Diário da República, 1.ª série
Declaração de Rectificação n.º 61/2009
- Data
- 2009-08-01
- Tipo
- Declaração de Rectificação
Texto integral (11 160 palavras)
Declaração de Rectificação n.º 61/2009
plementação da plataforma logística do Poceirão são os
Ao abrigo da alínea h) do n.º 1 e do n.º 2 do artigo 4.º exemplos mais expressivos mas que se replicam em muitas
do Decreto-Lei n.º 162/2007, de 3 de Maio, declara-se que outras infra-estruturas, de carácter mais local/regional, com
na Resolução do Conselho de Ministros n.º 66/2009, de particular ênfase no domínio das acessibilidades.
7 de Agosto, publicada no Diário da República, 1.ª série, Mas é, sobretudo, a instalação do NAL que vai trans-
n.º 152, de 7 de Agosto de 2009, ficou omisso o anexo formar o território do Arco Ribeirinho Sul e toda a área
«Plano Estratégico do Projecto do Arco Ribeirinho Sul», metropolitana de Lisboa.
erro material que se corrige, mediante declaração da enti- Se, por um lado, devem ser instaladas junto à infra-
dade emitente, através da sua publicação integral. -estrutura aeroportuária as funções que dependem direc-
Centro Jurídico, 13 de Agosto de 2009. — O Director- tamente dela e não podem estar afastadas, por outro, as
-Adjunto, Pedro Delgado Alves. restantes infra-estruturas e serviços de suporte ao aeroporto
devem ser desenvolvidos nos principais aglomerados do
ANEXO Arco Ribeirinho Sul. A ocupação de áreas não consolida-
das ou livres, bem como a reconversão de algumas áreas
PLANO ESTRATÉGICO DO PROJECTO obsoletas, nomeadamente de brownfield, permitirão dis-
DO ARCO RIBEIRINHO SUL ponibilizar os espaços necessários para as novas funções.
1 — Delimitação e caracterização da área objecto 1.3 — Contenção e coesão urbana, factores de requalificação
de intervenção urbana e ambiental
A consolidação urbana do Arco Ribeirinho Sul, apro-
1.1 — Enquadramento nas políticas nacional e regional
de ordenamento do território veitando a oportunidade de aí estabelecer importantes
funções de apoio ao aeroporto, promove a valorização
O Projecto do Arco Ribeirinho Sul tem enquadramento das centralidades presentes neste território, as redes de
nas orientações expressas nos instrumentos de gestão ter- infra-estruturas de transportes existentes e já previstas e
ritorial de âmbito supramunicipal em vigor. Com efeito, os espaços desocupados ou em reconversão que se encon-
e conforme se reconhece no preâmbulo da resolução do tram disponíveis para acolher as funções aeroportuárias
conselho de ministros que determina o lançamento deste e as actividades relacionadas. Por outro lado, esta opção
Projecto, o seu desenvolvimento «é totalmente coerente territorial permite salvaguardar os espaços agro-florestais
com as opções estratégicas do Programa Nacional da Po- e naturais existentes na envolvente ao NAL e que, de outra
lítica de Ordenamento do Território (PNPOT) e do Plano forma, seriam consumidos pelas novas funções.
Regional de Ordenamento do Território da Área Metro- O modelo de ordenamento do Arco Ribeirinho Sul de-
politana de Lisboa (PROTAML)». verá ser entendido numa perspectiva integrada que favo-
As dinâmicas recentes, que justificam o Projecto do
reça a contenção urbana, associada aos principais núcleos
Arco Ribeirinho Sul, reforçam e dão consistência às opções
urbanos existentes e que podem (e devem) ser reforçados,
definidas nestes instrumentos. Com efeito, os investimen-
tos públicos previstos, entre os quais a construção do novo consolidados e requalificados. Desta forma, será possível
aeroporto de Lisboa (NAL), permitem consolidar a cidade contrariar a emergência de novas frentes de expansão e
de duas margens. Simultaneamente, o novo contexto cria as tendências de dispersão que se vêm manifestando no
desafios para este território que requerem medidas ante- território metropolitano e que se revelam incoerentes com
cipadas de ordenamento que evitem o desenvolvimento os princípios de sustentabilidade económica, social e am-
urbano dispersivo e qualifiquem as áreas urbanas mais biental que suportam as políticas nacional e regional de
consolidadas. ordenamento.
Nesse quadro, a requalificação dos antigos comple- O território a consolidar no Arco Ribeirinho Sul pode
xos industriais da Margueira, da Siderurgia Nacional e da ser, grosso modo, delimitado, a sul, pelo (futuro) itinerário
CUF/QUIMIGAL surge como uma oportunidade enquanto complementar n.º 32 (IC 32). É entre esta via e o rio Tejo
alavanca do desenvolvimento do Arco Ribeirinho Sul no que se deverão concentrar os esforços de criação de novas
contexto da AML, que se pretende constituir como «uma estruturas e funções e as intervenções de requalificação
grande metrópole de duas margens centrada no Tejo». urbana, potenciando a forte concentração demográfica
e sócio-económica que aqui se regista e o significativo
1.2 — Dinâmicas recentes e perspectivas de desenvolvimento leque de infra-estruturas, designadamente de transportes,
do Arco Ribeirinho Sul que servem (ou servirão a breve prazo) esta área e que
Impacte dos grandes investimentos públicos asseguram (assegurarão) uma forte articulação interna e
As dinâmicas recentes verificadas no Arco Ribeirinho externa, designadamente no contexto metropolitano.
Sul dão conta de um conjunto de transformações terri- É nesta «mancha» que se integram as três áreas objecto
toriais, que se têm traduzido numa gradual alteração da de intervenção no âmbito do Projecto do Arco Ribeirinho
configuração deste território e do seu posicionamento no Sul — Margueira, Siderurgia Nacional e QUIMIPARQUE,
contexto metropolitano, regional e nacional. que podem, assim, assumir-se como fundamentais para a
Por outro lado, um amplo conjunto de grandes inves- prossecução dos objectivos de consolidação, contenção e
timentos públicos previstos para os próximos anos irá ter coesão urbanas.
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1.4 — Caracterização do Arco Ribeirinho Sul e dos territórios nomeadamente as existentes em Almada, no Seixal e no
objecto de intervenção Barreiro.
Aquela crise traduziu-se na desactivação progressiva
1.4.1 — O Arco Ribeirinho Sul
de muitas das unidades instaladas e num abandono pro-
É no contexto do Arco que se estende entre Almada gressivo das áreas industriais que se estendeu por longos
e Alcochete que devem ser consideradas as operações a anos.
realizar naqueles três territórios, uma vez que se espera Mais recentemente, assistiu-se a um processo de re-
que as mesmas tenham impactes directos numa área mais conversão, sendo estas áreas ocupadas por algumas novas
vasta, funcionando como alavanca do fomento e afirmação unidades, com dimensões e características visivelmente
de todo o Arco Ribeirinho Sul, ao nível metropolitano e distintas das que estiveram na sua génese e que estão longe
nacional e, simultaneamente, reforçando a competitividade de as ocupar e rentabilizar numa lógica de sustentabilidade
da AML. urbana.
Este território esteve, desde sempre, ligado ao estuário
do Tejo. O seu desenvolvimento começou a fazer-se notar 1.5 — Principais potencialidades e condicionantes
especialmente no início do século XX, estando associado dos territórios
ao crescimento da indústria e da actividade portuária e O enquadramento e as características específicas dos
aos fortes fluxos populacionais impulsionados por essas territórios da Margueira, Siderurgia Nacional e QUIMI-
actividades. PARQUE traduzem-se num conjunto importante de opor-
A partir da década de 60, o crescimento demográfico tunidades que devem ser mobilizadas no quadro de uma
dos concelhos que integram o Arco Ribeirinho Sul resultou estratégia de intervenção, quer ao nível metropolitano,
principalmente do processo de suburbanização da cidade
quer ao nível local.
de Lisboa. Este iniciara-se nos anos 50, abrangendo os
Estes terrenos, em áreas disponíveis ou a disponibilizar,
municípios da margem norte do rio Tejo e estendendo-se,
na década seguinte, à margem sul. poderão acolher um vasto conjunto de funções e activi-
Nos seis concelhos do Arco Ribeirinho Sul residem dades, designadamente relacionadas com as dinâmicas
actualmente cerca de 550 000 habitantes, ou seja, perto de trazidas pelo novo aeroporto, que deverão ser responsáveis
20 % da população da AML, em grande parte concentrados pelo crescimento e qualificação das empresas e do emprego
nos concelhos de Almada e Seixal e nas áreas urbanas. no Arco Ribeirinho Sul, fixando uma população jovem e
Não obstante o abrandamento do ritmo de crescimento nas em crescimento, já presente na península de Setúbal, e
últimas décadas, a maior parte destes concelhos continua a atraindo novos residentes.
registar uma tendência de crescimento populacional, a que Simultaneamente, as operações a desenvolver nestas
se associa uma estrutura etária relativamente jovem. áreas permitem colmatar necessidades actuais e introduzir
Durante os anos 90 houve uma regressão industrial funções qualificadoras da vida urbana, contribuindo para
nos concelhos das primeiras coroas da AML, em parte a promoção sócio-económica e cultural dos residentes e
contrabalançada pelo crescimento do emprego neste sec- actividades do Arco Ribeirinho Sul, assim como de todo
tor em alguns concelhos envolventes. Não obstante, o o território metropolitano.
sector secundário mantém ainda um peso significativo na O quadro de acessibilidades rodoviárias, ferroviárias e
estrutura de emprego, designadamente, nos concelhos do fluviais, a completar com um conjunto de investimentos
Seixal e do Barreiro. já programados, é um dos factores que se revela desde já
A alteração da estrutura produtiva que se verificou nos claramente favorável ao desenvolvimento urbano e afir-
últimos anos garantiu a manutenção ou mesmo o incre- mação externa destes territórios.
mento do emprego neste território e o alargamento da O aproveitamento destas potencialidades terá de ter
gama de serviços disponíveis. Não obstante, este continua em consideração as condicionantes que, nalguns casos,
a ser um território muito dependente, designadamente, se constituem como factores críticos para o sucesso da
face à AML Norte, desempenhando um papel subsidiário estratégia de reconversão destes territórios, como sejam
ao nível do emprego bem como em relação a serviços as questões relacionadas com as ocupações e usos actuais
especializados. e a possibilidade de os manter na sequência das operações
a desenvolver.
1.4.2 — Aspectos gerais dos três territórios objecto A opção por soluções adequadas do ponto de vista da
de intervenção sustentabilidade ambiental, social e económica destes
Os territórios da Margueira, Siderurgia Nacional e QUI- territórios — que pode traduzir-se no encerramento ou
MIPARQUE estruturaram-se em função das actividades deslocalização de actividades — pode ampliar a comple-
económicas, essencialmente de cariz industrial, que aí xidade dos processos negociais, bem como condicionar a
foram instaladas ao longo do século XX: a construção e viabilidade económica das operações.
reparação naval, a indústria do aço e a indústria química.
O desenvolvimento dessas actividades, que atingiu o 2 — Definição dos eixos prioritários de intervenção,
dos projectos estruturantes e das acções a realizar
apogeu nos anos 60, marcou, de forma indelével, os terri-
tórios envolventes, quer na estrutura física e da paisagem,
2.1 — Eixos prioritários de intervenção e opções estratégicas
quer ao nível sócio-económico, quer ainda em termos para o Arco Ribeirinho Sul
culturais e identitários.
Nos anos 70, a reestruturação económica movida pelo A importância que os territórios da Margueira, da
choque petrolífero e a concorrência dos novos países in- Siderurgia Nacional e da QUIMIPARQUE tiveram na
dustrializados, assim como a instabilidade política que estruturação social e económica dos concelhos onde se
se viveu no País, provocam uma crise generalizada na integram e, mais amplamente, de toda a Margem Sul da
maioria das indústrias presentes na península de Setúbal, área metropolitana é inquestionável.
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Foi, em grande medida, a instalação de importantes da QUIMIPARQUE, no contexto do Arco Ribeirinho Sul,
unidades industriais e estruturas portuárias nestes terrenos associadas a cinco eixos prioritários de intervenção:
que motivou um significativo aumento demográfico na
envolvente. Progressiva e consequentemente, fomentou Actividades económicas:
o desenvolvimento económico de todo aquele território, Manutenção das actividades (industriais e outras) com
a partir da instalação de outras indústrias e de inúmeros maior potencial de desenvolvimento e compatíveis com
serviços, quer de apoio à actividade produtiva, quer de as novas vocações destes territórios;
apoio a uma população em contínuo crescimento. Reordenamento espacial de algumas das actividades
As actividades ali instaladas, ao longo de muitos anos, económicas a manter, tendo em vista a melhor articulação
deram emprego a uma parte significativa dos habitantes, com as demais funções urbanas e numa lógica de mútua
constituindo a sustentação económica de inúmeras famí- complementaridade;
lias. Por outro lado, um amplo conjunto de serviços sociais Reconversão das actividades incompatíveis com a actual
presentes (refeitórios, escolas, equipamentos de saúde, ocupação da envolvente e com as novas vocações destes
etc.) reforçou os vínculos que ligavam as famílias a estes territórios;
espaços: tratava-se, cada vez mais, não apenas de uma Instalação de novas actividades económicas, de elevado
dependência económica, mas também social e identitária. valor acrescentado e geradoras de emprego qualificado,
Estes territórios foram-se assumindo, então, como uma designadamente de apoio ao novo aeroporto, à plataforma
referência simbólica incontornável para os habitantes de do Poceirão e ligadas ao rio/mar;
toda a parte Norte da península de Setúbal. A própria crise Desenvolvimento de actividades económicas ligadas
e o processo de decadência das indústrias antes florescentes, ao turismo/lazer, designadamente na componente náutica;
que poderiam atenuar ou contrariar o sentimento de pertença
dominante, contribuíram para reforçar a identificação das Equipamentos:
populações com estes territórios. Com efeito, o esgotamento
do modelo que suportou o desenvolvimento destes pólos Criação de equipamentos-âncora que, pelas suas va-
industriais conduziu a uma reestruturação económica que lências ou dimensão, revelem um elevado potencial de
se traduziu no encerramento de muitas unidades mas, igual- afirmação do Arco Ribeirinho Sul na área metropolitana;
mente, no surgimento de novas actividades em grande me- Instalação de equipamentos colectivos que garantam
dida associadas aos sectores tradicionais, designadamente respostas nos domínios fundamentais (educação, saúde,
o siderúrgico, no Seixal, e o químico, no Barreiro. Assim, desporto, criação e fruição cultural, etc.) às carências ac-
embora o processo de reestruturação tenha conduzido à tuais e às necessidades decorrentes do crescimento popu-
redução acentuada dos postos de trabalho e à perda da im- lacional que se perspectiva;
portância económica destes territórios, simultaneamente,
permitiu manter a sua importância social e simbólica. Mobilidade e acessibilidades:
O ponto de partida para a construção da estratégia de
intervenção, no qual assenta o Projecto do Arco Ribeirinho Estabelecimento de uma rede de acessibilidades com
Sul, é o conceito de «uma grande metrópole de duas mar- vários níveis que assegure: 1) a circulação (pedonal e
gens» centrada no Tejo. Este constitui-se como um grande ciclável) ao longo da frente ribeirinha; 2) uma adequada
desafio, que se pretende atingir num horizonte temporal de mobilidade entre os vários núcleos urbanos do Arco Ribei-
cerca de duas décadas, exigindo uma enorme concentração rinho Sul; 3) condições favoráveis de articulação com os
de esforços e concertação de interesses. principais pólos urbanos do território metropolitano;
As intervenções que se pretendem viabilizar nos terri- Implementação de soluções de transporte colectivo,
tórios objecto de intervenção deverão constituir-se como nos três níveis indicados, que minimizem a utilização do
alavancas do processo de desenvolvimento e, simulta- transporte individual rodoviário;
neamente, de contenção e coesão urbana de um territó- Criação de condições de circulação que priorizem, sem-
rio que se estende pela margem esquerda dessa «grande pre que possível, a circulação pedonal e ciclável;
metrópole». Estas operações deverão pois reproduzir-se Promoção da acessibilidade para todos, mediante so-
noutros territórios deste Arco, designadamente entre os luções de adaptação do espaço público que assegurem
concelhos de Almada e de Alcochete, tendo em vista pro- a facilidade de deslocação a cidadãos com mobilidade
mover a reestruturação urbanística e a coesão territorial e reduzida, em especial nos núcleos administrativos e nos
favorecer a criação de emprego qualificado, num ambiente centros de fruição e lazer;
urbano de qualidade, contribuindo para a geração de uma
metrópole com uma dimensão e um perfil funcional à Ambiente e paisagem:
escala internacional. Requalificação da frente ribeirinha e valorização da re-
A afirmação dos três territórios como novas centralida- lação (visual e funcional) com o rio Tejo, designadamente
des e referências no espaço urbano, com funções relevantes para o desenvolvimento de actividades lúdicas;
à escala do Arco Ribeirinho Sul e da área metropolitana; a Desenvolvimento de uma estrutura verde que se integre
valorização da relação com o rio Tejo, afirmando-o como num grande corredor ecológico do Arco Ribeirinho Sul;
elemento de referência principal do Arco Ribeirinho Sul; a Estruturação de um percurso ao longo da frente ribeiri-
reconversão dos usos dominantes, mantendo uma compo- nha, associado ao recreio e lazer, e privilegiando as ligações
nente de actividade industrial e de logística de nova geração pedonais e cicláveis, em articulação com a estrutura verde
e reforçando os usos de habitação, comércio, serviços e existente e a criar e com o estuário do Tejo;
equipamentos; a criação de estruturas e espaços urbanos
com forte qualidade física e funcional e, nessa medida, com Identidade e valores sócio-culturais:
elevado potencial de polarização em relação aos territórios
envolventes; definem um conjunto de opções estratégicas Preservação e valorização de edifícios ou outras es-
para os territórios da Margueira, da Siderurgia Nacional e truturas que testemunhem o passado industrial/portuá-
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rio dos territórios e constituam marcas identitárias de logística do Poceirão aponta para o desenvolvimento da
excelência; logística integrada.
Instalação de serviços ou equipamentos que assina- Seixal e Montijo são os concelhos que parecem revelar
lem e contribuam para a preservação da memória sobre o maior potencial de desenvolvimento neste domínio, desig-
papel destes territórios (por exemplo, estruturas de cariz nadamente face às áreas de localização empresarial hoje
museológico, espaços para a instalação de colectividades existentes. A eventual implantação de uma nova área de
locais, etc.); logística pesada no terreno da QUIMIPARQUE terá de ser
Desenvolvimento de um plano de marketing territorial ponderada considerando os impactes que essa ocupação
que promova a valorização da imagem destes territórios e poderá ter face às características e potencialidades, em par-
reforce a sua visibilidade externa, designadamente através ticular de centralidade, dessa área (por exemplo, deverão
dos valores patrimoniais presentes e outros elementos ser evitadas actividades pouco geradoras de emprego e ou
simbólicos e identitários (por exemplo, criação de uma com fortes impactes visuais e ambientais).
marca territorial e de eventos regulares).
Instalação de novas indústrias pesadas e relocalização ou reconversão
das actualmente existentes
2.2 — Projectos estruturantes e acções
Algumas das unidades de indústria pesada hoje pre-
Tendo em vista a prossecução das opções estratégicas
sentes, designadamente no território da QUIMIPARQUE,
estabelecidas, define-se um conjunto de projectos estrutu- revelam-se pouco conciliáveis com um desenvolvimento
rantes, cujo desenvolvimento se considera prioritário. urbano de elevada densidade e qualidade como o que se
Tratam-se de projectos de diversas naturezas e dimen- pretende implementar. A sua reconversão ou relocalização
sões, abrangendo domínios tão distintos como a constru- parece ser, por isso, imperativa. Outras actividades pesadas
ção de infra-estruturas de transporte ou a elaboração de podem, contudo, conviver com usos urbanos diversos,
planos ou estudos, e escalas que vão desde o projecto que desde que acauteladas algumas condições, designadamente,
se restringe a uma pequena parcela de um dos territórios em matéria ambiental, de segurança e de enquadramento
objecto de intervenção até projectos de escala metropoli- paisagístico.
tana e nacional. O facto de algumas destas empresas demonstrarem uma
Por outro lado, os projectos encontram-se em situações forte actividade e perspectivas de desenvolvimento favorá-
distintas quanto ao respectivo grau de desenvolvimento. veis deve ser valorizado, através da promoção de áreas es-
Para além dos novos projectos propostos (alguns dos pecificamente destinadas a usos mais pesados. Estas áreas
quais decorrem de intenções já manifestadas por alguns podem corresponder às zonas de mais forte concentração,
agentes locais/regionais com intervenção no território), onde estão localizadas as empresas de maior dimensão e
incluem-se projectos cuja execução se encontra progra- onde os compromissos existentes, mais «pesados», difi-
mada, bem como projectos em curso que complementam cultam eventuais processos de relocalização. Nestas áreas
os primeiros. podem instalar-se as unidades cuja deslocalização venha
Os eixos prioritários «actividades económicas», a ser proposta, bem como novas actividades a atrair para
«equipamentos» e «identidade e valores sócio-culturais» estes espaços.
concretizam-se através de um conjunto de projectos estru- A concentração destas actividades, sem as eliminar
turantes associados, em termos globais, aos usos e funções por completo, permitirá potenciá-las (designadamente os
e que, de forma integrada, prosseguem as opções estraté- sectores com maior tradição local, como o siderúrgico e
gicas daqueles eixos. o químico) e, simultaneamente, minimizar os impactes
negativos associados à sua instalação e libertar outros
Consolidação das áreas empresariais espaços para a instalação de novos usos.
As áreas de localização empresarial actualmente exis- Criação de áreas de habitação, comércio e serviços
tentes podem ver reforçada a sua importância face às no-
vas infra-estruturas e equipamentos públicos, tais como a A reconversão funcional destes territórios deverá basear-
plataforma logística do Poceirão e o NAL, com as quais -se num conceito de multifuncionalidade e densidade,
devem articular-se. Também a proximidade aos portos de numa lógica de estruturação de vários núcleos com razoá-
Setúbal, Lisboa e Sines pode ser valorizada nas estratégias vel dimensão crítica e oferta funcional. Edifícios e espaços
de ocupação destes espaços. públicos deverão ser concebidos com base em exigentes
O previsível aumento do emprego gerado pelas em- critérios de qualidade (por exemplo, critérios de eficiência
presas a instalar contribuirá para reduzir a dependência energética) que contribuam para a valorização da imagem
do Arco Ribeirinho em relação à AML Norte e os conse- dos novos espaços.
quentes movimentos pendulares, minimizando o carácter As áreas habitacionais deverão ser misturadas e com-
«dormitório» e reforçando a vitalidade sócio-económica plementadas, em proporções expressivas, por comércio e
destes territórios. Actividades que exijam uma grande pro- serviços, incluindo equipamentos públicos que não só dêem
ximidade aos mercados têm aqui condições de instalação resposta aos novos residentes, trabalhadores e actividades,
muito favoráveis. mas também complementem a oferta existente nas áreas
Será de considerar o desenvolvimento de actividades urbanas envolventes e mesmo na AML em geral, suprindo
ligadas ao estuário e ao mar, não só nas componentes de carências eventualmente existentes em alguns domínios.
construção e reparação naval, mas também no domínio da
Instalação de um equipamento de referência
biologia marinha. A proximidade ao futuro aeroporto de
Lisboa propicia o desenvolvimento de actividades ligadas A instalação de um equipamento de referência deverá
ao cluster aéreo, nomeadamente no campo das tecnologias enquadrar-se numa óptica de criação de uma «cidade da
associadas. Por seu lado, a proximidade à futura plataforma cultura», disponibilizando a criadores e produtores cultu-
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rais de diversas áreas e em condições subsidiadas espaços do troço final da CRIPS), quer sub-regional (variantes à
de criação, produção e exposição polivalentes. Pretende-se, EN 10 e à EN 11-2 e ponte Seixal-Barreiro).
assim, evitar infra-estruturas pesadas — que, no plano Caso se confirme a instalação de uma «praça da porta-
financeiro, poderão ser inviáveis —, criando uma estru- gem» no acesso à nova ponte Chelas-Barreiro (adjacente
tura inovadora e com «vida própria» e que, nessa medida, e a norte do nó do IC 21/variante à EN 11-2), a perme-
constitua um referencial urbano na margem sul do Tejo. abilidade no sentido nascente-poente na zona norte do
Este equipamento pode, eventualmente, ser materia- concelho do Barreiro poderá ser dificultada (situação que
lizado através de várias estruturas, localizadas em dois pode ser minorada com o incremento dos atravessamentos
ou três núcleos do Arco Ribeirinho Sul, com valências rodoviários e pedonais). No entanto, à semelhança do que
diversas mas que, pelas características, complementaridade se tem verificado noutros projectos recentes, a conside-
funcional e imagem, se assumam claramente como parte ração de uma «portagem electrónica», a concretizar-se,
integrante de um mesmo e único equipamento multipolar. não implica qualquer agravamento da barreira que já hoje
Adicionalmente, a instalação desta estrutura deverá ser constitui o IC 21.
articulada com a manutenção e requalificação dos vários
Requalificação e ou relocalização dos terminais
equipamentos culturais actualmente existentes nestes ter- fluviais de passageiros
ritórios e na sua envolvente.
Os terminais fluviais de Almada, do Seixal e do Barreiro
Instalação de um pólo de desenvolvimento tecnológico permitem, de um modo geral, dar resposta às necessida-
e de indústrias criativas des de ligação entre as margens sul e norte do estuário,
estabelecendo funções de interface rodofluvial ou, como
A presença no Arco Ribeirinho Sul de diversos estabe- acontece no Barreiro, rodo-ferro-fluvial.
lecimentos de ensino superior e de um tecido empresarial Com a eventual desactivação do troço final da linha fer-
relativamente denso traduz-se em oportunidades de esta- roviária do Alentejo, o terminal fluvial do Barreiro perderia
belecer pontes entre ambos que não têm sido totalmente parte da sua importância locativa. Por outro lado, o espaço
aproveitadas. A criação de um pólo tecnológico poderá do interface, incluindo a vasta área de estacionamento,
ser impulsionadora dessa relação e, simultaneamente, poderia ser englobado num projecto de requalificação
contribuir para a criação de actividades e empregos mais da faixa ribeirinha junto ao esteiro de Coina (Alburrica e
qualificados. Ponta do Mexilhoeiro), dando continuidade à intervenção
A este poderá ser associado um pólo de indústrias cria- recentemente concluída, junto a esta área, no âmbito do
tivas, incrementando o potencial inovador do Arco Ribei- Programa Polis.
rinho Sul e a sua capacidade de afirmação externa. A operação de reconversão urbanística nos terrenos
da QUIMIPARQUE pode justificar uma deslocalização
Instalação de estruturas de apoio à náutica de recreio do terminal fluvial para esta área, que permitiria também
O mercado potencial e as condições naturais do estuário encurtar o tempo de percurso entre o Barreiro e Lisboa e
do Tejo fazem da náutica de recreio uma actividade com contribuir para o reforço da nova centralidade. Esta opção
perspectivas favoráveis de desenvolvimento nesta área. permitiria também reduzir os impactes da circulação de
A distribuição das infra-estruturas de apoio à actividade embarcações, que, actualmente, se faz numa zona de forte
náutica no estuário revela um acentuado desequilíbrio sensibilidade ambiental.
Os terminais de Almada, do Barreiro e do Seixal terão
entre as duas margens que pode ser colmatado com o es-
sempre de articular-se com o MST, o que deverá origi-
tabelecimento de novos pólos que completem, na margem nar uma alteração ao traçado previsto no Anteprojecto
esquerda, aquela rede. de 1995-96. Por outro lado, e face à instalação do MST,
A localização, o dimensionamento e o programa dos que «aproxima» os três terminais, os serviços oferecidos
pólos a criar/reforçar ao longo do Arco Ribeirinho Sul deverão ser repensados, numa lógica de forte comple-
deverão ser equacionados numa perspectiva integrada e mentaridade.
em articulação com as operações a desenvolver nas áreas
objectivo de intervenção. Instalação da gare sul (gare intermodal no Lavradio)
As opções estratégicas do eixo prioritário de intervenção
associado à «mobilidade e acessibilidades» são prossegui- A construção da terceira travessia do Tejo contemplando,
das por um conjunto de projectos estruturantes ligados a para além da linha de alta velocidade, a ferrovia conven-
infra-estruturas de transporte. cional irá criar uma nova estação, a localizar no Lavradio.
Mais do que um terminal de transportes, esta gare deverá
Construção da terceira travessia do Tejo, incluindo constituir-se como uma rótula entre os territórios que serve
o alargamento do IC 21 e articula, quer se trate de espaços adjacentes (Barreiro,
Lavradio, Baixa da Banheira, …), quer de territórios mais
A construção da ponte rodoferroviária entre Chelas e o distantes, através dos vários modos de transporte presentes
Barreiro e o consequente alargamento do IC 21 (para dar (ferroviário pesado, rodoviário, metro e, através destes,
resposta aos fluxos associados à nova travessia do Tejo) transporte fluvial).
traduzem-se na melhoria da acessibilidade a Lisboa de todo Esta estação irá permitir a ligação às já existentes linhas
o Arco Ribeirinho Sul, uma vez que é criada uma nova al- ferroviárias do Alentejo e do Sado, mas também à nova
ternativa (rodo e ferroviária), e sobretudo dos concelhos do ponte, a acessibilidade directa a Lisboa, e à contígua linha
Seixal, Barreiro e Moita, até agora com mais dificuldades de cintura ferroviária norte, bem como à rede do metropo-
de acesso à margem norte do estuário. litano de Lisboa e ao transporte colectivo rodoviário.
O aproveitamento das vantagens desta nova infra- A gare Sul, em contraponto com a gare do Oriente, em
-estrutura está dependente da construção/conclusão de Lisboa, deverá tornar-se um espaço físico e funcional de
outras infra-estruturas, quer ao nível regional (construção referência, com um conjunto de serviços de apoio à popu-
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lação que garanta uma maior identificação dos utilizadores Arco Ribeirinho Sul, reforçando a articulação entre eles.
com o mesmo. Pretende-se, assim, colmatar as debilidades existentes nas
conexões do território ribeirinho, não só com o objectivo
Reestruturação das infra-estruturas portuárias de sustentar as actuais relações entre os seus núcleos ur-
A proposta de Plano Estratégico da APL apresenta um banos, mas também acolhendo os acréscimos de procura
conjunto de soluções para as infra-estruturas portuárias que os processos de reconversão e requalificação previstos
da margem esquerda do estuário do Tejo que terão de ser deverão suscitar.
articuladas com as novas vocações e ocupações que virão É neste sentido que a criação de vias alternativas à
a ser instaladas. EN 10 e à EN 11-2, ambas saturadas de tráfego, se apre-
A pretensão de instalação de um terminal para recep- sentam como peças chave para atingir os objectivos de co-
ção de contentores «de segunda linha» nos terrenos da esão territorial preconizados, garantindo a permeabilidade
QUIMIPARQUE terá de ser avaliada em função do novo transversal à mobilidade do Arco Ribeirinho Sul, o que tem
papel que se pretende que este território, em pleno centro vantagens funcionais mas também em termos simbólicos
do Arco Ribeirinho, assuma, nomeadamente pelo impacte e de legibilidade deste território como um todo coerente.
visual associado a uma estrutura desse tipo, contribuindo Uma ponte no esteiro do Coina, no troço final nascente
reduzidamente para a criação de vivências urbanas e tendo da variante à EN 10, ligará o concelho do Seixal ao do
também em consideração a importância que pode assumir Barreiro. Por seu lado, no extremo poente daquela via,
uma plataforma logística na continuação do terminal. uma ligação em túnel à Margueira permitirá fechar o anel
No que respeita ao terminal portuário concessionado à viário.
ATLANPORT, as actividades actualmente desenvolvidas, O prolongamento desta via no concelho do Barreiro
particularmente as descargas de sucatas, não são compatí- cruzará, a nascente, com o IC 21, onde se prevê um im-
veis com o processo de requalificação urbana e ambiental portante nó de ligação, dando acesso à nova travessia do
que se pretende. A manter-se essa necessidade, deverão ser Tejo e a Lisboa.
ponderadas alternativas de meios para fazer chegar esses
Conclusão do IC 32 (CRIPS)
produtos à Siderurgia Nacional. A ligação ferroviária entre
o porto de Setúbal e a Siderurgia Nacional, recentemente Numa lógica semelhante ao eixo anterior mas numa
concluída, permite que esse abastecimento venha a ser escala mais regional, o prolongamento do IC 32 (até à auto-
feito através daquele porto, com capacidade para fazer a -estrada A 2) permite completar um anel que corresponde
descarga de sucatas. ao limite sul das áreas de maior densidade de ocupação no
A eventual reactivação do terminal portuário existente Arco Ribeirinho Sul e que se pretende consolidar. Este eixo
na Siderurgia poderia constituir uma outra solução para vem permitir a articulação externa entre os principais nú-
aquela situação. Essa hipótese bem como o abandono de- cleos urbanos deste território e sua ligação à nova ponte.
finitivo deste terminal deverão ser ponderados no contexto
desta reestruturação. Reconversão das infra-estruturas ferroviárias
A actividade do terminal portuário da TANQUIPOR desactivadas ou a desactivar
está parcialmente dependente das unidades instaladas na A eventual desactivação da linha de caminho-de-ferro
zona nascente da QUIMIPARQUE. O futuro de ambos tem entre o Lavradio, onde se localizará a nova gare intermo-
de ser equacionado em paralelo, dando especial atenção à dal, e a estação do Barreiro permitiria abrir a oportunidade
perigosidade das substâncias movimentadas neste termi- de criar nesse troço um novo eixo urbano, articulando o
nal, bem como articulando com as suas repercussões num núcleo mais antigo do Barreiro (a poente) e as áreas mais
alargado conjunto de outras actividades industriais. recentes (a sul) com as áreas a reconverter nos terrenos da
QUIMIPARQUE e o interface no Lavradio.
Construção do Metro Sul do Tejo — fases 2 e 3 O carácter a conferir ao eixo que substitui este espaço-
As fases 2 e 3 do Metro Sul do Tejo (MST), que per- -canal ferroviário pesado deverá ser equacionado tendo em
mitirão que o metro chegue ao Seixal e ao Barreiro, vêm conta as características dos vários territórios que articula
alterar significativamente as condições de acessibilidade e que o envolvem. O mesmo se passa com o espaço actu-
no Arco Ribeirinho Sul e, em particular, entre aqueles dois almente ocupado pelas oficinas da EMEF, que, no cenário
concelhos. Face às operações de reconversão previstas de desactivação da linha, poderá vir a ter uma ocupação
(incluindo a eventual relocalização do terminal fluvial e utilização mais adequada à sua proximidade ao núcleo
do Barreiro) e à implantação da nova gare intermodal no antigo e às novas áreas urbanas.
Lavradio, o traçado do MST, preconizado no Anteprojecto A prossecução das opções estratégicas associadas ao
de 1995-96, deverá ser reequacionado tendo em vista servir eixo prioritário «ambiente e paisagem» é transversalmente
e reforçar as novas centralidades. conseguida por vários projectos anteriormente elencados
O traçado do MST deverá ser complementado por ca- e, de forma específica, com intervenções ao nível da es-
nais dedicados a transporte colectivo rodoviário (ou outro trutura ecológica.
modo), tendo em vista assegurar idênticas condições de
acessibilidade a outras áreas do Arco Ribeirinho não abran- Estruturação do corredor ecológico do Arco Ribeirinho
gidas (a curto ou médio prazo) pelo MST, nomeadamente Aproveitando as qualidades ambientais e cénicas deste
a nascente (Moita, Montijo, Alcochete). território, pretende-se estruturar um corredor ecológico ao
longo do Arco Ribeirinho, através da requalificação de
Construção das variantes às EN 10 e EN 11-2 (incluindo ponte cerca de 60 km da margem esquerda do estuário do Tejo,
rodoviária Seixal-Barreiro e túnel do Brejo)
entre a Trafaria e o Samouco. Cerca de 10 % deste corredor
Este eixo tem como principal objectivo estabelecer uma já se encontram tratados. O objectivo é a criação de uma
ligação rodoviária directa entre os principais pólos do estrutura verde contínua, pontuada com equipamentos e
Diário da República, 1.ª série — N.º 159 — 18 de Agosto de 2009 5367
infra-estruturas que potenciem a sua utilização para acti- Gare Sul — interface intermodal no Lavradio (1) — con-
vidades de lazer e de desporto informal por residentes e cessionárias;
ou visitantes.
Este corredor poderá ser formado por troços com Descontaminações (resolução dos passivos ambientais):
distintas características naturais (recorte da linha de
QUIMIPARQUE — EGF/QUIMIPARQUE;
costa) e de ocupação humana (perfil sócio-económico), Siderurgia Nacional — EGF/SNESGES e URBINDÚS-
que deverão assumir também papéis diferentes, sempre TRIA;
articulando as funções ecológicas com as de lazer. As Margueira — EGF/ Fundo Margueira;
actividades/usos a privilegiar poderão ser muito diversi-
ficadas: valorização do sistema de vistas (por exemplo, Reestruturação das infra-estruturas portuárias:
Trafaria), actividades de lazer balnear (por exemplo,
baía do Seixal), desportos náuticos (por exemplo, Sei- Terminal portuário concessionado à ATLAN-
xal/Barreiro), utilizações lúdicas ligadas às actividades PORT — APL/concessionária;
primárias (por exemplo, Moita), percursos pedonais ou Terminal portuário concessionado à TANQUI-
cicláveis e desporto informal são algumas das possíveis POR — APL/concessionária;
funções. Novo terminal de contentores no Barreiro — APL/con-
A implementação deste corredor deverá passar pela cessionária;
criação de estruturas de apoio a essas várias actividades Novo terminal fluvial do Barreiro — APL/concessioná-
que deverão potenciar uma utilização de proximidade, ria/município/QUIMIPARQUE (disponibilidade de com-
constituindo um complemento aos parques urbanos dos participação no valor do investimento);
aglomerados contíguos, mas também uma utilização de Terminal da Siderurgia Nacional — APL/concessio-
nível metropolitano, com capacidade de atracção face a nária.
áreas urbanas mais distantes. Deverá ainda articular-se
com a requalificação das frentes ribeirinhas dos principais Relativamente ao território da Margueira, admite-se a
núcleos urbanos e a necessidade de «permeabilizar» algu- existência, no futuro, de uma segunda fase de execução
mas áreas, tais como as actualmente ocupadas com usos que poderá permitir a construção de um terminal fluvial
especiais e industriais. de passageiros e de cruzeiros;
3 — Quantificação do investimento e propostas Estrutura ecológica:
para o seu financiamento
Corredor ecológico do Arco Ribeirinho Sul — muni-
3.1 — Projectos transversais da responsabilidade
cípios de Almada, Seixal, Barreiro, Moita, Montijo, Al-
do Estado e municípios cochete;
A concretização de uma estrutura urbana equilibrada e Intervenções complementares das operações de recon-
de um modelo integrado de desenvolvimento económico versão urbanística nos territórios do Estado ou em áreas
e social para o Arco Ribeirinho Sul exige a realização de confinantes:
um vasto conjunto de investimentos públicos em projectos
transversais e de suporte para a materialização do novo Redimensionamento das redes de infra-estruturas ex-
papel que este vai ser chamado a desempenhar na realidade teriores aos territórios da QUIMIPARQUE, Siderurgia
metropolitana que se pretende criar. Nacional e Margueira — concessionárias;
Estão neste plano os seguintes investimentos: Bairro das Palmeiras;
QUIMIPARQUE — espaço-canal entre as estações do
Infra-estruturas de transporte: Barreiro e do Lavradio — REFER/município do Barreiro/
Terceira travessia do Tejo — MOPTC/RAVE/conces- outras entidades públicas.
sionárias;
3.2 — Investimento e financiamento das três operações
Circular do Arco Ribeirinho Sul: de reconversão urbanística
Variantes à EN 10 e EN 11-2 — Estradas de Portugal/ As intervenções nos territórios da QUIMIPARQUE,
municípios; Siderurgia Nacional e Margueira pretendem promover a
Ponte Seixal-Barreiro — RAVE/Estradas de Portugal/ sua reconversão urbanística, consubstanciada num am-
municípios; biente urbano de qualidade, contribuindo para a criação
Extensão a Alcochete — Estradas de Portugal/muni- de novas centralidades.
cípios; Pretende-se, assim, mantendo uma componente de ac-
tividade industrial e de logística de nova geração, criar
Conclusão do IC 32 (CRIPS) — Estradas de Portugal; estruturas e espaços urbanos com forte qualidade física e
Rede do Metro Sul do Tejo — concretização das fases 2 funcional e fomentar a reconversão dos usos dominantes,
e 3 (até ao Lavradio) — MST/concessionária; reforçando os usos de habitação, comércio, serviços e
Rede do Metro Sul do Tejo — extensão do metro ao equipamentos.
interior do território da QUIMIPARQUE — MST/con- As intervenções poderão desenvolver-se através de par-
cessionária/QUIMIPARQUE; cerias entre entidades públicas (por exemplo, a APL), e
Rede do Metro Sul do Tejo — ligação do terminal de eventuais parcerias público-privadas nomeadamente com
Cacilhas ao viaduto do Brejo, passando pelo interior do os detentores de direitos de superfície.
território dos antigos estaleiros da LISNAVE — MST/ A implementação, de cada uma das três intervenções
concessionária/Fundo Margueira (disponibilidade de com- será faseada em consonância com as restantes intervenções
participação no valor do investimento); previstas ao nível das acessibilidades e com o desenvol-
5368 Diário da República, 1.ª série — N.º 159 — 18 de Agosto de 2009
vimento da procura que se vier a verificar, ou seja, a ca- Câmara Municipal do Barreiro:
lendarização dos investimentos será executada de forma
Equipamentos culturais e ou desportivos/lúdicos;
a optimizar a relação entre os prazos de comercialização
Outros investimentos em equipamentos públicos de
e os períodos de execução dos investimentos. utilização colectiva a definir.
3.2.1 — QUIMIPARQUE
Sociedade gestora
Responsabilidade dos investimentos a realizar nas ope- A intervenção no território da QUIMIPARQUE
rações de reconversão urbanística: abrange investimentos, incluindo o valor do terreno, que
Sociedade gestora: globalmente contribuem para a reconversão urbanística
daquele território estimados entre 281,4 e 307,1 milhões
Preparação de terreno; de euros.
Resgate dos direitos de superfície e deslocalizações; Os custos de estrutura e de gestão desta intervenção
Demolições; foram estimados entre 11,5 e 16,1 milhões de euros.
Infra-estruturas gerais primárias, arranjos exteriores e Os encargos com a promoção da área e captação de
espaços verdes; actividades e clientes foram estimados em 24,4 milhões
Obras de interesse geral — deslocalização do terminal de euros.
fluvial e extensão do Metro Sul do Tejo ao território da Consideraram-se como receitas geradas por esta
QUIMIPARQUE; intervenção as que resultam da alienação de lotes de
Equipamentos — culturais e ou desportivos/lúdicos e terrenos infra-estruturados estimadas em 348,6 milhões
escola secundária; de euros.
Síntese das estimativas de investimento e de custos
Diário da República, 1.ª série — N.º 159 — 18 de Agosto de 2009 5369
Síntese das estimativas de receitas
Câmara Municipal do Barreiro timentos da responsabilidade da Câmara Municipal do
No âmbito da intervenção de reconversão urbanística Barreiro (2), assim como as receitas municipais que este
do território da QUIMIPARQUE destacam-se os inves- município obterá com esta operação:
3.2.2 — Siderurgia Nacional Sociedade gestora
Responsabilidade dos investimentos a realizar nas ope- A intervenção no território da Siderurgia Nacional
rações de reconversão urbanística: abrange investimentos, incluindo o valor do terreno,
Sociedade gestora: que globalmente contribuem para a reconversão urba-
nística daquele território foram estimados entre 146,3 e
Preparação de terreno;
Infra-estruturas gerais primárias, arranjos exteriores e 160,2 milhões de euros.
espaços verdes; Os custos de estrutura e de gestão desta intervenção
Obras de interesse geral — via de ligação à rede viária foram estimados entre 5,5 e 8,1 milhões de euros.
principal e centro náutico; Os encargos com a promoção da área e captação de
Equipamentos — cultural de memória da indústria (Alto actividades e clientes foram estimados em 10 milhões de
Forno) e escola secundária; euros.
Consideraram-se como receitas geradas por esta inter-
Câmara Municipal do Seixal: venção as que resultam da alienação de lotes de terrenos
Equipamento cultural de memória da indústria (Alto infra-estruturados na zona norte (uso misto), na zona
Forno) — comparticipação no investimento; central (indústria pesada) e na zona sul (uso logística/
Outros equipamentos públicos de utilização colectiva indústria ligeira/serviços) estimadas em 142,8 milhões
a definir. de euros.
Síntese das estimativas de investimento e de custos
5370 Diário da República, 1.ª série — N.º 159 — 18 de Agosto de 2009
Síntese das estimativas de receitas
Diário da República, 1.ª série — N.º 159 — 18 de Agosto de 2009 5371
Câmara Municipal do Seixal vestimentos da responsabilidade da Câmara Municipal
No âmbito da intervenção de reconversão urbanística do Seixal (2), assim como as receitas municipais que este
do território da Siderurgia Nacional destacam-se os in- município obterá com esta operação:
3.2.3 — Margueira Outros equipamentos públicos de utilização colectiva
Responsabilidade dos investimentos a realizar nas ope- a definir.
rações de reconversão urbanística:
Sociedade gestora
Sociedade gestora:
A intervenção no território da Margueira abrange
Preparação de terreno; investimentos, incluindo o valor do terreno, que glo-
Demolições; balmente contribuem para a reconversão urbanística
Infra-estruturas marítimas; daquele território estimados entre 288,9 e 289,5 milhões
Infra-estruturas gerais primárias, arranjos exteriores e de euros.
espaços verdes; Os custos de estrutura e de gestão desta intervenção
Obras de interesse geral — túnel do Brejo e comparti- foram estimados entre 8 e 11,5 milhões de euros.
cipação no investimento respeitante à extensão do Metro Os encargos com a promoção da área e captação de
Sul do Tejo ao território da Margueira; actividades e clientes foram estimados em 18,8 milhões
Equipamentos — culturais e ou desportivos/lúdicos e de euros.
escola secundária; Consideraram-se como receitas geradas por esta inter-
venção as que resultam da alienação de lotes de terrenos
Câmara Municipal de Almada: infra-estruturados para áreas residenciais, terciárias, co-
Equipamentos culturais e ou desportivos/lú- merciais, fluviais e ainda as provenientes da concessão da
dicos; marina estimadas em 269,8 milhões de euros.
Síntese das estimativas de investimento e de custos
5372 Diário da República, 1.ª série — N.º 159 — 18 de Agosto de 2009
Síntese das estimativas de receitas
Diário da República, 1.ª série — N.º 159 — 18 de Agosto de 2009 5373
Câmara Municipal de Almada da responsabilidade da Câmara Municipal de Almada (2),
No âmbito da intervenção de reconversão urbanística assim como as receitas municipais que este município
do território da Margueira destacam-se os investimentos obterá com esta operação:
3.3 — Impactes quantificáveis sobre a economia Criação de emprego no local, na área envolvente e a
nível regional, tendo em conta os efeitos directos, indi-
Os impactes quantificáveis sobre a economia são de
rectos e induzidos;
ordem diversa: directos, indirectos e induzidos. O impacte Aumento do rendimento fiscal, através da estimativa
económico global corresponde ao valor estimado para a do aumento de impostos gerados pelas actividades a criar
integração destes três tipos de impactes. [principalmente no que se refere aos impostos municipais,
Os impactes do investimento a realizar no Projecto do imposto municipal sobre imóveis (IMI) e imposto muni-
Arco Ribeirinho Sul reflectir-se-ão, nomeadamente, nos cipal sobre transacções (IMT)].
seguintes domínios:
Tendo em linha de conta os espaços destinados a cada
Aumento da população residente com carácter perma- um dos usos resultantes das três operações de reconversão
nente, designadamente no que se refere às camadas mais urbanística, apresenta-se um quadro com a estimativa dos
jovens; impactes directos:
5374 Diário da República, 1.ª série — N.º 159 — 18 de Agosto de 2009
As estimativas apontam para um crescimento de resi- O conjunto dos três projectos poderá gerar receitas fiscais
dentes permanentes da ordem dos 17 000 novos habitan- (apenas IMI) estimadas em cerca de 95 375 milhões de euros.
tes e para a criação de um número de postos de trabalho
directos ultrapassando os 55 000, podendo o impacte 3.4 — Impactes qualitativos de ordem sócio-económica
total ser traduzido na criação de cerca de 66 000 postos Podem prever-se os seguintes impactes qualitativos de
de trabalho. ordem sócio-económica:
QUIMIPARQUE
Siderurgia Nacional
Margueira
Diário da República, 1.ª série — N.º 159 — 18 de Agosto de 2009 5375
4 — Solução institucional adequada Composição do conselho de administração: três a cinco
à implementação do Projecto elementos, assumindo o respectivo presidente funções
executivas;
A dinâmica pretendida de requalificação do Arco Ribei-
rinho Sul não deve ser restrita à promoção imobiliária dos
A necessária integração das três intervenções no projecto
três pólos de terrenos públicos, mas abranger também a
mais vasto previsto ao abrigo da Resolução do Conselho de
dinamização de actividade logística, industrial e de serviços Ministros n.º 137/2008, de 12 de Setembro, será assegurada
geradores de emprego. por um conselho consultivo da sociedade gestora, dotado
Atenta tal circunstância, o modelo institucional deverá das seguintes características:
considerar a existência de distintas entidades públicas
titulares de terrenos ou, alternativamente, em função de Funções de consulta, apoio e participação na definição
orientações do Ministério das Finanças, articular-se com das linhas gerais de actuação da sociedade gestora e das
a possível concentração dos terrenos numa única entidade sociedades locais, especialmente em matéria de implemen-
empresarial, eventualmente com capacidade para suceder tação do Projecto, coordenação e gestão dos investimentos
a outras entidades na titularidade dos respectivos terrenos necessários à sua prossecução e monitorização do calen-
também abrangidos pela área de intervenção global do dário da sua execução;
Projecto. Funções de articulação com a administração central ao
Tendo presente tal situação, as especificidades de cada mais alto nível e demais entidades públicas envolvidas,
território, o regime da sua titularidade e as competên- com especial relevo para o necessário enquadramento de
cias dos municípios envolvidos, entende-se da maior projectos estruturantes junto das respectivas entidades
relevância e utilidade que a execução no terreno de cada responsáveis pela sua execução;
Poderes para solicitar de quaisquer outras entidades,
intervenção no âmbito do Projecto, sem prejuízo da res-
organismos ou serviços públicos a colaboração destes nos
pectiva integração, tenha por base um modelo institu-
objectivos do Projecto;
cional já testado em outras intervenções levadas a cabo
Participação ministerial, de acordo com a representati-
pelo Estado Português em associação com um ou vários vidade do grupo de trabalho actualmente nomeado e por
municípios. intermédio de representantes devidamente mandatados e
Para tal, propõe-se o seguinte enquadramento: com poderes de decisão/intervenção;
Constituição de uma sociedade gestora do Projecto glo- Participação das entidades públicas com envolvimento
bal, com a natureza de empresa pública sob a forma de directo nos territórios (por exemplo, REFER e APL);
sociedade comercial de capitais exclusivamente públicos, Participação de todos os municípios territorialmente
dotada das seguintes características: abrangidos pelo Projecto, directamente (Almada, Seixal
e Barreiro) e indirectamente (Moita, Montijo e Alco-
Participação integral do Estado (100 %); chete);
Objecto da sociedade: gestão e coordenação global do Por despacho conjunto dos Ministros das Finanças e da
Projecto do Arco Ribeirinho Sul e do investimento público Administração Pública e do Ambiente, do Ordenamento
central a realizar naquele âmbito; do Território e do Desenvolvimento Regional, deverão ser
Capital social estimado: € 5 000 000; formalmente nomeados os membros do conselho consul-
Tutela sectorial a exercer pelo Ministério do Ambiente, tivo do Projecto do Arco Ribeirinho Sul;
do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Re-
gional; A sociedade gestora do Projecto global procederá
Duração da sociedade condicionada à realização do oportunamente à constituição de três sociedades de
respectivo objecto social num prazo legal que lhe seja execução local (uma para cada intervenção), em par-
concedido, atenta a natureza, especificidade e âmbito local ceria com cada município directamente envolvido na
do Projecto; respectiva área de intervenção do Projecto: Almada
Estrutura operacional simples (a sociedade deverá ser (Margueira), Barreiro (quimiparque) e Seixal (Siderur-
considerada mera sociedade-veículo); gia Nacional), que:
Execução do respectivo objecto social em função de um Contarão com participação maioritária do Estado (60 %),
plano de actividades e investimentos, plurianual e revisí- por intermédio da sociedade gestora que assegurará a res-
vel, também em função da própria dinâmica do mercado pectiva componente pública central, e minoritária (40 %)
relativamente à possibilidade de captação de investimento do respectivo município;
privado, com capacidade e flexibilidade para suportar even- Terão como objecto social a execução local do Pro-
tuais necessidades de reprogramação financeira e sujeito jecto do Arco Ribeirinho Sul e a gestão dos investimentos
a monitorização permanente por parte das entidades com- públicos nas respectivas áreas e nos termos definidos no
petentes do Estado; Plano Estratégico;
Prossecução exclusiva de fins de interesse geral, Executarão o respectivo objecto social em função de um
embora desenvolvendo a sua actividade segundo pa- plano de actividades e investimentos, plurianual e revisí-
râmetros exigentes de qualidade, eficiência, eficácia e vel, também em função da própria dinâmica do mercado
racionalidade económica e financeira, que contribuam relativamente à possibilidade de captação de investimento
para a rentabilização dos activos e dos necessários in- privado, com capacidade e flexibilidade para suportar even-
vestimentos com as intervenções locais, contribuindo tuais necessidades de reprogramação financeira e sujeito
dessa forma para o equilíbrio económico e financeiro a monitorização permanente por parte das entidades com-
do Projecto; petentes do Estado;
5376 Diário da República, 1.ª série — N.º 159 — 18 de Agosto de 2009
Desenvolverão a sua actividade segundo parâmetros
exigentes de racionalidade económica e financeira;
Na prossecução do seu objecto social, e em função do
indicado no Plano Estratégico, a actividade de cada socie-
dade local deverá desenvolver-se no sentido de:
Apoiar a elaboração dos instrumentos de gestão ter-
ritorial mais adequados e condicentes aos objectivos do
Projecto;
Assegurar a infra-estruturação primária das zonas de
intervenção;
Assegurar a edificação de equipamentos culturais e
sociais;
Em articulação com os municípios, adoptar um meca-
nismo de instrução prévia do licenciamento de projectos,
mediante constituição de comissões mistas;
Contribuir para o desenvolvimento das acções estru-
turantes em matéria de valorização e requalificação am- Siderurgia Nacional
biental e urbana, dinamização de actividades turísticas,
culturais, de lazer ou outras, que contribuam para o de- Para a intervenção no território da Siderurgia Na-
senvolvimento económico e social das ares abrangidas cional considerou-se um prazo total de 12 anos, que
pela intervenção; terá início com a realização de trabalhos de preparação
de terreno, seguidos da execução das infra-estruturas
Deverão integrar uma estrutura operacional igual- primárias e arranjos exteriores, durante um período de
mente simples (as sociedades deverão ser consideradas 10 anos. Em paralelo irá decorrer a execução de vá-
também meras sociedades-veículo), reduzidas ao número rias áreas de espaços verdes, durante cerca de 7 anos,
de colaboradores estritamente necessário para assegurar
seguindo-se a construção das obras de interesse geral e
o apoio adequado aos órgãos sociais e a assistência a
ainda equipamentos:
terceiros, privilegiando a contratação externa de ser-
viços;
O conselho de administração de cada sociedade de exe-
cução local integrará:
a) Um presidente com funções não executivas (comum
às três sociedades — o administrador executivo da socie-
dade gestora, em regime de inerência);
b) Um vogal com funções executivas;
c) Um vogal com funções não executivas indicado pelo
respectivo município;
Considerando a natureza e objectivos do Projecto do
Arco Ribeirinho Sul, a coordenação técnica e a gestão
integrada do Projecto deverão ser confiadas a uma enti-
dade pública com experiência comprovada em projectos
desta escala, em apoio directo à sociedade gestora e às
sociedades responsáveis pelas respectivas intervenções
locais.
Margueira
5 — Planeamento físico das acções consideradas
Para o território da Margueira tomou-se um prazo total
QUIMIPARQUE de 15 anos para a intervenção respectiva, que será iniciado
com a realização de trabalhos de preparação de terreno e
Tomou-se um prazo total de 18 anos para a intervenção de demolições ao longo de um período de 1 ano. Segue-se
no território da QUIMIPARQUE, que irá começar pela a construção de infra-estruturas marítimas ao longo de
realização de trabalhos de preparação de terreno, resgate um período que se estima de 3 anos. Após esta fase serão
de direitos de superfície e deslocalizações, em paralelo com realizadas várias infra-estruturas gerais primárias, arranjos
as demolições, ao longo de cerca de 3 anos. De seguida exteriores e espaços verdes, o que durará 11 anos. Em
será dado início a um vasto programa de infra-estruturas paralelo serão realizadas obras de interesse geral — túnel
primárias, arranjos exteriores e arranjos verdes, que irá do Brejo e extensão do MST à Margueira — para o que
decorrer ao longo de 13 anos. Nesta fase serão também será necessário um período de 4 anos. De seguida serão
executadas as obras de interesse geral e a construção de construídos vários equipamentos para o que se estima 4
vários equipamentos: anos de duração.
Diário da República, 1.ª série — N.º 159 — 18 de Agosto de 2009 5377
plementação das grandes opções estratégicas, de âmbito
nacional e regional, definidas pelos instrumentos de gestão
territorial e apresentadas de modo mais desenvolvido no
primeiro capítulo do presente documento, nomeadamente
a intenção de «recentrar a área metropolitana de Lisboa»
no rio Tejo, criando uma metrópole equilibrada nas duas
margens.
Pela sua localização na frente ribeirinha que lhe garante
um enquadramento paisagístico privilegiado, pela sua di-
mensão considerável (no total 910,90 ha, quase o triplo
da área equivalente à zona de intervenção do projecto
«Expo’98»), pela sua distribuição por três concelhos dis-
tintos, o que permite multiplicar as áreas adjacentes que
serão directamente beneficiadas pelas intervenções, e pela
existência de algum património com valor arquitectónico
ou simbólico, este território revela um intenso potencial
de renovação e reforço da sua importância no contexto
metropolitano.
Este potencial é ampliado pela possibilidade deste pro-
6 — Considerações finais sobre impactes do Projecto jecto de reconversão urbanística e ambiental beneficiar de
sinergias criadas pelo elevado volume de investimentos
Testemunhos de uma época de crescimento indus- públicos previstos para a Margem Sul, tais como o novo
trial que, pela procura de mão-de-obra, impulsionou o aeroporto, a nova travessia do Tejo e a plataforma logís-
desenvolvimento urbano dos concelhos do Arco Ribei- tica do Poceirão, o que lhe permite alargar a atractividade
rinho Sul, os territórios da QUIMIPARQUE, Siderurgia deste território e juntar aos seus os efeitos de requalifica-
Nacional e Margueira são elementos da memória colec- ção urbana e valorização sócio-económica destes outros
tiva da área metropolitana de Lisboa e, principalmente, investimentos.
símbolos da identidade operária dos concelhos onde Não negligenciáveis são também as repercussões na
estão situados. Contudo, hoje são igualmente extensos economia nacional através das receitas fiscais geradas.
territórios desqualificados, onde se foram acumulando Estas resultam, por um lado, da valorização imobiliária
os efeitos de um processo de degradação urbanística da zona de intervenção e áreas adjacentes resultante da
e ambiental, com consequências sociais e económicas eliminação dos efeitos induzidos pela degradação destas
negativas também extensíveis às áreas urbanas que os áreas e pela construção de novos equipamentos, e, por
envolvem. outro lado, dos efeitos multiplicadores que o aumento da
Para os municípios do Arco Ribeirinho Sul, a recon- despesa em bens e serviços necessários para a realização
versão urbanística destes territórios é, pois, urgente do
da intervenção têm, no curto prazo, sobre a economia
ponto de vista ambiental, sócio-económico e cultural.
nacional.
Com efeito, a demolição ou reabilitação de antigos edi-
No âmbito dos grandes investimentos em reconversão
fícios industriais ou portuários obsoletos, degradados ou
urbanística e ambiental em contexto nacional, o projecto
devolutos, as intervenções ao nível do espaço público
«Expo’98» surge inevitavelmente como uma referên-
e a promoção de novos equipamentos e infra-estruturas
podem e devem desenvolver-se a par da instalação de um cia. Um estudo de 2002 desenvolvido pelo Gabinete
conjunto diversificado e coerente de funções e actividades, de Análise Económica da Faculdade de Economia da
com consequências sobre a renovação e dinamização das Universidade Nova de Lisboa estimou os impactes deste
actividades económicas, a criação e qualificação do em- Projecto nas receitas do sector público administrativo.
prego e, logo, sobre a qualidade de vida das populações. O quadro que se apresenta em seguida sintetiza alguns
Simultaneamente, aspectos como a promoção da qualidade dos valores apresentados, numa actualização do mesmo
ambiental são cada vez mais pertinentes e prementes, pos- de 2006:
suindo as frentes de água, territórios que se revestem de
tão grande potencial de utilização em actividades de lazer,
trabalho e residência, condições adicionais aliciantes para
a sua concretização.
Deste modo, é hoje consensual o potencial que os gran-
des investimentos públicos em projectos de reabilitação
urbana possuem enquanto geradores de dinâmicas que
possibilitam o crescimento e qualificação tanto do emprego
como da base empresarial dos territórios que deles são
alvo e, pelos seus efeitos indirectos e induzidos, da sua
envolvente próxima e regional. No entanto, os benefícios
desta intervenção extravasam em muito os seus efeitos
mais directos e imediatos.
Desde logo, o desenvolvimento do Projecto do Arco Igualmente benéficos, apesar de mais dificilmente
Ribeirinho Sul é um importante contributo para a im- contabilizados por não serem quantificáveis, estão um
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conjunto diversificado de outros impactes, como o in- Por fim, relativamente ao Projecto do Arco Ribeirinho
vestimento na imagem internacional da cidade e do País, Sul que se estima criar mais de 66 000 postos de trabalho e
ou os conhecimentos em urbanismo e planeamento ad- gerar uma receita fiscal (apenas IMT e IMI) da ordem dos
quiridos na condução e gestão de uma intervenção desta 95 milhões de euros, importa salientar que alguns dados
natureza, que possibilitam experiências futuras noutros sobre os impactes quantificáveis sobre a economia e sobre
territórios (salvaguardando, claro está, o respeito pelas os impactes qualitativos de ordem sócio-económica desta
características próprias de cada território) mais facilitadas proposta de intervenção são apresentados no capítulo 3 do
e fundamentadas. presente relatório, respectivamente nos n.os 3.3 e 3.4.
Planta de delimitação dos territórios da QUIMIPARQUE, Siderurgia Nacional e Margueira
(1) A estimativa de investimento apresentado respeita à infra-estrutura de transporte e a instalações de apoio.
(2) Para as empreitadas foi assumida uma taxa reduzida de IVA de 5 %, para os projectos e fiscalização foi considerado a taxa de 20 %.
MINISTÉRIOS DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA, pessoas singulares e a pessoas colectivas, bem como dos
DA JUSTIÇA E DAS OBRAS dados conexos necessários para identificar o assinante ou
o utilizador registado, previstos na Lei n.º 32/2008, de
PÚBLICAS, TRANSPORTES E COMUNICAÇÕES 17 de Julho.
A presente portaria vem, por seu turno, criar um período
Portaria n.º 915/2009 experimental de cerca de três meses no sentido de apro-
de 18 de Agosto fundar e incrementar a funcionalidade e usabilidade da
aplicação informática assim como permitir uma adaptação
A Lei n.º 32/2008, de 17 de Julho, procedeu à transposição gradual dos profissionais a novos procedimentos de traba-
para a ordem jurídica interna da Directiva n.º 2006/24/CE, lho. Durante esse período experimental, as comunicações
do Parlamento Europeu e do Conselho, de 15 de Março, podem ser efectuadas electronicamente através da aplica-
relativa à conservação de dados gerados ou tratados no ção, ou pela via usual, mantendo, contudo, os requisitos
contexto da oferta de serviços de comunicações electró- de segurança da autenticidade dos dados e dos ficheiros
nicas publicamente disponíveis ou de redes públicas de transmitidos.
comunicações. Assim:
A Portaria n.º 469/2009, de 6 de Maio, veio concre- Ao abrigo do disposto no n.º 3 do artigo 7.º da Lei
tizar medidas importantes, tendo em vista a fixação das n.º 32/2008, de 17 de Julho, no n.º 3 do artigo 94.º do Có-
condições técnicas e de segurança da comunicação elec- digo de Processo Penal e no n.º 3 do artigo 176.º do Código
trónica dos dados de tráfego e de localização relativos a de Processo Civil, manda o Governo, pelos Ministros da
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Administração Interna, da Justiça e das Obras Públicas, de Évora (processo n.º 2915-AFN) passa a denominar-se
Transportes e Comunicações, o seguinte: EDUAL — Sociedade Agrícola do Guadiana, S. A., com
Artigo 1.º o número de identificação fiscal 505102587 e com sede
social na Herdade de Vale de Évora, 7750-389 Mértola.
Aditamento à Portaria n.º 469/2009, de 6 de Maio
Pelo Ministro do Ambiente, do Ordenamento do Terri-
É aditado o artigo 6.º-A à Portaria n.º 469/2009, de 6 de tório e do Desenvolvimento Regional, Humberto Delgado
Maio, com a seguinte redacção: Ubach Chaves Rosa, Secretário de Estado do Ambiente,
em 31 de Julho de 2009. — Pelo Ministro da Agricultura,
«Artigo 6.º-A do Desenvolvimento Rural e das Pescas, Ascenso Luís
Período experimental
Seixas Simões, Secretário de Estado do Desenvolvimento
Rural e das Florestas, em 3 de Agosto de 2009.
1 — A aplicação informática prevista nos artigos an-
teriores é de utilização facultativa durante o respectivo
período experimental, que termina em 30 de Novembro
de 2009. MINISTÉRIO DA AGRICULTURA,
2 — Durante o período experimental, o pedido de DO DESENVOLVIMENTO RURAL E DAS PESCAS
dados e a resposta dos fornecedores, sempre que não
forem efectuados através da aplicação, são efectuados Portaria n.º 917/2009
nos termos gerais, sendo remetidos os ficheiros de res-
posta, elaborados nos termos das alíneas a) e b) do n.º 3 de 18 de Agosto
do artigo 3.º da presente portaria, em CD-ROM.» Pela Portaria n.º 1087/2008, de 26 de Setembro, foi re-
novada até 30 de Junho de 2014 a zona de caça municipal
Artigo 2.º de Portel (processo n.º 2949-AFN), situada no município
de Portel, e transferida a sua gestão para a Associação de
Entrada em vigor
Caçadores de S. João Baptista de Portel.
A presente portaria entra em vigor no dia seguinte ao Pela Portaria n.º 1057/2008, de 18 de Setembro, foi re-
da sua publicação. novada até 30 de Junho de 2014 a zona de caça municipal
de Vera Cruz (processo n.º 2950-AFN), situada no municí-
O Ministro da Administração Interna, Rui Carlos Pe- pio de Portel, e transferida a sua gestão para a Associação
reira, em 7 de Agosto de 2009. — Pelo Ministro da Justiça, de Caçadores e Pescadores do Santo Lenho.
José Manuel Vieira Conde Rodrigues, Secretário de Estado Vieram entretanto os proprietários de vários terrenos in-
Adjunto e da Justiça, em 5 de Agosto de 2009. — Pelo cluídos nas zonas de caça municipais acima referidas re-
Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, querer a sua exclusão e, simultaneamente, os herdeiros de
Paulo Jorge Oliveira Ribeiro de Campos, Secretário de Silvino Correia Gomes e Jacinto José Nobre Monteiro Bar-
Estado Adjunto, das Obras Públicas e das Comunicações, roso vieram requerer a concessão de zonas de caça turística
em 10 de Agosto de 2009. para alguns dos terrenos objecto da exclusão acima referida.
Assim:
Com base no disposto no artigo 46.º do Decreto-Lei
MINISTÉRIOS DO AMBIENTE, DO ORDENAMENTO DO n.º 202/2004, de 18 de Agosto, com a actual redacção, e
com fundamento no n.º 1 do artigo 28.º, em conjugação com
TERRITÓRIO E DO DESENVOLVIMENTO REGIONAL E o estipulado no n.º 1 do artigo 167.º, no n.º 6 do artigo 36.º
DA AGRICULTURA, DO DESENVOLVIMENTO RURAL e ainda na alínea a) do artigo 40.º, todos do diploma acima
E DAS PESCAS. identificado, e após audição do Conselho Cinegético Muni-
cipal de Portel no que respeita às concessões das zonas de
Portaria n.º 916/2009 caça turísticas, manda o Governo, pelo Ministro da Agricul-
tura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, o seguinte:
de 18 de Agosto 1.º São excluídos da zona de caça municipal de Portel (pro-
cesso n.º 2949-AFN) vários terrenos cinegéticos sitos nas fre-
Pela Portaria n.º 1125/2002, de 27 de Agosto, alterada guesias de Portel e Vera Cruz, município de Portel, com a área
pela Portaria n.º 1249/2005, de 30 de Novembro, foi con- de 250 ha, ficando a mesma com a área de 3883 ha, conforme
cessionada à Sociedade Agro-Pecuária e Florestação da planta anexa à presente portaria e que dela faz parte integrante.
Herdade Vale de Évora a zona de caça turística da Herdade 2.º São excluídos da zona de caça municipal de Vera
de Vale de Évora (processo n.º 2915-AFN), situada no Cruz (processo n.º 2950-AFN) vários terrenos cinegéticos
município de Mértola. sitos nas freguesias de Portel e Vera Cruz, município de
Verificou-se entretanto que a entidade gestora da zona Portel, com a área de 1518 ha, ficando a mesma com a
de caça acima referida procedeu à alteração da sua deno- área de 513 ha, conforme planta anexa à presente portaria
minação social. e que dela faz parte integrante.
Assim: 3.º É concessionada, pelo período de seis anos, reno-
Com fundamento do disposto na alínea a) do artigo 41.º vável automaticamente por um único e igual período, a
do Decreto-Lei n.º 202/2004, de 18 de Agosto, com a actual Jacinto José Nobre Monteiro Barroso, com o número de
redacção, manda o Governo, pelos Ministros do Ambiente, identificação fiscal 122233700 e sede social e endereço
do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Re- postal na Avenida de 25 de Abril, 24, 7670-250 Ouri-
gional e da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das que, a zona de caça turística da Sobreira Gorda (processo
Pescas, o seguinte: n.º 5300-AFN), englobando vários prédios rústicos sitos
Artigo único nas freguesias de Portel e Vera Cruz, município de Portel,
A partir da data da publicação da presente portaria a en- com a área de 470 ha, conforme planta anexa à presente
tidade gestora da zona de caça turística da Herdade de Vale portaria e que dela faz parte integrante.
5380 Diário da República, 1.ª série — N.º 159 — 18 de Agosto de 2009
4.º É concessionada, pelo período de 12 anos, a herdei-
ros de Silvino Correia Gomes, com o número de identi-
ficação fiscal 900967900 e endereço postal e sede social
na Rua dos Cravos Vermelhos, 133, 2780-313 Montijo,
a zona de caça turística do Bublegão e outras (processo
n.º 5302-AFN), englobando vários prédios rústicos sitos
nas freguesias de Portel e Vera Cruz, município de Portel,
com a área de 481 ha, conforme planta anexa à presente
portaria e que dela faz parte integrante.
5.º As exclusões e as concessões previstas na presente
portaria produzem efeitos relativamente a terceiros com
a instalação da respectiva sinalização.
Pelo Ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Ru-
ral e das Pescas, Ascenso Luís Seixas Simões, Secretário
de Estado do Desenvolvimento Rural e das Florestas, em
4 de Agosto de 2009.