Autoridade Tributária e Aduaneira — informações vinculativas
Informação vinculativa n.º 13581
- Data
- 2018-09-28
- Meio processual
- INFORMAÇÃO VINCULATIVA
- Tipo
- Convenção para Evitar a Dupla Tributação entre Portugal e Bélgica
Sumário
Prestação de serviços de tradução por empresa belga.
Texto integral (759 palavras)
FICHA DOUTRINÁRIA
Diploma: CDT Bélgica
Artigo: 7º
Assunto: Prestação de serviços de tradução por empresa belga
Processo: 3263/2018, Despacho de 02/04/2018, do Diretor de Serviços de Relações
Internacionais
Conteúdo: A questão colocada diz respeito ao pagamento de serviços de tradução prestados por uma empresa
belga.
Por prestar serviços de tradução, a empresa portuguesa tem necessidade de recorrer à subcontratação
de empresas sem sede ou direcção efectiva em Portugal e/ou tradutores independentes não residentes
em Portugal.
As adjudicações dos serviços por parte dos clientes da empresa e consequentemente a adjudicação
desses serviços aos fornecedores (empresas sem sede ou direcção efectiva em Portugal e/ou tradutores
independentes não residentes em Portugal) são efectuadas através de e-mail e recebidos pela mesma
via.
Desconhece-se onde a prestação de serviços é realizada, nem se o cliente que adjudica o serviço é um
cliente intermediário ou final.
Os serviços prestados pela empresa belga à empresa portuguesa enquadram-se no disposto no artigo 7º
da Convenção entre Portugal e a Bélgica para evitar a dupla tributação que determina o seguinte: "os
lucros de uma empresa de um Estado Contratante só podem ser tributados nesse Estado, a não ser que
a empresa exerça a sua actividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento estável
aí situado. Se a empresa exercer a sua actividade deste modo, os seus lucros podem ser tributados no
outro Estado, mas unicamente na medida em que forem imputáveis a esse estabelecimento estável".
Nesta conformidade, tratando-se de uma empresa não residente sem estabelecimento estável, não estão
sujeitos a tributação em Portugal os rendimentos pagos à empresa belga.
Nos termos do nº 1 do art. 98º do Código do IRC, "não existe obrigação de efectuar a retenção na fonte
de IRC, no todo ou em parte, consoante os casos, relativamente aos rendimentos referidos no n.º 1 do
artigo 94.º do Código do IRC quando, por força de uma convenção destinada a eliminar a dupla
tributação ou de um outro acordo de direito internacional que vincule o Estado Português ou de
legislação interna, a competência para a tributação dos rendimentos auferidos por uma entidade que não
tenha a sede nem direcção efectiva em território português e aí não possua estabelecimento estável ao
qual os mesmos sejam imputáveis não seja atribuída ao Estado da fonte ou o seja apenas de forma
limitada".
Dispõe o nº 2 do mesmo artigo que nas situações referidas no número anterior, bem como nos nºs 12 e
16 do artigo 14.º, os beneficiários dos rendimentos devem fazer prova perante a entidade que se
encontra obrigada a efectuar a retenção na fonte, até ao termo do prazo estabelecido para a entrega do
imposto que deveria ter sido deduzido nos termos das normas legais aplicáveis:
a) Da verificação dos pressupostos que resultem de convenção para evitar a dupla tributação ou de um
outro acordo de direito internacional ou ainda da legislação interna aplicável, através da apresentação de
formulário de modelo a aprovar por despacho do membro do Governo responsável pela área das
finanças:
1) Certificado pelas autoridades competentes do respectivo Estado de residência; ou
2) Acompanhado de documento emitido pelas autoridades competentes do respectivo Estado de
residência que ateste a sua residência para efeitos fiscais no período em causa e a sujeição a imposto
sobre o rendimento nesse Estado.
Neste sentido, para beneficiar de dispensa de retenção na fonte do imposto português, deve a empresa
belga apresentar o formulário modelo 21-RFI devidamente certificado pelas autoridades fiscais belgas ou,
em alternativa, o referido formulário preenchido pelo beneficiário efectivo dos rendimentos ou pelo seu
representante legal em Portugal acompanhado de documento emitido pelas autoridades fiscais belgas
que ateste a sua residência para efeitos fiscais no ano em causa e a sua sujeição a imposto sobre o
rendimento naquele país.
Nos termos do art. 128º do CIRC conjugado com alínea a) do nº 7 do art. 119º do CIRS, tratando-se de
Processo: 3263/2018
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rendimentos devidos a sujeitos passivos não residentes em território português, as entidades devedoras
são obrigadas a entregar à Autoridade Tributária e Aduaneira, até ao fim do 2.º mês seguinte àquele em
que ocorre o ato do pagamento, do vencimento, ainda que presumido, da sua colocação à disposição, da
sua liquidação ou do apuramento do respectivo quantitativo, consoante os casos, uma declaração de
modelo oficial relativa àqueles rendimentos.
Para cumprimento da referida obrigação, deve ser apresentada a declaração Modelo 30 - Rendimentos
pagos ou colocados à disposição de não residentes, aprovada pela Portaria nº 372/2013, de 27/12, tendo
as novas instruções de preenchimento sido aprovadas pela Portaria nº 332-A/2015, de 05/10.
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