Livro II · Do processo em geralTítulo I · Dos atos processuaisCapítulo I · Atos em geralSecção V · Publicidade e acesso ao processo

Artigo 164.ºLimitações à publicidade do processo

Pertence ao Código de Processo Civil (Lei n.º 41/2013, de 26 de Junho)

Resumo em linguagem claraGerado por IA · revisto contra texto oficial

Este artigo estabelece que nem todos os processos judiciais são públicos. O acesso aos autos pode ser restringido quando a divulgação prejudique a dignidade, privacidade ou vida familiar das pessoas, ou quando possa comprometer a eficácia da decisão judicial. A lei identifica casos específicos onde o acesso é particularmente limitado: processos de divórcio ou paternidade (apenas as partes envolvidas podem consultar), procedimentos cautelares (antes da providência ser ordenada), processos de execução (com limitações especiais sobre bens a penhorar) e processos de acompanhamento de maiores. Além disso, informações pessoais que não sejam relevantes para resolver a disputa também podem ser ocultadas, respeitando as regras de proteção de dados. A intenção é equilibrar a transparência da justiça com a proteção de informações sensíveis e a efetividade das decisões.

Quando se aplica — exemplos práticos

Processo de divórcio

Um casal em processo de divórcio apresenta documentos confidenciais sobre filhos e situação financeira. Apenas o marido, a mulher e os respetivos advogados podem aceder aos autos. Vizinhos, jornalistas ou curiosos não têm direito a consultá-los, protegendo a privacidade familiar.

Execução de dívida

Um credor obtém uma sentença contra um devedor e inicia processo de execução. O devedor só pode consultar o processo após ser citado. Não pode, porém, aceder à informação sobre quais bens o credor identificou para penhora, evitando que os esconda.

Medida cautelar pendente

Um banco requer ao tribunal uma medida cautelar para bloquear conta bancária antes do processo principal. Enquanto a decisão está pendente, apenas o banco e a conta-corrente podem aceder aos autos, assegurando o efeito surpresa necessário à medida.

Texto oficial

Ver no PGDL ↗
1 - O acesso aos autos é limitado nos casos em que a divulgação do seu conteúdo possa causar dano à dignidade das pessoas, à intimidade da vida privada ou familiar ou à moral pública, ou pôr em causa a eficácia da decisão a proferir. 2 - Preenchem, designadamente, as restrições à publicidade previstas no número anterior: a) Os processos de anulação de casamento, divórcio, separação de pessoas e bens e os que respeitem ao estabelecimento ou impugnação de paternidade, a que apenas podem ter acesso as partes e os seus mandatários; b) Os procedimentos cautelares pendentes, que só podem ser facultados aos requerentes e seus mandatários e aos requeridos e respetivos mandatários, quando devam ser ouvidos antes de ordenada a providência; c) Os processos de execução só podem ser facultados aos executados e respetivos mandatários após a citação ou, nos casos previstos no artigo 626.º, após a notificação; independentemente da citação ou da notificação, é vedado aos executados e respetivos mandatários o acesso à informação relativa aos bens indicados pelo exequente para penhora e aos atos instrutórios da mesma. d) Os processos de acompanhamento de maior. 3 - O acesso a informação do processo também pode ser limitado, em respeito pelo regime legal de proteção e tratamento de dados pessoais, quando, estando em causa dados pessoais constantes do processo, os mesmos não sejam pertinentes para a justa composição do litígio.
231 palavras · ID 1959A0164

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