Autoridade Tributária e Aduaneira — informações vinculativas
Informação vinculativa n.º 21252
- Data
- 2023-02-09
- Meio processual
- INFORMAÇÃO VINCULATIVA
- Tipo
- CIRC
- Descritores
Sumário
Vales Educação
Texto integral (770 palavras)
FICHA DOUTRINÁRIA
Diploma: Código do IRC
Artigo: 23.º
Assunto: Vales Educação
Processo: 2021 001929, sancionado por Despacho, de 9 de novembro de 2022, da
Diretora de Serviços do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas
PIV n.º 21252
Conteúdo: A questão em apreço consiste em saber se os vales educação constituem
um gasto fiscal para a sociedade.
1. O Decreto-Lei n.º 26/99, de 28 de janeiro, na redação dada pela Lei n.º
82-E/2014 de 31 de dezembro, estabelece as condições de emissão e
atribuição, com caráter geral, dos denominados Vales Sociais, os quais, nos
termos do n.º 1 do art.º 1.º se agrupam em duas categorias:
a) "Vales infância", destinados ao pagamento de creches, jardins-de-
infância e lactários;
b) "Vales educação", destinados ao pagamento de escolas,
estabelecimentos de ensino e outros serviços de educação, bem como de
despesas com manuais e livros escolares.
De acordo com o n.º 2 do art.º 1.º, os denominados "vales sociais" têm por
finalidade potenciar, através da constituição de fundos, o apoio das
entidades empregadoras aos seus trabalhadores que tenham a cargo filhos
ou equiparados nas seguintes idades:
a) Com idade inferior a sete anos - vales infância;
b) Com idade compreendida entre os 7 e os 25 anos - vales educação.
2. Consideram-se Vales Sociais, nos termos do n.º 1, do art.º 3.º do referido
Decreto-Lei, os títulos que incorporem o direito à prestação de serviços de
educação e de apoio à família com filhos ou equiparados, bem como à
aquisição de manuais e livros escolares, cujas idades se enquadram nos
escalões referidos no n.º 2 do art.º 1.º, dos trabalhadores por conta de
outrem.
Conforme estipula o n.º 3 do art.º 9.º do mesmo diploma, a atribuição dos
vales sociais (Vales infância e Vales educação) não pode constituir uma
substituição, ainda que parcial, da retribuição laboral devida ao trabalhador.
3. Acresce, ainda, referir que o n.º 1 do artigo 43.º do Código do IRC
determina que "São também dedutíveis os gastos do período de tributação,
incluindo depreciações ou amortizações e rendas de imóveis, relativos à
manutenção facultativa de creches, lactários, jardins-de-infância, cantinas,
bibliotecas e escolas, bem como outras realizações de utilidade social como
tal reconhecidas pela Direcção-Geral dos Impostos, feitas em benefício do
pessoal ou dos reformados da empresa e respetivos familiares, desde que
tenham carácter geral e não revistam a natureza de rendimentos do
trabalho dependente ou, revestindo-o, sejam de difícil ou complexa
individualização relativamente a cada um dos beneficiários.".
Processo: 2021 001929
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Assim, na atribuição de vales sociais, estes só podem ser atribuídos com
caráter geral e têm de ser efetuados a trabalhadores da entidade
empregadora.
Tem-se entendido que a sua atribuição tem caráter geral quando sejam
atribuídos a todos os trabalhadores em condições idênticas, não podendo a
sua atribuição estar sujeita a outras condições adicionais impostas pela
entidade empregadora, que não sejam as previstas no aludido Decreto-Lei
n.º 26/99, de 28 de janeiro, não se enquadrando neste conceito os sócios,
porquanto não possuem qualquer tipo de vínculo de subordinação jurídica
perante a sociedade.
Porém, o conceito de "trabalhadores" utilizado abrange, igualmente, os
gerentes/administradores de uma sociedade (sócios ou não sócios), que,
para efeitos fiscais, são considerados trabalhadores dependentes.
4. Estabelece, ainda, o n.º 1 do art.º 10.º, que os encargos suportados pelas
entidades empregadoras com o pagamento de "vales sociais" são
considerados gastos do período, nos termos do n.º 9 do art.º 43.º do Código
do IRC, ou seja, beneficiam de uma majoração de 40%.
Assim, desde que atribuídos nas condições previstas no Decreto Lei n.º
26/99, de 28 de janeiro, os encargos suportados pelas entidades
empregadoras com o pagamento de "vales sociais", são majorados em 40%.
5. Acresce referir que, com a Lei n.º 114/2017, de 29 de dezembro (com
entrada em vigor em 2018/01/01), que veio alterar o Código do IRS, os
vales educação passaram a ser considerados rendimentos do trabalho
dependente em sede deste imposto, independentemente do respetivo valor
atribuído (alínea b) do n.º 3 do art.º 2.º do Código do IRS).
Assim, sendo atualmente os vales educação considerados, na totalidade,
rendimentos do trabalho dependente, não têm enquadramento no art.º 43.º
do Código do IRC, não lhes sendo, portanto, aplicável o disposto no seu n.º
9.
6. Nestes termos, tendo os "Vales Educação" a natureza de remuneração do
trabalhador, estes gastos apenas podem ser aceites como gasto, nos termos
da alínea d) do n.º 2 do o art.º 23.º do Código do IRC.
Ainda, em conformidade com o disposto no n.º 3 da citada norma, os gastos
devem estar comprovados documentalmente, independentemente da
natureza ou suporte dos documentos utilizados para esse efeito.
Processo: 2021 001929
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