Diário da República, 1.ª série
DESPACHO n.º 242/96
- Data
- 2011-01-01
- Tipo
- DESPACHO
- Emitente
- GESTÃO DE RESÍDUOS HOSPITALARES
Texto integral (2581 palavras)
DESPACHO N.º 242/96
Exige-se uma separação selectiva na origem.
Os resíduos radioactivos devem ser separados na fonte, estando sujeitos a legislação específica.
RECOLHA E ACONDICIONAMENTO
O acondicionamento deverá obedecer aos seguintes requisitos:
A triagem e o acondicionamento devem ter lugar junto do local de produção.
Os resíduos hospitalares devem ser devidamente acondicionados de modo a permitir uma
identificação clara da sua origem e do seu grupo:
- Os resíduos dos Grupos I e II em recipientes de cor preta;
- Os resíduos do Grupo III em recipientes de cor branca, com indicativo de risco biológico;
- Os resíduos do Grupo IV em recipientes de cor vermelha com excepção dos materiais cortantes
e perfurantes que devem ser acondicionados em recipientes, contentores imperfuráveis.
Os contentores utilizados para armazenagem e transporte dos resíduos dos Grupos III e IV devem
ser facilmente manuseáveis, resistentes, estanques, mantendo-se hermeticamente fechados,
laváveis e desinfectáveis, se forem de uso múltiplo.
CIRCUITOS /
RESÍDUOS
Cada unidade de saúde deve ter um plano adequado à sua dimensão, estrutura e à quantidade de
resíduos que produz com vista a circulação destes, devendo os circuitos serem definidos segundo
PLANOS DE critérios de operacionalidade e de menor risco para doentes, trabalhadores e público em geral.
As condições de armazenamento deverão ser as seguintes:
- Cada unidade de saúde deve ter um local de armazenamento específico para os resíduos dos
Grupos I e II, separado dos resíduos dos Grupos III e IV, que deverão estar devidamente sinalizados.
ARMAZENAMENTO
- O local de armazenamento deve ser dimensionado em função da periodicidade de recolha e ou da
eliminação, devendo a sua capacidade mínima corresponder a três dias de produção.
- Caso seja ultrapassado o prazo referido no número anterior e até um máximo de sete dias, deverá
ter condições de refrigeração.
- O local de armazenamento terá as condições estruturais e funcionais adequadas a acesso e limpeza
fáceis.
- Sempre que se justifique, devera existir um plano específico de emergência.
VALORIZAÇÃO
Para os resíduos dos Grupos I e II deve ser prevista a separação que permita a reciclagem ou
reutilização, nomeadamente para cartão e papel, vidros, metais ferrosos e não ferrosos, películas de
raios X, pilhas e bateria e mercúrio.
INCINERAÇÃO
O Grupo IV engloba resíduos de vários tipos de incineração obrigatória.
Nota: a Portaria n.º 174/97, de 10 de Março, estabelece as regras de instalação e funcionamento de
unidades ou equipamentos de valorização ou eliminação de resíduos perigosos
CITOSTÁTICOS
Os citostáticos devem ser submetidos, na sua incinerarão, a uma temperatura mínima de 1100°C.
Os órgãos de gestão de cada unidade de saúde são responsáveis:
RESPONSABILIDADE DO ÓRGÃO DE
- Por dar cumprimento ao determinado no diploma;
- Pela sensibilização e formação do pessoal em geral e daquele afecto ao sector em particular,
nomeadamente nos aspectos relacionados com a protecção individual e os correctos
GESTÃO
procedimentos;
- Por celebrar protocolos com outras unidades de saúde ou recorrer a entidades devidamente
licenciadas, quando não dispuserem de capacidade de tratamento dos seus resíduos;
- Por manter um registo actualizado dos resíduos produzidos, devendo enviar à Direcção-Geral da
Saúde, até 31 de Janeiro de cada ano, relatório referente à produção dos mesmos no ano anterior,
assim como a indicação do respectivo destino.
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ANEXO III
Sistematização das tecnologias de descontaminação e de incineração
► Tecnologias de Descontaminação
Autoclavagem
No tratamento por autoclavagem (desinfecção com calor húmido), os resíduos são colocados numa câmara na qual é
injectado vapor de água em sobrepressão (3-3,5 bar) durante um período de tempo de aproximadamente 20 a 30 minutos,
tendo como objectivo a destruição dos agentes patogénicos ou a sua redução a um nível que não constitua risco. Este
processo inclui ciclos de compressão e de descompressão, de forma a facilitar o contacto entre o vapor e os resíduos,
permitindo que o vapor chegue às superfícies a tratar. A temperatura atinge valores na ordem dos 135°C.
O tratamento dos resíduos hospitalares do Grupo III por autoclavagem é eficaz, desde que os mesmos sofram uma
preparação prévia de homogeneização, para que o vapor atinja toda a superfície sem que haja resistência à propagação
do calor (Tavares, 2004).
A temperatura nos autoclaves é função da pressão a que se encontram, sendo esta utilizada para alterar a temperatura
do vapor saturado. A destruição dos microrganismos deve-se ao efeito da temperatura e o aumento da pressão faz com
que aumente a temperatura no interior do autoclave (Ferreira e Sousa, 1998; Tavares, 2004).
A eficácia do processo deve ser monitorizada, de forma a assegurar que o tratamento é efectuado conforme o
previsto, utilizando o tempo e a temperatura planeados. Podem ser usados indicadores químicos (registam alterações
de cor que correspondem à relação tempo/temperatura) ou indicadores biológicos (ex: tiras de esporos de Bacillus
subtilis ou Bacillus stearothermophilus), para assegurar a inactivação dos microrganismos mais resistentes (Turn-
berg, 1996).
As principais vantagens do tratamento por autoclavagem surgem associadas ao facto de ser uma tecnologia bem
conhecida, simples de operar, com custos de investimento e operação não muito elevados e bem aceite pelo público.
Em relação às desvantagens, salienta-se que a eficiência de descontaminação é bastante sensível às condições de
operação, que os resíduos não se tornam irreconhecíveis caso não seja associado a uma etapa de trituração e que podem
ser produzidos cheiros desagradáveis (ECRI, 1998; HCWHE, 2004).
Os equipamentos que se encontram instalados a nível nacional são estáticos com a utilização de vagonetes para a
movimentação dos resíduos e sem pré-trituração. Geralmente está associada uma fase posterior de trituração, o que
permite uma redução significativa do volume dos resíduos resultantes do processo.
Os resíduos que resultam da autoclavagem são classificados como não perigosos, podendo normalmente ser depo-
sitados em aterros para resíduos não perigosos. Para além de emissões gasosas, o processo de autoclavagem gera ainda
um fluxo de águas residuais que precisa de ser eliminado (Infotox, 2009).
Desinfecção Química
A desinfecção química baseia-se no princípio da destruição de microrganismos patogénicos presentes nos resíduos
hospitalares, através da introdução de uma solução desinfectante ou germicida no recipiente em que os resíduos foram
colocados. O processo pode ser complementado com trituração e/ou compactação. (Profico, 2004).
Um importante aspecto a ter em consideração é a resistência microbiológica aos desinfectantes. Constituem disto
exemplo os esporos de bactérias, microbactérias, vírus hidrofílicos, vírus lipolifílicos, fungos vegetativos e esporos
de fungos. Um desinfectante efectivo para um destes grupos de microrganismos será também eficiente em relação a
todos os grupos de microrganismos menos resistentes. A eficácia da descontaminação é estimada a partir da taxa de
sobrevivência dos organismos indicadores em testes microbiológicos (Prüss et al., 1999).
Trata-se de um tratamento relativamente económico, em virtude da grande variedade de desinfectantes no mercado.
Algumas empresas desenvolveram processos de tratamento químico para os resíduos hospitalares dentro de contentores
de vários formatos e tamanhos. Existem sistemas deste tipo que possuem filtração de ar, trituram os resíduos e podem
efectuar a desinfecção química por via húmida ou seca (Prüss et al., 1999).
A desinfecção química produz resíduos sem cheiros. Contudo, não se conhece ainda uma substância química eficaz
e o método tem os seguintes inconvenientes (Tavares, 2004):
• Formação de águas residuais com elevada concentração de desinfectantes que podem inviabilizar o funcionamento
da estação de tratamento de águas residuais a jusante do colector de águas residuais da unidade de prestação de cuidados
de saúde ou da unidade de gestão dos resíduos hospitalares;
• Riscos em termos de saúde ocupacional, particularmente na desinfecção química com gás ou vapor em que as
substâncias utilizadas são tóxicas;
• Penetração incompleta do desinfectante nos resíduos a tratar, reduzindo a sua eficácia;
• Não é aplicável a todos os tipos de resíduos;
• Obriga à armazenagem e utilização de reagentes químicos;
• Dificuldade de manuseamento.
A eficácia do processo necessita de ser demonstrada por testes microbiológicos e pela monitorização de indicadores
apropriados (OTA, 1990).
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Microondas
As microondas são ondas electromagnéticas, com uma frequência entre as ondas rádio e as ondas infravermelhas
(Turnberg, 1996). Quando aplicadas ao tratamento de resíduos hospitalares, a descontaminação processa-se através do
aquecimento do material pela interacção entre as moléculas de água e a irradiação por microondas (Muhlich, 2000),
sendo que a maioria dos microrganismos é destruída com uma frequência de cerca de 2450 MHz.
No tratamento por microondas, após a trituração que é inerente ao processo, os resíduos passam a uma câmara onde
são submetidos a vapor ou água aquecida por microondas. A temperatura superior a 100°C, ao longo de 20 a 30 minutos,
cria uma atmosfera saturada de vapor que elimina os microrganismos patogénicos. A eficiência pode ser reforçada por
um sistema misto de vácuo e pressão (Seiça, 1998; Prüss et al., 1999; Gomes, 2000).
A eficácia deste tipo de tratamento deve ser verificada periodicamente, através de testes microbiológicos, sendo
utilizado, como indicador microbiano para determinar o tratamento efectivo dos resíduos, esporos de Bacillus subtillis.
No tratamento por microondas podem ser libertados materiais voláteis, bem como odores desagradáveis.
Tal como no processo de autoclavagem, os resíduos resultantes do tratamento por microondas são considerados não
perigosos (Infotox, 2009).
Ionização
A ionização engloba duas formas de tratamento (HOLMES et al., 1993) — a radiação gama e a radiação de electrões.
A radiação gama faz uso da radiação gerada pelo radioisótopo Cobalto-60 para descontaminação dos resíduos hos-
pitalares.
A radiação de electrões envolve a utilização de um acelerador linear ou gerador de raios de electrões, sendo que os
microrganismos presentes nos resíduos hospitalares são destruídos através de dissociação química e da ruptura das
paredes celulares.
A aplicação desta tecnologia é limitada devido aos elevados custos que comporta, ao equipamento de protecção
dispendioso, aos requisitos de operadores altamente qualificados e às questões relacionadas com a eliminação da fonte
radioactiva (Tavares, 2004). Os resíduos tratados por estes processos mantêm a sua aparência após o tratamento.
Outros Métodos de Tratamento
Actualmente, para além das tecnologias referidas têm surgido outros processos de tratamento que são aplicados aos
resíduos hospitalares.
O tratamento térmico por trituração realiza-se por ciclos numa câmara onde o resíduo é aquecido por vapor,
sendo a descontaminação atingida pelo efeito da trituração com lâminas rotativas de alta resistência que elevam, por
fricção, a temperatura aos 155°C. No final do ciclo, o resíduo tratado apresenta-se na forma de granulado seco de 2
a 3 mm de diâmetro. O equipamento inclui uma torre de arrefecimento da água que sai da câmara, a qual poderá ser
reutilizada no processo.
No tratamento químico com trituração os resíduos são previamente destroçados no interior do equipamento e
posteriormente é adicionado um biocida diluído na água, que entra em contacto com as componentes dos resíduos,
tendo como objectivo retirar a sua carga microbiológica. O processo permite uma redução de 90% do volume inicial
dos resíduos.
A esterilização gasosa consiste na exposição dos resíduos a um gás esterilizante (ex: óxido de etileno ou formaldeído).
À utilização do óxido de etileno e do formaldeído estão associados vários riscos, existindo evidência clara de que
estes produtos químicos são potenciais cancerígenos. Os referidos produtos químicos são lentamente libertados dos
resíduos após o tratamento, havendo risco de exposição. Por outro lado, trata-se de uma técnica com elevados custos
associados.
Estão a surgir no mercado tecnologias inovadoras no tratamento e eliminação de resíduos, que funcionando in loco,
próximas dos locais de produção de resíduos reduzem o tempo de transporte, de manuseamento e a perigosidade dos
resíduos e contribuem para a diminuição de emissões. Estas tecnologias promovem a redução do volume de resíduos,
se possível, transformando-os logo em matérias-primas.
Um destes processos, para reciclagem de fraldas, passa pela desinfecção e posterior separação de todos os com-
ponentes dos produtos de higiene absorventes, como pasta de papel, plástico, e SAP (Polímeros Super Absorventes).
Outra tecnologia emergente, consiste num processador de resíduos de plástico e outros resíduos em geral, com a
característica de extrair líquido e compactar numa simples operação, higienizar o material durante o processo e ser
limpo e de fácil uso.
► Tecnologias de Incineração
Incineração
A incineração é um processo industrial de tratamento de resíduos por reacção química de gaseificação de materiais
orgânicos combustíveis, num espaço de tempo definido, através da presença forçada de oxigénio atmosférico (REI-
NHARDT et al., 1991; GONÇALVES, 1998).
Este processo de decomposição térmica dos resíduos acompanhou o progresso tecnológico, sendo os modernos inci-
neradores de concepção pirolítica de dois estágios (pirólise e termo-reactor) regidos pela conjugação de: temperatura,
tempo de residência e turbulência.
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A pirólise ocorre no interior da câmara pirolítica, que opera em meio pobre em oxigénio, a temperatura da ordem
dos 850°C, na qual os resíduos são convertidos em gases combustíveis, cinzas e carvão por carência de oxigénio e
sob a influência do calor que é produzido pelo resíduo carbonizado. No segundo estágio, que sucede no termo-reactor
(segunda câmara de combustão), os gases combustíveis são misturados com o ar novo numa proporção adequada e
controlada. Seguidamente, processa-se a combustão dos gases de pirólise a temperaturas entre 1100°C e 1200°C durante
pelo menos dois segundos, na presença de oxigénio em excesso, para garantir a combustão completa (Profico, 2004).
O destino final do resultado deste processo depende do tipo de resíduos originados na queima. Normalmente do pro-
cesso de incineração resultam resíduos classificados como cinzas e escórias de fundo e resíduos resultantes do tratamento
dos efluentes gasosos, podendo este ser efectuado por via seca ou por via húmida. Os resíduos resultantes do processo
de incineração devem ser sujeitos a ensaios laboratoriais e, se não forem considerados perigosos podem ser depositados
em aterro para resíduos não perigosos, caso contrário deverão ser depositados em aterro para resíduos perigosos. Existe
a possibilidade dos metais presentes nas cinzas e escórias de fundo serem encaminhados para valorização.
A energia térmica originada na queima dos resíduos deve ser aproveitada para aquecimento, através da produção de
vapor, ou ser utilizada na produção de energia eléctrica.
A verificação e o controlo do processo de incineração constituem, matéria regulamentada, designadamente através
do Decreto-Lei n.º 85/2005, de 28 de Abril.
A incineração é utilizada na generalidade da Europa para resíduos hospitalares perigosos. Nalguns países, apenas para
resíduos similares aos do Grupo IV, através de uma unidade dedicada. Noutros, incinerando conjuntamente resíduos
dos Grupos III e IV. Para os resíduos do Grupo III, há ainda a salientar a prática de alguns países de os descontaminar
e, posteriormente, os incinerar em conjunto com os resíduos urbanos.
Sistema de Plasma
É um sistema semelhante ao da incineração mas sem combustão (HOLMES et al., 1993). Neste processo são uti-
lizados arcos eléctricos e decorre na ausência de oxigénio, sendo o resíduo transformado em plasma. Para tal, o ma-
terial tem de estar a baixa pressão e a elevada temperatura: 7000°C a 12000°C. As temperaturas elevadas conduzem
à destruição da matéria orgânica e não permitem a formação de poluentes atmosféricos. O produto final é um inerte
vitrificado (SEIÇA, 1998).
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