Livro IParte GERALTítulo II · Das relações jurídicasCapítulo I · Negócio jurídicoSecção I · Declaração negocialSubsecção V · Falta e vícios da vontade

Artigo 252.ºErro sobre os motivos

Pertence ao Código Civil (DL n.º 47344/66, de 25 de Novembro)

Resumo em linguagem claraGerado por IA · revisto contra texto oficial

Este artigo aborda o erro sobre os motivos que levaram uma pessoa a celebrar um negócio jurídico. Distingue duas situações: primeiro, quando o erro incide sobre razões pessoais ou abstractas que motivaram a decisão, mas não afectam a identidade de quem recebe a declaração nem o objecto do negócio — neste caso, só é possível anular o negócio se as partes tivessem acordado previamente que esse motivo era essencial; segundo, quando o erro afecta as circunstâncias factuais que fundamentaram o negócio — aqui aplicam-se as regras gerais sobre resolução ou alteração do contrato por mudança de circunstâncias. Praticamente, distingue entre erros subjectivos (motivações pessoais) e erros objectivos (factos que suportam o acordo).

Quando se aplica — exemplos práticos

Compra de um quadro pensando ser de um autor famoso

Um colecionador compra um quadro acreditando que é de um pintor célebre. Descobre depois que é falsificação. Como não havia acordo explícito sobre ser a autenticidade essencial, não pode simplesmente anular a compra. Só poderia se tivesse contratado por escrito que a obra ser auténtica era motivo essencial.

Aluguel de espaço para evento que é cancelado

Um empresário aluga uma sala para conferência. Pensa que a conferência ocorreria, mas esta é cancelada pelo organizador. O erro incide sobre a circunstância que suportava o contrato. Pode invocar as regras de alteração de circunstâncias para solicitar resolução ou modificação do aluguel.

Compra de imóvel em zona que será demolida

Um casal compra casa acreditando que o bairro seria revitalizado. Descobre que está marcado para demolição. O erro sobre esta circunstância fundamental permite aplicar regras de resolução contratual, não por simples motivo pessoal, mas porque muda a base do negócio.

Texto oficial

Ver no PGDL ↗
1. O erro que recaia nos motivos determinantes da vontade, mas se não refira à pessoa do declaratário nem ao objecto do negócio, só é causa de anulação se as partes houverem reconhecido, por acordo, a essencialidade do motivo. 2. Se, porém, recair sobre as circunstâncias que constituem a base do negócio, é aplicável ao erro do declarante o disposto sobre a resolução ou modificação do contrato por alteração das circunstâncias vigentes no momento em que o negócio foi concluído.
80 palavras · ID 775A0252
Assistente jurídico TOGA

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