Diário da República, 1.ª série
Resolução do Conselho de Ministros n.º 122/2023
- Data
- 2023-10-09
- Tipo
- Resolução do Conselho de Ministros
- Emitente
- PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Texto integral (1443 palavras)
Resolução do Conselho de Ministros n.º 122/2023
Sumário: Autoriza a despesa na aquisição de 24 novas unidades triplas para o Metropolitano de
Lisboa, E. P. E.
A promoção dos transportes públicos, colocando-os ao serviço da mobilidade e da qualidade de
vida das pessoas, constitui um objetivo estruturante do programa do XXIII Governo Constitucional,
contribuindo decisivamente para lidar com o fenómeno das alterações climáticas e atingir as metas
de descarbonização da sociedade, para promover a melhoria da qualidade de vida nos centros
urbanos e em todo o território nacional e, finalmente, para melhorar a mobilidade e qualidade de
vida de pessoas com rendimentos mais baixos.
O Metropolitano de Lisboa, E. P. E. (ML), tem a seu cargo a exploração, em regime de serviço
público, do transporte coletivo de passageiros fundado no aproveitamento do subsolo da cidade
de Lisboa, incluindo-se entre as suas atividades assegurar a construção, instalação, renovação,
manutenção e gestão das infraestruturas ferroviárias que lhe estão afetas. Para este efeito, revela-se
decisivo garantir a capacidade e qualidade técnica e operacional do material circulante disponível,
de modo a manter a funcionalidade e operacionalidade da rede do ML em toda a sua extensão.
Neste sentido, tendo em conta os desafios atuais, decorrentes desde logo da necessidade de
substituição do material circulante em fim de ciclo de vida, assim como do alargamento e expansão
da rede do ML, atualmente em curso, torna-se necessário realizar os investimentos indispensáveis
para a aquisição de 24 novas unidades triplas (UT), tendo em vista a substituição e o reforço do
material circulante afeto à rede do ML.
Com efeito, por um lado, a gestão da frota de UT existentes obedece a um conjunto de desafios
e dimensões próprias, de natureza operacional e logística, que determina que sejam considerados
diversos fatores na respetiva avaliação e dimensionamento, entre os quais a interoperabilidade do
material circulante, a logística de manutenção, o ciclo de vida das UT e, naturalmente, a extensão
da rede em que operam.
Por outro lado, encontra-se em curso a concretização do Plano de Expansão do ML, com o
inerente aumento da oferta de transporte metropolitano na área de Lisboa, quer através do pro-
longamento da Linha Amarela e Verde — Rato — Cais do Sodré, apoiado pelo Fundo de Coesão,
no âmbito do PO SEUR (Portugal 2020), quer através do prolongamento da Linha Vermelha entre
a estação de São Sebastião até Alcântara, investimento que consta do Plano de Recuperação e
Resiliência, e que deverá adicionar à rede cerca de 3,7 km, com quatro estações — Amoreiras,
Campo de Ourique, Infante Santo e Alcântara (3,3 km de túnel e 0,4 km de viaduto).
Além disso, considerando o aumento expectável da procura da rede de metropolitano nos
próximos anos, assim como a necessidade de vir a substituir de forma contínua material circulante
em fim de vida, é recomendável que se inclua a opção de aquisição complementar de até 12 UT,
a decidir atempadamente, em função das necessidades efetivamente verificadas.
Deste modo, mediante a previsão da possibilidade de aquisição de um número adicional de UT,
designadamente através de aditamento ao contrato a celebrar, procuram assegurar-se as condições
de flexibilidade e interoperacionalidade de toda a frota, garantindo um padrão de funcionamento
das UT em operação, designadamente ao nível da exploração das composições, da formação de
maquinistas e pessoal de manutenção e da logística de aquisição de peças. Tal contribui de forma
decisiva para uma gestão da frota mais eficiente, com menor reserva de capacidade e com uma
capacidade de resposta mais eficaz perante ocorrências.
A aquisição das 24 UT, nos termos acima referidos, implica a execução financeira em mais de
um ano económico, entre 2024 e 2027, inclusive, num montante máximo de 140 000 000,00 EUR,
valor a que acresce o imposto sobre valor acrescentado à taxa legal em vigor, pelo que importa
conferir autorização prévia necessária para a assunção de compromissos plurianuais, assim como
autorizar o ML a desenvolver todos os procedimentos necessários para a aquisição do material
circulante.
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Assim:
Nos termos da alínea e) do n.º 1 do artigo 17.º e do n.º 1 do artigo 22.º do Decreto-Lei n.º 197/99,
de 8 de junho, na sua redação atual, do n.º 1 do artigo 109.º do Código dos Contratos Públicos, apro-
vado em anexo ao Decreto-Lei n.º 18/2008, de 29 de janeiro, na sua redação atual, da alínea a) do
n.º 1 do artigo 6.º da Lei n.º 8/2012, de 21 de fevereiro, na sua redação atual, do n.º 1 do artigo 11.º
do Decreto-Lei n.º 127/2012, de 21 de junho, na sua redação atual, e da alínea g) do artigo 199.º
da Constituição, o Conselho de Ministros resolve:
1 — Autorizar a despesa necessária à aquisição de 24 unidades triplas (UT), com direito de
opção de aquisição de até 12 UT adicionais, para o Metropolitano de Lisboa, E. P. E. (ML), bem
como à aquisição dos estudos e assessorias inerentes e necessários, até ao montante global de
140 000 000,00 EUR, valor ao qual acresce o imposto sobre valor acrescentado (IVA) à taxa legal
em vigor.
2 — Determinar que os encargos orçamentais decorrentes da aquisição do material circulante
referidos no número anterior não podem exceder, em cada ano económico, os seguintes montantes,
aos quais acresce o IVA à taxa legal em vigor:
a) Em 2024: 42 000 000,00 EUR;
b) Em 2025: 32 700 000,00 EUR;
c) Em 2026: 36 800 000,00 EUR;
d) Em 2027: 28 500 000,00 EUR.
3 — Estabelecer que o montante fixado para cada ano económico é acrescido do saldo apu-
rado no ano que lhe antecede.
4 — Determinar que os encargos financeiros resultantes da execução do contrato referido no
n.º 1 são cofinanciados com recurso a fundos europeus, em função da sua elegibilidade e da natu-
reza dos investimentos, no montante de, pelo menos, 45 000 000,00 EUR, devendo o conselho de
administração do ML formalizar as necessárias candidaturas para obter financiamento no âmbito
do Portugal 2030.
5 — Determinar que, para assegurar a satisfação dos encargos orçamentais decorrentes
da execução do contrato referido no n.º 1 não cofinanciados por fundos europeus, é contraído
um empréstimo junto da Direção-Geral do Tesouro e Finanças (DGTF) até ao montante máximo
de 101 868 000,00 EUR, o qual é reembolsado no prazo máximo de 15 anos a partir do primeiro
desembolso, nomeadamente através das transferências do Fundo Ambiental previstas no número
seguinte, que ficam consignadas ao pagamento da dívida à DGTF, e da afetação obrigatória dos
valores recuperados correspondentes ao IVA liquidado no âmbito dos pagamentos mencionados
no n.º 2.
6 — Determinar que as transferências do Fundo Ambiental para o financiamento do inves-
timento previsto são no montante mínimo anual de 6 333 000,00 EUR, entre 2024 e 2037, e no
montante mínimo de 6 338 000,00 EUR em 2038, e até ao pagamento de todos os montantes em
dívida ao abrigo do contrato aí referido, reconhecendo-se, nos termos da lei, estar em causa uma
intervenção de especial relevância.
7 — Determinar que os valores referentes ao IVA liquidado no âmbito das transações correspon-
dentes aos contratos referidos no n.º 1 que venham a ser recuperados pela ML são afetos à cobertura
das necessidades de financiamento a que se refere o n.º 2, nomeadamente através da redução dos
desembolsos da DGTF ou da sua afetação ao reembolso do empréstimo aí previsto.
8 — Determinar que a DGTF apenas procede ao desembolso dos valores do empréstimo,
após verificação dos montantes recuperados do IVA pelo ML, e da sua afetação ao financiamento
do investimento, deduzindo-os dos montantes a desembolsar.
9 — Determinar que o remanescente do capital e juros que se encontre em dívida no final de
2038 é reembolsado de acordo com o que vier a ser estabelecido naquela data por despacho dos
membros do Governo responsáveis pela tutela setorial e financeira da empresa.
10 — Estabelecer que os encargos decorrentes da presente resolução são satisfeitos por
verbas adequadas inscritas ou a inscrever no orçamento do ML
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11 — Delegar, com faculdade de subdelegação, no membro do Governo responsável pela área
do ambiente e da ação climática a competência para a prática de todos os atos subsequentes no
âmbito da presente resolução.
12 — Estabelecer que a presente resolução produz efeitos a partir da data da sua aprovação.
Presidência do Conselho de Ministros, 28 de setembro de 2023. — Pelo Primeiro-Ministro,
Maria Helena Chaves Carreiras, Ministra da Defesa Nacional.
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TRABALHO, SOLIDARIEDADE E SEGURANÇA SOCIAL