Pertence ao Código de Processo Civil (Lei n.º 41/2013, de 26 de Junho)
Este artigo estabelece os seis requisitos que uma sentença estrangeira tem de cumprir para ser confirmada (reconhecida) em Portugal. Basicamente, o tribunal português verifica se o documento é autêntico, se a sentença já não pode ser contestada no país de origem, se o tribunal estrangeiro tinha legitimidade para julgar o caso, se não há conflito com outras causas em tribunal português, se o réu foi devidamente notificado e respeitados os seus direitos de defesa, e finalmente se a sentença não viola princípios fundamentais da ordem pública portuguesa. Trata-se de um controlo de qualidade que protege os litigantes portugueses e garante que apenas decisões adequadas são aceites no ordenamento jurídico português, permitindo a sua execução em Portugal como se fossem sentenças nacionais.
Um casal português divorcia-se em tribunal inglês. Para que o divórcio seja reconhecido em Portugal e se resolvam questões de partilha de bens cá sediados, a sentença inglesa tem de ser confirmada. O tribunal português verifica se o marido foi citado regularmente, se a sentença já transitou em julgado em Inglaterra, e se não viola princípios portugueses. Só após confirmação é executável em Portugal.
Uma empresa portuguesa é condenada por um tribunal brasileiro a pagar uma dívida. O credor brasileiro quer cobrar em Portugal. O tribunal português confirma a sentença apenas se o réu português foi devidamente notificado, não há outro processo sobre o mesmo assunto em Portugal, e a decisão não viola normas fundamentais da ordem pública portuguesa.
Tribunal francês decide sobre a capacidade jurídica de uma pessoa (questão de direito da família). Esta sentença não pode ser confirmada em Portugal porque a matéria de capacidade das pessoas é de exclusiva competência dos tribunais portugueses, independentemente de outros requisitos.
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Este conteúdo tem fins meramente informativos e não constitui aconselhamento jurídico. Para questões específicas do seu caso, consulte um advogado qualificado inscrito na Ordem dos Advogados. A TogaAI é uma ferramenta de apoio à prática jurídica e não substitui o julgamento profissional de um advogado.