Diário da República, 1.ª série
Aviso n.º 177/2008
- Data
- 2008-08-01
- Tipo
- Aviso
Texto integral (51 423 palavras)
Aviso n.º 177/2008
6 de Dezembro de 2005.
Por ordem superior se torna público ter o Governo da
República Francesa efectuado, junto do Secretário-Geral Portugal é Parte deste Protocolo Facultativo, aprovado,
das Nações Unidas, em 18 de Novembro de 2005, uma para ratificação, pela Resolução da Assembleia da Re-
objecção à reserva formulada pelo Sultanato de Oman pública n.º 16/2003, publicada no Diário da República,
5764 Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
1.ª série-A, n.º 54, de 5 de Março de 2003, e ratificado pelo Portugal é Parte deste Protocolo Facultativo, aprovado,
Decreto do Presidente da República n.º 14/2003, publicado para ratificação, pela Resolução da Assembleia da Re-
no Diário da República, 1.ª série-A, n.º 54, de 5 de Março pública n.º 22/2003, publicada no Diário da República,
de 2003, tendo depositado o seu instrumento de ratificação 1.ª série-A, n.º 74, de 28 de Março de 2003, e ratificado
em 16 de Maio de 2003, conforme o Aviso n.º 94/2006, pelo Decreto do Presidente da República n.º 22/2003,
publicado no Diário da República, 1.ª série-A, n.º 9, de publicado no Diário da República, 1.ª série-A, n.º 74,
12 de Janeiro de 2006. de 28 de Março de 2003, tendo depositado o seu instru-
mento de ratificação em 19 de Agosto de 2003, conforme
Direcção-Geral de Política Externa, 7 de Agosto de o Aviso n.º 211/2003, publicado no Diário da República,
2008. — O Subdirector-Geral para os Assuntos Multila- 1.ª série-A, n.º 251, de 29 de Outubro de 2003.
terais, António Manuel Ricoca Freire.
Direcção-Geral de Política Externa, 7 de Agosto de
2008. — O Subdirector-Geral para os Assuntos Multila-
Aviso n.º 178/2008 terais, António Manuel Ricoca Freire.
Por ordem superior se torna público ter o Governo da
República da Bolívia efectuado, junto do Secretário-Geral Aviso n.º 179/2008
das Nações Unidas, em 22 de Dezembro de 2004, a adesão
ao Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos da Por ordem superior se torna público ter o Governo da
Criança Relativo à Participação de Crianças em Conflitos Letónia efectuado, junto do Secretário-Geral das Nações
Armados. Unidas, em 19 de Dezembro de 2005, o depósito do seu
instrumento de ratificação do Protocolo Facultativo à Con-
Notificação venção sobre os Direitos da Criança Relativo à Participação
de Crianças em Conflitos Armados.
«The Secretary-General of the United Nations,
acting in his capacity as depositary, communicates the Notificação
following:
The above action was effected on 22 December 2004, «The Secretary-General of the United Nations, ac-
with: ting in his capacity as depositary, communicates the
Bolivia declares that, under its legislation in force, following:
the minimum age for compulsory military service in the The above action was effected on 19 December 2005,
armed forces is 18 years. As for pre-military service, it with:
is a voluntary alternative available for young persons 1) According to the article 17, paragraph 1, of the
from the age of 17 years. The Protocol entered into force
Mandatory Military Service Law adopted by the Parlia-
for Bolivia on 22 January 2005 in accordance with its
ment of the Republic of Latvia on 19th day of February
article 10 (2) which reads as follows:
1997 citizens from the age of 19 years to the age of
‘For each State ratifying the present Protocol or ac- 27 years shall be liable for mandatory active military
ceding to it after its entry into force, the present Pro- service;
tocol shall enter into force one month after the date 2) According to the article 17, paragraph 2, of the
of the deposit of its own instrument of ratification or Mandatory Military Service Law male and female per-
accession.’ sons from the age of 18 years to the age of 27 years
may enlist voluntarily for mandatory active military
30 December 2004.»
service.
Tradução
The Protocol will enter into force for Latvia on 19
O Secretário-Geral da Organização das Nações Uni- January 2006 in accordance with its article 10 (2) which
das, agindo na sua qualidade de depositário, comunica o reads as follows:
seguinte:
A acção acima referida foi efectuada em 22 de Dezem- ‘For each State ratifying the present Protocol or ac-
bro de 2004, com: ceding to it after its entry into force, the present Pro-
A Bolívia declara que, segundo a sua legislação em tocol shall enter into force one month after the date
vigor, a idade mínima para o serviço militar obrigatório of the deposit of its own instrument of ratification or
nas forças armadas é de 18 anos. O serviço pré-militar é accession.’
uma opção voluntária oferecida aos jovens maiores de 3 January 2006.»
17 anos.
O Protocolo entra em vigor para a Bolívia em 22 de Tradução
Janeiro de 2005, nos termos do artigo 14.º, n.º 2, cuja
redacção é a seguinte: O Secretário-Geral da Organização das Nações Uni-
das, agindo na sua qualidade de depositário, comunica o
«Para cada um dos Estados que ratifiquem o presente seguinte:
Protocolo ou a ele adiram após a sua entrada em vigor, A comunicação acima referida foi efectuada a 19 de
o presente Protocolo entrará em vigor um mês após a Dezembro de 2005 com:
data de depósito do respectivo instrumento de ratificação
ou de adesão.» 1) Nos termos do n.º 1 do artigo 17.º da Lei relativa ao
Serviço Militar Obrigatório, adoptada pelo Parlamento da
30 de Dezembro de 2004. República da Letónia a 10 de Fevereiro de 1997, o serviço
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008 5765
militar activo é obrigatório para todos os cidadãos com Protocol, i. e., to guarantee better protection of the rights
idades compreendidas entre os 19 e os 27 anos; of the child set forth in the Convention. The Govern-
2) Nos termos do n.º 2 do artigo 17.º da Lei relativa ment of the Republic of Poland would like to note that
ao Serviço Militar Obrigatório, as mulheres e os homens pursuant to article 19 of the Vienna Convention on the
com idades compreendidas entre os 18 e os 27 anos po- Law of Treaties, any reservations contrary to the scope
dem apresentar-se voluntariamente para cumprir o serviço and purpose of the treaty are unacceptable.
militar activo obrigatório. The Government of Poland therefore objects to the
Relativamente à Letónia, o Protocolo entrará em vigor aforesaid reservation made by the Government of the
a 19 de Janeiro de 2006 em conformidade com o n.º 2 do Sultanate of Oman to the Optional Protocol.
seu artigo 10.º, o qual determina o seguinte: However, this objection shall not preclude the entry
into force of the Optional Protocol between the Republic
‘Para cada um dos Estados que ratifiquem o presente of Poland and the Sultanate of Oman.
Protocolo ou a ele adiram após a sua entrada em vigor,
o presente Protocolo entrará em vigor um mês após a 7 December 2005.»
data de depósito do respectivo instrumento de ratificação
ou de adesão.’ Tradução
3 de Janeiro de 2006. O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas,
agindo na sua qualidade de depositário, comunica o seguinte:
Portugal é Parte deste Protocolo Facultativo, aprovado,
para ratificação, pela Resolução da Assembleia da Re- A comunicação acima referida foi efectuada a 1 de De-
pública n.º 22/2003, publicada no Diário da República, zembro de 2005.
1.ª série-A, n.º 74, de 28 de Março de 2003, e ratificado O Governo da República da Polónia examinou a reserva
pelo Decreto do Presidente da República n.º 22/2003, formulada pelo Governo do Sultanato de Oman aquando
publicado no Diário da República, 1.ª série-A, n.º 74, da adesão ao Protocolo Facultativo à Convenção sobre os
de 28 de Março de 2003, tendo depositado o seu instru- Direitos da Criança Relativo à Participação de Crianças
mento de ratificação em 19 de Agosto de 2003, conforme em Conflitos Armados, a qual confirma que as reservas à
o Aviso n.º 211/2003, publicado no Diário da República, Convenção são actualmente válidas. Tais reservas reportam-
1.ª série-A, n.º 251, de 29 de Outubro de 2003. -se a todas as disposições da Convenção em geral que não
Direcção-Geral de Política Externa, 7 de Agosto de estão conformes com o direito islâmico ou a legislação do
2008. — O Subdirector-Geral para os Assuntos Multila- Sultanato de Oman, e determinam que a Convenção de-
terais, António Manuel Ricoca Freire. verá ser aplicada no respeito pelos limites impostos pelos
recursos financeiros disponíveis.
Aviso n.º 180/2008 O Governo da República da Polónia considera que todas
as reservas que não especificam o âmbito das obrigações do
Por ordem superior se torna público ter o Governo da Sultanato de Oman são contrárias ao objecto e à finalidade
Polónia efectuado, junto do Secretário-Geral das Nações do Protocolo, ou seja, garantir uma melhor protecção dos
Unidas, em 1 de Dezembro de 2005, uma objecção à reserva direitos da criança prevista na Convenção. O Governo
formulada pelo Sultanato de Oman aquando da adesão ao da República da Polónia faz notar que, nos termos do
Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos da
artigo 19.º da Convenção de Viena sobre o Direito dos
Criança Relativo à Participação de Crianças em Conflitos
Tratados, nenhuma reserva contrária ao âmbito e à finali-
Armados.
Notificação dade do tratado é aceitável.
O Governo da Polónia expressa, portanto, a sua objec-
«The Secretary-General of the United Nations, ac- ção à reserva acima referida, formulada pelo Governo do
ting in his capacity as depositary, communicates the Sultanato de Oman ao Protocolo Facultativo.
following: Contudo, tal objecção não prejudica a entrada em vigor
The above action was effected on 1 December 2005. do Protocolo Facultativo entre a República da Polónia e o
The Government of the Republic of Poland [has] Sultanato de Oman.
examined the reservation made by the Government of
7 de Dezembro de 2005.
the Sultanate of Oman upon accession to the Optional
Protocol to the Convention on the Rights of the Child Portugal é Parte deste Protocolo Facultativo, aprovado,
as regards the participation of children in armed con- para ratificação, pela Resolução da Assembleia da Re-
flicts, which confirms that the reservations made to the pública n.º 22/2003, publicada no Diário da República,
Convention are currently valid. The above mentioned 1.ª série-A, n.º 74, de 28 de Março de 2003, e ratificado
reservations refer in general to all the provisions of the pelo Decreto do Presidente da República n.º 22/2003,
Convention which are not in accordance with Islamic publicado no Diário da República, 1.ª série-A, n.º 74,
Law of the legislation of the Sultanate of Oman and de 28 de Março de 2003, tendo depositado o seu instru-
stipulate that the provisions of the Convention should mento de ratificação em 19 de Agosto de 2003, conforme
be applied within the limits imposed by the materials o Aviso n.º 211/2003, publicado no Diário da República,
resources available. 1.ª série-A, n.º 251, de 29 de Outubro de 2003.
The Government of the Republic of Poland considers
that reservations do not specify the extent to which the Direcção-Geral de Política Externa, 7 de Agosto de
Sultanate of Oman has accepted the obligations of the 2008. — O Subdirector-Geral para os Assuntos Multila-
Convention are contrary to the object and purpose of the terais, António Manuel Ricoca Freire.
5766 Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
Aviso n.º 181/2008 em Conflitos Armados e relembra que, em direito interna-
cional consuetudinário, tal como codificado na Convenção
Por ordem superior se torna público ter o Governo da
de Viena sobre o Direito dos Tratados, não são permitidas
Noruega efectuado, junto do Secretário-Geral das Nações
Unidas, em 2 de Dezembro de 2005, uma objecção às quaisquer reservas incompatíveis com o objecto e a fina-
reservas formuladas pelo Sultanato de Oman aquando da lidade de uma convenção.
adesão ao Protocolo Facultativo à Convenção sobre os O Governo Norueguês expressa, portanto, a sua ob-
Direitos da Criança Relativo à Participação de Crianças jecção às referidas reservas ao Protocolo Facultativo à
em Conflitos Armados. Convenção sobre os Direitos da Criança Relativo à Par-
ticipação de Crianças em Conflitos Armados formuladas
Notificação pelo Governo do Sultanato de Oman. Esta objecção não
prejudica a entrada em vigor da Convenção, na íntegra,
«The Secretary-General of the United Nations, entre a Noruega e o Sultanato de Oman, não podendo este
acting in his capacity as depositary, communicates the
invocar as reservas em causa.
following:
The above action was effected on 2 December 9 de Dezembro de 2005.
2005.
Norway has examined the second and third Portugal é Parte deste Protocolo Facultativo, aprovado,
reservations made by the Government of the Sultanate para ratificação, pela Resolução da Assembleia da Re-
of Oman on 17 September 2004 on accession to the pública n.º 22/2003, publicada no Diário da República,
Optional Protocol to the Convention on the Rights of 1.ª série-A, n.º 74, de 28 de Março de 2003, e ratificado
the Child on Involvement of Children in Armed Conflict pelo Decreto do Presidente da República n.º 22/2003,
(New York, 25 May 2000) which concern Islamic publicado no Diário da República, 1.ª série-A, n.º 74,
and domestic law and limits imposed by the material de 28 de Março de 2003, tendo depositado o seu instru-
resources available. mento de ratificação em 19 de Agosto de 2003, conforme
The Government of Norway is of the view that
o Aviso n.º 211/2003, publicado no Diário da República,
these general reservations raise doubts as to the full
commitment of the Sultanate of Oman to the object 1.ª série-A, n.º 251, de 29 de Outubro de 2003.
and purpose of the Optional Protocol to the Conven- Direcção-Geral de Política Externa, 7 de Agosto de
tion on the Rights of the Child on Involvement of 2008. — O Subdirector-Geral para os Assuntos Multila-
Children in Armed Conflict and would like to recall terais, António Manuel Ricoca Freire.
that according to customary international law as codified
in the Vienna Convention on the Law of Treaties, a
reservation incompatible with the object and purpose
of the Convention shall not be permitted. MINISTÉRIO DO TRABALHO
The Government of Norway therefore objects to E DA SOLIDARIEDADE SOCIAL
the aforesaid reservations made by the Government of
the Sultanate of Oman to the Optional Protocol to the Portaria n.º 938/2008
Convention on the Rights of the Child on Involvement
of Children in Armed Conflict. This objection does de 20 de Agosto
not preclude the entry into force, in its entirety, of the As alterações do contrato colectivo de trabalho entre a
Convention between Norway and the Sultanate of Oman, APICCAPS — Associação Portuguesa dos Industriais de
without the latter benefiting from these reservations. Calçado, Componentes e artigos de Pele e seus Sucedâneos
9 December 2005.» e a FESETE — Federação dos Sindicatos dos Trabalha-
dores Têxteis, Lanifícios, Vestuário, Calçado e Peles de
Tradução Portugal, publicadas no Boletim do Trabalho e Emprego,
n.º 14, de 15 de Abril de 2008, abrangem as relações de
O Secretário-Geral da Organização das Nações Uni- trabalho entre empregadores fabricantes de calçado, malas,
das, agindo na sua qualidade de depositário, comunica o componentes para calçado e luvas e trabalhadores ao seu
seguinte: serviço, uns e outros representados pelas associações que
A comunicação acima referida foi efectuada a 2 de De- as outorgaram.
zembro de 2005. As associações subscritoras requereram a extensão das
A Noruega examinou a segunda e terceira reservas referidas alterações aos empregadores e trabalhadores não
formuladas pelo Governo do Sultanato de Oman a 17 de representados pelas associações outorgantes e que, no
Setembro de 2004, aquando da adesão ao Protocolo Facul- território nacional, se dediquem à mesma actividade.
tativo à Convenção sobre os Direitos da Criança Relativo As alterações da convenção actualizam as tabelas sa-
à Participação de Crianças em Conflitos Armados (Nova lariais. O estudo de avaliação do impacte da extensão das
Iorque, 25 de Maio de 2000). Tais reservas referem-se tabelas salariais teve por base as retribuições efectivas pra-
não só ao direito islâmico ou ao direito interno, como ticadas nos sectores abrangidos pela convenção, apuradas
também aos limites impostos pelos recursos financeiros pelos quadros de pessoal de 2005 e actualizadas com base
disponíveis. no aumento percentual médio das tabelas salariais das con-
O Governo Norueguês entende que estas reservas de venções publicadas nos anos intermédios. Os trabalhadores
âmbito alargado suscitam dúvidas quanto ao total empe- a tempo completo do sector abrangido pela convenção, com
nhamento do Sultanato de Oman de concretizar o objecto exclusão dos praticantes, aprendizes e do residual (que
e a finalidade do Protocolo Facultativo à Convenção sobre inclui o ignorado), são 26 931, dos quais 19 012 (70,6 %)
os Direitos da Criança Relativo à Participação de Crianças auferem retribuições inferiores às convencionais, sendo
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que 6139 (22,8 %) auferem retribuições inferiores às da previstas na convenção não representados pela associação
convenção em mais de 7 %. São as empresas dos escalões sindical outorgante.
de dimensão entre 51 e 200 trabalhadores que empregam o
maior número de trabalhadores com retribuições inferiores 2 — As retribuições do praticante previstas em todas as
às convencionais. tabelas salariais apenas são objecto de extensão em situa-
A convenção procede, ainda, à actualização do subsídio ções em que sejam superiores à retribuição mínima mensal
de alimentação, com um acréscimo de 5,26 %. Não se dis- garantida resultante da redução relacionada com o traba-
põe de dados estatísticos que permitam avaliar o impacte lhador, de acordo com o artigo 209.º da Lei n.º 35/2004,
desta prestação. Considerando a finalidade da extensão e de 29 de Julho.
porque a mesma prestação foi objecto de extensões ante-
riores, justifica-se incluí-la na extensão. Artigo 2.º
As retribuições fixadas para o praticante em todas as 1 — A presente portaria entra em vigor no 5.º dia após
tabelas salariais são inferiores à retribuição mínima men- a sua publicação no Diário da República.
sal garantida em vigor. No entanto, a retribuição mínima 2 — A tabela salarial e o valor do subsídio de alimenta-
mensal garantida pode ser objecto de reduções relaciona- ção produzem efeitos desde 1 de Fevereiro de 2008.
das com o trabalhador, de acordo com o artigo 209.º da 3 — Os encargos resultantes da retroactividade podem
Lei n.º 35/2004, de 29 de Julho. Deste modo, as referidas ser satisfeitos em prestações mensais de igual valor, com
retribuições apenas são objecto de extensão para abranger início no mês seguinte ao da entrada em vigor da presente
situações em que a retribuição mínima mensal garantida portaria, correspondendo cada prestação a dois meses de
resultante da redução seja inferior àquelas. retroactividade ou fracção e até ao limite de quatro.
Com vista a aproximar os estatutos laborais dos traba-
lhadores e as condições de concorrência entre as empresas O Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, José
dos sectores de actividade abrangidos pela convenção, a António Fonseca Vieira da Silva, em 6 de Agosto de 2008.
extensão assegura para as tabelas salariais e para o subsídio
de alimentação retroactividade idêntica à da convenção. Portaria n.º 939/2008
A extensão da convenção tem, no plano social, o efeito de 20 de Agosto
de uniformizar as condições mínimas de trabalho dos traba-
lhadores e, no plano económico, o de aproximar as condi- As alterações do contrato colectivo de trabalho entre
ções de concorrência entre empresas dos mesmos sectores. a ARESP — Associação da Restauração e Similares de
Embora a convenção tenha área nacional, a extensão de Portugal e a FETESE — Federação dos Sindicatos dos
convenções colectivas nas Regiões Autónomas compete Trabalhadores de Serviços e outro (cantinas, refeitórios e
aos respectivos Governos Regionais, pelo que a extensão fábricas de refeições), publicadas no Boletim do Trabalho
será aplicável no território do continente. e Emprego, n.º 13, de 8 de Abril de 2008, abrangem as
Foi publicado aviso relativo à presente extensão no relações de trabalho entre empregadores que, no território
Boletim do Trabalho e Emprego, n.º 25, de 8 de Julho de nacional, se dediquem à actividade de exploração em re-
2008, ao qual não foi deduzida oposição por parte dos gime de concessão e com fins lucrativos de cantinas e refei-
interessados. tórios e ao fabrico de refeições a servir fora das respectivas
Assim: instalações e trabalhadores ao seu serviço, uns e outros
representados pelas associações que as outorgaram.
Manda o Governo, pelo Ministro do Trabalho e da So-
As associações subscritoras requereram a extensão das
lidariedade Social, ao abrigo dos n.os 1 e 3 do artigo 575.º
alterações às relações de trabalho entre empregadores e
do Código do Trabalho, o seguinte:
trabalhadores não representados pelas associações outor-
gantes que se dediquem à mesma actividade.
Artigo 1.º As alterações actualizam a tabela salarial. O estudo de
1 — As condições de trabalho constantes das altera- avaliação do impacte da extensão da tabela salarial teve por
ções do contrato colectivo de trabalho entre a APIC- base as retribuições efectivas praticadas no sector abran-
CAPS — Associação Portuguesa dos Industriais de Cal- gido pela convenção, apuradas pelos quadros de pessoal de
çado, Componentes e artigos de Pele e seus Sucedâneos e 2005 e actualizadas com base no aumento percentual médio
a FESETE — Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das tabelas salariais das convenções publicadas em 2006
Têxteis, Lanifícios, Vestuário, Calçado e Peles de Portugal, e 2007. Os trabalhadores a tempo completo deste sector,
publicadas no Boletim do Trabalho e Emprego, n.º 14, com exclusão dos aprendizes, dos praticantes e do residual
de 15 de Abril de 2008, são estendidas, no território do (que inclui o ignorado), são 10 969, dos quais 805 (7,3 %)
continente: auferem retribuições inferiores às da convenção, sendo
que 365 (3,3 %) auferem retribuições inferiores às da con-
a) Às relações de trabalho entre empregadores fabrican- venção em mais de 9,4 %. É nas empresas do escalão de
tes de calçado, malas, componentes para calçado e luvas dimensão com mais de 200 trabalhadores que se encontra o
não filiados na associação de empregadores outorgante e maior número de trabalhadores com retribuições inferiores
trabalhadores ao seu serviço das profissões e categorias às da convenção.
profissionais nele previstas; A convenção actualiza, ainda, o subsídio de alimentação,
b) Às relações de trabalho entre empregadores que exer- em 5,4 %, e o valor pecuniário da alimentação, em 5,4 %
çam a actividade económica referida na alínea anterior, e 5,5 %. Não se dispõe de dados estatísticos que permi-
filiados na associação de empregadores outorgante e tra- tam avaliar o impacte destas prestações. Considerando a
balhadores ao seu serviço das categorias profissionais finalidade da extensão e que as mesmas prestações foram
5768 Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
objecto de extensões anteriores, justifica-se incluí-las na 2 — As tabelas salariais e as cláusulas de conteúdo
extensão. pecuniário, que a convenção determina que produzem
Com vista a aproximar os estatutos laborais dos traba- efeitos a partir de 1 de Janeiro de 2007 e de 1 de Janeiro
lhadores e as condições de concorrência entre as empresas de 2008, produzem efeitos no âmbito da presente extensão
do sector de actividade abrangido, a extensão assegura para a partir das mesmas datas.
a tabela salarial e para as cláusulas de conteúdo pecuniário 3 — Os encargos resultantes da retroactividade podem
retroactividades idênticas às da convenção.
Na área da convenção, a actividade de exploração de ser satisfeitos em prestações mensais de igual valor, com
cantinas e refeitórios e de fabrico de refeições é, também, início no mês seguinte ao da entrada em vigor da presente
regulada por outras convenções colectivas celebradas por portaria, correspondendo cada prestação a dois meses de
diferentes associações de empregadores, pelo que é conve- retroactividade ou fracção e até ao limite de seis.
niente assegurar, na medida do possível, a uniformização O Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social,
do estatuto laboral em cada empresa.
José António Fonseca Vieira da Silva, em 6 de Agosto
A extensão das alterações da convenção tem, no plano
social, o efeito de uniformizar as condições mínimas de de 2008.
trabalho dos trabalhadores e, no plano económico, o de
aproximar as condições de concorrência entre empresas
do mesmo sector. REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA
Embora a convenção tenha área nacional, a extensão de
convenções colectivas nas Regiões Autónomas compete Assembleia Legislativa
aos respectivos Governos Regionais, pelo que a extensão
apenas é aplicável no território do continente.
Foi publicado o aviso relativo à presente extensão no Decreto Legislativo Regional n.º 37/2008/M
Boletim do Trabalho e Emprego, n.º 24, de 29 de Junho
de 2008, à qual não foi deduzida oposição por parte dos Adapta à Região Autónoma da Madeira a certificação electrónica
interessados. do estatuto de micro, pequena e média empresas (PME), criada
Assim: pelo Decreto-Lei n.º 372/2007, de 6 de Novembro.
Manda o Governo, pelo Ministro do Trabalho e da So- Considerando que o Decreto-Lei n.º 372/2007, de 6
lidariedade Social, ao abrigo dos n.os 1 e 3 do artigo 575.º
do Código do Trabalho, o seguinte: de Novembro, criou a certificação por via electrónica do
estatuto de micro, pequena e média empresas (adiante
Artigo 1.º designadas por PME), definido nos termos da Recomen-
dação n.º 2003/361/CE, da Comissão Europeia, de 6 de
1 — As condições de trabalho constantes das alterações Maio;
do contrato colectivo de trabalho entre a ARESP — As-
Considerando que no âmbito do referido diploma a
sociação da Restauração e Similares de Portugal e a FE-
TESE — Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores de certificação de PME online compete ao Instituto de Apoio
Serviços e outro (cantinas, refeitórios e fábricas de re- às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação;
feições), publicadas no Boletim do Trabalho e Emprego, Considerando que a certificação electrónica de PME
n.º 13, de 8 de Abril de 2008, são estendidas, no território permite simplificar, racionalizar e automatizar um for-
do continente: malismo necessário e obrigatório para muitas empresas
a) Às relações de trabalho entre empregadores não que necessitam de comprovar o seu estatuto de PME para
filiados na associação de empregadores outorgante que poderem, designadamente, candidatar-se aos fundos co-
explorem em regime de concessão e com fins lucrativos munitários;
cantinas e refeitórios e os que se dediquem ao fabrico Considerando que o Decreto Legislativo Regional
de refeições a servir fora das respectivas instalações e n.º 17/2007/M, de 12 de Novembro, define os princípios
trabalhadores ao seu serviço das profissões e categorias a que deve obedecer a organização da administração directa
profissionais nelas previstas; e indirecta da Região Autónoma da Madeira, sempre nor-
b) Às relações de trabalho entre empregadores filiados teados pela prossecução do interesse público concretizada
na associação de empregadores outorgante que prossigam na prestação de serviços orientados para os cidadãos, racio-
a actividade referida na alínea anterior e trabalhadores ao nalidade e celeridade dos procedimentos administrativos,
seu serviço, das profissões e categorias profissionais pre-
eficácia na prossecução dos objectivos, recurso a novas
vistas na convenção, não representados pelas associações
sindicais outorgantes. tecnologias, entre outros;
Considerando, ainda, que o Instituto de Desenvolvi-
2 — A extensão determinada na alínea a) do número an- mento Empresarial da Região Autónoma da Madeira, abre-
terior não se aplica às empresas filiadas na APHORT — As- viadamente designado por IDE-RAM, tem por missão
sociação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo a promoção do desenvolvimento empresarial e o apoio,
e na HRCENTRO — Associação dos Industriais de Hote- directo ou indirecto, ao fortalecimento e modernização das
laria e Restauração do Centro. estruturas empresariais da Região Autónoma da Madeira,
nos sectores secundário e terciário, em especial no que se
Artigo 2.º refere às pequenas e médias empresas;
1 — A presente portaria entra em vigor no 5.º dia após Considerando, por fim, que se revela do maior interesse
a sua publicação no Diário da República. para as empresas sedeadas na Região Autónoma da Ma-
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008 5769
deira que o processo de certificação definido supra seja Decreto Legislativo Regional n.º 38/2008/M
efectuado por uma entidade regional:
Assim: Aprova o Plano Regional da Água da Região
A Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Autónoma da Madeira
Madeira, nos termos da alínea a) do n.º 1 do artigo 227.º A água é um recurso natural endógeno de grande im-
e do artigo 228.º, ambos da Constituição da República portância estratégica para a Região Autónoma da Madeira
Portuguesa, da alínea c) do n.º 1 do artigo 37.º do Estatuto que, como espaço insular, deve proteger e valorizar este
Político-Administrativo da Região Autónoma da Madeira, recurso dada a limitação de alternativas ambientalmente
aprovado pela Lei n.º 13/91, de 5 de Junho, com as altera- sustentadas e economicamente viáveis. A água tem uma
ções introduzidas pelas Leis n.os 130/99, de 21 de Agosto, utilização transversal a todas as actividades produtivas,
assumindo por isso também uma extrema relevância social
e 12/2000, de 21 de Junho, decreta o seguinte:
e económica.
Nesse contexto, a gestão moderna dos recursos hídricos
Artigo 1.º implica a definição de uma adequada política de planea-
Objecto e âmbito mento, no âmbito da qual assume primacial importância
o Plano Regional da Água da Madeira, o qual visa a va-
1 — O presente diploma adapta à Região Autónoma lorização, a protecção e a gestão equilibrada dos recursos
da Madeira a certificação, por via electrónica, do estatuto hídricos regionais, bem como a sua harmonização com as
de micro, pequena e média empresas, adiante designadas diversas actividades económicas mediante a racionalização
por PME, prevista no Decreto-Lei n.º 372/2007, de 6 de dos seus usos.
Novembro. O Plano Regional da Água assenta numa abordagem
2 — O disposto no presente diploma aplica-se a todas as conjunta e interligada de aspectos técnicos, económicos,
empresas sedeadas na Região Autónoma da Madeira. ambientais e institucionais e envolve os diversos utilizado-
res da água, com o fito de estabelecer, de forma estruturada
e programática, uma estratégia de gestão integrada, que
Artigo 2.º
promova a utilização racional da água, em articulação com
Competências o ordenamento do território e a conservação e a protecção
do ambiente.
1 — As referências feitas, bem como as competências A essencialidade do meio hídrico regional à vida eco-
atribuídas, no Decreto-Lei n.º 372/2007, de 6 de Novem- nómica e social impõe a gestão optimizada e integrada
bro, ao Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas da água na óptica da preservação, valorização, raciona-
e à Inovação consideram-se reportadas e serão exercidas, lização das utilizações e sustentabilidade dos recursos
na Região Autónoma da Madeira, pelo Instituto de Desen- hídricos regionais, contribuindo para o desenvolvimento
volvimento Empresarial da Região Autónoma da Madeira regional ambientalmente sustentado, compatibilizando a
(IDE-RAM), o qual disponibiliza o formulário electrónico qualidade do meio hídrico regional e de todos os ecos-
sistemas que dele dependem com os interesses das po-
no seu portal na Internet (www.ideram.pt), garantindo a
pulações.
sua fiabilidade e segurança. Em convergência com os objectivos preconizados na
2 — As referências feitas ao Ministério da Economia e Directiva n.º 2000/60/CE, do Parlamento Europeu e do
Inovação consideram-se reportadas à Vice-Presidência do Conselho, de 22 de Dezembro, no domínio da política
Governo da Região Autónoma da Madeira. da água, bem como em coerência com a Lei n.º 58/2005,
3 — As referências feitas ao Estado consideram-se re- de 29 de Dezembro, complementada pelo Decreto-Lei
portadas à Região Autónoma da Madeira. n.º 77/2006, de 30 de Março, o Plano Regional da Água
aborda e integra as diversas políticas sectoriais em ma-
Artigo 3.º téria de água, tendo em vista a prossecução de uma po-
lítica coerente e eficaz ao nível dos recursos hídricos
Entrada em vigor regionais.
O presente diploma entra em vigor no 1.º dia do mês O Plano Regional da Água envolveu vários documentos
e relatórios técnicos que estiveram na base da respectiva
seguinte ao da sua publicação.
elaboração, dos quais se destaca o documento para con-
Aprovado em sessão plenária da Assembleia Legislativa sulta pública, que se encontram disponíveis para consulta
nas instalações da Secretaria Regional do Ambiente e
da Região Autónoma da Madeira em 29 de Julho de 2008.
dos Recursos Naturais, enquanto documentos comple-
O Presidente da Assembleia Legislativa, José Miguel mentares.
Jardim d’Olival Mendonça. Não obstante a maioria de os trabalhos técnicos do
Plano Regional da Água se encontrarem concluídos já
Assinado em 7 de Agosto de 2008. há algum tempo, a aprovação final do Plano foi con-
dicionada pelas delongas verificadas na aprovação da
Publique-se. Lei da Água e da respectiva legislação complementar,
o que determinou a necessidade de aguardar a publi-
O Representante da República para a Região Autónoma cação da legislação nacional, bem como a necessidade
da Madeira, Antero Alves Monteiro Diniz. de preparar a respectiva adaptação à Região Autónoma
5770 Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
da Madeira, a fim de se garantir eficácia e coerência a Artigo 5.º
este instrumento de planeamento dos recursos hídricos
Acompanhamento do Plano Regional da Água
regionais com a devida salvaguarda das especificidades
regionais. 1 — O acompanhamento e a supervisão da execução
O Plano Regional da Água obedece aos princípios e às do PRAM cabem à Direcção Regional do Ambiente, na
exigências legais em matéria de participação pública em qualidade de autoridade regional da água, sem prejuízo
procedimentos administrativos. das demais entidades que detenham responsabilidades na
Foram ouvidas a Associação de Municípios da Região gestão dos recursos hídricos.
Autónoma da Madeira e a Delegação Regional da Asso- 2 — Para cumprimento do disposto no número anterior,
ciação Nacional de Freguesias. a Direcção Regional do Ambiente pode solicitar a cola-
boração que considere necessária às demais entidades da
Assim:
administração regional e local, as quais devem prestá-la
A Assembleia Legislativa da Madeira decreta, ao abrigo nos moldes solicitados.
das alíneas a) do n.º 1 do artigo 227.º da Constituição
da República Portuguesa e j) do artigo 40.º do Estatuto Artigo 6.º
Político-Administrativo da Região Autónoma da Madeira,
aprovado pela Lei n.º 13/91, de 5 de Junho, na redacção e Avaliação da execução do Plano Regional da Água
numeração das Leis n.os 130/99, de 21 de Agosto, e 12/2000, Compete à Direcção Regional do Ambiente, no âmbito
de 21 de Junho, o seguinte: da avaliação da execução do Plano Regional da Água:
Artigo 1.º a) Promover a permanente avaliação da concretização
do Plano Regional da Água;
Objecto b) Realizar as consultas e solicitar toda a documen-
tação necessária aos diversos serviços da administração
É aprovado o Plano Regional da Água da Região Au- regional e da administração local, os quais devem res-
tónoma da Madeira, adiante abreviadamente designado ponder atempadamente, facultando todas as informações
por PRAM, anexo único ao presente Decreto Legislativo solicitadas;
Regional, do qual faz parte integrante. c) Realizar os contactos com a comunidade científica e
a participação dos cidadãos;
Artigo 2.º d) Elaborar um relatório de avaliação bienal que deverá
conter, nomeadamente, uma avaliação da situação actual,
Natureza e fins
uma análise do cumprimento dos objectivos e uma análise
1 — O Plano Regional da Água consubstancia o instru- dos programas propostos;
mento de planeamento de recursos hídricos, de natureza e) Efectuar em 2008 e 2012, para além da avaliação
estratégica e operacional, que consagra os fundamentos a que se refere a alínea anterior, avaliações intercalares,
e as grandes opções da política regional em matéria de asseguradas por entidade independente, contendo, no-
recursos hídricos, tendo como principal objectivo a de- meadamente, uma análise da evolução do desempenho
finição de uma política sustentável e integrada de gestão anual do plano e uma proposta, devidamente fundamen-
tada, de eventuais ajustes programáticos ao respectivo
da água.
conteúdo;
2 — O Plano Regional da Água materializa a participa-
f) Avaliação externa final, que deverá ocorrer antes da
ção da Região no Plano Nacional da Água, articulando-se, revisão do Plano Regional da Água;
de forma solidária, com os seus princípios e orientações. g) Proceder à divulgação pública dos resultados dos
processos de avaliação a que se referem as alíneas d), e)
Artigo 3.º e f) do presente artigo.
Vigência e revisão
Artigo 7.º
1 — O Plano Regional da Água vigora pelo prazo de
Entrada em vigor
10 anos, devendo ser revisto decorridos 8 anos sobre a data
da entrada em vigor deste diploma. O Plano Regional da Água entra em vigor no dia se-
2 — O PRAM pode ser revisto caso se verifique uma guinte ao da publicação do presente diploma.
necessidade significativa de reponderação dos interesses
públicos que prossegue. Aprovado em sessão plenária da Assembleia Legislativa
da Região Autónoma da Madeira em 23 de Julho de 2008.
Artigo 4.º O Presidente da Assembleia Legislativa, José Miguel
Articulação com outros planos
Jardim d’Olival Mendonça.
As acções e medidas definidas no PRAM devem ser Assinado em 8 de Agosto de 2008.
previstas em todos os instrumentos de planeamento que Publique-se.
definam ou determinem a ocupação física do solo, desig-
nadamente planos regionais e municipais de ordenamento O Representante da República para a Região Autónoma
do território. da Madeira, Antero Alves Monteiro Diniz.
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008 5771
ANEXO ÚNICO h) Águas residuais industriais: águas residuais prove-
nientes de qualquer tipo de actividade que não possam ser
Plano Regional da Água da Região Autónoma da Madeira classificadas como águas residuais domésticas nem sejam
águas pluviais;
I — Aspectos gerais i) Águas residuais urbanas: águas residuais domésticas
ou mistura destas com águas residuais industriais e, ou,
1 — Natureza, fins e âmbito com águas pluviais;
O PRAM é um instrumento de planeamento que tem j) Bacia hidrográfica: a área terrestre a partir da qual
como objectivo proteger os recursos hídricos regionais, no todas as águas flúem para o mar, através de uma sequência
contexto geral de desenvolvimento sustentável, qualidade de ribeiras ou ribeiros, desembocando numa única foz,
de vida dos habitantes, satisfação das necessidades relativas entendendo-se por sub-bacia hidrográfica a mesma área
às actividades económicas e protecção do meio ambiente terrestre a partir da qual todas as águas fluem para um
da Região Autónoma da Madeira (RAM). determinado ponto de um curso de água;
O PRAM concretiza a participação da Região no pro- k) Domínio hídrico: compreende os terrenos da faixa
cesso de planeamento dos recursos hídricos, conformando- da costa e demais águas sujeitas à influência das marés, as
-se com os princípios estratégicos e programáticos do Plano correntes de água, lagos ou lagoas, com seus leitos, mar-
Nacional da Água (PNA), sem prejuízo do reconhecimento gens e zonas adjacentes, com o respectivo subsolo e espaço
das especificidades e idiossincrasias regionais. aéreo correspondente, bem como as águas subterrâneas.
O PRAM incorpora uma componente estratégica e uma O domínio hídrico compreende o domínio público hídrico
outra operacional e, nesse sentido, articula-se com um a que se refere a Lei n.º 54/2005, de 15 de Novembro, e o
conjunto base de conceitos metodológicos: princípios de domínio hídrico privado estabelecido nos artigos 1385.º
planeamento, linhas de orientação estratégica, objectivos, e seguintes do Código Civil;
programas e projectos. A componente estratégica revela- l) Leito: terreno coberto pelas águas, quando não in-
-se nos princípios e linhas de orientação e a componente fluenciadas por cheias extraordinárias, inundações ou
operacional nos objectivos e na definição dos programas tempestades, nele se incluindo os mouchões, lodeiros e
e projectos. areais nele formados por deposição aluvial, sendo o leito
O PRAM incide sobre todo o domínio hídrico do Ar- limitado limitado pela linha da máxima preia-mar das águas
quipélago da Madeira seja público ou privado e sobre as vivas equinociais, no caso de águas sujeitas à influência
águas interiores (de superfície e subterrâneas), de transição das marés;
e costeiras. m) Linha de base: linha que constitui a delimitação in-
terior das águas costeiras, das águas territoriais e da zona
2 — Definições económica exclusiva e a delimitação exterior das águas
do mar interiores;
Para efeitos do disposto no presente diploma entende- n) Perdas: todos os consumos não medidos, o que signi-
-se por: fica que, além das perdas reais (fugas de água), abrangem
a) Águas costeiras: águas superficiais situadas entre também as utilizações não quantificadas;
terra e uma linha cujos pontos se encontram a uma distância o) Recarga: quantidade de água que, num determinado
de uma milha náutica, na direcção do mar, a partir do ponto período de tempo, aumenta o volume de água subterrânea
mais próximo da linha de base a partir da qual é medida a armazenada num corpo hídrico subterrâneo; pode-se con-
delimitação das águas territoriais, estendendo-se, quando siderar como fontes de recarga, a recarga por infiltração
aplicável, até ao limite exterior das águas de transição; da água da chuva, a recarga a partir de corpos hídricos
b) Águas de transição: águas superficiais na proximi- superficiais (cursos de água, lagoas, albufeiras, etc.) e a
dade das fozes das linhas de água, que têm um carácter recarga por escoamento de água proveniente de outros
parcialmente salgado em resultado da proximidade de corpos hídricos subterrâneos.
águas costeiras, mas que são também significativamente
influenciadas por cursos de água doce; 3 — Unidades hidrológicas de planeamento
c) Águas interiores: águas superficiais lênticas ou lóticas Para efeitos da avaliação consistente do balanço hídrico
(correntes) e todas as águas subterrâneas que se encontram regional no âmbito do PRAM e das acções de planeamento
do lado terrestre da linha de base a partir da qual são mar- e de monitorização da situação hidrológica e hidráulica
cadas as águas territoriais; no âmbito da implementação do PRAM, considera-se o
d) Águas subterrâneas: águas que se encontram abaixo arquipélago da Madeira dividido nas seguintes unidades
da superfície do solo, na zona de saturação, e em contacto homogéneas, no que respeita aos aspectos quantitativos
directo com o solo ou com o subsolo; das disponibilidades e das necessidades de água:
e) Águas superficiais: as águas interiores, com excepção
das águas subterrâneas, das águas de transição e das águas - UHP Vertente Norte (Ilha da Madeira), com 325,8 km2,
costeiras; incluindo-se nesta categoria, no que se refere ao que abrange totalmente os concelhos de Porto Moniz,
estado químico, as águas territoriais; Santana e São Vicente e parcialmente os concelhos da
f) Aquífero: uma ou mais camadas subterrâneas de rocha Calheta, Ponta do Sol e Machico;
ou outros estratos geológicos suficientemente porosos e - UHP Vertente Sul Oeste (Ilha da Madeira), com
permeáveis para permitirem um escoamento significativo 182,2 km2, que engloba totalmente o concelho de Ribeira
de águas subterrâneas ou a captação de quantidades signi- Brava e parcialmente os concelhos da Calheta e Ponta do Sol;
ficativas de águas subterrâneas; - UHP Vertente Sul Este (Ilha da Madeira), com
g) Águas residuais domésticas: águas residuais de servi- 234,1 km2, que engloba totalmente os concelhos do Fun-
ços e de instalações residenciais, essencialmente provenien- chal, Santa Cruz, Câmara de Lobos e parcialmente o con-
tes do metabolismo humano e de actividades domésticas; celho de Machico;
5772 Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
- UHP Porto Santo, com uma área de 43 km2; pítulo 7; t. II — Memória Descritiva — Capítulo 8 a Ca-
- UHP Desertas, com uma área de 14 km2; pítulo 10; t. III — Memória Descritiva — Capítulo 11 a
- UHP Selvagens, com uma área de 3 km2. Capítulo 15; t. IV — Memória Descritiva — Anexos I
a V; t. V — Memória Descritiva — Anexos VI a IX; t.
4 — Relações do plano com outros instrumentos VI — Memória Descritiva — Resumo Não Técnico.
de planeamento 2ª Parte — Definição de Objectivos e Medidas: t. I — Me-
As acções e medidas definidas no PRAM devem ser pre- mória Descritiva; t. II — Anexo — Fichas de Objectivos;
vistas em todos os instrumentos de planeamento que definam 3ª Parte — Estratégias de Implementação;
ou determinem a ocupação física do solo, designadamente 4ª Parte — Programação Física e Financeira: t. I — Me-
planos regionais e municipais de ordenamento do território. mória Descritiva; t. II — Anexo — Fichas de Projectos;
O PRAM deve ser considerado, à luz do disposto na Lei 5ª Parte — Promoção, Acompanhamento e Avaliação
n.º 48/98, de 11 de Agosto e no Decreto-Lei n.º 380/99, de da Aplicação do PRAM;
22 de Setembro, alterado, entre outros diplomas, pela Lei 6ª Parte — Normas Regulamentares.
n.º 58/2005, de 29 de Dezembro, que estabelecem as bases Os estudos que suportaram a caracterização e o diag-
e as normas da política de ordenamento do território e de nóstico da situação dos recursos hídricos, no âmbito da
urbanismo, como um instrumento de política sectorial e realização do PRAM, abrangem as seguintes 13 áreas
consequentemente como instrumento de gestão territorial temáticas:
de natureza sectorial. 1 — Análise biofísica;
Assim, de acordo com a citada legislação, o PRAM vin- 2 — Análise socio-económica;
cula as entidades públicas, traduzindo, por outro lado, um 3 — Usos e ocupação do solo;
compromisso recíproco de compatibilização com outros 4 — Sistemas de planeamento territorial;
planos sectoriais, os planos especiais e os planos regionais 5 — Características e disponibilidades de recursos hí-
de ordenamento do território. dricos;
Os planos municipais e intermunicipais de ordenamento 6 — Usos e necessidades de água;
do território devem, pois, acautelar a programação e con- 7 — Balanço disponibilidades-necessidades;
cretização das políticas de desenvolvimento económico- 8 — Qualidade e poluição de águas;
-social e de ambiente, com incidência espacial, promovida 9 — Protecção da natureza e qualidade ecológica;
pela administração, através dos Planos Sectoriais. 10 — Usos e ocupações do domínio hídrico;
Neste contexto, o PRAM enquadra-se na estratégia de 11 — Situações de risco;
política de ordenamento do território, assegurando a com- 12 — Análise económica das utilizações da água;
patibilização com o Plano de Ordenamento do Território 13 — Quadro normativo e institucional.
da Região Autónoma da Madeira (POTRAM) e o Plano de
Ordenamento Turístico (POT) que, em futuras revisões, de- 6 — Princípios gerais e linhas de orientação estratégica
verão assumir a normativa respeitante à protecção e valori-
zação dos recursos hídricos estabelecida no presente Plano. 6.1 — Princípios gerais
Quanto aos Planos de Ordenamento da Orla Costeira,
estes deverão compatibilizar-se com o quadro normativo Constituem princípios gerais do PRAM:
definido pelo PRAM, nomeadamente no que se refere ao a) Princípio do valor social da água, que consagra o
ordenamento, usos e ocupações do domínio hídrico. acesso universal à agua para as necessidades humanas
Assim, o PRAM deverá desempenhar um papel es- básicas, a custo socialmente aceitável, e sem constituir
tratégico nas directrizes a definir para o ordenamento do factor de discriminação ou exclusão;
domínio hídrico, apontando simultaneamente as principais b) Princípio da dimensão ambiental da água, nos termos
orientações no sentido de conciliar as dinâmicas de trans- do qual se reconhece a necessidade de um elevado nível
formação socio-económicas regionais com as questões de protecção da água, de modo a garantir a sua utilização
relacionadas com a racionalização do recurso água, de sustentável;
importância estratégica para o território. c) Princípio do valor económico da água, por força do
qual se consagra o reconhecimento da escassez actual ou
5 — Conteúdo e documentos complementares potencial deste recurso e a necessidade de garantir a sua
O PRAM visa satisfazer necessidades específicas da utilização economicamente eficiente, com a recuperação
Região Autónoma da Madeira, em matéria de planeamento dos custos dos serviços das águas, mesmo em termos am-
e gestão de recursos hídricos, incluindo as seguintes par- bientais e de recursos, e tendo por base os princípios do
tes: I — Aspectos gerais; II — Caracterização e diag- poluidor-pagador e do utilizador-pagador;
nóstico; III — Objectivos; IV — Programas de medidas; d) Princípio de gestão integrada das águas e dos ecos-
V — Avaliação de objectivos e medidas; VI — Estratégias sistemas aquáticos e terrestres associados e zonas húmidas
de implementação; VII — Programação física e finan- deles directamente dependentes por força do qual importa
ceira; VIII — Promoção, acompanhamento e avaliação desenvolver uma actuação em que se atenda simultanea-
do PRAM; Anexos cartográficos. mente a aspectos quantitativos e qualitativos, condição
O PRAM fundamentou-se num conjunto de estudos para o desenvolvimento sustentável;
técnicos para a caracterização e o diagnóstico da situação e) Princípio da precaução, nos termos do qual as medi-
dos recursos hídricos, incluindo relatórios complementa- das destinadas a evitar o impacte negativo de uma acção
res que podem ser consultados na Secretaria Regional do sobre o ambiente devem ser adoptadas, mesmo na ausência
de certeza científica da existência de uma relação causa-
Ambiente e dos Recursos Naturais (SRA):
-efeito entre eles;
1ª Parte — Caracterização e Diagnóstico da Situação f) Princípio da prevenção, por força do qual as acções
Actual: t. I — Memória Descritiva — Capítulo 1 a Ca- com efeitos negativos no ambiente devem ser consideradas
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008 5773
de forma antecipada por forma a eliminar as próprias cau- ao exterior, exigindo constantes adaptações das políticas
sas de alteração do ambiente ou reduzir os seus impactes económicas e de ambiente;
quando tal não seja possível; s) Princípio da implementabilidade, nos termos do qual
g) Princípio da correcção, prioritariamente na fonte, na gestão dos recursos hídricos deve-se assegurar que os
dos danos causados ao ambiente e da imposição ao emis- diversos agentes envolvidos, públicos e privados, têm capa-
sor poluente de medidas de correcção e recuperação dos cidade para implementar as medidas e acções adoptadas;
respectivos custos; t) Princípio da sustentabilidade, por força do qual na
h) Princípio da cooperação, que assenta no reconheci- gestão dos recursos hídricos, todas as utilizações devem
mento de que a protecção das águas constitui atribuição garantir a preservação dos próprios recursos e do meio
da administração e dever dos particulares; ambiente para as gerações futuras.
i) Princípio do elevado nível de protecção, nos termos
do qual a política de ambiente, em geral, e dos recursos 6.2 — Linhas de orientação estratégica
hídricos, em particular, não deve ser balizada pelos níveis São objectivos estratégicos do PRAM:
mínimos aceitáveis de protecção dos recursos;
j) Princípio da integração, por força do qual a política a) A contínua melhoria e garantia do abastecimento
de ambiente, em geral, e dos recursos hídricos, em par- de água às populações e às actividades económicas, en-
ticular, deverá visar a integração dos diferentes recursos, globando o abastecimento urbano, o regadio agrícola e a
objectivos, medidas e políticas; hidroenergia;
k) Princípio do uso das melhores tecnologias disponíveis b) A protecção e o controlo da poluição do meio hídrico
na resolução dos problemas ambientais, em geral, e dos regional;
recursos hídricos, em particular; c) A protecção dos ecossistemas aquáticos e dos demais
l) Princípio do utilizador-pagador, que engloba o prin- sistemas naturais relevantes para a protecção dos recursos
cípio do poluidor-pagador, mediante o qual será objectivo hídricos regionais;
primordial da política de ambiente, em geral, e dos recur- d) A minimização dos riscos naturais ou induzidos no
sos hídricos, em particular, a internalização dos custos da meio hídrico regional pelas actividades humanas;
utilização e da protecção dos recursos, incluindo os custos e) O desenvolvimento e implementação de sistemas de
de oportunidade gerados pela escassez dos recursos; planeamento e gestão do meio hídrico regional, incluindo
m) Princípio da eficiência económica, nos termos do o seu ordenamento e ocupação;
qual as estratégias a adoptar na implementação do PRAM f) A implementação de um quadro normativo, regula-
deverão obedecer a princípios de eficiência económica, mentar e legislativo regional do domínio da protecção e
isto é, as estratégias devem ser seleccionadas de modo a utilização do domínio hídrico em convergência com as
maximizar os benefícios líquidos, devendo a selecção das disposições nacionais e comunitárias sobre a matéria;
soluções a adoptar para resolver um determinado problema g) A valorização do meio hídrico regional e sustenta-
atender a critérios de custo/eficácia; bilidade económico-financeira das actividades associadas
n) Princípio da subsidiariedade, por força do qual os ao domínio da água;
actos de gestão de recursos hídricos deverão ser cometidos h) A monitorização contínua, a inventariação e cadastro
às instâncias da administração que estão em melhores con- com especial relevância para os recursos hídricos, ecossis-
dições para os tomar, em função da natureza dos problemas temas e actividades associadas ao meio hídrico regional;
e das consequências das decisões; i) A organização institucional e social, a informação e a
o) Princípio da equidade, nos termos do qual na gestão participação das populações no processo de planeamento
dos recursos hídricos dever-se-á procurar alcançar uma e gestão dos recursos hídricos regionais;
justa distribuição dos custos e dos benefícios das decisões j) O conhecimento e investigação;
tomadas, pelos agentes envolvidos; k) A avaliação sistemática do Plano Regional da Água.
p) Princípio da solidariedade e coesão regional, por
força do qual na gestão dos recursos hídricos deverão ser II — Caracterização e diagnóstico
respeitados os princípios da solidariedade e da coesão O percurso histórico da Madeira evidencia uma forte
regional, não devendo a gestão integrada dos recursos relação entre o homem e a água. Com um desenvolvimento
hídricos contribuir para criar ou agravar assimetrias sociais suportado numa economia agrícola até um passado recente,
ou administrativas; desde cedo se tornou inevitável a construção de um sistema
q) Princípio da transparência e participação, nos termos de regadio por transferência de água — as levadas — capaz
do qual na formulação das opções dos planos de recursos de compensar um regime pluviométrico com uma distri-
hídricos deverão ser criadas as condições para que os dife- buição espacial e geográfica desvantajosa, se bem que
rentes grupos e sectores de utilizadores, grupos de defesa favorável no contexto das ilhas atlânticas.
do ambiente, comunidade científica e público em geral, A natureza peculiar das levadas, cuja construção foi
através das respectivas organizações representativas, pos- suportada por uma prescrição régia de 1493 que reforçava
sam formular e exprimir as suas opiniões, que deverão ser o vínculo da água à terra determinando a constituição de
devidamente consideradas nas decisões a tomar; servidões de aqueduto e impedindo a interferência privada
r) Princípio da flexibilidade, por força do qual no pla- nas operações de gestão e de funcionamento de canais en-
neamento e na gestão dos recursos hídricos as medidas e tre as origens de água e os terrenos por elas beneficiados,
acções adoptadas devem ser flexíveis, permitindo o ajusta- implicou na consagração de um regime jurídico específico
mento adaptativo das soluções a situações futuras incertas, que, em muitos períodos, contrastou com a legislação
atendendo, nomeadamente, quer à incerteza da evolução aplicável ao restante espaço português.
dos sistemas naturais, quer à incerteza da evolução dos A par da iniciativa pública foram, ao longo dos tempos,
diferentes sectores de actividades económicas devido às surgindo levadas particulares — conhecidas por levadas de
características da economia regional, de mercado aberta heréus — administradas por aqueles que as construíam e que,
5774 Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
por essa via, sobre elas detinham direitos de propriedade, A Constituição da República Portuguesa, em 1976, criou
assumindo responsabilidades de gestão e de manutenção um novo regime político-administrativo para a Região Au-
mediante acordo e fiscalização do Juiz da Levada — figura tónoma da Madeira, conferindo à Assembleia Legislativa
posteriormente extinta e substituída pelas associações de he- Regional poderes para legislar em matérias de interesse es-
réus ou de levadas que, em alguns casos, ainda hoje subsistem. pecífico para a Região, das quais se destacam os recursos
O Código do Direito Civil de 1867, seguindo uma ten- hídricos. É nesse contexto que, em 1977, se atribuiu ao Go-
dência codificadora da Europa no século XIX, não salva- verno Regional a administração das águas públicas de rega,
guardou a situação específica das águas da Madeira fomen- sobretudo as conduzidas pela obra da CAAHM ou principais
tando a apropriação das águas. Não obstante consagrar a levadas expropriadas nas décadas de 40, 50 e 60 do século XX.
Coroa como único proprietário das águas que abasteciam Em 1991 foi criado o Instituto de Gestão da Água, poste-
as levadas, os heréus passaram a sentir-se como seus únicos riormente transformado em sociedade anónima de capitais
e legítimos possuidores e dos caudais que as alimentavam. exclusivamente públicos em 2000. Como resultado de uma
Da mesma forma, proprietários de terrenos com nascentes política em matéria de água encetada pela IGA, natural-
arrogaram-se seus proprietários legítimos subvertendo a mente a par de outras iniciativas públicas desenvolvidas
natureza pública dos recursos hídricos. Esta situação foi pelo Governo Regional, pelos municípios e pela Empresa
tacitamente reconhecida pelos poderes públicos, o que de Electricidade da Madeira, foi possível atingir, num es-
significava que a uma situação jurídica correspondia uma paço temporal muito curto, um elevado grau de satisfação
situação de facto claramente distinta. no abastecimento público traduzido por alguns indicadores
As águas deixaram de acompanhar os prédios nas suas fundamentais: 90 % da população madeirense beneficia de
transmissões e passaram a constituir objecto de arrenda- sistemas de abastecimento em alta que permitem transva-
mento ou de alienação autónoma, a título oneroso ou gra- zar águas excedentárias para zonas urbanas deficitárias,
tuito, tornando-se comum a venda de terrenos com reserva 96 % é servida por redes públicas de distribuição com
de água ou a venda de água com reserva de terrenos. tratamento adequado e a totalidade das águas fornecidas
Na tentativa da resolução desse problema a Administração para consumo humano é controlada segundo as normas
Central reconheceu, em 1914, os direitos adquiridos pelos nacionais e comunitárias em vigor. Resulta portanto que
usos e costumes das levadas de heréus reportados à data da ao longo dos últimos anos tem sido notório o empenho da
publicação do Código Civil de 1867, incluindo o direito de Região na melhoria dos serviços públicos de distribuição
cada heréu em relação à água comum. Foi assim introduzido de água às populações, garantindo hoje um elevado grau
o direito de propriedade sobre determinadas águas que, por de atendimento através de grandes sistemas adutores e de
esta via, deixaram de estar vinculadas às necessidades da tratamento de água para consumo humano. Com recurso a
terra, tornando-se um bem de titularidade trespassável, objecto importantes fundos comunitários, a Região deu início, num
de comércio jurídico, mesmo que desintegradas de prédios. passado recente, à exploração de novas origens de água
A indisciplina que então se instalou no regadio com potável, reforçou as aduções, implementou uma capacidade
graves consequências económicas e sociais na ilha da Ma- de tratamento de água compatível com as normas legais
deira motivou, em 1939, a constituição de uma comissão em vigor, aumentou a capacidade de armazenamento de
de estudos hidráulicos com o objectivo de implementar um água potável e introduziu medidas de controlo da quali-
novo plano hidráulico conducente à resolução do problema dade da água a nível regional. As principais origens de
do regadio. Inicia-se assim uma nova fase dos aproveita- água da Ilha da Madeira foram interligadas através de um
mentos hidráulicos na Madeira. grande sistema hidráulico de abrangência intermunicipal,
Em 1943 essa comissão — que deu origem à Comis- inteiramente automatizado e capaz de transvazar águas ex-
são Administrativa dos Aproveitamentos Hidráulicos da cedentárias para outras zonas urbanas deficitárias cobrindo
Madeira (CAAHM) — elaborou e implementou um plano toda a encosta Sudeste da Ilha da Madeira, privilegiando
de uma valia técnica e estratégia notáveis que, num curto as utilizações das águas gravíticas e maximizando o poten-
espaço temporal, permitiu irrigar mais de 20 mil hectares cial hidroenergético das águas de abastecimento público.
de terras de cultivo e instalar uma capacidade de produção Estas acções, complementadas por uma séria de outras da
hidroenergética superior a 17 mil KVA na Madeira. iniciativa dos municípios, permitiram assegurar o forne-
Os diplomas legais que criaram e consubstanciaram cimento de água potável à quase totalidade da população
a actividade da CAAHM acabaram por consagrar a es- num espaço de tempo relativamente curto.
tatização das principais levadas da ilha da Madeira que, Tendo nessa fase sido dada prioridade ao abastecimento
assim, retornaram à alçada dos poderes públicos através da público de água potável, o sector do regadio agrícola aca-
aquisição ou da expropriação de terrenos, de águas parti- bou por sofrer os reflexos decorrentes da limitação dos
culares e de outros direitos. Foi travada a comercialização recursos hídricos regionais em termos de quantidade, sendo
de águas feitas por heréus que não tivessem terrenos na indispensável a implentação de reformas no modelo de
área dominada pelas respectivas levadas, reafirmando-se gestão no sector hidro-agrícola.
o princípio básico da vinculação das águas à terra. No sector do saneamento básico, onde se encontram em
Em 1947 foi publicado o Decreto-lei n.º 36136 que execução diversas infra-estruturas, é evidente o esforço
definiu a situação jurídica dos heréus face a novos apro- da Região na convergência com as disposições insertas
veitamentos hidráulicos sem reconhecimento de posições nas normas comunitárias vigentes. Da multiplicidade dos
adquiridas, fixando indemnizações e diferentes taxas de trabalhos em curso resultará, a muito curto prazo, uma
utilização que, combinadas entre si, atingiram os objectivos eficiente rede de drenagem em toda a Região, incluindo
pretendidos de forma ponderada e justa. o tratamento de águas residuais urbanas e a rejeição de
A obra da CAAHM, com as necessárias ampliações e efluentes tratados em condições compatíveis com a legisla-
melhorias, ainda hoje se mantém actual e essencial à vida ção em vigor, com possibilidade de reaproveitamento para
económica regional, constituindo parte importante do apro- compensação do regadio na ilha da Madeira com águas re-
veitamento do domínio hídrico da ilha da Madeira. cicladas, a exemplo do que já ocorre na ilha do Porto Santo.
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Da mesma forma ressalta, na presente data, a preocu- uma área significativa, sendo as zonas mais importantes
pação com aspectos de qualidade ambiental e de garantia os ilhéus de Cal, de Ferro, de Fonte de Areia, de Fora, das
de saúde pública no sector dos resíduos sólidos urbanos Cenouras, de Cima e o Pico Branco.
e hospitalares. Para este facto muito contribuiu a entrada As características climáticas da Ilha da Madeira são
em funcionamento da moderna Estação de Tratamento fortemente influenciadas pela sua localização geográfica e
de Resíduos Sólidos Urbanos, a crescente reciclagem de pelo seu relevo acentuado, do que resulta uma variabilidade
produtos e a desactivação de aterros não controlados, a na distribuição dos valores de precipitação e de tempera-
que se associam obras em curso tendentes à constituição tura. Na Ilha da Madeira, a temperatura média anual do ar
de estações de transferência e triagem de interesse inter- varia entre os 9°C e os 19°C, verificando-se os valores mais
municipal. altos na vertente Sul. Na Ilha do Porto Santo, a temperatura
É neste contexto que foi efectuada a caracterização e o média diária ronda os 18°C. As temperaturas inferiores a
diagnóstico dos recursos hídricos da RAM com o objectivo 0°C são raras no arquipélago e ocorrem apenas nas áreas
do desenvolvimento do PRAM, cujas conclusões apontam, mais elevadas da Ilha da Madeira (Paúl da Serra e Areeiro),
na generalidade, para a continuidade e o incremento de durante cerca de 10 a 13 dias, em média, anualmente. Na
determinadas acções já em curso. Ilha da Madeira, os ventos predominantes são do rumo N
e NE, com frequência que não ultrapassa 40 %. Já no Porto
1 — Síntese da Caracterização Santo, são claramente dominantes os ventos do rumo N,
O arquipélago da Madeira, com uma área total de com a frequência de cerca de 33 %.
802 km2, compreende as Ilhas da Madeira e do Porto De acordo com critérios simples de classificação, o
Santo e dois grupos de Ilhas sem população permanente, clima da Ilha da Madeira é, quanto à temperatura, frio
as Desertas e as Selvagens. A Ilha da Madeira, a principal nas áreas elevadas e temperado (temperatura média anual
Ilha do arquipélago, com uma área de 742 km2, possui um do ar entre cerca de 13°C e 19°C) e oceânico (amplitude
relevo muito acentuado e formas vigorosas, com vales média da variação anual da temperatura do ar inferior a
muito encaixados e profundos. A altitude média da Ilha 10°C); quanto à humidade do ar: seco (humidade relativa
da Madeira é de 646 m, situando-se apenas 8 % da área anual média do ar às 9 horas inferior a 75 %), na zona do
abaixo dos 100 m de altitude. O declive médio da Ilha é Funchal e Lugar de Baixo, nas restantes zonas é húmido;
de 56 %, o que evidencia o seu relevo acentuado. A Ilha quanto à precipitação: moderadamente chuvoso (precipita-
do Porto Santo, com uma área de 43 km2, está localizada ção anual média entre 500 mm e 1 000 mm) na maior parte
a cerca de 28 milhas a Nordeste da Ilha da Madeira e da área da vertente Sul próxima do mar e excessivamente
possui um relevo suave, sobressaindo da superfície rela- chuvoso (precipitação superior a 1 000 mm) nas áreas mais
tivamente plana vários relevos, sendo o Pico do Facho o elevadas. Na Ilha do Porto Santo, o clima é temperado,
mais elevado (517 m). Cerca de 40 % desta Ilha encontra-se oceânico, húmido e semi-árido.
abaixo de 50 m de altitude e a maior parte da área (54 %) Os solos mais representativos na Ilha da Madeira são
situa-se entre 50 m e 200 m. A altitude média é de 86 m e os Andossolos, em cerca de 42 % da área total da Ilha, e
o declive médio é de 26 %, evidenciando um relevo muito distribuindo-se por toda a Ilha, exceptuando-se a Zona
mais suave. Central, que é predominantemente ocupada por escarpas.
A população residente no arquipélago (censos de 2001) Os terrenos acidentados vêm logo a seguir aos Andossolos,
totaliza 245 012 habitantes, dos quais 240 538 habitam a com 37,7 % da área ocupada. Na Ilha do Porto Santo, os
Ilha da Madeira e 4 474 a Ilha de Porto Santo. A popu- solos predominantes são os Calcissolos, que ocupam cerca
lação flutuante média diária em 2001 situa-se na ordem de 40 % da Ilha.
dos 14 757 visitantes sendo que, destes, 1 971 respeitam Relativamente à hidrogeologia, na Ilha da Madeira, os
ao Porto Santo. recursos hídricos subterrâneos correspondem a três tipos
No que respeita aos usos e ocupações do solo, na Ilha de aquíferos: os aquíferos suspensos, situados em altitude
da Madeira, a superfície florestal ocupa mais de metade e associados aos níveis permeáveis ou impermeáveis das
da Ilha (52 %), seguindo-se os espaços naturais (25 %) e rochas, sendo identificados pela ocorrência de nascentes;
a área agrícola, na ordem dos 18 %. A área social ocupa os aquíferos compartimentados, que resultam da intensa
apenas 5 % da Ilha, encontrando-se a maior parte na ver- compartimentação da Ilha da Madeira; e o aquífero vulcâ-
tente Sul. Quanto aos espaços naturais e ou de protecção nico, que parece ocorrer a partir de determinada profundi-
há a referir o Parque Natural da Madeira, que abrange dade e tem propriedades distintas conforme as formações
a maioria do território da Ilha (cerca de dois terços), e geológicas em que está instalado. Na Ilha do Porto Santo,
as reservas naturais, nomeadamente a Reserva Natural os recursos hídricos subterrâneos correspondem a quatro
do Garajau, a Reserva Natural da Rocha do Navio e as zonas distintas: Zona Nordeste, englobando toda a parte da
Áreas Protegidas no Meio Marinho. O Parque Natural da Ilha situada para leste da ribeira do Tanque; a Zona Central,
Madeira compreende diferentes áreas que, pelo elevado englobando os terrenos situados entre a ribeira do Tanque
valor biológico e ou paisagístico, importância científica, e uma linha passando pelo Campo de Baixo, Campo de
carácter e raridade, representatividade ou vulnerabilidade Cima, Bárbara Gomes e Alagoas; a Zona Meridional, que
dos seus componentes naturais, se destacam das outras engloba uma faixa de terreno paralela à costa e situada
zonas do território. Relativamente à Ilha do Porto Santo, entre a Cidade e a Ponta da Calheta; e a Zona Sudoeste,
a rocha mãe aflora em quase toda a Ilha e as culturas que compreende a parte da Ilha a oeste do Aeroporto e não
são praticadas em terrenos pobres que apresentam com incluída nas Zonas Central e Meridional.
frequência profundos barrancos. Nesta Ilha predomina a No que concerne aos recursos hídricos superficiais,
aridez sendo o uso agrícola do solo pouco variado e do dadas as suas características muito particulares, a sua
tipo extensivo, predominando a vinha no centro da Ilha. A avaliação na Ilha da Madeira foi decomposta em duas
ocupação agrícola representa cerca de 10 % da área total parcelas: uma respeita aos escoamentos que, propagando-
e a floresta exótica 15 %. Os espaços naturais ocupam -se à superfície do terreno, se admite representarem as
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respostas directas às precipitações ocorrentes nas bacias águas subterrâneas são reduzidas, estimando-se em cerca
hidrográficas e a outra, à contribuição das reservas subter- de 1 mm (0,04 × 106 m³).
râneas e do escoamento hipodérmico para os escoamentos As necessidades anuais de água na Ilha da Madeira
ocorrentes nas linhas de água. Os valores da precipitação para o abastecimento urbano (inclui o abastecimento das
anual média na Ilha da Madeira variam entre cerca de populações residente e flutuante e das indústrias ligadas
600 mm na costa Sul, 1000 mm na costa Norte e 2850 mm à rede de distribuição) são de cerca de 52,2 × 106 m³, dos
a 3000 mm nas zonas de maiores altitudes situadas na zona quais 85 % corresponde ao abastecimento da população
central. A variação sazonal da precipitação é muito acen- residente, Administração Pública, serviços, etc., repartindo-
tuada, ocorrendo cerca de 80 % do total anual no semestre -se os restantes 15 % pelo abastecimento industrial (3 %)
húmido, com os valores máximos no mês de Novembro e pelo turismo (12 %). As necessidades de água para as
e os mínimos no mês de Julho. A precipitação anual mé- indústrias com origens próprias e as localizadas em par-
dia é de 1628 mm, sendo a precipitação em ano seco de ques industriais rondam os 0,6 × 106 m³ (destes, 10 %
1296 mm e em ano húmido de 1952 mm. Na Ilha do Porto correspondem aos consumos da estação de tratamento de
Santo, a precipitação anual média é de 355 mm. Em ano resíduos sólidos urbanos (ETRSU) da Meia Serra). Na
seco, a precipitação é de 276 mm e em ano húmido é de Ilha da Madeira, as necessidades de água para o sector
433 mm, com pequena variação espacial. Nesta Ilha, os agrícola atingem, em ano médio, cerca de 50,6 × 106 m³,
valores máximos de precipitação ocorrem em Novembro dos quais aproximadamente 22,8 × 106 m³ (45 %) não são
e Janeiro (cerca de 58 mm) e os valores mínimos em Julho aproveitados pelas culturas, isto é, correspondem a perdas
(cerca de 2 mm). O volume anual médio do escoamento na adução, na distribuição e nas próprias parcelas regadas.
superficial potencial na Ilha da Madeira é da ordem de Os consumos efectivos nesta Ilha são portanto da ordem
784 mm (582 × 106 m³). Relativamente à Ilha do Porto dos 28,0 × 106 m3 para uma área irrigável de 4710 ha.
Santo, estima-se que o volume do escoamento anual médio Para a actividade pecuária, as necessidades de água na
ronde os 12 mm (0,52 × 106 m³). Ilha da Madeira são da ordem dos 0,2 × 106 m3, dos quais
Os cursos de água das Ilhas da Madeira e do Porto Santo cerca de 20 % serão consumos efectivos e os restantes
são de carácter torrencial, reflectindo o relevo das Ilhas e 80 % correspondem aos retornos. Os volumes de água
o regime de precipitação. As ribeiras da Ilha da Madeira turbinados, utilizados para produção de energia eléctrica
apresentam características típicas de rios de montanha, na Ilha da Madeira, atingem cerca de 93 × 106 m3, sendo
correndo em vales geralmente profundos e estreitos. Quase de salientar que mais de 50 % deste volume turbinado é
todas as principais ribeiras apresentam desníveis superiores também utilizado para outros fins, pois o volume restituído,
a 1 200 m e extensões que raramente atingem os 20 km. A próximo do mar, nas centrais de Inverno, é de cerca
de 44 × 106 m3 — valor naturalmente muito variável em
vertente Norte da Ilha é sulcada por numerosas e pequenas
função das características dos anos hidrológicos, sendo
ribeiras, as quais, mesmo no Verão, apresentam caudal,
de salientar que mais de 50 % deste volume turbinado é
embora diminuto, contrariamente às ribeiras da encosta Sul
também utilizado para outros fins a cotas inferiores. Na Ilha
da Ilha, que praticamente secam no período estival. Para a
do Porto Santo os consumos de água potável obtida com
permanência do escoamento nalgumas ribeiras, contribui recurso à dessalinização da água do mar segundo processos
de forma determinante a estrutura geológica da Ilha. Na de osmose inversa rondaram, em 2005, os 0,800 × 106 m³, a
Ilha do Porto Santo só há escoamentos em pequenos ribei- que acrescem 0,242 × 106 m³ para complemento do regadio
ros de carácter torrencial após as chuvadas que ocorrem ao campo de golfe. Na agricultura e na pecuária do Porto
no Inverno. Os declives são, a partir de cerca de 100 m de Santo as necessidades ascendem a 0,2 × 106 m³, devendo
altitude, muito acentuados (superiores a 30 %). A configu- ainda ser considerado um reforço de 0,28 × 106 m³/ano
ração das bacias de recepção determina, em geral, a rápida de águas recicladas para regadio do campo de golfe. En-
afluência de caudais, embora em períodos curtos, de acordo quanto que, no Porto Santo, as necessidades hídricas são
com o fraco e irregular regime de chuvadas na Ilha. satisfeitas com águas dessalinizadas e águas recicladas
Relativamente às disponibilidades hídricas subterrâ- provenientes do tratamento terceário de águas residuais
neas, verifica-se que as maiores taxas de infiltração e de urbanas, na ilha da Madeira estima-se que 54 % das ne-
recarga dos aquíferos se registam na vertente norte e no cessidades são satisfeitas com águas subterrâneas e 46 %
centro da Ilha da Madeira, atingindo o seu máximo nas com águas superficiais.
zonas elevadas do Paúl da Serra e Zona dos Picos. O va- Relativamente aos sistemas de abastecimento de água,
lor médio anual de recarga dos aquíferos na Ilha da Ma- o nível de atendimento da população residente na Ilha da
deira é de 424 mm (314,6 × 106 m³), dos quais 202 mm Madeira através de redes de abastecimento de água é de
(149,9 × 106 m³) voltam a aparecer novamente à superfície 96 %, sendo de 100 % na Ilha do Porto Santo. Na Ilha da
nos cursos de água devido à contribuição anual média do Madeira, 96 % da população servida consome água tratada
escoamento subterrâneo e hipodérmico. Calcula-se que o sendo que no Porto Santo tal percentagem se eleva a 100 %.
valor anual das extracções directas de águas subterrâneas Quanto às perdas (onde se inclui fugas e consumos não
efectuadas através de galerias, túneis e furos ronda os contabilizados), na Ilha da Madeira estima-se em 62 %
91 mm (67,5 × 106 m3), pelo que a recarga do aquífero de o volume de perdas nos sistemas de abastecimento. Não
base será de cerca de 131 mm (97,2 × 106 m³). Na Ilha do existindo forma de quantificar consumos não facturados e
Porto Santo, devido às suas reduzidas dimensões, consti- perdas na ilha da Madeira por questões relacionadas com
tuições geológica e geomorfológica, são quase ausentes a tipologia das próprias redes públicas de distribuição,
verdadeiros aquíferos com grandes armazenamentos. Nesta aceita-se como válidas as percentagens de 30 % e de 32 %,
Ilha, considera-se que a recarga anual média é de 20 mm respectivamente, para consumos não facturados e para fu-
(0,86 × 106 m³), que a contribuição anual média do es- gas. Na Ilha do Porto Santo, as perdas em rede, incluindo
coamento subterrâneo e hipodérmico para o escoamento os consumos não facturados, foram em 2005 medidas na
superficial é desprezável e que as extracções directas de percentagem apróximada de 30 %.
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Relativamente aos sistemas de drenagem e de tratamento vidade eléctrica que vão desde os 33 até aos 501 µS/cm.
de águas residuais, em 2001, a taxa de cobertura por rede As águas termais que circulam no Complexo Antigo são
de drenagem de águas residuais na Ilha da Madeira era da bastante mais mineralizadas, razão pela qual se considera
ordem dos 44 %, havendo realidades distintas nos diversos algumas delas como águas termominerais, por vezes gaso-
concelhos. Na ilha da Madeira procede-se à construção carbónicas. As águas são geralmente básicas para altitudes
de ETAR’s em todos concelhos da Ilha da Madeira, com inferiores a 1 000 m; acima desta cota os valores de pH
esquemas base de tratamento adequados ao cumprimento tornam-se bastante inferiores. O bicarbonato é, na maio-
da legislação aplicável na matéria, com uma capacidade ria das águas amostradas, o ião mais importante, seguido
instalada adequada a uma taxa de cobertura na ordem dos do cloreto e do sulfato. A Ilha da Madeira não apresenta
60 %, sendo o ano 2008 o prazo máximo para a entrada em problemas significativos de poluição química das suas
funcionamento de diversas infra-estruturas que apontam águas subterrâneas. Quanto à qualidade bacteriológica
para uma taxa de cobertura de 75 %. Na Ilha do Porto dessas águas, o valor percentual das amostras contami-
Santo, a cobertura por rede de drenagem atende pratica- nadas é reduzido. Na Ilha do Porto Santo, a informação
mente a totalidade da população. A totalidade das águas disponível baseia-se fundamentalmente nos resultados de
residuais recolhidas no Porto Santo é convenientemente três campanhas onde foram medidos os parâmetros pH,
tratada numa ETAR segundo metodologias de tratamento condutividade, cloretos, alcalinidade e dureza total e nos
terciário, ficando os efluentes tratados armazenados tanto dados disponibilizados pela IGA — Investimentos e Ges-
nas lagoas inseridas no campo de golfe (com 110 000 m3 tão da Água, verificando-se que quanto às águas naturais
de capacidade total de armazenamento), como na barra- os dados de qualidade analisados permitem concluir que
gem do Tanque (com 130 000 m3 de capacidade total de não apresentam qualidade para consumo humano. Este
armazenamento), para posterior reaproveitamento para re- facto deve-se, sobretudo, à presença teores em cloretos
gadio ou outros usos não diferenciados. O volume total de com valores entre 200 e 5 740 mg/l, razão pela qual não é
águas residuais urbanas produzido na Ilha do Porto Santo utilizada para abastecimento público.
varia em função da época do ano, verificando-se valores No capítulo da protecção da natureza e qualidade eco-
particularmente elevados nos meses do Verão. lógica é de referir que a RAM apresenta uma elevada
Quanto à qualidade das águas superficiais, salienta-se biodiversidade, que se destaca pela endemicidade das es-
como factor positivo o controlo e a boa qualidade das águas pécies e pela relação número/área de espécies endémicas
com maior incidência na saúde pública, como sejam as e autóctones. Note-se que a Região Autónoma da Madeira
captações para abastecimento público e as zonas de banho. viu incluída uma grande parte do seu território (27,5 %)
Determinadas descargas de águas residuais pontualmente na Rede Natura 2000, constituída por 11 sítios. Os ecos-
detectadas em sistemas hídricos superficiais tendem a de- sistemas são muito diversos e, em vários casos, finícolas
crescer, facto que naturalmente decorre da melhoria subs- na sua distribuição, ou seja, também eles são endémicos
tancial da drenagem pública urbana verificada nos últimos e com áreas de distribuição por vezes muito reduzidas.
anos. Na Ilha da Madeira, a concentração populacional e Do sistema dunar da Ilha do Porto Santo à vegetação do
industrial dominante na vertente Sudeste ainda determina, Paúl da Serra na Ilha da Madeira, encontram-se exemplos
pontualmente, uma significativa pressão sobre a qualidade de ecossistemas restritos e simultaneamente com relações
das respectivas águas costeiras não obstante o efeito de biunívocas de dependência em relação ao meio hídrico.
diluição, dispersão e biodegradação pelas águas do mar e Realça-se que os habitats lóticos aquáticos de importância
da existência de alguns sistemas de despoluição associados ecológica a nível regional, dado que possuem elevados
a águas residuais urbanas. Se bem que a qualidade seja boa números de espécies de macroinvertebrados aquáticos
ou razoável em linhas de água, salvo em determinados endémicos e devido ao seu estado natural/semi natural, são
trechos terminais em áreas urbanas, desta situação decorre as nascentes, os habitats madícolas, as ribeiras nas zonas
previsivelmente água de má qualidade em zonas muito cabeceiras (de altitude), as ribeiras e as poças situadas na
restritas na proximidade de pequenas fontes de poluição laurissilva e nas zonas de altitude. Convém proceder-se a
ou em épocas de estiagem quando os caudais próprios não estudos mais aprofundados dos seus habitats, tendo por
permitem ou tornam muito exígua a diluição dos efluentes objectivo a implementação de medidas conducentes a graus
nelas descarregados. Saliente-se também que as captações de protecção ambiental mais apropriados. No âmbito do
de águas superficiais ou mistas, situadas em zonas de cotas PRAM foram realizados estudos em diferentes áreas (p. ex.
relativamente elevadas, não sofrem a influência dessas abordagem sintaxonómica da vegetação do Porto Santo)
descargas, evidenciando sistematicamente característi- ou complementados alguns estudos incipientes (p. ex. ma-
cas estáveis e água de boa qualidade como origens para croinvertebrados do Porto Santo), tendo sido identificadas
abastecimento público. Quanto às águas costeiras, não se zonas sensíveis ou de interesse ecológico relevante nas
observa degradação significativa da qualidade bacterioló- Ilhas da Madeira e do Porto Santo. Destacam-se como
gica da água do mar, mas desconhece-se a qualidade das resultados as novas referências para espécies de macroin-
águas quanto a alguns parâmetros, particularmente nas vertebrados, o estudo da fauna de macroinvertebrados
zonas protegidas pelo seu interesse ecológico (nutrientes, em novos habitats (p.ex. lênticos), bem como uma nova
oxigénio dissolvido). Na Ilha do Porto Santo, a quase apreciação da vegetação ripícola. Foram identificadas as
inexistente presença industrial e o facto de haver apenas principais actividades humanas que contribuem para a de-
um aglomerado populacional com alguma dimensão cujas gradação do meio hídrico, diminuindo a qualidade da água
águas residuais sofrem tratamento terciário leva a que as e dos ecossistemas associados. Referem-se, como as áreas
cargas poluentes afluentes sejam diminutas. que requerem maior protecção, as zonas de nascentes e de
Quanto às águas subterrâneas, na Ilha da Madeira, a cabeceiras das linhas de água da Ilha da Madeira, zonas
sua composição química caracteriza-se, em geral, por de protecção prioritárias de entre as zonas de infiltração
uma mineralização moderada, à excepção das águas da máxima e da rede de drenagem natural. Um dos principais
Ponta do Pargo e de Machico, com valores de conduti- problemas destas zonas — designadamente o decorrente
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da pastorícia em zonas altas — está erradicado, dado que mente efectuadas, de acções de educação ambiental das
o gado em livre pastoreio foi praticamente retirado das populações e por uma maior fiscalização das actividades
serras. Em consequência, já se verifica alguma recupera- desenvolvidas junto às linhas de água.
ção no coberto vegetal natural conduzindo à diminuição, No que respeita à erosão hídrica, podemos individualizar
se bem que ainda incipiente, dos fenómenos da erosão e as principais bacias hidrográficas com maiores riscos de
de arrastamento de sedimentos pelas águas das chuvas, erosão hídrica dos solos da Ilha da Madeira e concluir o
para além das valias associadas à recarga de aquíferos em seguinte: são 14 entre 52, as bacias hidrográficas onde a
determinadas áreas. perda do solo potencial é mais elevada, situando-se 9 na
Quanto aos usos e ocupação do domínio hídrico, os vertente Sul da Ilha. São 11 as bacias hidrográficas onde
principais problemas detectados correspondem à dificul- o risco potencial médio, elevado e muito elevado é supe-
dade de implementação de alguns instrumentos de orde- rior a 90 %. São 12 em 52 as bacias hidrográficas onde a
namento do território e à necessidade de compatibilização perda de solo actual é mais intensa. Destas, 8 situam-se na
dos instrumentos existentes, nomeadamente os Planos vertente sul da Ilha. São 15 as bacias hidrográficas onde
Sectoriais. A não existência de um inventário actualizado a percentagem de área com risco de erosão actual médio,
das ocupações do domínio hídrico constrange a definição elevado e muito elevado é superior a 80 % e 11 situam-se
de medidas de gestão eficazes, apesar da existência de pla- na vertente sul da Ilha. A erosão geológica abrange cerca
nos de ordenamento de território concluídos ou em fase de de 24 % da área da Ilha, onde o declive é mais acentuado,
conclusão. Na Ilha do Porto Santo, o respeito pelas ribeiras com destaque para as zonas de altitude e de arribas altas
conduziu à conservação dos leitos e margens, sendo que a e médias. Destaca-se a necessidade de manutenção dos
maioria das construções efectuadas têm como objectivo o “poios” como medida de minimização da erosão. É de
aproveitamento para abastecimento de água e luta contra a referir que a política ambiental adoptada tende a minimi-
erosão. Nesta Ilha, verificam-se alguns casos de ocupações zar, a prazo, alguns dos efeitos da erosão, dado que no seu
do sistema dunar por equipamentos turísticos, habitações, âmbito estão em curso medidas conducentes à reflorestação
apoios de praia e de pesca, edificações estas já sujeitas a e protecção de cabeceiras de ribeiras, à redução do trans-
controlo por parte das entidades competentes. porte de caudal sólido em linhas de água e à constituição
Quanto às situações de risco abordadas no PRAM, abran- de cinturões verdes em zonas altas através da aquisição
gem as ocorrências de carácter hidrológico extremas: as pública de terrenos.
secas, as cheias e as inundações; a erosão do solo no es- No que respeita aos riscos de poluição, considera-se
paço interfluvial associada aos problemas de transporte dois grandes grupos: os associados às fontes fixas e os
sólido que se verificam nos cursos de água; os riscos de associados às fontes móveis. Nos riscos associados a fontes
poluição associados a fontes de poluição tópica e ainda fixas de poluição identifica-se quatro conjuntos de situa-
outros riscos, entre os quais se destacam os geológicos. ções de natureza diferente, designadamente: (1) situações
Na Ilha da Madeira, as ocorrências mais significativas de associadas a fontes significativas de poluição tópica, assim
situações de seca englobaram toda a Ilha da Madeira e ocor- consideradas pela natureza específica ou pela dimensão
reram de 1943/44 a 1944/45, em 1947/48, em 1950/51, em das instalações em si, ou pelo tipo de poluentes em causa;
1954/55, em 1956/57, em 1960/61, de 1980/81 a 1982/83 e (2) situações correspondentes a instalações de despolui-
de 2003-2004. A seca ocorrida no ano de 1960/61 foi a mais ção de grande dimensão; (3) situações correspondentes a
grave, tendo atingido o período de retorno de 100 anos. armazenamento de substâncias perigosas; (4) situações
Ocorrem secas com alguma frequência, principalmente de poluição difusa.
na zona Sudeste da Ilha da Madeira. Os cenários de seca Os riscos associados à água, com especial incidência
prováveis evidenciaram a necessidade de um plano de para a segurança e qualidade de vida da população nas áreas
acção global que inclui o combate a períodos de seca e a temáticas onde a informação existente permite efectuar
mitigação dos seus efeitos — plano accionado em 2004. uma caracterização suficiente, estão sobretudo relaciona-
Estas medidas de mitigação foram concebidas numa óptica dos com um aterro controlado que ainda subsiste na Ilha
de gestão integrada e racional da água na Ilha. Pelas suas do Porto Santo, se bem que em fase de desactivação (a
características específicas, nomeadamente a existência selagem do aterro controlado está em fase de implementa-
de bacias hidrográficas com reduzidas áreas e elevados ção e inclui a impermeabilização superficial dquela célula
declives de que resultam tempos de concentração muito e ainda o tratamento de biogás através da sua queima),
curtos, a Ilha da Madeira é particularmente propensa à algumas unidades industriais com processos poluentes sem
ocorrência de cheias repentinas (flash floods) a que se as- tratamento de efluentes, ou com tratamentos insuficientes,
sociam, frequentemente, elevados caudais de ponta, como com descarga directa para o meio hídrico ou para as redes
resultado das elevadas intensidades da precipitação que de colectores municipais, bem como determinados aglome-
ocorrem no arquipélago. As cheias repentinas, já de si rados populacionais sem sistemas de tratamento adequado
nefastas pela rapidez da sua ocorrência, já tiveram conse- de águas residuais — problema aplicável apenas a alguns
quências especialmente gravosas na Ilha da Madeira, tal concelhos e sanável no curto prazo atendendo à cons-
como o demonstra a documentação sobre o assunto. Não trução de ETAR´s na generalidade da Região. Os riscos
obstante a relevância do fenómeno, a sua caracterização inerentes ao segundo conjunto, onde se inserem resíduos
é dificultada pela escassez ou mesmo ausência dos dados urbanos e hospitalares, estão minimizados e controlados
hidrométricos. desde a entrada em funcionamento da Estação de Trata-
No que respeita às inundações, tem-se verificado, em mento de Resíduos Sólidos Urbanos de âmbito regional,
muitos locais da Ilha, uma repetição dos efeitos desta ocor- situada na Meia Serra. Esta instalação possui, em pleno
rência. Contudo, estes efeitos negativos são paulatinamente funcionamento, duas linhas de incineração de resíduos
reduzidos na Madeira, situação que naturalmente resulta de sólidos urbanos, aterros sanitários resíduos sólidos urbanos
um conjunto de medidas em curso ao nível da canalização e escórias e aterros sanitários para cinzas inertizadas, uma
das ribeiras, de operações de desassoreamento regular- instalação de compostagem (matéria orgânica recolhida
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008 5779
selectivamente) e duas linhas de incineração de resíduos questão, de ordem quantitativa, reporta-se aos (baixos)
hospitalares e de matadouro. Possui, ainda, uma estação de graus de eficiência da gestão dos sistemas públicos de
tratamento de águas residuais de nível terciário que permite sistemas inerentes às redes de abastecimento e de drenagem
a reutilização de toda a água tratada. No terceiro conjunto de águas residuais, razão que se relaciona com questões
de riscos inclui-se o caso das instalações abrangidas pelo de ordem financeira e operacional. Nesta matéria há que
Decreto-Lei n.º 164/2001, de 23 de Maio, designadamente dar continuidade à política de reformulação do modelo
no que respeita à armazenagem de combustíveis. Nesta de gestão das águas da Madeira em convergência com as
matéria é de se destacar a deslocalização da armazena- recomendações da Directiva n.º 2000/60/CE, normalmente
gem e distribuição de combustíveis da praia Formosa, designada de Directiva Quadro da Água (DQA), que atri-
no concelho do Funchal, para instalações adequadas na bui ao regime económico e financeiro um papel de relevo
Zona Franca do Caniçal, dotada com todas as condições na promoção da melhoria da gestão da água, incluindo a
de controlo e de segurança. Também se incluem outras adopção de medidas preconizadas na Lei n.º 58/2005, de
armazenagens de combustíveis que, embora não tenham 29 de Dezembro e na legislação que decorrerá da aprova-
dimensão para serem abrangidas pela legislação referida, ção desta Lei da Água, designadamente quanto à aplicação
são sujeitas a licenciamento. dos princípios do utilizador-pagador e poluidor-pagador,
No que respeita a fontes móveis de poluição, refere-se tendo presentes igualmente as consequências económicas,
o tráfego marítimo nas costas do Arquipélago da Madeira, sociais e ambientais da sua aplicação.
que constitui potencial fonte de contaminação acidental, A avaliação do quadro normativo e institucional da
sobretudo pelo transporte de hidrocarbonetos e substâncias RAM permitiu identificar alguma sobreposição de com-
perigosas. petências e atribuições das instituições em funcionamento,
Há ainda a ponderar riscos associados à segurança de que ilustram alguns dos problemas que existem e que é
infra-estruturas hidráulicas e à mudança climática glo- necessário resolver com um enquadramento institucional
bal. Os riscos associados à segurança de infra-estruturas mais colado à realidade existente, mais simples e mais
hidráulicas dizem respeito à eventualidade de ocorrência operacional. Estes e outros problemas do mesmo teor cons-
de acidentes conducentes ao colapso total ou parcial de tituem arestas que devem ser limadas, com a reformulação
estruturas contendo um volume de água armazenado ou em que se considerar adequada da situação existente, para
escoamento, o qual possa vir a constituir um perigo para melhorar a sua operacionalidade e eficiência e permitir
jusante. Salienta-se, em particular, o caso de reservatórios, uma melhor satisfação das necessidades dos utilizadores.
condutas de adução, aterros sanitários, entre outros. Os Apesar disso, do ponto de vista institucional, a Região Au-
riscos associados a mudança climática global envolvem tónoma da Madeira tem tentado aumentar a eficiência dos
uma escala de tempo muito superior à do horizonte do instrumentos de que dispõe para fazer essa gestão. Ressalta
PRAM e estão, em grande parte, fora de controlo directo a criação da IGA — Investimentos e Gestão da Água, S. A.,
do Homem. Eventuais variações no regime de pluviosi- e a previsível reestruturação de sectores relevantes da
dade poderão vir a afectar a capacidade da satisfação das água, numa tentativa de flexibilizar a operacionalidade
necessidades de água, exigindo alterações nos circuitos e aumentar a capacidade de cumprir adequadamente as
subjacentes à gestão dos recursos hídricos estabelecidos atribuições e competências nestas áreas. A organização da
com base na situação actual. gestão dos recursos hídricos deve ser feita por forma a inci-
A análise económica das utilizações da água assume dir, de forma integrada, em cada ilha. Deve ser assegurada
especial importância na dupla perspectiva do levantamento, a separação das funções de licenciamento e fiscalização
da caracterização e avaliação dos problemas económicos das actividades com incidência sobre os recursos hídricos
que se colocam à gestão da água, bem como da avaliação das de operação de sistemas, que devem ser exercidas por
dos problemas de índole financeira resultantes da proble- organismos distintos. Um outro aspecto importante é a ne-
mática económica. Está concluído o processo da avalia- cessidade de obter indicadores de eficiência, que permitam
ção dos sistemas públicos de abastecimento de água sob aferir o desempenho dos organismos responsáveis pela
gestão da IGA — Investimentos e Gestão da Água, S. A., gestão dos recursos hídricos. Importa ainda incentivar a
e dos municípios. Em 2005 foram iniciados dois estudos, participação da população no enquadramento definido na
sendo um deles complementar ao anteriormente referido, Directiva Quadro da Água.
envolvendo a vertente do saneamento básico num pro- Quanto aos instrumentos de planeamento territorial na
cesso que deverá estar finalizado até 2008, enquanto que RAM, que têm tido especial atenção ao longo dos últimos
o segundo diz respeito à avaliação económica e finan- anos, estão aprovados e publicados os Planos Directores
ceira do sector público do regadio agrícola, tendo por Municipais dos concelhos regionais que, em conjunto
objectivo a ponderação da futura reforma deste sector a com as disposições insertas no Plano de Ordenamento do
exemplo do sector público do abastecimento de água em território da RAM (POTRAM), os quais fundamentam a
alta. Na primeira daquelas perspectivas — a da análise tomada de decisões em matéria de ordenamento e ocu-
económica — surgem desde logo duas situações, uma de pação do solo. A Região deve ainda contar com Planos
ordem qualitativa e outra de ordem quantitativa, que en- Especiais que assegurem a implementação de medidas
quanto não forem minimamente sanadas remetem para orientadoras das intervenções nas zonas mais sensíveis do
segundo plano quaisquer outros problemas inerentes ao território, incluindo zonas costeiras e áreas de conservação
regime económico-financeiro da gestão da água na RAM: da natureza. Os instrumentos de gestão territorial deverão
a necessidade de reunir informação fiável relativamente a atender a medidas e programas de acções de conservação
tipologias de redes municipais, de tipologias de utilizado- e de valorização dos recursos hídricos e dos ecossistemas
res, de consumos, de custos de exploração e de valores de associados, recorrendo a instrumentos operacionais ao
investimento já realizado, razões que resultam sobretudo seu dispor para efeito da programação e execução das
da adopção de práticas contabilísticas públicas pouco di- medidas propostas num quadro de sustentabilidade dos
reccionadas à definição de centros de custo. A segunda ecossistemas.
5780 Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
2 — Síntese do Diagnóstico baixa). Pela natureza do presente Plano, a síntese do
No quadro 2.1 identificam-se os principais problemas diagnóstico que aqui se apresenta não esgota todo o
e respectivas causas, o âmbito geográfico da sua ocor- leque de problemas, causas e potencialidades que, de
rência, a severidade dos problemas e a frequência e ou certa forma, também caracterizam a situação actual dos
persistência das causas (classificadas em alta, média e recursos hídricos.
Quadro 0.1 — Diagnóstico da situação actual dos recursos hídricos da Região Autónoma da Madeira
1 — Situação sócio-económica
Frequência/
Severidade
Persistência
Problema Causa
A M B A M B
Em geral, baixa rentabilidade da agricultura regional, X Dispersão e pequena dimensão de parcelas agrícolas como facto- X
salvo situações em que já foram introduzidas técnicas res constrangedores do recurso a mecanização da actividade, à
modernas de prática agrícola qual se associam, na maioria dos casos, práticas agrícolas ou
de regadio pouco adequados a uma agricultura moderna.
Baixa qualificação de recursos humanos, especial- X Insuficiências no sistema de qualificação de quadros médios e X
mente no que respeita a uma população envelhe- reduzida participação dos agentes económicos na formação
cida na prática de uma agricultura de subsistência profissional do pessoal (todos os concelhos da RAM)
como actividade complementar, na maioria dos casos
2 — Usos e ocupações do solo
Frequência/
Severidade
Persistência
Problema Causa
A M B A M B
Decréscimo da infiltração e do retardamento das pontas X Destruição do coberto vegetal/erosão do solo/incêndios X
de cheia (todas as bacias hidrográficas, cabeceiras e
zonas de nascentes) Áreas impermeabilizadas pela ocupação do solo agrícola pelo X
uso urbano
Alguma degradação difusa e progressiva da qualidade X Alguma utilização pouco racional de adubos e pesticidas nas X
da água no meio natural (Madeira) zonas agrícolas
Incertezas quanto à evolução dos valores ambientais X Lacunas de conhecimento sobre caracterização biológica e ve- X
associada aos recursos hídricos (Madeira e Porto getação potencial e actual
Santo — todas as bacias hidrográficas)
3 — Sistema de planeamento territorial
Frequência/
Severidade
Persistência
Problema Causa
A M B A M B
Incipiência da relação entre os Planos Sectoriais e Es- X Dificuldade no enquadramento, promoção e aplicação dos Planos X
peciais e o PRAM (Madeira e Porto Santo — todas
as bacias hidrográficas)
4 — Disponibilidades de recursos hídricos
Frequência/
Severidade
Persistência
Problema Causa
A M B A M B
Não uniformidade espaço-temporal das disponibilidades X Condições naturais (características climatológicas e hidrogeo- X
hídricas superficiais (Madeira e Porto Santo — todas lógicas das Ilhas)
as bacias hidrográficas)
Escassez de recursos hídricos superficiais (Porto San- X Condições naturais: clima semi-árido, com baixos valores de precipita- X
to — todas as bacias hidrográficas) ção anual média associada a uma irregular distribuição temporal
Dificuldade em quantificar com a precisão desejável e X Rede hidrométrica e climatológica sem cobertura total do ter- X
necessária os recursos hídricos superficiais potenciais ritório
(Madeira e Porto Santo — todas as bacias hidrográficas)
Existência de factores exógenos (nascentes e levadas) que in- X
terferem com as manifestações superficiais do escoamento e
dificultam a identificação da génese dos caudais superficiais/
subterrâneas e a sua quantificação
X
Insuficiente caracterização da repartição espacial da precipitação
oculta e sua quantificação
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008 5781
Frequência/
Severidade
Persistência
Problema Causa
A M B A M B
Escassez de reservas de água subterrânea (Porto San- X Condições desfavoráveis à infiltração e recarga de aquíferos (ca- X
to — todas as bacias hidrográficas) racterísticas hidrogeológicas, bacias hidrográficas reduzidas,
fraca arborização, etc.)
Conhecimento escasso dos volumes de águas subterrâ- X Insuficientes pontos de medição dos caudais que circulam nas X
neas extraídos nas Ilhas (Madeira e Porto Santo — to- levadas
das as bacias hidrográficas)
Não medição dos caudais de muitas nascentes X
Falta de inventário rigoroso das nascentes X
Falta de medição das extracções difusas X
Lacunas de informação, que não permitem avaliar o grau X Insuficiência de registo contínuo espaço-temporal de níveis X
de sobre exploração dos aquíferos (Madeira — todas piezométricos
as bacias hidrográficas)
5 — Usos e necessidades de água
Frequência/
Severidade
Persistência
Problema Causa
A M B A M B
População servida, se bem que em percentagem muito X Dispersão da população em certas zonas rurais por pequenos X
reduzida, com água não sujeita a tratamento distribuída aglomerados populacionais isolados e muitos sistemas de
por pequenas redes rurais reduzida dimensão, que obrigam à instalação de muitas uni-
dades de tratamento de água.
Elevada parcela de consumos não contabilizados/não X Ausência de instrumentos de apoio à gestão (medição de caudais, X
cobrados (perdas), nos quais se incluem as fugas pressões na rede, etc.)
(Madeira)
Insuficiente manutenção preventiva dos sistemas X
Gestão deficiente dos sistemas X
Consumos excessivos (elevadas capitações) (Madeira) X Tarifários reduzidos X
Questões de natureza sócio-cultural X
Origem de água salgada, com custos de potabilização X Escassez dos recursos hídricos e falta de alternativas técnica e X
muito elevados (Porto Santo) economicamente viáveis
Escassez de água para rega em períodos de maior ne- X Desfasamento temporal e espacial entre necessidades e dispo- X
cessidade e irregularidade no seu fornecimento (Ilha nibilidades dos recursos hídricos
da Madeira — UHP Sul Este e UHP Sul Oeste — e
Porto Santo) Reduzida capacidade de armazenamento devido à orografia e ge- X
ologia da Ilha, o que dificulta a construção de infra-estruturas
para esse efeito, como por exemplo barragens
Aumento do consumo urbano (que tem prioridade em relação à X
agricultura em situações de escassez de água para satisfação
das necessidades conjuntas), situação decorrente da melhoria
da qualidade de vida das populações, da tercealização da acti-
vidade económica, da ampliação das redes públicas municipais
de abastecimento e de elevados níveis de perdas em água nas
redes públicas de distribuição.
Rede de transporte e distribuição da água destinada ao regadio X
desde as origens até junto das parcelas com características
que potenciam perdas
Elevadas perdas de água na rega, quer ao nível das infra- X Sistemas de rega utilizados, onde predomina a rega por gravidade X
-estruturas quer nos próprios terrenos (as perdas totais pelo processo de alagamento
rondam os 45 %) (Madeira)
Fornecimento de água por giros, que por vezes não coincidem X
com as reais necessidades das culturas
Deficiente gestão de contratos de fornecimento de água para rega X
Adução e transporte de água efectuados por uma rede extensa X
de levadas e túneis, com elevados custos de conservação e
de manutenção
5782 Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
Frequência/
Severidade
Persistência
Problema Causa
A M B A M B
Funcionamento das centrais hidroeléctricas abaixo das X Funcionamento a fio de água, sem qualquer regularização (falta X
capacidades instaladas, particularmente no período de estruturas de armazenamento)
de Verão (Madeira)
A produção de energia eléctrica é a última prioridade legalmente X
estabelecida, depois do consumo urbano e da rega
Manutenção e reparação das estruturas de captação e X Rede muito extensa de canais e túneis utilizados no transporte X
adução com custos elevados (Madeira) de água desde as origens até aos destinos finais
Falta de algumas obras de correcção torrencial nas linhas de água, X
com efeito de dissipação de energia, que permitam reduzir os
efeitos destrutivos do transporte sólido sobre as estruturas de
captação de água
Casos pontuais de descarga de águas residuais provenien- X Insuficiência de instalações próprias de tratamento adequadas X
tes de unidades pecuárias em linhas de água e no solo, em unidades pecuárias
sem tratamento prévio adequado (Madeira)
Casos pontuais de descarga de águas residuais industriais X Insuficiência de instalações próprias de tratamento nas unidades X
no solo, em linhas de água e colectores municipais, industriais
sem tratamento prévio adequado (Madeira)
Casos pontuais de descarga no meio natural de águas X Carência de infra-estruturas de drenagem e de tratamento X
residuais urbanas, com níveis de tratamento não ade-
quados à legislação em vigor (Madeira) Dispersão do povoamento e dificuldades técnicas e financeiras X
por parte das entidades responsáveis
6 — Balanço necessidades-disponibilidades
Frequência/
Severidade
Persistência
Problema Causa
A M B A M B
Balanço necessidades/ disponibilidades negativo na UHP X Desfasamento temporal e espacial entre necessidades e dispo- X
Sul Este no trimestre de Julho a Setembro (Madeira) nibilidades dos recursos hídricos
Falta de estruturas de armazenamento para grandes volumes de X
água, que implicam custos elevadíssimos face às condições
fisiográficas, altamente desfavoráveis
Necessidades de água superiores às disponibilidades X Ausência de verdadeiros aquíferos com grandes armazenamentos X
efectivas (Porto Santo)
Precipitação média anual baixa, com a agravante de ocorrer em X
80 % do seu total anual no semestre húmido (de Outubro a
Março), quando as maiores necessidades ocorrem precisa-
mente no período de Verão (de Julho a Setembro)
Só 4 % ou 5 % da precipitação origina escoamento superficial e X
recarga dos aquíferos
Impossibilidade de equacionar com precisão o balanço hí- X Informação insuficiente sobre as transferências efectuadas entre X
drico por bacia ou por UHP (Madeira e Porto Santo) bacias através da extensa rede de levadas e túneis
Insuficiência de medições dos caudais das nascentes e das cap- X
tações superficiais e subterrâneas
Rede higrométrica e climatológica insuficiente X
7 — Qualidade e poluição da água
Frequência/
Severidade
Persistência
Problema Causa
A M B A M B
Risco de descarga de água poluída por lixiviados que X Possível infiltração decorrente do aterro controlado — em fase X
escorrem para o litoral mais próximo (Porto San- de desactivação, sem impermeabilização e sem tratamento
to — parte ocidental) de lixiviados
Casos pontuais de água de má qualidade para fins bal- X Má qualidade bacteriológica e presença de óleos minerais X
neares
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008 5783
Frequência/
Severidade
Persistência
Problema Causa
A M B A M B
Casos pontuais de água poluída em ribeiras, sobretudo X Situações de descarga de poluentes de origem urbana e industrial, X
nas zonas baixas das linhas de água que atravessam elevada concentração de matéria inerte em suspensão ou de
centros urbanos das encostas viradas a sul (Madeira) transporte de material sólido por via da construção de infra-
-estruturas junto a cursos de água.
Desconhecimento do estado da qualidade da água de X Elementos insuficientes de caracterização X
certas linhas de água (Madeira — Rib. Campanário,
Rib. Janela, Rib. Boaventura, Rib. Porco Rib. S. Bar-
tolomeu, Rib. Tabua)
Presença de valores de ferro e magnésio em valor su- X Circulação de água num meio rico em ferro e manganês X
perior ao V.M.A em determinadas águas captadas no
complexo vulcânico antigo — consideradas hidroter-
mais, mais especificamente na Madeira — Galeria da
Fajã da Ama
Presença de matéria orgânica nas águas naturais do Porto X Eventual contaminação difusa X
Santo, se bem que sem qualquer implicação em termos
de saúde pública dado que não são disponibilizadas
para outros fins que não seja a agricultura
Presença de cloretos em furos em águas subterrâneas X Possível intrusão marinha X
naturais do Porto Santo, em zonas costeiras, entre o
Cabeço da Ponta e Calheta
Presença de cloretos em certos aquíferos basais na Ma- X Possível intrusão salina X
deira explorados para abastecimento público, se bem
que em valores significativamente abaixo do V.M.A
Presença de nitratos (60mg/l) num furo explorado para X Adubações excessivas em culturas de bananeiras existentes nas X
fins industriais (Madeira — Ribeira dos Socorridos), margens das linhas de água
valor próximo do V.M.A
8 — Conservação da natureza
Frequência/
Severidade
Persistência
Problema Causa
A M B A M B
Desequilíbrios pontuais nos ecossistemas (Madeira e X Erosão, deposição de inertes, incêndios, poluição tópica e difusa X
Porto Santo) e avanço de infestantes
Degradação em algumas áreas Laurissilva (Madeira, X Construção, incêndios, infestantes, desflorestação, agricultura X
Porto Santo e Desertas)
Degradação das comunidades vegetais autóctones dos X Construção, incêndios, infestantes X
andares infra mediterrânico e termomediterrânico
(baixas altitudes) (RAM)
Expansão das áreas ocupadas por espécies infestantes X Abandono da agricultura e difícil controlo da flora infestante X
(RAM)
Desequilíbrios nas galerias riparias (Madeira e Porto X Construção, depósitos de lixo e entulhos X
Santo)
Lagoas costeiras sujeitas a destruição e artificialização X Construção, aterro, artificialização X
(Madeira — UHP Sul Oeste)
Destruição e ou artificialização dos sistemas lênticos X Aproveitamentos agrícolas, drenagem para construção, imper- X
(Madeira — todas as UHP (Lagoa do Porto Moniz, meabilização para armazenamento de água
Lagoa do Paúl do Mar, Lagoa do Lugar de Baixo e
Lagoa do Santo da Serra)
Conhecimento científico insuficiente sobre a flora (distri- X Insuficientes estudos detalhados X
buição e estudo de conservação de espécies endémicas
e não endémicas, flora exótica e infestantes), flora
micológica (diversidade) invertebrados (moluscos,
anelídeos, aronídeos, diplopedes), avifauna (RAM)
Conhecimento científico insuficiente sobre várias Bioce- X Insuficientes estudos detalhados X
noses (subtidais, costeiras, dulçaquícolas…); habitats
e espécies descritas na Directiva habitats (RAM)
5784 Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
Frequência/
Severidade
Persistência
Problema Causa
A M B A M B
Conhecimento científico insuficiente sobre tipos e ex- X Insuficientes estudos detalhados X
tensão das comunidades vegetais e avaliação da sua
qualidade (RAM)
Conhecimento científico insuficiente sobre habitats aquá- X Insuficientes estudos detalhados X
ticos, nomeadamente lagoas e charcos temporários
(RAM)
9 — Usos e ocupações do domínio hídrico
Frequência/
Severidade
Persistência
Problema Causa
A M B A M B
Alteração do regime de escoamento nas linhas de água X Açudes para rega, infra-estruturas viárias e construções diversas X
(Madeira e Porto Santo)
Erosão dos leitos e das margens das linhas de água (Ma- X Insuficiente coberto vegetal em certas encostas junto às linhas X
deira e Porto Santo — todas as bacias hidrográficas) de água
Património degradado associado aos recursos hídricos X Insuficiente reinvestimento ou manutenção de infra-estruturas X
(Madeira — Zonas agrícolas abandonadas) hidráulicas de regadio agrícola
Poluição de águas costeiras (Madeira e Porto San- X Ocupações urbanas com deficiências ao nível da drenagem e X
to — orla costeira) tratamento de águas residuais
Casos pontuais de vazadouros clandestinos de terras junto a X
linhas de água
Lançamento ou abandono de resíduos em leitos de ribeiras X
Insuficiências no controlo de resíduos e águas residuais em X
portos de pesca
Degradação do sistema dunar (Porto Santo — orla cos- X Ocupações pontuais junto à praia e acessos ao mar na ilha do X
teira) Porto Santo
Erosão costeira (Madeira e Porto Santo — orla cos- X Alterações climáticas e da dinâmica litoral e extracção de inertes, X
teira) sem alternativas, necessários ao mercado regional
10 — Situações de risco
Frequência/
Severidade
Persistência
Problema Causa
A M B A M B
Dificuldade na implementação de um Plano de Con- X Insuficiência de estudos no apoio à compreensão, previsão e X
tingência para períodos de seca e mitigação dos seus avaliação das consequências dos fenómenos de seca e para a
efeitos (Madeira e Porto Santo) formulação de medidas mitigadoras
Ocorrência de cheias e inundações com graves prejuízos X Constrangimentos sobre os cursos de água, especialmente no que X
humanos e materiais (Madeira e Porto Santo — todas respeita à diminuição das respectivas capacidades de vazão
as bacias hidrográficas)
Carácter torrencial do escoamento devido à geomorfologia das X
bacias e à perda de coberto vegetal em algumas zonas altas
Deficiente acção sistemática de desobstrução e limpeza dos leitos X
e trabalhos de regularização
Geomorfologia e erosão e transporte sólido em ribeiras devido à X
perda do coberto vegetal nas bacias e ao lançamento de terras e
entulhos em vazadouros clandestinos junto a linhas de água
Rebentamento acidental de grandes condutas adutoras e obstru- X
ção acidental de canais de transporte de água (levadas)
Situações de grande vulnerabilidade às inundações (tre- X Existência de edificações, designadamente para habitação, em X
chos finais das linhas de água da ilha da Madeira) zonas de risco de inundações
Assoreamento dos trechos finais, menos declivosos, de algumas X
linhas de água
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008 5785
Frequência/
Severidade
Persistência
Problema Causa
A M B A M B
Insuficiente canaliização das linhas de água X
Áreas urbanas costeiras a cotas muito baixas, sem possibilidade X
de escoamento de águas em períodos de precipitação intensa
e de marés vivas
Dificuldade de análise, com a aproximação desejável e X Insuficiente levantamento e reconhecimento das especificida- X
necessária, do fenómeno das cheias na RAM (Madeira des e constrangimentos de que resultam situações de grande
e Porto Santo — todas as bacias hidrográficas) vulnerabilidade à ocorrência de cheias
Rede hidrométrica insuficiente (em número de pontos de medi- X
ção e períodos de registos) que dificulta a adequada análise
do fenómeno das cheias e a consequente previsão
Ocorrência de derrocadas e deslizamentos de terras X Abundância de fracturas na estrutura geológica, morfologia X
(Madeira) acidentada e natureza dos solos, associadas a situações de
precipitação intensa
Perda de coberto vegetal e erosão elevada em zonas de risco X
Subsistência de riscos potenciais de contaminação devido X Insuficiência de medidas de tratamento e de prevenção, a que X
a descargas pontuais de efluentes não tratados no meio acresce a exiguidade do espaço territorial
hídrico (Madeira e Porto Santo)
Derrames acidentais de hidrocarbonetos e outras substân- X Passagem de embarcações com substâncias perigosas, desig- X
cias poluentes no mar (Madeira e Porto Santo) nadamente hidrocarbonetos, nas águas junto ao Arquipélago
da Madeira
Insuficiências ao nível da prevenção e dos planos e meios X Falta de recursos humanos e financeiros das entidades respon- X
de emergência que dêem resposta em caso de acidentes sáveis
graves (Madeira e Porto Santo)
11 — Economia e utilizações da água
Frequência/
Severidade
Persistência
Problema Causa
A M B A M B
Dificuldade de proceder a uma correcta determinação do X Insuficiências dos cadastros das infra-estruturas de utilização e de X
valor económico da água (Madeira e Porto Santo) gestão, falhas na medição dos volumes de água utilizados, co-
nhecimento precário das utilizações e dos utilizadores, etc
Ausência de sistematização de informação económico-financeira X
sobre a exploração dos sistemas. Desconhecimento dos efec-
tivos custos dos serviços públicos de distribuição de água
e de saneamento básico devido a uma contabilidade não
organizada, não reflectindo os custos de amortização e de
reinvestimentos
Ausência de internalização de todos os custos nos preços dos X
serviços de água e de águas residuais
Desequilíbrios financeiros (Madeira e Porto Santo) X Atrasos significativos na cobrança dos serviços de abastecimento X
de águas e de águas residuais
Deficit de tesouraria em determinados serviços de distribuição de X
água de abastecimento público, de águas residuais e de rega,
onde as receitas geradas não cobrem os respectivos custos
Política de preços e estrutura de tarifários desajustadas, face ao X
balanço procura-oferta da água para abastecimento público
e para uso hidroagrícola
Elevado nível de perdas, onde se incluem as fugas de X Antiguidade ou inadequação de redes públicas de distribuição X
rede e os consumos não contabilizados (Madeira e de água e de canais, aliadas a serviços de manutenção de-
Porto Santo) sajustados
Insuficiente cobertura de contadores para medição de consumos X
e gestão inadequada do parque de contadores
Consumos domésticos elevados por questões sócio-culturais X
5786 Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
12 — Quadro normativo e organização institucional
Frequência/
Severidade
Persistência
Problema Causa
A M B A M B
Insuficiente articulação e hierarquização dos Planos de X Deficiência legislativa X
recursos hídricos e restantes instrumentos de planea-
mento (Madeira e Porto Santo)
Baixa eficácia dos organismos e agentes económicos na X Existência de um quadro legal disperso sobre planeamento, X
gestão e intervenção nos recursos hídricos (Madeira licenciamento, fiscalização e inspecção sobre os recursos
e Porto Santo) hídricos
Fraca participação/intervenção das populações na gestão X Insuficiente formação dada aos agentes e insuficientes acções X
dos recursos hídricos, em divergência com a DQA de sensibilização e de divulgação
(Madeira e Porto Santo)
Incumprimento de alguns aspectos de Directivas Comu- X Atrasos a nível nacional na transposição das normas comuni- X
nitárias (Madeira e Porto Santo) tárias
III — Objectivos regadas, embora seja desejável que esta tendência se
verifique a um ritmo menor do que o registado na última
1 — Prognóstico de evolução socio-económica década; continuação do crescimento generalizado do
Para efeitos dos objectivos de planeamento dos re- sector dos serviços em todo o território, especialmente
cursos hídricos, a harmonização do desenvolvimento no que diz respeito ao turismo e às tecnologias de in-
socio-económico e a sustentabilidade do crescimento formação; aumento da população residente temporaria-
económico ditarão, de forma objectiva, as pressões mente na Ilha do Porto Santo provocado, sobretudo, por
sobre os recursos hídricos existentes e as condições um crescimento de segundas habitações de residentes
em que serão utilizados. No PRAM, são considerados permanentes da Ilha da Madeira, mas também pelo
turismo.
dois cenários prováveis de evolução da economia ma-
Um Cenário Superior ou de elevado crescimento,
deirense:
segundo o qual são alteradas de forma positiva e sig-
Um Cenário Central ou de crescimento tendencial,
nificativa as condições actuais de desenvolvimento
segundo o qual se admite a manutenção das condições sócio-económico e de crescimento económico, o que
actuais de desenvolvimento socio-económico e de cres- corresponde à situação máxima de pressão quantitativa
cimento económico. Corresponde à situação mínima sobre os recursos hídricos. Neste contexto, prevê-se que
de pressão quantitativa sobre os recursos hídricos, não o maior crescimento se verifique no período 2012-2020,
sendo previsível que se venha a assistir, no horizonte antecedido de um período de consolidação das metas
temporal do PRAM, a uma inversão significativa dos atingidas no horizonte temporal mais próximo. Assim
indicadores que formatam a situação de referência, sendo, estarão reunidas melhores condições para se
designadamente no futuro mais próximo. Admite-se, operar uma desconcentração e descompressão popula-
neste cenário, que se manterá a tendência para a con- cional e de actividades económicas à volta dos grandes
centração populacional e de actividades económicas à centros urbanos (destaque para a cidade do Funchal).
volta da Zona Central — com grande destaque para o Paralelamente a esta situação, verificar-se-ão também
concelho do Funchal — e que ocorrerão os seguintes outras características cumulativas que completam a
factores: continuação da diminuição da população até enunciação deste cenário: significativo crescimento da
2012, ano a partir do qual se assistirá a um crescimento população entre 2006-2020 relativamente ao passado
moderado da população residente; manutenção da con- recente, mais elevado entre 2012-2020, a traduzir a boa
centração habitacional à volta da cidade do Funchal, situação económica vivida e a atracção de população
com ténue expansão para áreas limítrofes, principal- vinda do exterior; manutenção do crescimento da po-
mente no que se refere à Zona Leste; diminuição das pulação residente à volta das principais áreas mais con-
capitações médias diárias úteis por habitante (apenas centradas (Zona Central, mas com desconcentração da
no abastecimento doméstico) em todo o território da cidade do Funchal), com maior incidência, em primeiro
RAM, basicamente à custa da diminuição das perdas; lugar, na Zonas Leste, seguida da Zona Oeste; cresci-
crescente racionalização das diversas utilizações da mento de população residente permanentemente nestes
água resultante de algumas das medidas preconizadas mesmos locais, provavelmente através da utilização de
pelo PRAM neste domínio, por forma a que, em termos urbanizações especiais, resultando na desconcentração
unitários, os aumentos registados sejam compensados populacional do Funchal e com aproveitamento das no-
por esta optimização dos diferentes usos; manutenção vas vias de ligação terrestre; diminuição das capitações
de bolsas de implantação industrial fora dos grandes médias diárias úteis por habitante (apenas no abasteci-
centros urbanos, como acontece com os parques indus- mento doméstico), principalmente à custa da diminuição
triais existentes, incluindo os parques recentemente das perdas; crescente implementação de medidas de
construídos, ou mesmo com a Zona Franca Industrial; racionalização das diversas utilizações da água, por
manutenção das tendências de crescimento da dinâmica forma a que, em termos unitários, os aumentos sejam
económica protagonizada pela Zona Leste, centrada na compensados até 50 %, pelo menos, por esta optimiza-
área Machico-Santa Cruz, mantendo o ritmo de cres- ção dos diferentes usos, designadamente nas utilizações
cimento actual; continuação da diminuição das áreas baseadas nas redes públicas de abastecimento, através
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008 5787
da implementação de medidas ao nível dos sistemas Ilha da Madeira, com quantitativos mais elevados do
tarifários, da regulamentação do licenciamento e da sen- que os previstos para o “Cenário Central”.
sibilização da população, entre outras; disseminação de Para cada um dos cenários, foram analisados os se-
bolsas de implantação industrial fora dos concelhos mais guintes aspectos: evolução demográfica; abastecimento
urbanizados, embora correspondendo a um crescimento de água e águas residuais — necessidades de água da
ténue do sector secundário; acentuado crescimento da população residente e temporária nas Ilhas da Madeira
dinâmica económica protagonizada pela região centrada e Porto Santo, atendimento com drenagem e tratamento
na zona Machico-Santa Cruz, alargando o seu raio de de águas residuais, e cargas poluentes estimadas de ori-
influência principalmente a norte e a oeste; reconver- gem urbana; agro-pecuária — necessidades de água para
são de algumas das culturas de regadio, embora com a a agricultura e pecuária; indústria — necessidades de água
manutenção das áreas regadas, a par com o registo de para a indústria e evolução das cargas poluentes de origem
significativas melhorias da eficiência de rega das áreas industrial; energia — necessidades de água para a produção
já infra-estruturadas, o que em conjunto se traduz num de energia.
decréscimo das necessidades de água para rega; cresci- A definição de objectivos e medidas foi efectuada para
mento generalizado do sector dos serviços nos mesmos o cenário superior.
termos do previsto para o “Cenário Central”, mas a Nos quadros 1.1 a 1.5 está sintetizada a previsão da
um ritmo de crescimento maior, principalmente no que evolução da população e das necessidades totais de água
respeita ao turismo; aumento da população residente por sector, para cada um dos cenários considerados,
temporariamente na Ilha do Porto Santo provocado, so- identificando-se necessidades globais, da indústria do tu-
bretudo pelo turismo, mas também por um crescimento rismo e da segunda habitação com especial relevância no
de segundas habitações de residentes permanentes da Porto Santo.
QUADRO 1.1
Previsões das utilizações e necessidades de água da população residente com base na caracterização base de 2001
Situação
Cenário central Cenário superior
Referência
Descrição
2001 2008 2012 2020 2008 2012 2020
População Residente (hab.)
Madeira 240 538 238 275 240 112 245 409 242 865 246 941 253 658
Porto Santo 4 474 4 526 4 592 4 685 5 058 5 902 7 362
R.A.M. 245 012 242 801 244 704 250 094 247 923 252 843 261 020
População Servida (hab.)
Madeira 226 605 226 863 232 651 240 715 231 267 239 268 248 799
Porto Santo 4 474 4 526 4 592 4 685 5 058 5 902 7 362
R.A.M. 231 079 231 389 237 243 245 400 236 325 245 170 256 161
Capitações (litros/(hab.dia))
Madeira 506 450 400 340 470 440 390
Porto Santo (1) 280 275 270 260 280 280 280
Caudais não facturados ( %)
Madeira 30 % 28 % 25 % 15 % 28 % 20 % 10 %
Porto Santo 17 % 15 % 10 % 10 % 15 % 10 % 10 %
Fugas ( %)
Madeira 32 % 25 % 20 % 15 % 23 % 19 % 15 %
Porto Santo 16 % 15 % 15 % 15 % 15 % 15 % 15 %
Utilizações (103 m3/ano)
Madeira 15 904 15 278 17 323 20 911 17 060 21 903 26 562
Porto Santo (1) 384 386 385 378 439 513 640
R.A.M. 16 288 15 664 17 708 21 289 17 499 22 416 27 202
Necessidades (103 m3/ano)
Madeira 41 852 37 262 33 967 29 873 39 674 38 426 35 417
Porto Santo (1) 457 454 453 445 517 603 752
R.A.M. 42 309 37 717 34 420 30 317 40 191 39 030 36 169
Necessidades Totais
População Total Residente (103 m3/ano)
Madeira 44 425 39 137 35 056 30 455 41 663 39 659 36 108
Porto Santo 457 454 453 445 517 603 752
R.A.M. 44 882 39 591 35 509 30 900 42 180 40 262 36 861
(1) O valor apresentado não inclui a população residente temporariamente em segunda habitação
5788 Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
QUADRO 1.2
Previsões das utilizações e necessidades de água da população temporária (turismo)
Situação
Cenário central Cenário superior
referência
Descrição
2001 2008 2012 2020 2008 2012 2020
Pop.Servida-Turismo (hab.)
Madeira 12 787 14 792 17 198 20 406 15 185 18 062 21 898
Porto Santo 369 709 1 116 1 660 830 1 383 2 121
R.A.M. 13 156 15 501 18 314 22 066 16 015 19 445 24 019
Pop.Servida-2ª Residência (hab.)
Porto Santo 949 1 459 2 070 2 886 1 670 2 535 3 688
R.A.M. 949 1 459 2 070 2 886 1 670 2 535 3 688
Capitações (litros/(hab.dia))
Madeira 1 345 1 170 1 040 910 1 210 1 100 1 000
Porto Santo 600 595 590 580 600 600 600
Caudais não facturados ( %)
Madeira 30 % 28 % 25 % 15 % 28 % 20 % 10 %
Porto Santo 17 % 15 % 15 % 15 % 15 % 10 % 10 %
Fugas ( %)
Madeira 32 % 25 % 20 % 15 % 23 % 19 % 10 %
Porto Santo 16 % 15 % 15 % 15 % 15 % 15 % 15 %
Utilizações (103 m3/ano)
Madeira 2 373 2 644 3 324 4 745 2 930 3 491 5 091
Porto Santo 242 839 832 818 1 081 1 081 1 081
R.A.M. 2 615 3 483 4 156 5 563 4 011 4 572 6 172
Necessidades Totais (103 m3/ano)
Madeira 6 245 6 296 6 518 6 778 6 685 7 241 7 993
Porto Santo 289 471 686 962 547 858 1 272
R.A.M. 6 534 6 767 7 204 7 740 7 232 8 099 9 265
QUADRO 1.3
Previsão das necessidades de água da população total
Situação
Cenário central Cenário superior
referência
Descrição
2001 2008 2012 2020 2008 2012 2020
Utilizações (103 m3/ano)
Madeira 18 277 17 922 20 647 25 656 19 990 25 394 31 653
Porto Santo 627 786 968 1 196 905 1 242 1 721
R.A.M. 18 904 18 708 21 615 26 852 20 895 26 636 33 374
Necessidades (103 m3/ano)
Madeira 48 097 43 558 40 485 36 651 46 359 45 667 43 410
Porto Santo 746 925 1 139 1 407 1 064 1 461 2 025
R.A.M. 48 843 44 483 41 624 38 058 47 423 47 128 45 435
Necessid. Totais (103 m3/ano)
Madeira 50 670 45 433 41 574 37 233 48 348 46 900 44 101
Porto Santo 746 925 1 139 1 407 1 064 1 461 2 025
R.A.M. 51 416 46 358 42 713 38 640 49 412 48 361 46 126
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008 5789
QUADRO 1.4
Ilha da Madeira — Componentes do balanço disponibilidades–necessidades
Cenário central Cenário superior
Situação
Referência
2008 2012 2020 2008 2012 2020
Necessidades Abastecimento Urbano e industrial 52 900 46 766 42 753 38 384 49 722 48 135 45 359
(× 103 m3)
Centrais hidroeléctricas 93 200 100 000 100 000 100 000 100 000 100 000 100 000
Agricultura e Pecuária 50 800 38 198 34 399 29 978 38 403 35 466 32 945
Totais (sem centrais hidroeléctricas) 103 700 84 964 77 152 68 362 88 125 83 601 78 304
Disponibilidades Recarga Subterrânea Anual Média 315 000
(× 103 m3)
Escoamento Anual Médio à Superfície do 431 900
Terreno
Totais 747 000
QUADRO 1.5
Ilha do Porto Santo — Componentes do balanço disponibilidades–necessidades
Cenário central Cenário superior
Situação
Referência
2008 2012 2020 2008 2012 2020
Necessidades Abastecimento Urbano e industrial 746 925 1 139 1 407 1 065 1 462 2 025
(× 103 m3)
Agricultura e Pecuária 205 175 175 175 215 233 270
Totais (sem centrais hidroeléctricas) 951 1 100 1 314 1 582 1 280 1 695 2 295
Disponibilidades Recarga Subterrânea Anual Média 860
(× 103 m3)
Escoamento Anual Médio à Superfície do -
Terreno
Totais 1 300
2 — Objectivos estruturais, instrumentais e operacionais nal. Dentro dos objectivos de política, os que incidem
O PRAM estabelece objectivos de política de planea- mais directamente com a água e com o domínio hídrico
mento e gestão dos recursos hídricos, divididos em ob- constituem o grupo de objectivos estruturais.
jectivos estruturais e objectivos instrumentais. Na defi- Os objectivos propostos no âmbito do PRAM foram
nição de objectivos foram tidas em conta as conclusões agrupados pelas seguintes áreas temáticas:
resultantes da informação tratada relativa à caracterização 1 — Abastecimento de água às populações e às activi-
e diagnóstico da situação actual e a análise prospectiva dades económicas;
do desenvolvimento socio-económico no que respeita ao 2 — Protecção das águas e controlo da poluição;
aproveitamento dos recursos hídricos e às pressões sobre o 3 — Protecção dos ecossistemas aquáticos e sistemas
meio hídrico resultantes das actividades socio-económicas. naturais relevantes para a protecção dos recursos hídri-
Assim, os diferentes objectivos propostos foram estabele- cos;
cidos tendo em vista a resolução das principais carências 4 — Prevenção de riscos naturais e induzidos pela ac-
identificadas, os problemas diagnosticados e as alterações tividade humana;
estruturais necessárias a uma correcta e eficiente política 5 — Sistemas de planeamento e gestão. Ordenamento
de gestão dos recursos hídricos. das ocupações do domínio hídrico;
De um modo geral, os grandes objectivos instrumentais 6 — Quadro legislativo regional, nacional e comuni-
e estruturais desdobram-se e são suportados por con- tário. Normas e regulamentos de protecção de recursos
juntos de objectivos operacionais, estes directamente hídricos;
relacionados com as medidas, projectos ou acções a de- 7 — Sustentabilidade das actividades económicas. Va-
senvolver. lorização económica dos recursos hídricos.
Os objectivos instrumentais são os de maior impacte 8 — Regime económico-financeiro;
político e socio-económico já que incidem sobre o sistema 9 — Monitorização, inventários, cadastros e aprofun-
de planeamento e gestão, o cumprimento do quadro legis- damento do conhecimento;
lativo regional, nacional e comunitário, a sustentabilidade 10 — Organização institucional e sociedade. Informa-
económico-financeira dos recursos hídricos, a informação ção e participação das populações;
e participação das populações e a organização institucio- 11 — Avaliação sistemática do plano.
5790 Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
2.1 — Objectivos estruturais e instrumentais OE.18 — Resolver outras carências e atenuar outras
São estabelecidos os seguintes objectivos estrutu- disfunções ambientais associadas à qualidade das águas
rais (OE) e instrumentais (OI) para as diversas áreas superficiais;
temáticas: OE.19 — Adaptar as infra-estruturas associadas à des-
poluição dos meios hídricos e os respectivos meios de
Área temática 1 — Abastecimento de Água às Popula- controlo à realidade resultante do desenvolvimento sócio-
ções e às Actividades Económicas: -económico e à necessidade de melhoria progressiva da
qualidade das águas superficiais;
a) Abastecimento urbano:
OE.20 — Proteger e valorizar meios hídricos superfi-
OE.1 — Solucionar as carências pontuais de abasteci- ciais de especial interesse;
mento actuais; OE.21 — Caracterizar, controlar e prevenir os riscos de
OE.2 — Aumentar a eficiência dos sistemas de distri- poluição das águas superficiais.
buição de água potável;
OE.3 — Assegurar a contínua qualidade da água dis- b) Águas subterrâneas:
tribuída e o cumprimento da legislação regional, nacional OE.22 — Dar continuidade ao trabalho de pesquisa e
e comunitária; de quantificação das origens de água e implementar ac-
OE.4 — Melhorar a qualidade do serviço ao nível da ções conducentes à atenuação de disfunções ambientais
operação e da gestão dos sistemas de abastecimento; susceptíveis de alterar a qualidade dos meios hídricos
OE.5 — Promover a sustentabilidade económica e fi- nos termos da legislação nacional e comunitária ou de
nanceira do sector no sentido de atingir uma gestão equi- compromissos internacionais aplicáveis na presente
librada dos recursos hídricos; data;
OE.6 — Promover a gestão dos recursos humanos li- OE.23 — Resolver outras carências e atenuar outras
gados à gestão e operação dos sistemas e a educação am- disfunções ambientais actuais associadas à qualidade dos
biental da população; meios hídricos;
OE.7 — Sensibilizar os utilizadores para medidas de OE.24 — Adaptar as infra estruturas associadas à des-
racionalização de consumos e optimização das utilizações poluição dos meios hídricos e os respectivos meios de
da água. controlo à realidade resultante do desenvolvimento sócio-
-económico e à necessidade de melhoria progressiva da
b) Agricultura: qualidade da água;
OE.8 — Aprofundar o conhecimento sobre a situação OE.25 — Proteger e valorizar meios hídricos sub-
actual do regadio, em especial ao nível do respectivo ca- terrâneos de especial interesse, com destaque para as
dastro; origens destinadas à produção de água para consumo
OE.9 — Promover a valorização dos recursos huma- humano;
nos responsáveis pela gestão e operação dos sistemas de OE.26 — Caracterizar, controlar e prevenir os riscos de
rega; poluição dos meios hídricos.
OE.10 — Adequar a gestão da procura às especifici-
dades da oferta; Área temática 3 — Protecção dos ecossistemas aquá-
OE.11 — Melhorar e modernizar a qualidade dos ser- ticos e sistemas naturais relevantes para a protecção dos
viços de distribuição de água e o modelo de gestão da recursos hídricos:
água da rega; OE.27 — Incremento dos estudos sobre a biodiver-
OE.12 — Promover o uso eficiente e sustentado dos sidade da RAM e avaliação do seu estado de conser-
recursos hídricos destinados ao regadio; vação;
OE.13 — Garantir a quantidade de água necessária OE.28 — Obtenção de informação cartográfica sobre a
ao adequado funcionamento do sector agrícola de re- distribuição de espécies e comunidades como ferramentas
gadio. de ordenamento;
OE.29 — Recuperação ecológica e protecção dos ha-
c) Produção hidroeléctrica: bitats naturais;
OE.14 — Aumentar a produção hidroeléctrica; OE.30 — Aperfeiçoamento de sistemas de monitoriza-
OE.15 — Aumentar a produtividade das centrais hidro- ção da qualidade ecológica da água.
eléctricas existentes;
OE.16 — Promover uma optimização da gestão dos Área temática 4 — Prevenção de riscos naturais e in-
recursos hídricos. duzidos pela actividade humana:
OE.31 — Prevenir as ocorrências de cheia e minimizar
Área temática 2 — Protecção das Águas e Controlo os seus efeitos;
da Poluição: OE.32 — Prevenção e mitigação contra as situações
a) Águas Superficiais: de seca;
OE.33 — Criar na opinião pública a consciência da
OE.17 — Dar continuidade às medidas conducentes à importância do fenómeno da erosão hídrica dos solos, suas
resolução de carências através da infra-estruturação para causas e consequências;
despoluição e eliminar as disfunções da qualidade das OE.34 — Actualizar cartografia de riscos relacionados
águas superficiais resultantes do não cumprimento da com a erosão hídrica;
legislação nacional e comunitária ou de compromissos OE.35 — Estabelecer áreas provisórias de prevenção
internacionais aplicáveis na presente data; de riscos;
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008 5791
OE.36 — Estabelecer medidas de prevenção prio- Área temática 9 — Monitorização, inventários, cadas-
ritárias com escalonamento das prioridades por bacia tros e aprofundamento do conhecimento:
hidrográfica;
OE.45 — Melhoria da rede hidrométrica por forma a
OE.37 — Melhoria do conhecimento sobre os fenóme- aprofundar a caracterização da variabilidade do regime
nos de transporte sólido nas principais linhas de água das hidrológico e a assegurar uma monitorização continuada;
Ilhas da Madeira e do Porto Santo; OE.46 — Promoção da investigação tendo em vista o
OE.38 — Minimizar os efeitos de acidentes de po- estabelecimento de modelos destinados a avaliar os recur-
luição que tenham consequências directas no meio sos hídricos, tendo por base bacias hidrográficas devida-
hídrico; mente instrumentalizadas;
OE.39 — Minimizar os efeitos dos sismos nos grandes OE.47 — Desenvolvimento de estudos experimentais
sistemas adutores de água e nos sistemas de tratamento de para o conhecimento da repartição da precipitação devida
águas residuais; a nevoeiros (precipitação oculta);
OE.40 — Prevenir a ocorrência de deslizamentos OE.48 — Aprofundamento do conhecimento sobre a
de massa ou queda de blocos nas vertentes que possam génese de cheias e desenvolvimento de planos de emer-
interferir com o escoamento nas ribeiras ou com os gência para minimizar os efeitos das inundações;
sistemas de adução de água ou de tratamento de águas OE.49 — Dar continuidade à constituição de cadastros
residuais; de infra-estruturas e inventariar fontes poluidoras de ori-
OE.41 — Dar continuidade às medidas de protecção do gem industrial ou urbana;
areal na praia do Porto Santo; OE.50 — Aprofundar o conhecimento sobre a qualidade
OE.42 — Minimizar os efeitos das inundações nas zo- das águas superficiais interiores e costeiras;
nas ribeirinhas. OE.51 — Reforçar as capacidades laboratoriais na Região;
OE.52 — Dispor de informação sistemática devida-
Área temática 5 — Sistemas de planeamento e gestão. mente estruturada sobre a qualidade das águas superficiais
Ordenamento das ocupações do domínio hídrico. e de avaliação regular da sua evolução;
OI.1 — Promoção do sistema de planeamento e gestão OE.53 — Monitorização e gestão ambiental das águas
dos recursos hídricos; subterrâneas.
OI.2 — Orientar a adaptação dos instrumentos de gestão
territorial em vigor e em curso às necessidades de gestão Área temática 10 — Organização institucional e socie-
dos recursos hídricos; dade. Informação e participação das populações:
OE.43 — Ordenamento das áreas abrangidas pelo domí- OI.5 — Definir ou adaptar normas e regulamentos orien-
nio hídrico, destacando as medidas tendentes à protecção tadores da disponibilização da informação às populações;
e requalificação, fazendo reverter para os instrumentos de OI.6 — Dotar o quadro legal de instrumentos neces-
ordenamento do território as condições de ocupação e de sários e incentivar a actividade e envolvimento das or-
utilização do domínio hídrico; ganizações.
OE.44 — Elaboração de recomendações para o conjunto
de instrumentos de planeamento territorial e sectorial que Área temática 11 — Avaliação sistemática do plano:
existem na área do Plano, destacando-se, naturalmente,
OI.7 — Caracterizar e avaliar o estado de realização
os planos de ordenamento do território, nas suas diversas
do Plano.
escalas de operacionalização.
2.2 — Objectivos operacionais
Área temática 6 — Quadro legislativo regional, nacional
e comunitário. Normas e regulamentos de protecção de Os objectivos operacionais especificam os objectivos
recursos hídricos: estruturais associados à resolução de problemas actuais ou
potenciais identificados na caracterização e diagnóstico da
OI.3 — Satisfazer de forma adequada as necessida- situação do domínio hídrico regional. São classificados de
des de água dos utilizadores, em quantidade e qualidade, básicos (B) todos os objectivos operacionais através dos
no espaço e no tempo e no respeito da preservação e quais se procura (i) assegurar o cumprimento da legislação
conservação do ambiente e da gestão dos outros recur- regional, nacional e comunitária; (ii) resolver situações de
sos naturais, de forma financeiramente sustentada. carência em termos de abastecimento de água e da protec-
ção dos meios hídricos; (iii) assegurar o conhecimento bá-
Área temática 7 — Sustentabilidade das actividades sico dos processos hidrológicos e (iv) minimizar os efeitos
económicas. Valorização económica dos recursos hí- das cheias, das secas e de eventuais acidentes de poluição
dricos: e outros riscos. São classificados de complementares (C)
OI.4 — Promover a gestão dos recursos hídricos como os objectivos operacionais que visam melhorar ou manter
um bem sócio-económico de natureza pública segundo os o estado dos recursos hídricos na bacia ou em sub-bacias
princípios da equidade, eficiência e cumprimento das leis para além dos requisitos mínimos.
da concorrência. No que se refere aos horizontes do Plano, foram tomados
como referência os anos 2008, 2012 e 2020, considerando-
Área temática 8 — Regime económico-financeiro: -se de curto prazo (C) os objectivos que devem ser alcan-
çados até 2008, beneficiando eventualmente da vigência
OI.4 — Promover a gestão dos recursos hídricos aten- do terceiro Quadro Comunitário de Apoio. De médio/longo
dendo ao princípio do utilizador-pagador, mas tendo pre- prazo (M/L) serão os objectivos cuja concretização não dei-
sentes as componentes sociais e ambientais dos recursos xará de ultrapassar o ano 2008, podendo mesmo estender-
hídricos, conforme consagrado na Lei da Água. -se até ao horizonte limite do Plano (2020).
5792 Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
Quadro 2.1
Área temática 1 — Abastecimento de Água às Populações e às Actividades Económicas
Prazo
Objectivo
Refª Objectivo operacional Tipo Âmbito espacial
estrutural
C M/l
Abastecimento Urbano
OE.1 1.1 Abastecer com sistemas públicos uma maior percentagem de população residente B X X Madeira
1.2 Garantir a operacionalidade dos sistemas de abastecimento de água potável ao Porto Santo C X Porto Santo
OE.2 1.3 Conhecer os consumos desde a sua origem, incluindo a existência de uma licença ou de um C X X Madeira e Porto
contrato de concessão para a utilização do domínio hídrico quando se justifique Santo
1.4 Conhecer os consumos efectivos associados a todos os usos, sejam eles públicos (facturados C X X
ou não) ou privados (domésticos, industriais, comerciais, etc.)
1.5 Redução das perdas, com a diminuição da percentagem de fugas, até 15 % C X X
OE.3 1.6 Dar sequência aos investimentos necessários a abastecer com água tratada a totalidade da B X
população servida
1.7 Dar seguimento às medidas conducentes à garantia da qualidade da água distribuída ao B X Madeira
consumidor designadamente no que respeita ao reforço da desinfecção em redes públicas
de abastecimento de água
OE.4 1.8 Melhorar a qualidade dos serviços ao nível de operação e gestão dos sistemas de abasteci- C X Madeira e Porto
mento Santo
OE.5 1.9 Procurar a sustentabilidade económica e financeira do sector em conformidade com a Lei C X X
da Água
OE.6 1.10 Promover a valorização dos recursos humanos ligados à gestão e operação dos sistemas C X X
OE.7 1.11 Encorajar a participação dos utilizadores na gestão da procura e dos sistemas C X X
Abastecimento à Agricultura
OE.8 1.12 Inventariação mais rigorosa das áreas efectivamente regadas C X Madeira
1.13 Monitorização permanente dos consumos e das perdas de água C X
OE.9 1.14 Implementação de acções de formação para o pessoal encarregue da gestão dos sistemas C X
de rega
1.15 Implementação de acções de formação para os agricultores C X
OE.10 1.16 Contínuo aperfeiçoamento da utilização dos tanques de regularização diária C X
1.17 Construção de reservatórios ou reservas de água de regularização sazonal C X
OE.12 1.18 Estudo do regime económico-financeiro associado às taxas a pagar pelos agricultores C X
OE.11 1.19 Implementação gradual de sistemas de medição e controlo de caudais C X
OE.12 1.20 Reabilitação e reparação do sistema de levadas C X
OE.11 1.21 Substituição gradual dos métodos de rega por gravidade pela rega em pressão C X
OE.13 1.22 Pesquisa e aproveitamento de novas origens de água C X
1.23 Reflorestação das zonas de maior infiltração C X
1.24 Construção de barragens com componente hidroagrícola C X
1.25 Reconhecimento de locais para construção de novas reservas de água C X
OE.9 1.26 Criação de incentivos para a manutenção e melhoria do sector agrícola C X Porto Santo
OE.10 1.27 Disciplinar progressivamente o uso da água de rega C X
OE.11 1.28 Implementação de um moderno regadio colectivo C X
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008 5793
Prazo
Objectivo
Refª Objectivo operacional Tipo Âmbito espacial
estrutural
C M/l
OE.13 1.29 Utilização de forma mais completa das disponibilidades das albufeiras da Serra de Dentro C X
1.30 Realização de trabalhos de reabilitação das actuais barragens/albufeiras relativos a imper- C X
meabilizações e controlo do seu assoreamento
1.31 Reconhecimento de novos locais para construção de pequenas barragens C X
1.32 Aproveitamento do efluente da ETAR C X
1.33 Pesquisa e melhor aproveitamento dos recursos hídricos subterrâneos C X
Abastecimento à Produção de Energia Eléctrica
OE.14 1.34 Aumentar a produção de energia eléctrica C X Madeira
OE.15 1.35 Aumentar a produtividade das centrais hidroeléctricas existentes C X
OE.16 1.36 Promover uma optimização da gestão dos recursos hídricos superficiais C X
Quadro 2.2
Área temática 2 — Protecção das Águas e Controlo da Poluição
Prazo
Objectivo
Refª Objectivo operacional Tipo Âmbito espacial
estrutural
C M/L
Águas Superficiais
OE.17 2.1 Completar as infra-estruturas hidráulicas de drenagem e tratamento de águas residuais B X Madeira e Porto
urbanas em curso na Região, incluindo a remodelação ou ampliação de infra-estruturas Santo
existentes de modo a se atingir um atendimento compatível com as exigências da legislação
aplicável, tendo em devida conta as particularidades da Região, nomeadamente o carácter
disperso de grande parte da população e as características batimétricas do oceano na zona
envolvente da Ilha da Madeira
2.2 Assegurar o cumprimento da legislação em vigor, no que respeita à garantia da qualidade da B X
água rejeitada para os meios hídricos e da emissão de licenças de descarga
2.3 Assegurar o cumprimento da legislação em vigor, no que se refere ao licenciamento das B X X
descargas de origem urbana e industrial, garantindo o preconizado nas respectivas licenças
(autocontrolo e parâmetros de descarga)
2.4 Controlar os focos de poluição ainda subsistentes como potenciais focos de contaminação B X
do meio hídrico através da sua caracterização, avaliação da influência na envolvente,
monitorização da qualidade da água e controlo de descargas de lixiviados
2.5 Assegurar o cumprimento da legislação em vigor quanto à elaboração de planos de acção B X Madeira e Porto
para cada captação Santo
2.6 Assegurar o cumprimento da legislação em vigor quanto ao exame periódico das bacias hi- B X X Madeira e Porto
drográficas de montante das zonas balneares, à monitorização dessas zonas e à elaboração Santo
dos respectivos programas de acção
2.7 Assegurar o cumprimento da legislação em vigor quanto à sua classificação, à verificação B X X
de conformidade com as normas de qualidade respectivas e à elaboração de planos de
acção
2.8 Dispor de informação analítica sobre zonas potencialmente críticas quanto à presença de B X
substâncias perigosas e de avaliação regular da sua evolução, bem como de plano de acção
subsequente, para eliminação ou atenuação da presença dessas substâncias
OE.18 2.9 Elaborar regulamentos municipais que disciplinem a descarga dos efluentes industriais nos C X Madeira e Porto
colectores municipais, estabelecendo as normas de descargas quanto a concentrações de Santo
poluentes e respectivos caudais, de acordo com as características do tratamento existente
a jusante
2.10 Dar continuidade aos estudos e à implementação de acções de atenuação da poluição hí- B X
drica proveniente de instalações agro-alimentares através da implementação de sistemas
adequados de tratamento
5794 Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
Prazo
Objectivo
Refª Objectivo operacional Tipo Âmbito espacial
estrutural
C M/L
OE.19 2.11 Continuar a melhoria do atendimento à população através de sistemas de drenagem e de B X X Madeira e Porto
tratamento de águas residuais urbanas, adaptando os sistemas existentes ou a criar ao Santo
desenvolvimento de cada área ou região e a eventuais novas exigências do quadro legal
aplicável
2.12 Construir, remodelar e ou ampliar as infra-estruturas de tratamento de águas residuais in- B X X
dustriais ou de resíduos industriais de acordo com o desenvolvimento industrial futuro da
Região e com eventuais novas exigências do quadro legal aplicável
2.13 Melhorar progressivamente a qualidade das águas superficiais tendo em conta o desenvol- B X X
vimento sócio-económico e a evolução do quadro legal aplicável
OE.20 2.14 Proteger e valorizar a qualidade das águas superficiais em zonas de reconhecido C X Madeira
interesse ecológico, mediante a elaboração de planos de acção para posterior im-
plementação
OE.21 2.15 Caracterizar, controlar e prevenir as situações de potencial risco de poluição acidental B X Madeira e Porto
dos meios hídricos, nomeadamente através da realização de estudos específicos que Santo
avaliem o impacte dos mesmos e permitam estabelecer medidas de prevenção da sua
contaminação
Águas Subterrâneas
Caracterização
OE.22 2.16 Identificar e monitorizar o estado de qualidade das águas subterrâneas em zonas poluídas B X Madeira e Porto
ou de risco Santo
2.17 Identificar áreas poluídas ou susceptíveis de serem poluídas por nitratos de origem agrícola B X
nos termos da legislação em vigor
Controlo, Protecção e Reabilitação
OE.23 2.18 Delimitação dos perímetros de protecção de todas as captações de águas destinadas ao abas- B X Madeira e Porto
tecimento público, nos termos da legislação a publicar ao abrigo do n.º 6 do artigo 37.º e Santo
do n.º 3 do artigo 102.º da Lei n.º 58/2005, de 29 de Dezembro
OE.25 2.19 Proteger as áreas de recarga de aquíferos B X
OE.26 2.20 Definir zonas de risco elevado de poluição de águas subterrâneas B X
2.21 Controlar as emissões de substâncias poluentes, susceptíveis de causar poluição de águas C X
subterrâneas e encaminhá-las para os sistemas de tratamento adequados
OE.24 2.22 Melhorar progressivamente a qualidade da água, com a redução/eliminação dos po- C X
luentes nas águas subterrâneas, através da implementação de programas de reabi-
litação
2.23 Minimizar os efeitos de acidentes de poluição na eventual deterioração da qualidade das C X
águas subterrâneas
Quadro 2.3
Área temática 3 — Protecção dos ecossistemas aquáticos e sistemas naturais relevantes para a protecção
dos recursos hídricos
Prazo
Objectivo
Refª Objectivo operacional Tipo Âmbito espacial
estrutural
C M/l
OE.27 3.1 Inventariação dos tipos de habitats, espécies e biocenoses na RAM B X RAM
OE.28 3.2 Obtenção de informação cartográfica sobre a distribuição de taxa endémicos e autóctones, C X
habitats e biocenoses como ferramentas de ordenamento
OE.27 3.3 Incremento dos estudos de recenseamento e de monitorização da biodiversidade da RAM e B X
avaliação do estado de conservação dos habitats e biocenoses
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008 5795
Prazo
Objectivo
Refª Objectivo operacional Tipo Âmbito espacial
estrutural
C M/l
OE.29 3.4 Introdução nos diversos tipos de Planos de Ordenamento do território das medidas de pro- B X Madeira e Porto
tecção das massas de água e das biocenoses associadas Santo
3.5 Recuperação e renaturalização dos espaços associados e de protecção dos diferentes tipos B X
de massas de água
3.6 Controlo efectivo das espécies exóticas C X RAM
OE.30 3.7 Aperfeiçoamento do sistema de caracterização, classificação, referência e monitorização B X
para a qualidade ecológica, físico-química e hidromorfológica dos diferentes tipos de
massas de água da RAM
OE.29 3.8 Sensibilização ecológica e educação ambiental B X Madeira e Porto
Santo
Quadro 2.4
Área temática 4 — Prevenção de riscos naturais e induzidos pela actividade humana
Prazo
Objectivo
Refª Objectivo operacional Tipo Âmbito espacial
estrutural
C M/l
Cheias
OE.31 4.1 Contínuo aperfeiçoamento a nível da aquisição de informação, com ênfase para a hidrométrica B X X Madeira e Porto
Santo
4.2 Aprofundamento dos estudos inerentes à caracterização de cheias e à consequente realização B X
de mapas de inundação
4.3 Levantamento da situação existente no que respeita à delimitação dos leitos de cheia e à B X
identificação e caracterização das infra-estruturas que interferem com o domínio hídrico
4.4 Levantamento da situação existente no que respeita a obstáculos, naturais e artificiais, res- B X
ponsáveis por estrangulamentos nas linhas de água, com consequente agravamento dos
problemas de inundação e elaboração de propostas de actuação
4.5 Actuação continuada de limpeza e de desassoreamento das linhas de água B/C X X
4.6 Análise da adequação das redes de drenagem de águas pluviais e seu eventual reequacio- C X
namento
4.7 Análise da viabilidade de implementação de sistemas de vigilância e alerta de cheias e rea- C X
lização de campanhas de sensibilização/educação das populações
4.8 Actuação no sentido de disciplinar e ordenar a ocupação do território e, nomeadamente, do B/C X X
domínio hídrico
4.9 Estudar a criação de eventuais bacias de retenção, tendo em vista a atenuação dos caudais C X
de ponta de cheia
4.10 Estudar os eventuais efeitos da criação de albufeiras nas principais ribeiras, no controlo C X
das cheias naturais dessas linhas de água, bem como das estruturas de amortecimento
de cheias
4.11 Realizar estudos das ondas de inundação provocadas por eventuais acidentes em barragens C X
que sejam construídas, incluindo o traçado dos correspondentes mapas de inundação, em
cumprimento do disposto na legislação em vigor
4.12 Dar continuidade ao cumprimento à legislação em vigor que estabelece a obrigatoriedade B X
da elaboração de cartas de zonas inundáveis nos municípios com aglomerados urbanos
atingidos por cheias
4.13 Contínuo aperfeiçoamento na elaboração de planos de emergência para actuação em caso de B X
inundações provocadas por cheias
Secas
OE.32 4.14 Aprofundar o conhecimento relativo à ocorrência e às características das secas B X Madeira e Porto
Santo
4.15 Definir estratégias globais no sentido da utilização adequada da água, para posterior imple- C X X
mentação de um programa específico
5796 Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
Prazo
Objectivo
Refª Objectivo operacional Tipo Âmbito espacial
estrutural
C M/l
4.16 Proceder à concepção preliminar de programas de actuação em situação de seca, nomeada- C X
mente através da definição de limites admissíveis para a sobre-exploração e a deterioração
da qualidade temporárias, quer dos recursos superficiais, quer subterrâneos
4.17 Implementar um programa de actuação em situação de seca crítica previsível, compreen- C X
dendo a redução/transferência de fornecimentos mediante a definição de prioridades na
satisfação dos pedidos
Erosão
OE.33 4.18 Implementar medidas de intervenção prioritárias por Bacia Hidrográfica C X Madeira e Porto
OE.34 Santo
OE.35 4.19 Proceder à conservação dos poios e levadas, em especial nas bacias com maior risco de B X
OE.36 erosão
4.20 Reforço dos programas de reflorestação das Bacias Hidrográficas onde o risco de erosão B/C X X
é mais elevado, sobretudo no flanco sul da Ilha da Madeira e Ilha do Porto Santo e para
combate aos fogos florestais
4.21 Implementar obras de correcção nas Bacias Hidrográficas com maior risco de erosão e C X
desprendimento das terras
4.22 Incluir recomendações relativamente às áreas críticas de risco a introduzir nos Planos de C X
Protecção Civil
Transporte sólido
OE.37 4.23 Melhorar o conhecimento sobre o fenómeno de transporte sólido através da monitorização C X X Madeira e Porto
e da análise de dados Santo
Poluição
OE.38 4.24 Elaborar planos de emergência para actuação em caso de acidente, tendo em conta o objectivo B X Madeira e Porto
2.15 da qualidade da água Santo
Outros riscos
OE.42 4.25 Desenvolver estudos sobre os efeitos das inundações das áreas ribeirinhas pela acção do mar B X Madeira e Porto
Santo
OE.39 4.26 Desenvolver a análise e o controlo da vulnerabilidade dos principais sistemas adutores de B X
água e de tratamento de águas residuais sujeitos a eventuais sismos
OE.40 4.27 Realizar cartografia de riscos geológicos/geotécnicos para a minimização dos riscos de des- B X
lizamento ou de queda de blocos para as ribeiras, para os sistemas de levadas ou outros
sistemas de adução e de tratamento de águas residuais
OE.41 4.28 Elaboração de estudos para a recuperação do areal na praia do Porto Santo C X Porto Santo
Quadro 2.5
Área temática 5 — Sistemas de planeamento e gestão. Ordenamento das ocupações do domínio hídrico
Objectivo Prazo
Estrutural/ Refª Objectivo Operacional Tipo Âmbito Espacial
Instrumental C M/l
OI.1; OI.2 5.1 Uniformizar as tipologias e critérios de delimitação das áreas de protecção dos recursos B X Madeira e Porto
OE.43 hídricos Santo
OI.1 5.2 Preservar as áreas do Domínio Hídrico condicionando as actividades aos usos compatíveis B X
OE.43 com os objectivos de protecção e valorização ambiental
5.3 Definir directivas visando a protecção do D.H. e a reabilitação dos leitos e margens B X
5.4 Promover o ordenamento das áreas ribeirinhas sujeitas a inundações e preparar cartas de B X
risco de inundação
OE.44 5.5 Promover o ordenamento das áreas abrangidas pelo D.P.H, destacando as medidas C X
tendentes à sua protecção e requalificação, que deverão integrar os instrumentos
de gestão territorial sob a forma de condições de ocupação e utilização do Domínio
Hídrico
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008 5797
Objectivo Prazo
Estrutural/ Refª Objectivo Operacional Tipo Âmbito Espacial
Instrumental C M/l
OI.2 5.6 Enquadrar a generalidade dos Planos e Programas existentes ou a elaborar para a Região, C X
OE.44 com relevo, naturalmente, para os de incidência territorial
OI.2 5.7 Elaborar bases de dados e cartografia a integrar em sistemas de informação de apoio à gestão C X
OE.44 e decisão
Quadro 2.6
Área temática 6 — Quadro legislativo regional, nacional e comunitário. Normas e regulamentos de protecção
de recursos hídricos
Prazo
Objectivo
Refª Objectivo operacional Tipo Âmbito espacial
instrumental
C M/l
OI.3 6.1 Adaptação à Região de legislação específica em matéria de recursos hídricos, designada- B X RAM
mente diversa legislação a publicar na decorrência da aprovação da Lei da Água, nomea-
damente a legislação a publicar a que se refere o artigo 102.º da Lei n.º 58/2005, de 29
de Dezembro
6.2 Aperfeiçoamento das competências dos serviços públicos que actuam no sector da água a B X
nível regional, com base na reformulação do modelo de gestão
6.3 Reformulação do modelo de gestão da água, incluindo a redefinição das competências da IGA B X X
e do seu relacionamento com as Autarquias Locais. (Abastecimento de Águas)
6.4 Reformulação do modelo de gestão da água, incluindo a redefinição das competências da B X X
IGA e seu relacionamento com as Autarquias Locais. (Águas Residuais)
6.5 Implementação das atribuições e competências da autoridade regional da água, atendendo à C X X
legislação regional que adapta à RAM a Lei da Água
6.6 Licenciamento integrado das actividades que afectam os recursos hídricos C X X
6.7 Garantir que a Política de Gestão Sustentada da Água e o Ordenamento do Território estão C X X
devidamente compatibilizados e têm objectivos comuns e actuais
6.8 Promover a eficácia e eficiência operacional dos Sistemas de Abastecimento de Água e de C X
Drenagem de Águas Residuais.
6.9 Promover uma melhor gestão das levadas de rega, de modo a prosseguir a sustentabilidade C X
do sector, com a participação dos utilizadores
6.10 Promover a monitorização, protecção e conservação das linhas de água e dos aquíferos de C X X
forma ambientalmente adequada
6.11 Rever os Sistemas de Informação visando uniformizar os dados por utilização e por sistemas C X
Quadro 2.7
Área temática 7 — Sustentabilidade das actividades económicas. Valorização económica dos recursos hídricos
Prazo
Objectivo
Refª Objectivo operacional Tipo Âmbito espacial
instrumental
C M/l
OI.4 7.1 Valorização do património hidráulico da Madeira através de acções conjuntas conducentes C X RAM
à sua rentabilização em outros sectores económicos de interesse para a Região (Turismo,
Cultura)
7.2 Definição e desenvolvimento de locais apropriados à constituição de zonas de recreio e C X
lazer
7.3 Melhoria e ou conservação da paisagem ao longo das linhas de água e preservação da pai- C X
sagem humanizada da Ilha da Madeira
5798 Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
Quadro 2.8
Área temática 8 — Regime económico-financeiro
Prazo
Objectivo
Refª. Objectivo operacional Tipo Âmbito espacial
instrumental
C M/l
OI.4 8.1 Implementação das medidas preconizadas na Lei da Água aprovada pela Lei n.º 58/2005, de B X Madeira e Porto
29 de Dezembro, a qual transpõe para o direito nacional a Directiva Quadro da Água Santo
8.2 Aplicação dos princípios do utilizador-pagador e poluidor-pagador, tendo igualmente presentes B X
as componentes sociais e ambientais dos recursos hídricos
8.3 Regularização do consumo através da introdução de sistemas pluritarifários para garantir C X
maior equidade social
8.4 Adopção de valores de coimas desincentivadores à repetição da infracção e dissuasores da C X
sua realização
8.5 Revisão dos sistemas de informação de gestão visando homogeneizar os dados por utiliza- C X
ções e por sistemas
Quadro 2.9
Área temática 9 — Monitorização, inventários, cadastros e aprofundamento do conhecimento
Prazo
Objectivo
Refª Objectivo operacional Tipo Âmbito espacial
estrutural
C M/l
Águas Superficiais
Qualidade
OE.49 9.1 Completar/actualizar/criar os cadastros de infra-estruturas de saneamento, das respectivas C X X Madeira e Porto
descargas nos meios hídricos e da verificação da sua conformidade com as normas apli- Santo
cáveis, no sentido do aprofundamento do conhecimento sobre esta matéria
9.2 Melhorar o conhecimento da situação da poluição com origem industrial completando/criando/ C X X
actualizando bases de dados com as características de descargas de efluentes industriais
OE.50 9.3 Melhorar o conhecimento da qualidade das águas superficiais interiores de interesse rele- C X
vante
9.4 Melhorar o conhecimento da qualidade das águas interiores e costeiras de interesse rele- C X
vante
9.5 Continuar o processo de reutilização das águas residuais tratadas de origem urbana, sobretudo C X Madeira
quando sujeitas a níveis de tratamento mais exigentes, pela realização de estudos de caracte-
rização da situação actual ou prevista, envolvendo os diferentes potenciais utilizadores.
9.6 Conhecer a situação actual de drenagem e tratamento dos pequenos lugares dispersos e B X
estabelecer tipos de tratamento adequados em função da população
OE.52 9.7 Dispor de informação sistematizada e actualizada sobre as características de qualidade das C X X Madeira e Porto
águas superficiais e de avaliação regular da sua evolução Santo
OE.51 9.8 Contínuo investimento nas capacidades laboratoriais da Região C X
Disponibilidades
OE.45 9.9 Reabilitar e, necessariamente, ampliar a actual rede hidrométrica, especialmente a inserida B X Madeira e Porto
nos cursos de água naturais Santo
OE.45/ 9.10 Programa de exploração e manutenção continuada da rede hidrométrica B X X
OE.46
OE.46 9.11 Criação permanente e actualização de uma base de dados sobre as levadas e respectivas B X X
características, com ênfase também para os volumes aduzidos em jogo
OE.45 9.12 Melhoria da distribuição espacial da rede udométrica B X
OE.47 9.13 Desenvolvimento de estudos experimentais para melhorar o conhecimento da repartição B X
espacial da precipitação devida aos nevoeiros
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008 5799
Prazo
Objectivo
Refª Objectivo operacional Tipo Âmbito espacial
estrutural
C M/l
OE.45 9.14 Instrumentação de postos udométricos com equipamento de medição e registo de variáveis B X
climáticas além da precipitação
OE.46 9.15 Estudo da contribuição de reservas subterrâneas para os recursos hídricos disponíveis B X X
Águas Subterrâneas
OE.53 9.16 Implementar uma rede de monitorização, construída para o efeito, para medição de níveis B X Madeira e Porto
piezométricos e amostragem de águas Santo
9.17 Explorar de forma sustentável os recursos hídricos subterrâneos B X
Quadro 2.10
Área temática 10 — Organização institucional e sociedade. Informação e participação das populações;
Prazo
Objectivo
Refª Objectivo operacional Tipo Âmbito espacial
instrumental
C M/L
OI.5/OI.6 10.1 Informar as populações nomeadamente através da elaboração regular de relatórios sintéticos C X X RAM
sobre o estado do ambiente a nível nacional, regional e local, com divulgação acessível e
gratuita, para que aquelas possam compreender, interessar-se e participar activamente na
resolução dos problemas ligados ao ambiente em geral.
10.2 Promover acções de divulgação específica, associadas à entrada em funcionamento de novos C X X
empreendimentos, à implementação de programas de medidas em relação a situações
críticas ou a outras alterações significativas a nível da protecção ambiental.
10.3 Elaborar programa específico de formação continuada sobre matérias relevantes no âmbito C X
dos recursos hídricos da Região.
10.4 Sensibilizar as populações com a elaboração de programas específicos para a necessidade C X X
de proteger os meios hídricos, sobretudo nas situações em que a sua participação activa
seja particularmente importante.
10.5 Sensibilizar os agentes económicos utilizadores de água para a adopção de políticas e práticas C X X
de utilização racional dos recursos.
Quadro 2.11
Área temática 11 — Avaliação sistemática do plano
Prazo
Objectivo
Refª Objectivo operacional Tipo Âmbito espacial
instrumental
C M/L
OI.7 11.1 Caracterizar e avaliar o estado de realização do PRAM com vista a controlar o seu andamento C X X RAM
IV. Programa de Medidas P4 — Prevenção de riscos naturais e induzidos pela
Atendendo aos objectivos definidos, no âmbito do actividade humana;
PRAM, para cada área temática, definiram-se os progra- P5 — Ordenamento das ocupações do domínio hídrico;
mas de medidas conducentes à satisfação desses objectivos. P6 — Normas e regulamentos da protecção dos recursos
Entende-se por programa um conjunto de sub-programas, hídricos;
projectos e acções visando atingir um objectivo estrutural P7 — Valorização económica dos recursos hídricos;
ou instrumental estabelecido no Plano Regional da Água, P8 — Sistema económico e financeiro;
pelo que os programas foram estruturados em conformi- P9 — Monitorização, inventários, cadastros e investi-
dade com as mesmas áreas temáticas consideradas para o gação e desenvolvimento;
estabelecimento dos objectivos. P10 — Informação e participação das populações;
Nestas condições, foram considerados os seguintes pro- P11 — Avaliação sistemática do plano.
gramas de medidas: Um sub-programa constitui um segmento do programa,
P1 — Abastecimento de água às populações e activi- orientado para uma componente relevante do objectivo
dades económicas; estrutural ou instrumental. O projecto é definido como
P2 — Protecção das águas e controlo da poluição; um conjunto de acções e actividades concertadas visando
P3 — Protecção dos ecossistemas aquáticos e sistemas atingir os objectivos estabelecidos no Plano Regional de
naturais relevantes para a protecção dos recursos hídricos; Água.
5800 Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
Os sub-programas subdividem-se em dois grupos: Bási- Programa 1 — Abastecimento de Água às Populações
cos (B) e Complementares (C). A natureza territorial, legal e às Actividades Económicas:
e institucional da sua aplicação constitui o factor de dis- Sub-programa B.1 — Cumprimento da legislação re-
tinção entre eles. Com efeito, e na linha dos programas de gional, nacional e comunitária
medidas previstos na Directiva-Quadro, os sub-programas
Básicos integram o conjunto de projectos destinados a re- Projecto 1 — Infraestruturas de controlo da monitori-
solver as situações de carência e a assegurar o cumprimento zação da qualidade da água distribuída;
da legislação nacional e comunitária aplicável constituindo Projecto 2 — Construção e reabilitação de infra-
como que os requisitos mínimos da bacia em termos de -estruturas de tratamento;
recursos hídricos. Os sub-programas Complementares Projecto 3 — Protecção de captações subterrâneas;
são o conjunto de medidas, projectos e acções que visam Projecto 4 — Instalação de sistemas de monitorização
melhorar ou manter o estado dos recursos hídricos na bacia de água captada nas origens.
ou em sub-bacias para além dos requisitos mínimos e ainda
atingir objectivos específicos em determinados sectores ou Subprograma B.2 — Resolução de situações de carência:
locais que, pela sua natureza, se consideram relevantes em Projecto 1 — Construção de infra-estruturas de abas-
termos de utilização, quantidade ou qualidade da água. Por tecimento de água;
fim, e no âmbito do Plano, consideram-se como Projectos Projecto 2 — Sistemas de monitorização de fugas e perdas.
o conjunto de actividades, devidamente orçamentadas e
programadas no tempo, visando a resolução de problemas Subprograma B.3 — Reabilitação e modernização e
concretos em determinado espaço. expansão do regadio:
Os programas, sub-programas e projectos estão ainda
espacializados consoante a unidade territorial abrangida Projecto 1 — Reabilitação e Modernização dos sistemas
seja a RAM, as Ilhas da Madeira e Porto Santo, a Unidade de rega;
Hidrológica de Planeamento (UHP) ou a linha de água Projecto 2 — Modernização e expansão do regadio.
classificada.
Por fim, sublinha-se que os projectos foram associados Subprograma C.1 — Melhoria das condições de abas-
à entidade mais directamente responsável pela sua execu- tecimento de água:
ção, tendo ainda sido tipificados consoante a natureza do Projecto 1 — Promoção da qualidade e fiabilidade dos
investimento em: serviços;
T1 — Construção e Reabilitação de Infra-estruturas de Projecto 2 — Elaboração do cadastro digital dos sistemas;
Saneamento Básico; Projecto 3 — Reabilitação, reordenamento, requalificação
T2 — Construção e Reabilitação de Infra-estruturas dos sistemas actuais no sentido de reduzir as fugas de água.
Hidráulicas (associadas à rega);
T3 — Ordenamento e Valorização do Domínio Hídrico; Sub-programa C.2 — Utilização mais eficiente da água
de rega e aumento da garantia dos recursos hídricos:
T4 — Protecção e Conservação da Natureza;
T5 — Monitorização; Projecto 1 — Implementação de cursos de formação
T6 — Outros. técnico-profissional para gestores de perímetro;
Projecto 2 — Estudo do tarifário de rega;
O horizonte temporal do Plano e, consequentemente, dos Projecto 3 — Conhecimento mais aprofundado sobre
programas de medidas é 2020, com momentos intermédios situação do regadio;
considerados no planeamento que são: Projecto 4 — Estudo dos recursos hídricos subterrâneos;
Projecto 5 — Estudo tendo em vista o aumento da ga-
2008, correspondente a uma perspectiva de curto rantia dos recursos hídricos;
prazo; Projecto 6 — Recarga de aquíferos mediante acções
2012, correspondente a um horizonte de maturação das de reflorestação;
medidas e acções implementadas no âmbito do PRAM Projecto 7 — Aproveitamento mais racional das dispo-
e que portanto permitirá averiguar do grau de sucesso nibilidades hídricas.
conseguido;
2020, correspondente ao horizonte de longo prazo con- Sub-programa C.3 — Utilização mais eficiente da água
siderado. na produção hidroeléctrica e aumento da garantia dos re-
cursos hídricos:
No contexto do horizonte e dos momentos de planea-
mento referidos e atendendo ainda à natureza dos recursos Projecto 1 — Conservação e protecção de recursos hí-
hídricos em termos de gestão, considera-se que os pro- dricos;
jectos referidos para o curto prazo se referem ao período Projecto 2 — Reabilitação/ reforço dos sistemas de cap-
até 2008, os de médio prazo para o período 2008-2012 tação e adução de água até aos diversos usos;
e os de longo prazo como os referidos para o período Projecto 3 — Identificação de sítios com potencial
2012-2020. hidroenergético e concepção geral de novos aproveita-
mentos;
1 — Programas, sub-programas e projectos
Projecto 4 — Avaliação de soluções técnicas que permi-
tam uma maior conservação de recursos hidroenergéticos.
Os onze programas preconizados no PRAM subdividem-
-se em 39 sub-programas, os quais enquadram um conjunto Apresenta-se seguidamente, no quadro 1.1, uma matriz
de 113 projectos com um custo global estimado em cerca de correspondência entre cada um dos Projectos e os Ob-
de 500 milhões de euros. jectivos Operacionais apresentados, para o Programa 1.
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008 5801
QUADRO 1.1
Matriz de correspondência entre projectos e objectivos operacionais para o Programa 1
Sub-programas básicos Sub-programas complementares
Objectivos operacionais B.1 B.2 B.3 C.1 C.2 C.3
P1 P2 P3 P4 P1 P2 P1 P2 P1 P2 P3 P1 P2 P3 P4 P5 P6 P7 P1 P2 P3 P4
Abastecimento urbano
1.1 Abastecer com sistemas públicos uma maior percentagem de z z
população residente. (M. e P.S.)
1.2 Garantir a operacionalidade dos sistemas de abastecimento de z
água potável ao Porto Santo (P.S.)
1.3 Conhecer os consumos desde a sua origem, incluindo a existência
de uma licença ou de um contrato de concessão para a utilização z z
do domínio hídrico quando se justifique (M. e P.S.)
1.4 Conhecer os consumos efectivos associados a todos os usos, sejam
eles públicos (facturados ou não) ou privados (domésticos, z
industriais, comerciais, etc.) (M. e P.S.)
1.5 Redução das perdas, com a diminuição da percentagem de fugas, z z
até 15 %. (M. e P.S.)
1.6 Abastecer com água tratada a totalidade da população servida z
(M. e P.S.)
1.7 Dar seguimento às medidas conducentes à garantia da qualidade
da água distribuída ao consumidor designadamente no que z z
respeita ao reforço da desinfecção em redes públicas de abas-
tecimento de água (M.)
1.8 Melhorar a qualidade dos serviços ao nível de operação e gestão z z
dos sistemas de abastecimento (M. e P.S.)
1.9 Procurar a sustentabilidade económica e financeira do sector z
(M. e P.S.)
1.10 Promover a valorização dos recursos humanos ligados à gestão z
e operação dos sistemas (M. e P.S.)
1.11 Encorajar a participação dos utilizadores na gestão da procura e z
dos sistemas (M. e P.S.)
Abastecimento à Agricultura
1.12 Inventariação mais rigorosa das áreas efectivamente regadas (M.) z z
1.13 Monitorização permanente dos consumos e das perdas de água (M.) z
1.14 Implementar acções de formação para o pessoal encarregue da z
gestão dos sistemas de rega (M.)
1.15 Implementar acções de formação para os agricultores (M.) z
1.16 Desenvolver um programa de construção de tanques de regula- z
rização diária (M.)
1.17 Promover a construção de reservatórios de regularização sazonal (M.) z z
1.18 Implementar o regime económico-financeiro associado às taxas z
a pagar pelos agricultores (M.)
1.19 Implementar gradualmente sistemas de medição e controlo de z z
caudais (M.)
1.20 Reabilitar e reparar o sistema de levadas (M.) z
1.21 Substituir gradualmente os métodos de rega por gravidade pela z
rega em pressão (M.)
1.22 Pesquisar o aproveitamento de novas origens de água (M.) z z
5802 Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
Sub-programas básicos Sub-programas complementares
Objectivos operacionais B.1 B.2 B.3 C.1 C.2 C.3
P1 P2 P3 P4 P1 P2 P1 P2 P1 P2 P3 P1 P2 P3 P4 P5 P6 P7 P1 P2 P3 P4
1.23 Proceder à reflorestação das zonas de maior infiltração (M.) z z
1.24 Construir barragens com componente hidroagrícola (M.) z z
1.25 Reconhecer locais para construção de novas albufeiras (M.) z z
1.26 Criar incentivos para a manutenção e melhoria do sector agrícola z z
(P.S.)
1.27 Disciplinar progressivamente o uso da água de rega (P.S.) z z
1.28 Implementar um moderno regadio colectivo (P.S.) z z
1.29 Utilizar de forma mais completa as disponibilidades das albufeiras z z
da Serra de Dentro (P.S.)
1.30 Realizar trabalhos de reabilitação das actuais barragens/albufeiras z z
relativos a impermeabilizações e controlo do seu assoreamento (P.S.)
1.31 Reconhecimento de novos locais para construção de pequenas z z
barragens (P.S.)
1.32 Aproveitamento do efluente de ETAR z z
1.33 Pesquisa e melhor aproveitamento dos recursos hídricos sub- z z
terrâneos (P.S.)
Abastecimento à Produção de Energia Eléctrica
1.34 Aumentar a produção de energia eléctrica (M.) z z
1.35 Aumentar a produtividade das centrais hidroeléctricas existentes z
(M.)
1.36 Promover uma optimização da gestão dos recursos hídricos su- z
perficiais (M.)
Programa 2 — Protecção das águas e controlo da po- Sub-programa B.3 — Controlo das substâncias peri-
luição: gosas:
a) Águas superficiais: Projecto 1 — Controlo das substâncias perigosas — de-
finição de plano de acção.
Sub-programa B.1 — Redução e controlo da poluição
tópica: Sub-programa B.4 — Protecção dos recursos hídricos:
Projecto 1 — Águas residuais urbanas — sistemas de Projecto 1 — Prevenção da ocorrência de riscos de
tratamento e drenagem — construção de infra estruturas; poluição — elaboração de estudo.
Projecto 2 — Regularização do licenciamento de des-
cargas de águas residuais; Sub-programa B.5 — Valorização de recursos hídricos
Projecto 3 — Resíduos urbanos — Concluir o processo de interesse conservacionista:
de selagem e monitorização de aterros;
Projecto 4 — Estudo de regulamentos municipais de Projecto 1 — protecção e valorização da qualidade da
descarga de efluentes; água nas zonas de interesse conservacionista — definição
Projecto 5 — Pequenas instalações agro-alimenta- de planos de acção.
res — soluções tipificadas — realização de estudo.
b) Águas subterrâneas:
Sub-programa B.2 — Controlo da qualidade das águas Sub-programa B.6 — Identificação e monitorização de
classificadas: situações de poluição
Projecto 1 — captações de águas superficiais destinadas Projecto 1 — Identificação de áreas com águas subter-
à produção de água para consumo humano — elaboração râneas poluídas e elaboração de planos de acção para a
de planos de acção; melhoria sistemática da qualidade dessas águas;
Projecto 2 — Águas balneares — melhoria do controlo Projecto 2 — Estudo de uma metodologia para definição
da qualidade da água e definição de planos de acção; de perímetros de protecção de captações de águas subter-
Projecto 3 — Águas de rega — classificação e controlo râneas destinadas a abastecimento público e aplicação a
da qualidade da água e definição de planos de acção; essas captações.
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008 5803
Sub-programa B.7 — Protecção de águas subterrâneas: Projecto 2 — Estudo das acções a tomar em caso de
Projecto 1 — Identificação das zonas de risco de po- acidentes de poluição de águas subterrâneas;
luição das águas subterrâneas e estabelecimento de um Projecto 3 — Realização de estudos para a definição
programa de monitorização da sua qualidade; das áreas de recarga das águas subterrâneas.
QUADRO 1.2
Matriz de correspondência entre projectos e objectivos operacionais para o Programa 2
Sub-programas básicos
Objectivos operacionais B.1 B.2 B.3 B.4 B.5 B.6 B.7
P1 P2 P3 P4 P5 P1 P2 P1 P2 P3 P1 P1 P2 P1 P2 P3
Águas Superficiais
2.1 Completar as infra-estruturas hidráulicas de drenagem e tratamento de águas
residuais urbanas em curso na Região, incluindo a remodelação ou ampliação
de infra-estruturas existentes de modo a se atingir um atendimento compatível
com as exigências da legislação aplicável, tendo em devida conta as particu- z
laridades da Região, nomeadamente o carácter disperso de grande parte da
população e as características batimétricas do oceano na zona envolvente da
Ilha da Madeira
2.2 Licenciamento de descargas de águas residuais
z
2.3
2.4 Controlar os locais com potencial foco de contaminação do meio hídrico z
2.5 Captações de águas superficiais z
2.7 Águas balneares z
2.8 Águas de rega z
2.9 Substâncias perigosas z
2.10 Dar continuidade aos estudos e à implementação de acções de atenuação da poluição
hídrica proveniente das instalações agro-alimentares através da implementação de z
sistemas adequados de tratamento
2.11 Continuar a melhoria do atendimento à população através de sistemas de drenagem
e de tratamento de águas residuais urbanas, adaptando os sistemas existentes ou
z
a criar ao desenvolvimento de cada área ou região e a eventuais novas exigências
do quadro legal aplicável
2.12 Infra-estruturas de águas residuais(*)
2.13 Efluentes e resíduos industriais(*)
2.14 Melhoria da qualidade dos meios hídricos superficiais(*)
2.15 Valorização de zonas de interesse ecológico z
Águas Subterrâneas
2.16 Situações de risco de poluição acidental z
2.16 Identificar e monitorizar o estado de qualidade das águas subterrâneas em zonas
z z
poluídas ou de risco
2.17 Identificar áreas poluídas ou susceptíveis de serem poluídas por nitratos de origem
z
agrícola
2.18 Delimitar os perímetros de protecção de todas as captações de águas destinadas ao
z
abastecimento público
2.19 Proteger as áreas de recarga de aquíferos z
2.20 Definir zonas de risco elevado de poluição de águas subterrâneas z
2.21 Controlar as emissões de substâncias poluentes, susceptíveis de causar poluição de
z
águas subterrâneas e encaminhá-las para os sistemas de tratamento adequados
5804 Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
Sub-programas básicos
Objectivos operacionais B.1 B.2 B.3 B.4 B.5 B.6 B.7
P1 P2 P3 P4 P5 P1 P2 P1 P2 P3 P1 P1 P2 P1 P2 P3
2.22 Melhorar progressivamente a qualidade da água, com a redução/eliminação dos poluen- z
tes nas águas subterrâneas, através da implementação de programas de reabilitação
2.23 Minimizar os efeitos de acidentes de poluição na eventual deterioração da qualidade z
das águas subterrâneas
(*)
Estes objectivos não deram origem a programas específicos, uma vez que se considera que se enquadram nas tarefas decorrentes das entidades competentes e os encargos respectivos serão
suportados pelas dotações orçamentais dessas entidades.
Programa 3 — Protecção dos ecossistemas aquáticos e Projecto 9 — Aplicação de um índice de medição do
sistemas naturais relevantes para a protecção dos recursos grau de modificação da linha da água;
hídricos: Projecto 10 — Elaboração de um sistema de classifi-
cação tipológica — ribeiras, lagoas, águas transicionais,
Sub-programa B.1 — Protecção e conservação: águas costeiras, habitats naturais, modificados e artificiais.
Projecto 1 — Incremento dos projectos de conservação
em curso e ampliação dos mesmos a novas espécies; Sub-programa C.1 — Caracterização:
Projecto 2 — Incremento dos estudos de recenseamento Projecto 1 — Caracterização dos tipos de habitats, es-
e de monitorização de biodiversidade da RAM e avaliação pécies e biocenoses terrestres na RAM;
do estado de conservação dos habitats e biocenoses; Projecto 2 — Caracterização dos principais habitats
Projecto 3 — Relacionamento de aspectos físicos/geo- aquáticos da RAM;
lógicos com tipos de habitats aquáticos através de estudos Projecto 3 — Inventariação dos tipos de fundos na RAM
de recenseamento; e das biocenoses a eles associados (subtidal até um mínimo
Projecto 4 — Diversificação de eventuais estratégias de de 50 m de profundidade);
actuação de forma a aumentar a eficácia da boa prática da Projecto 4 — Cartografia dos tipos de habitats, espécies
gestão sobre os recursos naturais existentes; e biocenoses na RAM;
Projecto 5 — Implementação de novas áreas protegidas, Projecto 5 — Cartografia dos tipos de fundos na RAM
principalmente no Porto Santo, e revisão das existentes, e das biocenoses associadas;
nomeadamente da Rede Natura 2000; Projecto 6 — Desenvolvimento de um SIG comum
Projecto 6 — Protecção das zonas sensíveis inventariadas. abrangente e actualizado;
Projecto 7 — Obtenção de ferramentas cartográficas
Sub-programa B.2 — Recuperação: que permitam avaliar o tipo e estado de conservação da
vegetação, nomeadamente das galerias riparias;
Projecto 1 — Recuperação das lagoas costeiras; Projecto 8 — Caracterização dos principais habitats aquáti-
Projecto 2 — Desenvolvimento de medidas de recu- cos em termos biológicos, físicos, químicos e morfológicos;
peração de algumas zonas degradadas (tendo em conta a Projecto 9 — Caracterização das águas superficiais do
vegetação potencial); Porto Santo.
Projecto 3 — Estudos de viabilidade para a reabilitação
das ribeiras afectadas pela falta de caudal; Sub-programa C.2 — Monitorização:
Projecto 4 — Recuperação das galerias ripícolas das
principais ribeiras da RAM; Projecto 1 — Implementação de uma rede de microre-
Projecto 5 — Minimizar impactes ambientais causados servas nas Ilhas da Madeira e do Porto Santo;
pela artificialização dos diversos tipos de massas de água; Projecto 2 — Monitorização das massas de água baseada
Projecto 6 — Implementação de mecanismos de fis- em elementos biológicos, físicos, químicos e morfológicos.
calização;
Projecto 7 — Desenvolvimento de um programa de Sub-programa C.3 — Sensibilização e educação:
controlo de espécies exóticas; Projecto 1 — Adaptação de programas de educação am-
Projecto 8 — Desenvolvimento de índices de classifi- biental com ênfase na importância da água e da protecção
cação da qualidade de habitat; das biocenoses associadas.
QUADRO 1.3
Matriz de correspondência entre projectos e objectivos operacionais para o Programa 3
Sub-programas básicos Sub-programas complementares
Objectivos operacionais B.1 B.2 C.1 C.2 C.3
P1 P2 P3 P4 P5 P6 P1 P2 P3 P4 P5 P6 P7 P8 P9 P10 P1 P2 P3 P4 P5 P6 P7 P8 P9 P1 P2 P1
3.1 Inventariação dos tipos de habitats, espécies z z z
e biocenoses na RAM
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008 5805
Sub-programas básicos Sub-programas complementares
Objectivos operacionais B.1 B.2 C.1 C.2 C.3
P1 P2 P3 P4 P5 P6 P1 P2 P3 P4 P5 P6 P7 P8 P9 P10 P1 P2 P3 P4 P5 P6 P7 P8 P9 P1 P2 P1
3.2 Obtenção de informação cartográfica so-
bre a distribuição de taxa endémicos e z z z z z
autóctones, habitats e biocenoses como
ferramentas de ordenamento
3.3 Incremento dos estudos de recensea-
mento e de monitorização da biodi-
versidade da RAM e avaliação do z z
estado de conservação dos habitats
e biocenoses
3.4 Introdução nos diversos tipos de Planos de
Ordenamento do Território das medidas z z z
de protecção das massas de água e das
biocenoses associadas
3.5 Recuperação e renaturalização dos espaços
associados e de protecção dos diferentes z z z z z z
tipos de massas de água
3.6 Controlo efectivo das espécies exóticas z z z
3.7 Aperfeiçoamento do sistema de caracte-
rização, classificação, referência e mo-
nitorização para a qualidade ecológica, z z z z z
físico -química e hidromorfológica dos
diferentes tipos de massas de água da
RAM
3.8 Sensibilização ecológica e educação am- z
biental
Programa 4 — Prevenção de riscos naturais e induzidos Sub-programa B.4 — transporte sólido:
pela actividade humana — cheias: Projecto 1 — Implantação de uma rede de monitoriza-
Sub-programa B.1 — Prevenção da ocorrência de cheias ção e análise de dados de transporte sólido.
e minimização dos seus efeitos:
Sub-programa B.5 — poluição acidental:
Projecto 1 — Estudos sobre cheias e zonas inun- Projecto 1 — Plano de emergência para actuação em
dáveis; caso de poluição acidental — elaboração de estudos.
Projecto 2 — Realização de estudos de reconhecimento,
correcção, manutenção e emergência; Sub-programa B.6 — Controlo das inundações das áreas
Projecto 3 — Realização de estudos de remodelação de ribeirinhas pela acção do mar:
redes de drenagem pluvial.
Projecto 1 — Estudo de análise e controlo das inunda-
Sub -programa B.2 — Mitigação dos efeitos das ções em áreas ribeirinhas pela acção do mar.
secas: Sub -programa B.7 — Controlo da vulnerabilidade dos
Projecto 1 — Plano de contingência para períodos de sistemas adutores à ocorrência de sismos:
seca — realização do estudo. Projecto 1 — Plano de emergência em situação de
sismos — realização de estudo.
Sub-programa B.3 — Controlo da erosão hídrica:
Sub-programa B.8 — Minimização de riscos de des-
Projecto 1 — Realização de estudos de conservação de lizamento:
poios e levadas;
Projecto 2 — Realização de estudos de reflorestação Projecto 1 — Estudo e controlo de zonas de risco de
das zonas de maior risco de erosão; deslizamentos.
Projecto 3 — Projectos de obras de correcção tor-
rencial; Sub-programa B.9 — Recuperação do areal da praia
Projecto 4 — Afectação dos planos de protecção do Porto Santo:
civil de recomendações sobre áreas críticas de ero- Projecto 1 — Estudo de recuperação do areal da praia
são. do Porto Santo.
5806 Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
QUADRO 1.4
Matriz de correspondência entre projectos e objectivos operacionais para o Programa 4
Sub-programas básicos
Objectivos operacionais B.1 B.2 B.3 B.4 B.5 B.6 B.7 B.8 B.9
P1 P1 P2 P1 P1 P1 P3 P4 P1 P1 P1 P1 P1 P1
4.1 Actuação urgente a nível da aquisição de informação, com ênfase para a hi-
z
drométrica
4.2 Aprofundamento dos estudos inerentes à caracterização de cheias e à consequente
z
realização de mapas de inundação
4.3 Levantamento da situação existente no que respeita à delimitação dos leitos de
cheia e à identificação e caracterização das infra-estruturas que interferem z
com o domínio hídrico
4.4 Levantamento da situação existente no que respeita a obstáculos, naturais e
artificiais, responsáveis por estrangulamentos nas linhas de água, com con-
z
sequente agravamento dos problemas de inundação e elaboração de propostas
de actuação
4.5 Actuação continuada de limpeza e de desassoreamento das linhas de água z
4.6 Análise da adequação das redes de drenagem de águas pluviais e seu eventual
z
reequacionamento
4.7 Análise da viabilidade de implementação de sistemas de vigilância e alerta de
cheias e realização de campanhas de sensibilização/educação das popula- z
ções
4.8 Actuação no sentido de disciplinar e ordenar a ocupação do território e, nomea-
z
damente, do domínio hídrico
4.9 Estudar a criação de eventuais bacias de retenção, tendo em vista a atenuação
z
dos caudais de ponta de cheia
4.10 Estudar os eventuais efeitos da criação de albufeiras nas principais ribeiras, no
controlo das cheias naturais dessas linhas de água, bem como das estruturas z
de amortecimento de cheias
4.11 Realizar estudos das ondas de inundação provocadas por eventuais acidentes
em barragens, incluindo o traçado dos correspondentes mapas de inundação, z
em cumprimento do disposto no RSB
4.12 Dar cumprimento à legislação em vigor que estabelece a obrigatoriedade da
elaboração de cartas de zonas inundáveis nos municípios com aglomerados z
urbanos atingidos por cheias
4.13 Elaborar planos de emergência par actuação em caso de inundações provocadas
z
por cheias induzidas por barragens
4.14 Aprofundar o conhecimento relativo à ocorrência e às características das secas
z
na zona do PRAM
4.15 Definir estratégias globais no sentido da utilização adequada da água, para
z
posterior implementação de um programa específico
4.16 Proceder à concepção preliminar de programas de actuação em situação de
seca, nomeadamente através da definição de limites admissíveis para a sobre-
z
-exploração e a deterioração da qualidade temporárias, quer dos recursos
superficiais, quer subterrâneos
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008 5807
Sub-programas básicos
Objectivos operacionais B.1 B.2 B.3 B.4 B.5 B.6 B.7 B.8 B.9
P1 P1 P2 P1 P1 P1 P3 P4 P1 P1 P1 P1 P1 P1
4.17 Implementar um programa de actuação em situação de seca crítica previsível,
compreendendo a redução/transferência de fornecimentos mediante a definição z
de prioridades na satisfação dos pedidos
4.18 Implementar medidas de intervenção prioritárias por bacia hidrográfica z
4.19 Proceder à conservação dos Poios e Levadas, em especial nas bacias com maior
z
risco de erosão
4.20 Reforço dos programas de reflorestação das bacias hidrográficas onde o riso de
erosão é mais elevado, sobretudo no flanco sul da Ilha da Madeira e Ilha do z
Porto Santo e para combate aos fogos florestais
4.21 Implementar obras de correcção nas bacias hidrográficas com maior risco de
z
erosão e desprendimento das terras
4.22 Incluir recomendações relativamente às áreas críticas de risco a introduzir nos
z
Planos de Protecção Civil
4.23 Melhoria do conhecimento sobre o fenómeno de transporte sólido através da
z
monitorização e da análise de dados
4.24 Elaboração de Planos de Emergência para actuação em caso de poluição aci-
z
dental
4.25 Desenvolver estudos sobre os efeitos das inundações das áreas ribeirinhas pela
z
acção do mar
4.26 Desenvolver a análise e o controlo da vulnerabilidade dos principais sistemas adu-
z
tores de água e de tratamento de águas residuais sujeitos a eventuais sismos
4.27 Realizar cartografia de riscos geológicos/geotécnicos para a minimização dos ris-
cos de deslizamento ou de queda de blocos para as ribeiras, para os sistemas de z
Levadas ou outros sistemas de adução e de tratamento de águas residuais
4.28 Elaboração de estudos para recuperação do Areal da Praia do Porto Santo z
Programa 5 — Ordenamento das ocupações do domínio Projecto 3 — Estudos de conservação da rede hidro-
hídrico: gráfica;
Sub -programa B.1 — Tipificação e critérios de de- Projecto 4 — Elaboração de cartografia a integrar em
limitação das áreas de protecção dos recursos hídri- sistemas de informação de apoio à gestão e decisão.
cos:
Sub-programa C.2 — Ordenamento das áreas de pro-
Projecto 1 — Definição de critérios de delimitação do
domínio hídrico. tecção dos recursos hídricos não incluídas no domínio
Projecto 2 — Definição de tipologias de áreas de REN hídrico:
relacionadas com a conservação e valorização dos recursos
Projecto 1 — Elaboração de normas relativas à conser-
hídricos.
vação e valorização dos recursos hídricos (PROT, Planos
Sub-programa C.1 — Ordenamento das áreas do do- Sectoriais);
mínio hídrico: Projecto 2 — Elaboração de normas relativas à con-
Projecto 1 — Elaboração de cartas de riscos de inun- servação e valorização dos recursos hídricos (POOC,
dação e de erosão; POAP);
Projecto 2 — Elaboração de directivas de ordenamento Projecto 3 — Elaboração de normas relativas à conser-
das margens e zonas inundáveis; vação e valorização dos recursos hídricos (PMOT).
5808 Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
QUADRO 1.5
Matriz de correspondência entre projectos e objectivos operacionais para o Programa 5
Sub-programa
Sub-programas complementares
básico
Objectivos operacionais B.1 C.1 C.2
P1 P2 P1 P2 P3 P4 P1 P2 P3
5.1 Uniformizar as tipologias e critérios de delimitação das áreas de protecção dos re- z z
cursos hídricos
5.2 Preservar as áreas do D. H. condicionando as actividades aos usos compatíveis com z z z
os objectivos de protecção e valorização ambiental
5.3 Promover o ordenamento das áreas abrangidas pelo D.H, destacando as medidas
tendentes à sua protecção e requalificação, que deverão integrar os instrumentos de z z z z
gestão territorial sob a forma de condições de ocupação e utilização.
5.4 Promover o ordenamento das áreas ribeirinhas sujeitas a inundações e preparar cartas z z z z
de risco de inundação
5.5 Definir directivas visando a protecção do D.H. e a reabilitação dos leitos e margens z z z
5.6 Enquadrar a generalidade dos Planos e Programas existentes ou a elaborar para a z z z z z
Região, com relevo, naturalmente, para os de incidência territorial
5.7 Elaboração de bases de dados e cartografia a integrar em sistemas de informação de z
apoio à gestão e decisão
Programa 6 — normas e regulamentos de protecção Sub-programa C.1 — Sistemas de informação e ges-
dos recursos hídricos: tão:
Sub-programa B.1 — Quadro legislativo e institucio- Projecto 1 — Realização de estudos de aumento da
nal: eficácia e eficiência de gestão dos sistemas de recursos
hídricos;
Projecto 1 — Reformulação do quadro legislativo e Projecto 2 — Promoção de contactos para articulação
institucional. integrada com outros sectores.
QUADRO 1.6
Matriz de correspondência entre projectos e objectivos operacionais para o Programa 6
Sub-programa Sub-programa
básico complementar
Objectivo operacional B.1 C.1
P1 P1 P2
6.1 Adaptação à Região de legislação específica em matéria de recursos hídricos, designadamente diversa
legislação a publicar na decorrência da aprovação da Lei da Água, nomeadamente a legislação a publicar z
a que se refere o artigo 102.º da Lei n.º 58/2005, de 29 de Dezembro
6.2 Aperfeiçoamento das competências dos serviços públicos que actuam no sector da água a nível regional, z
com base na reformulação do modelo de gestão
6.3 Reformulação do modelo de gestão da água, incluindo a redefinição das competências da IGA e do seu z z z
relacionamento com as Autarquias Locais. (Abastecimento de Águas)
6.4 Reformulação do modelo de gestão da água, incluindo a redefinição das competências da IGA e seu rela- z z z
cionamento com as Autarquias Locais. (Águas Residuais)
6.5 Implementação das atribuições e competências da autoridade regional da água, atendendo à legislação z
regional que adapta à RAM a Lei da Água
6.6 Licenciamento integrado das actividades que afectam os recursos hídricos z z
6.7 Garantir que a Política de Gestão Sustentada da Água e o Ordenamento do Território estão devidamente z z
compatibilizados e têm objectivos comuns e actuais
6.8 Promover a eficácia e eficiência operacional dos Sistemas de Abastecimento de Água e de Drenagem de z
Águas Residuais.
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008 5809
Sub-programa Sub-programa
básico complementar
Objectivo operacional B.1 C.1
P1 P1 P2
6.9 Promover uma melhor gestão das levadas de rega, de modo a prosseguir a sustentabilidade do sector, com z z
a participação dos utilizadores
6.10 Promover a monitorização, protecção e conservação das linhas de água e dos aquíferos de forma ambien- z
talmente adequada
6.11 Rever os Sistemas de Informação visando uniformizar os dados por utilização e por sistemas z z
Programa 7 — Valorização Económica dos recursos Projecto 3 — Estudo do património arqueológico no
hídricos: Domínio Público Hídrico;
Sub-programa C.1 — Compatibilização e racionaliza- Projecto 4 — Estudo sobre reutilização de águas resi-
ção dos usos não-comsumptivos:
duais tratadas;
Projecto 1 — Ordenamento das zonas de recreio e lazer;
Projecto 2 — Estudos monográficos para preservação Projecto 5 — Definição de critérios de ordenamento
e valorização das Levadas; das actividades de extracção de inertes.
QUADRO 1.7
Matriz de correspondência entre projectos e objectivos operacionais para o Programa 7
Sub-programa
complementar
Objectivos operacionais C.1
P1 P2 P3 P4 P5
7.1 Valorização do património hidráulico da Madeira através de acções conjuntas conducentes à sua rentabilização em
z z z
outros sectores económicos de interesse para a Região (Turismo, Cultura)
7.2 Definição e desenvolvimento de locais apropriados à constituição de zonas de recreio e lazer z z
7.3 Melhoria e ou conservação da paisagem ao longo das linhas de água e preservação da paisagem humanizada da z z
Ilha da Madeira
Programa 8 — Sistema económico e financeiro:
Sub-programa B.1 — Aplicação do regime económico e financeiro baseado nos princípios do utilizador-pagador e
poluidor-pagador:
Projecto 1 — Estudo de Fundamentação do Preço da Água.
QUADRO 1.8
Matriz de correspondência entre projectos e objectivos operacionais para o Programa 8
Sub-programa Básico
Objectivos Operacionais B.1
P1
8.1 Lançamento de taxas para Licenças ou Concessões z
8.2 Aplicação dos princípios do utilizador-pagador e poluidor-pagador z
8.3 Sistemas Pluritarifários z
8.4 Aplicação de Coimas z
8.5 Sistemas de Informação de Gestão z
5810 Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
Programa 9 — Monitorização, inventários, cadastros e Projecto 8 — Cadastros de infra-estruturas de efluentes
investigação e desenvolvimento: industriais — criação de bases de dados.
Sub-programa C.1 — Qualidade das águas superficiais
Sub-programa C.2 — Disponibilidades das águas su-
Projecto 1 — Pequenos aglomerados urbanos — dre- perficiais:
nagem e tratamento — elaboração de estudo;
Projecto 1 — Criação, actualização e manutenção de
Projecto 2 — Reutilização de efluentes urbanos — ela-
um sistema de informação hidrológica;
boração de estudo;
Projecto 2 — Criação, actualização e manutenção de
Projecto 3 — Monitorização de águas superficiais inte-
um sistema de informação sobre levadas.
riores — elaboração do projecto de monitorização;
Projecto 4 — Monitorização de águas costeiras — ela-
Sub-programa C.3 — Águas subterrâneas:
boração do projecto de monitorização;
Projecto 5 — Bases de dados sobre qualidade das águas Projecto 1 — Implementação da monitorização de águas
superficiais — concepção e carregamento de bases de dados; subterrâneas;
Projecto 6 — Reforço da capacidade laboratorial da Projecto 2 — Estabelecimento de um código de explo-
região — elaboração de estudo; ração de águas subterrâneas;
Projecto 7 — Cadastro de infra estruturas de saneamen- Projecto 3 — Conhecimento hidrogeológico da Ilha
to — completamento e elaboração de bases de dados; da Madeira.
QUADRO 1.9
Matriz de correspondência entre projectos e objectivos operacionais para o Programa 9
Sub-programas complementares
Objectivos operacionais C.1 C.2 C.3
P1 P2 P3 P4 P5 P6 P7 P8 P1 P2 P1 P2 P3
9.1 Cadastro de infra-estruturas de saneamento básico z
9.2 Cadastro de descargas industriais z
9.3 Monitorização de águas interiores z
9.4 Monitorização de águas costeiras z
9.5 Continuar o processo de reutilização das águas residuais tratadas de origem urbana,
sobretudo quando sujeitas a níveis de tratamento mais exigentes, pela realização de z
estudos de caracterização da situação actual ou prevista, envolvendo os diferentes
potenciais utilizadores.
9.6 Pequenos aglomerados urbanos — drenagem e tratamento z
9.7 Bases de dados sobre águas superficiais z
9.8 Reforço da capacidade laboratorial z
9.9 Reabilitação e, necessariamente, ampliação da actual rede hidrométrica, especial- z
mente da inserida em cursos de água naturais
9.10 Programa de exploração e manutenção continuadas da rede hidrométrica e de dis- z
ponibilização dos registos
9.11 Criação e permanente actualização de uma base de dados sobre as levadas e res- z
pectivas características
9.12 Melhoria do desempenho da rede udométrica, designadamente mediante a melhor z
distribuição espacial dos postos udométricos
9.13 Desenvolvimento de estudos experimentais para melhorar o conhecimento da repar- z
tição espacial da precipitação devida aos nevoeiros
9.14 Instrumentação de postos udométricos com equipamento de medição e registo de z
variáveis climáticas além da precipitação
9.15 Estudo da contribuição das reservas subterrâneas para os recursos hídricos disponíveis z
9.16 Implementar uma rede de monitorização, construída para o efeito para medição de z
níveis piezométricos e amostragem de águas
9.17 Explorar de forma sustentável os recursos hídricos subterrâneos z z
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008 5811
Programa 10 — Informação e participação das populações:
Sub-programa C.1 — Acções de sensibilização e formação:
Projecto 1 — Acções de sensibilização e formação.
QUADRO 1.10
Matriz de correspondência entre projectos e objectivos operacionais para o Programa 10
Sub-programa complementar
Objectivo operacional
C.1
10.1 Informar as populações nomeadamente através da elaboração regular de relatórios sintéticos sobre o estado
do ambiente a nível nacional, regional e local, com divulgação acessível e gratuita, para que aquelas z
possam compreender, interessar-se e participar activamente na resolução dos problemas ligados ao
ambiente em geral.
10.2 Promover acções de divulgação específica, associadas à entrada em funcionamento de novos empreendi-
mentos, à implementação de programas de medidas em relação a situações críticas ou a outras alterações z
significativas a nível da protecção ambiental.
10.3 Elaborar programa específico de formação continuada sobre matérias relevantes no âmbito dos recursos z
hídricos da Região.
10.4 Sensibilizar as populações com a elaboração de programas específicos para a necessidade de proteger
os meios hídricos, sobretudo nas situações em que a sua participação activa seja particularmente im- z
portante.
10.5 Sensibilizar os agentes económicos utilizadores de água para a adopção de políticas e práticas de utilização z
racional dos recursos.
Programa 11 — Avaliação sistemática do plano:
Sub-programa C.1 — Avaliação sistemática do plano:
Projecto 1 — Avaliação sistemática do plano.
QUADRO 1.11
Matriz de correspondência entre projectos e objectivos operacionais para o Programa 11
Sub-programa complementar
Objectivo operacional
C.1
11.1 Caracterizar e analisar o estado de realização do Plano com vista a controlar seu andamento z
2 — Articulação do PRAM com a DQA eliminação por fases de descargas, emissões e perdas
A implementação do PRAM e a gestão dos recursos dessas substâncias prioritárias; d) assegurar a redução
hídricos obedecerá aos princípios consagrados na DQA, gradual da poluição das águas subterrâneas e evitar o
nomeadamente no que se reporta à protecção das águas agravamento da sua poluição; e) contribuir para mitigar
de superfície interiores, das águas de transição, das águas os efeitos das inundações e secas.
costeiras e das águas subterrâneas, com o objectivo de: O quadro 2.1 apresenta as principais disposições da
a) evitar a continuação da degradação e proteger e me-
lhorar o estado dos ecossistemas aquáticos, e também DQA, bem como os respectivos prazos de execução e
dos ecossistemas terrestres e zonas húmidas directamente projectos do PRAM que contribuirão para dar resposta
dependentes dos ecossistemas aquáticos, no que respeita a estas disposições, salientando-se que algumas disposi-
às suas necessidades em água; b) promover um consumo ções da DQA já foram cumpridas nos prazos consagrados
de água sustentável, baseado numa protecção a longo e outras estão em fase de cumprimento pelos organismos
prazo dos recursos hídricos disponíveis; c) visar uma
regionais em coordenação com a autoridade nacional
protecção reforçada e um melhoramento do ambiente
aquático, nomeadamente através de medidas específi- da água, a qual é responsável por reunir e reportar a
cas para a redução gradual das descargas, das emissões informação de todo o território nacional aos órgãos co-
e perdas de substâncias prioritárias e da cessação ou munitários.
5812 Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
QUADRO 2.1
Cronograma das principais acções desenvolvidas no âmbito da implementação da DQA
Artigo Prazos da Programas/Projectos
Disposições da DQA
DQA DQA PRAM
Identificação das autoridades competentes das regiões hidrográficas 3.7 Dezembro P6 B.1 P1
24.1 de 2003 P9 C.1 P3
Transposição Anexo V. 1.4.1
Registo provisório das estações da rede de intercalibração do estado ecológico das águas
Caracterização das regiões de bacia hidrográfica; análise do impacte das actividades humanas sobre 5.1 Dezembro P2 B.2
o estado das águas de superfície e subterrâneas; análise económica das utilizações da água. Anexos II e III de 2004 P2 B.3
6 P2 B.6 P1, P2
15.2 P8 B.1 P1
Registo das zonas de protecção
P6 B.1 P6
Estabelecimento de critérios para a protecção das águas subterrâneas, na ausência de critérios 17.4 Dezembro P2 B.6
adoptados a nível comunitário. de 2005 P2 B.7
P9 C.3 P3
Exercício de intercalibração do estado ecológico das águas Anexo V. 1.4.1 Junho de P3 B.2
2005 P3 C.2 P2
Implementação dos programas de monitorização do estado das águas 8.2 Dezembro P9 C.1 P3,P4,P5
14.1 (a) de 2006 P9 C.3 P1
Estabelecimento de normas de qualidade ambiental para todos os meios hídricos afectados por 15.2 P2 B.1
16.8 P2 B.3
descargas de poluentes incluídos na lista de substâncias prioritárias e controlo das principais
fontes de descargas.
Estabelecimento de políticas de preços da água 9.1 Até 2010 P8 B.1 P1
Implementação do controlo das descargas pontuais e difusas de acordo com a abordagem com- 10.2 Dezembro P2 B.1
binada. de 2012 P2 B.2
P2 B.3
P2 B.4
P2 B.5
V — Avaliação de objectivos e medidas dem ser caracterizados pelo modelo Pressão-Estado-Resposta
(PER), que assenta em três grupos de indicadores:
1 — Considerações gerais
Pressão — descrevem as pressões das actividades hu-
Para avaliar os impactes da aplicação dos programas de manas sobre o meio ambiente e reflectem-se em alterações
medidas e acções correspondentes aos projectos propos- na qualidade ambiental e na qualidade e quantidade dos
tos, foram fixados os designados indicadores de Pressão- recursos naturais;
-Estado-Resposta, que permitem identificar, em termos Estado — descrevem a qualidade do ambiente e a quali-
ambientais, o estado de desenvolvimento dos recursos dade e quantidade de recursos naturais num dado horizonte
hídricos. Nalgumas circunstâncias, houve que adequar os espaço/tempo, permitindo caracterizar o seu estado;
indicadores considerados por forma a possibilitar a ava- Resposta — avaliam os esforços da sociedade às alte-
liação de desempenhos em contextos não estritamente de rações e preocupações ambientais.
índole da qualidade ambiental, mas envolvendo também
componentes intrinsecamente quantitativas. FIGURA 2.1
Modelo pressão-estado-resposta
2 — Indicadores
Para a antevisão prospectiva dos resultados da aplicação
dos objectivos e medidas anteriormente enunciados é de im-
portância essencial o estabelecimento do “ponto de partida”
relativo à situação actual, base de referência para a auscul-
tação e avaliação dos efeitos das medidas que forem sendo
implementadas, mas também o estabelecimento da situação
projectada para 2008, 2012 e 2020. A situação actual e as metas
estabelecidas para as diversas áreas temáticas relevantes no
âmbito do PRAM podem ser traduzidas por indicadores espe-
cíficos, mensuráveis quantitativamente ou qualitativamente,
criteriosamente seleccionados, permitindo, assim, avaliar, em
diversos contextos, o desenvolvimento dos recursos hídricos Estes indicadores apresentam-se sintetizados no qua-
regionais. Na definição dos indicadores, adoptou-se a classifi- dro 2.2 tendo sido agrupados, quando pertinente, por temas
cação da OCDE, segundo a qual os indicadores ambientais po- considerados relevantes.
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
QUADRO 2.2
Indicadores de avaliação da aplicação do Plano
Tipo de
Programa Tema Indicador Método de cálculo Situação actual 2008 2012 2020 Âmbito espacial
indicador
Indicadores Gerais Precipitação média anual Precipitação média anual por unidade de área Estado n.a n.a n.a n.a RAM
(m3/km2)
Volume de água disponível Razão entre o volume total de água disponível e Estado 3106 na Ilha da Ma- 3076 na Ilha da Ma- 3025 na Ilha da Ma- 2945 na Ilha da Ma- Ilhas da Madeira e do
por habitante (m3/hab) a população residente deira; 291 na Ilha deira; 257 na Ilha deira; 220 na Ilha deira; 177 na Ilha Porto Santo
do Porto Santo do Porto Santo do Porto Santo do Porto Santo
Volume de água utilizado por Razão entre o volume total de água utilizado e a Estado 428 na Ilha da Ma- 362 na Ilha da Ma- 339 na Ilha da Ma- 309 na Ilha da Ma- Ilhas da Madeira e do
habitante (m3/hab) população residente deira; 213 na Ilha deira; 253 na Ilha deira; 287 na Ilha deira; 312 na Ilha Porto Santo
do Porto Santo do Porto Santo do Porto Santo do Porto Santo
Densidade populacional População residente por unidade de área Pressão 314,55 318,29 324,61 335,11 Ilhas da Madeira e do
(hab/km2) Porto Santo
Utilização da Água Subter- Razão entre o volume total de água de origem Estado 30% na Ilha da Ma- 30% na Ilha da Ma- 30% na Ilha da Ma- 30% na Ilha da Ma- Ilhas da Madeira e do
rânea (%) subterrânea captada e o volume total de água deira; 2% na Ilha deira; 2% na Ilha deira; 1% na Ilha deira; 1% na Ilha Porto Santo
captada do Porto Santo do Porto Santo do Porto Santo do Porto Santo
Utilização da Água Dessali- Razão entre o volume total água dessalinizada e Estado 78% 83% 86% 88% Ilha do Porto Santo
nizada (%) o volume total de água captada
Perdas (%) Razão entre o volume total de água não contabi- Estado 54% na Ilha da Ma- 51% na Ilha da Ma- 43% na Ilha da Ma- 30% na Ilha da Ma- Ilhas da Madeira e do
lizado (fugas e consumos não contabilizados) deira; 32% na Ilha deira; 24% na Ilha deira; 20% na Ilha deira; 15% na Ilha Porto Santo
e o volume total de água captado do Porto Santo do Porto Santo do Porto Santo do Porto Santo
Abastecimento de Água à Po- Balanço Necessidades/ Utilização das disponibilida- Razão entre o volume total de água utilizado e o Pressão 7% 7% 7% 7% Ilha da Madeira
pulação e Actividades Eco- Disponibilidades des potenciais de água (%) volume potencial total de água disponível
nómicas 63% 85% 113% 152% Ilha do Porto Santo
Utilização das disponibili- Razão entre o volume total captado e o volume Desconhecido - - - Ilha da Madeira
dades recomendadas de de captação recomendado (1)
água (%)
Abastecimento de água População servida por siste- Razão entre a população residente servida por Pressão 96% 96,5% 97% 98% Ilha da Madeira
urbano (sem indús- mas públicos (%) sistema público e a população residente
tria e sem turismo) 100% 100% 100% 100% Ilha do Porto Santo
Capitação média (l/hab dia) Razão entre o volume médio diário de água con- Pressão 506 470 440 390 Ilhas da Madeira e do
sumida e a população residente Porto Santo
População servida com água Razão entre a população servida com água 96% 97% 98% 99% Ilha da Madeira
com tratamento adequado com tratamento adequado e a população
(%) residente 100% 100% 100% 100% Ilha do Porto Santo
Utilização sectorial da água Razão entre o volume de água utilizada no Estado 38% 43% 57% 75% Ilha da Madeira
(%) abastecimento urbano e o volume total de
água captada 84% 85% 85% 85% Ilha do Porto Santo 5813
Programa Tema Indicador Método de cálculo
Tipo de
indicador
Situação actual 2008 2012 2020 Âmbito espacial 5814
Perdas nos sistemas de abas- Razão entre o volume total de água não contabi- Resposta 62% 53% 45% 25% Ilha da Madeira
tecimento (%) lizado (fugas e consumos não contabilizados
ou contabilizados mas não facturados) e o
volume total de água utilizada no sector 33% 30% 25% 25% Ilha do Porto Santo
Utilização da Água Subter- Razão entre o volume de água de origem sub- Resposta 30% 30% 30% 30% Ilha da Madeira
rânea (%) terrânea utilizada e o volume total de água
utilizada no sector
Abastecimento de água Utilização sectorial de água Razão entre o volume total de água utilizada no Estado 38% 44% 48% 64% Ilha da Madeira
ao Turismo (%) sector do Turismo e o volume total de água
captada 84% 85% 85% 85% Ilha do Porto Santo
Abastecimento de água Utilização sectorial da água Razão entre o volume de água utilizada por este Estado 61% 72% 85% 93% Ilha da Madeira
à Indústria (%) sector e o volume total captado
85% 85% 85% 85% Ilha do Porto Santo
Abastecimento de água Dotação de rega (m³/ha) Volume médio de água utilizada por unidade Pressão 7400 6800 6300 5800 Ilha da Madeira
ao Sector Agrícola de área
5200 4500 4400 4200 Ilha do Porto Santo
Utilização sectorial da água Razão entre o volume total de água utilizada no Pressão 49% 44% 42% 42% Ilha da Madeira
(%) sector agrícola e o volume total das utiliza-
ções consumptivas
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
22% 17% 14% 12% Ilha do Porto Santo
Garantia de fornecimento de Razão entre o volume de água garantido e o Estado 70% 73% 75% 80% Ilha da Madeira
Caudais (%) volume de água necessário
50% 70% 75% 80% Ilha do Porto Santo
Eficiência de rega (%) Razão entre o volume de água necessário às cul- Resposta 55% 60% 65% 70% Ilha da Madeira
turas, a fornecer através de rega e o volume de
água derivado na origem para o mesmo fim 73% 80% 83% 85% Ilha do Porto Santo
Perdas do sistema de rega Razão entre o volume de água não utilizado Resposta 45% 40% 35% 30% Ilha da Madeira
(%) pelas culturas devido a perdas nos sistemas
de rega, e o volume derivado na origem para
o mesmo fim 27% 20% 18% 15% Ilha do Porto Santo
Nível de modernização da Razão entre a área regada por sistemas em pres- Resposta 5% 20% 50% 70% Ilha da Madeira
rega (%) são e a área total do regadio
Capacidade de regularização Razão entre a capacidade de armazenamento Resposta * 5% 10% 15% Ilha da Madeira
sazonal (%) sazonal e o volume total anual utilizado
20% 30% 50% 60% Ilha do Porto Santo
Taxa de instalação do rega- Aumento percentual da área regada em relação à Pressão * 20% 35% 60% Ilha do Porto Santo
dio (%) situação actual, devido à instalação de novos
regadios
Utilização de água subterrâ- Razão entre o volume de água de origem sub- Estado 30% 30% 30% 30% Ilha da Madeira
nea (%) terrânea utilizada e o volume total de água
utilizado neste sector 10% 10% 10% 10% Ilha do Porto Santo
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
Tipo de
Programa Tema Indicador Método de cálculo Situação actual 2008 2012 2020 Âmbito espacial
indicador
Sector Hidroeléctrico Peso da hidroelectricidade na Razão entre a produção de energia de origem Estado 15% 15% 12% 12% Ilha da Madeira
produção total de energia hídrica e a energia total produzida
eléctrica (%)
Volume por unidade de Razão entre o volume de água utilizada e a ener- Estado 1 024 1 000 1 000 1 000 Ilha da Madeira
energia hídrica produzida gia hídrica produzida
(m³/10³ kWh)
Utilização de água subterrâ- Razão entre o volume total de água de origem Estado 10% 10% 10% 10% Ilha da Madeira
nea (%) subterrânea utilizado e o volume total de água
utilizado no sector
Protecção das Águas e Controlo Águas Residuais Ur- Nível de atendimento com Razão entre a população servida com redes de Estado 60% 75% 80% 85% Ilhas da Madeira e do
da Poluição banas redes públicas de drena- drenagem e a população residente Porto Santo
gem (%)
Nível de atendimento com Razão entre a população servida com sistemas Estado 60% (2) 75% 80% 85% Ilhas da Madeira e do
sistemas de tratamento públicos de tratamento de águas residuais e Porto Santo
adequado (%) a população residente
Capitação de águas residuais Razão entre o volume médio diário de águas Estado 0,275 * * * Ilhas da Madeira e do
drenadas (m³/hab.dia) residuais drenadas e a população servida por Porto Santo
redes de drenagem
Capitação de águas residuais Razão entre o volume médio diário de águas Estado 0,275 (2) * * * Ilhas da Madeira e do
tratadas (m³/hab. dia) residuais tratadas e a população servida por Porto Santo
sistemas públicos de tratamento
Carga anual produzida em Contabilização simples Pressão 5652 5817 6019 6307 Ilhas da Madeira e do
CBO5 (t/ano) Porto Santo
Taxa de remoção em CBO5 Razão entre a carga removida e a carga produ- Resposta 12% 54% 62% 68% Ilhas da Madeira e do
(%) zida Porto Santo
Águas Residuais Indus- Nível de atendimento com Razão entre o número de unidades industriais Estado Desconhecida * * * Ilhas da Madeira e do
triais sistemas de tratamento com tratamento adequado e o número total Porto Santo
adequado (%) de unidades Industriais
Cobertura com tratamento Razão entre o volume tratado com soluções ade- Estado Desconhecida * * * Ilhas da Madeira e do
adequado (%) quadas e o volume produzido Porto Santo
Carga descarregada no meio Contabilização simples Pressão 1231 98 76 85 Ilhas da Madeira e do
em CBO5 (t/ano) Porto Santo
Taxa de cumprimento da le- Carga gerada considerando diferentes percenta- Resposta * 70 100 100 Ilhas da Madeira e do
gislação em CBO5 (%) gens de cumprimento da legislação Porto Santo
Carga descarregada no meio Contabilização simples Pressão 1420 145 114 122 Ilhas da Madeira e do
em SST (t/ano) Porto Santo
5815
Taxa de cumprimento da le- Carga gerada considerando diferentes percenta- Resposta * 70 100 100 Ilhas da Madeira e do
gislação em SST (%) gens de cumprimento da legislação Porto Santo
Programa Tema Indicador Método de cálculo
Tipo de
indicador
Situação actual 2008 2012 2020 Âmbito espacial 5816
Turismo Nível de atendimento com Razão entre o número de camas com tratamento Estado 85% 100% 100% 100% Ilhas da Madeira e do
sistemas de tratamento adequado e o número total de camas Porto Santo
adequado (%)
Carga anual produzida em Contabilização simples Pressão 274 424 564 688 Ilhas da Madeira e do
CBO5 (t/ano) Porto Santo
Taxa de remoção em CBO5 Razão entre a carga removida e a carga produ- Resposta 68% >=90% >=90% >=90% Ilhas da Madeira e do
(%) zida Porto Santo
Poluição difusa Carga anual de azoto afluente Estimativa das cargas poluentes resultantes da Pressão 35 35 35 35 Ilha da Madeira
ao meio hídrico (kg/ha/ actividade pecuária
ano)
Carga anual de fósforo Estimativa das cargas poluentes resultantes da Pressão 12 12 12 12 Ilha da Madeira
afluente ao meio hídrico actividade pecuária
(kg/ha/ano)
Águas Superficiais In- Taxa de monitorização de Razão entre o número de captações de águas Resposta 100% 100% 100% 100% Ilha da Madeira
teriores captações de águas su- superficiais monitorizadas e o número total
perficiais para produção dessas captações em actividade, destinadas à
de água para consumo produção de água para consumo humano na
humano (%) Ilha da Madeira, num dado ano
Captações de águas superfi- Razão entre o número de captações de águas Estado 100% 100% 100% 100% Ilha da Madeira
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
ciais com qualidade ade- superficiais com água que satisfaz os requi-
quada (%) sitos legais e o número total dessas captações
monitorizadas, destinadas à produção de água
para consumo humano na Ilha da Madeira,
num dado ano
Presença de substâncias pe- (a) Para o conjunto das substâncias perigo- Resposta Desconhecido nulo nulo nulo Ilhas da Madeira e do
rigosas nas águas super- sas: Razão entre o número de amostras Porto Santo
ficiais (de acordo com a que não satisfazem os requisitos legais e
legislação em vigor) o número total de amostras analisado em
programa específico, em águas superficiais
interiores, na RAM, num dado ano, em
percentagem
(b) Para cada parâmetro: Razão entre o número
de análises relativas a determinado parâme-
tro que não satisfazem os requisitos legais e
o número total de análise efectuado a esse
parâmetro em programa específico, em águas
superficiais interiores, na RAM, num dado
ano, em percentagem
Licenciamento de descargas Razão entre o número de licenças concedidas e o Estado Desconhecido mas 100% 100% 100% Ilhas da Madeira e do
de águas residuais (%) número de pontos de descarga identificadas muito baixo Porto Santo
Águas subterrâneas Áreas com poluição de águas Número de planos de acção realizados/número de Resposta Desconhecido 100% 100% 100% Ilhas da Madeira e do
subterrâneas áreas com águas subterrâneas poluídas Porto Santo
Áreas com risco de poluição Número de áreas com o risco de poluição e plano Resposta Desconhecido 0% 100% 100% Ilhas da Madeira e do
de águas subterrâneas de monitorização definidos/número total de Porto Santo
áreas potencialmente poluentes
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
Tipo de
Programa Tema Indicador Método de cálculo Situação actual 2008 2012 2020 Âmbito espacial
indicador
Taxa de monitorização de Razão entre o número de locais onde se faz a Estado ≈ 100% 100% 100% 100% Ilhas da Madeira e do
captações de águas sub- monitorização de águas subterrâneas e o Porto Santo
terrâneas para produção número total de captações para produção de
de água para consumo água para consumo humano, de acordo com
humano (%) a legislação aplicável
Índice de poluição das águas Conforme texto em apêndice Estado 0% 0% 0% 0% Ilhas da Madeira e do
subterrâneas (%) Porto Santo
Origens de água protegidas Razão entre o número de captações com perí- Resposta Desconhecido 100% 100% 100% Ilhas da Madeira e do
(%) metros de protecção definidos e o número Porto Santo
total de captações (captações abrangidas pelo
Decreto-Lei n.º 382/99)
Áreas de recarga protegidas Razão entre as áreas de recarga protegidas e as Resposta Desconhecido 100% 100% 100% Ilhas da Madeira e do
(%) áreas de recarga que interessa proteger Porto Santo
Águas costeiras Taxa de Monitorização de Razão entre o número de zonas balneares clas- Resposta 100% 100% 100% 100% Ilhas da Madeira e do
zonas balneares classifi- sificadas monitorizadas e o número total Porto Santo
cadas (%) dessas zonas, na RAM, num dado ano, em
percentagem
Zonas balneares classificadas Razão entre o número de zonas balneares classi- Estado 100% 100% 100% 100% Ilhas da Madeira e do
com qualidade adequada ficadas que satisfazem os requisitos legais e o Porto Santo
(n.º) número total de zonas balneares classificadas
monitorizadas, na RAM, num dado ano, em
percentagem
Licenciamento de descargas Razão entre o número de licenças concedidas e o Estado Desconhecido 100% 100% 100% Ilhas da Madeira e
de águas residuais (%) número de pontos de descarga identificadas Porto Santo
Presença de substâncias peri- (a) Para o conjunto das substâncias perigosas: Estado Desconhecida Nula Nula Nula Ilhas da Madeira e do
gosas nas águas costeiras Razão entre o número de amostras que não Porto Santo
(de acordo com a legisla- satisfazem os requisitos legais e o número
ção em vigor) total de amostras analisado em programa es-
pecífico, em águas costeiras, na RAM, num
dado ano, em percentagem
(b) Para cada parâmetro: Razão entre o número
de análises relativas a determinado parâme-
tro que não satisfazem os requisitos legais e
o número total de análises efectuado a esse
parâmetro em programa específico, em águas
costeiras, na RAM, num dado ano, em per-
centagem
Protecção dos ecossistemas Caracterização Grau de Conhecimento sobre % de grupos taxonómicos incluídos em Che- Estado Conhecimento in- 15% 30% 50% RAM
aquáticos e sistemas Naturais a biodiversidade e sua es- cklists e atlas completo sobre a
relevantes para a protecção pacialização biodiversidade da
dos recursos hídricos RAM
Classificação dos meios hí- (De acordo com a legislação aplicável) Estado Falta de caracteriza- Incompleto Completo Completo RAM
dricos (%) ção de massas de
água de superfície
baseado nos siste-
5817
mas em anexo II
do DQA
Programa Tema Indicador Método de cálculo
Tipo de
indicador
Situação actual 2008 2012 2020 Âmbito espacial 5818
Caracterização biológica das % das águas superficiais caracterizadas biologi- Estado Ausência de cartogra- Incompleto Razoável Completo RAM
águas superficiais em base camente e em base cartográfica fia sobre espécies
cartográfica (%) e biocenoses
Protecção e Conser- % da superfície total da RAM Razão entre a superfície total das áreas protegidas Estado Aproximadamente 70% 70% 70% RAM
vação incluída em áreas protegi- e a superfície total da RAM (A) 70%
das e classificadas (A)
% das áreas dos Habitats da A calcular por habitat: razão entre a superfície Pressão Desconhecido para - - - RAM
DH incluídos em áreas de um habitat da DH incluído em áreas pro- a maior parte dos
protegidas e classifica- tegidas e a superfície total do mesmo habitat habitats
das (B) na RAM (B)
% das populações de taxa A calcular por taxa incluído na DH e convenção Pressão Desconhecido para - - - RAM
da DH (ou Convenção de Berna: razão entre o número de popula- a maior parte das
de Berna) incluídas em ções que ocorrem em áreas protegidas e o espécies
áreas protegidas e clas- número total de populações (pode nalguns
sificadas casos ser calculado pelo número de indi-
víduos) C
Áreas de domínio hídrico Razão entre a área de domínio hídrico inserida Pressão Desconhecido - - - RAM
inseridas em áreas prote- em áreas protegidas e a área total de domínio
gidas (%) hídrico
Áreas de protecção de capta- Razão entre as captações de água incluídas Pressão Desconhecido - - - RAM
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
ções de água destinada ao em áreas de protecção e o número total de
consumo humano (%) captações
Áreas de protecção de espé- Razão entre o número de populações de espécies Pressão Inexistentes (algu- - - - RAM
cies aquáticas de interesse aquáticas de interesse ecológico incluídas em mas incluídas nas
ecológico (%) áreas de protecção e o número total de po- áreas protegidas
pulações de espécies aquáticas de interesse e classificadas da
ecológico RAM)
Linhas de água sujeitas a Cartografia de % de caudais retidos (com uma Pressão 0% - - - RAM
regime de caudais ecoló- das percentagens a corresponder ao valor do
gicos (%) caudal ecológico)
Protecção e Conserva- Grau de adequação das áreas Calculado através da fórmula: [(B+C)/A] (ver Estado Apesar de ocorrerem Razoável Completo Completo RAM
ção (cont.) protegidas tendo em conta índices anteriores) diversas áreas pro-
o conhecimento actuali- tegidas na RAM
zado sobre espécies e ha- vários tipos de
bitats (nomeadamente os habitats e espécies
da directiva Habitats) não estão nelas re-
presentadas
Monitorização Grau de conhecimento de Superfície ocupada por espécies exóticas vege- Resposta Algum conhecimento Diminuição das áreas Controlo das áreas Controlo das áreas RAM
áreas e habitats ocupados tais avaliada através de cartografia (avaliação sobre algumas es- infestadas infestadas infestadas
por espécies exóticas (nú- quinquenal); % de cobertura das espécies exó- pécies infestantes,
mero de espécies natura- ticas nos pontos de amostragem da rede de mas ausência de
lizadas) monitorização (anual) elementos car-
tográficos e pro-
jecções da área
ocupada
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
Tipo de
Programa Tema Indicador Método de cálculo Situação actual 2008 2012 2020 Âmbito espacial
indicador
Grau de implementação % das massas de água da RAM monitorizadas Resposta Existência de uma rede Razoável Completo Completo RAM
da cobertura da rede de de monitorização,
Monitorização ecológica que não abrange
das diferentes massas de todas as ribeiras,
água incipiente em Porto
Santo e massas de
água costeiras
Elementos de qualidade bio- % dos elementos de qualidade ecológica utili- Resposta Necessidade de inclu- 100% 100% 100% RAM
lógica para a monitoriza- zados na monitorização recomendados pela são de novos ele-
ção das massas de água de DQA e existentes na região mentos biológicos
superfície (Algas — DQA)
(valor actual
66.6% )
Recuperação Recuperação de lagoas cos- Razão entre o número de lagoas costeiras e Resposta Lagoas costeiras e 50% 100% 100% RAM
teiras e interiores (%) interiores em “Bom estado ecológico “ e o interiores degra-
número total de lagoas (aferido pelo IBM dadas
e IQV)
Recuperação de linhas de % das linhas de água com coberto vegetal natu- Estado Degradação da ve- Parcialmente recupe- Parcialmente recupe- Recuperadas RAM
água, incluindo a vegeta- ral (com base na cartografia de vegetação e getação ripícola e radas radas
ção ripícola (%) pontos da rede de monitorização) aquática
Resposta Degradação acen- 15% 30% 60% RAM
-tuada de alguns
tipos de vegetação
natural, nomeada-
mente dos respon-
sáveis pela recarga
de aquíferos
% recuperação de habitats e Aferido através do IBM e IQV na rede de mo- Resposta Degradação acen- Parcialmente recupe- Recuperadas Recuperadas RAM
espécies aquáticas pela nitorização tuada de habitats radas
reposição de caudais e desaparecimento
de espécies aquáti-
cas pela inexistên-
cia ou diminuição
de caudais
Recuperação de área poten- Razão entre a área potencial e área efectivamente Resposta Degradação de alguns Parcialmente recupe- Parcialmente recupe- Recuperadas RAM
cial ocupada por comuni- ocupada pelos principais tipos de vegetação tipos de vegeta- radas radas
dades naturais (%) natural florestal (depende do levantamento ção natural, no-
cartográfico para obter o valor actual e de meadamente dos
levantamentos subsequentes quinquenais) responsáveis pela
recarga de aquífe-
ros; muito embora
existam projectos
de recuperação em
curso de habitats e
espécies através
5819
de programas co-
munitários
Programa Tema Indicador Método de cálculo
Tipo de
indicador
Situação actual 2008 2012 2020 Âmbito espacial 5820
Recuperação de área poten- Razão entre a área potencial e área efectivamente Resposta Degradação das co- 25% 50% 100% Madeira
cial ocupada por comuni- ocupada pelos principais tipos de vegetação munidades aquá-
dades naturais (%) natural florestal (depende do levantamento ticas devido a ar-
cartográfico para obter o valor actual e de tificialização das
levantamentos subsequentes quinquenais) linhas da água, a
poluição pontual
e difusa, degrada-
ção dos habitats
circundantes e
desvio do caudal
para as Levadas
Recuperação dos habitats de Razão entre a área potencial e a área efectiva- Resposta Recuperação em - - - RAM
altitude afectados pelo mente ocupada por este tipo de vegetação curso de habitats
pastoreio e erosão asso- arbustiva/arbórea e espécies através
ciada (%) de programas co-
munitários
Estado Recuperação em es- Parcialmente recu- Completamente recu- Completamente recu- Ilhas da Madeira, Porto
tado inicial pela perados, com perados com resul- perados com resul- Santo e Desertas
existência de pro- programas de tados aferidos pela tados aferidos pela
gramas regionais monitorização monitorização monitorização
de diminuição da instalados
carga animal das
zonas de altitude
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
da Madeira, De-
sertas e do Porto
Santo, que devem
ser incrementados
e monitorizados
Renaturalização de corpos de % de carga animal Resposta Programas regionais 50% 0% 0% RAM
água artificiais (%) de diminuição da
carga animal das
zonas de altitude
da Madeira, De-
sertas e do Porto
Santo
% dos corpos de água artificializados com mar- Estado Inexistência de pro- Parcialmente renatu- Parcialmente renatu- Renaturalizadas Ilhas da Madeira e do
gens ou envolvente renaturalizada (pode ser gramas de rena- ralizadas ralizadas Porto Santo
aferido pelo IQV e também indirectamente turalização de
pelo IBM) corpos de água
artificiais (in-
cluindo ribeiras
regularizadas)
Sensibilização e Edu- Presença de resíduos sólidos Razão entre os pontos de amostragem com resí- Resposta Presença de resíduos Redução Redução Inexistência Ilhas da Madeira e do
cação em linhas de água e ou- duos sólidos e sem resíduos sólidos com base sólidos em massas Porto Santo
tros habitats; e tipologia na rede de monitorização proposta de água e outros
das práticas ecológicas da tipos de habitats;
população existência de prá-
ticas não ecológi-
cas na utilização
da água
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
Tipo de
Programa Tema Indicador Método de cálculo Situação actual 2008 2012 2020 Âmbito espacial
indicador
Tipologia das práticas eco- Quantificar através de inquérito, número de Pressão Inexistência de pro- Implementação, de- Desenvolvimento e Desenvolvimento e Ilhas da Madeira e do
lógicas da população e coimas aplicadas, denúncias ou acções de gramas educativos senvolvimento e aplicação aplicação Porto Santo
grau de sensibilização da fiscalização e acções de sensi- aplicação
mesma bilização contínuos
sobre os aspectos
do meio hídrico
regional e a sua
inter–relação com
os ecossistemas
associados
Prevenção de Riscos Naturais Prevenção e minimi- População em situação de Percentagem da população afectada periodica- Pressão Desconhecida - - ± 0% Ilhas da Madeira, Porto
e Induzidos pela Actividade zação de cheias e risco de cheia ou inunda- mente por cheias e inundações significativas Santo e UHP
Humana inundações ção (%) relativamente ao total da população
Inadequação da rede hidro- Percentagem da extensão da rede hidrográfica Pressão Desconhecida - - ± 0% Ilhas da Madeira,
gráfica ao funcionamento com problemas de capacidade de vazão re- Porto Santo e Ba-
hidráulico para caudais de lativamente à extensão total da rede hidro- cias hidrográficas
cheias (%) gráfica onde ocorrem
Prevenção de cheias e inun- Percentagem da área com planos de prevenção, Resposta Desconhecida - - ± 100% Bacias hidrográficas
dações (%) aviso e alerta em relação à área total com
riscos significativos de inundação
Riscos de deslizamentos Risco potencial de desliza- Razão entre a extensão de troços em risco e a Resposta Desconhecida - - - Ilhas da Madeira,
de terras, erosão e mentos de terras sobre a extensão total da rede hidrográfica Porto Santo e Ba-
transporte sólido na rede hidrográfica (%) cias hidrográficas
rede hidrográfica com problemas
Produção e transporte de se- Razão entre a produção de sedimentos anual Pressão Desconhecida - - ± 100% Bacias hidrográficas
dimentos (%) média (m³/ano) e a capacidade de transporte com problemas
(m³/ano)
Controlo da produção de se- Razão entre as áreas intervencionadas com me- Resposta Desconhecida - - ± 100% Ilhas da Madeira, Porto
dimentos afluentes à rede didas de erosão (ha) e a área total com risco Santo e UHP
hidrográfica (%) médio a elevado de erosão (ha)
Poluição acidental das Risco potencial de poluição Razão entre o n.º de locais dotados de planos de se- Estado Desconhecida 100% 100% 100% Ilhas da Madeira, Porto
águas interiores acidental gurança e emergência e o n.º de instalações em Santo e Bacias hidro-
locais onde podem ocorrer acidentes de poluição gráficas com riscos
Riscos associados às Segurança contra a acção Razão entre o n.º de situações de risco de vidas Resposta Desconhecido 100% 100% 100% Ilhas da Madeira e do
águas costeiras marítima costeira (%) humanas ou bens materiais protegidos e o Porto Santo
n.º total de situações de risco
Erodibilidade da linha cos- Extensão anual de plano de linha de costa com Pressão Desconhecido - - - Ilhas da Madeira e do
teira (km) implicações ambientais, humanas e materiais Porto Santo
significativas (km)
Riscos e Protecção Recuperação da Praia do Razão entre área recuperada e área total a re- Resposta Desconhecido 100% 100% 100% Ilha do Porto Santo
Civil Porto Santo cuperar
Nível de segurança dos siste- Razão entre o n.º de sistemas de abastecimento Resposta Desconhecido 100% 100% 100% Ilha da Madeira, Ilha de
5821
mas de abastecimento de de água com plano de segurança e de energia Porto Santo e Bacias
água (%) e o n.º total de sistemas hidrográficas
Programa Tema Indicador Método de cálculo
Tipo de
indicador
Situação actual 2008 2012 2020 Âmbito espacial 5822
Ordenamento das Ocupações de Delimitação e Ocu- Domínio Hídrico com carto- Razão entre a área cartografada digitalmente e a Resposta Em execução com 100% 100% 100% Ilhas da Madeira e
Domínio Hídrico pação do Domínio grafia digital (%) área total do domínio hídrico cartografia à es- Porto Santo
Hídrico cala 1:25 000
Aplicação efectiva dos condi- Razão entre os condicionamentos vigentes e os Resposta Desconhecida 70% 100% 100% Ilhas da Madeira e
cionamentos definidos na efectivamente aplicados Porto Santo
legislação vigente (%)
Ordenamento das áreas PDM’s aprovados/rectifica- Razão entre o número de PDM’s aprovados/recti- Resposta 100% 100% 100% 100% Ilhas da Madeira e
do domínio hídrico dos (%) ficados e o número total de PDM’s a executar Porto Santo
(número de concelhos)
POOC’s aprovados (%) Razão entre o número de POOC’s aprovados e Resposta 0% 100% 100% 100% Ilhas da Madeira e
o número total de POOC’s Porto Santo
Grau de ordenamento das Razão entre áreas urbanas em zonas inundáveis Resposta 10% 5% 3% 0% Ilhas da Madeira e
margens (%) e área inundável total Porto Santo
Áreas protegidas (%) Razão entre áreas protegidas e área total Resposta Desconhecida - - - Ilhas da Madeira e
Porto Santo
Risco de erosão (%) Razão entre áreas urbanas e agrícolas nas zonas Resposta Desconhecida - - - Ilhas da Madeira e
de risco de erosão e área total com risco de Porto Santo
erosão
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
Valorização Económica dos Re- Preservação e valoriza- Extensão de levadas integra- Razão entre a extensão de levadas integradas Estado Desconhecido - - - Ilha da Madeira
cursos Hídricos ção das Levadas das em percursos turísti- em percursos turísticos e a extensão total de
cos (%) levadas
Estudo do Património Grau de levantamento de Razão entre área das bacias com levantamento Estado Desconhecido - - - Ilha da Madeira
no domínio hídrico linhas de água (%) e área total
Reutilização de Águas Reutilização (%) Razão entre volumes reutilizados e volumes Estado Muito reduzido - - - Ilhas da Madeira e do
Residuais Tratadas totais tratados Porto Santo
Ordenamento das Ac- Extracções licenciadas (%) Razão entre número de extracções com licença Estado Muito reduzido 100% 100% 100% Ilhas da Madeira e do
tividades de Extrac- e o número total de extracções Porto Santo
ção de Inertes
Sistema Económico e Financeiro Economia da água Sustentabilidade económico- Custos de exploração/proveitos Estado <100% - - 100% Ilhas da Madeira e do
-financeira do sector (%) Porto Santo
Monitorização, Inventários, Conhecimento das Dis- Índice referente à área em Percentagem de área, relativamente à área da Pressão Não avaliado mas Intermédia 100% 100% Ilhas da Madeira e
Cadastros e Investigação e ponibilidades Hídri- que a avaliação dos recur- RAM com informação reconhecidamente certamente su- Porto Santo
Desenvolvimento cas — Sistemas de sos hídricos superficiais insuficiente para permitir avaliar as dispo- perior à metade
Informação e subterrâneos é insufi- nibilidades hídricas potenciais da área das Ilhas
ciente (%) da Madeira e do
Porto Santo
Esforço de I & D sobre a Custos de investimento no aprofundamento do Estado Desconhecido Parcial Completo Completo Ilhas da Madeira e
caracterização e mode- conhecimento Porto Santo
lação das disponibilida-
des hídricas superficiais
(euros)
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
Tipo de
Programa Tema Indicador Método de cálculo Situação actual 2008 2012 2020 Âmbito espacial
indicador
N.º de variáveis hidrológicas Variáveis hidrológicas objecto de monitorização Estado Insuficiente Parcial Completo Actualizado Ilhas da Madeira e
acessíveis em bases de da- e divulgação de registos por meio de bases de Porto Santo
dos (n.º) dados organizadas
Monitorização e gestão Taxa de cobertura por re- Razão entre o n.º de postos existentes e o n.º Resposta Intermédia 100% 100% Ilhas da Madeira e
de recursos hídricos des de monitorização de postos necessários para uma adequada Porto Santo
adequadas de variáveis caracterização
hidrológicas para águas
superficiais (%)
Taxa de monitorização das Razão entre o número de locais onde se faz a Estado Desconhecido 100% 100% 100% Ilhas da Madeira e
águas subterrâneas (%) monitorização de águas subterrâneas e o nú- Porto Santo
mero total de locais definidos para se fazer
a monitorização
Taxa de adequação da água Número de casos com utilização adequada da Resposta Desconhecido 100% 100% 100% Ilhas da Ilhas da
subterrânea ao uso (%) água/número de casos de utilização de água Madeira e Porto
Santo
Taxa de monitorização das Razão entre o número de locais monitorizados Resposta 100% 100% 100% 100% Ilhas da Madeira e
águas superficiais inte- em águas superficiais interiores e o número Porto Santo
riores (%) total de locais de monitorização previstos nes-
sas águas em programa específico, na RAM,
num dado ano, em percentagem
Taxa de monitorização das Razão entre o número de locais monitorizados Resposta 100% 100% 100% 100% Ilhas da Madeira e
águas costeiras (%) em águas costeiras em relação ao número total Porto Santo
de locais de monitorização previstos nessas
águas em programa específico, na RAM, num
dado ano, em percentagem
Taxa de monitorização de (a) Para o conjunto das substâncias perigosas: Resposta 50% 100% 100% 100% Ilhas da Madeira e
substâncias perigosas Razão entre o número de locais de amostra- Porto Santo
(%) gem monitorizados e o número total de locais
de amostragem previstos para monitorização
em programa específico, em determinado tipo
de águas, na RAM, num dado ano, em per-
centagem
(b) Para cada parâmetro: Razão entre o nú-
mero de amostras analisado de um dado
parâmetro e o número total de amostras
previsto para análise ao mesmo parâmetro
em programa específico, em determinado
tipo de águas, na RAM, num dado ano, em
percentagem
Disponibilização de bases de Não quantificável Estado Inexistente Disponível Disponível Disponível Ilhas da Madeira e
dados sobre qualidade das Porto Santo
águas superficiais
Disponibilização de estudo Não quantificável Estado Inexistente Disponível Disponível Disponível Ilhas da Madeira e
5823
sobre as capacidades la- Porto Santo
boratoriais da região
5824 Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
VI — Estratégias de Implementação
Ilhas da Madeira e Ilhas da Madeira e Ilhas da Madeira e Ilhas da Madeira e Ilhas da Madeira e Ilhas da Madeira e
Âmbito espacial
1 — Estratégia global
Porto Santo Porto Santo Porto Santo Porto Santo Porto Santo Porto Santo
1.1 — Considerações prévias
O PRAM atende ao conjunto de princípios e linhas estra-
tégicas principais que resultam das orientações expressas na
Directiva n.º 2000/60/CE, do Parlamento Europeu e do Con-
2020 selho, de 23 de Outubro, e na legislação nacional em vigor, a
qual estabelece as bases e o quadro institucional para a gestão
- - - - - - sustentável das águas, numa lógica de valorização, protec-
ção e gestão equilibrada dos recursos hídricos regionais,
assegurando a sua harmonização com o desenvolvimento
regional e sectorial através da racionalização dos seus usos.
2012
1.2 — Integração da estratégia no PNA e na DQA
Os objectivos gerais a atingir na Região Autónoma da
- - - - - -
Madeira foram definidos por forma a produzir efeitos na
resolução de problemas e conflitos e a potenciar as caracterís-
2008 ticas mais positivas do sistema de recursos hídricos regional.
Para a prossecução dos objectivos do PRAM, a estratégia
- - - - - - tem como referência os paradigmas fixados pelo PNA resul-
tantes das tendências mais recentes do conhecimento e da
experiência na gestão dos recursos hídricos: (i) fundamentos
Situação actual
de dimensão nacional e internacional; (ii) de administração
de recursos hídricos e de (iii) economia da água. No que
respeita às grandes questões nacionais, salienta-se o reco-
n.a n.a n.a n.a n.a n.a
nhecimento da necessidade de promover um desenvolvi-
Tipo de mento sustentável, baseado num compromisso duradouro e
indicador
Estado Pressão Pressão Estado Estado Estado equilibrado entre os interesses de diferentes gerações. Este
tipo de desenvolvimento exige, desde logo, a optimização
na disponibilização da água e a racionalização do respectivo
uso, incluindo o tratamento das águas residuais e a reutili-
zação das mesmas, quando necessário, por forma a serem
evitadas perdas ou desperdícios e a eventual desnecessária
Método de cálculo
ampliação ou expansão das infra-estruturas de captação e
transporte de água. A referida optimização induzida pelo
Contabilização simples Contabilização simples
Queixas formalizadas (n.º/ Contabilização simples
Sugestões e propostas for- Contabilização simples
Informação e Participação das Informação e Participa- Acções de sensibilização, Contabilização simples
Instrumentos normativos Contabilização simples
PRAM deve, assim, reflectir-se nos aspectos quantitativos
e qualitativos do uso da água, salientando-se em particular
o respeito pelos valores ambientais naturais associados aos
recursos hídricos. Neste contexto, a necessidade de agir do
lado da segurança, por forma a promover a garantia dos va-
muladas pela população adaptados/transpostos
lores mais significativos do património natural e a correcção
(1) A calcular pela aplicação das metodologias de determinação dos caudais ambientais
de eventuais desequilíbrios deve constituir uma estratégia
ano) Normas e regulamen- Autos de notícia (n.º/ano) Coimas aplicadas (n.º/ano)
fundamental na implementação do PRAM. Por sua vez, a
DQA tem como objectivo “estabelecer um enquadramento
Indicador
(n.º/ano) em vigor (n.º)
Populações ção das Populações informação e discussão
para a protecção das águas de superfície interiores, das águas
de transição, das águas costeiras e das águas subterrâneas
que... promova um consumo de água sustentável, baseado
numa protecção a longo prazo dos recursos hídricos dispo-
(2) Considerando tratamento pré-primário e simples gradagem
tos
níveis...”. O respectivo articulado contempla questões como
disposições administrativas, objectivos ambientais, análise do
impacto ambiental da actividade humana e análise económica
Tema da utilização da água, registo de zonas protegidas, monito-
rização do estado das águas de superfície e subterrâneas e
por ano (n.º/ano)
das zonas protegidas, fontes tópicas e difusas, programas de
medidas, planos de gestão de bacia hidrográfica, informação
* Não possível determinação tecnicamente fundamentada
e consulta do público, estratégias de combate à poluição,
etc., todas elas, portanto, também relacionadas com os ob-
Normas e regulamentos
jectivos considerados e as medidas propostas no PRAM.
Programa
1.3 — Ordenamento do Território
O ordenamento do território é um dos temas fundamen-
tais na concretização de uma política de desenvolvimento
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008 5825
sustentado no domínio dos recursos hídricos, através do pretende promover a coordenação das diferentes medidas
planeamento e posterior controlo efectivo do desenvol- para a protecção das águas (de consumo humano, de ba-
vimento de cada projecto específico, tendo em vista a nho, entre outras) e eliminar qualquer omissão ou vazio
manutenção ecológica dos recursos e a protecção contra que possa existir e alcançar os objectivos definidos de
os potenciais riscos associados à água. Neste contexto, forma global. Salienta-se, em particular, a promoção das
o PRAM estabelece directrizes para o ordenamento do medidas de protecção das águas superficiais e subterrâ-
domínio hídrico apontando, simultaneamente, as princi- neas, incluindo a monitorização da qualidade ecológica
pais orientações no sentido de conciliar as dinâmicas de das primeiras e a garantia de um bom estado químico das
transformação sócio-económica com a racionalização do segundas. A protecção contra a poluição do meio hídrico
recurso água, de importância estratégica para o território. exige a aplicação e cumprimento da legislação, a fixação
Considerando os instrumentos de ordenamento do território de valores limite para as emissões poluentes, o controlo
existentes na área do PRAM, as estratégias temáticas a das pressões decorrentes de actividades económicas espe-
adoptar, no âmbito do ordenamento e gestão do domínio cíficas e a promoção de construção das infra estruturas de
hídrico, são as que seguidamente se enunciam: tratamento e drenagem das águas residuais. Em conformi-
dade com o exposto, propõem-se as seguintes estratégias
- Elaboração de recomendações para a revisão/elabora- fundamentais:
ção de instrumentos de desenvolvimento e ordenamento
do território: Plano Regional de Ordenamento do Terri- - Dar prioridade à eliminação de carências ou disfunções
tório (POTRAM), Planos Especiais de Ordenamento do ambientais que constituam simultaneamente violação de
Território (PEOT`s), Planos de Ordenamento de Áreas disposições aplicáveis do direito nacional ou comunitário;
Protegidas (POAP`s) e Planos Municipais de Ordenamento - Perspectivar como objectivos de curto prazo: (a) a
do Território (PMOT`s); protecção de recursos hídricos de interesse estratégico,
- Planeamento integrado das áreas abrangidas pelo do- particularmente das origens de água para abastecimento
mínio hídrico. público e das zonas de reconhecido interesse ecológico
em que a melhoria da qualidade da água constitua factor
1.4 — Valorização dos recursos hídricos determinante para a sua conservação; (b) a eliminação
de disfunções ambientais graves, consideradas como as
A estratégia global de implementação tem necessaria-
que estão associadas a implicações na saúde pública, que
mente como tónica principal a valorização social, econó-
podem prejudicar importantes utilizações da água ou que
mica e ambiental dos recursos hídricos, nas suas várias e
podem contribuir para a degradação de zonas de interesse
concorrenciais utilizações, tal como é aliás preconizado
conservacionista;
quer a nível nacional (PNA e Lei da Água), quer a nível
- Implementar um quadro de disciplina progressiva
da União Europeia (DQA). No respeitante à valorização
nas relações institucionais entre utilizadores/poluidores e
dos recursos hídricos, a aplicação em termos temporais
a entidade licenciadora, que conduza à regularização do
das medidas preconizadas no PRAM deverá assim pro-
licenciamento das descargas de águas residuais até ao ho-
curar conciliar a urgência da resolução dos problemas
rizonte de curto prazo, mesmo que para tal seja necessário
relacionados com a disponibilidade de recursos e com o
proceder a alterações do respectivo quadro institucional;
cumprimento das obrigações legais de âmbito regional, - Privilegiar, com carácter prioritário, a satisfação dos
nacional e comunitário. Para o caso específico dos recursos objectivos de qualidade da água, fixados por lei, respeitan-
subterrâneos há que ter em conta, na respectiva afectação, tes a limites admissíveis face a limites recomendados, nos
os seguintes princípios: a) os recursos hídricos subterrâneos programas de melhoria da qualidade dos meios hídricos.
serão prioritariamente afectados ao abastecimento urbano
de localidades onde se verifique ser económica, técnica e
Tendo em conta a especificidade das cheias naturais na
ambientalmente adequada a sua utilização; b) a necessidade
RAM e os problemas que actualmente advêm de tais ocor-
de manutenção dos usos existentes tem prioridade sobre os
rências, foram definidos os objectivos a atingir no sentido
usos futuros; c) os usos futuros serão satisfeitos com recurso
de minimizar os efeitos do fenómeno. De acordo com esses
às origens subterrâneas apenas quando o seu volume adi-
objectivos, as medidas e acções a tomar deverão ter em
cionado ao das extracções existentes for inferior ao volume
vista proteger as pessoas e bens, evitar o aparecimento de
extraível anual médio; d) tendo em conta as características
novas zonas críticas e implementar medidas preventivas
morfológicas e hidrodinâmicas e a menor vulnerabilidade
dos efeitos das cheias.
dos aquíferos, a reserva de água subterrânea será utilizada
Tendo presentes as carências de informação na área das
em situações de escassez hídrica temporária (seca), consti-
secas identificadas deverá ser seguida uma estratégia tendo
tuindo uma “reserva estratégica” para situações de aciden-
em vista consolidar um plano de contingência regional, ou
tes de poluição de origens superficiais e de seca anormal.
seja, com responsabilidades assumidas por todas as enti-
Refere-se ainda a necessidade de apontar prioridades
dades gestoras, para períodos de seca e mitigação dos seus
para os usos e consumos, em face de utilizações poten-
efeitos que considere a previsão antecipada dos períodos
ciadoras de conflitos ou ainda em situações de escassez, de seca e o acompanhamento da sua evolução, a forma
devendo ser dada prioridade, por ordem decrescente de de informação e de prevenção das possíveis utilizações
importância, ao consumo público, à agricultura, à indús- da água em situações de contingência, a existência de
tria e à produção de energia, salvo situações excepcionais potenciais origens alternativas de água situadas em locais
devidamente fundamentadas pelo Conselho do Governo técnico-economicamente favoráveis e a hierarquização
Regional da Madeira. dos usos face à gravidade da seca e área abrangida. O
fenómeno da erosão hídrica do solo, que se processa natu-
1.5 — Protecção dos recursos hídricos
ralmente, poderá ser atenuado ou agravado pela incidência
Aspecto primordial é o referente à qualidade da água das actividades humanas. Assim, as intervenções sobre o
no meio natural e à poluição. Nesta vertente, o PRAM coberto vegetal, as práticas agrícolas e a urbanização, são
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determinantes para a evolução positiva ou negativa dos Para este efeito e porque o PRAM deve deixar alguma
fenómenos erosivos. As estratégias a desenvolver no do- margem de manobra ao decisor executório do investimento
mínio da poluição potencial devem assentar na avaliação proposto, a estratégia apresentada recomenda a adopção de
das situações de risco, no estabelecimento de um conjunto três grandes grupos de fontes de financiamento: o primeiro
de medidas para avaliação e controlo de determinados pa- deles, designado por “Sistemas Estruturais de Apoio ao
râmetros em cada situação específica e na definição de um Investimento” (SEAI), engloba todos os fundos e sistemas
plano de intervenção para cada caso. Por forma a minimizar comunitários de incentivos, destacando-se de entre eles o
os efeitos negativos dos sismos nos principais sistemas Fundo de Coesão e o FEDER. Neste grupo, no entanto,
adutores e de tratamento, importa atender à identificação incluem-se também os meios de financiamento obtidos
e caracterização detalhada dos principais sistemas adutores junto do Banco Europeu de Investimentos; o segundo
de água e de tratamento de águas residuais, incluindo a daqueles grupos de fontes de financiamento reporta-se
fiabilidade dos mesmos, ao estabelecimento de medidas ao “Orçamento da Região Autónoma da Madeira” (OR);
minimizadoras onde se incluem a consideração de soluções o terceiro grupo, designado por “Autofinanciamento”
alternativas de adução e à elaboração de recomendações (AF), corresponde aos valores a financiar pela aplicação
sobre a vulnerabilidade dos sistemas a incluir nos planos do regime económico e financeiro de gestão dos recursos
de emergência. Quanto aos riscos geológicos e geotécnicos, hídricos a implementar na Região Autónoma da Madeira,
importa conhecer com o maior detalhe possível, as princi- envolvendo a aplicação efectiva e correcta dos princípios
pais áreas de instabilidade de vertentes, com o objectivo de do utilizador-pagador e poluidor-pagador.
prevenir os efeitos negativos nos sistemas referidos. Em termos estratégicos, não deverá ser indiferente a
Na protecção dos ecossistemas associados aos recursos aplicação daquelas fontes de financiamento, quer às tipo-
hídricos, a melhoria da qualidade da água e do habitat são logias de investimento preconizadas pelo PRAM, quer aos
exigências complementares. A prevenção de potenciais momentos da execução daqueles investimentos. Assim,
problemas conduz a que o PRAM promova uma estratégia recomenda-se a adopção de uma estratégia assente nos
de coordenação da informação e dos conhecimentos desses seguintes princípios:
ecossistemas que possibilite, de uma forma eficaz, definir i) A intervenção da fonte “Autofinanciamento” deve
intervenções ou orientar os instrumentos de planeamento aumentar à medida que se caminha para o final do hori-
e de ordenamento do território, nomeadamente através zonte do PRAM;
da definição de caudais ecológicos em linhas de água ii) Uma vez que, no âmbito da DQA, a RAM é obrigada
prioritárias. a suprir, num prazo muito curto, determinadas carências e
lacunas dos sistemas, até 2008, a fonte de financiamento
1.6 — Regime económico-financeiro “Sistemas Estruturais de Apoio ao Investimento” deve
O regime económico e financeiro a adoptar na RAM estar particularmente vocacionada para as tipologias de
deverá reafirmar e operacionalizar a aposta na estratégia investimento destinadas a suprir tais carências e lacu-
de gestão dos recursos hídricos como um bem de natureza nas, logo seguida do “Orçamento da Região Autónoma
pública, mas consciente dos custos a imputar à produção e da Madeira”;
dos custos sociais derivados da existência de deseconomias iii) Ainda dentro desta última tipologia de investimen-
externas geradas na produção, no consumo ou em qualquer tos (onde se distinguem a construção e reabilitação de
outra utilização. Esta estratégia, no contexto da imple- infra-estruturas), o “Autofinanciamento” deve ocupar a
mentação do PRAM, só pode ser consolidada através da posição de destaque depois de 2008, mas principalmente
efectiva execução dos princípios de equidade, da eficiência depois de 2012.
e do cumprimento das leis da concorrência. É manifesta a
necessidade de fundamentar, regulamentar e operaciona- Esta última conclusão releva a importância que o re-
lizar as opções normativas recentemente consagradas na gime económico e financeiro virá a ocupar na gestão dos
Lei da Água, as quais são coerentes com o quadro institu- recursos hídricos, bem como a urgência que existe na sua
cional definido na DQA. Na realidade, decorrente deste formulação, tornando-o mais consentâneo com as realida-
novo enquadramento institucional, o autofinanciamento des actuais das utilizações económicas da água, visando
dos sistemas deverá ser uma realidade muito próxima, aplicar universalmente de forma consolidada, consistente
uma vez que aquela Directiva impõe que fique garantida e em coerência os princípios do utilizador-pagador e do
a sustentabilidade económica dos serviços, a qual terá de poluidor-pagador, em consonância com a Lei da Água.
assentar numa política regional de gestão dos recursos
1.7 — Iniciativas legislativas e institucionais
hídricos em conformidade com as disposições nacionais
e europeias sobre a matéria, que possibilite a obtenção de No que respeita à administração dos recursos hídricos, o
ganhos operacionais ao nível da exploração de redes, da PRAM tem como estratégia: (1) promover o cumprimento
potenciação de know-how detido pelas principais entidades eficaz do quadro legal apropriado e actualizado e rever os
gestoras regionais, das economias de escala decorrentes de instrumentos legais que se considerem desajustados aos
partilha de serviços de engenharia, de gestão, de facturação objectivos do PRAM; (2) promover uma reorganização
e de cobrança, bem como a optimização do acesso a fundos da administração dos recursos hídricos, que possibilite o
comunitários ou de outros créditos externos para apoio ao exercício eficaz das actividades de planeamento, licen-
investimento. Estes últimos aspectos prendem-se directa- ciamento, fiscalização, inspecção e gestão dos recursos
mente com a problemática da forma de financiamento do hídricos, evitando eventuais sobreposições ou conflitos
investimento preconizado pelo PRAM, designadamente no de competências.
que se refere às possíveis fontes de financiamento exis- O modelo de reorganização institucional deverá assentar
tentes a cada momento, bem como à participação de cada sobre as premissas de simplicidade, porque diminui as
uma delas nas diversas tipologias de investimento. necessidades de interacção e coordenação entre os vários
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008 5827
organismos uma vez que se deverão eliminar situações de Outro aspecto do conhecimento que se pretende desen-
sobreposição de competências, de clareza porque os orga- volver é o da informação actualizada sobre os usos e os
nismos que o constituem estão devidamente focados nas consumos de água, incluindo informação sobre as perdas
actividades que constituem o seu objectivo principal, e de de água efectivas e sobre o regime económico e financeiro.
funcionalidade porque todas as atribuições e responsabili- Esta estratégia global, de melhoria de conhecimento e de
dades necessárias para uma gestão adequada dos recursos informação sobre a utilização dos recursos hídricos da
hídricos estão definidos e enquadrados nos organismos Região, implicará a promoção de acções de investigação
propostos, bem como as relações entre eles. específicas que complementem as acções de monitoriza-
ção e de recolha permanente de dados. Para estas acções,
1.8 — Informação e participação públicas será adequado incentivar e mobilizar recursos humanos
O envolvimento dos utilizadores, individualmente ou e materiais existentes na RAM (entidades universitárias
através de organizações representativas, para defesa dos e de investigação, laboratórios e outras instituições es-
seus interesses durante a tomada das decisões sobre assun- pecializadas) por forma a ser possível ir desenvolvendo
tos que lhes dizem respeito, é uma característica marcante e consolidando o acesso ao conhecimento das matérias
de uma sociedade democrática moderna. Há dois aspectos de interesse regional que constituam, a curto prazo, uma
que condicionam todo este envolvimento e que é importante base poderosa de apoio à gestão da água, dos ecossistemas
salientar: (i) a informação disponibilizada aos cidadãos; associados e da prevenção e protecção contra situações de
(ii) a capacidade de resposta das organizações. No que diz risco. A par desta estratégia de investigação e aquisição de
respeito à informação, compete à administração regional e conhecimentos específicos ou especializados, outra estra-
local manter a sociedade civil informada quanto aos seus tégia global a prosseguir é a do incremento da promoção
objectivos, da forma como está planeado atingi-los, se de bases de todos os actos do processo de gestão. Trata-se
todos os aspectos que possam vir a interferir no dia-a-dia de intervir na formação dos recursos humanos melhorando
dos cidadãos estão acautelados e quais as medidas que vão a eficiência da gestão nos diferentes níveis de intrusão.
ser tomadas para minimizar alguns eventuais impactos
1.10 — Alteração climática global
negativos que, porventura, se possam fazer sentir. Esta
informação deve, ainda, e dentro da medida do possível, Os conhecimentos actualmente existentes na modelação
ser prestada de forma pedagógica, para que possa contar dos fenómenos atmosféricos e da previsão futura dos efei-
com uma franca adesão da sociedade civil e com a maior tos das alterações climáticas, relativos ao arquipélago da
consensualidade sobre as medidas a tomar. A promoção da Madeira, indiciam uma tendência que se caracteriza pela
participação pública nas decisões referentes aos recursos redução da precipitação a par de um aumento da sua inten-
hídricos passa pela adopção de medidas indirectas que sidade bem como uma diferenciação entre a pluviosidade
suscitem e possibilitem essa participação. Foi considerado nas zonas mais altas e as zonas de menor altitude. Nesta
um projecto no âmbito desta área designado: “Acções de conformidade, a alteração climática global deverá ser tida
sensibilização e formação”. Na execução e implementação em consideração através da monitorização adequada, em
do PRAM, os órgãos da Administração Pública Regional modelos dimensionados e adaptados às características do
devem assegurar a participação dos cidadãos, bem como arquipélago da Madeira, incluindo as variáveis hidrológi-
das associações que tenham por objecto a defesa dos seus cas e de utilização da água e da respectiva interpretação,
interesses, na formação das decisões que lhes disserem tendo em vista a detecção de eventuais anomalias ou dú-
respeito. vidas no padrão de comportamento e, consequentemente
a implementação de medidas de adaptação. A estratégia
1.9 — Conhecimento e investigação global neste domínio consiste no reforço da monitorização
A gestão dos recursos hídricos da RAM e a aplicação do e na capacidade de reacção (mitigação e adaptação) face
PRAM exigem um aumento do conhecimento da situação às alterações detectadas e ou previstas.
e da sua evolução. Reconhece-se, aliás, que uma gestão
2 — Estratégias sectoriais
adequada dos recursos hídricos exige a permanente dispo-
nibilidade de informação sobre o estado das águas, quer de
2.1 — Considerações prévias
superfície, quer subterrâneas. É por isso que, quer o PNA
quer a DQA, fazem amplas referências à monitorização, De acordo com os princípios da estratégia global atrás
entendida como o “conjunto dos procedimentos de recolha, mencionados, o abastecimento de água e o saneamento
manipulação, processamento, simulação e disponibiliza- urbanos e das actividades económicas surgem nas preo-
ção de informação harmonizada, para apoio à gestão”. cupações do PRAM segundo a óptica de uma utilização
Uma das estratégias globais a prosseguir é a de criar con- sustentável, equilibrada e equitativa da água. Esta posição
dições para melhorar os conhecimentos, nomeadamente conduz a uma prevalência da gestão da procura sobre a
no que respeita à compreensão e ao domínio dos processos gestão da oferta, traduzindo um esforço no sentido de
físicos ou naturais relevantes: quantificação probabilística promover uma maior eficiência na utilização da água,
das disponibilidades, com base no tratamento de dados procurando conjugar a satisfação das necessidades com
hidrométricos; monitorização da quantidade e qualidade a redução dos consumos supérfluos e a reutilização do
das águas superficiais e subterrâneas; identificação, ca- recurso sempre que possível, bem como a resolução dos
racterização e modelação dos sistemas de aquíferos e das conflitos derivados da sua natureza finita. Apresenta-se
respectivas relações, entre outros aspectos. Salienta-se a nos pontos seguintes as estratégias formuladas para cada
necessidade de incrementar o conhecimento na área da um dos sectores utilizadores considerados para o estabe-
protecção da natureza e qualidade ecológica, tanto em lecimento de cenários prospectivos definidos no PRAM,
flora como em fauna ou qualidade ecológica das águas a saber: abastecimento e saneamento urbanos, agricultura
superficiais. e pecuária, indústria, energia e turismo.
5828 Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
2.2 — Abastecimento e saneamento urbanos este sector, dos conceitos económicos contemporâneos de
No respeitante ao abastecimento de água e ao sanea- optimização da utilização de recursos escassos. Dada a
mento, a estratégia toma em consideração os seguintes extrema sensibilidade da actividade agrícola no contexto
aspectos: (i) cumprimento da legislação regional, nacional regional é preciso actuar de modo gradual. O conhecimento
e comunitária; (ii) resolução de situações de carência; (iii) mais aprofundado sobre a situação do regadio, quer em
melhoria das condições de abastecimento de água potável; termos de disponibilidades de água, quer das formas do
(iv) melhoria das condições de drenagem e tratamento de seu transporte e distribuição, quer, finalmente, das áreas
águas residuais urbanas. O cumprimento da legislação efectivamente beneficiadas, permitirá tomar as medidas
regional, nacional e comunitária pressupõe uma actuação conducentes à obtenção dos níveis mais adequados de
sobre a qualidade e a quantidade de água, implicando a utilização de água. Por outro lado, o aumento da garantia
monitorização das redes de distribuição, a construção de da quantidade de água necessária ao adequado funciona-
infra-estruturas de tratamento e abastecimento, a protec- mento deste sector terá que ser assegurado num quadro
ção das águas subterrâneas e o controlo da quantidade de de crescente competição com o aumento das capitações
água captada. populacionais e com os consumos das outras actividades.
A realidade actual evidencia exercícios deficitários na É de salientar os projectos relativos a perímetros de rega
generalidade das autarquias, a que acrescem elevados cons- sob pressão na Ilha da Madeira, cujo principal objectivo
trangimentos orçamentais da maioria das entidades gestoras é garantir a sustentabilidade do sector agrícola no futuro e
por via da limitação de endividamentos, da incapacidade aumentar o rendimento dos respectivos agentes. Também
de níveis adequados de autofinanciamento e de constran- assume primacial relevância a execução de sistemas de
gimentos no acesso a fundos e sistemas comunitários de armazenamento e de acumulação de águas superficiais
incentivos. Sob o ponto de vista técnico, assinala-se um que constituirão reservas estratégicas para os períodos de
elevado nível de fugas e de consumos não contabilizados, carência hídrica, encontrando-se em fase prévia de execu-
para além do desajustamento das características técnicas ção várias lagoas com esse objectivo. A política regional
da maioria das redes às exigências do abastecimento pú- para este sector deve continuar assim a prosseguir acções
blico. A sustentabilidade económico-financeira do sector deste tipo, conducentes à obtenção dos objectivos previstos
público de distribuição de água e a garantia do abasteci- no PRAM para utilização mais eficiente da água de rega,
mento a médio prazo exigem a continuação dos grandes conferindo a este sector uma gestão moderna.
investimentos de renovação e de substituição de sistemas
2.4 — Indústria
com significativa antiguidade, bem como a ampliação da
capacidade de armazenagem em baixa e implementação A estratégia para a indústria segue de perto a do abasteci-
de múltiplos sistemas de tratamento ou de desinfecção de mento e saneamento urbanos, sendo no entanto de salientar
caudais. Estas razões, conjugadas, tornam premente a me- a importância que as questões da poluição por efluentes
lhoria contínua e a adequação da exploração da maioria das assumem neste sector, em particular ao nível das unidades
redes públicas de distribuição de água na RAM. Justifica- disseminadas, sem redes de drenagem e sistemas de tra-
-se, numa óptica regional, dar continuidade à alteração do tamento próprios. As acções já contempladas na política
actual modelo de gestão das águas da Madeira, de forma industrial regional como seja a promoção da expansão e da
a que se atinjam resultados em convergência com a DQA. criação de novas infra-estruturas, nomeadamente parques
É de salientar o efectivo controlo da qualidade da água de industriais e áreas de localização empresarial e medidas tais
abastecimento público na Região através de infra-estruturas como o incentivo à modernização das indústrias tradicio-
locais preparadas para efectuar, praticamente, a totalidade nais e o encorajamento à utilização de novas tecnologias
das análises preconizadas na legislação em vigor com e novos processos de organização e gestão empresarial,
elevados parâmetros de qualidade. poderão dar assim um contributo significativo para o al-
A conclusão do esforço em curso de implantação das cance dos objectivos do PRAM. Por outro lado, é funda-
infra-estruturas ao nível dos sistemas de drenagem e de mental assegurar o cumprimento da legislação aplicável
tratamento de águas residuais permitirão um considerável ao licenciamento das descargas industriais, e intensificar
aumento da taxa de cobertura dos sistemas de tratamento e as acções a cargo da Inspecção Ambiental, em concreta
destinos finais em todas as freguesias e aglomerados mais aplicação do princípio do poluidor-pagador.
representativos, melhorando progressivamente a qualidade
dos meios hídricos para responder aos imperativos do 2.5 — Energia
desenvolvimento sócio-económico regional. A produção de energia hidroeléctrica é possibilitada
pelas excelentes características orográficas da Região,
2.3 — Agricultura e pecuária
apesar de fortemente condicionada às disponibilidades de
Assume especial importância o sector da agricultura, recursos hídricos. No respeitante à produção de energia,
pelo seu elevado peso nas necessidades globais de água a estratégia toma em consideração, nomeadamente, os
na Região. No respeitante ao abastecimento de água à seguintes aspectos: (i) aumentar a produção de energia
agricultura e à pecuária, a estratégia toma em considera- eléctrica; (ii) aumentar a produtividade das centrais hidro-
ção, nomeadamente, os seguintes aspectos: (i) utilização -eléctricas existentes; (iii) promover uma optimização da
mais eficiente da água de rega; (ii) conhecimento mais gestão dos recursos hídricos superficiais. O aumento de
aprofundado sobre a situação do regadio; (iii) aumento da produtividade das centrais hidroeléctricas existentes pres-
garantia dos recursos hídricos. supõe a regularização sazonal dos recursos superficiais,
Para além das necessárias remodelações e beneficia- eventualmente com recurso a armazenagens capazes ainda
ções de uma extensa rede regional de canais onde são de regularizar sistemas públicos de abastecimento ou de
evidentes grandes fugas em água, a utilização mais efi- regadio a jusante, após turbinagem. Podem ser criadas con-
ciente da água de rega pressupõe a aplicação, também a dições para a maximização do aproveitamento da energia
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008 5829
hidroeléctrica tendo em consideração a disponibilidade da Água; v) a dificuldade do recurso a fundos comunitários
dos recursos hídricos face às tecnologias existentes. As para investimentos infra-estruturantes.
medidas já contempladas na política energética regional Em convergência com as normas nacionais e comunitá-
como seja o apoio a acções que promovam a diminuição da rias em matéria de água preconiza-se a adopção de modelos
dependência externa através da optimização dos recursos de gestão moderna dos sectores públicos da distribuição
energéticos endógenos (os quais representam actualmente de água para abastecimento público, regadio e saneamento
apenas 15 % da procura global, sendo o restante importado) básico. Defende-se, ainda, na medida do possível, o apro-
e das suas interfaces com o ambiente e a qualidade de vida, veitamento das sinergias entre a IGA, enquanto conces-
e medidas tais como o desenvolvimento de estudos e pro- sionária das aduções em alta, as Direcções Regionais do
jectos com vista à redução da dependência energética do Saneamento Básico e do Ambiente, os Serviços Hidroagrí-
exterior e o aumento da capacidade de produção baseada colas e Hidráulicos, para além das Câmaras Municipais e
em fontes de energia renováveis de baixo impacto ambien- da Empresa de Electricidade da Madeira, através de uma
tal, quer através das instalações já existentes, quer da explo- gradual integração de diversos serviços e entidades, bem
ração de novos recursos, poderão dar assim um contributo como de protocolos de cooperação técnica e ou financeira
significativo para o alcance dos objectivos do PRAM. ou de outros mecanismos de gestão em infra-estruturas
hidráulicas de interesse comum.
2.6 — Turismo Justifica-se a articulação entre as redes de distribui-
ção de água em alta, em baixa e de saneamento básico,
As estratégias específicas no domínio hídrico influen- garantindo-se desta forma optimização de sistemas, a ra-
ciam as restantes actividades económicas, de que é exem- cionalização das utilizações e a preservação da qualidade
plo a actividade turística, de grande expressão na economia ambiental, com a minimização de recursos técnicos e de
da RAM, a qual beneficiará com as soluções a adoptar no desperdícios em água. A articulação das aduções em alta e
abastecimento e saneamento urbanos que deverão, obvia- em baixa como forma de racionalizar utilizações e reutilizar
mente, levar em consideração as respectivas necessidades, excedentes em água afectos a qualquer um dos sectores
como também com as realizações concretas nos domínios é uma medida adequada para se atingirem os necessários
da agricultura e pecuária, da indústria e da produção de equilíbrios financeiros e os níveis de eficiência dos serviços
energia eléctrica que deverão valorizar o meio ambiente públicos em questão, em convergência com os objectivos
circundante. definidos na Directiva Quadro da Água.
Assim, torna-se inevitável que, de forma generalizada,
3 — Estratégia de integração organizacional se adoptem sistemas tarifários para a utilização dos recur-
sos hídricos e das suas infra-estruturas, que observem as
As questões legais e institucionais dos recursos hídricos recomendações da União Europeia sobre a matéria, nomea-
atravessam transversalmente a generalidade dos temas tra- damente no que respeita aos princípios da recuperação e
tados na caracterização que suporta o diagnóstico efectuado. amortização de custos, tendo ainda presente as especifi-
Os objectivos instrumentais definidos, no que se refere ao cidades regionais em matéria social e ambiental. Procura-
“quadro legislativo e institucional” e à “sustentabilidade -se, com esta medida, minimizar os actuais desequilíbrios
das actividades económicas e valorização económica dos económicos nos sistemas públicos de águas potáveis e de
recursos hídricos”, pelo seu carácter específico, merecem drenagem de águas residuais urbanas que, por via de uma
um tratamento especial no âmbito do PRAM. inadequada política de preços, são claramente subsidiados
A prevalência de múltiplas entidades na RAM com com- pela Administração Pública regional ou local.
petências sobre o meio hídrico, por vezes com fronteiras É necessário concertar esforços entre as diversas enti-
pouco definidas ou idênticas atribuições em áreas especí- dades no sentido de maximizar o recurso a créditos, de-
ficas, constitui um constrangimento à eficácia da gestão signadamente os comunitários e os do Banco Europeu de
dos recursos hídricos, em claro prejuízo da eficiência e da Investimentos, para cobertura dos custos de investimentos
qualidade dos serviços. Sob o ponto de vista institucional, nos sistemas de águas e de saneamento, tanto em alta como
a actual estrutura organizativa não é inteiramente clara em baixa, tendo por finalidade reduzir a dependência destes
para os cidadãos que, por vezes, têm alguma dificuldade sectores dos orçamentos regionais e municipais, bem como
em associar serviços ou responsabilidades a quem de facto os níveis de endividamento da Região e das autarquias.
tem as devidas competências em matéria de água. A empresarialização dos sectores afectos às águas e ao
Dos problemas resultantes da actual estrutura de or- saneamento básico, seja em alta como em baixa, poderá
ganização institucional destacam-se: i) a necessidade de implicar ainda na necessidade da fiscalização de activida-
uma entidade única sobre a qual recaia a responsabilidade des económicas em função do modelo a adoptar, ou seja,
pela implementação de uma política regional de recursos de uma entidade à qual estejam cometidas as funções de
hídricos e pelas funções de regulação, aspecto ultrapassado regulação.
com a criação da autoridade regional da água no âmbito
da adaptação da Lei da Água à RAM; ii) a dificuldade de 3.1 — Modelo proposto
integração das diversas políticas sectoriais em matéria de A história recente do domínio das águas demonstra que
água e de saneamento básico; iii) o não aproveitamento de a reformulação do modelo de gestão das águas da RAM
ganhos potenciais decorrentes da potencialização de know- está em curso desde o início da década de 1990 — época da
how detido por vários intervenientes; iv) a inexistência de criação do Instituto de Gestão da Água, ao qual se atribuiu
uma política comum de tarifários que conduza a Região à a responsabilidade pela concepção e construção de grandes
racionalização dos consumos e ao equilíbrio financeiro das infra-estruturas hidráulicas, de interesse intermunicipal e
actividades associadas à exploração de sistemas públicos inteiramente automatizadas, cuja concretização permitiu,
de abastecimento de água e de saneamento básico, em de modo consistente, suprir as principais necessidades de
conformidade com as determinações da Directiva Quadro água em alta, melhorar significativamente a qualidade da
5830 Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
água para abastecimento público e introduzir um novo integrada e optimizada, no cumprimento dos objectivos
conceito de gestão no sector público do abastecimento de da política regional e em defesa dos interesses dos cida-
água. Transformado em sociedade anónima de capitais dãos.
exclusivamente públicos no início de 2000, esta socie- O modelo mais eficiente é o da integração dos siste-
dade tornou-se a concessionária do “Sistema Regional de mas em alta e baixa. Trata-se do modelo mais ambicioso
Gestão e Abastecimento de Água da RAM”, continuando em termos de estruturação e gestão das redes de águas
com parte dos deveres e prerrogativas do anterior Insti- e de saneamento, permitindo, de forma evidente: i) a
tuto e alargando a sua área de competências ao sector da minimização do recurso aos orçamentos autárquicos e
distribuição de água e de saneamento básico principal na regionais no sentido de se atingirem as metas regionais
Ilha do Porto Santo. e comunitárias em matéria de água; ii) a concentração de
O Decreto Legislativo Regional n.º 28-C/99/M, de 23 de know how, de sinergias e a redução global dos custos de
Dezembro, que criou a IGA e aprovou as bases da conces- exploração; iii) a facilidade do recurso a financiamentos
são do citado Sistema, aponta no sentido da reformulação por parte do Banco Europeu de Investimentos; iv) a
da gestão das águas “em baixa” em toda a Região, bem maximização do aproveitamento de fundos comunitários
como da gestão da rede principal de captação de transporte ao nível do Fundo de Coesão e do Feder; v) maiores
“em alta” e distribuição aos diversos sectores utilizadores vantagens fiscais.
de abastecimento público, regadio e hidroenergia. No que respeita ao sector do regadio, a respectiva re-
No que respeita aos sistemas de distribuição de água estruturação visará, essencialmente, a gestão das infra-
para abastecimento público em baixa, incentiva-se nitida- -estruturas de captação e de transporte de caudais em alta
mente a reestruturação do sector, incluindo a gestão das e em baixa, cujas competências se encontram hoje repar-
redes públicas municipais de drenagem e de tratamento tidas entre a IGA, os serviços hidroagrícolas e, em menor
de águas residuais urbanas. De facto, o aproveitamento escala, os serviços hidráulicos. Também a EEM tem uma
de ganhos de eficiência associados à gestão conjunta do intervenção relevante nesta matéria. A gestão de interesses
ciclo da água em baixa incluindo todas as suas relações entre tal leque de gestores é naturalmente difícil, apesar
comerciais entre a entidade gestora, clientes e fornece- das grandes evoluções sentidas na última década com o
dores, aliado à possibilidade de financiamento do sector envolvimento da IGA.
de saneamento básico com receitas geradas no sector das A racionalização das utilizações da água e a redução
águas potáveis, são factores a não negligenciar no estudo de perdas em sistemas adutores a montante das redes pú-
económico-financeiro duma parceria desta natureza, pelas blicas de distribuição de água, de regadio ou de produção
vantagens que naturalmente conduzirão a menores custos hidroenergética justificam a integração dos serviços de
globais nestas actividades. captação, de transporte e de distribuição em alta numa
A recente atribuição à IGA, S. A., de responsabilidades única entidade. Assim, a justificação deste modelo assenta
técnicas no sector hidroagrícola concorre ainda no sentido sobretudo na crescente necessidade da racionalização das
da reestruturação do modelo de gestão das águas na Região utilizações da água a montante dos sistemas adutores para
dado que desta medida resulta, no imediato, a possibilidade regadio, na redução de perdas, na eficácia da distribuição,
da gestão conjunta de águas em alta na ilha da Madeira na gestão de excedentes de água nas origens e, paralela-
com interesse para os principais sectores utilizadores dos mente, da gestão dos percursos recomendados ao longo da
recursos hídricos em termos de prioridade — o abasteci- rede principal de canais, nos termos do Decreto Legislativo
mento público e o regadio agrícola. Regional n.º 7-B/2000/M, de 20 de Março. É premente a
Ainda no sector do abastecimento público, são diversos contínua beneficiação e renovação da rede principal de
os modelos possíveis para essa reestruturação, cujos facto- canais com vista à redução dos elevados volumes em água
res diferenciadores giram em torno do modo de integração e a reestruturação do tradicional sistema de regadio por
das actividades de planeamento, gestão e exploração de alagamento por sistemas de rega sob pressão.
sistemas em alta e em baixa, da organização geográfica Note-se que é evidente que, numa primeira fase, a sus-
e do grau de envolvimento dos municípios. Assim, a im- tentabilidade deste sector exige o suporte do Orçamento
plementação da solução depende, essencialmente, dos Regional, dada a dimensão do actual organismo afecto
objectivos sócio-políticos, cabendo aos diversos interve- ao sector hidroagrícola, bem como ao balanço altamente
nientes decidir sobre o modelo mais adequado à Região deficitário da respectiva estrutura de custos e de proveitos.
Autónoma da Madeira no sentido de se conseguir melhor A criação e a concessão de um sistema regional de
eficácia de gestão, maiores vantagens fiscais, flexibilidade regadio, em cujo contrato se estabeleceriam níveis de
dos regimes de contratação e facilidade de acesso a fundos subsidiação em função de volumes de investimento, per-
para investimentos futuros. mitiriam conferir uma gestão mais eficiente ao sector da
Interessa, antes de tudo, analisar os interesses poten- distribuição de água para rega a custos mais reduzidos,
ciais dos municípios no que respeita a esta matéria, os mediante o aproveitamento de estruturas existentes ao
quais, nas suas qualidades de concedentes dos sistemas em nível de engenharia, de contabilidade e de gestão de pes-
baixa, sempre deterão um poder alargado de fiscalização soal. Essa subsidiação teria de atender às implicações de
e de controlo dessa actividade. Por exemplo, num modelo natureza social e ambiental que envolvem a actividade
de concessão, os municípios têm sempre a possibilidade agrícola na RAM.
de acompanhar a actividade sem qualquer participação A reestruturação daqueles sectores obriga a equacionar
accionista, eventualmente de forma mais eficiente e sem a organização de algumas instituições públicas regionais,
envolver a necessidade de imobilização de capitais a médio pois é necessária uma entidade que assuma e desenvolva
e longo prazo. competências de regulação e fiscalização típicas duma
Parece portanto razoável que todas as actividades dos autoridade regional da água.
sistemas públicos de abastecimento de água e de sanea- O modelo que se propõe, uma vez devidamente imple-
mento básico em alta e em baixa sejam geridas de forma mentado, permitirá responder de forma cabal aos desafios
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008 5831
suscitados com a transposição para a legislação nacional Todos os investimentos foram classificados segundo
da Directiva Quadro da Água. diferentes tipologias de investimento, obedecendo para o
efeito à seguinte concepção metodológica:
3.2 — Integração Territorial
T1 — Construção e reabilitação de infra-estruturas de
A eficácia e a eficiência dos organismos responsáveis saneamento básico: abrange os investimentos novos ou
pela gestão dos recursos hídricos e a clareza das suas po- de reabilitação relacionados com águas de abastecimento
líticas é indispensável para a compreensão da importância e águas residuais;
dos recursos hídricos por parte dos agentes de decisão das T2 — Construção e reabilitação de infra-estruturas
questões relevantes para o ordenamento do território. A hidráulicas: categoria semelhante à anterior mas cujas
DQA, ao fazer repercutir nos utilizadores o custo da água e infra-estruturas não foram concebidas ou não se aplicam
das infra-estruturas hidráulicas, vem dar uma contribuição prioritariamente ao saneamento básico;
positiva, na medida em que ajuda a fomentar este diálogo. T3 — Ordenamento e valorização do domínio hídrico:
A estratégia da integração territorial passa pela definição abrange todos os investimentos relacionados com a pro-
criteriosa de: (i) zonas de captação de água, superficiais tecção, conservação e valorização do domínio hídrico,
ou subterrâneas, e das medidas adequadas à sua protecção; incluindo os investimentos destinados à protecção das
(ii) zonas de descarga de efluentes e qualidade a garantir origens, mas também os investimentos para combate às
pelos efluentes tratados; (iii) zonas de expansão urbana e situações hidrológicas extremas (secas, cheias, poluições
a densificação razoável a ser nelas assumida; (iv) zonas de acidentais), bem como os planos e demais estudos relacio-
protecção ecológica e ecossistemas; (v) zonas agrícolas; nados com o ordenamento do meio hídrico;
(vi) zonas de leito de cheias; (vii) zonas “non-aedificandi”, T4 — Protecção e conservação da natureza: abrange
por razões de protecção dos recursos naturais. A defi- todos os investimentos relacionados com este tema e não
nição e respeito pelas características destas zonas não incluídos na categoria anterior;
podem ser assumidas apenas pelos organismos ligados T5 — Monitorização: abrange os investimentos rela-
ao ambiente, mas antes por toda a Administração Pública cionados com a concepção e lançamento de estudos ou
regional e local, que deverão ter a capacidade de proceder de redes de monitorização, independentemente da área a
à sua implementação junto dos organismos privados e da que se destinam;
população em geral. T6 — Outros: trata-se de uma categoria residual, nele
O modelo proposto e que deverá ser válido, quer para cabendo os investimentos relacionados com estudos, pro-
a Ilha da Madeira, quer para a Ilha do Porto Santo, apesar jectos e acções similares, sem cabimento nas classes an-
das suas claríssimas diferenças naturais, ajudará, sem dú- teriores.
vida, o processo de integração territorial que se pretende
efectuar. A existência duma autoridade regional da água, 2 — Orçamentação
responsável pelo planeamento dos recursos hídricos e pela
Os 11 programas preconizados no PRAM subdividem-se
permanente avaliação da sua qualidade, permitirá a ela-
em 39 subprogramas, os quais enquadram um conjunto de
boração de pareceres sobre o desenvolvimento urbano,
113 projectos com um custo global estimado em cerca de
industrial e agrícola que for proposto por outros organismos
450 milhões de euros. A orçamentação dos projectos repre-
públicos e por entidades privadas, incluindo pareceres
senta naturalmente uma estimativa cujo rigor corresponde
vinculativos nos casos relacionados com a sustentabilidade
ao nível de detalhe inerente à elaboração dum Plano com
das disponibilidades, das utilizações, da qualidade da água
as características do PRAM. Tratando-se dum Plano com
e da saúde pública.
horizonte de 20 anos, houve uma preocupação especial em
orçamentar com o maior rigor possível os projectos que
VII — Programação física e financeira
irão ser desenvolvidos. Houve ainda um cuidado especial
1 — Considerações prévias
na orçamentação dos projectos incluídos nos Programas
P1 e P2 porquanto estes Programas representam uma per-
No que se refere aos programas de investimento, foi centagem significativa dos investimentos dos Planos. Os
seguida a metodologia adoptada até à presente data, pelo principais pressupostos utilizados na orçamentação dos
que se considerara os onze programas seguintes: projectos foram os seguintes:
P1 — Abastecimento de água às populações e activi- - A unidade/actividade base de orçamentação dos projec-
dades económicas tos foram as acções por se considerar ser o nível adequado e
P2 — Protecção das águas e controlo da poluição susceptível de ser quantificado, sendo de referir que, apesar
P3 — Protecção dos ecossistemas aquáticos e sistemas de a programação física considerar o ano como referência,
naturais relevantes para protecção dos recursos hídricos as estimativas orçamentais, face ao horizonte de 20 anos
P4 — Prevenção de riscos naturais e induzidos pela do Plano, foram efectuadas para períodos de três anos;
actividade humana - Quando os projectos dão origem a obras e intervenções
P5 — Ordenamento das ocupações do domínio hídrico concretas e quantificáveis, foram estimados os correspon-
P6 — Normas e regulamentos de protecção dos recursos dentes custos;
hídricos - Quando se traduzem em estudos ou projectos de que
P7 — Valorização económica e social dos recursos hí- se desconhecem com um grau de rigor aceitável as poste-
dricos riores intervenções, o custo apenas envolve a realização
P8 — Sistema Económico e Financeiro dos estudos ou projectos, não incluindo eventuais obras
P9 — Monitorização, inventários, cadastros e investi- que os mesmos venham a originar;
gação e desenvolvimento - Os programas de acções que constituem tarefa da
P10 — Informação e participação das populações competência exclusiva das diferentes entidades da Admi-
P11 — Avaliação sistemática do plano nistração Pública (central, regional ou local), sem recurso
5832 Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
à contratação de serviços, não foram alvo de orçamentação (ii) conclusão até 2008 dos projectos que visam o aprofun-
específica; damento do conhecimento sobre matérias relevantes ou a
- Sempre que possível, os custos foram obtidos utili- atenuação das disfunções ambientais mais significativas;
zando valores unitários médios aplicados para toda a RAM, (iii) conclusão até 2008 dos projectos que visam a protec-
por tipologia de projecto. ção de pessoas e bens em zonas críticas; (iv) interiorização
das metas temporais fixadas em Planos pela Administração
3 — Programação Pública Regional para a resolução das carências associadas
A programação dos projectos baseou-se nos seguintes a infra-estruturas várias com interacção na qualidade dos
critérios principais: (i) conclusão até 2008 da execução meios hídricos. Como resultado da aplicação destes pres-
dos projectos relativos à supressão de incumprimentos da supostos e tendo em linha de conta as carências da RAM
legislação nacional ou comunitária, salientando-se que neste domínio, foi concebido o Plano de Investimentos
vários desses projectos já se encontram em fase final de constante do quadro 3.1.
conclusão e ou de início do respectivo funcionamento, Por Programa, os custos estimados no âmbito do PRAM
nomeadamente no domínio das águas residuais urbanas; são os seguintes:
QUADRO 3.1
Investimento
Programa Designação do programa Sub-programa B Sub-programa C Total
(103 Euro) (103 Euro) (103 Euro) %
P1 Abastecimento Água às Populações/Activ. Económicas 230 475 73 350 303 825 68
P2 Protecção das Águas e Controlo da Poluição 108 542 0 108 542 24
P3 Protecção Ecossistemas Aquáticos/Sist. Rec. Naturais 16 798 7 875 24 673 5
P4 Prevenção Riscos Naturais e Induzidos p/ Activ. Humana 4 825 0 4 825 1
P5 Ordenamento das Ocupações do Domínio Hídrico 1 510 925 2 435 1
P6 Normas e Regulamentos de Protecção de Rec. Hídricos 0 100 100 0
P7 Valorização Económica e Social dos recursos hídricos 0 835 835 0
P8 Sistema Económico e Financeiro 325 0 325 0
P9 Monitorização/Inventários/Cadastros e Invest. Desenvolv. 0 2 717 2 717 1
P10 Informação e Participação das Populações 510 0 510 0
P11 Avaliação Sistemática do Plano 0 425 425 0
Valor total orçamentado 362 985 86 227 449 212 100
4 — Plano de Investimentos
O plano de investimentos, descriminado pelos períodos até 2008, 2009-12 e 2013-20 é o que seguidamente se indica:
QUADRO 4.1
Investimento (103 euro)
Programa Designação do programa
Até 2008 2009-12 2013-20
P1 Abastecimento Água às Populações/Activ. Económicas 80 232 101 448 122 145
P2 Protecção das Águas e Controlo da Poluição 107 842 700 0
P3 Protecção Ecossistemas Aquáticos/Sist. Rec. Naturais 12 653 7 225 4 795
P4 Prevenção Riscos Naturais e Induzidos p/ Activ. Humana 4 490 335 0
P5 Ordenamento das Ocupações do Domínio Hídrico 2 435 0 0
P6 Normas e Regulamentos de Protecção de Rec. Hídricos 100 0 0
P7 Valorização Económica e Social dos recursos hídricos 786 41 8
P8 Sistema Económico e Financeiro 325 0 0
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008 5833
Investimento (103 euro)
Programa Designação do programa
Até 2008 2009-12 2013-20
P9 Monitorização/Inventários/Cadastros e Invest. Desenvolv. 2 703 6 8
P10 Informação e Participação das Populações 120 180 210
P11 Avaliação Sistemática do Plano 115 170 140
Valor total orçamentado:
Valor em 106 euro 211 801 110 105 127 306
Valor em % 47,2 % 24,5 % 28,3 %
O Programa P1 , “Abastecimento de água às populações cerca de 25 %, restando os 28 % remanescentes para o
e actividades económicas”, correspondendo em valor ab- último período: 2013-2020. Na figura 4.1 é apresentada a
soluto a 304 milhões de euros, é o maior Programa em ter- distribuição do investimento por Programas.
mos de Investimento representando 68 % do investimento Esta situação, traduzida pela relevante posição assumida
global. A informação contida neste quadro permite também pelos projectos de investimento associados aos Programas
concluir que apenas dois Programas (P1 e P2) absorvem P1 e P2, pode ainda ser analisada pela distribuição do re-
cerca de 92 % do investimento global do PRAM. Se a estes ferido investimento pelos Sub-Programas que reflectem as
dois se juntar também o Programa 3, obtém-se uma per- estratégias básicas (B) e complementares (C) nos termos
centagem de 97 %. Esta elevada concentração, tal como se do exposto no quadro 4.2. Uma percentagem correspon-
tinha já referido anteriormente, está também patente a nível dente a cerca de 81 % do investimento total destina-se a
da distribuição temporal do investimento: cerca de 47 % executar o Sub-Programa B — Investimentos Básicos,
do investimento preconizado no âmbito do PRAM deverá restando 19 % para o Sub-Programa C — Investimentos
ser executado até 2008, absorvendo o período 2009-2012 Complementares.
QUADRO 4.2
Investimentos por sub-programas
Tipologias de investimento (103 euro)
Sub-programas Períodos de tempo Totais Totais
T1 T2 T3 T4 T5 T6
(valor) ( %)
Investimento Total Até 2008 211 801 47,15 103 965 75 980 5 237 11 883 3 132 11 604
2009 a 2012 110 105 24,51 125 99 380 960 5 880 2 733 1 027
2013 a 2020 127 306 28,34 0 121 910 370 4 025 845 156
Totais 449 212 100,00 104 090 297 270 6 567 21 788 6 710 12 787
Sub-Programa B Até 2008 167 567 46,23 103 515 44 250 3 802 7 358 2 212 6 430
2009 a 2012 91 868 25,34 125 83 000 810 4 830 2 333 770
2013 a 2020 103 040 28,43 0 98 700 220 3 675 445 0
Totais 362 475 100,00 103 640 225 950 4 832 15 863 4 990 7 200
Sub-Programa C Até 2008 44 234 51,00 450 31 730 1 435 4 525 920 5 174
2009 a 2012 18 237 21,03 0 16 380 150 1 050 400 257
2013 a 2020 24 266 27,98 0 23 210 150 350 400 156
Totais 86 737 100,00 450 71 320 1 735 5 925 1 720 5 587
Da análise da informação relativa à quantificação dos Tipologia T1: o investimento total aqui preconizado
valores de investimento propostos em cada Tipologia de ascende a cerca de 104 milhões de euros, estando previsto
Investimento, cujos projectos foram posteriormente agre- ser executado quase na sua totalidade até 2008, o qual
gados por Programas e, dentro destes, por sub-programas, tem origem quase na sua totalidade no Programas P2 (em
permite inferir as seguintes conclusões mais relevantes: cerca de 99 %).
5834 Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
Tipologia T2: Para este tipo de investimento está pre- momento, bem como à participação de cada uma delas
visto um montante rondando os 297 milhões de euros, ba- nas diversas tipologias de investimento. Para este efeito,
seado numa execução minoritária até 2008 (26 % até 2008; deve-se entender que a fonte de financiamento adiante de-
33 % entre 2009 e 2012 e os restantes 41 % no período signada por autofinanciamento corresponde, também, aos
2013-2020), o qual tem origem quase exclusivamente no valores a financiar pela aplicação do regime económico e
Programa P1 (representando cerca de 99,8 %). financeiro de gestão dos recursos hídricos a implementar
Tipologia T3: Neste domínio está previsto um investi- na RAM.
mento que ultrapassa os 6,5 milhões de euros, dos quais São os seguintes os pressupostos adoptados:
cerca de 80 % será executado até 2008, cerca de 15 %
entre 2009 e 2012 e os restantes 6 % entre 2013 e 2020, Tipologia T1 — Construção e Reabilitação de Infra
sendo proveniente de diversos Programas, embora com estruturas de Saneamento Básico:
forte predominância para o P3 (cerca de 53 %), o P5 (re- Investimento previstos até 2008: 15 % do Orçamento
presentando 36 %). da Região Autónoma da Madeira (OR); 75 % do Sistemas
Tipologia T4: Está previsto um investimento global de Estruturais de Apoio ao Investimento (SEAI); 10 % por
cerca de 22 milhões de euros, cuja execução está distribuída Autofinanciamento (AF).
ao longo de tempo, embora maioritariamente no período até Investimentos programados para o período 2009-2012:
2008 (cerca de 55 %); entre 2009 e 2012 serão executados 60 % do Orçamento da Região Autónoma da Madeira (OR);
27 % do valor total, cabendo 18 % ao período 2013-2020, 40 % por Autofinanciamento (AF).
o qual é originário em vários Programas, com destaque Investimentos programados para o período 2013-2020:
para o P3 (representando cerca de 91 %). 50 % do Orçamento da Região Autónoma da Madeira (OR);
Tipologia T5: O investimento preconizado para esta 50 % por Autofinanciamento (AF).
tipologia monta a cerca de 6,7 milhões de euros, cabendo
47 % ao período que vai até 2008, enquanto que o período Tipologia T2 — Construção e Reabilitação de Infra-
2009-2012 absorve 41 % e o período final apenas cerca de -Estruturas Hidráulicas:
13 %. Este investimento tem origem basicamente em dois
Programas (P1 e P3), que no seu conjunto correspondem Esquema igual ao previsto para a Tipologia de Inves-
a cerca de 79 % do montante total. timento T1.
Tipologia T6: Para esta classe residual de tipologias de
investimento está previsto um montante de 12,8 milhões Tipologia T3 — Ordenamento e Valorização do Do-
de euros, a executar maioritariamente até 2008, cabendo mínio Hídrico:
ao período 2009-2012 cerca de 8 % e ao período final, de
2013 até 2020, apenas 1 %. Apenas os Programas P3, P5 e Esquema igual ao previsto para a Tipologia de Inves-
P10 não contribuem para aquele valor total, predominando timento T1.
o investimento originado no Programa P2 (representando
cerca de 36 %), seguido do investimento proposto pelos Tipologia T4 — Protecção e Conservação da Natureza:
Programas P1 (cerca de 20 %), P4 (com cerca de 18 %) e Investimentos previstos até 2008: 60 % do Orçamento
P9 (com cerca de 14 %). da Região Autónoma da Madeira (OR); 40 % do Sistemas
Na figura 4.1 apresenta-se a distribuição do investimento Estruturais de Apoio ao Investimento (SEAI)
preconizado por Tipologias de Investimento, cuja análise Investimentos programados para depois de 2008: 100 %
merece os seguintes comentários mais significativos: do Orçamento da Região Autónoma da Madeira (OR).
- As necessidades, carências e lacunas detectadas estão
bem patentes no facto de cerca de 90 % do valor global Tipologia T5 — Monitorização:
do investimento proposto estar concentrado no conjunto Investimentos previstos até 2008: 40 % do Sistemas
formado pelas Tipologias de Investimento T1 e T2; Estruturais de Apoio ao Investimento (SEAI); 60 % do
- O facto de a Tipologia de Investimento T4 assumir Orçamento da Região Autónoma da Madeira (OR).
a terceira posição (com cerca de 4,4 % do valor global), Investimentos programados para depois de 2008: 100 %
mostra a clara preocupação existente com a protecção e por Autofinanciamento (AF);
conservação da natureza para efeitos da gestão dos recursos
hídricos, mas também a necessidade sentida na melhor
utilização destes mesmos recursos. Tipologia T6 — Outros.
Para todos os períodos considerados: Sempre a 100 %
pelo Orçamento da Região Autónoma da Madeira (OR).
Em termos globais, a figura 5.1 reflecte o esquema de
financiamento proposto para o investimento total progra-
mado, para cada um dos períodos considerados e para a
globalidade do investimento programado:
Em termos globais, tendo em conta o peso específico
do investimento dos Programas P1 e P2 e a concentração
Figura 4.1 — Distribuição do investimento por Tipologias do investimento no período até 2008, os Sistemas Estru-
turais de Apoio ao Investimento (SEAI) e o Orçamento
5 — Fontes de Financiamento
Regional (OR) acabam por representar as maiores par-
O estudo da forma de financiamento do investimento celas do financiamento (cerca de 37 % parta cada uma
apresentado nos capítulos anteriores foi efectuado com delas);
base nos pressupostos a seguir apresentados, relativos A outra fonte de financiamento o Autofinanciamento
às possíveis fontes de financiamento existentes a cada (AF) detém apenas cerca de 26 %;
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008 5835
À medida que nos aproximamos do fim do horizonte Com base na repartição de custos indicada por tipologia,
temporal do PRAM o ano 2020 verifica-se que vai au- as entidades responsáveis pela angariação do financia-
mentando a participação do Autofinanciamento (AF) na mento e as parcelas correspondentes de investimento são
parcela do financiamento. as indicadas no Quadro 5.1:
QUADRO 5.1
Financiamento do Investimento do PRAM, por Tipologias de Investimento e por Entidades Financiadoras
Entidades angariadoras do financiamento (103 euro)
Tipologias
Totais
de investimento Outras entidades Sector empresarial de Administração pública
Sra Sector privado Outras entidades
públicas regionais capitais públicos central
T1 102 900 1 190 0 0 0 0 104 090
T2 5 650 178 170 13 450 0 100 000 0 297 270
T3 5 097 0 0 0 1 470 0 6 567
T4 21 138 650 0 0 0 0 21 788
T5 2 690 4 020 0 0 0 0 6 710
T6 6 292 4 445 2 050 0 0 0 12 787
143 767 188 475 15 500 0 101 470 0 449 212
Total
32,0 % 42,0 % 3,5 % 0,0 % 22,6 % 0,0 % 100,0 %
Do conjunto das seis entidades potencialmente com ca- qualidade de autoridade regional da água. Esta entidade
pacidade para angariar o respectivo financiamento, verifica- deverá elaborar um relatório com o Plano de Actividades
-se que apenas quatro delas têm essa responsabilidade em curso e previstas, anual ou plurianual. Este relatório
directa. Isto não significa, porém, que as restantes enti- será elaborado com base na avaliação do cumprimento das
dades não venham a intervir; mas, nesses casos, fá-lo-ão acções do Plano, através de indicadores. No que respeita
sob a orientação das entidades que assumem a respectiva aos recursos hídricos, o Plano de Actividades e Orçamento
coordenação. deve ser definido, de modo a garantir a concretização dos
A tabela apresentada mostra claramente que em cerca resultados, recomendações e conclusões do PRAM. Assim,
de 74 % dos casos, aquela responsabilidade recai sobre devem ser englobadas, não só as actividades específicas
a Secretaria Regional do Ambiente e Recursos Naturais a desenvolver pela SRA mas, também, o interface com
(SRA) ou algum dos organismos e ou entidades que a outros organismos de natureza pública e ou empresarial
integram, como claramente se pode visualizar através existentes e a criar. O interface com estes organismos
figura 5.1. é extremamente importante na medida em que eles são
os maiores utilizadores da água na RAM e as principais
entidades responsáveis por acções no âmbito da execução
do PRAM. Os Serviços de Hidráulica, embora não sejam
utilizadores, têm a função de promover acções de protec-
ção e conservação das linhas de água. Estas acções devem
ser devidamente articuladas porque permitem detectar
utilizações do domínio hídrico eventualmente não licen-
ciadas, quer a nível da captação de água, quer de descarga
de efluentes ou resíduos sólidos. A relação directa, que se
defende, entre a materialização e execução do PRAM e a
actividade da SRA permite, anualmente, verificar: (i) se
os objectivos do PRAM foram atingidos e, se o não foram,
identificar quais as causas que motivaram esta situação;
(ii) qual a evolução dos indicadores chave de desempenho,
ou seja, se esta evolução é a pretendida ou se está aquém
do esperado.
As acções de retroacção podem desenvolver-se dentro
Figura 5.1 — Distribuição do Investimento por Entidades Finan- da própria estrutura da SRA, adaptando o Plano de Ac-
ciadoras
tividades e o Orçamento do ano seguinte aos resultados
do ano anterior e às estratégias que forem, entretanto,
VIII. Promoção, acompanhamento e avaliação do pram
definidas ou, ainda, incentivando ou promovendo junto
1 — Modelo organizativo
de outras entidades a realização de novas acções ou o
reforço de outras.
A promoção, acompanhamento e avaliação do PRAM Considera-se que a dimensão da RAM não justifica um
será coordenada pela Direcção Regional do Ambiente, na modelo mais complexo que o proposto seguidamente para
5836 Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
acompanhamento do PRAM e que se pode caracterizar da 3) Percentagem de cumprimento das medidas projectos
seguinte forma: propostos;
4) Definição da orientação a considerar face às con-
a) Atribuição de responsabilidades à Direcção Regional
clusões obtidas.
do Ambiente, na qualidade de autoridade regional da água,
pela correcta e adequada materialização do PRAM;
A caracterização deverá, conforme descrito anterior-
b) Dotar a Direcção Regional do Ambiente de meios
mente, ser realizada através dos indicadores do Plano que
adequados para promover e liderar a articulação com os
evidenciarão de que forma se está a realizar o cumpri-
principais utilizadores da água e com outros organismos
mento dos objectivos propostos e das medidas ou projectos
públicos e privados;
definidos para a sua caracterização. Esta caracterização
c) Acompanhamento da execução do PRAM através de
será baseada numa análise temática através de grupos
um Relatório Anual que deve ser elaborado pela Direcção
de avaliação temática constituídas no seio da Direcção
Regional do Ambiente sobre a sua actividade e as conclu-
Regional do Ambiente, recorrendo ou não a apoio de téc-
sões respeitantes à análise dos indicadores de avaliação
nicos exteriores. O sistema de acompanhamento deverá ser
do PRAM.
assegurado de modo a garantir a articulação técnica com
as entidades da Administração Pública às quais compete
2 — Plano de informação
em concreto a execução das normas do Plano, recolhendo
O desenvolvimento dum sistema de informação sobre e tratando a informação de carácter estatístico, técnico e
o PRAM, as actividades da Direcção Regional do Am- científico relevante. Esta informação deverá ser sintetizada
biente e dos principais indicadores de recursos hídricos em relatórios de avaliação, realizados com uma periodici-
e ambientais deverá ser efectuado através da web. Para dade bienal. Todas as informações pertinentes relativas à
permitir o acesso adequado de todos os interessados deverá implementação e acompanhamento do Plano designada-
a Direcção Regional do Ambiente disponibilizar, nas suas mente os relatórios de avaliação deverão ser levados ao
instalações, terminais de consulta, para quem não tiver conhecimento de todas as entidades com intervenção no
fácil acesso a esses meios. Esta informação deverá ter, sector da água, admitindo-se a criação de uma entidade
pelo menos, uma actualização mensal. de natureza colegial que, de forma estruturada, represente
essas entidades e emita pareceres e recomendações per-
2.1 — Considerações gerais tinentes. Esta informação será tida em conta nas acções
A avaliação sistemática do Plano deverá ser efectuada a de divulgação e de comunicação ao público. As acções e
dois níveis: interno e externo. A avaliação interna, a efec- responsabilidades da avaliação interna são cometidas à
tuar pela Direcção Regional do Ambiente pretende avaliar Direcção Regional do Ambiente.
a eficácia das medidas propostas no cumprimento dos
objectivos definidos no PRAM. Esta avaliação consistirá b) Indicadores:
na quantificação dos indicadores de desempenho, nomea- Os indicadores utilizados no acompanhamento e avalia-
damente os indicadores do modelo pressão-estado-resposta ção do PRAM são os apresentados, por área temática no
apresentados no Capítulo V — Avaliação de objectivos e capítulo V — avaliação de objectivos e medidas.
medidas. A quantificação dos indicadores irá permitir, ao
longo do período de desenvolvimento do Plano, dispor 2.3 — Avaliação externa
de um quadro de caracterização da situação presente e
O objectivo da avaliação externa é o de permitir inserir
compará-lo com os objectivos propostos para as etapas
correcções ao processo de execução do PRAM em curso.
preconizadas correspondentes a 2008, 2012 e 2020. O ano
Este processo de avaliação permitirá efectuar eventuais
2008 corresponde a uma perspectiva de curto prazo. O
rectificações ou aperfeiçoamentos aos objectivos e medi-
ano 2012 corresponde a uma data chave do planeamento
das definidos e deverá ser efectuada em dois momentos
de recursos hídricos e o ano 2020 é o ano de horizonte
principais do Plano: (i) avaliação externa no ano de 2008.
de planeamento. A avaliação externa será realizada por
Nesta etapa a avaliação da execução do Plano incidirá sobre
entidades externas à aplicação do Plano, que possibilite
a correcção dos objectivos e das medidas estabelecidas e
avaliar a execução do plano a um nível diferenciado do ajustar as formas de financiamento face a novas interven-
que decorre das acções de acompanhamento sistemático. ções justificáveis neste momento; (ii) avaliação externa
Esta avaliação deverá também incidir sobre o cumprimento final que deverá ocorrer antes da revisão do Plano e que
dos objectivos e a execução financeira. identificará a forma como este foi executado e os sucessos
e os insucessos identificados.
2.2 — Avaliação interna
Considera-se que deverá ainda existir uma avaliação
a) Componentes: intercalar a realizar em 2012. A análise dos relatórios de
desempenho bianual constituem os elementos fundamen-
A avaliação interna será constituída por desempenho
tais de apoio à avaliação externa e poderão eventualmente
anual e bianual. A avaliação anual consistirá na quantifi-
indicar que alguns objectivos são de difícil cumprimento,
cação dos indicadores do Plano e na sua posterior análise.
ou que alguns projectos não estão a ser implementados
A avaliação bianual deverá permitir a realização de um
da forma mais eficiente. Estes relatórios intercalares que
relatório da situação que especifique com clareza os se-
irão apoiar a revisão do PRAM não permitirão, contudo,
guintes aspectos:
substituí-lo mas somente inserir correcções. A responsabi-
1) Caracterização da situação actual; lidade de coordenação da avaliação externa é da Direcção
2) Percentagem de cumprimento dos objectivos pro- Regional do Ambiente devendo esta recorrer a uma enti-
postos; dade independente para a execução da avaliação.
Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008 5837
ANEXO CARTOGRÁFICO
Figura A1 — Unidades Hidrológicas de Planeamento (UHP)
5838 Diário da República, 1.ª série — N.º 160 — 20 de Agosto de 2008
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