Diário da República, 1.ª série
Resolução da Assembleia da República n.º 127/2019
- Data
- 2019-07-31
- Tipo
- Resolução da Assembleia da República
- Emitente
- ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
Texto integral (5430 palavras)
Resolução da Assembleia da República n.º 127/2019
Sumário: Aprova o Acordo entre a República Portuguesa e a República do Peru no Domínio da
Redução da Procura e da Prevenção e Combate ao Tráfico Ilícito de Estupefacientes e
de Substâncias Psicotrópicas, assinado em Lisboa em 30 de janeiro de 2012.
Aprova o Acordo entre a República Portuguesa e a República do Peru no Domínio da Redução da Procura
e da Prevenção e Combate ao Tráfico Ilícito de Estupefacientes
e de Substâncias Psicotrópicas, assinado em Lisboa em 30 de janeiro de 2012
A Assembleia da República resolve, nos termos da alínea i) do artigo 161.º e do n.º 5 do ar-
tigo 166.º da Constituição, aprovar o Acordo entre a República Portuguesa e a República do Peru
no Domínio da Redução da Procura e da Prevenção e Combate ao Tráfico Ilícito de Estupefacientes
e de Substâncias Psicotrópicas, assinado em Lisboa em 30 de janeiro de 2012, cujo texto, nas
versões autenticadas nas línguas portuguesa e castelhana, se publica em anexo.
Aprovada em 3 de maio de 2019.
O Presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues.
ACORDO ENTRE A REPÚBLICA PORTUGUESA E A REPÚBLICA DO PERU NO DOMÍNIO DA REDUÇÃO
DA PROCURA E DA PREVENÇÃO E COMBATE
AO TRÁFICO ILÍCITO DE ESTUPEFACIENTES E DE SUBSTÂNCIAS PSICOTRÓPICAS
A República Portuguesa e a República do Peru, doravante designadas por «Partes»:
Desejando aprofundar as relações bilaterais entre os dois Estados;
Reconhecendo a importância de reforçar e desenvolver a cooperação bilateral para a prevenção
e a luta contra o tráfico ilícito de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas;
Considerando que essa cooperação tem de ser realizada da maneira mais eficaz, dentro do
respeito dos direitos humanos e das liberdades fundamentais, tal como constam dos instrumentos
jurídicos internacionais relevantes na matéria;
Conscientes de que a produção e o tráfico ilícito de estupefacientes e de substâncias psicotró-
picas, bem como o branqueamento do produto dessas atividades, representam uma grave ameaça
para a ordem e a segurança pública, a governabilidade, o estado de direito, a democracia e para
a própria economia de ambos os Estados, assim como para o bem-estar e a saúde dos próprios
cidadãos, em particular da sua população mais jovem;
Reafirmando a preocupação com as novas tendências e padrões mundiais revelados pelo trá-
fico de estupefacientes, de substâncias psicotrópicas, químicos e precursores e outras substâncias
utilizadas para a produção de drogas ilícitas;
Tendo em conta a Convenção Única sobre Estupefacientes, adotada em Nova Iorque em
30 de maio de 1961, tal como foi modificada pelo Protocolo adotado em Genebra em 25 de março
de 1972, a Convenção sobre Substâncias Psicotrópicas, adotada em Viena em 21 de fevereiro
de 1971, a Convenção contra o Tráfico Ilícito de Estupefacientes e de Substâncias Psicotrópicas,
adotada em Viena em 20 de dezembro de 1988, todas das Nações Unidas, a Declaração Política
e o Plano de Ação adotados na 52.ª Sessão da Comissão de Estupefacientes das Nações Unidas,
assim como o Memorando de Entendimento entre a Comissão Nacional para o Desenvolvimento e
Vida sem Drogas do Peru — DEVIDA — e o Instituto da Droga e da Toxicodependência de Portugal,
assinado em Viena em 10 de março de 2010;
Conscientes de que as organizações criminosas que operam a nível internacional estão cada
vez mais envolvidas no tráfico ilícito de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas;
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Atribuindo a maior importância aos programas e projetos de cooperação que têm como ob-
jetivo a redução da procura, a prevenção e o tratamento da toxicodependência da população de
ambas as Partes;
Tendo ainda em conta o respeito pelos princípios da soberania, da igualdade, do benefício
mútuo e da responsabilidade partilhada, e pelos demais princípios estabelecidos no direito inter-
nacional:
acordam no seguinte:
Artigo 1.º
Objeto
O presente Acordo estabelece o regime jurídico aplicável para a cooperação entre as Partes
na redução da procura e na prevenção e combate ao tráfico ilícito de estupefacientes e de subs-
tâncias psicotrópicas.
Artigo 2.º
Âmbito
1 — As Partes cooperam, em conformidade com o direito internacional aplicável, com o res-
petivo direito interno e com o presente Acordo, no âmbito da:
a) Prevenção, deteção, repressão e investigação do tráfico ilícito de estupefacientes e de
substâncias psicotrópicas;
b) Redução da procura, nas suas diferentes áreas de intervenção e com base nas respetivas
políticas intersectoriais nacionais em matéria de prevenção, tratamento, reinserção social e redução
de riscos e minimização de danos.
2 — O presente Acordo não abrange a cooperação judiciária internacional entre as Partes em
matéria penal.
Artigo 3.º
Autoridades competentes
As autoridades competentes, responsáveis pela aplicação do presente Acordo, na respetiva
área de competência, são:
a) Pela República Portuguesa:
i) A Polícia Judiciária;
ii) O Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e Dependências;
b) Pela República do Peru:
i) A Comissão Nacional para o Desenvolvimento e Vida sem Drogas (DEVIDA);
ii) O Ministério Público;
iii) O Ministério do Interior;
iv) O Ministério da Defesa;
v) O Ministério da Saúde;
vi) O Ministério da Educação;
vii) O Ministério da Produção;
viii) O Ministério das Relações Externas;
ix) A Superintendência Nacional de Administração Tributária (SUNAT);
x) A Superintendência da Banca, Seguros e Administradores de AFP.
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Artigo 4.º
Modalidades de cooperação
1 — A cooperação entre as Partes traduz-se, nomeadamente:
a) Na colaboração e intercâmbio de experiências em matéria de recolha, tratamento e divul-
gação de informação relativa à caracterização do fenómeno da droga e da toxicodependência;
b) No intercâmbio periódico de informação e de publicações relativas à luta contra a droga e
a toxicodependência;
c) No intercâmbio de informação sobre as iniciativas desenvolvidas a nível nacional em matéria
de prevenção, tratamento e reinserção social dos toxicodependentes;
d) Na promoção de encontros entre as respetivas autoridades nacionais competentes em ma-
téria de droga e de toxicodependência, através de, entre outros, cursos de formação, intercâmbio
de especialistas, estágios e conferências;
e) Na promoção de políticas de prevenção da toxicodependência, bem como de redução
da procura e produção de estupefacientes, tendo por referência o princípio da responsabilidade
partilhada;
f) Na troca de informações sobre experiências e estratégias em matéria de redução da procura
ao nível das políticas setoriais — saúde, educação, bem-estar, assistência penitenciária e judicial — e
nas áreas de prevenção, tratamento, reabilitação, reinserção social e redução de danos, bem como
sobre projetos de investigação que contribuam para um melhor conhecimento do fenómeno das
drogas e da toxicodependência;
g) Na troca de informações de caráter operacional, forense e jurídico e sobre a localização
e a identificação de pessoas e de objetos relacionados com atividades ligadas ao tráfico ilícito de
estupefacientes e de substâncias psicotrópicas, o tráfico ilícito de consumíveis químicos e produtos
fiscalizados, os locais de origem e de destino e os métodos de cultivo e produção, os canais e os
meios utilizados pelos traficantes e sobre o modus operandi e as técnicas de ocultação, a variação
de preços e os novos tipos de substâncias psicotrópicas;
h) No intercâmbio de experiências e de especialistas, incluídos os métodos e técnicas de luta
contra este tipo de delinquência, assim como o estudo desta forma de criminalidade;
i) Na troca de informações sobre as vias e as rotas utilizadas para o tráfico e sobre os métodos
e as modalidades de funcionamento dos controlos antidroga nas fronteiras, incluindo os terminais
marítimos e aéreos;
j) Na troca de informações sobre a utilização de novos meios técnicos e na troca de amostras
de novos estupefacientes e substâncias psicotrópicas;
k) No intercâmbio de experiências relativas à supervisão do comércio lícito de substâncias
psicotrópicas, bem como o controlo da produção, importação, exportação, armazenamento e distri-
buição de substâncias e medicamentos que contenham estupefacientes, substâncias psicotrópicas
e precursores, com o objetivo de combater o tráfico ilícito e o seu abuso;
l) Na regulamentação do controlo da produção, da importação, da exportação, do armazena-
mento, da distribuição e da venda de precursores, de químicos, de solventes e de outras substâncias
que sirvam para o fabrico dos estupefacientes a que se refere o presente Acordo;
m) Na formação técnico-profissional de funcionários das autoridades competentes de ambas
as Partes.
2 — A cooperação prevista nas alíneas f) a k) abrange também os precursores e as substân-
cias químicas essenciais.
3 — A cooperação será realizada através de oficiais de ligação devidamente acreditados por
cada uma das Partes e através de meios eletrónicos seguros e confiáveis para o intercâmbio de
comunicações.
Artigo 5.º
Investigação
1 — A pedido das autoridades competentes de uma das Partes, as autoridades competentes
da outra Parte poderão promover a realização de investigações no respetivo território em relação
a atividades ligadas ao tráfico ilícito de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas, em confor-
midade com o direito interno aplicável.
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2 — A Parte requerida compromete-se a comunicar tempestivamente os resultados alcançados
com as referidas investigações, em conformidade com a legislação interna aplicável.
Artigo 6.º
Conteúdo do pedido de informação
1 — O pedido de informação deve ser feito por escrito e indicar:
a) A autoridade que o formula;
b) A autoridade a quem é dirigido;
c) O objeto;
d) A finalidade;
e) Qualquer outra informação que possibilite o seu cumprimento.
2 — O pedido deve ser cumprido no prazo acordado pelas Partes, atendendo a cada caso
específico.
3 — Em caso de urgência, o pedido pode ser feito oralmente ou através de qualquer meio
telemático ou da utilização de formas de comunicação como a Internet, devendo ser formalizado
por escrito no prazo não superior a sete dias.
4 — Se a Parte requerida considerar que a informação contida no pedido não é suficiente para
lhe dar cumprimento, pode solicitar o fornecimento de informações complementares.
5 — As Partes acordarão mecanismos seguros para o intercâmbio de informação.
Artigo 7.º
Língua
Cada Parte transmite à outra Parte os pedidos na sua língua oficial acompanhados de uma
tradução simples na língua oficial da Parte requerida.
Artigo 8.º
Recusa do pedido
1 — O pedido pode ser recusado, total ou parcialmente, se a Parte requerida considerar
que a sua execução poderá atentar contra a soberania, a segurança, a ordem pública ou outros
interesses essenciais do Estado ou estar em contrariedade com o direito interno ou com o direito
internacional.
2 — A Parte requerente deve ser notificada, por escrito e em tempo oportuno, quanto à recusa
total ou parcial do pedido, recebendo simultaneamente a fundamentação das razões que levaram
a essa recusa.
Artigo 9.º
Informações confidenciais, documentose dados de natureza pessoal
1 — As Partes devem assegurar a confidencialidade da informação, dos documentos e dos
dados de natureza pessoal recebidos, por escrito ou verbalmente, que visem alcançar a finalidade
do presente Acordo, com base no disposto no direito internacional, no direito interno aplicável e
no presente Acordo.
2 — A Parte requerida notificará a Parte requerente sobre o facto de as informações concedidas
na base do presente Acordo serem consideradas confidenciais.
3 — As informações confidenciais, os documentos e os dados de natureza pessoal recebidos
pelas autoridades competentes das Partes, no âmbito do presente Acordo, não deverão ser trans-
feridos para terceiros, exceto quando for obtido o prévio consentimento da Parte requerida e desde
que sejam oferecidas garantias legais adequadas em matéria de proteção de dados pessoais, nos
termos do direito internacional, do direito interno aplicável e do presente Acordo.
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Artigo 10.º
Utilização e transferência de dados pessoais
1 — Nos termos do direito internacional e do direito interno aplicável, os dados utilizados e
transferidos no âmbito do presente Acordo devem:
a) Ser destinados exclusivamente para os fins específicos do presente Acordo, não podendo
ser utilizados com outro objetivo;
b) Mostrar-se adequados, pertinentes e não excessivos relativamente às finalidades para que
são recolhidos, transferidos e posteriormente tratados;
c) Ser exatos e estarem atualizados, devendo ser adotadas todas as medidas razoáveis para
assegurar que os dados inexatos ou incompletos, tendo em conta as finalidades para que foram
recolhidos ou para que são tratados, sejam posteriormente apagados ou retificados;
d) Ser conservados de forma a permitir a identificação das pessoas em causa apenas durante
o período necessário para a prossecução das finalidades para que foram recolhidos ou para que
são tratados posteriormente, sendo eliminados após esse período.
2 — Se qualquer pessoa cujos dados são objeto de transferência requerer o acesso aos
mesmos, a Parte requerida deverá proporcionar todas as facilidades de acesso a esses dados,
bem como proceder à sua correção, exceto quando esse pedido possa ser recusado nos termos
do direito internacional e do direito interno aplicável.
Artigo 11.º
Comissão Mista
1 — As Partes acordam em criar uma comissão mista luso-peruana de cooperação em matéria
de redução da procura e da prevenção e combate ao tráfico ilícito de estupefacientes e substâncias
psicotrópicas, doravante designada «Comissão Mista», cujo objetivo é o de coordenar e acompa-
nhar a aplicação do presente Acordo e das atividades específicas de cooperação acordadas entre
as Partes.
2 — A Comissão Mista é composta por representantes das autoridades competentes de cada
uma das Partes, em conformidade com o artigo 3.º do presente Acordo.
3 — A Comissão Mista pode convidar para participarem nas suas reuniões representantes de
outras entidades nacionais com competência especializada em matéria de redução da procura e
de combate ao tráfico ilícito de estupefacientes e substâncias psicotrópicas.
4 — A Comissão Mista apresentará recomendações às Partes sobre ações específicas que
considere relevantes para alcançar os objetivos estipulados no presente Acordo e apresentará su-
gestões com vista a aprofundar, melhorar e promover a cooperação bilateral no combate ao tráfico
de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas, bem como nas áreas da prevenção, tratamento,
reinserção, redução da procura e minimização de danos.
5 — A Comissão Mista será convocada com a periodicidade que as Partes entendam como
necessária, em datas e lugares a acordar através da via diplomática.
6 — A Comissão Mista tem, entre outras, as seguintes responsabilidades:
a) Estabelecer acordos administrativos e interinstitucionais;
b) Aprovar a criação de subcomissões mistas ou grupos de trabalho.
7 — A Comissão Mista aprova o seu próprio regulamento interno.
Artigo 12.º
Consultas
As autoridades competentes de ambas as Partes podem efetuar consultas regulares para
avaliar o grau de cumprimento do presente Acordo.
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Artigo 13.º
Relação com outras convenções internacionais
As disposições do presente Acordo não prejudicam os direitos e obrigações decorrentes de
outras convenções internacionais, de que ambas as Partes sejam parte.
Artigo 14.º
Entrada em vigor
O presente Acordo entrará em vigor 30 dias após a receção da última notificação, por escrito e
por via diplomática, de que foram cumpridos os requisitos de direito interno das Partes necessários
para o efeito.
Artigo 15.º
Solução de controvérsias
Qualquer controvérsia relativa à interpretação e/ou à aplicação do presente Acordo será so-
lucionada através de negociação, por via diplomática.
Artigo 16.º
Revisão
1 — O presente Acordo pode ser objeto de revisão, por comum acordo, a pedido de qualquer
das Partes.
2 — As emendas entrarão em vigor nos termos previstos no artigo 14.º do presente Acordo.
Artigo 17.º
Vigência e denúncia
1 — O presente Acordo permanecerá em vigor por tempo indeterminado.
2 — Qualquer das Partes poderá, a qualquer momento, denunciar o presente Acordo mediante
notificação prévia, por escrito e por via diplomática.
3 — O presente Acordo cessa a sua vigência 180 dias após a data da receção da respetiva
notificação.
4 — A denúncia do presente Acordo não afetará os pedidos de cooperação em curso ao abrigo
do presente Acordo, salvo vontade manifestada pelas Partes nesse sentido, por escrito e por via
diplomática.
Artigo 18.º
Registo
A Parte em cujo território o presente Acordo for assinado, no mais breve prazo possível após
a sua entrada em vigor, submetê-lo-á para registo junto do Secretariado das Nações Unidas, nos
termos do artigo 102.º da Carta das Nações Unidas, devendo notificar a outra Parte da conclusão
deste procedimento e indicar-lhe o número de registo atribuído.
Feito em Lisboa, no dia 30 de janeiro de 2012, em dois originais, nas línguas portuguesa e
castelhana, fazendo ambos os textos igualmente fé.
Pela República Portuguesa:
Paulo Sacadura Cabral Portas.
Pela República do Peru:
Rafael Roncagliolo.
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ACUERDO ENTRE LA REPÚBLICA PORTUGUESA Y LA REPÚBLICA DEL PERÚ EN MATERIA DE REDUCCIÓN
DE LA DEMANDA Y DE LA PREVENCIÓN Y LUCHA CONTRA
EL TRÁFICO ILÍCITO DE ESTUPEFACIENTES Y SUSTANCIAS PSICOTRÓPICAS
La República Portuguesa y la República del Peru, en lo sucesivo denominadas las «Partes»:
Deseando profundizar las relaciones bilaterales entre ambos Estados;
Reconociendo la importancia de reforzar y desarrollar la cooperación bilateral para la preven-
ción y lucha contra el tráfico ilícito de estupefacientes y sustancias psicotrópicas;
Considerando que esa cooperación debe desarrollarse de la forma más eficaz, respetando los
derechos humanos y a las libertades fundamentales, dentro de los parámetros de los instrumentos
jurídicos internacionales sobre la materia;
Conscientes de que la producción y el tráfico ilícito de estupefacientes y de sustancias psicotró-
picas, así como el lavado de dinero producto de esas actividades representan una grave amenaza
para el orden, la seguridad pública, la gobernabilidad, el Estado de Derecho, la democracia y la
propia economía de ambos Estados, así como para el bienestar y la salud de los ciudadanos, en
particular para su población más joven;
Reafirmando la preocupación por las nuevas tendencias y patrones mundiales del tráfico de
estupefacientes, de sustancias psicotrópicas, químicos y precursores y otras sustancias utilizadas
en la producción de drogas ilícitas;
Teniendo en cuenta la Convención Única sobre Estupefacientes, adoptada en Nueva York el
30 de marzo de 1961 y sus modificaciones mediante el Protocolo adoptado en Ginebra el 25 de
marzo de 1972, la Convención sobre Sustancias Psicotrópicas, adoptada en Viena el 21 de febrero
de 1971 y la Convención contra el Tráfico Ilícito de Estupefacientes y de Sustancias Psicotrópicas,
adoptada en Viena el 20 de diciembre de 1988, todas de la Organización de las Naciones Unidas,
la Declaración Política y el Plan de Acción en el marco del 52.º Periodo de Sesiones de la Comisión
de Estupefacientes de las Naciones Unidas, así como el Memorándum de Entendimiento entre la
Comisión Nacional para el Desarrollo y Vida Sin Drogas de Perú — DEVIDA — y el Instituto de la
Droga y de la Toxicodependencia de Portugal — IDT, suscrito en Viena el 10 de marzo del 2010;
Conscientes de que las organizaciones delictivas que operan a nivel internacional están cada
vez más involucradas en el tráfico ilícito de estupefacientes y sustancias psicotrópicas;
Atribuyendo la mayor importancia a los programas y proyectos de cooperación dirigidos a
reducir la demanda, la prevención y el tratamiento de la fármacodependencia de la población de
las Partes;
Teniendo en cuenta el respeto a los principios de soberanía, de igualdad, del beneficio mutuo
y responsabilidad compartida, y demás principios establecidos en el Derecho Internacional:
han acordado lo siguiente:
Artículo 1
Objetivo
El presente Acuerdo establece el régimen jurídico aplicable para la cooperación entre las
Partes en materia de reducción de la demanda y de prevención y lucha contra el tráfico ilícito de
estupefacientes y sustancias psicotrópicas.
Artículo 2
Ámbito
1 — Las Partes cooperarán de conformidad con los términos del Derecho Internacional apli-
cable, del respectivo derecho interno y del presente Acuerdo, en los siguientes ámbitos:
a) Prevención, detección, represión e investigación del tráfico ilícito de estupefacientes y de
sustancias psicotrópicas;
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b) Reducción de la demanda, en sus distintas áreas de intervención y con base en sus res-
pectivas políticas intersectoriales nacionales, en materia de prevención, tratamiento, reinserción
social y reducción de riesgos y minimización de daños.
2 — El presente Acuerdo no comprende la cooperación judicial internacional entre las Partes
en materia penal.
Artículo 3
Autoridades Competentes
Las autoridades responsables de la aplicación del presente Acuerdo, dentro de sus respectivos
ámbitos de competencia, son:
a) Por la República Portuguesa:
i) La Policía Judicial;
ii) El Servicio de Intervención en los Comportamientos Aditivos y Dependencias.
b) Por la República del Perú:
i) La Comisión Nacional para el Desarrollo y Vida sin Drogas (DEVIDA);
ii) Ministerio Público;
iii) Ministerio del Interior;
iv) Ministerio de Defensa;
v) Ministerio de Salud;
vi) Ministerio de Educación;
vii) Ministerio de la Producción;
viii) Ministerio de Relaciones Exteriores;
ix) Superintendencia Nacional de Administración Tributaria (SUNAT);
x) Superintendencia de Banca, Seguros y Administradores de AFP.
Artículo 4
Modalidades de Cooperación
1 — La cooperación entre las Partes podrá llevarse a cabo a través de diversas modalidades,
entre las cuales pueden señalarse las siguientes:
a) Colaboración e intercambio de experiencias en materia de obtención, tratamiento y divul-
gación de información dirigida a caracterizar el fenómeno de la droga y de la fármacodependencia;
b) Intercambio periódico de información y de publicaciones relativas a la lucha contra las dro-
gas y la fármacodependencia;
c) Intercambio de información sobre las iniciativas que se desarrollen a nivel nacional en ma-
teria de prevención, tratamiento y reinserción social de los fármacodependientes;
d) Promoción de encuentros entre las respectivas autoridades nacionales competentes en
materia de drogas y fármacodependencia, a través de cursos de formación, intercambio de espe-
cialistas, pasantías y conferencias, entre otros;
e) Promoción de políticas para la prevención de la fármacodependencia, así como reducción
de la demanda y producción de estupefacientes, atendiendo al principio de la responsabilidad
compartida;
f) Intercambio de información sobre experiencias y estrategias en materia de reducción de la
demanda al nivel de las políticas sectoriales — salud, educativas, de bienestar, asistencia peniten-
ciaria y judicial — y en las áreas de prevención, tratamiento, rehabilitación y socialización, reducción
de daños y proyectos de investigación que contribuyan a mejorar el conocimiento del fenómeno de
las drogas y la fármacodependencia;
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g) Intercambio de información operacional, forense y jurídica y sobre la localización y la identi-
ficación de personas y objetos relacionados con actividades vinculadas al tráfico de estupefacientes
y sustancias psicotrópicas, al tráfico ilícito de insumos químicos y productos fiscalizados, los lugares
de origen y de destino y los métodos de cultivo y producción, los canales y los medios utilizados por
los traficantes y sobre el modus operandi y las técnicas de ocultamiento, la variación de precios y
los nuevos tipos de sustancias psicotrópicas;
h) Intercambio de experiencias y de especialistas, incluyendo sobre los métodos y técnicas
para la lucha contra este tipo de delincuencia, así como el estudio de este tipo de criminalidad;
i) Intercambio de información sobre vías y rutas utilizadas para el tráfico ilícito de estupefacientes
y sustancias psicotrópicas y sobre los métodos y modalidades de funcionamiento de los controles
antidroga en las fronteras, incluyendo los terminales marítimos y aéreos;
j) Intercambio de información sobre la utilización de nuevos medios técnicos y en el intercambio
de muestras de nuevos estupefacientes y sustancias psicotrópicas;
k) Intercambio de experiencias relativas a la supervisión del comercio lícito, así como el control
de la producción, de la importación, exportación almacenamiento y distribución de sustancias y
medicamentos que contienen estupefacientes, psicotrópicos y precursores, con miras a combatir
el trafico ilicito y su abuso;
l) Reglamentación del control de la producción, de la importación, de la exportación, del
almacenamiento, de la distribución y de la venta de precursores, de químicos, de solventes y de
otras sustancias que sirvan para la producción de los estupefacientes a que se refiere el presente
Acuerdo;
m) Formación técnico-profesional de funcionarios de las autoridades competentes de ambas
Partes.
2 — La cooperación prevista en los incisos f) a k) incluirá también los precursores y las sus-
tancias químicas esenciales.
3 — La cooperación se realizará a través de funcionarios de enlace debidamente acreditados
por cada una de las Partes y por medios electrónicos seguros y confiables de comunicación para
el intercambio de información.
Artículo 5
Investigaciones
1 — A solicitud de las autoridades competentes de una de las Partes, las autoridades com-
petentes de la otra Parte podrán promover la realización de investigaciones en su respectivo terri-
torio, relacionadas con las actividades vinculadas al tráfico ilícito de estupefacientes y sustancias
psicotrópicas, de conformidad con el derecho interno aplicable.
2 — La Parte requerida comunicará oportunamente los resultados obtenidos en las referidas
investigaciones, de conformidad con el derecho interno aplicable.
Artículo 6
Contenido de la solicitud de Información
1 — La solicitud de información deberá presentarse por escrito, indicándose lo siguiente:
a) La autoridad que la formula;
b) La autoridad a la que se dirige;
c) El objeto;
d) La finalidad;
e) Cualquier otra información que haga posible su cumplimiento.
2 — La solicitud debe cumplirse en el plazo que las Partes acuerden, en atención a cada caso
concreto.
3 — En caso de urgencia, la solicitud puede hacerse verbalmente o través de cualquier medio
de la telemática, o el empleo de formas de comunicación mediante el uso de sistemas de Internet
u otro medio, debiendo ser formalizada por escrito en un plazo no mayor de siete (7) días.
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4 — Si la Parte requerida considera que la información contenida en la solicitud no es suficiente
para darle cumplimiento, podrá solicitar la provisión de información complementaria.
5 — Ambas Partes acordarán mecanismos seguros para el intercambio de información.
Artículo 7
Idioma
Cada una de las Partes transmitirá a la otra Parte las solicitudes en su idioma oficial, acom-
pañadas de una traducción simple al idioma oficial de la Parte requerida.
Artículo 8
Denegación de la solicitud
1 — La solicitud podrá ser denegada, total o parcialmente, si la Parte requerida considera que
su ejecución pudiera atentar contra la soberanía, la seguridad, el orden público u otros intereses
esenciales de su Estado, o contraviene el derecho interno o el Derecho Internacional.
2 — La Parte requirente deberá ser notificada, por escrito y de manera oportuna, sobre la
denegación total o parcial de la solicitud, y deberá recibir simultáneamente el fundamento de los
motivos que sustentan la denegación.
Artículo 9
Información confidencial, documentos y datos personales
1 — Las Partes deberán asegurar la confidencialidad de la información, de los documentos y
de los datos personales recibidos, por escrito o verbalmente, que tengan como objetivo alcanzar
la finalidad del presente Acuerdo, en los términos del Derecho Internacional, del Derecho interno
de las Partes que resulte aplicable y del presente Acuerdo.
2 — La Parte requerida notificará a la Parte requirente el hecho que la información transmitida
conforme al presente Acuerdo, es confidencial.
3 — La información confidencial, los documentos y los datos personales recibidos por las au-
toridades competentes de las Partes al amparo del presente Acuerdo no deberán ser transmitidos
a terceros, salvo cuando hubiera obtenido el consentimiento previo de la Parte requerida y que
se otorguen las garantías legales adecuadas en materia de protección de datos personales, de
conformidad con el Derecho Internacional, el Derecho interno de las Partes y el presente Acuerdo.
Artículo 10
Utilización y Transmisión de Datos Personales
1 — En los términos del Derecho Internacional y del Derecho interno aplicable, los datos que
se utilicen y se transmitan al amparo del presente Acuerdo deberán:
a) Ser destinados exclusivamente a los fines específicos del presente Acuerdo, y no podrán
ser utilizados con otro objeto;
b) Ser adecuados, pertinentes y no excesivos en relación con los fines para los que fueron
obtenidos, transmitidos y posteriormente utilizados;
c) Ser exactos y encontrarse actualizados, debiendo adoptar todas las medidas razonables
para asegurar que los datos inexactos o incompletos, teniendo en cuenta las finalidades para la
que fueron recibidos o utilizados, sean posteriormente eliminados o rectificados;
d) Ser conservados a fin de permitir la identificación de personas sujetas a investigación durante
el periodo que sea necesario para la consecución de los fines para los que fueron obtenidos o para
los cuales serán utilizados posteriormente, y ser eliminados al finalizar ese periodo.
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2 — Si una persona cuyos datos sean objeto de transmisión solicita el acceso a los mismos, la
Parte requerida deberá brindar todas las facilidades para el acceso a esos datos, y procederá a su
corrección, salvo que dicha solicitud pueda ser denegada en los términos del Derecho Internacional
y del derecho interno aplicable.
Artículo 11
Comisión Mixta
1 — Las Partes acuerdan establecer una Comisión Mixta Luso-Peruana de Cooperación para
la reducción de la demanda y de la prevención y lucha contra el tráfico ilícito de estupefacientes y
sustancias psicotrópicas, en adelante denominada «Comisión Mixta», cuyo objetivo es coordinar y
dar seguimiento a la ejecución del presente Acuerdo y las actividades específicas de cooperación
acordadas por las Partes.
2 — La Comisión Mixta estará integrada por representantes de las Autoridades Competentes
de cada una de las Partes designadas conforme al artículo 3 del presente Acuerdo.
3 — La Comisión Mixta podrá invitar a participar en sus sesiones a representantes de otras
entidades nacionales con competencias especializadas en la lucha contra el tráfico ilícito de estu-
pefacientes y sustancias psicotrópicas.
4 — La Comisión Mixta formulará recomendaciones a las Partes sobre acciones específicas
que considere relevantes para cumplir los objetivos establecidos en el presente Acuerdo y formulará
sugerencias con miras a profundizar, mejorar y promover la cooperación bilateral en la lucha contra
el tráfico ilícito de estupefacientes y sustancias psicotrópicas, así como en materia de prevención,
tratamiento, reinserción, reducción de la demanda y minimización de daños.
5 — La Comisión Mixta será convocada con la periodicidad cuando las Partes lo estimen
pertinente, y en las fechas y lugares que sean acordados por la vía diplomática.
6 — A la Comisión Mixta se le reconocerán las facultades esenciales, siguientes:
a) Establecer los arreglos administrativos e interinstitucionales;
b) Conformar Subcomisiones mixtas o Grupos de Trabajo.
7 — La Comisión Mixta aprobará su propio reglamento interno.
Artículo 12
Consultas
Las autoridades competentes de ambas Partes podrán efectuar consultas regulares para
evaluar el grado de cumplimiento al presente Acuerdo.
Artículo 13
Relación con otras convenciones internacionales
Las disposiciones del presente Acuerdo no afectarán los derechos y obligaciones que deriven
de otras convenciones internacionales de las cuales ambas Partes sean Parte.
Artículo 14
Entrada en Vigor
El presente Acuerdo entrará en vigor a los treinta días siguientes a la fecha de recepción de
la última de las notificaciones, por escrito y a través de la vía diplomática, por medio de la cual se
comunique el cumplimiento de los procedimientos internos para tal efecto.
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Artículo 15
Solución de Controversias
Cualquier controversia relativa a la interpretación y/o a la ejecución del presente Acuerdo será
resuelta mediante negociaciones entre las Partes, a través de la vía diplomática.
Artículo 16
Enmienda
1 — El presente Acuerdo podrá ser modificado, de común acuerdo, a solicitud de cualquiera
de las Partes.
2 — Las enmiendas entrarán en vigor en los términos previstos en el artículo 14 del presente
Acuerdo.
Artículo 17
Duración y denuncia
1 — El presente Acuerdo permanecerá en vigor de manera indefinida.
2 — Cualquiera de las Partes podrá, en cualquier momento, denunciar el presente Acuerdo
mediante la notificación de su intención a la otra, por escrito y por la vía diplomática.
3 — El presente Acuerdo termina su duración ciento ochenta (180) días después de la fecha
de recepción de la respectiva notificación.
4 — La terminación del presente Acuerdo no alterará las solicitudes de cooperación que se
encuentren en ejecución, a menos que sea acordado de manera distinta por las Partes, por escrito
y por la vía diplomática.
Artículo 18
Registro
La Parte en cuyo territorio se firme el presente Acuerdo, lo someterá para su registro, en el
menor tiempo posible una vez que éste entre en vigor, ante la Secretaría de las Naciones Unidas,
a fin de dar cumplimiento al artículo 102.º de la Carta de las Naciones Unidas, debiendo notificar a
la otra Parte la conclusión de este procedimiento e indicarle el número de registro atribuido.
Firmado en Lisboa, el 30 de enero de 2012, en dos ejemplares originales, en idiomas castellano
y portugués, siendo ambos textos igualmente auténticos.
Por la República Portuguesa:
Paulo Sacadura Cabral Portas.
Por la República del Perú:
Rafael Roncagliolo.
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