Livro IParte geralTítulo II · Contrato de trabalhoCapítulo II · Prestação do trabalhoSecção II · Duração e organização do tempo de trabalhoSubsecção II · Limites da duração do trabalho

Artigo 207.ºPeríodo de referência

Pertence ao Código do Trabalho (Lei n.º 7/2009, de 12 de Fevereiro)

Resumo em linguagem claraGerado por IA · revisto contra texto oficial

Este artigo define o «período de referência» — ou seja, o intervalo de tempo usado para calcular se a duração média do trabalho está em conformidade com a lei — quando existe um regime de adaptabilidade no contrato. Em regra, esse período é fixado em instrumento de regulamentação colectiva (acordo sectorial, convenção colectiva, etc.), mas não pode ultrapassar 12 meses. Se não existir tal regulamentação, o período padrão é de 4 meses. Porém, em situações específicas — como trabalhadores de hospitais, transportes, segurança, ou actividades com necessidade de continuidade — o período pode ser estendido para 6 meses. O artigo também protege o trabalhador: o período não pode ser alterado arbitrariamente durante o seu decurso, e as violações destas regras constituem infracções.

Quando se aplica — exemplos práticos

Enfermeiro com horário adaptável

Um enfermeiro num hospital tem contrato com adaptabilidade de horários para garantir continuidade de cuidados. O período de referência pode ser de 6 meses (em vez de 4), permitindo ao hospital distribuir o trabalho de forma irregular, desde que a média de horas em 6 meses corresponda ao acordado. Isto favorece a operação hospitalar, mas garante que o trabalhador não fica sistematicamente sobre-explorado.

Vendedor em loja com horários variáveis

Uma loja de retalho, sem acordo colectivo específico, coloca um vendedor em regime de adaptabilidade. O período de referência é automaticamente 4 meses. A loja pode variar os horários semanalmente conforme movimento, mas a média mensal deve corresponder às horas contratadas. Após 4 meses, a lei força uma reavaliação.

Alteração do período durante o contrato

Uma empresa pretende mudar o período de referência de 4 para 6 meses, a meio do primeiro período. Isto é proibido, a menos que circunstâncias objectivas (como aumento sazonal imprevisto) o justifiquem. Além disso, o total de horas não pode exceder o que teria sido trabalhado sem adaptabilidade.

Texto oficial

Ver no PGDL ↗
1 - Em regime de adaptabilidade, a duração média do trabalho é apurada por referência a período estabelecido em instrumento de regulamentação colectiva de trabalho que não seja superior a 12 meses ou, na sua falta, a um período de quatro meses. 2 - Na situação a que se refere a parte final do número anterior, o período de referência pode ser aumentado para seis meses quando esteja em causa: a) Trabalhador familiar do empregador; b) Trabalhador que ocupe cargo de administração ou de direcção, ou que tenha poder de decisão autónomo; c) Actividade caracterizada por implicar afastamento entre o local de trabalho e a residência do trabalhador ou entre diversos locais de trabalho do trabalhador; d) Actividade de segurança e vigilância de pessoas ou bens com carácter de permanência, designadamente de guarda, porteiro ou trabalhador de empresa de segurança ou vigilância; e) Actividade caracterizada pela necessidade de assegurar a continuidade do serviço ou da produção, nomeadamente: i) Recepção, tratamento ou cuidados providenciados por hospital ou estabelecimento semelhante, incluindo a actividade de médico em formação, ou por instituição residencial ou prisão; ii) Porto ou aeroporto; iii) Imprensa, rádio, televisão, produção cinematográfica, correios, telecomunicações, serviço de ambulâncias, sapadores bombeiros ou protecção civil; iv) Produção, transporte ou distribuição de gás, água, electricidade, recolha de lixo ou instalações de incineração; v) Indústria cujo processo de trabalho não possa ser interrompido por motivos técnicos; vi) Investigação e desenvolvimento; vii) Agricultura; viii) Transporte de passageiros em serviço regular de transporte urbano; f) Acréscimo previsível de actividade, nomeadamente na agricultura, no turismo e nos serviços postais; g) Trabalhador de transporte ferroviário que preste trabalho intermitente a bordo de comboios ou tendo por fim assegurar a continuidade e regularidade do tráfego ferroviário; h) Caso fortuito ou de força maior; i) Acidente ou risco de acidente iminente. 3 - Sem prejuízo do disposto em instrumento de regulamentação colectiva de trabalho, o período de referência apenas pode ser alterado durante o seu decurso quando circunstâncias objectivas o justifiquem e o total de horas de trabalho prestadas não seja superior às que teriam sido realizadas caso não vigorasse o regime de adaptabilidade, aplicando-se com as necessárias adaptações o disposto no n.º 3 do artigo 205.º 4 - Constitui contraordenação leve a violação do disposto no n.º 1 e contraordenação grave a violação do disposto no n.º 3.
387 palavras · ID 1047A0207

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