Diário da República, 1.ª série
Diário da República n.º 121
- Data
- 2017-06-01
Texto integral (31 712 palavras)
I SÉRIE
Segunda-feira, 26 de junho de 2017 Número 121
ÍNDICE
Presidência do Conselho de Ministros
Resolução do Conselho de Ministros n.º 88/2017:
Aprova o Quadro de Ação Nacional para o desenvolvimento do mercado de combustíveis
alternativos no setor dos transportes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3190
Negócios Estrangeiros, Finanças e Educação
Portaria n.º 198/2017:
Procede à primeira alteração da Portaria n.º 1191/2010, de 19 de novembro, que manteve as
estruturas de coordenação constituídas pela Portaria n.º 1396/2006, de 14 de dezembro, cons-
tituiu outras estruturas de coordenação do ensino português no estrangeiro, e passou a prever a
competência do presidente do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, I. P., para designar
adjuntos de coordenação do ensino português no estrangeiro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3229
Economia
Decreto-Lei n.º 75/2017:
Aprova o regime da apropriação do bem empenhado no penhor mercantil . . . . . . . . . . . . . . . . 3229
3190 Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS aos anos de 2020 ou 2025, consoante se trate, respetiva-
mente, de pontos de carregamento de eletricidade para a
Resolução do Conselho de Ministros n.º 88/2017 mobilidade elétrica e pontos de abastecimento de GNC
nas aglomerações urbanas, ou de pontos de abastecimento
A Diretiva n.º 2014/94/UE, do Parlamento Europeu e do de GNC ao longo da rede transeuropeia de transportes
Conselho, de 22 de outubro de 2014, relativa à criação de e pontos de abastecimento de GNL.
uma infraestrutura para combustíveis alternativos, visou O acompanhamento da evolução das medidas do QAN
estabelecer um quadro comum de medidas e de requisitos incidirá na monitorização dos indicadores relativos às in-
mínimos para a implantação da referida infraestrutura fraestruturas disponibilizadas, à energia por elas fornecida
a nível europeu, remetendo a sua aplicação, designada- e aos meios de transporte que a utilizam. Não se inclui,
mente no que se refere aos objetivos e metas nacionais, neste âmbito, a avaliação do impacto das infraestruturas
para quadros nacionais de ação, a adotar em cada um dos criadas sobre o ambiente e o clima, para o que existem
Estados Membros. já indicadores devidamente acompanhados por outros
A referida diretiva foi transposta pelo Decreto-Lei instrumentos de avaliação, como o Sistema Nacional de
n.º 60/2017, de 9 de junho, no qual se determina a elabo- Políticas e Medidas (SPeM), criado através da Resolução
ração de um Quadro de Ação Nacional (QAN) a aprovar do Conselho de Ministros n.º 45/2016, de 26 de agosto.
por Resolução do Conselho de Ministros. Na senda deste A caracterização da situação atual do nosso país em
decreto-lei, o QAN deve incluir, designadamente: (i) uma termos da disponibilização e utilização de combustíveis
avaliação da situação atual e do desenvolvimento futuro alternativos nos transportes incide nos indicadores dis-
do mercado no que se refere aos combustíveis alternativos poníveis para o ano de 2015, que é considerado o ano de
para o setor dos transportes, incluindo, a eletricidade, o referência nas orientações e modelos de reporte disponi-
gás natural, o gás de petróleo liquefeito, os biocombus- bilizados pela Comissão Europeia.
tíveis e o hidrogénio; (ii) os objetivos e metas nacionais A evolução da situação nacional será monitorizada e
para a criação da infraestrutura para disponibilização dos objeto de um primeiro reporte à Comissão Europeia, em
combustíveis alternativos a que se referem o artigo 4.º e novembro de 2019, e posteriormente de três em três anos.
o artigo 6.º do Decreto-Lei n.º 60/2017, de 9 de junho, ou O projeto de QAN foi submetido a consulta pública, na
seja, para a rede de carregamento de eletricidade e para qual participaram, entre outros, operadores de combustíveis
a rede de abastecimento de gás natural comprimido e de com expressão no segmento de gás natural, fornecedores
gás natural liquefeito; (iii) as medidas necessárias para de eletricidade para a mobilidade e a entidade gestora da
assegurar que os objetivos e as metas nacionais contidos rede de mobilidade elétrica.
no QAN sejam alcançados nos prazos determinados. Assim:
Entre as principais motivações desta iniciativa encontram- Nos termos do n.º 3 do artigo 3.º do Decreto-Lei
-se a minimização da dependência da União Europeia em n.º 60/2017, de 9 de junho e da alínea g) do artigo 199.º
relação ao petróleo e a diminuição do impacto ambiental da Constituição, o Conselho de Ministros resolve:
dos transportes, designadamente no que se refere à redução 1 — Aprovar o «Quadro de Ação Nacional para a cria-
das emissões poluentes e ao objetivo da descarbonização, ção de uma infraestrutura para combustíveis alternativos»,
sendo de assinalar o seu contributo para a atenuação de constante do anexo à presente resolução, e que dela faz parte
um dos principais bloqueios ao crescimento do mercado de integrante, e que pode ser consultado na página na Internet
veículos rodoviários e de meios de transporte marítimos de da Direção-Geral da Energia e Geologia (www.dgeg.pt).
menor impacto ambiental, que é o da insuficiência da rede 2 — Estabelecer que a presente resolução entra em vigor
de abastecimento de combustíveis alternativos. no dia seguinte ao da sua publicação.
Assim, os objetivos e metas nacionais, estabelecidos no
QAN que ora se aprova, incidem sobre a criação de infraes- Presidência do Conselho de Ministros, 25 de maio de
truturas relativas à eletricidade, ao gás natural comprimido 2017. — Pelo Primeiro-Ministro, Mário José Gomes de
(GNC) e ao gás natural liquefeito (GNL), referindo-se Freitas Centeno, Ministro das Finanças.
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ANEXO 9 Contribuir para o cumprimento do objetivo de redu-
ção de 25 % do consumo global de energia primária, bem
(a que se refere o n.º 1) como do objetivo especifico de 30 % para Administração
Pública, no horizonte de 2020;
Quadro de Ação Nacional para a criação 9 Reduzir a dependência energética do país e garantir
de uma infraestrutura para combustíveis alternativos
a segurança do abastecimento, através da promoção de
um mix energético equilibrado;
ENQUADRAMENTO
9 Reduzir as emissões de GEE.
Energia e combustíveis alternativos para os transportes
No que respeita à meta global de incorporação de ener-
Portugal tem vindo a implementar, ao longo dos últi- gia de fontes renováveis no consumo final bruto de ener-
mos anos, uma política energética baseada na melhoria gia, Portugal tem a 5.ª meta mais ambiciosa do conjunto
da eficiência energética e na promoção das energias pro- de países da UE-28, sendo que este objetivo compreende
venientes de fontes renováveis, como ferramenta para os setores de produção de eletricidade, aquecimento e
fazer face às alterações climáticas, reduzir a dependên- arrefecimento e transportes.
cia energética externa e contribuir para a segurança do
A Diretiva n.º 2009/28/CE do Conselho e do Par-
abastecimento.
As fontes endógenas de energia renovável têm desem- lamento Europeu, de 23 de abril de 2009, veio ainda
penhado um papel preponderante na promoção de uma definir um objetivo específico, comum a todos os Esta-
matriz energética equilibrada, registando-se ainda o seu dos Membros, de incorporação de 10 % de energia de
contributo para a redução do risco da variação do preço origem renovável nos transportes, sendo expectável que
de algumas commodities e respetivas implicações para a o contributo dos biocombustíveis para o cumprimento
fatura energética. desta meta seja significativo face à presente realidade
De salientar ainda o contributo deste setor da energia tecnológica.
para a economia nacional, na criação de toda uma nova Portugal tem vindo assim a demonstrar resultados po-
fileira industrial e empresarial geradora de emprego, pro- sitivos no âmbito das energias renováveis, o que tem
motora do desenvolvimento regional, dinamizadora das permitido, por um lado, reduzir a dependência energética
exportações de bens e serviços, impulsionadora de inova- do exterior e por outro, contribuir para a redução das
ção e investigação científica, capaz de captar investimento emissões de GEE.
internacional e de estimular a internacionalização das O petróleo e produtos petrolíferos continuam a ser a
empresas nacionais. principal fonte de energia primária, representando 42,8 %
Com a publicação da Resolução do Conselho de Mi- do consumo final de energia primária em 2015. Ainda
nistros n.º 20/2013, de 10 de abril, procedeu-se à revisão neste ano, o consumo de renováveis representou cerca
da estratégia nacional para as energias renováveis e efi- de 22,2 %, em termos reais, e do gás natural aproxima-
ciência energética, através da aprovação do Plano Nacio-
damente 18,6 %. Não obstante, no geral, desde 2005 que
nal de Ação para a Eficiência Energética para o período
2013-2016 (PNAEE 2016) e do Plano Nacional de Ação se tem vindo a verificar uma redução do consumo de
para as Energias Renováveis para o período 2013-2020 petróleo como fonte de energia primária, enquanto o con-
(PNAER 2020). Esta revisão conjunta permitiu alinhar os tributo das renováveis tem vindo a aumentar ao longo dos
objetivos destes dois planos e consequentemente ajustar últimos anos.
a oferta à procura de energia, tendo em consideração os 30.000 100%
consumos de energia primária e a contribuição do setor 90%
energético para a redução das emissões de gases com 25.000
efeito de estufa (GEE).
80%
A implementação destes planos estratégicos na área 20.000
70%
da energia tem como objetivo assegurar o cumprimento 60%
de compromissos assumidos por Portugal a nível nacio- 15.000 50%
nal e a nível da União Europeia (UE), em particular no 40%
âmbito da Diretiva n.º 2009/28/CE do Conselho e do 10.000
30%
Parlamento Europeu, de 23 de abril de 2009, relativa à 20%
promoção de fontes de energia renovável e da Diretiva 5.000
n.º 2012/27/UE do Parlamento Europeu e do Conselho, 10%
de 25 de outubro de 2012, relativa à eficiência energética, 0
2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015
0%
nomeadamente: Carvão Petróleo e Produtos de Petróleo
Gás natural Renováveis
9 Assegurar o cumprimento dos compromissos as-
Resíduos não renováveis Saldo Importador de Eletricidade
% da produção doméstica no consumo de energia primária
sumidos a nível da UE no que respeita a promoção de
energias renováveis, isto é, o cumprimento do objetivo Figura 1 — Evolução do Consumo Total de Energia Primária (Ktep).
Fonte DGEG.
de incorporação de 31 % de energia proveniente de
fontes renováveis no consumo final bruto de energia e
uma quota de 10 % proveniente de fontes renováveis No que se refere ao consumo de energia final, tem-se
consumida por todos os modos de transporte no con- vindo a observar nos últimos anos uma clara tendência de
sumo final de energia utilizada no setor dos transportes, redução do consumo, acompanhada de uma diminuição
em 2020; do consumo de produtos petrolíferos.
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20.000 Os transportes continuam a ser o principal setor con-
18.000 sumidor de energia, representando, em 2015, cerca de
16.000
36,5 % do consumo de energia final, sendo o transporte
rodoviário o responsável pela quase totalidade das emis-
14.000
sões associadas ao setor.
12.000
Agricultura e
10.000
Serviços Pescas
8.000
12,9% 2,9%
6.000
4.000
2.000 Indústria
Doméstico 31,3%
0
2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 16,5%
Petróleo Gás Natural Carvão Biomassa E. Elétrica Calor
Figura 2 — Consumo de Energia Final (ktep). Fonte: DGEG.
Em 2015, a taxa global de incorporação de fontes de
energia renovável no consumo final bruto de energia si-
tuou-se nos 28,0 %, tendo Portugal alcançado já cerca de
90 % da meta para 2020. Transportes
Por conseguinte, a dependência energética tem-se vindo 36,5%
a reduzir paulatinamente (as variações que se têm regis-
tado estão essencialmente associadas ao regime hídrico
Figura 4 — Consumo final de energia em 2015, por setor de ativi-
anual), situando-se em 78,3 %, em 2015, o que represen- dade. Fonte DGEG.
tou uma redução de 10,5 p.p. face a 2005, ano em que se
verificou uma dependência energética de cerca de 88,8 %. A principal fonte energética consumida neste setor as-
No entanto, devido ao período de seca ocorrido em 2015, senta maioritariamente no petróleo, sendo os transportes
registou-se um aumento da dependência energética em responsáveis por absorver cerca de 74 % do consumo final
5,9 p.p face a 2014.
de produtos petrolíferos, principalmente sob a forma de
100,0%
gasóleo e gasolinas.
90,0% 6,2% 0,5% 0,2%
80,0%
0,9% 0,7%
70,0%
60,0%
20,4%
50,0%
40,0%
30,0%
2,2%
20,0%
10,0%
0,0% 68,9%
2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015
Figura 3 — Evolução da dependência energética. Fonte: DGEG.
No que se refere às emissões de GEE, em 2014, as Biocombustíveis Eletricidade Gás Natural GPL
emissões totais em Portugal situaram-se na ordem das Gasolinas Jets Gasóleo Fuelóleo
64,5 Mton CO2eq (Corresponde ao valor das emissões
totais sem contabilizar o setor do uso do solo, alterações Figura 5 — Consumo final de energia em 2015 no setor dos trans-
do uso do solo e florestas, LULUCF), representando um portes, por tipo de combustível. Fonte: DGEG.
aumento de 6,4 % face a 1990, mas um decréscimo de
aproximadamente 0,6 % relativamente a 2013. Desde Nesse ano, o consumo de gasóleo neste setor foi de
2005, ano em que as emissões de GEE representaram 4.187 ktep, representando 86 % de consumo total deste
quase 90 Mton de CO2eq, que se assiste a uma redução produto petrolífero, e o consumo de gasolina aproxima-
gradual do seu valor, tendo as emissões associadas ao setor damente 1.136 ktep.
energético sido aproximadamente de 44,0 Mton CO2eq, O setor da energia, incluindo transportes, continua a
o que representa uma redução de 31,6 % do valor das ser o principal setor responsável pelas emissões de GEE,
emissões do setor desde 2005. representando 68 % das emissões nacionais em 2014.
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1990, das emissões de GEE com origem nos transpor-
Resíduos
11%
Produção e tes, até 2050. Nesse mesmo documento, a Comissão
propõe a adoção de um vasto leque de iniciativas,
Transformação
de Energia
nomeadamente o desenvolvimento de uma estratégia
23%
Agricultura Energia Combustão na
sustentável de combustíveis alternativos e da infraes-
11% 68% Indústria
12%
Transportes
24%
trutura apropriada.
Outros
Dois anos mais tarde, em 2013, com base na consulta
Proc. Industriais e
7% às partes interessadas e aos peritos nacionais, bem como
Uso de Produtos
10% Emissões nos conhecimentos especializados que contribuíram para a
fugitivas
2% elaboração da Comunicação da Comissão de 24 de janeiro
de 2013, intitulada «Energia limpa para os transportes:
Figura 6 — Emissões setoriais de GEE em 2014. Fonte: APA, I. P./ uma estratégia europeia para os combustíveis alternati-
Produção própria.
vos», a eletricidade, o hidrogénio, os biocombustíveis,
o gás natural e o gás de petróleo liquefeito (GPL) fo-
Os transportes são a principal fonte de emissões de ram considerados como sendo atualmente os principais
GEE, responsáveis por cerca de 24 % do total das emissões combustíveis alternativos com potencial para substituir o
em 2014, sendo, uma vez mais, o transporte rodoviário petróleo a longo prazo.
o principal responsável pelas emissões associadas a este É neste âmbito que, um ano depois, surge a Diretiva
setor. n.º 2014/94/UE, do Parlamento Europeu e do Conselho,
O Programa Nacional para as Alterações Climáticas de 22 de outubro de 2014, relativa à criação de uma in-
2020/2030 (PNAC 2020/2030), aprovado pela Resolução fraestrutura para combustíveis alternativos, estabelecendo
do Conselho de Ministros n.º 56/2015, de 30 de julho, é um quadro comum de medidas aplicáveis à promoção e
um instrumento estratégico para a mitigação das alterações criação de uma infraestrutura para combustíveis alterna-
climáticas, que visa promover a descarbonização e asse- tivos na UE, com o objetivo de minimizar a dependência
gurar uma trajetória sustentável de redução das emissões em relação ao petróleo e de atenuar o impacto dos trans-
nacionais de GEE. portes no ambiente.
Para esse efeito, o PNAC 2020/2030 estabelece assim Para esse efeito, esta diretiva define requisitos míni-
metas de redução das emissões para vários setores, inclu- mos para a implantação da infraestrutura de combustíveis
sive para o setor dos transportes: -24 % em 2020 e -26 % alternativos, incluindo, designadamente, pontos de carre-
em 2030, em relação a 2005. gamento de veículos elétricos e postos de abastecimento
Para avaliar o progresso na implementação das políticas de gás natural (GNC e GNL) e de hidrogénio, a definir
e medidas deste programa foi criado, pela Resolução do através da obrigatoriedade de aprovação de quadros de
Conselho de Ministros n.º 45/2016, de 26 de agosto, o ação nacionais pelos Estados Membros, bem como espe-
Sistema Nacional de Políticas e Medidas (SPeM). cificações técnicas comuns para esses pontos de carre-
Face ao significativo consumo de energia associado gamento e de abastecimento, e requisitos de informação
aos transportes, aproximadamente 5.608 ktep em 2015, para os utilizadores.
maioritariamente em combustíveis derivados de pe-
Assim, o presente Quadro de Ação Nacional contempla
tróleo, e sendo esta uma área transversal e sensível
uma avaliação da situação atual e do desenvolvimento
com impacto em quase todos os restantes setores de
futuro do mercado de combustíveis alternativos no setor
atividade, foram definidos, no PNAER e no Plano Na-
dos transportes em Portugal e do desenvolvimento da
cional de Ação para a Eficiência Energética (PNAEE),
respetiva infraestrutura, tendo em conta, se for caso disso,
um conjunto de políticas e medidas com o objetivo de
a continuidade transfronteiriça, devendo ser definidos
promover a utilização de energia proveniente de fontes
objetivos e metas nacionais para a criação dessa infraes-
renováveis e a redução dos consumos neste setor, fo-
trutura, especificamente no domínio da mobilidade elétrica
mentando assim a transição para uma política de mais
baixa intensidade carbónica. e do gás natural, bem como as medidas necessárias para
Os transportes afiguram-se assim como sendo um setor assegurar o seu cumprimento.
prioritário para a definição de políticas e medidas que
visem promover a descarbonização, apresentando um PARTE A
enorme potencial para melhoria nas vertentes de diversi-
ficação e da eficiência energéticas.
A Comissão Europeia, que já tinha proposto e feito SITUAÇÃO ATUAL E PERSPETIVAS
aprovar uma meta de 10 % para a quota de fontes de
energia renováveis no consumo final bruto de energia 1 — ELETRICIDADE
no setor dos transportes, com a Diretiva n.º 2009/28/CE O sistema eletroprodutor nacional caracteriza-se pela
do Conselho e do Parlamento Europeu, de 23 de abril sua forte aposta em tecnologias renováveis, que, em 2015,
de 2009, publicou, em 28 de março de 2011, o Livro representavam cerca de 60,9 % da capacidade total insta-
Branco da Comissão intitulado «Roteiro do espaço lada para produção de eletricidade, com potência instalada
único europeu dos transportes — Rumo a um sistema de 12.293 MW de diferentes tecnologias Renováveis
de transportes competitivo e económico em recur- (Hídrica, Eólica, Biomassa, Solar, Geotermia e Ondas).
sos», onde apela a uma diminuição da dependência A restante capacidade instalada observada, 7.908 MW,
dos transportes em relação ao petróleo e propõe como recorre a tecnologias fósseis (Carvão, Petróleo e Gás
meta uma redução de 60 %, em relação aos níveis de Natural).
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natural para produção de eletricidade triplicou face ao
Geotermia
29
ano anterior, tendo a TCMA subido assim para -6,7 % no
85 período 2005-2015.
Biogás
Por outro lado, com o encerramento de algumas centrais
Biomassa 641
térmicas em Portugal Continental, como a Central do Car-
Fotovoltaica 451 regado, bem como conversão dos sistemas de Cogeração
5.034
para Gás Natural, a componente do mix associada ao
Eólica
Petróleo tem vindo a diminuir, sendo que presentemente
Hídrica 6.054 apenas permanecem centrais térmicas com recurso a pe-
Outros
1.073 tróleo nas Regiões Autónomas e alguma capacidade em
cogeração.
Gás natural 4.964
Relativamente ao consumo de eletricidade, o valor
Carvão
1.871 registado foi de 46.856 GWh (3.940 ktep), sendo o setor
da indústria (37 %) o principal responsável pelo consumo
0 1.000 2.000 3.000 4.000 5.000 6.000 7.000
de eletricidade, seguido dos setores dos Serviços (34 %)
Figura 7 — Potência instalada nas centrais produtoras de energia e do Doméstico (26 %). Os transportes praticamente não
elétrica em 2015, por tecnologia (MW). Fonte: DGEG. têm expressão no consumo desta fonte de energia secun-
dária.
Nas tecnologias com recurso a fontes de energia reno-
2%
váveis, destacam-se as fontes Hídrica e Eólica, que repre- 1%
sentam, respetivamente, cerca de 49 % e 41 % do total da
capacidade renovável, e que em conjunto representaram
55 % da capacidade total instalada em Portugal. 34%
26%
Através de uma aposta na complementaridade entre as
energias hídrica e eólica, com a instalação de capacidade
hídrica reversível, Portugal tem vindo a conseguir integrar
percentagens significativas de eletricidade proveniente
de fontes renováveis de natureza intermitente no sistema
eletroprodutor.
Em 2015, a produção total bruta de eletricidade foi 37%
52.421 GWh, sendo que, desta produção, 48,7 % tinha
origem em fontes renováveis, com impacto positivo e re- Agricultura e Pescas Doméstico Serviços Indústria Tranportes
levante na redução do saldo importador de eletricidade.
Figura 9 — Consumo final de energia elétrica em 2015, por setor
60.000 de atividade. Fonte: DGEG.
50.000 No que se refere ao regime remuneratório, até 2012, a
produção de eletricidade proveniente de fontes renováveis
40.000
beneficiava de um regime de produção especial com tarifas
30.000 feed-in (FIT), criado pelo Decreto-Lei n.º 312/2001, de
10 de dezembro. Os produtores eram então remunerados
20.000 com base numa fórmula estabelecida por meio de legisla-
ção específica (Decreto-Lei n.º 189/88, de 27 de maio, e
10.000
atualizado pelo Decreto-Lei n.º 225/2007, de 31 de maio),
0
sendo as FIT atualizadas em intervalos adequados, a fim
2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 de refletir a evolução dos custos de investimento e ope-
Hidráulica Térmica Eólica Geotérmica Fotovoltaica
racionais de cada tecnologia, bem como a inflação e os
preços da energia. O acesso a este mecanismo de apoio
Figura 8 — Evolução da produção bruta de Energia Elétrica (GWh). estava sujeito a um limite, que era determinado pela capa-
Fonte: DGEG. cidade técnica das redes de transmissão e distribuição de
eletricidade para absorver nova capacidade. No entanto,
Nas tecnologias baseadas em fontes fósseis, o gás natu- uma vez concedido o acesso à rede, não havia limite para a
ral representa cerca de 63 % do total da capacidade fóssil produção que poderia beneficiar da FIT, embora estivesse
e cerca de 25 % da capacidade total instalada em Portugal. limitada a um valor global de energia ou a um número
Apesar do seu peso no setor eletroprodutor, a produção específico de anos (em geral 15 anos), o que fosse atin-
de eletricidade com recurso a esta fonte de energia tem gido primeiro. Depois disso, as instalações entravam em
vindo a decrescer significativamente ao longo dos últi- regime de mercado.
mos anos. Note-se que, no caso do consumo para produ- Mais recentemente, com a publicação de um novo qua-
ção de eletricidade, se verificou uma TCMA de -18,7 % dro regulamentar para o setor da eletricidade (Decreto-Lei
no período 2005-2014, resultante do aumento contínuo n.º 215-A/2012 e Decreto-Lei n.º 215-B/2012, de 8 de
da produção renovável e de uma maior utilização das outubro), qualquer produtor de eletricidade a partir de
centrais térmicas a carvão (dada a atratividade do preço fontes renováveis passou a poder vendê-la imediata e
deste combustível), com maior incidência nos últimos diretamente no mercado.
anos. No entanto, em 2015, devido a uma diminuição da A atividade de produção descentralizada de energia
energia produzida a partir da hídrica, o consumo de gás elétrica a partir de recursos renováveis, designadamente
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a microprodução (Decreto-Lei n.º 363/2007, de 2 novem- 1.1 — TRANSPORTE RODOVIÁRIO
bro, alterado pelos Decretos-Leis n.os 118-A/2010, de 8 de
outubro, e 25/2013, de 13 de março) e a miniprodução 1.1.1 — Programa para a Mobilidade Elétrica em Portugal
(Decreto-Lei n.º 34/2011, de 8 de março, revisto pelo No âmbito da execução do primeiro PNAEE, aprovado
Decreto-Lei n.º 25/2013, de 19 de fevereiro), pressupunha, pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 80/2008, de
até 2015, a existência de uma instalação de utilização de 20 de maio, com o objetivo de posicionar o País como
energia elétrica com consumo efetivo e um contrato de pioneiro na adoção de novos modelos de mobilidade am-
fornecimento de eletricidade celebrado com um comercia- bientalmente sustentáveis e capazes de explorar a relação
lizador, sendo a energia produzida entregue na totalidade com a rede elétrica, maximizando as vantagens da energia
à Rede Elétrica de Serviço Público (RESP) e remunerada proveniente de fontes renováveis, foi criado o Programa
através do regime geral ou do regime bonificado. Estes para a Mobilidade Elétrica em Portugal através da Re-
regimes tiveram um crescimento médio de 22,9 MW/ano solução do Conselho de Ministros n.º 20/2009, de 20 de
desde 2008, atingindo os 171 MW em 2015. A energia ori- fevereiro.
ginada neste regime de produção descentralizada recorre As metas, objetivos e plano de trabalho deste programa
maioritariamente a tecnologia fotovoltaica (>99 %). foram objeto de aprovação pela Resolução do Conselho
Procurando encontrar novas soluções de produção de de Ministros n.º 81/2009, de 7 de setembro, que contem-
energia descentralizada e de inovação tecnológica, foi plava medidas destinadas a incentivar o Programa para a
publicado o Decreto-Lei n.º 153/2014, de 20 de outu- Mobilidade Elétrica na fase piloto e a promover a massi-
bro, que veio adaptar a figura de produtor-consumidor ficação do uso do veículo elétrico, incluindo a criação de
de energia elétrica (ou do produtor em autoconsumo), um subsídio de € 5.000, à aquisição, por particulares, de
permitindo a existência de ligação à rede pública de distri- veículos automóveis elétricos, que, com o abate de um
buição de energia elétrica, na perspetiva de autoconsumo, veículo automóvel de combustão interna, poderia atingir
de fornecimento a terceiros e de entrega de excedentes os € 6 500.
de produção à rede. Assim, visando “criar condições para a massifica-
A Portaria n.º 14/2015, de 23 de janeiro, alterada pela ção do veículo elétrico, garantindo uma infraestrutura
Portaria n.º 60-E/2015, de 2 de março, veio definir o pro- adequada à evolução do parque de veículos elétricos e
cedimento para apresentação de mera comunicação prévia o desenvolvimento de um modelo de serviço que permita
de exploração das unidades de produção para autocon- a qualquer cidadão ou organização o acesso a toda e
sumo, bem como para obtenção de um título de controlo qualquer solução de mobilidade elétrica fornecida por
prévio no âmbito da produção para autoconsumo ou da qualquer construtor de veículos elétricos”, foi delineada
pequena produção para injeção total da energia elétrica uma estratégia que assumiu três vertentes:
produzida na RESP. Até ao final de 2015 foram registados — A criação de uma infraestrutura piloto de pontos
25 MW de autoconsumo, dos quais cerca de 36 % sem de carregamento de acesso público, de âmbito nacional
introdução do excedente de produção na rede. através de pontos de carregamento de alta potência (pontos
A tarifa de referência aplicável à energia elétrica pro- de carregamento rápido) nas principais vias nacionais, e
duzida através de unidades de pequena produção, bem de âmbito local (com a realização de um protocolo com
como as percentagens a aplicar à tarifa de referência, 25 municípios),
consoante a energia primária utilizada por aquelas uni- — A promoção do Veículo Elétrico, através da defini-
dades, encontra-se estabelecida na Portaria n.º 15/2015, ção de incentivos financeiros e, fiscais e outros benefícios
de 23 de janeiro. A tarifa de referência aplicada em 2015 associados à facilidade de circulação e estacionamento
foi de 95 €/MWh e as percentagens associadas são: So- (estacionamento gratuito, etc.),
lar — 100 %; Biomassa — 90 %; Biogás — 90 %; Eó- — A aposta no desenvolvimento tecnológico e de in-
lica — 70 %; e Hídrica — 60 %. vestigação no âmbito da criação de condições para um
No âmbito da cogeração, o Decreto-Lei n.º 68-A/2015, projeto-piloto de mobilidade elétrica, incluindo as ver-
de 30 de abril, veio reforçar a manutenção da cogeração tentes do veículo elétrico e baterias.
renovável e de elevada eficiência, com a aplicação de
regimes remuneratórios mais sustentáveis, sendo con- Este programa veio ao encontro dos objetivos nacionais
templada uma modalidade que permite a injeção total ou em matéria energia e clima, tendo sido desenvolvido e
parcial da energia produzida na RESP e outra que possi- adotado um modelo de mobilidade elétrica que apostava
bilita o autoconsumo da referida energia. Para instalações na interoperabilidade e centralização de serviços na pers-
de cogeração renovável, o valor da tarifa de referência petiva de colocar o utilizador em primeiro lugar. Portugal
atual é de: i) P ≤ 2MW: € 82,90/MWh e ii) 2MW < P ≤ tornou-se, por conseguinte, o primeiro país a garantir a
100 MW: € 67,26/MWh. possibilidade de qualquer utilizador de veículos elétricos
Mais recentemente foi publicada a Portaria n.º 173/2016, carregar o seu veículo em qualquer ponto de carregamento
de 21 de junho, que veio estabelecer os termos e condições de acesso público operado por qualquer operador de pon-
para a atribuição de potência de injeção de energia elétrica tos de carregamento.
em determinado ponto da RESP aplicáveis no âmbito da Resumindo, o modelo adotado para a mobilidade elé-
modalidade especial do regime de remuneração da pro- trica em Portugal — MOBI.E, consistiu num sistema de
dução em cogeração titulado por licença. Este diploma carregamento à escala nacional, acessível a qualquer uti-
define, ainda, os termos da compra pelo Comercializador lizador, com garantia de interoperabilidade técnica (possi-
de Último Recurso da energia elétrica produzida em coge- bilidade de carregar qualquer tipo de veículo automóvel)
ração não consumida na unidade de utilização associada, e interoperabilidade de serviço (acesso a qualquer ponto
no âmbito da aplicação da submodalidade A da modali- de carregamento através de um mesmo registo ou con-
dade geral do regime remuneratório. trato e mecanismo de autenticação e acesso), de forma
3196 Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017
concorrencial e aberta, com reduzidas barreiras à entrada e efetivação, do registo de comercialização de eletricidade
no sistema. para a mobilidade elétrica, pela emissão da licença de
O Decreto-Lei n.º 39/2010, de 26 de abril, veio regular operação de pontos de carregamento e pela realização
a organização, o acesso e o exercício das atividades de das inspeções periódicas;
mobilidade elétrica e proceder ao estabelecimento de uma — Portaria n.º 241/2015, de 12 de agosto, relativa aos
rede piloto da mobilidade elétrica com 1350 pontos de requisitos técnicos a que fica sujeita a atribuição de licença
carregamento instalados em 25 municípios, permitindo a para o exercício da atividade de operação de pontos de
universalidade de acesso bem como a monitorização da carregamento da rede de mobilidade elétrica, assim como
rede e seus consumos. algumas regras procedimentais aplicáveis à instrução do
No entanto, face ao reduzido número de veículos elétri- respetivo requerimento;
cos introduzidos no mercado, com a correspondente utili- — Portaria n.º 220/2016, de 10 de agosto, relativa às
zação da infraestrutura a situar-se aquém do inicialmente potências mínimas e as regras técnicas a que devem satis-
previsto nas metas do Governo, foi elencada, através do fazer as instalações de carregamento de veículos elétricos
Despacho n.º 9220/2013, publicado a 15 de julho, a neces- em edifícios e outras operações urbanísticas;
sidade de executar uma análise crítica à iniciativa MOBI. E. — Portaria n.º 221/2010, de 10 de agosto, com as re-
Neste contexto, foi determinada a prorrogação da fase gras, em matéria técnica e de segurança, aplicáveis à ins-
piloto, com a consequente revisão do referido programa, talação e ao funcionamento dos pontos de carregamento
que implicou a realização de diversos estudos e a inter- de baterias de veículos elétricos;
venção de um número significativo de agentes por forma — Portaria n.º 222/2016, de 11 de agosto, que veio
a procurar identificar os constrangimentos que impos- estabelecer os termos aplicáveis às licenças de utilização
sibilitaram o desenvolvimento integral da mobilidade privativa do domínio público, para a instalação de pontos
elétrica. de carregamento de baterias de veículos elétricos em local
Já em 2014 foi publicado o Decreto-Lei n.º 90/2014, público de acesso público no domínio público.
de 11 de junho, que veio reequacionar o modelo de mobi- — Portaria n.º 231/2016, de 29 de agosto, que veio
lidade elétrica adotado, com a finalidade de “tornar mais definir a cobertura, as condições e o capital mínimo do
sustentáveis os investimentos já realizados, de acordo com seguro obrigatório de responsabilidade civil por danos
a evolução da procura e benefício económico associado, causados no exercício das atividades de comercialização
bem como incentivar uma integração mais efetiva deste de eletricidade para a mobilidade elétrica e de operação
programa com os sistemas de energia e mobilidade, numa de pontos de carregamento para a mobilidade elétrica.
perspetiva global para a mobilidade inteligente”.
Ainda neste âmbito e com base em dados compilados Por fim, começando o mercado de veículos ligeiros
durante a fase piloto, foi realizada uma nova atualização elétricos a mostrar uma dinâmica crescente e sustentada
aos estudos de localização dos pontos de carregamento e o veículo elétrico a tornar-se uma opção cada vez mais
de potência normal e de alta potência (pontos de carrega- competitiva e racional, com o objetivo de melhorar a
mento normal e rápido), que tinham sido submetidos em infraestrutura para o carregamento destes veículos, foi pu-
dezembro de 2014, com o objetivo de atualizar algumas blicada a Resolução do Conselho de Ministros n.º 49/2016,
das recomendações propostas no que respeita à rede de de 1 de setembro. Este diploma veio assim aprovar a
carregamento que se pretende concluir ainda dentro do conclusão da 1.ª fase da Rede Piloto MOBI.E e lançar a
contexto da rede piloto MOBI.E. 2.ª fase da Rede Piloto, de modo a cobrir os municípios
Como resultado, a atual rede nacional, que consiste não servidos na 1.ª fase, alargando a Rede Piloto a um
numa infraestrutura de carregamento totalmente interope- número total de 1.604 pontos de carregamento de potência
rável, irá contar, numa 1.ª fase da rede piloto, com um total normal (pontos de carregamento normal) e 50 postos de
de 1200 pontos de carregamento de potência normal (pon- carregamento de alta potência (pontos de carregamento
tos de carregamento normal) e 50 postos de carregamento rápido), designada Rede+ MOBI.E. A aquisição, insta-
lação e ligação dos carregadores da 2.ª fase, a executar
de alta potência (pontos de carregamento rápido), dos
pela sociedade MOBI.E, até final de 2018, será financiada
quais, em 2015, se encontravam instalados 1.076 pontos
pelo POSEUR 2020, sendo a comparticipação nacional
de carregamento de potência normal e 1 ponto de carrega-
assegurada pelo Fundo Português de Carbono, agora in-
mento de alta potência. Com a conclusão desta fase da rede tegrado no Fundo Ambiental.
piloto, incluindo a relocalização prevista de alguns pontos
de carregamento, serão abrangidos cerca 8,5 milhões de 1.1.2 — Infraestrutura de carregamento
cidadãos, distribuídos por 132 municípios.
Assim, reunindo as alterações que têm vindo a ocorrer ± Rede de pontos de carregamento de potência normal
nos últimos anos, com o objetivo de dinamizar a mobi- (pontos de carregamento normal)
lidade elétrica em Portugal e de densificar as medidas a
implantar para superar os constrangimentos identificados, No final de 2015, os pontos de carregamento de po-
foi elaborado o Plano de Ação para a Mobilidade Elétrica, tência normal (pontos de carregamento normal) da rede
aprovado pelo Despacho n.º 8809/2015, de 10 de agosto. piloto MOBI.E encontravam-se distribuídos por 28 mu-
Mais recentemente, foram publicadas várias portarias nicípios: Lisboa, Loures, Cascais, Almada, Braga, Leiria,
previstas no Decreto-Lei n.º 39/2010, de 26 de abril, alte- Viana do Castelo, Guimarães, Torres Vedras, Santarém,
rado pelos Decretos-Leis n.os 170/2012, de 1 de agosto, e Setúbal, Porto, Vila Nova de Gaia, Sintra, Castelo Branco,
90/2014, de 11 de junho, que visam operacionalizar este Guarda, Évora, Beja, Faro, Coimbra, Aveiro, Portalegre,
diploma, nomeadamente: Vila Real, Viseu, Bragança, Anadia, Felgueiras e Oliveira
de Frades.
— Portaria n.º 240/2015, de 12 de agosto, que veio A este número acresciam 178 pontos de carregamento
fixar o valor das taxas devidas pela apreciação do pedido, de potência normal, ligados à rede MOBI.E, mas que
Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017 3197
não fazem parte da rede piloto, 53 localizados em espaço Município Via/Tipo de Localização Operador
Número de
público e 125 em locais privados, de acesso público. Postos
No que se refere à rede de pontos de carregamento de Pombal Área de Serviço A1 Galp 2
potência normal (postos de carregamento normal), de Porto Posto de Combustível Prio.E 1
acordo com o Plano de Ação para a Mobilidade Elétrica,
Porto Moniz
ainda se encontram por instalar, nesta 1.ª fase da Rede
(Madeira) Urbano EEM 1
Piloto, 124 pontos de carregamento em 62 novas locali-
zações, 22 dos quais no município do Porto e os restantes Posto de Combustível (1). EDP MOP (1).
em 51 novos municípios. Vila Nova de Gaia Urbano (1) Prio.E (1) 2
A atribuição dos pontos de carregamento obedeceu a Total 11
um conjunto de prioridades:
Numa primeira etapa, deveriam ser contemplados no- Por outro lado, existem ainda alguns pontos de carre-
vos pontos de carregamento em municípios estratégicos, gamento de alta potência (pontos de carregamento rápido)
além dos já contemplados, minimizando assim ainda mais de acesso limitado, instalados em localizações privadas,
as distâncias entre pontos. sobretudo pelos fabricantes de automóveis, como a Nissan,
Para além dos municípios inicialmente aderentes à a Renault e a Volkswagen.
Rede Portuguesa de Cidades Inteligentes (RENER) e
Algumas entidades, como é o caso da EDP, na central
por conseguinte ao projeto-piloto MOBI.E, um conjunto
de Sines, ou da Câmara Municipal de Lisboa, instalaram
adicional de municípios manifestou também interesse
igualmente postos de carregamento nas suas instalações.
em aderir, tendo para esse efeito elaborado e submetido
No contexto do projeto MOBI2Grid, conjuntamente
para aprovação os respetivos Planos Municipais de Mo-
bilidade Elétrica (PMME). Como tal, foi equacionada a com os municípios de Viana do Castelo e Valença, pro-
atribuição de um total de 20 pontos de carregamento a curou-se definir uma localização estratégica para os novos
esses municípios: Abrantes, Alvaiázere, Chaves, Elvas, postos, tendo em atenção as necessidades associadas ao
Estremoz, Seixal, Trofa, Valença, Vendas Novas, e Vila corredor transfronteiriço Porto-Vigo. Assim, da Fase pi-
Nova da Barquinha. loto encontram-se ainda por instalar 49 postos de carrega-
Deveriam ser ainda contemplados com novos pontos mento de alta potência (pontos de carregamento rápido),
de carregamento os municípios que aderiram mais recen- dos quais 46 já têm localização definida, 12 em cidade e
temente à RENER, como, por exemplo, os municípios de 34 em autoestradas.
Albufeira, Baião, Maia, Portimão ou Tavira. TABELA 2
É ainda prevista a atribuição de pontos de carregamento
Localização prevista dos pontos de alta
a autarquias, como Oeiras e Palmela, que, apesar de não potência a instalar
possuírem os seus planos PMME aprovados, demonstra-
ram interesse na mobilidade elétrica. Via/Tipo de Número
Com a publicação da Resolução do Conselho de Minis- Município
tros n.º 49/2016, de 1 de setembro, foi lançada uma 2.ª fase Localização de Postos
da Rede Piloto MOBI.E, que contempla a instalação de Abrantes A23 2
mais 404 pontos de carregamento de potência normal
(pontos de carregamento normal) em Municípios não Alcácer do Sal A2 2
abrangidos na 1.ª fase. A implementação desta 2.ª fase
da rede piloto irá permitir assegurar que todos os Muni- Alcochete A12 2
cípios terão acesso a uma infraestrutura com no mínimo
2 pontos de carregamento, alargando a rede MOBI.E a Aljustrel A2 2
todo o território nacional. Aveiro Cidade 1
± Rede de pontos de carregamento de alta potência Barcelos A11 2
(pontos de carregamento rápido)
No que se refere aos pontos de carregamento de alta Braga Cidade 1
potência (pontos de carregamento rápido), existem atual-
Cascais Cidade 1
mente instalados 21 pontos de carregamento em 11 loca-
lizações, 1 dos quais pertencente à Fase Piloto da rede Celorico da Beira A25 2
MOBI.E, que contempla a instalação de 50 postos de
carregamento de alta potência. Coimbra Cidade 1
TABELA 1 Estarreja A1 2
Localização dos pontos de alta potência já instalados Estremoz A6 2
Município Via/Tipo de Localização Operador
Número de Évora Cidade 1
Postos
Azambuja Área de Serviço A1 Galp 2 Fundão A23 2
Calheta (Madeira) Urbano EEM 1
Lagos A22 2
Oeiras Área de Serviço A5 Galp 1
Lisboa Urbano Prio E. 1
Lisboa Cidade 1
Á
3198 Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017
TABELA 3
Via/Tipo de Número
Município
Localização de Postos Número de pontos de carregamento instalados
no final de 2015. Fonte: MOBI.E
Loulé A22 2
Âmbito da Portugal
Tipo de Ponto
Loures Cidade 1 Instalação Espaço Público Espaço Privado
Matosinhos Cidade 1 Rede Piloto Potência Normal ( 1.070 6
MOBI.E 22kW)
Mealhada A1 2
Alta Potência (> 22kW) 1 0
Palmela A2 2 Potência Normal (
53 125
Outras Iniciativas 22kW)
Porto Cidade 1
Alta Potência (> 22kW) 2 18
Santarém A1 2 Total 1.126 149
Torres Vedras A8 2
O consumo de energia elétrica dos pontos ligados à
Trofa A3 2
rede nacional tem vindo a aumentar nos últimos anos,
Valença Cidade 1 tendo-se registado até ao final de 2015 um consumo total
de aproximadamente 642.629 kWh.
Viana do Castelo Cidade 1
350.000
Vila Nova de Famalicão A7 2 300.000
Vila Real Cidade 1 250.000
200.000
150.000
A seleção das localizações teve em conta os se-
guintes critérios: (i) Conexão interurbana rede-piloto; 100.000
(ii) Rede interurbana de conveniência; (iii) Rede de 50.000
pontos de gestão de mobilidade; e (iv) Rede Trans-
fronteiriça. -
2010 2011 2012 2013 2014 2015
As localizações propostas tiveram ainda em atenção
algumas condicionantes. Por exemplo, no caso das auto- Alta Potência (> 22 kW) Potência Normal (ч 22 kW) TOTAL
estradas, foram privilegiadas opções que envolvam áreas
Figura 10 — Evolução do consumo anual dos pontos de carrega-
de serviço. mento (kWh). Fonte: MOBI.E/Produção própria.
± Carregamento privado ± Sistemas de gestão
Para além da aprovação do Plano de Ação para a Mo- A gestão da rede de mobilidade elétrica tem por base
bilidade Elétrica, verificou-se, ainda em 2015, diversas a plataforma MOBI.E, do Centro para a Excelência e
atualizações legislativas no âmbito da mobilidade elé- Inovação na Indústria Automóvel (CEIIA), resultado de
trica, incluindo a aprovação de um novo quadro legal uma parceria entre o CEIIA e a MOBI.E. Esta plataforma
que possibilita a admissão à rede MOBI.E de pontos de eletrónica permite a monitorização, em tempo real, de
carregamento localizados em espaços privados de acesso toda a rede de pontos de carregamento e consegue dispo-
público, como, por exemplo, pontos localizados em esta- nibilizar informação global sobre a utilização da mesma,
belecimentos comerciais. sobre o perfil energético e emissões associadas associados
Assim, com possibilidade de diferenciação de energia à mobilidade elétrica.
associada ao carregamento de veículos elétricos em es-
paços privados de acesso público, por integração desta
infraestrutura com a MOBI.E e, através desta, com a ges-
tão da rede elétrica, Portugal é um dos países pioneiros a
contar com regras específicas nesta matéria, antecipando
o cumprimento dos objetivos da Diretiva n.º 2014/94/UE,
do Parlamento Europeu e do Conselho, de 22 de outubro
de 2014.
No final de 2015, encontravam-se ligados à rede
MOBI.E, 149 pontos de carregamento em espaço pri-
vado de acesso público, sendo 131 de potência normal e Figura 11 — Plataforma MOBI.E.
18 de alta potência, de entre um total de 1.275 pontos de
carregamento, dos quais 1.254 pontos de carregamento de Como foi já referido, Portugal procurou, desde o início
potência normal e 21 pontos de alta potência. do seu Programa para a Mobilidade Elétrica, desenvol-
Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017 3199
ver um sistema de integração de toda a rede de pontos lizado em território continental, na Região Autónoma dos
de carregamento inteligente e interoperável, capaz de Açores ou na Região Autónoma da Madeira.
estimular a utilização de energia elétrica, proveniente O CEME, mediante uma remuneração, contrata com
essencialmente de fontes renováveis, para o abastecimento os OPC o acesso aos pontos de carregamento de modo
de veículos elétricos, com acesso de qualquer utilizador a permitir a sua utilização pelos UVE, sendo esta con-
a qualquer ponto de carregamento de qualquer operador tratação assegurada através dos serviços e sistemas de
(roaming) e compatibilidade com todas as marcas de veí- comunicação da EGME, a qual deve garantir as condi-
culos, com base na gestão inteligente assegurada pela ções necessárias ao estabelecimento de relações jurídicas
MOBI.E, SA. para permitir o acesso dos UVE a qualquer ponto de
carregamento.
O CEME deve facultar à EGME a informação perti-
nente para esta última poder assegurar as suas obrigações
relativas à gestão e monitorização dos fluxos energéticos
e financeiros, para garantir a informação relativa aos vo-
lumes e preços de energia praticados em cada momento.
Pelos serviços regulados prestados pela EGME ao CEME,
é devido pelo CEME o pagamento da tarifa regulada, não
obstante o relacionamento comercial entre estas entidades
poder incluir outras prestações de serviço com condições
acordadas entre as partes.
Por outro lado, o OPC tem a obrigação de integrar os
seus sistemas e pontos de carregamento na rede de mo-
bilidade elétrica gerida pela EGME e cooperar com esta
de modo a permitir que os seus pontos de carregamento
Figura 12 — Fluxo financeiro da rede de Mobilidade Elétrica.
possam ser monitorizados pela EGME. Os serviços re-
gulados, prestados pela EGME ao OPC, estão sujeitos ao
No Despacho n.º 6826/2015 foi estabelecido que a pagamento da tarifa, não obstante outras prestações de
sociedade MOBI.E, S. A., é a Entidade Gestora da Rede serviço com condições acordadas entre as partes.
de Mobilidade Elétrica (EGME), até 12 de junho de 2018, Por fim, é de referir ainda a possibilidade de um ponto
renovável por períodos mínimos de um ano. de carregamento de acesso privativo poder ficar a cargo do
Assim, esta entidade é responsável pela gestão e proprietário ou do detentor a qualquer título de um local de
monitorização da rede de mobilidade elétrica, nomea- acesso privativo. Esse ponto de carregamento, por opção
damente em termos dos fluxos energéticos, de informa- do detentor, pode ficar integrado na rede de mobilidade
ção e financeiros, necessários ao seu funcionamento, elétrica, tendo este o dever de informar e cooperar com a
devendo assegurar a concretização das obrigações e EGME para que esta possa monitorizar o respetivo ponto
direitos dos operadores dos pontos de carregamento de carregamento, com o objetivo de garantir os devidos
e dos titulares de registo de comercialização para a acertos de energia com a instalação local e o seu trata-
mobilidade elétrica. mento no contexto da mobilidade elétrica. A instalação
O Detentor de registo de comercialização de eletrici- elétrica referida fica sujeita a aprovação nos termos da
dade para a mobilidade elétrica (CEME) é uma entidade legislação aplicável.
titular de licença de operação de pontos de carregamento Caso a instalação, disponibilização, exploração e ma-
e de registo de comercialização de eletricidade para a nutenção dos pontos de carregamento de acesso privativo
mobilidade elétrica. A sua atividade consiste na compra estejam a cargo do respetivo detentor, os serviços pres-
a grosso e venda a retalho de energia elétrica, para forne- tados pela EGME estão sujeitos ao pagamento de uma
cimento aos Utilizadores de Veículo Elétrico (UVE). tarifa. No entanto, o detentor pode acordar com um OPC,
O UVE é um cliente da rede de mobilidade elétrica que a instalação, disponibilização, exploração e manutenção
utiliza os pontos de carregamento da rede de mobilidade dos seus pontos de carregamento.
elétrica para o seu veículo, tendo para esse fim estabele-
cido vínculo contratual com um ou mais CEME. 1.1.3 — Veículo Elétrico
O Operador de pontos de carregamento (OPC) é a Face às particularidades do sistema elétrico nacional,
entidade titular de licença e cuja atividade consiste na que conta com uma forte introdução de energia prove-
instalação, disponibilização, exploração e manutenção de niente de fontes renováveis, tornam-se especialmente
infraestruturas de acesso público ou privativo, integradas interessantes, do ponto de vista ambiental e energético, a
na rede de mobilidade elétrica e que possibilitem o car- utilização do veículo elétrico e o desenho de novos mo-
regamento de baterias de veículos elétricos. delos de serviços de transporte baseados na mobilidade
Resumindo, o UVE utiliza os pontos de carregamento elétrica.
da rede de mobilidade elétrica para carregar as baterias Atendendo à sua localização geográfica, até ao mo-
do seu veículo, sendo que para esse efeito estabeleceu mento, Portugal apenas desenvolveu interligações elétricas
um contrato com um ou mais CEME, pagando a este a com o país vizinho, pelo que só pode exportar diretamente
remuneração estipulada no contrato pela prestação do eletricidade para Espanha. Esta situação limita o apro-
serviço. Esta remuneração é livremente negociada entre veitamento do potencial de algumas fontes de energia
as partes. renovável, em particular de fontes intermitentes como a
O CEME deve assegurar que os seus clientes UVE eólica ou solar. Um reforço da interligação elétrica entre
tenham acesso a qualquer ponto de carregamento, loca- a Península Ibérica e o resto da Europa (e também com o
3200 Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017
Norte de África) afigura-se como um passo imprescindível Nº VE ligeiros Nº Total de veículos
para dar continuidade à expansão e desenvolvimento das ligeiros
fontes de energia renovável em Portugal e consequen- 2.500 6.000.000
temente para o aproveitamento integral deste potencial
natural do nosso país. 5.000.000
2.000
Não obstante, para esse efeito, importa desenvolver
também soluções alternativas que possibilitem o armaze-
namento e aproveitamento de energia elétrica de origem 1.500
4.000.000
renovável, e simultaneamente otimizar a gestão da rede
elétrica. 3.000.000
O veículo elétrico poderá desempenhar um papel 1.000
importante para a melhoria do equilíbrio do sistema 2.000.000
elétrico, através, por exemplo, do carregamento durante
a noite com recurso a produção proveniente de tecnolo- 500
gias intermitentes, geralmente não completamente apro- 1.000.000
veitada, como a energia eólica, ou pela introdução na
rede, quando necessário, designadamente, em períodos 0 0
de ponta, de eletricidade armazenada nas suas baterias 2011 2012 2013 2014 2015
Veículos elétricos ligeiros (BEV) Híbridos ligeiros Plug-in (PHEV)
enquanto está estacionado. Assim, o veículo elétrico Total Veículos ligeiros em circulação
poderia ser utilizado como um dispositivo com capaci-
dade para armazenar eletricidade e equilibrar picos de Figura 13 — Evolução do número de veículos ligeiros com motor
elétrico em circulação. Fonte: IMT/Produção própria.
consumo da rede.
No final de 2015, encontravam-se registados em Por- O reduzido peso relativo dos veículos ligeiros elétricos
tugal 2.226 veículos ligeiros, aos quais acrescem cerca de em circulação face ao total de veículos ligeiros em cir-
1.848 motos (incluindo ciclomotores, motociclos, triciclos culação é confirmado também pelo reduzido consumo de
e quadriciclos) com motor elétrico. eletricidade para a mobilidade. Na verdade, a eletricidade
consumida pelo transporte rodoviário é muitíssimo pouco
TABELA 4
expressiva, representado em 2015 menos de 0,001 % do
Número de veículos com motor elétrico em circulação total de energia consumida neste setor, que recorre ainda
no final de 2015. Fonte: IMT/Produção própria maioritariamente a combustíveis derivados de petróleo,
Número de nomeadamente, gasóleos e gasolinas. Assim, o consumo
Veículos a combustível
Veículos Obs.
de eletricidade registado para o setor dos transportes foi
alternativo aproximadamente 25.884 tep, sendo apenas 56 tep refe-
2015
rentes ao consumo por veículos rodoviários.
Veículos ligeiros de Não obstante, importa ressaltar que o consumo de ele-
Carros elétricos 1.417
passageiros tricidade acima indicado para o transporte rodoviário é
Veículos ligeiros de
relativo somente aos consumos registados na rede pública
Carros híbridos elétricos plug -in 664
passageiros
de postos de abastecimento MOBI.E. Presentemente, não
é possível contabilizar os consumos efetuados em pontos
Veículos comerciais ligeiros
145
de carregamentos privados não integrados na rede de
elétricos mobilidade elétrica, como por exemplo, carregamentos
Veículos pesados de realizados por particulares nas suas residências.
Veículos pesados elétricos 9
mercadorias
1.1.4 — Incentivos e Financiamento
Veículos pesados de
Autocarros elétricos 23
passageiros O crescimento verificado no número de veículos elé-
tricos em circulação, apesar das fortes condicionantes e
Inclui ciclomotor,
limitações ao desenvolvimento deste mercado, resultam,
Motos elétricas 1.833 motociclo, triciclo e
principalmente, de diversas medidas de apoio à mobilidade
quadriciclo elétrica que têm vindo a ser implementadas em Portugal.
Inclui ciclomotor, Por exemplo, o Decreto-Lei n.º 39/2010, de 26 de abril,
Motos híbridas elétricas plug- in 15
motociclo, triciclo e que veio regular a organização, o acesso e o exercício
quadriciclo das atividades de mobilidade elétrica e proceder ao esta-
belecimento de uma rede piloto de mobilidade elétrica,
Apesar do mercado nacional de veículos elétricos re- contemplava um subsídio de € 5.000 à aquisição, por
fletir as mesmas dificuldades de mercado comuns a todo particulares, de veículos automóveis elétricos novos, o
o mundo, nomeadamente, a falta de escala da oferta e qual poderia atingir os € 6.500 com o abate de veículo
procura que condiciona o preço do veículo, os custos automóvel de combustão interna. Este subsídio estava pre-
e durabilidade das baterias e a autonomia e tempo de visto ser atribuído na compra dos primeiros 5.000 veículos
carregamento, tem-se vindo a observar um crescimento automóveis elétricos e vigorar até ao final de 2012.
considerável do número de veículos elétricos registados Mais recentemente, a reforma da «Fiscalidade Verde»,
em Portugal. Em menos de cinco anos, verificou-se um aprovada pela Lei n.º 82-D/2014, de 31 de dezembro, que
crescimento superior a 6 vezes no número de veículos procedeu à alteração de um conjunto de normas fiscais
ligeiros com motores puramente elétricos, comparativa- ambientais nos setores da energia e emissões, transportes,
mente ao registado em 2011. água, resíduos, ordenamento do território, florestas e bio-
Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017 3201
diversidade, prevê também diversos incentivos fiscais à Cooperação Territorial, nos quais Portugal participará a
aquisição e utilização de veículos elétricos, nomeadamente: par com outros Estados Membros, entre os quais se encon-
tra o PO SEUR — Programa Operacional Sustentabilidade
— Atribuição de incentivos fiscais para a aquisição
e Eficiência no Uso de Recursos. Este programa pretende
de carros elétricos e híbridos plug-in, através de novos contribuir principalmente na prioridade de crescimento
montantes elegíveis para gasto fiscal e tributação autó- sustentável, respondendo aos desafios de transição para
noma de IRS e IRC; uma economia de baixo carbono, assente numa utilização
— Alargamento da possibilidade de dedução do IVA mais eficiente de recursos e na promoção de maior resili-
nas despesas relativas à aquisição, fabrico ou importa- ência face aos riscos climáticos e às catástrofes. Entre as
ção, à locação e à transformação em viaturas elétricas ou prioridades de investimento, podem destacar-se os apoios
híbridas plug-in, de viaturas ligeiras de passageiros ou à promoção da utilização de transportes ecológicos e à
mistas elétricas ou híbridas plug-in, quando consideradas mobilidade sustentável.
viaturas de turismo, cujo custo de aquisição não exceda No âmbito deste programa, numa vertente de promo-
o definido na portaria a que se refere a alínea e) do n.º 1 ção da mobilidade urbana sustentável através da mo-
do artigo 34.º do Código do IRC; bilidade elétrica, foi publicado um aviso-convite (PO-
— Possibilidade de deduções dos gastos suportados SEUR-06-2016-52), dirigido à entidade gestora da rede
com a aquisição, em território português, de eletricidade de mobilidade elétrica — MOBI.E, S. A., para expansão,
para abastecimento de veículos de transporte rodoviário atualização tecnológica de postos de carregamento elétri-
de passageiros e de mercadorias; cos públicos e desenvolvimento de soluções que visem
— Incentivo fiscal ao abate de veículos em fim de melhorar a rede de mobilidade elétrica.
vida (>= 10 anos), na aquisição de um veículo elétrico Mais recentemente foi publicado um aviso-concurso
novo (subsídio de € 4.500), automóvel híbrido plug-in (POSEUR-07-2016-71) destinado à promoção da efi-
novo (subsídio de € 3.250) ou quadriciclo pesado elétrico ciência energética nos transportes públicos coletivos de
novo(subsídio de € 1.000). Este incentivo foi prolongado passageiros incumbidos de missões de serviço público,
na Lei de Orçamento de Estado para 2016 (Lei n.º 7- visando incentivar a utilização de veículos mais eficientes
-A/2016, de 30 de março, sendo o novo valor do incen- e que utilizem combustíveis com melhor desempenho am-
tivo de € 2.250 e € 1.125, respetivamente, para veículo biental, designadamente através da aquisição de veículos
elétrico e automóvel híbrido plug-in novos). No entanto, novos movidos a GNC, GNL, hidrogénio, eletricidade ou
a Lei de Orçamento de Estado para 2017 (Lei n.º 42/2016, híbridos plug-in, e da instalação da respetiva infraestrutura
de 28 de dezembro) veio alterar este incentivo, passando de abastecimento.
apenas a contemplar a redução do ISV até € 562,5 na Igualmente, mas ainda no âmbito do anterior quadro
introdução no consumo de um veículo híbrido plug-in estratégico de apoio, Quadro de Referência Estratégico
novo sem matrícula; Nacional (QREN), que constituiu o enquadramento para a
— Isenção do pagamento de qualquer taxa na con- aplicação da política comunitária de coesão económica e
versão de veículos com motor de combustão interna em social, em Portugal, no período 2007-2013, foram apoia-
veículos elétricos; das várias iniciativas na área da mobilidade elétrica.
— Fixação novos montantes acima dos quais são acei- Para além disso, importa salientar a existência de diver-
tes como gastos as depreciações das viaturas ligeiras de sos fundos que têm vindo a financiar a implementação de
passageiros ou mistas para veículos movidos exclusiva- diferentes medidas e programas no âmbito da mobilidade
mente a energia elétrica e híbridos plug-in. elétrica:
A Lei de Orçamento de Estado para 2017, aprovada Fundo Português de Carbono — Tem como objetivo
pela Lei n.º 42/2016, de 28 de dezembro, veio criar um apoiar a transição para uma economia resiliente, com-
incentivo pela introdução no consumo de veículos de petitiva e de baixas emissões de carbono, promovendo
baixas emissões financiado pelo Fundo Ambiental. medidas com contributo para o cumprimento de com-
promissos nacionais assumidos no âmbito do Protocolo
1.1.5 — Investigação e desenvolvimento de Quioto ou de outros compromissos internacionais e
comunitários em matéria de alterações climáticas. Entre
± Apoio à inovação e desenvolvimento os vários projetos apoiados por este fundo no âmbito da
Diversas medidas de incentivo à mobilidade elétrica mobilidade elétrica, destacam-se:
previstas na lei da «Fiscalidade Verde», no «Compromisso i) Rede Piloto para a Mobilidade Elétrica em Portu-
para o Crescimento Verde» e no programa Portugal 2020, gal (Rede Piloto MOBI.E), iniciada em 2011, com um
visam também estimular o mercado das tecnologias asso- montante de financiamento previsto de cerca de 9 M € e
ciadas à mobilidade elétrica e explorar o papel de Portugal um montante total validado e pago até 2015 de 7,1 M €
como mercado piloto, de modo a atrair os construtores e (representando 78 % do orçamento global do projeto).
outras empresas para o teste de novos produtos e serviços ii) Fase piloto do Programa de Apoio à Mobilidade
em Portugal e, simultaneamente, reforçar o espaço de de- Elétrica na Administração Pública, que continuou em 2015
senvolvimento de novas tecnologias, produtos e serviços com a aquisição de 30 veículos elétricos, respetivo equipa-
por parte de empresas portuguesas. mento de georreferenciação e pontos de carregamento para
Para esse efeito, foram ainda estabelecidos protocolos as entidades envolvidas. Assim, foram entregues 30 veí-
com a indústria automóvel para a realização em Portugal culos elétricos e 25 pontos de carregamento a 12 entidades
de press tests, associados a uma componente de desen- dos Ministérios do Ambiente e das Finanças.
volvimento tecnológico dos mesmos. iii) Incentivo ao abate de veículos em fim de vida, criado
O Portugal 2020 é operacionalizado através de 16 Pro- na sequência da Lei da Fiscalidade Verde para o abate de
gramas Operacionais a que acrescem os Programas de automóveis ligeiros em fim de vida e a sua substituição por
3202 Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017
um veículo elétrico novo, suportado em 2015 pelo FPC. v) Recentemente, o FAI tem vindo a apoiar o funcio-
Os pagamentos realizados, até 31.12.2015, totalizaram namento a Entidade Gestora da Mobilidade Elétrica,
0,9 M €, correspondendo à aquisição de 168 automóveis MOBI.E, S. A., enquanto a utilização da rede não gera
e de 2 quadriciclos, tendo ainda dado entrada 150 pedi- receitas suficientes para sustentar a sua atividade. Este
dos em 2015 cujos pagamentos aconteceram apenas no apoio tem natureza transitória, por um período de 3 anos
primeiro trimestre de 2016. (2015/2017), num montante de 4 milhões de euros.
Note-se que, já em 2011, este fundo suportou um incen-
tivo similar para o abate de veículos, aquando da aquisição ± Programa de Mobilidade Sustentável para a Administração Pública
de veículos elétricos. 2015-2020 — ECO.MOB
A Administração Central do Estado tem, para além
Fundo de Eficiência Energética (FEE) — Trata-se de da sua missão de promoção e defesa do interesse pú-
um instrumento financeiro construído para financiar os blico, também pela sua dimensão e transversalidade na
programas e medidas previstas no PNAEE, em todas as
sociedade, acrescidas responsabilidades de eficiência e
suas linhas de atuação. Assim, através do FEE e mediante
a abertura de concursos específicos, são apoiados projetos de exemplo de boas práticas organizacionais.
na área dos transportes que contribuam para a redução A dimensão Estado e a abrangência territorial e disper-
do consumo final de energia, de modo energeticamente são dos seus serviços representam um importante gerador
eficiente e otimizado. Este fundo pode ainda financiar de deslocações, sendo que o Parque de Veículos do Es-
projetos não previstos no PNAEE desde que comprova- tado (PVE) se enquadra entre as maiores frotas do país.
damente contribuam para a eficiência energética. O Estado deve dar o exemplo, impulsionando o apoio à
Fundo de Apoio à Inovação (FAI) — Criado em promoção da mobilidade sustentável e a transição para
dezembro de 2008 pelo Ministério da Economia e da uma sociedade de baixo carbono. Com efeito, importa
Inovação e instituído junto da ADENE — Agência para fazer um esforço de melhoria do desempenho ambiental
a Energia, tem como objetivo apoiar projetos de inovação dos veículos do PVE, pela adoção de um programa de re-
e desenvolvimento tecnológico e projetos de demonstra- novação inteligente, orientado para a eficiência económica
ção tecnológica nas áreas das energias renováveis e da e sustentabilidade ambiental dos veículos, nomeadamente
eficiência energética, bem como projetos de investimento através da progressiva introdução de veículos elétricos.
em eficiência energética, constituindo um instrumento A fim de testar a viabilidade da utilização de veículos
de política pública de suporte à execução dos objetivos elétricos e híbridos na frota do Estado, foi assinado em 7
da estratégia de energia de Portugal. Este fundo já apro- de maio de 2014, um Protocolo entre o Ministério do Am-
vou vários projetos na área da mobilidade sustentável, biente, Ordenamento do Território e Energia (MAOTE), na
como: altura com a tutela das pastas do ambiente e da energia, e a
Associação Portuguesa do Veículo Elétrico (APVE). O ob-
i) Projeto REIVE, que tinha como objetivo desenvol- jetivo do Protocolo foi o de lançar e definir um programa
ver e testar uma plataforma tecnológica inovadora para de demonstração da mobilidade elétrica nos gabinetes dos
a integração da gestão e controlo da rede elétrica com membros do Governo do MAOTE.
dispositivos de interface avançados para veículos elétricos Esta experiência, que decorreu entre junho 2014 e abril
e sistemas de microgeração, tinha um investimento total
2015 e contou com a participação de 13 marcas de automó-
previsto de 3.352.847 €, sendo 2.596.847,00 € conside-
rados despesas elegíveis. O incentivo contratualizado foi veis (Audi, BMW, Citroën, Ford, Mercedes, Mitsubishi,
de 1.298.423,00 € e pago de 1.129.101,25 €. Nissan, Opel, Peugeot, Renault, Smart, Toyota e Volkswa-
ii) Projeto “Programa de Mobilidade Elétrica”, que gen), pretendia a recolha de dados e experiência para a
consistiu num estudo e criação de um modelo sustentável elaboração de um programa de mobilidade sustentável no
para a Mobilidade Elétrica, tinha como objetivo criar con- âmbito mais abrangente da Administração Pública.
dições para a introdução efetiva do Veículo Elétrico (VE) Deste modo, no decorrer de 10 meses foram monitori-
em Portugal, explorando um modelo de mobilidade que zadas as deslocações realizadas por esses veículos, tendo
favorecesse a utilização de energia provenientes de fontes os veículos elétricos sido utilizados sobretudo para des-
renováveis. O projeto pressupunha um montante total de locações dentro da cidade e num raio de cerca de 50 km
investimento de 1.016.588 €, tendo o valor do incentivo (autonomia a rondar os 100 km) e os veículos híbridos
contratualizado e pago sido de 995.052,00 €. elétricos para percursos mais longos por todo o país (nor-
iii) Projeto MOBI.E Produção Piloto, que tinha como malmente superiores a 150 km).
objetivo principal assegurar uma primeira fase de produ-
ção piloto, roll-out e implementação, aberta ao público, 80 73,6
das componentes do sistema MOBI.E, dando assim início 70
à fase de teste e operação da rede piloto. O montante de
investimento total do projeto remontava a 3.260.425 €, 60 52,6
para um incentivo contratualizado de 3.243.256 €, sendo 50
o incentivo final apurado de 2.812.214,50 €. 40
iv) Projeto “Fase Piloto da Mobilidade Elétrica — IDT”) 30
(Fase Piloto da Mobilidade Elétrica — Investigação e De- 19,3
senvolvimento Técnico do Modelo MOBI.E), que tinha 20
como objetivo o desenvolvimento da inovação associada 10
a carregadores lentos, rápidos e sistemas de gestão de 0
rede e carregamento. O investimento total previsto para VE Híbridos média
o projeto era de 3.501.760 €, correspondendo o incentivo
contratualizado a 100 % das despesas de elegíveis de Figura 14 — Consumos médios dos veículos utilizados na experiên-
investimento, tendo sido pago 2.790.295 €. cia piloto (kwh/100km).
Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017 3203
A experiência evidenciou que o veículo elétrico em com Espanha e França, uma Declaração de compro-
ambiente urbano apresenta bons desempenhos a nível misso com a descarbonização da economia e a pro-
económico e elétrico, tendo-se obtido custos médios para moção da mobilidade elétrica, que pretendia integrar
utilização dos veículos elétricos, contabilizando apenas a as conclusões da Conferência para o Clima (COP21),
energia, de cerca de 0,02 €/km, o que correspondeu a uma realizada em Paris em dezembro de 2015, e preparou
redução de cerca de 81 % face à frota substituída e uma uma candidatura a Fundos Europeus, no âmbito do
redução de 64 % e 71 % quando comparados com veículos Programa CEF — Connecting Europe Facility, para a
diesel “best-in-class” dos segmentos C e D. implementação de uma rede de pontos de carregamento
Outra iniciativa no Estado, com enquadramento no interoperáveis, a localizar nas principais infraestruturas
«Compromisso para o Crescimento Verde», que, entre rodoviárias que ligam os 3 países, tendo esta sido aceite
as suas 83 iniciativas, inclui a promoção da mobilidade pela Comissão, tal como uma candidatura gémea apre-
elétrica e a concretização de programas de mobilidade sentada por Espanha.
sustentável na administração pública, em julho de 2015, Assim, o projeto CIRVE_PT, que irá decorrer entre
foi aprovado o Programa de Mobilidade Sustentável para junho de 2016 e dezembro de 2020, tem como objetivo
a Administração Pública 2015-2020- ECO.mob, através aumentar a utilização de veículos elétricos nestes três
da Resolução do Conselho de Ministros n.º 54/2015, de países, num quadro transfronteiriço totalmente inte-
28 de julho. roperável que possibilite aos utilizadores de veículos
Este programa tem como objetivo reduzir as neces- elétricos circular do norte da Europa à Península Ibé-
sidades de deslocação e promover a escolha de meios rica, assegurando uma ligação entre as regiões do sul
de transporte mais adequados, bem como a adoção e do norte da UE. Para esse efeito, será desenvolvido
de soluções de mobilidade sustentável para a frota um estudo a partir da instalação de 58 pontos de car-
do Estado, visando assim contribuir para atingir o regamento de alta potência (pontos de carregamento
objetivo específico de promoção de 30 % de eficiên- rápido), localizados ao longo dos corredores Ibéricos
cia energética no Estado. Concretamente, é prevista (Mediterrânico e Atlântico), com especial atenção às
a integração de cerca de 1.200 veículos elétricos no zonas fronteiriças entre os três países. Espera-se, com
PVE, até 2020, com introdução de mecanismos de este projeto-piloto, identificar soluções para os atuais
carregamento inteligente integrados com a gestão da obstáculos à mobilidade elétrica, a fim de progredir,
rede pela MOBI.E. designadamente com a disponibilização de pontos de
Um primeiro lote de 30 veículos elétricos, dotado de carregamento. Uma ação similar a esta será desen-
um sistema de monitorização (que permitirá conhecer as volvida em Espanha e França, para a instalação dos
características das deslocações: distâncias, tempo, tipo referidos postos.
de condução, etc.), foi já introduzido como piloto em Esta iniciativa visa promover a mobilidade elétrica
outubro de 2015, tendo, em junho de 2016, percorrido já e a interoperabilidade das redes de pontos de carrega-
mais de 100 mil quilómetros, essencialmente, em meio mento públicos nos três países. Para esse efeito, foram
urbano e assim permitido evitar a emissão de mais de definidas dez propostas para a expansão da mobilidade
11 toneladas de CO2. elétrica:
A utilização destas viaturas apresenta um custo médio
de 0,03 €/km, o que permitiu já uma poupança acumulada 1) Lançamento de campanhas de informação e de sen-
que ascende a mais de 6.000 €. sibilização com o objetivo de eliminar barreiras psicoló-
Atendendo a que implementação do programa ECO.mob gicas associadas ao veículo elétrico e informar sobre as
envolve um número alargado de entidades e o desen- medidas existentes;
volvimento de iniciativas inovadoras na Administração 2) Promover workshops e ações de formação dirigidas
Pública, a articulação entre as diversas entidades en- aos utilizadores do veículo elétrico e das infraestruturas
volvidas é essencial para uma boa implementação. Para de mobilidade elétrica;
esse efeito, foi criada a Plataforma para a Mobilidade 3) Implementar a atribuição de vantagens à utilização
Sustentável na Administração Pública, «Plataforma ECO. para os utilizadores dos veículos elétricos com base na
mob», com a função de acompanhar a execução deste identificação destes veículos por via de certificados ou
programa, sendo esta constituída por entidades repre- etiquetas identificáveis pelas autoridades locais, a fim
sentativas das áreas do ambiente, energia, transportes de facilitar a adoção de medidas, tais como a redução
e finanças. das tarifas dos parques de estacionamento públicos, bo-
A par desta ação, diversas empresas e autarquias nificações fiscais, acesso preferencial às zonas urbanas
têm vindo a assumir iniciativas de renovação de centrais, etc.;
frota com a introdução de veículos elétricos, privi- 4) Manter as políticas de apoio à procura, de modo a
legiando a integração em projetos de investigação e permitir que o mercado do veículo elétrico deixe de ser
inovação para aprofundamento do conhecimento e um nicho de mercado e se destine ao maior número de
desenvolvimento da rede de pontos de carregamento pessoas;
e utilização de diferentes tipos de veículos elétricos 5) Promover o veículo elétrico no âmbito das frotas das
para diversas utilizações nas áreas da mobilidade e empresas e das compras públicas, reconhecendo que as
serviços urbanos. frotas desempenham um papel fundamental na introdução
destes veículos no mercado;
± Corredores de mobilidade sustentáveis: França, Espanha e Portugal, 6) Facilitar o desenvolvimento de novas baterias com
juntos face ao desafio mundial da mobilidade elétrica
maior autonomia e a um preço acessível;
Numa perspetiva de expandir e interligar a sua rede de 7) Permitir um fácil acesso aos pontos de carrega-
pontos de carregamento, Portugal assinou, em conjunto mento através de um sistema de roaming dos serviços;
3204 Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017
8) Acompanhar as medidas de apoio ao aumento da veio permitir a transferência do transporte rodoviário para
procura e à melhoria da oferta de mercado com um de- o ferroviário nas deslocações pendulares entre as duas
senvolvimento das infraestruturas de acesso público apro- Margens da Área Metropolitana de Lisboa.
priadas; Presentemente, a rede ferroviária nacional para cir-
9) Reafirmar firmemente, por ocasião da COP, a contri- culação de comboios para transporte de passageiro e/ou
buição do veículo elétrico em prol da transição energética mercadorias têm uma extensão total 2.565 km, da qual
e de uma sociedade de baixo carbono; 1.633,7 km se encontra eletrificada, contando com mais
10) Promover e acelerar a implantação dos corredores de 500 estações.
internacionais.
1.2 — TRANSPORTE FERROVIÁRIO
A eletricidade consumida pelos transportes encontra-se
quase na totalidade associada ao setor ferroviário, sendo
ainda residual o consumo registado pelo transporte ro-
doviário.
Atualmente, grande parte da extensão da infraestrutura
ferroviária nacional encontra-se eletrificada, sendo esta
a principal fonte energética consumida por este meio de
transporte.
60.000
50.000
40.000
30.000
20.000
10.000
-
2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015
Eletricidade Gasóleo
Figura 15 — Evolução do consumo de energia pelo transporte fer-
roviário (tep). Fonte: DGEG.
± Infraestrutura Ferroviária para comboios
A história do caminho-de-ferro em Portugal remonta
a 1856, com a inauguração do primeiro troço ferroviário
em território nacional, que ligou Lisboa ao Carregado.
Desde essa data, a linha ferroviária nacional foi objeto Figura 16 — Infraestrutura Ferroviária existente. Fonte: IP, S. A.
de muitos desenvolvimentos e expansões. Novas linhas
foram projetadas e construídas, tendo sido estabelecidas
ligações internacionais por comboio. Em 1886, o Porto O Plano de Investimentos Ferroviários 2016-2020
ligou-se à Galiza através de Valença com a abertura à funda-se no Plano PETI 3+, que definiu um conjunto de
exploração pública do Ramal Internacional entre Valença prioridades, nomeadamente, compromissos internacio-
e a Galiza. nais, inclusive acordos bilaterais com Espanha e os que
No entanto, o trabalho da primeira fase de eletrificação resultam do Corredor Atlântico, bem como a promoção do
da rede ferroviária só teve início quase um século depois, transporte de mercadorias e em particular das exportações
1954, tendo em 1966 sido concluída a eletrificação Lis- ou articulação entre os portos nacionais e as principais
boa/Porto. fronteiras terrestres com Espanha.
Mais, a partir da década de 90, Portugal realizou, no A concretização destes objetivos conta com um pacote
essencial, uma reabilitação de toda a linha ferroviária financeiro composto por fundos comunitários do programa
nacional, que corresponde ao Arco Atlântico, passando CEF e do programa Portugal 2020, a que se poderá acres-
a ligar sem ruturas desde Braga e Guimarães (no Norte) centar o Plano Juncker e o contributo da Infraestruturas
até Faro (Algarve, a Sul). de Portugal, S. A. (IP, S. A.)
Esta reabilitação da linha incluiu pela primeira vez a A implementação deste plano visa a intervenção em
travessia ferroviária do Tejo, assegurando ligações sem 1.193 km de extensão de rede, contemplando várias ações
necessidade de transbordo, em linha eletrificada, com de modernização, eletrificação e construção nova nos
aumento de capacidade e de velocidade. Esta travessia vários corredores internacionais e linhas.
Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017 3205
Atualmente a rede de Elétricos é composta por 5 Linhas
regulares, estendendo-se ao longo da cidade de Lisboa
162 214
Outras Linhas
Global
Linha do Algarve
272
num total de 47,5 km, dos quais 15,0 km (31,5 %) em
Linha do Douro
545 sítio reservado.
A atual frota de Elétricos é composta por 53 elétricos.
Linha do Oeste
Linha do Minho ± O Metropolitano de Lisboa
Linha do Norte
Paralelamente têm sido realizados esforços de de-
Corredor Internacional Sul senvolvimento e expansão das redes de metropolitano,
Corredor Internacional Norte
procurando-se sempre que possível articular o seu de-
senvolvimento com o desenvolvimento da infraestrutura
ferroviária nacional.
0 100 200 300 400 Km
Construção Nova Modernização Eletrificação Modernização e Eletrificação
Ainda que o primeiro projeto de um sistema ferroviário
Figura 17 — Tipologia do investimento por Corredor/Linha (km). subterrâneo para Lisboa date de 1888, a construção da
Fonte: IP, S.AE/Produção própria. rede de Metropolitano de Lisboa iniciou-se apenas em
1955, tendo esta sido aberta ao público quatro anos de-
As operações previstas para os corredores internacio- pois, no final de 1959. A rede inicial consistia numa linha
nais pretendem assegurar a ligação ferroviária entre Por- em forma Y que ligava Sete Rios (atualmente a estação
tugal e a Europa, por forma a viabilizar um transporte Jardim Zoológico) à estação da Rotunda (atualmente a
ferroviário de mercadorias eficiente. estação Marquês de Pombal) e Entre Campos à estação
da Rotunda (atualmente Marquês de Pombal). Estas duas
ligações, confluíam num troço comum entre a estação
dos Restauradores e da Rotunda (atualmente Marquês
de Pombal). A inauguração do metro em Lisboa foi um
acontecimento muito importante para a cidade, tendo no
primeiro ano de funcionamento sido transportados cerca
de 15,3 milhões de passageiros.
Desde da sua inauguração que a rede do Metropolitano
de Lisboa sofreu vários processos de expansão, contando
a atual infraestrutura com quatro linhas autónomas (Azul,
Verde, Amarela e Vermelha), uma extensão total de apro-
ximadamente 44,2 km e com um total 56 estações, que
ligam vários pontos de Lisboa às principais estações de
comboios da rede nacional e internacional, aos principais
terminais fluviais e, desde 2012, ao Aeroporto de Lisboa.
Em 2016, foi aberto ao público um novo prolongamento
da linha Azul, entre as estações Amadora Este e Reboleira.
Encontra-se ainda prevista a construção de duas novas es-
tações na linha Amarela, na Estrela e em Santos, devendo
a obra estar concluída em 2021.
Assim, a infraestrutura do metro de Lisboa tem vindo
a ser desenvolvida numa perspetiva de intermodalidade,
procurando otimizar todos os recursos de mobilidade da
Área Metropolitana de Lisboa.
Figura 18 — Intervenções nos vários Corredores e Linhas. Fonte:
IP, S. A.
± Elétrico em Lisboa
Na cidade de Lisboa, existe uma rede de carris de ferro
para a circulação de elétricos. Pode-se dizer que este con-
ceito de circulação de carruagens em carris remonta a 1872
com a criação da Companhia Carris de Ferro de Lisboa,
com o objetivo de implantar na Capital este sistema de
transporte, à data movido por tração animal, tendo poste-
riormente este sistema de tração animal sido substituído
pela tração elétrica. Assim, em 1901 foi inaugurado o
serviço de elétricos, que ao longo dos anos foi sofrendo Figura 19 — Mapa da rede do Metro de Lisboa. Fonte: Metropoli-
vários desenvolvimentos e alterações. tano de Lisboa, E. P. E.
3206 Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017
± O Metro Sul do Tejo Assim, nos últimos 20 anos, Portugal assistiu a uma
aposta na rede estruturante nacional do transporte ferro-
Na Margem Sul da Área Metropolitana de Lisboa foi
viário, em combinação com as linhas nas áreas metro-
criado um serviço de metropolitano ligeiro de super- politanas e em articulação com a criação e expansão das
fície, o Metro Sul do Tejo, que abrange os concelhos redes de metro, através da qual se procedeu ao essencial
de Almada e Seixal, circula na cidade de Almada, pela da eletrificação das deslocações.
EN10 até Corroios e nas vias urbanas do Monte da Em resumo, no que concerne à eletricidade, a par
Caparica. da continuidade na aposta na infraestrutura ferroviária,
Este transporte de passageiros está em pleno funciona- importa dar forte prioridade à mobilidade elétrica no
mento desde 2008, percorrendo atualmente cerca de 22 km modo rodoviário, com vista a maximizar a introdução
e contando a sua rede com três linhas, que permitem a de eletricidade no setor dos transportes, aproveitando
ligação de vários interfaces de áreas de elevada densidade assim o potencial de fontes renováveis no setor elétrico
populacional a transportes públicos, zonas comerciais, nacional.
universidades.
2 — GÁS NATURAL
O gás natural é um combustível fóssil com uma com-
posição maioritariamente em metano (CH4), com carac-
terísticas não tóxicas e não corrosivas e com um poder
calorífico a variar entre 9 000 kcal/m3 e 12 000 kcal/m3,
dependendo da sua proveniência. Atendendo à sua na-
tureza incolor e inodora, por questão de segurança, este
é odorizado artificialmente antes da sua distribuição
ao consumidor final. Comparativamente com outros
Figura 20 — Mapa da rede do Metro Sul do Tejo. Fonte: MTS — Me- combustíveis fósseis, como os derivados de petróleo, o
tro Transportes do Sul, S. A. gás natural permite uma redução de emissões de gases
com efeito de estuda e de outros poluentes adversos
± O Metro do Porto para a saúde humana, como partículas e os óxidos de
azoto (NOx).
Na Área Metropolitana do Porto foi implementado o O gás natural em Portugal remonta a 1993 com a assi-
primeiro sistema de metro que, em parte significativa, natura dos primeiros contratos de concessão, transporte,
circula à superfície. armazenagem e fornecimento e a 1997 com a concreti-
O Metro do Porto, inaugurado em 2002 com a entrada zação da sua efetiva introdução no mercado nacional.
em funcionamento da Linha A (Azul), possui atualmente A liberalização do setor iniciou-se em 2006, tendo sido
uma das maiores redes de metropolitano ligeiro da Eu- publicados o Decreto-Lei n.º 30/2006, de 15 de fevereiro,
ropa, com uma extensão total de rede de cerca de 67 km, alterado pelo Decreto-Lei n.º 230/2012, de 26 de outubro
dividida em 6 linhas que ligam os principais pontos da e o Decreto-Lei n.º 140/2006, de 26 de julho, alterado
cidade e abrangendo 7 concelhos na área metropolitana pelo Decreto-Lei n.º 231/2012, de 26 de outubro, que
do Porto. Integram o atual sistema de metro 81 estações, vieram estabelecer as bases gerais de organização e fun-
das quais 14 são estações subterrâneas. cionamento do Sistema Nacional de Gás Natural (SNGN),
bem como as regras gerais aplicáveis ao exercício das
respetivas atividades.
A atividade de comercialização de gás natural é livre
estando apenas sujeita a atribuição de licença pela Dire-
ção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), podendo os
comercializadores no exercício da sua atividade comprar
e vender livremente o gás natural e usufruir de acesso
às instalações de armazenamento e terminais de gás na-
tural liquefeito (GNL) às redes de transporte e às redes
de distribuição, mediante o pagamento de uma tarifa
regulada.
O SNGN assenta essencialmente na exploração da rede
pública de gás natural (RPGN), constituída pela Rede Na-
cional de Transporte, Infraestruturas de Armazenamento
e Terminais de GNL (RNTIAT) e pela Rede Nacional de
Distribuição de Gás Natural (RNDGN).
A RNTIAT é constituída pelo conjunto das infraes-
truturas destinadas à receção e ao transporte de gás
natural (GN) por gasoduto, ao armazenamento sub-
terrâneo (AS) e à receção, ao armazenamento e à re-
gaseificação de gás natural liquefeito (GNL). O mapa
da figura seguinte mostra a localização geográfica das
Figura 21 — Mapa da rede de Metropolitano do Porto. Fonte: Metro infraestruturas da RNTIAT (RNTGN, TGNL e AS) em
do Porto, S. A. Portugal Continental.
Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017 3207
— 2 Estações de transferência de custódia (CTS — Cus-
tody Transfer Station), destinadas à medição e à transfe-
rência de custódia com a rede interligada de Espanha.
Na Tabela seguinte apresentam-se as principais carac-
terísticas da RNTGN, verificadas no final de 2014.
TABELA 5
Principais características da RNTGN.
Fonte: REN-PDIRGN 2015
TABELA 6
Capacidades associadas aos pontos relevantes
da RNTGN. Fonte: REN-PDIRGN 2015
Figura 22 — Rede Nacional de Transporte de Gás Natural. Fonte: REN.
A RNTGN, operada pela REN Gasodutos, S. A., é a
infraestrutura utilizada para efetuar a receção, o transporte
e a entrega de gás natural em alta pressão, desde os pontos
de entrada até aos pontos de saída. Para o desempenho
destas atividades, fazem parte da RNTGN os seguintes
equipamentos principais:
— 1375 km de gasoduto principal e ramais de alta pres- O Gás Natural consumido em Portugal tem proveniên-
são com diâmetros compreendidos entre 150 a 800 mm, cia em países terceiros, sendo uma parcela recebida através
destinados ao transporte de gás natural; de gasoduto de alta pressão e outra por via marítima, sob
— 85 Estações de regulação e medição de gás nos pon- a forma de GNL.
tos de entrega (GRMS — Gas Regulation and Metering O sistema nacional é abastecido maioritariamente atra-
Station), que se destinam à regulação da pressão e poste- vés das interligações com Espanha, Campo Maior e Va-
rior medição do gás natural fornecido às redes de distri- lença do Minho, com 67 % do total, por gás proveniente da
buição e aos clientes em alta pressão; Argélia, enquanto os restantes 33 %, através do Terminal
— 66 Estações de junção para derivação (JCT — Junc- de GNL de Sines, com origens diversas, nomeadamente
tion Station), que se destinam ao seccionamento do ga- Nigéria, Qatar e Trinidad e Tobago.
soduto principal de transporte e/ou do respetivo ramal O gás natural é armazenado em alta pressão na sua
de derivação; forma gasosa em cavidades criadas no interior de um
— 44 Estações de válvula de seccionamento maciço salino, a profundidades superiores a mil metros
(BV — Block Valve Station), destinadas ao secciona- em instalações de armazenamento subterrâneo, localizadas
mento do gasoduto principal de transporte; na freguesia do Carriço, concelho de Pombal. O armaze-
— 3 Estações de interligação em T (ICJCT — T Inter- namento subterrâneo do Carriço é constituído por seis
connection Station), que se destinam à derivação em T do cavidades em operação, com uma capacidade total de ar-
gasoduto principal de transporte, permitindo o secciona- mazenamento de 3.839 GWh (322,6 Mm3), que recorrem
mento apenas do respetivo ramal associado; à mesma estação de gás de superfície, que permite a mo-
3208 Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017
vimentação bidirecional de fluxo, sendo a capacidade de No que se refere ao consumo de energia final, o gás
injeção de 23,8 GWh/dia (equivalente a 83.350 m3(n)/h) natural representou cerca de 10,5 % do consumo total
e a capacidade de extração de 85,7 GWh/dia (equivalente em 2015, tendo sido consumidos cerca de 1.618 ktep,
a 300.000 m3(n)/h). maioritariamente, pelo setor da Indústria, em particular
Por outro lado, o GNL que chega por via marítima é na área do Vidro e Cerâmicas.
rececionado no Terminal de GNL de Sines, localizado
na zona industrial do porto de Sines. Este, depois de des- 13,9% 0,3%
carregado dos navios metaneiros, é armazenado em três
tanques de GNL onde é mantido a uma temperatura de
-160oC e a uma pressão ligeiramente superior à pressão 16,3%
atmosférica, ficando a aguardar ordem do proprietário para
iniciar o processo de regaseificação, findo o qual o gás é
comprimido e injetado na rede de alta pressão no ponto
0,8%
de entrega do terminal.
O Terminal de GNL compreende assim as instalações 68,8%
portuárias de receção e descarga de navios metaneiros, com
a capacidade para a receção de 59 navios metaneiros por ano
com volumes entre 40.000 e 216.000 m3 de GNL, os tanques Agricultura e Pescas Indústria Transportes Doméstico Serviços
de armazenagem de GNL (dois tanques de 120.000 m3 e
um tanque de 150.000 m3), as instalações de regaseificação Figura 24 — Consumo final de Gás Natural em 2015, por setor de
de GNL e de despacho de gás natural para o gasoduto que atividade. Fonte DGEG.
liga o Terminal de GNL de Sines à rede de transporte de
gás natural. O terminal permite ainda o carregamento de Existem três grandes grupos de consumidores de gás
camiões cisterna de GNL, possibilitando o abastecimento às natural em Portugal, nomeadamente, os centros eletro-
unidades autónomas de regaseificação (UAG) situadas em produtores de ciclo combinado, os grandes consumidores
zonas de Portugal não abrangidas pela rede de gás natural industriais e os consumidores de menor dimensão, onde se
de alta pressão, dispondo para esse fim de três baías de en- encontra inserido o setor doméstico. O perfil de consumos
chimento com uma capacidade total de 195 m3/h de GNL. de gás natural tem vindo a sofrer alterações ao longo dos
Para o processo de regaseificação, o terminal conta com últimos anos, com uma diminuição do consumo por parte
sete vaporizadores atmosféricos com uma capacidade uni- dos centros eletroprodutores, devido à produção cada
tária de 64,3 GWh/dia (equivalente a 225.000 m3(n)/h), vez mais significativa de eletricidade a partir de fontes
onde ocorre a vaporização de GNL com recurso à per-
muta térmica do gás com água do mar. A capacidade renováveis, e a um aumento dos consumos registados nos
de emissão nominal é de 321,3 GWh/dia (equivalente a outros dois setores.
1.125.000 m3(n)/h), com uma capacidade de ponta horária Não obstante, a procura de gás natural pelas centrais
de 1.350.000 m3(n)/h. A exploração do terminal é da respon- elétricas está sujeita a variações, sendo influenciada pela
sabilidade da REN ATLÂNTICO, Terminal de GNL, S. A. imprevisibilidade do regime hidrológico e consequente
A introdução deste combustível em Portugal veio apre- variação da produção de energia elétrica com recurso a
sentar um contributo importante na diversificação do mix fontes renováveis. Em 2015, cerca de 22 % do consumo
energético e na segurança de abastecimento, potenciando a de gás natural em Portugal teve como destino as centrais
redução da dependência energética do petróleo. Desde 1997, elétricas.
o contributo de gás natural no consumo total de energia Atendendo ao consumo nacional de gás natural, a
primária tem, no geral, vindo a crescer, representando, em capacidade instalada do SNGN está subaproveitada, o
2015, cerca de 18,6 % no consumo total de energia primária. que leva a custos unitários de rede superiores aos re-
gistados em muitos outros países da UE, estando estes
30.000
a ser suportados sobretudo pelo setor industrial, com
impactos negativos na competitividade destas empresas
25.000
a nível internacional. Assim, o aumento do consumo de
gás natural em outros setores de atividades, como os
20.000
transportes, poderia contribuir para melhorar a susten-
tabilidade do sistema.
15.000 No âmbito do Programa “Connecting Europe Facili-
ty — Energy” (CEF-E), a REN conseguiu financiamento
10.000 da Comissão Europeia (CE) para o projeto da 3.ª interli-
gação Portugal-Espanha de gás natural, que compreende
5.000 os estudos do novo gasoduto de transporte bidirecional
entre Celorico da Beira e a fronteira espanhola, na zona
0 de Vale de Frades.
Com a entrada em operação do gasoduto Celorico da
Carvão Petróleo e Produtos de Petróleo Beira — Vale de Frades, prevê-se o desenvolvimento
Gás natural Resíduos não renováveis(1) de uma 3.ª interligação com Espanha, justificada pelo
Renováveis Saldo Importador de Eletricidade
reforço da segurança do abastecimento e pelo fomento
da competitividade na Europa e pela consolidação do
(1) Inclui Resíduos Industriais e fração não renovável dos Resíduos Sólidos Urbanos.
Mercado Interno de Energia, devendo, no entanto esta
Figura 23 — Evolução do Consumo de Energia Primária (ktep). ser articulada com a concretização das ligações de gás
Fonte: DGEG. entre Espanha e França. Este investimento afigura-se
Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017 3209
importante para a integração dos mercados da Península A possibilidade de utilização do gás natural comprimido
Ibérica, aumento da flexibilidade dos sistemas e ainda (GNC) como combustível em veículos automóveis data de
como contributo para a integração das redes europeias, 2001, com a publicação do Decreto-Lei n.º 298/2001, de
criando condições para acelerar o reforço da capacidade 21 de novembro, tendo o Decreto-Lei n.º 137/2006, de 26
de transporte de gás disponível entre a Península Ibérica de julho, estabelecido as condições em que o gás natural
e França. A decisão final de investimento deste projeto comprimido (GNC) seria admitido como combustível para
deve ser totalmente articulada com o desenvolvimento utilização nos automóveis.
do projeto Midcat, atualmente designado de STEP (re- Já o regulamento para a atribuição de licenças para
lativo à construção de uma nova interligação entre Es- a Exploração de postos de enchimento de gás natural
panha e França na zona leste dos Pirenéus), devendo carburante foi aprovado pela Portaria n.º 468/2002, de
ambos os projetos ser considerados como mutuamente 24 de abril, entretanto revogada com a publicação da
dependentes. Portaria n.º 366/2013, de 23 de dezembro. Esta portaria
A Península Ibérica tem uma localização geográfica veio definir o novo procedimento de atribuição de licen-
estratégica e infraestruturas chave no gás natural, ças para a exploração de postos de enchimento de gás
com 8 terminais de GNL, que a podem posicionar natural veicular (GNV), em regime de serviço público ou
como líder europeu no setor do GNL. Um aumento privativo, nas modalidades de GNC e GNL, bem como
das capacidades de armazenamento subterrâneo e o determinar a regulamentação de segurança aplicável ao
reforço das interligações entre Portugal e Espanha, projeto, construção, exploração e manutenção de postos
constituem-se como um passo estratégico para ex- de enchimento de GNL.
plorar o potencial da Península Ibérica como porta de A Lei n.º 13/2013, de 31 de janeiro, veio consagrar
entrada de gás natural para a Europa, tirando proveito o quadro legal para a utilização de gases de petróleo li-
dos seus terminais de GNL e da sua proximidade a quefeito (GPL) e de gás natural comprimido e liquefeito
África e, consequentemente, dos países produtores (GNC e GNL) como combustível em veículos e proceder
de gás natural. à revogação Decreto-Lei n.º 137/2006, tendo a Portaria
n.º 207-A/2013, de 25 de junho, aprovado o Regulamento
de Utilização, Identificação e Instalação de GPL e GNC
2.1 — TRANSPORTE RODOVIÁRIO
e GNL em veículos.
2.1.1 — Mobilidade a Gás Natural em Portugal O regime jurídico de acesso e exercício de diver-
sas atividades de comércio, serviços e restauração
A mobilidade a gás natural pode desempenhar um pa- (RJACSR), aprovado com a publicação do Decreto-
pel importante na diversificação das fontes energéticas -Lei n.º 10/2015, de 16 de janeiro, incluiu, nomeada-
utilizadas nos transportes, surgindo como uma política mente, as condições para a formação profissional e
complementar da mobilidade elétrica. certificação de mecânicos e técnicos de auto/gás, bem
A utilização de gás natural veicular, GNC ou GNL, para o controlo das oficinas de adaptação e reparação
pode vir a oferecer economias tanto a nível financeiro de veículos que utilizam GPL ou Gás Natural (GNC e
como ambiental. O custo associado ao gás natural é signi- GNL) como combustível.
ficativamente inferior ao custo dos combustíveis conven- Em 2015, foram ainda aprovadas diversas porta-
cionais (gasóleo e gasolina) e, devido às suas caracterís- rias — relativa ao regime jurídico de certificação das
ticas, proporciona uma queima limpa. A nível ambiental, entidades formadoras para ministrarem cursos de forma-
comparativamente com os combustíveis tradicionais, as ção para obtenção do título profissional de mecânicos e
emissões associadas a este combustível alternativo são técnicos de auto/gás (Portaria n.º 124-A/2015, de 5 de
também inferiores. maio), relativa aos modelos de certificado de confor-
Assim, ao longo dos últimos anos, tem vindo a ser midade da adaptação dos veículos à utilização de GPL,
definido em Portugal um quadro legal que visa pro- GNC ou GNL e do correto funcionamento de cada veículo
mover a utilização de gás natural como uma alterna- (Portaria n.º 116-A/2015, de 29 de abril) e relativa aos
tiva aos combustíveis convencionais para o setor dos modelos de vinhetas/dísticos identificadores, bem como
transportes. à anotação da conformidade da instalação no certificado
Na sequência de uma revisão do Decreto-Lei de matrícula, dos veículos que utilizam GPL, GNC ou
n.º 374/89, de 25 de outubro, e posteriores alterações, GNL como combustível (Portaria n.º 196-B/2015, de 2
onde se encontravam previstas novas formas de exer- de julho).
cício de atividades do gás natural, tornou-se necessário Por outro lado, recentemente foi publicada a Resolução
proceder à alteração do Decreto-Lei n.º 232/90, de 16 de da Assembleia da República n.º 240/2016, com recomen-
julho, que estabeleceu os princípios a que deve obedecer dações ao Governo para a implementação de medidas
o projeto, a construção, a exploração e a manutenção do que visam a diminuição dos custos com os combustíveis,
sistema de abastecimento dos gases combustíveis canali- incluindo a promoção das redes de combustíveis alterna-
zados. O Decreto-Lei n.º 7/2000, de 3 de fevereiro, veio tivos, nomeadamente:
introduzir alterações àquele último diploma, passando os
postos de enchimento de gás natural veicular a integrar • A instalação de uma rede nacional de GNC, garan-
os sistemas de abastecimento dos gases combustíveis tindo, no mínimo, um posto de abastecimento público
canalizados. O regulamento das condições a que deve por distrito;
obedecer o projeto, a construção, a exploração e a manu- • A adequação da atual legislação respeitante a veí-
tenção dos postos de enchimento de gás natural veicular culos alimentados a GNC, com vista a facilitar o seu
foi objeto de aprovação pela Portaria n.º 1270/2001, de licenciamento, circulação e estacionamento, no quadro
8 de novembro. das necessárias normas de segurança;
3210 Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017
• A criação de condições para o uso do GNL, em trans-
portes rodoviários pesados de passageiros e de merca-
dorias.
Apesar da tendência crescente que, no geral, se tem
vindo a observar ao longo dos últimos anos de utilização
de GN nos transportes, o consumo deste combustível
alternativo tem ainda pouca expressão neste setor, tendo-
-se registado um consumo de apenas 13 ktep em 2015
(representativo de cerca de 0,8 % do consumo final de
energia de gás natural).
14
12
10
8
6
4
2
0
2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015
Figura 25 — Evolução do Consumo de Gás Natural nos Transportes
(ktep). Fonte: DGEG.
Este ligeiro aumento no consumo de gás natural que, no
geral, se tem vindo a verificar deve-se sobretudo a evolu-
ções tecnológicos recentes, em particular para transporte
rodoviário, tendo surgido novas soluções para veículos Figura 26 — Mapa com a localização dos postos de abastecimento
de GNL e GNC. Fonte: DGEG.
de passageiros e mercadorias a GNV. Ao nível de veí-
culos pesados a GNL, existem já disponíveis soluções Os atuais postos de abastecimento de GNC são abaste-
comerciais com potência superior a 400 cv, as quais, num cidos através da Rede de Gás Natural da Concessionária
contexto de logística de transporte internacional, poderão ou através de UAG. No caso dos postos de abastecimento
facilitar a adoção deste combustível alternativo. No âmbito a GNL, estes são abastecidos diretamente por camião
do transporte marítimo, têm vindo também a aparecer cisterna, não dispondo ainda de soluções que possibili-
embarcações que utilizam gás natural, como barcaças, tem a liquefação do gás natural no local, atendendo aos
barcos turísticos e inclusive navios metaneiros que fazem avultados custos associados.
o transporte de GNL.
2.1.3 — Veículos a Gás Natural
2.1.2 — Infraestrutura de Abastecimento Estima-se que no final de 2015 encontravam-se em
circulação cerca de 618 veículos com motores GNC, a
A infraestrutura de abastecimento de gás natural vei- maioria dos quais autocarros de transporte urbano de pas-
cular em Portugal encontra-se ainda em desenvolvimento. sageiros. A este número acresce ainda cerca de 138 motos
No final de 2015, encontravam-se disponíveis ao público (incluindo ciclomotores, motociclos, triciclos e quadri-
6 postos de abastecimento de GNC, dos quais 4 permitem ciclos).
igualmente o abastecimento de GNL. TABELA 7
Para além destes postos de abastecimento públicos,
Número de veículos a gás natural em circulação no final
existem ainda 7 postos de abastecimento privados, loca- de 2015. Fonte: IMT/Produção própria
lizados nas instalações de empresas detentoras de frotas Número de
com viaturas a gás natural. À exceção do posto de abaste- Veículos a combustível
Veículos Obs.
cimento da empresa Sonorgás, S. A., localizado no distrito alternativo
2015
de Vila Real, que dispõe de abastecimento de GNC e Carros GNC 17 Veículos ligeiros de passageiros
GNL, os restantes postos privativos de abastecimento são Carros híbridos GNC 97 Veículos ligeiros de passageiros
exclusivos para GNC. Note-se que alguns dos referidos
Veículos comerciais ligeiros
postos privados possibilitam o acesso a particulares para GNC
8
o abastecimento das suas viaturas. Veículos comerciais ligeiros
Para além da infraestrutura de abastecimento de híbridos GNC
29
GNV existente em 2015, está prevista a entrada em Veículos pesados de
funcionamento de 2 novos postos públicos de abaste- Veículos pesados GNC 106
mercadorias
cimento combinado GNC+GNL, encontrando-se um já Veículos pesados híbridos Veículos pesados de
em construção e outro a aguardar emissão de licença GNC
3
mercadorias
de exploração.
Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017 3211
Veículos a combustível
Número de Portugal 2020 prevê a disponibilização de fundos para a
alternativo
Veículos Obs. promoção do uso do gás natural nos transportes.
2015 A nível Europeu, o Projeto Europeu denominado de
Autocarros GNC 357
Veículos pesados de LNG Blue Corridors, visa estabelecer o GNL como uma
passageiros
alternativa viável para o transporte de média e longa dis-
Autocarros híbridos GNC 1
Veículos pesados de tância, definindo um roteiro de postos de abastecimento
passageiros
deste combustível ao longo de quatro corredores. Este
Motos GNC 5
Inclui Ciclomotor, motociclo,
Triciclo e quadriciclo
projeto, com um fundo de quase 8 M€, conta com a par-
ticipação de 27 de Empresas, de 11 países, incluindo Por-
Inclui Ciclomotor, motociclo,
Motos híbridas GNC 133
Triciclo e quadriciclo
tugal. O Projeto visa a construção de 14 novas estações de
Veículos comerciais ligeiros
abastecimento GNL ou GNC-GNL e 100 veículos pesados
GNL
0 movidos a GNL.
Veículos pesados de
Veículos pesados GNL 0
mercadorias
Veículos pesados de
Autocarros GNL 0
passageiros
O d á l l d d b d d
O consumo de gás natural pelo setor dos transportes
deve-se sobretudo a empresas de transporte urbano de
passageiros, especialmente nas áreas metropolitanas de
Lisboa e do Porto.
Até à data, nove empresas de transporte de mercadorias
receberam incentivos para aquisição de veículos movidos
a GNL para as suas frotas de pesados, no quadro do Projeto
Europeu LNG Blue Corridors.
2.1.4 — Incentivos e Financiamento
O gás natural afigura-se como uma solução a curto e
médio prazo para assistir na redução das emissões de GEE
e outros poluentes atmosféricos associados ao setor dos
transportes, bem como minimizar os custos e a dependên-
cia das importações de petróleo, através da diversificação
dos recursos energéticos e dos mercados de origem. Assim,
estão previstas diversas medidas de incentivo à utilização
deste combustível alternativo. Figura 27 — Principais rotas do Projeto “LNG Blue Corridor”.
A lei da reforma da «Fiscalidade Verde» prevê diversos
incentivos fiscais à aquisição e utilização de veículos a Como parceiros portugueses envolvidos neste pro-
gás natural nomeadamente: jeto encontram-se as empresas Dourogás, S. A. e a Galp
— Atribuição de incentivos fiscais para a aquisição de Energia, S. A. que obtiveram financiamento para a cons-
veículos a gás natural veicular (GNC), através de novos trução dos postos de abastecimento do Carregado (Gol-
montantes elegíveis para gasto fiscal e tributação autó- denergy/Dourogás), Elvas (Goldenergy/Dourogás), Ma-
noma de IRS e IRC; tosinhos (Galp Energia), e Sines (Galp Energia — em
— Possibilidade de dedução de 50 % do IVA suportado licenciamento). Como já mencionado, este projeto cofi-
em despesas relativas à aquisição, fabrico ou importação, nanciou também a aquisição de veículos movidos a GNL
à locação e à transformação em viaturas movidas a GNC a alguns operadores nacionais de transporte rodoviários
ou GNL, quando consideradas viaturas de turismo, cujo de mercadorias.
custo de aquisição não exceda o definido na portaria a
que se refere a alínea e) do n.º 1 do artigo 34.º do Código ± Estudo de Mercado para o GNL em Portugal
do IRC; Com o objetivo de assistir na definição de um quadro
— Possibilidade de deduções dos gastos suportados político nacional no setor dos transportes rodoviários para
com a aquisição, em território português, de gás natural
acelerar a adoção do GNL, como combustível alternativo,
para abastecimento de veículos de transporte rodoviário
de passageiros e de mercadorias; para o transporte de mercadorias, foi desenvolvido o pro-
— Fixação de novos montantes acima dos quais são jeto LNG_PT- Aceleração da Implantação de um Sistema
aceites como gastos as depreciações das viaturas ligeiras europeu de transportes hipocarbónico: Roteiro português
de passageiros ou mistas para veículos movidos a gás para o GNL nos corredores da RTE-T.
natural. O estudo de mercado para o GNL em Portugal foi
coordenado pela ADENE — Agência para a Energia em
2.1.5 — Investigação e desenvolvimento
parceria com o Instituto Superior Técnico — Universidade
Para além dos benefícios fiscais contemplados na lei da de Lisboa (IST-UL), com o apoio da Innovation and Ne-
«Fiscalidade Verde», identificam-se programas para finan- twork Executive Agency (INEA) da Comissão Europeia
ciar a implementação de medidas no âmbito da mobilidade e financiado pelas Redes Transeuropeias de Transportes
a gás natural. O quadro de apoio comunitário 2014-2020/ (RTE-T).
3212 Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017
No entanto, a adoção da tecnologia GNL pode levar a
um acréscimo até 54 % nos custos mensais com o veículo
(custo de aquisição/leasing), apesar da diminuição de
cerca de 36 % nos custos mensais com combustíveis. Os
operadores entrevistados no âmbito deste projeto referiram
um aumento médio de cerca de 20 % no custo de aquisição
de veículos a GNL.
Note-se, no entanto, que algumas das barreiras iden-
tificadas no referido estudo de mercado para o GNL em
Portugal, coordenado pela ADENE, começam a ser ultra-
passadas. Por exemplo, no que respeita à autonomia dos
veículos pesados, existem hoje em dia já soluções para
veículos pesados de 40 toneladas que permitem atingir
autonomias superiores a 1.000/1.200 km, nomeadamente
viaturas equipados com um tanque de GNL e um reser-
vatório suplementar de GNC ou com dois tanques crio-
Este projeto surge da necessidade da promoção de uma génicos de GNL.
matriz nacional de consumo de energia mais sustentável,
em particular no transporte rodoviário de mercadorias 2.2 — TRANSPORTE MARÍTIMO
de longo curso, tendo sido identificas no âmbito deste
estudo 6 possíveis barreiras para uma implementação O GNL apresenta-se como uma das alternativas mais
com sucesso do GNL: viáveis, nas perspetivas económica, ambiental e técnica,
como substituto dos combustíveis fósseis tradicionais
1) Custo elevado de aquisição do veículo: Custo inicial utilizados no setor marítimo ou como alternativa com-
de aquisição do veículo elevado comparativamente com plementar, numa ótica de diversificação das fontes de
o veículo a gasóleo, em média, 7 % superior. No que se abastecimento de combustíveis, afigurando-se com uma
refere ao custo associado ao retrofitting, foi estimado entre opção economicamente competitiva, de elevada eficiên-
8.000 € e 18.000 € para a aplicação do GNC, e para as cia e mais limpa no que se refere à emissão de alguns
alterações para GNL no mínimo da ordem dos 8.500 €, poluentes.
incluindo custos com a homologação do sistema. A utilização do GNL é compatível com as disposições
2) Redução da capacidade de armazenagem de com- e regras ambientais, da UE e da Organização Marítima
bustível da viatura: Autonomia limitada, cerca de 730- Internacional (OMI), no que respeita à diminuição de
-750 km. poluição atmosférica proveniente do transporte marítimo,
3) Preocupações relacionadas com a segurança e con- permitindo, comparativamente com os combustíveis tradi-
fiança do veículo: Limitações ao peso da carga transpor- cionais utilizados neste setor, uma redução praticamente
tada e falta de potência e binário destes veículos (compa- a zero das emissões de óxidos enxofre e uma diminuição
rativamente com os veículos a gasóleo), impedindo-os de significativa de outros gases poluentes como óxidos de
operarem em trajetos com inclinações mais acentuadas. azoto e partículas.
Número limitado de técnicos qualificados para manuten- Assim, este combustível alternativo constitui uma solu-
ção e reparação de veículos. ção viável para o cumprimento das disposições ambientais
4) Custo de abastecimento incerto: Para transporte de europeias estabelecidas em 2014, que não permitem, a
mercadorias a longa distância foi estimada uma redução partir de 2020, a utilização de combustíveis navais, com
de 7 % no preço €/km comparativamente ao gasóleo. teor de enxofre superior a 0,5 % nos mares territoriais e
5) Número limitado de postos de abastecimento: Atual zonas económicas exclusivas europeias, (fora das Zonas
número de postos de abastecimento com GNL inferior ao de Controlo de emissões de SOX, ou dos portos europeus),
pretendido e em localizações não totalmente enquadradas podendo dar igualmente resposta à decisão recentemente
com os trajetos efetuados, limitando a operacionalidade aprovada pela OMI na última reunião do Comité para a
dos veículos. Proteção do Ambiente Marinho (MEPC 70), no âmbito
6) Competitividade reduzida dos veículos: Oferta li- do anexo VI da Convenção Internacional para a Preven-
mitada de veículos. ção da Poluição por Navios (MARPOL). Esta decisão,
tomada em outubro de 2016, veio alinhar esta limitação
Não obstante as barreiras identificadas, este estudo com a estabelecida a nível europeu, em 2014, antecipando
concluiu que o GNL como combustível para veículos o calendário, dado que a IMO só previa analisar este
pesados de transporte de mercadorias de longo curso se assunto em 2018.
apresenta como uma solução viável no curto e médio Por outro lado, a utilização de GNL como combustível
prazo, sendo considerado uma opção ambientalmente alternativo carece da realização de estudos que permitam
vantajosa que permite melhorar a emissão de GEE e obter aprofundar um conjunto de questões relacionadas com os
uma redução da emissão de poluentes locais (NOx, PM navios propriamente ditos, com a sua conceção ou com a
e CO), apesar do aumento significativo das emissões de sua reconversão (alterações em termos de motores, con-
hidrocarbonetos (HC). versão para combustível GNL ou duplo combustível) com
No que se refere de custo associado ao GNL, foi iden- a armazenagem de GNL a bordo e em terra, bem como
tificado como sendo expectável uma redução em cerca de aspetos de logística (segurança de aprovisionamento, ter-
24 % entre os anos de 2010 e 2030, em particular devido a minais de receção e rede de distribuição), possibilidades de
uma redução de 67 % nos custos de transporte e de 14 % financiamento e requisitos regulamentares associados, não
nos custos de liquefação. existindo ainda em Portugal nenhum Porto apetrechado
Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017 3213
com a infraestrutura necessária para o abastecimento a Para esse efeito, descrevendo a situação atual e estabe-
navios deste combustível alternativo. lecendo cenários de referência para os anos 2020 e 2030,
foram estudadas e definidas as necessidades e métodos
± Projeto COSTA de abastecimento de GNL em portos nacionais, tendo
em atenção diferentes critérios de viabilidade técnica,
No que se refere à utilização de GNL no transporte económica e social para o fornecimento de GNL a navios
marítimo, Portugal participou no projeto “COSTA- CO2 na zona dos corredores Mediterrânico, Atlântico e Mar
& Ship Transport Emissions Abatement by LNG” Deci- Negro. Foram igualmente avaliadas as necessidades de
são da COM (2012)7017 final, de 08.10.2012 — apoiado fornecimento, tendo em consideração a sua logística e
pela Rede Transeuropeia de Transportes, RTE-T, no especificidades, identificados planos de ação e definidos
domínio das Autoestradas do Mar, MoS, da Comissão detalhes da sua execução, bem como os investimentos
Europeia. necessários para permitir a utilização de GNL como com-
Este projeto, financiado pelo CEF e que contava com bustível para a navegação a partir de 2020.
Portugal, Espanha, Itália e Grécia como parceiros tinha Portugal teria os Portos da Madeira e Portos dos Aço-
como objetivo desenvolver um plano estratégico para o res como entidades executoras e uma cooperação muito
GNL como combustível para o transporte marítimo de relevante com os três portos integrados na rede CORE,
curta distância (Short Sea Shipping/Transporte Marítimo nomeadamente, Leixões, Lisboa e Sines.
de Curta Distância — TMCD) entre o Mar Mediterrâneo,
a fachada norte Atlântica e o Mar Negro, bem como a
navegação em mar alto no Atlântico Norte para a Região
Autónoma dos Açores (RAA) e para a Região Autónoma
da Madeira (RAM), com vista a implementar as Auto-
estradas do Mar. Para tal, seria fundamental assegurar a
criação de uma infraestrutura estratégica de abastecimento
de GNL aos navios, podendo este combustível ser igual-
mente utilizado em algumas atividades desenvolvidas nos
portos, ao longo da rede de corredores marítimos — Core
Network Corridors (CORE Mediterrânico, Atlântico e
Mar Negro).
Este projeto visava ainda a promoção do Short Sea
Shipping, (SSS)/Transporte Marítimo de Curta Distância
(TMCD) e, sobretudo, a redução das emissões de dió-
xido de carbono, os óxidos de enxofre e óxidos de azoto,
respeitando as disposições da UE e em sintonia com as Figura 29 — Infraestrutura proposta face à estimativa da procura
da Convenção MARPOL da OMI, designadamente, na de GNL. Fonte: Projeto COSTA.
limitação da percentagem de enxofre nos combustíveis Apesar de não se encontrar inserido na corrente zona
para uso marítimo numa perspectiva de melhoria da qua- ECA (Emission Control Area), Portugal está inserido na
lidade do ar nos corredores Mediterrânico, Atlântico e rede RTE -T e, em 2020, será indubitavelmente influen-
Mar Negro. ciado pelo limite global de 0,5 % de enxofre. Assim, a
criação de infraestruturas que permitam o abastecimento
de GNL nos principais portos nacionais afigura-se como
fundamental. Mais, tendo em atenção a localização dos
três portos Portugueses da rede CORE (Leixões, Lisboa
e Sines), dos Açores e da Madeira, os portos poderiam
beneficiar com uma estreita colaboração para criar uma
rede de infraestrutura completa para o GNL.
± Projeto GAIN4MOS
Inserido no âmbito das Autoestradas do Mar (Mo-
torways of the Sea — MoS), da Comissão Europeia, o
projeto COSTA evoluiu para o projeto GAIN4MOS (“Sus-
tainable LNG Operations for Ports and Shipping — In-
novative Pilot Actions”), igualmente cofinanciado pelo
Programa CEF, no qual Portugal participa com a França,
Itália, Espanha, Eslovénia e Croácia.
Este projeto, com um orçamento total previsto superior
a 40 M €, dos quais até 20 M € a financiar por fundos
europeus, visa contribuir para a implementação de uma
infraestrutura de abastecimento de GNL no Atlântico e
Mediterrâneo, incluindo, no âmbito do cumprimento da
Diretiva n.º 2014/94/UE, do Parlamento Europeu e do
Conselho, de 22 de outubro de 2014, a instalação de uma
Figura 28 — Corredores marítimos da Rede Transeuropeia de Trans- infraestrutura piloto para o abastecimento de GNL nos
portes: TEN — T Core Network Corridors. portos da rede CORE de Koper, La Spezia e Veneza e de
3214 Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017
estações de abastecimento de GNL totalmente operacio- O projeto, voltado para os setores da energia e dos
nais nos portos Fos-Marselha e Nantes-Saint Nazaire. transportes, assenta em 4 atividades essenciais (Gestão,
O projeto visa igualmente comprovar as possibilidades Estudos, Estudos Piloto e Impactes/Resultados), envolve
de retrofitting de navios, disponibilizando tecnologias as vertentes administrativas, de formação, técnica, finan-
testadas para esse efeito e também apoiar a construção de ceira e análise de constrangimentos (técnicos, logísticos,
uma frota para navegação a curta distância no Atlântico sociais, ambientais, financeiros e regulamentares).
e Mediterrâneo. A REN Gasodutos é a única entidade portuguesa das
A coordenação deste projeto pertence à Fundação Va- 42 que fazem parte do consórcio, sendo os restantes par-
lenciaport, sendo o Porto de Setúbal, em representação da ceiros várias entidades públicas e privadas de Espanha.
Associação dos Portos de Portugal (APP), o coordenador A execução do Projeto “CORE LNGas hive”, liderada
nacional deste projeto europeu. pelos Puertos del Estado e coordenada pela Enagás, deverá
No âmbito deste projeto, Portugal candidatou-se ini- decorrer até 2020, estando previsto um investimento total
cialmente a 3 projetos-piloto para “retrofitting” de navios: que deverá ascender aos 33 M € e uma comparticipação
de 16,4 M€.
1) “LNG in the Port of Leixões Fleet”: APDL — Ad- A REN é a coordenadora do estudo técnico para o
ministração dos Portos do Douro e Leixões, S. A., e com Corredor Atlântico (ET3 — Study on LNG demand and
um orçamento de 2,72 M €; supply chain analysis for the Roll out — ATL corridor),
2) “PLIM — Projeto Logístico Intermodal da Ma- que fará a avaliação da utilização e evolução da procura
deira Action SHIPS&LOG”: APRAM — Administra- de infraestruturas e da cadeia logística de GNL nesse cor-
ção dos Portos da Região Autónoma da Madeira, S. A., redor, em Espanha e Portugal e o IMT, I. P. é a entidade
com o Grupo Sousa como parceiro e um orçamento de institucional nacional que irá acompanhar a congénere
1,570 M €; espanhola Puertos del Estado. Os custos da realização do
3) “Deep Blue Atlantic Retrofitting”: Portos dos Aço- estudo estão estimados em 600 mil euros, sendo conside-
res, S. A., com a Mutualista Açoriana, S. A., como parceiro rados como elegíveis para financiamento comunitário.
e um orçamento de 4,5 M €. Entre os principais objetivos deste estudo coordenado
pela REN, encontram-se os seguintes:
No entanto, estes projetos estão a ser reformulados,
aguardando decisão da INEA — Innovation and Networks — Evolução da procura de GNL para utilização nos
Executive Agency. transportes marítimos e nas diversas operações portuá-
rias, contribuindo para a despoluição dos corredores do
± Projeto Core LNGas hive Mediterrâneo e do Atlântico;
— Requisitos para o desenvolvimento de Hubs para o
O Core LNGas Hive é um projeto cofinanciado pela abastecimento de GNL;
UE no âmbito do Programa CEF — Transport Calls for — Desenvolvimento de uma cadeia logística para for-
Proposals 2014 e que se insere no desenvolvimento das necimento de GNL;
infraestruturas nos Corredores prioritários do Atlântico — Adaptações necessárias a efetuar nos atuais Termi-
e do Mediterrâneo no âmbito da Rede Transeuropeia de nais de GNL existentes na Península Ibérica;
Transportes. O Projeto — Decisão da COM C (2015) 7358 — Modelos industriais para a implementação de infraes-
final, de 30.10.2015 — visa, em particular, o fomento da truturas que permitam o fornecimento de GNL tendo em
utilização de GNL na Península Ibérica, principalmente atenção as diferentes condições portuárias existentes.
no setor marítimo, apoiando o desenvolvimento de uma
cadeia logística e de infraestruturas de abastecimento de 3 — GASES DE PETRÓLEO LIQUEFEITO (GPL)
GNL para transporte marítimo e operações em portos nas
Os “gases de petróleo liquefeito” (GPL) são uma mis-
secções Portuguesa e Espanhola dos respetivos corredores tura de hidrocarbonetos leves que resultam do processo de
(CNC-7 Atlântico e CNC3 Mediterrânico), até 2025, per- refinação do petróleo, sendo os mais conhecidos o propano
mitindo potenciar a sua utilização e projeção geográfica. (C3H8), o butano (C4H10) ou uma mistura destes. Estes
hidrocarbonetos podem também ser extraídos nos campos
de exploração de petróleo e de gás natural e embora, à tem-
peratura e pressão ambiente, o GPL se encontre no estado
gasoso, este é facilmente convertido para a sua fase líquida
quando submetido a um moderado aumento de pressão, à
temperatura ambiente ou a uma diminuição da temperatura,
à pressão atmosférica. Desta liquefação resulta uma signi-
ficativa redução de volume o que o torna num combustível
versátil, de fácil armazenagem, transporte e distribuição.
A armazenagem deste combustível pode ser realizada
em reservatórios sob pressão, reservatórios criogénicos ou
em cavidades subterrâneas e a sua distribuição efetuada
em garrafas, veículos — cisterna (granel) e através de
uma rede de distribuição de gás (canalizado).
Deste modo, o GPL pode ser utilizado em vários setores
de atividade, como no setor doméstico, constituindo-se
como uma das principais fontes de energia calorífica uti-
Figura 30 — Portos abrangidos pelo projeto “Core LNGas hive” lizada nas habitações (com praticamente 25.000 pontos
pelo projeto. Fonte: “CORE LNGas hive”. de venda em distribuição em território nacional), no setor
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industrial (por ex.: agroindústria, indústria transformadora, veículos ligeiros de passageiros, que contam como uma
metalurgia, vidro, cerâmica, indústria têxtil) ou como rede de 347 postos de abastecimento distribuídos pelo
carburante para veículos. território Continental, dos quais 69 localizados nas prin-
cipais autoestradas.
3.1 — TRANSPORTE RODOVIÁRIO
3.1.1 — Mobilidade a GPL em Portugal
O GPL pode ser vaporizado e queimado num motor
de ignição, como o de um automóvel a gasolina, sendo
fornecido na sua forma liquefeita ao motor, com recurso
um sistema eletrónico de alimentação que adequa instanta-
neamente o caudal em função das necessidades do motor.
O GPL Auto é, portanto, um combustível para motores
de combustão interna, constituído por uma mistura de gás
Propano e Butano, e cuja combustão, comparativamente
com o gasóleo e gasolinas, permite uma redução nas emis-
sões de GEE de cerca de 10 %, no que se refere às emis-
sões de CO2. No entanto, a principal vantagem ambiental
associada a este combustível alternativo, à semelhança do
que acontece com o gás natural, centra-se nas reduzidas
emissões de partículas e óxidos de azoto (NOx).
A possibilidade de utilização de GPL como carburante
para veículos automóveis ligeiros e pesados remonta ao
princípio dos anos 90, com a publicação do Decreto-Lei
n.º 195/91, de 25 de maio, que definiu o regime de apro-
vação de veículos adaptados à utilização de GPL e com
a publicação das Portarias n.º 982/91 e 983/91, de 26
de setembro, que aprovaram, respetivamente, o estatuto
das entidades competentes para a adaptação dos veículos
automóveis à utilização de GPL e o regulamento relativo
às características técnicas dessas viaturas.
A Portaria n.º 350/96, de 9 de agosto, aprovou um novo o
regulamento relativo às características técnicas dos veículos
automóveis que funcionam a GPL, revogando a Portaria
n.º 983/91 e o Despacho n.º 8197/97, de 14 de setembro,
fixou as especificações do GPL a utilizar nesses veículos.
Posteriormente, o Decreto-Lei n.º 136/2006, de 26 de
julho, veio estabelecer os princípios de utilização de GPL
nos veículos automóveis, incluindo a criação de um dís-
tico identificador, a regulamentar por portaria, bem como
a possibilidade de estacionamento em locais fechados, Figura 31 — Mapa com a localização dos Postos com GPL. Fonte:
desde que com ventilação natural através de aberturas ao DGEG.
nível do teto e do solo, revogando assim o Decreto-Lei
n.º 195/91. Não obstante o consumo de GPL Auto ter representado,
Mais recentemente, a Lei n.º 13/2013, de 31 de janeiro, em 2015, apenas 0,7 % do consumo total de energia no
veio revogar este diploma, estabelecendo o novo regime setor dos transportes, tem-se vindo a verificar, no geral,
jurídico para utilização de GPL e de gás natural como uma tendência de crescimento gradual no consumo deste
combustível veicular (GNV). carburante.
A publicação da Portaria n.º 207-A/2013, de 25 de
junho, representou um passo importante na promoção de 45
uma utilização mais alargada deste carburante, ao concre- 40
tizar os objetivos da Lei n.º 13/2013, definindo as pres- 35
crições técnicas e a identificação a que devem obedecer
30
os veículos a GPL, de modo a permitir o seu estaciona-
mento em parques fechados e abaixo do nível do solo, 25
bem como os novos modelos da vinheta identificadora 20
dos veículos a GPL. O conjunto de Portarias publicadas 15
em 2015, já mencionadas no capítulo referente ao GNV, 10
são igualmente relevantes para o regime aplicável aos
veículos a GPL. 5
-
2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015
3.1.2 — Infraestrutura de Abastecimento e veículos a GPL
Atualmente encontram-se em circulação em Portugal Figura 32 — Evolução do Consumo de GPL nos transportes (Ktep).
mais de 50.000 veículos movidos a GPL, quase todos Fonte: DGEG.
3216 Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017
3.1.3 — Incentivos e Financiamento face à presente realidade tecnológica e ao facto de estes
A lei da reforma da «Fiscalidade Verde» prevê também poderem ser imediatamente utilizados nos veículos que
diversos incentivos fiscais à aquisição e utilização de se encontram em circulação, é expectável que os biocom-
veículos a GPL nomeadamente: bustíveis venham a desempenhar um papel preponderante
no cumprimento dos objetivos assumidos por Portugal em
— Atribuição de incentivos fiscais para a aquisição de matéria de energias renováveis e redução de emissão de
veículos a GPL, através de novos montantes elegíveis para GEE para o setor dos transportes.
gasto fiscal e tributação autónoma de IRS e IRC; Considerando o perfil nacional de consumo de com-
— Possibilidade de dedução de 50 % do IVA suportado bustíveis deste setor, que evidencia a predominância clara
em despesas relativas à aquisição, fabrico ou importação, do gasóleo, e tendo em atenção que o aparelho refinador
à locação e à transformação em viaturas movidas a GPL, nacional produzia, para esse mesmo mercado, um ex-
quando consideradas viaturas de turismo, cujo custo de cesso de gasolina, Portugal fundamentou a sua aposta nos
aquisição não exceda o definido na portaria a que se refere biocombustíveis na produção de substitutos de gasóleo,
a alínea e) do n.º 1 do artigo 34.º do Código do IRC; nomeadamente de biodiesel (FAME).
— Possibilidade de deduções dos gastos suportados O aparecimento da primeira grande unidade industrial
com a aquisição, em território português, de GPL para de produção de biocombustíveis em Portugal data de 2006,
abastecimento de veículos de transporte rodoviário de associada à indústria de alimentação animal. Assim, a in-
passageiros e de mercadorias; dústria nacional de biocombustíveis tem sido caracterizada
— Fixação novos montantes acima dos quais são acei- pela sua sinergia com a indústria de rações para animais,
tes como gastos as depreciações das viaturas ligeiras de aproveitando os excedentes desta como matéria-prima
passageiros ou mistas para veículos movidos a GPL. para a produção de biodiesel.
O Decreto-Lei n.º 62/2006, de 21 de março, transpôs
3.1.4 — Investigação e desenvolvimento para a ordem jurídica nacional a Diretiva 2003/30/CE, do
Parlamento Europeu e do Conselho, de 8 de maio, relativa
Não obstante a atual infraestrutura de abastecimento de
à promoção da utilização de biocombustíveis ou de outros
GPL Auto já se encontrar bem desenvolvida e ajustada às
combustíveis renováveis nos transportes, que fixava metas
necessidades do mercado, está previsto o desenvolvimento
indicativas, em teor energético, para a colocação desses
de um projeto que visa a integração de novas estações combustíveis alternativos em substituição de gasolina e
de abastecimento de GPL em áreas metropolitanas de do gasóleo utilizados nos transportes: 5,75 % até 31 de
Portugal e Espanha. dezembro de 2010.
Prevê-se que este projeto, cofinanciado pela UE no Para esse efeito, este decreto-lei veio contemplar um
âmbito do Programa CEF, decorra entre fevereiro de 2016 conjunto de medidas destinadas a promover a utilização
e dezembro de 2018, tendo como coordenador do lado de destes combustíveis alternativos, nomeadamente:
Portugal a empresa Repsol Gás Portugal, S. A. O prin-
cipal objetivo desta ação é reforçar a infraestrutura de I) Possibilidade de imposição de quotas mínimas de
combustíveis rodoviários alternativos ao longo dos Cor- biocombustíveis a incorporar nos combustíveis de origem
redores Atlântico e Mediterrânico, através da instalação fóssil;
de 69 novos pontos de abastecimento de GPL em postos II) Hipótese de celebração de acordos para a utilização
de abastecimento já existentes na Península Ibérica. de biodiesel em frotas de transportes públicos de passagei-
Considerando-se que este reforço da infraestrutura de ros e de mercadorias, com percentagens de incorporação
GPL será suficiente para suprir as necessidades do mer- de biodiesel nos combustíveis fósseis superior a 10 %;
cado a curto e médio prazo e atendendo à existência de III) Criação da figura de pequeno produtor dedicado,
outras tecnologias alternativas que apresentam vantagens reconhecida a empresas com produção máxima anual
e potencialidades similares ou superiores a nível ambiental de 3.000 toneladas, com origem no aproveitamento de
e com contributo mais interessante para a segurança de matérias residuais ou com recurso a projetos de desenvol-
abastecimento e redução da dependência de petróleo, a vimento tecnológico de produtos menos poluentes.
aposta nacional será mais direcionada para o desenvol-
vimento dessas alternativas, como a eletricidade, e não Assim, as empresas que cumpram cumulativamente
tanto para a expansão da infraestrutura de abastecimento os requisitos enunciados no artigo 7.º do Decreto-Lei
de GPL. n.º 62/2006, com as suas alterações, podem ser reconhe-
Não obstante, a citada Resolução da Assembleia da cidas como Pequenos Produtores Dedicados (PPD):
República n.º 240/2016, recomenda também ao Governo 9 Produção máxima anual de 3.000 toneladas de bio-
medidas que contribuam para o reforço da rede de GPL e combustível ou de outros combustíveis renováveis;
da adequação da atual legislação respeitante a veículos ali- 9 Aproveitamento de matérias residuais (atualmente
mentados a GPL, com vista a facilitar o seu licenciamento, com um mínimo 60 %, Decreto-Lei n.º 117/2020) ou com
circulação e estacionamento, no quadro das necessárias recurso a projetos de desenvolvimento tecnológico de pro-
normas de segurança. dutos menos poluentes, utilizando processos inovadores,
ou em fase de demonstração; e
4 — BIOCOMBUSTÍVEIS
9 Colocação de toda a sua produção em frotas e con-
No âmbito da legislação vigente, são considerados bio- sumidores cativos, devidamente identificados.
combustíveis os combustíveis líquidos ou gasosos, utili-
zados nos transportes e produzidos a partir de biomassa. A promoção dos biocombustíveis por intermédio de
Os biocombustíveis constituem atualmente a solução medidas fiscais foi objeto do Decreto-Lei n.º 66/2006, de
mais acessível e implementável para a introdução de fon- 22 de março, que previa a isenção total (para os peque-
tes de energia renovável nos transportes. Com efeito, nos produtores dedicados) ou parcial do Imposto sobre
Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017 3217
Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP) para estes com- Este diploma veio estabelecer, também, uma obriga-
bustíveis, até uma quantidade máxima fixada anualmente ção de incorporação de 2,5 %, em teor energético, de
e regulamentada por portaria dos membros do governo biocombustíveis substitutos de gasolina, relativamente
responsáveis pelas áreas das finanças, do ambiente, da às quantidades de gasolina colocadas no consumo, para
economia, da agricultura e dos transportes. os anos de 2015 a 2020.
Com a publicação da Portaria n.º 1391-A/2006, de No entanto, a Lei do Orçamento de Estado para 2017
12 de dezembro, foram fixadas as quantidades máximas (Lei n.º 42/2016, de 28 de dezembro) no seu artigo 176.º,
anuais de biocombustíveis passíveis de isenção de ISP, vem derrogar a entrada em vigor da meta de incorporação
nos termos do artigo 71.º -A do Código dos Impostos a prevista para 2017, mantendo-se, para 2017, a meta de
Especiais de Consumo (CIEC), para o ano de 2007, e 7,5 %.
através da Portaria n.º 1554-A/2007, de 7 de dezembro, O cumprimento destas obrigações é comprovado me-
para os anos de 2008, 2009 e 2010. diante a apresentação de títulos de biocombustíveis (TdB),
Contudo, estas medidas implementadas com vista a em que cada TdB representa a incorporação de 1 tonelada
assegurar a competitividade dos biocombustíveis e a in- equivalente de petróleo (Tep) de biocombustíveis sus-
centivar a sua introdução no consumo revelaram-se insu- tentáveis destinados a serem incorporados no consumo
ficientes. Foi então publicado o Decreto-Lei n.º 49/2009, nacional, podendo estes assumir as seguintes formas:
de 26 de fevereiro, que veio fixar quotas de incorporação «TdB -G» (TdB emitido para um biocombustível
obrigatória de biocombustíveis no gasóleo rodoviário e substituto da gasolina);
definir procedimentos aplicáveis à respetiva monitoriza- «TdB -D» (TdB para um biocombustível substituto
ção e controlo. No entanto, o cumprimento das metas de do gasóleo);
incorporação estabelecidas por este diploma, 6 % (v/v) «TdB -O» (TdB para um biocombustível que subs-
para 2009 e 10 % (v/v) para 2010, ficou condicionado à titua outro combustível, diferente da gasolina e do ga-
alteração da norma europeia EN 590 aplicável ao gasóleo sóleo).
rodoviário.
Esta medida, em complementaridade com a obriga- Não obstante, é contemplada uma bonificação para
ção de incorporação de biodiesel no gasóleo colorido e biocombustíveis produzidos a partir de matérias-primas
marcado e com a regulamentação para comercialização classificadas como resíduos ou detritos, material celuló-
de combustíveis com teor em biocombustíveis superior sico não alimentar ou material lenho-celulósico, através
ao constante nas normas vigentes, até 20 % em volume da emissão de 2 TdB por cada tep de biocombustível
(disposições contempladas no Decreto-Lei n.º 89/2008, introduzido no consumo.
de 30 de maio e posteriormente revogadas pelo Decreto- Nesse sentido, compete à Entidade Coordenadora do
-Lei n.º 142/2010, de 31 de dezembro, 1.º alteração àquele Cumprimento dos Critérios de Sustentabilidade (ECS) a
diploma) visava impulsionar o desenvolvimento da fileira responsabilidade pela verificação do cumprimento dos
dos biocombustíveis em Portugal e o cumprimento dos requisitos de sustentabilidade definidos para os biocom-
objetivos nacionais de incorporação deste tipo de com- bustíveis, bem como a emissão dos respetivos TdB.
bustíveis alternativos no consumo. O mesmo diploma legal prevê ainda que os pequenos
Note-se que, mesmo com as isenções parciais de ISP produtores dedicados, que no geral aproveitam matéria
concedidas aos biocombustíveis, o mercado das misturas residual para a produção de biocombustíveis, continuem
ricas não despontou, tendo até à data sido praticamente a beneficiar de isenção de ISP nos termos do CIEC.
inexistente. No entanto, com a publicação da Diretiva (UE)
O Decreto-Lei n.º 117/2010, de 25 de outubro, alte- 2015/1513, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 9
rado pelo Decreto-Lei n.º 6/2012, de 17 de janeiro e pelo de setembro de 2015, que procede à alteração da Diretiva
Decreto-Lei n.º 224/2012, de 16 de outubro, transpõe 98/70/CE, relativa à qualidade da gasolina e do combus-
para a ordem jurídica interna os artigos 17.º a 19.º e os tível para motores a diesel e da Diretiva 2009/28/CE,
anexos III e V da Diretiva n.º 2009/28/CE do Conselho e do relativa à promoção da utilização de energia proveniente
Parlamento Europeu, de 23 de abril de 2009, bem como o de fontes renováveis, o Decreto-Lei n.º 117/2010 terá
n.º 6 do artigo 1.º e o anexo IV da Diretiva 2009/30/CE do de ser revisto de forma a contemplar as novas diretrizes
Parlamento Europeu e do Conselho, de 23 de abril. introduzidas por esta diretiva (Diretiva ILUC — Indirect
Este diploma legal veio definir o mecanismo de apoio Land Use Change).
aos biocombustíveis a vigorar até 2020, estabelecendo A referida diretiva procura limitar a utilização de bio-
critérios de sustentabilidade para a produção e utilização combustíveis convencionais, produzidos a partir de ma-
de biocombustíveis e biolíquidos e objetivos de incorpo- térias-primas agrícolas, e promover o desenvolvimento
ração obrigatória de biocombustíveis para os anos 2011 a e produção de biocombustíveis avançados, produzidos a
2020. Assim, encontram-se definidas para as entidades que partir de resíduos e algas, que permitem um nível elevado
introduzem no consumo combustíveis rodoviários para de redução de emissões de GEE, com um baixo risco de
o setor dos transportes, denominadas “incorporadores”, alterações indiretas do uso do solo e que não estão em
metas obrigatórias, em teor energético, de incorporação concorrência direta com os mercados de alimentos para
de biocombustíveis nos combustíveis que colocam no consumo humano e animal no que diz respeito à utilização
consumo: de terrenos agrícolas.
Os biocombustíveis visam não só contribuir para a
 2011 e 2012 — 5,0 %; redução da dependência dos transportes em relação ao
 2013 e 2014 — 5,5 %; petróleo, como também para «descarbonização» deste
 2015 e 2016 — 7,5 %; setor, encerrando ainda oportunidades ao nível da diver-
 2017 e 2018 — 9,0 %; sificação no consumo de energia primária e reforço na
 2019 e 2020 — 10,0 %. segurança do abastecimento energético. O desenvolvi-
3218 Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017
mento desta fileira pode mesmo contribuir para a criação Por outro lado, os pequenos produtores dedicados de
de emprego nas zonas rurais e para abrir perspetivas de biocombustível introduzem diretamente o seu biocom-
evolução tecnológica. bustível no consumo, vendendo-o a frotas e consumidores
Presentemente encontram-se construídas oito grandes cativos. Estes operadores produzem o biocombustível,
instalações de produção de biodiesel (unidades de produ- essencialmente, a partir de matéria residual como óleos
ção de biocombustível com capacidade instalada superior alimentares usados e gorduras animais.
a 20.000 toneladas/ano), com capacidade instalada total
de cerca de 748.581 toneladas/ano (de acordo com a in- 7.000
formação reportada pelos operadores), e uma unidade
6.000
de fabrico de biocombustíveis substitutos da gasolina,
com uma capacidade instalada de Bio-ETBE de cerca de 5.000
53.000 toneladas/ano.
Note-se que existem ainda pequenas empresas pro- 4.000
dutoras de biocombustíveis substitutos do gasóleo, com 3.000
capacidades instaladas não superiores a 3.000 toneladas/
ano, e quase todas com estatuto de Pequeno Produtor 2.000
Dedicado (PPD). Estima-se que, no início de 2016, apenas
14 empresas estariam a exercer atividade. 1.000
No geral, tem-se vido a verificar uma tendência cres- -
cente na produção de biocombustíveis em Portugal. No 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015
entanto, devido à conturbada situação económica que o país
atravessou e da qual ainda está a recuperar, em particular Figura 35 — Introdução no consumo de biocombustíveis pelos PPD
entre 2011 e 2012, registou-se uma quebra no consumo (ton). Fonte: DGEG.
de gasóleo rodoviário, que se refletiu também numa dimi-
nuição do consumo de biocombustíveis a nível nacional. Assim, a estratégia para a introdução no consumo de
400 biocombustíveis em Portugal passa sobretudo pela sua
incorporação nos combustíveis rodoviários, aproveitando
350
as infraestruturas já existentes para esses combustíveis
300 convencionais.
250
± BIOMETANO
200
O Biometano é um gás constituído essencialmente por
150
metano (cerca de 85-95 %) e que pode ser obtido pela
100 via de conversão bioquímica (biogás) ou termoquímica
50 (gás de síntese) da biomassa. O método mais utilizado
na sua produção consiste num processo de purificação
-
2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015
e valorização da composição química do biogás para
enriquecimento em metano com o objetivo de aproxi-
Figura 33 — Produção de Biodiesel (kton). Fonte: DGEG. mar as suas características das do gás natural. O biogás
(ou o gás de síntese obtido por gaseificação) pode ser
Até ao final de 2014, a produção de biocombustíveis produzido a partir de diversos tipos de biomassa de
em Portugal resumia-se à produção de biocombustíveis diferentes origens, usualmente, resíduos de natureza
substitutos do gasóleo, particularmente, de biodiesel orgânica, ainda que em Portugal este seja maioritaria-
(FAME — fatty acid methyl ester). mente proveniente de matéria orgânica depositada em
Não obstante, nos últimos anos tem-se vindo a regis- aterros.
tar a incorporação de outro tipo de biocombustíveis no O biogás produzido em Portugal, quando valorizado,
gasóleo e gasolina, como óleos vegetais hidrogenados tem sido aproveitado quase exclusivamente para a pro-
(HVO) ou Bio-ETBE (éter etil-ter-butílico produzido a dução de energia elétrica em centrais localizadas essen-
partir de bioetanol). cialmente junto a ETAR, aterros sanitários, centros de
400
valorização de resíduos orgânicos, explorações agrope-
cuárias e indústrias agroalimentares.
350
Portugal tem, porém, potencial para poder beneficiar
300 ainda mais deste recurso renovável, em particular, através
250 da sua purificação em biometano com posterior injeção na
Biocombustíveis rede de gás natural, o que permitiria a sua utilização em
200 Substitutos do Gasóleo
outros usos e extensão a outros setores. Por essa razão,
Biocombustíveis
150
Substitutos da Gasolina uma das áreas estratégicas a promover, contempladas no
100 PNAER 2020, refere-se ao Biometano, encontrando-se
entre as medidas previstas nesse plano a avaliação do
50
potencial do biometano em Portugal e suas aplicações
0 alternativas em apoio à definição de regulamentação das
2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015
especificações necessárias para a sua injeção na rede de
Figura 34 — Biocombustíveis incorporados no Gasóleo e Gasolina gás natural, visando a sua utilização em outros fins para
consumidos nos transportes rodoviários (Kton) Fonte: DGEG. além da produção de eletricidade.
Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017 3219
Assim e neste âmbito, foi realizado pelo Laboratório TABELA 8
Nacional de Energia e Geologia (LNEG), com o apoio do
FAI, um estudo para “Avaliação do Potencial e Impacto Estimativa do Potencial de Biometano em Portugal.
Fonte: Estudo “Avaliação do Potencial
do Biometano em Portugal”. e Impacto do Biometano em Portugal”
Tecnicamente a atividade de produção de biometano Biometano
a partir de biogás e sua utilização em diversos setores Produção Potencial Energético
está bem desenvolvida e demonstrada, não existindo, Matéria Orgânica 3
M Nm /ano GWh/ano Ktep/ano
contudo, a nível europeu, um “mercado do biometano”,
ou seja, uma política comum e uniforme bem desen- Bio-
Biogás Bio-SNG Biogás Bio-SNG Biogás SNG
volvida.
Resíduos Sólidos
De acordo com este estudo, de 2015, o número total de Urbanos
412 .4482 385
instalações de produção de biogás em Portugal ascende
Efluentes
a mais de 60, encontrando-se 51 instalações ligadas à Domésticos
43 465 40
rede elétrica e parte destas (6 instalações) em cogeração.
Agropecuária 258 2.807 241
Foram ainda contabilizadas mais 6 instalações adicio-
Indústria Alimentar 93 1.013 87
nais sem ligação à rede elétrica, 2 das quais a operar em
cogeração. Madeiras 866 9.425 810
Papel/cartão 14 148 46
Tecidos Vegetais 38 412 127
TOTAL 805 917 8.767 9.985 754 984
”
Tendo identificado os recursos e o potencial para produ-
ção de biometano em Portugal, o estudo procurou analisar
várias opções para a produção e disponibilização deste
combustível alternativo. Assim, tendo em atenção o estado
da arte, aspetos económicos e possíveis constrangimentos,
maioritariamente, de ordem logística, foram consideradas
três alternativas:
i) Produção descentralizada de biometano associada
a cada unidade produtora de biogás, podendo a curto
prazo ser aplicada em aterros com excesso de biogás ou
sem motores geradores, digestores de RSU´s, agropecuá-
ria ou de lamas que possam ser adaptados para acolher
uma maior quantidade de resíduos e ainda em digestores
industriais.
Nesta alternativa, a dimensão mínima a considerar
poderia ser pequena (> 50 m3/h de biogás), afigurando-se
esta solução como sendo a de mais fácil implementação
a curto prazo através da sua utilização como combustível
veicular, quer para autoconsumo ou diretamente fornecido
em postos de abastecimento público;
ii) Constituição de clusters de operadores de produção
de biogás, implementando uma unidade de conversão para
biometano para servir um certo número de operadores.
Esta foi considerada como uma opção a observar a mé-
dio prazo, atendendo ao distanciamento entre unidades e
estando dependente do desenvolvimento futuro do setor
de produção de biogás;
iii) Encaminhamento de matérias-primas provenientes
de um conjunto de entidades (agricultores, ETAR’s, etc.)
para uma instalação central para produção centralizada
Figura 36 — Instalações existentes licenciadas para produção de de biogás e sua conversão em biometano. Esta alternativa
biogás. Fonte: Mapa retirado do estudo “Avaliação do Potencial e requer a implementação de uma logística nacional de re-
Impacto do Biometano em Portugal”.
colha e encaminhamento para uma instalação central de
produção de biometano, pelo que é expectável que a sua
Como resultado do estudo, foi identificado um potencial
execução apenas seja possível a médio ou longo prazo.
global de produção de biometano de cerca de 1,7 G Nm3/ano,
equivalente a 1.738 ktep/ano, com proveniência em di- A substituição do consumo de gás natural por biome-
ferentes tipos de biomassa. Em complementaridade à tano não só acarreta mais-valias a nível ambiental, como
utilização de resíduos, este estudo identificou ainda a também em termos de segurança de abastecimento, po-
opção de utilizar culturas energéticas secundárias, com dendo mesmo contribuir para a redução da dependência
reduzido impacto ILUC (“indirect land use change”) para energética externa. Face ao desenvolvimento que se tem
a produção deste biocombustível. vindo a verificar, ao longo dos últimos anos, na rede de
3220 Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017
transporte e distribuição de gás natural e ao consumo cres- de produção de hidrogénio a partir de fontes de energia
cente deste combustível, a injeção do biometano na rede renovável em centros de investigação e nas universida-
GN torna-se uma alternativa interessante à utilização direta des. Como exemplo, em 2005, registou-se a participação
do biometano/biogás para produção de energia elétrica. numa reflexão e estudo internacional sobre o papel do
Por outro lado, Portugal comprometeu-se com a meta hidrogénio e pilhas de combustível, efetuado sob a égide
a incorporação de 10 % de fontes de energia renováveis da Agência Internacional de Energia, o qual teve uma
no setor dos transportes, que só será possível atingir com abordagem não só tecnológica mas também prospetiva
recurso aos biocombustíveis. A utilização do biometano a nível de barreiras, benefícios e desafios, no sentido de
no setor dos transportes poderia contribuir para o cumpri- identificar medidas de curto e médio prazo possíveis de
mento deste compromisso, em especial quando produzido implementar. O hidrogénio pode desempenhar um papel
a partir de matéria residual, elegível à emissão de 2 TdB importante no futuro cenário energético, principalmente
por cada tep de biocombustível introduzido no consumo. pelo seu elevado potencial no setor dos transportes, onde a
O desenvolvimento de um mercado de biometano em penetração de renováveis tem constituído o maior desafio,
Portugal não requer obrigatoriamente a implementação de no sentido de contribuir para um sistema mais limpo e
uma infraestrutura específica para o abastecimento deste sustentável e cumprindo os objetivos nacionais em termos
combustível alternativo. A concretização de uma ou mais de energia e clima a médio e longo prazo. Dada a possi-
alternativas identificadas no estudo realizado pelo LNEG, bilidade de recurso a fontes de energia renovável, a sua
inclusive a opção de utilização do biometano como com- introdução no mix energético contribuirá também para
bustível veicular, é possível utilizando as infraestruturas diminuir a dependência energética nacional.
existentes e a construir para a distribuição e abastecimento O hidrogénio pode ainda desempenhar um papel im-
de gás natural. portante na estabilização do sistema eletroprodutor com
elevada contribuição de fontes variáveis, como é caso
± Incentivos e Financiamento do sistema nacional. A eletricidade proveniente de fon-
tes renováveis traduz a variabilidade temporal das suas
Também no âmbito dos biocombustíveis têm sido con- fontes — sol, vento e ainda ondas, têm padrões que nem
cedidos apoios e incentivos, tais como isenções fiscais, sempre estão alinhados com os padrões de consumo, re-
nomeadamente, ao nível do ISP, continuando os pequenos sultando em períodos de excesso e períodos de défice
produtores dedicados a beneficiar de isenção total deste de eletricidade que constituem um desafio para a gestão
imposto. da rede que requer estabilidade e equilíbrio permanente.
Por outro lado, têm também vindo a ser apoiados pelo Como exemplo, o hidrogénio produzido a partir da ele-
FAI projetos na área dos biocombustíveis, nomeadamente: trólise da água, obtida por via de utilização de eletrici-
i) Projeto “Desenvolvimento de Biocombustíveis de dade gerada durante os períodos de excesso, pode ser
2.ª Geração” — tinha como objetivo o desenvolvimento armazenado durante longos períodos. O hidrogénio pode
de um roteiro tecnológico de produção de biocombustí- ser novamente transformado em eletricidade, convertido
vel em colheitas não alimentares, a partir da Jatropha. O em metano para integração na rede de gás natural, ou
projeto pretendia o desenvolvimento de várias etapas do usado diretamente como combustível, por exemplo em
roteiro de forma a estabelecer e consolidar os processos veículos com pilhas de combustível. O hidrogénio pode
em ambiente pré-industrial: I. Melhoramento das plantas e abrir novas perspetivas na integração de renováveis no
técnicas de produção; II. Colheita mecânica; III. Extração sistema energético e compensar a perda de flexibilidade
do óleo; IV. Valorização de subprodutos; e V. Biodiesel. decorrente das fontes intermitentes.
O FAI apoiou as etapas II, III e V, com um incentivo No entanto, existem preocupações a nível do seu ma-
contratualizado de 1.008.497 €. No entanto, em fevereiro nuseamento e necessidades a nível de infraestruturas, que
de 2014, o promotor comunicou a sua indisponibilidade têm de ser analisadas com profundidade, no sentido de
para continuar o mesmo. identificar medidas específicas a integrar num planea-
ii) Projeto BIOCH4 — visava a realização de um es- mento rigoroso e adequado, a médio-longo prazo, de
tudo com objetivo de avaliar o potencial do biometano forma a garantir o sucesso da introdução do hidrogénio
em Portugal e suas aplicações alternativas. Este estudo em Portugal. O PNAER prevê a avaliação do potencial do
procurou identificar oportunidades e constrangimentos hidrogénio em Portugal e a definição de uma estratégia
em Portugal para a aplicação de metano no setor dos para o seu desenvolvimento. Este trabalho foi iniciado
transportes, comparando-a com a experiência de outros em 2016, tendo-se concebido um plano de ação em duas
Estados-Membros da UE. O projeto previa um investi- vertentes, uma de natureza estratégica e regulamentar, da
mento total de 50.150 € comparticipado a 100 % pelo responsabilidade da Direção-Geral de Energia e Geologia
FAI, tendo a execução técnica do projeto sido concluída e outra de natureza mais tecnológica, da responsabilidade
no final de março de 2015. do Laboratório Nacional de Energia e Geologia, ambas
as instituições sob a tutela da Secretaria de Estado da
5 — HIDROGÉNIO
Energia do Ministério da Economia. Assim, em finais
de 2016, foi desenvolvido um trabalho de análise para
É reconhecido que o hidrogénio é um vetor energético avaliação do potencial do hidrogénio e definição de um
que permite o armazenamento temporário de energia e roteiro para o seu desenvolvimento em Portugal, cujos
oferece uma elevada flexibilidade de utilização, podendo estudos mereceram a aprovação de cofinanciamento pelo
ser usado na geração de eletricidade e na produção de Programa Operacional de Sustentabilidade e Eficiência no
energia térmica em sistemas estacionários e, ainda, como Uso dos Recursos (POSEUR), com finalização prevista
combustível no setor de transportes. Portugal tem par- para abril de 2018. Estes estudos irão identificar o estado
ticipado em vários estudos relativamente ao potencial da arte e as barreiras tecnológicas e não-tecnológicas
de utilização do hidrogénio, estando em curso projetos para a promoção do hidrogénio, identificar prioridades e
Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017 3221
estratégia de inovação tecnológica, identificar e modelar Vantagens Barreiras
setores-chave de introdução do hidrogénio, criar uma rede
formal de apoio e definir o roteiro nacional a médio e a - Diminuição da dependência energética
externa e diversificação do mix
- Custo de aquisição do veículo elétrico
- Custo e tempo de carregamento das
longo prazo para este vetor energético em Portugal. energético baterias
Nestas circunstâncias, que refletem ainda alguma falta - Redução das emissões de GEE e de
poluentes como as partículas , bem como
- Autonomia do veículo com um único
carregamento
de maturidade no estudo e na aplicação desta tecnologia das emissões sonoras
- Durabilidade das baterias
em território nacional, considera-se prematuro avançar - Introdução de energia proveniente de
fontes renováveis nos transportes - Cadeia de valor em torno da reutilização
para a definição de objetivos e metas relativos à criação - Potenciação da melhoria da gestão do
das baterias
- Gestão da disponibilidade dos pontos de
de uma infraestrutura para abastecimento de hidrogénio sistema elétrico
- Utilização como dispositivo para
carregamento
para o setor dos transportes. armazenar eletricidade - Mercado de segunda mão para veículos
eléctricos inexistente
- Interoperabilidade: acesso de qualquer
utilizador a qualquer ponto de - Falta de modelos de negócio que
carregamento de qualquer operador envolvam o leasing das baterias, que
PARTE B (roaming) e compatibilidade com todas as
marcas de veículos
permitam reduzir o custo inicial de
aquisição do veículo elétrico
-Falta de modelos de negócio que
OBJETIVOS E METAS NACIONAIS - Capacidade de monitorização, em
tempo real, do perfil energético e dos envolvam uma maior liberalização do
impactos (ex.:emissões) associados à atual modelo, que permitam reduzir o
mobilidade custo inicial da infraestrutura de
1 — ELETRICIDADE - Existência de locais dedicados de
carregamento
estacionamento tanto na via pública - Incerteza quanto à segurança do
como em parques de estacionamento e abastecimento de lítio
1.1 — TRANSPORTE RODOVIÁRIO garagens
O sistema elétrico nacional é caracterizado por uma
penetração crescente de fontes renováveis de energia no Atualmente, o custo de aquisição de um veículo elétrico
seu mix de produção, encontrando-se o aproveitamento ainda é consideravelmente superior ao de um veículo com
integral do seu potencial limitado a um conjunto de fa- motor de combustão interna, principalmente devido ao
tores de onde sobressaem o caráter intermitente e pouco custo e à durabilidade das baterias. Não obstante, com os
previsível de algumas dessa fontes, em particular a eó- avanços tecnológicos perspetivados para os motores elé-
lica e a energia solar, a inexistência de interligações que tricos, o efeito de escala na sua produção bem como o apa-
possibilitem a Portugal exportar a energia excedentária recimento de novos modelos de negócio para a aquisição
para o centro da Europa e de soluções economicamente de veículos (p. ex.: leasing das baterias) e para a prestação
viáveis que possibilitem o armazenamento da energia de de serviços de mobilidade deverão contribuir para tornar
origem renovável. estes veículos economicamente mais competitivos.
O veículo elétrico, em certa medida, pode vir a consti- Por outro lado, as especificações técnicas cada vez mais
tuir no médio-longo prazo uma dessas soluções, podendo exigentes impostas aos motores de combustão interna
servir simultaneamente como meio de transporte e como têm vindo a encarecer o preço destes veículos movidos a
equipamento de armazenamento e aproveitamento de ener- combustíveis tradicionais, o que tem vindo a contribuir
gia elétrica, desempenhando um papel muito importante também para reduzir o diferencial entre o preço de aqui-
sição destes dois tipos de viaturas.
para a melhoria do equilíbrio do sistema elétrico. O veículo elétrico deverá assim ser levado a exceder os
seus limites em termos de autonomia e de capacidade de
deslocação, alargando o seu conceito atual de veículo ur-
bano ou suburbano para um conceito interurbano, tornando
possível a ligação entre cidades e mesmo entre países.
Com esta perspetiva presente, Portugal pretende es-
tender até ao final de 2018 uma rede piloto composta
por 1.604 pontos de carregamento de potência normal,
distribuídos pelo território nacional, no mínimo com
2 pontos por município e 50 postos de carregamento de
alta potência a instalar em locais estratégicos como nas
principais autoestradas do país.
± Evolução do Parque de Veículos Elétricos
Atualmente, o parque de veículos elétricos em Portugal
tem ainda pouca expressão comparativamente com parque
total de veículos ligeiros e pesados em circulação, repre-
Figura 37 — Esquema das potencialidades do veículo elétrico para sentando menos de 0,1 %. Em 2015 o número de veículos
melhoria da gestão do sistema elétrico nacional. elétricos totalizava 4.083, entre veículos ligeiros de passa-
geiros, veículos de mercadorias, autocarros e motociclos,
Face à forte componente de renováveis na produção de acrescendo a este número ainda 664 veículos híbridos
energia elétrica em Portugal, a utilização deste combustí- ligeiros plug-in e 15 motos híbridas elétricas plug-in.
vel no setor dos transportes, em particular no transporte Não obstante o peso reduzido que estes veículos ainda
rodoviário, apresenta um conjunto de oportunidades e têm no parque total de veículos em circulação, as vendas
vantagens a explorar. A diversificação de fontes de energia de veículos elétricos têm vindo a aumentar desde 2010.
consumida nos transportes, atualmente fortemente depen- Em particular, o número de veículos elétricos ligeiros
dente do petróleo, bem como de introdução de energia em circulação praticamente duplicou de 2014 para 2015.
renovável neste setor, em que as alternativas ainda são O Plano Nacional de Ação para as Energias Renováveis
escassas, representam algumas das vantagens da mobili- para o período 2013 -2020 (PNAER 2020), aprovado pela
dade elétrica em Portugal. Resolução do Conselho de Ministros n.º 20/2013, de 10 de
3222 Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017
abril, veio definir um conjunto de políticas e medidas es- 2 — GÁS NATURAL
pecíficas para vários setores, incluindo para a mobilidade
elétrica. De acordo com este plano estratégico, estima-se 2.1 — TRANSPORTE RODOVIÁRIO
que o parque de veículos elétricos em Portugal deverá
totalizar, em 2020, cerca de 34.000 veículos elétricos, no A utilização de gás natural veicular, na sua forma com-
qual se incluem veículos ligeiros de passageiros, veículos primida ou liquefeita, pode vir a desempenhar um papel
de mercadorias, autocarros e motociclos. importante na diversificação das fontes energéticas utiliza-
Projetando para 2030 as previsões do PNAER 2020, é das nos transportes rodoviários e em complementaridade
expectável que, com a concretização das medidas de in- com uma política de mobilidade elétrica, permitir reduzir
centivo à mobilidade elétrica definidas no presente quadro as emissões de GEE e outros poluentes como óxidos de
de ação e das melhorias tecnologias esperadas na próxima azoto e partículas associados a este setor.
década ao nível do veículo, em particular ao nível das O custo associado ao gás natural é significativamente
baterias, o número veículos elétricos em circulação venha inferior ao custo dos combustíveis convencionais (ga-
a atingir 179 mil em 2030. Assim, relativamente ao par- sóleo e gasolina). O gás natural afigura-se como uma
que de veículos elétricos em Portugal, estima-se que este alternativa potencialmente interessante no transporte a
cresça com uma tcma de 29 % entre 2011 e 2020. longa distância, em particular, o GNL como combustível
alternativo para veículos pesados de mercadorias. Por
180000
outro lado, o GNC poderá representar uma opção para os
160000 veículos pesados de passageiros, nomeadamente, aqueles
140000 com percursos urbanos pré-definidos e rotineiros.
120000 Vantagens Barreiras
100000 -Diversificação das fontes energéticas -Custos de investimento relativamente
- Custo associado ao GNV é elevados, tanto ao nível da
80000 infraestrutura de abastecimento como
significativamente inferior ao custo do
gasóleo e gasolina dos veículos
60000 -Risco ambiental associado a uma
-Proporciona uma queima mais limpa
potencial fuga de metano (impacto
40000 -Redução das emissões de poluentes GEE). O Gás natural é composto
como as partículas, NOx e SOx essencialmente por metano , cujo o
20000 - Eventual redução das emissões de impacto comparativo do CH4 nas
GEE alterações climáticas é mais de 25
0 vezes maior do que o CO2 durante um
- Redução das emissões sonoras período de 100 anos
2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 2024 2025 2026 2027 2028 2029 2030
-Os veículos abastecidos a GN são tão -Redução da capacidade de carga,
Veículos Ligeiros Motocíclos Veículos Pesados ou mais seguros que os que operam ocupando a armazenagem de
com combustíveis fósseis tradicionais combustível mais espaço, resultando
Figura 38 — Previsão da evolução do número de veículos elétricos numa reduzida competitividade dos
em Portugal. veículos
-Preocupações de segurança
associadas a baixo ponto de
± Evolução da Infraestrutura de pontos de Carregamento inflamação e natureza criogénica do
GNL
A implementação da rede piloto irá permitir assegurar
que todos os Municípios terão acesso a uma infraestrutura
mínima de carregamento, pretendendo-se até ao final de Até à data, a utilização de gás natural no setor dos trans-
2018 uma rede piloto composta por 1.604 pontos de carre- portes tem-se cingido sobretudo ao transporte pesado de pas-
gamento de potência normal, e 50 postos de carregamento sageiros, em particular em percursos urbanos, prevendo-se,
de alta potência. Fora do âmbito da iniciativa da rede piloto um ligeiro aumento com a aquisição de 500 novos veículos
deverão ser igualmente instalados pontos de carregamento, até ao final de 2020. Para esse efeito foi aberto um aviso do
prevendo-se que, em 2020, a rede pública seja composta POSEUR destinado à substituição veículos pesados para
por um número mínimo de 2.394 pontos de carregamento transporte coletivo de passageiros por outros movidos a tec-
de veículos elétricos, incluindo os pontos da rede piloto. nologias mais limpas e com melhor desempenho ambiental.
Paralelamente, têm sido envidados esforços, nomeada- No que respeita o transporte pesado de mercadorias de
mente ao nível da definição de um quadro regulamentar longa distância, o GNL é atualmente uma alternativa ao
adequado, para incentivar a ligação à rede pública de pon- gasóleo. No entanto, devido ao custo superior de aquisição
tos de carregamento em espaços privados, inclusive pontos das viaturas e limitações em termos de carga transportada
em locais privados de acesso privado. e autonomia, nota-se ainda alguma cautela da parte dos
Deste modo, deverão complementar a rede pública transportadores na adoção desta tecnologia. Não obstante,
um conjunto de pontos de carregamento de iniciativas ultrapassadas as eventuais limitações tecnológicas destes
privadas, sendo assim assegurada uma rede de pontos de veículos e concretizando-se a redução de custos associada
carregamento acessível ao público capaz de fazer face à ao aumento da sua escala de produção, bem como assegu-
procura expectável para 2020. rada a infraestrutura para o abastecimento de GNL na rede
O desenvolvimento da rede pública de pontos de carre- RTE-T, prevê-se para 2025 um parque de veículos pesados
gamento no período pós-2020 irá estar, em grande parte, de mercadorias com cerca de 200 viaturas a GNL.
dependente da concretização das previsões de evolução do Note-se, no entanto, que a introdução do GNV como
parque de veículos elétricos, devendo o desenvolvimento combustível profissional, inclusive do GNL para trans-
desta infraestrutura ser ajustado à evolução da procura e às porte pesado de passageiros e mercadorias, poderia ser
necessidades de ligação com Espanha no âmbito de pro- positivamente influenciada pela extensão a esta tecnologia
jetos de interligação europeia da rede de mobilidade elé- dos benefícios fiscais concedidos ao gasóleo profissional,
trica. A concretização dos desenvolvimentos tecnológicos nomeadamente ao nível do ISP.
esperados para a próxima década, com impacto no custo A introdução do gás natural no transporte ligeiro de
de aquisição dos veículos, irá certamente influenciar for- passageiros não tem tido grande expressão. A este nível,
temente a evolução do parque de veículos elétricos e, con- já se encontra desenvolvida e implementada uma rede de
sequentemente, da procura deste combustível alternativo. GPL Auto como uma alternativa economicamente mais
Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017 3223
atrativa ao gasóleo rodoviário, contando a atual rede com A SGMF (Society for Gas as a Marine Fuel), também
cerca de 350 postos de abastecimento. Assim, as evoluções lançou no início de 2015 o seu guia “SGMF LNG Bunke-
esperadas no parque de veículos ligeiros de passageiros a ring Safety Guidelines”, com o objectivo de fornecer à
GNV deverão ser sobretudo ao nível das frotas de táxis. indústria as melhores práticas para o reabastecimento de
Dada a sua dimensão, Portugal não tem capacidade GNL a navios com elevados níveis de segurança, integri-
(ausência de escala de mercados) para desenvolver e apoiar dade e fiabilidade, estando este documento em revisão/
simultaneamente as diversas tipologias de veículos mo- atualização, como reflexo da contribuição dos diferentes
vidos a combustíveis alternativos, incindindo a aposta intervenientes da indústria.
nacional, para os combustíveis alternativos no transporte A IACS (International Association of Classification
ligeiro de passageiros, sobre o elétrico e o GPL (esta última Societies) publicou recentemente “IACS Recommendation
tecnologia já implementada há vários anos em Portugal). on LNG bunkering” com objetivo de definir e cobrir os
No que respeita à infraestrutura de postos de abasteci- riscos adicionais associados com o abastecimento de GNL
mento, face à rede existente em 2015, é expectável a entrada e propor uma metodologia para lidar com esses riscos, a
em funcionamento até 2025 de mais 5 postos de enchimento fim de proporcionar um nível de segurança semelhante
combinados de GNL e GNC e 4 postos de abastecimento de ao alcançado para as operações de abastecimento de com-
GNC, distribuídos ao longo da RTE-T, devendo ser assim bustíveis líquidos tradicionais.
cumpridas, no geral, as distâncias mínimas entre postos de Por outro lado, o IAPH (International Association of Ports
abastecimento recomendadas na Diretiva n.º 2014/94/UE, and Harbours) desenvolveu listas específicas de verificação
do Parlamento Europeu e do Conselho, de 22 de outubro para o abastecimento de GNL, “IAPH LNG Bunker Check-
de 2014. Entretanto já foram instalados durante o ano de Lists”, para os vários cenários de abastecimento de GNL
2016, dois postos de abastecimento de GNL+GNC. Os conhecidos, a partir de tanque, barcaça ou camião cisterna.
restantes são esperados até 2025 com base em eventuais A EMSA (European Maritime Safety Agency) encon-
candidaturas ao CEF ou outros mecanismos semelhantes tra-se atualmente a desenvolver um documento/guia de
boas práticas que procurará uma harmonização de proce-
2.2 — TRANSPORTE MARÍTIMO dimentos no envolvimento das autoridades competentes
pela disponibilização e operacionalização do GNL como
Não obstante as potencialidades deste combustível al- combustível para navios.
ternativo no transporte rodoviário, o gás natural liquefeito Não obstante todos estes guias e recomendações a nível
apresenta-se como uma das alternativas mais viáveis, a internacional, a nível nacional importa desenvolver tam-
nível económico, ambiental e técnico, no transporte marí- bém um quadro regulamentar que possibilite as operações
timo, sendo a sua utilização compatível com as exigências de abastecimento de GNL a navios, inclusive ao nível do
ambientais impostas a este setor. Em particular, o GNL licenciamento das operações de abastecimento, em parti-
constitui-se uma solução viável para o cumprimento dos cular, as efetuadas a partir de barcaça ou camião cisterna.
limites de proteção ambiental impostos nas chamadas
zonas ECA, bem como no que respeita à necessidade de ± Evolução da Infraestrutura de abastecimento de GNL a navios
dar cumprimento à disposição aprovada para o transporte
marítimo, já a partir de 2020, de limitar a utilização de Estima-se que até ao final de 2015 existiam a navegar em
combustíveis com teor de enxofre superior a 0,5 %. todo o mundo cerca de 75 navios a GNL, estando já prevista
No entanto, algumas barreiras ainda precisam de ser a construção/entrada em funcionamento de mais 97 navios
ultrapassadas para a utilização do GNL como combustível a partir de 2016. Atualmente ainda não existe em opera-
alternativo no transporte marítimo. ção nenhum navio com a bandeira nacional, mas existem
Vantagens Barreiras
projetos-piloto para a conversão de dois navios para GNL.
A maioria dos navios existentes a GNL são sobretudo
-Diversificação das fontes energéticas
-Redução das emissões de GEE e de
-Custos de investimento relativamente
elevados, tanto ao nível da ferries e PSV (Platform supply vessel).
poluentes como as partículas, NOx e infraestrutura de abastecimento como
SOx dos navios 180
Bulk ship
- Compatível com as disposições e -Risco ambiental associado a uma Car/passenger ferry
160
regras ambientais aplicáveis ao potencial fuga de metano (impacto 140
Container ship
transporte marítimo, nomeadamente GEE). O Gás natural é composto
essencialmente por metano , cujo Cruise ship 120
quanto à limitação do teor de exofre do Gas carrier
combustível dos navios impacto comparativo do CH4 nas 100
alterações climáticas é mais de 25 vezes Oil/chemical tanker
-Custo associado ao GNL é competitivo maior do que o CO2 durante um Platform supply vessel
80
comparativamente a outros período de 100 anos. 60
RoPax
combustíveis
-Redução da capacidade de Ro-Ro 40
-Proporciona uma queima mais limpa, armazenagem de combustível ou da Tug
diminuindo a necessidade de 20
carga transportada do navio Outros
manutenção 0
-A infraestrutura de abastecimento de 0 5 10 15 20 25 30 2000 2005 2010 2015 2020 2025
GNL a navios ainda está em
desenvolvimento Em operação (até final 2015) Previstos
-Preocupações de segurança associadas
ao baixo ponto de inflamação e Figura 39 — Estimativa dos navios a GNL em operação e encomen-
natureza criogénica do GNL
dados a nível global. Fonte: DNV.GL/Produção própria.
Atualmente existem desenvolvidas ou em desenvolvi- Face aos cada vez mais exigentes requisitos ambientais
mento diferentes normas e orientações sobre o abasteci- impostos ao transporte marítimo, em particular em matéria
mento de GNL a navios. A ISO emitiu as diretrizes para de emissão de poluentes, a criação de uma infraestrutura
sistemas e instalações para fornecimento de GNL como para o abastecimento de GNL a navios nos principais
combustível para navios (ISO/TS 18683: 2015), no início portos portugueses é fundamental.
de 2015, e está atualmente a trabalhar na finalização da Apesar de Portugal não se encontrar atualmente inse-
ISO/DIS 20519 relativa à especificação para o abasteci- rido numa zona ECA, alguns navios que circulam nestas
mento de navios a gás, que se espera que venha a contem- áreas de emissões controladas navegam em rotas para as
plar um conjunto substancial de requisitos funcionais para quais os portos portugueses constituiriam uma alternativa
o equipamento e operações de abastecimento de GNL. para acostar e abastecer. Mas como já se referiu atrás, a
3224 Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017
partir de 2020, Portugal passa a estar abrangido pelo limite
N.º de veículos substituídos/ N.º veículos adquiridos/tipo e
Publicação de novo RGCET
global de 0,5 % de enxofre). Com a legislação publicada
em 2014 (Decreto-Lei n.º 170-B/2014, de 7 de novembro),
os navios de passageiros e cargas em portos nacionais,
Indicador
incluindo os portos que integram a Rede CORE (Leixões,
tecnologia de substituição tecnologia
Lisboa e Sines), não podem utilizar combustíveis navais
cujo teor de enxofre seja superior a 0,10 %, em massa,
num conjunto alargado de circunstâncias.
A isto acresce que, atendendo à sua localização, os
portos dos Açores e da Madeira se encontram numa po-
sição estratégica, em particular, no que se refere às rotas
Prazo de lançamento
Transatlântica e do Norte de África, respetivamente.
Mais, o GNL pode representar um contributo para a
2017 2018 2017
da medida
descarbonização da eletricidade na Madeira e Açores.
A utilização do GNL como combustível alternativo para
a mobilidade marítima entre Continente e Ilhas poderá
permitir viabilizar economicamente a substituição do fuel
Ministério responsável
pelo gás natural na produção de eletricidade nos mercados
MPI/MAMB
destas Regiões Autónomas. MF/MAI/
Na Região Autónoma dos Açores a disponibilização de ME
pela medida
GNL nos portos pode potenciar a promoção do trânsito Autarquias
marítimo inter-ilhas com menor impacto ambiental.
Assim, Portugal pretende apostar na criação de uma
infraestrutura que permita o abastecimento deste com-
Regulamentar
bustível alternativo a navios, procurando posicionar os
Incentivo financeiro
seus principais portos como opção viável onde os navios
Tipo de medida(s) Regulamentar
a GNL possam abastecer.
Incentivo fiscal
Para esse efeito, em 2025, Portugal deverá contar com
Panorâmica das medidas do QAN
5 portos com capacidade para efetuarem operações de
Benefícios na circulação
abastecimento de GNL a navios: 3 portos da rede Core
(Leixões, Lisboa e Sines) e 2 portos das Regiões Autóno-
mas (Açores e Madeira). A tipologia de infraestrutura para
abastecimento poderá variar nos vários portos, devendo
TABELA 9
Documentos de base
esta ser adequada às especificidades de cada porto. Programa PNAC, CCV,
Nacional PNAEE, —
de Reformas PNAER
Aumentar a utilização Promoção da aquisição de veículos
COMBUSTÍVEIS ALTER- Substituição de 500 via- Promover a eficiência económica e
Revisão do Regulamento de Gestão
do Consumo de Energia no Setor
de veículos movidos a de elevado desempenho ambiental,
dos Transportes, contemplando
Medida
benefícios para as frotas que pos-
NATIVOS (geral) turas dos operadores energética dos transportes públi-
Figura 40 — Potenciais localizações e capacidades para as infraestru- combustíveis alternati- designadamente de baixo carbono suem veículos movidos a combus-
tíveis alternativos
turas marítimo-portuárias. Fonte: “Estratégia para o Aumento da Com-
vos, por particulares e por particulares e empresas
petitividade Portuária — Horizonte 2016-2026-“ do Ministério do Mar.
de transporte coletivo cos de passageiros, garantindo a empresas, em particular
PARTE C
Objetivo
MEDIDAS
híbridos e elétricos
por veículos a combus- substituição de 500 viaturas dos
MEDIDAS PARA PROMOÇÃO DO DESENVOLVIMENTO
DE UMA INFRAESTRUTURA
DE COMBUSTÍVEIS ALTERNATIVOS
A concretização dos objetivos e metas propostos neste
quadro nacional de ação está dependente do sucesso da
tíveis alternativos operadores de transporte coletivo
execução de um conjunto de medidas que visam promover
a utilização destes combustíveis alternativos, destinando- Setor
se algumas destas medidas a estimular a procura por es-
tas alternativas mais limpas, enquanto outras pretendem
assegurar a existência de uma infraestrutura mínima de
abastecimento/carregamento.
Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017
Ministério responsável Prazo de lançamento
Setor Objetivo Medida Documentos de base Tipo de medida(s) Indicador
pela medida da medida
Aumentar a % de com- Criar um quadro fiscal que privile- — Regulamentar MF 2017 % consumo de combustíveis
bustíveis alternativos gie os combustíveis alternativos Incentivo fiscal alternativos por tipo, face
nos combustíveis con- menos poluentes, incentivando ao total combustíveis ro-
sumidos no transporte significativamente a sua utiliza- doviários
rodoviário ção como combustível profissional
ELETRICIDADE Aumentar a utilização de Direcionar os incentivos à aquisição de Programa Regulamentar MAMB/MF 2018 N.º veículos adquiridos/ser-
veículos menos poluen- veículos elétricos para os segmen- do Incentivo fiscal viço, tipo e tecnologia
tes nos segmentos com tos com maior impacto energético XXI Governo Benefícios
maior impacto energé- e ambiental, como os autocarros
tico e ambiental de serviço público de transporte,
táxis, transporte escolar, transporte
de mercadorias e logística urbana
Integração de cerca de Dar continuidade ao Programa Programa Orçamental MF/Autarquias 2017 N.º veículos substituídos/en-
1200 veículos elétricos ECO.mob, promovendo a subs- ECO.mob tidade da AP
no Parque de Veículos tituição de veículos a combustão (RCM
do Estado, até 2020. por veículos elétricos, num total 54/2015)
previsto de, aproximadamente,
1200 veículos.
25 % de veículos elétricos Comprometer o Estado e as autarquias Programa Orçamental MF/ME 2017 % de VE nas frotas de enti-
aquando da renovação locais com a aquisição de 25 % de do dades da Administração
da frota do Estado veículos elétricos aquando da re- XXI Governo Central e Local
destinada à circulação novação da sua frota destinada à e CCV
citadina circulação citadina (por exemplo
através da elaboração de planos de
mobilidade ao nível da Administra-
ção Pública e das empresas, que con-
templem objetivos para a renovação
da sua frota com veí-culos elétricos).
Aumentar a utilização de Criar incentivos que levem os ope- Programa Regulamentar MAMB/ 2018 N.º operadores
veículos elétricos em radores logísticos a adotar veí- do Autarquias N.º veículos elétricos
ambiente urbano culos elétricos sem emissões, em XXI Governo
particular na operação em meios
urbanos e em transporte lastmile.
Substituição de 1000 táxis Promover a eficiência económica Programa Incentivo financeiro MPI/MAMB 2018 N.º de táxis substituídos
por veículos elétricos e energética dos transportes pú- Nacional
blicos de passageiros, garantindo de Reformas
a substituição de 1000 táxis por
veículos elétricos
Aumentar a utilização de Prolongar a atribuição de incentivos CCV Incentivo fiscal MF 2018 N.º de incentivos atribuídos/
veículos elétricos fiscais para a aquisição de carros tecnologia de veículo
elétricos e híbridos plug-in, atra-
vés de montantes elegíveis para
3225
dedução fiscal e tributação autó-
noma de IRS e IRC
Setor Objetivo Medida Documentos de base Tipo de medida(s)
Ministério responsável
pela medida
Prazo de lançamento
da medida
Indicador 3226
Incentivo pela introdução no con- Lei n.º 42/2016 Incentivo fiscal MAMB 2017 N.º de veículos substituídos/
sumo de veículos de baixas emis- Despacho tecnologia de substituição
sões n.º 1612-B/2017
Aparecimento de opera- Criar incentivos ao surgimento de Programa Regulamentar ME 2017 N.º de operadores e de veí-
dores de car sharing e operadores de car sharing e bike do MAMB culos elétricos em sistemas
bike sharing elétrico sharing elétricos. XXI Governo partilhados
Dinamizar o veículo Definir um quadro regulamentar e Programa Regulamentar ME 2018 Quantidade de energia for-
elétrico como solução uma tarifa para a venda à rede do MAMB necida à rede elétrica por
simultânea para ar- elétrica da energia armazenada de XXI Governo veículos
mazenamento e apro- forma descentralizada nas baterias
veitamento de energia dos veículos elétricos, potenciando
elétrica, otimizando a a sua funcionalidade como um es-
gestão do sistema elé- tabilizador da rede elétrica através
trico do armazenamento de energia nos
períodos de vazio e injeção na rede
elétrica nas horas de ponta.
Instalação de 2.394 pos- Incentivar a mobilidade elétrica, atra- Programa Investimento MAMB 2017 N.º de pontos de carregamento
tos de carregamento vés da instalação de 2.394 postos Nacional instalados na rede pública
de veículos elétricos de carregamento de veículos elé- de Reformas
Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017
até 2020 tricos até 2020
Melhorar a rede pública Reabilitar e redimensionar a rede de Programa Investimento MAMB 2017 N.º de pontos de carregamento
de pontos de carrega- carregamento pública Mobi.E. do requalificados
mento XXI Governo
Aumentar o número de Promover o carregamento nas ga- Programa Regulamentar ME 2017 N.º garagens equipadas com
pontos de carrega- ragens das habitações e das em- do Procedimental postos de carregamento
mento em espaços presas, onde os utilizadores de XXI Governo
privados de acesso veículos elétricos estacionam a
privado ligados à rede maioria do tempo
pública MOBI. E
Aumentar o número de Criar condições regulamentares ne- — Regulamentar ME 2017 N.º de postos de carregamento
pontos de carrega- cessárias à ligação à rede pública em garagens privadas
mento em espaços de pontos de carregamento em es-
privados de acesso paço privados de acesso privado
privado ligados à rede como em garagens das habitações
pública MOBI.E e de empresas.
Aumentar o número de Operacionalizar a execução da Por- — Regulamentar MPI 2017 N.º de novos edifícios com
pontos de carregamento taria 220/2016 para a instalação de infraestrutura
em espaço privados uma infraestrutura para a instala-
ção de pontos de carregamento em
novos edifícios
Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017
Ministério responsável Prazo de lançamento
Setor Objetivo Medida Documentos de base Tipo de medida(s) Indicador
pela medida da medida
Aumentar a fiabilidade e Divulgação e aplicação do Guia téc- DL 90/2014 Regulamentar ME 2017 N.º de instalações particulares
segurança do sistema nico das instalações elétricas para Port 220/2016 executadas
alimentação de veículos elétricos
Desenvolver o cluster Desenhar, no âmbito do Portugal Programa Incentivos ME/MPI 2017 N.º de Programas e linhas de
tecnológico ligado à 2020, programas e linhas de apoio do apoio criados
mobilidade elétrica destinados à indústria de compo- XXI Governo
nentes para os veículos elétricos,
motores elétricos e baterias, bem
como da infraestrutura de carre-
gamento.
Apoiar projetos que visem o up- Programa Incentivos MPI 2017 N.º de projetos apoiados
grade da indústria de produção do
e montagem de veículos de duas XXI Governo
rodas — motos, scooters e bicicle-
tas — para o segmento elétrico.
Apoiar a formação de técnicos para Programa Incentivos MPI 2017 N.º ações de formação
as indústrias de fabrico e reparação do N.º de formandos
de veículos elétricos e seus com- XXI Governo
ponentes.
Desenvolver o cluster Criar laboratórios vivos de de- Programa Incentivos MPI 2017 N.º ações de demonstração
tecnológico ligado à monstração de novas soluções do
mobilidade elétrica na mobilidade elétrica: ao nível XXI Governo
dos veículos, com destaque para
novas aplicações da mobilidade
elétrica, como os transportes pú-
blicos, o transporte de mercadorias
ou a logística urbana; e do carrega-
mento inteligente, integrado com
as smart grids e geração de energia
renovável descentralizada, com
destaque para o V2G (vehicle to
grid) e V2H (vehicle to home).
Promover o fornecimento Apoiar o desenvolvimento da in- — Incentivos/Regulamentar MM 2020 N.º de instalações para for-
de eletricidade a partir fraestrutura necessária para o necimento de eletricidade
da rede terrestre ao fornecimento de eletricidade aos a navios
transporte marítimo navios em porto, em detrimento
da utilização de gasóleo para ge-
ração de energia para utilização
interna.
GÁS NATURAL Possibilitar o abasteci- Criar um quadro regulamentar que — Regulamentar ME 2018 Publicação de regulamento
mento de GNL a na- permita a realização de operações para o abastecimento de
vios de abastecimento GNL a navios GNL a navios
3227
Setor Objetivo Medida Documentos de base Tipo de medida(s)
Ministério responsável
pela medida
Prazo de lançamento
da medida
Indicador 3228
Definir a infraestrutura Aprovar o plano estratégico para a — Instrumento de planea- MM 2018 Aprovação do Plano Estraté-
marítimo-portuária criação de uma infraestrutura ma- mento gico GNL
de abastecimento de rítimo-portuária de abastecimento
GNL de GNL
Criar oferta de GNL como Construir uma rede de postos de — Incentivos financeiros MM 2018 N.º de portos com postos de
combustível para na- abastecimento a navios nos por- abastecimento GNL
vios e embarcações tos nacionais
Aumentar a utilização Incentivar a utilização de transportes CCV (MAR) Incentivos financeiros MM 2017 Quantidade de GN abastecido
de combustíveis alter- marítimos (navios e embarcações) nos portos do Continente e
nativos no transporte movidos a combustíveis menos RA
marítimo poluentes
Melhorar a oferta de GN Fomentar o desenvolvimento da CCV Incentivos ME 2017 N.º de postos de enchimento
Veicular, alargando a rede de postos de enchimento de RAR MPI de GN veicular instalados
rede de postos de abas- GNC e de GNL para o transporte n.º 240/2016 por distrito
tecimento rodoviário
Incentivar a conversão Assegurar que seja operacionalizada — Regulamentar MAMB 2017 N.º de profissionais certifi-
de motores de veículos a formação e certificação de pro- cados
automóveis para GNC fissionais para alteração de com- N.º veículos com motores
Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017
ou GNL bustível dos motores automóveis convertidos
Aumentar a utilização de Criação de condições para o uso do RAR Incentivo/Regulamentar ME/MAMB 2018 N.º veículos pesados de pas-
GNL nos transportes GNL em transportes rodoviários n.º 240/2016 sageiros a GNL em cir-
rodoviários pesados pesados de passageiros e de mer- culação
cadorias N.º veículos pesados de mer-
cadorias a GNL em cir-
culação
Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017 3229
NEGÓCIOS ESTRANGEIROS, FINANÇAS Artigo 2.º
E EDUCAÇÃO Alteração à Portaria n.º 1191/2010, de 19 de novembro
É alterado o Anexo I, referido no artigo 1.º da Portaria
Portaria n.º 198/2017 n.º 1191/2010, de 19 de novembro, que passa a ter a se-
de 26 de junho guinte redação:
O Decreto-Lei n.º 165/2006, de 11 de agosto, republi- «ANEXO I
cado pelo Decreto-Lei n.º 234/2012, de 30 de outubro,
estabelece a existência, nos países e áreas consulares em […] […]
que a rede do ensino português o justifique, de estruturas
responsáveis pela coordenação local do ensino português
........................ .......................
tendo por missão promover e coordenar o ensino português ........................ ‘Washington ou Boston ou
nos respetivos países, em todos os níveis da educação esco- Newark’
lar e da educação permanente, nomeadamente nos cursos ........................ ........................
de língua portuguesa e nas ações de difusão da língua e ........................ ........................
»
cultura portuguesas. Assim, pela Portaria n.º 1396/2006,
de 14 de dezembro, foram constituídas as estruturas de Artigo 3.º
coordenação do ensino português no estrangeiro. Aditamento à Portaria n.º 1191/2010, de 19 de novembro
A Portaria n.º 1191/2010, de 19 de novembro, manteve
as estruturas de coordenação anteriormente constituídas, É aditado à Portaria n.º 1191/2010, de 19 de novembro,
criou outras estruturas de coordenação do ensino português o artigo 4.º, com a seguinte redação:
no estrangeiro, previu o reforço das aludidas estruturas «4.º A localização da sede da coordenação do ensino
de coordenação e, tendo em conta a dimensão da área português nos Estados Unidos da América é flexível,
geográfica abrangida e o número elevado de cursos ou podendo a mesma ser deslocalizada, afeta a uma das
alunos, a possibilidade de o presidente do Camões, Insti- missões diplomáticas ou postos consulares previstos
tuto da Cooperação e da Língua, I. P., designar adjuntos no Anexo I à presente Portaria e que dela faz parte in-
de coordenação do ensino português no estrangeiro, até tegrante, de acordo com as necessidades de gestão da
ao número total de dez. As estruturas das coordenações de respetiva rede ou da maior concentração de alunos lu-
ensino encontram-se sediadas nas missões portuguesas, sodescendentes.»
nomeadamente, junto das embaixadas ou dos consulados
de Portugal, correspondendo a sua localização, definida Artigo 4.º
na Portaria n.º 1191/2010, de 19 de novembro, às neces-
Entrada em vigor
sidades de gestão das respetivas redes ou a uma maior
concentração de alunos lusodescendentes existentes à data A presente Portaria entra em vigor à data da sua assi-
da sua publicação. natura.
A dimensão e a dinâmica da comunidade portuguesa
impõem a introdução de alterações à Portaria, no sentido O Ministro das Finanças, Mário José Gomes de Frei-
de flexibilizar a localização das sedes das coordenações tas Centeno, em 15 de maio de 2017. — O Ministro da
Educação, Tiago Brandão Rodrigues, em 17 de maio de
de ensino, deslocalizando-as de acordo com as atuais ne-
2017. — O Secretário de Estado das Comunidades Portu-
cessidades de gestão das respetivas redes ou da maior
guesas, José Luís Pereira Carneiro, em 18 de maio de 2017.
concentração de alunos lusodescendentes, afetando-as a
uma missão diplomática ou consular, tal como previsto no
n.º 1 do artigo 8.º do Decreto-Lei n.º 165/2006, de 11 de
agosto, republicado pelo Decreto-Lei n.º 234/2012, de ECONOMIA
30 de outubro.
Assim, manda o Governo, pelo Ministro das Finanças, Decreto-Lei n.º 75/2017
pelo Ministro da Educação e pelo Secretário de Estado das
Comunidades Portuguesas, no uso das competências dele- de 26 de junho
gadas através do Despacho n.º 1478/2016, de 13 de janeiro,
nos termos do artigo 12.º do Decreto-Lei n.º 165/2006, de O Programa do XXI Governo Constitucional assumiu,
11 de agosto, o seguinte: entre os seus objetivos essenciais para o relançamento da
economia portuguesa e para a criação de emprego, a redu-
Artigo 1.º ção do elevado nível de endividamento das empresas e a
melhoria de condições para o investimento, nomeadamente
Objeto através da eliminação ou mitigação dos constrangimentos
A presente Portaria procede à primeira alteração da com que as empresas atualmente se deparam no acesso ao
Portaria n.º 1191/2010, de 19 de novembro, que manteve financiamento por capitais próprios ou alheios. A definição
as estruturas de coordenação constituídas pela Portaria destes objetivos tem subjacente o pressuposto de que o
n.º 1396/2006, de 14 de dezembro, constituiu outras es- investimento empresarial deve assumir um papel prepon-
truturas de coordenação do ensino português no estran- derante na recuperação forte e sustentada do crescimento
geiro, e passou a prever a competência do presidente do económico.
Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, I. P., para Tendo presente este entendimento, a Estrutura de Missão
designar adjuntos de coordenação do ensino português para a Capitalização de Empresas desenvolveu uma aná-
no estrangeiro. lise abrangente e transversal da economia e da realidade
3230 Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017
empresarial nacionais, com vista à conceção de medidas penhado, mas com a obrigação de restituição do excesso,
de apoio à capitalização das empresas, tendo identificado relativamente ao valor em dívida.
e apresentado ao Governo um conjunto de 131 medidas O presente decreto-lei foi submetido a consulta pública
enquadradas em cinco eixos estratégicos de intervenção: entre 17 de março e 14 de abril de 2017.
Simplificação Administrativa e Enquadramento Sistémico, Assim:
Fiscalidade, Reestruturação Empresarial, Alavancagem de Nos termos da alínea a) do n.º 1 do artigo 198.º da Cons-
Financiamento e Investimento e, por último, Dinamização tituição, o Governo decreta o seguinte:
do Mercado de Capitais.
Com base nos referidos eixos estratégicos de interven- Artigo 1.º
ção, o Governo aprovou o Programa Capitalizar, através Objeto
da Resolução do Conselho de Ministros n.º 42/2016, de
18 de agosto, enquanto programa estratégico de apoio à O presente decreto-lei aprova o regime da apropriação
capitalização das empresas, à retoma do investimento e do bem empenhado no penhor mercantil.
ao relançamento da economia, com o objetivo de promo-
ver estruturas financeiras mais equilibradas, reduzindo Artigo 2.º
os passivos das empresas economicamente viáveis, ainda Apropriação do bem empenhado no penhor mercantil
que com níveis excessivos de endividamento, bem como
de melhorar as condições de acesso ao financiamento das 1 — É lícito às partes convencionar, no contrato de
micro, pequenas e médias empresas. penhor para garantia de obrigação comercial em que o
O Programa Capitalizar prossegue os objetivos identi- prestador da garantia seja comerciante, que o credor pigno-
ficados, assentando nas cinco áreas estratégicas de inter- ratício, em caso de incumprimento, se aproprie da coisa ou
venção já referidas e é concretização de um dos pilares do direito empenhado, pelo valor que resulte de avaliação
do Programa Nacional de Reformas, a Capitalização das realizada após o vencimento da obrigação, devendo o modo
Empresas. e os critérios de avaliação ser estabelecidos no contrato.
Neste contexto, e muito embora o n.º 2 do artigo 675.º 2 — O contrato de penhor referido no número anterior
do Código Civil, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 47344/66, é celebrado por documento escrito que contenha o reco-
de 25 de novembro, permita a adjudicação pelo credor do nhecimento presencial da assinatura das partes.
3 — O direito de apropriação só pode ser convencionado
bem que lhe tenha sido dado em garantia, e a larga maioria
quando sobre a coisa ou direito dado em penhor não incida
da doutrina assim reconheça a validade do chamado «pacto
penhor de grau superior.
marciano», não existe no ordenamento jurídico processo 4 — O credor pignoratício fica obrigado a restituir ao
especial que permita concretizar essa faculdade. prestador da garantia o montante correspondente à dife-
Sem querer limitar a autonomia das partes para, como rença entre o valor da coisa ou do direito empenhado e o
vem sucedendo, fixarem livremente, por via contratual, montante da obrigação garantida
as condições de execução da faculdade prevista no refe- 5 — O disposto no n.º 1 não prejudica a possibilidade
rido n.º 2 do artigo 675.º do Código Civil, aprovado pelo de as partes convencionarem que a coisa ou o direito em-
Decreto-Lei n.º 47344/66, de 25 de novembro, considera- penhado seja adjudicado ao credor pignoratício pelo valor
-se imprescindível, no contexto do Programa Capitalizar, que o tribunal fixar, nos termos do n.º 2 do artigo 675.º do
tornar mais operacional esta faculdade para os comer- Código Civil, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 47344/66, de
ciantes. 25 de novembro, nem de as partes acordarem a sua venda
Adicionalmente, e na medida em que, como se referiu, extraprocessual.
entidades comerciantes e não comerciantes vêm recorrendo
ao «pacto marciano» e o mesmo tem sido considerado Artigo 3.º
admissível, não se quer pôr em causa a validade e a exe-
cutoriedade de convenções que tenham sido estabelecidas Entrada em vigor
antes da entrada em vigor deste diploma, que deverão O presente decreto-lei entra em vigor no dia 1 de julho
continuar a ser reconhecidas nos termos gerais, decorrentes de 2017.
da lei civil, e nos específicos termos contratuais que lhes
sejam aplicáveis. Visto e aprovado em Conselho de Ministros de 18 de
Assim, em cumprimento de uma das medidas do Pro- maio de 2017. — António Luís Santos da Costa — Fran-
grama Capitalizar procede-se à aprovação do regime da cisca Eugénia da Silva Dias Van Dunem — Manuel de
apropriação do bem empenhado no penhor mercantil, dou- Herédia Caldeira Cabral.
trinalmente conhecido como «pacto marciano». Promulgado em 22 de junho de 2017.
Este regime corresponde à convenção nos termos da
qual, em caso de incumprimento pelo devedor, o bem Publique-se.
dado em garantia transfere-se para o credor, ficando este, O Presidente da República, MARCELO REBELO DE SOUSA.
porém, obrigado a restituir ao devedor a soma correspon-
dente à diferença entre o valor do bem e o montante em Referendado em 23 de junho de 2017.
dívida. Nestes termos, por esta via, admite-se que o credor Pelo Primeiro-Ministro, Augusto Ernesto Santos Silva,
se aproprie do bem dado em garantia ou do direito em- Ministro dos Negócios Estrangeiros.
3232 Diário da República, 1.ª série — N.º 121 — 26 de junho de 2017
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