sensibilização realizadas (n.º) APA
nomia circular
D3.6 Fomentar uma cultura empreendedora de negócios circulares Concursos nacionais de ideias de negócio lançados (n.º) IAPMEI
Programas de incubação e aceleração realizados (n.º)
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D4. Tecnologia, Investigação e Inovação ao Serviço da Circularidade
Entidades responsáveis
Ação Descrição Indicadores
pela monitorização
D4.1 Desenvolver uma plataforma de monitorização e reporte do PAEC 2030 Grau de desenvolvimento da plataforma (Não iniciado/Em desenvolvimento/ APA, DGE
Finalizado)
D4.2 Reforçar as áreas de I&D&I tecnológica para a aceleração da economia circular Projetos apoiados de I&D&I tecnológica na área da economia circular (n.º) AI2
D4.3 Promover a disponibilização de conteúdos que fomentem a aceleração da Grau de desenvolvimento da plataforma (Não iniciado/Em desenvolvimento/ IAPMEI
circularidade para apoio a empresas Finalizado)
D4.4 Potenciar o Portal ECO.NOMIA Conteúdos adicionados ou alterados (n.º) APA, DGE
Grau de desenvolvimento da aplicação (Não iniciado/Em desenvolvimento/
Finalizado)
D5. Circularidade nas Organizações
Entidades responsáveis
Ação Descrição Indicadores
pela monitorização
D5.1 Fomentar a integração da circularidade nas estratégias empresariais e divulgar Ações de divulgação de entidades que podem apoiar empresas na implemen- IAPMEI, AI2
entidades que apoiam a transição circular nas empresas tação de projetos circulares (n.º)
Colaborações estabelecidas entre empresas e entidades (n.º)
Ações de divulgação de diretrizes (n.º)
D5.2 Promover o sistema de classificação de boas práticas de gestão em economia Grau de implementação do sistema (Não iniciado/Em desenvolvimento/Fina- ADENE
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circular lizado)
Empresas abrangidas pelo sistema (n.º)
D6. Parceria para uma Economia Circular
Entidades responsáveis
Ação Descrição Indicadores
pela monitorização
D6.1 Fomentar a colaboração e partilha em economia circular Ações para apoiar parcerias colaborativas (n.º) CCDR
Parcerias colaborativas constituídas (n.º)
D6.2 Fomentar relatos de sustentabilidade por parte das PME Diretrizes desenvolvidas (n.º) GPEARI
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Entidades responsáveis
Ação Descrição Indicadores
pela monitorização
D6.3 Estudo estratégico com vista à criação de «Hubs Empresariais Circulares» Grau de desenvolvimento do estudo (Não iniciado/Em desenvolvimento/Fina- CCDR
lizado)
D6.4 Mapeamento das competências dos CI, CTI e CoLAB enquanto facilitadores Grau de desenvolvimento do estudo (Não iniciado/Em desenvolvimento/Fina- LNEG
de design e de produção circular e sustentável lizado)
D6.5 Divulgar plataformas online de mercados digitais de resíduos, subprodutos N.º de ações de divulgação e comunicação realizadas (n.º) APA
e de fim de estatuto de resíduos
Utilização das plataformas online (n.º de empresas registadas e n.º de tran-
sações realizadas)
D7. Ciclo de Vida
Entidades responsáveis
Ação Descrição Indicadores
pela monitorização
D7.1 Fomentar projetos que promovam eficiência hídrica e energética Projetos desenvolvidos (n.º) DGEG, APA, DGE,
DGADR
D7.2 Fomentar projetos para reutilização de água Projetos promovidos (n.º) APA
D7.3 Apoiar projetos de I&D&I que explorem o uso de alternativas às matérias-primas Projetos apoiados (n.º) AI2
críticas e substituição de substâncias perigosas
D7.4 Estimular a adoção do Rótulo Ecológico da União Europeia Ações de comunicação e sensibilização realizadas (n.º) DGE
Produtos/serviços detentores de licença de utilização de Rótulo Ecológico
Resolução do Conselho de Ministros n.º 58/2026
da UE (n.º)
D7.5 Dar continuidade ao Programa CIRCO Hub Portugal Grau de concretização da 2.ª edição do Programa (Não iniciado/Em desen- LNEG
volvimento/Finalizado)
D7.6 Promover a adoção de metodologias de avaliação de impactes ambientais Ações de promoção realizadas (n.º) IAPMEI, APA, DGE
e desempenho de circularidade de produtos
Análises de Ciclo de Vida realizadas através do método da Pegada Ambiental
do Produto (n.º)
D7.7 Potenciar a adoção de critérios de eficiência de recursos e de circularidade nos Grau de adoção de critérios (Não iniciado/Em desenvolvimento/Finalizado) APA
estabelecimentos que não estão abrangidos pelo Regime PCIP
D7.8 Medir o desempenho dos estabelecimentos ao nível da eficiência de recursos Grau de desenvolvimento da ferramenta (Não iniciado/Em desenvolvimento/ APA
e circularidade Finalizado)
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Entidades responsáveis
Ação Descrição Indicadores
pela monitorização
D7.9 Promover a certificação EMAS no tecido empresarial Documentos de referência divulgados (n.º) APA
Empresas registadas no EMAS (n.º)
Ações de promoção do sistema de certificação EMAS (n.º)
D7.10 Estabelecer medidas que fomentem a reutilização de produtos específicos Medidas de reutilização de produtos desenvolvidas (n.º) APA
Grau de desenvolvimento do sistema de monitorização (Não iniciado/Em
desenvolvimento/Finalizado)
CV1. Agroalimentar
Entidades responsáveis pela
Ação Descrição Indicadores
monitorização
CV1.1 Promover a adoção de práticas de economia circular e agroecologia na agri- Grau de desenvolvimento do acordo voluntário (Não iniciado/Em desenvolvi- GPP
cultura mento/Finalizado)
CV1.2 Promover soluções inovadoras para a extração e utilização de nutrientes, assim Projetos de I&D&I apoiados (n.º) GPP
como para o reaproveitamento dos resíduos agroalimentares e aproveitamento
de produtos alimentares não normalizados
CV1.3 Promover a adoção de práticas agrícolas regenerativas Grau de desenvolvimento do guia sobre práticas agrícolas regenerativas (Não INIAV
iniciado/Em desenvolvimento/Finalizado)
Ações de divulgação realizadas (n.º)
Resolução do Conselho de Ministros n.º 58/2026
CV1.4 Promover o uso de matéria orgânica no solo como fertilizante Ações de sensibilização realizadas (n.º) GPP
CV1.5 Promover a agricultura periurbana e urbana Ações de capacitação realizadas (n.º) GPP
Área disponibilizada para o desenvolvimento de hortas verticais urbanas
hidropónicas (ha)
CV1.6 Agilizar o processo de doação de bens alimentares Legislação revista? (Sim/Não) GPP
Agilização do processo de doação de bens alimentares? (Sim/Não)
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CV2. Construção
Entidades responsáveis
Ação Descrição Indicadores
pela monitorização
CV2.1 Promover a implementação da certificação da circularidade na construção Esquemas de certificação implementados (n.º) LNEC
CV2.2 Promoção de um acordo voluntário para o setor da construção Grau de desenvolvimento do acordo voluntário (Não iniciado/Em desenvolvi- IMPIC
mento/Finalizado)
CV2.3 Estudo sobre a incorporação de materiais reciclados em obras Grau de desenvolvimento do estudo (Não iniciado/Em desenvolvimento/Fina- APA
lizado)
CV2.4 Avaliação prévia da sustentabilidade de projetos Projetos de obras com avaliações de sustentabilidade realizadas (n.º) LNEC
CV2.5 Desenvolver diretrizes para ecodesign em construção Especificações e guias desenvolvidos (n.º) LNEC
Grau de desenvolvimento do passaporte digital de materiais e edifícios (Não
iniciado/Em desenvolvimento/Finalizado)
CV3. Distribuição e Retalho
Entidades responsáveis
Ação Descrição Indicadores
pela monitorização
CV3.1 Promover a adoção de práticas de economia circular Grau de desenvolvimento do acordo voluntário (Não iniciado/Em desenvolvi- DGE
mento/Finalizado)
CV3.2 Promover incentivos «zero desperdício» Prémios de boas práticas atribuídos (n.º) GPP
CV3.3 Estudos para otimização de cadeias de abastecimento Grau de desenvolvimento do estudo (Não iniciado/Em desenvolvimento/Fina- CCDR
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lizado)
Propostas de alteração de rotas avançadas (n.º)
CV4. Equipamentos Elétricos e Eletrónicos
Entidades responsáveis
Ação Descrição Indicadores
pela monitorização
CV4.1 Reforçar a recolha de REEE Modelos de recolha inovadores implementados (n.º) Entidades gestoras
do SIGREEE
Campanhas de sensibilização realizadas (n.º)
CV4.2 Fomentar a melhoria da gestão de REEE Ações de melhoria de gestão de REEE realizadas (n.º) APA
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CV5. Plásticos
Entidades responsáveis
Ação Descrição Indicadores
pela monitorização
CV5.1 Avaliar a substituição de plásticos na agricultura Grau de desenvolvimento do estudo (Não iniciado/Em desenvolvimento/Fina- DGADR
lizado)
CV5.2 Fomentar a incorporação de materiais plásticos reciclados em novos produtos Grau de desenvolvimento do estudo (Não iniciado/Em desenvolvimento/Fina- APA
lizado)
CV5.3 I&D&I para o desenvolvimento de matérias-primas plásticas mais circulares Projetos de I&D&I apoiados (n.º) IAPMEI, AI2
e alternativas de fim de vida para produtos plásticos
CV6. Turismo
Entidades responsáveis
Ação Descrição Indicadores
pela monitorização
CV6.1 Divulgar certificações que promovam a economia circular e a sustentabilidade Ações de divulgação realizadas (n.º) TdP
CV6.2 Avaliar a inclusão de requisitos específicos de economia circular no sistema Requisitos específicos de economia circular incluídos no sistema de classifi- TdP
de classificação das empresas do setor turístico cação dos empreendimentos turísticos (n.º)
CV7. Têxtil e Vestuário
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Entidades responsáveis
Ação Descrição Indicadores
pela monitorização
CV7.1 I&D&I em operações têxteis mais sustentáveis e em materiais circulares para Projetos de I&D&I apoiados (n.º) AI2
a produção têxtil
CV7.2 Apoio e promoção de simbioses industriais para a produção têxtil Parcerias estabelecidas (n.º) IAPMEI
CV7.3 I&D&I em estratégias inovadoras de fim de vida e circularidade para produtos Projetos de I&D&I apoiados (n.º) AI2
têxteis
CV7.4 Promover a adoção de um acordo voluntário para o setor têxtil e vestuário Grau de desenvolvimento do acordo voluntário (Não iniciado/Em desenvolvi- APA, DGE, IAPMEI
mento/Finalizado)
CV7.5 I&D&I em processos expeditos para a implementação e digitalização dos pro- Projetos de I&D&I apoiados (n.º) AI2
cessos conducentes à geração do passaporte digital do produto
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M1. Cidades Circulares
Entidades responsáveis
Ação Descrição Indicadores
pela monitorização
M1.1 Prosseguir e consolidar a Iniciativa Nacional Cidades Circulares (InC2) Ações de promoção realizadas (n.º) DGT
M1.2 Avaliação dos resultados das quatro redes de cidades circulares Grau de desenvolvimento do estudo (Não iniciado/Em desenvolvimento/Fina- DGT
lizado)
M1.3 Desenvolvimento e melhorias de planos locais de ação para a economia circular Diretrizes divulgadas (n.º) DGT
Ações de apoio técnico realizadas (n.º)
Ações de promoção à participação em rede das cidades circulares (n.º)
M1.4 Iniciativas locais de reparação e reutilização Iniciativas locais de reparação e reutilização apoiadas (n.º) DGT
M1.5 Desenvolver recomendações para a implementação de sistemas de incentivo Recomendações desenvolvidas (n.º) ERSAR
para recolha seletiva de resíduos pelos municípios
M2. Hubs Empresariais Circulares
Entidades responsáveis
Ação Descrição Indicadores
pela monitorização
M2.1 Promover o desenvolvimento de projetos conjuntos para novas aplicações de Projetos desenvolvidos (n.º) CCDR, APA
resíduos ou subprodutos
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M2.2 Promover a criação de «Hubs Empresariais Circulares» Hubs Empresariais Circulares criados (n.º) CCDR
A monitorização deve ser realizada anualmente pelas entidades indicadas na tabela 2, com recurso aos indicadores das tabelas 4 e 5. É importante
realçar que o impacte das ações poderá não ter reflexo imediato nos indicadores.
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Nas tabelas 6 a 8 são apresentadas as calendarizações das ações macro, meso e micro.
Tabela 6 — Calendarização das ações macro
Ação Horizonte de implementação
2026 2027 2028 2029 2030
D1.1
D1.2
D1.3
D1.4
D1.5
D1.6
D2.1
D2.2
D2.3
D2.4
D2.5
D2.6
D2.7
D2.8
D3.1
D3.2
D3.3
D3.4
D3.5
D3.6
D4.1
D4.2
D4.3
D4.4
D5.1
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D5.2
D6.1
D6.2
D6.3
D6.4
D6.5
D7.1
D7.2
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Ação Horizonte de implementação
2026 2027 2028 2029 2030
D7.3
D7.4
D7.5
D7.6
D7.7
D7.8
D7.9
D7.10
Tabela 7 — Calendarização das ações meso
Ação Horizonte de implementação
2026 2027 2028 2029 2030
CV1.1
CV1.2
CV1.3
CV1.4
CV1.5
CV1.6
CV2.1
CV2.2
CV2.3
CV2.4
CV2.5
CV3.1
CV3.2
CV3.3
CV4.1
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CV4.2
CV5.1
CV5.2
CV5.3
CV6.1
CV6.2
CV7.1
CV7.2
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Ação Horizonte de implementação
2026 2027 2028 2029 2030
CV7.3
CV7.4
CV7.5
Tabela 8 — Calendarização das ações micro
Ação Horizonte de implementação
2026 2027 2028 2029 2030
M1.1
M1.2
M1.3
M1.4
M1.5
M2.1
M2.2
Referências
[1] Nações Unidas Painel Internacional de Recursos, Resource Efficiency: Potential and Economic
Implications, 2016.
[2] Comissão Europeia, Um novo Plano de Ação para a Economia Circular — Para uma Europa mais
limpa e competitiva COM(2020) 98 final, 2020.
[3] Nações Unidas, UN DESA Policy Brief No. 140: A World of 8 Billion, Department of Economic
and Social Affairs, 1, November 2022.
[4] Nações Unidas, World Population Prospects 2022, Department of Economic and Social Affairs,
2022.
[5] M. F. Ashby, Materials and Sustainable Development, Oxford: Butterworth-Heinemann, 2015.
[6] Agência Europeia do Ambiente, A resource efficient Europe-flagship initiative under the Europe
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[7] M. O’Brien, S. Fischer, P. Schepelmann e S. Bringezu, Resource Efficiency in European Industry,
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Copenhaga, 2016.
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nitions, Resources, Conservation and Recycling, vol. 127, 2017, pp. 221-232.
[10] G. C. Nobre e E. Tavares, The quest for a circular economy final definition: A scientific pers-
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[11] K. Webster, The Circular Economy: A Wealth of Flows (2nd Edition), Ellen MacArthur Foundation
Publishing, Cowes, 2017.
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[12] D. Cheshire, Building Revolutions — Applying the Circular Economy to the Built Environment
(1st ed.), RIBA Publishing, Londres, 2016.
[13] Ellen MacArthur Foundation, Towards a Circular Economy: Business Rationale for an Accele-
rated Transition, 2015.
[14] S. Cunha e P. Ferrão, Can structural changes lead to dematerialization? Lessons from the Por-
tuguese socioeconomic metabolism between 1995 and 2017, Resources, Conservation and Recycling,
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[15] Eurostat, Material flow accounts, 2025.
[16] L. M. Fonseca, J. P. Domingues, M. T. Pereira, F. F. Martins e D. Zimon, Assessment of Circular
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[17] INE, «Conta de Fluxos de Materiais», 2023.
[18] INE, Matrizes Input-Output, 2018.
[19] Ellen MacArthur Foundation & McKinsey Center for Business and Environment, Growth Within:
A circular Economy Vision for a Competitive Europe, Colónia, SUN, 2015.
[20] Accenture, Winning in a Circular Economy — Practical Steps for the European Chemical Indus-
try, Dublin, 2020.
[21] WBCSD, Circular Economy Action Plan 2020 Summary for Business: Implications and Next
Steps, World Business Council for Sustainable Development, Genebra, 2020.
[22] F. van Eijk, Barriers & Drivers Towards a Circular Economy, Acceleratio B. V., Naarden, 2015.
[23] F. Costa, Pursuing sustainability in circular economy policies. The case of Portugal from
a multi-stakeholder perspective, Maastricht Sustainability Institute, Maastricht University: Mestrado
em Sustainability Science Policy and Society, 2022.
[24] N. Klein, P. Deutz e T. B. Ramos, A survey of Circular Economy initiatives in Portuguese central
public sector organisations: National outlook for implementation, Journal of Environmental Manage-
ment, vol. 314, 2022.
[25] Circle Economy, The Circularity Gap Report 2022, Amesterdão, 2022.
[26] CIP, Resumo das principais conclusões sobre a “Avaliação geral da realidade do tecido empre-
sarial em Portugal em matéria de Economia Circular, Confederação Empresarial de Portugal, 2021.
[27] D. A. Ness e K. Xing, Toward a Resource-Efficient Built Environment: A Literature Review and
Conceptual Model, Journal of Industrial Ecology, vol. 21, n.º 3, 2017, pp. 572-592.
[28] J. Potting, M. Hekkert, E. Worrell e A. Hanemaaijer, Circular economy: Measuring innovation in
the product chain, Países Baixos, PBL Netherlands Environmental Assessment Agency, 2017.
Resolução do Conselho de Ministros n.º 58/2026
[29] Agência Europeia do Ambiente, Accelerating the circular economy in Europe — State and
outlook 2024, Copenhaga, 2024.
[30] S. Simoes, C. Rocha, J. Alexandre, J. Catarino, C. Ferreira, P. Oliveira, F. Amorim, S. Niza
e C. Nogueira, eMaPriCe — Estudo de Matérias-Primas Críticas e estratégicas e economia circular em
Portugal., Laboratório Nacional de Energia e Geologia, Amadora, 2022.
[31] Ellen MacArthur Foundation, Measure business circularity: Circulytics.
[32] C. Dalhammar, C. Hartman, J. Larsson, J. Jarelin, L. Milios e O. Mont, Moving away from the
throwaway society. Five policy instruments for extending the life of consumer durables, Mistra Sustai-
nable Consumption, Gotemburgo, 2022.
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[33] INE, Gross value added (€) of Enterprises by Geographic localization (NUTS — 2013) and Eco-
nomic activity (Division — CAE Rev. 3); Annual (3), 2020.
[34] S. M. Cunha, Analysis of the socioeconomic metabolism of nations: methods and applica-
tions, Doutoramento em Sistemas de Energia Sustentáveis, Instituto Superior Técnico, Universidade
de Lisboa, Lisboa, 2022.
[35] Eurostat, Air emissions accounts by NACE Rev. 2 activity, 2020.
[36] CCDR-N, Agenda Regional do Norte para a Economia Circular — Têxtil, 2020.
[37] INE, Statistical Data — Database.
[38] Eurostat, Monitoring Framework.
(1) COM (2015) 614 final, de 2 de dezembro de 2015.
(2) COM (2019) 640 final, de 11 de dezembro de 2019.
(3) COM (2020) 98 final, de 11 de março de 2020.
(4) COM(2022) 141 final, de 30 de março de 2022.
(5) COM(2022) 144 final, de 30 de março de 2022.
(6) COM(2022) 677 final, de 30 de novembro de 2022.
(7) COM(2022) 682 final, de 30 de novembro de 2022.
(8) A descrição dos setores correspondente à nomenclatura simplificada usada pode ser encon-
trada na tabela em apêndice.
(9) Extração doméstica — entrada de materiais do ambiente para a economia [Fonte: INE].
(10) DMI — soma da extração doméstica e das importações.
(11) Produtividade dos recursos — relação entre PIB e a DMI, por vezes também considerado o con-
sumo de recursos que é obtido subtraindo a exportação à DMI.
(12) Indicadores de economia circular do Eurostat: produtividade dos recursos (€/kg); produtividade
das áreas artificiais (milhões PPC/km2); consumo interno de materiais (t/habitante); produtividade da
energia (€/kg equivalente de petróleo); quota-parte de energia renovável (%); intensidade em GEE do
consumo de energia (índice 2000 = 100); emissão de GEE per capita (t de emissões de CO2 eq/habi-
tante); produção de resíduos com exclusão de resíduos minerais (kg/habitante); taxa de deposição de
resíduos em aterro, excluindo resíduos minerais de construção e demolição, outros resíduos minerais,
solos e resíduos de dragagens (%); produção de resíduos urbanos (kg/habitante); taxa de reciclagem
dos resíduos urbanos (%); taxa de reciclagem dos resíduos de embalagem (%); taxa de reciclagem dos
resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos (%).
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(13) Vide, designadamente, Comunicação da Comissão «Orientações sobre a aplicação do
artigo 101.º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia aos acordos de cooperação hori-
zontal» (2023/C 259/01).
(14) As ações desta dimensão não contemplam a fase de fim de vida, dado as ações prioritárias
neste âmbito já estarem contempladas, quer ao nível dos instrumentos de política nacional, como sejam
o PERSU 2030 e o PNGR 2030, quer ao nível das competências das entidades gestoras nacionais de
fluxos específicos de resíduos, abrangidas pela responsabilidade alargada do produtor e, ainda, ao nível
comunitário, designadamente, através de estratégias e propostas legislativas atualmente em processo
de negociação (proposta de regulamento que estabelece um quadro para definir os requisitos de con-
ceção ecológica dos produtos sustentáveis e proposta de regulamento sobre embalagens e resíduos
de embalagens).
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(15) Designadamente do Fundo Florestal Permanente, do Fundo de Apoio à Inovação, do Fundo de
Eficiência Energética, do Fundo para a Sustentabilidade Sistémica do Setor Energético, do Fundo Por-
tuguês de Carbono, do Fundo de Intervenção Ambiental, do Fundo de Proteção dos Recursos Hídricos
e do Fundo para a Conservação da Natureza e da Biodiversidade.
(16) COM(2023) 306 final.
(17) Último ano com dados disponíveis.
(18) «Geração de resíduos» corresponde a «produção de resíduos», nos termos da legislação
nacional em vigor.
(19) Corresponde ao indicador do INE: resíduos urbanos recolhidos por habitante (kg/hab.) por
localização geográfica (NUTS — 2013).
(20) Corresponde aos indicadores do INE: desperdício alimentar por habitante (kg/hab.) por localiza-
ção geográfica (NUTS — 2013) e desperdício alimentar (t) por elos da cadeia de abastecimento alimentar.
Apêndice
Tabela — Nomenclatura dos setores económicos e correspondência
com a Nomenclatura NPCN06 usada pelo INE.
Nomenclatura NPCN06 (INE) Nomenclatura simplificada
01 Produtos da agricultura, da produção animal, da caça e dos serviços relacionados AGRICULTURA
02 Produtos da silvicultura, da exploração florestal e serviços relacionados AGRICULTURA
03 Produtos da pesca e da aquacultura e serviços relacionados AGRICULTURA
04 Produtos das indústrias extrativas MINERAÇÃO
10 Produtos alimentares ALIMENTAÇÃO
11 Bebidas ALIMENTAÇÃO
12 Produtos da indústria do tabaco ALIMENTAÇÃO
13 Produtos têxteis TÊXTIL
14 Artigos de vestuário TÊXTIL
15 Couro e produtos afins TÊXTIL
16 Madeira e cortiça e suas obras, exceto mobiliário, obras de espartaria e cestaria MADEIRA
17 Papel e cartão e seus artigos PAPEL
18 Trabalhos de impressão e gravação PAPEL
19 Coque, produtos petrolíferos refinados e aglomerados de combustíveis PRODUTOS PETRÓLEO
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20 Produtos químicos e fibras sintéticas ou artificiais INDÚSTRIA QUÍMICA
21 Produtos farmacêuticos de base, preparações e artigos farmacêuticos INDÚSTRIA QUÍMICA
22 Artigos de borracha e de matérias plásticas PLÁSTICOS
23 Outros produtos minerais não metálicos OUTROS PRODUTOS NÃO
METÁLICOS
24 Metais de base METAIS BÁSICOS
25 Produtos metálicos transformados, exceto máquinas e equipamento PRODUTOS METÁLICOS
26 Produtos informáticos, eletrónicos e óticos ELÉTRICOS E ELETRÓNICOS
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Nomenclatura NPCN06 (INE) Nomenclatura simplificada
27 Equipamento elétrico EQUIPAMENTO ELÉTRICO
28 Máquinas e equipamentos MÁQUINAS
29 Veículos automóveis, reboques e semirreboques VEÍCULOS
30 Outro material de transporte OUTROS TRANSPORTES
31 Mobiliário OUTRA MANUFATURA
32 Produtos diversos das indústrias transformadoras OUTRA MANUFATURA
33 Serviços de reparação e instalação de máquinas e equipamento OUTRA MANUFATURA
35 Eletricidade, gás, vapor e água quente e fria e ar frio ÁGUA, ELETRICIDADE E RESÍ-
DUOS
36 Captação, tratamento e distribuição de água ÁGUA, ELETRICIDADE E RESÍ-
DUOS
40 Recolha, drenagem e tratamento de águas residuais; recolha, tratamento e eliminação ÁGUA, ELETRICIDADE E RESÍ-
de resíduos; valorização de materiais; descontaminação e atividades similares DUOS
41 Construção de edifícios CONSTRUÇÃO
42 Trabalhos de engenharia civil CONSTRUÇÃO
43 Trabalhos de construção especializados CONSTRUÇÃO
45 Vendas por grosso e a retalho e serviços de reparação de veículos automóveis e moto- SERVIÇOS
ciclos
46 Vendas por grosso, exceto de veículos automóveis e motociclos SERVIÇOS
47 Vendas a retalho, exceto de veículos automóveis e motociclos SERVIÇOS
49 Serviços de transporte terrestre e por condutas (pipelines) SERVIÇOS
50 Serviços de transporte por água SERVIÇOS
51 Serviços de transporte aéreo SERVIÇOS
52 Serviços de armazenagem e auxiliares dos transportes SERVIÇOS
53 Serviços postais e de courrier SERVIÇOS
55 Serviços de alojamento SERVIÇOS
56 Serviços de restauração e similares SERVIÇOS
58 Serviços de edição SERVIÇOS
59 Serviços de produção de filmes, vídeos e programas de televisão, gravação de som SERVIÇOS
e edição de música
60 Serviços de programação e radiodifusão SERVIÇOS
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61 Serviços de telecomunicações SERVIÇOS
62 Consultoria e programação informática e serviços relacionados SERVIÇOS
63 Serviços de informação SERVIÇOS
64 Serviços financeiros, exceto seguros e fundos de pensões SERVIÇOS
65 Serviços de seguros, resseguros e fundos de pensões, exceto serviços da segurança SERVIÇOS
social obrigatória
66 Serviços auxiliares de serviços financeiros e de seguros SERVIÇOS
68 Serviços imobiliários SERVIÇOS
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Nomenclatura NPCN06 (INE) Nomenclatura simplificada
69 Serviços jurídicos e contabilísticos SERVIÇOS
70 Serviços de sedes sociais; serviços de consultoria de gestão SERVIÇOS
71 Serviços de arquitetura e de engenharia; serviços de ensaios e de análises técnicas SERVIÇOS
72 Serviços de investigação e desenvolvimento científicos SERVIÇOS
73 Serviços de publicidade e estudos de mercado SERVIÇOS
74 Outros serviços de consultoria, científicos, técnicos e similares SERVIÇOS
75 Serviços veterinários SERVIÇOS
77 Serviços de aluguer SERVIÇOS
78 Serviços de emprego SERVIÇOS
79 Serviços de agências de viagens, operadores turísticos e outros serviços de reservas SERVIÇOS
e relacionados
80 Serviços de segurança e investigação SERVIÇOS
81 Serviços para edifícios e serviços de plantação e manutenção de jardins SERVIÇOS
82 Serviços administrativos e de apoio prestados às empresas SERVIÇOS
84 Serviços da administração pública, defesa e segurança social obrigatória SERVIÇOS
85 Serviços de educação SERVIÇOS
86 Serviços de saúde humana SERVIÇOS
87 Serviços de apoio social com alojamento SERVIÇOS
88 Serviços de apoio social sem alojamento SERVIÇOS
90 Serviços criativos, artísticos e de espetáculo SERVIÇOS
91 Serviços de bibliotecas, arquivos e museus e outros serviços culturais SERVIÇOS
92 Serviços de lotarias e outros jogos de aposta SERVIÇOS
93 Serviços desportivos, de diversão e recreativos SERVIÇOS
94 Serviços prestados por organizações associativas SERVIÇOS
95 Serviços de reparação de computadores e de bens pessoais e domésticos SERVIÇOS
96 Outros serviços pessoais SERVIÇOS
97 Serviços das famílias empregadoras de pessoal doméstico SERVIÇOS
98 Produção de bens e serviços pelas famílias para uso próprio SERVIÇOS
99 Serviços dos organismos internacionais e outras instituições extraterritoriais SERVIÇOS
Resolução do Conselho de Ministros n.º 58/2026
Acrónimos e siglas
ADENE — Agência para a Energia.
AD&C — Agência para o Desenvolvimento e Coesão.
AdP — Águas de Portugal.
AGEFE — Associação Empresarial dos Setores Elétrico, Eletrodoméstico, Fotográfico e Eletrónico.
AGSE — Agência para a Gestão do Sistema Educativo, I. P.
AHRESP — Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal.
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AI2 — Agência para a Investigação e Inovação, E. P. E.
AMA — Agência para a Modernização Administrativa, I. P.
ANAFRE — Associação Nacional de Freguesias.
ANMP — Associação Nacional de Municípios Portugueses.
APA — Agência Portuguesa do Ambiente, I. P.
ApC — Agência para o Clima.
APED — Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição.
APIP — Associação Portuguesa da Indústria de Plásticos.
ASWP — Associação Smart Waste Portugal.
AT — Autoridade Tributária e Aduaneira.
A3ES — Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior.
BCSD — Business Council for Sustainable Development.
BPF — Banco Português de Fomento, S. A.
BREF — Best Available Techniques Reference Documents.
CAE — Classificação Portuguesa das Atividades Económicas.
CAGER — Comissão de Acompanhamento da Gestão de Resíduos.
CCAFA — Centro de Competências da Agricultura Familiar e Agroecologia.
CCDR — Comissão(ões) de Coordenação e Desenvolvimento Regional, I. P.
CCP — Confederação do Comércio e Serviços de Portugal.
CE — Comissão Europeia.
CECOLAB — Collaborative Laboratory Towards Circular Economy.
CI — Centros de Investigação.
CIP — Confederação Empresarial de Portugal.
CIRCO — Creating Business through Circular Design.
CoLAB — Laboratório Colaborativo.
CTE — Cooperação Territorial Europeia.
Resolução do Conselho de Ministros n.º 58/2026
CTI — Centros de Tecnologia e Inovação.
DECO — Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor.
DGADR — Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural.
DGAL — Direção-Geral das Autarquias Locais.
DGAV — Direção-Geral da Alimentação e Veterinária.
DGC — Direção-Geral do Consumidor.
DGE — Direção-Geral da Economia.
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DGEG — Direção-Geral de Energia e Geologia.
DGPM — Direção-Geral de Política do Mar.
DGRM — Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos.
DGT — Direção-Geral do Território.
DMI — utilização direta de materiais (direct material input).
ECO360 — Estratégia Nacional para as Compras Públicas Ecológicas 2030.
EduQA — Instituto da Educação, Qualidade e Avaliação, I. P.
EEE — Equipamentos Elétricos e Eletrónicos.
EG — Entidade Gestora de Fluxos Específicos de Resíduos.
EGASR — Entidades Gestoras de Água, Saneamento e Resíduos.
EIP-AGRI — Parceria Europeia de Inovação para a Produtividade e a Sustentabilidade Agrícolas.
EMAS — Sistema Comunitário de Ecogestão e Auditoria.
EMF — Ellen MacArthur Foundation.
EMPD — Estrutura de Missão Portugal Digital.
ENAB — Estratégia Nacional para a Agricultura Biológica.
ENCDA — Estratégia Nacional de Combate ao Desperdício Alimentar.
ENEA — Estratégia Nacional de Educação Ambiental.
ENM 2021-2030 — Estratégia Nacional para o Mar 2021-2030.
ERSAR — Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos.
ERSE — Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos.
eSPap — Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública, I. P.
ET — Estratégia Turismo.
ETAR — estação de tratamento de águas residuais.
EUROSTAT — Gabinete de Estatísticas da União Europeia.
FA — Fundo Ambiental.
FCT — Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I. P.
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FEADER — Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural.
FEAGA — Fundo Europeu Agrícola de Garantia.
FEAMPA — Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos, das Pescas e da Aquicultura.
FEDER — Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.
FER — Fim de Estatuto de Resíduo.
FITEC — Fundo de Inovação, Tecnologia e Economia Circular.
FSE+ — Fundo Social Europeu.
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FTJ — Fundo para uma Transição Justa.
GEE — gases com efeito de estufa.
GPEARI — Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais.
GPP — Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral.
GRACE — Empresas Responsáveis.
HE — Horizonte Europa.
HEC — Hubs Empresariais Circulares.
IAPMEI — Agência para a Competitividade e Inovação, I. P.
IEFP — Instituto do Emprego e da Formação Profissional, I. P.
I&D — Investigação e Desenvolvimento.
I&D&I — Investigação, Desenvolvimento e Inovação.
I&I — Investigação e Inovação.
IES — Instituições de Ensino Superior, I. P.
IFAP — Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas, I. P.
IGAMAOT — Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território.
IMPIC — Instituto dos Mercados Públicos, do Imobiliário e da Construção, I. P.
INA — Instituto Nacional de Administração, I. P.
InC2 — Iniciativa Nacional Cidades Circulares.
INE — Instituto Nacional de Estatística, I. P.
INIAV — Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I. P.
INPI — Instituto Nacional da Propriedade Industrial.
IPMA — Instituto Português do Mar e da Atmosfera, I. P.
LNEC — Laboratório Nacional de Engenharia Civil, I. P.
LNEG — Laboratório Nacional de Energia e Geologia, I. P.
MAEn — Ministério do Ambiente e Energia.
MAGRIM — Ministério da Agricultura e Mar.
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ME — Ministério da Economia.
MECI — Ministério da Educação, Ciência e Inovação.
MIE — Mecanismo Interligar a Europa.
OCDE — Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico.
ODS — Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
ONG — Organização Não-Governamental.
ONU — Organização das Nações Unidas.
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P-3AC — Programa de Ação para a Adaptação às Alterações Climáticas.
PABS — Plano de Ação para a Bioeconomia Sustentável.
PAEC — Plano de Ação para a Economia Circular.
PAEC UE — Plano de Ação para a Economia Circular Europeu — Para uma Europa mais limpa
e competitiva.
PAMEAP — Programa de Apoio à Mobilidade Elétrica na Administração Pública.
PAqAT — Plano para a Aquicultura em Águas de Transição para Portugal continental.
PENSAARP 2030 — Plano Estratégico para o Setor de Abastecimento de Água e Gestão de Águas
Residuais e Pluviais 2030.
PEPAC — Plano Estratégico da Política Agrícola Comum.
PERSU 2030 — Plano Estratégico para os Resíduos Urbanos 2030.
PGRH — Planos de Gestão de Região Hidrográfica.
PIB — produto interno bruto.
PME — pequenas e médias empresas.
PNA — Plano Nacional da Água.
PNEC — Plano Nacional Energia e Clima.
PNGR 2030 — Plano Nacional de Gestão de Resíduos 2030.
PNI 2030 — Programa Nacional de Investimentos.
PNPAS — Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável.
PNPOT — Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território.
PNR — Programa Nacional de Reformas.
PNS 2030 — Plano Nacional de Saúde 2030.
PNUEA — Programa Nacional para o Uso Eficiente da Água.
PPL — Plataforma Portuguesa de Crowdfunding.
PR — Programas Regionais.
PRR — Plano de Recuperação e Resiliência.
PSS — Product-Service-Systems.
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PT — Portugal.
PT2030 — Portugal 2030.
REEE — resíduos de equipamento elétricos e eletrónicos.
RNC — Roteiro para a Neutralidade Carbónica.
SEPNA — Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente.
SGGOV — Secretaria-Geral do Governo.
SGRU — Sistema de Gestão de Resíduos Urbanos.
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SIFIDE — Sistema de Incentivos Fiscais à I&D Empresarial.
SIGREEE — Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrónicos.
SPMS — Serviços Partilhados do Ministério da Saúde.
TdP — Instituto de Turismo de Portugal, I. P.
TIC — Tecnologias da Informação e Comunicação.
UE — União Europeia.
ZER — Zonas Empresariais Responsáveis.
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PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS