Livro IV · Do processo de execuçãoTítulo III · Da execução para pagamento de quantia certaCapítulo I · Do processo ordinárioSecção III · PenhoraSubsecção I · Bens que podem ser penhorados

Artigo 741.ºIncidente de comunicabilidade suscitado pelo exequente

Pertence ao Código de Processo Civil (Lei n.º 41/2013, de 26 de Junho)

Resumo em linguagem claraGerado por IA · revisto contra texto oficial

Este artigo regula uma situação especial nas execuções por dívida: quando a dívida é movida apenas contra um cônjuge, mas o credor acredita que a dívida é comum ao casal. O artigo permite ao credor alegar que a dívida pertence a ambos os cônjuges, mesmo que tenha processado apenas um. O cônjuge não processado tem então direito a ser ouvido e pode concordar ou contestar se a dívida é realmente comum. Enquanto se discute se a dívida é comum, os bens penhorados (tanto próprios como comuns) não podem ser vendidos. Se a dívida for considerada comum, a execução continua contra ambos os cônjuges e os seus bens podem ser penhorados. Se não for comum, mas houver bens comuns penhorados, o cônjuge não executado pode pedir a separação de bens para proteger a sua parte.

Quando se aplica — exemplos práticos

Crédito bancário em dívida

Um banco executa apenas o marido por um crédito pessoal vencido. O banco sustenta que o empréstimo foi utilizado para necessidades da família (casa, educação dos filhos). O marido não contesta, mas o banco notifica a esposa para se pronunciar. Se ela aceitar, a dívida passa a ser comum e os bens do casal respondem. Se recusar, apenas os bens do marido serão penhorados.

Dívida contraída durante o casamento

Uma fornecedora executa a esposa por uma dívida de negócio. A esposa é empresária, mas a fornecedora alega que a despesa beneficiou o casal. A esposa contesta e afirma ser dívida sua pessoal. Enquanto se discute, a penhora é suspensa. Se o tribunal concordar que é pessoal, apenas bens da esposa respondem.

Proteção dos bens comuns

Um credor executa o marido por uma dívida de jogo. A esposa quer proteger a casa e outros bens comuns. Pode contestar a comunicabilidade da dívida e, se ganhar, pode requerer a separação de bens para que a sua meação na casa não responda pela dívida do marido.

Texto oficial

Ver no PGDL ↗
1 - Movida execução apenas contra um dos cônjuges, o exequente pode alegar fundamentadamente que a dívida, constante de título diverso de sentença, é comum; a alegação pode ter lugar no requerimento executivo ou até ao início das diligências para venda ou adjudicação, devendo, neste caso, constar de requerimento autónomo, deduzido nos termos dos artigos 293.º a 295.º e autuado por apenso. 2 - No caso previsto no número anterior, é o cônjuge do executado citado para, no prazo de 20 dias, declarar se aceita a comunicabilidade da dívida, baseada no fundamento alegado, com a cominação de que, se nada disser, a dívida é considerada comum, sem prejuízo da oposição que contra ela deduza. 3 - O cônjuge não executado pode impugnar a comunicabilidade da dívida: a) Se a alegação prevista no n.º 1 tiver sido incluída no requerimento executivo, em oposição à execução, quando a pretenda deduzir, ou em articulado próprio, quando não pretenda opor-se à execução; no primeiro caso, se o recebimento da oposição não suspender a execução, apenas podem ser penhorados bens comuns do casal, mas a sua venda aguarda a decisão a proferir sobre a questão da comunicabilidade; b) Se a alegação prevista no n.º 1 tiver sido deduzida em requerimento autónomo, na respetiva oposição. 4 - A dedução do incidente previsto na segunda parte do n.º 1 determina a suspensão da venda, quer dos bens próprios do cônjuge executado que já se mostrem penhorados, quer dos bens comuns do casal, a qual aguarda a decisão a proferir, mantendo-se entretanto a penhora já realizada. 5 - Se a dívida for considerada comum, a execução prossegue também contra o cônjuge não executado, cujos bens próprios podem ser nela subsidiariamente penhorados; se, antes da penhora dos bens comuns, tiverem sido penhorados bens próprios do executado inicial, pode este requerer a respetiva substituição. 6 - Se a dívida não for considerada comum e tiverem sido penhorados bens comuns do casal, o cônjuge do executado deve, no prazo de 20 dias após o trânsito em julgado da decisão, requerer a separação de bens ou juntar certidão comprovativa da pendência da ação em que a separação já tenha sido requerida, sob pena de a execução prosseguir sobre os bens comuns, aplicando-se, com as necessárias adaptações, o disposto no n.º 2 do artigo anterior.
382 palavras · ID 1959A0741
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