Diário da República, 1.ª série
Diário da República n.º 101
- Data
- 2013-05-01
Texto integral (49 230 palavras)
I SÉRIE
Segunda-feira, 27 de maio de 2013 Número 101
ÍNDICE
Assembleia da República
Resolução da Assembleia da República n.º 70/2013:
Recomenda ao Governo que promova medidas tendentes à otimização dos cuidados de saúde
hospitalares na região Oeste Norte . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3054
Resolução da Assembleia da República n.º 71/2013:
Recomenda ao Governo medidas de valorização dos serviços hospitalares do Centro Hospitalar
do Oeste e do Hospital Termal das Caldas da Rainha . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3054
Resolução da Assembleia da República n.º 72/2013:
Recomenda a criação de um regime de suficiência do documento eletrónico para a entrega de
trabalhos, teses e dissertações, garantindo a gratuitidade para os estudantes . . . . . . . . . . . . . . . 3054
Resolução da Assembleia da República n.º 73/2013:
Recomenda ao Governo um conjunto de orientações relativas às novas obrigações fiscais para
o setor agrícola. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3054
Ministério das Finanças
Portaria n.º 192/2013:
Fixa a estrutura nuclear do Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Inter-
nacionais e revoga a Portaria n.º 343/2007, de 30 de março . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3054
Ministério da Administração Interna
Portaria n.º 193/2013:
Define os parâmetros a que deve obedecer o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras na fixação dos
procedimentos e soluções tecnológicas a adotar pelas transportadoras aéreas para transmissão
da informação dos passageiros alvo de comunicação antecipada obrigatória . . . . . . . . . . . . . . . 3057
Região Autónoma dos Açores
Decreto Legislativo Regional n.º 5/2013/A:
Aprova as Orientações de Médio Prazo 2013/2016. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3071
3054 Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA 3 — Potencie a partilha do conhecimento produzido e
publicado em documento eletrónico resultante de teses, dis-
Resolução da Assembleia da República n.º 70/2013 sertações e trabalhos universitários, através de plataforma
eletrónica própria e homogénea a todo o sistema de ensino
superior, de acesso gratuito, garantido e profícuo.
Recomenda ao Governo que promova medidas tendentes
à otimização dos cuidados Aprovada em 3 de maio de 2013.
de saúde hospitalares na região Oeste Norte
A Presidente da Assembleia da República, Maria da
A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 Assunção A. Esteves.
do artigo 166.º da Constituição, recomendar ao Governo
que: Resolução da Assembleia da República n.º 73/2013
1 — Assegure a referenciação da generalidade da popu-
lação dos concelhos de Alcobaça e Nazaré para o Hospital Recomenda ao Governo um conjunto de orientações relativas
de Santo André, em Leiria. às novas obrigações fiscais para o setor agrícola
2 — As unidades hospitalares de Caldas da Rainha, Pe-
niche e Alcobaça vejam garantidas, tanto quanto possível, A Assembleia da República resolve, nos termos do dis-
o maior número de valências médicas. posto do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição da República
3 — Seja assegurado o alargamento e modernização do Portuguesa, recomendar ao Governo que:
Hospital das Caldas da Rainha. 1 — Promova a articulação entre o Ministério da
Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do
Aprovada em 19 de abril de 2013. Território e o Ministério das Finanças no sentido de ser
A Presidente da Assembleia da República, Maria da compatibilizado o conceito de atividade agrícola vertido
Assunção A. Esteves. no Código do IRS e subjacente às novas listas anexas
ao Código do IVA com o conceito vertido no normativo
Resolução da Assembleia da República n.º 71/2013 comunitário, refletindo, por essa via, as novas realidades
do setor agrícola, e conferindo maior coerência ao regime
de tributação aplicável.
Recomenda ao Governo medidas de valorização dos serviços 2 — Promova, em estreita articulação com as confede-
hospitalares do Centro Hospitalar
do Oeste e do Hospital Termal das Caldas da Rainha rações do setor, uma ampla campanha de divulgação junto
dos agricultores, alertando-os para as novas obrigações
A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 fiscais e contributivas.
do artigo 166.º da Constituição, recomendar ao Governo
que: Aprovada em 3 de maio de 2013.
1 — Assegure, no quadro previsto para a reorganização A Presidente da Assembleia da República, Maria da
da rede hospitalar e observando o objetivo estratégico de Assunção A. Esteves.
otimização do Serviço Nacional de Saúde, a manutenção
do maior número de especialidades nas atuais unidades
hospitalares de Caldas da Rainha, Peniche e Alcobaça.
2 — Avalie a premência das obras previstas para a se- MINISTÉRIO DAS FINANÇAS
gunda fase de alargamento do Hospital das Caldas da Rai-
nha, cuja concretização tem sido sucessivamente adiada Portaria n.º 192/2013
há mais de uma década.
de 27 de maio
Aprovada em 19 de abril de 2013.
O Decreto regulamentar n.º 48/2012, de 22 de agosto,
A Presidente da Assembleia da República, Maria da definiu a missão, as atribuições e o tipo de organização
Assunção A. Esteves. interna do Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação
e Relações Internacionais do Ministério das Finanças.
Resolução da Assembleia da República n.º 72/2013 Importa agora, no desenvolvimento daquele decreto regu-
lamentar, determinar a estrutura nuclear e estabelecer o nú-
Recomenda a criação de um regime de suficiência do documento mero máximo de unidades flexíveis e matriciais do serviço e
eletrónico para a entrega de trabalhos, teses as competências das respetivas unidades orgânicas nucleares.
e dissertações, garantindo a gratuitidade para os estudantes Assim:
Ao abrigo dos n.ºs 4 e 5 do artigo 21.º e do n.º 3 do
A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5
artigo 22.º da Lei n.º 4/2004, de 15 de janeiro, manda
do artigo 166.º da Constituição, recomendar ao Governo
o Governo, pelo Ministro de Estado e das Finanças, o
que:
seguinte:
1 — Estabeleça um regime de suficiência de documento
eletrónico para a entrega de trabalhos, teses e dissertações Artigo 1.º
no sistema de ensino superior, substituindo a entrega em Estrutura nuclear do Gabinete de Planeamento,
formato papel tal como estabelecido pelo Decreto-Lei Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais
n.º 74/2006, de 24 de março.
1 – O Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e
2 — Garanta que a produção, publicação, transmissão
Relações Internacionais (GPEARI) do Ministério das Finan-
e armazenamento dos documentos eletrónicos relativos a
ças estrutura-se nas seguintes unidades orgânicas nucleares:
teses, dissertações e trabalhos universitários são realiza-
dos em norma aberta, transpondo o estabelecido pela Lei a) Departamento de Análise Económica e Finanças
n.º 36/2011, de 21 de junho. Públicas;
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b) Departamento de Política Europeia; Artigo 3.º
c) Departamento de Mercados, Serviços e Conten- Departamento de Política Europeia
cioso;
d) Departamento de Cooperação e Instituições; Ao Departamento de Política Europeia, abreviadamente
e) Departamento de Planeamento e Gestão. designado por DPE, compete:
a) Acompanhar e analisar o processo de integração eco-
2 – As unidades orgânicas referidas no número anterior nómica de Portugal na UE e elaborar documentos técnicos
são dirigidas por diretores de serviços, cargos de direção com propostas de definição de estratégias do MF nesse
intermédia de 1.º grau. domínio, contribuindo para assegurar o relacionamento
institucional com as instituições comunitárias designada-
Artigo 2.º mente ao nível do Conselho e da Comissão Europeia;
Departamento de Análise Económica e Finanças Públicas b) No âmbito da governação económica da UE, acom-
panhar e analisar, a evolução da situação económica dos
Ao Departamento de Análise Económica e Finanças vários Estados-membros, em particular dos da área do euro;
Públicas, abreviadamente designado por DAEFP, compete: c) Acompanhar, coordenar os trabalhos técnicos de pre-
a) Contribuir, mediante apoio de natureza técnica, para a paração e assegurar a representação institucional do MF no
formulação, o acompanhamento e a avaliação das políticas ECOFIN e no Eurogrupo, nas reuniões ao nível do CEF e
económicas e financeiras, as prioridades e objetivos do do Comité de Política Económica (CPE) e na OCDE;
Ministério das Finanças (MF) e contribuir para a conceção d) Coordenar a elaboração do trabalho técnico neces-
e execução da política legislativa do MF do domínio das sário para fundamentar e assegurar o cumprimento das
atribuições do DAEFP; obrigações do MF no âmbito das suas competências ao
b) Acompanhar a evolução da conjuntura económica nível dos procedimentos de governação económica, em
e financeira nacional e internacional e, de forma regular, particular os procedimentos de supervisão bilateral e mul-
elaborar relatórios analíticos de síntese; tilateral no âmbito do Semestre Europeu e assegurar o
c) Analisar o impacto da evolução dos agregados ma- reporte regular aos gabinetes governamentais do MF neste
croeconómicos relevantes na gestão e controlo da política domínio;
fiscal e orçamental, e elaborar projeções das principais e) Assegurar a articulação entre o MF e as estruturas
variáveis macroeconómicas, tendo em vista a programação competentes do Ministério dos Negócios Estrangeiros
orçamental de médio prazo; (MNE) e demais estruturas da Administração Pública ao
d) Acompanhar, no âmbito da política económica, a con- nível do reporte de informação sobre a estratégia de con-
ceção, a implementação e os resultados de reformas estrutu- dução da política económica;
rais, quer ao nível nacional, quer da União Europeia (UE), f) Assegurar a representação do MF nas estruturas de
em articulação com o Departamento de Política Europeia; coordenação interministerial no domínio das relações de
e) Garantir a coordenação com outros departamentos Portugal com a UE;
governamentais competentes na área da política econó- g) Acompanhar ao nível do MF as questões relacionadas
mica, de modo a assegurar a eficiência na realização de com a estratégia de política europeia, designadamente a
ações transversais e na partilha de recursos; Estratégia Europa 2020, participando na elaboração de
f) Garantir as relações e a colaboração com as institui- documentos nesse domínio na sua esfera de competência;
ções nacionais e internacionais com conhecimento espe- h) Preparar e acompanhar, na esfera de competência do
cífico na área da análise económica e finanças públicas; MF, os trabalhos relativos à governação do Fundo Mone-
g) Assegurar a difusão e promover a análise dos funda- tário Internacional (FMI) e os processos conjuntos com o
mentos técnicos das medidas de política económica; Banco de Portugal nesta matéria;
h) No âmbito da política económica, assegurar a repre- i) Assegurar o relacionamento institucional com o Banco
sentação institucional do MF nos grupos de trabalho das Europeu de Investimento (BEI), o Fundo Europeu de Inves-
instituições internacionais, designadamente através da timento (FEI) e o Banco de Desenvolvimento do Conselho
participação nas reuniões dos grupos de trabalho do Co- da Europa (CEB);
mité de Política Económica da Comissão Europeia (CPE) j) Coordenar e assegurar a preparação da representação
e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento do MF nas reuniões dos órgãos de governação do BEI e
Económico (OCDE); do CEB;
i) Contribuir para a preparação da representação do k) No âmbito da política europeia, analisar e divulgar
MF no CPE, no Comité Económico Financeiro (CEF), informação relativa à atividade do BEI e do CEB em Por-
no Conselho de Ministros para as Questões Económicas tugal;
e Financeiras (ECOFIN) e no Eurogrupo; l) No âmbito das competências do MF, assegurar a
j) Assegurar a elaboração do Programa de Estabilidade e difusão da informação, ao nível nacional e internacio-
Crescimento, do relatório da proposta de lei do Orçamento nal, relativa à posição de Portugal no domínio da política
do Estado e de outros documentos de estratégia orçamen- económica europeia e nos procedimentos de governação
tal, em articulação com a Direção-Geral do Orçamento económica europeia.
(DGO) e com os restantes serviços do MF e dos demais
ministérios; Artigo 4.º
k) Assegurar a elaboração das Grandes Opções do Plano
Departamento de Mercados, Serviços e Contencioso
em articulação com os serviços competentes do MF e dos
demais ministérios; Ao Departamento de Mercados, Serviços e Conten-
l) Garantir a produção de informação adequada, desig- cioso, abreviadamente designado por DMSC, compete
nadamente estatística, no quadro do sistema estatístico acompanhar e coordenar a ação do MF no quadro do
nacional, nas áreas de intervenção do MF. mercado interno europeu, política externa europeia e po-
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lítica legislativa europeia, assegurar a articulação com as SOLVIT (rede informal de resolução de problemas no
estruturas competentes do MNE e de outros serviços e âmbito do mercado interno);
organismos da Administração Pública, e a representação o) Coordenar e acompanhar as ações relacionadas com
nas respetivas estruturas de coordenação interministerial, processos do combate ao financiamento do terrorismo e
designadamente: ao branqueamento de capitais e a aplicação de sanções
financeiras internacionais;
a) Acompanhar os desenvolvimentos ao nível do mer-
p) Participar na preparação da aprovação e ratificação
cado interno europeu e da política externa europeia com
de instrumentos convencionais, quando estejam em causa
relevância para o MF e a sua relação com outras políti-
matérias da competência do MF.
cas transversais da UE, analisando e dando parecer sobre
questões neste domínio e colaborando na elaboração de
Artigo 5.º
documentos estratégicos;
b) Colaborar nos trabalhos técnicos de preparação da Departamento de Cooperação e Instituições
participação do MF em reuniões da UE, em particular no
Sem prejuízo das competências cometidas aos serviços
ECOFIN, no CEF e no CPE, em reuniões bilaterais e em
do MNE, ao Departamento de Cooperação e Instituições,
reuniões de organizações internacionais, em particular
abreviadamente designado por DCI, compete:
da OCDE, em matérias que relevem das suas áreas de
competência; a) Coordenar e divulgar as atividades do MF na área
c) Acompanhar, coordenar os trabalhos técnicos de das relações internacionais e da cooperação de âmbito
preparação e assegurar a representação institucional do multilateral e bilateral;
MF na área dos mercados e serviços financeiros, com b) Assegurar a articulação com as estruturas competen-
particular incidência nos desenvolvimentos ao nível dos tes do MNE e de outros departamentos da Administração
mercados financeiros nacionais e internacionais, em termos Pública nas matérias do domínio da DCI;
de organização, regulamentação, supervisão e integração, c) Assegurar a representação do MF nas estruturas de
e nas negociações de propostas ou projetos de legislação coordenação interministerial da ação externa do Estado;
comunitária neste domínio; d) Coordenar a preparação, execução e gestão do Or-
d) Acompanhar, promovendo a coordenação quando çamento da Cooperação no âmbito da assistência técnica,
necessário, a participação do MF nas demais negociações das contribuições financeiras bilaterais e das participações
comunitárias no quadro do mercado interno europeu; e contribuições financeiras multilaterais.
e) Acompanhar e coordenar a participação do MF nas e) Assegurar o relacionamento institucional com as
negociações comunitárias em matéria de auxílios de Es- Instituições Financeiras Internacionais (IFI), designada-
tado, centralizar e coordenar o processo de notificação e mente os grupos do Banco Mundial, do Banco Africano
reporte de auxílios de Estado concedidos pelo MF e ela- de Desenvolvimento, do Banco Interamericano de Desen-
borar respostas à Comissão Europeia neste domínio; volvimento, do Banco Asiático de Desenvolvimento, do
f) Acompanhar e coordenar a ação do MF em matéria de Banco Europeu para a Reconstrução e do Desenvolvimento
relacionamento económico e comercial bilateral, regional e a Corporação Andina de Fomento;
e multilateral da UE, designadamente ao nível do Co- f) Contribuir para a definição das posições do MF ao
mité de Política Comercial, grupos de trabalho regionais, nível do Conselho de Governadores das IFI;
Organização Mundial do Comércio e outros organismos g) Representar e coordenar a participação nacional nos
internacionais; Conselhos de Administração das IFI;
g) Coordenar e assegurar a representação institucional h) Assegurar a representação do MF nas negociações
do MF nas reuniões ASEM (plataforma informal de diálogo de aumentos de capital das IFI e nas reconstituições de
e cooperação entre a UE e a Ásia); recursos dos fundos concessionais;
h) Acompanhar e coordenar a participação do MF na i) Promover iniciativas de divulgação das oportunida-
definição e implementação de medidas no quadro da Po- des oferecidas pelo mercado das IFI junto das empresas,
lítica Europeia de Vizinhança e nas negociações com vista banca e investidores nacionais, designadamente por via
ao alargamento da UE; da participação no Mecanismo de Acompanhamento do
i) Proceder à divulgação junto dos serviços do MF de Mercado das Multilaterais Financeiras;
projetos de geminação de instituições e organização de j) Acompanhar as atividades do FMI e do BEI em ma-
visitas de estudo e seminários no âmbito do TAIEX (instru- térias específicas de cooperação para o desenvolvimento;
mento de troca de informação e assistência técnica gerido k) Conceber, negociar e acompanhar a execução de
pela Comissão Europeia); programas de cooperação e assistência técnica no domínio
j) Contribuir para a conceção e execução da política das finanças públicas, com os países de língua oficial portu-
legislativa do MF e prestar assessoria jurídica aos demais guesa e outros países em desenvolvimento, em colaboração
departamentos do GPEARI; com os restantes serviços do MF e do MNE;
k) Propor e acompanhar as medidas consideradas ne- l) Contribuir para a definição da posição do MF nas
cessárias à transposição ou aplicação na ordem jurídica cimeiras bilaterais, reuniões ministeriais no âmbito da
interna da legislação comunitária; Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e
l) Analisar e dar parecer sobre propostas ou projetos de outros encontros de alto nível, em colaboração com os
legislação nacional com implicações comunitárias; restantes serviços do Ministério e do MNE;
m) Coordenar e acompanhar as ações relacionadas com m) Assegurar a representação do MF nas reuniões de
processos de pré-contencioso e contencioso comunitários comissões mistas e grupos de trabalho no âmbito bilateral
e as respostas aos pedidos de informação e denúncias ou da CPLP;
apresentados ao abrigo do procedimento EU-Pilot; n) Assegurar a execução, pela parte portuguesa, do
n) Coordenar as respostas aos pedidos de informação e Acordo de Cooperação Cambial com Cabo Verde e do
queixas de cidadãos e empresas da UE no âmbito da rede Acordo de Cooperação Económica com São Tomé e Prín-
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cipe, em colaboração com o Banco de Portugal e com o k) Planear e coordenar as atividades relacionadas com
MNE, bem como a representação do MF nos órgãos dos a estratégia e os sistemas e tecnologias de informação do
Acordos, nomeadamente nas respetivas Comissões e Uni- GPEARI, com o objetivo de garantir a sua qualidade e a
dades de Acompanhamento Macroeconómico; sua otimização;
o) Conceber, negociar e acompanhar a execução dos l) Apoiar a definição das políticas e objetivos relaciona-
instrumentos de apoio financeiro, nomeadamente emprés- dos com os sistemas e tecnologias de informação;
timos e linhas de crédito, concedidos no âmbito da Ajuda m) Controlar as condições de funcionamento dos siste-
Pública ao Desenvolvimento (APD), em articulação com mas e tecnologias de informação ao nível da organização,
a Direção-Geral do Tesouro e Finanças (DGTF) e outros designadamente as funcionalidades, a qualidade da infor-
serviços da Administração Pública; mação e a otimização dos sistemas.
p) Acompanhar, em articulação com a DGTF, as ne-
gociações para a reestruturação da dívida dos países em 2 – O exercício das competências referidas nas alíneas k) a
desenvolvimento, nomeadamente através de operações de m), do número anterior são exercidas sem prejuízo das com-
reescalonamento, conversão e outras, quer bilateralmente petências cometidas neste domínio à Entidade de Serviços
quer no âmbito do Clube de Paris; Partilhados da Administração Pública, I. P. (ESPAP, I. P.).
q) Coordenar a participação do MF na negociação de
convenções, acordos e tratados internacionais, em articu- Artigo 7.º
lação com outros serviços deste Ministério; Unidades orgânicas flexíveis
r) Proceder ao registo e tratamento de dados relativos
à contribuição do MF para a APD, bem como colaborar O número máximo de unidades orgânicas flexíveis do
com as estruturas competentes do MNE nas atividades do GPEARI é fixado em 9.
Comité de Ajuda ao Desenvolvimento da OCDE.
Artigo 8.º
Artigo 6.º Chefes de equipas multidisciplinares
Departamento de Planeamento e Gestão É fixada em 2 a dotação máxima de chefes de equipas
multidisciplinares.
1 - Ao Departamento de Planeamento e Gestão, abre- Artigo 9.º
viadamente designado por DPG, compete:
Norma Revogatória
a) Elaborar, difundir e apoiar a criação de instrumentos
de planeamento, programação financeira e de avaliação É revogada a Portaria n.º 343/2007, de 30 de março.
das políticas e programas do MF;
b) Assegurar a articulação entre os instrumentos de Artigo 10.º
planeamento, de previsão orçamental, de reporte e de pres- Entrada em vigor
tação de contas;
c) Coordenar a elaboração, o acompanhamento e a A presente portaria entra em vigor no dia seguinte ao
da sua publicação.
avaliação dos instrumentos de gestão, nomeadamente de
planos estratégicos, planos e relatórios de atividades e de O Ministro de Estado e das Finanças, Vítor Louçã Ra-
desenvolvimento do MF e dos organismos, promovendo baça Gaspar, em 18 de maio de 2013.
a utilização padronizada de instrumentos adequados, esta-
belecendo objetivos e indicadores chave de desempenho a
atingir pelos diversos serviços e organismos;
d) Promover e coordenar a identificação de riscos as- MINISTÉRIO DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA
sociados ao planeamento de cada organismo, definindo e
consolidando estratégias de gestão e planos de contingência Portaria n.º 193/2013
para mitigação dos riscos identificados;
de 27 de maio
e) Definir e promover a utilização de conceitos, procedi-
mentos e modelos de planeamento padronizados e comuns A Diretiva n.º 2004/82/CE do Conselho, de 29 de abril de
a todos os organismos; 2004, veio estabelecer a obrigação para os Estados-membros
f) Assegurar as atividades relativas aos sistemas de de legislar no sentido de obrigar as transportadoras aéreas
avaliação de serviços no âmbito do MF, visando o seu a transmitir os dados dos passageiros que transportem até
desenvolvimento, coordenação e controlo e apoiar o exer- um posto autorizado de passagem de fronteira externa,
cício das demais competências fixadas na lei sobre esta através do qual entrem no território de um Estado-membro.
matéria; A diretiva teve por objetivos, essencialmente, combater
g) Promover e realizar estudos de avaliação dos planos a imigração ilegal e melhorar o controlo de fronteiras e
estratégicos e de desenvolvimento, garantindo a sua con- dos fluxos migratórios, sendo as obrigações ali previstas
sistência e atualidade e facilitando a visão global e atual complementares face às que decorrem do artigo 26.º da
da atividade dos organismos; Convenção de Aplicação do Acordo de Schengen de 1990,
h) Assegurar a recolha e tratamento da informação de tal como complementado pela Diretiva n.º 2001/51/CE, de
base à produção de estatísticas, indicadores e de outra in- 10 de julho de 2001.
formação de gestão, nomeadamente relativa aos sectores Idênticos desideratos de combate à imigração ilegal e de
monetários e financeiros, nacionais e internacionais; utilização das novas tecnologias de informação tendo em
i) Preparar os documentos de planeamento do GPEARI; vista a inovação, a simplificação e a aceleração de procedi-
j) Identificar necessidades de recursos humanos e de mentos são prosseguidos pela Lei n.º 23/2007, de 4 de julho,
aquisição de bens e serviços, em articulação com as demais que veio definir o regime jurídico de entrada, permanência,
estruturas deste Gabinete; saída e afastamento de estrangeiros do território nacional.
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A Lei n.º 29/2012, de 9 de agosto, alterou entretanto a Lei h) “Guia Português de Implementação Técnica APIS”, o
n.º 23/2007, de 4 de julho, implementando, a nível nacional, documento que disponibiliza as especificações técnicas que
o Regulamento (CE) n.º 810/2009 do Parlamento Europeu as transportadoras aéreas devem implementar para assegu-
e do Conselho, de 13 de julho, que estabelece o Código Co- rar o cumprimento das obrigações decorrentes da legislação
munitário de Vistos, e transpondo cinco diretivas europeias. nacional e da União Europeia no que respeita à informa-
O artigo 42.º do referido diploma identifica um conjunto ção antecipada sobre passageiros a comunicar ao SEF;
de informações relativas aos passageiros transportados por i) “Informação antecipada sobre passageiros”, a informa-
transportadoras aéreas para território nacional, que devem ção elencada nos termos do artigo 4.º da presente portaria;
ser alvo de comunicação prévia e obrigatória ao Serviço j) “Originador certificado”, a transportadora aérea certi-
de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). ficada ou o emissor da mensagem, caso seja uma entidade
Pelo Decreto Regulamentar n.º 84/2007, de 5 de novem- diferente da transportadora aérea;
bro, veio o Governo regulamentar a entrada, permanência, k) “Ponto de passagem de fronteira”, qualquer ponto de
saída e afastamento de estrangeiros do território nacional, passagem autorizado pelas autoridades competentes para
estabelecendo no seu artigo 9.º a obrigação, para o SEF, de a passagem das fronteiras externas;
determinar os procedimentos e soluções tecnológicas ade- l) “Registo de embarque”, o processo de verificação e
quados para a transmissão pelas transportadoras aéreas dos confirmação dos documentos de viagem dos passageiros,
dados previstos no artigo 42.º da Lei n.º 23/2007, de 4 de levado a cabo pelas transportadoras aéreas, com vista à
julho, alterada pela Lei n.º 29/2012, de 9 de agosto, nos autorização ou recusa de embarque dos passageiros;
termos a definir por portaria. m) “Sistema de Informação Antecipada de Passagei-
Nesta circunstância, vem a presente portaria definir ros”, os procedimentos e soluções tecnológicas relativos
os parâmetros a que o SEF deve obedecer na fixação dos à obrigação que impende sobre as transportadoras aéreas
procedimentos e soluções tecnológicas a adotar pelas trans- de fornecer, prévia e obrigatoriamente ao SEF, informação
portadoras aéreas para transmissão da informação dos sobre passageiros que viajem em rotas com destino a, ou
passageiros alvo de comunicação antecipada obrigatória.
em trânsito sobre, o território nacional português, provin-
Foi promovida a audição da Comissão Nacional de
dos de Estados terceiros;
Proteção de Dados, do SEF e do Instituto Nacional de
Aviação Civil. n) “STA” (scheduled time of arrival), o horário previsto
Assim: para chegada do voo ao ponto de desembarque;
Manda o Governo, pelo Ministro da Administração o) “STD” (scheduled time of departure), o horário pre-
Interna, ao abrigo do disposto no artigo 42.º da Lei visto para partida do voo do ponto de embarque;
n.º 23/2007, de 4 de julho, republicada em anexo à Lei p) “Transportadora aérea”, a empresa detentora de li-
n.º 29/2012, de 9 de agosto, e no artigo 9.º do Decreto cença de exploração, nos termos do Regulamento (CE)
Regulamentar n.º 84/2007, de 5 de novembro, o seguinte: n.º 1008/2008, do Parlamento Europeu e do Conselho,
de 24 de setembro de 2008, relativo a regras comuns de
Artigo 1.º exploração dos serviços aéreos na Comunidade;
q) “Transportadora aérea certificada”, a transportadora
Objeto aérea objeto de processo de certificação eletrónica a definir
Pela presente portaria definem-se os parâmetros a que deve pelo SEF.
obedecer o SEF na fixação dos procedimentos e soluções tecno- Artigo 3.º
lógicas a adotar pelas transportadoras aéreas para transmissão Âmbito de aplicação
da informação dos passageiros alvo de comunicação antecipada
obrigatória. O disposto na presente portaria é aplicável à informa-
Artigo 2.º ção antecipada sobre passageiros recolhida por qualquer
transportadora aérea que efetue rotas com destino a, ou em
Definições trânsito sobre, o território nacional, provindas de Estados
Para os efeitos da presente portaria, entende-se por: terceiros.
Artigo 4.º
a) “ATA” (actual time of arrival), o horário de chegada
efetiva do voo ao ponto de desembarque; Informação obrigatória
b) “ATD” (actual time of departure), o horário de partida 1- A informação antecipada sobre passageiros deve ser
efetiva do voo do ponto de embarque; recolhida pela transportadora aérea durante o registo de
c) “Controlo de fronteiras”, o controlo nas fronteiras embarque, devendo integrar, para cada passageiro, os ele-
externas que, independentemente de qualquer outro mo- mentos a seguir elencados:
tivo, se baseia exclusivamente na intenção de passar a
fronteira; a) O número, o tipo, a data de emissão e a validade do
d) “DCS” (departure control system), o sistema de con- documento de viagem utilizado;
trolo de partidas; b) A nacionalidade;
e) “ETA” (estimated time of arrival), o horário estimado c) O nome completo;
para chegada do voo ao ponto de desembarque; d) A data de nascimento;
f) “ETD” (estimated time of departure), o horário esti- e) O ponto de passagem da fronteira à entrada no ter-
mado para partida do voo do ponto de embarque; ritório nacional;
g) “Fecho do registo de embarque” ou “final do registo f) O código do transporte;
de embarque”, o momento de encerramento da porta de g) A hora de partida e de chegada do transporte;
embarque, não havendo, salvo situações excecionais ou h) O número total de passageiros incluídos nesse trans-
casos de força maior, lugar à sua reabertura, senão no porte; e,
ponto de desembarque; i) O ponto inicial de embarque.
Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013 3059
2- Cabe às transportadoras aéreas fazer a recolha de toda vem implementar para assegurar o cumprimento desta
a informação acima indicada, a qual deve ser transmitida, diretiva.
no final do registo de embarque, por mensagem em formato A especificação aqui introduzida é baseada na aplicação
que obedeça às especificações técnicas e procedimentos da norma UN/EDIFACT, utilizando a mensagem PAXLST
previstos no Guia Português de Implementação Técnica que define e estabelece a informação que deverá ser comu-
APIS. nicada ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).
3- Para obstar a falhas na transmissão ou na receção
das mensagens, por motivos técnicos ou logísticos, são Acrónimos
disponibilizados meios alternativos para submissão das Para melhor compreensão do documento apresenta-se
mensagens ao SEF, conforme previsto no Guia Português na tabela seguinte os acrónimos usados no documento.
de Implementação Técnica APIS.
4- A informação antecipada sobre passageiros, inde- Acrónimo Descrição
pendentemente da recolha antecipada decorrente de meios
não presenciais de registo de embarque, deve ser sempre
conferida durante o embarque, na presença dos passagei- APIS Advance Passenger Information System
ros e em confrontação com os respetivos documentos de PAXLST Passenger List Message
viagem e de identificação.
XML Extensible Markup Language
5- As transportadoras aéreas são responsáveis pela
veracidade, fidedignidade e completude da informação UN/EDIFACT United Nations/Electronic Data Interchange For Ad-
transmitida ao SEF, sem prejuízo do eventual direito de ministration, Commerce, and Transport
regresso de que beneficiem perante os passageiros respon- EDI Electronic Data Interchange
sáveis pela transmissão de informação falsa, incorreta ou SEF Serviço de Estrangeiros e Fronteiras
incompleta.
Artigo 5.º Organização do Documento
Dados dos passageiros Este documento está organizado nos seguintes capí-
As transportadoras aéreas ficam obrigadas a informar os tulos:
passageiros nos termos do artigo 44.º da Lei n.º 23/2007,
▪ Introdução
de 4 de julho, republicada em anexo à Lei n.º 29/2012, de
9 de agosto, bem como a eliminar definitivamente todos os Este capítulo descreve os principais objetivos relativos à
dados recolhidos e transmitidos ao SEF no prazo de 24 horas obrigatoriedade de comunicação dos dados de passageiros
a contar do ATA. pelas transportadoras.
Artigo 6.º É feita referência aos requisitos técnicos que devem ser
assegurados por cada transportadora na implementação da
Especificações técnicas
presente especificação.
1- Na transmissão da informação antecipada sobre Inclui-se também neste capítulo um conjunto de acróni-
passageiros as transportadoras aéreas devem respeitar as mos para um bom entendimento e leitura do documento.
especificações técnicas previstas no Guia Português de
Implementação Técnica APIS. ▪ Definição de Informação
2- O Guia Português de Implementação Técnica APIS
é publicado em anexo à presente portaria. Este capítulo apresenta os manifestos que devem ser
comunicados ao SEF, descrevendo os dados que caracte-
Artigo 7.º rizam cada manifesto.
Entrada em vigor ▪ Especificação Detalhada
A presente portaria entra em vigor 30 dias após a data O objetivo deste capítulo é a descrição detalhada da
da sua publicação. mensagem PAXLST, caracterizando cada bloco de dados
O Ministro da Administração Interna, Miguel Bento em função da informação e regras que devem ser aplica-
Martins Costa Macedo e Silva, em 10 de abril de 2013. das.
ANEXO ▪ Anexos
Informação anexa de apoio ao documento.
Guia Português de Implementação Técnica APIS
Requisitos Técnicos para Implementação
INTRODUÇÃO
Cada transportadora deve ter em consideração os requi-
Objetivos do Documento sitos técnicos abaixo descritos.
Através da introdução da Diretiva n.º 2004/82/CE do Formato de Mensagens
Conselho de 29 de abril de 2004, cada estado membro
através das suas autoridades fronteiriças devem obrigar O SEF define como obrigatório a aplicação da norma
as transportadoras à transmissão e comunicação de dados UN/EDIFACT utilizando a mensagem PAXLST para a
dos passageiros. comunicação dos dados.
O objetivo do presente documento é disponibilizar a Este é o modo que deve ser respeitado integralmente
todas as transportadoras a especificação técnica que de- por cada transportadora.
3060 Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013
DEFINIÇÃO DA INFORMAÇÃO ESPECIFICAÇÃO DETALHADA DAS MENSAGENS
O presente capítulo descreve os elementos de dados que Estrutura da Mensagem
devem estar presentes nos diferentes manifestos a serem
produzidos por parte de cada transportadora. O formato UN/EDIFACT consiste numa mensagem de
De acordo com a secção 8 do guia de implementação segmentos com 5 níveis hierárquicos
API (1), podemos dividir a informação em dois blocos
essenciais:
▪ Dados relativos ao voo (data header), informação que
estabelece as características de cada voo (identificação
de voo, data prevista de embarque, etc.) devendo estar
disponível nos sistemas de cada transportadora;
▪ Dados relativos a passageiros (data item), informa-
ção que corresponde aos dados constantes do documento
oficial de viagem;
Em seguida são descritos os elementos de dados obri-
gatórios e opcionais para cada bloco de informação a ser
enviado nos diferentes manifestos.
(1) Guidelines on Advance Passenger Information, WCO/IATA/
ICAO, março 2003
Manifesto da Informação de Passageiros
Dados de Voo
Figura 1
Elemento de Dados Obrigatório
Descrição dos Elementos
Flight Identification 9
Os elementos descritos neste documento estão de acordo
(Código IATA da companhia aérea e n.º de voo) com a norma EDI (ISO 9735).
Scheduled Departure Date 9
(Data de partida do avião, baseada no horário local Elemento UNA (Caráteres de Serviço)
de origem)
Scheduled Departure Time 9 Propósito: Segmento utilizado para definir os caráteres
(Hora de partida do avião, baseada no horário local usados como separadores e indicadores. Se este segmento
de origem)
Scheduled Arrival Date 9
for utilizado deverá ser o primeiro segmento apresentado
(Data de chegada do avião, baseada no horário local na mensagem, e deverá aparecer antes do elemento UNB.
de destino) Caso este elemento não seja enviado os valores por default
Scheduled Arrival Time 9 são os apresentados no exemplo.
(Hora de chegada do avião, baseada no horário local Nível do segmento: 0
de destino)
Last Place/Port of Call of Aircraft 9 Uso: Opcional.
(Aeroporto de destino inicial) Exemplo:
Place/Port of Aircraft Initial Arrival 9
(Aeroporto de destino do voo) UNA:+.? ‘
Number of Passengers 9
(Número total de passageiros no voo) Definição do segmento:
Nome Valor
Dados de Passageiros
Etiqueta do segmento UNA
Elementos de Dados Obrigatório
Separador de elementos de dados com- : (dois pontos)
posto
Official Travel Document Number 9 Separador de elemento de dados + (sinal mais)
(Número de passaporte ou outro documento oficial
de viagem) Notação decimal . (ponto)
Issuing State or Organization of the Official 9
(Nome do estado membro ou organização responsá- Release Caracter ? (ponto de exclamação)
vel pelo documento) Reservado para Futuro S/ Função – Reservado
Official Travel Document Type 9 para futuro
(Indicador que identifica o tipo de documento de
viagem) Indicador de fim de segmento ‘ (plica)
Surname/Given name(s) 9
(Sobrenome e nomes principais de acordo com o que
está no documento oficial de viagem) Elemento UNB (Cabeçalho da Transferência)
Nationality 9
(Nacionalidade do passageiro) Propósito: Segmento para identificar o começo da
Date of Birth 9 mensagem, identifica unicamente a mensagem. O tipo de
(Data de nascimento do passageiro)
código para listagem de passageiros é PAXLST.
Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013 3061
Nível do segmento: 0
Uso: Obrigatório.
Exemplo:
UNB+UNOA:4+AIRLINE ABC:ZZ+PTSEFAPI:ZZ+080129:0900+0000001++APIS’
Definição do segmento:
Elemento Nome Formato Notas
Etiqueta do segmento UNB
0001 M Identificador de sintaxe a4 UNOA
0002 M Número de versão de sintaxe an1 4
0004 M Identificação do emissor an..30 Nome da companhia aérea ou do emissor da mensagem
caso seja uma entidade diferente da companhia
0007 C Qualificador do código de identificação an2 Qualquer valor
0010 M Identificação do recetor an8 PTSEFAPI
0007 C Qualificador do código de identificação an2 ZZ (se enviado)
0017 M Data n6 Formato: AAMMDD
0019 M Hora n4 Formato: HHMM
0020 M Número de referência de controlo da transferência an..14 Qualquer valor
0026 M Referência da Aplicação an4 APIS
Elemento UNG (Cabeçalho de Grupo)
Propósito: Segmento para identificar um grupo de mensagens ou pacote de mensagens. Para esta implementação
apenas é permitido um grupo.
Nível do segmento: 0
Uso: Obrigatório.
Exemplo:
UNG+PAXLST+AIR1:ZZ+PTSEFAPI:ZZ+020722:0900+1+UN+D:02B’
Definição do segmento:
Elemento Nome Formato Notas
Etiqueta do segmento UNG
0038 C Identificador do grupo de mensagem an6 PAXLST
0040 M Identificação da aplicação de envio an..30 Nome da companhia aérea
0007 C Qualificador do código de identificação an2 Qualquer valor
0044 M Identificação da Aplicação recetora an8 PTSEFAPI
0007 C Qualificador do código de identificação an2 ZZ
0017 M Data n6 Data local da mensagem no formato AAMMDD
0019 M Hora n4 Hora local da mensagem no formato HHMM
0048 M Número de referência do grupo an..14 Qualquer valor
0051 C Código da Agência de Controlo an2 UN
0052 M Número de versão da mensagem an1 D
0054 M Número da release da mensagem an3 02B
Elemento UNH (Cabeçalho da Mensagem)
Propósito: Segmento para identificar o começo da mensagem, identifica unicamente a mensagem. O tipo de código
para listagem de passageiros é PAXLST.
Nível do segmento: 1
Uso: Obrigatório.
3062 Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013
Exemplo:
UNH+MSG001+PAXLST:D:02B:UN:IATA´
Definição do segmento:
Elemento Nome Formato Notas
Etiqueta do segmento UNH
0062 M Referência de mensagem única, assinada pelo reme- an..14 Qualquer valor.
tente
0065 M Identificador do tipo de mensagem an..6 PAXLST
0052 M Versão do tipo de mensagem an..3 D
0054 M Versão do tipo de mensagem an..3 02B
0051 M Agência responsável pela sintaxe da mensagem an..2 UN
0057 M Código de associação an..4 IATA
0068 C Referência de acesso comum an..35 Código do voo IATA
0070 C N.º de sequência da mensagem transferida. n..2 Número sequencial que deverá ser assignado pelo emissor
da mensagem
0073 C Indicador da primeira ou última transferência a..1 C – Criação/Bloco Inicial
F - Final
Elemento BGM (Início de Mensagem)
Propósito: Determina o início da mensagem. Indica o tipo e a função da mensagem e transmite o seu número iden-
tificador.
Nível do segmento: 0
Uso: Obrigatório.
Exemplos:
BGM+250+CC’
Definição do segmento:
Elemento Nome Formato Notas
Etiqueta do segmento BGM
1001 M Nome do documento / mensagem codificada. an..3 745 = Listagem de passageiros.
250 = Mensagem de tripulação
1004 C Identificador do documento/mensagem. an..35 Se o tipo de mensagem for tripulação (250), este campo
é Obrigatório.
• ‘C’ = Passenger Flight, Regular Scheduled Crew
• ‘CC’ = Passenger Flight, Crew Change
• ‘B’ = Cargo Flight, Regular Scheduled Crew
• ‘BC’ = Cargo Flight, Crew Change
• ‘A’ = Overflight, Passenger
• ‘D’ = Overflight, Cargo
• ‘E’ = Domestic Continuance, Passenger Flight, Regular
Scheduled Crew
• ‘EC’ = Domestic Continuance, Passenger Flight, Crew
Change
• ‘F’ = Domestic Continuance, Cargo Flight, Regular
Scheduled Crew
• ‘FC’ = Domestic Continuance, Cargo Flight, Crew
Change
Elemento NAD (Nome e endereço)
Propósito: Segmento que identifica a companhia que reporta o manifesto de informação. Recomenda-se que a pessoa
de contacto tenha uma disponibilidade de 24/7.
Grupo de Segmento: 1 (Obrigatório)
Nível do Segmento: 2
Uso: Obrigatório.
Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013 3063
Exemplos:
NAD+MS+++JIM DANDY’
Definição do segmento:
Elemento Nome Formato Notas
Etiqueta do segmento NAD
3035 M Qualificador da Entidade an..2 MS
3036 M Nome Entidade an..35 Nome completo da pessoa ou entidade responsável pela
transmissão do manifesto.
Elemento COM (Contacto para comunicação)
Propósito: Segmento que identifica a informação para contacto (telefone / fax / email), da companhia encarregada
de reportar a listagem de passageiros.
Grupo de Segmento: 1 (Obrigatório)
Nível do Segmento: 3
Uso: Obrigatório.
Exemplos:
COM+514 874 0202:TE+514 874 1779:FX’
Definição do segmento:
Elemento Nome Formato Notas
Etiqueta do segmento NAD
3148 M Identificador do contacto an..20 Endereço de correio eletrónico, número de telefone ou fax.
3155 M Código de contacto an..3 TE – Telefone
FX - Fax
EM - Correio eletrónico
Elemento TDT (Detalhe do transporte) – Código do Voo
Propósito: Segmento que especifica os detalhes do voo. Código IATA da companhia aérea e número de voo.
Grupo de Segmento: 2 (Obrigatório)
Nível do Segmento: 2
Uso: Obrigatório.
Exemplos:
TDT+20+TP123+++TP’
Definição do segmento:
Elemento Nome Formato Notas
Etiqueta do segmento TDT
8051 M Qualificador do estado do transporte an..3 20
8028 M Número de referência de transporte an..9 Código IATA/ICAO da companhia aérea + número de
voo.
3127 M Identificador da companhia aérea. an..3 IATA (an..2)
ICAO (an..3).
Elemento LOC (Identificador de lugar) – Itinerário de voo.
Propósito: Segmento utilizado para especificar os aeroportos de origem e destino, assim como outros aeroportos
que façam parte do itinerário.
3064 Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013
Grupo de Segmento: 3 (Obrigatório)
● São obrigatórios 2 segmentos deste tipo, um com a origem do voo que corresponde ao código “125” e outro com
o destino do voo que corresponde ao código “87”.
● Cada ciclo do grupo 3 deverá começar pelo elemento LOC.
Nível do Segmento: 3
Uso: Obrigatório.
Exemplo:
LOC+87+HNL’
Definição do segmento:
Elemento Nome Formato Notas
Etiqueta do segmento LOC
3227 M Código de qualificação n..3 Voos sem escalas:
• ‘125’ = Aeroporto de origem.
• ‘87’ = Aeroporto de destino.
Voos com escalas:
• ‘125’ = Aeroporto de origem.
• ‘87’ = Primeiro aeroporto em território português onde
chega o voo.
• ‘92’ = Aeroporto seguinte em território português onde
chega o voo.
• ‘130’ = Aeroporto final do voo em território português.
3225 M Código da localização an..3 Código IATA do aeroporto.
Exemplos:
Para um voo direto entre Luanda e Lisboa, teriam que ser fornecidos os seguintes dados:
LOC+125+LAD’ Indica o último aeroporto de partida em território estrangeiro. Ex.: Aeroporto Interna-
cional 4 de fevereiro.
LOC+87+LIS’ Indica o primeiro aeroporto de chegada no país de destino. Ex.: LIS, Aeroporto da
Portela.
Para um voo com escala que tenha como partida Londres e destino Faro, passando por Porto e Lisboa, teriam de ser
fornecidos os seguintes dados:
LOC+125+LHR’ Indica o último aeroporto de partida em território estrangeiro. Ex.:. London Heathrow
LOC+87+OPO’ Indica o primeiro aeroporto de chegada no país de destino. Ex.: Aeroporto Sá
Carneiro, Porto.
LOC+92+LIS’ Indica o próximo aeroporto dentro do país de destino. Ex.: Aeroporto da Portela,
Lisboa.
LOC+130+FAO’ Indica o aeroporto final no país de destino. Ex.: Aeroporto de Faro.
Elemento DTM (Data/Hora/Período) – Origem/Destino do voo
Propósito: Segmento usado para especificar as datas e horas locais para a origem e/ou destino do voo.
Grupo de Segmento: 3 (Obrigatório)
Nível do Segmento: 4
Uso: Obrigatório.
Exemplo:
DTM+189:0203191630:201’
Definição do segmento:
Elemento Nome Formato Notas
Etiqueta do segmento DTM
2005 M Data/Hora/Período Qualificador an..3 Os valores possíveis são:
• ‘189’ = Data/Hora de origem programada.
• ‘232’ = Data/Hora de destino programada.
Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013 3065
Elemento Nome Formato Notas
2380 M Data/hora/período n..10 O valor da data, data/hora ou período.
Formato Data/Hora :
YYMMDDhhmm onde:
• YY = Ano
• MM = Mês
• DD = Dia
• hh = Hora
• mm = Minuto
2379 C Qualificador do formato da Data/Hora/Período an..3 Código do formato Data/Hora, caso não seja preenchido
é assumido o formato YYMMDD.
Formatos possíveis:
• 201 = YYMMDDhhmm
Exemplos:
DTM+189:0208181315:201’ Indica a data e hora de partida do voo. Ex.: August 18, 2002 às 13:15
Código 201 é usado para indicar que o format da data/hora é: YYMMDDHHMM.
DTM+232:0208191100:201’ Indica a data de chegada do voo. Ex.: August 19, 2002 às 11:00.
Elemento NAD (Nome e endereço) – Passageiro
Propósito: Segmento usado para especificar o nome e endereço de um passageiro.
Grupo de Segmento: 4 (Obrigatório)
● Cada ciclo do grupo 4 (Passageiro), começa com um segmento NAD.
● Cada ciclo do grupo 4 é obrigatório por cada passageiro que se queira introduzir.
Nível do Segmento: 2
Uso: Obrigatório.
Exemplo:
NAD+FL+++SMITH:JOAN:A’
Definição do segmento:
Elemento Nome Formato Notas
Etiqueta do segmento NAD
3035 M Qualificador da entidade an..3 • ‘FL’ = Passageiro
• ‘FM’ = Membro da tripulação
• ‘DDT’ = Membro da tripulação de trânsito
• ‘DDU’ = Passageiro de trânsito
3036 M Nome entidade a..35 Sobrenome
3036 M Nome entidade a..35 Primeiro nome do passageiro
3036 C Nome entidade a..35 Segundo nome do passageiro
Exemplos:
NAD+FL+++SMITH:JOAN:A’ Indica o nome do passageiro (Joan), o sobrenome (SMITH) e a inicial do Segundo
nome (A).
NAD+FL+++WILLIAMS:JOHN: Indica o sobrenome do passageiro (Williams), o primeiro nome (John), segundo
DONALD’ nome (Donald).
Elemento DTM (Data/Hora/Período) – Data de Nascimento
do passageiro
Propósito: Segmento que especifica a data de nascimento do passageiro.
Grupo de Segmento: 4 (Obrigatório)
Nível do Segmento: 3
Uso: Obrigatório.
3066 Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013
Exemplo:
DTM+329:640217’
Definição do segmento:
Elemento Nome Formato Notas
Etiqueta do segmento DTM
2005 M Data/Hora/Período Qualificador an..3 329
2380 M Data/hora/período n..10 Formato: YYMMDD
Elemento NAT (Nacionalidade) – Cidadania do passageiro
Propósito: Segmento usado para especificar a nacionalidade (atual cidadania), de um passageiro.
Grupo de Segmento: 4 (Obrigatório)
Nível do Segmento: 3
Uso: Obrigatório.
Exemplo:
NAT+2+PRT’
Definição do segmento:
Elemento Nome Formato Notas
Etiqueta do segmento NAT
3493 M Código de qualificação de nacionalidade an..1 2
3293 M Detalhe da nacionalidade an..3 Código de nacionalidade
ISO 3166
Elemento DOC (Detalhe de Documento) – Documento passageiro
Propósito: Segmento que especifica os documentos de viagem do passageiro, como o passaporte.
Grupo de Segmento: 5 (Obrigatório)
Nível do Segmento: 3
● Cada ciclo do grupo 5 (Documentos) começa com um segmento DOC.
Uso: Obrigatório.
Exemplos:
DOC+P+MB140241’
Definição do segmento:
Elemento Nome Formato Notas
Etiqueta do segmento DOC
1001 M Código do tipo de documento. an..1 Os códigos válidos estão apresentados no Anexo A, ele-
mento 1001.
(ICAO 9303)
1004 M Identificador do documento. an3..20 Número único assignado ao documento.
Exemplos:
DOC+P+98764312’ Indica que o tipo de documento é um passaporte e que o seu número é 98764312.
DOC+V+9891404’ Indica que o tipo de documento é um VISA e o número é 9891404.
Elemento CNT (Controle total) – Número de Passageiros
Propósito: Segmento utilizado para especificar o número total de passageiros.
Nível do Segmento: 1
Uso: Obrigatório.
Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013 3067
Exemplo:
CNT+41:12’
Definição do segmento:
Elemento Nome Formato Notas
Etiqueta do segmento LOC
6069 M Qualificador do controle an..3 Os possíveis valores são:
• ‘41’ = Número total de tripulação.
• ‘42’ = Número total de passageiros.
6066 M Valor de controle an..18 Para os manifestos de voo, este valor deve refletir o nú-
mero total de passageiros ou de tripulação de um voo
específico.
Exemplo:
CNT+42:160’ Indica que o total de passageiros no voo são 160 pessoas.
Elemento UNT (Fim da mensagem)
Propósito: Segmento de fim de mensagem, contem o número total de segmentos da mensagem (UNH e UNT inclu-
sive), e o número de referência de controlo da mensagem.
Nível do Segmento: 1
Uso: Obrigatório.
Exemplo:
UNT+45+PAX001´
Definição do segmento:
Elemento Nome Formato Notas
Etiqueta do segmento UNT
0074 M Número de segmentos na mensagem an..6 Número de segmentos (contados desde o segmento UNH
até ao UNT, inclusive).
0062 M Número de referência da mensagem an..14 Número referido no UNH.
Elemento UNE (Rodapé do Grupo)
Propósito: Segmento de fim de grupo. Este segmento é obrigatório caso o manifesto tenha presente o elemento UNG.
Nível do Segmento: 0
Uso: Opcional.
Exemplo:
UNE+1+1´
Definição do segmento:
Elemento Nome Formato Notas
Etiqueta do segmento UNE
0060 M Contagem de controlo do grupo n..6 Número de mensagens no grupo, normalmente será o valor
1, caso venha a lista de passageiros junta com a lista de
tripulação será o valor 2.
0048 M Número de referência do grupo an..14 Deverá ser idêntica ao valor referido no elemento UNG
(0048)
Elemento UNZ (Rodapé da transferência)
Propósito: Segmento de fim de transferência.
Nível do Segmento: 0
Uso: Obrigatório.
3068 Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013
Exemplo:
UNZ+1+000000001´
Definição do segmento:
Elemento Nome Formato Notas
Etiqueta do segmento UNZ
0036 M Contagem de controlo da transferência n..6 1
0020 M Número de referência da transferência an..14 Deverá ser idêntica ao valor referido no elemento UNB
(0020)
FALHAS TÉCNICAS E MÉTODO ALTERNATIVO 2005 Date or time or period function code qualifier
Método Alternativo Desc: Code qualifying the function of a date, time or period.
O SEF disponibiliza o site apis.sef.pt como meio alter- Repr: an..3
nativo para as transportadoras efectuarem a transmissão 36 Expiry date Date of expiry of the validity of a refe-
dos dados. renced document, price information
or any other referenced data element
Falhas Técnicas
with a limited validity period
Caso ocorram falhas técnicas ou logísticas na transmis- 182 Issue date Date when a document/message has
são dos dados, as transportadoras deverão comunicar e been or will be issued.
justificar imediatamente a falha de comunicação ao SEF, 189 Departure date/time, Date (and time) of scheduled departure
para a caixa de correio apis@sef.pt. scheduled of means of transport
ANEXOS 232 Arrival date/time, Date (and time) of scheduled arrival
scheduled of means of transport
Anexo A.
329 Birth date/time Date/time when a person was born.
This Section provides data element codes lists that are
used in the air mode PAXLST message.
For a complete data element code list, refer to the
2379 Date or time or period format code
UN Code Set Directory.
Desc: Code specifying the representation of a date,
1001 Document name code time or period.
Desc: Code specifying the document name. Repr: an..3
Repr: an..3 201 YYMMDDHHMM Calendar date including time without
seconds
745 Passenger list Declaration to Customs regarding Y = Year; M = Month;
passengers aboard the con- D = Day; H = Hour; M = Minute.
veyance; equivalent to IMO FAL6.
ICAO 9303 Document Types 3035 Party function code qualifier
P Passport Desc: Code giving specific meaning to a party.
V Visa Repr: an..3
A Identity Card (exact use defined by the Issuing State) DDU In transit passenger The movement of a passenger from
one country to another via the terri-
C Identity Card (exact use defined by the Issuing State) tory of an intermediate country for
which no entry is intended.
I Identity Card (exact use defined by the Issuing State)
FL Passenger A person conveyed by a means of
AC Crew Member Cer- transport, other than the crew.
tificate
MS Document/message Issuer of a document and/or sender of
IP Passport Card issuer/sender a message.
Other Document Types
3155 Communication address code qualifier
F Approved non-stan- Documents used for travel (exact use
dard identity defined by the Issuing State). Descr: Code qualifying the communication address.
Repr: an..3
EM Electronic mail Exchange of mail by electronic means.
1153 Reference code qualifier
FX Telefax Device used for transmitting and re-
Desc: Code qualifying a reference. producing fixed graphic material (as
Repr: an..3 printing) by means of signals over
telephone lines or other electronic
AVF Passenger reser- Number assigned by the travel sup- transmission media.
vation reference plier to identify the passenger re-
number servation TE Telephone Voice/data transmission by telephone.
Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013 3069
3225 Place/Location Identification Anexo B.
Refer to ATA/IATA defined three letter airport codes as Formato UN/EDIFACT
published in the IATA Airline Coding Directory. For States
responsible for issuing official documents, refer to ICAO Cada elemento (segmento), no formato EDIFACT é
Doc 9303/ISO 3166. representado por uma linha. Por defeito o caráter separa-
dor de cada linha é a “ ‘ “ (plica). O separador de linha é
3227 Location function code qualifier um caráter obrigatório do formato, e deverá estar sempre
Desc: Code identifying the function of a location. presente no final de cada segmento.
Repr: an..3 Para que o formato EDIFACT seja considerado válido
o formato seguinte deve ser respeitado e todos os ficheiros
22 Customs office of Place where Customs clearance pro-
clearance cedure occur. deverão ter a extensão “txt”.
No seguinte exemplo, os campos apresentados a negrito
87 Place/port of con- Place/port in the country of destination
veyance initial where the conveyance initially arri- são obrigatórios e inalteráveis.
arrival ves from the “Last place/port of call
of conveyance” (125). UNA:+.? ‘
91 Place of document The place or location where a docu- UNB+UNOA:4+CompanhiaEnviaMsg:
issue ment is issued. CarrierCode+PTSEFAPI:CarrierCode+DataMensagem:
92 Routing Indication of a routing place. [PAXLST: HoraMensagem+ReferenciaManifesto++APIS’
Other places/ports within the same UNG+PAXLST+CompanhiaEnviaMsg+PTSEFA
State or Country where the referen- PI+DataMensagem:HoraMensagem+ReferenciaGru
ced flight is scheduled to land (i.e.
a progressive flight)]. po+UN+D:02B’
UNH+ReferenciaMensagem+PAXLST:D:02B:UN:
125 Last place/port of Conveyance departed from this last
call of con- foreign place/port of call to go to IATA+CodigoVooIATA+01:C’
veyance “Place/port of conveyance initial BGM+745’
arrival” (87). NAD+MS+++ NomeCompletoCompanhia’
130 Place of ultimate Seaport, airport, freight terminal, COM+Telefone:TE+Fax:FX’
destination of rail station or other place to TDT+20+CodigoVoo+++ Codigo IATA ou ICAO’
conveyance which a means of transport is
ultimately destined. [PAXLST: LOC+125+AeroportoPartida’
Place of ultimate destination of DTM+189:DataHoraPartida:201’
conveyance” within the same LOC+87+AeroportoDestino’
State/Country for progressive
flights.] III/40. DTM+232:DataHoraChegada:201’
178 Port of embarkation Port where the person embarks onto
NAD+FL+++InformaçãoPassageiro’
the conveyance. DTM+329:DataNascimento’
[PAXLST: Place where passenger be- NAT+2+PaísPassageiro’
gan the current journey]
DOC+TipoDocumento+NumeroDocumento’
179 Port of disembarka- Port where the person disembarks from CNT+42:NumeroTotalPassageiros’
tion the conveyance.
[PAXLST: Place where passenger will UNT+NumeroSegmentos+ReferenciaMensagem’
terminate the current journey] UNE+1+ReferenciaGrupo’
UNZ+1+ReferenciaManifesto’
3493 Nationality code qualifier
Desc: Code qualifying a nationality. Exemplo Mensagem UN/EDIFACT
Repr: an..3
2 Current nationality Current nationality UNA:+.? ‘
UNB+UNOA:4+NOVABASE:ZZ+PTSEFAPI:ZZ+090220:1016+
0123456789++APIS’
6069 Control total type code qualifier UNG+PAXLST+NOVABASE:ZZ+PTSEFAPI:ZZ+090220:1016
+1+UN+D:02B’
Desc: Code qualifying the type of control of hash total. UNH+MSG001+PAXLST:D:02B:UN:IATA+TP123+01:C’
Repr: an..3 BGM+745’
NAD+MS+++IT HELPDESK’
42 Total number of pas- The total number of passengers aboard COM+351-217115000:TE+351-217161595:FX’
sengers the conveyance. TDT+20+TP123+++TP’
LOC+125+JFK’
DTM+189:0902201026:201’
8051 Transport stage code qualifier LOC+87+LIS’
DTM+232:0902202145:201’
Desc: Code qualifying a specific stage of transport NAD+FL+++SOARES:HELDER:F’
Repr: an..3 DTM+329:850606’
NAT+2+PRT’
20 Main-carriage The primary stage in the movement of DOC+P+123456789’
transpor cargo from the point of origin to the CNT+42:1’
intended destination. UNT+21+MSG001’
[PAXLST: The flight for which API is UNE+1+1’
applicable.] UNZ+1+0123456789’
3070 Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013
Anexo C
Country ICAO Code
ICAO Codes for countries and regions.
Estonia EST
Country ICAO Code Ethiopia ETH
Falkland Islands FLK
Faroe Islands FRO
Afghanistan FG Fiji FJI
Albania ALB Finland FIN
Algeria DZA France FRA
American Samoa ASM France – Metropolitan FXX
Andorra AND French Guiana GUF
Angola AGO French Polynesia PYF
Anguilla AIA French Southern Territories ATF
Antarctica ATA Gabon GAB
Antigua and Barbuda ATG Gambia GMB
Argentina ARG Georgia GEO
Armenia ARM South Georgia and the South Sandwich Islands SGS
Aruba ABW Germany D Ghana GHA
Australia AUS Gibraltar GIB
Austria AUT Great Britain – Citizen GBR
Azerbaijan AZE Great Britain – National GBN
Bahamas BHS Overseas Greece GRC
Bahrain BHR Greenland GRL
Bangladesh BGD Grenada GRD
Barbados BRD Guadeloupe GLP
Belarus BLR Guam GUM
Belgium BEL Guatemala GTM
Belize BLZ Guinea GIN
Benin BEN Guinea-Bissau GNB
Bermuda BMU Guyana GUY
Bhutan BTN Haiti HTI
Bolivia BOL Heard and Mcdonald Islands HMD
Bosnia and Herzegovina BIH Honduras HND
Botswana BWA Hong Kong (SAR) HKG
Bouvet Island BVT Hungary HUN
Brazil BRA Iceland ISL
British – Citizen GBR India IND
British – Dependant Territories GBD Indonesia IDN
Citizen British – National Overseas GBN British Indian Ocean Territory IOT
British – Overseas Citizen GBO Iran IRN
British – Protected Person GBP Iraq IRQ
British – Subject GBS Ireland IRL
Brunei Darussalam BRN Israel ISR
Bulgaria BGR Italy ITA
Burkina Faso BFA Jamaica JAM
Burundi BDI Japan JPN
Cambodia KHM Jordan JOR
Cameroon CMR Kazakhstan KAZ
Canada CAN Kenya KEN
Cape Verde CPV Kiribati KIR
Cayman Islands CYM Korea, Republic of (Sth) KOR
Chad TCD Korea, Dem Peoples (Nth) PRK
Central African Republic CAF Kuwait KWT
Chile CHL Kyrgyzstan KGZ
China CHN Lao Peoples Dem Rep LAO
Christmas Island CXR Latvia LVA
Cocos (Keeling) Isl CCK Lebanon LBN
Colombia COL Lesotho LSO
Comoros COM Liberia LBR
Congo COG Libyan Arab Jamahiri LBY
Dem Rep of the Congo COD Liechtenstein LIE
Cook Islands COK Lithuania LTU
Costa Rica CRI Luxembourg LUX
Cote D’ivoire CIV Macau MAC
Croatia HRV FYROM – Former Yugoslav Republic of Macedonia MKD
Cuba CUB Madagascar MDG
Cyprus CYP Malawi MWI
Czech Republic CZE Malaysia MYS
Czechoslovakia CSK Maldives MDV
Denmark DNK Mali MLI
Djibouti DJI Malta MLT
Dominica DMA Marshall Islands MHL
Dominican Republic DOM Martinique MTQ
East Timor TMP Mauritania MRT
Ecuador ECU Mauritius MUS
Egypt EGY Mayotte MYT
El Salvador SLV Mexico MEX
Equatorial Guinea GNQ Micronesia – Federated States of FSM
Eritrea ERI Moldova, Republic of MDA
Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013 3071
Country ICAO Code Country ICAO Code
Monaco MCO Togo TGO
Mongolia MNG Tokelau TKL
Montenegro MNE Tonga TON
Montserrat MSR Trinidad and Tobago TTO
Morocco MAR Tunisia TUN
Mozambique MOZ Turkey TUR
Myanmar MMR Turkmenistan TKM
Namibia NAM Turks and Ca cos Islands TCA
Nauru NRU Tuvalu TUV
Nepal NPL Uganda UGA
Netherlands – Kingdom NLD Ukraine UKR
Netherlands Antilles ANT United Arab Emirates ARE
New Caledonia NCL United Kingdom – Citizen GBR
New Zealand NZL United Kingdom – National Overseas GBN
Nicaragua NIC United States USA
Niger NER Unspecified Nationality XXX
Nigeria NGA Uruguay URY
Niue NIU Uzbekistan UZB
Norfolk Island NFK Vanuatu VUT
Northern Mariana Isl MNP Vatican City State VAT
Norway NOR Venezuela VEN
Oman OMN Vietnam VNM
Pakistan PAK Virgin Islands (Brit) VGB
Palau PLW Virgin Islands (Us) VIR
Palestinian Authority PSE Wallis and Futuna Islands WLF
Panama PAN Yemen, Republic of YEM
Papua New Guinea PNG Yemen YMD
Paraguay PRY Yugoslavia YUG
Peru PER Zaire ZAR
Philippines PHL Zambia ZME
Pitcairn PCN Zimbabwe ZWE
Poland POL
Portugal PRT
Puerto Rico PRI
Qatar QAT
Refugee as per Article 1, 1951 Convention XXB
Refugee other than Article 1 of 1951 Convention XXC
Reunion REU REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES
Romania ROM
Russian Federation RUS Assembleia Legislativa
Rwanda RWA
Sahara, Western ESH
Saint Lucia LCA Decreto Legislativo Regional n.º 5/2013/A
Samoa WSM San Marino, Republic of SMR
Sao Tome and Principe STP
Saudi Arabia SAU ORIENTAÇÕES DE MÉDIO PRAZO 2013/2016
Serbia SRB
Senegal SEN A Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos
Serbia & Montenegro SCG Açores, nos termos da alínea p) do n.º 1 do artigo 227.º
Seychelles SYC e do n.º 1 do artigo 232.º da Constituição e da alínea b)
Sierra Leone SLE
Singapore SGP
do artigo 34.º e do n.º 1 do artigo 44.º do Estatuto Po-
Slovak Republic SVK lítico-Administrativo da Região Autónoma dos Açores,
Slovenia SVN decreta o seguinte:
Solomon Islands SLB
Somalia SOM
South Africa ZAF
Artigo 1.º
Spain ESP São aprovadas as Orientações de Médio Prazo 2013/2016.
Sri Lanka LKA
Stateless Person XXA
St Helena SHN Artigo 2.º
St Kitts & Nevis KNA
St Pierre and Miquelon SPM É publicado em anexo ao presente diploma, dele fazendo
St Vincent & the Grenadines VCT parte integrante, o documento contendo as Orientações de
Sudan SDN Médio Prazo 2013/2016.
Suriname SUR
Svalbard and Jan Mayen Island SJM Aprovado pela Assembleia Legislativa da Região Autó-
Sweden SWE noma dos Açores, na Horta, em 21 de março de 2013.
Swaziland SWZ
Switzerland CHE A Presidente da Assembleia Legislativa, Ana Luísa Luís.
Syrian Arab Republic SYR
Taiwan TWN Assinado em Angra do Heroísmo em 19 de abril de 2013.
Tajikistan TJK
Tanzania TZA Publique-se.
Thailand THA
Timor – East TMP O Representante da República para a Região Autónoma
Timor – Leste TLS dos Açores, Pedro Manuel dos Reis Alves Catarino.
3072 Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013
INTRODUÇÃO Atividade Económica e Comércio Internacionais
Com a aprovação do Programa do XI Governo Regional (taxa de variação anual)
dos Açores, inicia-se um novo ciclo de planeamento e de
programação para a legislatura presente.
Nos termos do Sistema Regional de Planeamento dos
Açores (SIRPA), este ciclo integra as Orientações de
Médio Prazo, documento que a seguir se apresenta, e os
Planos Anuais que dão forma e substância às opções e
objetivos de médio prazo, nos respetivos períodos anuais
de vigência.
A preparação das Orientações de Médio Prazo
2013-2016 teve em consideração uma envolvente eco-
nómica e financeira difícil, resultante do processo de
ajustamento a que o país está obrigado, nos termos do Verificando-se tendências de crescimento mais fraco do
acordado com as instituições credoras. consumo, particularmente nas economias avançadas que
Para além de um objetivo global de ultrapassagem se encontram endividadas (casos dos EUA e países da área
dos efeitos da crise que se atravessou no processo de do euro), a par da continuação da procura interna ainda
significativa nas economias emergentes, os desequilíbrios
desenvolvimento dos Açores, que vinha prosseguindo de
externos entre grandes regiões da economia mundial ten-
forma segura e sustentada, no quadro das potencialidades derão a reduzir-se em termos globais, apesar de fatores
e recursos disponíveis, a conceção deste instrumento de aparentemente contraditórios entre efeitos de volume e de
planeamento a médio prazo também teve em consideração valor das trocas comerciais a nível internacional.
o início de um novo período de programação de fundos
comunitários, associado a novas orientações de política
Comércio Internacional – Volume e Termos de troca
europeia de coesão.
O presente documento integra uma análise prospetiva (taxa de variação anual)
da realidade regional, a apresentação das prioridades
e da política económica e social a prosseguir, deta-
lhada por sectores e domínios de intervenção, uma
definição dos meios financeiros afetos à execução dos
Planos Anuais para o quadriénio, complementada pela
apresentação dos principais cofinanciamentos comu-
nitários para o período, e ainda um exercício sobre a
coerência e o impacte macroeconómico das propostas
apresentadas.
1. DIAGNÓSTICO PROSPETIVO Num contexto económico com expetativas de mo-
deração de crescimento e com subutilização de capa-
1.1 ENVOLVENTE EXTERNA cidade produtiva é compreensível uma diminuição da
inflação na generalidade dos países, sendo que, entre
A ECONOMIA MUNDIAL
os países emergentes o nível de pressão sobre os preços
continuará a fazer-se sentir de forma relativamente
A economia mundial tem vindo a revelar elementos mais intensa. Pressões decorrentes de processos de
que apontam no sentido de um crescimento moderado em industrialização nas economias emergentes e de fatores
termos de intensidade de variação dos volumes agregados de oferta pelos países exportadores de petróleo contri-
de produções anuais em diversas zonas económicas do buem para o preço da energia permanecer em níveis
mundo globalizado. consideráveis.
Por sua vez, os dados sobre o comércio de bens e ser-
viços também vêm refletindo alguma resistência ao cres- Inflação
cimento, na medida em que ainda não revelaram sinais
de estabilização confirmada após a crise de 2008, nem (taxa de variação anual)
recuperaram para os níveis de valores médios atingidos
na década de 2000.
Neste contexto, as perspetivas de evolução apontam
para uma diminuição do crescimento económico glo-
bal, sendo que no conjunto das economias avançadas
continua a esperar-se uma variação média anual ainda
positiva, mas moderada, enquanto nas economias de
mercado emergentes e em desenvolvimento espera-se
que continuem a manter crescimentos relativamente
mais fortes.
Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013 3073
A desaceleração da economia na área do euro encon- Produto e Componentes da Procura
tra-se influenciada por abrandamento da procura interna,
(taxa de variação anual)
efeitos da crise das dívidas soberanas, repercussões da
desalavancagem do sector bancário na economia real e,
ainda, por impacte das medidas de consolidação orçamen-
tal postas em prática na generalidade dos países.
Com reduções na procura agregada interna (consumos
público e privado e investimentos), é das exportações que
são esperados contributos líquidos mais significativos para
o crescimento e, depois, para os níveis de emprego.
Área do Euro – Produção e Componentes da Procura
(taxa de variação anual)
As perspetivas para o cenário macroeconómico apon-
tam no sentido do desenvolvimento do desempenho des-
crito anteriormente, que está associado a forte redução dos
consumos público e privado, bem como do investimento,
só parcialmente compensadas pelo contributo positivo da
procura externa, para outro desempenho com o produto
efetivo a aproximar-se do produto potencial, nomeada-
mente pela difusão dos efeitos positivos dos saldos exter-
nos à procura interna e, também, por efeitos de políticas
consistentes de incentivo ao crescimento.
Em relação a condicionantes e restrições externas, as
A ECONOMIA PORTUGUESA
necessidades de financiamento continuarão a reduzir-se,
A política económica portuguesa vem prosseguindo dependendo em primeiro lugar e de forma tanto mais
objetivos de correção dos desequilíbrios orçamental e significativa quanto forem conseguidos resultados signi-
externo e de reforço da estabilidade do sistema financeiro, ficativos na balança de bens e serviços.
com vista a criar condições de competitividade e cresci-
mento, nomeadamente através do desenvolvimento de Balança Externa e Necessidades de Financiamento
atividades de maior valorização e utilização de recursos (percentagem do PIB)
endógenos.
A consolidação orçamental prossegue conjuntamente a
uma contração da economia, sendo a redução da procura
interna parcialmente compensada por exportações de em-
presas portuguesas a reorientarem parte da sua produção
para o mercado externo.
Registadas melhorias nas contas externas por via de
reduções na procura interna face às procuras no resto do
mundo, o reequilíbrio com o exterior vai ficando mais
dependente de fatores de competitividade decorrentes
de maiores níveis de eficiência, particularmente pela
conjugação de reformas estruturais com reduções de
custos.
Conta das Administrações Públicas - Principais Agregados em % do PIB
(conceito PDE)
2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012e 2013p
1. Receita total . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40,1 40,6 41,1 41,1 39,6 41,4 45,0 40,6 42,3
2. Receita fiscal e contributiva. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31,1 31,9 32,5 32,6 30,8 31,2 33,0 32,3 34,2
3. Despesa total . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46,6 45,2 44,3 44,7 49,7 51,2 49,4 45,6 46,8
4. Despesa total primária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44,1 42,4 41,4 41,7 46,9 48,4 45,4 41,3 42,5
5. Despesa corrente primária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39,4 38,9 38,1 38,6 42,9 42,7 41,4 39,5 40,4
6. Despesa de capital . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4,6 3,5 3,3 3,1 4,0 5,6 4,0 1,8 2,1
7. Saldo global (1-3) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . -6,5 -4,6 -3,1 -3,6 -10,2 -9,8 -4,4 -5,0 -4,5
8. Saldo primário (1-4). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . -4,0 -1,8 -0,2 -0,6 -7,3 -7,0 -0,4 -0,8 -0,2
Notas: PDE= Procedimento dos Défices Excessivos; Receita Fiscal e Contributiva corresponde à soma dos impostos e das contribuições sociais
efetivas recebidos pelas Administrações Públicas.
p- Previsão, e-estimativa.
Fontes: Ministério das Finanças
3074 Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013
Principais agregados da Conta das Administrações Públicas Neste contexto de convergência com os espaços nacio-
nal e o comunitário, haverá a destacar que para o período
(percentagem do PIB) em que está disponível informação estatística já estão
repercutidos os efeitos das medidas de ajustamento finan-
ceiro a que o país está sujeito, decorrentes do memorando
de entendimento entre o estado português e as instituições
internacionais credoras.
O efeito recessivo das medidas adotadas afasta o país,
no seu conjunto, do processo de convergência com a
União Europeia, tocando, sem exceção todas as regiões
portuguesas, mantendo-se proporcionalmente o mesmo
posicionamento na formação do produto interno.
PIB per capita, PPC, UE27=100
1.2. SITUAÇÃO REGIONAL
A ECONOMIA AÇORIANA - UM CICLO CRÍTICO, NECESSIDADE
DE UMA ORIENTAÇÃO PARA O CRESCIMENTO
● Uma envolvente crítica
O ponto de partida para este ciclo de programação está
rodeado de ameaças, derivadas da situação de crise que se
sente em termos gerais no país e na europa comunitária,
que condiciona a mobilização de recursos para o cresci-
mento da produção económica e para a criação líquida de
postos de trabalho.
O processo de desalavancagem da economia, em termos Os 3.701 milhões de euros de produto interno bruto que
gerais, as limitações da intervenção do sector financeiro na o sistema oficial de estatística apura para os Açores em
oferta de liquidez, as quebras de produção e do emprego, 2011, ainda como resultado preliminar, representam um
e a diminuição da confiança dos agentes económicos, valor de 15,1 mil euros por residente, que compara com
com repercussões na retração da procura interna, entre os 16,1 mil euros apurados para o conjunto do país, ou
outras condicionantes, não é a melhor via para prosseguir seja, 94% da média nacional, quando este valor relativo
num processo de crescimento e de desenvolvimento que era apenas de 81% em meados da anterior década.
se vinha consolidando na Região, cabendo às políticas
públicas mitigar os efeitos negativos e recuperar as ten- Produto Interno Bruto (Base 2006)
dências anteriores.
● O processo de convergência real a preços de mercado
Unid.: Milhões de Euros
O primeiro relatório sobre a coesão económica e so-
cial na Europa comunitária, elaborado pelos serviços da Açores País
Açores/País
PIB per
capita (mil
PIB per
capita
%
Comissão Europeia, editado em 1997, apresentava uma euros) (País=100)
tabela com as regiões europeias, comparando dados do
PIB per capita de 1983 com os de 1993, estabelecendo 1995 . . . . . . 1 684 87 841 1,92 7,1 81
um ranking com as regiões designadas como “mais ricas” 1997 . . . . . . 1 904 101 146 1,88 8,0 80
1999 . . . . . . 2 321 118 661 1,96 9,8 84
e outro com as “mais pobres”. 2001 . . . . . . 2 694 134 471 2,00 11,4 87
Naquele documento, os Açores ocupavam em 1983 2003 . . . . . . 2 990 143 472 2,08 12,5 91
a última posição no contexto das regiões europeias dos 2005 . . . . . . 3 241 154 269 2,10 13,4 92
então 15 Estados membros, apenas com 39% da média 2007 . . . . . . 3 549 169 319 2,10 14,6 91
2009 . . . . . . 3 650 168 504 2,17 14,9 94
do PIB per capita. Passados 10 anos, com os dados de 2011P . . . . . 3 701 171 040 2,16 15,1 94
1993, a situação era praticamente idêntica nessa ordena-
ção, apenas a saída de último lugar para o penúltimo, por P = Resultados preliminares.
troca com um dos designados departamentos franceses
do ultramar, registando-se um PIB per capita de apenas Fonte: INE, Contas Regionais (base 2006)
42% da média europeia.
Esta situação mudou substancialmente a partir do final ● A crise e o crescimento da produtividade e do emprego
da década de 90, alavancado por uma visão renovada sobre
o crescimento económico e com os recursos proporcio- No quadro da orientação global do crescimento eco-
nados pelos fundos estruturais, os Açores iniciaram uma nómico nos últimos anos, verifica-se um aumento mais
rota de desenvolvimento, convergindo no espaço nacional significativo do emprego, uma variação de mais de 2%
e também no quadro comunitário, deixando em ambos ao ano, para um crescimento anual da produtividade, em
os contextos de ser a região menos desenvolvida, apro- termos reais, de 0,4%. Segundo os dados disponíveis das
ximando-se atualmente do grupo das regiões europeias, contas regionais, à data de elaboração deste documento,
designadas de transição com um PIB per capita superior observam-se variações positivas do emprego, à exceção de
a 75% da média, e uma posição intermédia no contexto 2010, sabendo-se que essa contração se verificou também
das 7 regiões portuguesas. em 2011 e 2012.
Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013 3075
O início de milénio foi marcado por um crescimento económica privada, competitiva e geradora de valor e
robusto do produto interno, combinando-se aumentos do de emprego.
emprego com o da produtividade, com valores significa-
tivos e acima da média. Segue-se um período intermédio Estrutura do Valor Acrescentado Bruto nos Açores
em que se observa que o aumento do produto foi obtido
mais por utilização intensiva do fator humano.
Mais recentemente, é evidente um ajustamento da eco-
nomia regional face à crise que afeta o país, em que num
primeiro momento a dinâmica e a sustentabilidade do
emprego implicou quebras na produtividade, mas em que
as empresas sustentam ainda o volume de emprego (2009)
e, já em 2010 e 2011, numa segunda fase, esse ajustamento
é feito já pela libertação de força de trabalho, originando
por isso uma melhoria da produtividade, mas com custos
sociais derivados do desemprego.
De assinalar ainda neste contexto um fenómeno inédito
na série conhecida dos valores da produção interna, que
se traduziu, segundo os dados apurados em 2011, numa
variação negativa do índice de preços do PIB.
De outro modo, a um crescimento em volume, um
aumento real da produção interna em relação ao período
anual anterior, por via de uma redução do nível de preços,
o valor monetário desse produto é menor. Esta situação
original e única na história recente da evolução da eco-
nomia nacional, um processo de deflação a continuar
implicará esforços acrescidos às empresas.
● Base económica tradicional resiliente
● Visão prospetiva para a geração de riqueza
A fileira agrícola
As tendências de recomposição do valor acrescentado
na Região ao longo dos últimos anos apontam para uma As produções agrícolas tradicionais, fora da fileira
certa estabilidade, quando se consideram os grandes sec- da pecuária, têm vindo a manter níveis de produção
tores de atividade. relativamente estáveis, nalguns casos aumentando.
Porém, numa análise mais detalhada, evidencia-se uma Abaixo dos 300m de altitude, o nível tradicionalmente
progressiva diminuição do peso relativo do sector primário associado à terra arável, é possível realizar uma grande
e também, enquanto fenómeno mais recente, o da cons- diversidade de culturas, do milho às hortícolas e da
trução civil. Em contrapartida, o que regista o maior peso vinha à bananeira, normalmente associadas a paisa-
na economia regional e que aumentou inclusive a sua pre- gens particulares, e que apesar de uma envolvente mais
ponderância na geração de riqueza é o sector que engloba depressiva tem mantido uma posição no contexto da
as atividades públicas e a oferta de bens públicos. produção primária.
Neste sector público de serviços, a contribuição para As características naturais do arquipélago determinam a
a geração de valor consiste essencialmente na massa de existência de uma grande diversidade de condições agroe-
vencimentos praticados, havendo neste particular que cológicas e o destaque vai para as excelentes condições
considerar o peso dos sectores como a educação e a saúde. para a produção pecuária, proporcionadas pelas condições
Na sequência de uma visão prospetiva e de orienta- edafoclimáticas do arquipélago e que determinam que as
ção para as políticas públicas a adotar no futuro, com paisagens rurais sejam dominadas pelas pastagens.
uma envolvente externa que se atravessou no processo O sector agroflorestal, incluindo a indústria transforma-
de desenvolvimento regional, a estrutura e a evolução da dora associada (complexo agroflorestal - CAF), constitui
formação de riqueza na economia regional terá um espaço um dos sectores de especialização tradicional da economia
mais reduzido para um aumento continuado e progressivo regional e um dos seus motores mais importantes e essa
do peso do sector público na geração de valor. especialização competitiva tem vindo a manter-se segura,
Também nesta perspetiva se infere a necessidade de crescendo os níveis de produção, aumentando quotas de
formulação de políticas ativas de fomento da atividade mercado.
Produção Agropecuária
2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011
Leite recebido nas fábricas (1000 l.) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 499 801 505 872 506 216 515 728 540 199 535 417 547 576
Leite p/consumo (1000 l) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74 670 78 137 89 862 84 069 99 410 99 105 114 240
3076 Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013
2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011
Produtos lácteos (toneladas) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48 887 49 948 50 500 53 416 53 991 53 827 53 816
Gado bovino abatido . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8 147 8 124 8 262 10 448 11 565 11 645 12 530
Gado bovino exportado vivo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 222 11 740 9 631 8 436 5 511 5 200 5 077
As infraestruturas de apoio à atividade agrícola, com Açores/
destaque para os caminhos agrícolas e rurais, o abasteci- Classes Açores Portugal Portugal
(%)
mento de água, o fornecimento de energia e as operações
ligadas ao emparcelamento, constituem um fator deter- Eficiência (UTA/100 ha) . . . . . . . . . . . . . . 9,6 10,0 96,0
minante de competitividade. Nos últimos anos, alavan- Produtividade (1 000 €/UTA) . . . . . . . . . . 30,4 12,6 241,3
cado pelos fundos estruturais, consagraram-se recursos
financeiros importantes aos investimentos neste domínio. Fonte: INE, Recenseamento Agrícola 2009.
A predominância do regime de pastoreio extensivo da
produção bovina e as características do território deter- A principal ameaça que se coloca ao desenvolvi-
minam a necessidade de uma distribuição alargada das mento e afirmação da especialização regional reside
infraestruturas. nas políticas comunitárias para estes sectores, onde se
Os dados do último Recenseamento Agrícola, para o destaca o sistema de quotas para algumas produções e o
ano de 2009, voltaram a apontar no sentido de um re- interesse da sua manutenção ou desmembramento para
dimensionamento das unidades empresariais agrícolas, os interesses regionais. Porém, independentemente da
na medida em que revelam acréscimos de área média evolução destas condicionantes externas, tal não invalida
(ha / nº de explorações), de mecanização (densidade de o prosseguimento do esforço de uma diversificação da
tratores por área ou por exploração) e, por outro lado, produção agrícola, diminuindo a importação de alguns
redução dos recursos humanos envolvidos (produtores e bens alimentares, por contrapartida de maior nível de
população agrícola familiar). autoabastecimento, com efeito lateral na fixação de
A população agrícola familiar distingue-se no contexto população ativa no sector, com níveis satisfatórios de
português pela sua relativa juventude e nível de instrução
rendimento.
intermédio. Efetivamente, é nos elementos de grupos
etários com menos de 45 anos e nos de habilitações do
2º ciclo ao secundário que se encontram representativi- As pescas
dades superiores à média geral de 5,4% para a população O arquipélago embora apresentando a maior subá-
agrícola familiar. Também no contexto nacional, as explo- rea da Zona Económica Exclusiva de Portugal, com
rações açorianas, ao mesmo tempo que apresentam uma a dimensão de 953.633 Km2, por não ter plataforma
dimensão relativamente reduzida, têm uma intensidade continental e ser uma zona de grande profundidade,
de utilização de volume de trabalho baixa, permitindo apresenta uma escassa abundância com grande fragili-
uma eficiência equilibrada na utilização destes recursos dade biológica, nomeadamente nas espécies demersais
básicos às atividades agrícolas. Assim, não surpreenderá e de profundidade.
a produtividade alcançada nos Açores, onde a orientação Com uma média de descargas nas lotas regionais,
técnico-económica pelos bovinos gerará significativas provenientes da pesca marítima à volta das 13-15 mil
margens brutas de exploração, que contribuem para a toneladas de pescado, proporciona no ramo da captura
elevação dos índices médios. um volume de emprego acima dos 3,5 mil pescadores,
Indicadores Laborais apanhadores e trabalhadores em terra de apoio às ativi-
dades no mar, designadamente na preparação das artes
Classes Açores Portugal
Açores/
Portugal
e na gestão das embarcações. A restante fileira da pesca
(%) também gera perto de um milhar de empregos, na in-
dústria de transformação, em especial a conserveira, no
Dimensão (Ha/Expl.) . . . . . . . . . . . . . . . . . 8,9 12,0 74,2 circuito de comercialização do pescado e nos transportes
Volume de trabalho (UTA/Expl.) . . . . . . . . 0,9 1,2 75,0 marítimos e aéreos.
Pescado Descarregado nos Portos de Pesca
2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011
Volume de pescado (toneladas) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 254 11 860 15 883 11 528 9 441 18 944 16 092
Tunídeos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 113 5 817 9 392 5 109 3 547 13 675 10 224
Restante Pescado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 141 6 043 6 491 6 499 5 894 5 269 5 867
Fonte: SREA.
A frota regional divide-se entre a pequena pesca cidade de pesca fora das 50 milhas, e a pesca costeira,
costeira, ou pesca artesanal, que integra um subseg- segmento constituído pelas embarcações com mais de
mento com embarcações de 9 a 12 metros, com capa- 12 metros.
Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013 3077
Embarcações, 2011 que se relaciona, até com efeito na balança com o exterior,
por se tratar de uma atividade “exportadora”, quando um
Açores/Portugal
Classes Açores Portugal
(%) não residente adquire bens e serviços no território regional.
O que se passa nos mercados emissores de turistas é
Número . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 704 4 866 14,5 uma das componentes para explicar a evolução da procura.
Arqueação bruta . . . . . . . . . . . . . . 7 239 83 233 8,7 A evolução da conjuntura económica desde 2007 é particu-
Potência (Kw) . . . . . . . . . . . . . . . 45 647 308 928 14,6 larmente clara neste aspeto: inicia-se alguma perturbação
no crescimento dos fluxos, principalmente o número de
Fonte: SREA. visitantes oriundos do território nacional, registando-se
quebras, intercaladas com um aumento em 2010, ano em
Também este sector tem sido objeto de intervenção que se verificou alguma melhoria da conjuntura no país.
do investimento público, destacando-se pelo volume de No que concerne aos turistas provenientes do estrangeiro,
meios que envolve as intervenções em portos de pesca, o ano de 2009 foi onde se registou quebra na procura do
destacando-se as obras e as melhorias em diversos portos destino Açores, sendo a tendência geral de crescimento,
distribuídos pelas ilhas, bem como a aquisição de meios ainda que moderado.
de operação em terra e ainda na rede de frio e nas lotas,
agregando apoios comunitários quer do fundo estrutural
especifico para o sector, quer também do FEDER, face Procura – Principais Mercados
ao volume de meios financeiros envolvidos.
Uma atividade da pesca moderna e eficiente necessita Hóspedes (milhares) e estadias (dormidas/hóspede), segundo
a residência / nacionalidade
da informação científica indispensável para se poderem
tomar decisões com a consciência do estado das unidades
Hóspedes Hóspedes R. Estadia R. Estadia R.
populacionais piscícolas, bem como para incentivar pro- R. Portugal Estrangeiro Portugal Estrangeiro
cedimentos cautelares nos profissionais da pesca.
A aquicultura marinha é um sector em rápida expan- 2007 . . . . . . . . . . . . . . . . . . 237,0 146,6 2,6 4,6
são na Europa, com grande potencial de crescimento no 2008 . . . . . . . . . . . . . . . . . . 234,0 148,1 2,6 4,2
âmbito da produção alimentar. Tem existido alguma di- 2009 . . . . . . . . . . . . . . . . . . 221,8 135,6 2,5 4,0
ficuldade em encontrar investidores privados disponíveis 2010 . . . . . . . . . . . . . . . . . . 236,6 144,7 2,5 3,9
para investir nesta área na Região, em virtude das espécies 2011 . . . . . . . . . . . . . . . . . . 224,5 158,0 2,5 3,8
que eram, até há pouco tempo, produzidas com sucesso
comercial na União Europeia não existirem localmente e Fonte: SREA, Estatísticas do Turismo e DREPA.
pelo facto das condições meteorológicas dificultarem a A oferta tem crescido em termos de capacidade física
colocação de estabelecimentos offshore, embora face ao
disponível, mas simultaneamente revelou alguma mode-
progresso no sector, haverá possibilidade de introduzir
ração com ajustamentos de tipologia e de exploração nas
este segmento de negócio.
unidades hoteleiras, destacando-se uma certa penetração
● Sector emergente afetado pela crise externa
do turismo em espaço rural, que começa a adquirir alguma
expressão do lado da disponibilidade de camas, mas ainda
O turismo é um dos sectores da economia regional com sem ser acompanhado pelo número de dormidas.
maior potencial de crescimento, com impacte na geração A utilização das unidades hoteleiras é ainda relativa-
de rendimento e de emprego, no próprio sector, como mente reduzida, para uma viabilidade segura das empresas,
também num conjunto muito alargado de atividades com registando-se uma ocupação média que ronda os 32%.
Oferta e Procura Turísticas na Hotelaria
Capacidade (1) Dormidas
Ano
Hotelaria Turismo em Hotelaria Turismo em
Outros (2) Total Outros (2) Total
Tradicional espaço rural Tradicional espaço rural
2007 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8 153 609 735 9 497 1 184 375 19 679 87 018 1 291 072
2008 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8 339 721 615 9 676 1 127 513 18 541 81 423 1 227 477
2009 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8 566 820 543 9 927 1 004 804 20 603 82 723 1 108 130
2010 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8 305 844 546 9 695 1 035 031 24 831 91 671 1 151 533
2011 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8 465 822 524 9 812 1 033 525 23 049 93 875 1 150 449
(1) Média anual da oferta mensal de camas.
(2) Casas de hóspedes, Colónias de férias / Pousadas da Juventude, Parques de campismo e Alojamentos particulares.
Fonte: INE, Contas Regionais (base 2006)
Havendo uma oferta relativamente robusta e diversifi- sector, constituindo-se como uma das alternativas mais for-
cada e distribuída pelas parcelas, destacando-se a iniciativa tes na geração de emprego e de rendimento na economia.
pública na construção de equipamentos hoteleiros em ilhas
● A ciência, a tecnologia e a inovação como alavancas da economia
com menor escala, a sensibilização e a promoção correta
e estrategicamente orientada a mercados específicos e a A investigação científica, o desenvolvimento tecnológico
segmentos bem conhecidos e trabalhados, versus alguma e a inovação são fatores impulsionadores da competitivi-
dispersão de esforços e alvos, a par das melhorias do pro- dade, do crescimento económico e do emprego, contribuindo
duto turístico oferecido são fatores de fortalecimento do decisivamente para a riqueza e para o bem-estar social.
3078 Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013
A competitividade e o desenvolvimento estão rela- O investimento realizado nos Açores nos últimos anos
cionados com a intensidade do investimento em I&D e começa a aproximar-se dos patamares nacionais e euro-
ao potencial do sistema de inovação, o qual faculta às peus, verificando-se no entanto que será necessário incutir
empresas um acesso privilegiado ao conhecimento e à uma maior dinamização da investigação científica por via
sua aplicação na criação de valor. do investimento público e privado neste sector.
Despesa de I&D em % do PIB
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010
EU-27. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1,86 1,87 1,88 1,87 1,83 1,83 1,85 1,85 1,92 2,01 2,00
Portugal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 0,73 0,77 0,73 0,71 0,75 0,78 0,99 1,17 1,50 1,64 1,59
Açores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 0,34 0,32 0,36 0,41 0,38 0,35 0,38 0,41 0,42 0,79 n.d.
Fonte: Eurostat.
O Sistema Científico e Tecnológico dos Açores integra investimento na produção científica, nomeadamente na
os organismos de investigação científica, as infraestruturas organização de reuniões científicas e na edição de publi-
tecnológicas e as de divulgação científica e tecnológica, cações científicas.
bem como as instituições de ensino superior com sede na Verificou-se um aumento da atividade científica nas
Região, os organismos públicos e privados de coordena- áreas das ciências do mar, da biotecnologia, das ciências
ção, gestão e acolhimento e valorização de atividades de da vida, do ambiente, das ciências do espaço, da economia,
ciência e tecnologia e ainda parcerias de I&D. das ciências sociais e da climatologia, entre outras.
Nos últimos anos, tem-se incentivado e promovido a No âmbito desta estratégia de investimento, foi também
atividade de investigação, em várias áreas científicas, de- dinamizada a divulgação científica através dos Centros de
senvolvida essencialmente pelos Centros de Investigação Ciência dos Açores, no ensino experimental das ciências
da Universidade dos Açores, pelos núcleos de investigação e na organização de eventos e exposições, privilegiando
dos Hospitais de Angra do Heroísmo e de Ponta Delgada essencialmente o público jovem, fomentando-se assim
e pelo Instituto de Inovação Tecnológica dos Açores. uma cultura de base científica importante para o futuro
Com o objetivo de fomentar iniciativas de I&D, foram das gerações.
aprovados no PROCONVERGENCIA apoios FEDER na Perspetiva-se um processo de desenvolvimento de
ordem dos 20,9 milhões de euros, destacando-se o Parque uma estratégia de investigação e inovação para a espe-
Tecnológico de São Miguel e projetos de investigação do cialização inteligente, indo de encontro aos objetivos da
INOVA, nomeadamente no que concerne ao Termalismo Estratégia 2020, estimulando a investigação e inovação
e à Cultura do Ananás. O financiamento da investigação em contexto empresarial, no âmbito de uma transforma-
integrou o equipamento dos centros de investigação e ção económica integrada, privilegiando áreas nas quais
o apoio a projetos de investigação, para além da cons- a Região tem capacidade de produzir valor e desenvol-
trução de diversas infraestruturas da Universidade dos ver propriedade intelectual, nomeadamente nas energias
Açores, em Angra e Horta, num valor de 13 milhões de renováveis, biotecnologias e ciências do mar, nas nano-
euros, criando as condições para que a Universidade tenha tecnologias, na modelação e exploração de depósitos em
uma posição de destaque ao nível da produção científica, profundidade.
possibilitando o desenvolvimento de projetos de elevado
potencial económico para os Açores. ● Promoção da Inovação e do Empreendedorismo
Todo este investimento foi enquadrado no Plano Inte-
Desenvolver o espírito empresarial
grado para a Ciência, Tecnologia e Inovação, que permitiu
o apoio às instituições de investigação científica, quer ao O tecido empresarial dos Açores é predominantemente
nível do seu funcionamento e gestão, bem como no seu constituído por empresas de pequena e muito pequena
reequipamento, o apoio a projetos de investigação cientí- dimensão, que compara sem grandes divergências com o
fica e tecnológica com interesse para o desenvolvimento total nacional. As economias de escala são relativamente
sustentável dos Açores e em contexto empresarial, e o reduzidas.
Indicadores Empresas
Açores Portugal
Taxa de natalidade das empresas (%) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19,04 15,09
Taxa de natalidade das empresas na construção (%) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20,46 10,54
Taxa de mortalidade das empresas (%) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22,56 19,74
Número médio de pessoal ao serviço nos nascimentos de empresas (%) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1,23 1,28
Taxa de sobrevivência a 2 anos (%). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46,06 49,36
Proporção das empresas com 250 ou mais pessoas ao serviço (%). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 0,09 0,55
Total das empresas com menos de 10 pessoas ao serviço: (%); . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95,4 95,6
Valor Médio de pessoal ao serviço por empresa: (nº) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3,3 3,5
Volume médio de negócio (milhares de euros) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 257 316,6
Valor médio da FBCF por empresa: (milhares de euros) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23 21
Valor do VAB preços de mercado por empresa (milhares de euros) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57,8 78
Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013 3079
Açores Portugal
Peso dos custos com o pessoal no VAB (2009): (milhares de euros) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70,66 61,89
Taxa de investimento (peso da Formação bruta de capital fixo em relação ao Valor acrescentado bruto) 2009: % . . . . . . . . . . 38,76 27,14
Taxa de Valor Acrescentado Bruto (determina a natureza da atividade da empresa através do peso do Valor acrescentado bruto
em cada unidade produzida): %. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37,51 36,45
Coeficiente capital/emprego (milhares de euros): . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50,07 48,48
Fonte: Anuário estatístico da RAA, 2010 (SREA); Contas Económicas 1999-2009; Empresas em Portugal, 2010 (INE); Evolução do Setor
Empresarial em Portugal 2004-2010 (INE)
A Região apresenta uma especialização da base produ- mento e na inovação (crescimento inteligente), será
tiva acentuadamente assente no sector primário e nos ser- preferencialmente orientada para a valorização das
viços. O VAB a preços de mercado gerado nestes sectores potencialidades da Região, que se apoiará em sec-
(2010) representava mais de 90% do VAB regional. tores de elevado valor acrescentado, na qualidade
A atividade produtiva com maior relevo na Região Au- e na diferenciação de alguns produtos baseados em
tónoma dos Açores (RAA) é a indústria ligada aos sectores recursos naturais existentes, e no desenvolvimento de
agropecuário e das pescas, aproveitando a existência de sectores emergentes resultantes das transformações e
condições naturais e edafoclimáticas únicas e uma espe- alterações do perfil produtivo regional; o desenvol-
cialização em produções em que se dispõe de vantagens vimento do turismo (padrão de atividades turísticas
pela proximidade e pela abundância da matéria-prima, no diferenciado) e dos novos serviços de ponta (cluster
caso das atividades da pecuária e da pesca. do mar e marinho, biotecnologias, valorização dos
Observa-se um esforço na modesta diversificação eco- recursos naturais).
nómica nos últimos anos, nomeadamente no sector agroa- A competitividade está estreitamente associada à in-
limentar, no turismo e nos sectores científico e tecnológico tensidade do investimento em investigação e desenvolvi-
de ponta, sendo identificadas lógicas de cluster em algu- mento (I&D) e ao potencial do sistema de inovação, que
mas produções regionais, designadamente as ligadas às tem como principal função permitir às empresas ter um
principais componentes da base económica, procurando-se acesso privilegiado ao conhecimento e, portanto, à sua
estender essa lógica a outras atividades económicas, onde aplicação na criação de valor.
se detetam vantagens competitivas. A inovação inclui não somente a investigação e o de-
O turismo tem vindo a constituir-se como um impor- senvolvimento tecnológico, mas também os sectores tradi-
tante pilar da base económica regional, no entanto, não é cionais, ligados à base económica regional. A capacidade
ainda visível uma fileira de atividades turísticas, face ao de inovação está dependente das redes de inovação que
reduzido peso das atividades de alojamento e restauração agreguem empresas, universidades, centros de I&D e
no contexto da criação de VAB e de emprego. outras instituições.
A diversificação do tecido económico, assente na As capacidades científicas e tecnológicas são determi-
promoção de uma economia baseada no conheci- nantes na dinamização da inovação nas empresas.
Criação de Conhecimento
Indicador Açores Portugal
Despesas em I&D no PIB 2008 (%) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 0,42 1,5
Despesa média em I&D por unidade 2010 (milhares de euros). . . . 896,6 853,4
Repartição da despesa total em I&D 2009 setor execução . . . . . . Empresas - 15,9%, estado - 8%, en- empresas - 47,4%, estado - 7,3%, en-
sino superior - 69,3%. sino superior - 36,4%.
Repartição da despesa total em I&D 2009, fonte financiamento. . . Empresas - 15,4%, estado - 55,1%, Empresas - 44%, estado - 45,3%, en-
estrangeiro - 27,8%. sino superior mais instituições pri-
vadas sem fins lucrativos - 10%.
Pessoal em I&D por setor de execução 2009. . . . . . . . . . . . . . . . . Empresas - 4,8%, estado - 19,4%, Empresas - 27,1%, estado - 7,54%,
ensino superior - 60,7%. ensino superior - 56,9%.
Investigador em I&D na população ativa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 0,3 0,8
Doutorados no ensino superior em áreas científicas e tecnológi- 0,12 0,46
cas/1000 habitantes.
Diplomados do ensino superior em áreas científicas e tecnológi- 2,4 14,4
cas/1000 habitantes.
Despesas em I&D segundo a área científica ou tecnológica 2009 . . . ciências sociais e humanas - 56,9%, ciências sociais e humanas - 28,7%,
ciências naturais - 22,6%, ciências ciências de engenharia e tecnologia -
agrárias e veterinárias - 9,0%. 26,7%, ciências da saúde - 14,1%,
ciências naturais - 13,1%.
Fonte: Anuário Estatístico da RAA, 2010 (SREA).
3080 Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013
O fomento do empreendedorismo merece uma es- ocorrência de iniciativas empreendedoras, onde se desta-
pecial atenção pois revela-se determinante no processo cam desde logo os sectores agroalimentares, das pescas e
conducente ao incremento da criatividade e do espírito seus derivados, bem como os novos sectores emergentes,
empresarial. como o turismo (em particular o turismo de natureza),
No âmbito da avaliação da atividade empreendedora, outras atividades relacionadas com o mar (por exemplo,
o principal índice é designado por Taxa de Atividade biotecnologia marinha) ou as energias renováveis (de-
Empreendedora Early-Stage (Taxa TEA). A Taxa TEA signadamente as relacionadas com a geotermia, o vento,
ilustra a proporção de indivíduos em idade adulta (entre
ou as ondas).
os 18 e os 64 anos) que está envolvida num processo de
start-up (negócio nascente) ou na gestão de negócios
novos e em crescimento, em cada país/região partici- AS PESSOAS E A VALORIZAÇÃO DO CAPITAL HUMANO
pante.
Segundo o estudo GEM 2010, a Taxa TEA na RAA foi ● A evolução Demográfica
em 2010 de 3,5%. Este resultado indica que, nos Açores,
por cada 100 indivíduos em idade adulta, 3 a 4 estão ati- A população residente nos Açores, de acordo
vamente envolvidos em start-ups ou na gestão de novos com os resultados definitivos dos Censos 2011, é de
negócios. 246.772 habitantes, apresentando saldo positivo, em
Ao contrário do que ocorre na maioria (ainda que não termos de crescimento, face ao anterior ano censitário de
muito acentuada) dos países GEM 2010, nos Açores, o 2001. O aumento verificado de 2% (5.009 pessoas) deve-
número de empreendedores a gerir novos negócios (2,1% -se em larga medida ao saldo migratório positivo, uma
da população adulta) é superior (cerca de 1,4 vezes) ao vez que o saldo natural contribui apenas com 373 pes-
número de empreendedores envolvidos em start-ups soas. Em termos da distribuição por sexo, o comporta-
(1,5% da população adulta). Em Portugal Continental, mento da população nos dois anos de recenseamento,
aquelas taxas assumem os valores de 1,9% e 2,6%, res- apresenta um comportamento similar, sendo a proporção
petivamente.
de mulheres superior à dos homens: 50,8% e 49,2%,
Nos Açores, o sector onde se regista uma maior percen-
tagem de atividade empreendedora early-stage é o sector respetivamente.
orientado ao consumidor (35,2%). Seguem-se, por ordem
decrescente, o sector orientado ao cliente organizacional População Residente – Dados Censitários
(28,0%), o sector da transformação (21,0%) e o sector
extrativo (15,8%). 2001 2011
Nos Açores, o número de empreendedores early-stage
do sexo masculino corresponde a 6,0% da população Nº % Nº %
adulta masculina e o número de empreendedores early-
stage do sexo feminino a 1,0% da população adulta femi-
nina, sendo a Taxa TEA para o género feminino o valor T. . . . . . . . . 241.763 100,0 T. . . . . . . . . 246.772 100,0
H. . . . . . . . . 119.486 49,4 H. . . . . . . . . 121.534 49,2
mais baixo registado nos países GEM 2010. M ........ 122.277 50,6 M ........ 125.238 50,8
Atentando à situação específica dos Açores, pode-se
concluir que 34,2% dos negócios empreendedores não
apresentam quaisquer clientes fora de Portugal e ape- Fonte: INE, SREA.
nas 4,7% dos empreendedores açorianos possuem uma Através da análise comparada de alguns indicadores
quantidade de clientes em mercados estrangeiros acima demográficos, verifica-se que a Região tem acompa-
de 75% do total. nhado a evolução geral observada no país, embora com
Existe na Região um conjunto de sectores e de produtos valores favoráveis em relação à média nacional e a anos
que apresentam condições particularmente favoráveis à
anteriores.
Indicadores Demográficos (Permilagem)
2000 2005 2011
RAA Portugal RAA Portugal RAA Portugal
Taxa de Natalidade. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14,5 11,7 12,5 10,4 11,1 9,2
Taxa de Mortalidade. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10,9 10,3 10,1 10,2 9,6 9,7
Taxa de Nupcialidade. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7,6 6,2 6,2 4,6 4,1 3,4
Fonte: INE, SREA, DREPA.
● Estrutura etária da população
próprios da população ativa, com repercussão no mercado de
A estrutura etária da população evidencia a tendência já trabalho. Em termos de análise da pirâmide etária visualiza-
verificada anteriormente, de diminuição de população nos -se a diminuição da base, que diz respeito à população mais
grupos etários mais baixos e um aumento nos escalões etários jovem versus o alargamento da parte central e topo.
Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013 3081
Estrutura Etária na RAA Segundo o Sexo, 2011-2001 número de idosos, por cada 100 jovens, apresenta valores
para os Açores de 73, comparados com dados para o país
de 128 idosos, para cada 100 jovens. A Região mais enve-
lhecida do país é o Alentejo, com um índice de 178.
● As pessoas e a educação
Uma década é muito pouco tempo no quadro da mu-
dança de níveis de educação e qualificação de uma po-
pulação, para mais quando se parte de uma base muito
desfavorável, atendendo a que a evolução efetiva de uma
sociedade sobre este prisma de análise se concretiza em
gerações. De todo o modo, a comparação entre valores,
taxas e rácios entre censos da população é já uma boa
imagem sobre as dinâmicas e os progressos.
Os dados disponibilizados do Recenseamento Geral
Na última década, a população dos 0 aos 29 anos apre- da População de 2011 revelam que se fizeram progressos
senta um decréscimo de 13%, enquanto a população dos assinaláveis para a progressiva resolução dos problemas da
30 aos 69 se vê aumentada, com uma taxa de crescimento educação na Região em particular, e no país em geral, com
de cerca de 17%. Inclusive, verifica-se um aumento de a concretização de uma escolaridade mínima obrigatória
7% da população com mais de 70 anos. e uma qualificação crescente da população.
Do quadro abaixo, retira-se que a população aumen- Utilizando alguns indicadores sobre o nível de escola-
tou no grupo etário dos 25-64 anos que representa, neste ridade apurados nos recenseamentos de 2001 e de 2011 e
momento, mais de metade da população; apresentando como benchmarking a média nacional, embora as realida-
decréscimos, como já referenciado, nos grupos etários des e as escalas sejam diferentes, obtém-se que, em termos
inferiores aos 29 anos de idade. estáticos, e reportando à situação mais recente, dados de
2011, há ainda um caminho a percorrer na recuperação
População por grandes Grupos Etários dos atrasos estruturais e enraizados na sociedade há muitos
anos nas diversas vertentes da educação base, da diferen-
2001 2011 ciada e também das qualificações dos ativos regionais.
RAA
Não se poderá escamotear e assinalar os efeitos que
N.º % N.º % a intervenção da política pública regional no sector tem
proporcionado, em termos de melhoria efetiva da situação
regional, mercê de uma dinâmica com maior intensidade
População dos 0 aos 14 anos. . . 51.767 21,4 44.201 17,9 que tem proporcionado a recuperação desses atrasos.
População do 15 aos 24 anos. . . 41.092 17,0 34.673 14,1
População dos 25 aos 64 anos 117.585 48,6 135.149 54,8
São sintomáticos dos efeitos da política de educação a
População com 65 ou mais anos 31.319 13,0 32.723 13,3 quebra excecional do analfabetismo na Região, o quase
alinhamento com a média nacional em termos do en-
Fonte: INE.
sino pré-escolar e na redução da proporção da população
com 15 ou mais anos sem qualquer nível de escolaridade
Apesar desta evolução, em comparação com a média completo.
nacional, os Açores são a Região que detém a maior per- Melhorou proporcionalmente a posição da situação
centagem de jovens (grupo dos 0-14 anos – 18%). De regional no contexto nacional, embora ainda com um gap
forma inversa, é a Região que detém a menor percentagem por anular face ao padrão, no que concerne aos níveis de
de idosos (grupo com 65 ou mais – 13%). escolaridade que correspondem pelo menos ao ensino se-
Apesar de o envelhecimento da população ser um dos cundário e os indicadores relativos ao ensino universitário.
fenómenos mais preocupantes das sociedades atuais, e de Sinaliza-se de forma clara como desfavorável, porque
nos Açores se verificar um aumento do índice de envelhe- inferior à dinâmica observada no espaço nacional, a dimi-
cimento face aos dados de 2001, neste momento (dados nuição da percentagem da população da faixa etária dos
de 2011) é a Região portuguesa que apresenta um menor 18-24 anos que completou no máximo o 3 º ciclo e que na
índice de envelhecimento. O índice, que faz a leitura do altura dos recenseamentos não estava a estudar.
Indicadores Sobre o Nível de Escolaridade (%) - Censos 2001/2011
RAA Portugal
Evolução da
situação regional no
2001 2011 2001 2011 quadro nacional
Taxa de Analfabetismo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9,45 4,68 9,03 5,23 Favorável
Proporção de crianças 3-5 anos a frequentar o ensino pré-escolar . . . . . . . . . . . . . . . . . 51,86 70,93 52,28 73,49 Favorável
Proporção da população com 15 ou mais anos sem qualquer nível de escolaridade 18,79 10,51 18,03 10,39 Favorável
completo.
Proporção de jovens 18-24 que completou no máximo o 3.º ciclo (9 .º ano) e que não 49,30 37,02 33,37 22,08 Desfavorável
está a estudar.
Proporção de jovens 20-24 que completou pelo menos o ensino secundário . . . . . . . . . 27,99 42,93 44,04 60,8 Favorável
Proporção da população 30-34 que completou o ensino superior . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9,75 18,91 14,22 28,62 Favorável
3082 Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013
RAA Portugal
Evolução da
situação regional no
2001 2011 2001 2011 quadro nacional
Proporção da população com 15 ou mais anos que completou pelo menos o 3.º Ciclo do 30,38 42,36 37,95 49,6 Favorável
Ensino Básico (9.º ano).
Proporção da População com 18 ou mais anos que completou pelo menos o Ensino 16,10 24,42 22,67 31,69 Favorável
Secundário.
Proporção da população com 23 ou mais anos que completou o Ensino Superior . . . . . 6,38 11,32 8,81 15,11 Favorável
Nos últimos anos, o investimento público no sector da humano que a Região dispõe, seja motor na criação de
educação tem sido intenso. A intervenção pública, pro- valor na economia regional.
movida pelo Governo Regional dos Açores e pelas au- É um domínio em que se cruza diretamente com as
tarquias locais, em separado e em algumas situações em políticas comunitárias de coesão. No caso particular dos
parceria, utilizando os designados contratos ARAAL, tem Açores foi dada prioridade à formação e ao fomento do
sido desenvolvida em todos os níveis do sistema público emprego, traduzindo-se na duplicação do montante de
de ensino. Inclusivamente, no caso do ensino superior, fundos que as autoridades regionais alocaram para este
cuja tutela é da responsabilidade do Governo da Repú- efeito, em comparação com o período de programação
blica, perante a evidência de uma restrição orçamental para anterior.
avançar com as intervenções necessárias e desde há muito Com este volume de meios proporciona-se também
prometidas, nos 3 polos universitários, o Governo Regio- uma maior intensidade das ações realizadas e do número
nal proporcionou a possibilidade de alocação de fundos de participantes.
estruturais consignados aos agentes regionais, para promo- Destacando as principais componentes da oferta de
ver as obras e os melhoramentos necessários e urgentes. formação que se desenvolveram nos últimos anos, com
Com efeito, no domínio do investimento no sector da dados consolidados em dezembro de 2011, apura-se que
Educação, os fundos estruturais têm-se constituído como a aprovação de ações formativas ascende a um volume
uma alavanca poderosa, que as autoridades regionais têm elevadíssimo de formação, para um conjunto proposto de
utilizado para a renovação e atualização das infraestruturas 75 mil formandos, onde pontua o peso específico dos cur-
e equipamentos de ensino. A título de exemplo, no último sos de ensino profissional, os conhecidos cursos PROFIJ
quadriénio foram aprovados para cofinanciamento proje- e de dupla certificação e ainda os cursos de aprendizagem
tos e investimentos na ordem dos 160 Milhões de euros, e de atualização.
abrangendo a modernização da rede de equipamentos
escolares do Ensino Básico, Secundário e Profissional, PRO-EMPREGO
bem como, a construção do edifício Interdepartamental do
campus de Angra do Heroísmo e a ampliação das instala- N.º de Volume de
formandos formação
ções no Polo da Horta, da Universidade dos Açores.
Em termos de indicadores físicos, o volume de des-
pesa pública realizada corresponde a uma intervenção em Cursos de aprendizagem . . . . . . . . . . . . . . . . 967 1.351.591
Cursos de ensino profissional . . . . . . . . . . . . 11.570 12.420.333
60 estabelecimentos de ensino, sendo 13 novas constru- Cursos PROFIJ. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4.635 5.599.648
ções e 47 ampliações/remodelações de estabelecimentos Cursos de educação/formação . . . . . . . . . . . . 4.524 712.731
existentes. São dados expressivos e relevantes, mas que Cursos de atualização. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29.910 1.174.746
constituem apenas uma vertente na condução da política Cursos básicos e de especialização em TIC 14.438 451.170
Cursos de dupla certificação . . . . . . . . . . . . . 4.254 4.799.124
sectorial, ainda que importante. CET . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 553 857.135
Os estudos internacionais realizados em diversos ter- Outros. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4.171 748.796
ritórios e continentes apontam para uma conclusão/re-
Total . . . . . . . . . . . . . . . . 75.022 28.115.274
comendação simples em que, é condição necessária a
abrangência e o alargamento da cobertura da população
pelos sistemas de ensino, mas não será o suficiente. Mas para além das ações de formação propriamente
O fator principal e nuclear para uma maior eficácia ditas, desenvolvem-se ações não formativas, como planos
na ligação entre o sistema de educação, empregabilidade de estágio, ações de sensibilização e de informação da
e desenvolvimento económico, é a qualidade do ensino inserção das mulheres, formação avançada de suporte a
ministrado, aferida pelos conhecimentos e competências projetos de empreendedorismo de base tecnológica, inves-
adquiridas efetivamente pelos alunos, sendo relevante tam- tigação em meio empresarial com uma projeção de mais
bém que seja ministrado no tempo próprio do ciclo de de 8 mil participantes nestes projetos específicos.
crescimento do indivíduo. Por exemplo, demonstra-se que Constitui-se como desafio acrescido uma visão pros-
um ensino pré-escolar ministrado com qualidade é instru- petiva, devidamente calibrada, entre as necessidades da
mento para atenuar os efeitos perversos das diferenças de economia e a sociedade em geral em matéria de formação
rendimento e de instrução das famílias, estando estatisti- e a oferta do aparelho e do sistema regional, como res-
camente comprovado que constitui elemento muito impor- posta adequada e proporcionada, num diálogo próximo e
tante para uma maior e mais fácil progressão dos estudos. competente entre os atores em presença.
● A formação ● As pessoas perante o trabalho
O sistema de formação na Região tem-se desenvolvido Numa perspetiva de evolução de médio/longo prazo,
de forma acelerada, no sentido de fornecer as compe- que nos é facultada pelos dados dos dois últimos recensea-
tências necessárias para que a população ativa, o capital mentos da população, observa-se que houve um aumento
Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013 3083
substancial da população com atividade económica. De involuntária dos ativos, através de um mix de políticas
uma taxa de atividade de 42,0% em 2001, passou-se para que combinem o estímulo ao investimento empresarial,
46,6% em 2011. com adaptação, formação e ajustamento das competências
É de facto um acréscimo significativo que traduz uma oferecidas neste mercado.
pressão substancial no mercado de trabalho. Do acrés-
cimo de 13,4 mil indivíduos da população residente com A COESÃO SOCIAL
atividade económica, 11,0 mil correspondem a mulheres.
Ou seja, a progressão encontra-se fundamentalmente no ● O apoio social
segmento feminino, em que a taxa de atividade teve o As redes públicas de apoio e proteção social manifes-
acréscimo mais significativo, passando de 32% em 2001, tam-se como pilares do equilíbrio social, para mais quando
para mais de 40%, em 2011. se atravessa uma crise económica e também de grande
Tomando como elemento de comparação com o que se restrição financeira, que limita o alcance e a abrangência
verifica no restante espaço nacional, o nível de atividade dos apoios a prestar aos mais desfavorecidos e aos em
dos homens é ligeiramente superior nos Açores, mas nas situação de necessidade.
mulheres, apesar do forte incremento nos últimos anos, No período mais recente, com o agudizar da conjuntura
ainda é menor. económica e social, regista-se alguma reorientação dos
Mesmo tendo em consideração que em 2011, mercê da recursos e do volume das prestações dos regimes. Assim,
envolvente de crise financeira e económica, se registou algumas componentes, como a do rendimento social de
já a destruição de postos de trabalho, observa-se que nos inserção e a da proteção familiar, representam volumes
Açores no espaço de tempo de 10 anos houve um aumento significativos de despesa.
líquido de 7,4 mil postos de trabalho, para uma população Perante a situação do mercado de trabalho, têm sido
com atividade económica que evoluiu de 101 mil para diversas formas de apoio ao desemprego, nomeadamente
115 mil indivíduos, valor muito significativo, face às a incluída na rubrica Repartição - Regime geral, que co-
características e escala da economia regional. nheceu um aumento significativo.
Em termos da situação das pessoas na profissão há
também uma evolução a registar, um aumento proporcio-
nalmente superior à variação média no que concerne aos Despesas – Prestações dos Regimes
que foram recenseados na condição de empregadores, a 1 000 euros
conferir alguma sustentabilidade a uma certa capacidade
empreendedora. Regista-se um aumento menos expressivo 2009 2010 2011
do número de trabalhadores por conta de outrem, embora
neste particular o aumento de desemprego, no segmento Rendimento Social de Inserção . . . . . . . . 19 755 20 522 16 443
de procura de novo emprego, possa distorcer um pouco Subsídio Social de Desemprego/provisó-
esta conclusão. rio/majoração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 645 7 489 6 110
É de facto no desemprego onde se verifica a alteração COMPAMID *. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 863 2 328 1 772
mais substancial, entre uma conjuntura de início de dé- Regime Não Contributivo . . . . . . . . . . . . 1 333 1 669 1 709
Regime Especial de Seg. Social das Ati.
cada, com entrada na zona euro, e a atual de crise finan- Agrícolas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 337 1 280 1 135
ceira e económica. E segundo esta comparação é mais Subsídio Social na Maternidade. . . . . . . . 1 243 1 171 1 199
grave na componente de procura de novo emprego, do Proteção Familiar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32 641 32 610 25 956
que propriamente do 1º emprego. Prestações Sociais . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 611 1 857 1 975
Repartição - Regime Geral. . . . . . . . . . . . 26 702 40 405 46 079
Políticas Ativas de Emprego e Formação
Residentes nos Açores com Atividade Económica, Profissional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93 244 106
Total . . . . . . . . . . . . . . . . 78 886 109 577 102 485
Segundo Situação na Profissão
* Complemento para aquisição de medicamentos pelos idosos (DLR nº4/2008/A, de 26 de
fevereiro).
2001 2011
Fonte: CGFSS.
Atinge já um montante que ronda os 58 milhões de eu-
Empregador . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7.220 9.362
Trabalhador por conta própria . . . . . . . . . . . . . . . 7.806 7.730 ros por ano, as despesas com a ação social, que incorporam
Trabalhador Familiar não remunerado. . . . . . . . . 695 1.118 um crescimento médio anual significativo.
Trabalhador por conta de outrem . . . . . . . . . . . . . 78.286 82.743 Em termos gerais, esta evolução foi observável nas
Outra situação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 721 1.174 diversas componentes da ação social, e destinam-se a
População Empregada. . . . . . . 94.728 102.127 prevenir situações de maior carência e a apoiar pessoas
Desempregada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6.760 12.793
e grupos sociais mais vulneráveis. Nas despesas da com-
1º emprego . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.133 3.435 ponente da Família e Comunidade registou-se uma inten-
Novo emprego . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.627 9.358 sidade de variação bastante significativa.
Total dos residentes com Ativi-
dade económica . . . . . . . . . . 101.488 114.920 Despesas – Ação Social
1 000 euros
Em termos prospetivos é evidente a necessidade de
2009 2010 2011
estabilização no mercado de trabalho, sustendo-se os
efeitos da atual crise e inclusivamente retomar o ritmo
de crescimento da criação líquida de postos de trabalho, Infância e Juventude . . . . . . . . . . . . . . . . 24 789 26 017 29 049
suficiente para manter um nível tolerável de desocupação Família e Comunidade . . . . . . . . . . . . . . . 8 011 8 409 12 269
3084 Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013
1 000 euros des prestadoras de cuidados de saúde, ou a eles recorram
diretamente. Acresce ainda ao sistema regional de saúde
2009 2010 2011
o Centro de Oncologia dos Açores, com atribuições ao
nível da prevenção primária, rastreio e diagnóstico pre-
Invalidez e Reabilitação. . . . . . . . . . . . . . 4 048 4 313 4 828 coce das doenças oncológicas, atividades de vigilância
Terceira Idade. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 754 11 234 11 865 epidemiológica e registo oncológico.
Total . . . . . . . . . . . . . . . . 47 602 49 973 58 011 Foram desenvolvidas intervenções profundas ao nível
das infraestruturas e equipamentos, destacando-se a cons-
trução recente do novo hospital da ilha Terceira, que veio
Ao nível do apoio ao rendimento mínimo das famí-
substituir o anterior hospital que já não tinha as condições
lias, um dos instrumentos fundamentais na prevenção da
mínimas para continuar ao serviço das populações, con-
exclusão social e da pobreza, tem-se mantido, apesar da
cretizado através de um projeto de parceria público-pri-
situação geral, um certo equilíbrio do número de famílias
vada, e também outras obras, algumas concluídas, outras
abrangidas por este apoio, que tem rondado nos anos mais
a arrancar ou em execução, como são exemplos o novo
próximos entre as 5,5 e as 6,5 mil famílias, que dá um
corpo C do Hospital da Horta, os novos centros de saúde
número de beneficiários num intervalo entre os 19 e os
de Stª Cruz da Graciosa, da Madalena e de Ponta Delgada,
20 mil indivíduos, ou seja, cerca de 8% do universo da o serviço de atendimento permanente do centro de saúde
população residente do arquipélago. de Vila Franca do Campo, para além de aquisição de
equipamento especializado que no conjunto com as obras
Rendimento Social de Inserção (nº)
mencionadas, descontando o novo hospital da Terceira,
apontam para montantes de despesa pública perto superior
a 65 milhões de euros.
Os serviços de saúde nas diversas ilhas distribuem-
se e refletem diversas características de dimensão e de
funcionalidade das valências exercidas. Os atos de me-
dicina preventiva e/ou primeiro atendimento, como por
exemplo de profilaxia e de consultas, encontram-se mais
generalizados e dispersos territorialmente. Atos mais as-
sociados a medicina curativa e com maior intensidade
operativa, como os casos que implicam internamento
de doentes, decorrem de forma mais frequente nas ilhas
● Sistema regional de saúde
onde se localizam instalações de unidades de saúde mais
diferenciadas.
A oferta de cuidados de saúde essenciais é assegurada Em termos gerais, verifica-se uma tendência crescente
em primeira linha pelas unidades de saúde, distribuídas para o volume de consultas realizadas nos estabeleci-
pelas nove Ilhas. mentos de saúde, embora mais recentemente o número
Aos Centros de Saúde está atribuída a prestação de urgências tenha sido menor. A evolução dos meios
de cuidados de saúde, essenciais aos utentes residen- complementares de diagnóstico e de terapêutica segue em
tes na respetiva área de influência, sem prejuízo de linha com a evolução das consultas, ou seja, aumento ao
incumbir a estes, a prestação de cuidados de saúde longo dos anos. O número de médicos que prestam serviço
diferenciados. no sistema regional de saúde, mantém-se na vizinhança do
A rede hospitalar é composta por 3 Hospitais, a que meio milhar, ligeiramente acima, o que conjugado com o
incumbe a prestação de cuidados de saúde diferenciados aumento do número de consultas, indica alguma melhoria
aos utentes que lhes sejam referenciados por outras entida- da produtividade dos profissionais neste domínio.
Sistema Regional de Saúde – Indicadores
2006 2007 2008 2009 2010 2011
Consultas (Nº) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 507 715 508 567 558 002 558 049 563 452 584 328
Urgências (Nº) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 419 259 416 912 430 316 428 215 419 629 382 688
Internamento (Nº doentes) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26 870 27 761 29116 29 305 29 072 29 309
Meios complementares de diagnóstico e terapêutica (Nº) . . . . . . . . . . 3 341 554 3 643 839 3 861 466 4 038 248 4 389 513 4 929 475
Médicos (Nº) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 510 514 491 495 541 515
Enfermeiros (Nº) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 212 1 256 1 336 1 311 1 388 1 403
Em termos da envolvente ao sector, não serão despi- partida de necessidade de volumes financeiros crescentes
ciendas as implicações que tem o progressivo envelheci- para o acompanhamento e aplicação desses meios.
mento da população e a correspondente pressão sobre a Releva-se neste particular a necessidade de uma moni-
oferta de cuidados de saúde e também a evolução técnica e torização cuidada da evolução do impacte financeiro do
tecnológica dos instrumentos e meios de apoio, com uma sector, em termos de financiamento público, no sentido
sofisticação e eficácia crescentes, mas com uma contra- que se mantenha o equilíbrio e a continuidade de um
Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013 3085
sistema de saúde regional público eficaz e abrangente e, existência nos Açores de um desemprego ficcional, ou seja,
concomitante, eficiente na afetação dos recursos. situação próxima do pleno emprego, conforme é admitido
quando a taxa não ultrapassa os 4 a 5 % da população ativa.
● O poder de compra
O perfil do desemprego na Região revela um efeito per-
O Instituto Nacional de Estatística produz um estudo verso das políticas nacionais de austeridade e de recessão,
sobre o poder de compra concelhio, tendo como objetivo, em que a componente da procura de novo emprego é bem
segundo o instituto, caracterizar os municípios portugueses superior aos jovens que procuram o seu primeiro emprego.
relativamente ao poder de compra, numa aceção ampla de E esta faceta é tão mais preocupante, quanto existe
bem-estar material, a partir de um conjunto de variáveis, uma componente dos desempregados que não são jovens
recorrendo a ferramentas de análise de dados. e que perderam o emprego anterior, havendo dificulda-
Com os últimos dados disponíveis do país, reportados des acrescidas na afetação a trabalho similar em outras
a 2009, são apresentados os resultados para as mais de unidades empresarias ou de adaptação de competências
3 centenas de concelhos, tendo sido também calculado perante alternativas.
um valor médio para o conjunto do território açoriano.
Comparando os dados reportados em estudo similar no Desempregados por Grandes Escalões Etários
início do milénio, com os mais recentes, observa-se que
nos Açores a média apurada no ano de 2000 equivalia até 30 anos 30-45 anos
45 e mais
anos
Total geral
a pouco mais de 65% da média nacional, quando após
apenas 9 anos aquela relação ultrapassava os 86%.
Total . . . . . . . . . . . . . . . . . 6.225 4.260 2.308 12.793
Homens . . . . . . . . . . . . . . . 3.296 2.408 1.490 7.194
Evolução do Poder de Compra Concelhio Mulheres . . . . . . . . . . . . . . 2.929 1.852 818 5.599
nos Açores (média nacional=100)
Fonte: Recenseamento da População.
É a família quem garante as condições e o meio de
vida aos desempregados, quase em metade das situações.
O subsídio de desemprego não ultrapassa um quinto das
situações de desemprego e o rendimento social de inserção
é ainda menor.
Principal Meio de Vida dos Desempregados - 2011
Ainda que estes valores do estudo não possam ser apro-
priados como qualquer outra variável a que corresponda
um conceito bem concreto e delimitado, p.e. rendimento
e consumo das famílias, não deixa de ser um indicador
relevante e que mostra um progresso significativo regis-
tado na Região, atendendo que a média nacional não é
estática, evoluindo também no sentido positivo.
Naturalmente, haverá diferenças entre os dezanove con- As políticas ativas de emprego, de reconversão profissio-
celhos dos Açores, até porque, as 17 variáveis utilizadas no nal, mas acima de tudo a retoma do crescimento económico
estudo relacionam-se bastante com a respetiva estrutura pro- são as saídas para a estabilização do mercado de trabalho.
dutiva e grau de urbanização. De todo o modo, em 2009 é Porém, face à conjuntura que se vive o adiamento das pre-
menor a relação entre o concelho com mais poder de compra e visões sobre a inversão de ciclo económico, revela-se a ne-
o que tem menos, se comparada com o rácio equivalente para cessidade de monitorização muito estreita do fenómeno do
os valores apurados no ano 2000, a indiciar que não haverá desemprego e a implementação de medidas mitigadoras dos
um afastamento significativo no âmbito do universo regional. efeitos perversos, que a continuidade no tempo desta situação
pode gerar na família, em particular, na sociedade, em geral.
● O desemprego
● A animação local
A conjuntura económica externa que se atravessa na
evolução normal da economia e sociedade, agravada pelas O desenvolvimento de atividades lúdicas e desportivas
políticas restritivas e de redução do rendimento disponível, e a fruição de bens culturais são elementos positivos na
veio a alterar dramaticamente os equilíbrios no mercado de coesão da sociedade e na sua valorização.
trabalho, conduzindo a taxas de desemprego sem paralelo, Por exemplo, no desporto, os dados disponíveis conti-
quer a nível nacional, quer regional. nuam a revelar aumento de praticantes e atletas e também
A situação de desemprego prolongado no tempo é um das atividades diversas como sejam ao nível do apoio
dos fatores que podem conduzir a uma situação de exclu- técnico, treinadores e dirigentes, em alguns casos escolas
são e de desarticulação da família e até de pobreza. de cidadania e de convívio.
Os dados disponíveis do recenseamento de 2011, relativos As mais de duas dezenas de milhares de atletas fede-
ao desemprego nos Açores revelam em primeira linha volume rados e os mais de 400 clubes e entidades envolvidos na
de desemprego relativamente elevado - 12,7 mil indivíduos, prática desportiva são dados importantes e pujantes, face
num universo de cerca de 115 mil ativos - se comparado ao potencial demográfico da Região e as dificuldades
com o período anterior à crise, onde quase se podia admitir a próprias sentidas nos territórios insulares.
3086 Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013
Evolução Desportiva Quanto à modalidade de entrada verifica-se, que as vi-
sitas pagas representaram cerca de metade do total, sendo
2007 2008 2009 2010 2011 realizadas na sua maioria pelo regime de acesso normal,
mas abrangendo algumas formas mais particulares como
as de grupos ou de reformados.
Atletas . . . . . . . . . . . . . . . 20 419 21 102 21 921 21 844 23 261
Técnicos . . . . . . . . . . . . . . 816 938 1 007 1 078 1 124 Nas bibliotecas públicas e arquivos regionais, du-
Árbitros / Juízes . . . . . . . . 902 1 062 1 089 1 067 1 049 rante o ano de 2011, observou-se a frequência de
Dirigentes / Outros Agentes 1 572 1 533 1 564 1 529 1 731 93 244 utilizadores que requisitaram para leitura ou con-
Clubes / Entidades . . . . . . 349 358 377 383 404 sulta 71 554 documentos.
Equipas / Grupos Praticantes 1 196 1 222 1 282 1 229 1 184
Enfermeiros (número) . . . 1 212 1 256 1 336 1 311 1 388
Bibliotecas e Arquivos Públicos Regionais
Ao nível da oferta cultural, destacando a Rede Regional
de Museus apurou-se em 2011 um número significativo de
Utilizadores e documentos consultados
visitantes, mais de 76 mil entradas. Em relação ao ano an-
terior, este número de visitantes representa um decréscimo
de cerca de 5%, mas, mesmo assim, foi significativamente Ano Organismo Utilizadores Documentos
maior que o número observado em 2009.
Nestes termos, registou-se uma certa flutuação nos
números totais de entradas, decorrente sobretudo de va- 2011 Biblioteca Pública e Arquivo Regional 24 691 21 318
riações nos visitantes com nacionalidade estrangeira, já de Angra do Heroísmo . . . . . . . . . . . .
que os números de visitantes portuguesas não se afastaram Biblioteca Pública e Arquivo Regional 44 931 34 073
muito de uma ordem de grandeza de 60 milhares. de Ponta Delgada . . . . . . . . . . . . . . . .
Biblioteca Pública e Arquivo Regional 23 622 16 163
Visitantes aos Museus, Segundo a nacionalidade João José da Graça – Horta . . . . . . . .
Total . . . . . . . . . . . . . . . 93 244 71 554
Fonte: DRC.
De realçar ainda que as diversas expressões e atividades
culturais, desde as artes musicais de dança e de repre-
sentação cénica, outras desenvolveram-se um pouco por
todas as ilhas do arquipélago, onde participaram e foram
executantes, respetivamente, 104 filarmónicas, 62 grupos
de folclore e 24 grupos de teatro.
Agremiações e Grupos Culturais
SMA SMG TER GRA SJO PIC FAI FLO COR Total
Filarmónicas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 35 24 4 15 13 8 3 1 104
Grupos de Folclore. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 22 20 1 2 8 5 1 0 62
Grupos de Teatro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 5 9 1 2 3 2 1 0 24
Fonte: DRC
COESÃO TERRITORIAL E SUSTENTABILIDADE em cada ilha de bens e pessoas é satisfeita exclusivamente
através do transporte rodoviário, ligando as zonas mais
● A Conetividade do Território interiores e vincadamente rurais às próximas da costa,
Transportes
onde se encontram as zonas mais urbanizadas e a oferta
dos principais serviços públicos e comerciais.
Um sistema de transporte eficiente é uma condição O Governo Regional e as Câmaras Municipais são
necessária, ainda que insuficiente, para a competitividade os principais responsáveis pelas redes viárias, regional
e o crescimento económico. e municipal, respetivamente, tendo sido despendido um
Nos Açores, os sistemas de acessibilidade e transporte volume muito significativo de meios financeiros na cons-
ganham uma importância fundamental, pelo estreitamento trução e reabilitação das estradas, incluindo a melhoria
das opções de mobilidade, com uma especialização no dos traçados e dos pisos, bem como no que concerne à
domínio do transporte rodoviário no interior de cada ilha, construção/ampliação do parqueamento automóvel.
e do marítimo e aéreo no que concerne às funções de en- Tomando como referência os investimentos candidata-
trada e saída de pessoas e de mercadorias de e para cada dos a financiamento comunitário nos últimos anos, des-
parcela do território e para o exterior. contando a parceria público-privada na ligação rodoviária
Ao contrário das regiões continentais, onde pode ha- Ponta Delgada - Nordeste, em S. Miguel, foram investidos
ver a alternativa do transporte ferroviário, e em alguns montantes significativos: mais de 168 milhões de euros
sistemas urbanos as plataformas com combinação dos na construção/requalificação do sistema rodoviário nas
diversos modos de transporte, na Região a movimentação diferentes parcelas do território regional, dispondo-se
Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013 3087
atualmente de uma rede rodoviária que se aproxima das No quadro do transporte aéreo, a nível das infraestrutu-
condições médias do desejável, no quadro dos tráfegos ras, tem vindo a realizar-se obras de beneficiação em algu-
existentes. mas aerogares, a melhoria das condições da pista do aero-
Ao nível dos transportes terrestres coletivos de pas- porto de S. Jorge, para além da renovação e ampliação dos
sageiros, manteve-se um apoio financeiro à renovação equipamentos de apoio em terra à operação aeroportuária.
das frotas, no âmbito do sistema designado de SIRIART, Ao nível dos meios e dos equipamentos o sistema de
registando-se um volume de investimento de mais de transporte marítimo alocou compromissos com um valor
14 milhões de euros, desde 2008, promovido pelas rodo- significativo, englobando-se a construção de 2 navios tipo
viárias regionais, havendo já resultados muito sensíveis ao ferry para operação no grupo central e os equipamentos
nível do rejuvenescimento das frotas, conferindo maior ní- de movimentação de cargas. No sistema rodoviário ha-
vel de segurança e até impacte positivo ao nível ambiental. verá a destacar o apoio público à renovação das frotas de
Sendo positiva a avaliação global da evolução do sis- transporte coletivo de passageiros.
tema portuário regional, em alguns portos verificava-se Quanto às atividades desenvolvidas nestes sectores
ainda algumas limitações de espaço e condições nas ope- registaram-se alguns sinais contraditórios no contexto de
rações, exiguidade e dificuldade da operacionalidade de abrandamento recente da atividade económica, derivado
alguns terminais de passageiros, em particular para o vo- da crise externa.
lume de passageiros durante a época do Verão. Para além Nos transportes coletivos terrestres verificou-se uma
disso, alguns dos portos ainda não estão em conformidade redução maior em percursos mais longos. Porém, no trá-
com o Código ISPS, o Regulamento (CE) Nº 725/2004 fego de passageiros nos portos comerciais não se sente os
do Parlamento Europeu e do Conselho. efeitos da recessão, já que de 972 milhares de movimentos
Também neste sector se verificam investimentos pú- de passageiros embarcados mais desembarcados, durante
blicos com dimensão significativa, à escala regional, com o ano de 2011, nas infraestruturas dos portos comerciais
intervenções que vão desde a construção de novas gares açorianos, representou um crescimento de 1,1% em rela-
marítimas e terminais de passageiros, até à ampliação da ção ao anterior, havendo também, nesta linha de evolução,
extensão de cais e a construção de rampas para navios com o reforço do movimento pendular no canal entre a Horta
sistema ro-ro e ferry, no quadro de uma política de reorde- e a Madalena, equivalente a 708 mil movimentos de em-
namento dos portos regionais, incluindo não só as funções barques mais desembarques nas respetivas infraestruturas
comerciais, mas também as da pesca e de recreio náutico. portuárias.
Tráfego de Passageiros nos Transportes Coletivos Terrestres
Carreiras 2008 2009 2010 2011
Interurbana . . . . . . . . . . . . . . . . . . Passageiros. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 784 658 7 329 742 7 301 564 7 225 125
Passageiros/km. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 96 450 692 91 627 023 94 039 841 86 937 838
Urbana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Passageiros. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 169 407 1 000 639 1 001 820 997 557
Passageiros/km. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 260 846 6 258 470 6 217 810 6 142 847
Fonte: SREA.
Movimento de Passageiros nos Portos Comerciais Crescimento de Movimentos de Passageiros
nos Aeroportos
Carreiras 2008 2009 2010 2011
Taxa média anual em %
Total* . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 954 948 957 182 961 842 972 298
Canal Horta – Madalena . . . . . . 691 238 678 266 665 888 708 348
* Rede de portos comerciais, sem incluir os movimentos no canal Horta-Madalena.
Fonte: SREA.
O volume de passageiros movimentados nos aeropor-
tos do arquipélago estrutura-se em grandes segmentos
de tráfego, conforme respetivas origens e destinos: in-
terilhas e com o exterior, assumindo neste caso a maior
representatividade com outros aeroportos portugueses,
isto é, no tráfego territorial, sendo nesse segmento
que se verificou em 2011 uma diminuição da procura O volume de cargas movimentadas nas infraestruturas
deste meio de transporte para as viagens de e para os dos portos comerciais e nos aeródromos/aeroportos, apesar
Açores. do decréscimo do produto interno, demonstrou alguma
3088 Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013
resiliência neste contexto de abrandamento económico, representa um acréscimo positivo de 1,1% em relação ao
pelo menos no período anual completo, para o qual se ano anterior, comum a evolução bem positiva nos car-
dispõe de informação e dados. Em 2011, apurou-se um regamentos, tendo os descarregamentos registado um
total de 2,85 milhões de toneladas movimentadas, o que decréscimo absoluto.
Cargas Movimentadas
1 000 t
2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011
Aeroportos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13,2 11,9 11,3 11,7 10,6 9,7 9,7
Portos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2 825,6 2 857,5 3 050,1 2 905,4 2 780,9 2 814,3 2 846,1
Total . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2 838,8 2 869,4 3 061,4 2 917,1 2 791,5 2 824,0 2 855,8
Fonte: SREA.
O sector dos transportes assume natural importância no ainda instalada uma rede de acesso de fibra ótica nos
contexto geográfico próprio dos Açores. A modernização concelhos de Lajes das Flores, Santa Cruz das Flores e
do sector, o abaixamento dos custos, em termos reais, ao Corvo que permitirá às populações locais o acesso a uma
longo do tempo e o aumento das frequências e das facili- infraestrutura de telecomunicações de alto débito.
dades traduzem vantagens no alargamento do horizonte Ainda neste âmbito, alargou-se a um conjunto assina-
da produção económica regional, mas também permite a lável de outros concelhos da Região, a construção de uma
entrada competitiva de produtos e serviços, originando rede no âmbito deste projeto, que permitirá ultrapassar os
concorrência acrescida ou mesmo desaparecimento de atuais condicionalismos e proporcionará a utilizadores
atividades face a maiores níveis de produtividade e de residenciais e empresariais o acesso a serviços de banda
qualidade dessa oferta externa. larga de nova geração, desenvolvendo-se uma oferta gros-
É neste contexto de equilíbrio entre as externalidades sista que irá permitir a todos os operadores retalhistas a
geradas, mas também numa visão e perspetiva mais ampla disponibilização dos mais avançados serviços de teleco-
da localização atlântica do arquipélago, de uma possibi- municações.
lidade de ancorar uma logística, inserida numa gestão da Quanto à rede telefónica, a Portugal Telecom possui
cadeia de abastecimento, de fluxo e de armazenamento rede de voz e dados. No que concerne às redes móveis
eficiente e económico de bens e produtos, no contexto estão operacionais os 3 operadores GSM, havendo uma
da economia e trocas que se desenvolvem no espaço do taxa de penetração muito elevada.
atlântico norte, que se podem constituir desafios para o Ao nível da TV por cabo, a oferta é similar à existente
futuro neste âmbito. no restante espaço nacional. A rede cablada cobre zonas
Existem também algumas incertezas quanto à evolução urbanas, dando o serviço DTH cobertura ao restante es-
do funcionamento e prestação de serviços nos aeropor- paço regional.
tos/aeródromos sob gestão de empresa e da companhia Também nesta área mantém-se alguma incerteza quanto
aérea nacionais, em termos do impacte que os respetivos a resultados de privatização de serviços, designadamente
processos de privatização possam ter na Região. No plano os correios, no que concerne à manutenção da cobertura do
dos transportes marítimos uma maior fluidez do tráfego, território, frequências e qualidade dos serviços prestados.
melhores condições de preço e rapidez e o aproveitamento
e desenvolvimento de novos segmentos de negócio, como ● Sistema Energético
sejam o mercado dos cruzeiros, podem constituir-se opor-
Uma economia de baixo carbono é um dos objetivos
tunidades para a geração de economias externas à restante
estratégicos do espaço europeu e naturalmente das auto-
atividade económica e funcionamento da sociedade.
ridades regionais. O sector energético tem tido um papel
Comunicações
muito importante para alcançar as metas que se vão fi-
xando, invertendo-se progressivamente uma situação de
Ao nível das telecomunicações a situação regional não dependência do petróleo, com efeitos devastadores para
difere substancialmente do que se passa a nível nacional, o ambiente, em geral, e para as alterações climáticas em
quer ao nível da infraestrutura, quer no âmbito dos ser- particular, pelo efeito estufa, a utilização intensiva dos
viços oferecidos. derivados do petróleo.
Mantinha-se porém uma lacuna no que concerne à Na Região, derivado à localização e à escala, o abas-
penetração das redes de nova geração no grupo oriental, tecimento energético externo é realizado por importação
situação que ficou resolvida com a abertura de fundos de combustíveis derivados do petróleo e do gás propano,
estruturais regionais para esse efeito. O investimento em já que não se apresenta como viável a importação e ar-
curso tem como objetivo a instalação, gestão e manu- mazenagem de gás natural. Deste volume de combustí-
tenção de uma rede de comunicações eletrónicas de alta veis adquirido ao exterior, há uma pequena parte que é
velocidade nas ilhas das Flores e do Corvo. Compreende “exportado” por via dos fornecimentos à navegação e às
a instalação de um cabo submarino que terá uma configu- companhias aéreas que escalam os aeroportos regionais.
ração em semianel ligando Faial-Flores-Corvo-Graciosa, Em termos de balanço energético e comparando dados
com elevado grau de securização. O anel será completado disponíveis para o quadriénio 2007-2010, observa-se uma
pela ligação entre a Graciosa e o Faial através de cabo quebra geral do consumo de energia primária no último
submarino já existente. Além do cabo submarino, será ano do período em análise, em paralelo com um aumento
Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013 3089
da penetração da produção regional de energia elétrica No caso particular da produção de energia elétrica,
a partir dos recursos renováveis, geotérmicos, eólicos durante o ano de 2011, o volume de 840,0 Gwh gerados
e hídricos, bem como a produção a partir da queima de pelo sistema eletroprodutor regional representou um de-
lenhas e a produção de biogás. créscimo de 1,1% em relação ao ano anterior. Os dados
Pese embora em 2010 a produção interna tenha atingido disponíveis para 2012 confirmam uma tendência de de-
um valor de 25,8 mil toneladas equivalentes de petróleo, créscimo da produção, por via do abrandamento da ativi-
quando comparado com o total da energia primária, repre- dade económica e de poupanças do sector doméstico.
senta menos de 6,4% do total da oferta. Em todo o espaço
nacional aquela relação foi de 23,2 %. Evolução da Produção Produção Acumulada
Em termos de intensidade energética da produção eco-
nómica, em 2010, nos Açores, por cada milhão de euros de (Outubro 2012 – (2,9%)) Janeiro a outubro de 2012
produto interno bruto gerado na economia regional foram
consumidas 108 t de equivalente de petróleo de energia 671.805 MWh
primária. No quadro nacional, esta relação foi de 132 tep,
portanto, na Região uma menor intensidade energética,
o que será compreensível face à quase inexistência de
algumas indústrias consumidoras de energia.
Oferta de Energia Primária
Unid: tep
2007 2008 2009 2010
Importação Líquida . . . . . . . . . 329.411 338.107 348.166 340.020 Fonte: EDA
Gasolinas . . . . . . . . . . . . . . . . . 36.281 34.006 35.844 33.836
Gasóleo . . . . . . . . . . . . . . . . . . 139.008 145.087 148.528 143.445 Há ainda um caminho a percorrer em matéria de pene-
Fuelóleo . . . . . . . . . . . . . . . . . . 124.207 131.125 132.846 134.266 tração de energias renováveis na produção de eletricidade.
GPL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28.165 26.153 28.074 26.980 Desde os mais antigos sistemas hidroelétricos, passando
Jet fuel . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28.842 29.078 25.843 23.134
Asfalto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13.504 16.731 21.692 15.921
pelo aproveitamento industrial dos recursos geotérmicos
Outros. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.750 1.736 2.874 1.493 e a expansão mais recente da energia eólica, o peso das
Produção Regional . . . . . . . . . . 21.812 20.883 20.382 25.777 renováveis vem aumentando no conjunto da produção.
Total do Consumo Pri- Com o funcionamento já num prazo relativamente
mário . . . . . . . . . . . 393.569 404.799 416.083 404.852 breve da valorização energética dos resíduos, designada-
mente em S. Miguel e Terceira, e de outros processos ainda
Em termos de utilização final dos recursos energé- experimentais nas ilhas de menor dimensão, coloca-se
ticos, são os transportes os grandes consumidores de uma questão sobre a melhor gestão do sistema produtor
energia, com destaque para os rodoviários com 28% do de energia, face aos condicionalismos da produção de
total, os restantes segmentos do sistema de transporte, eletricidade a partir destes recursos. Se nas horas do dia de
o marítimo e o aéreo, no seu conjunto afetam cerca de maior consumo a energia renovável é utilizada de forma
8% da energia consumida, o sector eletroprodutor con- integral, por oposição a poupança no sistema térmico
some cerca de 76,7 mil tep de energia, cerca de 19% do convencional, nas horas de “Vazio”, de menor consumo,
total, as famílias com cerca de 13% e os restantes con- durante a noite, essa energia poderá ser excedentária,
sumidores com valores relativamente próximos. A base havendo que armazenar os excessos de produção que,
económica regional, agricultura, pesca e agroindústrias face ao estado da arte, poderá induzir a construção de
associadas, no seu conjunto significam no total 15% do pequenas centrais hídricas reversíveis ou a alimentação de
consumo final. baterias. É neste contexto que se apresentam os maiores
É de facto no sector dos transportes, na produção de desafios ao sistema eletroprodutor regional, na perspetiva
energia elétrica e alguns segmentos da produção econó- de cumprimento de metas propostas a nível europeu e
mica onde se podem gerar efetivas poupanças na utilização também em inovação no abastecimento energético em
dos combustíveis e demais derivados do petróleo, desde pequenos territórios.
que os topo de gama das alternativas o possam viabilizar,
em condições razoáveis de preço e de qualidade. ● A sustentabilidade dos recursos naturais
As ilhas dos Açores são reconhecidas pelo elevado
Consumo Final de Energia - 2010 (unid: tep) nível de qualidade ambiental e pelo potencial dos seus
recursos naturais.
A criação de condições para a preservação dos recur-
sos naturais é um desígnio coletivo, uma aposta num
desenvolvimento equilibrado e num crescimento futuro
sustentável.
Têm vindo a ser criadas estruturas e instrumentos le-
gislativos que sustentam a regulação do ambiente, dos
recursos hídricos e do ordenamento do território, contri-
buindo para um salto qualitativo da Região em termos
ambientais.
3090 Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013
Por exemplo, com o objetivo de dotar a Região de progressivamente alcançado através de uma animação
infraestruturas de gestão de resíduos, de modo a imple- do sector exportador, embora com ritmos de crescimento
mentar tecnossistemas apropriados para uma adequada decrescentes, e uma queda das compras no exterior, mercê
valorização de resíduos, eliminando-se assim a deposi- da retração da procura interna, derivada da diminuição do
ção de resíduos em lixeiras e aterros, foram construídos consumo e do investimento.
sete centros de processamento de resíduos (Santa Maria, É neste ambiente de dificuldades, com incertezas sobre
São Jorge, Pico, Faial, Graciosa, Flores e Corvo), num as perspetivas a curto e a médio prazo de alteração do
investimento de cerca de 42 milhões de euros, com uma ciclo económico e do comportamento e confiança dos
comparticipação comunitária de 32,4 milhões de euros agentes económicos, que o novo período de programação
(FEDER e Fundo de Coesão). e uma nova geração de políticas públicas agora se inicia
Em complemento, estão a ser iniciados os investimen- nos Açores.
tos conducentes à construção das centrais de tratamento e O diagnóstico prospetivo é claro e induz linhas de
valorização de resíduos nas ilhas Terceira e São Miguel, orientação relativamente claras e consensuais para as
com um investimento previsto de 132 milhões de euros, políticas públicas, pontuando a necessidade de aumentar
que terão uma comparticipação de cerca de 94 milhões os níveis de competitividade da economia regional, quer
de euros do Fundo de Coesão. no seu núcleo forte e área de especialização, quer fomen-
Destaca-se também a criação de nove Parques Naturais tando e robustecendo novos sectores e áreas de produção
e um Parque Marinho, que permite agregar a gestão de económica, em paralelo com políticas ativas de fomento
todas as zonas que são consideradas fulcrais para a con- de emprego, em contexto empresarial, ligando as quali-
servação da natureza na Região. ficações às necessidades das empresas, com a proteção
Um bom exemplo da potencialidade dos recursos endó- e a defesa dos sectores da sociedade mais carenciados,
genos no crescimento sustentável da economia açoriana é minimizando a exclusão social e a pobreza.
o do investimento na requalificação ambiental das bacias As pessoas são o centro dos objetivos e os destinatários
hidrográficas das lagoas das Furnas e das Sete Cidades, últimos das políticas públicas a prosseguir no quadrié-
onde se conciliou a preservação da biodiversidade, com nio, seja na sua relação com a educação, com o trabalho,
a componente de atração turística e a criação de valor com a organização empresarial, integrado na família e na
económico ambiental, num investimento relevante com sociedade em geral. Os meios e as operações que serão
cofinanciamento comunitário. mobilizados terão lateralmente objetivos muito claros e
Um conjunto de certificações concedidas a nível inter- condicionantes apropriadas no que concerne à sua reparti-
nacional demonstra o nível de qualidade que os Açores ção equitativa e proporcional pelo território, num contexto
alcançaram: Rede Natura 2000, Reservas da Biosfera, de igualdade de oportunidades, e de eficiência e sustenta-
Rede Europeia de Destinos de Excelência, QualityCost, bilidade ambiental e de preservação dos recursos.
EcoEscolas e Bandeira Azul, entre muitos outros, reco-
nhecem o bom caminho efetuado, exigindo uma articu- ● Aumentar a competitividade e a empregabilidade
lação de políticas no sentido da manutenção da imagem da economia regional
de qualidade ambiental que os Açores granjeiam a nível A crise económica que se sucedeu à crise financeira
nacional e internacional. internacional recentrou toda a abordagem aos fatores de
Existem ainda alguns constrangimentos ambientais, crescimento económico e de competitividade. O conjunto
os quais deverão merecer uma atenção especial, nomea- de premissas e condições para o crescimento e a competiti-
damente ao nível da gestão de resíduos, da existência de vidade das economias regionais são diversificados e devem
espécies invasoras, da dependência de fontes energéticas orientar as decisões de política pública. A qualidade das
exteriores, da intensa utilização da paisagem terrestre instituições, a estabilidade da situação macroeconómica,
e recursos submersos, bem como da fraca valorização a qualidade das infraestruturas e a qualidade do ensino
dos recursos naturais. As alterações climáticas globais primário e secundário são algumas das condições básicas.
colocam também uma elevada pressão às ilhas açorianas, A dimensão e a fragmentação do território regional,
caraterizadas por territórios limitados e frágeis. e por conseguinte do mercado interno, será uma condi-
Haverá que consolidar o funcionamento de todas as cionante importante na perspetiva das condições básicas
infraestruturas já operacionais, implementar as que ainda para o crescimento e a competitividade, mas a eficácia
não se encontram no nível operacional desejado, e esta- do funcionamento do mercado de trabalho, a ligação da
bilizar a atuação de todos os instrumentos de regulação universidade e de outros centros do conhecimento às em-
e monitorização da qualidade do ambiente terrestre e presas, a formação e a qualificação e uma mentalidade e
marítimo e da qualidade do ar dos Açores. motivações empresariais orientada para a inovação, são
fatores impulsionadores do desenvolvimento.
2 AS GRANDES LINHAS DE ORIENTAÇÃO No caso particular da temática da inovação no contexto
ESTRATÉGICA 2013-2016
da produção económica, é assente que se constitui no
As perspetivas sobre o quadriénio que se inicia estão tempo atual como fator indispensável para o reforço da
invariavelmente interligadas com a evolução da envol- criação de valor, não apenas no sentido do aproveitamento
vente externa, seja a nível europeu, seja principalmente e utilização da tecnologia disponível, mas também na
no espaço nacional, neste contexto de sucessivas revisões introdução de novos métodos de gestão nas empresas, na
em baixa do crescimento económico e o consequente sua organização e funcionamento, no fabrico e na comer-
adiamento da retoma económica. cialização dos produtos.
O processo de ajustamento financeiro e económico a Só há criação de emprego sustentável na economia real
que o país está sujeito até meados de 2014 tem conduzido se as empresas em funcionamento expandirem a atividade
a uma contração económica e o consequente aumento do e/ou com a criação líquida de novas unidades produti-
desemprego, sendo o equilíbrio das contas externas sido vas. Deste modo, a estabilização do mercado de trabalho,
Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013 3091
numa perspetiva de saturação e limite de absorção do Uma verdadeira carta social impõe-se como instrumento
sector público administrativo, dependerá da capacidade de coesão social, numa perspetiva de equilíbrio de afetação
empreendedora na sociedade, de uma mentalidade que de recursos e de oferta de serviços no território.
passe pela assunção de riscos, sem prejuízo de uma com- Uma sociedade inclusiva é a que rejeita a discriminação
binação de apoios e incentivos públicos, com algumas no seu seio, seja pelo género, pela doença, pela pobreza, pela
safety nets, e numa lógica integrada com parcerias entre etnia, religião, orientação sexual, ou qualquer outra situação
as instituições. de natureza minoritária. A atual envolvente económica e
Uma agenda de robustecimento das empresas e de as implicações em matéria de desemprego e de redução de
diversificação da economia regional, no atual contexto e rendimento disponível das famílias pode propiciar a situa-
envolvente externa, funda-se obrigatoriamente no capital ções de risco em matéria de marginalidade e/ou exclusão
humano, na sua capacidade de gerar conhecimento, de social, sendo prioritário monitorização e acompanhamento,
descobrir, de organizar, participar e desenvolver negócios com as intervenções necessárias e possíveis.
em diversos sectores, os tradicionais e os potenciais,
● Aumentar a coesão territorial e a sustentabilidade
em terra ou no aproveitamento dos recursos do mar,
vocacionados para o mercado local ou orientados para Ao longo dos últimos anos foram construídas/bene-
o exterior, de juntar e combinar os meios e as compe- ficiadas as principais infraestruturas de acessibilidade e
tências necessárias. melhoradas as comunicações. Ora por intervenção direta
Empreendedorismo, capital de risco, engenharia fi- das autoridades regionais e municipais, incluindo o sector
nanceira, fomento e incentivo ao investimento privado, empresarial público, ora por influência e constituição de
ciência, tecnologia, inovação, diversificação, novos mer- parcerias e de acordos com entidades exteriores, na Região
cados, qualificação e formação, parcerias estratégicas são existe já um capital físico de base, uma rede diversificada
conceitos cuja aplicação e exercício prático se interligam de infraestruturas que permite o funcionamento dos sub-
e articulam numa agenda para a competitividade e de sistemas económico e social.
criação de emprego que será executada neste período de De um ciclo longo e dispendioso de construção e re-
programação das políticas públicas. formulação de equipamentos e infraestruturas em todas
as ilhas, que pontualmente constituiu um dos meios para
Promover a qualificação e a Inclusão Social
induzir e aumentar níveis de atividade económica pelas
O acesso aos serviços públicos essenciais, como se- facilidades que ofereciam, a prioridade vai para um novo
jam o ensino pré-escolar, o obrigatório e os cuidados de ciclo, onde não será a infraestrutura a viabilizar a produ-
saúde, são condições necessárias para a coesão social, ção económica, mas a economia a sinalizar quais as reais
a que acresce uma orientação para a coesão territorial, necessidades de investimento público neste âmbito.
numa perspetiva de igualdade de oportunidades em todo A par de um novo paradigma na afetação dos recursos,
o espaço regional, numa lógica de proporcionalidade e mantém-se inalterada a via da introdução de eficiência
equidade dentro das limitações próprias do território. na gestão, designadamente no segmento dos transportes,
A mera abrangência quantitativa de determinadas redes como forma a não penalizar os produtores, os consumi-
públicas, designadamente na educação, perde eficácia e dores em termos de custo dos serviços.
mesmo sentido se baseada numa operação pobre, des- No domínio da proteção e valorização dos recursos natu-
cuidada e sem a necessária avaliação e correspondente rais destacam-se as medidas que decorrem de compromissos
correção e afinação no seu funcionamento. de âmbito da aplicação das diretivas comunitárias, mas mais
O investimento público na melhoria das condições da importante as que decorrem da política regional de prote-
oferta de serviços públicos concretiza-se na modernização ção dos recursos endógenos, incluindo a sua valorização.
e ampliação da rede de infraestruturas e equipamentos Os recursos do mar, uma economia de baixo teor de car-
necessários à prestação dos serviços, constituindo a ver- bono e o correto ordenamento espacial, a par da defesa da
tente material da política pública, a que se juntará uma paisagem característica e própria da Região, são domínios
estratégia com uma prioridade muito clara e muito incisiva de intervenção pública, em parceria com demais agentes,
em matéria de avaliação e monitorização da qualidade do sem prejuízo do processo de valorização de resíduos,
serviço prestado. com investimentos significativos em curso, que podem
Um nível de desemprego, que aumentou com o atra- afastar o sistema de depósito de resíduos nas ilhas, com
vessamento da crise no processo de desenvolvimento da as implicações ambientais conhecidas.
Região, comporta riscos, designadamente o da pobreza,
● Afirmar a identidade regional e promover a cooperação externa
principalmente para os desempregados de duração mais
longa. Este risco é minimizado se diminuído o tempo ne- Assume particular importância no quadriénio, a promo-
cessário para encontrar nova ocupação, se tal não ocorrer ção e valorização da identidade regional pretendendo-se
serão mobilizados instrumentos de apoio ao rendimento estimular a preservação e divulgação da cultura açoriana
das famílias afetadas e de reconversão/adaptação das com- junto das comunidade emigradas, incentivar a sua plena
petências dos ativos desocupados involuntariamente. integração nas sociedades de acolhimento, apoiar as co-
O aumento da esperança de vida e o decréscimo da munidades de imigrantes promovendo a sua integração e
natalidade, traduzindo-se num envelhecimento gradual participação cívica e social.
da população, tem repercussões na procura de alguns No domínio da cooperação externa e assuntos euro-
serviços específicos, desde ao nível dos cuidados de saúde peus, promover-se-á a defesa dos interesses dos Açores,
especializados até às questões de ocupação dos tempos, o aprofundamento de relações bilaterais com territórios
mobilidade e alojamento, que não podem ser resolvidos de interesse estratégico, a aproximação dos açorianos da
com uma multiplicação de equipamentos e de infraestru- União Europeia bem como da Europa aos Açores.
turas, sem uma avaliação concreta das necessidades e dos Continuar a dotar a comunicação social dos meios que
recursos disponíveis. permitam uma atuação ativa, dinâmica e plural.
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3. POLÍTICAS SECTORIAIS Mas um ecossistema favorável ao empreendedorismo
e à inovação não fica completo sem que lhe juntemos
● Aumentar a competitividade e a empregabilidade da economia regional instrumentos de apoio financeiro ao investimento. Deste
modo, os sistemas de incentivos, ao configurarem-se como
Competitividade políticas estruturais de mercado, que proporcionam con-
O desenvolvimento da Região deve alicerçar-se numa dições para um desenvolvimento sustentável a médio
economia inteligente, sustentável e inclusiva, em conso- e longo prazo, constituem uma importante alavanca do
nância com a estratégia Europa 2020, que proporcione investimento privado.
níveis elevados de emprego, de produtividade e de coesão A política de incentivos ao investimento para os pró-
social. ximos anos terá em linha de conta os novos desafios da
Promover uma economia baseada no conhecimento e economia, sem deixar de assegurar a continuidade de
na inovação deve assim constituir uma prioridade. Para medidas com resultados de sucesso, como forma de ga-
o efeito, importa reforçar o desempenho na investigação, rantir um clima de estabilidade e confiança para os agentes
impulsionar a inovação e a transferência de conhecimen- económicos. Neste enquadramento, coloca-se à economia
tos, tirar plenamente partido das tecnologias da infor- açoriana um desígnio estratégico de reforçar e alargar
mação e da comunicação, e assegurar a transformação a sua carteira de atividades e produtos transacionáveis,
das ideias inovadoras em novos produtos e serviços que tendo em vista um melhor posicionamento no contexto
criem riqueza e emprego de qualidade, A par do cresci- nacional e internacional. Este aumento da capacidade
mento inteligente, deve igualmente ser estimulado um de gerar riqueza deve ser concomitante com um forte
crescimento sustentável, capaz de gerar uma economia incremento da produtividade e da qualidade do trabalho,
mais eficiente em termos de recursos, mais ecológica e da criação de emprego, reforçando a inclusão e a coesão
e mais competitiva. O crescimento inclusivo afigura-se social e territorial.
igualmente essencial, ao favorecer uma economia com O Governo Regional dos Açores vai colocar um forte
elevados níveis de emprego, que assegure a coesão eco- empenho na economia do conhecimento, baseada na qua-
nómica, social e territorial. lidade e na inovação, privilegiando a produção de bens e
Na progressiva implementação de um modelo criativo serviços transacionáveis, como forma de assegurar uma
de desenvolvimento sustentável e de coesão social está base sólida para um desenvolvimento sustentável e du-
sobretudo em causa o desafio da competitividade. radouro.
Neste processo de mudança, a inovação emerge como Empregabilidade e Formação
trave-mestra da competitividade, intimamente ligada não
apenas à criação de conhecimento, mas igualmente à sua O fomento do emprego é, por si só, fator crucial de
transmissão e oportuna aplicação. O conhecimento deve promoção da competitividade, pelo que serão implemen-
assim constituir a essência dos processos de produção e tadas medidas não só ao nível da qualificação dos recursos
também o suporte da qualidade, da produtividade e da humanos como forma de potenciar a sua empregabilidade,
competitividade. mas também medidas destinadas aos empregadores, na
O aumento da competitividade e da produtividade bem qualidade de principais criadores de emprego.
como o racional aproveitamento dos nossos recursos são É a estes, e aos jovens recém-formados e necessaria-
aspetos fulcrais para que possamos dar continuidade ao mente com a ambição de transitarem para o mercado de
processo de desenvolvimento que temos vindo a trilhar trabalho, que se destinam os estágios profissionais a rea-
nos últimos anos. A competitividade, numa visão ampla de lizar no âmbito do ESTAGIAR. Esta tem sido a principal
sustentabilidade, constitui um dos desígnios estratégicos ferramenta de recrutamento de novos profissionais por
na afirmação da economia regional, pretendendo-se adotar parte dos empregadores. Pela execução em crescendo que
um conjunto de medidas de política sectorial que permi- o programa tem observado, estima-se a realização de mais
tam fomentar o investimento privado, apoiar a oferta de 4000 estágios até 2016. Importará não descurar a abran-
economias externas e minimizar os bloqueios à expansão gência regional desta medida, particularmente relevante
e diversificação das atividades económicas. ao nível da fixação de quadros qualificados nas ilhas e nos
O fomento do empreendedorismo merecerá igualmente concelhos de menor densidade populacional.
uma especial atenção, pois revela-se determinante no pro- É também no âmbito desta segunda vertente de fomento
cesso conducente à inovação empresarial. O empreende- do emprego que se inserem medidas de aplicação suces-
dorismo desenvolve atitudes e competências conducentes siva e coordenada como sejam os apoios à contratação – de
ao incremento da criatividade e do espírito empresarial, que são bem exemplo os programas INTEGRA e PIIE - e
pelo que deve posicionar-se no centro das políticas eco- os incentivos ao empreendedorismo de desempregados,
nómicas. como o que se verificará em sede do programa CPE Pre-
O binómio inovação/empreendedorismo constitui uma mium. Da aplicação conjugada destas três medidas é de
força motriz na dinâmica económica de qualquer região, prever a criação de mais de 2000 postos de trabalho.
pois uma sociedade com um elevado número de empreen- Quer no caso do INTEGRA, quer no caso da CPE Pre-
dedores, ao juntar o seu potencial criativo a uma leitura mium estaremos a potenciar a criação de novos projetos
correta das oportunidades de negócio, induz um cresci- de investimento através do apoio em condições particu-
mento económico sustentável, gerador de riqueza e de larmente favoráveis, no primeiro caso, e majoradas, no
emprego. Reconhecendo o papel essencial dos empreen- segundo caso, à criação de novos postos de trabalho.
dedores, enquanto catalisadores da inovação e competitivi- Atento por um lado a expressão significativa do pro-
dade, pretende o Governo Regional criar um ecossistema grama ESTAGIAR enquanto estratégia de transição para
favorável ao empreendedorismo, através de um conjunto a vida ativa, e a obrigação legal mas também estratégica
articulado e coerente de medidas, envolvendo diversos que lhe está adstrita de, verificadas certas condições, se
departamentos governamentais. operaram contratações por parte das entidades promotoras
Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013 3093
de estágio, é particularmente relevante no atual contexto O aumento das comparticipações a suportar pelo
económico haver uma estratégia que facilite a celebração Governo Regional visa precisamente tornar ainda mais
de contratos de trabalho, deste modo cumprindo-se o obje- atrativo um mecanismo de fomento do emprego que se
tivo último da medida e abrangendo mais de 2000 jovens espera venha a ser catapultado para outros patamares de
até 2016. execução, mais condizentes com o know-how que as insti-
O fomento do emprego não pode descurar, porém, o tuições parceiras, ou sejam as Empresas de Inserção, têm
público em situação de desfavorecimento face ao mercado registado ao longo dos anos, e que importa ter ao serviço
de trabalho, seja porque são desempregados provenientes desta causa. Estima-se que 500 desempregados venham a
de sectores com atividade em crise (construção civil), seja ser alvo de processos de inserção promovidos no âmbito
porque se tratam de utentes com condições socioeconómi- do Mercado Social de Emprego.
cas ou pessoais que os colocam naquela condição. A estratégia da RAA para a qualificação e reconversão
Medidas como o Agir Agricultura e o Agir Indústria profissional dos açorianos não pode estar dissociada do
ajudarão a potenciar a colocação destes desemprega- nível de qualificação que a população apresenta.
dos, num total de 850 durante o próximo quadriénio, em O recurso aos fundos estruturais, nomeadamente o
estágios propiciadores de operarem a sua reconversão Fundo Social Europeu, se por uma lado se traduz na pos-
profissional, com o necessário e subsequente apoio à sibilidade da Região aceder a um financiamento comu-
contratação. nitário que pode e deve ser dirigido para a qualificação
As atividades ocupacionais propiciadas pelo Programa e reconversão dos açorianos, por outro lado exigirá o
PROSA assumem também neste capítulo papel prepon- cumprimento das metas que vierem a ser definidas para
derante, por facultarem hábitos de trabalho aos que por a Região, no âmbito da Agenda 2020.
razões diversas não os têm, e por incidirem sobre áreas de Como medidas fomentadoras do aumento dos níveis de
interesse público, como sejam o apoio à atividade social, escolaridade e de qualificação encontra-se a lecionação
à educação, à proteção e promoção dos patrimónios am- de cursos profissionais e a implementação do sistema
biental e cultural da Região. Estima-se que 1 500 pessoas DUAL na Região os quais permitirão abranger cerca de
possam ser abrangidas por esta medida até 2016. 4000 jovens. A particularidade do sistema assenta na
A formação em contexto de trabalho para públicos fra- dualidade das aprendizagens feitas tanto em ambiente de
gilizados, conferida pelo Programa FIOS, é também uma sala de aulas como num ambiente real de trabalho onde se
forma proativa de manter a tão necessária ligação entre os testa e assimila todos os conteúdos programáticos. Outros
visados pela medida, beneficiários do Rendimento Social sistemas de ensino de dupla certificação que, para além
de Inserção, e potenciais empregadores. Até 2016 espera- de atribuírem um grau de escolaridade, também dotam
se colocar no programa 2000 desempregados. os jovens de competências técnicas em diversas áreas
Noutra frente, mas não menos relevante, importa man- económicas, continuam a constituir uma aposta segura,
ter o fomento da ocupação de desempregados subsidia- são por exemplo os cursos do sistema de Aprendizagem,
dos - Programa CTTS, pelo acréscimo de rendimento que o Programa Formativo de Inserção de Jovens (PROFIJ)
daí decorre para os próprios e para as respetivas famílias, e ou os Cursos de Especialização Tecnológica (CET).
para manter hábitos de procura ativa de emprego enquanto Para além dos jovens, é ainda objetivo estratégico a
ferramenta que contrarie a condição de desempregados. qualificação de 3000 ativos que já se encontram fora do
Importa igualmente não descurar que associados a estas sistema de ensino, quer os mesmos se encontrem em situa-
atividades ocupacionais estejam interesses eminentemente ção de emprego ou de desemprego. Para estes últimos uma
sociais, sem a ambição de substituírem aquela que deve resposta consistente é a realização de cursos REATIVAR,
ser a dinâmica própria das relações laborais privadas. de dupla certificação ou apenas do referencial de formação
Cerca de 1 500 desempregados deverão beneficiar desta tecnológica.
medida até 2016. A validação das competências adquiridas ao longo
Não obstante o sucesso reconhecido internacionalmente da vida constitui também um vetor muito importante na
à medida, é possível que o atual contexto económico e qualificação da população açoriana. Mediante o recurso à
financeiro suscite resistências adicionais à contratação metodologia de Reconhecimento, Validação e Certificação
de mulheres, pela associação que lhe é feita ao exercício de Competências (RVCC), a Rede Valorizar tem vindo a
da maternidade. desenvolver uma atividade merecedora de reconhecimento
É por isso que há margem de progressão para a aplica- e continuará a fazê-lo no próximo quadriénio, atribuindo
ção do programa Berço de Emprego, enquanto ferramenta os níveis de qualificação equivalentes ao 9.º e 12.º anos
facilitadora da transição de mulheres para o mercado de de escolaridade a cerca de 1 500 Açorianos.
trabalho, através da colocação de outras mulheres subsi- A reconversão profissional dos ativos residentes nos
diadas no posto de trabalho ausente por motivo de gozo Açores assume-se também como via fomentadora de um
da licença de maternidade, sem custos para o empregador. crescimento económico. O aceleramento de novas áreas
Importa hoje, como sempre, vender a ideia de que contra- económicas exigirá uma adaptação das competências téc-
tar mulheres não acarreta qualquer perda de produtividade. nicas e a reconversão dos trabalhadores. Associado a essa
O número de beneficiárias até 2016 deverá atingir cerca viragem a Região manterá um sistema de indicadores que
de 600 mulheres. permita a definição de prioridades de formação e quali-
O Mercado Social de Emprego tem registado níveis ficação diretamente vocacionadas para as necessidades
reduzidos de execução, porventura fruto de períodos de das empresas.
candidatura fechada e processos complexos de análise A reconversão dos trabalhadores terá ao seu dispor
e decisão que importam simplificar, de modo a que se o sistema de formação profissional já implementado na
tornem atrativos aos promotores, parceiros fundamentais Região que, para além de oferecer os cursos de formação
no processo de promoção da inclusão de desempregados de ativos de curta duração, também será um parceiro do
fragilizados. tecido empresarial na implementação de medidas como o
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Agir Agricultura e o Agir Indústria que se prevê abranger nicação e promovendo a literacia estatística” e “Participar
cerca de 850 pessoas. na otimização do funcionamento do Sistema Estatístico
A formação de nível superior, continuará a ser uma Nacional, reforçando e consolidando os mecanismos de
aposta da Região, nomeadamente através do financia- coordenação e de cooperação interinstitucional, nos planos
mento de 1 000 bolsas aos estudantes do ensino superior, nacional e internacional”.
destinadas à conclusão dos respetivos mestrados e douto-
ramentos e cujas áreas de estudo propiciem a transferência A primeira metade deste ciclo de planeamento regional
de inovação para o ambiente empresarial propiciando coincide com o encerramento do atual período de progra-
assim o desenvolvimento económico. mação de fundos estruturais e o início de um novo com
Apesar de não se poder ensinar o espírito empreende- início em 2014 e que se estende por mais 7 anos.
dor, a Região não pode deixar de despertar esse espírito. A situação de restrição financeira decorrente do pro-
A formação nesta área, essencialmente destinada aos cesso de assistência financeira ao país vem evidenciar
formandos que se encontrem a concluir um curso profis- a importância destes fundos europeus para se manterem
sional e aos ativos desempregados que enveredarem por níveis de investimento público minimamente ajusta-
um curso de dupla certificação, fomenta a prossecução dos às necessidades, acentuando-se a prioridade para a
de objetivos relacionados com o surgimento de novas continuação da elevada execução dos programas atuais
empresas e novos negócios assumindo-se como estratégia contratualizados com a Comissão Europeia, em pa-
de desenvolvimento e abrangendo cerca de 7000 pessoas. ralelo com a preparação e o desenho e dos próximos
com propostas que reúnem as condições de enquadrar
Gestão Pública os objetivos da Região nos diversos domínios com as
A existência de instituições fortes e eficientes são uma grandes orientações de política regional emanadas pela
das condições para o crescimento e a competitividade. Comissão Europeia.
Para mais, na atual envolvente, a retoma económica im-
Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural
plica uma boa coordenação das políticas públicas e a sua
aplicação no território requer a cooperação, das diferentes A atividade agrícola na Região constitui fator determi-
instituições, a coordenação dos níveis de administração nante para o rendimento da população, enquanto sector-
pública, despistando-se desperdício de recursos, confli- -chave da economia açoriana.
tos e ineficácia, por contraponto à obtenção dos efeitos Este sector tem revelado ao longo dos últimos anos uma
desejados e a criação de sinergias. relativa estabilidade na produção, a que não são alheios
As medidas de política a executar não terão um caráter os investimentos na sua modernização e na reestruturação
avulso e de soma de ideias dispersas ou de mera transpo- da sua estrutura produtiva.
sição de outras realidades, mas, outrossim, procurar-se-á Deste modo, as Orientações a Médio Prazo 2013-2016
que resultem de estratégias ajustadas à realidade regional terão como grande objetivo transversal a todas as inter-
e que sejam claras e compreensíveis pelos destinatários. venções, aumentar o rendimento da produção regional
Neste âmbito as principais linhas de orientação estra- reduzindo a dependência do exterior e incrementando as
tégica a prosseguir passam por: exportações das fileiras agroalimentar e agroflorestal, uti-
lizando modos de produção e transformação competitivos
Defender o poder regional e a autonomia, através de
e “amigos do ambiente”.
propostas legislativas que permitam desenvolver, em
O reforço da aposta na diversificação da produção,
plenitude, as possibilidades e competências políticas da
como sector inibidor de importações, constitui igualmente
Região, no âmbito das competências e atribuições come-
um meio de melhorar a rentabilidade da atividade agrícola,
tidas à Região.
tornando-a menos exposta aos riscos das alterações de
Reforçar o processo de melhoria contínua dos serviços
mercado, revitalizando não só as produções tradicionais,
prestados e da sua interação com o cidadão.
mas também aquelas de que a Região é deficitária.
Dotar a Administração Regional de meios técnicos e
Com os fins enunciados, pretende-se:
legais que possibilitem uma gestão integrada dos recursos
disponíveis. Assegurar o adequado investimento nas infraestruturas
Apoiar os serviços da Administração Pública Regional de ordenamento agrário, ao nível dos caminhos, abasteci-
e Local nas áreas jurídica, financeira e do ordenamento mento de água e energia elétrica às explorações.
do território. Reforçar a organização e modernização das fileiras
Garantir uma infraestrutura tecnológica fiável e segura do leite e da carne como principais pilares da atividade
que permita aumentar a eficiência na execução dos pro- agropecuária regional.
cedimentos e processos de suporte ao sector. Continuar com os investimentos no Laboratório Re-
Assegurar que as estatísticas oficiais cumpram os mais gional de Enologia e no de Sanidade Vegetal, concluindo
elevados padrões de qualidade estatística, com indepen- igualmente a empreitada de construção do novo Labora-
dência e eficácia face às necessidades de informação e co- tório Regional de Veterinária, dotando assim a Região das
nhecimento da Sociedade, tendo como principais objetivos melhores estruturas para a implementação dos planos de
“Reforçar a qualidade das estatísticas oficiais, garantindo a vigilância, combate sanitário e certificação dos produtos,
otimização, aperfeiçoamento, flexibilidade, modernização no cumprimento das normas internacionais para a melho-
e eficiência do processo de produção estatística, através ria do bem-estar animal e da segurança alimentar.
do seu desenvolvimento metodológico, científico e tec- Manter o apoio ao investimento privado, às organi-
nológico”; “Satisfazer, com qualidade e oportunidade, zações do mundo rural, à formação profissional, experi-
as necessidades de informação estatística da Sociedade, mentação e aconselhamento agrícola, contribuindo para a
contribuindo para o reforço da confiança nas estatísticas valorização e qualificação dos produtos e da capacidade
oficiais e a sua melhor utilização, aperfeiçoando a comu- técnica dos intervenientes.
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Assegurar a promoção dos produtos agroalimentares de recursos precaucional e sustentável, nem garante a
açorianos em mercados externos, fortalecendo o seu valor estabilidade das capturas à nossa comunidade piscatória.
de mercado. No âmbito da valorização profissional irá intensifi-
Rentabilizar a fileira da madeira através do corte e car-se a formação dos profissionais do sector, com a
reflorestação de áreas em idade de exploração, assegu- promoção de cursos de reciclagem e de aprendizagem
rando a produção e o fornecimento de plantio através dos ao longo da vida, que será efetuada de uma forma des-
Planos de melhoramento, ordenamento e valorização da concentrada, em cada ilha, permitindo aos profissionais
floresta açoriana. frequentarem as ações e em simultâneo exercerem a sua
atividade profissional.
Pescas e Aquicultura
Findo o processo de construção de novas embarcações
O sector regional das pescas constitui uma das nossas que permitiu propiciar a construção de embarcações mais
principais fontes de exploração do mar, representando uma modernas, com melhores condições de segurança e de
relevante fonte de alimentação, uma importante atividade habitabilidade, e com maior autonomia, irá promover-se
económica e uma fonte de emprego com impacte social o incremento da segurança no mar apoiando os armado-
significativo e que promove o desenvolvimento das nossas res na aquisição de equipamentos que visem melhorar as
zonas costeiras. condições de segurança.
O programa de desenvolvimento do sector das pescas para As condições de trabalho dos nossos profissionais
este quadriénio assenta assim em seis grandes objetivos - ga- não são mensuráveis só no mar. Por isso, em terra, neste
rantir a sustentabilidade da atividade da pesca, valorizar o quadriénio o Governo Regional dos Açores irá consolidar
sector das pescas e da aquicultura, valorizar as profissões da a requalificação da nossa rede de frio, com a construção
fileira da pesca, a manutenção da frota e das infraestruturas de novos entrepostos, e garantir a manutenção da rede de
de apoio, e o aumento da segurança no mar. portos e infraestruturas de pesca pugnando sempre pela
A tendência dos mercados é de valorizar o pescado melhoria das condições oferecidas aos nossos pescadores.
selvagem, pelo que nesta legislatura irá apostar-se, no O crescente papel evidenciado pelos parceiros do sec-
aumento da qualidade do pescado, na utilização de novas tor também será relevado, onde se irá intensificar a sua
técnicas de conservação e novas formas de apresentação integração no processo de tomada de decisão, descen-
ao consumidor, para criar mais-valias económicas em tralizando tarefas e fomentando o incremento das suas
toda a fileira da pesca. responsabilidades.
A diversificação do ramo da captura para pescar outras As conservas de atum são um dos principais produtos
espécies que ainda não estão a ser devidamente explora- da nossa exportação. É nosso intuito promover a diversifi-
das comercialmente, é outro dos objetivos que iremos cação e a promoção dos produtos da indústria conserveira
prosseguir, de modo a que se continue a valorizar econo- e da transformação. Este sector tem tido o mérito de criar
micamente a atividade da pesca. um conjunto de novos produtos de elevada qualidade,
No entanto, como nestes últimos anos, os nossos pró- baseados num trabalho artesanal de qualidade, que não
prios profissionais têm tomado cada vez mais consciência só traz mais riqueza para a nossa Região, como também
da esgotabilidade dos nossos recursos haliêuticos, é fun- promove os Açores a nível internacional.
damental que seja melhorada a fiscalização e a articulação Neste quadriénio iremos implementar a aquicultura,
entre as instituições ligadas à inspeção e fiscalização, de forma a complementar a atividade da pesca com
aumentando por um lado o controlo do sector da captura, produtos do mar, que sejam típicos das nossas águas,
e por outro, o combate da fuga à lota. para potenciar uma economia marítima que traga mais
É fundamental continuar a aprofundar, neste período, crescimento para a nossa Região, valorizando os sis-
a descentralização e a partilha de tarefas, no âmbito da temas de cultivo em circuito fechado ou em regime
gestão dos recursos marinhos, entre o Governo Regional, extensivo, evitando a recruta de efetivo, alimento ou
os produtores e os cientistas, para que se possa pescar proteína selvagem.
cada vez mais racionalmente e mais responsavelmente.
Turismo
O grande objetivo será o de pescar de uma maneira mais
sustentável e mais organizada, que não leve à sobre-ex- O sector do turismo constitui um dos pilares da eco-
ploração dos recursos e que permita valorizar ao máximo nomia dos Açores pelo seu papel na geração de riqueza e
a captura, isto de modo a que os produtores transacionem na criação de postos de trabalho.
em lota as espécies com tamanho adequado e nos períodos Nos últimos anos fez-se um percurso assinalável ao
em que o mercado tenha maior procura. Consideramos que nível da disponibilidade de estruturas e serviços da in-
a investigação científica se reveste de especial importância dústria do turismo.
para o apoio à decisão e para a defesa dos interesses da A aposta na qualidade dos mesmos, resultado da con-
Região, por isso, intensificaremos os protocolos com os jugação do investimento público realizado, com a ca-
parceiros científicos para promover a investigação dos pacidade empreendedora dos açorianos, foi uma aposta
recursos pesqueiros existentes no Mar dos Açores. ganha.
A fragilidade biológica da nossa Zona Económica Ex- No entanto, a evolução extremamente positiva que se
clusiva, obriga-nos a continuar, de uma forma articulada vinha verificando no sector foi seriamente afetada pela
com os parceiros do sector, a lutar pela aprovação da pro- crise financeira e económica que assolou os principais
posta apresentada nas Instâncias Comunitárias para uma mercados emissores de turismo para a Região, em especial
melhor proteção da área marinha em torno dos Açores, o mercado nacional.
no âmbito da reforma da Política Comum de Pescas para Assim, o futuro apresenta grandes desafios e obriga a
reserva da nossa frota, dado que a solução que atualmente novas estratégias para a afirmação do destino Açores e
existe no âmbito da política comum de pescas europeia para o incremento de receitas que garantam a sustentabi-
não é suficiente para acautelar o objetivo de uma gestão lidade da indústria do turismo.
3096 Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013
Um dos objetivos estratégicos deste Governo Regional investimento previsto, visa colmatar as deficiências ainda
para enfrentar esses desafios passa por assegurar a redução existentes, concluindo- se o processo de requalificação do
dos preços das passagens aéreas e o desenvolvimento de parque escolar e o apetrechamento com novos equipamentos
parcerias estratégicas para abertura de novas rotas em e recursos pedagógicos, que suportem um ensino progressi-
mercados em expansão, mantendo os níveis de eficiência vamente mais adequado às exigências da atualidade.
da transportadora aérea Açoriana,
Assim, temos como grandes objetivos deste quadrié- Ciência
nio, promover a consolidação de mercados emissores e a A política de Ciência a desenvolver pelo Governo Re-
conquista de mercados potenciais, o incremento da cadeia gional dos Açores está intimamente ligada à Estratégia de
de valor do Turismo, a promoção da empregabilidade no Especialização Inteligente (designada por RIS3), com o
sector; a coordenação da oferta de transportes aéreos e objetivo de direcionar o apoio público e os investimentos
marítimos com a hoteleira, a promoção da utilização das para as prioridades, os desafios e as necessidades regionais
novas tecnologias na distribuição do produto. mais importantes para promover um desenvolvimento ba-
Para atingir esses objetivos iremos proceder à concen- seado no conhecimento. Fundada em prioridades estabele-
tração da promoção do destino Açores na ATA, medindo cidas aplicando uma perspetiva de inteligência estratégica
claramente o retorno de cada ação promovida, rever o sobre as mais-valias, os desafios, as vantagens competiti-
Plano de Ordenamento Turístico da Região, consolidar o vas e o potencial de excelência dos Açores, esta Estratégia
segmento natureza, através do desenvolvimento de produ- permitirá estabelecer uma base de trabalho fundamentada
tos turísticos que explorem as potencialidades naturais e com vista a apoiar a inovação baseada na tecnologia e na
culturais de todas as ilhas, consolidar os nossos principais prática, visando, ainda, estimular o investimento do sector
mercados emissores, captar o mercado não étnico dos EUA privado. Neste contexto, enquadrar-se-ão os incentivos
e do Canadá, reforçar o esforço de angariação de cruzeiros públicos às atividades de Investigação e Desenvolvimento
temáticos e de eventos de projeção nacional e internacio- (I&D), atribuídos através do PROSCIENTIA, os quais
nal, potenciar o aumento da receita por quarto, promover se focarão em dois eixos fundamentais: um primeiro em
a requalificação do edificado hoteleiro ajustando-o à pro- que serão apoiadas as unidades do Sistema Científico
cura, fomentar a formação profissional geral, especializada e Tecnológico dos Açores com capacidade de projeção
e contínua dirigida aos profissionais do sector, conciliar a internacional, de modo a melhorar a respetiva integração
utilização dos transportes aéreos e marítimos, em pacote, no Espaço de Investigação Europeu, não esquecendo o
e flexibilizar as correspondentes tarifas, com a introdução interesse da colaboração com os Estados Unidos; um
do conceito last minute, apoiar a criação de operadores segundo que direcionado à investigação aplicada, con-
turísticos online regionais, assim como potenciar a entrada tribuindo para aumentar a competitividade económica
do destino Açores nos operadores online de referência. e industrial e para enfrentar os desafios sociais que se
colocam à Região no quadro global.
● Promover a qualificação e a inclusão social A Universidade dos Açores é considerada um ator cru-
cial nas dinâmicas das políticas públicas na área da ciên-
Educação cia, inserida na perspetiva da hélice quadrupla, enquanto
A política educativa nos Açores caraterizou-se na última entidade promotora de um desenvolvimento regional sus-
década e meia por um crescimento da qualificação dos tentável e baseado no conhecimento. A atuação governa-
açorianos através de objetivos claros. Sendo a educação mental será direcionada no sentido de catalisar a interação
um motor imprescindível para a coesão social, é a escola entre a universidade e os tecidos sociais e empresarial, de
que verdadeiramente pode transformar a sociedade, esba- modo a promover uma cultura de inovação, qualidade e
tendo barreiras sociais e promovendo os indivíduos. empreendedorismo e contribuir para transformar o tecido
A grande aposta é a consolidação do sucesso educa- empresarial, incentivando o investimento em áreas de
tivo, estabelecendo metas mais ambiciosas a cumprir por valor acrescentado.
todos os intervenientes do sistema educativo. Com vista
Cultura
a colmatar as deficiências ainda existentes, serão desen-
volvidos projetos pedagógicos no sentido de aumentar O quadriénio 2013-2016 deverá representar um apro-
o nível de ensino da literacia e de diminuir o abandono fundamento qualitativo das políticas culturais.
escolar precoce. O ano de 2013 destina-se a concluir os equipamentos
A promoção do ensino profissional e profissionalizante iniciados na anterior legislatura, encerrando-se assim a
tem um papel de relevo na valorização do ensino, reunindo intervenção nas Bibliotecas e Arquivos e de grande parte
competências, conhecimentos e uma cultura geral que da rede de Museus. Outros projetos começam a par da
permita aos jovens ingressar no mercado de trabalho pelo reorganização da atividade e funcionamento dos orga-
reconhecimento do seu mérito. nismos periféricos.
O ensino profissional continuará a ser apoiado e va- Também para o ano de 2013 serão revistos os dife-
lorizado, pois representa um conjunto de mais-valias rentes diplomas enquadradores dos apoios financeiros,
que assentam, essencialmente no modelo de criação e quer na salvaguarda e valorização do património cultural,
organização das escolas, afirmando-se como uma saída quer no desenvolvimento de atividades culturais pro-
muito positiva para os jovens que pretendem ingressar movidas pela iniciativa privada e oriundas da sociedade
no mercado de trabalho com melhores qualificações e organizada.
mais competências, ao mesmo tempo que possibilita o O início de um novo quadro comunitário a partir de
prosseguimento dos estudos ao nível superior. 2014 possibilitará a conclusão da intervenção na rede de
Após a fase, mais intensiva, de construção de infraes- Museus e uma adaptação da museografia mais antiga aos
truturas escolares em diferentes ilhas do arquipélago, o novos conceitos que incorporam soluções interativas.
Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013 3097
Com a conclusão do inventário do Património Imó- bilizar mais e melhores serviços nas unidades prestadoras
vel dos Açores, encontram-se reunidas as condições de cuidados de saúde primários e fomentar a prestação de
para na presente legislatura se proceder à revisão das cuidados de saúde em contexto domiciliário;
classificações das expressões patrimoniais imóveis e à Aperfeiçoar as políticas de promoção da saúde e pre-
execução de sinalética informativa. Como complemento venção da doença e garantir a cobertura universal por
proceder-se-á no sentido da conclusão das edições em parte dos médicos de família;
livro e CD-ROM, dos seis concelhos atualmente em falta Maximizar a eficiência na gestão dos custos, promover
(Calheta e Velas - Ilha de S. Jorge; Vila Franca do Campo, programas de avaliação de qualidade dos serviços e au-
Lagoa e Ponta Delgada – Ilha de S. Miguel e Angra do mentar a eficiência na gestão do medicamento e alargar
Heroísmo – Ilha Terceira). o âmbito da central de compras da Saudaçor.
A par desta revisão, inicia-se também a recolha do pa- Prosseguir com as políticas de prevenção e tratamento
trimónio imaterial, envolvendo os diferentes organismos no âmbito das toxicodependências.
periféricos da rede regional de museus e bibliotecas, com
vista à recolha para memória futura e eventual classifica- Resumidamente pretende-se promover a sustentabili-
ção e integração no inventário regional. dade do Serviço Regional de Saúde garantindo, no entanto
Ao nível das zonas classificadas, proceder-se-á em o aumento os seus níveis de produtividade e índices de
colaboração com os municípios, à elaboração/atualização qualidade.
dos planos de salvaguarda, dos quatro centros históricos
Solidariedade Social
classificados da Região, como elementos fundamentais
para uma afirmação destes conjuntos. Para enfrentar os novos desafios que colocam a atual
O aumento de visibilidade das atividades culturais conjuntura económica e social, é necessária uma inter-
açorianas, alicerçado num apoio continuado com sede venção social transversal a todos os sectores do Governo
no Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas, com Regional e da sociedade civil.
vista à dinamização da atividade ligada ao sector da arte Propõe-se um modelo de intervenção social sustentável,
dramática, ao sector audiovisual e às novas tecnologias assente nos princípios da cooperação, da solidariedade, da
e à introdução na Região de um maior contacto com as equidade, da proximidade, e também da racionalidade e
novas correntes estéticas internacionais nas suas várias eficiência, que permita potenciar e aumentar a eficácia da
expressões. Rede Regional de Equipamentos, Serviços e Respostas So-
Criação e implementação de encontros regulares te- ciais proporcionando uma melhor e mais célere resposta às
máticos (artes plásticas, artes performativas, arquitetura necessidades de suporte social e de inclusão das pessoas.
& design, e música) de periodicidade quadrienal, com o Pretende-se reforçar o entendimento e cooperação com
objetivo de agregar os criadores regionais, habilitando-os as IPSS e Misericórdias, considerando a sua proximidade
através da troca de experiências com criadores externos, às comunidades, na identificação das necessidades e dos
para a penetração no mercado global. recursos e a readequação de equipamentos, estratégias e
metodologias. Dessa forma, pretende-se evitar a duplicação
Saúde e rentabilizar os recursos existentes sem pôr em causa a
Ao considerar-se a política de saúde como uma política melhoria da qualidade dos serviços prestados às pessoas e
social, uma das consequências imediatas é assumir que a famílias com base numa análise rigorosa da Carta Social.
saúde é um dos direitos inerentes à condição de cidadania. O modelo de intervenção social proposto está assente
É neste pressuposto que a estratégia a prosseguir pelo nos princípios da territorialização, parceria, participação,
Governo Regional na área da saúde, assenta no indivíduo corresponsabilização e responsabilidade social, não só
como “centro” do sistema de saúde, tendo como princípios da rede de instituições como do Governo Regional, sem
a otimização dos níveis de acessibilidade, a qualidade excluir a sociedade civil, incentivando a prática do vo-
do serviço prestado e a sustentabilidade do sistema de luntariado e o envolvimento dos potenciais beneficiários.
saúde da RAA. O investimento público na melhoria da Rede Regional
Neste sentido, a política a implementar visará: de Equipamentos, Serviços e Respostas Sociais privilegiará
a Infância e Juventude ao nível do redimensionamento da
Melhorar a acessibilidade ao Sistema Regional de rede de Creches; o Apoio a Idosos através da melhoria da
Saúde e garantir um serviço de qualidade, centralizar rede dos serviços de apoio domiciliário, Centros de Dia e
serviços e criar condições para novas acessibilidades; Centros de Noite apostando numa lógica de proximidade,
Adequar as infraestruturas às necessidades da popu- na promoção da autonomia dos cidadãos mais velhos e no
lação, de acordo com o perfil de cada unidade de saúde apoio à pessoa com deficiência e suas famílias.
e tendo em conta os cuidados de saúde prestados pelas O investimento público será prioritariamente direcio-
mesmas, bem como, garantir a manutenção das infraes- nado para a reabilitação do Edificado e nos recursos já
truturas e equipamentos; existentes, na melhoria da prestação dos serviços e res-
Prosseguir com a informatização do Sistema Regional postas, potenciando a sua eficácia e eficiência. O lema é
de Saúde, bem como com a renovação e melhoramento dos investir mais nas pessoas e nos processos de humanização
equipamentos ao serviço dos profissionais do sector. e menos nas estruturas e organizações.
Consolidar as parcerias do Serviço Regional de Saúde, Para implementar uma “economia de escala” no sector
com entidades públicas e privadas, de valor acrescentado social propomo-nos premiar a eficiência e a qualidade de
para a Região; resultados assente na promoção da corresponsabilização,
Requalificar, reorganizar e gerir de forma efetiva os re- do diálogo, da cooperação entre territórios e instituições,
cursos humanos, promovendo a humanização dos serviços; implementado um Sistema integrado para utilização dos
Incrementar a articulação entre os cuidados de saúde recursos em transportes, cozinhas e lavandarias e outras
primários e os cuidados de saúde diferenciados, disponi- estruturas instaladas, nomeadamente Salas de Snoezelen.
3098 Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013
As medidas de promoção de políticas da Igualdade de latura, 300 novos apoios, conferindo, a um igual número
Oportunidades a ser desenvolvidas terão como desígnio de famílias, melhores condições de conforto e segurança.
o reforço de estratégias que promovam a igualdade de Será também lançado um pacote de cerca de meia cen-
direitos, de representação, de reconhecimento, para todos tena de empreitadas no âmbito da reabilitação do par-
e o combate à violência e descriminação. que habitacional social da RAA, quer para reabilitação
As ações propostas foram agrupadas por públicos-alvo, dos fogos, quer para regeneração dos espaços públicos.
Infância e Juventude, Idosos, Pessoas com deficiência, A Agenda Açoriana para a Criação de Emprego e Com-
Família Comunidade e Serviços, para além das que visam petitividade Empresarial também inclui um conjunto arti-
a Igualdade de Oportunidades e os Programas de Apoio culado de medidas orientadas para a reabilitação urbana
Social. prevendo apoios à renovação do comércio tradicional nos
centros urbanos, a criação de linhas de crédito específicas
Habitação e Renovação Urbana para este efeito, um programa de reabilitação do patrimó-
nio habitacional, um sistema de incentivos à reabilitação
Em matéria de Habitação, o esforço de investimento dos edifício e ainda ao nível da utilização eficiente de
será direcionado para o reforço da coesão económica e energia nos imóveis.
social regional, respondendo às necessidades das famílias, Em termos de novas políticas pretende-se adaptar
das empresas e das instituições públicas e privadas aço- à Região Autónoma dos Açores o regime jurídico da
rianas. Tal desiderato reflete-se na mudança de paradigma reabilitação e regeneração urbanas, por forma a agilizar
que aposta na reabilitação em detrimento da construção
e dinamizar a reabilitação e requalificação de imóveis,
nova e ainda em favor de uma política de arrendamento
designadamente no que concerne à colaboração com
e aproveitamento do edificado.
No próximo quadriénio, a intervenção em matéria de as autarquias no desenvolvimento de planos de reabili-
habitação passa, essencialmente, pela continuidade do tação e requalificação, através da delimitação de áreas
processo de dinamização do mercado imobiliário através prioritárias de intervenção e definição de intervenções
do arrendamento habitacional e da promoção da reabili- integradas de regeneração urbana, bem como introduzir
tação do parque habitacional edificado; pela promoção algumas alterações ao diploma existente em matéria de
de políticas habitacionais dirigidas à integração social e apoios diretos às famílias na recuperação de habitação
responsabilização das famílias; pela consolidação da qua- degradada.
lidade e funcionalidade da estruturação social e urbanística Será incentivada a reabilitação das edificações
das zonas residenciais e à redução da pegada ambiental abandonadas nos principais aglomerados populacio-
das edificações urbanas. nais, intensificando a função habitacional, sobretudo
Pretende-se aperfeiçoar e aprofundar as parcerias pú- com a possibilidade de conversão em edifícios multifa-
blicas com autarquias, Instituições Particulares de Soli- miliares, dirigindo os fogos reabilitados a jovens e a
dariedade Social (IPSS) e outros parceiros sociais, que famílias de menores recursos económicos, pela via do
permitam qualificar o parque habitacional e incentivar a arrendamento e da aquisição em regime de proprie-
intervenção integrada no combate à pobreza e exclusão dade resolúvel. Este incentivo materializar-se-á no
social. desenvolvimento de instrumentos financeiros dirigidos
Será dada continuidade à melhoria do atendimento ao aos proprietários dos imóveis alvo de reabilitação e
cidadão, pela proximidade e modernização da acessibi- aos diversos players da fileira da construção civil,
lidade à informação e aos processos de candidaturas aos através da constituição de Sociedades de Reabilitação
diversos programas de apoio em matéria de habitação, Urbana (SRU).
nomeadamente através da utilização das novas tecno- Rever o regime de arrendamento social que se encontra
logias. disperso em diplomas avulsos e desadequados, protagoni-
Nesta XI Legislatura pretende-se aprovar cerca de meio zando uma solução que se ajuste à realidade económica e
milhar de novas candidaturas ao incentivo ao arrenda- social das ilhas, reforce o sentido de justiça na definição
mento atingindo-se aproximadamente 1.300 famílias com de rendas, de direitos e obrigações das famílias inquilinas,
subvenções mensais de apoio à renda. Este apoio não só satisfaça as necessidades de financiamento da manutenção
é um contributo importante para a diminuição da taxa de dos fogos e promova a taxa de substituição e a mobili-
esforço das famílias com a despesa em habitação, como dade das famílias realojadas no quadro evolutivo da sua
contribui para a resposta às necessidades do sector do situação social e económica.
imobiliário e do mercado de arrendamento. Da experiência acumulada que resulta da vigência de
Serão atribuídas, por concurso público, cerca de cerca de 3 anos de aplicação do programa de apoio deno-
3 centenas de fogos dispersos pela Região, em regime minado Famílias com Futuro, impõe-se introduzir alguns
de propriedade resolúvel, dando uma resposta direta às ajustamentos que resultam de alterações de contexto e
necessidades habitacionais das jovens famílias açorianas que o aperfeiçoem.
que, por impossibilidade de acesso ao crédito, não teriam,
sem este apoio, a possibilidade de realizarem o sonho de
Desporto
acederem a habitação própria permanente.
Converter-se-á cerca de uma centena de contratos de As principais linhas de orientação estratégica no pró-
arrendamento em regime de renda apoiada para o de pro- ximo quadriénio são:
priedade resolúvel em casos em que os agregados fami-
liares, sendo inquilinos do parque habitacional da RAA, Rentabilização e Requalificação de Recursos Existen-
apresentem condições económicas para tal. tes - Dar continuidade ao trabalho que tem vindo a ser
Em matéria de reabilitação e recuperação do parque desenvolvido no âmbito da rentabilização dos recursos
habitacional edificado pretende-se atribuir, na XI Legis- financeiros, materiais e humanos à disposição do Go-
Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013 3099
verno Regional dos Açores, bem como dos seus parceiros câmbios culturais, projetos comunitários, estudos e en-
institucionais. contros através da reestruturação do programa Colombo,
Sustentação e Reajustamento da Organização Despor- mantendo-se, também, o programa de mobilidade dos
tiva - Promoveremos um novo paradigma da organização Jovens Bento de Góis.
existente nos nossos clubes, associações e outras entidades Com o objetivo de Incentivar o Voluntariado Local
que permita cada vez mais uma gestão cuidada e susten- e Internacional, promover-se-á a integração dos Jovens
tada e que dê garantias de continuidade às entidades do Açorianos nos programas de Voluntariado Internacional,
movimento associativo e do desenvolvimento desportivo nomeadamente do SVE, enriquecendo esta medida com a
futuro. criação de bolsas para a participação de Jovens Açorianos
Qualidade e Excelência do Sistema Desportivo Aço- em ações de Voluntariado Internacional. Incentivar-se-á,
riano - O Desporto nos Açores possui já uma base estru- por outro lado, maior participação no programa de Vo-
tural muito significativa na sua quantidade, apresentando luntariado Jovem procedendo-se ao reconhecimento e
também uma série de resultados desportivos de relevo e validação de competências adquiridas por via não formal
grande orgulho para todos os açorianos. Será mantida no âmbito do programa.
uma aposta em projetos de especialização e melhoria do Fortalecer o Associativismo e o Empreendedorismo
atual sistema, que permitam ir mais além na preparação Social constitui um objetivo firme na promoção da par-
dos nossos representantes.
ticipação juvenil e cidadania participativa. As medidas
Integração e coordenação de políticas - Será garantida
previstas preconizam o associativismo em rede, assente
uma lógica e coerência interna entre as diferentes áreas
da governação cuja intervenção se reflete ao nível macro na oportunidade de partilha de atividades, projetos,
do desporto, desde a educação e formação, à juventude, recursos materiais e humanos das associações, entre
ao ambiente e mar, à economia, ao turismo até à saúde, si, minimizando os custos; incentivam as associações
passando pela integração e solidariedade social e também ao empreendedorismo social e ao fomento da capaci-
pelas comunidades e relações externas. dade de emancipação e empreendedorismo juvenil na
Regulamentação e valorização das atividades eco- área económica, pelo apoio à criação do próprio em-
nómicas da área do desporto - O crescimento e desen- prego e estimulam o associativismo ecológico, através
volvimento desportivo têm levado ao aparecimento de de um programa dirigido à cidadania ambiental. Por
novas atividades e oportunidades na área do desporto, outro lado, dar-se-á continuidade à implementação
com efeitos na economia da Região. As condições criadas do sistema de incentivo ao associativismo juvenil e
nos últimos anos transformaram-se em oportunidades terminar-se-á a construção do Centro de Formação
que estão a ser aproveitadas pelos mais empreendedo- Belo Jardim.
res, criando o aparecimento de atividades que neces- A ligação Desporto e Juventude far-se-á em parce-
sitam de ser reguladas e ao mesmo tempo estimuladas ria com a Direção Regional do Desporto, através do
corretamente, para que não subvertam por um lado o programa “JDE – Juventude, Desporto e Ética”, pelo
desenvolvimento desportivo e por outro, as atividades incentivo do empreendedorismo jovem na área despor-
económicas. tiva e pela promoção do desporto junto das associações
juvenis.
Juventude Promover Indústrias Criativas e Culturais constitui
um objetivo de relevo, que se consubstanciará na cria-
Sendo os Açores uma das regiões mais jovens da ção de uma Incubadora de indústrias criativas e cultu-
União Europeia há que reconhecer o enorme potencial rais na área dos audiovisuais e multimédia, com vista
humano que a nossa Região possui. Considerando as a incentivar o empreendedorismo criativo - Creative
constantes transformações dos pressupostos sociais, Factory; no estímulo ao aparecimento e consolidação
económicos e culturais, por um lado, e o novo quadro das designadas ‘indústrias culturais’; no potenciar da
comunitário, por outro lado, os próximos anos serão criatividade produtiva, através da promoção de forma-
marcantes na ousadia dos seus programas na área da ção artística adequada aos nossos jovens, apoiando a
Juventude, nomeadamente no que concerne à criação
cultura e as indústrias criativas de forma a contribuir
de uma juventude inovadora, criativa, solidária e em-
para o enriquecimento do indivíduo e das organizações;
preendedora. A entrada no novo ciclo implica a criação
de políticas de juventude que promovam nas camadas na organização de fóruns de debate sobre o papel das
mais jovens o espírito de independência; fomentem indústrias criativas e culturais como gerador de em-
a internacionalização de experiências; maximizem prego; em mecanismos de contacto entre os jovens
projetos na área do empreendedorismo social local, empreendedores e o tecido empresarial e no fomentar
nacional e internacional; incrementem a cidadania do Erasmus for young entrepeneurs que proporcionará
ativa; potenciem uma cultura do intelecto, que assenta mobilidade e circulação de jovens, ideias e projetos.
na dedicação, no trabalho, na reflexão e na ética de Pela sua pertinência, dar-se-á continuidade ao programa
responsabilidade. LabJovem.
Neste sentido, as grandes linhas de orientação es- Por outro lado, com o objetivo de promover uma cultura
tratégica assentam em objetivos e medidas, que irão, do intelecto, assente na dedicação, no trabalho, na reflexão
decididamente, reforçar na Juventude Açoriana uma e na ética da responsabilidade, de incentivar uma cultura
ação planeada e estratégica, capaz de vencer os novos que olha as particularidades de cada pessoa como uma
desafios. Assim, no âmbito da mobilidade dos jovens, mais-valia e que vê na diversidade dos seus percursos de
o objetivo é o da sua internacionalização: serão fo- vida uma riqueza pessoal e coletiva, o que contribuirá,
mentados estágios e experiências de vida no exterior e indubitavelmente, para a formação e produção cultural
promover-se-á junto das comunidades emigradas, inter- e intelectual dos jovens, promover-se-á e apoiar-se-á a
3100 Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013
formação em arte, cinema, teatro, literatura, fotografia, e proceder à requalificação da Pousada de Juventude de
audiovisual e multimédia, entre outras. Dar-se-á, também, Ponta Delgada.
continuidade ao programa Põe-te em Cena.
No âmbito de conferências, fóruns e seminários, serão ● Aumentar a Coesão Territorial e a Sustentabilidade
estabelecidas parcerias transversais com o objetivo de
elaborar e implementar, nos Açores, um programa de Transportes
divulgação de assuntos ligados à União Europeia e a rea- Em qualquer economia do mundo os transportes são
lizar fóruns temáticos com vista a maximizar a visão e a um sector fundamental ao desenvolvimento e os Açores
dimensão europeia e internacional aos Jovens Açorianos. não fogem à regra, por maioria de razão.
Proceder-se-á, ainda, à execução do projeto “Ser Europeu A 900 milhas náuticas do Continente europeu e cerca de
nos Açores”. 2000 milhas náuticas dos EUA, a diminuição dos custos
Implementar a Ocupação dos Tempos Livres para de contexto decorrentes dos transportes é essencial para
Todos, para além de dar continuidade aos programas um aumento da competitividade das empresas regionais
de ocupação de tempos livres dos jovens, nomeada- e do bem-estar das famílias pelo consequente aumento do
mente ao OTLJ e campos de férias, pretende criar seu poder de compra.
a dimensão “Férias: Um bem de acesso a todos os Neste contexto é imprescindível a coordenação dos
jovens”, destinada a jovens institucionalizados em transportes terrestres, aéreos e marítimos de passagei-
casa de acolhimento, por forma a proporcionar uma ros, sendo necessário dispor de um Plano Integrado
semana de férias com atividades de animação a jo- de Transportes a aplicar, progressivamente, em todas
vens que dificilmente teriam esta oportunidade nas as ilhas.
instituições onde estão inseridos, dado os seus fra- No domínio dos transportes terrestres pretende -se
cos recursos; a potenciar a inclusão destes jovens na manter qualidade da rede viária, a segurança do tráfego
sociedade; a permitir o seu enriquecimento pessoal, rodoviário, a qualidade do serviço público de transportes
social e cultural através de um melhor conhecimento terrestres.
do Arquipélago onde vivem; a proporcionar várias No domínio dos transportes marítimos pretende-se
experiências de animação turística e o convívio com melhorar a eficiência do transporte marítimo, quer de
diversos participantes, permitindo, simultaneamente passageiros quer de mercadorias, baixando o seu custo
a ocupação dos seus tempos livres. para uma maior competitividade da economia dos
Apoiar jovens em risco constitui, também, um obje- Açores, racionalizar o sistema de transporte marítimo
tivo que se materializará quer pela implementação de de passageiros interilhas, passando para uma gestão
um plano de sensibilização do movimento associativo de integrada das empresas Atlânticoline e Transmaçor,
jovens para a (re)inserção de jovens em risco, quer pelo consubstanciado na fusão dessas duas empresas, que
estabelecimento de parcerias com as CPCJ, potenciando permitirá economias de escala e uma maior otimização
a integração de jovens sinalizados por estas entidades nos dos resultados operacionais, a conclusão do processo
programas e projetos promovidos pela DRJ. de construção dos dois navios de transporte misto de
No âmbito do Observatório da Juventude dos Açores passageiros e viaturas, implementar um circuito regular
manter-se-á a parceria com o Centro de Estudos Sociais de passageiros e mercadorias, pela empresa da Região,
da Universidade dos Açores, promovendo estudos sobre em sistema de carga rodada, entre as ilhas do Grupo
a juventude açoriana, enquanto instrumentos essenciais Central, e com um tarifário equilibrado que sirva de
regulador do mercado, proceder à integração da ilha
à tomada de decisão e procedendo à divulgação de
do Corvo no sistema, promovendo a manutenção das
informação atualizada relativa e de interesse à juven-
concessões de transporte marítimo de passageiros e
tude. mercadorias das Flores para o Corvo, diminuir os tempos
Por outro lado, e no que concerne a Projetos Comunitá- de entrega nos mercados exportadores, promovendo,
rios, manter-se-ão as parcerias existentes e promover-se-ão junto dos armadores privados da cabotagem, a adequa-
novas parcerias para a execução de projetos e para a pre- ção das rotas a entradas e saídas diretas dos principais
sentação de novas candidaturas no âmbito de programas portos da Região, promover a integração da Região nas
Europeus para a área da Juventude. Proceder-se-á ao apoio redes de transportes marítimos internacionais, para tal,
e acompanhamento das associações de jovens, na elabo- teremos que potenciar junto da União Europeia o nosso
ração e execução de candidaturas e projetos no âmbito posicionamento geográfico como ativo essencial para
de programas Europeus para a área da Juventude. Ainda a construção de uma rede transeuropeia de transportes
na área da participação dos jovens em projetos europeus, mais eficiente, como ação preparatória da construção
manter-se-á a participação na Summer School da Assem- de uma plataforma logística internacional de apoio ao
bleia das Regiões da Europa. comércio marítimo.
Na área da informação ao jovem, para além de se No domínio dos transportes aéreos pretende-se man-
manter o sistema implementado, torna-se relevante dar ter a regularidade e fiabilidade do serviço, proceder à
visibilidade e dimensão adequada ao portal da juventude, conclusão da revisão das Obrigações de Serviço Público
abrindo-o às associações de jovens, por forma a potenciar para as ligações ao Continente, que apresentam poten-
a informação e a partilha na divulgação. cial de diminuição dos preços dos bilhetes, desde que se
O Turismo Jovem mantém-se como objetivo estratégico proceda à abertura do sector, ainda que regulada, a outros
nas políticas públicas para a juventude, pelo que se irá operadores que tragam para o mercado agressividade
potenciar e rentabilizar a rede de pousadas da juventude comercial e salutar concorrência, com benefícios claros
dos Açores; assegurar práticas de tarifa de incentivo à para os utentes.
mobilidade juvenil; valorizar o Cartão Interjovem aumen- Este novo modelo terá igualmente que manter as atuais
tado a oferta através da dinamização da rede de parcerias gateways e o sistema de subsidiação dos encaminha-
Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013 3101
mentos, impondo simultaneamente um maior número de Esta carta será um documento de planeamento estra-
ligações diretas ao Porto. tégico a médio prazo, sujeito a revisão periódica, onde se
Pretende-se igualmente introduzir uma aeronave dedi- enunciarão as obras a realizar na presente legislatura, a sua
cada, que permitirá a regularidade no transporte de bens e distribuição geográfica, os montantes e a duração estimados,
a flexibilidade de preços no mercado Continente-Açores, tendo em conta o próximo quadro comunitário de apoio.
possibilitando assim que sejam praticadas tarifas mais
baixas no transporte de carga; Energia
Procurar a diminuição dos custos das passagens no
transporte interilhas, através da revisão das respetivas No sector elétrico, um dos mais importantes para o
Obrigações de Serviço Público, bem como, no que nosso desenvolvimento, o Governo Regional pretende
diz respeito à carga, praticar tarifas mais baixas para dar um novo impulso e através dele, incentivar o tecido
os produtos frescos com origem e destino às ilhas de empresarial dos Açores, aliado, claro está, ao bem-estar
coesão. das famílias açorianas.
Na Região, existe uma tarifa que é competitiva e está-
vel e, por isso, mantê-la com esta discriminação positiva,
Obras públicas
constitui um dos objetivos do Governo Regional o qual
O sector da construção, apesar das dificuldades con- não pretende abdicar.
junturais que atravessa, em particular devido à quebra Depois de introduzir tarifas “bi e tri” horárias e de
do investimento privado e do financiamento bancário, produzir legislação que privilegiou as aproximações
continua a ser um dos sectores importantes da nossa habitacionais energeticamente racionais, é tempo do
economia. Governo Regional dar um importante passo, com a
No entanto é preciso ter presente que, apesar de disponibilização de análises de eficiência energética a
pontualmente ainda serem necessários investimentos em baixo custo aos consumidores domésticos e empresas
infraestruturas físicas, o ciclo das grandes obras públi- interessadas.
cas terminou, não apenas porque os recursos existentes Os grandes objetivos para este quadriénio passam
são menores do que anteriormente, mas também porque pela melhoria das redes em algumas das ilhas, da maxi-
ao longo dos últimos dezasseis anos foi realizado um mização da produção da energia obtida a partir de fon-
enorme investimento, com elevado padrão de qualidade, tes renováveis; pelo incremento da eficiência e racio-
em infraestruturas e equipamentos coletivos, nomeada- nalização de uso energético e pela revisão do quadro
mente ao nível da rede viária, portuária, aeroportuária, regulatório regional.
hospitalar e escolar. Iremos assim proceder à abertura de concessões para a
Assim os ajustamentos neste sector são inevitáveis e a exploração de recursos endógenos destinados à produção
diversos níveis, de forma a alcançar um desenvolvimento de eletricidade, à consolidação da implementação dos
sustentado do sector, que o torne menos permeável a fa- programas de sensibilização para uma utilização racional
tores exógenos como aqueles que agora o afetam nos da energia elétrica e para a requalificação do edificado
dias de hoje. açoriano para parâmetros de maior eficiência energética,
Deste modo, temos que criar condições estruturais no à implementação de um sistema permanente e regular de
sector, permitindo às empresas uma melhor planificação diagnóstico do balanço energético da Região desagregado
e organização. Assim, iremos proceder a uma profunda por ilha, à diversificação da base energética, ao fomento
reforma na legislação existente, de modo a ajustá-la à e o apoio a iniciativas privadas que utilizem as espécies
realidade da Região, com o objetivo de baixar custos invasoras como fonte de biomassa, ao reforço da eficiência
de construção e/ou de contexto. De igual forma, será energética na iluminação pública.
desenvolvido um catálogo de materiais endógenos, que No domínio dos combustíveis a intervenção do Go-
servirá de referência nas obras que o Governo Regional verno Regional nessa legislatura visa consolidar a capa-
dos Açores venha a lançar. cidade de armazenamento, aumentar a concorrência no
Nos próximos quatro anos a política a desenvolver sector, diminuir os custos de transporte e das importações
nesse sector passa, tendencialmente, pela conserva- de combustíveis líquidos e gasosos.
ção e reabilitação de infraestruturas e equipamentos Para tal propomo-nos rever e clarificar o quadro
existentes, na perspetiva das novas tendências da normativo, redesenhar o sistema logístico de abasteci-
regeneração urbana com o objetivo do desenvolvi- mento, incentivar a utilização progressiva de veículos
mento integrado e sustentado. Nesta matéria, importa elétricos e a substituição de aparelhos a gás por equi-
referir as linhas orientadora da estratégia Europa pamentos elétricos.
2020 que, no que respeita às intervenções em espaço Pretende-se assim não só minimizar a importação
urbano preconiza a sustentabilidade e a otimização de produtos petrolíferos na Região, permitindo um
dos meios existentes. Por outro lado, investiremos de maior equilíbrio da balança comercial regional, mas
modo a garantir condições de qualidade e segurança igualmente criar um grau de dependência energética
nas Estradas Regionais e nos equipamentos coleti- menor, ficando a Região menos sujeita à volatilidade
vos, incluindo, aqui, a requalificação do património dos preços de mercado, como também minimizar os
regional. impactes ambientais, correspondendo deste modo às
Para cumprir este desígnio, e tendo em considera- diretrizes europeias.
ção a extrema necessidade de otimizar e racionalizar
Infraestruturas Tecnológicas
os recursos financeiros existentes, o Governo Regio-
nal empenhar-se-á na elaboração da Carta Regional das Para o Governo Regional a tecnologia, em sentido
Obras Públicas. lato, apresentou-se e apresenta-se como fator central
3102 Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013
para o nosso desenvolvimento e como chave para o sur- A implementação em todas as ilhas das mais avançadas
gimento de novas áreas na economia. De uma forma tecnologias de comunicações de dados e voz, ao menor
geral, a tecnologia deve permitir desenvolver na socie- custo possível para o utilizador, será uma das nossas prio-
dade outras competências, em especial nas empresas, ridades, contribuindo para encurtar distâncias e promover
devendo ser encarada como fator que potencia o empre- uma integração plena na aldeia global.
endedorismo e, por essa via, criar valor e gerar emprego
na Região. De uma forma geral, o grande desígnio do Prevenção de Riscos e Proteção Civil
Governo Regional na área tecnológica passa por poten- Pretende-se dar seguimento à cultura de proteção civil
ciar o surgimento de novas empresas exportadoras de dos açorianos, que é alvo de elevado reconhecimento
base tecnológica. e que deve continuar a ser fomentada. Os Bombeiros
Por isso nos últimos anos assistiu-se na Região a um continuarão a ser apoiados na sua missão de socorro,
crescente investimento no desenvolvimento tecnológico, complementados pelo serviço de emergência médica
o qual foi enquadrado no Plano Integrado para a Ciência, pré-hospitalar, que vem reforçar a sua capacidade de
Tecnologia e Inovação (PICTI). atuação e permitir elevar o nível de cuidados à população.
Tendo em conta a experiência adquirida com o PICTI, Nesse sentido, apresentamos as linhas orientadoras do
foi possível ao Governo Regional criar o regime jurí- próximo quadriénio.
dico do Sistema Científico e Tecnológico dos Açores Alargar o Projeto de Suporte Imediato de Vida às ilhas
(SCTA), que disciplina o quadro normativo aplicável de Santa Maria, Graciosa, São Jorge, Pico, Flores e Corvo,
às entidades que se dedicam ao desenvolvimento tec- de forma gradual e de acordo com as necessidades iden-
nológico e inovação e promoção das TIC na Região. tificadas; remodelar o Quartel de São Roque do Pico e
Esse sistema agrega, através do Pro-Scientia, um con- desenvolver uma intervenção no Quartel de Santa Cruz
junto de medidas e incentivos financeiros, que dedica das Flores. As restantes infraestruturas já existentes serão
uma atenção especial à investigação e à inovação em mantidas e conservadas.
contexto empresarial, incluindo ações que visam, no- Considerando que todos os corpos de bombeiros
meadamente, facilitar a constituição de novas empresas estão apetrechados, neste momento, com viaturas de
de base tecnológica com elevado potencial de cresci- combate a incêndios em quantidade suficiente, será
mento, promovendo a transferência de conhecimento mantida uma política de manutenção e conservação
para o mercado e apoiando a conversão de ideias em das viaturas existentes, salvo a ocorrência de situações
inovação. excecionais.
O cumprimento do Plano Estratégico para o Fomento Considerando o grande desgaste que as ambulâncias
do Empreendedorismo na Região, permitirá dotar os Aço- têm na atividade diária das Associações de Bombeiros, é
res de um instrumento que permita, de forma informada previsível a aquisição de três viaturas por ano, por forma
e organizada, agir sobre os principais fatores estruturan- a ir substituindo e garantir a manutenção e conservação
tes para o estímulo da atividade empreendedora de base das existentes.
tecnológica e criativa, sendo um desses fatores a exis- Serão correspondidas as solicitações formativas de
tência de infraestruturas tecnológicas e de incubadoras entidades públicas e privadas, que têm vindo a au-
de empresas. mentar, nas áreas de risco, catástrofe e emergência
Como âncoras do desenvolvimento deste sector teremos médica.
os parques tecnológicos de São Miguel – o NONAGON –, Também será mantida o investimento ao nível dos
já em fase de construção, e o da Terceira, em fase de Corpos de Bombeiros na formação dos seus efetivos e
desenvolvimento. que podem e devem ser asseguradas através de formação
Por outro lado, iremos dar início ao programa específica a ser ministrada no Centro de Formação do
“Start-up Azores” que, com instrumentos financeiros e Serviço.
logísticos criados para o efeito, visa captar empreende- Será substituída a Rede Rádio, que foi uma das melho-
dores qualificados, dando especial ênfase à instalação res do País quando implantada em 2000, mas que apre-
nos respetivos parques. Em complementaridade a esse senta hoje graves problemas no tocante à aquisição de
programa, iremos igualmente proceder ao desenvolvi- novas peças, pelo que é fundamental a sua evolução para
mento do programa “Incuba Açores”, direcionado para a rede SIRESP.
a instalação de novas empresas de base tecnológica e Vai ser reforçado o papel da linha de Saúde Açores,
das indústrias criativas, devidamente articulado com o alargando as suas competências e formas de atuação em
Business Innovation Center (BIC) Azores, a instalar nos articulação com toda a atividade desenvolvida no serviço
parques tecnológicos. pré-hospitalar e na área da triagem e prevenção e promo-
Porém, iremos continuar a posicionar os Açores no con- ção da saúde.
texto do investimento europeu em tecnologias espaciais.
Estas tecnologias, com âmbito de aplicação muito grande,
Ambiente e Ordenamento
tendem a ser motor do surgimento de transferência de co-
nhecimento nas regiões onde estão instaladas as respetivas No período 2013-2016, a atuação do Governo Regio-
infraestruturas tecnológicas. Neste campo, o desafio da nal dos Açores em matéria de ambiente e ordenamento
Região passa, também, por promover essa transferência assentará em 7 grandes pilares: Conservação da natureza
para o mercado e, por essa via, potenciar o surgimento de e Sensibilização ambiental; Ordenamento do território;
empresas dedicadas a esta matéria. Recursos hídricos; Qualidade ambiental e Património
Simultaneamente iremos proceder a ações de captação mundial; Gestão de Resíduos; Requalificação da orla
de empresas nacionais e estrangeiras para a Região, apro- costeira; e Monitorização, Promoção, Fiscalização e Ação
veitando o know-how disponível da rede Prestige. ambiental marinha.
Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013 3103
Ao nível da Conservação da natureza e Sensibiliza- cia de aplicação do Programa de Apoio à Comunicação
ção Ambiental será dado destaque à gestão da biodi- Social Privada da Região Autónoma dos Açores, tornou
versidade e do património natural dos Açores, mate- clara a mais-valia de continuar a dotar a Região de um
rializados numa atenção particular para a erradicação instrumento que possibilite aos órgãos de comunicação
e controlo das espécies invasoras e na afirmação das social privados uma gestão mitigada das dificuldades, de
redes regionais de parques, ecotecas, jardins e centros modo a que em 2016, tenham resistido e ultrapassado o
de interpretação. atual cenário de retração dos investimentos por parte dos
Concluídos os principais instrumentos legais de or- anunciantes e compradores.
denamento do território, desenvolver-se-á um trabalho
de reflexão quanto ao que se pretende para o futuro dos Comunidades
Açores, consubstanciado na elaboração do Plano Regional
de Desenvolvimento Sustentável - “Açores 2030”, em Em conformidade com prioridades definidas no pro-
articulação com o Plano Estratégico para a Investigação grama do XI Governo dos Açores, as políticas sectoriais
Científica no Domínio Ambiental. relativas às comunidades assumem como orientação ge-
Paralelamente será mantido todo o trabalho de planea- ral a promoção e valorização da identidade e presença
mento, monitorização e gestão do território, com particular açoriana na diáspora, bem como da diversidade das co-
relevância para os investimentos nas bacias hidrográficas munidades imigradas, nas mais variadas dimensões, e
de lagoas e elaboração do plano sectorial do ordenamento serão implementadas de acordo com as seguintes linhas
do território para as atividades extrativas. estratégicas:
Sendo o ciclo da água fundamental, será acautelada
a manutenção dos serviços ecológicos prestados pelas Apoiar as Comunidades emigradas, incentivando a sua
turfeiras, lagoas e ribeiras do nosso arquipélago numa integração e plena participação nas respetivas sociedades
perspetiva de requalificação, proteção e monitorização de acolhimento, promovendo também um contacto per-
dos recursos hídricos. manente e próximo com os seus representantes políticos
Ao nível da Qualidade Ambiental, prosseguir-se-ão e associativos.
ações de monitorização e vigilância do estado do ambiente Aproximar os Açores e as Comunidades na diáspora,
e das alterações climáticas, sem esquecer a problemáticas aprofundando o relacionamento com as suas origens
das pragas urbanas. a nível cultural, social, político, profissional e eco-
Destaque para a gestão da paisagem protegida da cul- nómico.
tura da vinha, Património Mundial, com o reforço dos Reforçar a ação e presença dos Açores junto das Comu-
incentivos à manutenção e reabilitação da cultura tradi- nidades emigradas, através de iniciativas que privilegiem
cional em currais. o reforço do conhecimento mútuo, no seio das próprias
No domínio da gestão de resíduos, destaca-se a con- comunidades e entre elas mesmas, bem como a coopera-
clusão da rede de centros de processamento de resíduos ção entre o Governo Regional dos Açores e as entidades
dos Açores e a sua operacionalização, no âmbito do Plano parceiras nas comunidades.
Estratégico para a Gestão dos Resíduos. Promover o relacionamento entre os jovens açoriano-
A gestão do Mar dos Açores será abordada numa ótica -descendentes com as suas raízes e com os jovens aço-
de sector transversal, consubstanciada na monitorização, rianos, divulgando os Açores de hoje como um espaço de
promoção, fiscalização e ação ambiental marinha e na oportunidades a nível académico, tecnológico, profissional
gestão e requalificação da orla costeira. e empresarial.
O mar será tratado como uma verdadeira oportunidade Apoiar as comunidades mais vulneráveis dos grupos de
promotora do desenvolvimento regional numa abordagem imigrantes, bem como os regressados compulsivamente,
multinível, geográfica e tipológica, havendo medidas e promovendo uma relação de proximidade e fornecendo
estratégias para cada um deles. Na componente interna- informação adequada à sua plena integração e participação
cional, prevê-se a presença nos fóruns que interajam com cívica e social.
a política marítima europeia, dando especial atenção à Fortalecer as relações dos diversos agentes económicos,
implementação da Diretiva-Quadro “Estratégia Marinha”, sociais e culturais dos Açores com os das comunidades
ao acompanhamento da Convenção OSPAR e à elaboração emigradas e imigradas, potenciando a criação de oportu-
da “Estratégia do Atlântico”. nidades, intercâmbios e parcerias estratégicas.
Divulgar e promover, junto das Comunidades emigra-
das, a riqueza, património cultural e oportunidades na
● Afirmar a Identidade Regional e Promover a Cooperação Externa Região, bem como, nos Açores, o trajeto e atividades, nas
mais diversas áreas, dos açorianos e seus descendentes
Informação e Comunicação na diáspora.
A comunicação social é, numa região insular e mar- Estimular a preservação e divulgação da identidade
cada pela descontinuidade geográfica como a dos Aço- cultural açoriana nas diversas comunidades emigradas,
res, um instrumento fundamental de fomento da coe- dignificando-a como cultura basilar na construção de
são territorial e identitária, que soma ao valor público diversas sociedades de acolhimento.
universal de uma comunicação social regional ativa,
dinâmica e plural. Estas medidas serão desenvolvidas em parcerias com
Tendo em conta o contexto económico atual e as suas as Casas dos Açores, universidades, centros, associações
repercussões nos órgãos de comunicação social privados e organizações das comunidades emigradas e imigradas,
na Região, particularmente por via da exposição deste sec- enquadradas nas políticas do Governo Regional para
tor ao contributo económico dos demais, nomeadamente o sector das Comunidades e comungando de objetivos
no que diz respeito às receitas publicitárias, a experiên- comuns.
3104 Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013
Será, de igual modo, promovido e apoiado o desen- Em termos mais restritos e no que respeita a despesas
volvimento de projetos, de diversos agentes e entida- inscritas exclusivamente no orçamento regional, apura-se
des, relativos às comunidades emigradas e imigradas e um esforço financeiro global de mais de 1,9 mil milhões
que contribuam para o reforço e promoção da imagem de euros.
dos Açores no mundo e, ainda, para a preservação da Por grandes objetivos de desenvolvimento observa-
identidade cultural açoriana, bem como das diversas se que o esforço de investimento com maior peso ab-
identidades imigrantes existentes na Região Autónoma soluto no quadriénio se destina às políticas horizontais
dos Açores. de desenvolvimento da competitividade e do emprego,
incluindo também os sectores principais da base pro-
Cooperação Externa dutiva regional, com um volume de despesa pública
A ação do Governo Regional dos Açores, no âm- de investimento de quase 1,5 mil milhões de euros,
bito das relações externas da Região e, em particular, próximo de 51 % do total projetado para os quatro
no domínio da cooperação e assuntos europeus, tendo anos.
por base as prioridades estabelecidas no Programa do A qualificação e a inclusão social integram-se em
XI Governo e o objetivo geral do aprofundamento da outro dos grandes objetivos de política regional a
visibilidade, presença e atuação externa da Região, se- prosseguir no quadriénio, sendo alocado um volume
guirá, entre 2013 e 2016, as seguintes linhas de orien- de meios financeiros significativo, de 763 milhões
tação estratégica: de euros, com intervenções no domínio da educação,
ciência, cultura, no desporto, no Sistema Regional de
Reforço da participação nos organismos e organizações Saúde, na segurança e solidariedade social e ainda
de cooperação inter-regional de âmbito europeu e mundial, em medidas dirigidas à habitação e à reabilitação
pugnando, nas respetivas posições políticas, técnicas e urbana.
ações comuns, pela consagração da defesa dos interesses
Os transportes rodoviários, marítimos e aéreos, a
dos Açores e intervindo ativamente nas discussões, ini-
ciativas e grupos de trabalho em temas prioritários para energia e a tecnologia, a sustentabilidade ambiental
a Região. e o ordenamento do território são domínios de inter-
Aprofundamento das relações bilaterais com territórios venção integrados numa política de coesão territorial
de interesse estratégico, com base no desenvolvimento dos e de sustentabilidade, em que são alocados recursos
acordos existentes, bem como do estabelecimento de no- financeiros com um montante de mais de 675 milhões
vos protocolos, aliando a componente mais tradicional do de euros.
relacionamento institucional e político com uma vertente Finalmente, embora com um volume de meios finan-
ligada à exploração de novas oportunidades económicas, ceiros bem mais modesto, face à natureza e âmbito das
empresariais e comerciais. operações a desenvolver, mas com grande importância
Reforço do conhecimento, coordenação e posicio- no contexto do reforço da identidade regional, desig-
namento da Região em relação a documentos polí- nadamente junto do exterior e com especial prioridade
ticos e legislativos estratégicos da União Europeia, para as comunidades emigradas, está previsto uma do-
através da utilização de todos os meios à disposição tação financeira de 7,6 milhões de euros, a aplicar no
da Região, onde se incluem as instituições da União quadriénio.
Europeia, a Representação Permanente de Portugal
junto da UE, passando pelas organizações de coo- Investimento Público Por Grande Objetivo
peração regional e outros canais, de cariz formal ou
informal.
Aproximar os Açores e os seus cidadãos da União
Europeia, através da divulgação de temas de especial
relevo para a Região, da celebração dos Anos Europeus
e datas evocativas mais relevantes, do incentivo às ati-
vidades de Clubes Europeus e parceiros na área dos as-
suntos europeus, bem como do apoio à especialização e
aprofundamento do conhecimento dos jovens açorianos
sobre a UE.
Aproximar a Europa dos Açores, através da promoção
da realização na Região de iniciativas de âmbito europeu
e internacional, que permitam também a vinda aos Aço-
res de responsáveis políticos e técnicos das instituições Os Grandes Objetivos de Desenvolvimento integram
europeias. um conjunto integrado de políticas sectoriais a prosse-
guir no período, que por sua vez se concretizam em pro-
4. A PROJEÇÃO DO INVESTIMENTO E FINANCIAMENTO
gramação material de obras, de construção/aquisição de
PÚBLICOS equipamentos e outras intervenções com carácter ima-
terial, que no seu conjunto se organizam no sistema de
4.1 PROJEÇÃO DO INVESTIMENTO PÚBLICO planeamento regional em Programas, estruturados em
projetos e ações.
O valor do investimento público a realizar pela Admi- No quadro seguinte apresentam-se os programas de
nistração Regional no quadriénio 2013-2016 ascenderá investimento público que irão vigorar neste período e
a perto de 2 937 milhões de euros, o que representa um respetivas dotações financeiras, cujo conteúdo será apre-
investimento médio anual de 734 milhões de euros. sentado de forma detalhada nos planos anuais.
Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013
Orientações de Médio Prazo 2013-2016 – Projeção Anual do Investimento Público por Objetivo/Programa
3105
3106 Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013
4.2 QUADRO GLOBAL DE FINANCIAMENTO das Regiões Autónomas e as transferências provenientes
O investimento público projetado para o período 2013-2016 da União Europeia.
é de 2.937 milhões de euros. De seguida, apresenta-se o quadro com as gran-
O referido investimento só é possível tendo em conside- des linhas de orientação para o financiamento pú-
ração as diversas fontes de financiamento, nomeadamente, blico do investimento a prosseguir para o quadriénio
as transferências efetuadas ao abrigo da Lei de Finanças 2013-2016.
Financiamento Global da Administração Pública Regional
(Milhões de Euros)
2013 2014 2015 2016 TOTAL
Valor % Valor % Valor % Valor % Valor %
Saldo Inicial
ORIGEM DE FUNDOS . . . . . . . . . . . . . . 1.294,4 100,0% 1.345,9 100,0% 1.423,4 100,0% 1494,4 100,0% 5.558,0 100,0%
(1) Receitas Próprias . . . . . . . . . . . . . . . . 518,4 40,1% 644,9 47,9% 685,3 48,1% 722,3 48,3% 2.570,9 46,3%
(2) Transferências do OE . . . . . . . . . . . . . 318,3 24,6% 270,0 20,1% 278,1 19,5% 286,4 19,2% 1.152,9 20,7%
(3) Fundos Comunitários . . . . . . . . . . . . 209,9 16,2% 175,0 13,0% 183,8 12,9% 192,9 12,9% 761,6 13,7%
(4) Outros Fundos . . . . . . . . . . . . . . . . . . 216,3 16,7% 236,0 17,5% 266,2 18,7% 292,7 19,6% 1.011,2 18,2%
Subtotal . . . . . . . . . . . . . . . 1.263,0 97,6% 1.325,9 98,5% 1.413,4 99,3% 1.494,4 100,0% 5.496,6 98,9%
(5) Nec. de Financiamento. . . . . . . . . . . . 31,5 2,4% 20,0 1,5% 10,0 0,7% 0,0 0,0% 61,5 1,1%
APLICAÇÃO DE FUNDOS . . . . . . . . . . . 1.294,4 100,0% 1.345,9 100,0% 1.423,3 100,0% 1.494,4 100,0% 5.558,0 100,0%
(6) Despesas de Funcionamento . . . . . . . 642,4 49,6% 655,2 48,7% 661,7 46,5% 661,7 44,3% 2.621,0 47,2%
Juros da dívida . . . . . . . . . . . . . . . . . 13,5 1,0% 14,0 1,0% 14,0 1,0% 14,0 0,9% 55,5 1,0%
(7) Investimento Público na RAA . . . . . . 652,1 50,4% 690,7 51,3% 761,6 53,5% 832,7 55,7% 2.937,0 52,8%
Plano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 435,8 33,7% 454,7 33,8% 495,4 34,8% 540,0 36,1% 1.925,9 34,7%
Saldo Final . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 0,0 0,0 0,0 0,0
Rácio (1)/(6) . . . . . . . . . . 80,7% 98,4% 103,6% 109,2%
É de salientar que, a partir do ano de 2014, as despe- gente”, fundado numa economia baseada na inovação e
sas de funcionamento da administração pública regional no conhecimento, o “crescimento inclusivo”, despistando
serão financiadas integralmente por receitas próprias da os fenómenos de exclusão social e de pobreza e assente
Região, como se pode verificar pelo rácio apresentado na igualdade de oportunidades e em sistemas de ensino
no quadro anterior. e de proteção eficientes e o “crescimento sustentável”,
baseado numa economia de baixo carbono, protegendo
os recursos naturais.
5. A AVALIAÇÃO EX ANTE DAS ORIENTAÇÕES
DE MÉDIO PRAZO Esta estratégia, que se apresentou de forma muito resu-
mida, marca a agenda da política regional europeia, com
Coerência Externa
repercussões nas regiões e na definição dos instrumentos
de política de coesão. Inclusivamente, na proposta de
As grandes linhas da política regional de coesão que regulamentos que irá configurar o próximo período de
a Comissão Europeia, em articulação com o Conselho e programação 2014-2020, introduziram-se as designadas
o Parlamento Europeu, vem defendendo e preconizando condicionalidades ex ante, em que, em sede de negocia-
para o novo período de programação e orçamental, que ção da próxima geração de programas operacionais com
à data da elaboração deste documento ainda se encontra financiamento pelos fundos estruturais, as autoridades
em discussão, viram uma página, em relação à designada regionais e nacionais terão de demonstrar e evidenciar
agenda de Lisboa, mantendo porém os fundamentos para a adoção de determinados instrumentos, a existência de
o crescimento e afirmação das economias europeias e das medidas concretas e de planos sectoriais sobre diversos
suas regiões. domínios, desde a economia, a política social, a ambien-
A Estratégia 2020, a nova designação da agenda euro- tal, no domínio dos transportes, energia, entre outras.
peia para o crescimento e emprego, assenta em 3 grandes O incumprimento destas condicionantes pode ocasionar
linhas de orientação estratégica, o “crescimento inteli- a suspensão dos pagamentos dos fundos comunitários.
Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013 3107
Por outro lado, a política regional e o consequente
financiamento dos fundos estruturais passará mais e
quase exclusivamente pela obtenção de resultados,
evidenciados por indicadores mensuráveis e objeto de
monitorização e avaliação, e menos pela mera capaci-
dade de absorção dos fundos ou do nível de despesa
realizado. Preconiza-se igualmente a concentração de
objetivos e uma seleção rigorosa dos melhores projetos,
no sentido do seu impacte, e não uma lógica de mero
financiamento de obras, projetos e ações de atividade
corrente das autoridades municipais, regionais ou na-
cionais.
As Orientações de Médio Prazo 2013-2016 que se apre-
sentam têm como pano de fundo estas novas realidades
desta envolvente e na perspetiva da obtenção e otimização
dos financiamentos comunitários da nova geração dos
fundos estruturais.
Em termos sumários, poder-se-á referir que nos Aço-
res a temática do “crescimento inteligente” passará pela
aposta no desenvolvimento de uma estratégia de inves-
tigação e inovação para a especialização inteligente
na Região, com o envolvimento de diversos atores
(Governo, universidade, empresas e sociedade civil),
sendo considerada como palavra-chave para o sucesso,
a aposta no Empreendedorismo. A “agenda açoriana
para a criação de emprego e competitividade empre- Impacte Macroeconómico
sarial”, que envolve um conjunto de 60 medidas para
impulsionar a competitividade das empresas e propiciar A despesa pública projetada para o próximo quadrié-
melhores condições de empregabilidade, enquadra-se nio, apresentada neste documento de planeamento para o
nesta perspetiva. quadriénio 2013-2016, concretiza e viabiliza as propostas
Para um crescimento inclusivo, que caminha em e as orientações de médio prazo e não é um instrumento
paralelo com os vetores anteriormente enunciados, operacional para a regulação da conjuntura económica.
principalmente no que concerne às políticas de cria- Esta despesa resulta de objetivos de médio prazo em ter-
ção de emprego, não se descura a temática “Inclusão mos da oferta de bens e serviços públicos, de fomento da
Social”. O desenvolvimento de políticas neste sector economia e da valorização do capital humano.
passa pelo estabelecimento de políticas de coesão Porém, não se poderá ignorar que a despesa pública
sociofamiliar, de promoção e proteção social de crian- associada a esta estratégia tem impacte em variáveis ma-
ças, jovens e idosos; políticas de consolidação da croeconómicas, como o produto interno e o emprego.
Rede Regional de serviços, equipamento e respostas Embora, à data de elaboração deste documento, a dis-
sociais, de combate à discriminação, de promoção da cussão e o debate em torno dos designados “multipli-
igualdade de oportunidades, entre outras. Para além, cadores” da despesa, ou dos défice públicos, induzem
de que há sempre um forte acompanhamento para a diferenças substantivas de opinião sobre quais os impactes
questão da habitação. Ao nível da educação, e identi- quantitativos da variação da despesa pública na procura
ficando a importância que a qualificação da população interna, o seu impacte na economia real é importante,
tem, introduz-se também a temática da qualidade do sendo tão mais importante quanto maior for a capacidade
ensino ministrado e uma redução efetiva no abandono de oferta interna de bens e serviços, derivados da procura
escolar precoce. proporcionada pela realização da despesa pública, versus a
Ao nível da sustentabilidade do crescimento mantém- filtragem desses recursos financeiros para o exterior, para
-se e aprofunda-se o núcleo forte das medidas regionais pagamento da aquisição externa de bens e serviços.
no sentido da proteção dos recursos e do equilíbrio Os dados e os estudos que se dispõem no âmbito da
ambiental, incluindo naturalmente os recursos hídricos execução dos fundos estruturais, em que o perfil da des-
e a fileira dos recursos do mar, num equilíbrio entre pesa se aproxima do da execução dos planos anuais da Re-
aproveitamento e valorização económica e a sua re- gião, poder-se-á estimar que, em termos de despesa média
produção e preservação. A articulação entre o Governo anualizada prevista no quadriénio, cerca de 721 milhões
Regional e a empresa regional pública vai no sentido de euros, representa cerca de 18 a 20% do PIB regional,
do aproveitamento dos recursos endógenos, visando poderá originar a criação/manutenção de 20 mil postos de
aumentar a penetração das energias renováveis na pro- trabalho, equivalentes em tempo completo, com um im-
dução de eletricidade. pacte no Valor Acrescentado Bruto anual entre 14 a 16 %.
A elaboração dos programas operacionais da Região
com cofinanciamento comunitário serão preparados e 6. OS PROGRAMAS E INICIATIVAS COMUNITÁRIAS
DISPONÍVEIS PARA A REGIÃO
negociados durante o ano de 2013 e conterão as novas
linhas de orientação da política de investimento público 6.1. Atual período de programação - QREN
regional, numa perspetiva de coerência com os grandes
desígnios e as agendas europeias para a coesão económica, O Governo Regional dos Açores delineou uma estra-
social e territorial. tégia própria e diferenciada em matéria de afetação dos
3108 Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013
fundos comunitários, para o período de programação pendências e interatividades entre si, envolvendo fatores
2007-2013 da política europeia de coesão. associados à produção e aos mercados, outros relaciona-
O quadro da intervenção da Região assumiu a seguinte dos com o fator humano, outros ainda com a dotação e
configuração: um programa comparticipado pelo FEDER, funcionamento das infraestruturas e dos equipamentos de
o PROCONVERGENCIA, um outro comparticipado pelo apoio distribuídos pelo território regional.
fundo FSE, o PRO-EMPREGO, um eixo comparticipado As prioridades estratégicas do PROCONVERGENCIA
pelo Fundo de Coesão no programa temático nacional, estruturam e identificam as principais medidas transversais
com a designação de Programa Operacional de Valori- de política económica e social, sustentadas em instrumen-
zação do Território - POVT e ainda a participação da tos de política pública. Deste quadro, emerge a seleção de
Região no Programa de Cooperação Transnacional Ma- grandes linhas de orientação estratégica, sobre as quais
deira-Açores-Canárias. irá incidir a concentração dos esforços do programa ope-
As intervenções comparticipadas pelo fundo comunitá- racional:
rio para o mundo rural, o Fundo Europeu de Apoio para o
i) Qualificação e robustecimento da economia, na
Desenvolvimento Rural (FEADER), que substituiu o an-
perspetiva de mais competitividade, fortalecimento e di-
terior FEOGA, estão consubstanciadas num programa que
versificação do tecido produtivo regional, promoção do
tem a designação de PRORURAL. No caso das pescas, a
espírito empresarial e no impulso à inovação, à utilização
componente regional recebeu a designação de PROPES-
de novas tecnologias de informação e comunicação e à
CAS, é comparticipada pelo novo Fundo Europeu das
sociedade da informação;
Pescas (FEP), que substituiu o anterior IFOP.
ii) Desenvolvimento dos recursos humanos, assente no
O financiamento comunitário para a Região para o
reforço do investimento no capital humano, melhorando
período de 2007-2013 ultrapassa os 1,6 milhões de euros
para uma despesa pública de mais de 2 mil milhões de euros. a educação e as competências para a competitividade, na
inclusão social e na qualidade de vida;
Programas Operacionais 2007-2013
iii) Melhoria das acessibilidades, através da requalifi-
cação das redes estruturantes e sustentabilidade ambiental
Unidade: euro e a prevenção e gestão dos riscos;
Dotação Programada iv) Compensação dos efeitos da ultraperiferia, em
que de acordo com o artigo 11.º do Regulamento (CE)
Despesa Pública
Fundo
Comunitário
n.º 1080/2006, de 5 de julho, relativo ao FEDER, as regi-
ões ultraperiféricas recebem um tratamento particular, que
se traduz numa dotação específica adicional utilizada a fim
PROCONVERGENCIA . . . . . . . 1.190.905.450 966.349.049 de compensar os sobrecustos derivados da sua condição
PRO-EMPREGO . . . . . . . . . . . . . 223.529.413 190.000.000
POVT . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 205.882.353 175.000.000 de ultraperifericidade;
PRORURAL . . . . . . . . . . . . . . . . 345.113.604 294.497.675
PROPESCA . . . . . . . . . . . . . . . . . 41.202.416 35.022.059 No âmbito da afetação das dotações comunitárias ins-
PCT MAC . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6.027.963 5.197.049 critas no PROCONVERGENCIA, a 31 de dezembro de
TOTAL. . . . . . . . 2.012.661.198 1.666.065.832 2012, em termos acumulados desde o início da vigência
do atual período de programação, a autoridade de gestão
A seguir apresenta-se uma sinopse das intervenções aprovou já 1 132 candidaturas com um montante de des-
regionais de programação da política europeia de coesão. pesa pública associada de 1 153 milhões de euros, a que
corresponde uma comparticipação do fundo estrutural
FEDER de cerca de 955 milhões de euros e representa
uma taxa de compromisso (AP/PR) de quase 99% avaliada
em termos de fundo.
A execução financeira (despesa efetivamente paga) das
operações aprovadas ascendeu, em termos acumulados, ao
montante de 762,8 milhões de euros de despesa pública,
com uma comparticipação FEDER de 626 milhões de eu-
O Programa Operacional dos Açores para a Convergên- ros a que corresponde uma taxa de execução de 64,8%.
cia é um programa comparticipado pelo fundo estrutural No âmbito do Quadro de Referência Estratégica Na-
FEDER, para o período de programação 2007-2013, en- cional (QREN), componente FEDER, reportado a 30 de
quadrado no Objetivo Comunitário Convergência, com setembro de 2012, o PROCONVERGENCIA apresentava
execução na Região Autónoma dos Açores, integrado no a segunda maior taxa de execução financeira com 60,3%,
Quadro de Referência Estratégico Português (QREN), sendo a média do QREN / FEDER de 48,4%.
com uma dotação de 966,3 milhões de euros de fundo co-
munitário, a que corresponde uma despesa pública global
de 1,2 mil milhões de euros.
O PROCONVERGENCIA, adotado pela Decisão da
Comissão C (2007) 4625, de 5 de outubro de 2007, CCI
2007 PT 161 PO 006, abrange um leque diversificado de
sectores e de beneficiários das comparticipações comu- Este programa operacional assenta numa grande finali-
nitárias. dade estratégica que consiste na colocação da intervenção
A estratégia de desenvolvimento contida neste instru- FSE ao serviço de um novo ciclo de desenvolvimento e
mento de programação encerra elementos de uma política de políticas públicas para a RAA no qual a qualificação
de coesão económica e social, abarcando um conjunto das pessoas, o papel do conhecimento, a inovação na
de domínios estratégicos, com fortes ligações, interde- valorização dos recursos endógenos regionais e a dissemi-
Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013 3109
nação de uma cultura de empreendimento e de iniciativa de 162,5 milhões de euros, à qual corresponde o montante
assumem um estatuto de prioridade máxima. A perceção FSE de 137,25 milhões de euros, atingindo-se uma taxa
dos desafios que tal mudança coloca à coesão social e ter- de execução de 72,2%.
ritorial dos Açores conduz coerentemente à valorização da Foram ainda efetuados pagamentos aos promotores
problemática do desenvolvimento social, incluindo neste no montante total de 141,02 milhões de euros, sendo que
domínio uma nova importância ao combate à iliteracia. 125,14 milhões de euros corresponderam à componente
Em estreita relação com a finalidade estratégica acima Fundo Social Europeu e 15,88 milhões de euros à com-
mencionada, o PO organiza-se em torno de 6 domínios ponente orçamento da Segurança Social. Os referidos
de intervenção: pagamentos respeitaram ao pagamento de adiantamentos,
reembolsos e saldos finais.
● Empregabilidade de jovens;
Os projetos aprovados previam a execução de
● Consolidação das condições de empregabilidade no
5.716 Ações de formação, repartidas por 3.469 Cursos e
sector privado;
uma participação de 86.546 Formandos.
● Modernização do tecido produtivo e apoio ao em-
Acresce referir que em todas as Ilhas do Arquipélago,
preendedorismo;
foi prevista a realização de formação.
● Empregabilidade e empreendedorismo com base
A 15 de janeiro de 2013, o Pro-Emprego, está com uma
em I&D;
taxa de compromisso de 103,9%, à qual corresponde um
● Competitividade regional na sociedade da informação
montante aprovado FSE, de 197,37 milhões de euros,
e do conhecimento;
pelo que é expectável uma taxa de absorção de 100%, da
● Inclusão social por via da qualificação, do emprego
respetiva dotação financeira, até ao final do Período de
e do empreendedorismo.
Programação.
Estes seis domínios de intervenção são organizados
de modo não só a servir os objetivos estruturantes que
justificam a sua existência, mas também a dar resposta
diferenciada a algumas prioridades transversais de toda
a programação FSE.
Assim, os seis domínios devem, na especificidade das
suas tipologias de projeto, criar condições para a disse-
minação de novos comportamentos de empreendimento
REDES E EQUIPAMENTOS ESTRUTURANTES NA REGIÃO
e de iniciativa, favorecendo a emergência de empreende- AUTÓNOMA DOS AÇORES
dorismo de vários tipos: como complemento fundamental
das políticas de empregabilidade e formação; empreende- A aplicação do Fundo de Coesão na Região Autónoma
dorismo de oportunidade e com base em conhecimento dos Açores no período de programação 2007-2013 es-
científico e tecnológico e empreendedorismo de necessi- trutura-se e combina duas grandes linhas de orientação:
dade, ajustado às políticas de inclusão e desenvolvimento corresponder às áreas de intervenção definidas para este
social. Do mesmo modo, a promoção da igualdade de fundo comunitário e, principalmente, financiar projetos
género associada à garantia de mais elevadas taxas de relevantes e complementares da intervenção operacional
participação e emprego feminino e a valorização das TIC comparticipada pelo fundo estrutural FEDER.
como instrumento de combate aos efeitos penalizadores Com estes pressupostos, e tendo em consideração que
do isolamento e da fragmentação territorial são também este instrumento financeiro tem o objetivo último de con-
entendidas como prioridades horizontais, dando origem tribuir para o reforço da coesão económica e social, numa
seja as subtipologias em determinadas tipologias de pro- perspetiva de promoção do desenvolvimento sustentável,
jetos dos seis domínios de intervenção seja a critérios de para os Açores são fixados dois grandes objetivos estra-
elegibilidade transversais à generalidade das tipologias. As tégicos:
tipologias e subtipologias de projeto previstas no programa
evidenciam um forte potencial para a maximização dos ● Melhorar os níveis de eficiência e de segurança do
pontos fortes e atenuação dos pontos fracos no mercado transporte marítimo no arquipélago;
de trabalho regional. ● Aumentar os níveis de proteção ambiental e do de-
Em termos financeiros o PRO-EMPREGO tem uma senvolvimento sustentável.
dotação de fundo estrutural FSE de 190 milhões de eu-
ros, a que se adiciona 36,35 milhões de euros de contra- A natureza dispersa e afastada das ilhas açorianas, a
partida pública e mais 40 milhões de euros de financia- sua posição central no Atlântico norte, conjugada com as
mento privado, podendo, na totalidade, atingir cerca de características do mar envolvente, confere especial priori-
266,35 milhões de euros a despesa afeta à execução deste dade e atenção aos portos comerciais existentes, obrigando
programa operacional. a uma estratégia de requalificação e modernização das
Até 31-12-2012, foram submetidos 1 379 pedidos infraestruturas e uma adaptação dos meios de operação e
de cofinanciamento, dos quais, 765 foram aprovados, de movimentação de mercadorias.
170 arquivados e 314 indeferidos. Ao nível do ambiente, a prioridade na afetação do Fundo
O valor da despesa pública aprovada ascendeu a de Coesão irá no sentido do reforço da qualidade de recur-
224,93 milhões de euros, sendo 189,56 milhões de euros sos hídricos superficiais e na implementação de um sis-
do Fundo Comunitário, o que representa uma taxa de tema sustentável de tratamento e valorização de resíduos
compromisso de 99,8% no arquipélago, através de infraestruturas tecnológicas que
No que respeita à execução, a despesa pública validada assegurem a qualidade do serviço, a proteção ambiental,
pela autoridade de gestão, a 31 de dezembro de 2012, foi promovendo a ecoeficiência e a valorização energética.
3110 Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013
As intervenções previstas neste Eixo têm como âmbito eficiência e competitividade p.e., modernizar explorações
geográfico o território da Região Autónoma dos Açores e agrícolas, integrar produtos inovadores na Região, fortale-
contemplam as seguintes tipologias: cer a diversificação produtiva, melhorar a sua capacidade
exportadora e, ao mesmo tempo conseguir manter, com
a) Intervenções destinadas à consolidação e moderniza-
estabilidade, a sua relevância social e económica.
ção do sistema de transportes marítimos nos Açores;
Ao mesmo tempo permitiu o desenvolvimento de uma
b) Intervenções nas infraestruturas de gestão de resí- agricultura e produção florestal sustentável, respeitando
duos, incluindo centros de processamento, triagem, tra- os valores paisagísticos e ambientais.
tamento mecânico e valorização orgânica;
Não obstante a existência de importantes investimentos
c) Intervenções para a recuperação e correção de situa-
apoiados pelo PRORURAL em novas atividades na fileira
ções de eutrofização das lagoas dos Açores, enquanto ele- do leite e laticínios, a orientação predominante dos inves-
mentos importantes de reserva de recursos hídricos e ativos
timentos das explorações agropecuárias destes sectores
relevantes da paisagem açoriana.
está centrada na melhoria da eficiência e da produtividade.
A reorientação das estratégias dos produtores das prin-
Num quadro de forte restrição orçamental e como res- cipais Ilhas, que beneficiaram no passado de importantes
posta a uma conjuntura de crise económica e financeira, ajudas ao investimento, afigurou-se indispensável.
foi em 2011 promovida uma reprogramação técnica dos No atual período de programação foram apoiados in-
Programas Operacionais do QREN, assegurando uma vestimentos que refletem um grau de inovação que im-
reafetação dos recursos disponíveis às áreas que corres- porta realçar, não apenas pela diversificação que trazem
pondem às grandes prioridades de investimento e que às atividades de especialização (novas tecnologias de
revelam condições de concretização no prazo de vigência transformação e aproveitamento do leite e novos produ-
do QREN 2007-2013, e a alteração da taxa média de tos lácteos), implicando novas estratégias de abordagem
cofinanciamento de 70 para 85% para a quase totalidade dos mercados de escoamento, como pelo surgimento de
dos eixos. projetos de investimento em atividades com menor pre-
Em dezembro de 2012, foi ainda aprovada a repro- sença no panorama produtivo regional (hortifruticultura
gramação estratégica dos Programas Operacionais pela em hidroponia, pasteurização de ovos, …).
Comissão Europeia, tendo-se consolidado o envelope Tem-se verificado uma tendência positiva na diversi-
financeiro do eixo específico dos Açores. ficação da produção agrícola, que contribui para a dimi-
A dotação inicial de Fundo de Coesão no montante nuição do défice comercial em alguns produtos agrícolas,
de 70 milhões de euros foi reprogramada para 175 mi- nomeadamente de origem vegetal.
lhões de euros, permitindo assegurar a elegibilidade de A par do incremento dado à agricultura açoriana pelo
duas intervenções fundamentais para a Gestão e Valoriza- reforço da viabilidade das explorações agrícolas, o PRO-
ção de Resíduos Sólidos Urbanos da RAA, a Central de RURAL, proporcionou a diversificação da economia dos
Tratamento e Valorização de Resíduos da ilha Terceira, territórios rurais, a fixação das populações e a melhoria das
promovida pela TERAMB - Empresa Municipal de Ges- suas condições de vida, através da abordagem LEADER.
tão e Valorização Ambiental da ilha Terceira, EEM e a A possibilidade de conceber e alavancar projetos
respeitante ao Projeto VALORISM - ECOPARQUE DA viáveis com suporte empresarial de fileira, constitui um
ILHA DE SÃO MIGUEL, promovido pela Associação de binómio-chave para aprofundar as margens existentes
Municípios da Ilha de São Miguel. de aproveitamento de oportunidades económicas nesta
A taxa de compromisso do eixo específico para a RAA frente crucial para a economia açoriana, atualmente e no
está plenamente atingida. médio longo prazo.
No que respeita à execução, o montante da despesa pú- O PRORURAL, com uma dotação de 345.113.604 eu-
blica validada a 31 de dezembro de 2012 foi de 59 milhões ros de despesa pública, atualmente apresenta uma taxa de
de euros, ao qual corresponde o montante de cofinancia- compromisso de aproximadamente 85% e de execução de
mento de Fundo de Coesão de 50,2 milhões de euros. cerca de 63%. Apesar da conjuntura difícil que se vive,
houve por parte dos agentes económicos uma dinâmica
de investimento e adesão aos apoios disponíveis que per-
mitiu, para bem da economia açoriana e especialmente do
sector agrícola, que a taxa de execução se situe acima da
Para o fortalecimento dos territórios rurais da Região, média dos programas da União Europeia (50%).
muito contribuiu o programa de desenvolvimento rural Este dinamismo acentua-se especialmente nas medidas
para o período 2007-2013, na sua vertente económica, que apoiam a instalação de jovens agricultores, moderni-
social e ambiental. Revelou-se um fator dinamizador na zação das explorações agrícolas, melhoria do valor eco-
componente de investimento, diversificação das eco- nómico das florestas, transformação, infraestruturas de
nomias rurais e fixação das populações nestas mesmas apoio à atividade agrícola e medidas ambientais, em que
zonas. as taxas de compromisso se situam nos 100%.
As dinâmicas de investimento do programa têm sido
condicionadas por uma conjuntura macroeconómica e
financeira negativa que atinge as explorações agropecuá-
rias e florestais, as estruturas associativas, as empresas do
sector agrotransformador, bem como os restantes agentes
económicos do mundo rural.
Num período exigente, a agricultura açoriana com o
apoio do PRORURAL, teve a capacidade de atenuar al- O Programa PROPESCAS assenta no apoio ao in-
guns constrangimentos que se colocavam à sua maior vestimento no âmbito dos projetos cofinanciados pelo
Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013 3111
Fundo Europeu das Pescas visando, numa abordagem e permitam aquisição de conhecimentos e de tecnolo-
sistémica, a criação das condições para a competitividade gias, novas ou inovadoras, através de parcerias entre
e sustentabilidade, a longo prazo, do sector pesqueiro as empresas e o sistema científico e tecnológico, como
regional, tendo em conta a aplicação de regimes de ex- universidades e laboratórios.
ploração biológica e ecologicamente racionais; a melhor
organização do ramo da captura, transformação e comer-
cialização e o reforço da competitividade da atividade Eixo Prioritário 3 – Medidas de Interesse Geral
produtiva empresarial, com a diversificação, inovação,
acréscimo de mais-valias e garantia da qualidade dos Apoiar a construção e modernização de unidades in-
produtos da pesca.. dustriais visando a introdução de novas técnicas, novas
O desenvolvimento sustentável do sector das pescas tecnologias, a qualificação dos recursos humanos e a
da Região Autónoma dos Açores depende de uma visão diversificação da produção, em ajuste à evolução do
estratégica comum, de uma política integrada, de um mercado, com vista ao aumento do valor acrescentado
melhor conhecimento científico e técnico, da cooperação e à melhoria das condições de higiene, salubridade e
institucional entre os parceiros do sector, da valorização qualidade dos produtos, contemplando, entre outras, a
dos profissionais e da sua participação ativa em sistemas indústria conserveira regional; aquisição de equipamen-
de governação responsáveis e eficazes para que o sector tos necessários ao processo produtivo, mais eficientes e
das pescas se torne mais competitivo num quadro de glo- respeitadores do ambiente, nomeadamente em termos de
balização a nível mundial. rendimento energético, consumo de água e tratamento
Importa realçar a discriminação positiva que, nos ter- de resíduos
mos do artigo 299º do Tratado, foi assegurada aos opera-
dores sediados nesta Região Ultraperiférica.
Assim, as linhas orientadoras para o desenvolvimento Eixo Prioritário 4 – Assistência Técnica
do sector das pescas da Região Autónoma dos Açores,
pressupõem a inclusão no PROPESCAS, dos seguintes A inclusão deste eixo é justificada pela necessidade
eixos prioritários: de garantir as condições necessárias à implementação e
funcionamento do sistema e estrutura de gestão, acompa-
nhamento, avaliação, controlo e divulgação do PROPES-
Eixo Prioritário 1 – Adaptação da Frota de Pesca CAS, visando o sucesso da estratégia de desenvolvimento
Regional definida para o sector.
Apoiar a modernização das embarcações de pesca, As medidas descritas abrangem as nove ilhas da Re-
com vista à melhoria das condições de trabalho e ope- gião Autónoma dos Açores e serão executadas no período
racionalidade das mesmas, nomeadamente quanto à compreendido entre 01/01/2007 e 31/12/2015.
segurança a bordo, condições de higiene, preserva- Em termos financeiros o PROPESCAS apresenta um
ção da qualidade do pescado, seletividade das artes envelope de despesa pública de 41,2 milhões de euros, a
e das operações de pesca e racionalização dos custos que correspondem 35 milhões de euros de comparticipa-
energéticos. Os investimentos em seletividade podem ção comunitária e 6,2 milhões de euros de comparticipação
visar substituição das artes de pesca, experimentação do orçamento regional.
de novas medidas técnicas, a redução do impacte da Neste programa já foram apresentadas candidaturas
pesca nas espécies sem valor comercial e a proteção com um montante de despesa pública de 42 milhões de
das capturas e artes de pesca de predadores selvagens euros, tendo sido aprovados 26 milhões de euros de apoios
protegidos. e efetuados pagamentos no valor de 18 milhões de euros.
Estima-se que até final do período de programação se
encontrem esgotadas a totalidade das verbas afetas ao
Eixo Prioritário 2 – Transformação e Comercialização PROPESCAS.
dos Produtos da Pesca
Apoiar investimentos relativos à construção e aquisi-
ção de equipamentos para instalações de produção com
vista à introdução da atividade aquícola no arquipélago;
a modernização das unidades conserveiras; a construção
de novas unidades de transformação e de filetagem de
pescado congelado; a construção de novas unidades
da indústria transformadora tradicional resultantes de
deslocalizações por exigências de ordem ambiental ou
de planos de ordenamento do território. Promover in-
vestimentos que tenham por objetivo a certificação da
qualidade dos produtos transformados e a diversificação
da produção; a dinamização dos circuitos de comercia- O Programa de Cooperação Transnacional Aço-
lização, os investimentos que incrementem as expor- res - Madeira – Canárias, para o período de programa-
tações para a União Europeia e para países terceiros e ção 2007-2013, é um programa operacional cofinanciado
que melhorem a competitividade, a produtividade e a pelo fundo estrutural FEDER, enquadrado no Objetivo
capacidade concorrencial do sector; os investimentos Comunitário da Cooperação Territorial Europeia, apro-
que visem aumentar o valor acrescentado dos produtos vado pela Comissão Europeia através da Decisão C (2007)
da pesca; os que criem postos de trabalho qualificados 4243, de 18 de setembro de 2007.
3112 Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013
O objetivo global que sustenta a estratégia adotada no Em termos de aprovações de projetos, foram lança-
Programa consiste em, por um lado, incrementar os níveis das até à data, 3 convocatórias, que deram os seguintes
de desenvolvimento e de integração socioeconómica dos resultados:
três arquipélagos, fomentando uma estratégia que vise o
impulso da sociedade do conhecimento e do desenvolvi- ● No ano de 2008, procedeu-se ao lançamento
mento sustentável, e, por outro lado, melhorar os níveis da 1.ª Convocatória para a apresentação de projetos
de integração socioeconómica do espaço de cooperação aos Eixos 1 e 2 do Programa, que decorreu de 1 de
com os países de proximidade geográfica e cultural. setembro a 30 de outubro. Em maio de 2009, houve
O Plano Financeiro Conjunto do Programa apresenta lugar à aprovação dos projetos apresentados, sendo
um custo total previsto que ascende a 65.169.525 euros que, com a participação de entidades dos Açores,
e a comparticipação do FEDER a 55.394.099 euros, que foram aprovados 44 projetos com a atribuição de
corresponde a uma taxa máxima de ajuda comunitária de uma comparticipação FEDER de mais de 4 milhões
85% para a zona transnacional. de euros.
A percentagem de contrapartidas nacionais, que ascende ● No final do ano de 2009, procedeu-se ao lançamento
a 15%, resulta do nível de contrapartidas propostas por da 2.ª convocatória do Programa, dirigida exclusivamente
cada Estado membro. Este montante de recursos nacionais para o Eixo 3 – Cooperação com Países Terceiros e Grande
atinge os 9.775.426 euros, procedentes do sector público. Vizinhança. Desta convocatória, resultou a aprovação,
As Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, neste por parte do Comité de Gestão do Programa celebrado
conjunto, têm disponível, cada uma, a comparticipação em junho de 2010, de 11 projetos desenvolvidos por en-
FEDER de 5.197.049,50 euros. A Comunidade Autónoma tidades açorianas.
de Canárias, por seu turno, dispõe de uma comparticipação ● No final do ano de 2012, procedeu-se ao lançamento
FEDER de 45.000.000 euros. de uma 3.ª convocatória, também esta dirigida para o
A repartição do FEDER por Eixo Prioritário do Pro- estabelecimento de parcerias com os países da Grande
grama, para a Região Autónoma dos Açores, estrutura-se
Vizinhança (Eixo 3), sendo que da presente convocató-
da seguinte forma:
ria, que terminou no dia 30 de novembro, ainda não são
EIXOS PRIORITÁRIOS FEDER
conhecidos resultados relacionados com a aprovação de
projetos.
EIXO 1: Promoção da investigação, desenvolvimento
tecnológico, inovação e sociedade da informação. . . . 2.314.671 Assim, até à data, foram aprovadas 54 candidaturas,
EIXO 2: Consolidação da gestão do meio ambiente e da com um montante de despesa pública associada de 5,8 mi-
prevenção de riscos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.820.555 lhões de euros, a que corresponde a uma comparticipação
EIXO 3: Cooperação com países terceiros e articulação
de grande vizinhança . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 750.000 FEDER de 4,9 milhões de euros. A relação entre o apro-
EIXO 4: Assistência Técnica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 311.823 vado e a despesa declarada é de 55%, enquanto a relação
TOTAL. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5.197.049 entre as despesas validadas e as declaradas pelos parceiros
dos projetos é de 61%.
Dados a 31.12.2012
unidade: euro
Despesa Declarada
Programado Aprovado Despesa Validada
(elegível)
Projetos
EIXOS
aprovados
Despesa Despesa Despesa Despesa
FEDER FEDER FEDER FEDER
pública pública pública pública
Eixo I . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30 2.723.142 2.314.672 2.819.915 2.396.928 1.954.690 1.661.486 1.372.336 1.166.486
Eixo II . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 2.141.830 1.820.555 2.142.855 1.821.427 1.070.893 910.259 579.192 492.314
Eixo III . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10* 882.353 750.000 841.176 715.000 170.945 145.303 7197,32 6.118
TOTAL. . . . . . . . . 54 5.747.325 4.885.227 5.803.946 4.933.355 3.196.528 2.717.049 1.958.726 1.664.917
(*aprovadas 11 candidaturas-1 desistência).
Para o próximo período de programação 2014-2020, nais, regionais e locais dos diferentes Estados mem-
a Comissão pretende atribuir um papel importante bros. Cada vez mais, consideram que é urgente tomar
ao Objetivo da Cooperação Territorial Europeia, no medidas conjuntas ao nível territorial mais adequado,
seu contributo para o objetivo da coesão territorial, que assume muitas vezes um cariz mais transnacional
conforme consagrado no novo Tratado. Assim, a Coo- e transfronteiriço.
peração Territorial Europeia assente como um dos Na fase atual, entre os diversos assuntos decorrentes do
objetivos da Política de Coesão, deve ser considerada início de um novo período de programação, encontra-se em
como um meio eficaz de definição de ações políticas definição, por parte da Comissão, as zonas de cooperação
conjuntas e intercâmbios entre intervenientes nacio- elegíveis no âmbito do Objetivo Comunitário em questão.
Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013 3113
6.2 - Próximo Período de Programação
A política de coesão é o principal instrumento de apoio às prioridades da A estratégia Europa 2020
União Europeia (UE), tal como consagrado na estratégia “Europa 2020”, A estratégia Europa 2020 é um
privilegiando os países e as regiões menos desenvolvidos ou com especiais plano de dez anos da União Europeia
dificuldades e onde as necessidades de apoio são maiores. a favor do crescimento. Esta estraté-
A política de coesão atuou como motor de transformação na última década, gia visa não só a saída da crise mas
representando um contributo genuíno para a convergência e o crescimento também a revisão do nosso modelo
na UE. de crescimento e a criação das con-
No âmbito da preparação do período de programação 2014/2020 e a fim dições necessárias para obter um tipo
de dar continuidade a este trabalho e de o centrar com mais acuidade nas diferente de crescimento: um cresci-
prioridades da Europa, em junho de 2011, a Comissão Europeia apresentou ao mento mais inteligente, sustentável e
Parlamento Europeu e ao Conselho uma proposta de perspetivas financeiras inclusivo.
e, em 6 de outubro de 2011, uma proposta de pacote de medidas legislativas A sua concretização será assegurada
no domínio da política decoesão, o qual foi concebido para impulsionar o por cinco objetivos principais que a
crescimento e o emprego em toda a Europa, enquadrando simultaneamente UE deverá atingir até ao fim da pre-
o investimento da UE na Estratégia para o crescimento e o emprego (Eu- sente década e que dizem respeito aos
ropa 2020). seguintes domínios: emprego, educa-
No seguimento das propostas para a Política de Coesão, para auxiliar os ção, investigação e inovação, inclusão
Estados membros a prepararem-se para o período de programação seguinte, social e redução da pobreza e clima e
a Comissão apresentou, a 14 de março de 2012, o «Quadro Estratégico energia.
Comum» (QEC) que traduzirá os objetivos e as metas da estratégia para o A estratégia compreende também
crescimento inteligente, sustentável e inclusivo, em linha com a estratégia sete «iniciativas emblemáticas» que
Europa 2020. servem de enquadramento para ati-
O QEC tem como objetivo a determinação da direção estratégica para o vidades conjuntas da UE e das auto-
período 2014 a 2020 nos Estados membros e respetivas regiões e definirá ridades nacionais nas seguintes áreas:
as ações-chave a apoiar por cada Fundo. Permitirá uma combinação muito inovação, economia digital, emprego,
mais eficaz de diferentes fundos para maximizar o impacte dos investimentos política industrial, pobreza e eficiência
da UE. na utilização dos recursos.
O acordo de parceria (AP), a celebrar com a Comissão, irá estabe- A estratégia Europa 2020 só será
lecer as bases para a aplicação dos recursos comunitários em Portugal, bem sucedida se tanto a UE como os
ao abrigo das orientações do Quadro Estratégico Comum (QEC), o qual seus países centrarem os seus esforços
abrange o Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), o com determinação nos objetivos co-
Fundo Social Europeu (FSE) e o Fundo de Coesão (FC), o Fundo Europeu muns. A nível da UE, serão tomadas
Agrícola para o Desenvolvimento Rural (FEADER) e o Fundo Europeu medidas para concretizar o mercado
para os Assuntos Marítimos e as Pescas (FEMP) — e em prossecução interno dos serviços, da energia e dos
da Estratégia 2020. produtos digitais e para investir em
Com vista a promover a coesão económica, social e territorial, os Fundos atividades transfronteiras essenciais.
A nível nacional, importa eliminar os
Estruturais apoiam o objetivo de Investimento no Crescimento e no Emprego
obstáculos à livre concorrência e à cria-
em todas as regiões da EU, sendo que o apoio e os recursos a afetar serão
ção de emprego. Mas para ter o impacte
graduados de acordo com os níveis de desenvolvimento económico e social
pretendido a nível do crescimento e do
das regiões.
emprego, há que combinar e coorde-
Para o efeito e nos termos da proposta da Comissão Europeia, as regiões
nar os esforços envidados a ambos os
serão classificadas em três categorias tendo por base o critério da média do
níveis.
PIB per capita da UE 27: Regiões Menos desenvolvidas; Regiões Transitórias Daí que o êxito da estratégia Eu-
e Regiões Mais Desenvolvidas. ropa 2020 dependa em larga medida
A arquitetura legislativa da política de coesão inclui: do novo quadro de governação adotado
pela UE a partir de 2010. Neste con-
● Um regulamento de enquadramento com disposições comuns para a texto, é primordial o Semestre Euro-
gestão do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), Fundo peu, um ciclo anual de coordenação no
Social Europeu (FSE), Fundo de Coesão, Fundo Europeu Agrícola de Desen- domínio das políticas económicas, no
volvimento Rural (FEADER) e Fundo Europeu para os Assuntos Marítimos âmbito do qual a Comissão Europeia
e as Pescas (FEAMP); e o Conselho formulam orientações
● Três regulamentos específicos relativos ao FEDER, ao FSE e ao Fundo políticas, os países da UE comprome-
de Coesão; tem-se a realizar reformas, os países
● Dois regulamentos relativos ao objetivo de Cooperação Territorial Eu- da UE recebem recomendações espe-
ropeia e ao Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT); cíficas elaboradas
3114 Diário da República, 1.ª série — N.º 101 — 27 de maio de 2013
● Dois regulamentos relativos ao Fundo Europeu de Ajustamento à Glo- pela Comissão e aprovadas pelos di-
balização (FEG) e ao programa para a Mudança Social e a Inovação; rigentes dos países da UE no quadro
● Uma comunicação relativa ao Fundo de Solidariedade da União Euro- do Conselho Europeu. Estas recomen-
peia (FSUE). dações terão que ser depois tidas em
conta nas políticas e nos orçamentos
Assim, a nível comunitário estão praticamente disponíveis todos os do- dos países da UE.
cumentos de natureza estratégica e regulamentar para o próximo período
de programação, decorrendo as correspondentes negociações, quer ao nível Os cinco grandes objetivos da UE
financeiro, orçamento plurianual para os 7 anos, com as respetivas dotações, para 2020
designadamente para a política de coesão, e a parte regulamentar e de exe-
cução da programação. 1. Emprego
Ao nível da estratégia e instrumentos, há de facto alterações de substân- ● aumentar para 75% a taxa de em-
cia, em que se nota uma orientação e condução mais forte da política de prego na faixa etária dos 20-64 anos
coesão.
Em termos esquemáticos refere-se: 2. I&D
- Ênfase nos resultados ● aumentar para 3% do PIB o inves-
● Indicadores, relatórios, monitorização e avaliação comuns e específicos timento da UE na I&D
a programas
3. Alterações climáticas e energia
- Quadro de performance para todos os programas
● Metas e objetivos mensuráveis e bem definidos
- Reserva de eficiência ● reduzir as emissões de gases com
efeito de estufa em 20% (ou em 30%,
● 5 % das dotações nacionais (por Estado membro, fundo e categoria de se forem reunidas as condições necessá-
região) rias) relativamente aos níveis registados
em 1990
- Condicionalidade ex ante ● obter 20% da energia a partir de
● Garantir que estão reunidas as condições para um investimento eficaz fontes renováveis
● aumentar em 20% a eficiência
- Condicionalidade macroeconómica energética
● Coadunação com a nova governação económica. 4. Educação
● reduzir as taxas de abandono esco-
lar para níveis abaixo dos 10%
A aplicação dos fundos estruturais terá que observar uma concentração ● aumentar para, pelo menos, 40%
em domínios onde foram detetadas necessidades, com apresentação de situ- a percentagem da população na faixa
ação de partida e estimativa de resultados esperados, com avaliação durante etária dos 30-34 anos que possui um
a execução. diploma do ensino superior
Estão definidas regras comuns para os fundos abrangidos pelo QEC (política
de coesão, política para o desenvolvimento rural, assuntos marítimos e pescas), 5. Pobreza e exclusão social
sendo facultada a opção da existência de programas multifundos (FEDER,
FSE e Fundo de Coesão). Preconiza-se um sistema de execução simplificado ● reduzir, pelo menos, em 20 mi-
com regras harmonizadas sobre elegibilidade e durabilidade, o aumento da lhões o número de pessoas em risco ou
utilização de custos simplificados, a ligação entre pagamentos e resultados, um em situação de pobreza ou de exclusão
balcão único para os beneficiários e uma abordagem proporcional do controlo. social
A nível nacional ter-se-á de preparar o designado nacionais, mas principalmente com os objetivos e estratégia
documento de natureza estratégica o “Acordo de Parce- das autoridades regionais, designadamente nas “Orien-
ria”, o qual contém as grandes linhas de orientação da tações de Médio Prazo” e Planos Anuais, entre outros.
política de coesão para o país, bem como as dotações A articulação entre domínios de intervenção dos fundos
dos programas operacionais que preenchem o enve- (Agricultura, Pescas, FSE e FEDER) na preparação das gran-
lope financeiro para o país. Em paralelo, os programas des linhas da intervenção face aos diagnósticos é vital para
operacionais deverão igualmente ser apresentados na a concretização da programação focalizada nos resultados.
mesma data.
A preparação, a elaboração, a apresentação e negocia-
ção destes documentos, bem como os respetivos processos
de avaliação ex ante por peritos independentes, deverá
estar concluída nos próximos meses, em ordem ao período
arrancar efetivamente em janeiro de 2014.
Realça-se a necessidade de coerência entre documentos
estratégicos de âmbito regional e os de programação co-
munitária. Parte da avaliação ex ante que será realizada aos
instrumentos de programação, passa pela coerência com
as grandes linhas de orientação de política comunitária, as
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