Livro II · DIREITO DAS OBRIGAÇÕESTítulo I · Das obrigações em geralCapítulo II · Fontes das obrigaçõesSecção V · Responsabilidade civilSubsecção I · Responsabilidade por factos ilícitos

Artigo 486.ºOmissões

Pertence ao Código Civil (DL n.º 47344/66, de 25 de Novembro)

Resumo em linguagem claraGerado por IA · revisto contra texto oficial

Este artigo estabelece que a inação ou o silêncio podem gerar obrigação de indemnização por danos, desde que exista um dever legal ou contratual de agir que tenha sido violado. A omissão não é uma ação, mas o artigo reconhece que, em certas circunstâncias, não fazer algo quando se tinha obrigação de fazer pode causar prejuízos que devem ser reparados. Isto aplica-se quando alguém tinha o dever de praticar um acto específico — seja porque a lei o impunha, seja porque um contrato ou outro negócio jurídico o estabelecia — e deixou de o fazer intencionalmente ou por negligência. O fundamento é que o responsável não pode ficar impune quando a sua inação causa dano a outrem, desde que esse dever existisse. Este artigo é particularmente relevante em situações de responsabilidade profissional, deveres de vigilância, ou obrigações contratuais não cumpridas.

Quando se aplica — exemplos práticos

Médico que não prescreve medicamento obrigatório

Um doente consulta um médico para uma doença grave. Por negligência ou esquecimento, o médico omite prescrever o medicamento essencial que deveria ter prescrito. O doente sofre agravamento da saúde. O médico tinha dever legal de agir (a sua profissão o obriga). A omissão causou dano. O doente pode exigir reparação pelos prejuízos sofridos.

Contrato de vigilância não cumprido

Uma empresa contrata um serviço de vigilância para proteger o seu armazém. O vigilante, por negligência, não faz as rondas noturnas que deveria fazer, conforme o contrato. Ocorre um roubo que teria sido evitado se houvesse vigilância. A empresa pode exigir indemnização pela omissão do vigilante, que tinha dever contratual de agir.

Procurador que não entrega documento em prazo

Um advogado recebe uma procuração para entregar um documento importante num prazo legal. Por esquecimento, não o entrega. O cliente perde direitos por falha de prazos processuais. Havia dever legal e contratual de agir. O cliente pode ser indemnizado pelos danos causados pela omissão do advogado.

Texto oficial

Ver no PGDL ↗
As simples omissões dão lugar à obrigação de reparar os danos, quando, independentemente dos outros requisitos legais, havia, por força da lei ou de negócio jurídico, o dever de praticar o acto omitido.
33 palavras · ID 775A0486
Assistente jurídico TOGA

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