Diário da República, 1.ª série
Portaria n.º 127/2020
- Data
- 2020-05-26
- Tipo
- Portaria
- Emitente
- PLANEAMENTO
Texto integral (1770 palavras)
Portaria n.º 127/2020
de 26 de maio
Sumário: Procede à sétima alteração ao Regulamento que estabelece Normas Comuns sobre o
Fundo Social Europeu, aprovado em anexo à Portaria n.º 60-A/2015, de 2 de março.
Tendo em consideração o estado de emergência devido à crise de saúde pública COVID-19
em que Portugal se encontrou até ao passado dia 2 de maio e o atual estado de calamidade,
declarado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 33-A/2020, de 30 de abril, importa opera-
cionalizar um conjunto de medidas excecionais e temporárias destinadas a flexibilizar condições
e procedimentos de execução dos apoios concedidos através do Fundo Social Europeu (FSE) em
aplicação da Resolução do Conselho de Ministros n.º 10-A/2020, de 13 de março, e do Decreto-Lei
n.º 10-A/2020, de 13 de março.
Neste mesmo sentido, a Comissão Interministerial de Coordenação do Acordo de Par-
ceria — CIC Portugal 2020, através da sua Deliberação n.º 8/2020, de 28 de março, adotou
um conjunto de «Medidas Extraordinárias de Apoio à Economia e Manutenção do Emprego»
que têm reflexo no regime jurídico específico do FSE aplicável às operações apoiadas por
este fundo, nomeadamente em matéria de elegibilidades de despesas, limites temporais das
operações e adequação dos resultados contratualizados em candidatura, com reflexos nos
regulamentos específicos dos domínios do Portugal 2020.
A Iniciativa de Investimento Resposta ao Coronavírus da Comissão Europeia veio definir um
conjunto de medidas urgentes de resposta ao impacto negativo da crise de saúde pública COVID-19,
introduzindo flexibilidade acrescida na gestão dos fundos, com reflexo no regime nacional em vigor
para o FSE.
Nos termos do disposto na alínea c) do n.º 2 e no n.º 3 do artigo 10.º do Decreto-Lei n.º 137/2014,
de 12 de setembro, na sua atual redação, torna-se necessário introduzir um «Anexo II: Medidas ex-
cecionais e temporárias dos apoios do FSE na resposta à crise de saúde pública — COVID-19» ao
Regulamento que estabelece Normas Comuns sobre o FSE, aprovado pela Portaria n.º 60-A/2015,
de 2 de março, na sua atual redação.
Assim:
Manda o Governo, pelo Ministro do Planeamento, nos termos do n.º 3 do artigo 10.º do Decreto-
-Lei n.º 137/2014, de 12 de setembro, na sua atual redação, e do n.º 4 do artigo 22.º do Decreto-
-Lei n.º 169-B/2019, de 3 de dezembro, que aprovou o regime de organização e funcionamento do
XXII Governo Constitucional, o seguinte:
Artigo 1.º
Objeto
A presente portaria procede à sétima alteração ao Regulamento que estabelece Normas Co-
muns sobre o Fundo Social Europeu, aprovado em anexo à Portaria n.º 60-A/2015, de 2 de março,
na sua atual redação.
Artigo 2.º
Aditamento ao Regulamento que estabelece Normas Comuns sobre o Fundo Social Europeu
1 — É aditado um anexo ao Regulamento que estabelece Normas Comuns sobre o Fundo
Social Europeu, aprovado em anexo à Portaria n.º 60-A/2015, de 2 de março, que consta do anexo
à presente portaria, da qual faz parte integrante.
2 — O aditamento constante do número anterior foi aprovado pela Deliberação n.º 13/2020
da Comissão Interministerial de Coordenação do Acordo de Parceria — CIC Portugal 2020, de 13
de maio de 2020.
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Artigo 3.º
Entrada em vigor
A presente portaria entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação.
Artigo 4.º
Produção de efeitos
A presente portaria produz efeitos a 13 de março de 2020.
O Ministro do Planeamento, Ângelo Nelson Rosário de Souza, em 19 de maio de 2020.
ANEXO
«ANEXO
Medidas excecionais e temporárias na resposta à crise de saúde pública COVID-19 através do
Fundo Social Europeu (FSE)
Artigo 1.º
Objeto
O presente anexo estabelece as regras excecionais e temporárias aplicáveis a operações
apoiadas pelo FSE, em resposta imediata ao impacto negativo da crise de saúde pública no con-
texto do surto de COVID-19.
Artigo 2.º
Âmbito
1 — São abrangidas pelas presentes disposições as operações que se encontrem em curso à
data de produção de efeitos do Decreto-Lei n.º 10-A/2020, de 13 de março, na sua atual redação, e
que ainda não tenham concluído fisicamente as atividades nelas previstas, de acordo com o respetivo
cronograma aprovado, e até à cessação desta situação excecional, nos termos legalmente previstos.
2 — São ainda abrangidas as operações fisicamente concluídas que se encontrem no período
de verificação das condições associadas aos indicadores de resultado contratualizados.
3 — Para além das operações referidas, são também abrangidas as que estando aprovadas,
mas não iniciadas, ou venham a ser aprovadas e para as quais, no contexto da crise de saúde pú-
blica, se justifique utilizar limites financeiros mais adequados bem como utilizar a flexibilidade aqui
prevista na contratualização de realizações e resultados, conforme definido nos artigos 5.º e 7.º do
presente anexo.
4 — O presente regime é aplicável às operações referidas nos números anteriores desde que
se demonstre haver um nexo de causalidade entre as condições que obstam à sua normal execução
e a crise de saúde pública decorrente do surto COVID-19.
Artigo 3.º
Despesas elegíveis com cancelamentos ou adiamentos
1 — As elegibilidades previstas no artigo 12.º do Regulamento que estabelece as Normas Co-
muns sobre o Fundo Social Europeu aprovado em anexo à Portaria n.º 60-A/2015, de 2 de março,
na sua atual redação, podem integrar despesas previstas em operações financiadas pelo FSE e
comprovadamente suportadas pelos beneficiários em iniciativas, ações ou eventos, nacionais ou
internacionais, cancelados ou adiados por razões relacionadas com o COVID-19.
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2 — Nas operações adiadas, em que após o adiamento seja previsto um novo agendamento,
são também elegíveis as despesas associadas a esta segunda data.
Artigo 4.º
Manutenção de elegibilidades em operações suspensas
1 — Quando haja lugar à suspensão de ações ou atividades enquadradas em operações
apoiadas pelo FSE de formação profissional, reabilitação profissional, medidas ativas de emprego ou
outras medidas não formativas em curso, e que não seja possível manter essas ações ou atividades,
nomeadamente através de formação a distância, mantém-se a elegibilidade, durante o período de
suspensão, relativamente aos apoios previstos nas alíneas a), c), j), k) e l) do n.º 1, bem como os
apoios previstos no n.º 3 e no n.º 4 do artigo 13.º do Regulamento de Normas Comuns do FSE.
2 — São ainda elegíveis e durante essa suspensão os encargos com alimentação de formandos
quando as refeições são fornecidas em espécie, nos termos da alínea h) do n.º 1 do artigo 13.º do
regulamento referido no número anterior.
3 — Os apoios referidos nos números anteriores não dependem da assiduidade dos formandos
e participantes, ficando derrogados para este efeito os n.os 5 e 6 do artigo 13.º do Regulamento de
Normas Comuns do FSE.
4 — O disposto nos n.os 1 e 3 é aplicável, com as necessárias adaptações, às bolsas de estágio
e bolsas complementares em medidas ativas de emprego.
5 — Mantém-se a elegibilidade dos custos internos, associados às operações de formação
e reabilitação profissional e medidas não formativas, quando imprescindíveis e inadiáveis à con-
tinuidade da atividade ou da sua retoma por parte do beneficiário, desde que verificado o nexo
de causalidade e imprescindibilidade pela autoridade de gestão, nomeadamente os previstos na
alíneas b) e c), apenas para pessoal interno aos beneficiários e observadas as regras e limites para
o efeito previstos nos artigos 14.º e 15.º, e nas alíneas d) a f) do n.º 1 do artigo 12.º do Regulamento
de Normas Comuns do FSE.
6 — Os montantes referentes ao período de suspensão podem ser financiados nas seguintes
modalidades:
a) do reembolso dos custos elegíveis incorridos e pagos conforme alínea a) do n.º 2 do artigo 7.º
do Decreto-Lei n.º 159/2014, de 27 de outubro, na sua atual redação;
b) de Taxa Fixa Regulamentar máxima de 40 % sobre os custos diretos com pessoal, ao abrigo
do n.º 1 do artigo 68.º-B do Regulamento (EU) n.º 1303/2013, de 17 de dezembro, conforme alínea e)
do n.º 2 do artigo 7.º do Decreto-Lei n.º 159/2014, de 27 de outubro, na sua atual redação;
c) de Montante Fixo com recurso a Orçamento Prévio, ao abrigo da alínea d) do n.º 2 do
artigo 7.º do Decreto-Lei n.º 159/2014, de 27 de outubro, na sua atual redação, conjugado com a
alínea a-A) do n.º 5 do artigo 67.º do Regulamento (EU) n.º 1303/2013, de 17 de dezembro.
7 — As modalidades previstas nas alíneas b) e c) do número anterior dispensam, nesta cir-
cunstância, o procedimento previsto no n.º 3 do artigo 16.º do Regulamento de Normas Comuns
do FSE.
Artigo 5.º
Custos máximos elegíveis
Sempre que por motivos associados aos impactos negativos da crise de saúde pública COVID-19
as Autoridades de Gestão podem, mediante decisão fundamentada, definir outros custos máximos
elegíveis para as operações, ficando para este efeito derrogado o disposto no n.º 1 do artigo 16.º
do Regulamento de Normas Comuns do FSE, bem como aqueles que constem em regulamentação
específica dos vários domínios com intervenção do FSE e os que se encontrem fixados em avisos
de aberturas de candidaturas.
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Artigo 6.º
Duração máxima das operações
1 — As operações financiadas pelo FSE podem ser prorrogadas por decisão da Autoridade
de Gestão pelo período necessário para dar resposta às situações de força maior decorrentes do
surto COVID-19, podendo ser ultrapassados os limites definidos em regulamentação específica ou
em aviso de abertura de candidaturas relativamente à duração máxima das operações.
2 — Para o efeito do previsto no número anterior é derrogado o n.º 1 do artigo 3.º do Regu-
lamento de Normas Comuns do FSE, bem como as durações máximas que constem em regula-
mentação específica dos vários domínios com intervenção do FSE e as que se encontrem fixadas
em avisos de aberturas de candidaturas.
Artigo 7.º
Indicadores de realização e resultado
1 — Sem prejuízo do previsto no artigo 18.º do Regulamento de Normas Comuns do FSE, a
crise de saúde pública COVID-19 considera-se constituir força maior, uma vez que se reconduz a
uma situação superveniente à data da aprovação, inultrapassável e não imputável ao beneficiário,
conforme previsto no n.º 4 do artigo 6.º do Decreto-Lei n.º 159/2014, de 27 de outubro, na sua
atual redação.
2 — O limite relativo à empregabilidade dos formandos previsto no n.º 1 do artigo 18.º no
Regulamento de Normas Comuns do FSE pode ser alterado por decisão da Autoridade de Gestão
sempre que se verifiquem as circunstâncias referidas no n.º 1.»
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