Diário da República, 1.ª série
Resolução do Conselho de Ministros n.º 182/2021
- Data
- 2021-12-24
- Tipo
- Resolução do Conselho de Ministros
- Emitente
- PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Texto integral (20 042 palavras)
Resolução do Conselho de Ministros n.º 182/2021
Sumário: Altera a Estratégia para o Aumento da Competitividade da Rede de Portos Comerciais
do Continente — Horizonte 2026.
O XXI Governo Constitucional aprovou, através da Resolução do Conselho de Ministros
n.º 175/2017, de 24 de novembro, a Estratégia para o Aumento da Competitividade da Rede de
Portos Comerciais do Continente — Horizonte 2026, a qual definiu objetivos estratégicos e metas
concretas que combinam o realismo e a ambição, binómio no qual assenta o novo impulso de de-
senvolvimento pretendido para o sistema portuário do continente.
A referida estratégia visa a dinamização da atividade portuária e a simplificação administra-
tiva, com o objetivo de contribuir para a retoma do investimento, para a redução dos custos de
contexto e para o relançamento da economia através da transformação do potencial existente em
crescimento económico e emprego.
Com efeito, as zonas portuárias têm sido, ao longo dos anos, áreas urbanas fulcrais da cidade,
cujo reordenamento constante apela às capacidades específicas de inovação de todos os seus
agentes, numa lógica de colaboração. Os portos nacionais são um motor essencial do desenvol-
vimento do país e devem ser agentes de mudança e evolução, apostando-se, para o efeito, nas
plataformas digitais, na automação, na robotização e nas energias limpas.
A pandemia da doença COVID-19 originou uma crise de saúde pública com grandes impactos
a nível social e económico, a que tem sido necessário dar resposta através de um conjunto sig-
nificativo de medidas de apoio social e económico. Neste contexto, foi recentemente aprovado o
Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), documento estratégico que integra reformas estruturais
fundamentais para colmatar os impactos negativos da crise provocada pela pandemia e garantir
um futuro resiliente para Portugal. O PRR é complementar da Estratégia Portugal 2030, aprovada
pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 98/2020, de 13 de novembro, constituindo estes os
referenciais estratégicos para as opções estruturais do nosso país ao longo da década.
Neste âmbito, a componente 10 do PRR, dedicada à área do mar, prevê expressamente a
presente alteração legislativa, integrada numa reforma do ecossistema de infraestruturas de suporte
à economia azul, tendo em vista o lançamento de um novo ecossistema de inovação e capacita-
ção da economia do mar descarbonizadora, a partir de um Hub Azul de infraestruturas em rede.
Este Hub Azul será constituído por polos em zonas portuárias com acesso direto ao mar, e estará
assente num modelo de negócio dinamizador da transferência de conhecimento e tecnologia entre
os atores da cadeia de valor.
Em paralelo, a criação de plataformas de aceleração tecnológica nos portos corresponde a
uma das medidas estabelecidas no Programa do XXII Governo Constitucional, que determina que
Portugal maximize os Port Tech Clusters, potenciando os portos como ecossistemas de inovação
para a economia azul, congregando no mesmo espaço startups, empresas maduras e centros de
inovação e desenvolvimento.
Face ao exposto, importa adequar a Estratégia para o Aumento da Competitividade da Rede
de Portos Comerciais do Continente — Horizonte 2026 ao PRR, alargando o âmbito da rede Port
Tech Clusters aos setores da bioeconomia azul em linha com os documentos estratégicos e de
ação europeus e nacionais em matéria de Bioeconomia Sustentável.
Assim:
Nos termos da alínea g) do artigo 199.º da Constituição, o Conselho de Ministros resolve:
1 — Alterar os n.os 2, 5 e 6 da Resolução do Conselho de Ministros n.º 175/2017, de 24 de
novembro, que passam a ter a seguinte redação:
«2 — […]
a) […]
b) […]
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c) Criar e dotar os portos de plataformas de aceleração tecnológica e áreas específicas de
apoio a novas atividades no mar, no seio do Hub Azul, designadamente nos domínios da energia
renovável de fonte ou localização oceânica, da aquicultura em mar aberto (offshore), da robótica,
dos cabos submarinos e da bioeconomia.
5 — Determinar que a assunção de compromissos no âmbito da execução de medidas e ou
projetos previstos no anexo II à presente resolução e da qual faz parte integrante, depende de
fundos disponíveis por parte das entidades públicas e privadas competentes e da comparticipação
da União Europeia, estando assegurado o financiamento através do PRR designadamente no que
diz respeito aos objetivos estratégicos C2 e C3, previstos no n.º 4 do anexo I à presente resolução,
bem como dos investimentos associados ao ponto 6.4. do Plano de Ação para a Estratégia para
o Aumento da Competitividade da Rede de Portos Comerciais do Continente — Horizonte 2026.
6 — Atribuir ao membro do Governo responsável pela área das infraestruturas a responsabi-
lidade pela implementação da Estratégia para o Aumento da Competitividade da Rede de Portos
Comerciais do Continente — Horizonte 2026, incluindo a execução das medidas nela preconizadas
e de outras que se revelem necessárias ao cumprimento dos seus objetivos.»
2 — Alterar o anexo I à Resolução do Conselho de Ministros n.º 175/2017, de 24 de novem-
bro, o qual passa a ter a redação constante do anexo à presente resolução e da qual faz parte
integrante.
3 — Estabelecer que a presente resolução produz efeitos a partir da data da sua aprovação.
Presidência do Conselho de Ministros, 18 de novembro de 2021. — O Primeiro-Ministro,
António Luís Santos da Costa.
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ANEXO
(a que se refere n.º 2)
«ANEXO I
(a que se refere o n.º 1)
Estratégia para o Aumento da Competitividade da Rede de Portos Comerciais
do Continente - Horizonte 2026
1 - Enquadramento geral
Comércio mundial e transporte marítimo: Novos desafios e oportunidades
No período de 1990 a 2008 o volume do comércio mundial duplicava face ao crescimento
do produto interno bruto (PIB) mundial. De acordo com a Conferência das Nações Unidas
sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) verifica-se uma tendência para o
enfraquecimento da relação entre o crescimento do comércio mundial e o PIB mundial, com
implicações de longo prazo para o comércio marítimo e transporte marítimo mundial.
Figura 1 - Evolução de indicadores mundiais
Fonte: UNCTAD, 2016.
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De igual modo, observando a evolução do comércio marítimo de mercadorias em Portugal
e tendo em consideração a profunda crise e recessão de 2009, constata-se um notável
crescimento do comércio marítimo de mercadorias no período 2007-2016 (37 %) em
comparação com a evolução do PIB nacional para o mesmo período.
Figura 2 - Evolução comércio marítimo de mercadorias vs PIB nacional
Fonte: Pordata 2016.
Neste contexto, é com o fenómeno da globalização que o transporte marítimo encontrou
novos fatores que afetaram e impulsionaram o volume de bens transacionados à escala
mundial. O abrandamento da economia chinesa associada à recessão de países em
desenvolvimento (particularmente do Brasil) e à descida dos preços do petróleo e outras
commodities primárias, associadas a flutuações cambiais e de volatilidade financeira geraram
distintos impactos regionais de crescimento do comércio mundial.
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Assim, apontam-se novos fatores que impactam na matriz do comércio marítimo mundial
dos próximos anos: crescimento do comércio na rota Sul-Sul; a iniciativa chinesa «One Belt,
One Road», a expansão do Canal do Panamá e do Canal do Suez em paralelo com o decorrer
da 4.ª revolução industrial, a «Big Data», e o crescimento exponencial do comércio eletrónico
são canalizadores de novos impactes no comércio mundial, traduzindo-se em novos desafios
e oportunidades para o transporte marítimo mundial (UNCTAD, 2016).
Novas geografias do comércio mundial
De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE)
(International Transport Forum, 2016) em 2050 o transporte de mercadorias representará mais
de 385 mil milhões toneladas-quilómetro, ou seja 4,3 vezes o valor de 2010, prevendo-se que
o transporte marítimo continuará a ser o principal modo de transporte do comércio
internacional, representando cerca de 83 % do volume total em 2050.
Nesse contexto, prevê-se uma evolução do volume de transporte de mercadorias
acompanhada por uma alteração geográfica das rotas marítimas de comércio mundial: o
comércio intra-asiático sofrerá um crescimento exponencial até 2050, embora a crise na
Europa esteja ainda a procurar um equilíbrio, prevê-se que o comércio intraeuropeu para
aquele período triplicará. Destaca-se o forte potencial de desenvolvimento do Brasil, a Rússia,
a Índia, a China, a Coreia, a Turquia, a Indonésia e o México (BRICKTIM) face à previsão
de crescimento do PIB per capita destes países nos próximos anos.
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Figura 3 - Transporte internacional de mercadorias em toneladas-quilómetro por corredor:
2010, 2030, 2050
Fonte: OCDE, 2016.
Sequentemente as rotas comerciais tradicionais serão alvo de uma mudança devido ao
expectável crescimento das economias emergentes (cerca de 17 % média anual de
crescimento esperada), a par da crescente importância da rota Estados Unidos da América
(EUA) - China bem como do aumento de intensidade de comércio no Oceano Índico,
Mediterrâneo e Mar Cáspio e que refletem a alteração do centro de gravidade económico
para a Ásia. No entanto, mesmo perspetivando um menor crescimento do corredor
intraeuropeu, este continuará a ser, em termos absolutos, um dos mais ativos corredores de
transporte de mercadorias no mundo.
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As mudanças geográficas do transporte global de mercadorias resultarão também na
alteração do seu valor, isto é, as mercadorias transportadas de África aumentarão em 52 %
até 2050, ultrapassando a densidade de valor das importações do Espaço Económico
Europeu, Turquia, América do Norte e América do Sul. Estima-se que a China e a Coreia do
Sul sejam os maiores exportadores de bens de elevado valor (componentes eletrónicos,
telemóveis, etc.). Por outro lado, a importação de produtos agrícolas e de bens alimentares
crescerá exponencialmente na China e em África (rececionarão 32 % e 19 % do total do
transporte mundial em toneladas-quilómetro). Sendo que, de acordo com as projeções da
OCDE, os principais fornecedores de bens alimentares serão EUA (38 %), Europa (11 %) e
Brasil (8 %).
Contentorização: Sinónimo de globalização
O crescimento do transporte marítimo de carga contentorizada nas últimas décadas (1980-
-2014 regista 8,3 %) foi impulsionado em grande parte pelo fenómeno da globalização que
levou à maior contentorização das mercadorias. Numa economia globalizada, a
contentorização oferece a vantagem de transporte multimodal de mercadorias, permitindo a
redução do custo por unidade transportada da maioria dos produtos acabados, pelo que
assiste-se a uma crescente contentorização da carga fracionada ou a granel.
Em resposta a esta tendência, as frotas marítimas mundiais têm aumentado a sua dimensão
resultando em impactos estruturais nas infraestruturas portuárias. Uma das mais importantes
é a de que os portos de águas profundas passaram a desempenhar um papel de distribuidores
e de alimentadores dos outros portos do sistema mundial.
Crescimento da frota mundial
Em consequência do crescimento económico e do aumento do comércio marítimo entre
1980 e 2014, a frota mundial aumentou 44 % em termos de número de navios e em 185 %
em termos de dimensão do navio (expresso em arqueação bruta como o volume do navio
total, incluindo o superstrutura e acomodações).
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Gráfico 1 - Desenvolvimento da frota por tipo de navio (em milhares de GT - gross tonnage)
Fonte: Relatório para Comissão Europeia elaborado por PwC, Panteia, Significance, 2015.
Num curto prazo de tempo, passou-se rapidamente da geração de navios Panamax (navios
que atravessam Canal do Panamá), para uma geração «pós Novo Panamax» e atualmente para
os gigantes «Triple E» com capacidades acima de 19 000 TEU.
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Figura 4 - Progressivo aumento na dimensão dos navios
Fonte: Ashar and Rodrigue, 2012 (dimensões em metros).
Contexto europeu do transporte marítimo
O transporte marítimo desempenha um papel essencial no comércio internacional de
mercadorias da União Europeia (UE). Em 2015, o valor do comércio de mercadorias da UE
com países terceiros (países não comunitários) transportados por via marítima foi estimado
em cerca de 1.777 milhões de euros, representando cerca de 51 % do comércio de
mercadorias da UE (53 % de importações e 48 % das exportações da UE para países
terceiros).
Roterdão, Antuérpia e Hamburgo, todos localizados na costa do Mar do Norte, foram os
três principais portos de carga da UE em 2014, respondendo por quase um quinto (19,2 %)
da tonelagem movimentada por todos os portos da UE.
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Portugal encontra-se em primeiro lugar no ranking de países da UE com comércio de
mercadorias transportados por via marítima com países terceiros, registando 81 % do valor
comercial, seguido do Chipre (80 %), Grécia (77 %), Espanha (74 %), Malta (67%), Itália
(61 %) e Finlândia (60 %), conforme se verifica no quadro seguinte. Com mais de 50 % de
quota de comércio internacional encontram-se os Países Baixos, a Roménia, a Bulgária, a
Dinamarca e a Alemanha.
Figura 5 - Estados-Membros da UE que comercializam mercadorias com países terceiros
transportados por via marítima, 2015
Fonte: Eurostat, 2016.
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Contexto ibérico dos principais portos
Espanha encontra-se em quarto lugar no ranking do comércio extraeuropeu, detendo
46 portos que registaram em 2015 um movimento de total de mercadorias de cerca de
500 milhões de toneladas. Algeciras foi o primeiro hub (porto de transhipment) da Península
Ibérica e o primeiro a colher os benefícios de uma localização geográfica única em meados
da década de 1990 tendo a sua quota de mercado decrescido gradualmente nos últimos anos.
Embora mantenha a sua posição de liderança, enquanto maior porto do mediterrâneo com
um volume de 4,76 milhões de TEU em 2016, com cerca de 95 % do seu rendimento
relacionado ao negócio de transbordo, destaca-se a subida de Sines em 2016, para 15.º lugar
no Top 15 dos maiores portos de contentores da Europa, atingindo 1,513 milhões de TEU.
De igual modo, quando analisada a quota de mercado de Sines face aos 4 principais hubs do
sul da Europa (Algeciras, Tanger Med, Málaga e Valência) verifica-se o aumento da quota de
2,7 % em 2008 para 10,7 % em 2016, tornando-se assim um porto estratégico no
desenvolvimento do comércio entre a Ásia, Europa e América do Sul.
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Figura 6 - Top 15 dos maiores portos de contentores da Europa
Fonte: PortEconomics, 2016
Competir num mercado global fortemente concentrado
Neste contexto, os portos deverão estar preparados para dar resposta às grandes alianças
marítimas - criadas para aproveitamento de sinergias, de espaços e de redução de custos,
sobretudo nas grandes viagens transoceânicas, traduzindo-se em novas rotas marítimas de
comércio e impacto na alteração de serviços marítimos existentes.
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As três novas alianças recentemente anunciadas, a 2M Alliance: Maersk, MSC; a The Alliance:
NYK, MOL, K Line, Yang Ming, Hapag-Lloyd/UASC e a Ocean Alliance: CMA CGM,
Evergreen, OOCL e COSCO Shipping controlam 77,2 % da capacidade global de
contentores e 96 % do comércio na rota «East-West», passando a controlar quase metade da
frota mundial do segmento de mercado de contentores. A «Ocean Alliance» oferecerá o maior
número de serviços (40 serviços/loops), seguida da «The Alliance» com 32 serviços e a «2M»
com 25 serviços. Tal concentração poderá levar a uma consolidação ainda maior do setor e,
como tal, esta mudança avizinha-se como um grande desafio para o setor portuário, uma vez
que se incorre o risco de perda de serviços marítimos e da carga contentorizada que
habitualmente movimentam. É nesse contexto de incerteza que as projeções de tráfego para
a carga contentorizada revelam alguma dúvida, fruto da otimização de serviços que poderá e
deverá ocorrer, pelo que a OCDE atenta que a consolidação das alianças marítimas poderá
traduzir-se num crescimento do tráfego de «transhipment», reforçando o risco de uma projeção
de fluxos de tráfego muito variável.
Novos desafios para os portos
A emergência de novas rotas marítimas globais como alternativa à Rota do Mar do Norte,
custos de investimento, constrangimentos físicos dos portos para acolhimento dos navios de
grandes dimensões bem como a concentração e verticalização das grandes alianças marítimas
mundiais e o desenvolvimento da capacidade dos canais do Panamá e da Nicarágua
apresentam-se como muitos dos novos desafios a encarar na definição de estratégias futuras
para os portos mundiais.
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As dimensões dos navios aumentarão a dependência e importância do denominado
transporte «feedering» ou transporte «de alimentação» como componente da cadeia de
transporte. A escolha do porto com capacidade de resposta operacional a este desafio físico
será decisiva uma vez que serão substituídos portos sem capacidade de resposta por portos
com capacidade. Sequentemente, os portos sul-europeus enfrentam a concorrência dos
portos europeus concorrentes e da evolução dos portos no Norte de África. Nesse sentido,
ocorrendo uma alteração dos padrões de logística e de comércio internacional, a função de
transbordo e de «feedering» poderá também ser uma oportunidade para os portos do Sul da
Europa particularmente para Portugal, face à tendência de congestionamento da faixa
portuária norte-europeia, considerando a sua capacidade de resposta à procura por navios de
grandes dimensões e à eficiência das ligações ao hinterland.
A eficiência de um porto é um elemento essencial para atração de negócios, pois tem de
funcionar como um centro de conexão, operando de forma expedita e sem
constrangimentos, recorrendo às novas tecnologias para agilização de processos (por via da
digitalização) e facilitação de procedimentos.
Os novos desafios que se colocam exigem infraestruturas preparadas para receber navios
com maior dimensão, plataformas logísticas de retaguarda com dimensão para impedir o
congestionamento e redes articuladas que permitam soluções multimodais com recurso a
modos de transporte menos poluentes (marítimo e fluvial).
Por sua vez, a modernização e o desenvolvimento das infraestruturas portuárias associadas
à integração dos portos comerciais do continente na Rede Transeuropeia de Transportes
(RTE-T) é um elemento essencial para um setor em profunda transformação e com enormes
potencialidades de crescimento.
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Figura 7 - Corredores da RTE-T - Rede Principal
Fonte: DG MOVE, Comissão Europeia 2014.
Nas dimensões tecnológica e ambiental, o transporte marítimo encara também novas
exigências que exigem uma postura pró-ativa dos portos: o recurso a fontes de abastecimento
mais limpas, a redução de emissões de CO2, a utilização do gás natural liquefeito (GNL) na
propulsão dos navios, bem como o recurso a outras fontes de energia renovável, com especial
enfoque para as energias renováveis de fonte ou localização oceânica (nomeadamente,
energia eólica offshore e a energia das ondas e marés) para fornecimento a navios em porto.
Desafios que também incluem uma aposta na melhoria contínua das condições de segurança
e de navegabilidade marítima.
Desafios que incluem a desmaterialização de processos, o acompanhamento das mercadorias
com processos de «tracking and tracing» e a criação de portos secos indispensáveis para a
materialização da Janela Única Logística (JUL).
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Este conjunto de desafios tem como elemento agregador e fundamental - a coordenação e
articulação eficiente entre portos, tecnologia, redes físicas e informacionais das cadeias
logísticas que integram. Só desta forma os portos poderão constituir-se como hubs de
negócios dinâmicos, capazes de atrair investimento, indústrias e tornarem-se centros
logísticos de elevado valor acrescentado.
A vantagem geoestratégico-marítima de Portugal
Portugal dispõe de uma localização estratégica privilegiada e está localizado na interseção das
principais rotas mundiais Norte/Sul Este/Oeste.
Essa posição sai reforçada com o alargamento e aprofundamento do Canal do Panamá, que
em 2025 se estima, num cenário moderado, venha a atingir 192,5 milhões de toneladas de
carga contentorizada transportada e que num cenário otimista poderá atingir 205,2 milhões
de carga contentorizada.
No entanto, esta vantagem não é suficiente para dar resposta aos desafios e oportunidades
que hoje se colocam aos portos comerciais do continente. Hoje Portugal terá de ir além do
desenvolvimento das infraestruturas portuárias, devendo diferenciar-se e construir valor
através da afirmação dos seus portos comerciais como plataformas logísticas globais dos
grandes operadores mundiais e da sua transformação em hubs aceleradores de negócios e
tecnologia, eficientes, inteligentes e sustentáveis, liderando a inovação no green shipping.
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2 - Evolução da movimentação de mercadorias por via marítima na última década e projeções
para 2026
O presente capítulo visa apresentar o desempenho, em termos de movimentação de
mercadorias, dos principais portos comerciais do continente - Leixões, Aveiro, Figueira da
Foz, Lisboa, Setúbal e Sines - verificado nos últimos 10 anos de atividade portuária, isto é,
no período 2005-2015, bem como a sua projeção para o horizonte 2026 de acordo com três
cenários prospetivos: pessimista, moderado e otimista. Numa perspetiva de conjunto entre
as duas décadas, as projeções indicam que os próximos 10 anos serão marcados por uma
consolidação da trajetória de crescimento iniciado na década transata, e em muito alicerçada
pelo segmento da Carga Contentorizada.
Uma década de crescimento nos principais portos comerciais do Continente: 2005-2015
A última década (2005-2015) marca um período próspero na atividade dos principais portos
comerciais do continente, decorrida uma década de investimentos cruciais para o
desenvolvimento do setor, tendo registado um crescimento global de 42 % no movimento
total de mercadorias e uma taxa de crescimento média de anual de 4 %. No final deste
período, o ano 2015 registou um valor histórico de 88,5 milhões de toneladas de
movimentação global, tendo 2016 superado este recorde com o registo de 93,3 milhões de
toneladas movimentadas naqueles portos.
Os portos que mais contribuíram para este crescimento foram o Porto da Figueira da Foz e
o Porto de Sines com um crescimento global de 108 % e 76 %, respetivamente.
Observando os segmentos de carga que mais contribuíram para este resultado, destaca-se a
carga contentorizada (crescimento de 200 %), a carga ro-ro (148 %) e a carga geral fracionada
(80 %).
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Gráfico 2 - Taxa de crescimento por segmentos de carga 2005-2015
Granéis Liquidos
Granéis Sólidos
Ro-Ro
Contentorizada
Carga Geral Fraccionada
0% 50% 100% 150% 200% 250%
Fonte: APDL, S. A., APA, S. A., APFF, S. A., APL, S. A., APSS, S. A. e APS, S. A.; 2017
Evolução da carga contentorizada na última década
Atenta a importância crescente do segmento de carga contentorizada na atividade dos
principais portos comerciais do continente e ante as perspetivas do seu crescimento a nível
mundial, importa salientar a evolução deste segmento nos portos que movimentam esta
tipologia de carga. Observando os gráficos que se seguem, importa sobretudo relevar o
crescimento exponencial do segmento de contentores em Sines com uma taxa de
crescimento de 2512 %, seguida dos Portos de Setúbal (820 %), Figueira da Foz (97 %) e
Leixões (77 %). No que respeita o movimento de contentores no Porto de Lisboa, o clima
de instabilidade laboral vivido nos últimos 4 anos por efeito da greve ocorrida em Lisboa
(desde agosto de 2012 a junho 2016) reflete o recuo verificado (quebra de 6 %) na última
década, tendo este gerado o desvio de serviços de linha regular, não só para outros portos
nacionais, mas também para portos de Espanha. Pese embora esta quebra, assinala-se uma
taxa de crescimento anual de 12 % no segmento de carga contentorizada no período em
análise.
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Gráfico 3 - Evolução da carga contentorizada (TEU) entre 2005 e 2015 nos principais portos
comerciais do Continente
Fonte: APDL, S. A., APA, S. A., APFF, S. A., APL, S. A., APSS, S. A. e APS, S. A.; 2017.
No seguinte gráfico apresentam-se as quotas de mercado de cada um dos portos no segmento
de carga contentorizada no final da década 2005-2015. Importa aqui realçar o reforço do
posicionamento do Porto de Sines enquanto porto de transhipment, tendo alcançado em 2015
uma quota nacional de 51 %, seguido de Leixões com 24 % e, em terceiro, Lisboa com 19 %
de quota de mercado.
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Gráfico 4 - Quota de mercado da carga contentorizada (TEU) nos principais portos
comerciais do Continente em 2015
Leixões
24%
Figueira da Foz
Sines 1%
51%
Lisboa
19%
Setúbal
5%
Fonte: APDL, S. A., APA, S. A., APFF, S. A., APL, S. A., APSS, S. A. e APS, S. A.; 2017.
Projeção da movimentação de mercadorias 2016-2026
Ante o exposto, e tendo como base o panorama de crescimento da última década e as novas
tendências de mercado do transporte marítimo mundial aliadas às previsões de cada um dos
portos visados neste documento, apresenta-se uma prospetiva do movimento de mercadorias
para a próxima década com o horizonte 2026, sob três cenários de projeção: A) Cenário
pessimista: perspetiva conservadora de crescimento de tráfego ante fatores negativos ou
menos positivos que poderão condicionar o crescimento de cada porto; B) Cenário
moderado: perspetiva menos conservadora mas que pressupõe a realização de parte das
iniciativas estratégicas delineadas para a próxima década; e C) Cenário otimista: perspetiva
que visiona execução das iniciativas estratégicas de cada porto elencadas pela concretização
dos projetos e investimento previstos na «Estratégia para o Aumento da Competitividade da
Rede de Portos Comerciais do Continente - Horizonte 2026».
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Todos os cenários contemplam os seguintes pressupostos:
• Alteração rotas marítimas, fruto das alianças entre os maiores armadores;
• Crescente procura de armadores chineses por terminais Hub na Europa;
• Maiores armadores mundiais com investimento projetado para Portugal (Caso MSC
e intenção de outros players mundiais);
• Efeito contentorização: o aumento das mercadorias transportadas por contentor nos
próximos anos;
• Efetivo alargamento do Hinterland dos portos comerciais do continente a Espanha
com a dinamização da infraestrutura ferroviária;
• Efeito transhipment em Portugal: Sines e Lisboa aumentam capacidade e reforçam
posicionamento do mercado de transhipment, com incremento do feedering e da
transferência modal;
• Aumento do consumo interno nacional (índice de confiança do consumidor atingiu
o valor mais elevado de sempre em 2016);
• Aumento do comércio externo da fileira da indústria alimentar;
• Aumento das exportações e importações da indústria automóvel;
• Aumento da produção no setor de construção e metalúrgico;
• Aumento da procura global de GNL;
• Projetos previstos na «Estratégia para o Aumento da Competitividade da Rede de
Portos Comerciais do Continente» do Governo de Portugal.
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Neste contexto, analisando cada um dos cenários:
• Cenário A - Pessimista: perspetiva-se um crescimento global da movimentação de
mercadorias na ordem dos 39 % e uma taxa de crescimento anual de 3 %, traduzida num
valor absoluto de 123,4 milhões de toneladas de movimentação total;
• Cenário B - Moderado: perspetiva-se um crescimento global da movimentação de
mercadorias na ordem dos 57 % e uma taxa de crescimento anual de 4 %, traduzida num
valor absoluto de 139 milhões de toneladas de movimentação total;
• Cenário C - Otimista: perspetiva-se um crescimento global da movimentação de
mercadorias na ordem dos 106 % e uma taxa de crescimento anual de 7 %, traduzida
num valor absoluto de 182 milhões de toneladas de movimentação total.
Considerando que o setor do Mar constitui uma aposta de futuro, onde a melhoria da
eficiência das infraestruturas portuárias é absolutamente vital para o crescimento dos portos
comerciais do continente (e com positivos impactos na economia do mar) e atendendo à
transversal aposta em projetos aceleradores de desenvolvimento tecnológico e de inovação
no sistema portuário, e ao aproveitamento de novas oportunidades de mercado, o Governo
assume o objetivo dum crescimento global de 88 % de movimentação de mercadorias para
o horizonte 2026, face ao valor atingido em 2015.
Diário da República, 1.ª série
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Gráfico 5 - Cenários de previsão da evolução de movimentação de mercadorias nos portos
comerciais do Continente, período 2016-2026
Fonte: APDL, S. A., APA, S. A., APFF, S. A., APL, S. A., APSS, S. A. e APS, S. A.; 2017.
No que respeita ao segmento de carga contentorizada, e considerando a argumentação acima
exposta, o Governo assume o objetivo dum crescimento global de 200 % na movimentação
de carga contentorizada para o horizonte 2026 face ao valor atingido em 2015.
Diário da República, 1.ª série
N.º 248 24 de dezembro de 2021 Pág. 44
Gráfico 6 - Cenários de previsão da evolução da carga contentorizada nos portos comerciais
do continente, período 2016-2026
Fonte: APDL, S. A., APA, S. A., APFF, S. A., APL, S. A., APSS, S. A. e APS, S. A.; 2017.
2.1 - Porto de Leixões
Evolução do Período 2005-2015
Decorrida uma década de investimentos, nos quais se destaca a melhoria das infraestruturas
portuárias e das acessibilidades marítima e rodoviária, o Porto de Leixões regista um
crescimento global de 34 % face ao ano de 2005. Observando o quadro abaixo apresentado,
destaca-se a importância do crescimento da carga geral (crescimento de 94 %), tendo o
segmento ro-ro contribuído para este resultado face a uma trajetória exponencial de
crescimento de 7640 % registada a partir de 2013. De igual modo, é de sublinhar o
crescimento global na carga contentorizada em 69 % no período 2005-2015.
Diário da República, 1.ª série
N.º 248 24 de dezembro de 2021 Pág. 45
Quadro 1 - Evolução da movimentação por segmento de carga no Porto de Leixões no
período 2005-2015
Fonte: APDL, S. A., 2017.
Gráfico 7 - Evolução da movimentação por segmento de carga no Porto de Leixões no
período 2005-2015
Fonte: APDL, S.A., 2017.
Diário da República, 1.ª série
N.º 248 24 de dezembro de 2021 Pág. 46
Projeção da movimentação de mercadorias no Porto de Leixões 2016-2026
De acordo com as projeções da Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do
Castelo, S. A. (APDL, S. A.), a previsão de movimentação de mercadorias para a próxima
década (Vide gráficos abaixo apresentados), prevê os seguintes cenários:
• Cenário A - Pessimista: 1) Perspetiva-se um crescimento global da movimentação de
mercadorias de 10 % e uma taxa de crescimento anual de 1 %, traduzida num valor
absoluto de 20,6 milhões de toneladas de movimentação total; 2) Perspetiva-se um
crescimento do segmento de carga contentorizada de 12 % e uma taxa de crescimento
anual de 1 %, traduzida num valor absoluto de 700 000 TEU em 2026;
• Cenário B - Moderado: 1) Perspetiva-se um crescimento global da movimentação de
mercadorias de 33 % e uma taxa de crescimento anual de 3 %, traduzida num valor
absoluto de 24,9 milhões de toneladas de movimentação total; 2) Perspetiva-se um
crescimento do segmento de carga contentorizada de 36 % e uma taxa de crescimento
anual de 3 %, traduzida num valor absoluto de 850 000 TEU em 2026;
• Cenário C - Otimista: 1) Perspetiva-se um crescimento global da movimentação de
mercadorias de 60 % e uma taxa de crescimento anual de 4 %, traduzida num valor
absoluto de 30 milhões de toneladas de movimentação total; 2) Perspetiva-se um
crescimento do segmento de carga contentorizada de 62 % e uma taxa de crescimento
anual de 4,5 %, traduzida num valor absoluto de 1 010 000 TEU em 2026.
Diário da República, 1.ª série
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Gráfico 8 - Cenários de Previsão da evolução de movimentação de mercadorias no Porto
de Leixões, período 2016-2026
Fonte: APDL, S.A., 2017.
Gráfico 9 - Cenários de previsão da evolução da carga contentorizada no Porto de Leixões,
período 2016-2026
Fonte: APDL, S. A., 2017.
Diário da República, 1.ª série
N.º 248 24 de dezembro de 2021 Pág. 48
2.2 - Porto de Aveiro
Evolução do Período 2005-2015
O Porto de Aveiro foi alvo de um conjunto de investimentos estratégicos na última década,
destacando-se a melhoria das acessibilidades marítimas, rodoviárias e ferroviárias, a par da
ampliação dos terminais comerciais especializados que resultaram num crescimento global
de 40 % da movimentação de mercadorias, destacando-se o contributo dos segmentos de
granéis sólidos (37 %), granéis líquidos (89 %) e da carga geral fracionada (24 %). No que
respeita o segmento de carga contentorizada, o Porto de Aveiro ainda não regista atividade
relevante neste segmento de mercado.
Diário da República, 1.ª série
N.º 248 24 de dezembro de 2021 Pág. 49
Quadro 2 - Evolução da movimentação por segmento de carga no Porto de Aveiro no
período 2005-2015
Fonte: APA, S. A., 2017.
Gráfico 10 - Evolução da movimentação por segmento de carga no Porto de Aveiro no
período 2005-2015
Fonte: APA, S. A., 2017.
Diário da República, 1.ª série
N.º 248 24 de dezembro de 2021 Pág. 50
Projeção da Movimentação de Mercadorias no Porto de Aveiro 2016-2026
De acordo com as projeções da Administração do Porto de Aveiro, S. A. (APA, S. A.), a
previsão de movimentação de mercadorias para a próxima década (conforme gráficos abaixo
apresentados), prevê os seguintes cenários:
• Cenário A - Pessimista: 1) Perspetiva-se um crescimento global da movimentação de
mercadorias de 12 % e uma taxa de crescimento anual de 1 %, traduzida num valor
absoluto de 5,2 milhões de toneladas de movimentação total; 2) Perspetiva-se a partir de
2019 a captação do segmento de carga contentorizada traduzida num valor absoluto de
18 200 TEU em 2026;
• Cenário B - Moderado: 1) Perspetiva-se um crescimento global da movimentação de
mercadorias de 28 % e uma taxa de crescimento anual de 2 %, traduzida num valor
absoluto de 5,9 milhões de toneladas de movimentação total; 2) Perspetiva-se a partir de
2019 a captação do segmento de carga contentorizada traduzida num valor absoluto de
36 400 TEU em 2026;
• Cenário C - Otimista: 1) Perspetiva-se um crescimento global da movimentação de
mercadorias de 39 % e uma taxa de crescimento anual de 3 %, traduzida num valor
absoluto de 6,5 milhões de toneladas de movimentação total; 2) Perspetiva-se a partir de
2019 a captação do segmento de carga contentorizada traduzida num valor absoluto de
36 400 TEU em 2026.
Diário da República, 1.ª série
N.º 248 24 de dezembro de 2021 Pág. 51
Gráfico 11 - Cenários de previsão da evolução de movimentação de mercadorias no Porto
de Aveiro, período 2016-2026
Fonte: APA, S. A., 2017.
Gráfico 12 - Cenários de previsão da movimentação de carga contentorizada no Porto de
Aveiro, período 2016-2026
Fonte: APA, S. A., 2017.
Diário da República, 1.ª série
N.º 248 24 de dezembro de 2021 Pág. 52
2.3 - Porto da Figueira da Foz
Evolução do Período 2005-2015
Os últimos 10 anos de atividade são pautados pelo investimento na melhoria das
acessibilidades marítimas (prolongamento do molhe e revitalização do molhe sul) e na
ampliação e beneficiação do terminal de granéis sólidos, verificando-se um crescimento
global da carga geral fracionada de 163 %, seguida do segmento de granéis sólidos (81 %) e
da carga contentorizada com um crescimento de 34 %.
Diário da República, 1.ª série
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Quadro 3 - Evolução da movimentação por segmento de carga no Porto da Figueira da Foz
no período 2005-2015
Fonte: APFF, S. A., 2017.
Gráfico 13 - Evolução da movimentação por segmento de carga no Porto da Figueira da Foz
no período 2005-2015
Fonte: APFF, S. A., 2017.
Diário da República, 1.ª série
N.º 248 24 de dezembro de 2021 Pág. 54
Projeção da movimentação de mercadorias no Porto da Figueira da Foz 2016-2026
De acordo com as projeções da Administração do Porto da Figueira da Foz, S. A.
(APFF, S. A.), a previsão de movimentação de mercadorias para a próxima década (conforme
gráficos abaixo apresentados), prevê os seguintes cenários:
• Cenário A - Pessimista: 1) Perspetiva-se um crescimento global da movimentação de
mercadorias de 37 % e uma taxa de crescimento anual de 3 %, traduzida num valor
absoluto de 2,7 milhões de toneladas de movimentação total; 2) Perspetiva-se um
crescimento do segmento de carga contentorizada de 10 % e uma taxa de crescimento
anual de 1 %, traduzida num valor absoluto de 23 448 TEU em 2026;
• Cenário B - Moderado: 1) Perspetiva-se um crescimento global da movimentação de
mercadorias de 47 % e uma taxa de crescimento anual de 3,6 %, traduzida num valor
absoluto de 2,9 milhões de toneladas de movimentação total; 2) Perspetiva-se um
crescimento do segmento de carga contentorizada de 120 % e uma taxa de crescimento
anual de 8,1 %, traduzida num valor absoluto de 46 896 TEU em 2026;
• Cenário C - Otimista: 1) Perspetiva-se um crescimento global da movimentação de
mercadorias de 52 % e uma taxa de crescimento anual de 3,9 %, traduzida num valor
absoluto de 3 milhões de toneladas de movimentação total; 2) Perspetiva-se um
crescimento do segmento de carga contentorizada de 175 % e uma taxa de crescimento
anual de 10 %, traduzida num valor absoluto de 58 620 TEU em 2026.
Diário da República, 1.ª série
N.º 248 24 de dezembro de 2021 Pág. 55
Gráfico 14 - Cenários de previsão da evolução de movimentação de mercadorias no Porto
da Figueira da Foz, período 2016-2026
Fonte: APFF, S. A., 2017.
Gráfico 15 - Cenários de previsão da movimentação de carga contentorizada no Porto da
Figueira da Foz, período 2016-2026
Fonte: APFF, S. A., 2017.
Diário da República, 1.ª série
N.º 248 24 de dezembro de 2021 Pág. 56
2.4 - Porto de Lisboa
Evolução do Evolução do Período 2005-2015
Os últimos 10 anos são marcados por uma tendência oscilatória da movimentação de
mercadorias no Porto de Lisboa derivada sobretudo da instabilidade laboral dos últimos
4 anos. Observando a evolução do período 2005-2015 constata-se que os segmentos de carga
geral fracionada e de granéis líquidos sofreram uma redução global de 43 % e 12 %,
respetivamente. No que respeita à carga contentorizada, constata-se que o Porto de Lisboa
sofreu uma redução de 5 % face a 2005. No entanto, as projeções para os próximos 10 anos
perspetivam uma retoma do crescimento da movimentação de mercadorias, com destaque
para a evolução da carga contentorizada e dos granéis sólidos, tendo por base os seguintes
pressupostos:
• Aumento de carga contentorizada no pressuposto de melhoria da eficiência do
Terminal Contentores de Alcântara;
• Aumento dos granéis sólidos face à dinâmica da indústria do setor agroalimentar que
utiliza o Porto de Lisboa.
Quadro 4 - Evolução da movimentação por segmento de carga no Porto de Lisboa no
período 2005-2015
Fonte: APL, S. A., 2017.
Diário da República, 1.ª série
N.º 248 24 de dezembro de 2021 Pág. 57
Gráfico 16 - Evolução da movimentação por segmento de carga no Porto de Lisboa no
período 2005-2015
Fonte: APL, S. A., 2017.
Projeção da movimentação de mercadorias no Porto de Lisboa 2016-2026
De acordo com as projeções da Administração do Porto de Lisboa, S. A. (APL, S. A.), e
considerando que a estratégia para a próxima década focar-se-á na melhoria significativa da
eficiência do Porto de Lisboa, a previsão de movimentação de mercadorias para a próxima
década com horizonte 2026 (conforme gráficos abaixo apresentados) apresenta os seguintes
cenários:
• Cenário A - Pessimista: 1) Perspetiva-se um crescimento global da movimentação de
mercadorias de 35 % e uma taxa de crescimento anual de 2,9 %, traduzida num valor
absoluto de 15,6 milhões de toneladas de movimentação total em 2026; 2) Perspetiva-
-se um crescimento do segmento de carga contentorizada de 130 % e uma taxa de
crescimento anual de 8,9 %, traduzida num valor absoluto de 1 106 235 TEU em 2026;
Diário da República, 1.ª série
N.º 248 24 de dezembro de 2021 Pág. 58
• Cenário B - Moderado: 1) Perspetiva-se um crescimento global da movimentação de
mercadorias de 50 % e uma taxa de crescimento anual de 3,9 %, traduzida num valor
absoluto de 17,3 milhões de toneladas de movimentação total; 2) Perspetiva-se um
crescimento do segmento de carga contentorizada de 155 % e uma taxa de crescimento
anual de 9,8 %, traduzida num valor absoluto de 1 229 150 TEU em 2026;
• Cenário C - Otimista: 1) Perspetiva-se um crescimento global da movimentação de
mercadorias de 72 % e uma taxa de crescimento anual de 5,3 %, traduzida num valor
absoluto de 19,9 milhões de toneladas de movimentação total; 2) Perspetiva-se um
crescimento do segmento de carga contentorizada de 194 % e uma taxa de crescimento
anual de 11,7 %, traduzida num valor absoluto de 1 413 523 TEU em 2026.
Diário da República, 1.ª série
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Gráfico 17 - Cenários de previsão da evolução de movimentação de mercadorias no Porto
de Lisboa, período 2016-2026
Fonte: APL, S. A., 2017.
Diário da República, 1.ª série
N.º 248 24 de dezembro de 2021 Pág. 60
Gráfico 18 - Cenários de previsão da movimentação de carga contentorizada no Porto de
Lisboa, período 2016-2026
Fonte: APL, S. A., 2017.
2.5 - Porto de Setúbal
Evolução do Período 2005-2015
Na última década de investimentos efetuados no Porto de Setúbal destacam-se a melhoria
das infraestruturas portuárias bem como dos acessos ferroviários intraportuários, tendo o
movimento de mercadorias sofrido algumas oscilações: redução do segmento de granéis
sólidos, o aumento da carga geral fracionada partir de 2010 e o aumento da carga
contentorizada a partir de 2012 (com um crescimento médio anual de 27 %), tendo registado
um crescimento global de 13 % face a 2005.
Diário da República, 1.ª série
N.º 248 24 de dezembro de 2021 Pág. 61
Quadro 5 - Evolução da movimentação por segmento de carga no Porto de Setúbal no
período 2005-2015
Fonte: APSS, S. A., 2017.
Gráfico 19 - Evolução da movimentação por segmento de carga no Porto de Setúbal no
período 2005-2015
Fonte: APSS, S. A., 2017.
Diário da República, 1.ª série
N.º 248 24 de dezembro de 2021 Pág. 62
Projeção da movimentação de mercadorias no Porto de Setúbal 2016-2026
De acordo com as projeções da Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra, S. A.
(APSS, S. A.), a previsão de movimentação de mercadorias para a próxima década com
horizonte 2026 (conforme gráficos abaixo apresentados) tem como pressupostos:
• Aumento da exportação do novo modelo construído pela VW Autoeuropa e um
novo contrato de importação BMW (produção de Veículos atingirá os 200 mil/ano em
2018, duplicando a produção atual);
• Manter os níveis de crescimento médio no movimento da carga geral fracionada
(cimento ensacado e produtos metalúrgicos);
• Aumento da quota de mercado de segmento de carga contentorizada resultante da
perspetiva de melhoria dos acessos marítimos;
• Aumento do movimento de granéis sólidos face à perspetiva de reabilitação dos
terminais dedicados a este segmento de carga;
• Aumento do movimento de granéis líquidos derivada à perspetiva de aumento de
produção industrial instalada em Setúbal.
Neste contexto, apresentam-se os seguintes cenários para o Porto de Setúbal:
• Cenário A - Pessimista: 1) Perspetiva-se um crescimento global da movimentação de
mercadorias de 44 % e uma taxa de crescimento anual de 3,5 %, traduzida num valor
absoluto de 10,8 milhões de toneladas de movimentação total em 2026; 2) Perspetiva-
se um crescimento do segmento de carga contentorizada de 126 % e uma taxa de
crescimento anual de 8,1 %, traduzida num valor absoluto de 273 137 TEU em 2026;
• Cenário B - Moderado: 1) Perspetiva-se um crescimento global da movimentação de
mercadorias de 60 % e uma taxa de crescimento anual de 4,5 %, traduzida num valor
absoluto de 11,9 milhões de toneladas de movimentação total; 2) Perspetiva-se um
crescimento do segmento de carga contentorizada de 151 % e uma taxa de
crescimento anual de 9,2 %, traduzida num valor absoluto de 303 485 TEU em 2026;
Diário da República, 1.ª série
N.º 248 24 de dezembro de 2021 Pág. 63
• Cenário C - Otimista: 1) Perspetiva-se um crescimento global da movimentação de
mercadorias de 76 % e uma taxa de crescimento anual de 5,4 %, traduzida num valor
absoluto de 13,2 milhões de toneladas de movimentação total; 2) Perspetiva-se um
crescimento do segmento de carga contentorizada de 176 % e uma taxa de
crescimento anual de 10,3 %, traduzida num valor absoluto de 333 834 TEU em
2026.
Gráfico 20 - Cenários de previsão da evolução de movimentação de mercadorias no Porto
de Setúbal, período 2016-2026
Fonte: APSS, S. A., 2017.
Diário da República, 1.ª série
N.º 248 24 de dezembro de 2021 Pág. 64
Gráfico 21 - Cenários de previsão da movimentação de carga contentorizada no Porto de
Setúbal, período 2016-2026
Fonte: APSS, S. A..
2.6 - Porto de Sines
Evolução do período 2005-2015
A última década foi determinante para a afirmação do Porto de Sines como porto Hub no
contexto portuário nacional e internacional. A expansão do terminal XXI (2.ª Fase) em 2012,
o aumento da capacidade do terminal de gás natural e a melhoria das acessibilidades
marítimas e rodoferroviárias permitiram ao Porto de Sines apresentar uma trajetória
ascendente em todos os segmentos de carga que movimenta. Importa destacar o crescimento
de tráfego do segmento de carga contentorizada que regista um crescimento global de
2400 % e uma taxa de crescimento média anual de 38 %. A carga geral fracionada e os granéis
líquidos sofreram também um aumento registando um crescimento global de 310 % e 16 %,
respetivamente. Em termos globais, a movimentação de mercadorias no Porto de Sines
aumentou 76 % na última década.
Diário da República, 1.ª série
N.º 248 24 de dezembro de 2021 Pág. 65
Quadro 6 - Evolução da movimentação por segmento de carga no Porto de Sines no período
2005-2015
Fonte: APS, S. A., 2017.
Gráfico 22 - Evolução da movimentação por segmento de carga no Porto de Sines no
período 2005-2015
Fonte: APS, S. A., 2017.
Diário da República, 1.ª série
N.º 248 24 de dezembro de 2021 Pág. 66
Projeção da movimentação de mercadorias no Porto de Sines 2016-2026
De acordo com as projeções da Administração dos Portos de Sines e do Algarve, S. A.
(APS, S. A.) a previsão de movimentação de mercadorias para a próxima década com
horizonte 2026 apresenta-se baseada nos pressupostos de concretização total e parcial dos
projetos previstos no âmbito da «Estratégia para o Aumento da Competitividade da Rede de
Portos Comerciais do Continente» bem como da procura crescente do mercado asiático.
Nesse sentido, apresenta os seguintes cenários:
• Cenário A - Pessimista: 1) Perspetiva-se um crescimento global da movimentação de
mercadorias de 56 % e uma taxa de crescimento anual de 4,2 %, traduzida num valor
absoluto de 68,5 milhões de toneladas de movimentação total em 2026; 2) Perspetiva-
-se um crescimento do segmento de carga contentorizada de 88 % e uma taxa de
crescimento anual de 6 %, traduzida num valor absoluto de 2 500 000 TEU em 2026;
• Cenário B - Moderado: 1) Perspetiva-se um crescimento global da movimentação de
mercadorias de 73 % e uma taxa de crescimento anual de 5,2 %, traduzida num valor
absoluto de 75,95 milhões de toneladas de movimentação total; 2) Perspetiva-se um
crescimento do segmento de carga contentorizada de 133 % e uma taxa de
crescimento anual de 8 %, traduzida num valor absoluto de 3 100 000 TEU em 2026;
• Cenário C - Otimista: 1) Perspetiva-se um crescimento global da movimentação de
mercadorias de 150 % e uma taxa de crescimento anual de 8,9 %, traduzida num
valor absoluto de 109,7 milhões de toneladas de movimentação total; 2) Perspetiva-
-se um crescimento do segmento de carga contentorizada de 335 % e uma taxa de
crescimento anual de 14,4 %, traduzida num valor absoluto de 5 800 000 TEU em
2026.
Diário da República, 1.ª série
N.º 248 24 de dezembro de 2021 Pág. 67
Gráfico 23 - Cenários de previsão da evolução de movimentação de mercadorias no Porto
de Sines, período 2016-2026
Fonte: APS, S. A., 2017.
Diário da República, 1.ª série
N.º 248 24 de dezembro de 2021 Pág. 68
Gráfico 24 - Cenários de previsão da movimentação de carga contentorizada no Porto de
Sines, período 2016-2026
Fonte: APS, S. A., 2017.
3 - Análise SWOT
Neste capítulo apresenta-se uma análise SWOT do setor-portuário nacional, a partir da qual
se pretende obter uma visão sistematizada sobre a envolvente, as oportunidades e os fatores
críticos para o sucesso da ação a desenvolver para o aumento de competitividade dos
principais portos comerciais do continente.
Diário da República, 1.ª série
N.º 248 24 de dezembro de 2021 Pág. 69
Quadro 7 - Análise SWOT - Forças e Fraquezas
FORÇAS FRAQUEZAS
• Localização geoestratégica de Portugal no • Necessidade de modernização das
cruzamento das principais rotas marítimas core e infraestruturas e dos equipamentos da rede
non-core portuária por forma a maximizar o potencial de
crescimento de negócio
• Ter um grande mercado de proximidade
(Espanha) no seu hinterland • Necessidade de reforço duma cultura de
inovação
• Capacidade de expansão em alguns portos
• Necessidade de reforço das acessibilidades
• Disponibilidade para localização industrial junto ferroviárias aos portos, designadamente a
de alguns dos portos comerciais do continente Espanha
• Existência de um porto de águas profundas com • Atraso verificado no passado na concretização
capacidade para acolher os maiores navios do de plataformas logísticas e intermodais
mundo em todos os segmentos de carga
• Fraca integração do sistema portuário nas
• Lisboa como destino turístico de excelência e cadeias logísticas
para a afirmação da atividade cruzeirista
• Insuficiência de utilização dos portos como
• Introdução da JUP permitiu a simplificação de alavanca para atração de investimento privado
procedimentos e a introdução de cultura de
excelência operacional nos principais portos • Frota com pavilhão nacional em declínio
comerciais do continente
• Localização privilegiada para o abastecimento de
navios GNL quer em terra (Sines), quer em
Bunkering offshore
• Existência de uma indústria em crescimento
ligada à construção e reparação naval
• Existência de um excelente relacionamento com
os países e portos dos Países Africanos de
Língua Oficial Portuguesa
Diário da República, 1.ª série
N.º 248 24 de dezembro de 2021 Pág. 70
Quadro 8 - Análise SWOT - Oportunidades e Ameaças
OPORTUNIDADES AMEAÇAS
• Posicionar Portugal como plataforma logística • Condições de competitividade cada vez mais
global assente nos portos e no transporte exigentes, tanto do sector portuário europeu,
marítimo como também da região do Magrebe
• Incentivo da política comunitária para o reforço • Crescimento da capacidade instalada nos portos
da utilização da mobilidade marítima e da rede europeus, envolvendo fundamentalmente a
portuária como alternativa energeticamente mais modernização dos equipamentos e a
eficiente para o transporte de mercadorias e automatização das operações portuárias
passageiros
• Atraso na concretização das ligações ferroviárias
• Alargamento do canal do Panamá gera potencial com a Europa
de valorização geoestratégica de Portugal para a
captação de novas rotas comerciais e energéticas • Concorrência e avanço dos portos espanhóis no
(sobretudo GNL) na comunicação Atlântico- mercado emergente do GNL (na atividade de
Pacífico abastecimento e de posicionamento para a
reexportação)
• Potencial de crescimento de negócio é gerador
de condições atrativas para a rentabilidade do • Reduzida dimensão da economia nacional, em
investimento privado particular da indústria exportadora
• Condições competitivas custo-qualidade para
especialização dos portos e estaleiros em nichos
de valor acrescentado das novas aplicações da
indústria naval
• Posicionar Portugal como área de serviço para
abastecimento de navios movidos a GNL e hub
re-exportador de GNL
• Posicionar os Portos como Plataformas de
Aceleração Tecnológica para as novas indústrias
do mar: energias renováveis de fonte ou
localização oceânica, plataformas oceânicas
multi-uso, navios especializados, aquacultura
offshore, start-ups do mar
• Congestionamento dos Portos do norte da
Europa
• Crescimento do mercado South to South
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4 - Objetivos estratégicos
O mar é um fator determinante para a afirmação e diferenciação de Portugal no espaço
europeu e mundial. Portugal dispõe de vantagens competitivas que importa valorizar,
potenciar e aproveitar:
• A sua localização na fronteira oeste atlântica do continente europeu, zona privilegiada
de confluência de rotas internacionais;
• Dispõe de uma das maiores zonas económicas exclusivas do Mundo;
• A existência de um sistema portuário com condições e capacidade para um
crescimento sustentado das mercadorias movimentadas;
• A possibilidade de se assumir como um importante polo logístico de excelência na
Europa e em particular na Península Ibérica;
• Uma história desde sempre ligada ao mar, de que resulta um conhecimento e um
conjunto de atividades ligadas à inovação, ao desenvolvimento, à ciência e à
tecnologia, ao nível das melhores práticas internacionais.
Este conjunto de vantagens competitivas, aliadas à dinâmica que sustenta o crescimento do
comércio marítimo global, propalam uma visão estratégica ambiciosa para o sistema
marítimo-portuário:
• A posição geoestratégica de Portugal permite considerar oportunidades que
justificam a ambição de uma revalorização e de um desenvolvimento, quer do sistema
portuário nacional, quer das restantes atividades ligadas à economia do mar;
• A revalorização e desenvolvimento que não poderá deixar de considerar a integração
dos portos na cadeia logística de transportes, numa perspetiva sistémica e intermodal
Diário da República, 1.ª série
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em que os portos portugueses serão um hub fundamental para a internacionalização
da economia portuguesa, para criar valor através:
• Da captação de mais mercadorias;
• Da atração de novos investimentos;
• Do apoio ao desenvolvimento de novas plataformas de desenvolvimento
tecnológico ligadas à investigação, à inovação, à ciência e tecnologia,
designadamente relacionadas com os seguintes setores: energias renováveis
oceânicas, recursos geológicos e energéticos, ambiente, robótica submarina,
construção e reparação naval, aquicultura e engenharia oceânica.
Esta dinâmica deverá contribuir para a obtenção de um sistema sustentável, tanto do ponto
de vista económico-financeiro como do ponto de vista social e do ambiental.
Objetivos estratégicos para a rede de portos comerciais do Continente
A análise SWOT anteriormente efetuada para o setor marítimo-portuário permitiu definir os
objetivos estratégicos, que enquadram os investimentos e as metas a atingir, no horizonte
2026, tendo sido estabelecidos os seguintes objetivos:
A. Adequar infraestruturas e equipamentos ao aumento da dimensão dos navios e da procura
e ligações ao hinterland:
A.1. Impulsionar a afirmação dos portos comerciais do continente no sistema logístico
global;
A.2. Captar mais investimento nacional e internacional, maximizando o investimento
privado e comunitário;
A.3. Aumentar a movimentação de contentores nos portos comerciais do continente;
A.4. Promover/Incentivar a intermodalidade marítima, fluvial e terrestre.
Diário da República, 1.ª série
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B. Melhoria das condições de operacionalidade das unidades portuárias:
B.1. Tornar as empresas do setor referências internacionais de know-how e de eficiência,
através do recurso a novas tecnologias de informação e telecomunicações e da
introdução de simplificação de procedimentos;
B.2. Garantir padrões de elevada eficiência, nas vertentes operacional, laboral, ambiental,
energética e de segurança.
C. Criar e dotar os portos de plataformas de aceleração tecnológica e áreas de apoio a novas
atividades no mar, num Hub Azul de infraestruturas em rede, com acesso direto ao mar,
para atrair o investimento e apoiar a internacionalização, promovendo as transições verde
e digital:
C.1. Incentivar a inovação e modernização do setor, valorizando o know-how nacional
ao nível da formação, da ciência e da investigação e desenvolvimento (I&D) e tecnologia;
C.2. Potenciar a criação de um Hub Azul assente em plataformas de aceleração
tecnológica nos portos, centrado em atividades conexas/transversais, tendo como
objetivo o surgimento e a consolidação da atração de investimento para gerar novos
negócios nas indústrias do mar (energias renováveis de fonte ou localização oceânica,
engenharia oceânica, aquicultura em mar aberto, navios especializados, cabos
submarinos, robótica submarina, digitalização e inteligência artificial, biotecnologia azul
e outras áreas da bioeconomia), diversificando as fontes de receitas das autoridades
portuárias;
C.3. Transformar o sistema portuário português numa «área de serviço» para
abastecimento de navios a hidrogénio renovável, outros gases renováveis e GNL, bem
como outros combustíveis alternativos renováveis e sustentáveis, e num hub
reexportador destes combustíveis;
C.4. Aumentar o volume de negócios e o grau de especialização da indústria naval.
Diário da República, 1.ª série
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5 - Metas a atingir
Para assegurar o cumprimento dos objetivos estratégicos, foram definidas metas que
combinam o realismo e ambição, binómio no qual assenta o novo impulso de
desenvolvimento pretendido para o sistema portuário do continente.
Neste sentido, os quadros seguintes incorporam as metas a atingir pelos diferentes atores do
sistema, permitindo a monitorização e acompanhamento futuro da concretização das ações
a empreender:
A. Adequar infraestruturas e equipamentos ao aumento da dimensão dos navios e da procura
e ligações ao hinterland
• Investimento em novos projetos:
Total dos Portos Comerciais do Continente 106 € Total (Euros)
1.831** 1.842**
APDL, S. A. APA, S. A. APL, S. A. APSS, S. A. APS, S. A.
541 89 488 25 688 1.831 (+ 11*)
* Investimento comum a todos os portos / ** Que poderá ascender aos 2.500 Milhões de euros, se forem
realizadas as 2.as Fases de alguns projetos.
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• Crescimento da movimentação de contentores:
Total dos Portos Comerciais do Continente
[ano base 2015] – unidade TEU Horizonte Temporal
200% 2026
APDL, S. A. APA, S. A. APL, S. A. APSS, S. A. APS, S. A.
1.079.000 50.948 1.229.099 340.000 5.100.000 2026
• Intermodalidade marítima, fluvial e terrestre:
Todos os Portos Comerciais do Continente Horizonte Temporal
Diminuir em 20 % as ligações em transporte rodoviário de e 2026
para os portos
Aumentar o tráfego fluvial de mercadorias 2026
B. Melhoria das condições de operacionalidade das unidades portuárias:
Todos os Portos Comerciais do Continente Horizonte Temporal
Implementar a JUL
2019
Modernizar o sistema VTS e estendê-lo a todo o território
nacional 2018
Melhorar a integração no planeamento e ordenamento do
território através de um maior envolvimento dos municípios, 2026
áreas metropolitanas e comunidades intermunicipais na gestão
portuária e das áreas ribeirinhas
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C. Criar nos portos plataformas de aceleração tecnológica e de novas competências:
Todos os Portos Comerciais do Continente Horizonte Temporal
Condições para abastecimento de navios a GNL nos portos
comerciais do Continente 2026
Todos os Portos Comerciais do Continente Meta
Aceleradores tecnológicos: aumentar o volume de negócios de
atividades conexas/transversais 50 %
Aumentar o volume de negócios da indústria naval 50 %
6 - Plano de Ação para a «Estratégia para o Aumento da Competitividade da Rede de Portos
Comerciais do Continente» - Horizonte 2026
O Plano de Ação para a «Estratégia para o Aumento da Competitividade da Rede de Portos
Comerciais do Continente» assenta num conjunto de investimentos estratégicos capazes de
responder aos objetivos definidos alcançando as metas a atingir.
Este plano representa um investimento imediato nos principais Portos Comerciais do
Continente de cerca de 1,8 mil milhões de euros no período de 2016 a 2026, mas que poderá
chegar aos 2,5 mil milhões de euros considerando a realização das 2.ª Fases dos projetos:
Novo Terminal Multimodal do Barreiro, Aumento da Eficiência do Terminal de Alcântara e
Novo Terminal de Contentores - Terminal Vasco da Gama.
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Cerca de 83 % deste valor total é suportado por privados, o que comprova a compatibilidade
do modelo de gestão pública implementado nos nossos portos com o dinamismo e
investimento privado. A componente não privada divide-se em duas categorias: cerca de
11 % corresponde à componente pública e os restantes 6 % são financiados por fundos
europeus.
Cada investimento destina-se a materializar um objetivo específico e estratégico para o porto
a que se destina. Neste sentido, apresentam-se as seguintes sínteses:
• Intervenção por porto, bem como os respetivos impactes e objetivos que o mesmo
alcança face aos seus principais desafios de competitividade;
• Projetos transversais;
• Portugal Hub GNL;
• Port Tech Clusters.
6.1 - Intervenção por porto comercial do continente
Porto de Viana do Castelo
Aprofundamento do canal de navegação
O investimento de melhoria das acessibilidades marítimas para o cais industrial do Porto de
Viana do Castelo permitirá receber navios de maior dimensão e potenciar a criação de um
cluster competitivo na indústria naval portuguesa, através do aprofundamento do canal de
acesso e do anteporto para -6,0 metros ZH (atualmente -3,5 m ZH no canal de acesso e
-3,2 m ZH no anteporto).
O valor total do projeto está estimado em 26 M(euro), incluindo investimento privado de
11 milhões de euros numa nova doca seca sendo o restante do investimento financiado por
fundos nacionais da responsabilidade da APDL, S. A.
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Este projeto terá os seguintes impactes esperados:
• Aumentar o valor acrescentado bruto (VAB): +90 M(euro) (entre 2017 e 2031);
• Aumentar o emprego: 400 postos de trabalho;
• Aumentar a atividade anual do estaleiro;
• Atrair investimento privado: 11 M(euro) (nova doca seca);
• Melhorar as condições de acesso ao Cais do Bugio.
Calendário de execução:
O calendário planeado pela APDL, S. A., para a execução deste projeto encontra-se definido
no seguinte cronograma.
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Figura 8 - Cronograma do projeto do aprofundamento do canal de navegação do Porto de
Viana do Castelo
Fonte: APDL, S. A., 2017.
Melhoria do acesso rodoviário
O acesso rodoviário ao cais comercial do Porto de Viana do Castelo prevê uma ligação
rodoviária com 8,8 km, com ligação do porto à A28.
Com este investimento os veículos pesados que frequentam o porto reduzirão o trajeto
percorrido em cerca de 14 % por cada km efetuado. Esta redução será refletida nos custos
para os transportadores rodoviários, provocando menos acidentes e menos emissões
poluentes.
O valor total do projeto está estimado em 9,5 M(euro) e será totalmente financiado por
fundos nacionais da responsabilidade da APDL, S. A., e da Câmara Municipal de Viana do
Castelo.
Este projeto terá os seguintes impactes esperados:
• Reduzir os custos operacionais (tempos de ligação rodoviária do porto aos principais
polos geradores/atratores);
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• Reduzir o ruído e as emissões poluentes;
• Aumentar a segurança da circulação diminuindo a sinistralidade rodoviária;
• Contribuir para o descongestionamento da circulação rodoviária;
• Atrair novas atividades económicas para a área de influência do porto.
Calendário de Execução:
O calendário planeado pela APDL, S. A., para a execução deste projeto encontra-se definido
no seguinte cronograma.
Figura 9 - Cronograma do projeto do acesso rodoviário do Porto de Viana do Castelo
Fonte: APDL, S. A., 2017.
Porto de Leixões
Novo terminal de contentores (fundos -14 m ZH)
O novo terminal de contentores (NTC) do Porto de Leixões tem como objetivo aumentar a
oferta do Porto de Leixões em carga contentorizada face ao nível de ocupação atual do Porto
de Leixões neste segmento de mercado e à evolução da procura para navios de maior
dimensão.
Diário da República, 1.ª série
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Na sua parte marítima, o NTC será dotado de dois cais de acostagem: um virado a oeste com
454 metros lineares e uma profundidade de -14,8 metros e 4 pórticos de cais, que permitirá
a acostagem de 2 navios, em simultâneo: um até 320 metros e outro até 140 metros de
comprimento; e outro virado a norte com 277 metros lineares e uma profundidade de
-13,3 metros e 2 pórticos de cais, que permitirá a acostagem de navios até 230 metros de
comprimento.
A capacidade de movimentação de contentores nos dois cais do NTC (lado mar) estima-se
que seja de 1,3 milhões de TEUs/ano.
Este investimento engloba as seguintes componentes:
a) Prolongamento do quebra-mar em mais 300 metros;
b) Melhoria das acessibilidades marítimas ao Porto de Leixões, com o aumento da
profundidade dos fundos do anteporto para -15,5 metros;
c) Reformulação do porto de pesca de Matosinhos, dotando-o com novos postos de
acostagem e novos edifícios de comercialização e armazenagem do pescado;
d) Construção do NTC e instalação dos equipamentos para a operação.
O investimento total estimado do projeto ascende a 320 milhões de euros. As suas fontes de
financiamento passam por fundos europeus ao abrigo do Programa Operacional
Competitividade e Internacionalização (COMPETE 2020/POCI) (Eixo IV), fundos
nacionais da responsabilidade da APDL, S. A., e fundos privados.
De acordo com o estudo de viabilidade efetuado pelo Banco Português de Investi-
mento, S. A. (BPI) para a APDL, S. A., prevê-se que o seguinte retorno do projeto:
• Aumentar o VAB: 908 M(euro) (2,12 % VAB Região Norte);
• Aumentar a Produção (volume de negócios): 1,9 M(euro);
• Criar emprego: 4.840 postos de trabalho;
Diário da República, 1.ª série
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• Aumentar a produtividade em cerca de 40 %;
• Duplicar a capacidade do porto no segmento dos contentores.
Calendário de execução:
O calendário planeado pela APDL, S. A., para a execução deste projeto encontra-se definido
no seguinte cronograma.
Figura 10 - Cronograma do projeto Novo Terminal de Contentores de Leixões
Fonte: APDL, S. A., 2017.
Reconversão do Terminal de Contentores Sul
O projeto de reconversão dos terraplenos do Terminal de Contentores Sul (TCS) pretende
aumentar a área de parqueamento de contentores cheios de forma que esta coincida com a
quase totalidade dos atuais terraplenos do TCS.
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O projeto é composto pelas seguintes componentes principais:
a) Reforço e repavimentação dos terraplenos, aumentando a área de parqueamento de
contentores cheios em cerca de 2,4 ha;
b) Construção e transferência de edifícios de apoio ao Terminal de
Contentores do Porto de Leixões (TCL);
c) Construção de um terminal ferroportuário;
d) Aquisição e renovação de equipamentos de movimentação de contentores (lado
terra).
Com a implementação do projeto a capacidade do TCS aumenta em 130 mil TEUs, ou
seja, de 490 mil TEU para 620 mil TEU.
De acordo com o estudo de viabilidade efetuado pelo BPI para a APDL, S. A., prevê-se o
seguinte retorno do projeto:
• VAL-E 406 M(euro): 300 M(euro) de custos de transporte rodoviário evitados,
gerando uma redução de emissões de 790 ton de CO (índice 2) por ano e 106 M(euro)
de externalidades positivas associadas à redução da realização de viagens rodoviárias;
• Aumentar a produtividade em cerca de 12 %;
• Aumentar a capacidade de movimentação de contentores em cerca de 26 %.
O valor total do projeto está estimado em 43,4 M(euro) e será totalmente financiado por
fundos privados.
Calendário de execução:
O calendário planeado pela APDL, S. A., para a execução deste projeto encontra-se definido
no seguinte cronograma.
Diário da República, 1.ª série
N.º 248 24 de dezembro de 2021 Pág. 84
Figura 11 - Cronograma do projeto do Terminal de Contentores Sul
Fonte: APDL, S. A., 2017.
Aumentar eficiência do Terminal de Granéis Sólidos e Alimentares
Este projeto pretende aumentar a competitividade e eficiência da operação de descarga de
granéis agroalimentares no Porto de Leixões bem como melhorar significativamente as
condições ambientais de movimentação destas mercadorias.
Os impactes visados pelo projeto são os seguintes:
• Diminuir os índices de poluição associados às operações de descarga com a redução
da utilização de guindastes tradicionais e ao transporte do cais para o silo
minimizando a poluição gerada pelo transporte rodoviário dos granéis para os silos;
• Aumentar a produtividade e a capacidade de movimentação do terminal.
O valor total do projeto está estimado em 12 M(euro) e será totalmente financiado por
fundos privados.
Calendário de execução:
O calendário planeado pela APDL, S. A., para a execução deste projeto encontra-se definido
no seguinte cronograma.
Diário da República, 1.ª série
N.º 248 24 de dezembro de 2021 Pág. 85
Figura 12 - Cronograma do Projeto do Terminal de Granéis Sólidos e Alimentares
Fonte: APDL, S. A., 2017.
Plataforma multimodal logística (Polos 1 e 2)
Este projeto pretende criar valor acrescentado às mercadorias que passam pelo Porto de
Leixões, promover a eficiência global e a intermodalidade, criando na Área Metropolitana do
Porto (AMP) uma plataforma de valor acrescentado com condições para a atração e fixação
de agentes da logística. Adicionalmente este projeto permitirá aumentar a capacidade de
armazenagem de segunda linha do Porto de Leixões.
Este projeto é composto pelas seguintes componentes principais:
• Conclusão das obras de infraestruturação do Polo 1 e da Zona Norte do Polo 2;
• Infraestruturas informáticas;
• Construção de armazéns;
• Estudos e projetos do novo terminal ferroviário junto ao Polo 2 da Plataforma
Logística do Porto de Leixões.
O valor total deste projeto está estimado em 54,1 M(euro) e as suas fontes de financiamento
passam por fundos europeus ao abrigo do Mecanismo Interligar a Europa CEF, fundos
nacionais da responsabilidade da APDL, S. A., e fundos privados.
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Os impactes esperados do projeto de acordo com a análise custo-benefício efetuada pela
KPMG & Associados - Sociedade De Revisores Oficiais De Contas, S.A./TISPT-
Consultores em Transportes, Inovação e Sistemas, S.A. (TIS) para APDL, S. A., são os
seguintes:
• Criar emprego: 620 postos de trabalho;
• Aumentar o tráfego no Porto de Leixões: 19 % (no longo prazo, face a 2014);
• Incrementar a procura potencial na Plataforma: 11 milhões de toneladas;
• Externalidades positivas (menos acidentes, redução de poluição e alterações
climáticas): 696,3 M(euro);
• Intensificar a intermodalidade marítimo-ferroviária;
• Oferta à logística portuária e AMP.
Calendário de execução:
O calendário planeado pela APDL, S. A., para a execução deste projeto encontra-se
definido no seguinte cronograma.
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Figura 13 - Cronograma do Projeto da Plataforma Multimodal Logística
Fonte: APDL, S. A., 2017.
Via navegável do Douro
Este projeto visa melhorar as condições de navegação no rio Douro para níveis standard
europeus, aumentando a capacidade de tráfego da via navegável e os seus níveis de segurança,
em termos de comunicações, sinalização, correção do canal navegável e reabilitação das
eclusas, promovendo a sustentabilidade ambiental, o turismo e o desenvolvimento regional.
O projeto é composto pelas seguintes componentes principais:
a) Produção da cartografia hidrográfica oficial;
b) Correção geométrica do canal navegável do rio Douro nos troços de Cotas-
-Valeira e de Saião-Pocinho, permitindo em todo o canal navegável um mínimo
de 4,2 metros de profundidade e um mínimo de 40 metros de largura;
Diário da República, 1.ª série
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c) Modernização das cinco eclusas do rio Douro (Crestuma, Carrapatelo, Régua,
Valeira e Pocinho);
d) Desenvolvimento do River Information Services (RIS);
e) Reforço de infraestruturas fluviais;
f) Implementação do Plano de Segurança e Emergência.
O valor total deste projeto está estimado em 76,3 M(euro) e as suas fontes de financiamento
passam por fundos europeus, fundos nacionais da responsabilidade da APDL, S. A., e fundos
privados.
Os impactes esperados do projeto de acordo com o estudo da Universidade do Porto
(Faculdade de Economia e Faculdade de Engenharia) são os seguintes:
• Assegurar condições para o aumento esperado de turismo de cruzeiro;
• Possibilitar e potenciar o transporte fluvial de mercadorias (atualmente cerca de
33.000 toneladas por ano de granitos), articulado com o turismo de cruzeiro, ao nível
do aumento do movimento do granito (que poderá atingir facilmente 225 mil
toneladas), e essencialmente ao nível no novo tráfego minério de ferro (que poderá
atingir as 2,8 milhões de toneladas/ano);
• Diminuir impactes ambientais do transporte.
Calendário de execução:
O calendário planeado pela APDL, S. A., para a execução deste projeto encontra-se definido
no seguinte cronograma.
Diário da República, 1.ª série
N.º 248 24 de dezembro de 2021 Pág. 89
Figura 14 - Cronograma do projeto da Via Navegável do Douro
Fonte: APDL, S. A., 2017.
Porto de Aveiro
Construção do Terminal Intermodal na Zona de Atividades Logísticas e Industriais (ZALI)
Com a construção do Terminal Intermodal na ZALI pretende-se estabelecer as condições
para a utilização da ferrovia.
Sendo um porto, por natureza, um ponto de rotura da cadeia de transportes, para potenciar
a escolha do modo ferroviário, é necessário que existam no espaço portuário terminais
preparados para, com a máxima eficiência, efetuar a transferências de mercadorias de e para
o comboio. O aumento do contributo do modo ferroviário no transporte de mercadorias,
em condições que não prejudiquem a competitividade do fluxo das mesmas, contribui para
diminuir a pressão sobre a rodovia e a emissão de gases com efeito de estufa.
O investimento no Terminal Intermodal contempla a criação de duas linhas para a formação
de comboios, de comprimento até 500 metros, e de um parque de apoio com 4,8 hectares,
para armazenagem de contentores.
Diário da República, 1.ª série
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O projeto de execução, elaborado em 2013, pela Consulgal, S.A., para a APA, S. A., prevê a
construção da via nova, ampliando o feixe ferroviário existente e a construção de um parque
para armazenagem de contentores com 4,8 hectares, devidamente infraestruturado,
integrando as ligações aos arruamentos da ZALI, rede de drenagem de águas pluviais,
iluminação pública, videovigilância, vedações, rede de abastecimento de energia elétrica e
rede de transmissão de dados.
O valor total deste projeto está estimado em 5,6 M(euro) e as suas fontes de financiamento
passam por fundos europeus ao abrigo do Programa COMPETE 2020/POCI (Eixo IV) e
fundos nacionais da responsabilidade da APA, S. A..
Calendário de execução:
O calendário planeado pela APA, S. A., para a execução deste projeto encontra-se definido
no seguinte cronograma.
Figura 15 - Cronograma do projeto do Terminal Intermodal ZALI - Aveiro
Fonte: APA, S. A., 2017.
Infraestruturação da Zona de Atividades Logísticas e Industriais
A ZALI situa-se no Sector Norte, e corresponde à área portuária compreendida entre o
terminal ro-ro e de Contentores e o Terminal de Granéis Sólidos, ocupando 80 hectares.
Diário da República, 1.ª série
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Este investimento visa dotar o espaço da ZALI com uma estrutura urbanística adequada para
poder acolher as unidades que aí se queiram implantar. A rede viária será o elemento
estruturante para a organização do espaço, que compreenderá lotes com a possibilidade de
dispor de frente acostável privativa e outros lotes localizados em segunda linha.
Para além dos arruamentos a infraestruturação da ZALI compreende a rede geral de
distribuição de energia elétrica, a iluminação pública, a rede de água, as redes de recolha de
águas residuais e pluviais e a infraestrutura de transmissão de dados.
A APA, S. A., está a ultimar as condições para a construção de uma unidade para a fabricação
de torres eólicas e outros componentes offshore, a que irá corresponder um investimento
privado de 25 M(euro) e a criação de 105 novos postos de trabalho.
O valor total deste projeto está estimado em 45,2 M(euro) e as suas fontes de financiamento
passam por fundos europeus ao abrigo do Programa COMPETE 2020/POCI (Eixo IV),
fundos nacionais da responsabilidade da APA, S. A., para a infraestruturação propriamente
dita e fundos privados para a construção da fábrica de torres eólicas.
Calendário de execução:
O calendário planeado pela APA, S. A. para a execução deste projeto encontra-se definido
no seguinte cronograma.
Diário da República, 1.ª série
N.º 248 24 de dezembro de 2021 Pág. 92
Figura 16 - Cronograma do projeto da infraestruturação da ZALI do Porto de Aveiro
Fonte: APA, S. A., 2017.
Implementação da operacionalidade do Terminal de Granéis Líquidos
O Terminal de Graneis Líquidos (TGL) do Porto de Aveiro desenvolve-se no espaço
compreendido entre o canal principal de navegação e o limite norte da darsena do sector
norte, integrando um conjunto de instalações industriais e de armazenagem, servidas por
6 pontes-cais para a acostagem de navios. Destas, 3 são privativas e as outras 3 pertencem à
própria APA, S. A., tendo entrado ao serviço em 2005. A ligação das instalações aos navios
é feita por pipeline.
Para que o traçado dos pipelines se faça de uma forma racional o TGL dispõe de uma esteira
que articula as várias instalações permitindo que as tubagens usem um mesmo canal,
propiciando condições para que sejam acrescentadas novas ligações de uma forma simples e
económica.
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O investimento a efetuar na Implementação da Operacionalidade do TGL visa adaptar às
3 pontes-cais da APA, S. A. para receber navios com 175 metros de comprimento, já que,
inicialmente, foram projetadas para navios de 140 metros. Com este intuito irão ser instalados
novos órgãos do sistema de amarração.
Por outro lado, pretende-se ligar as três pontes-cais à esteira de tubagens existente, bem como
a construção dos meios de combate a incêndio do sistema de segurança das mesmas e as
redes de águas pluviais e contaminadas.
O investimento conduz ao aumento da capacidade do TGL para a movimentação de
produtos e para suportar as novas unidades emergentes quer por ampliação das existentes
no caso da Prio Energy S.A. (hidrocarbonetos) quer de novas instalações da Quimitécnica, -
Serviços de Gestão e Consultadoria Económica-Financeira, Unipessoal Lda. e RNM –
Produtos Químicos, S.A. (produtos químicos), que, só por si, se traduzem num investimento
de 96 M(euro) e num movimento anual de 740.000 toneladas.
O valor total deste projeto está estimado em 2,2 M(euro) e as suas fontes de financiamento
passam por fundos europeus ao abrigo do Programa COMPETE 2020/POCI (Eixo IV) e
fundos nacionais da responsabilidade da APA, S. A..
Calendário de execução:
O calendário planeado pela APA, S. A. para a execução deste projeto encontra-se definido
no seguinte cronograma.
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Figura 17 - Cronograma do Projeto do TGL do Porto de Aveiro
Fonte: APA, S. A., 2017.
Porto da Figueira da Foz
Melhoria das acessibilidades marítimas e das infraestruturas no Porto da Figueira da Foz
Presentemente o acesso marítimo do Porto da Figueira da Foz apresenta-se à cota (-7,5 m)
ZH, que na barra aprofunda para a cota (-8,0 m) ZH. Estas condições permitem a prática do
porto por navios de comprimento até 120 metros.
Atendendo a que a oferta do Porto da Figueira da Foz deixa de fora uma fatia cada vez mais
relevante da frota existente, e que a tendência do shipping é para o aumento progressivo da
dimensão dos navios, foram desenvolvidos os Estudos de Viabilidade Técnica, Económico-
-Financeira e Ambiental do Aprofundamento da Barra, Canal de Navegação e Bacia de
Manobras do Porto da Figueira da Foz [Proman, 2016] para a APFF, S. A., doravante Estudo
de Viabilidade.
O Estudo de Viabilidade debruçou-se sobre as condições necessárias a que o porto amplie a
sua oferta e passe a acolher navios de 145 metros de comprimento. Para além do
aprofundamento do canal, que passaria a apresentar fundos de (-10,5 m) ZH na transposição
da barra, de (-9,5 m) ZH no anteporto e de (-8,5 m) ZH na bacia, será necessário assegurar
os mesmos (-8,5 m) ZH na zona de acostagem, junto ao cais.
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Assim, para ganhar profundidade na zona de acostagem, sem comprometer as fundações dos
cais existentes, a solução preconizada passa por construir um avanço do cais sobre a bacia,
com uma amplitude de 5,10 metros.
Os trabalhos previstos englobam a dragagem de areia e de rocha e o referido avanço do cais.
Para dispor de uma estimativa de preço mais rigorosa é indispensável ter uma caracterização
geológica e geotécnica mais detalhada, que permita obter uma definição da superfície de
afloramento do maciço rochoso e da dureza da própria rocha. Por esta razão a APFF, S. A.
está a realizar uma campanha de reconhecimento geotécnico da zona.
De acordo com o Estudo de Viabilidade as projeções de tráfego apontam para a captação de
757 k toneladas, após a realização do aprofundamento do acesso marítimo.
Face ao exposto e por forma a não comprometer a sua viabilidade financeira, o valor máximo
do projeto será de 32 M(euro) e as suas fontes de financiamento passam por fundos europeus
ao abrigo do Programa COMPETE 2020/POCI (Eixo IV) e fundos privados.
Calendário de execução:
O calendário planeado pela APFF, S. A. para a execução deste projeto encontra-se definido
no seguinte cronograma.
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Figura 18 - Cronograma do Projeto de melhoria das acessibilidades marítimas do Porto da
Figueira da Foz
Fonte: APFF, S. A., 2017.
Melhoria da segurança e operacionalidade na entrada do Porto
A barra do Porto da Figueira da Foz sofreu a última alteração em 2010, quando o Molhe
Norte foi prolongado. Na ocasião o enfiamento de entrada no porto teve de sofrer uma
ligeira rotação, o que veio suscitar queixas junto das embarcações de menor porte,
essencialmente ligadas à pesca, que ficaram mais expostas às ondas de través.
Nos Estudos de Viabilidade Técnica, Económico-Financeira e Ambiental do
Aprofundamento da Barra, Canal de Navegação e Bacia de Manobras do Porto da Figueira
da Foz [Proman, 2016] realizados para a APFF, S. A., surge a recomendação para executar
uma dragagem à cota (-10 m) ZH na restinga existente à entrada da barra, que permita
encaixar os sedimentos provenientes do trânsito litoral norte-sul, contendo o afluxo de
sedimentos ao canal de acesso à barra e melhorando o comportamento da barra que não
sofreria com a rebentação das ondas com menor altura.
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Sendo esta intervenção determinada pelo aumento da segurança na barra os seus resultados
são imateriais, sem relevância do ponto de vista do desempenho comercial do porto.
A empreitada de dragagem deve envolver a Agência Portuguesa do Ambiente, I. P.; a
Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos, a Câmara Municipal
da Figueira da Foz e a própria APFF, S. A. através de uma candidatura conjunta ao programa
PO SEUR.
O valor total deste projeto está estimado em 4,1 M(euro) e as suas fontes de financiamento
passam por fundos europeus e fundos nacionais da responsabilidade da APFF, S. A.
Porto de Lisboa
Novo Terminal Multimodal do Barreiro (1.ª Fase)
O Projeto do Terminal do Barreiro visa aumentar a capacidade de movimentação de carga
do Porto de Lisboa numa área com vocação logística e industrial, tendo como principais
impactes socioeconómicos a criação de emprego e atração de investimento privado.
A primeira fase do projeto compreende a constituição de uma frente de acostagem com um
máximo de 800 metros de comprimento e com um parque de contentores com cerca de
41 ha com capacidade até 1 milhão de TEU.
O projeto compreende o estabelecimento do canal de acesso ao cais, a respetiva bacia de
manobra e bacia de estacionamento.
O proponente do projeto é a APL, S. A., sendo simultaneamente a entidade licenciadora.
O valor total do projeto está estimado em 400 M(euro) sendo totalmente financiado por
fundos privados.
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Navegabilidade transporte fluvial até Castanheira do Ribatejo
Este projeto tem como base fundamental a sustentabilidade ambiental e eficiência logística
do Porto de Lisboa, visando a redução de emissões de gases com efeito de estufa e a
transferência modal (rodoviário para fluvial) reforçando a ligação e articulação do porto às
plataformas logísticas da zona norte do Porto de Lisboa, tornando-o assim mais eficiente e
mais eficaz na capacidade de distribuição e escoamento de carga.
Compreende o estudo de navegabilidade fluvial do Rio Tejo - do corredor fluvial da cala das
Barcas até ao limite montante da área de jurisdição do Porto de Lisboa - em articulação com
a sua extensão natural até Castanheira do Ribatejo; fundamental para o desenvolvimento da
movimentação de carga contentorizada nos terminais de contentores situados na margem
Norte e com possível integração no projeto Via Lisboa - Plataforma Multimodal do Porto
de Lisboa.
Neste sentido a navegação fluvial no rio Tejo atual e potencial poderá fomentar:
• Condições para incrementar o transporte fluvial e serviços associados na ligação do
Porto de Lisboa à zona de atividades logísticas da Castanheira do Ribatejo e no
desenvolvimento da ligação às plataformas logísticas existentes na zona norte de
Lisboa;
• Os volumes movimentados de Contentores, Granel e Carga Geral;
• Maior eficiência e atividade entre as duas margens e entre terminais e plataformas
logísticas;
• A atividade de bancas e de outros serviços a navios, nomeadamente, a viabilidade de
projetos de fornecimento de GNL a navios;
• A redução do tráfego rodoviário de camiões e a consequente descarbonização das
cadeias logísticas que utilizam o Porto de Lisboa.
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Considerando que a navegação fluvial se posiciona como um dos pilares fundamentais para
o desenvolvimento do Porto de Lisboa, a APL, S. A. assume este projeto como uma aposta
estratégica fundamental para desenvolver a sua multimodalidade, assegurando a integração
eficiente e interoperabilidade marítima, ferroviária, rodoviária e fluvial, e assegurando
conexões eficientes ao seu hinterland e à rede do Corredor Atlântico enquanto porto da rede
CORE da rede transeuropeia de transportes.
O valor total do projeto está estimado em 20 M(euro) e será financiado por fundos privados
e por fundos nacionais da responsabilidade da APL, S. A.
Calendário de execução:
O calendário planeado pela APL, S. A. para a execução deste projeto encontra-se definido
no seguinte cronograma.
Figura 19 - Cronograma do Projeto da Navegabilidade do Transporte Fluvial até
Castanheira do Ribatejo
Fonte: APL, S. A., 2017.
Construção do novo terminal de cruzeiros
Este projeto visa melhorar a operacionalidade, atratividade e a qualidade do serviço, bem
como dotar o porto de uma infraestrutura moderna e eficiente para operações de turnaround
com mais de 3.000 passageiros.
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O terminal compreenderá um cais de 1490 metros e a construção de um edifício de 13.800 m2
com 360 lugares de estacionamento público e 80 lugares de estacionamento de autocarros
táxis e carros turísticos bem como 65.000 m2 de área envolvente (jardins, estacionamentos e
estradas de acesso).
O novo Terminal de Cruzeiros do Porto de Lisboa permitirá o aumento do conforto para os
passageiros com a instalação de serviços ao cliente & Shorex, promovendo e atraindo
internacionalmente o Porto de Lisboa enquanto porto com certificação e qualidade «Green
Port». Este terminal traduzir-se-á em efeitos diretos, indiretos e induzidos na economia
(previstos) em mais de 100 M(euro) em 2020. Prevê-se um aumento imediato de tráfego de
500 mil para 800 mil passageiros por ano.
O valor total do projeto é de 22,7 M(euro) totalmente financiado por fundos privados.
Aumento da eficiência do terminal de Alcântara (1.ª Fase)
Este projeto visa incrementar a capacidade do terminal de Alcântara, aumentando a sua
eficiência através da instalação de equipamentos modernos e do aumento de fundos para a
escala de navios de maior dimensão.
A primeira fase do projeto compreende um aproveitamento da frente de acostagem de
630 metros para 1070 metros numa área de 21 ha com capacidade até 640 000 TEU.
O valor total do projeto está estimado em 44,9 M(euro) e será totalmente financiado por
fundos privados.
Calendário de execução:
O calendário planeado pela APL, S. A. para a execução deste projeto encontra-se definido
no seguinte cronograma.
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Figura 20 - Cronograma do Projeto do Terminal de Alcântara
Fonte: APL, S. A., 2017.
Porto de Setúbal
Melhoria das acessibilidades marítimas
Os atuais acessos marítimos aos principais terminais portuários de movimentação pública do
Porto de Setúbal constituem um estrangulamento à melhoria da competitividade e eficiência
do sistema portuário na medida em que impossibilitam a entrada de navios de tipologias
tendencialmente maiores, e que assim são desviados para outros portos ibéricos com o
correspondente aumento dos custos de transporte terrestre das mercadorias afetando a
integração deste porto na cadeia logística internacional e a competitividade das indústrias a
que se destinam ou têm origem.
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Com a realização deste projeto, pretende-se colmatar os constrangimentos existentes ao nível
dos acessos marítimos, acompanhando a tendência para o aumento da dimensão dos navios,
melhorando a oferta portuária para a receção de navios maiores, mais modernos e com
melhores desempenhos ao nível ambiental e de segurança, bem como melhorar a
intermodalidade entre os modos marítimos e ferroviário, na medida em que, com a melhoria
dos acessos marítimos potencia-se a utilização plena das infraestruturas terrestres, quer
portuárias, quer ferroviárias de ligação aos terminais de movimentação de mercadorias.
Assim melhora-se as condições de competitividade do porto e das indústrias importadoras e
exportadoras de matérias-primas e produtos finais, bem como a conectividade internacional
do país, potenciando a receção de navios maiores, mais modernos e inseridos nas principais
rotas comerciais marítimas, contribuindo para a redução do tempo, distância e custo do
transporte de mercadorias, na medida em que o porto terá possibilidade captar tráfego
contentorizado espanhol gerado na Extremadura e Andaluzia, reduzindo as externalidades
negativas do transporte rodoviário e marítimo, pela redução de distâncias terrestres
percorridas e pela redução do número de escalas de navios porta-contentores no Porto de
Setúbal.
O projeto visa a adaptar o acesso marítimo aos terminais do Porto de Setúbal à evolução da
procura de tráfego contentorizado esperada no hinterland, tendo em conta a evolução
qualitativa e quantitativa dos navios utilizados nos diversos tráfegos marítimos e das novas
exigências em termos de segurança.
Envolve a execução de um programa de dragagens de aprofundamento que permitirá, nesta
fase, oferecer aos navios um acesso permanente nos canais de navegação de: -15 m (ZH) no
Canal da Barra, sendo atualmente de -12,8 m (ZH) e -13,5 m (ZH) no Canal Norte, sendo
atualmente de -11,8 m (ZH).
O valor total do projeto está estimado em 25,2 M(euro) e as suas fontes de financiamento
passam por fundos europeus ao abrigo do Programa COMPETE 2020/POCI (Eixo IV) e
fundos nacionais da responsabilidade da APSS, S. A..
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Calendário de execução:
O calendário planeado pela APSS, S. A. para a execução deste projeto encontra-se definido
no seguinte cronograma.
Figura 21 - Cronograma do Projeto do Porto de Setúbal
Fonte: APSS, S. A., 2017.
Porto de Sines
A «Estratégia para o Aumento da Competitividade da Rede de Portos Comerciais do
Continente» prevê para o Porto de Sines 2 projetos: a Expansão do Terminal XXI (3.ª Fase)
e a 1.ª Fase de um novo Terminal de Contentores o Terminal Vasco da Gama.
Expansão do Terminal XXI (3.ª Fase)
Este projeto encontra-se dividido em 2 subprojetos: a obra de expansão, propriamente dita
do Terminal XXI (3.ª fase) e a Ampliação do Molhe Leste (3.ª fase).
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Terminal XXI (3.ª fase)
O promotor deste projeto é a Port Singapore Authority (PSA) que detém a concessão deste
terminal.
Esta expansão dotará o Terminal de Contentores de um cais até 1750 m (para além dos
200 m cais para navios feeder) e de um total de 19 pórticos, permitindo-lhe receber em
simultâneo 4 mega navios porta-contentores, aumentando a sua capacidade atual para cerca
de 4,1 M TEU.
A ampliação será realizada faseadamente, de acordo com a evolução da movimentação
portuária e da procura e das condições de mercado, até atingir a capacidade para movimentar
anualmente 4,1 M TEU.
Pretendendo responder à procura crescente e às restrições de capacidade já atualmente
verificadas, o projeto potenciará ainda a criação de atividades de valor acrescentado
associadas à movimentação de mercadorias e a criação de novos postos de trabalho diretos
ou indiretos.
O valor do investimento está estimado em 270 M(euro) e será totalmente financiado por
fundos privados (PSA).
Ampliação do Molhe Leste (3.ª fase)
Este projeto, cujo promotor é a APS, S. A., assenta no prolongamento do atual Molhe Leste
numa extensão de 750 metros, atingindo um comprimento total de 2.250 metros, de forma
a melhorar as atuais condições de abrigo e permitir a proteção marítima da 3.ª fase de
expansão do Terminal XXI.
O valor total deste projeto está estimado em 88 M(euro) e as suas fontes de financiamento
passam por fundos europeus ao abrigo do Programa COMPETE 2020/POCI (Eixo IV) e
fundos nacionais da responsabilidade da APS, S. A..
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Calendário de execução:
O calendário planeado pela APS, S. A. para a execução da totalidade do projeto de Expansão
do Terminal XXI encontra-se definido no seguinte cronograma.
Figura 22 - Cronograma do projeto de Expansão do Terminal XXI
Fonte: APS, S. A., 2017.
Novo Terminal de Contentores - Terminal Vasco da Gama (1.ª Fase)
O aumento da competitividade com a expansão da capacidade de movimentação do Porto
de Sines através da construção faseada de um novo terminal de contentores é o principal
objetivo deste projeto.
A 1.ª fase deste terminal terá uma capacidade de movimentação de Carga Contentorizada de
3 M TEU e um parque de contentores com uma área disponível de 57 ha.
O cais terá um comprimento de 1.350 m e fundos de -17/-17,5 m ZH, o que permitirá a
acostagem de navios com capacidade superior a 18 000 TEU.
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O valor total deste projeto está estimado em 470 M(euro) e será totalmente financiado por
fundos privados através do promotor selecionado do concurso público internacional.
Em função da resposta do mercado, o projeto tem previsto uma 2.ª fase com um valor de
investimento semelhante ao desta 1.ª fase.
Calendário de execução:
O calendário planeado pela APS, S. A. para a execução deste projeto encontra-se definido
no seguinte cronograma.
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Figura 23 - Cronograma do Terminal Vasco da Gama de Sines
Fonte: APS, S. A., 2017.
Porto de Portimão
Melhoria das acessibilidades marítimas e infraestruturas marítimas
O Promotor deste projeto será a APS, S. A. ou entidade que lhe suceder nas competências
de gestão dos Portos do Algarve.
O objetivo do projeto centra-se no melhoramento das condições de acessibilidade marítima
e da capacidade de receção de navios de carga e de passageiros no Porto de Portimão.
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Os estudos em simulador, realizados pela TIS, em abril de 2016, no âmbito do «Estudo de
Mercado sobre a Movimentação de Navios de Cruzeiro e Avaliação da Viabilidade
Económico-financeira dos Investimentos no Porto de Portimão», determinaram que o Porto
de Portimão poderá receber navios de maior dimensão desde que efetuados os necessários
investimentos. Por outro lado, os estudos de viabilidade económico-financeira permitiram
concluir que sendo um investimento de difícil recuperação em termos financeiros para a
entidade promotora, apresenta impactos positivos na economia regional, o que recomenda
o seu financiamento por fundos públicos europeus ou nacionais.
Dos vários cenários em estudo foi selecionado o cenário aqui apresentado que permitirá a
receção de navios até 272 metros, o alargamento do canal de acesso para 230/250 m, o
alargamento da bacia de rotação para 485/500 m à cota de -10 m ZH e intervenções no cais
da Marinha para garantir duas frentes de cais de 330 e 180 m.
Segundo os dados apresentados pela TIS nos estudos efetuados o projeto terá um impacto
estimado na economia regional traduzido por uma Taxa Interna de Rentabilidade (TIR)
económica de 17.1 % e um VAL económico de 22,4 M(euro). A procura deverá aumentar
dos atuais 15 mil para 180 mil passageiros anuais em 2030, com um número de escalas de
navios que deverá atingir os 190 movimentos anuais em contraste com os 50 movimentos
que se verificam atualmente.
O valor total deste projeto está estimado em 17,5 M(euro) e as suas fontes de financiamento
passam por fundos europeus ao abrigo do Programa COMPETE 2020/POCI (Eixo IV) e
fundos nacionais da responsabilidade do promotor público.
Em função da resposta do mercado, o projeto poderá ter fases de desenvol-
vimento/ampliação posteriores.
Calendário de execução:
O calendário planeado pela APS, S. A. para a execução deste projeto encontra-se definido
no seguinte cronograma.
Diário da República, 1.ª série
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Figura 24 - Cronograma do Projeto do Porto de Portimão
Fonte: APS, S. A., 2017.
6.2 - Projetos transversais
Implementação da Janela Única Portuária III/Janela Única Logística
Este projeto tem como objetivo implementar a JUL que, como evolução e extensão da Janela
Única Portuária (JUP), alargará a gestão dos fluxos de informação ao longo da cadeia
logística, integrando o transporte marítimo e os portos comerciais do continente com os
modos de transporte terrestres e a ligação aos portos secos.
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A JUL suportará os procedimentos em suporte eletrónico ao longo dos vários nós das cadeias
logísticas que utilizam os portos portugueses (Navio/Porto/Terminal Marítimo/Transporte
Ferroviário/Plataformas Logísticas - Portos Secos/Transporte Rodoviário/Importadores -
Exportadores), integrando os atores e os serviços prestados aos modos de transporte e
mercadorias.
Desta forma, será melhorada a conetividade do tráfego das mercadorias no hinterland,
aproximando os portos dos seus clientes finais, através da criação e aplicação de um novo
modelo harmonizado de procedimentos eletrónicos de transporte intermodal em todos os
portos marítimos.
A JUL terá como principais objetivos:
• Aumentar a eficiência das cadeias logísticas e as economias de escala entre os portos
e os clientes finais;
• Simplificar e desmaterializar os procedimentos nos transportes;
• Ajudar a maximizar a utilização das infraestruturas nacionais para o transporte de
mercadorias;
• Potenciar a intermodalidade e a utilização de transportes mais amigos do ambiente.
Através da publicação do Despacho n.º 2061/2017, publicado no Diário da República, 2.ª série,
n.º 2061, de 10 de março, foi constituído um grupo de trabalho com o objetivo de executar
a missão de implementar a JUL nos Portos Comerciais do Continente. O grupo é coordenado
pelo Diretor-Geral da Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos
é composto pelo Diretor-Geral da Direção-Geral de Política do Mar, os Presidentes dos
Conselhos de Administração das administrações portuárias, a Presidente do Conselho de
Administração da Docapesca - Portos e Lotas, S. A., e representantes do Ministro das
Finanças, do Ministro do Planeamento e das Infraestruturas e das Regiões Autónomas dos
Açores e da Madeira.
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O valor total deste projeto está estimado em 5,1 M(euro) e as suas fontes de financiamento
passam por fundos europeus ao abrigo do Programa COMPETE 2020/POCI (Eixo IV) e
fundos nacionais.
Calendário de execução:
O calendário planeado pelo Grupo de Trabalho para a execução deste projeto encontra-se
definido no seguinte cronograma.
Figura 25 - Cronograma do Projeto da Janela Única Logística
Fonte: Grupo de Trabalho da JUL, 2017.
Fatura Única Portuária
A Fatura Única Portuária (FUP) encontra-se implementada em todos os portos comerciais
do Continente desde o dia 1 de janeiro de 2017, para todas as escalas de navio, com a
publicação do Decreto-Lei n.º 6/2017, de 6 de janeiro, e da Portaria n.º 14/2017, de 10 de
janeiro. Esta medida permite a redução dos fluxos de 5 faturas e 5 recebimentos, para uma
única fatura, um recebimento e um processo de repartição pelas diferentes autoridades
(Marítima, Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Portuária, Aduaneira e Sanidade Marítima).
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Modernização do VTS
Este projeto visa aumentar a eficiência e segurança da navegação marítima nas manobras e
tráfego nos portos, zonas de rotação, canais de acesso e zonas de aproximação dos navios,
através da modernização dos sistemas de gestão de tráfego marítimo (VTS) portuários e
apetrechamento dos Centros de Controlo de Tráfego Marítimo com sistemas e tecnologias
de informação mais evoluídos, incluindo toda a instrumentação de apoio, bem como a
melhoria da integração com o VTS Costeiro.
Através da modernização do VTS dos Portos de Leixões, Lisboa, Setúbal e Sines, será
possível aumentar a fluidez da navegação na entrada e saída de navios do porto, incluindo as
manobras de atracar, largar, fundear e suspender no interior de cada um destes portos.
O valor total do projeto está estimado em 6,1 M(euro) e será totalmente financiado por
fundos nacionais.
Calendário de execução:
O calendário planeado para a execução deste projeto encontra-se definido no seguinte
cronograma.
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Figura 26 - Cronograma do Projeto de Modernização do VTS
Fonte: APDL, S. A., APL, S. A., APSS, S. A. e APS, S. A.; 2017.
Implementação do conceito legal de Porto Seco
A criação do conceito legal de Porto Seco, de cariz essencialmente aduaneiro, estabelece um
modelo simplificado de transferências de mercadorias por ferrovia entre os portos comerciais
do Continente e os portos secos, que assentará numa solução integrada de tratamento da
informação por via eletrónica com total controlo da circulação dos contentores e
composições ferroviárias entre as gates ao longo do trajeto de transferência entre o Terminal
Marítimo e o Porto Seco no hinterland.
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O tratamento da informação deverá assentar num modelo baseado em EDI (Electronic Data
Interchange) com integração completa dos sistemas de gestão dos portos secos, alfândega,
operadores de transporte na JUL que será instalada nos portos portugueses, de forma a que
o investimento na infraestrutura ferroviária seja acompanhado por um investimento de
facilitação administrativa, tornando os corredores marítimo/ferroviários inovadores e mais
competitivos.
O novo conceito legal de porto seco apresentará vantagens para os operadores económicos,
nomeadamente no âmbito da redução/eliminação de garantias bancárias, eliminação de
estrangulamentos administrativos, envio das declarações aduaneiras e na simplificação da
transferência de mercadorias entre depósitos aduaneiros, bem como disponibilizar uma nova
solução de visibilidade e potencialidade das cadeias logísticas nacionais.
O valor total do projeto está estimado em 150 000 (euro) e será totalmente financiado por
fundos nacionais.
Calendário de execução:
O calendário planeado para a execução deste projeto encontra-se definido no seguinte
cronograma.
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Figura 27 - Cronograma do Projeto de Implementação do Conceito Legal de Porto Seco
6.3 - Portugal Hub GNL
Portugal situa-se no meio das principais rotas comerciais mundiais centrais e não centrais,
tendo assim condições privilegiadas no negócio de bunkering de GNL, nos seguintes
segmentos: navegação comercial, turismo (navios de cruzeiro), transporte de longa e curta
distância.
No que diz respeito à densidade do transporte marítimo, Portugal também está no centro
das principais rotas de navegação, apresentando-se assim como um ponto de comércio
privilegiado no mundo para o negócio de bunkering.
Assim, Portugal possui uma vantagem competitiva geográfica para realização do bunkering da
maioria dos navios que circulam pelos canais do Suez e do Panamá.
As condições de mercado, ao nível da disponibilidade e do contexto regulatório, desta fonte
energética são particularmente favoráveis para esta oportunidade de negócio.
Ao nível do mercado, as previsões de diversas entidades internacionais como a Agência
Internacional de Energia mostram que até 2020, a produção adicional de gás natural
proveniente dos novos países produtores situados na Bacia Atlântica (EUA e nações da
África subsaariana) será de 4,4 triliões de pés cúbicos anuais (tcf/ano).
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Este volume adicional é suficiente para mitigar a dependência extrema da Europa das
importações russas de gás natural (5 tcf/ano). Neste contexto, é de referir que a Península
Ibérica (Portugal e Espanha) possuem 40 % da capacidade de receção de GNL europeia, mas
a taxa de utilização dos terminais é muito baixa (média de 25 %).
Isto significa que existe potencial para substituir, por via marítima, quase 30 % das
importações (1,2 tcf) com origem na Rússia (o terminal de Sines, em Portugal, poderá operar
3,5 % do total do volume russo para reexportação e só tem uma taxa de utilização média de
23 %).
É de sublinhar que o primeiro abastecimento de GNL proveniente dos EUA para a Europa
foi realizado através do terminal de Sines em maio de 2016.
Ao nível regulatório, as novas restrições ambientais abrem mercado para o uso do GNL
como combustível base da mobilidade marítima, substituindo o fuel. Atualmente, a regulação
ambiental mais efetiva é realizada através das Áreas de Controlo Emissão (ECA).
A costa de Portugal situa-se no Oceano Atlântico, e não é uma área de controlo de emissões.
No entanto, o Mar do Norte e a região do Báltico já são zonas ECA e é possível que o Mar
Mediterrâneo se torne uma zona ECA. A costa atlântica dos EUA também é uma zona ECA.
Em 2020, será colocado o limite de 0,5 % de emissões de enxofre em todas as zonas não
ECA e de transporte marítimo oceânico.
Com efeito, dado que a maior parte do tráfego transatlântico se realiza entre as ECA, isto
significa que estas afetarão indiretamente os portos portugueses. Importa também realçar
que a Diretiva Europeia relativa à utilização da infraestrutura de combustíveis alternativos
indica que deverá existir um número adequado de pontos de abastecimento de GNL,
fornecido em portos marítimos, de modo a permitir a circulação com base naquela fonte
energética em todo o núcleo da rede TEN-T (segundo as normas técnicas comuns, até 2025
para GNL).
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N.º 248 24 de dezembro de 2021 Pág. 117
Portugal tem assim todas as condições potenciais para atuar não só como um hub
reexportador de GNL, como uma área de serviço atlântica para navios movidos a GNL.
Esta função poderá ser realizada através de soluções de terminais onshore convencionais
(como o existente em Sines), onshore small-scale (pequena escala, como a que foi construída no
Porto de Roterdão) ou bunkering offshore flutuante (em modo ship-to-ship, trasfega de GNL
entre navios).
Este conjunto de capacidades reforçarão o papel de Portugal como hub reexportador de
GNL, contribuidor ativo para um corredor energético seguro europeu, dinamizando a
atividade económica relacionada com o trading de GNL, a construção naval e os serviços de
engenharia relacionados com esta indústria.
Figura 28 - Plano Nacional de Abastecimento de Navios com GNL
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Neste sentido, irá realizar-se em 2017 um Plano Estratégico para a Infraestrutura Marítimo-
-Portuária de GNL, com o objetivo de identificar as ações a realizar para reforçar o papel de
Portugal como Hub de GNL e «área de serviço» atlântica de GNL. Este estudo terá como
finalidade avaliar as oportunidades do negócio de bunkering relacionadas com as embarcações
de turismo de cruzeiros, de transporte de mercadorias e de reexportação. Além disso,
também serão analisadas as oportunidades de aplicação do GNL nas ligações marítimas
continente-ilhas, como também o potencial de Sines e dos Açores como hubs de GNL.
Para o efeito, o referido estudo técnico-económico terá os seguintes focos principais:
1) Identificação dos portos portugueses em que deverão ser instaladas e/ou reforçadas
as capacidades de bunkering onshore (upload e download de GNL), para finalidades de
reexportação e abastecimento de navios a GNL;
2) Elaboração de um comparativo de competitividade entre as soluções tecnológicas de
bunkering onshore vs. offshore, segundo as atividades de reexportação e
abastecimento de navios a GNL;
3) Elaboração de um plano de captação de investimento privado para realizar
capacidade de bunkering;
4) Definição das metas e objetivos em conformidade com a Diretiva 2014/94/CE, do
Parlamento e do Conselho, de 22 de outubro de 2014;
5) Identificação das diferentes medidas (legais, políticas, I&D, etc.) para atingir as metas
e estimar custos.
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6.4 - Port Tech Clusters
Os Portos Comerciais do Continente, para além do foco no «core» do seu modelo de
negócio (excelência operacional na movimentação de carga e passageiros), têm
adaptado a sua atividade às novas realidades do comércio marítimo e do setor naval,
albergando a instalação de novas áreas de negócio, como a digitalização das operações,
instalações fabris de energias renováveis de fonte ou localização oceânica, pontos de
amarração de cabos submarinos, ou a construção de componentes para navios
especializados.
Com efeito, estão em curso um conjunto de mudanças tecnológicas, regulatórias e
económicas geradoras de desafios de desenvolvimento e de novas oportunidades para
atração de investimento privado para os portos portugueses.
Entre as diversas tendências de mudança, é de destacar no domínio da digitalização, o
pioneirismo da rede portuária na introdução do paradigma «Industria 4.0» -
digitalização e automação das operações -, com a implementação das iniciativas da
JUP, FUP e JUL, as quais irão lançar dinâmicas de digitalização e de integração dos
processos, criadoras de um ecossistema potencialmente propenso ao surgimento de
softwares inovadores capacitadores de melhor excelência operacional.
Por sua vez, outra tendência de transformação a destacar é a maior exigência ambiental
no transporte marítimo, com as restrições nas emissões de gases de efeito de estufa
impostas pelas Áreas de Controlo Emissões (ECAs) e pelo limite de emissões de 0,5 %
de enxofre que entrou em vigor em 2020, imposto pela Organização Marítima
Internacional (IMO). Esta mudança regulatória abre novas oportunidades de negócio
na construção naval e nos serviços a disponibilizar na rede portuária, pois cria novas
necessidades para o uso de combustíveis mais limpos (como o GNL, o hidrogénio
renovável e outros gases renováveis, bem como outros combustíveis alternativos
renováveis e sustentáveis) e para a valorização do design de embarcações que privilegie
a eficiência energética do seu funcionamento.
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Sendo assim, neste contexto de mudança, os portos comerciais do continente ao
tomarem uma atitude pró-ativa na captação destas novas indústrias marítimas, abrem
a oportunidade de maximizar a concretização do seu potencial único como pontos de
conectividade de Portugal à economia global, gerando benefícios diretos (emprego,
investimento) para as comunidades locais onde estão inseridos.
Para concretizar esta ambição, será promovida no âmbito da «Estratégia para o
Aumento da Competitividade da Rede de Portos Comerciais do Continente -
Horizonte 2026» a criação da Rede Port Tech Clusters, crucial ao desenvolvimento do
Hub Azul, com o objetivo principal de sedimentar competências inovadoras de criação
de valor nos portos portugueses nas indústrias emergentes do mar.
As metas são afirmar os portos comerciais do continente como motores de inovação
tecnológica, reforçando a sua centralidade euro-atlântica, gerando um aumento de
50 % das atividades conexas à infraestrutura portuária e um crescimento de 50 % no
VAB no sector da construção naval.
Os Port Tech Clusters constituir-se-ão como plataformas de aceleração tecnológica das
novas indústrias marítimas, incluindo a biotecnologia azul e outras áreas emergentes
da bioeconomia, promovendo a proximidade entre a ciência e o mundo empresarial.
Serão desenvolvidas as condições infraestruturais para que os centros de investigação
se possam instalar nos portos, junto da indústria e do ambiente de operações marinho.
Desta forma, os Port Tech Clusters irão acelerar não só a transferência de conhecimento
entre o mundo científico e o empresarial, como também o ciclo de desenvolvimento
das novas indústrias marítimas, diminuindo o tempo despendido para inovar e os
recursos financeiros necessários para criar um produto/serviço comercializável.
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A criação dos Port Tech Clusters será realizada com base numa abordagem «bottom-up»,
ou seja, estruturada de acordo com as dinâmicas de instalação de novas indústrias do
mar que se já se encontram em curso na rede portuária nacional em sinergia com vários
atores nacionais, regionais e locais, embora em diferentes graus de maturidade e escala.
Neste sentido, foram identificados os seguintes nove Port Tech Clusters:
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Figura 29 - Rede Port Tech Clusters: Aceleradores tecnológicos das novas indústrias do mar
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Quadro 9 - Port Tech Clusters - Rede portuária de novos negócios e competências nas
indústrias avançadas do mar
Port Tech Cluster Breve descrição Portos/Estaleiros
1 – Energias Desenvolvimento de tecno- Viana do
Renováveis de Fonte logias de aproveitamento Castelo
ou Localização das energias renováveis de Aveiro
Oceânica fonte ou localização
Estaleiros
oceânica (nomeadamente
Navais de
eólica offshore e energia das
Peniche Lisboa
ondas e marés)
Setúbal
2 – Navios Produção de navios Viana do
Especializados especializados (Exemplo: Castelo
bunkering offshore GNL, Figueira da Foz
hidrogénio renovável e
outros gases renováveis,
suportes às operações de
manutenção de renováveis e
petróleo offshore, investi-
gação oceânica, etc.)
3 – Green Shipping Capacidade onshore e/ou Viana do
offshore de abastecimento Castelo
GNL, hidrogénio renovável e
Leixões
outros gases renováveis;
Investigação para o aumento Aveiro
da eficiência energética dos Figueira da Foz
navios e portos
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Port Tech Cluster Breve descrição Portos/Estaleiros
Lisboa
Setúbal
Sines
Portimão
4 – Engenharia e Serviços de I&D e Leixões
Robótica Oceânica comerciais de engenharia de Peniche
estruturas offshore, navios
Lisboa
autónomos e de robótica
submarina Setúbal
Sines
5 – Portos Digitais Capacidade instalada de Viana do
(Indústria 4.0) digitalização e integração Castelo
das funções de transportes e Leixões
logística; Incubação de
Aveiro
start-ups especializadas na
digitalização dos serviços Figueira da Foz
portuários e na criação de Peniche
ferramentas de otimização
Lisboa
da gestão portuária
(exemplo: modelação de «big Setúbal
data» aplicado à gestão Sines
preditiva dos fluxos de
Portimão
movimentação portuária)
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Port Tech Cluster Breve descrição Portos/Estaleiros
6 – Green Port Desenvolvimento de solu- Sines
ções industriais que
aumentem a sustenta-
bilidade ambiental do
shipping (exemplo: Inovação
da Ecoslops Portugal S.A.
em Sines)
7 – Reparação Naval Desenvolvimento de capa- Lisboa
Náutica de Recreio cidades inovadoras no Setúbal
negócio e na reparação
Portimão
naval da náutica de recreio
8 – Promoção da Instalação de laboratórios e Leixões
aquicultura e da espaços equipados para
Aveiro
biotecnologia azul, prototipagem, biorefinarias
Peniche
criação de centros e/ou scale-up, de uso
tecnológicos de partilhado. Apoio a start-ups Lisboa
apoio à inovação e e projetos empreendedores
I&D em torno da economia azul,
incluindo programas de
aceleração, a incubação de
empresas, e a transferência
de conhecimento das
universidades para o
mercado. Desenvolvimento
de novos conceitos
produtivos, assentes nos
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Port Tech Cluster Breve descrição Portos/Estaleiros
princípios da economia
circular, para a promoção de
mais e melhores iniciativas
aquícolas.
9 – Prospeção e Desenvolvimento de um Leixões
Vigilância marinha/ ecossistema de referência
Lisboa
monitorização para monitorização, pros-
peção e vigilância marinha,
incluindo veículos não
tripulados para apoio a
atividades de mar e da
bioeconomia azul, assegu-
rando a capacidade de
manter uma presença
contínua nas águas
nacionais.
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7 - Visão futura
Portugal tem hoje uma área marítima 18 vezes superior à sua superfície territorial.
Presentemente está em análise a extensão da plataforma continental que aumentará a sua área
marítima de 1 728 000 km2 para 3 877 000 km2, ou seja, Portugal terá uma dimensão marítima
quarenta vezes superior ao seu território emerso.
Com a nova dimensão marítima, Portugal passará a ser a 10.ª maior área marítima do mundo
e a 3.ª maior área da Europa.
A par desta extensão de soberania e de uma enorme riqueza em recursos marinhos, Portugal
tem uma posição geoestratégica única, o Atlântico Norte, situando-se no cruzamento das
principais rotas marítimas mundiais Norte-Sul e Este-Oeste.
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É neste contexto que olhamos o mar de uma forma ambiciosa, em particular para os Portos
Comerciais do Continente, apostando numa visão estratégica assente em três pilares
fundamentais:
1) Na afirmação de Portugal enquanto Plataforma Logística Global geradora de valor
com os atributos que hoje lhe são exigidos em termos de dimensão física (cais,
fundos, áreas adjacentes disponíveis, acessibilidades marítimas e terrestres) e de
dimensão tecnológica e digital (pela simplificação de procedimentos e utilização de
novas tecnologias);
2) Na criação de um hub portuário acelerador de negócios com capacidade para atrair o
investimento e apoiar a internacionalização da economia portuguesa;
3) Na afirmação de Portugal enquanto hub de GNL do Atlântico, com uma aposta clara
na inovação nas atividades de green shipping.
É sob esta Visão Futura que ambicionamos que os portos comerciais do continente se
constituam como portos Inteligentes e Sustentáveis, dando continuidade ao trabalho de
vanguarda oportunamente iniciado e desenvolvido, que culminou com a execução da JUP,
passando cada porto a estar integrado digitalmente nas cadeias de transporte que o utilizam,
permitindo a extensão do conceito de Balcão Único Virtual desde um ponto remoto de
partida até ao seu destino final e tornando os portos verdadeiros nós modais de todo o
Sistema de Transportes.
Só desta forma podemos aspirar a que o país se constitua como uma plataforma logística
global, geradora de valor e um hub de negócios.
Ter o país inserido na estratégia dos grandes operadores logísticos mundiais, funcionando
como uma plataforma logística global, competitiva e apta a captar a instalação de indústrias
que recebem componentes e matérias-primas de todo o mundo, acrescentando-lhes valor e
inserindo-as novamente nas cadeias de distribuição mundiais é um objetivo estratégico
ambicioso mas perfeitamente realizável.
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Num mundo em que a estabilidade e a segurança são também uma importante área de
desenvolvimento estratégico, torna-se indispensável desenvolver plataformas que constituam
pontos únicos de contacto e garantam a integração da informação da gestão de escalas de
meios de transporte, de pessoas e de mercadorias com os sistemas de gestão de segurança e
de proteção terrestres, bem como com os sistemas de gestão de tráfego marítimo, permitindo
uma integração total para o planeamento operacional e para a gestão das condições de
segurança e de proteção do ambiente no mar e em terra.
Quando a mudança se processa a uma velocidade vertiginosa, quando a incerteza é uma
constante, a afirmação da nossa marca, de uma marca de qualidade associada ao know-how
e à evolução tecnológica, é determinante para garantir a integração num mundo complexo,
exigente e dificilmente previsível.
E nesse mundo complexo incluem-se, de igual modo, os Países e os portos de Língua Oficial
Portuguesa, plataforma de excelente relacionamento com Portugal, que deverá ser
aprofundada e consolidada enquanto base importante da nossa internacionalização.
Se é certo que é impossível admitir que as taxas de crescimento que se registam ainda hoje
na China e nos BRIC se possam manter indefinidamente, parece também realista admitir que
a globalização é um movimento sem retorno, que se irá aprofundar e que se irão instalar
novos fluxos de tráfego para novas e longínquas rotas marítimas.
As novas fontes de energia, amigas do ambiente, como a energia eólica, solar, ou a energia
das ondas, constituem também novos desafios e estarão associadas num futuro próximo a
uma maior eficiência das plataformas que acolhem o transporte marítimo. Assim como a
propulsão dos navios utilizando o GNL poderá constituir um fator de competitividade e uma
nova área de negócios, capaz de promover a transferência modal do transporte, com
vantagem para o transporte marítimo. É nesta dimensão que Portugal pode afirmar-se como
uma área de serviço de GNL para o Atlântico inovadora e competitiva.
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Esta mudança exige respostas adequadas de todos os atores e exige, sobretudo, a valorização
do conhecimento nas universidades, nos centros de investigação, bem como a formação de
pessoas preparadas para lidar com a mudança, com o progresso científico e com a inovação
tecnológica.
É pois nossa aspiração que os portos comerciais do continente desenvolvam a capacidade
de se afirmarem como plataformas de aceleração tecnológica das novas indústrias do mar
baseadas na área emergente da engenharia oceânica, capazes de gerar novos modelos de
negócio de elevado valor acrescentado e emprego altamente qualificado.»
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www.dre.pt
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