Pertence ao Código de Processo Penal (DL n.º 78/87, de 17 de Fevereiro)
Este artigo permite ao Procurador-Geral da República (PGR) interpor um recurso extraordinário com o objetivo de fixar ou alterar a jurisprudência — ou seja, a interpretação da lei que os tribunais têm seguido consistentemente. O PGR pode fazer isto em duas situações: quando uma decisão já transitou em julgado (tornou-se definitiva) há mais de 30 dias e a interpretação da lei nela contida merece ser esclarecida para toda a magistratura; ou quando considera que a jurisprudência fixada ficou ultrapassada e deve ser reformulada. Contudo, há uma limitação importante: quando o PGR conseguir que o recurso altere a jurisprudência, essa nova interpretação não afeta o processo específico em que o recurso foi apresentado — apenas vincula as decisões futuras. Trata-se, portanto, de um mecanismo de carácter institucional, não de defesa de interesses numa causa concreta.
Vários tribunais têm decidido de forma inconsistente sobre direitos de férias em casos de suspensão de contrato. O PGR, após uma sentença firme há dois meses, interpõe recurso para que a jurisprudência se fixe de forma clara e uniforme. O tribunal superior reforma a decisão e estabelece a interpretação correta. Mas o trabalhador do processo original não beneficia dessa mudança — ela vale para futuros processos similares.
Durante anos, os tribunais interpretaram uma lei sobre telecomunicações de forma que agora está claramente desajustada face à realidade tecnológica e à lei europeia. O PGR identifica uma sentença firme sobre o assunto e pede o reexame dessa jurisprudência, argumentando que deve ser modificada. O recurso serve para limpar a jurisprudência desatualizada.
Alguns tribunais consideram válida uma prova obtida de determinada forma; outros consideram-na inválida. A jurisprudência é contradditória, causando insegurança. O PGR intervém com este recurso para que a jurisprudência seja fixada de modo uniforme em todo o país, protegendo o princípio da igualdade perante a lei.
Faz a tua pergunta em linguagem natural. A IA pesquisa em legislação consolidada e jurisprudência portuguesa e devolve resposta fundamentada com referências.
Grátis para começar · sem cartão de crédito
Este conteúdo tem fins meramente informativos e não constitui aconselhamento jurídico. Para questões específicas do seu caso, consulte um advogado qualificado inscrito na Ordem dos Advogados. A TogaAI é uma ferramenta de apoio à prática jurídica e não substitui o julgamento profissional de um advogado.