Diário da República, 1.ª série
Portaria n.º 285/2026/1
- Data
- 2026-07-02
- Tipo
- Portaria
- Emitente
- ULTURA E MAR
Sumário
Aprova o regime de repartição financeira dos proprietários dos terrenos objeto de operação de gestão florestal, nos termos da Lei n.º 9-C/2026, de 12 de março. REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES Decreto Regulamentar Regional n.º 9/2026/A Regulamenta as normas aplicáveis à utilização e rentabilização do património imobiliário da Região Autónoma dos Açores. Depósito legal n.º 8814/85 • ISSN 0870-9963 1.ª série N.º 126 02-07-2026 PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS Secretaria-Geral do Governo
Texto integral (4146 palavras)
Portaria n.º 285/2026/1
Lotes
Nos termos do n.º 6 do artigo 16.º da Lei n.º 9-C/2026, de 12 de março, entende-se como lote
o material lenhoso afetado existente numa determinada área, objeto de adjudicação pelo ICNF, I. P., ou
pela Entidade Gestora de OIGP.
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Artigo 4.º
Cálculo da repartição financeira
1 — Por cada parcela de um prédio abrangida por lote objeto de adjudicação, o montante da repartição
financeira a atribuir a cada proprietário é calculado de forma proporcional, considerando os seguintes fatores:
a) A área do prédio abrangida pelo lote;
b) A quota-parte do lote a que corresponde essa área;
c) O coeficiente de qualidade do material lenhoso.
2 — Nas parcelas onde exista cadastro predial ou representação geográfica georreferenciada regis-
tada no balcão único do prédio, a repartição financeira corresponde ao produto do valor da adjudicação
do lote pela quota-parte do lote correspondente à área do terreno, e pelo coeficiente de qualidade do
material lenhoso.
3 — Nas situações em que não exista cadastro predial, ou representação geográfica georreferenciada
registada no balcão único do prédio, acompanhada de documento comprovativo da propriedade, a deli-
mitação das áreas e a identificação dos proprietários são efetuadas com recurso a informação adminis-
trativa disponível ao nível da freguesia, designadamente elementos cartográficos, matrizes prediais ou
outros elementos técnicos, sendo a fórmula de cálculo da repartição igual à prevista no número anterior.
4 — Para efeitos do disposto no número anterior, o ICNF, I. P., ou a Entidade Gestora de OIGP podem
solicitar documentação adicional e promover uma vistoria técnica, quando considerada relevante,
através do Gabinete Técnico Florestal do respetivo Município.
5 — O montante da repartição financeira previsto nos números anteriores é calculado nos termos
da fórmula definida em anexo a esta portaria, da qual faz parte integrante.
6 — A caraterização dos lotes é publicitada na página institucional do ICNF, I. P., e da Entidade
Gestora da OIGP da área onde se localizem os referidos lotes.
Artigo 5.º
Procedimento de atribuição da repartição financeira
1 — No prazo de 30 dias após a execução do respetivo contrato, o ICNF, I. P., ou a Entidade Gestora
de OIGP informa os proprietários dos terrenos do direito à atribuição da repartição financeira, quando
devida, e solicita informação relevante para efetuar o pagamento.
2 — Sem prejuízo do disposto no número anterior, os interessados podem apresentar um requeri-
mento ao ICNF, I. P., ou à Entidade Gestora de OIGP para efeitos da atribuição da retribuição financeira.
Artigo 6.º
Entrada em vigor
A presente portaria entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação.
O Ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, em 29 de junho de 2026.
ANEXO
Portaria n.º 285/2026/1
Coeficientes de qualidade e fórmula de cálculo da repartição financeira
(a que se refere o n.º 5 do artigo 4.º)
1 — O coeficiente de qualidade é determinado com base num valor médio de referência igual a 1,
variando numa escala linear com incrementos de 0,1, em função dos desvios relativos a esse valor,
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com limite inferior de zero e limite superior fixado pelo ICNF, I. P., ou pela Entidade Gestora de OIGP, em
articulação com o ICNF, I. P., para cada lote.
2 — Os valores intermédios são arredondados por excesso para a décima imediatamente superior.
3 — Nas situações em se revele de especial complexidade a determinação do coeficiente de qua-
lidade, em virtude da heterogeneidade de espécies, de classes de idade e de qualidades, o ICNF, I. P., ou
a Entidade Gestora de OIGP, em articulação com o ICNF, I. P., podem atribuir o coeficiente de qualidade
de 1 para todas as parcelas.
4 — O valor da repartição financeira de cada parcela é determinado de acordo com a seguinte
fórmula:
VPi = VT × ki × qi
em que:
VPi corresponde ao valor da repartição financeira a atribuir à parcela i;
VT corresponde ao valor total da adjudicação do lote;
ki corresponde ao coeficiente de qualidade da parcela i, definido pelo ICNF, I. P., ou pela Entidade
Gestora de OIGP, em articulação com o ICNF, I. P.;
qi corresponde à quota-parte do lote correspondente à parcela i, em função da respetiva área;
i identifica cada uma das parcelas que constituem o lote, num total de n parcelas.
5 — Os ki são ajustados de forma que o somatório dos VPi de todas as parcelas que constituem
o lote seja igual ao VT.
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REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES
Presidência do Governo Regional
Decreto Regulamentar Regional n.º 9/2026/A
Sumário: Regulamenta as normas aplicáveis à utilização e rentabilização do património imobiliário da
Região Autónoma dos Açores.
Regulamenta as normas aplicáveis à utilização e rentabilização do património
imobiliário da Região Autónoma dos Açores
O Decreto Legislativo Regional n.º 5/2026/A, de 20 de fevereiro, estabelece as normas aplicáveis
à utilização e rentabilização do património imobiliário da Região Autónoma dos Açores, dispondo no
artigo 43.º que o mesmo é objeto de regulamentação pelo Governo Regional.
No âmbito das matérias cuja concretização regulamentar se encontra cometida ao Governo
Regional, em desenvolvimento do regime previsto no Decreto Legislativo Regional n.º 5/2026/A, de
20 de fevereiro, considera-se pertinente enquadrar o modelo de gestão do património imobiliário da
Região Autónoma dos Açores, bem como prever o desenvolvimento do Portal do Património da Região
Autónoma dos Açores.
Em consonância com os objetivos de valorização do património imobiliário da Região Autónoma
dos Açores e com o enquadramento estabelecido no Decreto Legislativo Regional n.º 5/2026/A, de
20 de fevereiro, designadamente no que respeita ao programa de inventariação do património imobi-
liário regional previsto no seu artigo 37.º, revela-se necessário consolidar uma estratégia integrada de
gestão patrimonial, assente num modelo que permita a sua adequada afetação às políticas públicas
e a racionalização dos encargos associados.
Neste contexto, assume particular relevância a existência de uma caracterização permanentemente
atualizada do património imobiliário da Região, abrangendo as nove ilhas, bem como a evolução dos
processos de gestão patrimonial, através da incorporação de metodologias e recursos digitais que
promovam a sua maior eficiência e fiabilidade.
Assim, nos termos da alínea d) do n.º 1 do artigo 227.º da Constituição da República Portuguesa,
da alínea b) do n.º 1 do artigo 89.º do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores
e do artigo 43.º do Decreto Legislativo Regional n.º 5/2026/A, de 20 de fevereiro, o Governo Regional
decreta o seguinte:
CAPÍTULO I
Disposições gerais
Artigo 1.º
Objeto
O presente diploma regulamenta as normas aplicáveis à utilização e rentabilização do património
imobiliário da Região Autónoma dos Açores, aprovadas pelo Decreto Legislativo Regional n.º 5/2026/A,
Decreto Regulamentar Regional n.º 9/2026/A
de 20 de fevereiro.
Artigo 2.º
Portal do Património da Região Autónoma dos Açores
O Portal do Património da Região Autónoma dos Açores reúne a informação sobre os imóveis do
domínio privado da administração pública regional, direta e indireta, e do setor público empresarial
regional, permitindo nomeadamente:
a) Identificar, localizar, caraterizar e atualizar os imóveis propriedade da Região Autónoma dos
Açores;
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b) Uniformizar os procedimentos de gestão patrimonial entre os órgãos e serviços da administra-
ção direta e indireta, e o setor público empresarial regional, bem como apoiar o processo de decisão;
c) Criar um mecanismo de interação da administração pública regional com os cidadãos e empresas;
d) Facultar informação sobre imóveis disponíveis para alienação, arrendamento, concessão,
cedência ou permuta;
e) Atualizar o Programa de Inventariação do Património Imobiliário da Região Autónoma dos Açores;
f) Operacionalizar o plano de reconversão ou reabilitação de imóveis da administração pública
regional direta e indireta e do setor público empresarial regional para os serviços da administração
pública regional e para fins habitacionais;
g) Disponibilizar legislação sobre a matéria, bem como outra documentação considerada relevante;
h) Uma gestão mais eficiente do património imobiliário, com base em dados atualizados;
i) Reforçar os mecanismos de controlo interno e auditoria;
j) Promover a transparência na gestão dos ativos;
k) Disponibilizar módulos relativos a vendas eletrónicas ou destinados a pedidos relativos a imó-
veis para instalação dos serviços públicos.
Artigo 3.º
Gestores de património
1 — A gestão do património imobiliário da Região Autónoma dos Açores, da competência do membro
do Governo Regional com competência em matéria de finanças, é realizada em estreita colaboração
com os demais departamentos do Governo Regional, com os organismos da administração indireta
e com o setor público empresarial regional.
2 — Para os efeitos previstos no número anterior são designados gestores de património, por
cada um dos departamentos do Governo Regional e por cada uma das empresas que integram o setor
público empresarial regional, de entre os respetivos trabalhadores.
3 — Os gestores de património são responsáveis por manter atualizado, de forma permanente,
o inventário dos imóveis da respetiva entidade.
4 — Os gestores de património a que se refere o n.º 2 são designados nos termos seguintes:
a) No âmbito da administração direta da Região, a designação é feita por despacho do membro
do Governo Regional com competência em matéria de património, sob proposta de cada departamento
do Governo Regional;
b) No âmbito da administração pública indireta da Região, a designação é feita por despacho do
Decreto Regulamentar Regional n.º 9/2026/A
membro do Governo Regional com competência em matéria de património, sob proposta do membro
do Governo Regional da tutela;
c) No âmbito do setor público empresarial regional, por despacho do membro do Governo Regional
com competência em matéria de património, sob proposta da respetiva empresa pública.
5 — A designação a que se refere o número anterior é realizada no prazo máximo de 60 dias,
a contar da data de publicação do presente diploma.
6 — A designação enquanto gestores de património não confere o direito a qualquer prestação
ou remuneração adicional.
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Artigo 4.º
Procedimento
1 — A iniciativa de desencadear o procedimento referente a cada uma das operações previstas no
artigo 5.º do Decreto Legislativo Regional n.º 5/2026/A, de 20 de fevereiro, é da competência de cada
um dos órgãos e serviços da administração direta e indireta da Região, e do setor público empresarial
regional, mediante submissão do respetivo pedido através do Portal do Património da Região Autónoma
dos Açores.
2 — Os pedidos referidos no número anterior devem ser instruídos com os documentos legalmente
exigíveis em função da natureza da operação em causa, nos termos da legislação aplicável.
3 — Após a submissão a que se refere o número anterior, os serviços do departamento do Governo
Regional com competência em matéria de património asseguram a tramitação subsequente dos pedi-
dos, nos termos definidos na respetiva legislação aplicável.
4 — O procedimento é norteado por critérios de simplificação, eficiência e celeridade.
CAPÍTULO II
Gestão do património imobiliário da Região Autónoma dos Açores
SECÇÃO I
Plano de reconversão e reabilitação
Artigo 5.º
Plano de reconversão e reabilitação
1 — É da competência dos gestores de património identificar os imóveis a integrar no plano de
reconversão ou reabilitação do domínio privado da administração direta e indireta da Região e do setor
público empresarial regional, e para fins habitacionais, a publicar no Portal do Património da Região
Autónoma dos Açores.
2 — Sem prejuízo do regime previsto no Decreto Legislativo Regional n.º 5/2026/A, de 20 de feve-
reiro, os critérios de análise e a tramitação das candidaturas são definidos por portaria do membro do
Governo Regional com competência em matéria de património.
SECÇÃO II
Inventariação
Decreto Regulamentar Regional n.º 9/2026/A
Artigo 6.º
Inventário dos bens imóveis
Os órgãos e serviços da administração direta e indireta da Região e o setor público empresarial
regional devem proceder ao levantamento rigoroso e a uma análise detalhada de todos os prédios
rústicos, urbanos e mistos que lhes estão afetos, com vista a manter atualizado o inventário do seu
património imobiliário e a identificar os bens que não são estritamente necessários ao exercício das
suas competências e à prossecução do interesse público.
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Artigo 7.º
Certidão de inventário
1 — Todos os atos praticados pelos órgãos e serviços da administração direta e indireta da Região,
e pelo setor público empresarial regional respeitantes à constituição, modificação ou extinção de direitos
sobre bens que integrem o seu património imobiliário, devem mencionar, obrigatoriamente, o número
da certidão de inventário correspondente, nos termos dos números seguintes.
2 — A certidão de inventário, a que alude o número anterior, é emitida pelos serviços do departa-
mento do Governo Regional com competência na área de património, através do Portal do Património
da Região Autónoma dos Açores.
3 — O número da referida certidão é de inclusão obrigatória em todos os atos e contratos em que
as entidades referidas no n.º 1 sejam parte e em todos os procedimentos com os mesmos relacionados.
4 — A certidão de inventário a que se refere o n.º 1 tem um prazo de validade associado, em função
da operação em específico, passível de revalidação, nos termos seguintes:
a) Aquisição onerosa ou gratuita — 180 dias;
b) Cedência de utilização — 90 dias;
c) Cessão definitiva — 180 dias;
d) Reversão de imóvel cedido — 90 dias;
e) Permuta — 180 dias;
f) Alienação — 180 dias;
g) Arrendamento — 30 dias;
h) Direito de superfície — 180 dias;
i) Locação financeira — 90 dias.
5 — São excecionados da alínea a) do número anterior os processos de aquisição por via de
expropriação por utilidade pública, em que a validade da certidão de inventário é de 12 meses, passível
de revalidação.
6 — A integração de imóveis no domínio público regional encontra-se dispensada de emissão de
certidão de inventário.
7 — Sem prejuízo do disposto no número anterior, deve ser remetida aos serviços do departamento
do Governo Regional com competência na área de património a planta com a delimitação da área
integrada naquele domínio, bem como da área sobrante, no prazo máximo de 90 dias após a referida
integração.
8 — Os órgãos e serviços da administração direta e indireta da Região e o setor público empresarial
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regional devem remeter, aos serviços do departamento do Governo Regional com competência na área
de património, cópia das escrituras e demais contratos efetuados no prazo de 30 dias, a contar da sua
celebração, bem como cópia da caderneta predial e da certidão do registo predial, quando aplicável.
Artigo 8.º
Identificação dos imóveis
1 — Todos os órgãos e serviços da administração direta da Região devem afixar, de forma bem
visível e em local apropriado, uma placa nos prédios urbanos, rústicos e mistos da Região Autónoma
dos Açores, de modo a evidenciar claramente que os referidos prédios integram o património regional.
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2 — O disposto no n.º 1 é aplicado aos órgãos e serviços da administração pública indireta da
Região e ao setor público empresarial regional.
Artigo 9.º
Cadastro predial
1 — Devem os órgãos e serviços da administração direta e indireta da Região e o setor público
empresarial regional assegurar a representação gráfica georreferenciada (RGG) dos prédios que lhes
estão afetos, nos termos legalmente aplicáveis, na plataforma eletrónica de informação e gestão
cadastral, nos termos do disposto no Decreto Legislativo Regional n.º 25/2020/A, de 14 de outubro,
que aprovou o Sistema de Recolha e Gestão de Informação Cadastral (SIRGIC).
2 — Uma vez concluído o procedimento da RGG, o mesmo deve ser submetido no Portal do
Património da Região Autónoma dos Açores.
3 — Excetuam-se do indicado no n.º 1 os prédios que se insiram em área já abrangida por cadas-
tro geométrico de propriedade rústica e por cadastro predial, os quais não são sujeitos a processo de
cadastro simplificado.
4 — Nos casos indicados no número anterior, os órgãos e serviços da administração direta e indi-
reta da Região, e o setor público empresarial regional, devem enviar, através do Portal do Património
da Região Autónoma dos Açores, a Ficha de Prédio Cadastrado e respetivo Número de Identificação
Cadastral (NIC).
SECÇÃO III
Programa de Inventariação do Património Imobiliário do Região Autónoma dos Açores
Artigo 10.º
Programa de Inventariação do Património Imobiliário da Região Autónoma dos Açores
1 — No Programa de Inventariação devem constar as informações previstas nos artigos 37.º e 38.º
do Decreto Legislativo Regional n.º 5/2026/A, de 20 de fevereiro.
2 — A prestação das informações necessárias à atualização do Programa de Inventariação do
Património Imobiliário da Região Autónoma dos Açores é da competência dos respetivos gestores de
património, nos termos do n.º 3 do artigo 3.º
3 — O membro do Governo Regional com competência em matéria de finanças e património
pode solicitar aos órgãos e serviços da administração direta e indireta da Região e ao setor público
empresarial regional informação pormenorizada e fundamentada sobre a elaboração e a execução dos
procedimentos e medidas previstos no Programa de Inventariação.
Decreto Regulamentar Regional n.º 9/2026/A
SECÇÃO IV
Procedimentos de gestão patrimonial
Artigo 11.º
Afetação
1 — Os bens imóveis da administração direta da Região são afetos aos serviços regionais por
despacho do membro do Governo Regional com competência em matéria de património, que fixa tam-
bém os termos dessa afetação.
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2 — Nestes termos, ficam a cargo do serviço afetatário as obras que se revelem necessárias
à utilização, manutenção e conservação do imóvel, bem como, quando aplicável, a representação no
condomínio e os encargos do mesmo.
3 — Os órgãos e serviços da administração direta da Região devem informar os serviços do
departamento do Governo Regional com competência na área de património sempre que prevejam,
a curto prazo, a desocupação de qualquer imóvel, entregando as respetivas chaves aquando da efetiva
desocupação do mesmo.
Artigo 12.º
Operações de gestão do património
Sem prejuízo das operações de gestão do património da administração direta e indireta da
Região e do setor público empresarial regional, definidas no artigo 5.º do Decreto Legislativo Regional
n.º 5/2026/A, de 20 de fevereiro, no âmbito da gestão do património, o Governo Regional procede às
operações de arrendamento, direito de superfície e locação financeira.
Artigo 13.º
Formalização e encargos com cedências de utilização
1 — A cedência de utilização é formalizada por auto de cessão, lavrado pelos serviços do depar-
tamento do Governo Regional com competência na área de património, do qual devem constar as
obrigações definidas nos números seguintes.
2 — Ficam a cargo do cessionário as obras que se revelem necessárias à utilização, manutenção
e conservação do imóvel, bem como os encargos com o condomínio, quando aplicável.
3 — O cessionário é responsável pela contratação de seguro que cubra o valor do imóvel.
4 — O cessionário deve comprovar, com periodicidade não superior a dois anos, a utilização do
imóvel para a finalidade que motivou a cedência.
5 — No caso de cedência onerosa, é exigível um relatório de avaliação, não podendo o valor da
cedência resultar num valor inferior ao da avaliação.
Artigo 14.º
Arrendamento
1 — Os contratos de arrendamento de imóveis a celebrar pelos órgãos e serviços da administração
direta da Região carecem sempre da autorização prévia do membro do Governo Regional com com-
petência em matéria de finanças e património, até ao limite previsto no decreto regulamentar regional
que executa o Orçamento da Região Autónoma dos Açores, a partir do qual ficam sujeitos a autorização
prévia do Conselho do Governo Regional, por proposta daquele membro do Governo Regional.
Decreto Regulamentar Regional n.º 9/2026/A
2 — Excetuam-se do disposto no número anterior os arrendamentos cujo prazo de duração, incluindo
renovações, seja igual ou inferior a seis meses, os quais ficam sujeitos à autorização do membro do
Governo Regional competente.
3 — Os arrendamentos referidos no número anterior devem ser objeto de prévia comunicação ao
membro do Governo Regional com competência em matéria de finanças e património.
4 — Compete ao membro do Governo Regional com competência em matéria de património afetar
a serviços públicos os imóveis tomados de arrendamento pela Região Autónoma dos Açores que se
encontrem disponíveis, e desde que justificada continuidade do contrato.
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5 — A celebração de contratos de arrendamento, para instalação de serviços, ou outros, deve
ser considerada sempre uma medida de último recurso, esgotadas que estejam as possibilidades de
acomodação em edifícios da Região Autónoma dos Açores.
6 — Aquando da renovação dos contratos de arrendamento, os órgãos e serviços da administração
direta da Região devem ponderar o interesse na sua manutenção, verificando a relação entre o seu
custo e benefício, face à possibilidade de acomodação em edifícios da Região Autónoma dos Açores,
ou noutro edifício já arrendado ou a arrendar.
7 — Os órgãos e serviços da administração indireta da Região e do setor público empresarial
regional devem comunicar ao membro do Governo Regional com competência em matéria de finan-
ças e património a celebração de contratos de arrendamento, bem como as respetivas alterações ou
aditamentos.
8 — Os bens imóveis pertencentes à administração direta e indireta da Região podem ser arren-
dados mediante autorização prévia do membro do Governo Regional com competência em matéria de
finanças e património.
9 — O arrendamento é precedido de um relatório de avaliação, não podendo o valor do arrenda-
mento resultar num valor inferior ao da avaliação.
Artigo 15.º
Direito de superfície
1 — Podem ser constituídos direitos de superfície sobre imóveis da administração direta e indireta da
Região e do setor público empresarial regional, designadamente por não serem necessários ao exercício
das suas competências e à prossecução do interesse público e não ser conveniente a sua alienação.
2 — Na constituição do direito de superfície deve ser fixado:
a) O prazo do direito de superfície;
b) A quantia devida pelo superficiário e os termos do pagamento;
c) O início e a conclusão de eventuais construções a erigir nos imóveis.
3 — Compete ao membro do Governo Regional com competência em matéria de finanças e patrimó-
nio autorizar a constituição do direito de superfície em imóveis do domínio privado da administração
direta e indireta da Região.
4 — A designação do superficiário, bem como a escolha do tipo do procedimento, designadamente
por hasta pública, negociação ou ajuste direto, é realizada nos termos da lei.
5 — O direito de superfície é precedido de relatório de avaliação, não podendo a quantia devida
pelo direito de superfície resultar num valor inferior ao da avaliação.
Artigo 16.º
Locação financeira
Decreto Regulamentar Regional n.º 9/2026/A
1 — Quando, por motivos de interesse público, não seja possível ou conveniente a aquisição ime-
diata de determinado imóvel, os órgãos e serviços da administração direta e indireta da Região podem
propor a celebração de contratos de locação financeira.
2 — A opção pela celebração de um contrato de locação financeira referida no número anterior
carece de autorização prévia do membro do Governo Regional com competência em matéria de finanças
e património, após proposta fundamentada dos respetivos serviços e organismos da administração
direta e indireta da Região.
3 — A locação financeira é precedida de relatório de avaliação, não podendo o valor da locação
financeira resultar num valor inferior ao da avaliação.
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CAPÍTULO III
Disposições transitórias e finais
Artigo 17.º
Regulação posterior
O membro do Governo Regional com competência em matéria de património aprova, por portaria,
no prazo máximo de 30 dias a contar da entrada em vigor do presente diploma, os modelos seguintes:
a) Da certidão de inventário a que se refere o artigo 7.º;
b) Da placa prevista no n.º 1 do artigo 8.º
Artigo 18.º
Norma transitória
1 — Até à entrada em funcionamento do Portal do Património da Região Autónoma dos Açores,
e à disponibilização integral das respetivas funcionalidades, mantêm-se transitoriamente aplicáveis
os regimes procedimentais constantes das resoluções do Conselho do Governo Regional previstas no
artigo seguinte, com as necessárias adaptações.
2 — A utilização dos procedimentos referidos no número anterior não prejudica a aplicação das
normas substantivas previstas no presente diploma, sempre que estas não dependam da operaciona-
lização do portal ou das respetivas funcionalidades.
3 — A entrada em funcionamento do portal a que se refere o n.º 1 e a disponibilização das suas
funcionalidades são objeto de divulgação pelo departamento do Governo Regional competente em
matéria de finanças.
Artigo 19.º
Norma revogatória
Com a entrada em vigor do presente diploma são revogadas:
a) A Resolução do Conselho do Governo Regional n.º 152/2010, de 26 de outubro;
b) A Resolução do Conselho do Governo Regional n.º 99/2001, de 2 de agosto.
Artigo 20.º
Entrada em vigor
O presente diploma entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação, sem prejuízo do disposto
no artigo 18.º
Decreto Regulamentar Regional n.º 9/2026/A
Aprovado em Conselho do Governo Regional, em Ponta Delgada, em 28 de maio de 2026.
O Presidente do Governo Regional, José Manuel Cabral Dias Bolieiro.
Assinado em Angra do Heroísmo em 30 de junho de 2026.
Publique-se.
A Representante da República para a Região Autónoma dos Açores, Susana Goulart Costa.
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