Livro IV · Do processo de execuçãoTítulo IV · Da execução para entrega de coisa certa

Artigo 866.ºResponsabilidade do exequente

Pertence ao Código de Processo Civil (Lei n.º 41/2013, de 26 de Junho)

Resumo em linguagem claraGerado por IA · revisto contra texto oficial

Este artigo estabelece as consequências quando alguém inicia uma execução (cobrança forçada) baseada num documento extrajudicial — por exemplo, um contrato privado ou letra — e essa execução é contestada. Se o tribunal concluir que o credor (quem executava) agiu sem a prudência normal esperada, fica obrigado a indemnizar a pessoa que foi executada pelos danos que sofreu. Além disso, terá de pagar uma multa entre um mínimo de 10 UC (Unidades de Conta) e um máximo equivalente ao dobro da taxa de justiça máxima, calculada sobre 10% do valor da execução. A lei protege assim quem é indevidamente executado, desestimulando execuções precipitadas ou abusivas. Esta responsabilidade não exclui ainda a possibilidade de haver consequências criminais se o comportamento for particularmente grave.

Quando se aplica — exemplos práticos

Execução baseada em documento falsificado ou duvidoso

Um credor tenta executar uma letra que a pessoa executada nunca assinou. O tribunal descobre a fraude. Além de indemnizar os danos causados (custos de advogado, perda de rendimento durante o processo), o credor paga uma multa de 10% do valor executado, respeitando os limites mínimo e máximo.

Execução por dívida já paga

Uma empresa executa um cliente por uma fatura que havia já sido paga há meses. A falta de verificação prévia é considerada imprudência. O cliente recebe indemnização pelos dissabores e custos processuais, mais a multa automática sobre o montante da execução.

Execução com erro manifesto no valor

Um comerciante executa um fornecedor por um valor significativamente superior ao devido, ignorando reclamações prévias. O tribunal considera isto imprudência. Além de indemnização pelos prejuízos reais, é aplicada a multa legal, dentro dos limites estabelecidos.

Texto oficial

Ver no PGDL ↗
Procedendo a oposição à execução que se funde em título extrajudicial, o exequente responde pelos danos culposamente causados ao executado e incorre em multa correspondente a 10 % do valor da execução, mas não inferior a 10 UC nem superior ao dobro do máximo da taxa de justiça, quando não tenha agido com a prudência normal, sem prejuízo da responsabilidade criminal em que possa também incorrer.
66 palavras · ID 1959A0866
Assistente jurídico TOGA

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