Diário da República, 1.ª série
Portaria n.º 182/2023
- Data
- 2023-06-28
- Tipo
- Portaria
- Emitente
- TRABALHO, SOLIDARIEDADE E SEGURANÇA SOCIAL
Texto integral (3332 palavras)
Portaria n.º 182/2023
de 28 de junho
Sumário: Portaria de extensão das alterações do contrato coletivo entre a Confederação Nacio-
nal das Instituições de Solidariedade — CNIS e a Federação Nacional dos Sindicatos
dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais — FNSTFPS.
Portaria de extensão das alterações do contrato coletivo entre a Confederação Nacional
das Instituições de Solidariedade — CNIS e a Federação Nacional
dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais — FNSTFPS.
As alterações do contrato coletivo entre a Confederação Nacional das Instituições de Solida-
riedade — CNIS e a Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e
Sociais — FNSTFPS, publicadas no Boletim do Trabalho e Emprego (BTE), n.º 8, de 28 de fevereiro
de 2023, abrangem as relações de trabalho entre instituições particulares de solidariedade social
representadas pela confederação outorgante que exerçam a sua atividade no território nacional,
com exceção da Região Autónoma dos Açores, e trabalhadores ao seu serviço, representados pela
associação sindical outorgante.
A Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais —
FNSTFPS requereu a extensão das alterações do contrato coletivo na área da sua aplicação às
instituições particulares de solidariedade social não filiadas na confederação outorgante e trabalha-
dores ao seu serviço das profissões e categorias profissionais nela previstas, não representados
pela associação sindical outorgante.
De acordo com o n.º 1 do artigo 514.º do Código do Trabalho (CT), a convenção coletiva pode
ser aplicada, no todo ou em parte, por portaria de extensão a empregadores e a trabalhadores
integrados no âmbito do setor de atividade e profissional definido naquele instrumento. O n.º 2 do
referido normativo legal determina ainda que a extensão é possível mediante a ponderação de cir-
cunstâncias sociais e económicas que a justifiquem, nomeadamente a identidade ou semelhança
económica e social das situações no âmbito da extensão e no instrumento a que se refere.
Existindo identidade económica e social entre as situações que se pretende abranger com a
extensão e as previstas na convenção em apreço, foi promovida a realização do estudo de avalia-
ção dos indicadores previstos nas alíneas a) a e) do n.º 1 da Resolução do Conselho de Ministros
(RCM) n.º 82/2017, de 9 de junho, através dos elementos disponíveis no apuramento do relatório
único/quadros de pessoal de 2021. De acordo com o estudo estavam abrangidos pelo instrumento
de regulamentação coletiva de trabalho, direta e indiretamente, 34 140 trabalhadores por conta
de outrem a tempo completo (TCO), excluindo os praticantes e aprendizes e o residual, dos quais
92,2 % são mulheres e 7,8 % são homens. Segundo os dados da amostra, o estudo indica que para
31 529 TCO (92,4 % do total) as remunerações devidas são iguais ou superiores às remunerações
convencionais enquanto para 2611 TCO (7,6 % do total) as remunerações devidas são inferiores às
convencionais, dos quais 11,2 % são homens e 88,8 % são mulheres. Quanto ao impacto salarial
da extensão, a atualização das remunerações representa um acréscimo de 0,2 % na massa salarial
do total dos trabalhadores e de 1,8 % para os trabalhadores cujas remunerações devidas serão
alteradas. Na perspetiva da promoção de melhores níveis de coesão e igualdade social o estudo
indica uma redução no leque salarial e diminuição das desigualdades.
Neste contexto, ponderadas as circunstâncias sociais e económicas justificativas da extensão
de acordo com o disposto no n.º 2 do artigo 514.º do CT, promove-se o alargamento do âmbito de
aplicação das alterações do contrato coletivo a todas as relações de trabalho tituladas por instituições
particulares de solidariedade social não abrangidas por regulamentação coletiva negocial porquanto
tem, no plano social, o efeito de uniformizar as condições mínimas de trabalho dos trabalhadores
e, no plano económico, o de aproximar as condições de concorrência no setor social.
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Considerando que a convenção tem por âmbito geográfico de aplicação o território nacional,
com exceção da Região Autónoma dos Açores, e que a extensão de convenção coletiva nas Regiões
Autónomas compete aos respetivos Governos Regionais, a presente portaria apenas é aplicável
no território do continente.
Considerando que as retribuições previstas nos níveis චඑ a චඞඑඑඑ da tabela A e nos níveis ඞඑඑඑ
a ච da tabela B-6, do anexo ඞ, são inferiores à retribuição mínima mensal garantida (RMMG) em
vigor, as referidas retribuições convencionais apenas são objeto de extensão nas situações em
que sejam superiores à RMMG resultante de redução relacionada com o trabalhador, de acordo
com o artigo 275.º do CT.
Nos termos da alínea c) do n.º 1 do artigo 478.º do CT e dos n.os 2 e 4 da RCM, na fixação da
eficácia das cláusulas de natureza pecuniária foi tido em conta a data do pedido de emissão de
portaria de extensão, o qual é posterior à data do depósito da convenção, e o termo do prazo para a
emissão da portaria de extensão, com produção de efeitos a partir do primeiro dia do mês em causa.
Foi publicado o aviso relativo ao projeto da presente extensão no Boletim do Trabalho e
Emprego (BTE), separata, n.º 4, de 15 de março de 2023, ao qual deduziram oposição a União das
Misericórdias Portuguesas — UMP, a APM-RedeMut — Associação Portuguesa de Mutualidades
e a União das Mutualidades Portuguesas.
A União das Misericórdias Portuguesas — UMP opõe-se à emissão da portaria de extensão
das alterações do contrato coletivo ou, sendo emitida, à sua aplicação à oponente e a todas as
misericórdias suas associadas. Para tanto alega, em síntese: i) que goza de autonomia negocial
coletiva e, como tal, tem capacidade para negociar instrumentos de regulamentação coletiva de
trabalho (IRCT) aplicáveis às suas associadas, enunciando como exemplo o contrato coletivo por
ela celebrado; ii) a extensão só pode ser emitida na falta de instrumento de regulamentação coletiva
de trabalho (IRCT) negocial no setor e, ao contrário do que parece estar pressuposto no projeto de
portaria de extensão, não existe um vazio de regulamentação para o setor social, especialmente
no que tange às misericórdias que integram a UMP; iii) a nota justificativa do projeto de portaria
de extensão apresenta diversas incongruências por não se conseguir dela extrair facto que funda-
mente a decisão de extensão, nomeadamente por não se vislumbrarem as circunstâncias sociais
e económicas que a justifiquem.
Quanto à argumentação da União das Misericórdias Portuguesas — UMP no sentido de que
goza de autonomia negocial coletiva em matéria de regulamentação coletiva do trabalho, tal argu-
mentação só tem cabimento à luz do artigo 93.º-A do Decreto-Lei n.º 119/83, de 25 de fevereiro.
É consabido que em matéria de celebração de convenções coletivas o CT não impede as entidades
empregadoras de celebrar acordo de empresa ou acordo coletivo, ainda que através de terceiros
mandatados expressamente para o efeito. Porém, no que diz respeito à celebração de contrato
coletivo [cf. alínea a) do n.º 3 do artigo 2.º do CT], essa competência cabe às estruturas de repre-
sentação coletiva dos empregadores e dos trabalhadores, ou seja, às associações de empregadores
e associações sindicais registadas nos termos do artigo 447.º do CT. A União das Misericórdias
Portuguesas — UMP não é uma associação de empregadores, pelo que, por esta via, não goza da
capacidade para celebrar contrato coletivo aplicável às suas associadas. Contudo, por motivo de
incompatibilidade entre o regime aplicável às associações de empregadores e o estatuto das IPSS,
o desiderato do legislador vertido no artigo 93.º-A do Decreto-Lei n.º 119/83, de 25 de fevereiro,
admite que as estruturas de representação coletiva de IPSS (as uniões, federações e confedera-
ções) possam, querendo, ter capacidade idêntica à das associações de empregadores registadas no
âmbito do CT para, com autonomia própria, negociar e celebrar contrato coletivo aplicável às suas
associadas. Porém, é claro na norma legal que só são consideradas com tal capacidade as uniões,
federações e confederações de IPSS que manifestem essa vontade, de forma real, nos estatutos
ou, no limite, comprovada por facto que a evidencie verdadeiramente: a celebração efetiva de um
contrato coletivo. Apesar de os estatutos da União das Misericórdias Portuguesas — UMP serem
omissos quanto a esta matéria, com a recente celebração do contrato coletivo entre a União das
Misericórdias Portuguesas — UMP e a FNE — Federação Nacional da Educação — e outros, publi-
cado no Boletim do Trabalho e Emprego (BTE), n.º 14, de 15 de abril de 2023, deixou de subsistir
qualquer dúvida quanto à capacidade da União das Misericórdias Portuguesas — UMP para a defesa
dos interesses das suas associadas nesta matéria, à semelhança do previsto para as associações
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de empregadores, na lei e nas Convenções n.os 87.º e 98.º da OIT, pelo que se excluem do âmbito
de aplicação da presente extensão as IPSS nelas filiadas. Quanto ao argumento no sentido de que
a emissão da portaria de extensão está ferida de ilegalidade porque só pode ser emitida na falta de
IRCT negocial no setor e, no caso, existe regulamentação para o setor social, especialmente no que
tange às Misericórdias que integram a União das Misericórdias Portuguesas — UMP, também não
é de acolher. Das disposições conjugadas previstas nos artigos 514.º e 515.º do CT, resulta que a
portaria de extensão pode ser emitida na falta de instrumento de regulamentação coletiva de trabalho
negocial aplicável às relações de trabalho existentes no mesmo âmbito de setor de atividade e pro-
fissional previsto na convenção a estender. É o que sucede no caso, porquanto trata-se de portaria
de extensão que procede ao alargamento do âmbito de aplicação das alterações de um contrato
coletivo às relações de trabalho tituladas por IPSS não abrangidas por regulamentação coletiva
negocial no mesmo âmbito de setor de atividade e profissional definido na convenção. E apenas
são abrangidas estas relações de trabalho porque as relações de trabalho abrangidas por regula-
mentação coletiva negocial obrigam as partes nos termos do artigo 496.º do CT. Assim, para além
de a extensão ser admissível, a lei exclui automaticamente a aplicação das portarias de extensão,
i. e., sem necessidade de norma expressa no respetivo instrumento, às relações de trabalho que
no mesmo âmbito sejam abrangidas por IRCT negocial, por força do princípio da subsidiariedade
previsto no artigo 515.º do CT e do regime de concorrência entre IRCT negocial e não negocial
previsto no artigo 484.º do CT. Ainda assim, tal norma consta do projeto da presente portaria. No
que concerne ao argumento de que a nota justificativa que integra o projeto de portaria de exten-
são não salienta as circunstâncias sociais e económicas que a justifiquem, tal alegação não tem
cabimento. A decisão de emissão de portaria de extensão ocorre no âmbito do poder discricionário
conferido por lei ao membro do Governo competente, mediante ponderação das circunstâncias
sociais e económicas que a justifiquem. Assim, para além de efetuada a devida ponderação foram
relevados e considerados os indicadores previstos nas alíneas a) a e) do n.º 1 da RCM n.º 82/2017,
de 9 de junho. Se dúvidas existissem, as circunstâncias e os indicadores que a justificam constam
expressamente da nota justificativa do projeto de extensão e da presente portaria e evidenciam,
direta e indiretamente, entre outros aspetos: i) a identidade económica e social entre as situações
que se pretende abranger com a extensão e as previstas na convenção; ii) a admissibilidade da
sua emissão, por existirem relações de trabalhos no mesmo âmbito de setor de atividade e profis-
sional da convenção não abrangidas por regulamentação coletiva negocial; iii) o impacto positivo
da extensão das retribuições mínimas convencionadas na promoção de melhores níveis de coe-
são e igualdade social; iv) a uniformização das condições mínimas de trabalho dos trabalhadores
das IPSS; v) a aproximação das condições de concorrência entre empregadores do setor social.
Por sua vez, a APM-RedeMut — Associação Portuguesa de Mutualidades opõe-se à emissão
da portaria de extensão das alterações do contrato coletivo às relações de trabalho por si estabe-
lecidas e pelas suas associadas alegando em síntese que: i) tem em curso um processo negocial
com vista à celebração de contrato coletivo; ii) a CNIS não é uma associação representativa do setor
do mutualista; iii) as atividades mais significativas desenvolvidas pelas mutualidades são distintas
das prosseguidas pelas associadas da CNIS; iv) não existe identidade económica e social entre
as situações no âmbito da extensão e no do instrumento a que se refere e faltou ponderação das
circunstâncias económicas e sociais que justifiquem a extensão à APM-RedeMut e suas associadas.
O argumento no sentido de que a existência de processo negocial com vista à celebração de
contrato coletivo impede a emissão de portaria de extensão para as relações de trabalho estabele-
cidas pela oponente e pelas suas associadas não tem qualquer fundamento legal nos artigos 514.º
e 515.º do CT, que regulam a admissibilidade da emissão da portaria de extensão; o entendimento
de que a extensão não pode ser emitida para o setor mutualista porque a CNIS não é uma asso-
ciação representativa do setor também não colhe. Nos termos dos seus estatutos a CNIS é uma
confederação de IPSS sem reserva quanto aos fins e atividades ou formas das instituições e com
reconhecida capacidade para celebrar contrato coletivo — no mesmo âmbito de setor de atividade
social estatutário —, o que faz de forma efetiva desde 2005, enquanto confederação de IPSS. Por
outro lado, esclarece-se que o regime em vigor não exige ou estabelece critérios de representati-
vidade dos outorgantes de contrato coletivo para a emissão de portaria de extensão. Com efeito,
com a revogação da RCM n.º 90/2012, de 31 de outubro, e subsequentes alterações e entrada
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em vigor da RCM n.º 82/2017, de 9 de junho, o requisito da representatividade da parte emprega-
dora subscritora da convenção deixou de ser critério para a ponderação da emissão de portaria
de extensão; quanto ao argumento de que as atividades mais significativas das mutualidades são
distintas das associadas da CNIS, regista-se que a extensão visa abranger as mesmas atividades
do setor social reguladas pela convenção, no âmbito das profissões e categorias profissionais nela
previstas, independentemente da forma jurídica que as IPSS revistam, uma vez que os seus fins
podem ser em domínios comuns, quer sejam os elencados no artigo 1.º-A do Estatuto das IPSS,
aprovado pelo Decreto-Lei n.º 119/83, de 25 de fevereiro, ou outros legalmente admissíveis. Em
suma, pese embora a oposição da APM-RedeMut, verifica-se que a mesma não constitui por si
mesmo fundamento bastante para a exclusão das suas associadas da presente extensão porquanto
a oponente não é uma associação de empregadores registada nos termos do artigo 447.º do CT,
nem adquiriu até à presente data capacidade idêntica à das associações de empregadores nos
termos do artigo 93.º-A do Decreto-Lei n.º 119/83, de 25 de fevereiro. Com efeito, conforme já refe-
rido a propósito da União das Misericórdias Portuguesas — UMP, para que as uniões, federações e
confederações de IPSS possam ser consideradas entidades com capacidade para celebrar contrato
coletivo é necessário que manifestem essa vontade. No caso, não se vislumbra nos estatutos da
APM-RedeMut tal competência nem ocorreu facto que a evidencie verdadeiramente: a celebra-
ção de contrato coletivo. Regista-se ainda que a existência de negociações não é uma evidência
inequívoca de que as partes cheguem a acordo sobre a celebração de contrato coletivo, como a
APM-RedeMut assume que sucedeu com uma negociação que decorria há vários anos. Acresce
que o artigo 484.º do CT determina que a entrada em vigor de um IRCT negocial afasta a aplicação,
no respetivo âmbito, de anterior IRCT não negocial, pelo que, a ocorrer a eventual celebração de
contrato coletivo, este afasta a aplicação da portaria de extensão em apreço.
A União das Mutualidades Portuguesas opõe-se peticionando que a extensão das alterações
do contrato coletivo em análise não abranja as relações laborais inerentes às associações mutua-
listas, onde se inclui a União das Mutualidades Portuguesas, alegando em síntese que: i) a CNIS
não é uma associação representativa do setor do mutualista; ii) as atividades mais significativas
desenvolvidas pelas mutualidades são distintas das prosseguidas pelas associadas da CNIS;
iii) tem contrato coletivo próprio aplicável às suas associadas e ao movimento mutualista, por força
de portaria de extensão do mesmo.
Sobre o argumento relativo à falta de representatividade da CNIS, remete-se para o que já foi
dito anteriormente quanto à argumentação da APM-RedeMut sobre esta matéria. Relativamente ao
argumento de que as atividades mais significativas das mutualidades são distintas das associadas
da CNIS, reitera-se que a extensão visa abranger as mesmas atividades do setor social reguladas
pela convenção, no âmbito das profissões e categorias profissionais nela previstas, independente-
mente da forma jurídica que as IPSS revistam, uma vez que os seus fins podem ser em domínios
comuns, quer sejam os elencados no artigo 1.º-A do Estatuto das IPSS, aprovado pelo Decreto-Lei
n.º 119/83, de 25 de fevereiro, ou outros legalmente admissíveis;
Quanto ao argumento de que goza de autonomia negocial coletiva, invocando inclusive a
celebração de contrato coletivo próprio, remete-se para o que foi dito relativamente à União das
Misericórdias Portuguesas — UMP, acolhendo-se a exclusão das associadas na União das Mutua-
lidades Portuguesas, uma vez que, fazendo uso da prerrogativa legal prevista no artigo 93.º-A do
Decreto-Lei n.º 119/83, de 25 de fevereiro, assiste-lhe, também, o direito de defesa dos interesses
das instituições nela filiadas.
Assim:
Manda o Governo, pelo Secretário de Estado do Trabalho, no uso da competência delegada
pelo Despacho n.º 7910/2022, de 21 de junho, da Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança
Social, publicado no Diário da República, 2.ª série, n.º 123, de 28 de junho de 2022, ao abrigo
do artigo 514.º e do n.º 1 do artigo 516.º do Código do Trabalho e da Resolução do Conselho de
Ministros n.º 82/2017, publicada no Diário da República, 1.ª série, n.º 112, de 9 de junho de 2017,
o seguinte:
Artigo 1.º
1 — As condições de trabalho constantes das alterações do contrato coletivo entre a Confede-
ração Nacional das Instituições de Solidariedade — CNIS e a Federação Nacional dos Sindicatos
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dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais — FNSTFPS, publicadas no Boletim do Trabalho
e Emprego (BTE), n.º 8, de 28 de fevereiro de 2023, são estendidas no território do continente:
a) Às relações de trabalho entre instituições particulares de solidariedade social não filiadas na
confederação outorgante que prossigam as atividades reguladas pela convenção e trabalhadores
ao seu serviço das profissões e categorias profissionais nela previstas;
b) Às relações de trabalho entre instituições particulares de solidariedade social filiadas na
confederação outorgante que prossigam as atividades reguladas pela convenção e trabalhadores
ao seu serviço, das referidas profissões e categorias profissionais, não representados pela asso-
ciação sindical outorgante.
2 — O disposto na alínea a) do número anterior não é aplicável às instituições particulares
de solidariedade social filiadas na União das Misericórdias Portuguesas — UMP e na União das
Mutualidades Portuguesas.
3 — As retribuições das tabelas salariais inferiores à retribuição mínima mensal garantida em
vigor apenas são objeto de extensão nas situações em que sejam superiores à retribuição mínima
mensal garantida resultante de redução relacionada com o trabalhador, de acordo com o artigo 275.º
do Código do Trabalho.
4 — A presente extensão não é aplicável às relações de trabalho que no mesmo âmbito sejam
reguladas por instrumento de regulamentação coletiva de trabalho negocial, de acordo com o
artigo 515.º do Código do Trabalho.
Artigo 2.º
1 — A presente portaria entra em vigor no quinto dia após a sua publicação no Diário da
República.
2 — As tabelas salariais e cláusulas de natureza pecuniária previstas na convenção produzem
efeitos a partir de 1 de abril de 2023.
O Secretário de Estado do Trabalho, Luís Miguel de Oliveira Fontes, em 23 de junho de 2023.
116608357
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