Livro III · Do processo de declaraçãoTítulo IV · Da sentençaCapítulo I · Elaboração da sentença

Artigo 612.º(art.º 665.º CPC 1961) Uso anormal do processo

Pertence ao Código de Processo Civil (Lei n.º 41/2013, de 26 de Junho)

Resumo em linguagem claraGerado por IA · revisto contra texto oficial

Este artigo protege o sistema judicial contra o abuso do processo. Estabelece que quando o tribunal identifique que as partes (autor e réu) estão a usar o processo para simular um negócio fictício ou para alcançar um objetivo que a lei proíbe, a sentença deve impedir esse objetivo anormal. Por exemplo, duas pessoas podem intentar uma ação falsa apenas para criar a aparência de um direito que não existe realmente, ou para contornar uma proibição legal. O tribunal tem a responsabilidade de reconhecer estas situações e proferir uma decisão que frustre completamente o intento fraudulento. Este artigo é fundamental para garantir que o processo civil serve para resolver conflitos reais e legítimos, não para legalizar práticas ilícitas ou enganosas.

Quando se aplica — exemplos práticos

Simulação de dívida para transferência de bens

Um casal em processo de divórcio acorda secretamente: um cônjuge intentará ação de cobrança contra o outro por uma dívida fictícia, conseguindo uma sentença que legalizaria a transferência de bens. O tribunal reconhece a simulação e profere sentença que anula o objetivo da farsa.

Contorno de proteção legal de menores

Dois adultos intentam ação simulada de guarda de menores com acordos pré-estabelecidos, objetivo sendo contornar requisitos de proteção que a lei estabelece. A sentença deve impedir este desvio da lei, mesmo que ambos aleguem concordância.

Falsa reivindicação de propriedade para prejudicar terceiro

Duas pessoas combinam intentar ação possessória em que uma alega posse legítima que nunca teve, apenas para constranger financeiramente um terceiro ou criar litigiosidade infundada. O tribunal identifica a combinação e frustra este objetivo anormal.

Texto oficial

Ver no PGDL ↗
Quando a conduta das partes ou quaisquer circunstâncias da causa produzam a convicção segura de que o autor e o réu se serviram do processo para praticar um ato simulado ou para conseguir um fim proibido por lei, a decisão deve obstar ao objetivo anormal prosseguido pelas partes.
48 palavras · ID 1959A0612
Assistente jurídico TOGA

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