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Ordem dos Advogados e IA: O Que Pode e Não Pode Fazer

Análise das regras deontológicas da Ordem dos Advogados de Portugal relativamente à utilização de inteligência artificial na prática jurídica.

Aviso Legal

Este conteúdo tem fins meramente informativos e não constitui aconselhamento jurídico. Para questões específicas do seu caso, consulte um advogado qualificado inscrito na Ordem dos Advogados. A TogaAI é uma ferramenta de apoio à prática jurídica e não substitui o julgamento profissional de um advogado.

O Enquadramento Deontológico


A Ordem dos Advogados de Portugal, através do seu Estatuto e Regulamento Deontológico, estabelece os princípios que regem a prática da advocacia. Embora não existam ainda orientações específicas sobre IA, os princípios gerais são suficientes para guiar o comportamento dos advogados.


O Que É Permitido


Usar IA como ferramenta de apoio


A utilização de ferramentas de IA para análise de contratos, pesquisa de jurisprudência, geração de rascunhos de documentos e outras tarefas de apoio é perfeitamente compatível com as normas deontológicas, desde que o advogado mantenha supervisão profissional sobre o output.


Automatizar tarefas administrativas e repetitivas


Usar IA para automatizar tarefas como extração de dados de contratos, organização de processos e geração de documentos padrão é permitido e, na verdade, pode ser visto como cumprimento do dever de competência.


O Que Não É Permitido


Delegar o julgamento profissional à IA


O advogado não pode simplesmente aceitar o output da IA sem exercer julgamento profissional. O Estatuto exige competência e diligência, o que implica verificação humana de qualquer análise ou documento produzido com assistência de IA.


Violar o sigilo profissional


Carregar documentos de clientes para plataformas de IA que não garantam confidencialidade pode constituir violação do sigilo profissional. É essencial usar apenas plataformas RGPD-compliant que não partilhem os dados com terceiros.


Invocar a IA como justificação para erros


Se um advogado cometer um erro numa peça processual porque seguiu o output de uma IA sem verificação, a responsabilidade profissional é inteiramente sua. A IA não é uma circunstância atenuante.


Obrigações que Permanecem


Dever de competência


O artigo 83.º do Estatuto impõe o dever de competência. À medida que a IA se torna ferramenta standard na advocacia, pode argumentar-se que não conhecer e usar estas ferramentas passa a ser uma lacuna de competência.


Dever de confidencialidade


O segredo profissional é absoluto. Qualquer ferramenta de IA usada deve garantir que os dados dos clientes não são acessíveis a terceiros, incluindo a própria empresa que desenvolveu a ferramenta.


Dever de informação ao cliente


Embora não exista obrigação legal explícita de informar o cliente sobre o uso de IA, os princípios de transparência e boa-fé sugerem que, em casos de alta relevância, o cliente deve ser informado.


Recomendações Práticas


  • Use apenas plataformas de IA RGPD-compliant com servidores na UE
  • Documente o processo de uso de IA nas suas notas de trabalho
  • Verifique sempre o output da IA antes de o usar num contexto profissional
  • Fique atento a orientações da Ordem dos Advogados sobre IA (esperadas em 2026-2027)
  • Considere incluir uma cláusula no seu contrato de honorários sobre o uso de ferramentas tecnológicas de apoio