Diário da República, 1.ª série
Portaria n.º 173/2021
- Data
- 2021-08-20
- Tipo
- Portaria
Texto integral (3570 palavras)
Portaria n.º 173/2021
de 20 de agosto
Sumário: Aprova o programa de formação da residência farmacêutica, da área de análises clí-
nicas.
De acordo com o previsto no Decreto-Lei n.º 108/2017 e no Decreto-Lei n.º 109/2017, ambos
de 30 de agosto, diplomas que estabelecem o regime, respetivamente, da carreira farmacêutica das
entidades públicas empresariais do setor da saúde e da carreira especial farmacêutica, a integra-
ção nas referidas carreiras pressupõe a posse do título definitivo de farmacêutico, concedido pela
Ordem dos Farmacêuticos, bem como o título de especialista na correspondente área de exercício
profissional, obtido nos termos de legislação própria.
Nessa sequência foi publicado o Decreto-Lei n.º 6/2020, de 24 de fevereiro, que define o regime
jurídico da residência farmacêutica, que tem como objetivo a formação teórica e prática no sentido
de capacitar os profissionais de saúde, detentores do título de farmacêutico concedido pela Ordem
dos Farmacêuticos, para o exercício autónomo e tecnicamente diferenciado na correspondente
área de exercício profissional.
Nos termos previstos no artigo 10.º, o programa de formação de cada área de exercício
profissional dos farmacêuticos, que deve ser estruturado numa sequência lógica de valências
de formação, é aprovado por portaria do membro do Governo responsável pela área da saúde,
mediante proposta da Ordem dos Farmacêuticos, e sob parecer da Comissão Nacional da Resi-
dência Farmacêutica.
Assim, mediante proposta da Ordem dos Farmacêuticos e sob parecer da Comissão Nacional
da Residência Farmacêutica, ao abrigo do disposto no artigo 10.º do Decreto-Lei n.º 6/2020, de
24 de fevereiro, e da alínea j) do n.º 1 do Despacho n.º 11199/2020, de 6 de novembro, publicado
no Diário da República, 2.ª série, n.º 222, de 13 de novembro de 2020, alterado pelo Despacho
n.º 1752/2021, publicado no Diário da República, 2.ª série, n.º 32, de 16 de fevereiro de 2021,
manda o Governo, pelo Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, o seguinte:
Artigo 1.º
Objeto
É aprovado o programa de formação da residência farmacêutica, da área de análises clínicas,
constante do anexo à presente portaria, da qual faz parte integrante.
Artigo 2.º
Formação
A aplicação e desenvolvimento do programa formativo compete aos órgãos e agentes respon-
sáveis pela formação na residência farmacêutica, os quais devem assegurar a maior uniformidade
a nível nacional.
Artigo 3.º
Entrada em vigor e produção de efeitos
A presente portaria entra em vigor no dia útil seguinte ao da respetiva publicação.
O Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, em 17 de agosto de 2021.
Diário da República, 1.ª série
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ANEXO
Programa especialidade: Análises Clínicas
Considerações gerais
Este documento integra as orientações da European Federation of Clinical Chemistry and
Laboratory Medicine (EFLM), respeitantes à uniformização da formação pós-graduada nos dife-
rentes Estados-Membros da União Europeia na área das Análises Clínicas/Patologia Clínica para
Farmacêuticos e Médicos.
O farmacêutico especialista em análises clínicas é o farmacêutico que, com a sua formação
em ciências farmacêuticas e análises clínicas, colabora com o clínico no diagnóstico, terapêutica
e prevenção das doenças humanas.
Neste sentido, uma vez finalizada a residência farmacêutica, o farmacêutico especialista em
análises clínicas deverá estar apto a orientar os pedidos de exames laboratoriais, a selecionar e aplicar
os métodos e as técnicas mais adequados à avaliação de cada parâmetro laboratorial, a assegurar a
qualidade dos resultados e interpretá-los no contexto clínico-laboratorial e contribuir para a terapêutica.
Deverá também ter adquirido capacidade de organização e gestão de um serviço laboratorial.
Os objetivos de desempenho a alcançar pelo residente farmacêutico nas diferentes valências
de formação na especialidade de análises clínicas são genericamente iguais com as necessárias
adaptações tendo em conta as áreas de conhecimento associadas a cada valência e incluem:
Reconhecimento de fatores pré-analíticos que influenciam a validade do processo analítico;
Capacidade de identificar os parâmetros necessários para avaliar um método laboratorial;
Capacidade de conduzir uma avaliação laboratorial utilizando conhecimentos técnico-científicos
apropriados;
Capacidade de determinar o significado clínico-laboratorial do resultado de uma avaliação
laboratorial;
Capacidade para obter, explorar e empregar conhecimentos e métodos de investigação no
interesse dos cuidados de saúde;
Capacidade para assumir a responsabilidade pelos dados clínicos que lhe são confiados no
âmbito da sua atividade profissional;
Capacidade para integrar e avaliar os dados de variação biológica e analítica na interpretação
dos resultados;
Capacidade para fornecer orientações interpretativas, consultivas e de intervenção em função
de resultados laboratoriais;
Capacidade de comunicar o valor das investigações laboratoriais aos destinatários do serviço
(médico prescritor e/ou doente/utente);
Capacidade de salvaguardar o interesse do utente/doente contra o uso indevido de investi-
gações laboratoriais.
Duração da formação
A duração do programa de Residência Farmacêutica em Análises Clínicas é de 48 meses
(4 anos).
A caracterização das valências formativas em obrigatórias ou opcionais, sua duração, objetivos
de conhecimentos e de desempenho constam do programa que a seguir se apresenta. A sequência
das valências será estabelecida caso a caso pelo orientador de formação em função da realidade
de cada instituição.
A frequência de estágios opcionais não pode ultrapassar quatro meses do tempo total da
formação.
Residência Farmacêutica — Especialidade de Análises Clínicas
Áreas de conhecimento a incluir na valência Duração máxima/
Valências de formação Obrigatório/opcional
de formação respetiva mínima (meses)
1 — Medicina laboratorial — conhecimentos
gerais.
1.1 — Conhecimentos básicos. . . . . . . . . . . . 1.1.1 — Conhecer a estrutura e fun- Obrigatório . . . –
ção celular.
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Áreas de conhecimento a incluir na valência Duração máxima/
Valências de formação Obrigatório/opcional
de formação respetiva mínima (meses)
1.1.2 — Compreender a anatomia,
fisiologia e patologia dos diferentes
sistemas de órgãos.
1.1.3 — Conhecer o processo de de-
senvolvimento embrionário, desde
a conceção até ao nascimento.
1.1.4 — Conhecer os princípios de
herança genética.
1.1.5 — Conhecer a resposta celu-
lar, dos tecidos e dos sistemas à
doença.
1.1.6 — Descrever a fisiopatologia do
desenvolvimento de doenças.
1.1.7 — Compreender os princípios
básicos da microbiologia e da imu-
nologia.
1.1.8 — Compreender os princípios
básicos da bioquímica clínica e
metabolismo em processos fisio-
lógicos, homeostáticos e fisiopa-
tológicos.
1.1.9 — Compreender os princípios
básicos da hematologia.
1.1.10 — Compreender os princípios
básicos da histologia.
1.2 — Procedimentos em medicina laboratorial Garantir o uso apropriado das avalia-
ções/investigações laboratoriais:
1.2.1 — Na deteção precoce da
doença ou suscetibilidade à
mesma.
1.2.2 — Na monitorização das fun-
ções vitais.
1.2.3 — No diagnóstico e monitoriza-
ção da doença.
1.2.4 — Na avaliação prognóstica.
1.2.5 — Na monitorização da tera-
pêutica.
1.3 — Colheita e conservação das amostras 1.3.1 — Identificação, colheita de
amostras biológicas, preparação,
transporte, conservação e armaze-
namento de amostras biológicas.
1.3.2 — Influência da nutrição, medi-
camentos ou outras substâncias,
postura, jejum, etc.
1.3.3 — Anticoagulantes e conser-
vantes, ordem da colheita, efeitos
do torniquete.
1.3.4 — Fatores fisiológicos e varia-
bilidade biológica.
1.3.5 — Estabilidade dos analitos,
influência da temperatura, conge-
lamento/descongelamento.
1.4 — Princípios analíticos e métodos de análise 1.4.1 — Técnicas de separação.
1.4.2 — Técnicas analíticas padrão
ou de referência.
1.4.3 — Métodos espectrofotomé-
tricos.
1.4.4 — Técnicas eletroquímicas.
1.4.5 — Técnicas de análise/extração
de ácidos nucleicos.
1.4.6 — Métodos imunológicos
1.4.7 — Microscopia.
1.4.8 — Citometria de fluxo.
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Áreas de conhecimento a incluir na valência Duração máxima/
Valências de formação Obrigatório/opcional
de formação respetiva mínima (meses)
1.4.9 — Reologia.
1.4.10 — Meios de cultura em micro-
biologia e testes de suscetibilidade
aos antimicrobianos.
1.4.11 — Técnicas de coloração em
hematologia.
1.4.12 — Técnicas de coloração em
microbiologia.
1.5 — Avaliação analítica e clínica dos métodos 1.5.1 — Precisão, exatidão, sensibili-
laboratoriais. dade analítica e clínica, especifici-
dade analítica e clínica, valor pre-
ditivo positivo e negativo, intervalo
de confiança.
1.5.2 — Interferências.
1.5.3 — Intervalos analíticos e clíni-
cos, limite de deteção, carry-over.
1.5.4 — Controlo interno da quali-
dade, avaliação externa da qua-
lidade
1.5.5 — Comparação estatística de
métodos laboratoriais.
1.5.6 — Métodos de referência, cali-
bradores primários e secundários,
rastreabilidade.
1.5.7 — Intervalos de referência e va-
riabilidade biológica e analítica.
1.5.8 — Interpretação, validação e
transmissão de resultados.
1.6 — Avaliação analítica e clínica dos resultados 1.6.1 — Interpretação, validação e
laboratoriais. transmissão de resultados.
1.6.2 — Avaliação de resultados
individuais: resultados críticos,
evolução dos biomarcadores, as-
sociação de resultados para diag-
nóstico/prognóstico de doença.
1.6.3 — Uso dos valores de refe-
rência: influência da idade, sexo,
estilo de vida, genética, fatores in-
terferentes: medicamentos, p. ex.,
variação biológica e analítica.
1.6.4 — Avaliação longitudinal das
diferenças críticas durante a mo-
nitorização da doença.
1.6.5 — Elaboração de relatórios:
inclusão de recomendações ou
estratégias para uma melhor ava-
liação/monitorização clínica; intro-
dução de comentários interpretati-
vos sobre avaliações/investigações
laboratoriais.
1.7 — Investigação e desenvolvimento . . . . . 1.7.1 — Desenvolvimento e melhoria
de técnicas e metodologias ana-
líticas.
1.7.2 — Implementação, condução e
avaliação de investigação labora-
torial e clínica para estudar a apli-
cabilidade de novos biomarcadores
ou reclassificar biomarcadores já
existentes.
1.7.3 — Geração de resultados de
investigação e desenvolvimento
com impacto em decisão clínica
com base na evidência.
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Áreas de conhecimento a incluir na valência Duração máxima/
Valências de formação Obrigatório/opcional
de formação respetiva mínima (meses)
1.7.4 — Apresentação de comunica-
ções e artigos científicos.
1.8 — Gestão do laboratório e garantia da qua- 1.8.1 — Organização e gestão do
lidade. laboratório.
1.8.2 — Higiene e segurança no
trabalho laboratorial; gestão de
resíduos.
1.8.3 — Estatística e bioestatística.
1.8.4 — Processos de certificação
e/ou acreditação no laboratório.
1.8.5 — Legislação específica.
1.8.6 — Garantia da qualidade: prin-
cípios e métodos.
1.8.7 — Iniciação, condução e ava-
liação de auditorias a sistemas
de gestão da qualidade, incluindo
aspetos de gestão e técnicos, num
laboratório de análises clínicas.
2 — Áreas do laboratório de análises clíni-
cas — valências de formação.
2.1 — Química clínica/imunologia/monitorização 2.1.1 — Estudo do metabolismo e Obrigatório . . . 17/15
de fármacos/toxicologia clínica/endocrinologia principais alterações de:
laboratorial.
a) Hidratos de carbono.
b) Lípidos e lipoproteínas.
c) Proteínas (enzimas) e aminoáci-
dos.
d) Ácidos nucleicos e purinas.
e) Porfirinas e pigmentos do heme.
f) Aminas biogénicas.
g) Água e eletrólitos. Gasimetria
h) Equilíbrio eletrolítico.
i) Metabolismo do ferro
j) Vitaminas e elementos vestigiais
2.1.2 — Estudo/avaliação dos se-
guintes sistemas:
a) Aparelho digestivo.
b) Pâncreas exócrino.
c) Fígado e trato biliar.
d) Rim e aparelho urinário.
e) Coração e sistema circulatório.
f) Músculo esquelético e locomotor.
g) Sistema endócrino: fisiologia, bios-
síntese, catabolismo e transporte
das hormonas; regulação hormo-
nal; função endócrina e suas al-
terações.
2.1.3 — Monitorização de fármacos/
drogas de abuso.
2.1.4 — Gravidez e análise laborato-
rial perinatal.
2.1.5 — Diagnóstico pré-natal.
2.1.6 — Fluido cérebroespinal e ou-
tros fluidos biológicos.
2.1.7 — Toxicologia clínica e fo-
rense.
2.1.8 — Sistema imunológico:
a) Função e regulação dos sistemas
humoral e celular.
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Áreas de conhecimento a incluir na valência Duração máxima/
Valências de formação Obrigatório/opcional
de formação respetiva mínima (meses)
b) Fatores do complemento.
c) Inflamação, proteínas de fase
aguda, citocinas.
d) Antigénios de superfície.
e) Doenças hereditárias e adquiridas.
f) Défice e hiperprodução de imuno-
globulinas, gamapatias monoclo-
nais e policlonais.
g) Complexo major de histocompa-
tibilidade.
h) Doenças autoimunes.
i) Alergia.
2.1.9 — Oncogenes/marcadores tu-
morais.
2.2 — Hematologia/transfusão sanguínea . . . . 2.2.1 — Hematologia básica: Obrigatório . . . 14/12
a) Morfologia geral e contagem das
células sanguíneas.
b) Determinação da velocidade de
sedimentação eritrocitária, da
concentração de hemoglobina, do
hematócrito, contagens celulares
e determinação de índices hema-
timétricos.
c) Preparação e coloração de esfre-
gaços sanguíneos, observação e
validação microscópica.
d) Estudo da hemólise.
e) Citometria de fluxo e populações
leucocitárias.
f) Hemoglobinopatias. Eletroforese
de hemoglobinas.
2.2.2 — Hematopoiese e seus meca-
nismos fisiológicos:
a) Fisiologia e patologia eritrocitária:
Eritropoiese; ferro; vitamina B12 e
ácido fólico;
Anemia: caracterização, mecanis-
mos, diagnóstico; Classificação
fisiopatológica das anemias.
b) Fisiologia e patologia linfocitária:
linfocitose, síndrome mononucle-
osico, mononucleose infeciosa,
leucemias agudas linfoides, leu-
cemia linfoide crónica, leucemia
por tricoleucócitos, doença de
Waldenstrom, mieloma múltiplo,
défices imunitários.
c) Fisiologia e patologia granulo-
-monocitária; neutropenias, agra-
nulocitoses, polinucleoses neu-
trofílicas e mielémia, eosinofilia,
leucemias agudas mieloides, sín-
dromes mieloproliferativas, leuce-
mia mieloide crónica, mielofibrose,
síndromes mielodisplásicos.
d) Fisiologia e patologia dos mega-
cariócitos e plaquetas: Púrpuras,
trombocitoses.
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Áreas de conhecimento a incluir na valência Duração máxima/
Valências de formação Obrigatório/opcional
de formação respetiva mínima (meses)
e) Pancitopenia.
f) Aplasias medulares.
g) Eritroblastopenias.
h) Poliglobulia.
i) Outras patologias hematológicas:
doença de Vaquez, p. ex.
2.2.3 — Estudo da hemóstase:
a) Testes de coagulação, fatores de
coagulação, fibrinólise.
b) Novos anticoagulantes orais.
c) Antitrombina III, heparina, CIVD,
trombose, fármacos anticoagu-
lantes.
d) Investigação da função plaque-
tária.
e) Proteína C, proteína S, etc.
f) Estudo das trombofilias (FV Leiden,
MTHFR, etc).
2.2.4 — Transfusão e transplante
(antigénios eritrocitários, leucoci-
tários e plaquetários).
2.2.5 — Tipagem de grupos san-
guíneos, anticorpos irregulares,
provas cruzadas usadas para
transfusão.
2.2.6 — Teste antiglobulina direto e
indireto.
2.2.7 — Antagonismo Rhesus e
AB0.
2.3 — Microbiologia/(virologia; bacteriologia; mi- 2.3.1 — Taxonomia e nomenclatura Obrigatório . . . 14/12
cologia; parasitologia). dos agentes infeciosos — bacté-
rias, vírus parasitas e fungos.
2.3.2 — Descrição sucinta, incluindo
principais características diferen-
ciais das bactérias, vírus, parasitas
e fungos encontrados nas síndro-
mes e doenças infeciosas.
2.3.3 — Patogénese das infeções e
mecanismos de defesa do orga-
nismo.
2.3.4 — Epidemiologia, sinais clíni-
cos, profilaxia e tratamento das
principais doenças e síndromes
infeciosos:
a) Infeções do trato urinário.
b) Infeções do trato gastrointestinal.
c) Meningites.
d) Septicemias.
e) Infeções respiratórias.
f) Hepatites virais.
g) Infeções por citomegalovírus.
h) Síndrome da imunodeficiência hu-
mana adquirida.
i) Infeções genitais e doenças sexu-
almente transmissíveis.
j) Infeções oculares, de feridas, ab-
cessos, pele e tecidos moles.
k) Malária.
l) Toxoplasmose.
m) Parasitoses por helmintas intesti-
nais, hepáticos e urinários.
n) Leishmaniose.
o) Echinococose.
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Áreas de conhecimento a incluir na valência Duração máxima/
Valências de formação Obrigatório/opcional
de formação respetiva mínima (meses)
p) Pneumocistose.
q) Filariose.
r) Agentes de infeções fúngicas.
s) Dermatófitos.
t) Aspergilose.
2.3.5 — Antimicrobianos:
a) Conhecimentos básicos de tera-
pêutica com antimicrobianos.
b) Testes de sensibilidade; regras
EUCAST.
c) Mecanismos de resistência.
2.3.6 — Seleção e colheita de amos-
tras para microbiologia.
2.3.7 — Processamento de amostras:
sementeira, colorações, culturas e
testes de suscetibilidade.
2.3.8 — Técnicas para identificação
de bactérias, vírus, fungos e pa-
rasitas.
2.3.9 — Métodos de biologia molecu-
lar aplicados à deteção e identifi-
cação de agentes etiológicos raros
ou de isolamento difícil.
2.3.10 — Implementação de estra-
tégias de prevenção, vigilância e
controlo epidemiológico.
2.3.11 — Utilização de protocolos
laboratoriais e algoritmos de diag-
nóstico.
2.4 — Genética/fertilização in vitro. . . . . . . . . 2.4.1 — Citogenética. Obrigatório . . . 3
2.4.2 — Citogenética molecular.
2.4.3 — Genética molecular.
2.4.4 — Genética bioquímica.
2.4.5 — Medicina reprodutiva: es-
permograma: estudo quantitativo
e qualitativo. Critérios da OMS.
2.4.6 — Fertilização in vitro.
2.4.7 — Criopreservação de gâme-
tas.
2.5 — Investigação laboratorial . . . . . . . . . . . 2.5.1 — Elaboração de projeto cientí- Opcional . . . . . 3
fico/investigação laboratorial.
2.5.2 — Ensaios clínicos.
2.5.3 — Métodos estatísticos em in-
vestigação laboratorial.
2.6 — Saúde pública . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2.6.1 — Relação entre saúde pública Opcional . . . . . 1
e o meio ambiente: avaliação e
contextualização da importância
para a monitorização, vigilância e
manutenção da saúde pública.
2.6.2 — Análise microbiológica e
química de águas e alimentos:
métodos de amostragem, análise
de microrganismos indicadores e
patogénicos, caracterização mi-
neral, interpretação de resultados,
controlo da qualidade, legislação
europeia.
2.6.3 — Análise de águas de con-
sumo humano, balneares, recintos
aquáticos e piscinas.
2.6.4 — Marcha alimentar.
2.6.5 — Pesquisa de legionella.
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Processo de avaliação da residência farmacêutica
1 — Avaliação dos períodos formativos:
1.1 — Generalidades — a avaliação é feita com base num acompanhamento permanente e
personalizado da formação ao longo das diferentes valências formativas e visa permitir ao farmacêu-
tico residente e ao orientador de formação ou responsável de estágio saber da evolução formativa
e do nível de conhecimentos e de desempenho atingidos.
1.2 — A avaliação do desempenho é formalizada no final de cada valência formativa, estágio
ou período de formação na escala de 0 a 20 valores.
São considerados os seguintes parâmetros e classificações:
a) Capacidade de execução técnica — de 0 a 4 valores;
b) Valorização científica — de 0 a 4 valores;
c) Responsabilidade profissional — de 0 a 3 valores;
d) Integração nas equipas de trabalho — de 0 a 3 valores;
e) Orientação para os resultados — de 0 a 3 valores;
f) Capacidade de organização — de 0 a 3 valores.
1.3 — Avaliação de conhecimentos — deve ser efetuada no final de cada valência formativa,
estágio ou período de formação na escala de 0 a 20 valores, e consiste em:
a) Apreciação e discussão de um relatório de atividades;
b) Prova teórica (escrita ou oral) e prova prática (execução de uma técnica laboratorial que,
no caso das valências da microbiologia e hematologia, inclua observação de duas preparações),
com elaboração e discussão do respetivo relatório.
2 — Avaliação final — consta de três provas públicas: discussão curricular, prática e teórica,
sendo a avaliação de cada uma efetuada na escala de 0 a 20 valores.
2.1 — Prova de discussão curricular.
2.1.1 — A prova de discussão curricular destina-se a avaliar o percurso profissional do far-
macêutico residente, consistindo na apreciação e discussão do curriculum vitae apresentado pelo
candidato.
2.1.2 — A classificação atribuída a esta prova por cada um dos elementos do júri é suportada
pela utilização de uma grelha de avaliação onde constam os elementos a valorizar, nomeadamente
os seguintes:
a) Análise da evolução formativa ao longo da residência farmacêutica, com incidência sobre
os registos de avaliação contínua;
b) Descrição e análise do contributo do trabalho do candidato para os serviços e funcionamento
dos mesmos, com especial relevo para as áreas da qualidade e inovação;
c) Frequência e classificação de cursos cujo programa de formação seja de interesse para a
área profissional de especialização;
d) Publicação ou apresentação pública de trabalhos científicos;
e) Trabalhos escritos e ou comunicados, feitos no âmbito dos serviços e da área profissional
de especialização.
2.1.3 — A argumentação da prova de discussão curricular tem a duração máxima de duas
horas, devendo cada membro do júri fundamentar a avaliação e classificação atribuídas em cada
um dos pontos da discussão curricular.
2.1.4 — Na classificação da prova curricular é tida em conta a média aritmética da classificação
obtida nas diferentes valências que integram o programa da formação específica na especialidade,
classificação que tem um peso de 50 % na classificação final da prova de discussão curricular.
2.2 — Prova prática — a prova prática destina-se a avaliar a capacidade do farmacêutico
residente para resolver problemas e atuar, devendo ser elaborados relatórios de cada uma das
suas componentes que, posteriormente, serão avaliados e discutidos.
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2.2.1 — Estudo, análise laboratorial e discussão de três casos clínicos:
a) Sorteio de três casos clínicos no próprio dia em que se realiza a prova, de entre um mínimo de
dez (dois por cada valência de formação obrigatória e um por cada valência de formação opcional),
escolhidos pelo júri, sendo que um será obrigatoriamente na valência da microbiologia e o outro
na valência de hematologia, que serão sorteados de modo autónomo entre os casos clínicos da
respetiva valência colocados a sorteio;
b) Hipóteses diagnósticas mais prováveis, bem como a sua discussão;
c) Propor os exames laboratoriais a realizar;
d) Avaliação dos resultados dos exames requeridos e elaboração do relatório interpretativo.
2.2.2 — O tempo total concedido é de três horas.
2.2.3 — Os relatórios elaborados pelos candidatos são entregues ao júri, que os encerrará em
envelope nominal, rubricado pelos intervenientes nas provas.
2.2.4 — A discussão do relatório é feita pelos três elementos do júri e tem a duração máxima
de noventa minutos.
2.2.5 — A classificação da prova prática é obtida pela média da avaliação obtida na discussão
dos três casos clínicos, classificados na escala de 0 a 20 valores.
2.3 — A prova teórica é oral e destina-se a avaliar a capacitação e o nível de conhecimentos
do candidato no final da residência farmacêutica.
A argumentação tem a duração máxima de duas horas e trinta minutos, divididas em partes
iguais entre o júri e o candidato, devendo este ser interrogado pelos três elementos do júri.
3 — Classificação final — a classificação final resulta da média das classificações obtidas nas
provas curricular, prática e teórica, com as ponderações de 50 %, 25 % e 25 %, respetivamente,
sendo este valor arredondado às décimas.
114503677
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SAÚDE