Capítulo I · Incidência

Artigo 71.ºTaxas liberatórias

Pertence ao Código do IRS (DL n.º 442-A/88, de 30 de Novembro)

Resumo em linguagem claraGerado por IA · revisto contra texto oficial

Este artigo estabelece as taxas de retenção na fonte que funcionam como imposto final sobre diversos rendimentos. A taxa-base é 28% para rendimentos de capitais e valores mobiliários pagos em Portugal. Para não residentes, a taxa é 25% sobre salários, rendimentos empresariais, pensões e ganhos patrimoniais. Existe uma isenção especial para não residentes que ganham até ao salário mínimo mensal (onde não há retenção), aplicando-se 25% apenas ao excesso. Residentes noutros Estados da UE/EEE podem pedir devolução do imposto retido se for superior ao que pagariam pelos seus rendimentos totais. A taxa agrava-se para 35% quando os rendimentos são pagos em contas anónimas ou provêm de países com regimes fiscais muito favoráveis. O essencial: estas retenções são impostos definitivos que a entidade pagadora desconta na fonte, não precisando o beneficiário de fazer declaração adicional (exceto em casos de opção de englobamento ou direito a devolução).

Quando se aplica — exemplos práticos

Rendimentos de valores mobiliários de um residente

Um português recebe 1.000€ de juros de obrigações pagos por um banco português. O banco retém 28% (280€) e paga-lhe apenas 720€. Esta retenção é imposto definitivo — o português não precisa de declarar estes juros na declaração de IRS anual. O imposto já foi cobrado.

Salário de um trabalhador não residente

Um francês trabalha em Portugal e ganha 2.000€ mensais. Se ganhar menos de 820€ (salário mínimo), não há retenção. No exemplo, o excesso (1.180€) sofre retenção de 25%, ou seja 295€. Recebe 1.705€. Pode depois pedir devolução parcial em França se o seu imposto total for menor.

Rendimentos em conta anónima

Rendimentos depositados em conta bancária sem identificação clara do proprietário sofrem retenção mais elevada (35%) em vez de 28%. Se o banco identificar o beneficiário efetivo, a taxa normal (28%) volta a aplicar-se. Isto desencoraja a ocultação de identidades.

Texto oficial

Ver no PGDL ↗
1 - Estão sujeitos a retenção na fonte a título definitivo, à taxa liberatória de 28 %:a) Os rendimentos de capitais obtidos em território português, por residentes ou não residentes, pagos por ou através de entidades que aqui tenham sede, direção efetiva ou estabelecimento estável a que deva imputar-se o pagamento e que disponham ou devam dispor de contabilidade organizada; b) Os rendimentos de valores mobiliários pagos ou colocados à disposição dos respetivos titulares, residentes em território português, devidos por entidades que não tenham aqui domicílio a que possa imputar-se o pagamento, por intermédio de entidades que estejam mandatadas por devedores ou titulares ou ajam por conta de uns ou outros. c) (Revogada.) d) (Revogada.) 2 - (Revogado.) 3 - Excetuam-se do disposto na alínea b) do n.º 1 os rendimentos pagos ou colocados à disposição de fundos de investimento constituídos de acordo com a legislação nacional, caso em que não há lugar a retenção na fonte. 4 - Estão sujeitos a retenção na fonte a título definitivo, à taxa liberatória de 25 %, os seguintes rendimentos obtidos em território português por não residentes: a) Os rendimentos do trabalho dependente e todos os rendimentos empresariais e profissionais, ainda que decorrentes de atos isolados; b) Os rendimentos de capitais referidos nas alíneas m) e n) do n.º 2 do artigo 5.º; c) As pensões; d) Os incrementos patrimoniais previstos nas alíneas b) e c) do n.º 1 do artigo 9.º 5 - Aos rendimentos referidos na alínea a) do número anterior mensalmente pagos ou colocados à disposição dos respetivos titulares não é aplicada qualquer retenção na fonte até ao valor da retribuição mínima mensal garantida, quando os mesmos resultem de trabalho ou serviços prestados a uma única entidade, aplicando-se a taxa aí prevista à parte que exceda esse valor. (Redação da Lei n.º 71/2018, de 31 de dezembro) 6 - Para efeitos do número anterior, o titular dos rendimentos deve comunicar à entidade devedora, através de declaração escrita, que não auferiu ou aufere o mesmo tipo de rendimentos de outras entidades residentes em território português ou de estabelecimentos estáveis de entidades não residentes neste território. (Redação da Lei n.º 71/2018, de 31 de dezembro) 7 - Quando os rendimentos a que se refere o n.º 5 forem auferidos a título de trabalho suplementar, o limite aí previsto é aplicável autonomamente em relação aos rendimentos auferidos nas primeiras 100 horas de trabalho ou serviços prestados a esse título, aplicando-se a taxa prevista no n.º 4 à parte que exceda aquele limite ou número de horas. (Redação da Lei n.º 45-A/2024, de 31 de dezembro) 8 - As taxas previstas nos números anteriores incidem sobre os rendimentos ilíquidos, exceto no que se refere às pensões, as quais beneficiam da dedução prevista no artigo 53.º, sem prejuízo do que se disponha na lei, designadamente no Estatuto dos Benefícios Fiscais. (Anterior n.º 7, redação da Lei n.º 24-D/2022, de 30 de dezembro) 9 - Os rendimentos a que se refere o n.º 1 podem ser englobados para efeitos da sua tributação, por opção dos respetivos titulares, residentes em território nacional, desde que obtidos fora do âmbito do exercício de atividades empresariais e profissionais. (Anterior n.º 8, redação da Lei n.º 24-D/2022, de 30 de dezembro) 10 - Feita a opção a que se refere o número anterior, a retenção que tiver sido efetuada tem a natureza de pagamento por conta do imposto devido a final. (Anterior n.º 9, redação da Lei n.º 24-D/2022, de 30 de dezembro) 11 - Os titulares de rendimentos referidos nas alíneas a) a d), f), m) e o) do n.º 1 do artigo 18.º sujeitos a retenção na fonte nos termos do presente artigo que sejam residentes noutro Estado membro da União Europeia ou do espaço económico europeu, neste último caso desde que exista obrigação de cooperação administrativa em matéria fiscal equivalente à estabelecida na União Europeia, podem solicitar a devolução, total ou parcial, do imposto retido e pago na parte em que seja superior ao que resultaria da aplicação da tabela de taxas prevista no n.º 1 do artigo 68.º, tendo em consideração todos os rendimentos, incluindo os obtidos fora deste território, nas mesmas condições que são aplicáveis aos residentes (Anterior n.º 10, redação da Lei n.º 24-D/2022, de 30 de dezembro) 12 - Para os efeitos do disposto no número anterior, são dedutíveis até à concorrência dos rendimentos, os encargos devidamente comprovados necessários para a sua obtenção que estejam direta e exclusivamente relacionados com os rendimentos obtidos em território português ou, no caso dos rendimentos do trabalho dependente, as importâncias previstas no artigo 25.º (Anterior n.º 11, redação da Lei n.º 24-D/2022, de 30 de dezembro) 13 - A devolução do imposto retido e pago deve ser requerida aos serviços competentes da Autoridade Tributária e Aduaneira, no prazo de dois anos contados do final do ano civil seguinte em que se verificou o facto tributário, devendo a restituição ser efetuada até ao fim do 3.º mês seguinte ao da apresentação dos elementos e informações indispensáveis à comprovação das condições e requisitos legalmente exigidos, acrescendo, em caso de incumprimento deste prazo, juros indemnizatórios a taxa idêntica à aplicável aos juros compensatórios a favor do Estado. (Anterior n.º 12, redação da Lei n.º 24-D/2022, de 30 de dezembro) 14 - (Revogado.) (Anterior n.º 13, redação da Lei n.º 24-D/2022, de 30 de dezembro) 15 - (Revogado.) (Anterior n.º 14, redação da Lei n.º 24-D/2022, de 30 de dezembro) 16 - A apresentação do requerimento referido no n.º 13 implica a comunicação espontânea ao Estado de residência do contribuinte do teor do pedido de devolução formulado e do respetivo montante. (Redação da Lei n.º 24-D/2022, de 30 de dezembro) 17 - Estão sujeitos a retenção na fonte a título definitivo, à taxa liberatória de 35 %: (Anterior n.º 16, redação da Lei n.º 24-D/2022, de 30 de dezembro) a) Todos os rendimentos referidos nos números anteriores sempre que sejam pagos ou colocados à disposição em contas abertas em nome de um ou mais titulares mas por conta de terceiros não identificados, exceto quando seja identificado o beneficiário efetivo, termos em que se aplicam as regras gerais; b) Os rendimentos mencionados na alínea a) do n.º 1, obtidos por entidades não residentes sem estabelecimento estável em território português, que sejam domiciliadas em país, território ou região sujeitos a um regime fiscal claramente mais favorável, constante de lista aprovada por portaria do membro do Governo responsável pela área das finanças; c) Os rendimentos mencionados na alínea b) do n.º 1, pagos ou colocados à disposição dos respetivos titulares, residentes em território português, devidos por entidades não residentes sem estabelecimento estável em território português e que sejam domiciliadas em país, território ou região sujeitos a um regime fiscal claramente mais favorável, constante de lista aprovada por portaria do membro do Governo responsável pela área das finanças, por intermédio de entidades que estejam mandatadas por devedores ou titulares ou ajam por conta de uns ou outros. . 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1472 palavras · ID CIRS0071
Assistente jurídico TOGA

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