Diário da República, 1.ª série
Portaria n.º 156/2021
- Data
- 2021-07-20
- Tipo
- Portaria
- Emitente
- TRABALHO, SOLIDARIEDADE E SEGURANÇA SOCIAL
Texto integral (1559 palavras)
Portaria n.º 156/2021
de 20 de julho
Sumário: Portaria de extensão das alterações do contrato coletivo entre a Confederação Nacio-
nal das Instituições de Solidariedade — CNIS e a FEPCES — Federação Portuguesa
dos Sindicatos do Comércio, Escritórios e Serviços e outros.
Portaria de extensão das alterações do contrato coletivo entre a Confederação Nacional das Instituições
de Solidariedade — CNIS e a FEPCES — Federação
Portuguesa dos Sindicatos do Comércio, Escritórios e Serviços e outros
As alterações do contrato coletivo entre a Confederação Nacional das Instituições de Solida-
riedade — CNIS e a FEPCES — Federação Portuguesa dos Sindicatos do Comércio, Escritórios
e Serviços e outros, publicadas no Boletim do Trabalho e Emprego (BTE), n.º 2, de 15 de janeiro
de 2021, abrangem as relações de trabalho entre Instituições Particulares de Solidariedade Social
representadas pela confederação outorgante que exerçam a sua atividade no território nacional,
com exceção da Região Autónoma dos Açores, e trabalhadores ao seu serviço, representados
pelas associações sindicais outorgantes.
A CNIS e a FEPCES requereram a extensão das alterações do contrato coletivo, no território
do Continente, às Instituições Particulares de Solidariedade Social não filiadas na confederação
outorgante, abrangendo as instituições que exercem atividade no setor social, incluindo as Santas
Casas da Misericórdia e Mutualidades, e trabalhadores ao seu serviço, das profissões e categorias
profissionais previstas na convenção, não representados pelas associações sindicais outorgantes.
De acordo com o n.º 1 do artigo 514.º do Código do Trabalho, a convenção coletiva pode ser
aplicada, no todo ou em parte, por portaria de extensão a empregadores e a trabalhadores integra-
dos no âmbito do setor de atividade e profissional definido naquele instrumento. O n.º 2 do referido
normativo legal determina ainda que a extensão é possível mediante a ponderação de circunstâncias
sociais e económicas que a justifiquem, nomeadamente a identidade ou semelhança económica e
social das situações no âmbito da extensão e no instrumento a que se refere.
Existindo identidade económica e social entre as situações que se pretende abranger com a
extensão e as previstas na convenção em apreço, foi promovida a realização do estudo de avalia-
ção dos indicadores previstos nas alíneas a) a e) do n.º 1 da Resolução do Conselho de Ministros
(RCM) n.º 82/2017, de 9 de junho, através dos elementos disponíveis no apuramento do Relatório
Único/Quadros de Pessoal de 2018. De acordo com o estudo estavam abrangidos pelo instrumento
de regulamentação coletiva de trabalho, direta e indiretamente, 17 982 trabalhadores por conta de
outrem a tempo completo (TCO), excluindo os praticantes e aprendizes e o residual, dos quais 90,5 %
são mulheres e 9,5 % são homens. De acordo com os dados da amostra, o estudo indica que para
10 676 TCO (59,4 % do total) as remunerações devidas são iguais ou superiores às remunerações
convencionais, enquanto para 7306 TCO (40,6 % do total) as remunerações devidas são inferiores
às convencionais, dos quais 92,1 % são mulheres e 7,9 % são homens. Quanto ao impacto salarial
da extensão, a atualização das remunerações representa um acréscimo de 0,5 % na massa salarial
do total dos trabalhadores e de 1,2 % para os trabalhadores cujas remunerações devidas serão
alteradas. Na perspetiva da promoção de melhores níveis de coesão e igualdade social o estudo
indica uma redução no leque salarial e uma diminuição dos rácios de desigualdade.
Neste contexto, ponderadas as circunstâncias sociais e económicas justificativas da extensão
de acordo com o disposto no n.º 2 do artigo 514.º do Código do Trabalho, promove-se o alargamento
do âmbito de aplicação das alterações do contrato coletivo às relações de trabalho não abrangidas
por regulamentação coletiva negocial porquanto tem, no plano social, o efeito de uniformizar as
condições mínimas de trabalho dos trabalhadores e, no plano económico, o de aproximar as con-
dições de concorrência entre as Instituições Particulares de Solidariedade Social.
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Considerando que a convenção tem por âmbito geográfico de aplicação todo o território na-
cional, com exceção da Região Autónoma dos Açores, e que a extensão de convenção coletiva
nas Regiões Autónomas compete aos respetivos Governos Regionais, a presente portaria apenas
é aplicável no território do Continente.
Considerando que as retribuições previstas nos níveis 14 a 18 da «Tabela A» e no nível X da
«Tabela B» aplicável aos educadores e professores sem funções docentes, com funções educa-
tivas, ambas do Anexo V das alterações do contrato coletivo, são inferiores à retribuição mínima
mensal garantida (RMMG) em vigor, as referidas retribuições convencionais apenas são objeto de
extensão nas situações em que sejam superiores à RMMG resultante de redução relacionada com
o trabalhador, de acordo com o artigo 275.º do Código do Trabalho.
Considerando ainda que a anterior extensão da convenção em apreço não é aplicável aos
trabalhadores filiados em sindicatos representados pela Federação Nacional dos Sindicatos dos
Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais — FNSTFPS nem às Instituições Particulares de
Solidariedade Social filiadas na União das Misericórdias Portuguesas — UMP, na sequência da
oposição deduzida por aquelas, mantém-se na presente extensão idêntica exclusão.
Nos termos da alínea c) do n.º 1 do artigo 478.º do Código do Trabalho e dos n.os 2 e 4 da RCM,
na fixação da eficácia das cláusulas de natureza pecuniária foi tido em conta a data do pedido de
extensão, o qual é posterior à data do depósito da convenção, e o termo do prazo para a emis-
são da portaria de extensão, com produção de efeitos a partir do primeiro dia do mês em causa.
Foi publicado o aviso relativo ao projeto da presente extensão no Boletim do Trabalho e Em-
prego (BTE), Separata, n.º 11, de 18 de maio de 2021, ao qual a Federação Nacional dos Sindicatos
dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais — FNSTFPS deduziu oposição, a alegando que
tem convenção coletiva própria celebrada com a CNIS e que a convenção a estender estabelece
condições de trabalho menos favoráveis para os trabalhadores do setor de atividade em causa.
Nestes termos, pretende a oponente que os trabalhadores filiados nas associações sindicais por
si representadas sejam excluídos do âmbito da aplicação da extensão.
Não obstante a referida oposição, clarifica-se que o projeto de extensão das alterações da
convenção previa, respetivamente, no seu preâmbulo e no n.º 4 do seu artigo 1.º os fundamentos
e a exclusão dos trabalhadores filiados em sindicatos representados pela Federação Nacional
dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais — FNSTFPS, exclusão que se
mantém na presente extensão.
Assim:
Manda o Governo, pelo Secretário de Estado Adjunto, do Trabalho e da Formação Profissio-
nal, no uso da competência delegada por Despacho n.º 892/2020, de 22 de janeiro, da Ministra do
Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, publicado no Diário da República, 2.ª série, n.º 15, de
22 de janeiro de 2020, ao abrigo do artigo 514.º e do n.º 1 do artigo 516.º do Código do Trabalho
e da Resolução do Conselho de Ministros n.º 82/2017, publicada no Diário da República, 1.ª série,
n.º 112, de 9 de junho de 2017, o seguinte:
Artigo 1.º
1 — As condições de trabalho constantes das alterações do contrato coletivo entre a Confede-
ração Nacional das Instituições de Solidariedade — CNIS e a FEPCES — Federação Portuguesa
dos Sindicatos do Comércio, Escritórios e Serviços e outros, publicadas no Boletim do Trabalho e
Emprego (BTE), n.º 2, de 15 de janeiro de 2021, são estendidas, no território do Continente:
a) Às relações de trabalho entre Instituições Particulares de Solidariedade Social não filiadas
na confederação outorgante que prossigam as atividades reguladas pela convenção e trabalhadores
ao seu serviço das profissões e categorias profissionais nela previstas;
b) Às relações de trabalho entre Instituições Particulares de Solidariedade Social filiadas na
confederação outorgante que prossigam as atividades reguladas pela convenção e trabalhadores
ao seu serviço, das referidas profissões e categorias profissionais, não representados pelas asso-
ciações sindicais outorgantes.
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2 — As retribuições das tabelas salariais inferiores à retribuição mínima mensal garantida ape-
nas são objeto de extensão nas situações em que sejam superiores à retribuição mínima mensal
garantida resultante de redução relacionada com o trabalhador, de acordo com o artigo 275.º do
Código do Trabalho.
3 — A presente extensão não é aplicável às relações de trabalho que no mesmo âmbito se-
jam reguladas por instrumento de regulamentação coletiva de trabalho negocial, de acordo com o
artigo 515.º do Código do Trabalho.
4 — A presente extensão não é aplicável aos trabalhadores filiados em sindicatos repre-
sentados pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e
Sociais — FNSTFPS nem às Instituições Particulares de Solidariedade Social filiadas na União
das Misericórdias Portuguesas — UMP.
Artigo 2.º
1 — A presente portaria entra em vigor no quinto dia após a sua publicação no Diário da República.
2 — A tabela salarial e cláusulas de natureza pecuniária previstas na convenção produzem
efeitos a partir de 1 de março de 2021.
O Secretário de Estado Adjunto, do Trabalho e da Formação Profissional, Miguel Filipe Pardal
Cabrita, em 15 de julho de 2021.
114416934
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