Diário da República, 1.ª série
Portaria n.º 197-A/2021
- Data
- 2021-09-17
- Tipo
- Portaria
- Emitente
- NEGÓCIOS ESTRANGEIROS, FINANÇAS E EDUCAÇÃO
Texto integral (1496 palavras)
Portaria n.º 197-A/2021
de 17 de setembro
Sumário: Regula os princípios e as normas que estabelecem a organização interna bem como de
gestão financeira e patrimonial da Escola Portuguesa de Luanda — Centro de Ensino
e Língua Portuguesa.
A Escola Portuguesa de Luanda — Centro de Ensino e Língua Portuguesa, criada pelo Decreto-
-Lei n.º 183/2006, de 6 de setembro, ao abrigo do Protocolo Relativo ao Centro de Ensino e Língua
Portuguesa de Luanda, celebrado entre o Governo da República Portuguesa e o Governo da Re-
pública de Angola, em 1 de março de 1995, da titularidade do Estado Português e com sede em
território da República de Angola, é um estabelecimento público de educação e ensino com a mesma
natureza dos estabelecimentos públicos de educação e ensino do sistema educativo português e
ministra a educação pré-escolar e os ensinos básico e secundário.
Sem prejuízo da gestão da Escola e a prestação de serviço público de educação poderem ser
asseguradas em regime de gestão e financiamento privados, quando aquelas são asseguradas
diretamente pelo Estado, os princípios e as normas que estabelecem a organização interna, bem
como de gestão financeira e patrimonial, são definidos por portaria conjunta dos ministros respon-
sáveis pelas áreas dos negócios estrangeiros, das finanças e da educação.
Assim, nos termos do n.º 3 do artigo 5.º do Decreto-Lei n.º 183/2006, de 6 de setembro, manda
o Governo, pelo Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, pelo Ministro de Estado e das
Finanças e pela Secretária de Estado da Educação, no uso de competências delegadas pelo Des-
pacho n.º 10452-B/2020, de 27 de outubro, o seguinte:
Artigo 1.º
Gestão da Escola
1 — A gestão da Escola e a prestação do serviço público de educação é efetuada diretamente
pelo Estado Português.
2 — Sem prejuízo das especificidades previstas no Decreto-Lei n.º 183/2006, de 6 de setem-
bro, a gestão da Escola é efetuada de acordo com o regime jurídico de autonomia, administração e
gestão dos estabelecimentos públicos da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário,
aprovado pelo Decreto-Lei n.º 75/2008, de 22 de abril, na sua redação atual.
Artigo 2.º
Estruturas de orientação educativa
O regulamento interno de funcionamento fixa, nos termos do regime jurídico referido no n.º 2 do
artigo 1.º da presente portaria, as estruturas que colaboram com o conselho diretivo e com o conselho
pedagógico, no sentido de assegurar o acompanhamento eficaz do percurso escolar dos alunos.
Artigo 3.º
Instrumentos de gestão financeira e patrimonial
1 — Na prossecução dos seus objetivos, a Escola administra os recursos que lhe estão afetos,
tendo em consideração os princípios de gestão por objetivos, utilizando os seguintes instrumentos
de gestão:
a) Planos de atividades e financeiros, anuais e plurianuais;
b) Orçamento anual;
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c) Relatório de atividades e financeiro, sendo a contabilidade da Escola organizada de forma
analítica.
2 — Com vista à sua aprovação, nos termos do artigo 8.º do Decreto-Lei n.º 183/2006, de
6 de setembro, compete ao conselho diretivo apresentar ao conselho de patronos as propostas
relativas aos instrumentos de gestão financeira e patrimonial identificados no número anterior do
presente artigo.
Artigo 4.º
Património
O património da Escola é constituído pelos direitos e bens recebidos ou adquiridos no âmbito
dos seus objetivos ou para o exercício da sua atividade.
Artigo 5.º
Receitas
1 — Constituem receitas da Escola:
a) A mensalidade, emolumentos e multas;
b) O produto resultante dos serviços prestados;
c) O produto da venda das suas publicações;
d) O rendimento de bens próprios;
e) Os juros das contas de depósitos e outras aplicações financeiras em quaisquer instituições
bancárias;
f) Outras receitas que lhe sejam atribuídas por lei, subsídios, subvenções, comparticipações,
doações, heranças ou legados.
2 — O valor proveniente do Orçamento do Estado é definido através de despacho conjunto
dos membros do Governo responsáveis pelas áreas das finanças e da educação, tendo como
referencial o valor do subsídio concedido nos anos de 2019 e de 2020.
3 — Os saldos apurados no fim de cada exercício, relativamente às receitas próprias, transitam
para o exercício seguinte.
Artigo 6.º
Garantias
1 — Os membros do conselho diretivo, os docentes e o pessoal não docente que se deslo-
quem de Portugal para o exercício de funções em regime de mobilidade têm direito ao reembolso
das seguintes despesas:
a) Com a instalação no local de trabalho;
b) Com a residência no local de trabalho;
c) Com as suas viagens ou dos membros do seu agregado familiar, incluindo as bagagens;
d) Com seguros de saúde para si e para os membros do seu agregado familiar.
2 — O reembolso das despesas realizadas com a residência, a abonar 12 meses por ano, tem
os seguintes limites, consoante o caso:
a) 2200,00€, para o cargo de presidente do conselho diretivo;
b) 1800,00€, para o cargo de vogal do conselho diretivo;
c) 1500,00€, para o pessoal docente;
d) 750,00€, para o pessoal não docente.
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3 — O reembolso previsto no número anterior só é devido quando não seja fornecida residência
pelo Estado de Angola ou pelo Estado Português sendo o direito à sua perceção devido desde a
data da apresentação do comprovativo da despesa realizada.
4 — O reembolso das despesas com a instalação tem como limite o dobro do montante relativo
às despesas com a residência, a liquidar de uma só vez.
5 — O reembolso das despesas realizadas com as viagens para Portugal e regresso, no início
e cessação de funções, do próprio e do seu agregado familiar, que o acompanhe ou o siga dentro
de um prazo não superior a 90 dias, é efetuado até ao montante da viagem processada por via
aérea em classe turística.
6 — O reembolso das despesas efetuadas com bagagens do próprio e do agregado familiar,
nos termos do número anterior, tem os seguintes limites:
a) 50 kg, por pessoa, por via aérea;
b) 6000 kg para o próprio e pelo menos mais dois elementos do agregado familiar, por via
marítima;
c) 4000 kg, por via marítima, quando o número de pessoas seja inferior ao constante da
alínea anterior.
7 — O reembolso das despesas previstas nos números anteriores não é devido, quanto ao
regresso, salvo as situações de força maior, nos casos em que seja determinado por cessação
das funções a pedido do próprio.
8 — O pessoal docente e não docente, os membros do conselho diretivo e os respetivos
agregados familiares que se desloquem de Portugal para o exercício de funções em regime
de mobilidade beneficiam ainda de uma viagem anual de ida e volta, nos termos fixados no
n.º 5.
9 — Para efeitos da presente portaria releva a definição de agregado familiar prevista no n.º 4
do artigo 13.º constante do Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares.
10 — O pessoal docente e não docente em regime de mobilidade bem como os membros do
conselho diretivo beneficiam ainda:
a) De um seguro de saúde;
b) De um seguro de acidentes de trabalho;
c) De isenção de matrículas, propinas e outras despesas devidas à frequência escolar de des-
cendentes, definidos nos termos do n.º 4 do artigo 13.º do Código do Imposto sobre o Rendimento
das Pessoas Singulares, que frequentem a Escola Portuguesa de Luanda — Centro de Ensino e
Língua Portuguesa.
11 — O seguro previsto na alínea a) do número anterior abrange o agregado familiar.
Artigo 7.º
Mapa de pessoal
O pessoal da Escola a que se referem os artigos anteriores não pode ultrapassar a dotação
fixada em mapa a elaborar pelo conselho diretivo e a aprovar pelos membros do Governo respon-
sáveis pelas áreas das finanças e da educação.
Artigo 8.º
Avaliação
É aplicável ao pessoal docente, com as necessárias adaptações, o sistema de avaliação da
educação e do ensino não superior e ao pessoal não docente a legislação aplicável aos trabalha-
dores da Administração Pública prevista na legislação portuguesa.
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Artigo 9.º
Regime transitório
Aos membros da comissão administrativa provisória constituída nos termos do artigo 66.º do
Decreto-Lei n.º 75/2008, de 22 de abril, na sua redação atual, é aplicável a presente portaria.
Artigo 10.º
Entrada em vigor
A presente portaria produz efeitos a partir do dia 7 de setembro de 2021.
O Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Ernesto Santos Silva, em 16 de
setembro de 2021. — O Ministro de Estado e das Finanças, João Rodrigo Reis Carvalho Leão, em
9 de setembro de 2021. — A Secretária de Estado da Educação, Inês Pacheco Ramires Ferreira,
em 16 de setembro de 2021.
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